Autor Tópico: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.  (Lida 3255 vezes)

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Offline JohnGalt

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Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Online: 07 de Julho de 2009, 15:08:17 »
Prezados,

Gostaria de anunciar a todos a criação do Instituto John Galt criado para defender os direitos absolutos do indivíduo e para divulgar a escola filosófica iniciada por Ayn Rand, a novelista e filósofa americana.

Nosso site é www.objetivismo.com.br

Segue um breve resumo do Objetivismo, dado por Ayn Rand em 1962:

Em uma conferência de vendas na Random House, precedendo a publicação de Atlas Shrugged, um dos vendedores me perguntou se eu poderia apresentar a essência da minha filosofia num pé só. Eu disse o seguinte:

 

1. Metafísica: Realidade Objetiva
2. Epistemologia: Razão
3. Ética: Auto-interesse
4. Política: Capitalismo
 

Se você quer isso traduzido a uma linguagem simples, soaria assim: 1. "Natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida" ou "Desejar não vai fazer acontecer" 2. "Você não pode comer seu bolo e tê-lo" 3. "O Homem é um fim em si mesmo." 4. "Dê-me liberdade ou dê-me a morte."

Se você tem assumido estes conceitos com total consistência, como base de suas convicções, você tem um completo sistema filosófico para guiar o curso da sua vida. Mas para assumí-los com total consistência- entendê-los, definí-los, prová-los e aplicá-los—é necessário pensar bastante. Por isso filosofia não pode ser discutida num pé só- nem em dois pés em cima do muro. Esta última é a posição filosófica predominante hoje, principalmente no campo da política.

Minha filosofia, objetivismo, afirma que:

1. Realidade existe como um objetivo absoluto- fatos são fatos, independente dos sentimentos do homem, seus desejos, esperanças e medos.
2. Razão (a faculdade que identifica e integra o material provido pelos sentidos do homem) é o único meio do homem preceber a realidade, sua única fonte de conhecimento, seu único guia para a ação, e seu meio básico de sobrevivência.
3. Homem-cada homem- é um fim em si mesmo, não meio para os fins de outros. Ele deve existir em função de si próprio, nem sacrificando-se a outros e nem sacrificando outros para si. A busca de seu auto-interesse racional e de sua própria felicidade é o mais elevado propósito de sua vida.
4. O sistema político-econômico ideal é o capitalismo lassez-faire. É um sistema no qual homens negociam uns com os outros, não como vítimas e executores, nem como mestres e escravos, mas como comerciantes, por livre, voluntária transação para benefício mútuo. É um sistema no qual nenhum homem pode obter qualquer valor dos outros apelando à força física, e nenhum homem pode iniciar o uso da força física contra outros. O governo age apenas como um policial que protege os direitos do homem; ele usa força física apenas em retaliação e apenas contra aqueles que a usaram primeiro, como criminosos e invasores estrangeiros. Em um sistema completamente capitalista, deve existir (mas, historicamente, jamais existiu) uma separação completa de Estado e economia, na mesma forma e pelas mesmas razões da separação do Estado e da igreja.

Offline _tiago

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #1 Online: 08 de Julho de 2009, 10:04:51 »
Um aspecto?
R. Auto-ajuda filosófica.
(Eu prefiro a filosofia que questiona e faz o pensamento, não a que inventa dogmas a serem obedecidos)
.
Não entrei no site, mas foi a impressão que me ficou.

Offline JohnGalt

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #2 Online: 08 de Julho de 2009, 11:41:29 »
Auto-ajuda filosófica?  :| Não posso responder a uma afirmação não justificada. Fundamente.

Dogmas? O objetivismo é uma filosofia que afirma que cada postulado deve ser apoiado em fatos ou em outros postulados (estes apoiados em fatos). Os axiomas do objetivismo - verdades evidentes que não podem ser desmentidas - são o da identidade (A=A), o da Consciência (Ninguém pode usar o pensamento para negar a própria existência - Cogito ergo sum)  e o da existência (A realidade existe).

A partir desses três axiomas se eleva toda a árvore do conhecimento. Não há dogmas...



Offline Buckaroo Banzai

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #3 Online: 08 de Julho de 2009, 22:22:41 »
Embora poucos aqui vão discordar dos aspectos racionalistas/epistemológicos, não é improvável que muitos, talvez a maioria, discorde da suposta coesão entre essa perspectiva de vida implicar na "verdade" ou "dever" do capitalismo laissez-faire, como se fosse a única alternativa condizente.


Citar
O sistema político-econômico ideal é o capitalismo lassez-faire. É um sistema no qual homens negociam uns com os outros, não como vítimas e executores, nem como mestres e escravos, mas como comerciantes, por livre, voluntária transação para benefício mútuo. É um sistema no qual nenhum homem pode obter qualquer valor dos outros apelando à força física, e nenhum homem pode iniciar o uso da força física contra outros. O governo age apenas como um policial que protege os direitos do homem; ele usa força física apenas em retaliação e apenas contra aqueles que a usaram primeiro, como criminosos e invasores estrangeiros. Em um sistema completamente capitalista, deve existir (mas, historicamente, jamais existiu) uma separação completa de Estado e economia, na mesma forma e pelas mesmas razões da separação do Estado e da igreja.

O governo é só um jeito de organizar as coisas. Pode-se ver como razoável que tenha apenas essa função, e que não deve se meter em qualquer conseqüência indesejável resultante do livre-mercado, que qualquer forma de evitar ou corrigir algo deve ser vir de associações filantrópicas ou capitalistas, mas pode-se perfeitamente ver a proteção de ameaça física como não sendo a única que merece, ou que pode ser beneficamente amenizada, com um papel do governo.

Poderia também, claro, se questionar até essa função, considerar que o livre-mercado irá dar conta da questão da segurança e assegurar os demais direitos que se acha que as pessoas devem ter, por si só, sem precisar que isso fosse feito pelo estado. É até coerente com a crítica generalizada ao estado. Se ele é (generalizadamente) tão incompetente para qualquer coisa, de forma praticamente inerente, por que deixar por conta dele a garantia dos direitos mais fundamentais, e não ao tão mais eficiente livre-mercado?



Sugiro que nessa área, se resultar em debate sobre isso, se discuta especificamente a conexão entre as premissas materialistas/objetivistas e as conclusões, e na área de economia se crie (ou se procure algum outro tópico, sobre libertarianismo*, por exemplo) um específico para a questão de livre-comércio e/ou/versus(?) regulação e outros eventuais papéis do estado.






* Rand desprezava os libertários, mas é só birra, mágoa por não ser creditada como achava que devia, e nem tanto diferença ideológica real.

Offline _tiago

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #4 Online: 10 de Julho de 2009, 09:46:40 »
Tudo bem, me precipitei. Com calma agora...
Aquela impressão que anteriormente mencionei, surgiu daqui:
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Se você tem assumido estes conceitos com total consistência, como base de suas convicções, você tem um completo sistema filosófico para guiar o curso da sua vida.
Onde, ao invés de oferecer uma perspectiva sobre como pensar a realidade, ela já te oferece, pela filosofia dela, o pensamento que todos devem assumir. Nesse sentido, em todos os momentos posso contar  com “um completo sistema pra guiar o curso de minha vida” e não pra pensar a minha vida. Essa é a impressão que me ficou: não é pra pensar, é pra seguir. Por isso a impressão de auto-ajuda.
Mas é uma postura... Eu prefiro uma mais cética, a dúvida sempre põe a gente em pensamento e não há conceitos que sustentem quaisquer convicção.
Mas não entrei no site e, como eu disse, foi apenas uma impressão preconceituosa.
.
Continuando.
Dos postulados. O primeiro, da metafísica. Não entendi o que isso significa. Objetivo absoluto? O que ela quer dizer com isso? A realidade como objetivo? A realidade é onde eu existo, como posso fazer dela um objetivo? Eu vivo na realidade, nua e crua, e nela encontro meus objetivos, como encarar ela como um objetivo absoluto?
O segundo, da epistemologia. Tudo bem. A postura racional é bem antiga... Pessoalmente, penso que devemos ter cuidado em contar sempre com ela, a meu ver, na maioria das vezes, na enorme maioria das vezes, ela é surda, cega e muda e se desenvolve tão lenta e dificultosamente que me dá desespero. Com o devido cuidado, também não vejo melhor forma do indivíduo se conduzir pela realidade. Agora, ela é efetiva? É somente dela que me serviria nessa condução? Aliás, existe como induzir toda prática humana (atos, pensamentos, desejos, objetivos) numa prática racional? Eu acho que não, mas vale a pena o esforço.
O terceiro, da ética. Cada homem é um fim em si mesmo, não o meio para os fins de outros? Se eu quero me divertir, pensar, conversar, aprender, trabalhar, namorar... Terei de me virar sozinho? Ninguém é tão completo ou auto-suficiente, sem contar que seria triste. Até o misantropo precisa de alguém por perto pra que possa odiar... Outra, não podemos existir em função apenas de nós próprios, somos animais sociais e duas virtudes importantes nessa condição é a tolerância e a compaixão, aquele momento onde deixamos de lado nossa raiva e cedemos espaço ao outro que é também a nossa vida. Egoístas somos já por natureza, não precisamos de um sistema filosófico que nos empenhe na nessa postura, pelo contrário, precisaríamos de um que brecasse isso, e não pregasse. Dúvidas, duas. O que é a busca do meu auto-interesse racional? Segunda, pelo final, seguindo os preceitos dela eu serei feliz pro resto de minha vida? Aliás, por que você quer ser feliz pro resto de sua vida? Sério mesmo!
O quarto, da política. Não foi o capitalismo laissez-faire que quase levou à bancarrota os sistemas financeiros ao redor do mundo? Eu prefiro que os homens negociem uns com os outros de acordo com regras que pretendem coibir práticas nocivas à saúde capitalista. Sistemas capitalistas mais maduros sobrevivem melhor sem o estado, aqueles ainda nos primórdios dependem e muito de estados que operem como incentivadores. Antes de abrir-se completamente ao capitalismo, o estado irlandês teve de investir em educação e não fosse o interesse do estado a abertura, a Irlanda seria uma ilhazinha miserável próxima a Inglaterra. Todas as crises financeiras deveriam falar por si...

...

Vou ver os vídeos agora...

Offline jackson

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #5 Online: 25 de Agosto de 2010, 13:57:31 »
mabumbo, tais se fazendo de desentendido ou tu não abriu muito tua cabeça.. por isso tu não consegue enteder o que ele ta falando.

Ninguém disse que o homem sendo o fim em si mesmo quer dizer que ele tenha que viver sozinho. Se tu quer se divertir, pensar, conversar, aprender, trabalhar, namorar..tu precisa dos outros, mas o fim é em teu próprio benefício, o fim é de se desenvolver e se tornar uma pessoa melhor, não achas?
toda atividade que desempenhamos tem por fim alimentar algum desejo dentro de nós.. o ego que criamos por nos compararmos aos outros é geralmente o que deseja a maioria dessas coisas, tornando esse ego a pessoa que representamos na sociedade..a pessoa que possui identidade.

se a realidade é onde tu existe, o objetivo não seria existir nesta realidade? existência e experiência se transformam em realidade. teu objetivo é criar a tua realidade, ATRAVÉS das tuas percepções do mundo, e aí então existir e criar identidade.

me retenho a fazer uma crítica sobre o Estado..mas faço uma crítica aos cidadãos(trabalhadores estatários ou não):
sempre queremos TODOS os nossos direitos preservados e mesmo se tivermos, NUNCA cumpriremos todos os nossos deveres.

Se todos cumprissem com todos seus deveres, consequentemente teriamos todos os nossos direitos garantidos, pode ser utopia mas é o que eu acredito...

Offline _tiago

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #6 Online: 25 de Agosto de 2010, 14:29:20 »
Nuuussa...  :o
Dois anos depois...
Nem quero mais brincar!  8-)

Offline uiliníli

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #7 Online: 27 de Setembro de 2010, 10:39:59 »
A propósito, acaba de sair uma nova tradução de Atlas Shrugged para o português:



Para quem aguentar atravessar suas 1200 páginas, é um prato cheio...

Offline Geotecton

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #8 Online: 27 de Setembro de 2010, 15:54:35 »
Uma mensagem que estava entre a resposta do Mabumbo e do uiliníli foi deletada!
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Offline Dbohr

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #9 Online: 27 de Setembro de 2010, 16:32:35 »
Sim, era de um Spambot :-P

Offline Buckaroo Banzai

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #10 Online: 04 de Outubro de 2010, 23:42:01 »
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http://whatever.scalzi.com/2010/10/01/what-i-think-about-atlas-shrugged/

[...]  The way I handled the trip was to take Atlas Shrugged along for the ride, and when I was bored, to crack open the book and start reading. The book would put me in a fugue state and when I looked up again from the pages, an entire state would have gone by. It’s no exaggeration when I say that Atlas Shrugged probably saved my sanity on that bus trip. So well done, Ms. Rand, and thanks.

That said, it’s a totally ridiculous book which can be summed up as Sociopathic idealized nerds collapse society because they don’t get enough hugs. (This is, incidentally, where you can start your popcorn munching.) Indeed, the enduring popularity of Atlas Shrugged lies in the fact that it is nerd revenge porn — if you’re an nerd of an engineering-ish stripe who remembers all too well being slammed into your locker by a bunch of football dickheads, then the idea that people like you could make all those dickheads suffer by “going Galt” has a direct line to the pleasure centers of your brain. I’ll show you! the nerds imagine themselves crying. I’ll show you all! And then they disappear into a crevasse that Google Maps will not show because the Google people are our kind of people, and a year later they come out and everyone who was ever mean to them will have starved. Then these nerds can begin again, presumably with the help of robots, because any child in the post-Atlas Shrugged world who can’t figure out how to run a smelter within ten minutes of being pushed through the birth canal will be left out for the coyotes. Which if nothing else solves the problem of day care.

All of this is fine, if one recognizes that the idealized world Ayn Rand has created to facilitate her wishful theorizing has no more logical connection to our real one than a world in which an author has imagined humanity ruled by intelligent cups of yogurt. This is most obviously revealed by the fact that in Ayn Rand’s world, a man who self-righteously instigates the collapse of society, thereby inevitably killing millions if not billions of people, is portrayed as a messiah figure rather than as a genocidal prick, which is what he’d be anywhere else. Yes, he’s a genocidal prick with excellent engineering skills. Good for him. He’s still a genocidal prick. Indeed, if John Galt were portrayed as an intelligent cup of yogurt rather than poured into human form, this would be obvious. Oh my god, that cup of yogurt wants to kill most of humanity to make a philosophical point! Somebody eat him quick! And that would be that.

The fact that apparently a very large number of people don’t recognize Galt as the genocidal prick he is suggests a) Rand’s skill at stacking the story-telling deck is not to be discounted, and b) as with any audience with a large number of nerds in it, a non-trivial number of Atlas Shrugged readers are possibly far enough along the Asperger spectrum that they don’t recognize humanity does not in fact easily suss out into Randian capitalist superheroes on one side and craven socialist losers on the other, or that Rand’s neatly-stacked deck doesn’t mirror the world as it is, or (if one gives it any sort of genuine reflection) model it as it should be.

To be fair to Rand, she’s certainly not the only science fiction/fantasy author who has lashed together a universe out of twine and novel but shallow philosophical meanderings (Objectivism: the spongy white bread of the Great Buffet of Human Ideas), and then populated it with characters tuned to exist in that universe and that universe only. She’s not even the only author to have enthusiastic nerds confuse that Potemkin universe with a possible one, who then go about annoying the rest of us, who have no desire to be characters in that sort of universe, thank you kindly. But on the other hand, Rand did spend a lot of time getting high on her own supply, which most pushers are smart enough not to do, and at the moment, her claque of enthusiastic nerds certainly seems to be the most energetic, which doesn’t really please me. I wish they could be more like Heinlein nerds, who keep to their own freeholds.

So that’s how it susses out for me. As a pulpy, fun read about an unrealistic world that could never happen, I give Atlas Shrugged a thumbs up. As a foundational document for a philosophy for living in reality with other actual live human beings, I rank it below Jonathan Livingston Seagull and The Secret, both of which also have the added value of being shorter.





Offline Buckaroo Banzai

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #11 Online: 06 de Abril de 2011, 23:14:59 »
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[Salon] How Ayn Rand ruined my childhood
My dad saw objectivism as a logical philosophy to live by, but it tore my family apart
By Alyssa Bereznak



iStockphoto/Salon

My parents split up when I was 4. My father, a lawyer, wrote the divorce papers himself and included one specific rule: My mother was forbidden to raise my brother and me religiously. She agreed, dissolving Sunday church and Bible study with one swift signature. Mom didn't mind; she was agnostic and knew we didn't need religion to be good people. But a disdain for faith wasn't the only reason he wrote God out of my childhood. There was simply no room in our household for both Jesus Christ and my father's one true love: Ayn Rand.

You might be familiar with Rand from a high school reading assignment. Perhaps a Tea Partyer acquaintance name-dropped her in a debate on individual rights. Or maybe you've heard the film adaptation of her magnum opus "Atlas Shrugged" is due out April 15. In short, she is a Russian-born American novelist who championed her self-taught philosophy of objectivism through her many works of fiction. Conservatives are known to praise her for her support of laissez-faire economics and meritocracy. Liberals tend to criticize her for being too simplistic. I know her more intimately as the woman whose philosophy dictates my father's every decision.

What is objectivism? If you'd asked me that question as a child, I could have trotted to the foyer of my father's home and referenced a framed quote by Rand that hung there like a cross. It read: "My philosophy, in essence, is the concept of man as a heroic being, with his own happiness as the moral purpose of his life, with productive achievement as his noblest activity, and reason as his only absolute." As a little kid I interpreted this to mean: Love yourself. Nowadays, Rand's bit is best summed up by the rapper Drake, who sang: "Imma do me."

Dad wasn't always a Rand zealot. He was raised in a Catholic family and went to church every week. After he and my mother got married in 1982, they shopped around for a church. He was looking for something to live by, but he couldn't find it in traditional organized religion.

Then he discovered objectivism. I don't know exactly why he sparked to Rand. He claimed the philosophy appealed to him because it's based solely on logic. It also conveniently quenched his lawyer's thirst to always be right. It's not uncommon for people to seek out belief systems, whether political or spiritual, that make them feel good about how they already live their lives. Ultimately, I suspect Dad was drawn to objectivism because, unlike so many altruistic faiths, it made him feel good about being selfish.

Needless to say, Dad's newfound obsession with the individual didn't pan out so well with the woman he married. He was always controlling, but he became even more so. In the end, my mother moved out, but objectivism stayed. My brother and I switched off living at each parent’s house once a week.

It was odd growing up, at least part-time, in an objectivist house. My father reserved long weekends to attend Ayn Rand Institute conferences held in Orange County, California. He would return with a tan and a pile of new reading material for my brother and me. While other kids my age were going to Bible study, I took evening classes from the institute via phone. (I half-listened while clicking through lolcat photos.)

Our objectivist education, however, was not confined to lectures and books. One time, at dinner, I complained that my brother was hogging all the food.

"He's being selfish!" I whined to my father.

"Being selfish is a good thing," he said. "To be selfless is to deny one's self. To be selfish is to embrace the self, and accept your wants and needs."

It was my dad's classic response -- a grandiose philosophical answer to a simple real-world problem. But who cared about logic? All I wanted was another serving of mashed potatoes.

Still, Rand's philosophy was well-suited for the self-absorbed tween I was becoming. Her books were packed with riveting plot twists and sexy architects -- easy reading as long as you skimmed over the occasional four-page, didactic rant. Around the time I began exploring Rand's literature, my parents began an epic legal battle over child support. I felt isolated by the conflict and found solace in Rand's message: You must rely on yourself for happiness.

Just as many use faith as a reason to continue during hard times, objectivism helped me stay strong throughout my parents' legal battle. I got a part-time job, played field hockey, ran for student government and joined the yearbook staff. I argued with a Birkenstock-clad substitute teacher the day he showed Michael Moore's classic underdog-bites-back documentary "Roger and Me" in government class. He looked at me in disbelief as I, a skinny blond girl with braces, insisted that General Motors CEO Roger Smith had every right to ruin the lives of Flint, Mich., citizens. On weekends I argued with my friends that global warming didn't exist. I hoarded my accomplishments at school, convinced I'd earned them all on my own. Meanwhile, my mother quietly packed my lunch every day.

Soon, however, I began to question whether my father's philosophical beliefs were simply a justification of his own needs. As soon as the legal drama erupted, he refused to pay for even the smallest things, declaring, "Your mother is suing me," in defensive sound bites, as though it explained everything.

Can I buy new shoes? A couple bucks for the movies? Your mother is suing me.

Twenty dollars for a class field trip? Your mother is suing me.

From what I understood of his favorite capitalist champion, any form of altruism was evil. But how could that kind of blanket self-interest extend to his own children, the people he was legally and morally bound to take care of? What was I supposed to do, fend for myself?

The answer to my question came on an autumn weekend during my sophomore year in high school. I was hosting a Harry Potter-themed float party in our driveway, a normal ritual to prepare decorations for my high school quad the week of homecoming. As I was painting a cardboard owl, my father asked me to come inside the house. He and his new wife sat me down at the dinner table with grave faces.

"We were wondering if you would petition to be emancipated," he said in his lawyer voice.

"What does that mean?" I asked, picking at the mauve paint on my hands. I later discovered that for most kids, declaring emancipation is an extreme measure -- something you do if your parents are crack addicts or deadbeats.

"You would need to become financially independent," he said. "You could work for me at my law firm and pay rent to live here."

This was my moment of truth as an objectivist. If I believed in the glory of the individual, I would've signed the petition papers then and there. But as much as Rand's novels had taught me to believe in meritocracy, they had not prepared me to go it alone financially and emotionally. I began to cry and refused.

Hardcore objectivists often criticize liberals for basing decisions on emotion, rather than reason. My father saw our family politics no differently. In his mind, it was reasonable to ask that I emancipate myself and work for a living. To me, it felt like he was asking me to sacrifice my childhood so he didn't have to pay child support. To me, it felt like abandonment.

Nearly a year after that conversation, my parents' legal battle came to an end. In Santa Clara County's record room, the typical family law case occupies the space of a small manila folder. My parents' case filled several shelves. A judge decided my father would have to pay my mother both what he owed in child support and her attorney fees -- an amount that totaled about $120,000.

Dad’s only choice was to sell our house. I moved to Mom's and saw him for the occasional restaurant lunch or family holiday. The distance between us grew wider when I went off to college. He'd call me every other month to play 20-minute catch-up before he had to rush back to work. More consistent, however, were his e-mails. Forwarded from the daily objectivist newsletter he subscribed to, each one had a title like "George W. Bush, Genius" or "Obama the Pathetic." They continue to pile up in my in box, mostly unread. Every once in a while, I'll click on one, hoping to find a "How are you?" or "What's new?" to no avail. It's a hopeless exercise. I learned long ago that an objectivist like my father simply doesn't care to know.


http://www.salon.com/life/feature/2011/04/04/my_father_the_objectivist/index.html


Offline Feliperj

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #12 Online: 07 de Abril de 2011, 13:01:22 »
Ola John,

"Ninguém disse que o homem sendo o fim em si mesmo quer dizer que ele tenha que viver sozinho. Se tu quer se divertir, pensar, conversar, aprender, trabalhar, namorar..tu precisa dos outros, mas o fim é em teu próprio benefício, o fim é de se desenvolver e se tornar uma pessoa melhor, não achas?"

Nesta filosofia,  como explicar o sacrifício de uma vida, para salvar outra (não necessariamente aparentada) e relacionar isto com benefício próprio sem cair no subjetivismo ?

Abs
Felipe

Offline Geotecton

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #13 Online: 07 de Abril de 2011, 14:21:44 »
Ola John,

"Ninguém disse que o homem sendo o fim em si mesmo quer dizer que ele tenha que viver sozinho. Se tu quer se divertir, pensar, conversar, aprender, trabalhar, namorar..tu precisa dos outros, mas o fim é em teu próprio benefício, o fim é de se desenvolver e se tornar uma pessoa melhor, não achas?"

Nesta filosofia,  como explicar o sacrifício de uma vida, para salvar outra (não necessariamente aparentada) e relacionar isto com benefício próprio sem cair no subjetivismo ?

Abs
Felipe

Será que o sacrifício de um em prol de outro não deve ser considerado uma exceção?
« Última modificação: 07 de Abril de 2011, 22:39:09 por Geotecton »
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Offline Feliperj

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #14 Online: 07 de Abril de 2011, 15:41:02 »
Ola Geotecton,

Eu já prefiro achar que o racional por trás da filosofia está incorreto. Ele não parece considerar a nossa parte emotiva/instintiva, que impnsiona algumas ações altruístas, onde nem temos tempo de refletir e pensar sobre egoísmo, certo ou errado. Apenas fazemos, e muitas vezes nos surpreendemos com os resultados(impactos/feedbaks de terceiros).

Abs
Felipe

Offline Liddell Heart

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #15 Online: 07 de Abril de 2011, 21:46:11 »
Ola Geotecton,

Eu já prefiro achar que o racional por trás da filosofia está incorreto. Ele não parece considerar a nossa parte emotiva/instintiva, que impnsiona algumas ações altruístas, onde nem temos tempo de refletir e pensar sobre egoísmo, certo ou errado. Apenas fazemos, e muitas vezes nos surpreendemos com os resultados(impactos/feedbaks de terceiros).

Abs
Felipe


Na minha leiga opinião sobre a filosofia randiana, acho que a partir do momento em que você pode ter prazer com algo, o mesmo é válido e moral(!).
"Onde mora a liberdade, ali está a minha pátria."
Benjamin Franklin

"Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la."
Voltaire

Offline Feliperj

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #16 Online: 07 de Abril de 2011, 21:54:48 »
Ola,

Eu não conheço nada, somente o que li. Mas pelo q vc falou, então ele justifica os Serial killers.

Acho que esta filosofia poderia ser funcionar para animais que não sejam gregários. E talvez este seja o seu grande problema: a tentativa de aplicá-las a animais gregários.

Abs
Felipe

Offline Liddell Heart

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Re: Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #17 Online: 07 de Abril de 2011, 22:34:46 »
Eu não conheço nada, somente o que li. Mas pelo q vc falou, então ele justifica os Serial killers.

Fora de um contexto, talvez.
Ayn Rand é libertária, logo, respeita/acredita no axioma da "não iniciação de agressão". Ela não justifica assassinatos, mas um eudemonismo hedonista.

Posso estar muito enganado, mas acho que ela é uma versão moderna de Aristipo de Cirene.
"Onde mora a liberdade, ali está a minha pátria."
Benjamin Franklin

"Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la."
Voltaire

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Re:Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #18 Online: 05 de Junho de 2018, 09:21:26 »


OS CAMPEÕES DO EGOÍSMO: AYN RAND, FREUD E A PSICANÁLISE.


Matthieu Ricard

abr 29, 201638 minutos de leitura


Como vimos detalhadamente, os trabalhos realizados por diversas equipes de psicólogos destacaram que os atos realmente altruístas sobejam no cotidiano, contradizendo a tese de uma motivação humana de natureza sistematicamente egoísta.


Uma outra categoria de pensadores não sustenta que o altruísmo seja inexistente, mas que é pernicioso, imoral ou doentio. Esses pensadores baseiam-se no que os psicólogos e filósofos chamam de “egoísmo ético”, em outras palavras, na doutrina que faz o egoísmo uma virtude que seria o fundamento de uma moral pessoal.


Maquiavel já justificava em certos aspectos o egoísmo. Estava convencido de que o mal era necessário para governar e que o altruísmo constituía uma fraqueza. “Um príncipe”, escreve ele, “não pode exercer impunemente todas as virtudes, pois o interesse em sua conservação o obriga a agir contra a humanidade, a caridade e a religião. Assim, ele deve escolher adaptar-se aos ventos e caprichos da Sorte, manter-se no bem, caso possa, mas entrar no mal, se necessário.


Uma posição mais radical foi adotada pelos filósofos alemães Max Stirner e Friedrich Nietzsche que denunciam o altruísmo como um sinal lamentável de impotência. Stirner exerceu uma certa influência no desenvolvimento intelectual de Karl Marx e no movimento anarquista alemão. Ele rejeita a ideia de quaisquer dever e responsabilidade em relação aos outros. A seus olhos, o egoísmo representa o símbolo de uma civilização avançada. E faz a seguinte apologia:


“Cabe ao egoísmo, ao interesse pessoal decidir, e não ao princípio do amor, aos sentimentos de amor tais como caridade, indulgência, benevolência ou até mesmo equidade e justiça.”


Nietzsche também tem pouca estima pelo amor ao próximo, noção que considera uma atitude defendida pelos fracos para os fracos, inibindo a busca do desenvolvimento pessoal e da criatividade. Segundo ele, não deveríamos sentir nenhuma obrigação em ajudar os outros, sem sentir culpa alguma por não intervir em seu favor. “Você deve procurar tirar vantagem, mesmo em detrimento de todo o resto.”, aconselha ele antes de acrescentar: “Você mostra zelo pelo próximo e exprime isso com belas palavras. Mas eu lhe digo: seu amor ao próximo significa seu mau amor a si próprio”. Desse modo, Nietzsche fustiga violentamente o cristianismo e todos aqueles que pregam a subserviência do indivíduo a uma autoridade externa. Ele conclui em “Ecce Homo”, escrito pouco tempo antes de perder definitivamente a razão:”A moral, esta Circe da humanidade, deformou-se, invadiu com sua essência tudo o que é psicologia a ponto de formular esse absurdo de que o amor é algo ‘altruísta”.


Após esses filósofos, tivemos no século XX duas figuras emblemáticas do egoísmo. Uma é a filosofa americana Ayn Rand. Quase desconhecida na Europa, ela é um ícone nos Estados Unidos. Outro é Sigmund Freud, ainda muito influente na França, na Argentina e no Brasil, mas em vias de ser esquecido em todos os outros lugares do mundo onde o ensino universitário da psicologia já não dá mais importância à psicanálise. A primeira proclama que ser egoísta é a melhor maneira de ser feliz. O segundo afirma que o incitamento a adotar uma atitude altruísta leva a um desequilíbrio neurótico, e que é portanto mais saudável assumir plenamente seu egoísmo natural.

 

O fenômeno Ayn Rand



No que tange à filosofa Ayn Rand, que chega a sustentar que o altruísmo é “imoral”, é interessante observar que ela continua a desfrutar de uma influência considerável na sociedade norte-americana, sobretudo nos meios conservadores ultra-liberais. É difícil compreender a divisão existente hoje nos Estados Unidos entre republicanos e democratas, entre partidários e oponentes da solidariedade social e de um papel ativo do Estado na vida dos cidadãos, sem mensurar a influência do pensamento de Ayn Rand. Nascida na Rússia no início do século XX e naturalizada norte-americana, falecida em 1982, no início da era Reagan, é uma das autoras mais populares do outro lado do Atlântico. Em 1991, de acordo com uma pesquisa efetuada pela Biblioteca do Congresso, os norte-americanos citaram “A revolta de Atlas”, sua obra principal, como o livro que mais os influenciou após a Bíblia! Publicado em 1957, este imenso romance de 1400 páginas – que define a visão de mundo de Ayn Rand – chegou a 24 milhões de exemplares. Ainda hoje são vendidos várias centenas de milhares por ano. Dois outros romances, Hino (Anthem) e A nascente (Fountainhead) publicados em 1938 e 1943, foram também grandes campeões de venda.


A moda dessa autora e filosofa foi tão significativa nos Estados Unidos que quase todo o mundo passou por “um período de Ayn Rand”. O presidente Ronald Reagan era um de seus fervorosos admiradores. Alan Greenspan, ex-presidente do FED, que controla a economia norte-americana declarou que ela havia modelado profundamente seu pensamento e que “seus valores se harmonizavam”. Ayn Rand estava ao lado de Greenspan quando este prestou juramento perante o presidente Ford. Ela também é considerada uma heroína do Tea Party (Movimento político norte-americano ultraconservador.) e dos movimentos políticos que devem a ela a vontade de reduzir, ao mínimo possível, o papel do Estado na vida dos cidadãos. Paul Ryan, candidato à vice-presidência americana em 2012 na chapa de Mitt Romney, exigiu de seus colaboradores que lessem os livros de Ayn Rand, e afirmou que ela inspirou sua carreira política. O essencial do programa econômico e social de Paul Ryan consistia em reduzir os impostos para os ricos e os subsídios para os pobres.


Ayn Rand estava muito imbuída de sua influência e citava “modestamente” os três “A” relevantes na história da filosofia: Aristóteles, Santo Agostinho e ela própria. Só isso! Na França, A nascente só foi publicada recentemente sob o impulso e com o financiamento de um admirador norte-americano. A razão da publicação tardia deve-se sobretudo ao fato de que a corrente de pensamento encarnada por Rand, o objetivismo, cujos princípios estão resumidos em um ensaio muito conciso publicado na França com título “A virtude do egoísmo”, permanece felizmente bastante afastada da mentalidade europeia.


Ayn Rand não afirma que somos todos fundamentalmente egoístas: ela lamenta que não sejamos o suficiente. Para ela, o altruísmo é só um vício masoquista que ameaça nossa sobrevivência e nos conduz a negligenciar nossa felicidade em prol da dos outros, e a nos comportar como “animais sacrificiais”. “O altruísmo significa que você coloca o bem-estar dos outros acima do seu, que você vive com o objetivo de ajuda-los e que isso dá sentido à sua vida. É imoral segundo minha moralidade.” declarava na televisão em 1979. Ela exalta, em contrapartida, “a palavra gravada que deve ser meu farol e meu estandarte. A palavra não morrerá, mesmo que tenhamos que morrer na luta. A palavra sagrada: EGO.”


O altruísmo, segundo Rand, não é só prejudicial, é “uma noção monstruosa” que representa a “moralidade dos canibais devorando-se uns aos outros”. Ele é também uma degradação: “Você deve oferecer seu amor àqueles que não o merecem […] Essa que é sua moral sacrificial e esses são ideais inseparáveis que ela oferece: reformar a sociedade para fazer dela um curral humano; e remodelar sua mente à imagem de um monte de lixo”.


A filosofa norte-americana não tem papas na língua. Em 1959, em uma entrevista à televisão, declarou: “Considero o altruísmo maléfico. […] O homem deve ter estima apenas por si próprio. […] O altruísmo é imoral porque manda amar todo mundo sem discriminação. […] Devemos amar apenas aqueles que merecem”. Quando o jornalista que a entrevista comenta: “Pouquissímas pessoas no mundo parecem merecer seu amor.”, Ayn Rand replica: “Infelizmente, sim. […] Nunca ninguém deu uma razão válida para justificar que o homem deve proteger seu semelhante. Em um de seus romances, A nascente, Rand conclui: “Os estragos do egoísmo são infinitamente menores que aqueles perpetrados em nome do altruísmo”.


Ela considera que as relações humanas devem ser baseadas nos princípios do comércio. Destacando essas palavras, na mesma entrevista, o jornalista a interroga sobre sua vida pessoal: “A senhora ajuda financeiramente seu marido. Não é uma contradição?” “Não, porque eu o amo com um amor egoísta. É meu interesse ajudá-lo. Não chamaria isso de sacrifício, pois estar com ele me dá um prazer egoísta.” Ela acrescenta, ainda, que diante de uma pessoa que se afoga, só é aceitável moralmente correr riscos para salvá-la se se tratar de um ser querido cujo desaparecimento vá tornar nossa vida insuportável. Nos demais casos, seria imoral tentar salvá-la do afogamento se o perigo que se corre é elevado. Seria dar mostra de falta de autoestima.


Seria tentador descartar Ayn Rand e considerá-la uma sinistra anomalia, uma arrogante psicopata que deu asas a suas divagações egoístas e quis reconstruir o mundo a partir de quase nada (ela tolerava Aristóteles, pois o considerava como sua única inspiração filosófica, embora “discordasse bastante de muitas de suas posições”). Entretanto, o fato de ter marcado a tal ponto a cultura norte-americana que, por sua vez, exerce grande influência em todo mundo, obriga-nos a considerar esse fenômeno, por mais incômodo que seja, à semelhança do clínico que não pode ignorar uma doença estranha que ameaça propagar-se ao resto do mundo.



Ayn Rand desenvolve seu argumento principal da seguinte maneira: o bem mais precioso do homem é sua vida. Esta é um fim em si mesma e não pode ser utilizada como um meio para realizar o bem do outro. Segundo a ética objetivista, cuidar de si e procurar sua própria felicidade por todos os meios disponíveis constituem a razão moral mais elevada do homem.


Até aqui, o raciocínio não é muito original, e podemos admitir que a aspiração mais ambicionada do ser humano é viver sua vida até o fim e ter mais alegria que sofrimento. Mas Ayn Rand lança, desajeitadamente, a pedra angular de seu arcabouço intelectual que a partir daí desmorona: o desejo fundamental do homem é viver e ser feliz, por conseguinte deve ser egoísta.


É aqui que se situa a falha lógica. Rand racicina no abstrato e perde contato com a experiência vivida. Esta demonstra que um egoísmo tão extremo quanto o que ela preconiza tem mais chances de tornar o indivíduo infeliz do que de favorecer seu desenvolvimento. Aliás, parece ter sido o próprio caso de Rand, segundo os testemunhos daqueles que por muito tempo a acompanharam. Altiva, narcisista, rígida e desprovida de empatia, no limite da psicopatia, ela teve relações vingativas e conflitivas com muitos de seus próximos e colaboradores. Desprezava os mortais comuns considerados por ela como “medíocres, broncos e irracionais”.


Perdida na esfera do raciocínio conceitual, Rand ignora o fato de que na realidade – realidade esta que ela afirma adorar acima de tudo – o altruísmo não é nem sacrificial nem fator de frustração, mas constitui uma das principais fontes de felicidade e de plenitude do ser humano. Como destacam Luca e Francesco Cavalli-Sforza, respectivamente pai e filho, um geneticista de renome e outro filósofo: “A ética nasceu como ciência da felicidade. Para ser feliz, é melhor cuidar dos outros ou pensar exclusivamente em si?” As pesquisas em psicologia social demonstraram claramente que a satisfação gerada pelas atividades egocentradas é inferior àquela decorrente de atividades altruístas.


O filosofo norte-americano James Rachels fornece um argumento suplementar para mostrar a incoerência das teses de Ayn Rand: “Em virtude de que diferença poderia eu me considerar tão especial em relação ao outro? Sou mais inteligente? Realizei mais coisas? Aproveito mais a vida do que os outros? Tenho mais defeito de viver e de ser feliz do que aqueles que me rodeiam? Seria impossível responder afirmativamente a esta última questão. Consequentemente, promover o egoísmo como uma virtude moral é uma doutrina tão arbitrária quanto o racismo. Na verdade, devemos nos preocupar com os interesses e com o bem-estar dos outros exatamente pelas mesmas razões que nos fazem preocuparmo-nos com nossos direitos e aspirações, com nossas alegrias e sofrimentos”.





http://www.budavirtual.com.br/os-campeoes-do-egoismo-ayn-rand-freud-e-a-psicanalise/



continua


« Última modificação: 05 de Junho de 2018, 09:27:58 por JJ »

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Re:Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #19 Online: 05 de Junho de 2018, 09:22:32 »

Freud e seus sucessores


A posição de Freud quanto ao altruísmo, menos dogmática que a de Ayn Rand, é também mais fundamentada sobre a intuição do que sobre o raciocínio, porém se mostra também distante da realidade. Freud esboça uma imagem depreciativa do ser humano, desde a fase da primeira infância: “A criança é totalmente egoísta, sente intensamente suas necessidades e aspira, sem qualquer consideração pelos outros, à sua satisfação, sobretudo diante de seus rivais, as outras crianças”. Ora, todos os estudos baseados na observação objetiva e sistemática de um grande número de crianças, os de Tomasello e Warneken em particular, sobre os quais já tratamos em capítulos anteriores, mostraram sem ambiguidade que a afirmação de Freud é falsa, e que a empatia e os comportamentos benévolos estão dentre as primeiras disposições espontâneas das crianças.


Além disso, se acreditarmos no que Freud escreveu numa carta ao pastor Pfister, as coisas não se resolveriam na idade adulta: “Não me preocupo muito com a questão do bem e do mal, mas, em geral, descobri muito pouco “bem” nos homens. Pelo que sei, a maioria não passa de gentalha”.


Segundo Freud, a sociedade e seus membros só têm importância para o indivíduo à medida que favorecem ou contrariam a satisfação de seus instintos. Essa disposição abrangeria todos os aspectos de nossa existência, inclusive os sonhos que são “todos absolutamente egoístas”. Freud chega a afirmar: “Quando parece que o sonho é provocado pelo interesse em relação à outra pessoa, trata-se apenas de uma aparência enganosa”.


Poucas vezes Freud refere-se ao altruísmo (A palavra “altruísmo” aparece somente sete vezes nos vinte e tanto volumes de suas obras completas.), notadamente quando declara: “Em outros termos, o desenvolvimento individual aparece como o produto da interferência de duas tendências: a aspiração à felicidade, que chamamos geralmente de “egoísmo”, e a aspiração à união com os outros membros da comunidade, que qualificamos de “altruísmo”. No entanto, ele acrescenta que as tendências altruístas e sociais são adquiridas sob coerções externas e que “não se deve superestimar a aptidão humana à vida social”. E sobretudo, a definição que ele dá do altruísmo como “aspiração à união com os outros membros da comunidade” é inapropriada: podemos nos unir com outros para fazer o bem, mas também para prejudicar, promover o racismo, fazer parte de uma gangue de malfeitores ou perpetrar um genocídio. ( Posteriormente, o termo “altruísmo” deixou de ser utilizado pelos psicanalistas e não consta no Vocabulário da Psicanálise de Laplanche.)


Em contrapartida, Darwin e muitos outros desde então não cessaram de destacar a propensão natural do homem, e de outros animais que vivem em sociedade, para cooperar e manifestar instintos sociais que, segundo Darwin, “estão sempre presentes e são persistentes” para prestar ajuda e socorro a seus congêneres, e ainda acrescenta: “Eles sentem por estes últimos um certo afeto e simpatia, mesmo sem ser estimulados por qualquer paixão ou desejo especial; sentem tristeza se ocorre de ficarem por longo tempo separados, e ficam sempre felizes por viverem em sua sociedade; o mesmo acontece em relação a nós”. Darwin conclui: “Seria absurdo supor que esses instintos sejam derivados do egoísmo”.


Freud utiliza frequentemente o termo Einfuhlung que, como vimos, deu origem ao termo “empatia”, sem considerá-lo como uma etapa em direção ao altruísmo. Como explica Jacques Hochmann em sua Une historie de L´empathie, Freud refere-se à empatia sobretudo como um meio de comparar nosso estado de espírito com o do outro e de compreender melhor, por exemplo, o efeito cômico involuntário produzido por uma observação ingênua ou boba. “Nosso riso”, afirma Freud, “expressa um sentimento prazeroso de superioridade”.


Em “Por que a guerra?” Freud formula a hipótese da existência de uma “pulsão de morte”, que se exerceria inicialmente contra o próprio indivíduo antes de voltar-se para os outros:


“Tudo acontece de fato como se fôssemos obrigados a destruir pessoas e coisas a fim de não destruirmos a nós próprios, e de nos proteger contra a tendência à autodestruição.”


Este retrato devastador da natureza humana não deixou de impressionar o pensamento contemporâneo, embora tenha sido profundamente questionado e se revelou destituído de fundamento científico. As teses de Freud e do etólogo Konrad Lorenz, segundo as quais a tendência à agressão é uma pulsão primária e autônoma nos seres humanos e nos animais, foram de fato invalidadas por inúmeros trabalhos de pesquisa. (No capítulo “Existe um instinto de violência?” do livro fala-se mais sobre isso.)


Carl Gustav Jung, outra figura fundadora da psicanálise, também te um olhar sombrio a respeito da natureza humana:

“Tem-se quase a impressão de um eufemismo quando a Igreja fala do pecado original. (…) Essa tara do homem, sua tendência ao mal é infinitamente mais pesada do que parece, e é um erro subestimá-la. (…) O mal tem seu lugar na própria natureza humana.”


Desse modo, Freud e Jung forjaram no mundo moderno uma versão secular do pecado original.

 

O altruísmo seria uma compensação doentia de nosso desejo de prejudicar


Segundo Freud e seus discípulos, o ser humano manifesta muito pouca inclinação para fazer o bem, e se por acaso vier a nutrir pensamentos altruístas e comportar-se de maneira benévola, não se trataria de altruísmo verdadeiro, mas de um meio de conter tanto quanto possível as tendências agressivas constantemente à espreita em sua mente. A agressividade seria, na verdade, um “tranço indestrutível da natureza humana”. Em “As pulsões e seus destinos”, Freud afirma:


“O ódio, enquanto relação de objeto, é mais antigo que o amor: nos primórdios da origem ele tem sua fonte na recusa do mundo exterior que emite estímulos, recusa que emana do Eu narcísico.”


Para Freud, a moralidade e os comportamentos pró-sociais nasceriam unicamente de um sentimento de culpa e de mecanismos de defesa utilizados pelo ego para gerar as restrições que a sociedade impõe às pulsões agressivas inatas do indivíduo, assim como às exigências do superego.


De acordo com o etólogo Frans de Waal, o argumento dos que pensam que o homem é naturalmente malévolo e agressivo é via de regra este: “(1) a seleção natural é um processo egoísta e maldoso. (2) que produz automaticamente indivíduos egoístas e maldosos, e (3) apenas os românticos com flores nos cabelos pensam de modo diferente”. Darwin, por outro lado, estava convicto de que o senso moral era inato e que foi adquirido ao longo da evolução. Diversos trabalhos de pesquisa apresentados pelo psicólogo Jonathan Haidt em sua obra The Righteous Mind, revelaram que o senso moral se manifesta espontaneamente em crianças mais novas e não é atribuível à influência dos pais, das normas sociais e das “exigências impostas pela sociedade”, como afirmava Freud. O psicólogo Elliot Turiel já havia constatado que, já muito cedo, a criança possui o senso de equidade e considera que fazer mal a outro é repreensível.


Para a psicanálise, ao contrário, o altruísmo não passa de um mecanismo de defesa destinado a se proteger de pulsões agressivas difíceis de serem reprimidas. Sobretudo ninguém deve esofrçar-se para ser altruísta. Conforme Freud:


‘Todos aqueles que querem ser mais nobres de espírito do que sua constituição lhes permite são vítimas de neuroses; estariam em melhores condições de saúde se pudessem ter sido menos bons.”


Para Anna, filha de Freud, o altruísmo se inscreve no âmbito de mecanismos de defesa contra os conflitos interiores. Ele seria principalmente, segundo o Dicionário Internacional da Psicanálise, “um exutório à agressividade” que em vez de ser reprimida seria deslocada para objetivos “nobres”. O altruísmo seria também “um regozijo por procuração em que o conflito se vincularia a um prazer recusado a si próprio, mas que ajudamos os outros a obter”. O altruísmo seria, finalmente, “uma manifestação do masoquismo”, visto que seriam os sacrifícios ligados ao altruísmo o que buscaria antes de tudo aquele que o pratica. No entanto, de acordo com as pesquisas em psicologia, não existe a menor indicação que comprove que a bondade tem origem nas motivações negativas ou masoquistas.


Segundo afirma Freud, quando as pessoas sofrem de doenças infecciosas, a sífilis em particular, no fundo delas mesmas guardam o desejo de infectar os outros, por despeito de estarem doentes enquanto outros estão saudáveis. Se elas se abstêm apesar de tudo de não infectar aqueles que as rodeiam, é em razão da “luta que esses indivíduos desafortunados são obrigados a travar contra o desejo inconsciente de transmitir sua doença a outros: por que deveriam eles serem os únicos infectados a se verem recusados a fazer tantas coisas, enquanto outros estão bem e são livres para desfrutar tudo que quiserem?” Freud parece ter descartado a possibilidade de que se alguém zela por não infectar o outro, não é por ir contra suas tendências fundamentalmente malévolas, mas pela simples razão de estar de maneira sincera preocupado pela sorte de seus semelhantes. Jacques Van Rillaer, professor emérito de psicologia da Universidade de Louvain-la-Neuve, ex-psicanalista, e autor da obra “As ilusões da Psicanálise”, menciona que um de seus professores de psicanálise, Alphonse De Waelhens, afirmava, na época em que Van Rillaer cursava essa formação: “Quando quiserem saber qual é a verdadeira motivação das pessoas, imaginem o pior; com frequência é isso”.



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Re:Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #20 Online: 05 de Junho de 2018, 09:24:36 »

A exacerbação do egoísmo


A psicanálise com frequência se descreve mais como um meio de conhecimento de si próprio do que uma terapia. Ela se opõe a qualquer forma de avaliação global da eficácia de seus métodos, julgando esta abordagem muito simplista (Lacan chega a mencionar “a subversão da posição do médico pelo avanço da ciência”). Mas, como mostra um relatório do Inserm, quando essa eficácia foi avaliada levando em consideração um número suficiente de casos, os benefícios terapêuticos foram julgados quase inexistentes em comparação às terapias comportamentais e cognitivas que comprovaram sua eficácia em um grande número de distúrbios.


Parece até mesmo que o fato de seguir uma terapia psicanalítica leva amiúde a um aumento do egocentrismo e uma diminuição da empatia. Depois de uma pesquisa sobre a imagem e os efeitos da psicanálise realizada junto a uma ampla amostragem de população, o psicólogo social Serge Moscovici concluiu que, na maioria dos casos, “o psicanalisado, arrogante, fechado, dado à introspecção, esquiva-se sempre da comunicação com o grupo”. Quanto ao psiquiatra francês Henri Baruk, ele critica a prática analítica por reforçar os conflitos interpessoais na medida em que o sujeito psicanalisado “frequentemente vê com severidade seus próximos, pais cônjuge, responsabilizando-os por seus males”. Baruk também observa que alguns indivíduos psicanalisados se tornam muito agressivos, são extremamente severos em relação aos outros, acusando-os sem cessar, o que faz deles indivíduos antisociais. A prática psicanalítica parece, portanto, atrofiar nossas disposições para o altruísmo.


Alguns psicanalistas, longe de negar essa orientação egoísta, parecem endossá-la. François Roustang fala de “fazer o outro passar à inexistência”. Jacques Lacan afirma que “pessoas bem-intencionadas são muito piores que as mal-intencionadas”. Pierre Rey, ex-diretor da revista Marie Claire, submeteu-se a sessões diárias com Lacan para tentar se curar de fobias sociais que, segundo ele, nunca diminuíram nos dez anos de “cura”. Ele afirma ter aprendido muito com sua análise, entre outras coisas, o fato que: “Todas as relações humanas se articulam em torno da depreciação do outro – para ser, é preciso que o outro seja menos'”.


Rey não deixa de aplicar suas convicções, como testemunha o seguinte fato: numa noite em casa de amigos, ele ouve dois jovens explicar que Lacan é um perigoso charlatão. “Por cinco minutos”, relata Rey, “segurei-me para não intervir. Em seguida, senti um véu branco obscurecer meus olhos enquanto uma fantástica dose de adrenalina me fez levantar, repentinamente lívido, músculos tensos, rosto petrificado. Apontei a cada um deles um indicador assassino e me ouvi dizer com uma voz trêmula: “Escutem aqui, seus imbecis, prestem atenção… Uma piscada, mais uma palavra, eu mato vocês.” Paralisados, brancos como giz, acho que nem respiravam. Com medo de ter que cumprir minha promessa, dei meia-volta. Eles aproveitaram e saíram de fininho.


É inegável que muitos psicanalistas tratam seus pacientes com benevolência e que há pacientes que comprovam ter sido beneficiados pela cura psicanalítica, mas é preciso constatar, à luz dos escritos e palavras dos fundadores, que, em linhas gerais, a teoria psicanalítica incentiva o egoísmo e deixa pouco espaço ao altruísmo.

 

“Liberar” as emoções ou “liberar-se” das emoções?


O testemunho de Pierre Rey, como de outros, mostra que a psicanálise dificilmente pode ser considerada uma ciência das emoções. Se não, como conseguiria chegar a tal incapacidade de administrar as emoções destrutivas? Rey relata: “Jorraram de mim numa agitação assustadora gritos bloqueados por detrás de minha carapaça de benevolência cordial. Desde então, todos sabiam aa que se ater com relação aos meus sentimentos a seu respeito. Quando eu amava, para o bem ou para o mal, amava. Quando odiava, para o bem ou para o mal, todos ficavam sabendo”.


Existe aí uma confusão, com sérias consequências, entre liberar as emoções como se soltássemos uma matilha de cães selvagens, e se liberar do julgo das emoções destrutivas e conflituosas, no sentido de não mais ser escravo delas. No primeiro caso, renunciamos a qualquer gestão das emoções negativas e deixamo-las explodir pelo menor motivo, em detrimento do bem-estar do outro e de nossa própria saúde mental. No segundo, aprendemos a libertar-nos de seu poder, sem reprimi-las nem deixá-las destruir o nosso equilíbrio.

A psicanálise nunca recorre à prática de métodos que permitam se libertar gradualmente das toxinas mentais, tais como o ódio, o desejo compulsivo, a inveja, a arrogância e a falta de discernimento, nem de cultivar as qualidades, tais como, o amor altruísta, a empatia, a compaixão, a plena consciência e a atenção.

 

A psicanálise tem valor científico?


O próprio Freud definia a psicanálise como “um procedimento para a investigação de processos anímicos, que são, de outro modo, dificilmente acessíveis; um método de tratamento de perturbações neuróticas que se funda nesta investigação; uma série de concepções psicológicas adquiridas por tal via, que crescem ao mesmo tempo, paulatinamente, para desembocar em uma nova disciplina científica”. Depois, ela foi apresentada como uma “ciência do individual” pelo psicanalista Robert De Falco, que afirma que “o sucesso da psicanálise no mundo, e seu internacionalismo, resulta da combinação da exigência de um saber científico rigoroso e de um judaísmo que havia rompido com a religião”.


Os filósofos das ciências, os psicólogos e os especialistas das ciências cognitivas são, em sua vasta maioria, da opinião que a psicanálise não pode ser considerada uma ciência válida. Eles chegaram a essa mesma conclusão por diferentes caminhos.


O filósofo das ciências Karl Popper acredita que a psicanálise não pode ser considerada uma ciência, uma vez que uma teoria que continua válida tanto para uma observação quanto para o contrário nunca pode ser levada em consideração. Não podendo ser comprovada nem refutada, constitui apenas uma especulação que não acrescenta nada aos nossos conhecimentos.


Um cientista digno desse nome começa emitindo hipóteses – por exemplo a existência do complexo de Édipo no desenvolvimento afetivo da criança -, para em seguida submetê-las a rigorosos testes experimentais suscetíveis de confirmá-las ou refutá-las. Se a observação mostra que os efeitos previstos pela teoria não se produzem, esta é refutada e deve ser abandonada ou modificada. Assim, o critério de refutação permite distinguir o procedimento científico da pseudociência.


Ora, a psicanálise esquiva-se de qualquer refutação concebível graças a sofismas que lhe permitem ter sempre razão, quaisquer que sejam os fatos observados e os argumentos que se lhe opõem: ela se autoconfirma permanentemente. Se um paciente chega adiantado à sessão, ele é ansioso; se chega no horário, é maníaco; se atrasa, é recalcitrante e hostil. Para dar um exemplo mais específico, como provar ou refutar a pedra angular do edifício freudiano, que é o complexo de Édipo?, questionam os autores do “Livro Negro da Psicanálise”. Isso parece impossível, pois se um menino adora a mãe e teme o pai, a psicanálise dirá que ele é a perfeita ilustração desse processo universal. Se rejeita a mãe estando atraído por seu pai, dirá que ele reprime seu “Édipo”, sem dúvida por medo da castração, ou ainda que manifesta um “Édipo negativo”. Em qualquer situação, a psicanálise sempre tem razão. O psicólogo Adolf Wohlgemuth resumia assim essa posição: “Cara eu ganho, coroa você perde”.


Consequentemente, Popper considera que as explicações dos psicanalistas são tão vagas e imaginárias quanto as dos astrólogos e se aparentam muito mais a uma ideologia do que uma ciência.


Um outro grande filósofo das ciências e das teorias do conhecimento, Ludwig Wittgenstein, ficou inicialmente fascinado pela sofisticação aparente da psicanálise mas, após exame metódico, chega à seguinte conclusão:


“Freud prestou um mau serviço com suas pseudoexplicações fantásticas (precisamente porque são engenhosas). Qualquer tolo tem agora essas imagens na mão para explicar, graças a elas, fenômenos patológicos.”


A especulação intelectual, por mais sofisticada que seja, não poderia exibir-se da confrontação com a realidade, isto é, de uma verificação experimental rigorosa. As “pseudoexplicações fantásticas” abundam nos textos psicanalíticos, como prova aquela sugerida pela famosa psicanalista infantil Melanie Klein que parece ter conseguido um acesso quase sobrenatural ao que acontece no cérebro das crianças de menos de dois anos, que ainda não começaram a falar:


“O objetivo principal do indivíduo é de apropriar-se dos conteúdos do corpo da mãe e destrui-la com todas as armas que o sadismo dispõe. (…) Dentro do corpo da mãe, a criança espera encontrar: o pênis do pai, excrementos e crianças, todos esses elementos sendo assimilados a substâncias comestíveis. (…) Nas fantasias, os excrementos são transformados em armas perigosas: urinar equivale a cortar, apunhalar, queimar, afogar, enquanto as matérias fecais são assimiladas a armas e projéteis.”


Um outro epistemólogo (historiador do conhecimento), Adolf Grunbaum, adotava uma posição diferente da de Popper. Para ele, alguns enunciados de Freud são efetivamente refutáveis, visto que, ao serem examinados, revelam-se simplesmente falsos. Freud afirma, por exemplo:


“A inferioridade intelectual de tantas mulheres, que é uma realidade indiscutível, deve ser atribuída à inibição do pensamento, inibição necessária para a repressão sexual.”


Como destaca Jacques Van Rillaer, ecoando a afirmação de Grunbaum, Freud “enuncia duas leis empíricas que podem ser testadas: a inferioridade intelectual das mulheres seria ‘uma realidade’ (a psicologia científica mostrou que não é verdade); a falta de inteligência seria devida à repressão sexual (duvido que se possa observar, numa ampla amostragem, que, quando mulheres sexualmente muito controladas conseguem se libertar de suas inibições, suas capacidades intelectuais são automaticamente aumentadas)”


Frank Cioffi, professor de epistemologia da Universidade de Kent, adota um terceiro modo de refutação: ele qualifica Freud de pseudocientista pela simples razão de ter publicado falsas alegações para comprovar suas hipóteses. Freud nunca realizou pesquisas sistemáticas envolvendo grande número de indivíduos para testar suas ideias, acreditando que as observações clínicas de alguns pacientes bastariam para comprovar suas teorias. Além disso, as pesquisas históricas mostram que Freud não hesitava em truncar a descrição e as conclusões de suas observações clínicas para confirmar suas teorias. O psiquiatra Henri Ellenberger encontrou no instituto psiquiátrico os documentos relativos à Anna O., a primeira paciente psicanalisada segundo os princípios freudianos. Ela ficou visivelmente pior após a tentativa de cura conduzida por Josef Breuer, e a internaram por vários anos no hospital psiquiátrico em questão. Ora, Freud escreveu que Anna O. Havia sido curada de “todos os seus sintomas” pela psicanálise. Em “Os pacientes de Freud”, Borch-Jacobsen demonstrou, por outro lado, que as terapias conduzidas por Freud resultaram, em seu conjunto, em fracassos.


Tudo isso não teria tanta importância se tal teoria se limitasse ao mundo das ideias, mas o fato de ter se tornado uma prática terapêutia acarretou consequências prejudiciais a muitos pacientes. Um exemplo típico é o do autismo. Nos anos 1950, os psicanlistas, encabeçados por Bruno Bettelheim, responsabilizaram as mães pelo autismo de seus filhos. “Afirmo”, escreve Bettelheim, “que o fator que precipita a criança no autismo infantil é o desejo de seus pais de que ela não exista”. Assim, os psicanalistas passaram quarenta anos tentando “tratar” essas mães (que além do sofrimento por ter um filho autista, sentiam-se culpadas por sua doença), abandonando a criança à sua sorte.


Temple Grandin é professora de etologia na Universidade do Colorado. Ela é também autista. Quando criança manifestou graves sintomas, sua mãe a levou ao consultório de Bettelheim. Este declarou à mãe que ela era histérica, e que sua filha havia se tornado autista porque ela não a tinha desejado. Desesperada, procurou outro psicanalista que lhe explicou: “Em termos freudianos, isso significa que a mãe quer ter um pênis”. A mãe, pessoa equilibrada, que sempre cuidou de sua filha com afeto, fez este comentário humorístico: “Tem muitas coisas que eu gostaria de ter na vida, mas o pênis não está na minha lista”.


De fato, segundo a psicanálise, “a psicose da criança nasceria de um mecanismo de defesa diante de uma atitude de uma mãe incestuosa que, na ausência de falo, levaria a destruir o substituto do falo faltante representado por sua prole”. É possível imaginar algo mais absurdo do que isso?


Na França, de acordo com Franck Ramus, diretor de pesquisa no CNRS – Centro Nacional de Pesquisa Científica, os psicanalistas continuam apoiando-se no questionamento dos pais, particularmente da mãe, no caso da doença de seu filho. Uma delas relata que lhe perguntaram reiteradas vezes: “Você realmente queria seu filho?” Alexandre Bolling, pai de um menino autista de cinco anos, conta: “Um dos psiquiatras que consultamos afirmou que eu era esquizofrênico, o que explicava os distúrbios de meu filho…”. Um psiquiatra de trinta anos conta ter assistido a “cenas alucinantes” quando estagiava como psiquiatra infantil em centros de consultas para autistas: “A atribuição da culpa aos pais é uma realidade. Durante as sessões de debriefing, todos eram qualificados de psicóticos, e os problemas das crianças eram consequência exclusiva da toxidade paterna ou materna”.


Essas teorias foram abandonadas após décadas por todos os pesquisadores e cientistas, para quem o autismo é um distúrbio do desenvolvimento neurológico com forte componente genético. Existem inúmeras formas de autismo e, segundo trabalhos sintetizados por Martha Herbert, da Universidade de Harvard, é possível que o aumento da incidência do autismo nos últimos cinquenta anos esteja em parte vinculado ao uso globalizado de pesticidas e fertilizantes. O que sim sabemos é que essa doença jamais é provocada pela influência psicológica da mãe.


Na Inglaterra e em muitos outros países, 70% dos autistas, tratados com atenção, e não suas mães, frequentam estabelecimentos escolares normais. Somente os casos mais graves são colocados em instituições especializadas. Na França, é o contrário. Apenas 20% das crianças são autistas são escolarizadas e levam uma vida quase normal. As demais carregam o peso da influência do pensamento psicanalíticos nos meios acadêmicos. Recentemente, a Alta Autoridade de Saúde – HAS – concluiu que a psicanálise era “não pertinente” no caso do autismo. Ela recomenda um diagnóstico precoce, exercícios educativos e terapias cognitivas baseadas em instrumentos de comunicação específicos por meio do uso de imagens, jogos ou exercícios de gestão dos comportamentos.



Offline JJ

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Re:Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #21 Online: 05 de Junho de 2018, 09:26:22 »
Uma generalização abusiva


De fato existem, de modo anormal, indivíduos egoístas, agressivos e que nutrem diferentes obsessões, mas como nos lembra o psicólogo Paul Ekman: “Freud concebeu sua teoria da natureza humana a partir de uma pequena amostragem de pessoas muito perturbadas. Ao constatar-se uma doença em um certo número de pacientes, não se pode inferir que todos os seres humanos sofram dessa doença”. E acrescenta: “Tomemos como exemplo o completo de Édipo. É provável que alguns indivíduos sofram disso, mas desejar ter relações sexuais com seus pais – e isto desde os cinco anos de idade – não está com certeza, inscrito na natureza humana!”


Podemos comparar um paciente particularmente agressivo a um veículo avariado cujo acelerador ficou preso ao assoalho. A única maneira de manter a velocidade normal é pisar constantemente no freio. Um mecânico pode passar muito tempo para identificar e consertar esse problema, mas estaria errado se afirmasse que “todos os automóveis têm uma pulsão interna que os incitam a acelerar continuamente, a menos que sejam detidos pelo uso do freio”, do mesmo modo que os psicanalistas quando afirmam que devemos de maneira incessante reprimir nossas pulsões agressivas.

Os comportamentos patológicos não podem ser considerados uma simples acentuação doentia dos comportamentos normais, mesmo que às vezes seja o caso. Com frequência, são de natureza diferente, incompatível com os comportamentos normais. Uma pessoa sóbria não está “menos bêbada” que um ébrio, ela simplesmente não está bêbada. Uma pessoa que sofre de tiques nervosos lutará contra esses movimentos involuntários, mas uma pessoa saudável não necessita reprimir a cada instante seus tiques. Para ela, não existe o problema.
 

Os sucessores de Freud continuaram a evoluir na esfera do egocentrismo


Muitos discípulos de Freud preservaram até os nossos dias a ortodoxia de sua doutrina. Outros voltaram a determinados pontos-chave e contestaram, por exemplo, o instinto de violência ou o postulado segundo o qual todos nossos desejos são ditados pela sexualidade – o que dizer, por exemplo, do desejo de passear na floresta ou visitar um amigo idoso? Mas, ao tentar dar às suas terapias um aspecto mais humano, muito frequentemente eles não fizeram nada além do que promover formas mais atraentes de egocentrismo. Conforme demonstram os psicólogos Michael e Lise Wallach, na maioria das adaptações das teorias freudianas – como as propostas por Harry Sullivan, Karen Horney e, em alguns pontos, Erich Fromm – o egocentrismo continua a reinar absoluto. Preocupadas em poupar o individualismo de nossos contemporâneos, essas terapias deram prioridade à expressão espontânea de si, mesmo que continuem egocentrados.


Esses psicólogos afirmam, em especial, que todas as formas de restrições e obrigações, ditadas pela sociedade ou por normas internas, entravam nossa realização pessoal e nos distanciam de nossa verdadeira identidade. A gratificação sem coerções de nossos impulsos lhes parece constituir uma prioridade. Porém, nesse caso, seria impossível participar de atividades coletivas e de viver em sociedade. Como fazer música ou esporte sem adaptar-se às regras ou sbumeter-se a uma disciplina? Imagine uma orquestra na qual cada músico toque o que lhe aprouver, ignorando o maestro e as partituras musicais. Nada distinguiria então a música de uma cacofonia qualquer.


Na prática, a expressão de si mesmo livre de toda restrição parece mais destinada a impedir o bem da sociedade do que realizá-lo. Conheci uma jovem norte-americana que afirmou: “Para ser realmente eu mesma, para ser livre, devo ser fiel a meus sentimentos e expressar espontaneamente o que sinto e o que melhor me convém”. Ora, a verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que nos passa pela cabeça, mas em ser dono de si mesmo. Ser livre, para um marinheiro, não significa soltar o timão, deixar as velas ao sabor dos ventos e o barco partir à deriva, mas timonear indo rumo ao destino escolhido. Gandhi sempre dizia nesse sentido que “A liberdade exterior que alcançamos depende do grau de liberdade interior que tivermos adquirido. Se tal for a justa compreensão da liberdade, nosso esforço principal deve ser consagrado a realizar uma mudança em nós mesmos”. Essa transformação, se desejarmos combater as visões debilitantes dos campeões do egoísmo, consiste precisamente em diminuir nosso egocentrismo e em cultivar o altruísmo e a compaixão




Offline JJ

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Re:Objetivismo, a Filosofia de Ayn Rand.
« Resposta #22 Online: 05 de Junho de 2018, 09:27:11 »

Matthieu Ricard, especialista em genética molecular, tornou-se monge budista há 45 anos. É autor de best-sellers e conferencista no cenário mundial. Seu novo livro A revolução do altruísmo foi lançado em 2015 pela Palas Athena. Seus livros anteriores foram traduzidos em mais de vinte idiomas e incluem O monge e o filósofo – Editora Mandarim; The Quantum and the Lotus; Felicidade: A prática do bem-estar – Palas Athena Editora; e A arte de meditar – Editora Globo. É participante ativo na pesquisa científica atual sobre os efeitos da meditação no cérebro. Reside no Nepal e dedica todos os proventos de seus livros e atividades a 140 projetos humanitários no Tibete, na Índia e no Nepal.


Hoje o altruísmo não é um luxo, mas uma necessidade. Como Matthieu demonstra no livro, ter mais consideração pelos outros é uma via para reconciliar as necessidades humanas possibilitando qualidade de vida a médio prazo e sobrevivência do meio ambiente a longo prazo.


Há um pressuposto na psicologia, na economia e na evolução de que o homem é essencialmente egoísta. Mas, durante os últimos vinte anos, novas descobertas revelaram que o altruísmo se estende para além da nossa família e dos que nos beneficiam diretamente. Ele aflora como senso de preocupação e responsabilidade global para com os nossos semelhantes e com os animais. As pesquisas demonstram que a cooperação traz vantagens evolutivas, econômicas e psicológicas antes insuspeitas.


Todos tivemos, em diferentes graus, a experiência do amor altruísta e de forte compaixão por aqueles que sofrem. Mas se quisermos que o altruísmo desempenhe um papel significativo na nossa vida, devemos cultivá-lo individualmente e iniciar mudanças culturais.


No âmbito individual, a colaboração entre neurocientistas e meditadores budistas tem demonstrado que o altruísmo e a compaixão são habilidades que podem ser aprendidas e cultivadas. Esses estudos revelam as distinções entre empatia (a faculdade de se identificar com os sentimentos do outro, inclusive o sofrimento), amorosidade/bondade (o desejo que o outro seja feliz) e compaixão (o desejo de que eles se livrem do sofrimento), oferecendo algumas percepções do fenômeno da “fadiga da empatia” que com frequência leva cuidadores ao esgotamento


No âmbito social, pesquisas na área da evolução cultural mostram que os valores culturais mudam mais rápido que os genes e podem operar transformações significativas nas sociedades em um espaço de tempo relativamente curto. Esta perspectiva nos motiva a construir um futuro promissor sobre as fundações altruístas da natureza humana. Assista aqui ao seminário “O que nos ocultaram sobre o altruísmo” que Matthieu apresentou no Brasil em 2015.



http://www.budavirtual.com.br/os-campeoes-do-egoismo-ayn-rand-freud-e-a-psicanalise/



 

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