Autor Tópico: A neo-direita brasileira  (Lida 6629 vezes)

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #150 Online: 19 de Maio de 2016, 15:55:47 »
Também naturalmente tendo a pensar assim. Até porque nos EUA "liberal" é ainda meio sinônimo de "esquerdista". Mas isso se dá ao mesmo tempo que talvez a maioria dos que se chamam de "liberais" por aqui é mais simpatizante dos republicanos de lá, ou mesmo tea-partiers e levam a sério teorias de conspiração como de que Obama é um muçulmano indonésio-e/ou-queniano homossexual casado com uma transexual.

Offline Jurubeba

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #151 Online: 19 de Maio de 2016, 17:14:19 »
Também naturalmente tendo a pensar assim. Até porque nos EUA "liberal" é ainda meio sinônimo de "esquerdista". Mas isso se dá ao mesmo tempo que talvez a maioria dos que se chamam de "liberais" por aqui é mais simpatizante dos republicanos de lá, ou mesmo tea-partiers e levam a sério teorias de conspiração como de que Obama é um muçulmano indonésio-e/ou-queniano homossexual casado com uma transexual.
Até onde sei os liberais (os que sabem o que a palavra significa) daqui não acreditam nessas teorias que você cita. Basta ver os textos do Instituto Mises Brasil, Spotniks, Instituto Liberal, EPL, etc.

Para fugir dessa controvérsia do termo "liberal" nos EUA, passou-se a usar o termo "Libertário", uma vez que a esquerda capturou o primeiro para si.

Saudações

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #152 Online: 19 de Maio de 2016, 18:01:03 »
Me referia a "pessoas que assim se rotulam", ou a impressão que tenho. Muito comumente deve ser o rótulo preferido para "olavetes", que não usam esse rótulo para eles mesmos.

Eu incluo os liberais socias ou "esquerdistas" como "liberais" (uso padrão americano do termo), embora não sejam mais os "liberais clássicos" de quem se originaram, cuja filosofia político-econômica vem tentando ser resgatada pelos que se rotulam "libertários", em décadas recentes, muito embora esse "resgate" seja freqüentemente distorcido/"anabolizado" para caricaturas anarquistas/objetivistas (randianas), não sendo assim necessariamente os mais próximos dos liberais classicos o tempo todo.

Ou, isso é minha impressão geral das coisas.

Offline Dr. Manhattan

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #153 Online: 19 de Maio de 2016, 18:12:50 »
Também naturalmente tendo a pensar assim. Até porque nos EUA "liberal" é ainda meio sinônimo de "esquerdista". Mas isso se dá ao mesmo tempo que talvez a maioria dos que se chamam de "liberais" por aqui é mais simpatizante dos republicanos de lá, ou mesmo tea-partiers e levam a sério teorias de conspiração como de que Obama é um muçulmano indonésio-e/ou-queniano homossexual casado com uma transexual.
Até onde sei os liberais (os que sabem o que a palavra significa) daqui não acreditam nessas teorias que você cita. Basta ver os textos do Instituto Mises Brasil, Spotniks, Instituto Liberal, EPL, etc.

Para fugir dessa controvérsia do termo "liberal" nos EUA, passou-se a usar o termo "Libertário", uma vez que a esquerda capturou o primeiro para si.

Saudações

Que eu saiba, Libertário nos EUA são os anarco-capitalistas. Não acho uma boa escolha. O melhor mesmo é tentar recuperar a conotação original de "liberal".
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Offline Gauss

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #154 Online: 19 de Maio de 2016, 19:00:25 »
A maioria dos liberais clássicos estão no Libertarian Party ou em facções  menos conservadoras do Partido Republicano. Liberais sociais podem ser chamado de liberais sim, pois estão na parte mais centro-esquerda dos liberais, sendo o Liberalismo uma ideologia ampla que tende ao centro político, podendo tender a esquerda ou direita. Mas nos EUA eles não chamam só os liberais sociais de 'liberal', e sim qualquer progressista, social-democrata ou trabalhista.

Vou dar uma de anarco-capitalista e recomendar um textão pra vocês, mas vale a pena para entender essa questão:

http://www.revistaamalgama.com.br/02/2016/partidos-republicano-democrata-historia/
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #155 Online: 19 de Maio de 2016, 19:16:17 »
Da coluna direita dos artigos da wikipédia:


Classical Liberalism

Cultural liberalism
Democratic capitalism
Democratic education
Economic liberalism
Free market
Egalitarianism
Free trade
Harm principle
Individualism
Laissez-faire
Liberal democracy
Liberal neutrality
Market economy
Negative / positive liberty
Open society
Permissive society
Political freedom
Popular sovereignty
Rights (individual)
Secularism
Separation of church and state
Libertarianism

Anti-authoritarianism
Antimilitarism
Anti-statism
Anti-war
Class struggle
Communes
Counter-economics
Crypto-anarchism
Decentralization
Direct action
Dispute resolution organization
Economic freedom
Egalitarianism
Expropriative anarchism
Free market
Free-market environmentalism
Free society
Free trade
Free will
Freedom of association
Freedom of contract
Gift economy
Homestead principle
Illegalism
Individuality
Individualism
Individual reclamation
Laissez-faire
Liberty
Limited government
Localism
Marriage privatization
Natural and legal rights
Night-watchman state
Non-aggression principle
Non-interventionism
Non-politics
Non-voting
Participatory economics
Polycentric law
Private defense agency
Propaganda of the deed
Property
Really Really Free Market
Refusal of work
Restorative justice
Self-governance
Self-ownership
Spontaneous order
Squatting
Stateless society
Tax resistance
Title-transfer theory of contract
Voluntary association
Voluntary society
Wage slavery
Workers' self-management

Rhyan

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #156 Online: 20 de Maio de 2016, 09:19:15 »
Melhor usar o diagrama de nolan. Esquerda e direta não fazem sentido algum, ou a teoria da ferradura ficou mais radical.

Offline Gauss

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #157 Online: 20 de Maio de 2016, 12:30:13 »
Se você tentar usa a lógica esquerda-direita não há como definir os Libertários e Liberais. Existem muitas formas de libertarismo e liberalismo, desde a dita esquerda eté a dita direita. É melhor usar Nolan, ou chamar pela ideologia mesmo, já que Nolan puxa a linguiça para os libertários e pode não agradar alguns grupos.
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Offline JJ

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #158 Online: 19 de Maio de 2018, 22:30:38 »
Olavo de Carvalho: um filósofo para racistas e idiotas


28/10/2012Bertone Sousa


Observação: Para ver minha resposta a um vídeo de Olavo direcionado a mim, clique aqui.


Olavo de Carvalho é um católico conservador que, incapaz de conviver com ideias diferentes na academia brasileira, resolveu estudar filosofia sozinho. Essa sua incapacidade, no entanto, é algo que marca toda a sua trajetória de vida, se traduzindo em uma profunda intolerância a qualquer pensamento divergente do seu. No site Mídia sem Máscara, do qual Olavo é dono, vários colunistas expõem todo tipo de pensamento preconceituoso, tacanho e reducionista travestidos de “jornalismo”.


Como católico conservador, Olavo possui um profundo medo de ir para o inferno após a morte. Embora isso seja risível, é o que ele demonstra em vários vídeos seus espalhados pelo Youtube, como este. E para tentar garantir sua ida ao céu, ele atribuiu a si mesmo uma missão: dedicar a vida a combater o comunismo e o marxismo em todas as suas formas de manifestação.  E nada escapa à sua obsessão anti-comunista: positivismo, ciência, secularismo, ateísmo – nada que não seja escolástico e profundamente reacionário.


Não importa que a Guerra Fria tenha terminado e o comunismo internacional tenha arrefecido juntamente com ela; ele não se deu por satisfeito e continua sua cruzada incansável contra todo esquerdismo, como ele caracteriza as entidades globalistas que, segundo ele, pretendem solapar os valores da família cristã e impor em seu lugar a agenda dos movimentos homossexual, feminista e ambientalista. Há anos ele tem sido um dos defensores de golpes militares pró-Estados Unidos na América Latina.


Nos últimos quatro anos, Olavo não cessou de falar sobre a falsidade da certidão de nascimento de Barack Obama, advertindo que ele é comunista e membro da fraternidade islâmica, tendo sido eleito presidente para minar o poder dos Estados Unidos no mundo, o que pode ser visto através do enfraquecimento das forças armadas americanas e pelo favorecimento dos grupos ligados à fraternidade islâmica nos países onde ocorreu a “primavera árabe”. Ele costuma elogiar o patriotismo dos norte-americanos, a importância que dão às forças armadas e deplorar o fato de que isso não existe no Brasil. Às vezes se mostra entusiasta do regime que vigorou no Brasil durante o Segundo Reinado. Também deplora o fato de o regime militar brasileiro não ter aniquilado a esquerda, antes permitindo que se tornassem proprietários de editoras e meios de comunicação.


Acusando sempre a imprensa brasileira de ser aquiescente em relação a esses eventos, ele se coloca como um jornalista que fala “a verdade” dos fatos. Afirma que o Brasil vive um regime totalitário sob o governo do PT, nutre um profundo desprezo por Dilma, Lula, pela Teologia da Libertação e por todos os teóricos da esquerda, sejam brasileiros ou não. Ele mesmo não se envergonha de dizer que, quando Lula foi eleito, tentou alertar as autoridades americanas acerca da “ameaça” que representava sua subida ao poder. É muito curioso esse interesse que ele demonstra pelo nacionalismo americano e pela direita cristã que apoia o partido Republicano. Olavo fala de Lula como a própria encarnação do mal, e frequentemente se refere ao ex-presidente com espasmos viscerais de ódio. Denuncia que o PT pôs em prática a estratégia gramsciana de mudança da sociedade pelo controle permanente das instituições.


Ele atribui os problemas educacionais do Brasil unicamente à esquerda e omite o fato de que foi o regime militar que sucateou o ensino de humanidades no Brasil, excluindo dos currículos disciplinas como línguas clássicas e francês, além de filosofia e sociologia e reduzindo inclusive o ensino da língua portuguesa. Qualquer um que seja minimamente informado sabe que ele mente quando fala essas coisas. Tudo isso deixa bem claro que Olavo não quer um país onde a esquerda participe do jogo democrático. Embora queira passar a imagem de liberal, ele não o é. Prefere uma ditadura fascista ao estilo franquista, que esmague a oposição e imponha a ferro e fogo os valores do catolicismo tradicional e do pensamento conservador.


Olavo ministra, pela internet, um seminário de Filosofia, curso em que ele sozinho trabalha todos os aspectos da disciplina, além de lições sobre história, psicologia e o que mais lhe der na telha. Olavo pensa o mundo de forma monomaníaca: tudo o conduz para um discurso denuncista da esquerda. Ele afirma ter passado vários anos estudando o marxismo, período que ele considera como de “autoenvenenamento”. Não reconhece qualquer importância nos trabalhos de Marx e Engels ou de qualquer outro teórico da esquerda, associando sempre esses autores ao stalinismo e ao Gulag. Apesar de afirmar que estuda o assunto há quatro décadas, ele repete há anos os mesmos chavões.


Embora nem tudo o que Olavo diga seja desprezível e algumas de suas análises tenham certo teor de relevância, elas, no entanto, se perdem como gotículas no oceano de asneiras que ele profere. O problema não é o fato de ele ser de direita, mas de ter descambado para um pensamento intolerante, monomaníaco, mesquinho.  Alguém que leia Olavo de Carvalho verá o quanto ele está aquém de pensadores liberais (de verdade) que se destacaram no Brasil como Roque Spencer Maciel de Barros, por exemplo. Olavo é até mesmo indigno da grandeza dos autores de quem ele usurpa seu pretenso conservadorismo, como Ortega y Gasset, Ludwig Von Mises, Otto Maria Carpeaux, entre outros.


Já tentei buscar na internet informações sobre alunos e ex-alunos de Olavo de Carvalho. E com exceção de algumas frases bajulatórias em seu próprio site do Seminário de Filosofia, o resultado foi nada. Nenhum artigo, nenhum livro, ninguém que se dedique a qualquer área do pensamento filosófico e expresse isso em publicações. Olavo costuma dizer que nunca conheceu uma pessoa que tenha sido alfabetizada pelo método Paulo Freire. Da mesma forma, nunca conheci ou ouvi falar de um filósofo que tenha sido formado por ele. Esses alunos fantasmas vivem – como é de se esperar – silenciosamente paralisados à sombra de seu mestre, de quem são incapazes (ou têm medo) de discordar e mais incapazes ainda de produzir algo minimamente relevante.


Mas então, onde estão e quem são essas pessoas? O que elas produzem? Olhando os comentários aos vídeos semanais de Olavo no canal do Mídia sem Máscara no Youtube, podemos ter uma dimensão do perfil de seus seguidores. Muitos o chamam de “grande mestre” e, seguindo seu exemplo, achincalham a esquerda sem um mínimo de reflexão teórica. Em um de seus programas recentes, um ouvinte ligou e afirmou de forma iracunda que “odeia a esquerda”. Olavo esboça um semblante de satisfação e lhe diz mansamente que não tem que odiar ninguém, que ele precisa ser profissional.


Mas que tipo de  profissionalismo ele pode esperar de seu pupilo, se o que ele diz é a única coisa que aprendeu com o mestre: detestar irracionalmente toda forma de esquerdismo, mesmo que determinadas pessoas ou movimentos nada tenham de esquerdistas ou marxistas? E verbalizar esse ódio com xingamentos e esculhambações?


No ano passado, uma reportagem do portal Ig noticiou a atividade de alguns jovens universitários de direita que, inspirados em Olavo de Carvalho, defendem valores tradicionais e afirmam estarem dispostos a usar a força física e a morrer por isso, estratégia semelhante ao do grupo racista skinheads, demonstra a reportagem. Embora Olavo posteriormente tenha negado qualquer ligação com esses grupos e criticado a reportagem, fica evidente que esse é o resultado mais óbvio de suas posturas políticas: o incentivo a atos e pensamentos de intolerância, facilmente assimiláveis por grupos de extrema direita.


A maioria de seus admiradores não são leitores de filosofia, são antes jovens carentes de um pai, de um líder, de um guia, de um führer. São pessoas incapazes de pensar por si mesmas e compartilham com seu mestre o desprezo pela academia. Apesar de todas as suas limitações e defeitos, a academia é o lugar onde ideias podem ser livremente debatidas. Essas pessoas, no entanto, não querem debates, elas querem a imposição do que pensam que pensam, sem saberem que na verdade não pensam nada. Como Olavo, seus seguidores veem esquerda e comunistas por toda parte, um inimigo a quem eles atribuem uma importância que não existe fora de suas mentes.


Ele ainda aconselha seus alunos a usarem textos anti-marxistas de seu site para enfrentarem professores nas universidades e já citou até exemplos de que isso deu certo. Ora, somente professores muito ingênuos e dogmáticos (e ainda há muitos desses por aí) podem cair nessa. Como se não bastasse, seus seguidores têm lançado diversos produtos com a marca “Olavettes”, contendo frases de seu mestre e com o dizer “Olavettes é nóis mermo”. Não são intelectuais, são tolos. São como crianças imitando adultos, com a diferença de que as crianças carregam a pureza da inocência, e eles a terrível marca da estupidez. Esse comportamento das “olavettes” é de causar vergonha alheia, a começar pelo nome que escolheram para designar a si próprios. Enquanto Olavo continua sua empreitada para tentar chegar ao céu, seus discursos têm atraído uma legião de seguidores, fascinados por seu estilo histriônico de falar, por seus xingamentos e por sua intolerância. Essas pessoas não se destacam por erudição ou produção intelectual, mas pela abjeção de suas ações.


Para que os leitores percebam o quanto Olavo realmente não pode ser levado a sério, vejam a “refutação” que ele faz à ciência moderna e à teoria da relatividade neste vídeo. Chega mesmo a ser patológica a obsessão deste homem para ridicularizar qualquer coisa que não se enquadre em sua estreitíssima visão de mundo formada pelo ideário fascista e por dogmas da escolástica medieval. Sem absolutamente nenhuma referência teórica, sem menção a nenhuma pesquisa, ele tem a desfaçatez de sugerir que a terra é imóvel! Tudo porque o modelo copernicano mostrou a falsidade da cosmologia ptolomaica adotada pela Igreja. Esqueceram de avisar a Olavo que a própria Igreja hoje não pensa mais dessa forma, mudou seus conceitos e já até se desculpou com Galileu através de João Paulo II. O Vaticano inclusive conta com um centro avançado de pesquisa científica, onde atuam pesquisadores de várias partes do mundo.


E como alguém pode refutar a relatividade sem ao menos compreendê-la como ele próprio admite no vídeo? No auge de sua ignorância cínica, Olavo diz que Einstein inventou a teoria da relatividade pra não ter que admitir que a terra é imóvel. É impressionante quantas pessoas dão crédito e se deixam enganar por um impostor que se finge de filósofo e intelectual e pronuncia tantas asneiras absurdas e risíveis. Não é à toa que  apenas skinheads e outros grupos racistas, além de incautos sugestionáveis admiram o tal “filósofo”. Os verdadeiros liberais e pessoas sensatas da direita se envergonham até mesmo de mencionar-lhe o nome, afinal, Olavo não é referência para nada que se queira produzir cientificamente. Ele mescla seus sentimentos de revolta pessoal com a esquerda com fanatismo religioso e sua personalidade megalomaníaca de se achar “um grande intelectual” a quem ninguém se compara no Brasil. É de dar dó. Ele critica intelectuais como Leandro Konder chamando-os de militantes, mas incrivelmente não consegue se enxergar como militante de extrema direita.


Se fôssemos elencar as asneiras ditas e escritas por ele, teríamos de fazer um blog voltado exclusivamente a isso. Apenas mais um exemplo: em seu site pessoal há um texto assinado por José Nivaldo Cordeiro, “Discutindo o capitalismo”. No texto, o autor, que não passa de uma sombra de Olavo de Carvalho, fala coisas tão infundadas sobre Weber e Marx que não é possível dizer que se trata de um texto sério. Ele diz que o cristianismo fundou o princípio da igualdade jurídica quando lançou a máxima do “amar ao próximo como a si mesmo”. A noção de igualdade do Cristianismo primitivo não era jurídica, mas espiritual, não é à toa que suas verdades permaneceram no nível da dogmática por muitos séculos, apenas tardiamente ganhando elaboração intelectual. A moderna noção de igualdade jurídica remonta aos pensadores deístas do Iluminismo e, com base em suas ideias, à subsequente separação entre Estado e religião. A Igreja Católica não poderia tê-la desenvolvido na Idade Média porque sua cosmovisão estava ancorada no tomismo e na Escolástica, que preconizavam a subordinação do Estado à Igreja, como a ordem natural estava subordinada à sobrenatural. No Antigo Regime da era moderna, o Estado, em aliança com a Igreja, exercia o poder a partir do princípio do direito divino dos reis, uma das características a que posteriormente se opôs o pensamento liberal, de matriz protestante. O que ele fala sobre “amor ao próximo” sequer pode ser considerado um argumento porque não tem fundamento histórico. A noção de igualdade jurídica é um anacronismo se aplicado à Idade Média. A atuação dos Tribunais da Inquisição também o provam. Durante séculos, dezenas de milhares de pessoas foram torturadas e executadas por divergirem ou serem suspeitas de divergirem dos dogmas oficiais da Igreja. Os tribunais não tinham preocupações com provas, qualquer acusação do tipo “ouvi dizer que fulano…” já era suficiente para levar alguém a se tornar réu. Uma vez nessa condição, não havia possibilidade de absolvição. Depois ele diz que “sem a mensagem salvadora de Cristo ainda estaríamos vivendo formas imperiais e/ou tribais de organização social”. Será que o senhor Nivaldo Cordeiro não sabe o que foi o feudalismo, o cesaropapismo, a servidão que subsistiu por mais de um milênio após a queda do Império Romano? Claro que sabe, mas omite isso.


Depois ele diz que Weber cometeu vários erros, como “associar a eclosão do capitalismo ao protestantismo” e que ele fez isso por ser protestante e ter uma visão depreciativa do catolicismo e diz que houve uma “explosão de produtividade agrícola na Idade Média pelo talento dos monges católicos”. Parece que o autor nunca leu nem Weber nem autores renomados como Jacques Le Goff, Henri Pirenni e outros. Só faltou ele dizer que a Revolução Industrial começou nos mosteiros medievais. Ora, Weber não associou a origem do capitalismo ao protestantismo, mas mostrou a diferença entre o ascetismo católico (extramundano) e o protestante (intramundano), demonstrando como a mentalidade deste último foi essencial para o desenvolvimento do comércio e, posteriormente, da indústria. E isso nada tinha a ver com o fato de ele ser protestante ou não gostar do catolicismo. No texto, “Rejeições Religiosas do mundo e suas direções”, Weber retoma o assunto, acrescentando outros elementos importantes, que Nivaldo Cordeiro sequer se deu o trabalho de ler, assim como não leu o capítulo de “Sociologia da Religião” na obra “Economia e Sociedade”, também do Weber. Não é por acaso que as análises de Weber sobre o tema continuam não apenas atuais e insuperadas, como também não houve críticas capazes de mostrar qualquer falsidade nelas.


No parágrafo seguinte ele diz que a Igreja adquiriu uma “herança imperial maldita” de Roma. “Herança maldita?” O uso de tal juízo de valor, depreciativo e absolutamente desnecessário para algo que pretendia ser uma discussão histórica, já é suficiente para despacharmos o texto para o lixo. Aqui ele prova sua falta de seriedade, de distanciamento do objeto, sua ignorância histórica. Ele está analisando a origem do capitalismo não com base numa pesquisa ou discussão teórica, mas com base em seus sentimentos pessoais de aversão ao protestantismo, em seu fanatismo religioso. Ele utiliza autores como Paul Johnson, mas numa apropriação ingênua. Ele quer mostrar que o protestantismo não foi importante para o capitalismo, associando isso à herança clássica apropriada pela Igreja. Trata-se de uma interpretação completamente falsa de Weber e da retomada da herança clássica no Renascimento. Não vou entrar em detalhes sobre Weber porque em minhas publicações já discuti isso. Além disso, há uma farta bibliografia sobre o assunto disponível inclusive na internet que o leitor pode usar para se informar, como os artigos do falecido sociólogo da USP Antonio Flavio Pierucci, um dos principais divulgadores da obra de Weber no Brasil, que ainda ajudou a traduzir e organizou a publicação de  “A Ética Protestante…” para o português para a editora Companhia das Letras. Vale ainda indicar a biografia intelectual de Weber de Reinhard Bendix, uma das melhores já produzidas. A estratégia de Olavo e seguidores é a seguinte: eles pegam alguns autores católicos ou de extrema direita, reafirmam o que eles dizem abrindo mão do diálogo com qualquer outro autor ou vertente, depois posam de grandes intelectuais e sabichões. Se a pessoa não for atenta cai na armadilha porque eles argumentam bem, usam a dialética erística pra enganar os incautos. São pessoas inescrupulosas e que não têm comprometimento com a investigação científica, só com a militância e não se envergonham de fraudar os fatos para se colocarem como arautos da razão.


Uma vez, enquanto apresentava seu programa de rádio True Outspeak, um ouvinte telefonou e perguntou a Olavo o que ele achava da filosofia de Paul Ricoeur. Olavo respondeu diminuindo a importância da obra dele e dizendo que não tiraria três meses de sua vida pra ler Paul Ricoeur. Quem já teve contato com a obra de Ricoeur sabe que foi um dos mais importantes filósofos do século passado, principalmente por seus estudos sobre narrativa histórica e de ficção, hermenêutica e sobre a memória. É muito estranho Olavo ignorar sua obra e se recusar a estudá-la. Mas logo compreendi o porquê: Ricoeur não era um teórico da conspiração nem um militante anti-comunista e, para Olavo, não interessam discussões fora desse campo. Ricoeur era um intelectual cristão de confissão protestante, mas não um extremista. Também me causa muita estranheza o fato de os seguidores de Olavo não perceberem sua desonestidade intelectual: ele se tornou obcecado pra combater o marxismo e faz isso a partir de posturas tacanhas como o fanatismo religioso, facilmente assimilável por jovens com pouca leitura de livros e de mundo.


Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas o que foi exposto já serve como amostra de quem se trata o homem que considera a si mesmo “o maior representante da alta cultura” no Brasil. Olavo de Carvalho não é filósofo, é um tagarela anticomunista, teórico da conspiração, ex-astrólogo revoltado por não ter encontrado espaço na universidade brasileira para suas logomaquias megalomaníacas e obsedado por sua intelectualidade imaginária. Um ogro da extrema direita brasileira.


P.S. 1: Minha divergência com Olavo começou quando ele respondeu a um e-mail de minha autoria em um programa True Outspeak de fevereiro de 2012. Furioso com alguns questionamentos, ele partiu para o ataque pessoal e a difamação. Posteriormente, respondi e refutei cada ponto do vídeo. O leitor pode conferir tudo no texto Olavo de Carvalho e a Pieguice intelectual brasileira.

P.S. 2: Algum tempo depois, Olavo voltou incomodado com meus textos e iniciou nova discussão, dessa vez tomando como foco a participação americana no golpe militar de 1964, novamente lançando mão do insulto e de sórdida argumentação para impressionar seus claques. Mas o astrólogo foi novamente refutado e o leitor pode conferir no texto Resposta a Olavo de Carvalho (em três partes).


P.S. 3.: Se não bastasse ser um vigarista intelectual, Olavo ainda foi acionado judicialmente por estelionato . CLIQUE AQUI e saiba por quê.


P.S. 4: Uma das mentiras mais disseminadas por olavetes é o argumento de que o fascismo e o nazismo foram ideologias e movimentos políticos de esquerda. Por causa das refutações que fiz a Olavo neste blog, vários leitores me mandaram e-mails expressando dúvidas em relação a isso e me pedindo esclarecimentos. Por isso, escrevi um artigo embasado em renomados historiadores para deixar para os leitores como texto propedêutico e como fundamentação. Para compreender por que o nazismo era de direita, leia o texto Socialismo e Nacional-socialismo.


Leia também neste blog:

A Confusão mental dos seguidores de Olavo de Carvalho

Fascismo e Comunismo: resposta a um blogueiro histérico

Um perfil de Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho faz apologia ao crime e à ditadura militar na internet.

Outros textos sobre o assunto podem ser acessados no Tema “Olavo de Carvalho”, no menu do blog.




https://bertonesousa.wordpress.com/2012/10/28/olavo-de-carvalho-um-filosofo-para-racistas-e-idiotas/comment-page-1/


« Última modificação: 20 de Maio de 2018, 09:10:25 por JJ »

Offline JJ

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Re:A neo-direita brasileira
« Resposta #159 Online: 20 de Maio de 2018, 10:44:18 »


INTERNET: Baixaria, ódio e fobia: O perfil da extrema-direita nas redes sociais

Por Cristiano Alves


Baixaria: Você confiaria numa médica que se expressa assim?


Foi-se o tempo em que a favela era sinônimo de crime, hoje em dia ela tem um forte concorrente, inclusive no aspecto de delinquência juvenil, o apartamento da zona nobre! Enquanto a favela concentra indivíduos socialmente excluídos, marginalizados, que por sua condição social são arrastados para o mundo do crime, apartamentos de classe média concentram delinquentes com alto nível de formação educacional, em teoria, cuja diversão está na fomentação do ódio, do desprezo por qualquer indivíduo que não tenha o perfil de alguém de classe média alta e branco, e mesmo na divulgação do fascismo, da xenofobia e do racismo. É claro que, assim como na favela, nem todos os habitantes de tais lugares são praticantes de tais crimes, sendo inaceitável a generalização.


Com os últimos avanços tecnológicos, a informação adquiriu uma velocidade comparável a da luz. Aquilo que os olhos veem, o smartphone transmite, o que o coração sente é postado no Twitter, VK ou Facebook. Os avanços tecnológicos e as redes sociais de modo algum inventaram o ódio, ele apenas surgiu como um vidro transparente que prisma o que há de mais vil, baixo e repugnante na alma humana. Assim, jovens pequeno-burgueses com problemas de realização pessoal enxergaram em redes sociais como o Facebook um consolo para seu onanismo intelectual. Não basta achar que "o negro é macaco" ou que "o comunismo é a encarnação do mal", é preciso postar no Twitter ou em um perfil de Facebook, além de ser necessário criar até mesmo grupos de discussão para papaguear seus argumentos escatológicos. Nos últimos meses, além dos famigerados grupos neonazistas, alguns travestidos de "Orgulho eurodescendente", tem sido verificada na rede social Facebook um número crescente de grupos que clamam como ideário político o conservadorismo ou o "anarcocapitalismo"(ou Ancaps, como preferem), mostrando-se sempre favoráveis ao modelo econômico liberal, como a presença mínima ou até inexistente(no caso dos anarcocapitalistas) do Estado. Eis que um grupo da rede social Facebook denominado "Liberalismo", que é tão "liberal" a ponto de liberar até o racismo. Em expressa conivência com esse ideário, uma usuária chamada Ingrid Souza, favorável ao abortamento foi chamada de "macaca no cio", por um usuário chamado Gabriel Fialho, que sustentou ainda que essa precisaria levar "tapa de macho". É claro que a posição dessas crianças não nasceu por geração espontânea, ela advém de posições arquirreacionárias de adultos conscientes de seus preconceitos como o arcebispo de Granada, na Espanha, o católico Javier Martinez, que defende que "mulheres que abortam merecem ser estupradas". Numa outra postagem do mesmo grupo, um jovem chamado Vitor Hugo Pereira questiona se apenas ele acha absurda a sentença condenatória de Mayara Petruso, estudante de direito neonazista que defendeu em seu Twitter o extermínio de cidadãos nordestinos. A despeito da divergência de alguns membros, vários foram os que concordaram com a postagem do rapaz.  Um indivíduo chamado Rafael Madalozzo cinicamente afirma que "punir qualquer pessoa por opinião é coisa de gente totalitária", ignorando que a Lei 7.716/89, que condena o preconceito baseado em "raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", assim estabelecendo limites à liberdade de expressão, como também a própria Constituição o faz, liberdade essa que, sem limites, não é liberdade, mas arbitrariedade!


Jovens de extrema-direita abominam a legislação antirracista que há no Brasil: "coisa de totalitarismo"


Uma breve análise no perfil dos transgressores, que acreditam piamente que "racismo não existe", nos ajuda a entender o perfil dos jovens de extrema-direita. Ambos são brancos, estudantes de colégios e universidades particulares, e tem uma infinidade de compartilhamentos onde esses fazem questão de mostrar o seu ódio inveterado contra o comunismo. Não raramente seus perfis contém referências ao pensamento do astrólogo Olavo de Carvalho, e a Von Mises, para o qual o "preconceito é uma coisa boa", "a escravidão não foi tão ruim" e "o fascismo e movimentos similares(isto é, o nazismo, nota de APV)... salvaram a civilização europeia". Entre seus livros favoritos, encontram-se obras pseudo-históricas do jornalista Leandro Narloch, isto é, seus guias "politicamente incorretos", em realidade guias conservadores e politicamente "corretos" do ponto de vista da mídia hegemônica.


Embora o perfil dos racistas mais barulhentos seja predominantemente branco, outras etnias não estão excluídas de tal prática nefasta, conforme verificado nessa mensagem dirigida ao autor desse artigo por um indivíduo de extrema-direita de Salvador, Bahia

Além de grupos como o "Liberalismo", no Facebook é possível ainda encontrar páginas entupidas com conteúdo obnóxio como "Meu professor de história mentiu para mim". Nesse grupo é possível encontrar pérolas como a de que "o PSDB é um partido de esquerda"(posição que vai contra a de qualquer cientista político e inclusive contra a de personalidades renomadas da extrema-direita como Reynaldo Azevedo), é possível ver ainda que "nazismo é uma forma de comunismo"(apesar do nazismo ser decididamente anticomunista e defensor intransigente da propriedade privada dos meios de produção), dentre outras excrescências. A comunidade é repleta de mensagens contra o MEC, que na visão do dono do grupo é uma "agência de propaganda comunista", promovendo, além do desserviço à educação, a apologia de torturadores como o coronel Brilhante Ustra, ainda que a comunidade sustente que "a ditadura militar era de esquerda".



Como se não bastasse o descaso do governo com os professores, estes são expostos ao ridículo no grupo "Meu professor de história mentiu para mim", no qual podemos "aprender" que estamos cercados por comunistas de todos os lados, que o crime organizado é cria de Lula e que a ditadura fascista de 1964-85 em realidade foi "de esquerda", apesar do grupo defender o torturador Brilhante Ustra


Mas essa intolerância não é mera birra pueril, há algumas semanas atrás o promotor Rogério Zagallo, defendeu de forma intransigente a execução sumária de manifestantes contra o aumento da passagem, a quem chamou de "petistas de merda, filhas da puta"(apesar de que a maioria dos manifestantes eram de partidos como o PCB, PSOL, PSTU e outros). A postagem, apagada um pouco depois da repercussão negativa que teve, obteve mais de 148 curtidas! Fazendo o estilo "pitbull colérico", o promotor possuía diversos compartilhamentos preconceituosos, anticomunistas e de apologia ao regime fascista que vigorou no Brasil entre 1946 e 1985. Além do promotor, tornou-se também conhecida a postagem de uma brasileira identificada apenas como "Godivana Shivana", que na comunidade "Brasileiros em Paris" julgava abominável o fato de uma revista francesa ter publicado uma capa com uma brasileira de cor negra. Segundo a meliante, a revista se tratava de uma "merda nas bancas de Paris", por trazer uma mulher que "nem cara de brasileira tem, mas de africana, toda caída, numa praia esquisita, como se o Brasil fosse lixo". Para ela isso seria uma evidência da "imagem absurda que o mundo tem do Brasil", tão absurda que todos os anos o Brasil recebe milhões de turistas, muitos inclusive vindo a se casar com brasileiras e brasileiros de cor negra, muitas vezes mais valorizados lá fora do que em seu próprio país.


Ao contrário da ideia de que a intolerância é exclusividade de "jovens mal resolvidos e profissionalmente fracassados", o promotor Rogério Zagallo é a intolerância encarnada, revestida com terno e gravata, no cargo do Ministério Público


O ódio pequeno-burguês é visível nos vários perfis do Facebook e era visível na "finada" rede social Orkut. Um certo Maycon Freitas, recentemente elevado à categoria de "herói", pela revista Veja, funcionário da Globo e suposto líder das últimas manifestações, contém um perfil recheado de citações anticomunistas e contrárias aos direitos humanos, que em sua visão são o "mal encarnado". Numa de suas postagens, no mais baixo nível, o "herói da imprensa" sugere que o deputado Marcelo Freixo vá "dar meia hora de cú"(sic) e chupe um "canavial de rola" por suas posições em favor dos direitos humanos. Maycon nos diz que "bandido bom é bandido morto", desde que o bandido não seja o filho do empresário, o político do DEM ou do PSDB, partidos campeões no ranking nacional de corrupção, desde que não seja ainda o pequeno-burguês que comete crimes usando a internet em seu apartamento no bairro da "zona nobre".



Nem sempre a "direita raivosa" usa suástica, uniformes nazistas ou tatuagem, parte dela usa maquiagem Dior, bolsa Louis Vuitton e salto alto... e claro, o Twitter!
Não é menos expressiva na rede a criação de grupos de humor segregacionista. No grupo "Humor negro", que trás uma montagem com uma foto do tirano austríaco Adolf Hitler, é possível encontrar várias fotos de indivíduos comuns de cor negra expostos a situações ridículas, como uma postagem que cassoa da fome na África e outra com o atleta Anderson Silva, com a inscrição "O homem com a força de 10 escravos". Embora o grupo também traga piadas de loiras, o humor antinegro é sempre voltado para questões históricas.


Postagens de teor racista tem sido alvo de protesto e ações de ativistas como a funcionária pública da cidade de São Paulo identificada como "Luh Souza". Monitorando redes sociais há mais de 3 anos, esta até já discutiu virtualmente com vários racistas militantes, incluindo o engenheiro Emerson Eduardo Rodrigues, que chegou a organizar atos terroristas contra a Universidade de Brasília. Procurada pela edição de "A Página Vermelha", a ativista paulista nos descreve o perfil dos militantes racistas de extrema-direita:


"O perfil é sempre o mesmo, classe média a alta, de etnia branca em sua maioria. Alguns podem eventualmente se declarar brancos e depois dizerem que tem ascendência  negra, e até amigos negros, quando o fazemos perceber que têm ideias racistas . Faixa etária é inexistente, uma vez que pode-se debater com garotos de 14 e depois nos deparar com textos jornalísticos de embasamento altamente racista. Percebe-se em todos eles a falta de informação, a completa ignorância a respeito da História dos negros como um todo.. a maioria fala através do achismo, do próprio pensamento, sem qualquer embasamento histórico e antropológico a respeito do povo negro. Muitos não são mesmo racistas, são apenas mal informados devido a formação eurocêntrica que recebem nas escolas. Esta mesma desculpa não consigo digerir em relação aos jornalistas e outras pessoas mais velhas com acesso a informação e que continuam embasando suas ideias no próprio sentir. Mas já vi muitos brancos mal informados, não racistas, que procuraram por respostas e mudaram completamente sua visão em relação a muitas coisas, inclusive se tornando em favor das cotas raciais e se livrando de outros preconceitos, assim como se descasca uma banana."


- A Página Vermelha: O que motiva os preconceituosos em sua obsessão contra pessoas de cor negra?


- Luh Souza: Muitos não sabem, outros tem certeza, mas o que os motiva é, sem dúvidas, o medo de perderem o 'status quo'. Sentem-se ameaçados pela "Onda Negra" e de alguma forma, estarem contato com tantos pretos de cabelos crespos para o alto, falando alto e exigindo mudanças, tem assustado muita gente. Não percebem que estamos em busca de igualdade, não de exterminarmos os brancos por vingança. Deve ser assustador saber que somos tantos e agora estamos mostrando nossos rostos como nunca antes viram ou sequer perceberam.


- A Página Vermelha: Há algum tempo, a Polícia Federal prendeu um blogueiro racista e anticomunista que pretendia cometer atentados contra a Universidade de Brasília(UnB) em nome de sua cruzada contra um suposto "marxismo cultural". Você já sofreu alguma ameaça ou represália pela sua militância antirracista?


- Luh Souza: Já. Comecei no Orkut há anos atrás. No começo me assustava com as mensagens que recebia, contendo negros mutilados, ou de ameaça à minha família, símbolos nazistas entre tantas coisas... Este Emerson que foi preso por racismo na internet, entrou muitas vezes em confronto em minhas comunidades ou com meus amigos, dizia sempre que jamais seria preso por ser branco e se fosse, pagaria bons advogados e sairia ileso. Muitos mal informados sentem-se incomodados, acham que a gente sente ódio, mas a realidade é que estamos fazendo por nós o que não fariam de boa vontade. Já viram alguma marcha só de brancos pedindo por igualdade entre ambas as etnias? Não veremos, jamais!


"Dotô" Nelson Neto,  cirurgião, casado, paizão, trabalhador incansável, intolerante com injustiça(sic) e também médicos cubanos e com jornalistas como Carlos Fialho, que ousou criticá-los.
Se alguém acreditava piamente no mito de que "o brasileiro é caloroso e receptivo", é um fato que a sua pequena-burguesia não é nenhum pouco! Essa pode até ser receptiva quando se trata de trazer ao Brasil engenheiros do Canadá, executivos dos Estados Unidos, empresários de Portugal, cozinheiros da Itália, professores da Suécia... porém é xenófoba quando se trata de trazer ao Brasil médicos da república socialista insular. Enquanto mais de 70 países, na África, Europa e América, incluindo o Brasil, recebem médicos de Cuba, uma fração de médicos componentes da chamada "direita raivosa" passou a vociferar e espumar contra a ideia da contratação de mais de 6.000 médicos cubanos proposta pelo Governo Federal. Um número significativo chegou ao ponto de realizar um ato obnóxio de xenofobia, onde médicas carregavam cartazes comparáveis apenas ao da Marcha das Vadias com dizeres como "Dilma, trate seu linfoma em Cuba", enquanto outra dizia "Lula, achamos que o seu dedo está no *#% do povo brasileiro". Nenhum verbo da língua portuguesa pode descrever tão bem o ato quanto o verbo "to bitch" da língua inglesa, dado que nesse ato uma parcela de médicos, turrões, que deveriam estar orgulhosos por estarem vindo mais profissionais para cuidar de pessoas carentes no interior, preferiram agir como prostitutas  insatisfeitas ao reclamar da chegada dos médicos do país com a melhor medicina das Américas, segundo dados da OMS reconhecidos nas Nações Unidas e corroborados por centenas de jornais ao redor do mundo, inclusive de países como os Estados Unidos e a Suíça.



Um dos mentores da pequena-burguesia


Assim, esse é o perfil da extrema-direita nas redes sociais, reacionário, a encarnação da baixaria, pois diferente da classe média de países como a Rússia, onde é abominado o léxico não normativo, a classe média brasileira é culturalmente miserável; a encarnação do ódio por que é ignorante, e pesquisas apontam que pessoas menos inteligentes tendem a ser conservadoras e preconceituosas; além disso é inerente na extrema-direita a fobia constante retroalimentada a cada dia pelo anticomunismo, ideologia descrita pelo sábio americano Michael Parenti como "a mais influente de todas as ideologias", pelo elitismo, pelo racismo e por outros flagelos inerentes ao sistema capitalista. É exatamente desses preconceitos, da paranoia, de uma fobia de indivíduos que estão logo abaixo de sua camada social, que energúmenos criam no país os pressupostos básicos para a instauração de uma tirania fascista, ainda que esta tirania muitas vezes pertença apenas à esfera do universo policial ou meramente do "coronel" nordestino. Entretanto, não se pode condenar Smyerdyakov sem se falar de Ivan Karamazov, separar o parricida de seu mentor intelectual, como nos advertiu o escritor russo Fyodor Dostoyevskiy em sua obra "Os irmãos Karamazov". O ódio da classe média não nasce de geração espontânea, ele é uma consequência direta de um país cuja grande imprensa é controlada por uma dúzia de famílias, onde livros são artigos de luxo e, quando publicados, trazem apenas mensagens reacionárias que relativizam e até negam o racismo, que trazem a russofobia, revisando o papel da potência socialista nos tempos da Segunda Guerra Mundial, e de publicações com uma mensagem antipopular, que criminaliza movimentos sociais e dissemina na sociedade a semente do ódio. Não se pode falar num Brasil democrático e livre de cães obcecados pelo ódio sem se falar numa eficaz "ley de medios", inspirada nos hermanos que puseram na América Latina grandes nomes como Che(que através do comunismo livrou-se de seus preconceitos) e Carlos Gardel.


Crime de injúria qualificada por agravante racial cometida em Aracaju, Sergipe.






http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2013/07/internet-baixaria-odio-e-fobia-o-perfil.html



 

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