Autor Tópico: O dia que durou 21 anos  (Lida 16889 vezes)

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Offline Moro

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O dia que durou 21 anos
« Online: 15 de Março de 2013, 15:20:43 »
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-03-15/com-arquivos-e-audios-da-casa-branca-filme-revela-apoio-dos-eua-ao-golpe-de-64.html

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | 15/03/2013 06:00:00

obs: No site têm links e fotos interessantes. E claro, os comentários

Com arquivos e áudios da Casa Branca, filme revela apoio dos EUA ao golpe de 64


“O Dia que Durou 21 anos” revela conversas de Kennedy e Lyndon Johnson sobre o Brasil. Embaixador Lincoln Gordon coordenou com governo e CIA ações de desestabilização de Goulart e o envio de força-tarefa naval para ajudar conspiradores


Divulgação "O Dia que durou 21 anos"
O presidente Lyndon Johnson (D) deu aval para o embaixador Gordon (E) desestabilizar Goulart e autorizou envio de navios ao Brasil
O filme "O Dia que Durou 21 anos", de Camilo Tavares, revela como os Estados Unidos colaboraram para o golpe militar de 1964, que derrubou o presidente brasileiro João Goulart, com base em documentos sigilosos de arquivos norte-americanos e áudios originais da Casa Branca. O documentário, que será lançado dia 29, apresenta áudios de conversas dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson com assessores sobre o Brasil e mostra como os vizinhos do norte apoiaram os conspiradores, com ações de desestabilização e até militares.

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil no início dos anos 1960, o intelectual brasilianista de Harvard Lincoln Gordon, aparece como quase um vilão, com seus alarmantes telegramas para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, em que apontava o risco iminente de o Brasil seguir Cuba em direção ao comunismo. “Se o Brasil for perdido, não será outra Cuba, mas outra China, em nosso hemisfério ocidental.” No contexto da Guerra Fria da época, pouco após Cuba se tornar socialista, esse era o pior pesadelo dos americanos.


Em conversa com Kennedy, cujo áudio é reproduzido, Gordon avalia que o presidente brasileiro poderia ser um “ditador populista”, nos moldes do argentino Juan Perón. Em novembro de 1963, Lyndon Johnson afirma que não vai “permitir o estabelecimento de outro governo comunista no hemisfério ocidental”.

EUA bancaram ações de propaganda e desestabilização do governo Goulart


O documentário mostra, então, as ações de propaganda dos EUA, coordenadas por Gordon, para desestabilizar o governo brasileiro. Cita a criação e o financiamento de supostos institutos de pesquisa anti-Goulart, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para bancar “pesquisas” e campanhas de 250 candidatos a deputados, oito a governador e 600 a deputado estadual no País. Além disso, o estímulo de greves e artigos na imprensa contra o governo eram o “feijão com arroz” de “ações encobertas” da CIA (Agência Central de Inteligência) onde pretendia derrubar regimes, como explica o coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh.

Em telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart. Ações sigilosas incluem manifestações de rua pró-democracia, para encorajar o sentimento anticomunismo no Congresso, nas Forças Armadas, imprensa e grupos da igreja e no mundo dos negócios.” Entrevistado, o assessor de Gordon na embaixada, Robert Bentley, não nega o financiamento americano, apenas sorri, cala e diz: “Isso era uma polêmica quando cheguei [ao Brasil].”

O filme reitera ainda a importância do adido militar da embaixada Vernon Walters, amigo de oficiais brasileiros desde a 2ª Guerra Mundial, como o general Castelo Branco, que viriam a ser fundamentais na derrubada de Goulart. Cabia a Walters identificar insatisfeitos entre militares. O oficial descreve Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, como “altamente competente, oficial respeitado, católico devotado e admira papel dos EUA como defensores da liberdade”. Segundo Bentley, “havia muita confiança em Castelo Branco”, o “homem para sanear a situação, do ponto de vista dos interesses americanos”.

Quando a situação esquenta, os EUA concordam em mandar navios de guerra para a costa brasileira, na chamada Operação Brother Sam, com o objetivo de intimidar e dissuadir o governo de resistir ao golpe. O presidente norte-americano autoriza, em áudio, a fazer “tudo o que precisarmos fazer. Vamos pôr nosso pescoço para fora (nos arriscar).”

Um telegrama do Departamento de Estado dos EUA para Gordon descreve as medidas tomadas para “estar em posição de dar assistência no momento adequado a forças anti-Goulart, se decidido que isso seja feito”. A operação Brother Sam incluía enviar “uma força-tarefa naval, com um porta-aviões, quatro destróieres (contratorpedeiros) e navios-tanques para exercícios ostensivos na costa do Brasil”, além de 110 toneladas de munição e outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo, para controle de distúrbios por avião.

Um telegrama “top secret” da CIA, de 30 de março – véspera da eclosão do movimento – mostra como os americanos estavam bem informados e articulados com os conspiradores. No documento intitulado “Planos de Revolucionários em Minas Gerais”, os espiões dizem que “Goulart deve ser removido imediatamente. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais chegaram definitivamente a um acordo. A ignição será uma revolta militar liderada pelo general Mourão Filho. As tropas vão marchar para o Rio de Janeiro.”

Documento assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Dean Rusk confirma que os golpistas pediram apoio militar aos EUA. “Pela primeira vez, os golpistas brasileiros pediram se a Marinha americana poderia chegar rapidamente à costa sul brasileira.” Para o professor de História da UFRJ Carlos Fico, a retaguarda da Brother Sam foi fundamental para dar segurança aos militares que derrubariam o regime. Apesar dos documentos e de forma pouco convincente, o diplomata Bentley, nega ter ouvido falar na operação.

Newton Cruz: “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão saiu!"

 
Divulgação do filme "O dia que durou 21 anos"
João Goulart, no comício da Central do Brasil, às vésperas de ser deposto
O filme tem ainda momentos engraçados. “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão [general Olympio Mourão Filho, que liderou as tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio] saiu!”, ri o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações). A filha do general Mourão Filho, Laurita Mourão, diz que o pai chamou de “covarde” Castelo Branco, o primeiro presidente militar após o movimento, ao ser criticado por suposta precipitação ao mover tropas em direção ao Rio. “Castelo Branco, você é um medroso, é um...” Nas palavras da filha, ele também “foi entregar a Revolução a Costa e Silva [posteriormente também presidente do regime], que estava dormindo, de cuecas.”

Após o sucesso da iniciativa, Gordon escreve aos EUA. “Tenho o enorme prazer de dizer que a eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre”. Robert Bentley conta que participou, no gabinete vazio de Goulart, de reunião sobre a posse do novo regime em que estava o presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao telefone para o embaixador, foi perguntado se a posse do novo regime tinha sido legal, e respondeu: “’Parece que foi legal, não sei dizer’. Acordei 12h depois e [os EUA] tinham reconhecido o governo.”

"Acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo", disse Lyndon Johnson

 
Divulgação do filme "O dia que durou 21 anos"
Filme estreia dia 29
Poucos dias após o golpe, em um interessante áudio, o presidente Johnson debate com o assessor de Segurança McGeorge Bundy o tom da mensagem para o novo presidente do Brasil.

- Há uma diferença entre Gordon, que quer ser muito caloroso, e nossa visão da Casa Branca, de que o sr. deveria ser um pouco cauteloso, porque estão prendendo um monte de gente.

- Eu acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo. Não vou fazer nenhuma cruzada contra eles, mas eu não quero... Eu gostaria que tivessem colocado alguns na prisão alguns antes que Cuba fosse tomada – responde Johnson.

- Uma mensagem mais rotineira seria desejável neste momento.

- Eu seria um pouco caloroso – diz o presidente.

- É mesmo? Isso vai ser publicado.

- Eu sei, mas eu estou me lixando!, finaliza o presidente.

Juracy Magalhães: "O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”

O filme avança, mostrando o Ato Institucional nº 1, que cassa os direitos políticos e mandatos de parlamentares e de militares. Um deputado chora sobre a mesa, na Câmara. E lembra, para ilustrar a proximidade do regime militar brasileiro com os EUA, a célebre frase que marcou o militar Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.

Projeto familiar

 
Divulgação filme "O Dia que durou 21 anos"
Kennedy recebe o embaixador no Brasil, Gordon
O documentário é também um projeto familiar e uma homenagem do diretor, Camilo Tavares, ao pai, o jornalista e ativista político Flávio Tavares – um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio em 1969.

Flávio aparece na famosa foto dos presos (abaixo) diante do avião que os levaria ao exílio, no México – onde o diretor nasceria, em 71 –, e em um flash rápido, em lista de “procurados”, com o nome de Flávio Aristides. É também Flávio Tavares quem faz as entrevistas, ficando frente a frente com ex-adversários, o diplomata Bentley e Jarbas Passarinho, ministro que assinou sua extradição. A mulher de Camilo, Karla Ladeia, é produtora-executiva.

Para o embaixador Elbrick, seu sequestro foi uma tentativa de “constranger os governos brasileiro e norte-americano”. Mas há outros momentos de constrangimento americano no filme. Após aparecer a foto de um homem pendurado em um pau-de-arara, Bentley é questionado sobre as violações a direitos humanos. “É difícil de justificar oficialmente. Mas lamento... lamento (ri), de qualquer maneira.” À época, entretanto, as mensagens internas do governo americano pregavam a discrição. “Embora não busquemos justificar atos extra-legais ou excessos do governo, concluí que nossa melhor decisão é nos aproximarmos ao máximo do silêncio de ouro”, recomenda Gordon.

O filme surpreende ainda com depoimentos inusitados e críticos de protagonistas do regime, como o general Newton Cruz, chefe do SNI. “Quando a Revolução nasceu era para fazer uma arrumação da casa. Ninguém passa 20 anjos para arrumar a casa!”

O filme conclui com uma frase ácida do coordenador do Arquivo de Segurança Nacional, o norte-americano Peter Kornbluh. “Tudo isso foi feito em nome da democracia, supostamente.”
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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #1 Online: 15 de Março de 2013, 16:14:44 »
Talvez haja muito pouca coisa para não se concordar aí em relação aos fatos históricos. A questão é o peso que se dá à participação dos EUA na ocorrência ou não do golpe. Minha visão é que o golpe aconteceria com ou sem a participação dos EUA. Não foi como no Irã onde a participarão dos EUA e UK foram determinantes na queda de Mossadegh
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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #2 Online: 15 de Março de 2013, 16:22:29 »
Não duvido que tenha entrado dinheiro americano para apoiar certos grupos anticomunistas, como também havia o famoso "ouro de Moscou" para ajudar os comunistas, mas pelo que li o apoio americano só veio mesmo depois que os conspiradores começaram a mover os tanques.


E pensando bem, do ponto de vista dos americanos, um governo brasilieiro alinhado com a URSS seria realmente um grande pesadelo...
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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #3 Online: 15 de Março de 2013, 16:27:53 »
não só do ponto de vista deles. Do nosso então.
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Offline JohnnyRivers

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #4 Online: 15 de Março de 2013, 22:19:02 »
Ou seja, só havia 2 escolhas: revolution ou revolución.
Pena que os militares exageraram nos anos seguintes. Mas não foi necessário outro golpe para tira-los de lá.
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Offline Geotecton

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #5 Online: 16 de Março de 2013, 00:57:34 »
É importante saber de detalhes da influência do EUA no golpe de 1964 e coloca-la no contexto histórico da Guerra Fria. Assim sendo, o conjunto de informações disponíveis permite algumas conclusões, muito claras ao menos para mim:

a) Sob o ponto de vista estritamente legal, o movimento militar de 1964 foi um golpe de estado, porque derrubou um governo eleito democraticamente pela população por meio de um sufrágio nacional legal;

b) Os regimes militares do período entre 1964 e 1985 foram muito menos violentos que os dos demais países da América Latina. Mas mesmo assim configuraram uma ditadura, inclusive com atos infames de desrespeito aos direitos humanso, incluindo assassinatos.

c) O apoio do EUA ao golpe de 1964 foi feito sob a perspectiva geopolítica da Guerra Fria, lembrando que os anos 60 foram o período de máxima expansão da influência do comunismo sob a liderança da URSS.

d) Houve um apoio maciço, seja ele direto e aberto ou indireto e silencioso, da população brasileira ao golpe de estado.

e) O movimento político de esquerda que começava então a se instalar no poder início dos anos 60 era composto principalmente por pessoas que não compartilhavam dos ideais de democracia representativa liberal, embora tivessem adotado uma posição gramsciniana, ou seja, usavam os dispositivos legais deste tipo de democracia para tomarem conta do aparelho de Estado, com o objetivo claro de muda-la paulatinamente para um regime centrado na primazia do conceito de "centralismo democrático".
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Offline Osler

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #6 Online: 16 de Março de 2013, 01:36:36 »
É importante saber de detalhes da influência do EUA no golpe de 1964 e coloca-la no contexto histórico da Guerra Fria. Assim sendo, o conjunto de informações disponíveis permite algumas conclusões, muito claras ao menos para mim:
Se o Sr, me permite alguns comentários...

a) Sob o ponto de vista estritamente legal, o movimento militar de 1964 foi um golpe de estado, porque derrubou um governo eleito democraticamente pela população por meio de um sufrágio nacional legal;
De acordo


b) Os regimes militares do período entre 1964 e 1985 foram muito menos violentos que os dos demais países da América Latina. Mas mesmo assim configuraram uma ditadura, inclusive com atos infames de desrespeito aos direitos humanso, incluindo assassinatos.
De acordo

c) O apoio do EUA ao golpe de 1964 foi feito sob a perspectiva geopolítica da Guerra Fria, lembrando que os anos 60 foram o período de máxima expansão da influência do comunismo sob a liderança da URSS.
De acordo

d) Houve um apoio maciço, seja ele direto e aberto ou indireto e silencioso, da população brasileira ao golpe de estado.
Sei não geo, acho que o "povo", essa entidade incorpórea tão citada, participou como da grande maioria (se não totalidade) da história brasileira:  Indiferente e alienada.

e) O movimento político de esquerda que começava então a se instalar no poder início dos anos 60 era composto principalmente por pessoas que não compartilhavam dos ideais de democracia representativa liberal, embora tivessem adotado uma posição gramsciniana, ou seja, usavam os dispositivos legais deste tipo de democracia para tomarem conta do aparelho de Estado, com o objetivo claro de muda-la paulatinamente para um regime centrado na primazia do conceito de "centralismo democrático".
Sei não, a esquerda "veradeira" já preconizava nessa época a tomada do poder pela revolução e a implantação da ditadura do proletariado.  Quem defendia a via democrática - reformas de base - eram áreas mais moderadas principalmente ligadas ao trabalhismo, que eram consideradas não revolucionárias pela esquerda.
“Como as massas são inconstantes, presas de desejos rebeldes, apaixonadas e sem temor pelas conseqüências, é preciso incutir-lhes medo para que se mantenham em ordem. Por isso, os antigos fizeram muito bem ao inventar os deuses e a crença no castigo depois da morte”. – Políbio

Offline Feliperj

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #7 Online: 16 de Março de 2013, 17:07:16 »
E precisava de alguma conspiração americana ?

http://www.scielo.br/pdf/rbh/v24n47/a08v2447.pdf

O povo foi as ruas para pedir intervenção, e fez outras manifestações de apoio (teve uma, se não me engano, em que a população suburbana acendeu velas nas janelas, como protesto).

O fato é : existia uma tentativa da esquerda de tomar o poder no Brasil (e isso foi confirmado pelo Gabeira). E entre uma ditadura de esquerda, e outra de direita, fico com a segunda opção (e, por favor, isso não significa que eu apoie qqer regime ditatorial, ou defenda tortura!!!)

Eu fico puto, hoje em dia, é com essa tentativa de colocar os esquerdistas da ocasião como "Os Defensores da Democracia" ; já que eles querem reescrever os livros de historia, para "consolidar" o Golpe de 1964, então que reescrevam toda a historia, e coloquem eles mesmos nos seus lugares : defensores de um regime ditatorial comunista!

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Felipe
 

Offline Týr

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #8 Online: 16 de Março de 2013, 20:54:49 »
Eu fico puto, hoje em dia, é com essa tentativa de colocar os esquerdistas da ocasião como "Os Defensores da Democracia" ; já que eles querem reescrever os livros de historia, para "consolidar" o Golpe de 1964, então que reescrevam toda a historia, e coloquem eles mesmos nos seus lugares : defensores de um regime ditatorial comunista!
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Offline Feliperj

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #9 Online: 16 de Março de 2013, 22:44:10 »
Eu fico puto, hoje em dia, é com essa tentativa de colocar os esquerdistas da ocasião como "Os Defensores da Democracia" ; já que eles querem reescrever os livros de historia, para "consolidar" o Golpe de 1964, então que reescrevam toda a historia, e coloquem eles mesmos nos seus lugares : defensores de um regime ditatorial comunista!
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E detalhe, dependendo do lado vencedor, este dia poderia estar durando até hoje!!!Seria mais ou menos como aquela musica do Detonautas : O dia que não terminou!! :)

Offline _Juca_

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #10 Online: 17 de Março de 2013, 15:32:19 »
Existe um fato, e fatos são fatos, não podem ser mudados, por mais que se deseje, por mais que se verbalize, parafraseando muito críticos meus aqui, por mais que se "duplipense",  foram os esquerdistas, aqueles mesmos acusados de planejar ou tentar instalar uma ditadura de esquerda, quem lutaram pela volta da democracia, que nunca tentaram um contragolpe e jamais orquestraram qualquer golpe antidemocrático, mesmo antes de 64. Inclusive estão e estiveram no poder hoje, eleitos democraticamente, e ainda são acusados de não o serem, até hoje.  8-)

Offline Hold the Door

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #11 Online: 17 de Março de 2013, 15:49:21 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...
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Offline _Juca_

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #12 Online: 17 de Março de 2013, 16:00:05 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Que se agruparam em uma guerrilha somente  depois do golpe...
« Última modificação: 17 de Março de 2013, 17:25:24 por _Juca_ »

Offline Hold the Door

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #13 Online: 17 de Março de 2013, 16:01:35 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Que se agruparam em uma somente guerrilha depois do golpe...

Visando um contra-golpe para derrubar a ditadura de direita e instaurar uma de esquerda...
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Offline Moro

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #14 Online: 17 de Março de 2013, 17:11:24 »
Juca qual você acha que é o posicionamento da própria esquerda sobre seus objetivos? Acha que Franklin Martins e Dirceu negam que estavam lutando para implementar o socialismo no Brasil?

acorda, essa turma além de corrupta sempre foi antidemocrática.
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Offline Feliperj

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #15 Online: 17 de Março de 2013, 17:25:30 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Que se agruparam em uma somente guerrilha depois do golpe...

A luta armada comecçou com o Brizola, antes do golpe!! De uma lida no artigo que enviei.

Offline Feliperj

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #16 Online: 17 de Março de 2013, 17:32:39 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Juca,

Me de 0,1 exemplo de um país que implementou o comunismo ou o socialismo, e que fez isso e se tornou ou continuou a ser uma democracia. Vc sinceramente acha, mesmo depois da declaração do Gabeira, que a nossa esquerda era uma esquerda "democrática"?

E até hoje, esta esquerda preserva o ranso ditatorial; é só analisarmos o apoio dado regimes ditatoriais, onde perseguição, tortura e morte ocorreram e ocorrem, e as prórpias posturas "a favor" da imprensa no Brasil.

E mais, ela se tornou "democrática" por um questão simples : sobrevivencia! Não foi uma opção ideologica.

Abs
Felipe

Offline _Juca_

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #17 Online: 17 de Março de 2013, 17:42:36 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Que se agruparam em uma somente guerrilha depois do golpe...

Visando um contra-golpe para derrubar a ditadura de direita e instaurar uma de esquerda...

Velho, nem duvido que os guerrilheiros quisessem fazê-lo, mas não é muita viagem dizer que a esquerda é antidemocrática no Brasil, quando foram os militares apoiados por movimentos de direita que implementaram uma ditadura? Ok, a esquerda queria implementar o socialismo, todo o socialismo era baseado numa ditadura, mas aqui simplesmente a esquerda disputava eleições, sequer houve um planejamento para um golpe ou revolução de qualquer tipo que impusesse a vontade dessa minoria sobre a maioria. E depois de implementada a ditadura militar foi ela quem lutou pelo restabelecimento da ordem democrática, portanto se existe um lado entre esquerda e direita que foi democrático durante esse período, não foi o lado estadunidense-militar-empresariado, definitivamente.

Eu só acho que um pouco de reconhecimento da idiotice de uma ditadura para prevenir uma suposta revolução comunista ditatorial, diante de uma esquerda que até então se revelava democrática e disputava eleições, é o mínimo que cada um de nós tem que fazer quanto a esse período histórico. Assim como as ditaduras comunistas, as capitalistas, somente se revelaram um grande atraso e um grande erro para a evolução social e histórica das nações que foram por elas atingidas, foram erros crassos, tanto no contexto histórico, quanto no motivo para que foram implementadas que até hoje alguns de vocês "defendem".

Offline Feliperj

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #18 Online: 17 de Março de 2013, 17:59:23 »
Sim, claro. Aqueles que eram treinados em técnicas de guerrilha pelos russos e cubanos em acampamentos como o Araguaia. O único interesse deles era derrubar a ditadura de direita para instaurar uma democracia, seguindo o exemplo da revolução russa e da revolução cubana...

Que se agruparam em uma somente guerrilha depois do golpe...

Visando um contra-golpe para derrubar a ditadura de direita e instaurar uma de esquerda...

Velho, nem duvido que os guerrilheiros quisessem fazê-lo, mas não é muita viagem dizer que a esquerda é antidemocrática no Brasil, quando foram os militares apoiados por movimentos de direita que implementaram uma ditadura? Ok, a esquerda queria implementar o socialismo, todo o socialismo era baseado numa ditadura, mas aqui simplesmente a esquerda disputava eleições, sequer houve um planejamento para um golpe ou revolução de qualquer tipo que impusesse a vontade dessa minoria sobre a maioria. E depois de implementada a ditadura militar foi ela quem lutou pelo restabelecimento da ordem democrática, portanto se existe um lado entre esquerda e direita que foi democrático durante esse período, não foi o lado estadunidense-militar-empresariado, definitivamente.

Eu só acho que um pouco de reconhecimento da idiotice de uma ditadura para prevenir uma suposta revolução comunista ditatorial, diante de uma esquerda que até então se revelava democrática e disputava eleições, é o mínimo que cada um de nós tem que fazer quanto a esse período histórico. Assim como as ditaduras comunistas, as capitalistas, somente se revelaram um grande atraso e um grande erro para a evolução social e histórica das nações que foram por elas atingidas, foram erros crassos, tanto no contexto histórico, quanto no motivo para que foram implementadas que até hoje alguns de vocês "defendem".

Ola Juca,

Leia o artigo que postei. A esquerda teve um papel DETERMINANTE no golpe de 64.

Abs
Felipe

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #19 Online: 17 de Março de 2013, 18:15:54 »
hahahahha....... Todos os comunistas do mundo queriam implantar uma ditadura de esquerda, só os do Brasil eram bonzinhos e democratas......
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Offline Moro

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #20 Online: 17 de Março de 2013, 18:42:52 »
Imagina reconhecer que o Dirceu além de bandido também era antidemocrático. Síncope.

Tirando a piada do jogo, após o golpe apareceram uma série de movimentos antidemocráticos de esquerda que não estavam presentes no jogo pré golpe. É correto afirmar que a esquerda tinha um golpe em mente antes do golpe mas a esquerda não era coesa e única e certamente Brisola e Dirceu representavam visões e grupos distintos.

Mais uma vez,  dizer que Franklin Martins e Dirceu lutavam para democracia deveria ser algo dito apenas por fanáticos petistas e não por pessoas com qualquer conhecimento mas está correto dizer que muitos desses grupos provavelmente não teriam aparecido sem o golpe.
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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #21 Online: 17 de Março de 2013, 18:56:15 »
basicamente essa posição do Juca é antiga.

Que droga, _Juca_, você está me fazendo concordar com o Agnóstico!

Ele disse (essencialmente): os militantes de esquerda desejavam criar uma ditadura comunista.

Você respondeu (essencialmente): Não, eles não desejavam criar uma ditadura comunista porque (a) não criaram uma ditadura (!) e
(b) porque lutaram contra uma ditadura direitista (!!).

Que diabo de lógica é essa?

Sem falar que você parece diminuir a importância de pessoas que lutaram pacificamente pela democracia, de forma mais eficaz e sem se deixar
levar por arroubos ideológicos.


P.S. E se mais tarde os fanáticos de esquerda resolveram mudar de tática, isso não invalida a afirmação acima.

Eles não podem ser acusados de não democratas porque falharam em implementar uma ditadura,  mesmo que quisessem implementa-la. O correto seria adicionar o termo incompetente à antidemocrático.
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Offline Moro

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #22 Online: 17 de Março de 2013, 19:03:38 »
Citação de: Gaspari
A luta armada fracassou porque o objetivo final das organizações que a promoveram era transformar o Brasil numa ditadura, talvez
socialista, certamente revolucionária.8 Seu projeto não passava pelo restabelecimento das liberdades democráticas. Como informou o PCBR: “Ao lutarmos contra a ditadura devemos colocar como objetivo a conquista de um Governo Popular Revolucionário e não a chamada‘redemocratização’”9. Documentos de dez organizações armadas, coletados por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá, mostram que quatro propunham a substituição da ditadura militar por um “governo popular revolucionário” (PC do B, Colina, PCBR e ALN). Outras quatro (Ala Vermelha, PCR, VAR e Polop) usavam sinônimos ou demarcavam etapas para chegar àquilo que, em última instância, seria uma ditadura da vanguarda revolucionária. Variavam nas proposições intermediárias, mas, no final, de seu projeto resultaria um “Cubão”.

Ao contrário do que sucedeu nas resistências francesa e italiana ao nazismo e até mesmo na Revolução Cubana, onde conservadores e
anticomunistas se integraram na luta contra a tirania, as organizações armadas brasileiras não tiveram, nem buscaram, adesões fora da esquerda. A sociedade podia não estar interessada em sustentar a ditadura militar, mas interessava-se muito menos pela chegada à ditadura do proletariado ou de qualquer grupo político ou social que se auto-intitulasse sua vanguarda. A natureza intrinsecamente revolucionária das organizações armadas retirou-lhes o apoio, ainda que tênue, do grosso das forças que se opunham ao regime. Elas viam na estrutura da Igreja católica e na militância oposicionista de civis como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães um estorvo no caminho da revolução. Eles, por seu lado, viam na luta armada um estorvo para a redemocratização."
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Offline Geotecton

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #23 Online: 17 de Março de 2013, 19:29:28 »
[...]
Ok, a esquerda queria implementar o socialismo, todo o socialismo era baseado numa ditadura, mas aqui simplesmente a esquerda disputava eleições, sequer houve um planejamento para um golpe ou revolução de qualquer tipo que impusesse a vontade dessa minoria sobre a maioria.

Desculpe _Juca_ mas você está errado porque o espectro da esquerda era amplo, partido do centro até a extrema. Eu reconheço que tinha um segmento que queria algumas reformas pela via democrática, que é o 'trabalhismo getulista' (centro-esquerda), mas um amplo campo da esquerda extrema queria a instauração de uma ditadura de esquerda pela luta armada e pelo conflito de classes, e que incluía os senhores Martins, Genoíno e Dirceu.


E depois de implementada a ditadura militar foi ela quem lutou pelo restabelecimento da ordem democrática,...

Isto é óbvio porque foi ela a excluída do processo. Se tivesse ocorrido um golpe comunista, o processo seria inverso. Ou não, porque a esquerda mundial não costumava 'fazer prisioneiros'.


portanto se existe um lado entre esquerda e direita que foi democrático durante esse período, não foi o lado estadunidense-militar-empresariado, definitivamente.

Sim, naquele momento foi um fato. Mas isto não significa que a esquerda era constituída de democratas liberais.


Eu só acho que um pouco de reconhecimento da idiotice de uma ditadura para prevenir uma suposta revolução comunista ditatorial, diante de uma esquerda que até então se revelava democrática e disputava eleições, é o mínimo que cada um de nós tem que fazer quanto a esse período histórico.

A esquerda que realmente disputava eleições com alguma chance nacional era apenas o trabalhismo getulista.


Assim como as ditaduras comunistas, as capitalistas, somente se revelaram um grande atraso e um grande erro para a evolução social e histórica das nações que foram por elas atingidas, foram erros crassos, tanto no contexto histórico, quanto no motivo para que foram implementadas que até hoje alguns de vocês "defendem".

Eu não defendo nenhuma ditadura. Mas fazer uma análise sem considerar o contexto geopolítico mundial com a finalidade de "inocentar" a esquerda brasileira é, no meu entender, errado.
« Última modificação: 04 de Maio de 2013, 23:11:35 por Geotecton »
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Offline Derfel

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Re:O dia que durou 21 anos
« Resposta #24 Online: 17 de Março de 2013, 19:45:52 »
Uma coisa ainda não foi comentada. Pelo artigo que o Agnóstico postou e que iniciou o tópico, os EUA tiveram participação direta em movimentos para desestabilizar o governo e levar a um golpe de estado. Ele cita estimular greves, manifestações contra o regime, apoio a políticos nas eleições e estímulo a militares golpistas. Levando isso em questão, a atmosfera política pré-64 não poderia ter sido artificialmente criada?

 

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