Autor Tópico: O guia de bolso para prevenção de besteiras  (Lida 456 vezes)

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Offline Zero

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O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Online: 08 de Abril de 2017, 20:08:31 »
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O guia de bolso para prevenção de besteiras

Por Michelle Nijhuis.

Estou muitas vezes errada. Entendo errado; Lembro errado; Acredito em coisas que não deveria. Sou excessivamente otimista sobre a qualidade futura da série Downton Abbey, e inexata nas minhas recordações sobre travessuras de astros do rock. Mas não acontece muitas vezes – bate na madeira – de eu estar errada publicamente, e isso é porque, como jornalista, tenho feito treinamento avançado no Protocolo de Prevenção de Besteiras (PPB).

Ultimamente, como tenho visto amigos mais inteligentes e bem-vestidos acreditando em todo tipo de absurdo na internet, tenho apreciado a minha familiaridade com o PPB. Especialmente porque todos somos divulgadores agora. (Compartilhar uma notícia com 900 amigos no Facebook não é falar. É divulgar.) E divulgar besteira é extremamente destrutivo: isso torna mais difícil para o resto de nós fazer a distinção entre notícia falsa e algo real, terrível e urgente.

Apesar do PPB não ser à prova de falhas, gerações de jornalistas excêntricos, mal pagos e amantes da verdade descobriram que ele reduz drasticamente as chances de alguém publicar besteira.

Então, acredito que todos deveriam praticar o PPB antes de divulgar. Não é exigida nenhuma experiência prévia: embora seja possível passar uma vida inteira debatendo os pontos mais sutis do PPB (e o extremamente necessário movimento pela alfabetização em notícias quer que estudantes universitários e do ensino médio passem pelo menos um semestre fazendo isso) seus princípios gerais, listados de forma acessível, portátil e grátis – gratis! – abaixo, são simples.

Veja como eles funcionam na prática.

01 – Quem está me dizendo isso?

Mais especificamente, quem está escrevendo isso e para qual publicação? Qual a credibilidade dessa publicação? Quais são os seus possíveis vieses? Considere um pedaço de merda que circulou na internet no início deste ano: o jornal britânico Daily Mail publicou uma foto impressionante de um nascer do sol projetado em uma tela ao ar livre. O artigo que a acompanha, de James Nye, tinha a manchete “China começa a televisionar o nascer do sol em telas de TV gigantes porque Pequim está muito nublada pela poluição”. Digamos que você não está familiarizado com o Daily Mail. Uma rápida olhada em suas outras manchetes (“O que o seu cocô diz sobre você?”, “Homem é preso após passear pelado no Wal-Mart”) lhe dirá que ele pode ser educadamente descrito como uma arapuca. É seguro supor, para fins do PPB, que ele está mais interessado em tráfego de visitantes do que em precisão.

02 – Como é que ele ou ela sabe disso?

Uma busca por James Nye no Google mostra que ele tem base no Brooklyn. Hmm. Então é provável que ele não tenha visto as tais telas de TV em primeira mão. Sim, há uma foto com o artigo, mas não sabemos onde ela foi tirada, o que está acontecendo além do enquadramento e se a manchete descreve com precisão o que a foto mostra. Estamos dependendo do repórter para confirmar isso, e parece que ele não estava lá. (A pesquisa por Nye no Google também mostra uma publicação no blog do Poynter Institute – um observatório de notícias escrupulosas – que o acusa de forjar a cena de um tribunal em um artigo no Daily Mail sobre o julgamento de um assassinato Geórgia.)

03 – Considerando o nº1 e o nº2, é possível que ela ou ele esteja errado?

Ou mentindo? Nye está escrevendo para um jornal que preza a viralidade, e não parece que ele esteve em qualquer lugar perto de Pequim quando escreveu o artigo. Sim.

04 – Se a resposta ao nº3 é “sim”, encontre outra fonte independente.

Ok, bem, o Time e a CBS News também utilizaram essa história. Ambos baseiam a suas reputações na precisão, então eles têm interesse em preservá-la – em outras palavras, eles provavelmente são mais confiáveis que o Daily Mail. Mas as publicações no Time e na CBS (agora com correções envergonhadas) simplesmente creditam a história ao Daily Mail, sem nenhum sinal de reportagem original. Então eles não são fontes independentes. Eles têm essencialmente a mesma fonte que o Daily Mail. Tente novamente.

05 – Repita até que a resposta ao nº3 seja “improvável pra caramba”.

Se você realmente quisesse saber a verdade aqui, você poderia começar encontrando o fotógrafo – o que pode dar algum trabalho, já que a foto é creditada a uma agência em vez de um indivíduo. Mas, mesmo se ele ou ela confirmasse o contexto da fotografia, não se podia contar com isso – afinal, o fotógrafo também tem interesse na popularidade da história e pode querer protegê-la. Melhor seria encontrar um amigo, ou um amigo de um amigo confiável, que morasse em Pequim e estivesse disposto a dar uma olhada nas telas para você. Mas essa pessoa precisaria fazer mais do que apenas confirmar se as telas existem. Ela teria que confirmar que a imagem estava sendo exibida aos cidadãos por causa da poluição, o que significa que ela provavelmente teria que ser fluente em mandarim e ter contatos suficientes para saber a quem perguntar e onde encontrá-los. Espere. Essa pessoa não está começando a parecer muito com um jornalista?

O que leva ao meu ponto maior. Prevenir besteira é demorado e a verificação minuciosa dos fatos de todo um artigo pode parecer uma forma particularmente estúpida de costurar. Há uma boa razão para que os meus posts no Facebook e no Twitter sejam quase que exclusivamente sobre a minha família e meus amigos, certos programas de TV e artigos escritos por mim e pessoas que conheço e confio. Eu não tenho muito tempo para praticar o PPB de graça, e eu não quero compartilhar besteira.

Então, você poderia tentar perseguir o fotógrafo do outdoor do Sol. Você poderia tentar encontrar um conhecido confiável e prestativo em Pequim. Mas você provavelmente é uma pessoa ocupada e provavelmente não se importa tanto assim com esta história em particular. Então, em vez disso, você poderia ficar bem sentado enquanto a notícia circula e deixar um jornalista profissional verificá-la – ainda temos alguns assim, afinal. Com confiança, o jornalista sediado em Pequim, Paul Bischoff, escrevendo para a publicação ética e consciente na Tech in Asia, logo relatou que a história do Daily Mail era uma furada. A tela da TV na foto está localizada em Pequim, mas está exibindo um comercial de turismo que inclui uma série de imagens em transição. Uma das quais é um nascer do Sol. Bischoff reclamou:

“Sim, Pequim está poluída, assim como também temos criticado na Tech in Asia, mas esta história é uma besteira completa. A mídia internacional deveria estar envergonhada por não ter nem tirado um tempo para desconfiar do Daily Mail, uma das fontes de notícias menos conceituadas do Reino Unido.”

Ufa, que bom que o PPB te impediu de compartilhar esse aí, não é?

Obrigado por ler, e parabéns. Você agora está qualificado para praticar o Protocolo de Prevenção de Besteiras e, assim, defender a verdade e a justiça em toda a internet. Gostaria de dizer-lhe que a sua capa está no correio. Mas isso seria uma besteira.

Artigo publicado na The Last Word On Nothing traduzido por Leon Monteiro Sampaio.

http://www.universoracionalista.org/o-guia-de-bolso-para-prevencao-de-besteiras/

Offline Spencer

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #1 Online: 09 de Abril de 2017, 08:34:01 »
Excelente, o post.

Principalmente considerando que certas besteiras publicadas, mesmo em obras do passado, continuam alimentando opiniões e radicalismos.
Esta é a força do livro, esta é a força da imprensa; serem absolutamente pervasivos sem melhores critérios éticos.

Offline Zero

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #2 Online: 25 de Maio de 2017, 19:00:28 »
Complementando o tópico, achei dois textos(um complementando o outro) sobre o poder do boato e suas consequências. Colocarei-os aqui em dois posts diferentes, garantindo que mesmo que seja apagado do site original ainda haja as informações no fórum.

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O Poder do Boato, parte 1: anatomia de um crime

A internet tornou-se uma máquina de produzir e disseminar boatos, passando por cima da verdade e até mesmo de vidas humanas. Esse é o primeiro artigo de Jean Felipe sobre o tema.

Este é o primeiro texto de três, em que analiso os instrumentos usados para manipular pessoas por meio da propaganda. Tratarei de vários temas, incluindo a anatomia de um boato e a inserção de notícias falsas.

Guarujá, minha querida cidade que lidera o ranking de roubos no estado de São Paulo, em 2014 foi palco da tragédia que começou com um boato no Rio de Janeiro. Uma mulher foi linchada em plena luz do dia, acusada de ser uma “bruxa” que sequestrava crianças e as sacrificava em rituais de magia negra.

A acusação começou com um boato que se espalhou por diversas cidades via Facebook. As pessoas que compartilhavam os textos e o retrato-falado da suposta bruxa eram das regiões do Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Quando chegou no Guarujá, fiquei espantado. Pensei: “Não acredito que esse boato chegou até essa roça de cidade”.

Na verdade, a cidade já era vítima de um boato cíclico que se dissemina com regularidade em diversas regiões do Brasil: o boato de que um enfermeiro ou enfermeira estaria utilizando uma seringa para infectar pessoas com o vírus HIV.



Boato dos enfermeiros transmitindo AIDS
Print retirado do site e-farsas. Dessa vez o boato estava no Espirito Santo.
É um boato antigo, que volta e meia aparece na internet e é conhecido de muitas pessoas ativas na rede. Para alguém que entende a estrutura de boatos, é fácil perceber que é uma informação falsa. Mas aquelas pessoas não só disseminaram o boato como começaram a alterar a realidade.

Cidadãos de Guarujá começaram a dizer no Facebook (e no mundo offline) que estavam avistando enfermeiros em praças da cidade. Havia dias que era um casal, dias que era um homem, e noutros dias era uma mulher. Existiam múltiplas versões desse boato.

Você não leu errado: centenas de pessoas disseram que interagiram com os enfermeiros, que foram atacadas e conseguiram fugir e que seus amigos foram vítimas e acabaram infectados com o vírus HIV.

Eu só conseguia pensar: “estou ficando maluco vendo esse monte de pessoas propagando um boato e acreditando realmente nele, alterando a realidade, ou elas são esquizofrênicas?” Porém, é comum pessoas afirmarem com convicção que avistaram ou escutaram algo para obterem prestígio social, chamarem atenção e não se sentirem deslocadas em seus grupos sociais.

Histeria em massa e a rejeição da realidade

Enquanto ocorriam esses avistamentos e relatos de pessoas se encontrando com enfermeiros, o boato da bruxa pegava carona e se disseminava ainda mais. As páginas da minha cidade (do Facebook e de notícias), começaram com diversos comentários pedindo publicações a respeito da bruxa, assim como de pessoas alegando que tiveram filhos sequestrados pela mulher e os recuperado depois.

Na página Guarujá Alerta a população começou a publicar fotos do suposto retrato falado da mulher nos comentários. O dono da página, no começo, fez um post com a foto e comentou o boato, dizendo que não havia nada confirmado. Após alguns dias, e com a confirmação de que se tratava de algo falso, pediu para que não compartilhassem mais nada e avisou a polícia.

A declaração do dono da página não foi suficiente para conter os apelos da massa popular, que já estava em histeria por causa dos enfermeiros; movidos por medo, indignação e clamando por justiça.

Outro caso emblemático brasileiro foi o da universitária que fabricou um boato em que havia sido estuprada, resultando no espancamento de um inocente no Rio Grande do Sul.

E não é só no Brasil que isso acontece. No Reino Unido, um homem chamado Terry Brown foi acusado de estupro por uma garota em 2013. Brown foi preso e só foi solto quando a garota admitiu que havia mentido sobre o estupro para ter a atenção da mãe. Brown perdeu a casa, o emprego e hoje vive em uma barraca, pois sua ficha ficou suja e ele não consegue um emprego para poder alugar um imóvel. Ele também sofre com o ostracismo social. Pessoas o chamam de estuprador na rua e já atacaram com pedras a ele e sua esposa grávida.

Tragédias envolvendo boatos e manipulação social acontecem todos os dias, todas elas relacionadas a temas sensíveis, como estupro ou crianças. Esses temas evocam aberturas emocionais nas pessoas, tornando-as suscetíveis à manipulação.

Mas não é tão fácil assim criar um boato.

Nicholas DiFonzo, professor de psicologia no Instituto de Tecnologia de Rochester (Nova York), é um especialista em boatos. DiFonzo foi contratado pela CIA e pelo FBI para fabricar um rumor dizendo que Osama Bin Laden era cristão, visando diminuir a influência dele nas regiões do Oriente Médio. O serviço foi recusado, pois, segundo DiFonzo, um boato precisa ser plausível e todas as facções criminosas já conheciam a trajetória de Osama como seguidor do Islã.

Claro, esse não é o único fator importante na hora de plantar um boato. Antes, é necessário entender realmente o que é um boato.

A estrutura de linguagem de uma acusação

A revista Rolling Stone publicou, em 2014, uma matéria insinuando que estavam ocorrendo estupros em massa na fraternidade da Universidade da Virgínia (UVA). Uma garota, Jackie, alegou ter sido estuprada por 7 pessoas. Os editores da revista e a jornalista que fez a matéria não checaram os fatos.  Após incriminarem a reitora Nicole Eramo por “não prestar suporte” e “ser complacente” com o estupro, ela acabou perdendo o cargo. Jackie acabou desmentindo toda a história.

http://www.rollingstone.com/culture/features/a-rape-on-campus-what-went-wrong-20150405

Após investigações e apuração dos fatos, a Rolling Stone contratou uma auditoria da Escola de Jornalismo de Columbia para revisar suas diretrizes de trabalho. Não foi suficiente; o artigo continuava online, com algumas notas ínfimas sobre a farsa. Nicole Eramo perdeu o emprego, foi ameaçada de morte e estupro por grupos coletivistas. Porém, a justiça não falhou dessa vez. Em novembro de 2016 saiu o resultado do processo que ela abriu contra a revista e a jornalista, chegando em uma indenização de U$ 7.5 milhões.

O apelo à emoção

O texto da Rolling Stone possui diversos elementos que disparam gatilhos emocionais nas pessoas. É sabido que as notícias e boatos são difundidos e viralizados quando ativam especificamente duas emoções: felicidade e raiva.

Vamos analisar as emoções do caso do estupro no campus: indignação, impotência, medo e raiva.

Indignação: a pessoa acha inadmissível que em um ambiente elitizado, como o acadêmico, aconteçam essas coisas;
Impotência: estupro na cultura ocidental é considerado um crime hediondo, que gera exclusão social, por violar totalmente a liberdade individual e autonomia da pessoa. No entanto, as vítimas quase nunca tem possibilidade de se defender e as pessoas que gostariam de lutar contra isso não sabem como fazê-lo;
Medo:Ao ver acontecer com uma pessoa na sua esfera social é inevitável pensar: “Será que pode acontecer comigo?”;
Raiva: a combinação das três emoções acima; um sentimento destrutivo que cega a razão, com a necessidade de fazer alguma coisa e trazer justiça.
O resultado disso são discussões, comentários e revanchismos espalhados pela internet e na vida real; a raiva vira textão, linchamento virtual e físico, levando à morte ou à exclusão social.



Comentários mostrando pessoas indignadas com o caso e pedindo justiça.
Comentários mostrando uma pessoa indignada e outra que conseguiu ler e identificar os furos da matéria.
Os sentimentos também reforçam laços que as pessoas tem dentro de seus espaços ideológicos. Através do compartilhamento de emoções negativas, indivíduos atribuem valor a si e a seus pares e se destacam em suas relações de hierarquia social interna.



Somos máquinas ambulantes, prontas para crer em boatos

Daniel Kahneman, psicólogo vencedor do nobel pela teoria do prospecto, diz em seu livro Rápido e Devagar: duas formas de pensar, que seres humanos são sujeitos a caírem em falsos julgamentos através de vieses cognitivos (déficit de raciocínio) e heurística (tendência de substituir elementos de raciocínio complexo por respostas intuitivas simples), pois o subconsciente não consegue diferenciar uma mentira da verdade, após exposto à familiaridade (teoria da mera exposição). E que essa é uma ferramenta que ditadores e marketeiros usam constantemente. A ilusão da verdade.

No estudo, pessoas que escutaram a frase “a temperatura do corpo de uma galinha” estavam mais dispostas a aceitarem como verdadeiras afirmações como “a temperatura do corpo de uma galinha é 144º” (ou qualquer outro número arbitrário).

“A familiaridade de uma frase na afirmação é suficiente para fazer com que toda a declaração seja familiar e, portanto, verdadeira. Se você não consegue se lembrar da fonte de uma declaração e não tem como relacioná-la com outras coisas que você conhece, não tem outra opção, se não escolher a que tem melhor facilidade cognitiva.”

Assim como a população alemã foi exposta a falsas declarações constantemente durante a Segunda Guerra Mundial, em nossa era digital é muito fácil sermos persuadidos por marketeiros e declarações de jornais/blogs na internet.

Caso esteja acostumado a seguir uma página de notícias que sempre posta algo compromissado com a verdade, quando postarem algo que não seja verdadeiro você não perceberá, principalmente se for um leitor de chamadas sensacionalistas.

Políticos, representantes do governo e jornais que publicam matérias favoráveis ou contra, entram sempre em pauta com matérias sensacionalistas ou controversas. Em um estudo onde foram analisados mais de 7000 posts virais do The New York Times, foi descoberto que conteúdos virais obedecem um padrão específico de ativação de emoções nas pessoas, mais especificamente — raiva e ansiedade.

Não é surpresa que as áreas de comentários em portais e redes sociais sejam totalmente tóxicas, e como diversas estratégias usadas por políticos consistem em incitar parcelas da população uma contra as outras, como se fossem inimigos versus heróis; principalmente com redes sociais estimulando o isolamento de pessoas entre aquelas que apenas pensam da mesma forma.

 

A dissonância cognitiva

A dissonância cognitiva, segundo Leon Festinger, é um fenômeno que resulta da necessidade inconsciente que as pessoas têm de garantir que suas crenças e comportamentos guardem consistência em relação à realidade, particularmente em situações de incompatibilidade de pensamentos.

Por exemplo, um fumante pensa “vou fumar um cigarro” e a seguir lembra-se de que “fumar cigarros causa câncer”. Há uma inconsistência em seu pensamento, o que leva o fumante a uma flexibilização moral. Para não haver mudança de crença, ocorre uma dissonância. No caso, ele pensa algo como “vou morrer de qualquer forma, cigarro não é tão ruim assim”.

Devido à tensão contraditória em seus próprios pensamentos, a dissonância cognitiva atua como flexibilizadora, buscando resolver a sensação de desconforto emocional existente. Em outras palavras, trata-se de ignorar a realidade, convencendo a si mesmo que não há contradição em seu sistema de pensamento.

Qualquer pessoa ou grupo pode ser vítima de dissonâncias cognitivas, principalmente diante de problemas lógicos. E esse fenômeno tem muita influência na crença em boatos e também na sua divulgação.

 

The Backfire Effect: o efeito do contra-ataque

O Backfire Effect é uma espécie de déficit cognitivo, no qual as pessoas fortalecem os laços com suas crenças quando elas são objeto de crítica ou refutação.

Em um experimento, os pesquisadores Brendan Nyhan e Jason Reifler divulgaram artigos falsos em jornais, com o objetivo de espalhar informações consideradas ‘equivocadas’ sobre certas ideias políticas. A seguir, artigos com as informações verdadeiras eram também divulgados nos mesmos jornais.

Os leitores que já tinham opiniões pré-determinadas sobre o tema dos artigos não apenas discordavam do texto que contrariavam suas crenças. Os pesquisadores constataram que, após a leitura dos artigos que refutavam as opiniões dos leitores, as pessoas tinham ainda mais convicção sobre suas crenças. A refutação produzia emocionalmente um fortalecimento do sistema de crenças atacado.

Uma explicação para isso é que as pessoas, nessas situações, têm suas crenças fortalecidas graças à interação com os grupos de que participam e cujos membros compartilham da mesma opinião. A quantidade de vezes em que a mensagem aparece nos veículos midiáticos também parece exercer influência no Backfire Effect.

Fonte: http://ano-zero.com/tudo-sobre-boato/

Offline Zero

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #3 Online: 25 de Maio de 2017, 19:08:50 »
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O Poder do Boato, parte 2: você pode ser a próxima vítima

A internet tornou-se um terreno fértil para disseminar mentiras e falsos personagens, graças ao funcionamento da mídia e às câmaras de eco. Esse é o 2º texto de Jean Felipe sobre o tema.

Este é o segundo texto de três (leia o primeiro aqui), em que mostrarei a estrutura dos veículos de mídia e explicarei nossa própria ignorância através das câmaras de eco ao ponto de nos tornarmos vítimas em potencial.

Ryan Holiday: o cara que manipulou a mídia internacional
Ryan Holiday se autoproclama um manipulador de media digital. E não é pra menos. Utilizando técnicas de publicidade e propaganda, e sem gastar um único tostão com anúncios, Holiday manipulou e induziu os maiores portais de notícias do mundo.


Tucker Max, autor de Espero que sirvam cerveja no inferno, livro em que narra suas aventuras sexuais e lifestyle boêmio, contratou Holiday para fazer uma campanha sem muito dinheiro. Holiday, conhecendo o comportamento das pessoas na internet e como as notícias são espalhadas, publicou comentários com perfis fakes em redes sociais e enviou e-mails com imagens adulteradas a jornalistas, sempre se apresentando como uma feminista. Em suma, Ryan Holiday usou a tática comum de justiceiros sociais: acusar uma pessoa nas redes sociais com a finalidade de condená-la socialmente. Mas seu objetivo era promover sua “vítima”.

E deu certo. Muitos portais famosos foram manipulados (Huffington Post, The New York Times, Business Insider, Gawker, Jezebel e Gizmodo). Não demorou muito e os jornalistas começaram a convidar Tucker Max para que explicasse o que estava acontecendo. A controvérsia fez seus livros terem um salto de vendas.

Em um artigo para a revista norte-americana Forbes, Holiday mostra como o Greenpeace manipulou jornais ao criar um vídeo falso, que supostamente mostrava uma festa da companhia de petróleo Shell, na qual havia um bolo em formato de plataforma, vazando óleo num dos convidados.

O Greenpeace também criou notificações judiciais falsas em nome da Shell, na qual a companhia ameaçava quem havia publicado o vídeo na internet.

Como Holiday aponta no artigo, a mídia não se importa em publicar informações sem conferir as fontes e os fatos, pois os veículos de comunicação ganham dinheiro de qualquer forma, seja a notícia falsa ou não. Por exemplo, o site Gawker, ao publicar a matéria tratando o vídeo da Shell como real, obteve trinta mil pageviews (pageviews são acessos únicos de visitantes a um site — quanto mas pageviews, maior o faturamento com publicidade). Após a confirmação de que se tratava de um vídeo falso, o site ainda aumentou o número de pageviews para noventa mil.

Na internet, após uma notícia falsa ter sido veiculada amplamente, fixando-se na cabeça das pessoas, uma retratação posterior acaba sendo irrelevante: ou o público já perdeu o interesse, ou prefere continuar acreditando na notícia falsa.

E quanto mais trágica ou polêmica for uma notícia, maior será a quantidade de pageviews, pois esse tipo de matéria estimula as emoções mais básicas do público, aumentando as chances de o compartilhamento em massa. Quando se percebe, já é tarde demais e o prejuízo já foi consumado.

Quantidade de usuários que interagem com as notícias através das redes sociais. Instituto Pew Research.

O milionário russo que nunca existiu

O cara nessa foto se chama Boris Kudryashov, e é um milionário russo. Ou, pelo menos, era isso que seus seguidores no Instagram pensavam.


Na verdade, Boris é um russo comum, sem dinheiro algum e com baixa visibilidade nas redes sociais em seu país. Era o tipo de pessoa que um jovem consultor de marketing chamado Roman Zaripov procurava.

A ideia de Zaripov era gastar o mínimo possível em uma campanha publicitária. Com 800 dólares, ele enganou 18.000 de usuários do Instagram e ludibriou jornalistas russos, apresentando nas redes sociais um milionário com lifestyle de “rei do camarote”. Mas o detalhe é que esse milionário nunca existiu.

O publicitário ficou surpreso com a reação do jornalistas, agencias de notícia e revistas. Ele não esperava que nenhuma pessoa fosse conferir a fonte. No fim, Zaripov revelou a verdade num post do Facebook.

O milionário russo não é a primeira pessoa fabricada na internet. Anos atrás, a designer holandesa Zilla van den Born fez um experimento ainda mais ousado: ela photoshopou fotos de si própria tiradas dentro de casa, a fim de simular viagens internacionais.







E essas falhas da mídia não são resultado do acaso. Jornalistas e agências são instruídos a aumentarem pageviews a qualquer custo. Sem pageviews, um site não sobrevive.

Veja a imagem abaixo, um exemplo nacional de como as coisas funcionam. O site Catraca Livre tentou se aproveitar do boom emocional provocado pela tragédia do time da Chapecoense para atrair usuários. A estratégia saiu pela culatra pois não considerou a sensibilidade com a tragédia. Até o presente momento, a página perdeu 400.000 likes. Tratou-se de uma tentativa frustrada de usar as emoções coletivas para obter pageviews.



Os sites de hoje são a imprensa amarela de ontem. O padrão jornalístico e a estrutura da mídia não mudou desde a criação da prensa de Gutenberg. A internet só deu uma piorada nisso.

A chamada imprensa amarela era um tipo específico de nicho jornalístico que se originou com Randolph Hearst e Joseph Pulitzer (sim, esse é exatamente o Pulitzer que deu nome ao maior prêmio do jornalismo norte-americano). Consistiu em transformar jornais tradicionais em veículos de entretenimento, graças ao uso de manchetes sensacionalistas, imagens cativantes e linguagem emocional destinada a atrair eleitores e aumentar as vendas.



Se antigamente ficávamos limitados a apenas algumas opções de jornais na cidade, com a internet temos acesso a todos os veículos de comunicação. Porém, ao menos escolhemos o que queremos ver, sem imposição.

Câmaras de eco: quando cultivamos a nossa

No mundo atual, o cara de esquerda que lê a Carta Capital é o mesmo que acessa os sites Brasil 247 ou Jornal GGN. O mesmo vale para um cara de direita que acompanha o Spotniks e o Mercado Popular.

Não é uma novidade que pessoas preferem acompanhar nas redes sociais quem tem mesmas ideologias ou gostos que elas. A empatia é algo que nos conecta com outro ser humano. As redes sociais, com seus algoritmos de segmentação, utilizam essa tendência humana de forma eficiente, a fim de entregar a melhor experiência possível a seus usuários.

Se você for um fã fanático de rock, não gostaria de receber conteúdo ou recomendações de páginas de funk ou sertanejo, não é mesmo?



Na imagem acima, cada coluna representa um tipo de ideologia. O usuário não limita o acesso a apenas um dos sites; dependendo do conteúdo abordado, caso alguém compartilhe o post na rede social, pode haver um leve engajamento entre as ideologias diferentes, caso o tema não tenha um conflito de interesses. Ex: prisão do Cunha.

Essa estrutura criada nas redes sociais nos prende em uma câmara de eco: todos os nossos posts, fotos, videos, músicas e likes são enclausurados em uma grande bolha, composta por pessoas que respiram as mesmas fontes de conteúdo e pensam da mesma forma, resultando em um eco de informações que volta para nós mesmos.

Estudos sobre as câmaras de eco mostraram que existe o reforço de ideias, crenças, preconceitos, distorção de notícias e censura para tudo que é exterior às bolhas.

Usuários de diferentes comunidades não interagiam entre si, apenas reforçavam suas conexões com pessoas da mesma opinião. O conteúdo compartilhado entre eles é baseado no viés de confirmação, criando informações em cascata dentro da bolha. Na busca por informações, procuram apenas aquelas que reforçam a própria narrativa, rejeitando outras.

Quando informações falsas são colocadas dentro dessas câmaras, acabam absorvidas e vistas como confiáveis, mas apenas se endossarem a narrativa principal. Caso surjam informações desmentindo o boato, o usuário acabará reforçando ainda mais a crença na notícia mentirosa.

Sites de jornais e blogs criam suas notícias com base em dois elementos:

Público-alvo; e
Tendências.
Se a sociedade estiver pautando ocupações, a prisão do Lula ou corrupção da Petrobrás, todos os veículos irão cobrir, pois é onde está o interesse do público. Um site que não cubra ou faça um conteúdo que engaja seus usuários, com base no que eles gostam, não sobreviverá.

Não à toa blogs apoiados pelo antigo governo federal, que perderam a verba publicitária para apoiar o establishment, começaram a vender espaços publicitários e a pedirem doações, para conseguirem se manter. Sem pageviews (visualizações), um site morre.

Qual é o papel de um manipulador de media/publicitário em sites? Transformar usuários que estão navegando na internet em consumidores do conteúdo produzido ou usar de efeito de manada para atrair visitas com manchetes contraditórias ou provocativas.

E isso se torna um trabalho extremamente fácil para aqueles que dominam a linguagem da comunicação e da propaganda: eles conseguem ver por fora das “câmaras de eco”.

Como portais de notícias são manipulados:

*E-mails com relatos falsos;
*Não checam a veracidade de informações na internet e compartilhamentos em redes sociais;
*Enganam jornais de cidades pequenas, o conteúdo é replicado nos blogs de médio porte e é puxado por portais grandes, que usam esses pequenos blogs como filtro de conteúdo.



Angela Phillips, colunista do The Guardian, descreve uma suposta conspiração dos homens na criação da pílula: mulheres não poderão mais escolher se vão querer ter filhos. Ela também não leu os estudos, mas mesmo assim, no primeiro parágrafo, diz que homens compartilhariam dos mesmos efeitos colaterais.

Esses são os três métodos mais básicos de como esses sites falham. Tudo gira em torno de checar as informações, mas eles nunca fazem e nem irão fazer. Sites precisam de pageviews; checar fontes significa perder tempo e perder tempo é ficar sem o que publicar, pois tudo que passa de um dia na internet, morre.

É um ótimo modelo de negócios e é perfeito para espalhar boatos, principalmente por usar das câmaras de ecos que nós mesmos criamos.

Fonte: http://ano-zero.com/tudo-sobre-boato-2/




Offline Buckaroo Banzai

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #4 Online: 25 de Maio de 2017, 19:56:32 »
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Muitos portais famosos foram manipulados (Huffington Post, The New York Times, Business Insider, Gawker, Jezebel e Gizmodo). Não demorou muito e os jornalistas começaram a convidar Tucker Max para que explicasse o que estava acontecendo. A controvérsia fez seus livros terem um salto de vendas.

Estratégia que pode ser um tiro no pé, se a mesma mídia que te "promove" resolve "decretar" que você é mesmo um vilão FDP. Parece que o epicentro do que está sendo chamado no youtube de "anunciocalipse", remoção de anúncios de canais minimamente controversos, foi um "humrista" (pewpewdew-pie ou qualquer coisa assim, supostamente um dos maiores do YT) fez um ou outro vídeo tosco em que posava caricaturalmente de nazista, além de ter pago cinco dólares a uns dois indianos por para gravarem um vídeo em que seguram placas "matem todos os judeus", enquanto sorriem.

Isso era só uma tentativa de humor "politicamente incorreto" em dizer como as pessoas topam de tudo na internet e etc, mas o Wallstreet Journal (curiosamente com as mesmas iniciais de SJW) o decretou como sendo nazista, praticamente fabricando essa polêmica do YT ser fonte de renda de promoção de ideologias extremistas. Até tem disso, mas pelo que me parece, foi simplesmente um serviço de porco dos jornalistas terem-no usado como exemplo, havendo vários outros que no mínimo poderiam defender como sendo reais.

Não acompanhei mais detalhadamente, mas parece que os "jornalistas" nem se retrataram nem nada. Para sorte do youtuber, parece que ele é famoso o suficiente para não ter tido sua reputação em si afetada. Nem por isso não houve um considerável estrago, inclusive para a renda de canais que teoricamente seriam favoráveis ao "lado" dos social justice warriors, tirando o sensacionalismo e hiper-vitimismo.

Ironicamente parece que um dos jornalistas até tem ele mesmo suas piadinhas anti-semitas no twitter.

Offline Sergiomgbr

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #5 Online: 25 de Maio de 2017, 20:01:00 »
Uma possível solução para a volta dos anunciantes ao YT poderia ser via alguma categorização dos vídeos.

Offline Zero

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #6 Online: 08 de Março de 2018, 23:12:57 »
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Most of the information we spread online is quantifiably “bullshit”

In his well-known essay On Bullshit, Harry Frankfurt defines bullshit as speech that is designed to impress but lacks a direct concern for the truth. Under such a definition, a large portion of what we read online today is likely to be bullshit.

Some types of bullshit are political in nature, such as the misleading claim that only 16 mass shootings took place under President Bush’s tenure, compared to a whopping 162 under President Obama. Such claims are valued for their persuasiveness in making a point, rather than for their connection to reality. Other bullshit, such as clickbait, is motivated by the commercial mandates of the digital age, in which companies endlessly chase more page views, likes, followers, subscribers and customers.

Still more bullshit springs from vanity and hunger for attention. Reddit rewards users with “karma” for popular comment and link contributions, a system that can compel people to share bullshit or create their own. Twitter, with a 140-character limit, seems exceptionally conducive to the spread of bullshit, as the brevity of the medium demands vagueness disguised as pith.

 The internet has ushered in the Age of Bullshit. Considering that the internet has greatly increased our access to unreliable information, and that bullshit still passes through more traditional channels such as newspapers, magazines, television, radio, and face-to-face conversations, it seems reasonable to suggest that people today are inundated with more bullshit now than ever before. The internet has ushered in the Age of Bullshit.

Yet despite the prevalence of bullshit, it has only sparingly been discussed from an academic perspective. Frankfurt’s famous essay effectively explored the essence of the bullshitter. But it seems no research to date has explored the characteristics of the bullshittee. That is, what type of people are most likely to believe in bullshit? Given the ubiquity of bullshit online, this seems like an especially important issue to address sooner rather than later.

To begin studying the bullshittee from a psychological perspective, some of my colleagues and I, led by Gordon Pennycook, undertook a systematic empirical analysis of the reception and detection of a particular type of bullshit: the pseudo-profound. Pseudo-profound bullshit refers to statements that are meant to imply deep meaning but are actually vacuous. With opaque language, one can imply much while saying little.

 What type of people are most likely to believe in bullshit? To assess the reception of such bullshit, we presented approximately 800 participants across four studies with statements ranging from the mundane to the meaningful. We included some bullshit too. To produce the bullshit, we relied on websites that arrange buzzwords into arbitrary but syntactically valid sentences. For example, some buzzwords were drawn from sources such as New Age icon Deepak Chopra’s Twitter feed, and arranged into pronouncements like “Hidden meaning transforms unparalleled abstract beauty.” We asked participants to tell us how profound they found these statements, and correlated these ratings with other psychological variables.

A clear pattern emerged in the types of people who were more likely to find profundity in the meaningless. People who were more religious, more likely to believe in the paranormal, and more accepting of alternative medicine were more receptive to the bullshit. People who were less analytic and intelligent were also more likely to find the bullshit statements to be profound than their more reflective and intelligent counterparts. Our research also suggests that people who are generally biased toward finding things profound are more receptive to bullshit.

The correlation between lower levels of analytic thinking and receptivity to bullshit is particularly important when it comes to helping us understand why people can find meaning in meaningless statements online. Intuitive thinkers—those who are more likely to rely on their initial impressions when reasoning—rated meaningless statements as more profound. Reflective thinkers, who are more likely to reconsider their initial impressions after giving a subject analytic thought, saw through the bullshit.

 One’s tendency to believe bullshit might well be considered a mental shortcut. In other words, the participants in our study didn’t seem to be thinking deeply about seemingly vacuous statements and constructing meaning from them. Instead, they were uncritically accepting the (rather blatant) bullshit as meaningful based on how it felt when they first encountered it. Therefore one’s tendency to believe bullshit might well be considered a mental shortcut. When intuitive thinkers are presented with seemingly impressive words, they may assume deep meaning without engaging in analytic thinking to reflect on whether there is something more to it.

The very nature of the internet may encourage a shallow kind of information processing that facilitates belief in bullshit. Nicholas Carr, for example, has argued that the internet is transforming us into skimmers. Rather than dive into the world of words, we prefer to superficially skip along the surface, darting between open tabs and blinking messenger windows.

Empirical research supports the idea that using the internet shapes the way we think. Betsy Sparrow, an assistant professor of psychology at Columbia University, and co-authors have found that people use the internet as an external memory storage system, making them less likely to remember the information they look up. And researchers at Yale University recently demonstrated that searching online for information leads us to over-estimate how much we actually know and understand. Our tendency to offload cognitive functions to our computers forecasts a future in which we think less about what we encounter online, which could have consequences for our receptivity to bullshit.

 Intuitive thinkers may not only be more prone to accepting bullshit, they also might be more likely to find it. Interestingly, in other research exploring the relationship between people’s thinking styles and the way they use technology, we have shown that more intuitive thinkers are relatively more likely to rely on search engines for information. Reflective thinkers seem less prone to offload their thinking to devices. Thus, intuitive thinkers may not only be more prone to accepting bullshit, they also might be more likely to find it.

But while less analytic types are more prone to buy into bullshit, all of us frequently fail to engage in reflective thinking. Decades of psychological research clearly shows that people tend to be cognitive misers, only thinking hard about things when they must. Thus, we are all likely to fall prey to bullshit at some point.

Sometimes believing bullshit might be relatively inconsequential. Being overly impressed with an exaggerated story of how a Facebook friend shared a meal with Johnny Depp on a big night out is unlikely to ruin anyone’s life.

However, our susceptibility to some kinds of bullshit may be more costly.

 People tend to be cognitive misers, only thinking hard about things when they must. For example, presidential candidates in the upcoming US election are slinging bullshit at an alarming rate (perhaps some more than others). Their bullshit can easily spread online, where legions of supporters take to Twitter and Facebook to talk politics despite the fact that many of them are likely ill-informed.

Donald Trump, for instance, has repeatedly claimed that thousands of Muslims in New Jersey celebrated the tragedy of 9/11. Many of his supporters took to social media to back his view, despite abundant evidence that this was bullshit. Trump displays callous disregard for the truth in order to impress certain demographics of voters. The spread of this kind of bullshit serves to further ostracize a marginalized group. It is but one manifestation of the potentially severe consequences of bullshit in politics.

Also worrisome is the prospect of the spread of bullshit related to health and medicine. For example, research has shown that the internet has played a key role in the rise of the anti-vaccine movement. Anti-scientific sites that argue vaccines are ineffective and dangerous are common and influential. Researchers have found that convincing anti-vaxxers that this information is bullshit is extremely difficult. But people who refuse to vaccinate their children risk dire consequences for themselves and the rest of us.

Research also suggests that some bullshit information regarding alternative treatments found online can pose significant harm to cancer patients. Many have experienced complications or died because they rely on alternative health treatments of the sort readily found online. (High-profile examples of cancer patients who avoided mainstream medicine for alternative treatments include Penelope Dingle and Steve Jobs.) Even relying on such treatments as complements to traditional medicine is risky, since these approaches can interact with more effective treatments in dangerous ways.

 It’s not only people on the fringes who may be tempted to accept advice from less than reputable sources online.  It’s not only people on the fringes who may be tempted to accept advice from less than reputable sources online. Deepak Chopra has amassed millions of Twitter followers, despite a multitude of scientists and skeptics calling his views on even the most basic aspects of biology and physics unscientific and inaccurate. These views include the denying of evolution and misrepresenting quantum theory. (See here, here, here and here for examples of scientists taking issue with Chopra’s claims.)

In our research, we discovered that people who found Chopra’s tweets to be profound also tended to think that bullshit (here defined as random buzzwords arranged into syntactically valid sentences) was profound. When Chopra learned of our research and this unflattering result on Twitter, rather than counter with evidence that his arguments are based in truth, Chopra thanked us, as it is “getting [him] more speaking engagements and new book offers.” This response exemplifies the desire to persuade and profit, rather than to be precise, which characterizes the Age of Bullshit.

The task ahead is to help people understand how to separate the signal from the noise online. After all, although the internet has exposed us to more bullshit than ever before, it has also given us more access to accurate information. The public has the potential to participate in the political process at an unprecedented scale, and to make use of the incredible access to information in all areas of life. We have at our fingertips the sum collective knowledge of the world’s many experts, and the opportunity to freely share insights from these experts instantly and freely.

 The task ahead is to help people understand how to separate the signal from the noise online. Thankfully, the most consequential types of bullshit seem to be the easiest to refute. Though it may be difficult to determine whether your Facebook friends are as socially in demand as they suggest, finding the answers to issues of real consequence has never been easier. Rather than rely on the word of a person we know or simply decide the truth for ourselves, we can draw information from a variety of sources online to best cut through the bullshit.

Based on the preliminary research we have conducted so far, two general remedies for being overly receptive to bullshit are to receive more education—especially about what constitutes a good argument and evidence—and to more frequently engage in reflective critical thinking.

Because people naturally wish to limit analytic thought, which is costly in both time and effort, these remedies are likely insufficient in the battle against bullshit unless they can be made palatable. An increasingly important challenge for those who have access to truth, whether it be expertise in politics, science, or other subjects, is to find ways to convey the truth in impressive ways that both inform and entertain.

Accurate but overly technical or otherwise inaccessible copy is unlikely to compete with catchy clickbait and cyber snake-oil salesman, no matter how much truth may be found therein. Translating complex ideas into digestible content will play an important role in encouraging people to read and share reliable information.

 People naturally wish to limit analytic thought. There are positive trends in this direction, whereby the same platforms that often spread bullshit are being used to disseminate the truth. Reddit’s askscience subreddit, for example, affords people an opportunity to ask experts about issues of interest or concern. Many popular scientists and academics are tackling bullshit via Twitter. The internet is a double-edged informational sword.

We all bear responsibility in the war against bullshit. We should discourage bullshitters by resisting the temptation to cave to the clickbait and contribute to page views. We should hesitate to spread articles that provoke immediately strong emotional responses but lack reasoned arguments. Bystanders with knowledge of a given area must continue to call bullshit on charlatans in a way that encourages reflective critical thinking. And simple awareness that intuitive assessments can lead to us to fall prey to bullshit may help us to check our instinctual reactions to what we read online, encouraging us to think again–and more deeply.

So rather than lament that we live in the Age of Bullshit, we should strive to make best use of the internet, with the hope of eventually finding our way into a more sensible age. It is crucial that our positions regarding social, political and scientific issues be rooted in evidence, of which more is available now than ever before, rather than the emotional impressions that bullshit seeks to evoke. And we should all strive to avoid, wherever possible, spreading our own bullshit.
https://qz.com/572269/most-of-the-information-we-spread-online-is-quantifiably-bullshit/

Offline Pedro Reis

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Re:O guia de bolso para prevenção de besteiras
« Resposta #7 Online: 09 de Março de 2018, 00:12:10 »
Most of the information we spread online is quantifiably “bullshit”


https://qz.com/572269/most-of-the-information-we-spread-online-is-quantifiably-bullshit/


Engraçado que há 5 minutos estava pensando exatamente sobre isso quando escrevi um post sobre uma foto do Bolsonaro com o slogan: "Direitos humanos são o esterco da vagabundagem."

 

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