Autor Tópico: Liberalismo  (Lida 10659 vezes)

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Offline AlienígenA

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Re:Liberalismo
« Resposta #350 Online: 05 de Junho de 2018, 17:11:16 »
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #351 Online: 05 de Junho de 2018, 19:32:15 »
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?
Também quero saber quem são. Pelo jeito são muito numerosos e influentes.
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Offline Lorentz

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Re:Liberalismo
« Resposta #352 Online: 06 de Junho de 2018, 00:18:51 »
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?
Também quero saber quem são. Pelo jeito são muito numerosos e influentes.

Existem até alguns foristas liberais por aqui, ouvi dizer.
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Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #353 Online: 06 de Junho de 2018, 08:59:37 »



Tem uns entocados num certo sítio Mises.



Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #354 Online: 06 de Junho de 2018, 09:03:43 »
Libertários são erradamente classificados como liberais clássicos (alô Mises Institute...). Mesmo Hayek já disse que os mesmos não entendem de teoria da liberdade. 

Offline AlienígenA

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Re:Liberalismo
« Resposta #355 Online: 06 de Junho de 2018, 09:32:35 »
Uma pergunta. De Mises só li O Liberalismo, mas já vi por aqui uns dois, três links onde se acusa Mises de fascista. Seria devido ao capítulo mal lido ou mal compreendido deste livro?

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Liberalismo
« Resposta #356 Online: 06 de Junho de 2018, 11:43:18 »
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“The deeds of the Fascists and of other parties corresponding to them were emotional reflex actions evoked by indignation at the deeds of the Bolsheviks and Communists. As soon as the first flush of anger had passed, their policy took a more moderate course and will probably become even more so with the passage of time” (Mises 1978: 49).

...

“So much for the domestic policy of Fascism. That its foreign policy, based as it is on the avowed principle of force in international relations, cannot fail to give rise to an endless series of wars that must destroy all of modern civilization requires no further discussion. To maintain and further raise our present level of economic development, peace among nations must be assured. But they cannot live together in peace if the basic tenet of the ideology by which they are governed is the belief that one's own nation can secure its place in the community of nations by force alone.

It cannot be denied that Fascism and similar movements aiming at the establishment of dictatorships are full of the best intentions and that their intervention has, for the moment, saved European civilization. The merit that Fascism has thereby won for itself will live on eternally in history. But though its policy has brought salvation for the moment, it is not of the kind which could promise continued success. Fascism was an emergency makeshift. To view it as something more would be a fatal error” (Mises 1978: 51).

While this certainly does not mean that Mises directly supported fascism and fascist ideology (and please note that I am not saying this), his astonishingly positive remarks about fascism in the 1920s cannot be wished away. Frankly, these comments are an utter embarrassment and disgrace to Mises.

Now does all this prove that Mises’s extreme free market economics are wrong, merely on the basis of his contemptibly stupid views on fascism? Of course not. To argue so would be an unsound ad hominem argument, as invalid as the lazy Austrian ad hominem attacks on Keynes (Rothbard’s “Keynes the Man” stands out as a particularly egregious example). But it certainly does not reflect well on Mises’s personal opinions and the morality and consistency of his political views.

MISES AND THE AUSTRO-FASCISM OF DOLLFUSS
An interesting addendum to the post above is Mises’ attitude to the fascist regime that took over Austria in 1933.

[...]

Around March 1934, Mises moved to Geneva, Switzerland, where he taught at the Graduate Institute of International Studies. However, he continued to visit Austria in subsequent years, and still worked part time for the Vienna Chamber of Commerce (Hülsmann 2007: 684). It is claimed that before 1934 Mises had become an adviser to Dollfuss (see Hans-Hermann Hoppe, “The Meaning of the Mises Papers,” Mises.org, April 1997). Even as late as autumn 1937 Mises considered returning to Austria to work for the Austrian Chamber of Commerce full time (Hülsmann 2007: 723), and only finally fled Austria permanently on one of his regular visits in March 1938 before the Nazi takeover. I quote from J. G. Hülsmann’s biography of Mises:

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“Mises later said that it was the growing power of the Nazi party in Austria that prompted him to leave the country. With this remark, he did not refer to the government of Engelbert Dollfuss, which had reintroduced authoritarian corporatism into Austrian politics to resist the socialism of both the Marxist and the Nazi variety. Mises meant the Austrian branch of the National Socialist German Workers Party, which enjoyed strong backing from Berlin and fought a daily battle to conquer the streets of Vienna. Dollfuss’s authoritarian policies were in his view only a quick fix to safeguard Austria’s independence—unsuitable in the long run, especially if the general political mentality did not change” (Hülsmann 2007: 683–684).

If correct, then Mises saw Dollfuss’s fascism in much the same way as Mussolini’s fascism: as an “emergency makeshift.”

http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com/2010/10/mises-on-fascism-in-1927-embarrassment.html

Offline AlienígenA

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Re:Liberalismo
« Resposta #357 Online: 07 de Junho de 2018, 09:04:46 »
Esses excertos são do capítulo que mencionei:

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As Razões do Fascismo

Se o liberalismo em nenhum lugar encontrou aceitação completa, o êxito que teve no século XIX chegou, pelo menos, ao ponto de fazer com que alguns dos seus mais importantes princípios fossem aceitos sem contestação. Antes de 1914, mesmo os inimigos mais obstinados e ferozes do liberalismo tiveram de resignar-se a aceitar muitos dos princípios liberais, sem contestação. Mesmo na Rússia, onde uns poucos raios do liberalismo haviam penetrado, os defensores do despotismo czarista, ao perseguirem seus oponentes, tinham, ainda assim, de levar em conta as opiniões liberais da Europa. Durante a Grande Guerra, as partes em conflito das nações beligerantes, mesmo com todo o zelo, tiveram, ainda assim, de usar de certa moderação na luta contra a oposição em sua terra.

Somente quando os sociais democratas marxistas levaram a melhor e tomaram o poder, na crença de que a era do liberalismo e do capitalismo havia passado para sempre, é que desapareceram as últimas concessões que ainda se julgava necessário fazer à ideologia liberal. Os partidos da Terceira Internacional consideram permissíveis quaisquer meios, desde que lhes pareçam úteis na consecução de seus objetivos. Quem não reconhecer, incondicionalmente, todos os seus ensinamentos como os únicos corretos e a eles não se conformarem com toda a lealdade, a seu juízo, sujeita-se à pena de morte. Não hesitam em exterminá-lo e a toda a sua família, inclusive as crianças pequenas, quando e onde for fisicamente possível.

A adesão sincera a uma política de aniquilamento dos adversários e os assassinatos cometidos em sua busca deram origem ao movimento de oposição. Contudo, caíram, de vez, as máscaras dos inimigos não comunistas do liberalismo. Até então, acreditavam que mesmo em luta contra um inimigo odioso era, ainda, necessário respeitar certos princípios liberais. Haviam-se obrigado, mesmo que de modo relutante, a excluir o assassinato da lista de medidas a serem utilizadas em suas lutas políticas. Haviam-se conformado a muitas limitações, na perseguição à imprensa opositora e na censura à palavra. Ora, logo compreenderam que lhes surgiam opositores que não observavam tais recomendações e para quem era lícito toda forma de eliminação do adversário. Os inimigos militaristas e nacionalistas da Terceira Internacional sentiram-se ludibriados pelo liberalismo. O liberalismo, assim pensavam, contivera sua mão, ao desejarem esmagar os partidos revolucionários, quando isto ainda era possível. Se o liberalismo não tivesse impedido, teriam cortado pela raiz, assim acreditavam, os movimentos revolucionários. As ideias revolucionárias enraizaram-se e floresceram, simplesmente porque foi superescrupulosa a tolerância que lhes foi concedida por seus oponentes, cuja força de vontade havia sido enfraquecida pela consideração aos princípios liberais. Se lhes tivesse ocorrido, alguns anos antes, a ideia de que era permissível aniquilar impiedosamente todo o movimento revolucionário, as vitórias que a Terceira Internacional obteve, desde 1917, nunca teriam sido possíveis, porque os militaristas e nacionalistas acreditam que, quando se chega ao ponto de atirar e lutar, são eles próprios os atiradores mais apurados e os guerreiros mais adestrados.

A ideia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome do mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional, exatamente como esta faz contra seus oponentes. A Terceira Internacional visa a exterminar seus adversários e suas ideias, do mesmo modo que o sanitarista luta para exterminar um bacilo pestilento. Não se considera, de modo algum, obrigada aos termos de qualquer pacto que venha a celebrar com seus oponentes e considera permissível todo crime, toda mentira e toda calúnia, na execução de seus planos. Os fascistas, pelo menos em princípio, professam as mesmas intenções. A constatação de que ainda não puderam desvencilhar-se de modo tão cabal como os bolcheviques, russos, de qualquer consideração por noções e ideias liberais e por tradicionais preceitos éticos, deve ser atribuída, tão somente, ao fato de que os fascistas atuam em países nos quais a herança intelectual e moral de milhares de anos de civilização não pode ser destruída num piscar de olhos e não entre povos bárbaros de ambos os lados dos Urais, cuja relação com a civilização nunca foi mais do que a de habitantes predadores da floresta e do deserto, acostumados a se envolverem, de tempos em tempos, em pilhagem de terras civilizadas, na caça à sua presa. Em razão desta diferença, o fascismo nunca conseguirá sucesso tão completo, como o bolchevismo russo, em se livrar, totalmente, de poder das ideias liberais. Foi apenas pela impressão recente, deixada pelos assassinatos e atrocidades perpetrados pelos adeptos dos soviéticos, que os alemães e italianos foram capazes de bloquear a lembrança das tradicionais restrições da justiça e da moralidade e de encontrar incentivo para represálias sangrentas. As ações dos fascistas e de outros partidos que lhe correspondiam eram reações emocionais, evocadas pela indignação com as ações perpetradas pelos bolcheviques e comunistas. Ao passar o primeiro acesso de ódio, a política por eles adotada toma um curso mais moderado e, provavelmente, será ainda mais moderado com o passar do tempo.

 Tal moderação resulta do fato de que os pontos de vista tradicionais do liberalismo continuam a exercer influência inconsciente sobre os fascistas. Mas, por mais longe que isso possa ir, não se deve deixar de reconhecer que a conversão dos partidos de direita às táticas fascistas mostra que a batalha contra o liberalismo produziu êxitos que, há pouco tempo, seriam considerados totalmente inimagináveis. Muitas pessoas aprovam os métodos fascistas, muito embora seu programa econômico seja totalmente antiliberal e a política econômica totalmente intervencionista, porque está longe de praticar o vandalismo que tem caracterizado os comunistas como os arqui-inimigos da civilização. Ainda outros, completamente conscientes do mal que a política econômica fascista encerra, consideram o fascismo, em comparação com o bolchevismo e o sovietismo, pelo menos, um mal menor. Para a maioria de seus defensores públicos e secretos e de admiradores, entretanto, seu poder de atração consiste, precisamente, na violência de seus métodos.

Ora, não se pode negar que o único modo pelo qual alguém possa oferecer resistência efetiva contra assaltos violentos seja por meio da violência. Contra as armas dos bolcheviques, devem-se utilizar, em represália, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isto em questão. O que distingue a tática política liberal da do fascismo não é uma diferença de opinião relativa à necessidade de usar a força armada para resistir a atacantes armados, mas uma diferença na consideração do fundamento do papel da violência na luta pelo poder. O grande perigo que ameaça a política interna na perspectiva do fascismo reside na sua total fé no decisivo poder da violência. Para assegurar o êxito, deve-se estar imbuído da vontade de vencer e de sempre proceder de modo violento. É este o mais alto princípio. O que ocorre, porém, quando um adversário, de modo semelhante, animado pelo desejo de tornar-se vitorioso, também age de modo violento? O resultado é, necessariamente, uma batalha, uma guerra civil. O vitorioso final, a surgir desse conflito, será a facção mais numerosa. A longo prazo, a minoria, mesmo que composta dos mais capazes e enérgicos, não pode resistir à maioria. Por conseguinte permanece sempre a questão decisiva: como obter a maioria para o seu próprio partido? Esta, entretanto, é uma questão puramente intelectual. É uma vitória que somente poderá ser obtida, utilizando-se as armas do intelecto, nunca a força. A supressão de toda oposição pela violência é o caminho mais inadequado para ganhar adeptos para uma causa. O recurso à força bruta (isto é, sem justificativa, no que concerne aos argumentos intelectuais aceitos pela opinião pública) simplesmente faz com que se ganhem novos amigos entre aqueles que se tenta combater. Numa batalha entre a força e a ideia, esta última sempre prevalece. O fascismo pode triunfar, hoje, porque a indignação universal contra as infâmias cometidas pelos socialistas e comunistas lhes concedeu as simpatias de largos círculos. Mas, quando a memória ainda fresca dos crimes dos bolcheviques estiver empalidecida, o programa dos socialistas, de novo, exercerá poder de atração sobre as massas, porque os fascistas nada fazem para combatê-los, a não ser suprimir as ideias socialistas e perseguir quem as divulgue. Se, de fato, quisessem combater o socialismo, deveriam opor-lhe suas ideias. No entanto, há apenas uma ideia que pode, efetivamente, opor-se ao socialismo, isto é, o liberalismo.

Diz-se com frequência, que nada mais incentiva uma causa do que dar-lhe mártires. Isso é mais ou menos correto. O que fortalece a causa de uma facção perseguida não é o martírio de seus adeptos, mas o fato de que são atacados pela, força e não pelas armas do intelecto. A repressão pela força bruta é sempre a confissão da incapacidade de fazer uso do melhor, isto é, das armas do espírito – melhor, porque somente elas prometem o êxito final. É este o erro fundamental de que padecem os fascistas e que, em última análise, causará sua derrocada. A vitória do fascismo em alguns países é apenas um episódio de uma longa série de lutas em torno do problema da propriedade. O próximo episódio será a vitória do comunismo. O último episódio, no entanto, não será decidido pelas armas, mas pelas ideias. São as ideias que agrupam homens em facções que lhes põem armas às mãos e que determinam contra quem e a favor de quem devam ser utilizadas. São apenas elas e não as armas que, em última análise, pesam na balança.

Tanta discussão para a política interna do fascismo! Não merece maiores considerações o fato de que a política externa do fascismo, baseada no reconhecido princípio da força nas relações internacionais, não pode deixar de causar uma série de conflitos internacionais que, necessariamente, destruirão toda a civilização moderna. Para manter e aumentar o atual nível de desenvolvimento econômico, deve-se assegurar a paz entre as nações. Porém, estas não podem viver em paz, se o princípio básico da ideologia que as governa for a crença de que somente pela força se pode assegurar, para si, um lugar na comunidade das nações.

Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.     

 

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