Autor Tópico: A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80  (Lida 449 vezes)

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Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #1 Online: 18 de Março de 2018, 22:56:33 »
Percebe-se que existia felicidade no ar, como em Cuba.
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Offline Pedro Reis

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #2 Online: 18 de Março de 2018, 23:20:02 »
Percebe-se que existia felicidade no ar, como em Cuba.

Mas muita gente que viveu na Alemanha Oriental diz a mesma coisa. Só que sem ironia.

Pra quem não estava sendo perseguido pela Stasi era uma vida tranquila, eles dizem. Todos tinham emprego garantido, criminalidade zero, não precisava se preocupar com aposentadoria. E ainda tinham uma liberdade sexual que o Ocidente ainda não conhecia.

https://www.revistaforum.com.br/cinegnose/2017/09/05/2215/
« Última modificação: 18 de Março de 2018, 23:23:07 por Pedro Reis »

Offline Geotecton

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #3 Online: 19 de Março de 2018, 08:31:33 »
Percebe-se que existia felicidade no ar, como em Cuba.
Mas muita gente que viveu na Alemanha Oriental diz a mesma coisa. Só que sem ironia.

Pra quem não estava sendo perseguido pela Stasi era uma vida tranquila, eles dizem. Todos tinham emprego garantido, criminalidade zero, não precisava se preocupar com aposentadoria. E ainda tinham uma liberdade sexual que o Ocidente ainda não conhecia.

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Quase o mesmo é dito de quem viveu no período da ditadura de 1964 a 1985.
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Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #4 Online: 19 de Março de 2018, 09:39:25 »
Lá era tão bom que tinha até muro com arame farpado para não invadirem o paraíso.
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #5 Online: 19 de Março de 2018, 19:00:05 »
Lá era tão bom que tinha até muro com arame farpado para não invadirem o paraíso.

Quando fizeram o muro um bando de gente ainda fugiu pelas linhas do metrô e galerias de águas pluviais.


Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #6 Online: 19 de Março de 2018, 19:02:45 »
Percebe-se que existia felicidade no ar, como em Cuba.

Mas muita gente que viveu na Alemanha Oriental diz a mesma coisa. Só que sem ironia.

Pra quem não estava sendo perseguido pela Stasi era uma vida tranquila, eles dizem. Todos tinham emprego garantido, criminalidade zero, não precisava se preocupar com aposentadoria. E ainda tinham uma liberdade sexual que o Ocidente ainda não conhecia.

https://www.revistaforum.com.br/cinegnose/2017/09/05/2215/

Deu para ver como estavam tristes por perder tudo isso na noite em que liberaram a passagem e derrubaram o muro.

Lembro até hoje o que eu vi pela televisão na época.

Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #7 Online: 19 de Março de 2018, 19:23:59 »
Percebe-se que existia felicidade no ar, como em Cuba.

Mas muita gente que viveu na Alemanha Oriental diz a mesma coisa. Só que sem ironia.

Pra quem não estava sendo perseguido pela Stasi era uma vida tranquila, eles dizem. Todos tinham emprego garantido, criminalidade zero, não precisava se preocupar com aposentadoria. E ainda tinham uma liberdade sexual que o Ocidente ainda não conhecia.

https://www.revistaforum.com.br/cinegnose/2017/09/05/2215/

Deu para ver como estavam tristes por perder tudo isso na noite em que liberaram a passagem e derrubaram o muro.

Lembro até hoje o que eu vi pela televisão na época.

Mais de um milhão de pessoas se recusando a viver no paraíso...



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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #8 Online: 19 de Março de 2018, 19:41:09 »
Pois é,  todos tinham empregos e aposentadorias garantidas, liberdade sexual, um ticket de racionamento de comida e uma senha para esperar dez anos por uma geladeira.

Mas sei lá,  talvez a liberdade sexual tenha a ver com ter apenas um canal de televisão estatal, filmes estatais no cinema, propaganda estatal no rádio....

O pessoal tinha que arrumar algo para passar o tempo, talvez com uma suruba semanal na casa dos vizinhos em sistema de rodízio.

Cada semana a turma se reunia na casa de alguém diferente.

Sei lá.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #9 Online: 19 de Março de 2018, 19:54:29 »
Vi em um documentário, o governo pagava informantes em cada prédio,  em cada escola, em cada empresa.

Espionavam moradores dos prédios com estetoscópios encostados no sistema metálico de aquecimento, grampeavam telefones, abriam correspondência.

Não é sem motivo que todos diziam que eram felizes dentro da prisão de onde não poderiam sair.

Offline Gauss

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #10 Online: 19 de Março de 2018, 20:19:04 »
Na Alemanha Nazista também era muito bom. Só morria quem era vagabundo e judeu. Não tinha crime e as Autobahns eram ótimas. Meu avô Manfred quem me disse.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Gauss

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #11 Online: 19 de Março de 2018, 20:20:01 »
Vi em um documentário, o governo pagava informantes em cada prédio,  em cada escola, em cada empresa.

Espionavam moradores dos prédios com estetoscópios encostados no sistema metálico de aquecimento, grampeavam telefones, abriam correspondência.

Não é sem motivo que todos diziam que eram felizes dentro da prisão de onde não poderiam sair.
Esse cara do Hoje no Mundo Militar fez um vídeo bom sobre:
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #12 Online: 19 de Março de 2018, 20:33:42 »
Ótimo vídeo.


Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #13 Online: 19 de Março de 2018, 20:46:34 »
O povo não tinha opção. Acho que se existia alguma "felicidade", ela era decorrente de alguma coisa do tipo "Síndrome de Estocolmo".
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Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #14 Online: 19 de Março de 2018, 20:49:42 »
Além disso a Alemanha Oriental estava literalmente quebrada, o que não ajudava muito para manter a infraestrutura "feliz" dessa propaganda mentirosa.

Citar
Pessoas que tentavam fugir da Alemanha Oriental durante a Guerra Fria podiam ser baleadas, presas e torturadas. Mas o governo estava tão sem dinheiro que alguns acabaram sendo secretamente vendidos – e para a Alemanha Ocidental, exatamente o país onde a maioria deles estava tentando chegar ao fugir.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141107_alemanha_oriental_lab
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Offline Pedro Reis

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #15 Online: 19 de Março de 2018, 21:58:45 »

Quase o mesmo é dito de quem viveu no período da ditadura de 1964 a 1985.

É verdade. Mas existem algumas diferenças interessantes que deveriam ser observadas quando se faz a comparação da nostalgia pelos tempos da ditadura no Brasil e a nostalgia dos tempos de ditadura de lá.

Boa parte da saudade que se tem dos anos 70 e 80, por quem viveu este período, não está relacionada com coisas proporcionadas pela ditadura militar. É saudade de uma outra atmosfera: uma vida mais calma, do trânsito menos frenético, da vida com mais segurança, menos competitiva, sem bullying nas escolas, da qualidade musical, do futebol vistoso dos craques quando quase todo clube grande tinha um craque jogando com a 10, etc, etc... E tudo isso teria existido com ou sem o golpe de 64. Com exceção, talvez, daquelas coisas proporcionadas pelo crescimento econômico no período do "milagre", mas que depois cobrou seu preço em dívida externa e numa estatização inflacionária.

Mas possivelmente é também muito de nostalgia da própria juventude. Aquele tipo de saudade que é comum à todas as gerações.

Os antigos alemães orientais também têm este mesmo tipo de sentimento, e se lembram com carinho de muitas coisas que viveram na infância e juventude e que hoje já não existem. Infâncias e juventudes que por acaso foram vividas na Alemanha Oriental.

Eu acho que só quem foi jovem em um campo de concentração nazista não tem saudade, porque até pessoas que viveram suas juventudes durante os anos da guerra costumam se reportar a este tempo transparecendo certa nostalgia.

Com relação à antiga Alemanha socialista, essa nostalgia é tão presente que já cunharam até um termo pra isso: "Ostalgie".

Ou lestalgia.

E a lestalgia, em grande parte, não deve ser algo muito diferente do que a milicostalgia de muitos aqui. Só que, segundo pesquisas, entre 10% e 15% de alemães sentem falta de aspectos da vida na Alemanha Oriental que estavam relacionados com o modo de vida em uma sociedade socialista, e que desapareceram juntamente com o muro. Diferentemente da milicostalgia, que é saudade de coisas que não tinham nenhuma relação com se estar vivendo sob um regime militar.

Citar
Ostalgie é um neologismo alemão, combinando as palavras Ost(leste) e Nostalgie– podendo, portanto. ser traduzido como "lestalgia". Contudo somente entre 10% e 15% dos 16 milhões de pessoas que vivenciaram a tentativa de um Estado socialista, entre 1949 e 1990, gostariam de voltar aos tempos da RDA – como constataram as pesquisas de diversos institutos de opinião alemães. A maioria está contente por gozar mais bem-estar e liberdade hoje, numa Alemanha reunificada, do que sob o regime comunista.

Lestalgia é uma moda que tem durado na Alemanha e movimenta um grande mercado de consumidores buscando produtos e souvenirs da velha Alemanha Oriental, mas pra pouco mais de 10% é mais do que isso: estes prefeririam voltar no tempo e viver de novo como na RDA! Mesmo com a Alemanha de hoje estando longe de poder ser considerada um país ruim pra se viver. Muito pelo contrário!

10% não é que se chama de maioria, mas nem por isso devemos desqualificar os motivos dessa minoria de maneira simplória, como estão fazendo estes outros foristas aí em cima: o cidadão oriental vivia uma vida desacelerada, de pouco stress. Ele não se preocupava muito com o futuro porque o comunismo alemão poderia oferecer pouco, mas esse pouco era "automático". O Estado encaminhava a criança para a escola, da escola para a especialização, da especialização para o emprego, do emprego para a aposentadoria. E nesse caminho ele tinha a segurança de que manter e criar os filhos seria "automático" também.

E embora o Estado estimulasse a caguetagem, paradoxalmente valorizava também a solidariedade e camaradagem entre as pessoas, em contraste com o estímulo capitalista de uma busca egóica de sucesso pessoal, o "sucesso" representando mais a forma como o indivíduo será visto pela sociedade do que o bem estar e a felicidade alcançado pelo indivíduo. Bem estar e felicidade, os quais ele é até induzido a sacrificar na busca desse ideal de sucesso.

Este é um modelo que produz certas "neuroses sociais" que se manifestam de maneira sutil em "sintomas sociais" como essa cultura de bullying nas escolas ( par dar um exemplo ), um tipo de comportamento que não existia nas escolas da RDA. Do outro lado, o modelo totalitário também era responsável por neuroses, como o medo e a paranoia que atormentavam a vida de muitas pessoas.

È claro que não queremos pagar o preço que os alemães pagaram para ter algumas coisas que poderíamos invejar do socialismo, mas é interessante poder examinar uma sociedade como a da Alemanha Ocidental como um contraponto com o nosso próprio estilo de vida, para através desse contraponto poder perceber o que há de patológico no nosso próprio modelo, porque, como diz um
ditado: "O peixe é o último a saber que vive dentro d´água."

As coisas só se revelam pelo contraste, pois se não existisse escuridão ninguém teria consciência da luz.

http://www.dw.com/pt-br/lestalgia-a-saudade-da-vida-na-alemanha-oriental/a-18002219

Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #16 Online: 19 de Março de 2018, 23:42:28 »
A "Ostalgie" me lembra a Síndrome de Estocolmo (SE). Ela tem sido citada como um fenômeno pós-comunista com exemplos alemão, russo e iugoslavo. Como na SE, mostra que a opressão desses regimes causaram danos psicológicos individuais de que coletivamente assumiram uma dimensão cultural de nostalgia alimentada pelo merchandising de memorabilia e arte. É sem dúvida uma evidência significativa que o regime comunista não oferecia a felicidade anunciada em suas campanhas de propaganda.


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Offline Pedro Reis

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #17 Online: 19 de Março de 2018, 23:53:18 »
Ela tem sido citada como um fenômeno pós-comunista com exemplos alemão, russo e iugoslavo.

Não é citada como, nostalgia só pode ser pós.   :biglol:

Mas síndrome de Estocolmo vou entender como piada.

Offline Gigaview

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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #18 Online: 20 de Março de 2018, 03:13:28 »
Ela tem sido citada como um fenômeno pós-comunista com exemplos alemão, russo e iugoslavo.

Não é citada como, nostalgia só pode ser pós.   :biglol:

Mas síndrome de Estocolmo vou entender como piada.

Na frase a referência é "Ostalgie" e "ela"  é citada como fenômeno. Perdi uns minutinhos para jogar no Google e ver que Ostalgie já foi tema de uma exposição: "Ghosts of Glasnost: Ostalgia" no The New Museum of Contemporary Art of New York em 2011.

A referência à "Soviet-style Stockholm Syndrome" abaixo é para você ver que tem mais gente por aí que pensa como eu sobre as similaridades entre a SE e a Ostalgia.

Citar
The specter of communism currently haunts the New Museum in its summer “bloc-buster” exhibition Ostalgia. It’s an ambitious project that consumes most of the galleries with a swirling conglomeration of disparate mediums, artists, scales and concepts that reflect the miasmic atmosphere of post-Soviet territories. With its title adapted from the (East) German neologism ostalgie meant to express the longing for a time before the fall of the Iron Curtain, it’s hard to see whether the exhibition is drawing upon legitimately fond memories of the socialist experiment, or a Soviet-style Stockholm Syndrome.
https://hyperallergic.com/29861/ghosts-of-glasnost-%E2%80%9Costalgia%E2%80%9D-at-the-new-museum/

Já que estava no google...

http://euromaidanpress.com/2015/08/10/russians-continue-to-suffer-from-stockholm-syndrome-kirillova-says/

Stockholm syndrome ... and other psychoses.

Citar
Nostalgic admiration for the days of authoritarianism is not, of course, confined to Bulgaria. When I worked on an English-language newspaper in Lisbon, our Portuguese graphic designer riled his English (and Portuguese) colleagues by regularly praising Salazar, the country's erstwhile fascist dictator. He insisted that "it was better under Salazar" so often-adding (pointedly) that he (Salazar) would NEVER have allowed so many foreigners into Portugal-that I concluded he was a turkey voting for Christmas. His employers were British, after all.

https://www.thefreelibrary.com/Stockholm+syndrome+...+and+other+psychoses-a0244952506

« Última modificação: 20 de Março de 2018, 03:17:04 por Gigaview »
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Re:A vida na(então)Alemanha Oriental(República Democrática Alemã)nos anos 70 e 80
« Resposta #19 Online: 20 de Março de 2018, 09:15:43 »
Quase o mesmo é dito de quem viveu no período da ditadura de 1964 a 1985.
É verdade. Mas existem algumas diferenças interessantes que deveriam ser observadas quando se faz a comparação da nostalgia pelos tempos da ditadura no Brasil e a nostalgia dos tempos de ditadura de lá.

Boa parte da saudade que se tem dos anos 70 e 80, por quem viveu este período, não está relacionada com coisas proporcionadas pela ditadura militar. É saudade de uma outra atmosfera: uma vida mais calma, do trânsito menos frenético, da vida com mais segurança, menos competitiva, sem bullying nas escolas, da qualidade musical, do futebol vistoso dos craques quando quase todo clube grande tinha um craque jogando com a 10, etc, etc... E tudo isso teria existido com ou sem o golpe de 64. Com exceção, talvez, daquelas coisas proporcionadas pelo crescimento econômico no período do "milagre", mas que depois cobrou seu preço em dívida externa e numa estatização inflacionária.
[...]

Caro Pedro.

Você certamente não viveu ou não tinha idade suficiente para ter consciência de como era a vida cotidiana entre o período mais duro do regime, que ocorreu entre 1969 e 1975, sendo que nascido em 1963, eu lembro de algo a partir de 1969 e bastante de 1972 em diante.

A minha família e meus parentes mais próximos eram de classe média baixa, extremamente religiosos, principalmente católicos. Tinham um medo visceral do "comunismo" e da 'baderna esquerdista'. E todos (os que sobreviveram, é claro, hahaha) afirmam que o grau de segurança familiar e patrimonial na época era imensamente superior ao que se vive hoje.

Quase todos afirmam que a "degradação moral" é muito maior hoje do que na década de 70 e que a possibilidade de ascensão social era bem maior a 4 décadas.
Foto USGS

 

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