Forum Clube Cetico

Discussões => Laicismo, Política e Economia => Tópico iniciado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:19:02

Título: Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:19:02
Tópico para  informações gerais, e notícias  que tenham a ver com liberalismo ou com a sua falta (com ênfase no liberalismo econômico, mas obviamente nada impede de se colocar informações relativas ao liberalismo social).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:20:39
Aqui uma notícia  que tem a ver com  pensamento econômico anti liberal, o qual é ainda preponderante no Brasil:



Mínimo de 35% de cacau no chocolate dá basta no Faz de conta, diz deputado



ENVIADA EM: 25/11/2016 11:14HS


Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados obriga as indústrias de chocolate a adicionar, no mínimo, 35% de cacau puro ao chocolate produzido no Brasil. Autor da proposta, o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA) voltou a defender, ontem (24), na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços a mudança, que fortaleceria ainda mais a cadeia produtiva do cacau.


A medida, segundo Bebeto, busca a valorização do produtor e proteger o consumidor. “Quando se aumenta a massa de cacau na industrialização do chocolate, aumenta o nível de produção e provoca uma melhora comercial para quem produz”, acredita. Na outra ponta, está o consumidor. “Com esse projeto, daremos um basta a um verdadeiro faz de conta, afinal hoje em dia nós comemos massa hidrogenada dizendo que é cacau, comemos açúcar achando que é chocolate”, argumenta Bebeto.


O parlamentar baiano apelou por um consenso entre os setores envolvidos para garantir o avanço do projeto na Câmara. “Mesmo com toda boa vontade desta Casa e a dedicação da agricultura e dos deputados, não chegamos ainda a um texto de consenso com os representantes das indústrias que aportam sempre a este debate critérios de natureza técnica e impedimentos para chegar conclusivamente ao resultado”.


DEMANDA


Uma das discussões é se há oferta de cacau no mercado suficiente para atender a demanda gerada pela possível aprovação da lei. “A indústria do chocolate está disposta a indicar sugestão de aprimoramento no texto? Se é para convergir, é preciso fazer o esforço para a convergência”, provoca. Bebeto diz ver disposição do setores envolvidos para chegar a essa disposição. De acordo com ele, o projeto já deveria ter sido votado no início do ano. “Já chegamos a um limite que não dá para postergar mais esse debate”, completa”. Fonte:

Pimenta


http://mercadodocacau.com/artigo/minimo-de-35-de-cacau-no-chocolate-da-basta-no-faz-de-conta-diz-deputado


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 28 de Novembro de 2016, 08:34:34

Por que o crescimento dos liberais está assustando a esquerda


Por Instituto Liberal


Em 19 de novembro de 2015


Temos presenciado recentemente no Brasil um fenômeno considerado impensável há alguns anos atrás: a derrocada da hegemonia esquerdista/progressista no campo dos debates e das ideias. A recente escalada do pensamento liberal por aqui é um episódio digno de estudos aprofundados para a posteridade.


Se por um lado muitos de nós, liberais, assistimos resignados à ascensão lulopetista nas duas ultimas décadas, é fato inconteste que esse quadro tem mudado, sobretudo no (longo e tortuoso) governo Dilma Rousseff. A velha esquerda, tão acostumada ao monopólio dos discursos, está se vendo em uma situação inusitada. Não mais pode vomitar suas falácias aos quatro ventos. Tem encontrado, com frequência cada vez maior, oposição preparada e combativa entre liberais e conservadores. É bastante provável que você, leitor, já tenha se deparado com situação semelhante, seja nas redes sociais, com aquele seu colega militante sendo execrado ao defender o indefensável, seja em sua vida real, na faculdade, por exemplo, quando aquele professor marxista, boquiaberto, viu seu discurso sobre as mazelas do capitalismo contestado por um aluno cuja cabeceira da cama ostenta exemplares de As Seis Lições e O Caminho da Servidão.

Esse novo cenário, contudo, não é fruto do acaso. Há causas para tanto. Organizações como o próprio IL, o Instituto Mises Brasil, além dos diversos grupos e comunidades de estudo liberal espalhados Brasil afora, proporcionam esse crescimento. Obras clássicas da Escola Austríaca estão hoje a um clique do leitor interessado, formando, para desespero dos esquerdistas, novos “austríacos” todos os dias.

Outro fato interessante é a presença, cada vez mais comum, de liberais (ou simpatizantes) nos meios de comunicação. Se é fato que a imprensa ainda é majoritariamente inclinada à esquerda, não há como não destacar o trabalho de gente do gabarito de Rodrigo Constantino e o sucesso do seu recém descontinuado blog na revista Veja (que vacilo, hein, Veja…), além de sua coluna em O Globo e blog neste mesmo IL. Há também outros jornalistas não tão alinhados com os ideais liberais, mas, sim, companheiros na batalha contra o atual governo e sua ideologia. Reinaldo Azevedo, Paulo Eduardo Martins, Luiz Felipe Pondé, Rachel Sheherazade, entre outros, desempenham, todos eles, papéis importantes na imprensa. São, no mínimo, o contraditório necessário para minar a predominância dos que simpatizam e/ou que estão na folha de pagamento (ou seria Empenho, Cynara?) do atual governo. Se não estão propriamente a divulgar as ideias de Mises, é certo que estão a combater, de maneira bastante contundente, as mentiras propagadas pelos camaradas do PT, e isso é sim extremamente importante, pois oferece ao grande publico uma oportunidade de buscar novas ideias, uma terceira via entre o “socialismo petista” e o “capitalismo tucano”.

E é aí que surge outro fenômeno digno de reconhecimento: o Partido Novo.

Fundado em 2011 por gente sem ligação tradicional com a politica, o NOVO, como tem sido chamado, teve seu registro aprovado em 15 de setembro último, e já figura como segundo maior partido com simpatizantes na rede social Facebook, atrás somente (e por enquanto!) do PSDB. Seus detratores, desonestos como sempre, buscam minimizar suas conquistas, seu sucesso. Afirmam, equivocadamente, que política se faz nas ruas, não no Facebook – argumento que só faz demonstrar o quão ignorantes e mentirosos eles são, visto que não há organização séria que não foque boa parte de seus esforços nas redes sociais. E o NOVO tem usado essas ferramentas de maneira brilhante. Com um dialogo fácil, João Dionisio Amoedo, presidente do partido, tem buscado desconstruir alguns conceitos enraizados na cultura brasileira. O mito do governo grátis, Privatização e Livre Mercado tem sido assuntos cada vez mais presentes na mídia desde que o NOVO tomou forma. Ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o partido se estabeleça como um dos protagonistas da política nacional, mas as perspectivas são boas. Liberais de renome têm depositado sua confiança no partido, como, por exemplo, Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil, e Rodrigo Saraiva Marinho, do Instituto Liberal do Nordeste, outra organização importantíssima em um reduto considerado de predominância petista. Sabem que politica não se faz só com ideias, mas também (e principalmente!) na pratica. É, em última instância, o princípio da Semeadura e Colheita. Há que se plantar as ideias liberais para colher um país mais livre. E para tanto se faz necessário o engajamento.

Embora tenhamos tido avanços importantes na difusão das ideias liberais, o cenário político tradicional é onde menos há reflexo desses avanços. Declarar-se liberal era até pouco tempo atrás sentença de morte política. A predominância esquerdista era tamanha que o próprio PFL (Partido da Frente Liberal, atual DEM) recusava a alcunha. O cenário é, hoje, um pouco mais brando. Liberalismo já não é tabu entre os políticos. Devido à crescente demanda da população por menor peso do estado, menor burocracia, a classe política tem se obrigado a debater esses assuntos, não só no campo econômico, mas também no das liberdades individuais. Vale destacar aqui a atuação do jovem deputado gaúcho, Marcel Van Hattem, que em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, tem se mostrado uma grata surpresa politica. Dotado de ótima oratória, discurso afiado e bom conhecimento das pautas liberais, Marcel tem sido a pedra no sapato dos esquerdistas gaúchos. Aproveitando ao máximo a reverberação das redes sociais, promove discursos inflamados contra o atual governo, como no episódio em que encontrou a comitiva da deputada Maria do Rosário, durante sua campanha em 2014, e, aos berros, achincalhou a petista. O vídeo postado nas redes sociais rendeu milhares de visualizações e compartilhamentos e foi determinante para a chegada do então candidato ao Palácio Farroupilha.


 
O mais curioso disso tudo é que, enquanto os liberais galgam espaço na política, o lado de lá vem descendo ladeira abaixo. Os atuais índices de reprovação à esquerda são históricos. E não estamos falando só de números e estatísticas. A reprovação é manifesta. E a esquerda tem experimentado dela nas ruas, restaurantes, livrarias e até mesmo em hospitais. O próprio Lula, outrora imune, tem sido frequentemente hostilizado junto a seus pares. Enquanto o PT enfrenta o maior êxodo desde a sua fundação, a dita direita (não necessariamente liberal) surfa a onda da popularidade. O exemplo cabal disso são as recepções quase que holliwoodianas ao deputado federal Jair Bolsonaro nos aeroportos do Brasil.

Somado a isso tudo, não poderia deixar de citar duas organizações em especial: o Movimento Brasil Livre (MBL) e os Estudantes Pela Liberdade (EPL). Ambas, instituições de destaque em seus meios. Ambas, motivo de desvario esquerdista.

O MBL tem desempenhado importante papel na pressão sobre o governo. Suas barracas armadas no gramado do congresso são traços duma resistência a muito adormecida no Brasil. Resistência não do tipo baderneira, daquelas que, entre uma depredação e outra, protesta contra o estado pedindo… mais estado! Os jovens lá acampados retratam o descrédito do povo em suas instituições. Se chegaram ao extremo de nesse momento abrir mão do conforto dos seus lares, do carinho de suas famílias, não foi por falta de tentativa de estabelecer dialogo. O atual governo tem se mostrado prepotente e incapaz de ouvir quem quer que seja. Inclusive seus aliados, o que tem causado constrangimentos recorrentes à presidente. Apesar dos sórdidos ataques do MST ao grupo, que se confirmaram após ameaças do líder do governo, deputado Sibá Machado (PT- AC), o MBL permanece firme e aumentando cada vez mais o numero de “acampados”. Também parece legar novas lideranças. Kim Kataguiri, um dos principais nomes do grupo, foi eleito recentemente um dos 30 jovens mais influentes do mundo pela revista Time.

O objetivo do EPL, entretanto, é outro. A organização, formada por estudantes, tem foco na propagação de ideias e difusão de conhecimento. Sua contribuição à causa liberal se dá através dos vários projetos executados por seus coordenadores (dentre os quais, este que vos escreve) espalhados por todo o Brasil, além de parcerias com empreendedores e associações comerciais. Assim como o IL e o IMB, atua na raiz da questão, fomentando o liberalismo e os ensinamentos da Escola Austríaca de Economia.

Enfim, nobre leitor, o momento é de mudança. É preciso saber aproveitar as oportunidades que se apresentam para não desperdiçar o vento favorável. Todas as instituições citadas acima têm cumprido seu papel na árdua tarefa que é lutar por um Brasil mais livre. Cabe a você prestigia-las da maneira que melhor lhe convir.

A esquerda sangra. O governo sangra.

Sejamos nós, liberais, uma opção de mudança!

*Marlon Reguelin é empreendedor e coordenador local do EPL.

SOBRE O AUTOR

Instituto Liberal


O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/por-que-o-crescimento-dos-liberais-esta-assustando-a-esquerda/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 28 de Novembro de 2016, 08:49:15


Parece que a difusão das ideias de liberais ainda é bem limitada (não é algo popular),  ainda será necessário muito trabalho e empenho para divulgar estas ideias e conquistar um número expressivo de adeptos.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Rhyan em 28 de Novembro de 2016, 20:53:25
Libertarians = liberais

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Dezembro de 2016, 10:57:10
A notícia já tem um ano, mas o assunto continua atual.


04/11/15 07:00 - Opinião

Liberalismo econômico

Fernando José Martha de Pinho   
 

Nunca praticados na sociedade latino-americana, os ideais liberais sempre foram execrados por absoluta ignorância a respeito de suas virtudes. Essa doutrina embasou as revoluções antiabsolutistas que aconteceram notadamente na Inglaterra e França (séculos XVII e XVIII) e também a luta pela independência norte-americana. Defendia: 1) a liberdade individual; 2) a independência dos três poderes; 3) o direito inalienável à propriedade privada e 4) ampla concorrência e a livre iniciativa como princípios basilares, objetivando compatibilizar os interesses coletivos e individuais, bem como  a geração do progresso de toda a sociedade. A meritocracia também não poderia ser esquecida.


Alicerçadas nos ideais acima elencados, surgiram há alguns anos no Brasil diversas organizações privadas voltadas a reavivar tais princípios, num continente asfixiado pelo excesso de dirigismo estatal e de teorias desenvolvimentistas equivocadas, amplamente divulgadas até em prestigiosas universidades brasileiras, travestidas de boas ideias. Nesse aspecto, afirmou Milton Friedman (Nobel de Economia em 1976): ”Não existe nada que cause mais males do que boas intenções”. No dia 19 de novembro de 2015, ocorreu em São Paulo o “II Fórum Liberdade e Democracia – O Brasil que dá Certo”, de cunho liberal, promovido pelas seguintes entidades: Instituto de Formação de Líderes, Capitalismo Consciente Brasil, Instituto Millenium, Líderes do Amanhã, Mises Brasil, Diretório Acadêmico do Insper e Instituto de Estudos Empresariais.


Aproximadamente 5 mil pessoas, maioria de jovens entre 20 e 30 anos, dispondo-se a divulgar os ideais liberais. Foi entusiasmante participar. Dirigindo o evento estavam: Gustavo Franco (ex-presidente do BC e acionista da Rio Bravo Investimentos), Paulo Guedes (acionista e fundador do Banco Pactual) e o economista norte-americano David Friedman (filho de Milton Friedman), e um dos baluartes do movimento liberal contemporâneo. Abílio Diniz, como Keynote Speaker, dissertou sobre o tema: “Liberdade para Empreender”.


Parece claro que o combate feroz à mentalidade anticapitalista está só começando no Brasil, pois à medida que as pessoas instruem-se, têm acesso a melhores condições de vida e começam a enriquecer; a trajetória política de governantes que insistem em pregar idéias intervencionistas será cada vez mais difícil. Esse processo de mudança de mentalidade será cada vez mais facilitado também pela percepção da retumbante ruína das economias brasileira, equatoriana, argentina, venezuelana e cubana. Exemplos incontestáveis do que não funciona em termos de políticas econômicas.
Ao final do evento, foi distribuído o recém-lançado livro “Um Pequeno Passo para a Liberdade”, uma coletânea de artigos de diversos autores, editado pela QuintAventura Edições, SP. A iniciativa de realização desse evento traz alento a um Brasil tão carente de esperança, mas não de grandes oportunidades. Participar desses eventos é uma delas.
 

O autor é economista - Blog: www.fpinho.com.br


http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=240992



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Dezembro de 2016, 14:02:31
Mais um ataque a liberdade econômica :



Projeto de deputado petista que proíbe Uber em todo o Brasil pode ser votado essa semana

By Marcelo Faria -05/12/2016



Nesta semana, a Câmara dos Deputados pode votar um projeto de lei que proíbe o Uber em todo o Brasil. O PL 5587/2016, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), assegura exclusividade aos taxistas no transporte individual de passageiros em todo o país, tornando ilegais os serviços prestados por motoristas privados por meio de aplicativos.


O projeto possui dois requerimentos de urgência para a inclusão na pauta. Esses pedidos foram feitos pelos deputados João Daniel (PT-SE) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). Se aprovada a urgência, um acordo no colégio de líderes prevê a votação do texto no Plenário já na quarta-feira, dia 07.


O Uber convocou os usuários a pressionar os deputados a votarem contra a proibição, enviando e-mails para os parlamentares. “Diversos municípios já tentaram, sem sucesso, proibir a inovação. Agora, a Câmara dos Deputados quer fazer o mesmo com o país”, diz o comunicado.


http://www.ilisp.org/noticias/projeto-de-deputado-petista-que-proibe-uber-em-todo-o-brasil-pode-ser-votado-essa-semana/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 11 de Dezembro de 2016, 16:14:45
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Dezembro de 2016, 17:56:48
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ? 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 11 de Dezembro de 2016, 19:02:05
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Dezembro de 2016, 19:32:50
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lakatos em 11 de Dezembro de 2016, 20:33:49
Haja lobby pra passar essa proposta. Ainda mais vindo de um petista.

Inteiro teor: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:37:47
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:38:37
Haja lobby pra passar essa proposta. Ainda mais vindo de um petista.

Inteiro teor: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016


Espera-se que não, mas de qualquer forma é uma tentativa de ataque a liberdade de mercado.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:41:22
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.


Lorentz,


Os redatores da lei certamente não foram ingênuos ao ponto de  usar o nome específico do serviço, o que se faz normalmente é caracterizar de forma mais geral a ação que se quer regular  (no caso  impedir).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:43:53
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.



Aqui parte do texto:


Art. 12-C – O transporte individual remunerado de passageiros em veículos com capacidade de até 7 (sete) passageiros somente poderá ser realizado por veículos de aluguel conduzidos por profissionais taxistas, ficando expressamente vedada a utilização de veículos particulares para viagens individuais municipais,  intermunicipais ou interestaduais, inclusive por meio de plataformas digitais quando houver qualquer proveito econômico direto ou indireto das partes envolvidas no transporte.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:48:43


Este é um exemplo da mentalidade anti livre mercado, a qual precisa ser divulgada e combatida por quem defende o liberalismo econômico.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 12 de Dezembro de 2016, 11:32:33
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.


Lorentz,


Os redatores da lei certamente não foram ingênuos ao ponto de  usar o nome específico do serviço, o que se faz normalmente é caracterizar de forma mais geral a ação que se quer regular  (no caso  impedir).

Não foram, mas volta e meia proíbem o Whatsapp, como se não fosse possível usar outro aplicativo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lakatos em 12 de Dezembro de 2016, 11:43:13
Gente, não precisa especular sobre o texto, ele tá aqui:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 12 de Dezembro de 2016, 12:39:09
Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Porque como vocês sabem, no Brasil a aprovação de uma lei não é suficiente, é necessário também que ela "pegue". Em um estado com tradição de querer canetar tudo, é inevitável que leis idiotas, inúteis ou redundantes sejam feitas.

Quase todo aplicativo de smartphone tem o Uber integrado. Vocês acham que o brasileiro se conformaria com aqui ser o único cu de mundo onde Uber não existe?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 12 de Dezembro de 2016, 14:19:13
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


O Uber é uma empresa que coordena os preços de motoristas, que teoricamente seriam concorrentes independentes entre si, cada um podendo estabelecer seu preço. Isso tem similaridades tanto com cartel, na coordenação de preço não-concorrente, tanto com sindicato, pelo mesmo motivo.

A diferença de sindicatos deve ser terem comumente mais imposições, em vez de ser tudo apenas na base do preço, ao mesmo tempo em que os sindicalizados talvez sejam argumentavelmente mais beneficiados do que em sistemas como Uber, onde o principal beneficiário é a empresa, ainda que talvez mesmo aqui possa haver alguma analogia com sindicatos, embora eu imagine que a fatia dos lucros dos trabalhadores deva  ser menor.



Teoricamente até mesmo a existência de "concorrentes" do Uber usando mecanismos análogos de estabelecimento de preços ainda poderia acabar constituindo um meta-cartel.









Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Depende do que tem pelo termo...

http://www.dgabc.com.br/Noticia/40461/diadema-completa-dez-anos-de-lei-seca


O que acontece se o Brasil simplesmente agir no mesmo modo que fez com relação ao vídeo do youtube de sexo na praia daquela modelo?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Feliperj em 16 de Dezembro de 2016, 00:23:34
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


O Uber é uma empresa que coordena os preços de motoristas, que teoricamente seriam concorrentes independentes entre si, cada um podendo estabelecer seu preço. Isso tem similaridades tanto com cartel, na coordenação de preço não-concorrente, tanto com sindicato, pelo mesmo motivo.

A diferença de sindicatos deve ser terem comumente mais imposições, em vez de ser tudo apenas na base do preço, ao mesmo tempo em que os sindicalizados talvez sejam argumentavelmente mais beneficiados do que em sistemas como Uber, onde o principal beneficiário é a empresa, ainda que talvez mesmo aqui possa haver alguma analogia com sindicatos, embora eu imagine que a fatia dos lucros dos trabalhadores deva  ser menor.



Teoricamente até mesmo a existência de "concorrentes" do Uber usando mecanismos análogos de estabelecimento de preços ainda poderia acabar constituindo um meta-cartel.









Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Depende do que tem pelo termo...

http://www.dgabc.com.br/Noticia/40461/diadema-completa-dez-anos-de-lei-seca


O que acontece se o Brasil simplesmente agir no mesmo modo que fez com relação ao vídeo do youtube de sexo na praia daquela modelo?

O Uber precifica os serviços daqueles que...trabalham com o Uber!!! Ele não impede que outro "Uber" ofereça o mesmo serviço a outros preços ou que um indivíduo o ofereça o serviço sem o Uber (aliás, quem faz isso é o Estado. O maior criador de Cartéis e Monopólios que existe). O Uber é uma empresa, não um cartel!

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 10:01:48
Se o Uber é Cartel, todas as redes de franquias também são.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 10:55:37
Uber não é uma franquia de motoristas, é um sistema de coordenação de preços entre motoristas independentes.

Outros "ubers" seriam também cartéis paralelos no mesmo ramo, ainda que uber seja o dominante.

Cartéis não necessariamente impedem competidores. Você pode ir fazer orçamento para a reforma de um carro ou de uma casa, e o comerciante de onde fez o primeiro orçamento pode ou não repassar esse orçamento e seus preços para pseudo-concorrentes. Não precisam ser todos no ramo regional participando do esquema, mas os que estão participando do esquema de preços combinados, estão.


Não li o paper inteiro nem nada:

Citar
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2826652

The UBER-Cartel? UBER between Labour and Competition Law

Julian Nowag
Lund University - Faculty of Law; Oxford Centre for Competition Law and Policy

[...]

How could such an arrangement be contrary to competition law? The important element in this context
is that UBER’s business model relies currently on the prices that are not set freely by the drivers. Instead
UBER sets or co-ordinates the prices by means of an algorithm.

Such a configuration can be seen as a so called hub-and-spoke cartel. In a hub-and-spoke cartel the
cartel members do not directly communicate to align their business behaviour. Instead the
communication or more precisely the organisation of the cartel is left to a third party, an intermediary.

In such an arrangement the intermediary is not active on the cartelised market. However, this does not
shield the intermediary from antitrust liability.16 A recent example of such a hub-n-spoke cartel in the
EU is AC-Treuhand.17 In this case the CJ found that a Swiss consultancy company, AC-Treuhand, by
overseeing the cartel, collecting and sharing market data, and providing a place for the cartelist to meet
had infringed Article 101(1) TFEU. In the US the last major hub-and-spoke cartel was the Apple ebook
price-fixing case. 18 In this case Apple was found to have engaged in a hub-and-spoke cartel by
fixing the e-book prices with the publishers to a certain level. Apple would receive a certain percentage
of the fixed price. This was found to be a per se violation of Section 1 of the Sherman Act.

Similarly, in the case of UBER’s business model, UBER profits from the fixing of the driver’s prices
because its fees are depended on the rate charged by the drivers. What distinguishes the UBER
arrangement from the Apple agreement is that UBER does not directly fix the prices or a price range
for the driver. Instead it uses a computer algorithm to determine the price which the drivers will charge
the customers.

Price fixing between competitors using a computer algorithm may be a new phenomenon. Yet, as such
it should not be an obstacle to antitrust liability. Such an arrangement is not much different from a
normal hub-and-spoke cartel arrangement.19

[...]


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 11:05:28
Existem diferenças de preços entre as franquias do MC'Donalds? Ou eles tem um sistema de preços coordenado? Se eles tiverem preços padrão, eles são cartel utilizando a mesma lógica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 11:22:53
Varia sim.

Citar
http://www.reclameaqui.com.br/11098091/mcdonalds/precos-diferentes-de-uma-loja-para-outra/

[...]

O McDonald?s agradece pela sua mensagem e esclarece que a segmentação de preços adotada nos restaurantes da rede no Brasil foi feita de acordo com o perfil da região onde a unidade está localizada.

Digamos que não variasse, como penso que poderia ser o caso sem constituir cartel. Então, não tem nada demais em concorrentes coordenarem preços? Basta serem "franquias" de um sistema de coordenação de preços?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 16:53:43
Estou até agora tentando entender a lógica do "Cartel Privado" feito pelo Uber.

Citar
Cartel é um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação[1] ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cartel

O Uber não faz isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 16:56:48
O Uber é a fixação de preços entre motoristas "concorrentes". Apenas em vez de haver o acordo explícito, entre eles, é implícito através da ligação de todos com o intermediário, Uber. E dessa forma aumentam os preços, também, com consumidores reclamando disso, encaixando então em prejuízo de seu bem-estar.


Como se fosse um "mercado livre" em que qualquer ítem que você vai comprar, é o mesmo preço, independentemente do vendedor.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 17:04:39
O Uber é a fixação de preços entre motoristas "concorrentes". Apenas em vez de haver o acordo explícito, entre eles, é implícito através da ligação de todos com o intermediário, Uber. E dessa forma aumentam os preços, também, com consumidores reclamando disso, encaixando então em prejuízo de seu bem-estar.


Como se fosse um "mercado livre" em que qualquer ítem que você vai comprar, é o mesmo preço, independentemente do vendedor.

Mas os concorrentes do Uber não fixaram preços iguais. Cartel privado entre os concorrentes também? Não sei se vocâ já andou de Uber, mas o preço varia dependendo do tempo que demorar a corrida.
(http://s2.glbimg.com/d5Qzr6RXEYUbGqI3vrfxLDErsdA=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/07/27/arte-concorrentes620.jpg)

Não são preços 100% fixados...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 17:27:45
Acho que um meta-cartel só ocorreria se os algoritmos dos cartéis de motoristas chegassem aos mesmos preços "ótimos", eliminando totalmente a concorrência, e não só entre os associados de cada cartel, mas não fui ver a fundo sobre esse tema.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 18:08:14
Acho que um meta-cartel só ocorreria se os algoritmos dos cartéis de motoristas chegassem aos mesmos preços "ótimos", eliminando totalmente a concorrência, e não só entre os associados de cada cartel, mas não fui ver a fundo sobre esse tema.

Não há cartel com o sistema do Uber.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 19:44:23
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 20:14:47
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
O problema é o viés desses acadêmicos... Eu não sei qual é o viés do acadêmico do artigo que você postou, mas nunca tinha lido que Uber é Cartel. Cartel em minha cabeça é o que as companhias de telefonias fazem junto com a ANATEL por exemplo... Ou o que as petrolíferas fazem, ou o que a OPEP faz... É bem diferente desse conceito do acadêmico.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: André Luiz em 16 de Dezembro de 2016, 23:01:48
É sobre liberalismo

Ideia não é propriedade escassa porque qualquer um pode ter?

Porque eu estava vendo o vídeo do cara do "Mamãe falei" com o Rafael do "Ideias Radicais" e a impressão que deu na fala do Rafael é que roubar uma ideia não é uma agressão, não importa o quanto o sujeito se dedicou a ela, o custo em pesquisa ou físico mesmo.

Que o mercado poderia abolir a propriedade intelectual através de kickstarter, crowdfunding...

O tópico ideal seria aquele sobre patentes, mas até hoje não entendi direito como essa porra funciona mesmo
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 17 de Dezembro de 2016, 10:18:10
Essa coisa de tudo partir de ser ou não "agressão" é de filosofias de libertarianismo, não necessariamente o embasamento legal de tudo. Outros anarquistas de renome dizem que "propriedade é agressão/roubo," qualquer propriedade.

Escassez também tecnicamente não tem relação quanto a algo ser ou não propriedae, mas ao valor de mercado dela.


O "mercado" não pode abolir propriedade intelectual, ou qualquer outra; quem poderia abolir seria o estado, que em última instância define o que pode ou não ser propriedade.*

O estado pode tentar abolir proteção legal a qualquer tipo de propriedade que quiser, e o resultado será sempre o mesmo: reduzir ou inviabilizar um mercado relacionado à essa produção. Mercado imobiliário depende de imóveis serem propriedades, mercado automotivo depende de automóveis serem propriedade, mercado intelectual depende de produção intelectual ser propriedade, etc.

Abolida essa categoria de propriedade, reduz-se tremendamente o incentivo individual em produzir algo novo nessa categoria, já que não é algo de quem produziu para explorar comercialmente, mas um "bem comum".

Sistemas de arrecadar doações poderiam sustentar alguma produção de algo que não é legalmente protegido como propriedade, contanto que os investidores não se importassem, ou até gostassem, de fazer essa doação "ao mundo". Comunistas e similares vão generalizar esse princípio altruísta para todos os tipos de propriedade, o que historicamente não teve bons resultados apesar das boas intenções.

A seletividade de anarco-capitalistas talvez se deva a uma valorização menor da propriedade intelectual/tecnológica no bem-estar da sociedade, considerando que não ter a eficiência do mercado nessa área não seja uma perda significativa, diferentemente de um não-mercado mais generalizado. Ou talvez somente de adotarem como moralmente correto que a lei deva ser deontológica e não conseqüencialista, mesmo que implicasse em ser moralmente correto algo menos economicamente eficiente, pelos princípios de que parte (o que em si não é "absurdo"; partindo de princípios assim alguém poderia defender também um valor mais universal, como a contrariedade à escravidão, mantendo que ela não se justifica mesmo que se previsse ser mais produtiva e economicamente eficiente).





* (Isso é, falando do "mundo real", onde as leis são estatais, não privadas. Indo mais fundo na filosofia anarquista, então as leis seriam também uma espécie de propriedade intelectual e aderidas ou não por forças de mercado, e, os anti-propriedade intelectual supõem que fosse "vender mais" justamente pacotes de leis que não protegessem propriedade intelectual).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 17 de Dezembro de 2016, 15:20:36
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
O problema é o viés desses acadêmicos... Eu não sei qual é o viés do acadêmico do artigo que você postou, mas nunca tinha lido que Uber é Cartel. Cartel em minha cabeça é o que as companhias de telefonias fazem junto com a ANATEL por exemplo... Ou o que as petrolíferas fazem, ou o que a OPEP faz... É bem diferente desse conceito do acadêmico.

Realmente o viés intelectual vai mudar bastante o discurso. Se de alguma forma Uber tivesse alguns elementos mais sindicalistas talvez já mudasse totalmente a consideração, quando talvez sejam coisas bastante próximas. Ao menos no aspecto de combinação de preços.

O sindicalismo talvez tenha a vantagem de teoricamente promover melhores condições de trabalho, de "cortar" a oportunidade de trabalho à prejuízo, o que não será o caso de sistemas que também podem se aproximar de "multilevel marketing networks" e etc. O Uber também me cheira a um pouco disso. Uns poucos promovendo como "você tem que se dedicar, aí é tudo mil maravilhas, prosperidade, etc", todo o papo de palestra motivacional. Do outro lado os outros falando que ganham R$ 2,00 por hora no máximo. Ao Uber em si interessa aumentar o número de motoristas, mesmo que o trabalho não valha a pena para eles. Claro que, quanto mais puder fazer valer a pena, mais atrairá. Porém, para atrair, basta haver a aparência de que valha a pena.

Mas também não fui atrás disso. Mas não me surpreenderia que tenham alguns ganhando extras para fazerem o marketing viral/guerrilla de oportunidades fabulosas em trabalhar para o Uber, sem no entanto o esquema de pirâmide de recrutamento propriamente dito.


Ops, parece que tem isso também:

Citar
https://help.uber.com/h/03db9e2b-270b-4fdb-95a7-afce7c6b4b3b

How do referrals work?
Referrals can help you earn extra money as a driver-partner. When you invite your friends to partner with Uber, share your personal invite code. Every friend who signs up to drive and completes a required number of trips will earn you a referral reward.



Citar
https://help.lyft.com/hc/en-us/articles/213582158-How-to-Refer-Drivers

If a friend applies with your code and meets the ride requirement, you’ll each get a bonus. (Terms apply.)


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 14:52:16
[centro-esquerda mode]E é função do Estado decidir, da maneira mais bem intencionada possível, como que as pessoas devem trabalhar  ou se associar voluntariamente para determinado trabalho. Temos que ter em mente que as pessoas são incapazes de escolher o que é melhor para elas, e somente com um estado forte teremos uma sociedade mais justa e com maiores igualdades de oportunidades. Nem que essa igualdade venha com menor oferta de emprego para todos. Por isso, acho mais que justo que o estado tenha o dever de proibir o Uber por o mesmo ser uma nova forma de Cartel, e que faz com que as pessoas sejam voluntariamente obrigadas a trabalhar em um suposto esquema de pirâmide.[/centro-esquerda mode]
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 18 de Dezembro de 2016, 16:29:27
Os motoristas de Uber, por protestos, conseguiram fazer com que no Reino Unido, recebessem salário mínimo e férias pagas.

Movimentos similares também ocorrem nos EUA, onde os motoristas começam a ser substituídos por robôs. Há também processos por esse aspecto de coordenação de preços.

Imaginava que talvez os baixos pagamentos fossem descaracterizar isso como problema, já que teoricamente seria algo cujo problema seria em se encarecer o serviço ao consumidor, para o benefício daqueles que tem um preço sem concorrência, mas no caso, eles barateiam mais, contra a vontade do motorista, conduzindo-os a uma "corrida ao fundo do poço".

Também aí deve estar a diferença com "sindicato", já que só os donos do Uber que estão contentes com a forma como conduzem o negócio.

(http://www.slate.com/content/dam/slate/articles/business/moneybox/2014/10/141027_%24BOX_uber_300.jpg.CROP.original-original.jpg)

Provavelmente isso tudo se deve à propaganda enganosa de vender trabalhar para eles como grande oportunidade de renda extra.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 17:09:44
E por que os motoristas Uber simplesmente não saíram do Uber e procuraram um lugar melhor para trabalhar como...os táxis?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 18 de Dezembro de 2016, 17:21:00
Não posso falar por eles, apenas li que o Uber tem de fato um grande problema de retenção de motoristas, então de fato muitos estão saindo, ainda que, imagino, provavelmente não para ser taxistas.

Pesquisando, uma das razões é o investimento que fizeram do próprio bolso para trabalhar como motoristas para a empresa:

Citar
http://www.businessinsider.com/why-uber-drivers-just-cant-quit-2014-10

"I get that a lot — why don't you do something else? Why don't you just quit?" De Wolf Sandoval says.

"One reason is that a lot of people have invested a lot of money into their fleet, or into their cars to work on the Uber system, with the implied promise from Uber that they were going to be doing very well — they'd be running their own small business and they'd be able to recoup the investments, whether that's an investment in a Chevy Suburban at $40,000, or maybe two — or 10, if you own a fleet,"









Citar
http://valleywag.gawker.com/uber-and-its-shady-partners-are-pushing-drivers-into-su-1649936785

Uber and Its Shady Partners Are Pushing Drivers into Subprime Loans

[...] Here's how Uber fits into all of this. The company's financing program connects drivers with poor credit to auto lenders and dealers, promising better rates. Uber does not finance the loans itself. Rather, Uber introduces drivers to partners like General Motors, Toyota, "and several unnamed financial institutions." Why? The startup wants drivers with nicer cars, but it badly needs more drivers overall to meet demand and feed its growth spurt. Human drivers aren't as easy to scale as servers, causing competition between rivals like Lyft and Sidecar. Uber dubbed its recruitment efforts "Operation Slog." [...]

The company has been bombarding drivers in San Francisco with email offers encouraging them to sign up for Uber's vehicle financing program—including one sent days after the latest subpoena. The most recent ones, obtained by Valleywag, open with the image of a car with cash literally flying out of the backseat. Uber promises drivers that it's "Easy to qualify, even with poor credit or no credit history at all."

[...]
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 17:26:44
Não posso falar por eles, apenas li que o Uber tem de fato um grande problema de retenção de motoristas, então de fato muitos estão saindo, ainda que, imagino, provavelmente não para ser taxistas.
Sim, por isso existem também outras empresas do mesmo ramo que talvez tenham uma oferta melhor de emprego.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 19 de Dezembro de 2016, 09:11:55
Estava assistindo a pouco à reprise de uma entrevista do Dias Toffoli para Roberto D'Avila. Ele declarou que tem mudado radicalmente sua visão nos últimos anos, para uma visão liberal - menos Estado, mais mercado. Que no Brasil somos todos muito dependentes do Estado, recorremos ao Estado para tudo, temos uma visão muito paternalista, que o Estado não dá conta, precisamos de mais mercado... aquele discurso padrão. Por essa eu não esperava.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 08:53:28
Eu estava conversando agora de manhã com um vigilante (fazendo propaganda do liberalismo  econômico e de anti estatismo   :hihi:  ) que trabalha (como terceirizado, noutro posto) no MP, e ele falou de funcionário público de lá que ganhou  88.000  no mês     :susto:   , então fui dar uma pesquisada sobre supersalários no MP  e encontrei algumas informações sobre esse acinte aos pagadores de impostos no Brasil :



No Espírito Santo, 99% dos membros do MP ganham supersalários, diz jornal


Jornal GGN - No Espírito Santo, quase 100% dos procuradores do Estado recebem os chamados supersalários todo mês. Levantamento feito pela Gazeta Online com dados do portal da Transparência mostram que os membros do MP-ES receberam mais do que o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que é o teto do Judiciário. Há casos em que promotores e procuradores receberam mais de R$ 100 mil. Para ultrapassar o teto, esses funcionários recebem uma série de gratificações que, agora, serão debatidas pelo Senado.


99% dos membros do MP ganham supersalários

Da Gazeta Online

O valor do subsídio pago pelo Ministério Público Estadual (MPES) é hoje deR$ 30.471,11 para procuradores de Justiça, de R$ 28.947,55 para promotores e de R$ 27.500,17 para promotores substitutos. Entretanto, de janeiro a setembro deste ano, 99% deles receberam acima do teto constitucional, R$ 33,7 mil, valor do contracheque dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O número total de membros do órgão, que era de 304 no início do ano, agora é de 300. Em todos esses nove meses, pelo menos 293 deles receberam os chamados supersalários.

Dos 2.725 salários pagos a todos eles até setembro, 2.698 ultrapassaram o valor constitucional. Ou seja, 99% dos subsídios atropelaram o teto. Em março, um procurador de Justiça chegou a receber, de uma só vez, R$ 221.204,23. Fazendo uma média entre todos os salários pagos entre janeiro e setembro deste ano, promotores e procuradores receberam, mensalmente, R$ 47.193,99 – o que significa R$ 13,4 mil a mais que o teto.

Esses excedentes não são pagamentos ilegais. Eles são obtidos por recursos pagos a títulos variados que, por terem caráter indenizatório, não incidem sobre o teto.

Radiografia

A reportagem de A GAZETA chegou a esses dados após analisar, no decorrer das últimas duas semanas, as planilhas divulgadas pelo Portal da Transparência do MPES.

Foi calculado o total de rendimentos brutos, que engloba o subsídio, outras verbas remuneratórias legais ou judiciais – como adicional por tempo de serviço, vantagens decorrentes de sentença judicial ou extensão administrativa –, o adicional por função de confiança e o abono permanência. Foi subtraído o “abate -teto”, quando houve.

A esse valor, foram somadas as indenizações, como auxílio-alimentação e auxílio-moradia, e outras remunerações retroativas e temporárias, que são os adicionais de insalubridade, de periculosidade ou serviço extraordinário, visto que sobre estas rubricas não incide qualquer desconto.

Foram retirados da base de cálculo o adicional de férias e o 13º salário, pois são remunerações a que todos os servidores públicos têm direito. Pela mesma razão, foram utilizados os valores brutos, sem subtrair os descontos com a Previdência e o imposto de renda, visto que são aplicados a qualquer trabalhador.


Abono engorda os vencimentos


O levantamento de A GAZETA identificou quatro salários do Ministério Público Estadual que chegaram a ultrapassar R$ 100 mil durante este ano. Os maiores foram de R$ 221.204,23, pagos a um procurador em março, e R$ 188.484,42, pagos a um promotor em agosto.


Além desses casos pontuais, 29,6% de todos os salários pagos na instituição chefiada pela procuradora-geral Elda Spedo estão acima de R$ 50 mil.

O responsável pela maior parte da “bolada” é o abono permanência, que é uma espécie de reembolso ao servidor em idade de aposentadoria por seu gasto com a Previdência, de 11% do salário total. Na prática, é como se o servidor recebesse um aumento para permanecer na ativa.

No caso do procurador, foram pagos R$ 175,9 mil apenas por esse bônus. Já o promotor recebeu R$ 144,2 mil por não se aposentar.

Além desse benefício, os membros do MPES também recebem auxílio-moradia de R$ 4.377,73, mesmo se residirem em casa própria e na mesma cidade onde atuam.

Continue lendo aqui.


http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/11/noticias/politica/3995495-99-dos-membros-do-mp-ganham-supersalarios.html

http://jornalggn.com.br/noticia/no-espirito-santo-99-dos-membros-do-mp-ganham-supersalarios-diz-jornal



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 08:58:53
Achei também este texto sobre super salários no Brasil:


SUPER-SALÁRIOS do MP-SP revela: O Brasil é uma sociedade de castas


Por Daniel Mello e Eliane Gonçalves

Quase 80% dos membros do MPSP recebem acima do teto constitucional: vale-livro, auxílio-moradia e supersalários somam até R$ 130 mil por mês



Em setembro, o governo de São Paulo encaminhou para a Assembleia Legislativa do Estado a proposta de orçamento do Ministério Público (MP) para 2017. A previsão é destinar R$ 2,3 bilhões para manter funcionando a estrutura criada para defender os direitos dos cidadãos paulistas. Um orçamento três vezes maior do que o previsto para a Secretaria de Cultura e o dobro do que será destinado para pastas como Agricultura, Meio Ambiente ou Habitação. É com esse dinheiro que o MP vai cobrir gastos com água, luz, telefone, salários – e os polpudos benefícios destinados a procuradores e promotores.


A remuneração inicial de um promotor público em São Paulo é de R$ 24.818,71. Na última etapa da carreira, o procurador de justiça, o salário chega a R$ 30.471,11. São valores que seguem o teto constitucional: promotores e procuradores paulistas recebem, no máximo, 90,25% do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal.


Mas os vencimentos não terminam por aí. Somam-se benefícios como vale-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-funeral, pagamento de diárias, remunerações retroativas, duas férias anuais. A Lei Orgânica do Ministério Público de São Paulo, de 1993, prevê 16 auxílios extras que, apesar de serem considerados legais, ajudam a ultrapassar, em muito, o teto constitucional.



Na prática, dos 2015 membros do MPSP que receberam salário em outubro, 1243 receberam a partir de R$ 38,900, ou seja, 61,7% do total. É um valor acima dos R$ 33.763 pagos aos ministros do STF, mais os extras. Se prosperar o entendimento de que “teto é teto” e os “extras” não deveriam estar nem na conta dos ministros do Supremo, a proporção de promotores e procuradores que receberam acima do teto constitucional sobe para 79,8%. Foram 1.608 promotores e procuradores que receberam mais do que o salário teto de R$ 33.736.


A Comissão foi instalada, em novembro, no Congresso Nacional, para propor um fim aos “supersalários” de funcionários públicos.


A folha de pagamento do MPSP de outubro é repleta de exemplos de “supersalários”. Naquele mês o promotor de justiça de entrância final Milton Theodoro Filho, lotado na capital, recebeu o maior valor da folha: R$ 129.469,78. Foram R$ 28.947,55 de salário bruto (sem descontar a contribuição previdenciária e o imposto de renda) e R$ 89.979,35 de indenizações (incluídos R$ 5.087,73 auxílio-moradia e vale-alimentação). Além disso, há mais R$ 9.179,62 de valores retroativos da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), resultado de uma decisão de 1992 do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara os salários do Judiciário com os do Congresso Nacional.



No mesmo mês, o promotor Julio César Palhares, que serve em Bauru, no interior paulista, recebeu R$ 118.480,60. Desse montante, R$ 28.947,55 referem-se ao salário bruto, R$ 82.281,19 a indenizações não discriminadas, à exceção de R$ 5.087,73 de auxílio-moradia e vale-alimentação.


Orlando Bastos Filho, promotor em Sorocaba, foi o terceiro membro com maiores vencimentos no mês, recebendo R$ 107.025 brutos. Nesse valor estão incluídos R$ 64.901,22 de indenizações não discriminadas e R$ 7.864,41 retroativos da PAE. Em 2015, Bastos Filho acirrou os ânimos dos vereadores do município ao iniciar uma investigação sobre seus gastos com despesas de telefone, carro oficial e itens de escritório.


O professor de ética e filosofia política na Unicamp Roberto Romano estuda o poder Judiciário e defende o papel do MP como instituição de garantia da democracia brasileira. Mas critica: “Eu acho que o Ministério Público, justamente porque é o zelador da lei, o fiscal da aplicação da lei, deveria renunciar a esse tipo de acréscimo ao seu salário, sobretudo porque não corresponde à experiência de todos os demais funcionários do estado”.


As informações sobre os rendimentos dos membros do MP estão disponíveis no Portal da Transparência. Veja abaixo a lista dos 20 membros mais bem pagos do MP paulista em outubro:



Para AntôniAlberto Machado, promotor aposentado, as altas remunerações do MP estão diretamente associadas a práticas conservadoras: “As carreiras jurídicas, em geral, se tornaram muito atrativas de algumas décadas para cá. Há 40 anos não era assim. Isso fez com que os membros dessas carreiras tivessem um padrão remuneratório equivalente ao que a gente chama de classe A. A leitura que eu faço é que essas carreiras jurídicas estão ‘sitiadas’. Foram tomadas por essas classes média, média alta, classe alta que têm um valor de mundo conservador e que estão julgando as classes de baixo”.


Promotores e procuradores têm a prerrogativa de legislar sobre os próprios vencimentos. Alguns dos valores e critérios para o pagamento de cada um desses extras são definidos por resoluções e atos normativos que cabem ao procurador-geral de justiça do estado. Foi um ato normativo de 2003 que definiu, por exemplo, que o valor de uma diária corresponde a 1/30 do salário bruto de um promotor em início de carreira. Em 2016, corresponde a R$ 827,30. O valor extra é pago quando o promotor tem de substituir um colega de trabalho.


Um ato normativo de 2014 definiu que promotores e procuradores cedidos para outros órgãos continuam tendo direito a receber o auxílio-moradia. Trata-se de um complemento à lei orgânica que já garante que membros do MP que se afastem do cargo para ocupar cargos eletivos, por exemplo, possam continuar recebendo os vencimentos do órgão se abrirem mão do outro salário. É o que garante ao deputado Fernando Capez continuar na folha de pagamento do MP. A troca vale a pena. Enquanto um deputado estadual tem remuneração de R$ 25.322,25, os vencimentos de Capez em outubro chegaram a R$ 40.497. Como secretários do governo de São Paulo, os procuradores Mágino Barbosa e Elias Rosa receberiam R$ 19.467,94. Porém, ao manterem os salários do MP, eles receberam, em outubro, respectivamente R$ 56.911,63 e R$ 47.685,94.



O maior benefício é o auxílio-moradia, no valor de R$ 4.377 mensais. A ajuda financeira foi autorizada por meio de liminar do ministro do STF Luiz Fux em setembro de 2014 e se estende a membros da magistratura e dos ministérios públicos de todo o país. À diferença do que ocorre com todos os outros funcionários públicos – até mesmo dos congressistas –, o benefício se destina também para quem tem residência própria e vive na mesma cidade em que atua. Ficam de fora apenas aposentados e licenciados.


Segundo a folha de pagamento de outubro de 2016, disponível no Portal da Transparência do MPSP, dos 2.084 promotores e procuradores públicos na ativa, pelo menos 1.593 recebem o auxílio (76%). O custo anual para os cofres públicos é de aproximadamente R$ 69,7 milhões. O valor daria para atender mais de 14 mil famílias com o programa Auxílio-Aluguel da prefeitura de São Paulo, de R$ 400 mensais.


Mas a despesa não fica por aí. O adicional foi tratado como retroativo pelo ministro Luiz Fux. Assim, promotores e procuradores tiveram direito a receber os “atrasados” dos cinco anos anteriores à liminar, ou seja, desde 2009. Para a maioria da classe, isso significou uma bolada de mais de R$ 262 mil que vem sendo paga em parcelas regulares desde então.


Outro auxílio que ajuda a compor o orçamento anual dos promotores é o auxílio-livro. Uma ajuda extra de até R$ 1.700 por ano, criada em 2010 com o objetivo de garantir a atualização técnica dos promotores e procuradores.


Entre 2010 e 2013, o advogado Rodrigo Xande Nunes trabalhou como oficial de Promotoria dentro do MP, cuja tarefa era solicitar verbas indenizatórias para os promotores e procuradores que assessora. “Bastava o promotor apresentar uma nota fiscal de qualquer livraria com a descrição ‘livro’ para assegurar o reembolso. Vi livros de doutrina jurídica que iam parar nas mãos de sobrinhos do promotor que estavam cursando faculdade de direito, ou romances virarem presentes de aniversário”, lembra.


Depois de ter deixado o cargo de oficial de Promotoria, Rodrigo Xande seguiu carreira como advogado. É justamente por estar do lado de fora que ele se dispõe a falar o que pensa sobre os benefícios, que acredita afastarem a categoria da realidade dos brasileiros: “É impossível garantir direitos para quem vive cercado de tantos privilégios”, argumenta.


Uma das instituições mais aguerridas na defesa de benefícios é a Associação Paulista do Ministério Público (APMP). O escritório da associação ocupa o 11º andar da sede do MPSP e é presidida pelo ex-candidato a procurador-geral Felipe Locke. Procurado pela Pública, ele não concedeu entrevista para a reportagem.


O presidente da APMP tem, no entanto, se posicionado publicamente sobre o tema. Segundo texto publicado na página da associação em outubro, sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 62 que derruba a vinculação automática dos salários de agentes públicos à remuneração dos ministros do Supremo, ele escreveu: “Sem recursos nossas instituições não funcionam e sem Ministério Público e a Magistratura, corrupto não vai para a cadeia. Esses projetos têm o mesmo objetivo da PEC 37 [proposta derrubada pelo Congresso que propunha limites ao poder de investigação de promotores e procuradores], acabar com o poder de investigação, deixando os corruptos à solta”.


Ao mesmo tempo em que a APMP faz campanha contra a PEC 62, também exerce pressão pela aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 27, que eleva os salários dos ministros do Supremo para R$ 39,2 mil em janeiro de 2017. Mas nestes tempos em que o governo federal fala em limitar gastos públicos, a luta corporativa da APMP ficou mais difícil.



Agora, a nova demanda da classe é garantir ainda mais benefícios.



A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) discute, em regime de urgência, o pagamento de planos de saúde de caráter vitalício para os membros do MPSP. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 52/2015 foi apresentado pelo então procurador-geral Márcio Elias Rosa e acolhido pelo então recém-eleito presidente da Alesp e promotor afastado Fernando Capez. O PLC 52 já foi aprovado pelas Comissões de Constituição e Justiça e de Finanças, Orçamento e Planejamento e está pronto para ser votado pelo plenário desde dezembro de 2015.


Promotores e procuradores querem também a extensão do auxílio-moradia para seus colegas aposentados. Em outubro de 2015, o Colégio de Aposentados da APMP reiterou o pedido que já vem sendo feito desde 2013 à Procuradoria-Geral, apelando para o princípio da simetria para justificar a ampliação da benesse.


Privilégio nos detalhes


Em novembro de 2015, o MPSP fechou um contrato para o fornecimento de copinhos de água mineral para a instituição. Ao custo de R$ 71.724, garantiu o fornecimento de 11.904 copinhos de 200 ml com água mineral por mês, durante um ano. Porém, o produto é usado para a hidratação apenas de parte dos servidores, os promotores e procuradores. A regra, em vigor desde 2011, ganhou forma em um comunicado interno da diretoria geral do órgão.


Comunicado nº 68/2011 - DG/MP, de 17 de junho de 2011
O Diretor Geral do Ministério Público, no uso de suas atribuições legais previstas na Lei Complementar nº 734, de 26 de novembro de 1993, considerando a necessidade de distribuição de água mineral em copo nas diversas áreas desta Instituição, comunica:

A quantidade de caixas de água fornecida pela Sub-área de Copa deverá estar de acordo com o número de Procuradores e Promotores de Justiça da Unidade requisitante;


O Oficial de Promotoria-Chefe e/ou responsável pelo setor deverá designar uma pessoa para a retirada das caixas, devendo obedecer aos critérios estabelecidos na planilha;

Cada unidade terá uma requisição mensal para controle das caixas retiradas, que deverá permanecer na Sub-área de Copa;

A requisição deverá ser preenchida na Sub-área de Copa no momento da retirada das caixas;
No final de cada mês, a requisição deverá ser encaminhada à Diretoria de Divisão do Ministério Público - Atividades Complementares, para ciência;


Fica vedado o consumo de água em copo de 200 ml, com tampa aluminizada, a todos os servidores da Instituição.


Restrições como essa raramente ganham redação oficial, mas são frequentes no cotidiano do MPSP. Passam pelos lanches – frutas, sucos e biscoitos, comprados com dinheiro público e que também são restritos aos promotores e procuradores –, pelas vagas nas garagens e pelo uso de elevadores.As diferenciações são tão grandes que os “outros” funcionários costumam brincar que, se uma pessoa do século 19 pudesse viajar no tempo, o lugar que se sentiria mais à vontade seria o MPSP. “Eu já cheguei a falar para um procurador que a época da escravidão passou, que a ditadura também passou.


Tem membro [do MPSP] que, se pudesse colocar o servidor no tronco e dar um surra, ele faria isso”, critica Jacira Costa Silva, oficial de promotoria desde 1989 e presidente do Sindicato dos Servidores do MPSP. A sindicalista enumera situações em que funcionários tiveram de lavar carros e até pagar contas pessoais dos promotores.
______________
FONTE: Agência Pública

Postado por Paulo Franco às 16:18   
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Marcadores: auxilio-moradia, Fernando Capez, Ministério Publico, MPSP, Procurador, Promotor, STF, super-salários, vale-livro


http://pafranco2005.blogspot.com.br/2016/12/por-daniel-mello-e-eliane-goncalves.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 09:10:27



Este é o tipo de coisa que algumas castas de poderosos agentes estatais fazem  com o dinheiro dos  trabalhadores e pagadores de impostos no Brasil.  A grande maioria,  que vive com um salário médio próximo de 2000,00 por mês, e que tem aproximadamente 40% do seu salário tomado por impostos,  é obrigada a sustentar castas como essas que vivem como se fossem uma nova nobreza.    :rei:



 :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 09:43:31
É por isso que não gosto desse endeusamento pela mídia aos procuradores, juízes e promotores em geral, como se fossem os mocinhos lutando contra os políticos bandidos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 10:33:38
É por isso que não gosto desse endeusamento pela mídia aos procuradores, juízes e promotores em geral, como se fossem os mocinhos lutando contra os políticos bandidos.



Concordo, faz todo o sentido.   Eles querem vender a imagem de guardiães do dinheiro público  dinheiro dos pagadores de impostos,  de grandes moralizadores,  e caçadores de corruptos, mas eles também  fazem parte de castas que  se beneficiam com o dinheiro do brasileiro comum pagador de impostos.


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 22 de Dezembro de 2016, 10:43:11
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 11:12:40
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Não sugeri que estejam no mesmo nível.

Só que no país da desigualdade, ganhar uma salário que está entre os mais altos e ainda proveniente de impostos, que ainda por cima são pagos pela maioria mais pobre, é imoral.

Não endeuso esses caras.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 22 de Dezembro de 2016, 12:08:26
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Não sugeri que estejam no mesmo nível.

Só que no país da desigualdade, ganhar uma salário que está entre os mais altos e ainda proveniente de impostos, que ainda por cima são pagos pela maioria mais pobre, é imoral.

Não endeuso esses caras.

Não há nenhum demérito em buscar maior retorno financeiro, mesmo que no setor público, desde que dentro das regras. Altos salários e estabilidade é o que atrai a grande maioria das pessoas para o serviço público. Imoral são as regras.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 22 de Dezembro de 2016, 12:09:59
Eu não endeuso, mas os considero a maior esperança disponível para reduzir a corrupção.

Como o povo brasileiro é muito carente de justiça, não o culpo por endeusar juízes atuantes.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 12:17:33
Eu não endeuso, mas os considero a maior esperança disponível para reduzir a corrupção.

Como o povo brasileiro é muito carente de justiça, não o culpo por endeusar juízes atuantes.

Ok, mas a gente pode aplaudir o esforço para acabar com a corrupção, mas também condenar os excessos.

E a imprensa, ao invés de explicar os verdadeiros motivos de termos tantos problemas, ficam babando ovo nos juízes por aí.

O problema é tratar os políticos como corruptos, mas continuar a elegê-los.

Outra coisa nociva que vejo é o excesso de críticas em cima do Temer, quando o cara está fazendo muita coisa pelo pais. Vejo muita gente pedindo a cabeça dele nos comentários sem parar pra pensar um segundo que isso seria ótimo para a Marina ou até para o Lula.

A falta de pensamento estratégico é foda. Ainda vamos tirar o Temer para colocar a Marina no poder.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 22 de Dezembro de 2016, 15:47:28
[...]
Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.

"Concordo".

Por isto proponho que o salário para ministro do STF seja de 20 salários mínimos nacionais.

O resto da caterva, incluindo desembargadores, deve ganhar menos do que isto. Bem menos.

E que todo e qualquer auxílio seja extinto.

Não ficaram contentes os juízes e desembargadores?

Simples... Peçam demissão e venham para a 'selva', que é o setor privado.

Tenho certeza que a maioria iria se fo...!
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 15:51:05

Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.


Só que certamente que a ideologia estatista que impera no Brasil, a grande interferência do governo na economia (e na vida social),  a "fúria legiferante"  e reguladora  dos governos e dos legisladores brasileiros,   contribuem bastante  para tornar a legislação muito  mais complexa do que poderia (e deveria)  ser, e deste modo cria-se uma necessidade artificial  de um complexo e custoso preparo  para o exercício da função, em relação ao que poderíamos ter num Estado mínimo (ou ao menos num Estado bem mais reduzido) .   



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 16:04:57
[...]
Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.

"Concordo".

Por isto proponho que o salário para ministro do STF seja de 20 salários mínimos nacionais.

O resto da caterva, incluindo desembargadores, deve ganhar menos do que isto. Bem menos.

E que todo e qualquer auxílio seja extinto.

Não ficaram contentes os juízes e desembargadores?

Simples... Peçam demissão e venham para a 'selva', que é o setor privado.

Tenho certeza que a maioria iria se fo...!


Acho importante notar que  uma boa parte das agruras que se enfrenta no setor privado tem justamente a ver com o fato de se ter que sustentar um  Estado grande cheio  de  "nobres",   excelências, e  "doutores".

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Shadow em 22 de Dezembro de 2016, 16:25:22
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 17:27:46
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....

O problema não é o juíz ganhar 20 contos. É ganhar 200 contos com brechas na lei e outras "mutretas".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Dezembro de 2016, 09:17:25
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....

O problema não é o juíz ganhar 20 contos. É ganhar 200 contos com brechas na lei e outras "mutretas".




Pois é, e os trabalhadores comuns do Brasil que trabalhem bastante para pagar os  altos tributos.  Afinal de contas os nobres precisam viver bem.    :rei:
 


Supersalários de juízes no RJ ultrapassam R$ 500.000


Remuneração é inflada por 'vantagens eventuais' a desembargadores

Por Da Redação
access_time 24 jan 2012, 06h00
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Veja.com
Veja.com (Veja.com/VEJA.com)

Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de 40.000 a 150.000 reais. A remuneração de 24.117,62 reais é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, 400.000 reais, cada, somente em penduricalhos.

A folha de pagamentos, que o próprio TJ divulgou em obediência à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – norma que impõe transparência aos tribunais -, revela que em dezembro de 2010 o mais abastado dos desembargadores recebeu 511.739,23 reais.


Outro magistrado recebeu naquele mês depósitos em sua conta que somaram 462.000 reais, além do salário. Um terceiro desembargador recebeu 349.000 reais. No total, 72 desembargadores receberam mais de 100.000 reais, sendo que 6 tiveram rendimentos superiores a 200.000 reais.


Os supercontracheques da toga fluminense, ao contrário do que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo, não são incomuns. Os dados mais recentes publicados pela corte do Rio, referentes a novembro de 2011, mostram que 107 dos 178 desembargadores receberam valores que superam com folga a casa dos 50.000 reais. Desses, quatro ganharam mais de 100.000 reais cada – um recebeu 152.972,29 reais.



Em setembro de 2011, 120 desembargadores receberam mais de 40.000 reais e 23 foram contemplados com mais de 50.000 reais. Um deles ganhou 642.962,66 reais; outro recebeu 81.796,65 reais. Há ainda dezenas de contracheques superiores a 80.000 reais e casos em que os valores superam 100.000 reais.


Em maio de 2010, a remuneração bruta de 112 desembargadores superou os 100.000 reais. Nove receberam mais de 150.000 reais.


A folha de pagamentos do tribunal indica que, além do salário, magistrados têm direito a inúmeros benefícios, como auxílio-creche, auxílio-saúde, auxílio-locomoção, ajuda de custo, ajuda de custo para transporte e mudança, auxílio-refeição, auxílio-alimentação.


Os magistrados do Rio desfrutam de lista extensa de vantagens eventuais – tais como gratificação hora-aula, adicional de insalubridade, adicional noturno, gratificação de substituto, terço constitucional de férias, gratificação de Justiça itinerante, correção abono variável, abono de permanência, parcela autônoma de equivalência, indenização de férias.


Recorde – Os desembargadores do Rio estão entre os detentores dos maiores rendimentos do serviço público. A folha de pagamentos do TJ seria um dos principais alvos da inspeção que estava nos planos da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon.


A liminar deferida no final do ano passado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu as inspeções do CNJ até que informações detalhadas fossem prestadas pela corregedora.

A ordem de Lewandowski atendeu ao pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), símbolo da resistência à ação de Eliana Calmon – a ministra enviou as informações ao STF, mas a liminar será julgada depois que a corte máxima do Judiciário voltar do recesso, no início de fevereiro.


A diferença entre o TJ do Rio e o de São Paulo é que magistrados desta corte receberam quantias excepcionais em caráter antecipado – atropelaram a ordem cronológica interna. Um desembargador recebeu bolada de R$ 1,6 milhão; pelo menos outros cinco levaram montante acima de 600.000 reais.


Conselheiros do CNJ destacam que os pagamentos vultosos no Rio são possíveis porque o tribunal conta com um fundo próprio de receita para administrar. Uma lei sancionada na década de 90 criou um fundo especial de receitas provenientes das custas judiciais, valores de inscrição de candidatos em concursos públicos, transferência de recursos de cartórios e outras taxas.


(Com Agência Estado)


http://veja.abril.com.br/brasil/supersalarios-de-juizes-no-rj-ultrapassam-r-500-000/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Dezembro de 2016, 12:58:22
Um texto de 2015, mas com sua mensagem ainda totalmente válida e pertinente:



OS LIBERAIS PRECISAM SE ENGAJAR NA POLÍTICA

19 de abril de 2015


O deputado estadual Marcel van Hattem abriu o domingo de palestras da I Conferência Estadual do EPL em Passo Fundo, falando sobre o processo político. Marcel acredita que os liberais, muitas vezes mais preparados do ponto de vista intelectual, precisam também arregaçar as mangas e participar da política. Mas para tanto contam com vários obstáculos.


Em primeiro lugar, a escolha de um partido. São muitos no Brasil, mas poucos com um DNA programático que é levado a sério. A maioria é um “saco de gatos” em termos de ideologia. Além disso, os partidos têm caráter nacional, algo exigido na Constituição. Isso, segundo Marcel, é contrário ao que se esperaria naturalmente. A tendência normal seria a formação de um partido de baixo para cima, com viés mais local, próximo da sociedade, o que seria melhor preservado com o voto distrital.


O próprio partido de Marcel, o PP, foi escolhido por alguma afinidade ideológica e mais pelos conhecidos que tinha e confiava em sua região. Mas como defender o PP como um todo, após envolvimento no escândalo do petrolão, por exemplo. A questão é: para onde ele poderia ir? Quais as alternativas possíveis hoje? Poucas ou nenhuma. Há um passivo que o político carrega só ao se filiar a um partido existente. Muitos partidos fazem parte da burocracia estatal (fundo partidário) e se tornaram verdadeiras máfias em alguns casos.


O momento atual do país, porém, favorece os liberais. Há mais espaço para candidatos com discurso ideológico contrário à esquerda. A sociedade está em busca de novas ideias, e ideias boas. Aqueles que estão no poder vivem seu pior momento de baixa, fracassando na entrega das promessas que fizeram. A esquerda enfrenta forte fadiga de poder, e deixa o Brasil combalido, em crise. A vanguarda hoje é ser liberal, e vemos jovens com adesivos e camisas de “Menos Marx, Mais Mises”, em vez da velha e carcomida foto de Che Guevara.


Mas o clima favorável não basta. Como Marcel bem sabe por experiência, o processo político é complicado, favorece políticos estabelecidos e famosos. Sua primeira eleição como vereador foi sem organização, no velho estilo “franciscano” de porta em porta, sem recursos. Excesso de idealismo típico da juventude (Marcel tinha apenas 20 anos). É preciso ter uma campanha mais organizada, contar com recursos para ter alguma chance concreta.

De alguma forma é necessário abandonar o preconceito de que o caminho político não presta, pois essa mentalidade deixa o espaço totalmente livre para ser ocupado pelos piores, pela esquerda. A experiência que Marcel teve na Holanda mostrou a ele que era possível participar da política e preservar os princípios liberais, a ética, a meta de reduzir o poder do próprio estado, de dentro.

Afinal, o liberalismo precisa também de seus executores e defensores no governo. É por isso que os liberais devem, com realismo, se engajar na política, participar do processo democrático representando o liberalismo contra tantas vertentes coletivistas, contra os cinquenta tons de vermelho. Se nós não queremos viver em outro país, mas sim em outro Brasil, então temos que ocupar espaços na política.



PS: Justamente para suprir a demanda reprimida por um partido genuinamente liberal é que vem aí o Partido Novo, que nasce já com seu DNA programático em defesa do indivíduo, a menor minoria de todas, e da livre iniciativa, em vez de encarar o estado como o messias salvador. Será o instrumento natural dos liberais que pretendem participar da política para tentar mudar as coisas de dentro do sistema. O desafio será, claro, filtrar os candidatos, para que somente aqueles realmente comprometidos com a causa liberal sejam eleitos.

Rodrigo Constantino


http://rodrigoconstantino.com/artigos/os-liberais-precisam-se-engajar-na-politica/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Dezembro de 2016, 16:40:34
Eu estava conversando agora de manhã com um vigilante (fazendo propaganda do liberalismo  econômico e de anti estatismo   :hihi:  ) que trabalha (como terceirizado, noutro posto) no MP, e ele falou de funcionário público de lá que ganhou  88.000  no mês     :susto: 


Citar
Mais de 5 mil servidores públicos de SP ganham salários acima do teto

SPTV inicia série de reportagens sobre os supersalários no funcionalismo.

Procurador lidera 'ranking' com salário de R$ 102 mil. [...]

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/04/mais-de-5-mil-servidores-publicos-de-sp-que-ganham-salarios-acima-do-teto.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Dezembro de 2016, 15:04:09
O poder do Estado e o desrespeito a propriedade privada no Brasil, o caso da Raposa Serra do Sol



terça-feira, 14 de junho de 2011

RAPOSA SERRA DO SOL- OS MISERÁVEIS QUE O STF CRIOU COM A ANTROPOLOGIA POÉTICA DE AYRES DE BRITTO

Por Reinaldo Azevedo-(30/05/2011)

Poesia de Ayres Britto empurrou o índio mucuxi Adalto da Silva para um lixão; sem emprego, teve de deixar a reserva


Caros, o fato de a gente antever um desastre e ter a certeza de que ele vai acontecer não nos impede de ficar um tanto surpresos quando ele realmente acontece. É assim com a reserva Raposa Serra do Sol. Lembram-se dela?


A mesma quase unanimidade estúpida que se vê na imprensa agora contra o relatório correto e decente de Aldo Rebelo (PCdoB) para o novo Código Florestal se via em março de 2009 em relação à demarcação contínua da reserva e à expulsão dos arrozeiros. Assim como jornalistas que nunca viram um pé de feijão estão convictos hoje de que é preciso reflorestar as margens de rios que abrigam agricultura há 200 anos, estavam então convictos de que os agricultores tinham de sair da dita reserva indígena. Eram as mesmas ONGs, os mesmos terroristas midiáticos, os mesmos vagabundos. Mais de mil ONGs atuam na Amazônia. MIL!!!


A propósito: Aldo Rebelo opôs-se também à saída dos arrozeiros. Mas foi o que quis o ministro Ayres Britto, que contou com o apoio da maioria do Supremo. Seu relatório exaltando a harmonia entre o índio e a terra é um primor da antropologia… poética (íntegra aqui). Eu o ridicularizei duramente aqui, chamando a atenção dos senhores ministros para o fato de que aqueles índios já eram aculturados. Sem a economia capitalista que já havia se instalado lá, a miséria seria certa. Foi inútil. Ayres Britto tinha um modelo de índio na cabeça e o impôs legalmente. Não custa lembrar que os agricultores ocupavam MENOS DE 1% DA RESERVA, mas empregavam farta mão-de-obra indígena.



Hoje, 13% do território nacional é composto de reservas indígenas, onde vivem 750 mil índios. De novo: 13% do território abriga 0,41% da população!!! Fossem eles autônomos, numa economia auto-sustentável, vá lá… Mas não! Dependem da Funai — além de se dedicar ao desmatamento e ao garimpo ilegais. Mas volto à Raposa Serra do Sol. A Fundação Ford, que financiava um grupo de índios que queria a expulsão dos brancos, ganhou.


Os arquivos estão aí. O desastre parecia certo. Eu o anunciei aqui. Mas boa parte dos meus coleguinhas queria os arrozeiros capitalistas fora do éden dos aborígenes, como dizia Ayres Britto. Pois é. Leonardo Coutinho, de VEJA, voltou à região dois anos depois. A impressionante reportagem está na revista desta semana. Reproduzo alguns trechos. Volto depois:
*


Quatro novas favelas brotaram na periferia de Boa Vista, nos últimos dois anos. O surgimento de Monte das Oliveiras, Santa Helena, São Germano e Brigadeiro coincide com a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Nesse território de extensão contínua que abarca 7,5% de Roraima, viviam 340 famílias de brancos e mestiços. Em sua maioria, eram constituídas por arrozeiros, pecuaristas e pequenos comerciantes, que respondiam por 6% da economia do estado. Alguns possuíam títulos de terra emitidos havia mais de 100 anos pelo governo federal, de quem tinham comprado suas propriedades. Empregavam índios e compravam as mercadorias produzidas em suas aldeias, como mandioca, frutas, galinhas e porcos. Em 2009, todos foram expulsos. O governo federal prometeu indenizá-los de maneira justa. No momento de calcular as compensações, alegou que eles haviam ocupado ilegalmente terra indígena. Por isso, encampou as propriedades e pagou apenas o valor das edificações. Os novos sem-terra iniciaram o êxodo em direção à capital. As indenizações foram suficientes apenas para que os ex-fazendeiros se estabelecessem em Boa Vista. VEJA ouviu quarenta deles. Suas reparações variaram de 50.000 a 230.000 reais – isso não daria para comprar nem um bom apartamento de três quartos nas principais cidades do país. Imagine uma outra fazenda.



Poesia de Ayres Britto, com apoio de maioria do Supremo, tornou deserto um campo de arroz. Resultado dos versos: fome, miséria e migração

Resultado dos versos: fome, miséria e migração



Em seguida, foi a vez de os índios migrarem para a capital de Roraima. Os historiadores acreditam que eles estavam em contato com os brancos havia três séculos. Perderam sua fonte de renda, proveniente de empregos e comércio, depois que os fazendeiros foram expulsos. A situação piorou com a ruína das estradas e pontes, até então conservadas pelos agricultores. “Acabou quase tudo. No próximo inverno, ficaremos totalmente isolados”, diz o cacique macuxi Nicodemos Andrade Ramos, de 28 anos. Um milhar de índios se instalou nas novas favelas de Boa Vista. “Está impossível sustentar uma família na reserva. Meus parentes que ficaram lá estão abandonados e passam por necessidades que jamais imaginaríamos”, afirma o também macuxi Avelino Pereira, de 48 anos. Cacique de sete aldeias, ele preferiu trocar uma espaçosa casa de alvenaria na reserva por um barraco de tábuas na favela Santa Helena. O líder indígena diz que foi para Boa Vista para evitar que sua família perdesse o acesso a escolas, ao sistema de saúde e, sobretudo, ao mercado de trabalho.


Com o passar do tempo, a situação dos índios tem piorado. Recentemente, algumas das famílias desaldeadas começaram a erguer barracos no aterro sanitário de Boa Vista. Uma delas é a do macuxi Adalto da Silva, de 31 anos, que chegou à capital há apenas um mês. Ele fala mal português, mas nunca pensou em viver da mesma forma que seus antepassados. Mesmo porque a caça e a pesca são escassas na Raposa Serra do Sol já faz tempo. Até 2009, ele recebia um salário mínimo para trabalhar como peão de gado. Está desempregado desde então. Como os índios não têm dinheiro, tecnologia ou assistência técnica para cultivar as lavouras, os campos onde o peão trabalhava foram abandonados. Silva preferiu construir uma maloca sobre uma montanha de lixo a viver na aldeia. Agora, ganha 10 reais por dia coletando latinhas de alumínio, 40% menos do que recebia para tocar boiada. Ainda assim, considera sua vida no lixão menos miserável do que na reserva. Ele é vizinho do casal uapixana Roberto da Silva, de 79 anos, e Maria Luciano da Silva, de 60, que também cata latas e comida no aterro. “O lixo virou a única forma de subsistência de muita gente que morava na Raposa Serra do Sol”, diz o macuxi Sílvio Silva, presidente da Sociedade de Defesa dos índios Unidos do Norte de Roraima.


Poesia de Ayres Britto transformou o próspero fazendeiro Wilson Bezerra em vendedor de churrasquinho de rua; os índios que ele empregava viraram favelados. Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas


 Brancos e mestiços expulsos da reserva também foram jogados na pobreza. O pecuarista Wilson Alves Bezerra, de 69 anos, tinha uma fazenda de 50 quilômetros quadrados na qual criava 1.300 cabeças de gado. Um avaliador privado estimou em 350.000 reais o valor das edificações da propriedade. A Fundação Nacional do Índio (Funai) deu-lhe 72.000 reais por essas benfeitorias e nada pela terra. Seu rebanho definhou. Restam-lhe cinqüenta reses em um pasto alugado. Falido, ele sobrevive vendendo churrasquinho no centro de Boa Vista.


Lendo a reportagem na revista, você ficará sabendo que parte das famílias de Raposa Serra do Sol foi assentada numa região chamada Serra da Lua, perto dali. Não por muito tempo se depender dos xiitas do Ministério do Meio Ambiente — aqueles humanistas de Marina, vocês sabem. Eles querem desalojar as pessoas de lá para criar mais uma reserva ambiental.


Não tem jeito. A única saída para o homem do campo no Brasil é lutar pelo direito de ser considerado bicho. Aí, quem sabe, ele terá a proteção do Ibama e do Meio Ambiente.


Os novos favelados de Roraima são uma criação das ONGs, da Fundação Ford, da Funai, do Ibama, do Ministério do Meio Ambiente, da esmagadora maioria da imprensa — os mesmos conjurados agora contra o Código Florestal — e, obviamente, do STF. Os versos que poetizam essa miséria são de Ayres Britto. Ele exaltou tanto os índios ideais. O chato é que eles eram reais.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo e Mujahdin Cucaracha-(07-06-2011)


http://r.search.yahoo.com/_ylt=A0LEVoCU.F9Y5WgASgYf7At.;_ylu=X3oDMTByODJtaWUzBHNlYwNzcgRwb3MDMwRjb2xvA2JmMQR2dGlkAw--/RV=2/RE=1482713364/RO=10/RU=http%3a%2f%2fpedrodaveiga.blogspot.com%2f2011%2f06%2fraposa-serra-do-sol-os-miseraveis-que-o.html/RK=0/RS=62WLr3zynvzJBw_gFNMwu.288bs-

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Janeiro de 2017, 08:24:12
BRASIL  ANTI  LIBERAL


Anti Liberalismo em ação, Poder político municipal  IMPONDO  multas de R$22.000  (totalmente desnecessárias e absurdas) sobre um empreendedor: 






Entenda com é difícil empreender no Brasil - Parte 4 "As Multas!"



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 23 de Janeiro de 2017, 18:16:36
Queria ver maiores informações sobre o caso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:19:13
Queria ver maiores informações sobre o caso.


Só se entrar em contato com o autor do vídeo.  Ou se você conhecer gente que trabalha no orgão multador de trânsito do município de São Paulo.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:22:28
A notícia abaixo é antiga, mas é atual,  pois a ideologia estatista é ainda a ideologia que impera no Brasil, e  mostra uma tentativa de agentes estatais obterem mais poder e subjugar cada vez mais  o cidadão.



OAB: penhora de bens sem autorização judicial cria o 'estado fiscal policial'

sexta-feira, 26 de março de 2010 às 10:10

Brasília, 26/03/2010 - Os projetos que ampliam os poderes da Fazenda Nacional na cobrança de dívidas tributárias estão causando polêmica no Congresso Nacional e no meio jurídico. Apesar de defendido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e por parlamentares, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e deputados da oposição alegam que as propostas instituem um "Estado policialesco" e reduzem as chances de defesa de devedores.

Os quatro projetos foram enviados ao Congresso pelo Executivo no fim do ano passado, mas só começaram a tramitar este mês numa comissão especial criada na Câmara dos Deputados para tratar da cobrança de dívida ativa. O ponto mais polêmico trata da possibilidade de a Fazenda Nacional penhorar bens de devedores (que posteriormente podem ir a leilão) sem autorização judicial.


Mas há críticas à criação de um Sistema Nacional de Informações Patrimoniais dos Contribuintes, que seria consultado pelos procuradores na hora de selecionar que bens de devedores poderiam ser penhorados. Outro ponto sensível é a possibilidade de os devedores buscarem a PGFN para fazerem acordos.


O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirma que a penhora de bens sem autorização judicial dá um poder extremo à Fazenda Nacional e deixa os devedores desprotegidos. - Hoje, o devedor é submetido a um processo judicial e não pode ter bens penhorados sem autorização de um juiz. Com as mudanças propostas, está sendo criado um Estado fiscal policial. Isso investe sobre o princípio de presunção da inocência do contribuinte - afirmou o presidente da OAB. (Agência Globo)


http://www.oab.org.br/noticia/19374/oab-penhora-de-bens-sem-autorizacao-judicial-cria-o-estado-fiscal-policial
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:31:19


Este tipo de tentativa ilustra bem a  vontade dos agentes estatais de obterem cada vez mais poder,  e assim poderem submeter os indivíduos aos interesses do Estado (e de seus agentes).  E tal  tentativa de agentes estatais serve mostrar o perigo de se deixar que estes agentes  anti liberais  ajam e conquistem cada vez mais poder. 

Este é um exemplo de  uma ação no sentido  do caminho da servidão.  Quanto mais poder for concedido para os agentes estatais, mais estaremos no caminho da servidão.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:06:41

Uma notícia sobre o aprimoramento do Estado Fiscal Policial:


SEGURANÇA

Polícia terá delegacia especial para combate a crimes fiscais no Estado.

Nova unidade deverá entrar em funcionamento no 1º semestre de 2017

A Polícia Civil inaugura no primeiro semestre do ano que vem a Delegacia Especializada de Combate a Crimes de Ordem Fiscal (Delefisco). A unidade funcionará como instrumento repressivo em face das irregularidades encontradas em fiscalizações feitas pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). O foco principal será combater o valor incalculável desviado anualmente dos cofres públicos, o que causa impacto negativo em investimentos e repasses feitos pelo Governo do Estado à população.


De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcelo Vargas, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) estuda instalar a Delefisco no prédio da Sefaz, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no Centro de Campo Grande. A equipe será composta, inicialmente, por um delegado, dois escrivães de polícia e dez investigadores. “O trabalho será conjunto. De um lado, a Sefaz, com o poder de fiscalização. Do outro a polícia, com a repressão”, disse.


(*) A reportagem, de Daniella Arruda, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.


http://www.correiodoestado.com.br/cidades/policia-tera-delegacia-especial-para-combate-a-crimes-fiscais-no/291276/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:07:43
E  o mesmo texto reescrito a partir de uma visão liberal:


SEGURANÇA DO ESTADO E INSEGURANÇA DO INDIVÌDUO

Polícia terá delegacia especial para combater a liberdade dos indivíduos disporem do dinheiro de seu próprio trabalho,  e  assim poderem auxiliar o  Estado a espoliar os indivíduos.

Nova unidade deverá entrar em funcionamento no 1º semestre de 2017


A Polícia Civil inaugura no primeiro semestre do ano que vem a Delegacia Especializada de Combate a Tentativas de Ordem Libertária (DeleCombLiber). A unidade funcionará como instrumento repressivo em face das tentativas dos indivíduos de serem livres, e de livremente disporem dos produtos de seus trabalhos.  O foco principal será combater a liberdade das pessoas de  não entregarem o  produto de seu trabalho para os cofres gerenciados pelos políticos (e por outros agentes estatais), o que causa impacto negativo na quantidade de dinheiro disponível para os políticos e agentes estatais viverem de forma parasitária,  e  também para a distribuição de algumas migalhas oferecidas pelo Governo do Estado à população.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcial Anti Liber, a Secretaria Estadual de Injustiça e Insegurança Pública (Insejusp) estuda instalar a DeleCombLiber no prédio da Sefaz, localizado na Avenida Fernando Fiscal da Cola, no Centro de Campo Lande. A equipe será composta, inicialmente, por um delegado, dois escrivães de polícia e dez investigadores. “O trabalho será conjunto. De um lado, a Sefaz, com o poder de fiscalização dos indivíduos. Do outro a polícia, com a repressão “aos impertinentes indivíduos que querem ser livres”, disse.


(*) A reportagem, de Daniella Liber, está na edição de hoje do jornal Correio da Liberdade.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:42:24
Essa notícia  aqui parece piada   :D  , mas é a triste realidade anti liberal :


Fiscais do Indea e Polícia Ambiental combatem comércio ilegal de mudas em Rondonópolis

Adriana Nascimento – Assessoria Sintap  AGUA BOA NEWS

 
Fiscais do Indea e Polícia Ambiental combatem comércio ilegal de mudas em Rondonópolis

29/09/16 às 16:29

Após denúncia um grupo de fiscais do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), apoiado pela equipe da Polícia Ambiental de Rondonópolis, apreendeu, na manhã desta quinta-feira (29.09), um caminhão com 300 mudas de árvores frutíferas proveniente da cidade de Herculândia/SP. O Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária (Afedaf), Paluã Correa Soares, informou que a apreensão ocorreu porque isso caracteriza comércio ambulante de mudas, o que é atividade expressamente proibida pela Lei Estadual 9415/2010.
 

As mudas eram de laranja, jabuticaba, coco e carambola, entre outras e, conforme prevê a referida lei, foram todas destruídas no lixāo de Rondonópolis. Isso é feito pelo fato de não possuírem comprovação de origem sanitária. Além de Soares a equipe do Indea também era composta pelos Fedafs: Antônio João Moreira Calaça, Mário Arthur Lopes Correia e o Agente Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal (Afedaf), Manoel Douglas Dourado.
 

Deixar que mudas de árvores sem comprovação sanitária sejam comercializadas livremente sem fiscalização traz sério risco ao status sanitário de Mato Grosso, por isso o combate é sempre necessário mas nem sempre com a frequência com que merece. Isso se dá pelo fato de o Indea não ter investimentos necessários em carros e maior número de servidores para atender a todo o Estado.
 

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso (Sintap), Diany Dias, salienta que, ainda com todas as dificuldades encontradas na lida diária tendo a entidade sindical como aguerrida na busca de solucionar junto à autarquia esses problemas, vale destacar que os servidores não deixam de cumprir fielmente seu papel da melhor forma possível estando sempre atentos para garantir a qualidade de vida da população mato-grossense.



http://www.aguaboanews.com.br/noticias/exibir.asp?id=6795&noticia=fiscais_do_indea_e_policia_ambiental_combatem_comercio_ilegal_de_mudas_em_rondonopolis 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:45:46

No link tem uma foto do caminhão com as mudas assassinas que estavam pondo em risco a qualidade de vida da população mato-grossense.

 :hihi:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Shadow em 31 de Janeiro de 2017, 11:30:55

No link tem uma foto do caminhão com as mudas assassinas que estavam pondo em risco a qualidade de vida da população mato-grossense.

 :hihi:

Vai brincando....   
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Jurubeba em 20 de Março de 2017, 18:06:52
Citar
Conclusão

Uma economia repleta de grandes empresas que dominam vários setores da economia é um arranjo 100% criado pelo governo. Sem todos os direitos especiais, subsídios, protecionismos e privilégios concedidos pelo governo a grandes empresas amigas do regime, pequenas empresas teriam muito mais liberdade e facilidade para surgir e entrar em qualquer mercado.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, alimentício, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.). Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

O livre mercado não apenas não é pró-grandes empresas, como, ao contrário, é a maior — e única — ameaça à proliferação e manutenção de grandes empresas.

Por si só, não há nada de errado com grandes empresas. O problema é que, no arranjo econômico atual, as grandes empresas são produto direto de subsídios, protecionismos e vários outros benefícios criados pelo governo, inclusive impostos e regulamentações (que facilitam o domínio dos grandes ao punir os pequenos).

Empresas grandes e já estabelecidas têm mais capacidade e mais recursos para atender regulações minuciosas e onerosas. Empresas pequenas, que querem entrar naquele mercado mas que ainda não possuem muitos recursos financeiros, não têm essa capacidade.

Empresas grandes podem contratar lobistas (ou podem simplesmente subornar políticos) para elaborar padrões de regulação que elas já atendem ou que podem facilmente atender, mas que são impossíveis de serem atendidos por empresas pequenas e recém-criadas.

Empresas grandes podem subornar fiscais e burocratas. Empresas pequenas não têm essa capacidade financeira.

Regulações fazem com que o estado, por meio de suas licenças, conceda respeitabilidade a empresas escroques e impeça que empreendedores sérios e genuinamente competentes possam servir livremente os consumidores. Regulações impedem a formação de uma genuinamente boa reputação comercial, aquela que só se consegue por meio das preferências voluntariamente demonstrada por consumidores no livre mercado.

Regulações, em suma, são a mais insidiosa maneira de se abolir a livre iniciativa, de garantir uma iniciativa privada ineficiente, de impedir a proliferação de pequenas empresas, e de inundar o mercado com empresas grandes, ineficientes e insensíveis às demandas dos consumidores.

Artigo completo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2652

Saudações
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 20 de Março de 2017, 18:23:39
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 29 de Março de 2017, 18:09:56
Citar
por Rodrigo Constantino

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil? (http://rodrigoconstantino.com/artigos/o-que-mais-atrapalha-o-movimento-liberal-no-brasil/)
29 de março de 2017

A luta dos liberais num país como o Brasil é bastante inglória, já que, como sabia Roberto Campos, a estupidez tem um passado glorioso e um futuro promissor em nosso país. A mentalidade é estatizante, muitos olham para o estado como um deus salvador da Pátria e para o empreendedor como um explorador, vários querem só fazer concurso em busca de estabilidade, empresários ficam de olho em privilégios estatais e a cultura da malandragem em nada ajuda.

A ignorância é brutal, a máquina de doutrinação ideológica é enorme, e a educação é controlada pela extrema-esquerda há décadas. Um povo mais tribal deixa as emoções falarem mais alto também, e se torna refém do populismo e do sensacionalismo com maior facilidade. A ladainha esquerdista seduz uma legião de incautos.

E, como se tudo isso não bastasse, ainda há o “fogo amigo”, ou seja, o dispêndio de energia daqueles que supostamente defendem o liberalismo como conceito, mas na prática só fazem atacar os liberais que efetivamente tentam fazer alguma coisa para mudar o país. Priscila Chammas Dáu, do Livres (PSL), sentiu isso na pele ao ingressar na política, e escreveu um desabafo em sua página de Facebook:

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil não é a esquerda. Ter hater esquerdista já é esperado, e até ajuda a tornar a discussão mais acalorada e empolgante. Destruir argumento esquerdista é relativamente fácil e, na verdade, isso é o que mais tem colaborado para o nosso crescimento. Ainda arrisco dizer que a maioria dos esquerdistas não o são por maldade, mas porque cresceram ouvindo essas asneiras, e ainda não conheceram a palavra de Mises. Prova disso é que é comum ter ex-esquerdista no movimento liberal, mas não conheço um único que era liberal e virou esquerdista.

O que mais atrapalha o movimento liberal é a parte do próprio movimento liberal que parece torcer contra. É aquele cara, metido a intelectual que, ao ver surgir qualquer iniciativa de disseminação, tem como primeira atitude dizer que não vai dar certo, que não vamos conseguir, que “logo ele tropeça” ou – pior – que o movimento não é sério. Não digo pra ser Alice e acreditar em qualquer coisa. Mas criticar por criticar, sem nem se dar ao trabalho de procurar entender mais sobre o alvo, ou sobre os efeitos que ele vem causando, é uma atitude burra.

Ainda tem os famosos ancaps agoristas, muitos dos quais gastam todo o seu tempo livre (e também o tempo que não deveria estar tão livre assim) xingando os outros no Facebook e vendo vídeos de um tal de Kogos (que adora xingar os outros no Youtube). Eles direcionam o seu ódio não aos estatistas, que estão por aí pedindo mais intervenções do governo. O alvo são os que querem diminuir o Estado, em vez de extingui-lo. Putz… o Estado atual é gigante! Será que a gente não poderia reduzir ele primeiro, pra depois discutir se o tamanho ideal é 0 ou é 5? Minha esperança é que esses são, em sua maioria, adolescentes, que logo devem amadurecer e descobrir que bitcoins são ótimos, mas não suficientes para derrotar o Estado.

O fogo amigo é muito pior do que a patrulha ideológica dos inimigos, e o que peço, encarecidamente, é que quem não quer fazer nada para ajudar, pelo menos faça o favor de não atrapalhar. A Revolução Liberal no Brasil é uma realidade, e ela vem acontecendo graças a uns liberais e APESAR de outros liberais (ou libertários).

Não chegaria a tanto, colocando esses “haters da direita”, libertários, ancaps ou reacionários, como “o que mais atrapalha”. O maior obstáculo é mesmo a ignorância geral do povo e a organização da esquerda pérfida, que conta com vastos recursos e a máquina estatal. Mas é inegável que esse “fogo amigo” em nada ajuda. São pessoas que, no fundo, vivem numa Torre de Marfim ideológica, pensam ter descoberto a “pedra filosofal”, e só querem cuspir em tudo e todos em busca da sensação de superioridade moral.

Já comprei briga com muitos desse tipo, e sei como funciona seu modus operandi. São infantis, raivosos, intolerantes, arrogantes. O liberalismo precisa de toda ajuda, até porque está perdendo de goleada ainda, tendo passado mais longe do Brasil do que Plutão da Terra. Por isso creio que há espaço para várias estratégias e perfis diferentes. Gosto da metáfora do time de futebol, que conta com goleiro, zagueiros, laterais, meio-campo e ataque, além do técnico e da torcida. Não gosto de diminuir uns para enaltecer outros: são todos importantes!

Há espaço para os mais teóricos, para os mais libertários e também os mais conservadores, para os mais práticos, para “think tanks” e para partidos, para grupos ativos nas redes sociais, para sites e blogs, enfim, para toda uma gama de participação de acordo com as habilidades de cada um. Só não há espaço mesmo é para derrotistas, para imaturidade e para quem, no fundo, torce contra, para continuar posando de “único defensor da verdadeira liberdade”. Esses precisam amadurecer para entrar para o liberalismo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 29 de Março de 2017, 19:49:20
Concordo com o Constantinolavo. Os libertários ancaps têm se convertido nos progressistas do movimento liberal. Ô povinho chato. Não basta acreditarem em pseudagem.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 29 de Março de 2017, 19:57:37
Seria legal se tivesse de alguma forma uns mais radicais ainda que os "brutalistas" que dissessem que eles não são brutalistas o suficiente, e/ou talvez que brutalismo (talvez no nível deles, poderiam chamar de "brutalismo fraco", ou "maricas") é cripto-comunismo marxista (mas também poderia ser argumentado pelos gradualistas). É sem dúvida uma possibilidade de trolagem muito interessante, se conseguir se passar por alguém real.

"PROPRIEDADE PRIVADA É COMUNISMO" poderia ser o lema.

E o princípio da não-agressão não passa de viadagem politicamente correta esquerdista, que em última instância fundamenta o comunismo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Março de 2017, 09:30:16

A ignorância é brutal, a máquina de doutrinação ideológica é enorme, e a educação é controlada pela extrema-esquerda há décadas. Um povo mais tribal deixa as emoções falarem mais alto também, e se torna refém do populismo e do sensacionalismo com maior facilidade. A ladainha esquerdista seduz uma legião de incautos
E, como se tudo isso não bastasse, ainda há o “fogo amigo”, ou seja, o dispêndio de energia daqueles que supostamente defendem o liberalismo como conceito, mas na prática só fazem atacar os liberais que efetivamente tentam fazer alguma coisa para mudar o país. Priscila Chammas Dáu, do Livres (PSL), sentiu isso na pele ao ingressar na política, e escreveu um desabafo em sua página de Facebook:

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil não é a esquerda. Ter hater esquerdista já é esperado, e até ajuda a tornar a discussão mais acalorada e empolgante. Destruir argumento esquerdista é relativamente fácil e, na verdade, isso é o que mais tem colaborado para o nosso crescimento. Ainda arrisco dizer que a maioria dos esquerdistas não o são por maldade, mas porque cresceram ouvindo essas asneiras, e ainda não conheceram a palavra de Mises. Prova disso é que é comum ter ex-esquerdista no movimento liberal, mas não conheço um único que era liberal e virou esquerdista.

O que mais atrapalha o movimento liberal é a parte do próprio movimento liberal que parece torcer contra. É aquele cara, metido a intelectual que, ao ver surgir qualquer iniciativa de disseminação, tem como primeira atitude dizer que não vai dar certo, que não vamos conseguir, que “logo ele tropeça” ou – pior – que o movimento não é sério. Não digo pra ser Alice e acreditar em qualquer coisa. Mas criticar por criticar, sem nem se dar ao trabalho de procurar entender mais sobre o alvo, ou sobre os efeitos que ele vem causando, é uma atitude burra.

Ainda tem os famosos ancaps agoristas, muitos dos quais gastam todo o seu tempo livre (e também o tempo que não deveria estar tão livre assim) xingando os outros no Facebook e vendo vídeos de um tal de Kogos (que adora xingar os outros no Youtube). Eles direcionam o seu ódio não aos estatistas, que estão por aí pedindo mais intervenções do governo. O alvo são os que querem diminuir o Estado, em vez de extingui-lo. Putz… o Estado atual é gigante! Será que a gente não poderia reduzir ele primeiro, pra depois discutir se o tamanho ideal é 0 ou é 5? Minha esperança é que esses são, em sua maioria, adolescentes, que logo devem amadurecer e descobrir que bitcoins são ótimos, mas não suficientes para derrotar o Estado.

O fogo amigo é muito pior do que a patrulha ideológica dos inimigos, e o que peço, encarecidamente, é que quem não quer fazer nada para ajudar, pelo menos faça o favor de não atrapalhar. A Revolução Liberal no Brasil é uma realidade, e ela vem acontecendo graças a uns liberais e APESAR de outros liberais (ou libertários).



Eu concordo bastante com a Priscila Chammas Dáu,  os radicais  anarcos acabam fazendo o papel de bons espantalhos para os estatistas baterem nos defensores do liberalismo de uma forma generalizada.


 :ordem2:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Abril de 2017, 13:03:47


Mais uma de estatistas   no Brasil :


Projeto na Câmara dos Deputados quer proibir sites de pornografia no Brasil

07/04/2017 14h36  Por Bruna Aidar  Edição 2177

De autoria de Marcelo Aguiar (DEM-SP), a proposta afirma que jovens estão ficando viciados em pornô e masturbação e obriga operadoras a bloquear este tipo de conteúdo

Tramita em Brasília um projeto de lei do deputado federal Marcelo Aguiar (DEM-SP) que tenta proibir o acesso a sites pornográficos em todo o país. Se a proposta for aprovada, as operadoras que que disponibilizam acesso à internet terão que criar algum sistema que filtrasse automaticamente qualquer conteúdo envolvendo sexo virtual, prostituição e sites pornográficos.

Relacionados

Pesquisa revela hábitos de goianienses em site pornográfico
Para o autor da proposta, a nova lei é necessária para proteger crianças e adolescentes expostos à este tipo de conteúdo. “Pais, educadores e a sociedade em geral, não estão conscientes o bastante dos perigos envolvidos. Estudos atualizados informam um aumento no número de viciados em conteúdo pornô e na masturbação devido ao fácil acesso pela internet e à privacidade que celular e o tablet proporcionam”, explicou ele.

Depois de apresentado, o projeto foi apensado ao Projeto de Lei 5.016/2016, do deputado goiano Célio Silveira (PSDB), que já havia proposto algo parecido. O projeto de Célio determinava o bloqueio prévio do acesso a “sites e aplicativos de relacionamento que contenham conteúdo pornográfico ou que instiguem a violência” e também foi apensado à outra matéria, o PL 2.390/15.

Esta terceira matéria é de autoria do Pastor Franklin (PTdoB-MG) e propõe a criação do chamado Cadasto Nacional de Acesso à Internet para impedir que crianças e adolescentes tenham acesso “a sítios eletrônicos com conteúdo inadequado”. Agora, o projeto já foi distribuído a cinco comissões, onde será discutido pelos parlamentares.


http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/projeto-na-camara-dos-deputados-quer-proibir-sites-de-pornografia-no-brasil-91375/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Abril de 2017, 22:21:16
Vejam a porcentagem dos que negaram a regulamentação absurda do Uber...

(http://rodrigoconstantino.com/assets/png/blog-661.png)

Fonte:

http://rodrigoconstantino.com/artigos/como-votou-cada-partido-no-uber-analise-permite-algumas-conclusoes-interessantes/

Nossa, o executivo federal realmente é comandado por um partido de direita neoliberal. Um partido que tem 55% de deputados federais comunistas que querem avacalhar o Uber e ainda chamam esse PMDB de partido de direita neoliberal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Abril de 2017, 08:08:42
Vejam a porcentagem dos que negaram a regulamentação absurda do Uber...

Fonte:

http://rodrigoconstantino.com/artigos/como-votou-cada-partido-no-uber-analise-permite-algumas-conclusoes-interessantes/

Nossa, o executivo federal realmente é comandado por um partido de direita neoliberal. Um partido que tem 55% de deputados federais comunistas que querem avacalhar o Uber e ainda chamam esse PMDB de partido de direita neoliberal.


O Solidariedade, o PP, o PTB, o PSDB e o PSC  foram bem, o PSD foi razoável, e o DEM  poderia ter sido melhor. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 19 de Julho de 2017, 17:44:00
https://www.youtube.com/v/vncNAfJleLE
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Agosto de 2017, 13:08:10
Ensaio que contém muitas ideias liberais:


Patrimonialismo e Democracia:

Encontros e desencontros. 1


HUMBERTO SCHUBERT COELHO.

 do núcleo de estudos ibéricos e ibero-americanos da ufjf.
graduado em filosofia pela ufjf.

aluno do programa de mestrado em ciência da religião da ufjf.
humbertoschubert@yahoo.com.b


Sinopse: Este ensaio procura traçar linhas gerais de compreensão destas duas grandes tendências políticas atuais, mais em termos teóricos do que históricos, mas tendo sempre em vista o referencial de Patrimonialismo como desenvolvimento do despotismo oriental, elaborado por Karl Wittfogel. Nossa preocupação concentra-se na conceituação mesma dos dois modelos, sobretudo no que tange ao contraste entre seus parâmetros morais, da forma como foram analisados por Max Weber. Por fim pretendemos apontar condições favoráveis a uma transição cultural do Patrimonialismo à Democracia.



1- O Patrimonialismo como organização primária de Estado:


 A compreensão de Patrimonialismo que aqui apresentamos assenta-se sobre a definição de Max Weber, que distinguia três tipos de dominação2 : Racional: baseada na crença da ordem estabelecida. Tradicional: baseada na crença em tradições(costumes religiosos e sociais). Carismática: baseada na crença no valor excepcional de uma personalidade (fascismo,ditadura idólatra)  O Patrimonialismo é uma forma de dominação tradicional, em que se aceita, por costume, que o Estado seja organizado pelo soberano de forma análoga à organização doméstica.3 O primeiro e principal marco histórico para compreender o Patrimonialismo é a tese de Karl Wittfogel, segundo a qual este modelo seria decorrente de organizações estatais primitivas em sociedade hidráulicas.

A partir das análises de Vélez e Paim4 , observa-se que tais sociedades transitaram, através de organização estatal, de uma divisão social do poder para a concentração deste nas mãos dos administradores estatais. Detendo o controle de sistemas em que se baseavam toda a economia das nações, os
primeiros Estados desenvolveram-se segundo o conhecido despotismo oriental, em que os núcleos de poder da sociedade são diluídos ao máximo com a concentração de todos os poderes e funções no Estado.

Wittfogel mostrou que os Estados socialistas do século XX desenvolveram-se a partir deste mesmo princípio, eliminando todas as esferas de poder privado ou social, e centrando toda a atividade produtiva nas mãos do Estado.

Ao contrário do Estado Contratual, fundado sobre um sistema multi-polar, o Estado Patrimonial é fruto de um sistema em que o poder econômico e político é monopolizado, produzindo um direito centrado no soberano e não no cidadão. No caso brasileiro é manifesta a herança portuguesa que, a partir da dominação árabe e da contra-reforma, desenvolveu uma cultura de autoridade permanente e uma mentalidade
de desprezo ao lucro e ao trabalho.

Observado no czarismo russo, na China do século XIX, no stalinismo, em toda a América Latina e principalmente nas culturas islâmicas, para citar somente as  sociedades minimamente organizadas, o Patrimonialismo apresenta-se sempre com as mesmas características principais. Vélez destaca treze5
:
1- Senhores de terra e mandatários reais são mais fortes que a sociedade. Sem poder social a população não tem representação e torna-se marginal na dinâmica político-administrativa.

2- O Estado, embora maior que a sociedade, não possui instância pública de bem estar social. Simon Schwartz define bem a questão: Para outros povos a política é um meio de melhorar os negócios, aqui ela é o grande negócio.

3- Complexo de clã: A solidariedade social só se estende ao grupo parental. Ocorre a privatização do Estado.

4- Supõe-se o Estado como garantidor da riqueza da nação. A tributação nestes países converte-se em confisco. A poupança e o investimento são dificultados.

5- Autoritarismo e terrorismo político se justificam pela tese de que o Estado precisa de poder total para solucionar os problemas.

6- Corporativismo desenvolve-se como forma macro do complexo de clã. Defende-se irracionalmente a classe ou grupo em detrimento do bem geral.

7- A cidadania, ou seja, o direito do indivíduo, não vale nada. Só o pertencimento a um grupo de poder constitui direito. É um refinamento da lei do mais forte.

8- Aparelho jurídico se adapta, tornando-se permissivo para o Estado e rigoroso contra os inimigos do Estado, o povo.

9- Partidos se organizam em função de grupos pessoais de poder.

10- Retórica política desvia da representatividade direta e cidadania para a idealização total da nação no carisma do governante

11- Estabelece-se a ética privada ou de grupo como norma. A essência do Patrimonialismo é a corrupção da noção de Estado como esfera do público.

12- Teologia da pobreza, inclusive teologia da libertação.

13- Tendências modernizadoras esporádicas baseadas no tecnicismo ou burocratização do Estado Patrimonial.


A idéia geral que perpassa todos estes elementos, parece evidente, é a de que não existe direito individual, mas somente o de grupo. A idéia familiar de que a “união faz a força” é levada ao extremo, numa verdadeira fragmentação social em que os inúmeros grupos familiares compreendem a si mesmos como defensores exclusivos de seus membros e, se o direito é de nós para nós, ele deve ser contra os outros.

Quando o próprio Estado é infestado por estes indivíduos, a sociedade torna-se guerra de todos contra todos. Impossível garantir os interesses individuais sem lutar contra os interesses de todos os demais, porque num ambiente onde o direito é privado, não existe juízo racional de valor a definir quem está amparado ou condenado por ele. O que resta é a subjetivação completa do direito, discriminando não mais regras universais, mas particulares.

Numa tal sociedade inexiste estabilidade e segurança. As mudanças no poder estatal mudam as condições dos favorecidos e desfavorecidos, não há parâmetro em que se basear ou fazer previsões. A competência dá lugar ao agrado. A virtude deixa de ser uma excelência unanimemente reconhecida, pois agradar ao chefe é a grande virtude. Isso gera um círculo vicioso de comodismo por parte dos protegidos e desânimo por parte dos excluídos.

Oliveira Vianna nos mostrou que a moralidade social, do consenso, não existe em Estados Patrimoniais como o Brasil. Estabeleceu-se, ao contrário, uma moralidade de grupo e partido, com fidelidade restrita e segmentação de valores ao grupo-clã. É o que acontece entre Estados, devido à noção patriótica primitiva de que a moralidade social só precisa respeitar os limites da nação ou povo, mas o caso torna-se grave por criar núcleos dentro de uma mesma coletividade, impossibilitando a ação universal de um Estado de direito neste território6
.
Kant atacou duramente este pensamento eu seu “Para a paz perpétua”. Para ele o bem geral é o mais conforme a razão, e o bem de um povo ou nação não pode estar acima do bem geral de toda a humanidade. Isso vale tanto para a esfera familiar quanto para a nacional. Ferir os direitos de outro indivíduo em benefício do grupo ou da nação é um ato irracional, e por isso inumano.

[…]


O restante do ensaio (15 páginas em PDF)  vocês podem ver e baixar aqui:


http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/PDED.pdf

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Agosto de 2017, 15:44:01
30.abr.08 - 10h00

Índio quer cassino



Há uma diferença entre norteamericanos e brasileiros. Eles vão direto ao ponto. Nós preferimos caminhos tortuosos. Em 1988, enquanto o Brasil promulgou a sua “Constituição cidadã”, que reconheceu os direitos dos povos indígenas e deu origem à política de demarcações de terras, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o Indian Gaming Regulatory Act. Essa lei impulsionou um dos negócios mais lucrativos do mundo: os cassinos indígenas. Já existem 294 deles operando em 28 Estados americanos, gerando uma receita anual de US$ 26 bilhões, 670 mil empregos e US$ 11,1 bilhões em impostos. São tão poderosos que os cassinos dos filmes de Hollywood chefiados por baixinhos da máfia italiana, do tipo Danny de Vito, já são minoria. Hoje, quem comanda o bacará e a roleta são caciques de tribos como Mohawk, Mohegan e Haak´u.


No Brasil, onde o jogo é atividade ilícita, uma proposta desse tipo seria considerada ultrajante. Mas o que ocorre com os descendentes dos nossos primeiros habitantes? Damos a eles quantidades imensas de terra – mais que um Portugal no caso das reservas de Roraima – e fingimos acreditar que as tribos continuarão vivendo como em 1500, caçando, pescando, tomando ayhuasca e fazendo a dança da chuva. Não é o que acontece. Em Rondônia, os cintas-largas dominam o garimpo de diamantes – e matam a pedradas quem ousa invadir a reserva. Os suruís negociam grandes quantidades de madeira amazônica, e as autoridades fazem vista grossa. No fundo, nossas tribos também têm seus cassinos. Apenas não são contabilizados.


Em vez de ceder terras às tribos, os americanos lhes deram cassinos, que já rendem US$ 26 bilhões


Num livro clássico sobre a colonização brasileira, o historiador Jean-Marc Montaigne conta que os franceses compreenderam rapidamente a natureza dos povos indígenas. Enquanto os portugueses tentavam forçá-los ao trabalho, os comerciantes da Normandia negociavam. Trocavam toras de pau-brasil por espelhos, facões e anzóis. Eles se tornaram tão próximos das tribos que chegaram até a editar dicionários normando-tupi-guaranis e a encenar peças de combate para a monarquia francesa, com índios brasileiros atuando em pleno rio Sena.


Bom, mas e a preservação da cultura indígena? Nos Estados Unidos, tribos que operam cassinos dão contrapartidas. Investem em museus, parques nacionais e financiam a educação dos índios. Muitos deles têm entrado em grandes universidades. Além disso, a renda média das famílias indígenas já é de US$ 33 mil. Aqui, nossos curumins não têm escolha. Estão condenados a caçar capivaras ou a operar, por baixo dos panos, algum esquema ilegal, com a conivência de homens brancos da Funai e do Ibama. Faz sentido. Afinal, o Brasil é o país da hipocrisia.


http://istoe.com.br/3211_INDIO+QUER+CASSINO/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 02 de Agosto de 2017, 18:12:40
30.abr.08 - 10h00
 gerando uma receita anual de US$ 26 bilhões, 670 mil empregos e US$ 11,1 bilhões em impostos.

Então, como eu ia dizendo,

Citar

Economy and social status[edit]

See also: Native Americans and reservation inequality and Reservation poverty
The United States is home to 3.1 million Native Americans. In comparison to the rest of the population, this number is a very small amount (only .9%).[10] American Indians have historically lived in extreme poverty. With the rise of Indian gaming enterprises, the problem of poverty may have been variously addressed in select areas. Yet, while Native Americans have begun to take more control of their tribal economies and have begun to improve situations, poverty on Indian Reservations is still a major issue. The U.S. Census in both 1990 and 2000 indicates that poverty has prevailed on reservations; to this day, Native Americans have the highest poverty and unemployment rates in the United States of America. The poverty rate of Native Americans is 25%.[11]

...

Further breakdown of poverty rates show that Native Americans are consistently the highest among each race. Reservation Indians have a 39% poverty rate; Non-Reservations, 26%; Black, 25%, Hispanic/Latino of all races, 23%, Pacific Islander, 18%, Asian, 13%; and White, 9%.[18]

https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_social_statistics_of_Native_Americans#Economy_and_social_status

https://www.economist.com/news/united-states/21639547-how-cash-casinos-makes-native-americans-poorer-slots-and-sloth

https://www.theatlantic.com/business/archive/2014/08/a-good-way-to-wreck-a-local-economy-build-casinos/375691/

https://www.theguardian.com/uk/2013/jan/04/fixed-odds-betting-terminals-poorest-communities

http://metrocosm.com/state-lotteries-high-cost-low-return-and-absurdly-dishonest/


O último artigo faz a analogia de loteria com um imposto, altamente regressivo, porém, ironicamente, voluntário.

Essa idéia de que legalizando mais o jogo, todo mundo fica rico, é extremamente simplista e ingênua. A casa sempre ganha.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Agosto de 2017, 10:37:55

Instituto Mercado Popular

FILOSOFIA, HISTÓRIA, POLÍTICA

Henry Maksoud e seu legado como voz que clamou no deserto


Por Valdenor Júnior · Em 18/04/2014

Por Valdenor Júnior

Imagine que, no Brasil da década de 70, em plena ditadura militar, um libertário comprasse uma revista, a Visão, e tornasse sua linha editorial liberal, criticando os excessos do intervencionismo, do estatismo e do desenvolvimentismo do regime militar.

Imagine que, ao comprar a Visão, foi impedido de nela escrever por não ter diploma de jornalismo, pois eram os tempos da famigerada Lei de Imprensa, aprovada em 1967, em pleno regime ditatorial.

Imagine ainda que, a posição editorial dessa revista fosse um incômodo para o regime, de tal forma que o governo federal promoveu um boicote contra a Visão, por meio de seu controle econômico ao meio editorial brasileiro: deixando de investir em publicidade nela e inibindo a participação de empresários que mantinham relações com a esfera federal, para que passassem a não anunciar na revista Visão, temendo represálias.

Imagine que esta represália tenha contribuído para que a revista passasse por significativas dificuldades financeiras, passando por sucessivas crises, até deixar de circular por completo no início da década de 90.

Imagine que, sem desistir, este libertário chegou ao ponto de pagar do próprio bolso um programa de televisão com o intuito de divulgar as ideias da liberdade, logo na década de 90.

Imagine ainda que, por sua paixão pelas ideias hayekianas, ele tivesse trazido Hayek ao Brasil.

Imagine que, quando se discutia uma nova Constituição para o Brasil, esse libertário tivesse feito um anteprojeto próprio de Constituição inspirada nas ideias de Hayek, onde o regime de governo não era a tradicional democracia majoritária, mas sim a demarquia!

Imagine, portanto, que o Brasil, por conta desse libertário, teve a chance de adotar uma constituição que ao menos o aproximasse do liberalismo clássico, tentando limitar (seja isso pretensioso demais ou não) o Leviatã brasileiro.

Imagine que, na época em que o presidente Lula estava no poder e a hegemonia da esquerda estatista no Brasil parecia garantida pelos altos níveis de popularidade de sua presidência, este libertário, em entrevista para a Folha de São Paulo, tenha declarado que o único erro de Lula havia sido… ter comprado apenas um avião, pois era melhor que tivesse comprado logo 15 e colocado o governo para tirar férias coletivas.

Imagine que, na mesma entrevista, ele tenha justificado essa estranha recomendação da seguinte forma: “Aí não teríamos governo. Você está rindo, eu estou falando sério. Sou anarquista. As pessoas pensam que anarquia é bagunça. Anarquia é um sistema de governo. Quer dizer governo mínimo. Você já imaginou o governo viajando o tempo todo e em aviões bacanas por esses lugares todos? Anos atrás, uns amigos me acusavam de eu ficar criticando, escrevendo, falando e nunca apontar uma solução. E aí dei uma solução: férias coletivas para o governo.” Um comentário que lembra Henry David Thoureau: “o melhor governo é o que não governa absolutamente nada”.

Imagine que, ainda nesta entrevista, perguntado se preferia Lula ou FHC, tenha respondido: “se for para considerar o que eu penso do Brasil, este e o outro são umas merdas. Tem muita intervenção, coisas que não deveriam existir e que deveriam ter sido mudadas.”

Imagine ainda que ele tenha aproveitado para desmitificar a ideia de que o liberalismo e o livre mercado são triunfantes no mundo pós-Guerra Fria: “O conceito liberal que eu defendo não é o que se tem hoje. Essa bobagem chamada neoliberal não existe. Pode escrever. Neoliberal é besteira. Não existe essa asneira. O que aconteceu na Inglaterra e na Escócia é algo que poderia ser chamado de liberalismo clássico, mas aconteceu só lá. Foi apenas uma pequena mancha tão forte que as idéias foram para alguns outros lugares. Mas isso não quer dizer que, depois disso, o liberalismo clássico, a economia de mercado, espalhou-se pelo mundo. Não. Se você procurar onde existe a economia de mercado, vai ver só algumas manchas.”

Este libertário realmente existiu. Seu nome: Henry Maksoud.

Foi muito ativo numa época do Brasil em que o liberalismo brasileiro era ainda menor do que  hoje e geralmente restrito ao seu aspecto econômico. Maksoud, em contraste, destacou-se por enfatizar, com notável coerência e independência, o aspecto político, o aspecto radical e transformador, a ousadia de tentar o diferente e de pretender mudanças estruturais radicais no modo como a sociedade se governa.

Da demarquia às férias coletivas do governo, o objetivo era libertação: libertação em relação ao Estado e à política enquanto instrumentos de coerção.

Ontem, ele faleceu. Mas, como a Voz que clamou no deserto, seu legado para o libertarianismo brasileiro não morrerá.



valdenor

Valdenor Júnior é advogado. Desde janeiro de 2013, escreve em seu blog pessoal Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart onde discute alguns de seus principais interesses: naturalismo filosófico, ciência evolucionária com foco nas explicações darwinianas ao comportamento e cognição humanas, economia, filosofia política com foco na compatibilidade entre livre mercado e justiça social. Também escreve para o Center for a Stateless Society e o Liberzone.



http://mercadopopular.org/2014/04/henry-maksoud-e-seu-legado-como-voz-que-clamou-no-deserto/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 10 de Agosto de 2017, 16:47:48
Artigo muito bom sobre um pouco da história de tentativas de trazer o liberalismo para o Brasil:


FRIEDRICH HAYEK E OS LIBERAIS BRASILEIROS NA TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA

FRIEDRICH HAYEK AND THE CLASSICAL LIBERALS IN THE BRAZILIAN DEMOCRATIC
TRANSITION


Gabriel Onofre328


Resumo: A proposta do trabalho é a de reconstituir as visitas do filósofo e economista da Escola
Austríaca, Friedrich Hayek, ao Brasil, suas conferências e entrevistas e a cobertura da imprensa,
analisando suas ideias sobre política, economia e sociedade que servirão de referência para os grupos
(neo) liberais brasileiros durante a transição democrática.


Palavras-chave: Friedrich Hayek – Liberalismo Econômico – Transição Democrática


http://www.revista.ufal.br/criticahistorica/attachments/article/213/FRIEDRICH%20HAYEK%20E%20OS%20LIBERAIS%20BRASILEIROS%20NA%20TRANSI%C3%87%C3%83O%20DEMOCR%C3%81TICA.pdf (http://www.revista.ufal.br/criticahistorica/attachments/article/213/FRIEDRICH%20HAYEK%20E%20OS%20LIBERAIS%20BRASILEIROS%20NA%20TRANSI%C3%87%C3%83O%20DEMOCR%C3%81TICA.pdf)

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 10 de Agosto de 2017, 20:18:19
Estudo muito interessante.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:13:01

Eu já sabia de algumas falsidades  que vários liberais ficam falando, mas a falsidade da Cingapura liberal extrapolou os limites, que coisa mais fake ! 

:hihi:


0 FATOS DE SINGAPURA QUE INVALIDAM O DISCURSO DE QUE ELA É UM “PARAÍSO LIBERAL”

Singapura é sempre citada pelos defensores do liberalismo como um exemplo, mas será que seu modelo de desenvolvimento seguiu mesmo a cartilha do liberalismo econômico?

ECONOMIA
Por Leandro  Em 26 de jan de 2017

 105 44,291
 15 1311
Singapura é uma cidade-estado localizada no sudeste asiático, mais precisamente em uma ilha ao sul da Malásia, sendo conhecida na internet por seu altíssimo índice de liberdade econômica, tanto pela Heritage Foundation quanto pelo Fraser Institute (2º lugar dentre todos os países do mundo em ambos os rankings na data de publicação desse artigo).

Baseados nesses rankings, muitos veem Singapura como a terra da oportunidade, da liberdade econômica, onde o estado não atrapalha os empresários e a população pode desfrutar de liberdade irrestrita.

Parece ótimo, mas os entusiastas da “liberdade econômica” esqueceram de levar em consideração alguns fatos sobre Singapura, que nos levarão a sérios questionamentos quanto a credibilidade do uso desses índices para justificar a adoção de políticas liberais (neoclássicas ou não).

Vale ressaltar que em todo o artigo será utilizada a taxa de câmbio comercial obtida no dia 24/01/2017.


 
1. Singapura tem o carro mais caro do planeta


Ter um carro em Singapura não é para todos, e não apenas pelos altos preços e taxas, mas também devido a restrições impostas pelo Governo local.

Antes de comprar um carro, você precisa primeiro ter um "Certificado de Titularidade" (Certificate Of Entitlement) que custa em torno de R$ 113.808 (S$ 50.991) para carros até 1600 cilindradas (categoria A) e R$ 125.903 (S$ 56.410) para carros acima de 1600cc (categoria B). Esses certificados são limitados e a Autoridade de Transporte Terrestre (órgão estatal) faz 2 sorteios mensais, com uma quota de aproximadamente 2.000 certificados para a categoria A e 1.350 para a categoria B. Para se ter uma ideia do quão limitadas são as licenças, em todo ano de 2015 foram sorteadas 32.862 categoria A e 21.578 categoria B, pouco mais de 54.000 licenças para uma população de mais de 5.6 Milhões de pessoas. [1] [2] [3]

Após obter o seu certificado você finalmente pode comprar um carro, bastando agora apenas pagar as taxas e impostos de registro e circulação [4]:

Taxa de Registro: S$ 140 (Dólares de Singapura), aproximadamente R$ 312.
Taxa de Registro Adicional: Para os primeiros S$ 20.000,00 a taxa é de 100% o valor de mercado do carro, para os próximos S$ 30.000,00 são 140% e acima dos S$ 50.000,00 mais 180%. Para adquirir um carro com valor de mercado de S$ 75.000,00 você pagaria 100% x S$20,000 + 140% x S$30,000 + 180% x S$25,000 = S$20,000 + S$42,000 + S$45,000 = S$107,000 ou aproximadamente R$ 238.817 de taxa adicional de registro.
Imposto de consumo: 20% do valor de mercado do carro
Imposto de Bens e Serviços (GST): 7% do valor de mercado
Imposto de circulação (válido por 6 meses): [S$475 + S$0.75(CC - 1,600)] x 0.782 para carros entre 1600 e 3000 cilindradas
Exemplo de cálculo: Captiva 2.4
2. O Estado controla o mercado imobiliário e as terras
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 ANT  PRÓX  1 de 24


Como vice-campeã de liberdade econômica você deve imaginar que Singapura tem um mercado imobiliário livre e competitivo, dominado pela iniciativa privada e com pouca interferência estatal, mas pode-se dizer que é exatamente o contrário.

A habitação pública sempre foi uma importante política de Estado desde sua independência na década de 60 quando tinha algumas das mais precárias favelas do mundo.

Fundada em 1960, a Housing and Development Board (Agência para Habitação e Desenvolvimento) é hoje responsável por mais de 80% das habitações do país.

Antes de ser criada, na décaca de 60, a agência antecessora - o Singapore Improvement Trust - tinha construído 20.907 unidades de unidades de habitação pública no período de 12 anos entre 1947 e 1959, o que era insuficiente para abrigar a população de cerca de 1,6 milhão de habitantes da época.

Com apenas 3 anos após a formação da HDB, foram construídos 31.317 apartamentos e a crise imobiliária já havia sido amenizada com sucesso. Os apartamentos eram básicos, contando com água canalizada e saneamento básico, mas forneciam habitação decente e abrigo para a população em geral.

Em 1964, o governo introduziu o Home Ownership for the People Scheme para dar aos cidadãos um ativo tangível no país e uma participação na construção da nação. Este empurrão para a posse de uma casa também melhorou a estabilidade econômica, social e política em geral do país.

Em 1968, para ajudar mais habitantes a "comprarem" (o termo comprar nesse caso necessita de explicações adicionais) sua casa, o governo permitiu o uso da poupança do Fundo Central de Previdência (CPF) para entrada e parcelas mensais do empréstimo hipotecário. Isto, juntamente com outros programas de subsídios introduzidos ao longo dos anos, tornou a casa própria mais acessível e atraente. [7]

Conjuntos habitacionais públicos e modernos substituíram as favelas e a ruralidade periférica com uma oferta abrangente de infraestrutura e serviços. Inicialmente, a habitação pública foi introduzida para combater a escassez severa de habitação como uma resposta política ao "direito universal à habitação", e em apoio à industrialização liderada pelas exportações. Tem servido assim como um mecanismo chave de "construção nacional", e como um atrativo internacional de capital que tem gerado altas taxas de crescimento econômico.

A forma mais comum de "venda" de terras e habitação é o arrendamento ou concessão, onde na verdade você tem a "posse" por 99 anos, ou seja, em última instância a posse ainda é do Estado. [8]

É visível que Singapura conta, desde sua independência, com um dos maiores programas de habitação pública do mundo, fazendo o Minha Casa Minha Vida e o BNH brasileiros parecerem algo inexpressivo.

3. O governo de Singapura possui dois dos maiores fundos soberanos do mundo e está presente nas principais empresas do país


O Estado de Singapura possui dois fundos soberanos do planeta, mais precisamente o 8º e o 12º maiores do mundo: Government of Singapura Investment Corporation (também conhecido como GIC Private Limited, fundado em 1981) e Temasek Holdings (fundado em 1974).

Somados, esses fundos estão avaliados, na data de elaboração desse artigo, em 543 bilhões de dólares americanos, o equivalente a 1,722 trilhões de reais. Para fins de comparação: nessa mesma data a dívida total do governo de Singapura estava próxima de 300 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 55% do valor de mercado dos fundos soberanos), o PIB estava próximo de 277 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 50% do valor dos fundos soberanos) e todas as ações negociadas na Singapore Exchange avaliadas próximo de 640 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 118% do valor dos fundos soberanos). [9] [10] [11] [12] [13]

O Temasek Holdings foi criado através do Singapore Companies Act, para administrar os investimentos e ativos que já eram propriedade do governo de Singapura, feitos na primeira década de construção da nação a partir de 1965. Dentre esses ativos, já constavam desde o início o Development Bank of Singapore Ltd (atual DBS Group), Jurong Holdings, Jurong Shipbuilders, Jurong Shipyard (parte da Sembcorb Industries ltd todas as três) e Singapore Airlines, empresas que ainda hoje estão entre as maiores de Singapura. [13] [14]

No caso do GIC Private Limited, o fundo foi criado para administrar as reservas internacionais do país. Desde sua independência da Malásia, o país não desejava lastrear sua moeda somente em confiança e o GIC foi um importante passo para que o governo construísse um grande patrimônio em ativos localizados no exterior, que permitiriam um grande controle sobre a moeda local que permanece nos dias de hoje. [15]

Dentre as 10 maiores empresas de Singapura em valor de mercado nos dias atuais (que podem ser conferidas na lista da Forbes) 6 estão na carteira da Temasek (SingTel, DBS Group, CapitaLand, Singapore Airlines, ST Engineering e Keppel Corp), que também é a controladora das companhias (sozinha ou em conjunto com outros acionistas). O GIC, por outro lado, está presente em 2 (Oversea-Chinese Banking e United Overseas Banking), porém, como acionista minoritário (sem participar diretamente do controle). [16] [17] [18] [19]

4. O Estado controla a maior parte dos serviços essenciais, dando pouco espaço para a iniciativa privada


A presença massiva do Estado nas necessidades básicas da cidade em questão não se resume apenas ao setor habitacional e de terras, mas se expande por todos os serviços essenciais presentes na ilha.

O setor de telecomunicações, por exemplo, foi um monopólio da SingTel até o ano de 2000, cujo fim foi anunciado em 1997. Apesar da quebra de monopólio estatal, permaneceram restrições sobre o controle estrangeiro (como um limite mínimo de 51% de propriedade local nos novos participantes do setor) e, apesar da aparente diversificação, os dois competidores da Singtel (que permanece a maior empresa de telecomunicações do país) com presença relevante possuem o Estado como um dos principais acionistas. [20] [21]

A segunda maior empresa de telecomunicações é a Mobile One, que possui como segundo maior acionista a Keppel Telecom, que é uma subsidiária integral da Keppel Corp, a qual, por sua vez, é controlada pela Temasek. Além disso, o terceiro maior acionista (SPH Multimedia Private Ltd) possui entre seus controladores a própria SingTel. Ambas as empresas citadas estão entre os controladores da companhia. [22] [23] [24] [25]

No caso da terceira empresa de telecom singapuriana, a Starhub, o controle é exercido pela Asia Mobile Holdings. Esta é subsidiária da Singapore Technologies Telemedia, que também é uma empresa controlada pela Temasek. [26] [24] [27]

Desta forma, o governo mantém, via Temasek, sua influência em praticamente todo o setor de telecomunicações do país.

O setor de energia de Singapura é controlado por uma empresa 100% estatal chamada Singapore Power (seu único acionista é a Temasek). Ela é a única fornecedora, operadora e transportadora de gás natural do país (via PowerGas), única transmissora de energia elétrica (via SP PowerAssets), única distribuidora de energia e operadora do sistema (via SP PowerGrid), deixando para a iniciativa privada espaço apenas na área de geração de energia elétrica. [28] [29]

Contudo, mesmo na área de geração de energia elétrica, a presença do Estado é relevante (apesar de ter diminuído significativamente nos últimos anos). Por meio da SembCorb e Keppel Corp, o Estado de Singapura controlava no final de 2015 (últimos dados disponíveis na data de elaboração do artigo) 22,8% da geração de energia.

Essa pequena participação do Estado na geração se trata de um evento recente. A Tuas Power Generation e a Senoko Energy (que possuem somadas 41,1% do market share) foram vendidas pela Temasek em 2008, enquanto a PowerSeraya (17,9% do market share) foi vendida pela mesma em 2009. [30] [31] [32] [33]

No setor de transportes terrestres, os preços proibitivos e as dificuldades em se obter licença para uso de carros fazem com que o transporte público seja o principal meio de locomoção do país. Nesse setor, o LTA (Land Transport Authority, órgão governamental) é proprietária de todos os ativos (ônibus, rodovias, linhas de trem e trens), deixando para a iniciativa privada somente a possibilidade de operá-los. [34] [35] [36]

Apesar da possibilidade de transportes terrestres serem operados pela iniciativa privada, o Estado mantém amplo controle do setor. Existem apenas 2 operadores de trens, que são a SMRT TRAINS e a SBS Transit. A primeira se trata de uma empresa controlada pela Temasek, enquanto a segunda é controlada pela ComfortDelGro Corporation Limited, que por sua vez tem entre seus controladores a Singapore Labour Foundation (órgão sindical ligado ao governo). Dentre os operadores de ônibus, existem 4, com as 2 empresas operadoras de trem (SMRT e SBS) sendo as maiores do setor e as outras 2 (Tower Transit Singapore e Go-Ahead Singapore) sem ligação com o Estado. [37] [38] [39] [40]

5. Os serviços públicos de Singapura são majoritariamente estatais, universais e pagos de acordo com a renda de cada cidadão

O mundialmente aclamado sistema educacional de Singapura, que frequentemente aparece nas primeiras posições em exames como o PISA, também é praticamente todo controlado pelo Estado (atendendo mais de 70% dos estudantes nos níveis primário e secundário), sendo que 100% das escolas (mesmo privadas) recebem dinheiro do Estado e são obrigadas a seguir o mesmo currículo. [41] [42]

A possibilidade de colocar seus filhos no jardim de infância está disponível para toda a população de Singapura, com o custo variando de acordo com a capacidade de pagamento das famílias. O valor mensal varia entre S$ 1,50 (aproximadamente R$ 3,35) para a população mais carente e S$ 150 (aproximadamente R$ 334) para a população mais abastada. [43] [44]

Os ensinos primário e secundário em Singapura são praticamente gratuitos. Se aplicam taxas mensais na faixa de S$ 6,50 (aproximadamente R$ 14,47) para o ensino primário e S$ 15 (aproximadamente R$ 33,40) para o ensino secundário, que são isentas para os alunos carentes (elegíveis aos programas de subsídio). [45] [46] [47]

No nível superior de ensino, a situação não é muito diferente: Essa pequena cidade-estado possui 6 universidades públicas (National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore Management University, Singapore University of Technology and Design, Singapore Institute of Technology e SIM University), que dominam amplamente o ensino superior local. Os alunos pagam de acordo com sua renda, podendo ser integralmente isentos no caso de alunos carentes. [48]

O sistema de saúde de Singapura é público e universal, amplamente dominado pelos hospitais do Estado, principalmente após a crise asiática de 1997, sendo também construído de tal forma que as pessoas pagam de acordo com suas capacidades financeiras, chegando à gratuidade para as populações carentes. [49] [50]


 
6. Singapura possui um fundo de previdência obrigatório e diversos direitos trabalhistas

Diferente do que é defendido pelos (neo)liberais, os direitos trabalhistas em Singapura existem:

- A carga horária é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço.

- Deve haver um dia de descanso remunerado mínimo por semana.

- Existem 11 feriados nacionais pagos que, caso haja trabalho, deverão ser compensados pelo empregador.

- Os trabalhadores tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 dias em caso de hospitalização dependendo do tempo de vínculo empregatício.

- Também possuem direito a férias remuneradas, que variam entre 7 e 14 dias úteis dependendo de seu tempo de casa.

- Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública, chamada CPF.

- Contam com o direito a faltar 6 dias no ano para cuidar de suas crianças, porém não remunerados. Caso a criança tenha menos de 2 anos, goza-se de outros 6 dias adicionais remunerados.

- As mulheres tem direito a até 16 semanas de licença-maternidade e 2 semanas de licença paternidade.

Entre outros direitos trabalhistas. [51] [52] [53] [54] [55] [56]

7. Os impostos de Singapura são baixos, porém progressivos


Singapura é um país conhecido por cobrar impostos relativamente baixos e isso não se trata de um mito: Efetivamente os impostos cobrados em relação ao PIB estão abaixo da média da OCDE. Em 2016, o governo calculou a carga tributária em 16,7% do PIB, sendo que a média da OCDE de 2015 foi 34,3% do PIB e o Brasil esteve próximo dessa média. [57] [58] [59]

Obviamente, isso tem impacto nas políticas de bem-estar social da ilha e, apesar do Estado oferecer muito para a população em comparação a países subdesenvolvidos (como pode ser visto nos itens anteriores), são benefícios menores do que os oferecidos pelo governo da Noruega, por exemplo. [60]

Apesar disso, pode-se dizer que a cidade-estado passa longe de seguir o ideário liberal nesse quesito. Conforme o próprio governo, 3 objetivos são levados em consideração para definir os gastos: Promover o crescimento econômico com baixa inflação, manter o orçamento equilibrado e focar os investimentos governamentais em prover serviços públicos essenciais (educação, saúde, infraestrutura, habitação e programas de proteção ao meio ambiente), ou seja, tudo aquilo que foi listado nos itens 2, 3, 4 e 5 desse artigo, acrescido de programas de proteção ao meio ambiente. [61]

Outros sinais que mostram afastamento do método liberal de cobrar impostos estão na origem da receita. O item que mais contribui para a arrecadação são as taxas sobre lucro das empresas, seguido pelos impostos sobre consumo, renda de pessoas físicas, veículos (que são um tipo de propriedade) e propriedades. Pode-se dizer que mais da metade da receita de impostos provém de renda e propriedade, que são os mais difíceis de ser repassados para os consumidores e cujos cortes são mais defendidos pelos novos liberais (os liberais clássicos possuem uma visão mais crítica em relação à propriedade). [62]

É notório e bem sabido que os impostos sobre consumo pesam mais sobre os pobres, pela facilidade de se repassar no preço dos produtos vendidos e também por eles gastarem praticamente todo o salário, o que torna a tributação brasileira regressiva (no Brasil a maior parte dos impostos é sobre o consumo), de forma inversa à tributação singapuriana. [63] [64]

Também surpreende os brasileiros que, diferente do nosso país, Singapura não isenta o lucro dos ganhos de capital de investimentos estrangeiros em bolsa nem a distribuição de dividendos por empresas de capital aberto. [65] [66]

8. Os Singapurianos tem sua liberdade individual extremamente restrita pelo governo


A ilha tem diversas leis que restringem a liberdade individual, ao ponto de o país ser alvo sistemático de listas de “leis inacreditáveis”, justamente pelo fato do governo tentar controlar detalhes ínfimos da vida de seus habitantes por meio de leis específicas.

Entre essas leis (todas com punição prevista no código penal local), podemos citar as proibições de vender e mascar chicletes, incomodar alguém com instrumentos musicais em local público, soltar pipa ou jogar qualquer jogo que atrapalhe o trânsito, cantar músicas com letras obscenas em público, cuspir, distribuir material obsceno (inclui fotos, DVDs e revistas com pornografia), conectar no wi-fi de outra pessoa, esquecer de dar descarga no vaso, andar nu dentro de casa (em público também é ilegal, mas isso já é comum em outros países), alimentar pombos, usar drogas antes de entrar no país (se fizerem teste antidrogas logo na sua entrada você pode ser preso mesmo não tendo feito nada em terras singapurianas), ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo, atravessar a rua fora da faixa, beber álcool em locais públicos entre 22:30 e 7:00... [67] [68] [69]

9. Existem acusações bem fundamentadas de que Singapura possui um regime de partido único e não uma democracia


Apesar de existirem diversos partidos registrados em Singapura, sua política é totalmente controlada pelo People’s Action Party (PAP), que possui o primeiro-ministro desde que a cidade deixou de ser um protetorado britânico em 1959. Isso inclui o período em que o país esteve unido com a Malásia e todo o período pós-independência até a data de elaboração do artigo (1965-2017).

Analistas e partidários da oposição acusam frequentemente o país de funcionar com um regime de partido único disfarçado, acusação similar à que ocorre com o governo da Coréia do Norte (que também possui diversos partidos, mas inexiste alternância de poder), o que parece ser corroborado pela realidade (é no mínimo estranho um único partido permanecer no poder por quase 60 anos ininterruptos).

Lee Kwan Yew foi o governante do país e o comandou com mão-de-ferro de 1959 até 1990, sendo substituído por seus correligionários Goh Chok Tong até 2004 e desde então pelo atual primeiro-ministro Lee Hsien Loong (que é inclusive um dos filhos do ex-primeiro ministro Lee Kwan Yew).

O PAP foi um partido leninista em sua origem, porém é extremamente árduo de ser definido ideologicamente com precisão. Apesar do partido ter se declarado socialista democrático historicamente, esse artigo não tem nenhuma pretensão de posicioná-lo no espectro ideológico. O que não muda o fato de um importante ministro do PAP ter declarado em homenagem a Lee Kwan Yew na ocasião de sua morte que “Este país não deve jamais esquecer seu coração socialista, que sempre fará mais por aqueles que tem menos”. [70] [71] [72] [73] [74] [75] [76] [77]

10. Há sérias dúvidas quanto à existência de liberdade de imprensa no país


As acusações de violações à liberdade de imprensa nessa cidade-estado são diversas. No ranking do índice mundial de liberdade de imprensa feito no ano de 2016 pela organização independente Repórteres sem Fronteiras, Singapura aparece na posição 154 (de 180 países avaliados), atrás de nações acusadas sistematicamente no ocidente por violações à liberdade de imprensa como Coréia do Norte (152ª posição), Rússia (148ª posição) e Venezuela (139ª posição). [78]

Ao descrever a situação da imprensa no país, o Repórteres sem Fronteiras cita a possibilidade do Media Development Authority (MDA) censurar conteúdo jornalístico, incluindo conteúdo online, respaldado pelo Media Development Authority Act, Films Act e Broadcasting Act. No ano de 2015, o governo chegou ao ponto de ordenar o fechamento do site de notícias The Real Singapore (TRS) por conteúdo “excessivamente crítico” e acusar 2 de seus participantes pelo crime de sedição (insubordinação contra o Estado), razão pela qual foram condenados à prisão. [79] [80]

Considerações Finais


Nessa altura, já deve estar claro que:

- A liberdade individual é coibida com uma legislação extremamente rígida, bem diferente dos países ocidentais.

- O Estado de Singapura é muito grande e interfere nos negócios não apenas através de regulação, mas sendo controlador de uma grande quantidade de empresas (incluindo 6 das 10 maiores do país) em áreas estratégicas.

- O governo de Cingapura não é exatamente um modelo de austeridade, possuindo uma dívida maior do que o PIB ao mesmo tempo que oferece amplos serviços para a população.

- Os serviços públicos, assim como os essenciais, são controlados pelo Estado e muito mais bem estruturados que nos países subdesenvolvidos (como o Brasil).

- O mercado imobiliário e de terras é um dos mais concentrados na mão do Estado em todo o planeta.

- O regime tributário é progressivo (não há espaço para a ideia de que se deve taxar menos os ricos do que os pobres, por eles serem geradores de riqueza).

- Singapura não foi construída com base liberal e permanece muito distante de ser modelo de (neo)liberalismo.

- Há evidências de que existe um sistema de partido único disfarçado em Singapura, tendo o único partido de facto (PAP) origem leninista, associado com acusações de perseguição à imprensa.

Duas perguntas ficam em aberto, por não ser parte do escopo do artigo responde-las:

- Dado que Singapura mostra de forma inequívoca que os índices de liberdade econômica visivelmente não medem Estado mínimo nem adoção de medidas (neo)liberais, o que eles medem?

- Por que militantes de direita utilizam esses índices como justificativa de adoção de suas políticas, sendo que nem os primeiros colocados as adotam?

Por fim, é necessário  lembrar que Singapura sequer é um país, mas sim uma cidade-Estado, localizada em uma região estratégica do globo, com uma população em torno de 5 milhões de habitantes. Singapura, como Hong Kong e Taiwan, é uma zona portuária importante do sudeste asiático desde o século XIX, por conta de suas características territoriais que a torna um interposto comercial e por meio das políticas desenvolvimentistas do seu Estado, que a transformaram em uma plataforma de exportação.

Por essas razões, a realidade de Singapura não tem como ser reproduzida nos demais países, ainda mais naqueles que possuem uma grande população, como é o caso do Brasil, que necessita de uma economia diversificada e não tem como sustentar uma população de quase 200 milhões de habitantes apenas com a atividade portuária-financeira.

Singapura não é liberal e tampouco usou do liberalismo econômico em nenhuma de suas etapas de desenvolvimento. Pelo contrário, o Estado cumpriu sempre o papel de organizador da economia e isso se mantem até hoje. Mesmo se tivesse se desenvolvido com liberalismo econômico, porém, o seu exemplo de nada serviria para os demais países por sua realidade bem particular, impossível de ser replicada em países com grande população ou com um território maior, não insular e fora de uma localização privilegiada semelhante, ou seja, Singapura sequer serviria de exemplo se tivesse de fato seguido a agenda dos liberais.

Referências



https://voyager1.net/economia/10-fatos-sobre-singapura-que-invalidam-os-indices-de-liberdade-economica/



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:14:24
Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:15:43


Este link foi uma ótima indicação do Daniel Ex Vermelho.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 23 de Agosto de 2017, 18:58:44
Me mostre: onde nos rankings de liberdade econômica eles dizem estar medindo Estado mínimo?


Há sérios riscos desse texto ser um baita espantalho.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Agosto de 2017, 07:42:19
Me mostre: onde nos rankings de liberdade econômica eles dizem estar medindo Estado mínimo?

Há sérios riscos desse texto ser um baita espantalho.


A questão notável aqui é a imagem e a propaganda da ideia  ideia de liberdade econômica que o índice tenta passar, e comparando a realidade de Singapura com a propaganda fica parecendo haver uma grande distância. 

Em certos pontos, que considero importantes, o Brasil tem mais liberdade econômica, e o Estado brasileiro interfere menos. 

E é interessante notar que precisou de um esquerdista para mostrar a realidade de Singapura, que vários  propagandistas brasileiros do índice do Heritage não tiveram a coragem de mostrar.

Isto é praticar a ocultação de informação relevante, esquerdistas/socialistas certamente fazem isso, mas pelo visto direitistas/capitalistas também fazem.

Propagandistas liberais e/ou libertários podem ser tão falsificadores e manipuladores de informações quanto socialistas, eles não são uma categoria livre de enganadores/falsificadores.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 24 de Agosto de 2017, 12:52:28
Você deu a entender que o ranking de liberdade econômica seria apenas para medir estado mínimo.

Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?



Mas sim, alta liberdade econômica não necessita de um Estado mínimo, ao menos não do conceito anglo-americano de estado mínimo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gaúcho em 24 de Agosto de 2017, 13:20:58
Singapura tem um dos menores impostos do mundo e não tem imposto sobre lucro e heranças. É isso que mais pesa pra colocação dele no ranking de liberdade econômica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:11:00
A FARSA DOS ÍNDICES DE LIBERDADE ECONÔMICA: SUA REAL FUNÇÃO É IDEOLÓGICA

Diante de uma análise criteriosa, os rankings de "liberdade econômica", comumente utilizada pela direita (neo)liberal, demonstram diversas incoerências que comprometem sua credibilidade.

ECONOMIA

Por Leandro  Em 15 de mar de 2017


Muito provavelmente você já ouviu falar sobre os índices de liberdade econômica, que são corriqueiramente utilizados para relacionar o nível de desenvolvimento de um país à sua “liberdade econômica”. Mas será que é possível fazer esse tipo de associação? O que esses índices medem? Que conclusão podemos tirar a partir deles?


Com este artigo, utilizando como base o índice de liberdade econômica do think tank Heritage Foundation (Index of Economic Freedom 2016 – último com metodologia disponível na data de início da elaboração desse texto), iremos entender melhor como os índices são calculados e verificar se as vertentes específicas do liberalismo econômico que os utilizam como argumento para a aplicação de suas políticas estão interpretando corretamente seus dados e os utilizando de forma adequada.


Nesse texto, denominaremos essas vertentes específicas do liberalismo de neoliberais, mesmo sabendo que passaram a rejeitar o termo [1], para diferenciá-los dos liberais clássicos e outras escolas econômicas derivadas do liberalismo clássico que não compartilham das mesmas ideias.


Anteriormente, a Voyager mostrou que a melhora nesse tipo de índice não tem correlação com desenvolvimento ou crescimento econômico [2], assim como demonstrou que nas primeiras posições se encontram países que não seguiram a ideologia (neo)liberal [3a]. No final deste artigo, ficará mais claro o porquê dessas inconsistências nesse tipo de ranking.

 
1. Os critérios considerados no índice e seus respectivos pesos


Margareth Thatcher, ex primeira-ministra britânica, com Ed Feulner, presidente da Heritage Fountation, em 2003. Foto: Heritage Foundation.


O Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) calculado pela Heritage Foundation é baseado em 10 critérios, os quais recebem uma nota de 0 a 100. Com o resultado de cada critério, é feita uma média aritmética, ou seja, são somadas as notas de todos os itens e o valor da soma é dividido por 10 (número de itens somados). A seguir, está a lista dos 10 critérios com breve descrição de como é efetuado o cálculo [4a]:


1 – Direito de propriedade (Property Rights)


Direito de propriedade é medido pelo nível de proteção legal que a propriedade privada possui. Uma nota 100 é definida como “A propriedade privada é garantida pelo governo, o poder judiciário garante o cumprimento dos contratos de forma rápida e eficiente, a justiça pune aqueles que confiscam propriedade privada ilegalmente, não há corrupção ou expropriação”.



2 – Ausência de corrupção (Freedom from Corruption)


Este item utiliza o ranking da transparência internacional de percepção da corrupção (corruption perception index), cujo objetivo é medir a percepção de corrupção fazendo uma média do resultado de 13 fontes diferentes, considerando apenas países que aparecem em, no mínimo 3 delas. Cada uma dessas fontes faz perguntas diferentes para os entrevistados e capta essa percepção de corrupção em grupos diferentes, havendo uma ponderação para que as fontes possuam o mesmo peso, sendo admitido pela própria transparência internacional a dificuldade de efetivamente medir a corrupção. [5] [6]


3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)


Medida fazendo a média aritimética de 3 Valores. Esses valores são obtidos subtraindo de 100 o valor em porcentagem (convertido em um número de 0 a 100) elevado ao quadrado da carga tributária, maior taxa incidente sobre renda pessoa física e maior taxa incidente sobre renda de pessoa jurídica, cada um deles multiplicado por 0,03 antes da subtração.


4 – Gasto Governamental (Government Spending)


Calculado subtraindo de 100 o valor percentual de gasto em relação ao PIB elevado ao quadrado multiplicado por um fator 0,03. Desta forma, um país com gasto público igual a zero tem um resultado igual a 100, enquanto um país com gasto público igual a 58% do PIB (ou maior) tem resultado igual a zero. É considerado o gasto das esferas federal, estadual e municipal (quando os dados estão presentes. Para alguns países é considerado apenas o governo federal).


5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)


O nome daria a entender algo relacionado à liberdade dos empresários de atuar nas áreas de seu interesse, mas não é disto que se trata. A liberdade empresarial neste item é medida considerando 13 subitens, com os quais é feita uma média ponderada: 4 itens relacionados ao início de um negócio (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capta, capital mínimo em porcentagem da renda per capita), 3 à obtenção de licenças (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capita), 3 ao encerramento de um negócio (tempo em anos, custo em porcentagem do valor da propriedade, taxa de recuperação em centavos/dólar) e 3 à obtenção de eletricidade (número de procedimentos, tempo em dias e custo em porcentagem da renda per capita). Cada item é ponderado para que todos impactem igualmente na nota final.


6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)


É medida fazendo uma média ponderada de 7 itens (a ponderação é feita para que todos os itens representem a mesma fração do resultado final): Razão entre salário mínimo e valor médio agregado por trabalhador, entraves para contratações de novos trabalhadores, rigidez de horário, dificuldade de demitir trabalhadores redundantes, período legal de aviso prévio, pagamento obrigatório por demissão e taxa de ocupação da força de trabalho. Essa média ponderada é convertida em uma escala de 0 a 100.


7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)


No caso não diz respeito à liberdade do câmbio, o que seria indiscutivelmente uma pauta defendido por neoliberais, mas sim à inflação. Basicamente se reduz do valor de 100 uma média ponderada dos últimos 3 anos (sendo mais exato, se faz uma raiz quadrada dessa média ponderada), acrescido de uma penalização de 0 a 20 devido à existência de controle estatal de preços.


8 – Liberdade Comercial (Trade Freedom)


É calculada a partir do valor da tarifa média de importação/exportação normalizada a partir das tarifas médias de todos os países em questão. Acrescido a isso, é definida uma penalização de 0 a 20 para barreiras não-tarifárias.


9 – Liberdade de Investimento (Investment Freedom)


Partindo de um valor de 100, há penalizações de até 25 pontos para diferença de tratamento entre investimentos nacionais e estrangeiros, até 20 pontos para falta de transparência e burocracia para investimentos estrangeiros, 15 pontos para restrição de compra de terrenos, 20 pontos para restrição de investimentos internacionais em determinados setores, 25 pontos para expropriação de investimentos sem compensação justa, 20 pontos para restrições no comércio de moedas estrangeiras e 25 pontos para o controle de remessas de lucros para o exterior.


10 – Liberdade Financeira (Financial Freedom)


O item “liberdade financeira” objetiva medir a presença do Estado no setor bancário. A nota 100 é atribuída quando não existem bancos estatais, o governo não interfere na alocação de crédito por parte dos bancos, não há restrição para a oferta de serviços bancários por estrangeiros, o governo não possui ações dos bancos privados existentes e não há restrição para o estabelecimento de novos bancos.


Maiores detalhes podem ser encontrados no documento da própria Heritage Foundation. [4b]



2. Critérios que não estão relacionados com adoção de liberalismo econômico


O ex-presidente dos EUA Ronald Reagan com o casal Ed e Linda Feulner. Foto: Heritage Foundation.


Antes de se atribuir uma nota elevada em algum item ao liberalismo econômico, é prudente questionar se um país necessariamente precisa adotar políticas (neo)liberais para consegui-lo e quem se oporia a tais itens. Como vivemos em um sistema capitalista e poucos são os partidos que efetivamente defendem a abolição do Estado (como os ultraliberais – também chamados proprietaristas ou “anarcocapitalistas” – anarquistas ou comunistas) ou a estatização dos meios de produção (marxistas-leninistas), serão consideradas como oposição ao neoliberalismo as opções que a democracia representativa coloca para os eleitores com chances reais de vitória: social-democratas, trabalhistas, keynesianos, conservadores antiliberais, dentre outros que se opõem à lógica (neo)liberal sem a destruição do sistema econômico vigente no planeta praticamente inteiro (capitalista com Estado).


1 – Direito de Propriedade (Property Rights)


Para que o Governo garanta a propriedade privada, a avaliação e a validade dos contratos de forma rápida e eficiente e uma justiça que puna quem confisca a propriedade alheia, será necessário um sistema judiciário/policial grande e capacitado, leis claras e eficientes feitas pelo legislativo. Exceto nos casos das pessoas que defendem o fim do Estado ou a estatização dos meios de produção, pode-se dizer que essa definição de direito de propriedade é um consenso. Ora, se algo é considerado um consenso por todas as alternativas políticas, então não pode jamais ser utilizado para defender uma delas em detrimento de outras. Isso se torna mais grave ainda quando o índice é usado pelos neoliberais extremistas (os “anarcocapitalistas”), dado que no sistema por eles defendidos o Estado sequer existe para exercer a proteção legal medida por esse item.

2 – Ausência de Corrupção (Freedom from Corruption)


Não existe nenhuma vertente política que defenda a corrupção como algo benéfico. Existem diferenças na melhor forma de se combater a corrupção, mas o índice não avalia quais são os métodos adotados para combatê-la e sim a percepção de corrupção de determinada parte população (vale ressaltar que a população ainda pode ter uma percepção errada da corrupção, principalmente em casos no qual a imprensa é controlada de perto pelo governo, como em Singapura [3b]). Como o item não avalia a existência de métodos (neo)liberais de combate à corrupção, não é útil para indicar a adoção ou não de suas medidas.


5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)


Este item conseguiu reunir sob um nome que remete ao liberalismo econômico uma coletânea de 13 subitens que nenhuma corrente política é contra e em muitos casos são resolvidos com medidas antiliberais. Pode-se por exemplo reduzir o tempo para apreciação de licenças, abertura e encerramento de negócios tendo mais de 30% de sua população empregada no setor público, como no caso da Noruega e Dinamarca [7]. É possível agilizar a instalação de energia elétrica e reduzir seu custo concentrando todo o setor nas mãos do Estado, como no caso da Noruega e Singapura [3c] [8]. O tempo para se fechar uma empresa e o custo de fechamento estão muito relacionados a pendências judiciais, que dependem basicamente de um ponto pacífico (o primeiro item, Direito de propriedade).


Os itens em que se coloca renda per capita para dividir o valor por outro lado são um mero medidor de riqueza dos países, pois privilegiam os países mais ricos em detrimento dos mais pobres. Em suma, o item não avalia quais estratégias são usadas para se obter um resultado que é ponto pacífico, e sim considera aqueles que possuem melhores resultados, independente da estratégia adotada pelo país ser liberal ou antiliberal, além de usar fatores que beneficiam países ricos em detrimento de pobres diretamente, o que o torna inútil para defender um ou outro tipo de política.


7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)


De fato, neoliberais dão uma importância acima da média ao controle da inflação, mesmo quando comparados com liberais clássicos, em especial aqueles cujos estudos derivaram do trabalho de Milton Friedman. Porém, vale ressaltar que economistas de todas as vertentes existentes defendem alguma forma de combate à inflação, existindo inúmeras formas de combate-la. Os brasileiros sabem bem disso, dado que passamos pelos planos Cruzado, Cruzado Novo, Bresser, Verão, Collor I, Collor II e Real antes de conseguirmos certa estabilidade em nossa moeda (sendo que o próprio plano real possui duas fases bem distintas, onde a primeira tinha entre seus principais alicerces uma âncora cambial e a segunda adotou câmbio flutuante). Em suma, o que efetivamente pode diferir em escolas econômicas diversas é o método adotado para se combater a inflação e, para evitar um longo texto acerca de cada um dos métodos existentes de combate à inflação, basta dizer que um país com inflação zero e preço totalmente controlado pelo Estado teria, neste item, uma nota de 80 (100 devido à inflação zero e uma penalização de 20 devido ao controle de preços), o que o colocaria na metade mais “livre” do mundo nesse quesito, com uma diferença de 1,8 para o líder geral do ranking (Hong Kong) e de apenas 10 para o país com maior valor no item (Dominica), sendo que é de certa forma óbvio que caso o objetivo fosse medir a adoção do neoliberalismo a nota deveria ser zero.



3. Critérios que efetivamente estão relacionados com o liberalismo econômico



Ed Feulner, presidente da Heritage Foundation, e o ex-presidente dos EUA George Bush em uma palestra na própria fundação em 11 de novembro de 2003. Na ocasião, Bush anunciou ações militares no Afeganistão e no Iraque sob aplausos dos integrantes do think tank. Foto: Alex
Wong/Getty Images.


3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)


A definição de liberdade fiscal parece adequada aos preceitos neoliberais. De fato, eles defendem sistematicamente a redução de carga tributária em geral e principalmente dos impostos que incidem com maior intensidade sobre os mais ricos, caso dos impostos sobre renda (tanto corporativa quanto pessoa física) e propriedade. A justificativa é de que os ricos seriam responsáveis por gerar riqueza e seu enriquecimento resultaria em um benefício para a população em geral. Apesar de à primeira vista o indicador parecer razoável, da forma que é construído países com impostos baixos de forma geral não apresentam grande diferença no resultado independente do modelo de taxação adotado. Outras escolas econômicas não possuem meta de impostos (muito pelo contrário, todos sabem que os impostos não podem ser elevados indefinidamente), frisando mais a questão de como eles são distribuídos do que no valor da carga tributária em si. Um caso emblemático é o de Singapura, que possui carga tributária baixa mas segue um regime de tributação oposto ao defendido pelos neoliberais [3d], algo que é camuflado pela forma que o indicador foi construído. Isso poderia ser amenizado se não elevassem os valores ao quadrado, pois fazendo-o, as alterações em valores pequenos acabam tendo resultado irrisório, enquanto alterações em valores maiores tem impacto muito grande (Por exemplo: Um país com taxa 0% em todos os quesitos teria nota 100. Com taxa de 15% para todos os itens receberia uma nota igual a 93,3, mas se aumentasse em mais 15% todas as taxas – chegando a 30% – teria um resultado igual a 73,0, aumentando mais 15% – chegando a 45% – o resultado seria 39,3).


4 – Gasto Governamental (Government Spending)


De fato, a fixação com a redução do gasto público por parte dos neoliberais é peculiar, não encontrando paralelo em seus adversários. A visível falha do indicador é que se considera (na maioria dos casos) os gastos nas esfera federal, municipal e estadual dos países, mas não das empresas estatais. Em alguns casos, inclusive se considera apenas o governo central (esfera federal) por falta de dados. Isso distorce o resultado para cima, aumentando as notas dos países nesse item, principalmente nos casos em que Estado é muito atuante através de suas empresas (como Singapura [3e]) ou quando os dados são escassos.


6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)


É pública e notória a repulsa dos neoliberais em relação à existência de leis trabalhistas. Há porém de se ressaltar a falta de direitos trabalhistas vistos como prioritários pelos seus adversários (não há menção por exemplo ao seguro-desemprego, previdência pública obrigatória ou um sistema de seguridade social), a utilização de itens que vão contra os preceitos neoliberais (a visão de que o Estado deve garantir o pleno emprego e combater diretamente uma baixa taxa de ocupação é tipicamente keynesiana, enquanto os neoliberais consideram que um certo nível de desemprego é saudável para a economia – tendo o desalento uma relação clara com o desemprego prolongado – além de ser um indicador que privilegia países ricos e estáveis que costumam a ter taxa de desemprego menor. Ao dividir o salário mínimo por um indicador relacionado à produtividade, se privilegia os países ricos que não por acaso são mais produtivos ao mesmo tempo que se transmite uma ideia de que trabalhadores pouco qualificados, facilmente substituíveis e com pouco prestígio com o resto da população – aqueles que de fato recebem salário mínimo – devem ser beneficiados por um ganho de produtividade geral, algo que também é defendido somente pelos opositores do neoliberalismo). Outro ponto que não poderia ficar de fora são os sindicatos, tão criticados pelos neoliberais. Muitos dos países mais desenvolvidos estão entre os mais sindicalizados e com os trabalhadores mais cobertos por acordos coletivos, sendo um alto nível de sindicalização inclusive considerado por alguns um substituto razoável para o salário mínimo e outros direitos trabalhistas [9] [10] [11].


8 – Liberdade Comercial (Trade Freedom)


Apesar dos eleitores típicos do neoliberalismo e alguns de seus porta-vozes na mídia estarem traindo a defesa do livre-comércio apoiando o protecionista Trump, o Brexit e incentivando o desmonte de acordos de livre-comércio como a União Européia, NAFTA e Tratado Trans-Pacífico, seus autores efetivamente são opositores das barreiras alfandegárias, algo que não é acompanhado por seus adversários na democracia representativa. Apesar de não existir corrente política contrária à existência do comércio, de fato os neoliberais encabeçam a defesa de que a redução de barreiras para importação/exportação é uma medida intrinsecamente boa.


9 – Liberdade de Investimento (Investment Freedom)


Efetivamente, os neoliberais são os grandes advogados do livre fluxo de capitais e investimentos.


10 – Liberdade Financeira (Financial Freedom)


A ausência do governo no setor bancário é de fato uma bandeira que distingue os neoliberais.

 
4. Critérios que não poderiam faltar em um ranking de liberalismo econômico (de acordo com o que pregam os neoliberais), mas não existem no índice


O presidente da Heritage Foundation Ed Feulner com o vice-presidente dos EUA Dick Cheney em 2006. Foto: Charles Geer.
Além da existência de itens que não representam adequadamente o receituário neoliberal e distorções evidentes nos itens relacionados às políticas defendidas por militantes que usam índices de liberdade econômica, é gritante a ausência de temas centrais defendidos por seus autores, eleitores e governos.


Não existe no ranking nenhum item que trate da participação do Estado na economia em relação ao PIB, ou alguma proporção entre a participação das empresas privadas e estatais/economia mista na economia local, o que distorce totalmente o resultado de países em que a atuação do Estado se dá por meio de suas companhias (os casos mais gritantes são Singapura [3f] e os países exploradores de petróleo do Oriente Médio, cuja a atividade econômica assim como a receita do governo são extremamente dependentes das estatais petrolíferas).


Uma importante atividade econômica de empresas estatais é a principal razão dos baixos impostos encontrados em diversos países, como Singapura, Arábia Saudita, Qatar e Kuwait. Sendo, portanto, a presença de um item tratando dessa questão necessária para corrigir falhas do item “Liberdade Fiscal”.


Não há, também, nenhum item que trate da questão dos serviços públicos. A privatização dos serviços públicos (saúde, educação, segurança, dentre outros) é uma das principais bandeiras do neoliberalismo, sendo a defesa da maior eficiência da iniciativa privada exaltada sistematicamente por aqueles alinhados com seus dogmas. Com a extensa campanha que fazem contra a eficiência estatal em prestar serviços públicos, torna-se totalmente incoerente o uso de um índice que nada diz a respeito de uma das principais bandeiras neoliberais para justificar a adoção de suas políticas. Diversos países bem localizados no índice de liberdade econômica (como Austrália, Nova Zelândia e Singapura) se destacam pela forte presença estatal nos serviços públicos.


Outro ponto que não poderia faltar é a respeito da liberdade cambial. É comum entre economistas neoliberais a defesa do fim dos Bancos Centrais ou sua “independência” em relação ao governo e o combate à manipulação cambial, que consideram prejudicial mesmo no caso em que as moedas são desvalorizadas para aumentar a competitividade no comércio global. O subitem presente na “liberdade de investimentos” não representa essa discussão, apesar de ter relação com o assunto.


Os 3 itens citados anteriormente não poderiam faltar em um índice que é usado para legitimar a aplicação de políticas neoliberais, pois é notório e bem sabido que os principais opositores dessas políticas na esfera econômica são os que seguem uma linha derivada do keynesianismo, onde comumente se defende um papel relevante do Estado nestes itens (serviços públicos, setores estratégicos e política cambial controlada pelo Estado condizente com uma estratégia de desenvolvimento do país).


Não há como utilizar na discussão econômica um índice que sequer avalia os principais pontos de discordância entre aqueles que usam o índice para defender liberalismo econômico e os críticos deste modelo.



5. Ranking considerando apenas os itens relacionados ao liberalismo econômico


Desconsiderando as falhas apresentadas nas seções 3 e 4 deste artigo e sabendo que isso causa fortes distorções em países extremamente dependentes de empresas estatais como Singapura e as potências petrolíferas, assim como nos países em que o Estado está fortemente presente nos serviços públicos (caso de Nova Zelândia, Austrália, Canadá e novamente Singapura), faremos um exercício que se trata de se repetir o mesmo índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, considerando apenas os 6 itens apresentados no terceiro tópico – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom), Gasto Governamental (Government Spending), Liberdade Trabalhista (Labor Freedom), Liberdade Comercial (Trade Freedom), Liberdade de Investimento (Investment Freedom) e Liberdade Financeira (Financial Freedom) – para avaliar qual seria o resultado de tal ranking.


Conferir tabela do ranking considerando apenas liberdade econômica
https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1


Não é surpreendente notar que o resultado é muito mais próximo da realidade daquilo que o ideário neoliberal defende do que o ranking original: Diversos países com longa tradição social-democrata (como França, Noruega, Suécia, Dinamarca, Bélgica) passam a figurar na metade “menos livre” do mundo, estando a França em uma das últimas posições (156º lugar de 178 países).


Também nota-se uma forte evolução em “liberdade econômica” de países ex-socialistas que passaram por grandes reformas liberais desde a década de 90, como Geórgia, Armênia, Azerbaijão e Albânia, mas permanecem pobres.


Outro fato evidente é a forte subida de paraísos fiscais pobres, como o Panamá e o Paraguai, que visivelmente estão bem próximos do receituário neoliberal mas eram penalizados pelo simples fato de estarem em condição de pobreza.



6. Ranking considerando apenas os itens não relacionados ao liberalismo econômico


Como exercício complementar, faremos outro ranking, apenas com os itens expurgados por serem defendidos também pelos opositores do neoliberalismo apresentados no segundo tópico.

Conferir tabela do ranking considerando apenas os ítens não relacionados com liberalismo
https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1

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O resultado é bastante interessante e inclusive esperado: Os países europeus com longa tradição social-democrata estão entre os melhores posicionados no índice que considera somente os pontos que são pacíficos como algo necessário para o desenvolvimento de uma economia em um sistema capitalista.


Considerações finais


O presidente da Heritage Foundation Ed Feulner, o ex presidente dos EUA Ronald Reagan e o casal Rose e Milton Friedman em 1986. Foto: Charles Geer / Heritage Foundation.
Os rankings apresentados nos quinto e sexto tópicos por si só mostram como os índices de “liberdade econômica” seriam impactados de forma bastante intensa se fossem fidedignos aos princípios defendidos pelos neoliberais, o que implica na impossibilidade de seu uso para defender suas políticas.


A expectativa é que um “índice de liberdade econômica” verdadeiramente alinhado com seu receituário resulte em um ranking no qual os líderes seriam os paraísos fiscais. Mesmo entre os paraísos fiscais, porém, é provável que os mais desenvolvidos sejam classificados como “menos livres”, justamente pela forte presença do Estado nos serviços públicos e infraestrutura (caso da Suíça). Outro resultado bastante provável, é que países com longa tradição social-democrata como Noruega, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Islândia, Bélgica, Alemanha, entre outros, sigam a trajetória de queda vertiginosa no índice identificada no quinto tópico, fazendo companhia à França nas últimas posições.


Enquanto o debate econômico não passa pelo uso de índices que realmente representam aquilo que se deseja defender, pouco pode-se fazer além de conjecturas. Não é objetivo deste artigo elaborar um novo índice que reflita o ideário neoliberal, somente explicar por que os “índices de liberdade econômica” apresentam resultados incoerentes, classificando nas primeiras posições países que adotaram receituário diametralmente oposto àqueles que o utilizam como argumento, além de um aumento no índice não possuir qualquer correlação com desenvolvimento econômico.


Desta forma, uma célebre frase do ex-presidente Itamar Franco resume bem o uso de “índices de liberdade econômica” para legitimar a aplicação de políticas neoliberais: “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”.


Referências

[1] The Guardian – Neoliberalism: the ideology at the root of all our problems (versão traduzida pela Voyager aqui)
[2] Left Business Observer – Laissez-faire Olympics (versão traduzida pela Voyager aqui)
[3 (a/b/c/d/e/f)] Voyager – 10 fatos sobre Singapura que invalidam os índices de liberdade econômica
[4(a/b)] Heritage Foundantion – Methodology
[5] Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2014: IN DETAIL
[6] Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2016
[7] OECD – Employment in Public Sector
[8] Voyager – O Livre Mercado é a chave para a prosperidade? A Noruega prova que não.
[9] Law of Work – Most Highly Unionized Countries Top ‘Happiest Countries” List, Again. Why?
[10] Parlamento Europeu – Legislação do mercado de trabalho
[11] BBC – Na Dinamarca, Lula confere modelo trabalhista flexível
• Heritage Foundation – Index of Economic Freedom 2017


https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:17:05


Eu sou a favor de maior liberdade econômica, mas  sou completamente contrário a tentativas de FALSIFICAÇÃO da realidade usando índices  espúrios.  E é isso que esse índice do Heritage é: um índice espúrio, uma fraude que tenta ligar riqueza e desenvolvimento com uma suposta ampla aplicação de ideias liberais de liberdade econômica.







Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:23:57


Pelo visto mentirosos e falsificadores existem tanto no lado dos socialistas como no lado dos capitalistas.  No  final das contas parece que o que vale mesmo são as táticas  para  conseguir  ter  o máximo de poder  nas próprias mãos.  Mentiras e fraudes são apenas algumas das armas utilizadas por ambos os lados.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:32:24
Você deu a entender que o ranking de liberdade econômica seria apenas para medir estado mínimo.

Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?



Mas sim, alta liberdade econômica não necessita de um Estado mínimo, ao menos não do conceito anglo-americano de estado mínimo.



O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.



 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 15:45:11
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice. E liberdade econômica depende de vários fatores, não só o tamanho do estado. Senão a Somália seria líder do ranking... A eficiência do estado vale muito, principalmente em relação a leis e a garantia das mesmas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 17:38:27
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.

Todavia, os críticos cometem os mesmos erros que alegam denunciar. O caso de Singapura é exemplar, pois o pessoal da Voyager quer fazer parecer que tal cidade-estado muito longe do topo da liberdade econômica entre os países do mundo só porque ela está a anos-luz de ser um paraíso minarquista. Por mais que Singapura tenha muito intervencionismo, em muitos aspectos, a maioria das outras nações podem estar em situação pior. Apesar de tudo, o setor de saúde de Singapura é basicamente pago e privado (a despeito da existência de hospitais públicos), a carga tributária é quase a mesma da menor do mundo desenvolvido (13% do PIB, apenas um pouco superior a de Taiwan), há disciplina fiscal, abertura comercial excepcionalmente alta, burocracia mínima para abrir e fechar empresas, ausência de salário mínimo e de muitas regulamentações básicas que existem na CLT. Disso, o artigo da Voyager não fala ou não se aprofunda no assunto, é claro, e o JJ não sabe ou finge que não vê. 

O JJ não sabe ou ignora esta reportagem da BBC que mostra que é MENTIRA da Voyager essa história de que, em Singapura, o setor privado não tem espaço para prover serviços tipicamente considerados "públicos" nas sociais democracias: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2002/020923_cingapurarg.shtml
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 17:51:46
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 18:05:38
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 18:09:01
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 21:57:01
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.
Sim, de fato. Mas afirmar até que ponto é prejudicial a desigualdade é subjetivo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 22:03:30
Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.
Ótimo texto!
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 04 de Setembro de 2017, 06:39:44
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: criso em 04 de Setembro de 2017, 08:26:08
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Setembro de 2017, 12:40:49
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.

Leia os artigos que o Huxley passou.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Setembro de 2017, 06:28:37
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.



Eu sou a favor da contenção e da redução (até certo ponto)  do Estado brasileiro.  Apesar disso, esse índice do Heritage me decepcionou, eu não sou a favor de usar índices manipulados que depois possam ser mostrados como tolices feitas por liberais (ou libertários).  Eu sou a favor de usar argumentos  que tenham proposições verdadeiras, que tenham relações verdadeiras, e que levem em consideração as realidades econômicas, políticas, sociais e  históricas.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Setembro de 2017, 06:58:01

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo


postado por Tagarela Midia em dezembro 30, 2016

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo




Socialismo, anarquismo e libertarianismo tomaram corpo no século XIX. Nasceram na Europa, principalmente em Paris, onde Karl Marx, Pierre-Joseph Proudhon e Frédéric Bastiat tomavam café. Cada um a seu jeito, eram todos anarquistas. Marx era anarcocomunista, Bastiat anarcocapitalista e Proudhon anarcomutualista. Estas não eram as suas alcunhas na época, e nem tampouco seus pensamentos haviam se desenvolvido completamente a estes pontos, mas estes foram os seus destinos. Inspiravam-se todos nos liberais do Iluminismo escocês – John Locke, David Hume, Adam Smith… – que haviam se insurgido contra a oligarquia aristocrática. Porém enquanto os seus inspiradores debruçaram-se sobre a tarefa de construção do Estado de direito para substituir o Estado absolutista, os anarquistas queriam a destruição do Estado. Como é possível?

O ancestral

O liberalismo nasceu na Inglaterra e Escócia nos séculos XVII e XVIII. O Iluminismo escocês foi muito diferente do Iluminismo francês. O escocês criou a escola de pensamento empirista; o francês a racionalista. O que separa os dois, mais que o Canal da Mancha, é como cada uma busca a verdade, A escola empirista entende que o conhecimento humano deriva da observação e da experiência, depois processadas pela razão. A escola racionalista entende que o conhecimento verdadeiro independe da observação, e que é possível alcançá-lo só através da razão. Esta é a tradição de Descartes, que remonta a Euclides e Platão na Grécia Antiga. Nem todos britânicos e franceses seguiram as escolas de pensamento predominantes em seus países. Os franceses Montesquieu, Benjamin Constant e Alexis de Tocqueville, por exemplo, seguiram a tradição liberal britânica. Na Inglaterra, Thomas Hobbes, William Godwin, Joseph Priestly, Richard Price e Thomas Paine, preferiram a versão francesa (Hayek, 1960).

As formas de pensar dos britânicos e dos franceses eram tão completamente diferentes, que isso se refletia nas suas estruturas sociais e jurídicas. A França adotou o direito romano, em que as leis são primeiro concebidas e depois aplicadas. Na Inglaterra, e agora em toda a anglosfera, se usa common law, em que as leis são criadas nos próprios tribunais, a cada sentença. No primeiro há planejamento; no segundo adaptação. Até os jardins na Inglaterra e na França refletem essas diferentes formas de ver o mundo: os franceses são arquitetados com rigor matemático e geometria impecável; os ingleses são mais orgânicos, adaptados ao terreno.

A prole

Liberalismo, socialismo, libertarianismo e mutualismo, todos buscam a liberdade. Porém as diferentes formas de se pensar do liberalismo e dos anarquismos, os levam para lados completamente opostos. O racionalismo francês exige rigor matemático e perfeita coerência lógica. Os anarquistas se inspiraram nas curvas do liberalismo britânico, mas tiveram que encaixá-lo no quadrado do racionalismo francês. Não coube; tiveram que cortar uns pedaços. E cada um cortou um pedaço diferente. Aos olhos dos anarquistas, havia uma falha fundamental na relação entre o mercado e o Estado liberal. Se uma empresa concentra poder privado demais, uma das formas mais racionais dos empresários defenderem o seu capital é comprar os governantes, e colocá-los para proteger o seu monopólio. Por outro lado, se é o Estado que concentra poder público demais, os governantes é que passam a defender a sua posição comprando os empresários. É um conflito constante entre a esfera pública e a esfera privada, em que burocratas e plutocratas competem e colaboram entre si pelo poder.

Esta é a inequação que os anarquistas precisavam resolver, pois o sistema social tinha que ser lógico, racional, não contraditório. Por isso Marx fala das “contradições do capitalismo”. Capitalismo é uma ordem socioeconômica, não uma teoria que pode se contradizer. Porém era assim que os racionalistas viam a realidade; como a projeção de uma teoria, que tem que ser tão logicamente exata e coesa quanto uma teoria deve ser. Cada um deles então buscou o seu próprio caminho para resolver essa inequação. Para Bastiat, é o Estado a origem de todo o mal, é ele quem cria os monopólios, então basta retirá-lo, da economia pelo menos, que tudo se equaciona:

“O Estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver às custas de todos.” (Bastiat 1849, p. 11)

“O que impede a ordem social de alcançar a sua perfeição (ao menos aquela possível) é o esforço constante de seus membros para viver e se desenvolver a expensas dos outros.” (Bastiat, [1850] 1863, p. 128)

Para Marx, é o mercado a origem da concentração de poder, então é preciso primeiro eliminar o mercado, para depois eliminar o Estado:

“Ele, que antes era o dono do dinheiro, agora marcha à frente como capitalista; o que tinha a força de trabalho segue como seu trabalhador. O primeiro com um ar de importância, sorridente, imbuído do negócio; o outro, tímido e recuado, como aquele que está trazendo a sua própria pele ao mercado e não tem nada mais a esperar do que ser — escalpelado.” (Marx, 1867, Vol I, Cap VI, p. 798)

E Proudhon, o primeiro a se declarar “anarquista”, queria eliminar os dois numa só tacada:

“Do direito da força derivam a exploração do homem pelo homem ou, dizendo doutro modo, a servidão, a usura, o tributo imposto pelo vencedor ao inimigo vencido, e toda essa família numerosa de impostos, gabelas, revelias, corvéias, derramas, arrendamentos, aluguéis etc., numa palavra, a propriedade.” (Proudhon, [1840] 1973, p. 209-210)

“[R]esolveremos todas as contradições econômicas, emanciparemos o trabalho e submeteremos o capital; o trabalhador e o capitalista estarão ambos satisfeitos e contentes um com o outro.” (Proudhon, [1848] 1868, p. 130)

Os três, diga-se de passagem, não só viviam na mesma cidade, Paris, como se conheciam e se conversavam. Marx tentou recrutar Proudhon para a revolução socialista, imagina-se após lá se conhecerem, e este por sua vez era colega de Bastiat na Assembléia Nacional, com quem trocou uma longa correspondência acerca da usura. A Marx, Proudhon criticava o seu otimismo quanto ao Estado, e a Bastiat ao mercado:

“O erro do socialismo foi, até aqui, o de perpetuar o devaneio religioso lançando-se em um futuro fantástico ao invés de capturar a realidade que o esmaga, assim como o erro dos economistas é o de considerar cada fato positivo um impedimento a qualquer proposta de mudança.” (Proudhon [1846] 1972, p. 128)

Libertarianos são liberais?¹

Cada um dos três anarquistas deu origem a longas dinastias de pensadores. Bastiat inspirou os economistas marginalistas do laissez faire: Carl Menger na Áustria, Léon Walras na Suíça e William Stanley Jevons na Inglaterra. Marx fez seus herdeiros entre os sociólogos e teóricos do socialismo: Karl Kautsky na Alemanha, Daniel de Leon nos EUA, Georg Lukács na Hungria, Antonio Gramsci na Itália e Vladimir Lenin na Rússia. Proudhon não deixou herdeiros, e sim irmãos, contemporâneos seus, como lhe seria peculiar: Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin na Rússia. Mas foi Bastiat quem tomou para si o nome do liberalismo, ainda que a sua descendência fosse bastarda, filha na verdade do racionalismo francês. Friedrich Hayek (1960) nos explica:

“Esse desenvolvimento de uma teoria da liberdade aconteceu principalmente no século XVIII. Começou em dois países: Inglaterra e França. O primeiro conhecia a liberdade; o segundo não.

Como resultado, temos até hoje duas diferentes tradições na teoria da liberdade: uma empírica e assistemática, a outra especulativa e racionalista; a primeira baseada em uma interpretação de tradições e instituições que cresceram espontaneamente e que não eram completamente compreendidas, e a segunda almejando a construção de uma utopia, que tem sido frequentemente tentada porém nunca bem sucedida. Ainda assim, tem sido o argumento racionalista, plausível e aparentemente lógico da tradição francesa, com suas elegantes premissas sobre os poderes ilimitados da razão humana, que tem progressivamente ganho influência, enquanto a tradição inglesa, menos eloquente e explícita, tem estado em decadência.

Essa diferenciação está escondida pelo fato de que o que chamamos de ‘tradição francesa’ da liberdade surgiu em grande parte de interpretar instituições britânicas e de que os conceitos que outros países fizeram delas eram baseados majoritariamente nas suas descrições por escritores franceses. […]

Para desenroscar essas duas tradições, é necessário examinar as formas relativamente puras em que surgiram no século XVIII. O que chamamos de ‘tradição britânica’ foi explicitado principalmente por um grupo de filósofos morais escoceses liderado por David Hume, Adam Smith e Adam Ferguson, seguidos de seus contemporâneos ingleses Josiah Tucker, Edmund Burke e William Paley, e inspirado majoritariamente na tradição fundamentada na jurisprudência britânica da common law. Contraposta a eles estava a tradição do Iluminismo francês, profundamente imbuída do racionalismo cartesiano: os enciclopedistas e Rousseau, e os fisiocratas e Condorcet são os seus mais renomados representantes. Evidentemente, esta divisão não coincide totalmente com as fronteiras nacionais. Franceses, como Montesquieu e, mais tarde, Benjamin Constant e, sobretudo, Alexis de Tocqueville estão provavelmente mais próximos do que estamos chamando de ‘tradição britânica’ do que da ‘francesa’. E em Thomas Hobbes, a Grã Bretanha tem pelo menos um dos fundadores da tradição racionalista, sem falar em toda uma geração de entusiastas pela Revolução Francesa, como Godwin, Priestly, Price e Paine, que, como Jefferson depois de sua estadia na França, pertence inteiramente a ela.” (Hayek, 1960)

Não é só Hayek que vê assim, do seu ponto de vista empiricista; Herman-Hans Hoppe, libertariano, pupilo de Murray N. Rothbard, concorda:

“Vale enfatizar, então, que Hayek não é um membro da linha racionalista da Escola Austríaca, e nem tampouco ele diz que é. Hayek faz parte da tradição empirista e cética britânica, e é um oponente explícito do racionalismo europeu adotado por Menger, Böhm-Bawerk, Mises e Rothbard.” (Hoppe, 1999)

Hayek está aí na verdade respondendo ao seu, nesta época já antigo, mentor, Ludwig von Mises (1927), que em nada ajudou milhares (milhões?) de leitores a entender essa distinção quando definiu que:

“[A] tarefa do Estado consiste apenas e exclusivamente em garantir a proteção da vida, da saúde, da liberdade e da propriedade contra ataques violentos. Tudo o que for além é vil.” (Mises, 1927, Cap I, §11)

Ayn Rand (1966) expande:

“Capitalismo é o único sistema em que os homens são livres para funcionar e onde o progresso é acompanhado, não por privações forçadas, e sim pelo aumento constante da prosperidade, do consumo e do aproveitamento da vida. […] Quando eu me refiro a ‘capitalismo’, eu quero dizer completo, puro, ilimitado, capitalismo laissez-faire sem regulação – com uma separação entre Estado e economia, da mesma forma e pelas mesmas razões que a separação entre Estado e religião. […] Toda interferência governamental na economia consiste em dar benefício não-conquistado, extorquido à força, a alguns em detrimento de outros.” (Rand, 1966)

Mas nada poderia ser mais repudiante a Adam Smith do que essa definição de Estado de Mises:

“Governo civil, quando instituído somente para a proteção da propriedade privada, é na realidade instituído para a defesa dos ricos contra os pobres, dos que têm propriedade contra os que não têm.” (Smith 1776, Cap. I, Parte II, p. 775)

Robert Nozick, também libertariano, reitera a definição de Mises 44 anos mais tarde:

“Nossa principal conclusão é sobre o Estado é que um Estado mínimo, limitado às estreitas funções de proteção contra a força, roubo, fraude, cumprimento de contratos, etc, é legítimo, mas que um Estado maior violará os direitos das pessoas de não serem forçadas a fazer certas coisas, e é ilegítimo.” (Nozick, 1974, Prefácio, p. ix)

Porém é o próprio pupilo de Mises, Hayek, quem nos conta que os liberais nunca foram anti-Estado; nunca defenderam o laissez faire:

“Nem Locke, nem Hume, nem Smith, nem Burke poderiam ter argumentado, como fez Bentham, que “toda lei é má porque toda lei é um atentado à liberdade.” Os seus argumentos nunca foram completamente laissez-faire, que, como as próprias palavras demonstram, é também parte de uma tradição racionalista francesa, e o seu sentido literal nunca foi defendido por nenhum dos economistas clássicos ingleses. Eles sabiam melhor que todos os seus críticos posteriores que não era por mágica, e sim pela evolução de “instituições bem construídas,” onde “as regras e os privilégios de interesses opostos e vantagens negociadas” seriam reconciliadas, que canalizou exitosamente esforços individuais para objetivos socialmente benéficos. Na verdade, o seu argumento nunca foi anti-Estado assim, ou anárquico, a consequência lógica da doutrina laissez-faire racionalista; era um argumento que considerava tanto as funções do Estado quanto os limites da ação do Estado.” (Hayek, 1960)

Pelo contrário, os liberais, desde John Locke, o pioneiro do liberalismo no século XVII, formularam o Estado constitucional de direito justamente para protegerem-se das arbitrariedades de uma monarquia absolutista e de uma oligarquia aristocrática:

“A liberdade dos homens sob um governo é a de ter uma lei de convivência, comum a todos na sociedade e instituída pelo seu poder legislativo; a liberdade de fazer o que quiser que a lei não proíba, e não estar sujeito à vontade inconstante, incerta, desconhecida e arbitrária de outro homem.” (Locke, 1689, Vol. IV, Cap. 22)

Nem tampouco é verdade que os liberais não vissem papel para o Estado na economia, como propalou Mises e ainda o fazem seus seguidores. Adam Smith foi bem claro ao dizer que:

“O terceiro e último dever de um Estado soberano é o de erguer e manter aquelas instituições públicas e aquelas obras públicas, que, embora sejam extremamente benéficas à sociedade, são, contudo, de tal natureza, que o seu lucro nunca poderia repagar o investimento de nenhum indivíduo ou pequeno grupo, e que portanto não se pode esperar que alguém ou algum pequeno grupo vá construí-las ou mantê-las.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III)

Como já disse Hayek acima, os liberais entendiam muito bem que a liberdade não surgia por geração espontânea, e na verdade resultava de “instituições bem construídas”. Ao contrário do que comumente associam a um “liberalismo vulgar” contemporâneo, até mesmo por aqueles que se identificam como “liberais”, essas instituições incluem também incluem a regulação dos mercados. O “livre mercado” dos liberais não é um mercado desenfreado; é um mercado em que todos são livres para negociar em pé de igualdade.

“O livre mercado não é uma permissão para os mercadores fazerem o que quiserem; isso seria antes a sua escravidão. O que restringe o mercador não necessariamente restringe o mercado.” (Montesquieu, 1748, Vol XX)

Não só Smith via a necessidade do governo fazer aquilo que a iniciativa privada não tinha interesse em fazer, como deveria fazer também aquilo em que só um indivíduo ou empresa poderia fazer. Em outras palavras, era bem ciente do perigo dos monopólios:

“Os pedágios para a manutenção de uma auto-estrada não podem com segurança alguma ser privatizados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap III, Parte I, p. 786)

Além da regulação dos mercados, Smith incluía também educação pública, algo que só foi ser colocado em prática 250 anos mais tarde, com a criação do Estado Social no século XX. Se por vouchers escolares quer-se dizer livre escolha de escolas privadas subsidiadas com custeio estatal, podemos dizer que é Smith o progenitor da proposta pela qual Friedman é tão creditado:

“Além das instituições públicas e das obras públicas necessárias para a defesa da sociedade, e para a administração da justiça, […] as outras tarefas e instituições deste tipo são principalmente aquelas que facilitam o comércio na sociedade, e aquelas que promovem a educação das pessoas. […] Com uma despesa muito pequena o público pode facilitar, encorajar e até impor a todos a necessidade de adquirir as partes mais essenciais da educação.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III, Artigo II, p. 847)

Hayek resume:

“É importante não confundir oposição ao planejamento central com um laissez faire dogmático. O argumento liberal não defende deixar as coisas ao léu; ele favorece fazer o melhor uso possível das forças da competição como meio para coordenar o esforço humano. Ele é baseado na convicção de que, onde se puder criar concorrência de verdade, esta é a melhor forma de guiar os esforços individuais. Ele enfatiza que para a concorrência ser benéfica, é necessário um arcabouço legal cuidadosamente bem arquitetado.” (HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944)

As diferenças entre libertarianos e liberais vão ficando cada vez mais contrastantes. Nenhuma delas porém é mais diametralmente oposta que o papel do Estado na justiça social. Contemporaneamente, Matthew Zwolinski, professor de Filosofia da University of California em San Diego, e John Tomasi, professor de Ciência Política da Brown University, fazem essa distinção de forma precisa, ainda que se identifiquem ambos como libertarianos, e não como liberais:

“O minarquista é aquele que mais comumente identificamos com o libertarianismo. Ele crê que Estados podem ser legítimos, mas somente se são estritamente limitados nas suas funções. Tipicamente, embora não necessariamente, minarquistas são lbertários jusnaturalistas, e crêem que as funções legítimas do Estado estão restritas àquelas necessárias para a proteção dos direitos naturais das pessoas. [… Liberais clássicos] defendem que um Estado legítimo pode, e em alguns casos deve, ser mais que o guarda noturno defendido pelos minarquistas. [… H]á um consenso de que Estados devem usar receitas fiscais com justiça para prover bens comuns (no sentido preciso em Economia). E liberais clássicos, diferentemente dos libertarianos minarquistas, tendem a estar abertos à possibilidade de que a justiça permita ou até exija alguma parcela de redistribuição para prover uma proteção social aos mais pobres.” (ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010)

Smith confirma:

“Nenhuma sociedade pode prosperar e ser feliz se a maioria dos seus membros forem pobres e miseráveis. Nada mais equitativo, aliás, que os que alimentam, vestem, e abrigam todo o povo, fiquem com parte do produto do seu próprio trabalho de forma a ser eles mesmos minimamente bem alimentados, vestidos e abrigados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap. VIII, p. 94)

E esta não é uma visão particular de Smith; é comum a todos os liberais:

“A garantia de uma renda mínima para todos, ou um piso abaixo do qual ninguém ficaria, mesmo quando incapaz de prover a si mesmo, não só é uma proteção inteiramente legítima contra um risco comum a todos, como também é essencial à Grande Sociedade, na qual indivíduos não mais contam com a proteção da pequena comunidade em que nasceram.” (Hayek, 1979, vol III, p. 395)

“A nossa sensibilidade humana exige que alguma provisão seja feita para aqueles que não tiveram sorte na loteria da vida. Nosso mundo se tornou muito complexo e emaranhado, e nós muito sensatos para deixarmos essa função inteiramente à caridade ou responsabilidade da comunidade local.” (Friedman, 1951)

“[P]odemos todos estar dispostos a contribuir com o redução da pobreza, desde que todos os outros também o façam. Sem essa garantia, podemos não estar dispostos a contribuir o mesmo tanto. Em pequenas comunidades, a pressão de grupo pode bastar para que a caridade seja suficiente. Em comunidades grandes e impessoais, que cada vez mais predominam a nossa sociedade, é muito mais difícil fazê-lo.” (Friedman, 1962)

Por isso Smith não hesita em defender a redistribuição da riqueza, tão malograda pelos libertarianos, via tributação progressiva, e do patrimônio!

“As necessidades da vida são as principais despesas dos pobres. Têm dificuldade em conseguir comida, e a maior parte da pouca renda que têm é gasta conseguindo-a. Os luxos e os confortos da vida são as principais despesas dos ricos, e uma casa magnífica orna e abre caminho para todos os outros luxos e confortos que possuem. Um imposto sobre os aluguéis, portanto, de forma geral, cairia mais pesadamente sobre os ricos; e neste tipo de desigualdade não haveria, talvez, nada de irrazoável. Não é irrazoável que os ricos devam contribuir aos gastos públicos, não somente em proporção à sua receita, mas mais do que nessa proporção.” (Smith, 1776, Vol II, Cap VII, Parte 71)

Nada poderia ser mais hediondo ao libertariano:

“Tributação da renda gerada pelo trabalho é equiparável à trabalhos forçados. Tomar os resultados do trabalho de alguém equivale a tomar-lhe horas.” (Nozick, 1974, Cap 7, Parte I)

Tomasi e Zwolinski concluem:

“[N]enhum dos antigos liberais trataram o direito à propriedade com absolutismo moral, e assim nenhum deles estava impedido por princípio a negar que a preocupação com os pobres era uma consideração legítima no desenho institucional. Acreditamos que o liberalismo clássico, não o libertarianismo axiomático, é o verdadeiro herdeiro da tradição liberal.” (Matt Zwolinski and John Tomasi, A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012)

A verdade é que Smith não compactuava do elitismo material, que é tipicamente aceito, e até cultivado, por libertarianos; muito pelo contrário:

“Nossa tendência a admirar, quase venerar, os ricos e poderosos, e de desdenhar, ou no mínimo ignorar, pessoas em condições pobres e cruéis, embora necessária para estabelecer e manter a distinção entre níveis sociais, é ao mesmo tempo a maior e mais universal causa da corrupção da nossa sensibilidade moral.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção III, cap II)

E aí é que se evidencia a diferença fundamentalmente moral entre o liberalismo e o libertarianismo. O libertariano não só confunde egoísmo com individualismo, como o reverencia:

“Antes do capitalismo, eu defendo o egoísmo, e antes do egoísmo eu defendo a razão. Se a supremacia da razão é reconhecida, e aplicada coerentemente, todo o resto é consequência.” (Rand, 1962)

Nada poderia estar mais distante do liberalismo:

“Por mais egoísta que se possa supor que seja o Homem, há princípios na sua natureza que o fazem se interessar pelo bem estar dos outros, tornando a sua felicidade uma necessidade para si, embora ele não ganhe nada com isso senão o prazer de vê-la.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção I, cap I)

O liberal defende a liberdade individual sim, mas sobretudo a do outro, não a própria:

“Até os déspotas acham a liberdade excelente. Porém eles a querem só para si, dizendo que ninguém mais a merece. O que nos distingue não é portanto o nosso apreço pela liberdade, e sim pelo próximo.” (TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858)



¹ Traduzimos aqui do inglês libertarian, associado à tradição descendente de Bastiat, para libertariano, um anglicismo, propositadamente para diferenciá-lo do francês libertaire, que ocupa o significado de libertário em português, e que se associa à escola de pensamento descendente de Proudhon.

BASTIAT, Frédéric. L’Etat: Maudit Argent. Journal des Économiste. Paris: Guillaumin, 1849.

BASTIAT, Frédéric. Sophismes Économiques. In: BASTIAT, Frédéric. Oeuvres Complétes de Frédéric Bastiat (OCFB). T. IV. Paris: Guillaumin, 1863.

FRIEDMAN, Milton, Neo-Liberalism and Its Prospects, Farmand, 17 fevereiro 1951, pp. 89-93.

HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944.

HAYEK, Friedrich A. The Constitution of Liberty, 1960.

HAYEK, Friedrich A. Lei, Legislação e Liberdade, 1979.

HOPPE, Hemann-Hans. Murray N. Rothbard: Economics, Science, and Liberty, In: 15 Great Austrian Economists, The Ludwig von Mises Institute, 1999.

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil, 1689.

MARX, Karl. Das Kapital, 1867.

MISES, Ludwig von. Liberalismus, 1927.

MONTESQUIEU, O espírito das leis, 1748.

NOZICK, Robert, Anarchy, State, and Utopia, 1974.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Qu’est-ce la propriété? In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome I. Paris: A. Lacroix, [1840] 1873.

PROUDHON, Pierre-Joseph. System of economical contradictions or the philosophy of misery. New York: Arno Press, [1846] 1972.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Solution du problème social. In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome VI. Paris: C. Marpon et E. Flammarion, [1848] 1868.

RAND, Ayn. Introducing Objectivism, The Objectivist Newsletter, Vol. 1, No. 8. August, 1962. p. 35.

RAND, Ayn. Capitalism: The Unknown Ideal. 1966.

SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações, 1776.

TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012.

O post Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo apareceu primeiro em O Contraditório.



http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Daniel_1993 em 06 de Setembro de 2017, 21:38:26
Seguindo o pensamento do texto acima:

Liberalismo, a primeira esquerda

Por Rodrigo Viana

Existe um certo debate no meio liberal que tende a dividir seus seguidores em duas inclinações políticas do qual eles mesmos se identificam: direita e centro. O liberal “direitista”, geralmente de viés cultural conservador, tem um posicionamento “contra-tudo-que-é-esquerdista” e é notável por seu estilo mais pragmático. Já o “centrista”, que normalmente se denomina como “centro radical”, é aquele liberal ligeiramente mais jovem e ligado a filosofia liberal moderna chamada de libertarianismo. Este último, acidentalmente segue a máxima kassabista de “nem direita e nem esquerda, muito pelo contrário”.

Confesso que vejo tudo isso de forma bem deprimente por saber o quão infundado são essas suposições. Na filosofia política não tem espaço para centro. Ou é x ou y.

Pessimismo e otimismo antropológico

Se a pessoa tende a enxergar a dicotomia esquerda x direita tão somente como uma mera tendência a se posicionar a favor de certas escolhas políticas (a realpolitik) envolvendo governos, como exemplificado em enquetes de perguntas e respostas de internet, então creio que essa pessoa não entendeu a profundidade do que vem a ser esquerda e direita.

Tal dicotomia não tem e nunca teve a ver com governos necessariamente, mas principalmente sobre o modo como o ser humano, enquanto ser social e não uma entidade atomizada, enxerga a si e a sociedade e em como essa sociedade responde a esse ser humano. Tal dicotomia tem a ver com o enlace ininterrupto desses efeitos. É o mundo visto em sua forma socio-antropológica e não por essa ou aquela campanha partidária, por exemplo.

Contudo, quando analisamos tais efeitos nós tendemos a perceber a existência de dois tipos de interpretações contrastantes que vivem em um eterno conflito. De um lado, uma tendência mais pessimista, tanto do ser humano quanto da sociedade, e do outro, uma mais otimista.

Quando alguém tende a enfatizar o humano como um ser limitado (ou mesmo incapaz) de muitos feitos e salientando sua imperfeição, muito embora tendo uns reconhecendo aptidões e habilidades, essa pessoa é considerada uma pessimista com o próprio gênero humano e a sociedade envolta. Nesse caso ela é adepta do pessimismo antropológico. Agora se alguém possui uma percepção diferente do ser humano como um ser capaz (ou de capacidade ilimitada) de muitos feitos e salientando suas possibilidades, embora uns reconhecendo a imperfeição e a limitação natural, essa pessoa é adepta do otimismo antropológico.

O pessimista antropológico, conhecido por sua qualidade “realista”, tende a se apoiar em estruturas sociais que se transformaram socialmente. Por focar na ideia da limitação humana em relação a enxergar sua própria realidade de uma maneira mais ampla, o pessimista conclui que o ser humano provavelmente nunca conseguirá gerar feitos satisfatórios para ele e para os que estão em sua volta sem criar conflitos e situações problemáticas. Ele acredita que um ser limitado como o humano, preso nas possibilidades dos próprios erros, pode gerar inovações (iniciar do zero) com nível de propensão ao fracasso.
Seu posicionamento mais comum se firma no ceticismo por tais inovações, uma vez que acredita que isso minimizaria (ou frearia, dependendo dos casos) conflitos sociais que podem vir a surgir. Logo, o pessimista prefere se apegar nas construções sociais sólidas do que existe e do que é funcional ao invés de tentar buscar certos feitos inovadores, mesmo reconhecendo a existência de problemas intrínsecos nas estruturas já existentes. Quer dizer, ele analisa a realidade e se apega ao que já está consolidado na sociedade como uma garantia afim de assegurar as conquistas de até então. Todavia, com o cuidado de gerar ideias que não abstraia demais o relacionamento social.

Já o otimista antropológico, caracterizado por sua qualidade “visionária”, tende a se apoiar nas estruturas sociais existentes que as julga satisfatórias, mas também na possibilidade de alternativas novas para as estruturas insatisfatórias. Dado que ele foca na possibilidade humana sobre a realidade, o otimista conclui que o ser humano possui a capacidade de gerar feitos satisfatórios para a sociedade, de modo a minimizar (ou acabar) tanto os conflitos existentes, quanto os que poderão vir a surgir se seguindo a condição até então atual. Isso porque seu otimismo característico possibilita ver o ser humano, mesmo em sua condição de limitação natural, como um gerador de inovações com inclinação ao sucesso.

Esse posicionamento favorável a busca de novos paradigmas é o que o motiva a gerar seus feitos. Sendo assim, ele analisa a realidade e toma partido em direção a uma possibilidade de almejar alternativas novas para aprimorar as conquistas do que existe. Contudo, tal possibilidade se assegura em instrumentos (isto é, ferramentas) produzidos pelo pensar e observar, no intuito de partir de um ponto fundamentado e não de uma quimera. É por contar com a razão como provavelmente o mais fundamental instrumento de uso que o otimista se abre para novas perspectivas.

Mas há algo que vale ressaltar nessa discussão. O ser humano não se comporta de modo exato em qualquer um dos polos e, por isso, é esperado uma variância. O posicionamento e a visão de mundo de uma pessoa não pode ser vista de forma absoluta e fechada, como se um otimista fosse, de fato, somente otimista caso tivesse uma predisposição total para essa direção. E o mesmo vale para o pessimista. Não somos máquinas, não fomos programados para pensar e agir de maneira determinada enquanto ser político. A relação dessas interpretações sócio-antropológicas nos informa uma indicação e não um simples questionário de acertos e erros.

Partindo desse ponto, nós podemos perceber que certas ideias, arranjos, ações e fundamentações se iniciam tanto de visões distintas, bem como as posições mais moderadas ou radicais dentro da perspectiva em que elas foram concebidas. Ou seja, nem todo pessimista enxerga o ser humano como um ente mal, fadado a viver na amargura de sua própria natureza. Do mesmo modo um otimista necessariamente não enxerga o ser humano como um ente dotado de uma bondade angelical, capaz de criar um verdadeiro paraíso terreno.

Note, leitor, que em momento algum falei de política especificamente, certo? Por que isso? Simplesmente porque a política, tanto no seu estudo investigativo quanto na sua aplicabilidade, é a consequência das interpretações sociológicas e antropológica e não a causa.

Seguindo tal raciocínio, entende-se que o mero uso (ou sua negação) de instituições sociais para se chegar a um norte específico não caracteriza esta ou aquela categoria política como necessariamente pertencente a esse ou aquele espectro político.

Por exemplo, o uso de mecanismos governamentais que se fazem presentes no nosso dia a dia como projetos de leis, democracia participativa, partidos, constituição, corpo legal e etc, não condiz se tal pessoa segue ou não uma tendência direitista ou esquerdista. É verdade que muitos desses mecanismos se identificam (ao menos historicamente) mais com essa ou aquela perspectiva por diversos motivos, todavia isso não tira o fato de que aquele que defende um protecionismo, por exemplo, “é de esquerda”. Sim, porque a base em que essa adesão se assenta e que delineia um norte a ser buscado é o elemento preponderante.

O fato é que quando uma pessoa tem uma tendência ao pessimismo em relação a sociedade e ao ser humano, ela busca se apoiar em ideias de estruturas sólidas consolidadas que são: a hierarquia social, tradição, condição de conformidade, ordem social, norma social, unidade orgânica e etc. De forma semelhante, quando uma pessoa tende ao otimismo, sua busca está em ideias de estruturas racionais reformadoras e/ ou inovadoras como: igualdade, liberdade, tolerância social, secularismo social, direitos inalienáveis e etc. É nesse momento que as primeiras ideias políticas começam a ser esboçadas.

Então com toda certeza podemos dizer que a pessoa de bases mais pessimistas é um direitista e o de bases mais otimistas é um esquerdista.

A influência dos movimento iluministas e contra-revolucionários

É sabido que os pensamentos políticos que vieram a ser influenciados diretamente pelos movimentos iluministas (ou Era da Razão) podem ser descritos facilmente como “esquerdistas”. Isto é, pensamentos de caráter visionário e de natureza opositora à perspectiva pessimista, mais preocupado em mudanças reformadoras e/ ou inovadoras. Estes pensamentos deram novas formas de reflexão na relação entre o ser humano e a sociedade. Resultando em ideias, possibilidades e alternativas sobre o estado em que se encontra a sociedade. E o liberalismo não apenas se encaixa nessa perspectiva, como foi o primeiro pensamento político a inaugurar de fato o que vinha sendo produzido nos círculos iluministas.

Uma vez a filosofia liberal sendo obra destes movimentos, em maior parte dos que se seguiram nos séculos dezessete e dezoito e em menor no dezenove, é natural que o liberal defenda a ideia de que o ser humano possui os instrumentos necessários para guiar o seu próprio destino no alcance de uma vida social mais justa e próspera. A crença iluminista pela busca por um mundo melhor é também um importante componente muito presente no liberalismo. E o que responde esse questionamento senão premissas como o respeito ao indivíduo enquanto um ser único tendo fim em si mesmo; direitos inalienáveis sobre a vida, liberdade e propriedade; igualdade de autoridade; poder político limitado; e sociedade tolerante?

Ora, existe um aspecto ativo dentro de qualquer pensamento enraizado nos movimentos iluministas. Esse aspecto é o impulso que motiva o liberal a não aceitar o mundo da forma como se encontra. Ele deseja a mudança e isso o motiva a buscar o que pretende. E isso independe da vertente que o liberal se apoia, seja ela no liberalismo clássico de Robert Nozick e Ludwig von Mises, no liberalismo social de John M. Keynes e John Rawls ou no liberalismo radical de Murray Rothbard e David Friedman. O liberal deseja aprimorar, transformar e tornar mais justo as relações humanas.

Isso é notório ao comparar com uma outra importante filosofia política também de origem iluminista: o socialismo. Mas antes abro um parêntese: do mesmo modo que falo do liberalismo em uma maneira ampla e sem levar em conta suas vertentes internas, assim falo do socialismo. Quer dizer, a filosofia política que também gerou diversas teorias e correntes próprias para buscar soluções para as relações sociais.

Tudo isso significa que as bases do pensamento socialista são tranquilamente compartilhadas por liberais, uma vez que foram os movimentos iluministas quem as forneceram. Como e por qual fim utilizar tais ferramentas é o que também distingue estas filosofias políticas. Podemos ver isso na interpretação que cada filosofia (e suas correntes internas) dá às ideias de liberdade, igualdade ou justiça, por exemplo. Do mesmo modo que individualismo necessariamente não significa “supressão do indivíduo para com outro indivíduo”, assim também é em relação ao coletivismo com a ideia da “supressão do coletivo sobre o indivíduo”. Nem todo socialista é coletivista, como nem todo coletivista é anti-indivíduo. É muito importante mencionar tais fatores porque isso faz cair por terra a errônea crença popular de que “direita é pró-indivíduo e esquerda pró-coletivo”.

Bom, é sabido que liberais e socialistas são os descendentes dos iluministas e comungam da perspectiva otimista de interpretar o mundo enquanto entidade social. Então que movimento defendia a perspectiva pessimista e quem são seus descendentes hoje?

Quando analisamos o período histórico do nascimento das teorias políticas modernas entre o final da Idade Média e início da Idade Moderna, não podemos nos esquecer do não menos importante movimento político chamado Contra-revolução. Movimento este presente em vários países europeus, porém de atuação mais expressiva na França. As ideias desse movimento faziam parte do corpo teórico defendido pelo absolutistas monárquicos, dos quais são os antepassados diretos dos conservadores modernos.

Por terem um ceticismo perante as reivindicações “idealistas” defendidas pelos primeiros liberais e socialistas, os absolutistas eram “impedidos” pelo pessimismo característico de vislumbrar qualquer tipo de reforma ou inovação estrutural na sociedade que não estivesse realmente se firmado numa continuidade. Tanto a democracia liberal, quanto o socialismo de estado ou o anarquismo eram concepções vistas por muitos como uma forma artificial, pois contava com construções teóricas que exigiam um certo grau de confiança abstrata referente ao funcionamento da sociedade e/ ou da própria natureza humana. Por exemplo, para alguns absolutistas a simples ideia da não existência de um governo regido pela hereditariedade soava como “anti-natural”.

Vale comentar que, por diversas particularidades, a Inglaterra não teve um movimento tão expressivo em favor do absolutismo como foi em outras partes da Europa. A ideia de um estado absoluto não era muito bem vista até por aqueles que compartilhavam da perspectiva pessimista. Esse grupo de pessimistas influenciou enormemente o pensamento conservador atual, sobretudo o de origem anglo-saxônica, pois diferencia consideravelmente na forma de se fazer política (mas não as bases filosóficas) dos conservadores mais apegados às lições pelos antigos apoiadores do absolutismo. Da mesma forma que os iluministas tiveram suas diferenças, os contra-revolucionários também tiveram.

Hoje os tempos são outros. Não existe mais grupos defendendo um retorno ao regime absolutista. Os conservadores, que carregam o pessimismo dos contra-revolucionários, já aceitaram a democracia liberal como um sistema de governo estável. Estando o norte conservador na preservação de princípios civilizacionais e das instituições políticas, os meios de como eles serão alcançados pouco importa no âmbito filosófico, seja através de uma forte intromissão governamental ou pela defesa da autonomia e da liberdade das comunidades. Mudança moderada ou radical nunca foi empecilho para o conservador firmar o tradicionalismo, dado que a natureza de sua mudança visada é de caráter mantenedora e não inovadora. Então podemos ver que o conservadorismo pode tanto tender para o autoritarismo, típico dos absolutistas, quanto a uma versão mais tolerante, presente nas ideias dos whigs moderados da Inglaterra. Nível de presença do governo na sociedade não é fator determinante para o espectro político. Nunca foi.

Como as ideias liberais, de uma forma geral, prevaleceram no mundo, é natural que hoje os conservadores defendam muitas delas, dando a impressão de que, a partir de agora, eles “se tornaram liberais”. Não se tornaram. O DNA pessimista ainda é o fator que guia a defesa das estruturas sociais consolidadas e tradicionais do pensamento conservador e não o gene otimista. Ou por acaso social-democratas modernos se tornaram liberais só porque largaram de vez a ideia do estado proletariado para abraçar a democracia liberal? Indo direto ao ponto, um conservador “é tão liberal” quanto um social-democrata, embora este último esteja muito mais próximo da filosofia liberal do que o primeiro por assuntos já comentados anteriormente.

Um adendo

Querer resumir os movimentos iluministas como se fossem apenas “movimentos políticos” é uma interpretação que não se sustenta. Estes movimentos foram muito mais do que expressão política propriamente dita, foram a expressão viva do ser humano em todas as suas relações. Os iluministas influenciaram as ciências naturais, as artes, a educação e forma de passar conhecimento e muitas outras coisas. Ajudaram a florescer verdadeiros debates religiosos, literários e ajudou na ideia da disseminação do conhecimento, seja através do livro ou da imprensa. Suas ideias desafiantes mexiam com a opinião pública, esclareciam conceitos baseados apenas em meras tradições ao ponto de chocar e escandalizar a sociedade com suas opiniões diferenciadas.

Estes senhores (e senhoras também) mudaram o mundo de tal maneira que, em poucos séculos, toda a sociedade deu saltos gigantescos na civilização para melhor. O que não quer dizer que tudo ocorreu como planejado, mas ainda assim vivemos bem melhor do que qualquer época já registrada. Diferente de hoje, em que podemos ver o mundo de nossos avós bem diferente, em séculos passados o que prevalecia era a mesmice. Essa é a perspectiva atuante que gira o mundo. O mundo não é feito por covardes, mas por gente que se arrisca, que questiona ou que sonha. Esse é o grande legado deixado pelos iluministas.

Conclusão

O liberalismo, enquanto filosofia, ainda é uma ideia radical, visionária, inovadora e, em certas vertentes internas, revolucionária. Desde o seu surgimento ele vem propondo ideias e alternativas que colocam em xeque o modo de ver a sociedade baseada na continuidade tradicional. A alegação da ideia do indivíduo como senhor de si é ainda revolucionária mesmo hoje. Estes ensinamentos iluministas também se mantém bem presentes nas vertentes libertárias do socialismo (anarquismo).

Um problema que eu vejo hoje está em enxergar as teorias e tendências políticas de origem direta no marxismo ou não (socialismo fabiano) da era pós-comunismo, quase que de forma exclusiva como “a esquerda”. Não tenho nenhum problema em classificar esta ou aquela prática, vertente ou proposta política como “de esquerda ou de direita” para dar a noção de algo moderado ou radical, de pouco ou mais inovador ou coisa do tipo dentro da realpolitik.

O problema é quando esses conceitos superficiais se transformam em um tipo de regra que envolve as filosofias políticas em si, pois tendem a ficar deturpadas e viciadas. Dado que isso tende a renegar aspectos teóricos e históricos, um estudante com uma maior bagagem cultural sobre filosofia política poderá se atrapalhar e não entender pontos muito mais importantes. A divisão entre “proletariado x burguês” do pré-comunismo e o “capitalismo x socialismo” da Guerra Fria é tão somente um fator histórico que não deve ser levado tanto em conta para os estudos das filosofias políticas. A ciência política pode lidar com isso de uma forma mais elegante.
Se os liberais franceses, antes da ascensão dos partidos de raiz socialista, eram vistos como os progressistas, esquerdistas no século dezenove e hoje são visto como direitistas, muito se deve a ideias particulares deste ou daquele autor, como também das próprias formas como as propostas políticas foram empregadas. Independente ser de cunho liberal ou não. O fato dos liberais terem se aproximado dos conservadores no século vinte para a contenção do marxismo é tão somente um fator circunstancial.

Será mesmo que os liberais não se manteriam próximos dos socialistas caso as vertentes libertárias deste último tivessem se sobressaído como influência maior no mundo, empurrando o socialismo estatista de Marx para os becos da intelectualidade? Bem, a história mostra que liberais e socialistas ficaram juntos na França quando os dois ainda mantinham propostas parecidas. Dado que parte da tradição socialista se radicalizou em prol da liberdade no século dezenove e o liberalismo no século vinte, soa até previsível que estas duas linhagens mantenham novamente laços próximos no século vinte um.

Liberalismo e socialismo, enquanto filosofia, possuem um ancestral comum e a tendência que eu acredito hoje está neles se reatarem como em séculos atrás, visto que as ideologias fortemente estatistas e/ ou autoritárias tão presentes no século vinte tem estado perdendo força nas últimas décadas. Sim, os dois pensamentos surgiram em épocas próximas, embora o liberalismo tenha vindo antes. É por isso que o liberalismo foi a primeira esquerda.

 http://mercadopopular.org/2014/06/liberalismo-a-primeira-esquerda-2/ (http://mercadopopular.org/2014/06/liberalismo-a-primeira-esquerda-2/)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 17 de Outubro de 2017, 18:48:56
*tópico errado*
Título: Criticas ao liberalismo.
Enviado por: Tirn Aill em 01 de Novembro de 2017, 06:14:54
O liberalismo é muito criticado por acadêmicos desde que ele surgiu. Vou postar alguns links.

Textos da Voyager que criticam o livre mercado.
https://voyager1.net/economia/o-fracasso-da-globalizacao-pautada-na-desregulacao-dos-mercados/
.
https://voyager1.net/selecionadas/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/
.
https://voyager1.net/historia/como-a-inglaterra-se-desenvolveu/
.
https://voyager1.net/historia/a-grande-depressao/
.
https://voyager1.net/politica/a-desegregacao-neoliberal/
.
https://voyager1.net/selecionadas/o-mito-sul-coreano/
.
https://voyager1.net/economia/a-suecia-e-seu-desenvolvimentismo-a-estrategia-que-rechacou-a-ideia-de-estado-minimo/
.
https://voyager1.net/mundo/pros-e-contras-da-australia/
.
https://voyager1.net/economia-politica/os-mercados-se-autorregulam-explicando-como-essa-ideologia-nos-roubou-trilhoes-e-quer-roubar-mais/
.
https://voyager1.net/sociedade/estado-minimo-e-intervencao-militar-nas-favelas/
.
https://voyager1.net/economia/o-canto-da-sereia-neoliberal-e-a-privatizacao-da-eletrobras/
.
Na verdade todo o site Voyager1 critica o liberalismo e o capitalismo, nem todos artigos são bons mas vale dar uma olhada para ver o que outro lado tem a dizer.

Também tem esse que critica diretamente a escola austríaca.
https://reflexoesparaoamanhecer.wordpress.com/
Título: Criticas ao liberalismo.
Enviado por: Tirn Aill em 01 de Novembro de 2017, 06:43:22
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 01 de Novembro de 2017, 11:14:31
A epistemologia envolvida nas inferências de causalidades em alguns desses artigos é ginasiana.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 01 de Novembro de 2017, 11:19:27
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/

Pode ser uma paródia muito bem arquitetada.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 01 de Novembro de 2017, 11:25:23
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 01 de Novembro de 2017, 11:41:40
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.

Interessante os caras usarem uma plataforma gratuita como o wordpress, cujo modelo de negócios só é possível graças ao modelo liberal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 03 de Novembro de 2017, 18:46:25
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 03 de Novembro de 2017, 22:30:33
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 00:32:50
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.
Errado. Pinochet adotou o modelo da Escola de Chicago (escola também liberal, mas no 'mainstream' do pensamento econômico). Hayek é o único economista da Escola Austríaca  levado a sério por ele nunca usar a pseudagem da Praxeologia em seus estudos, preferindo utilizar métodos convencionais de econometria. Curiosamente os Rothbardianos, os dominantes dentro da escola austríaca, detestam Hayek e consideram Rothbard o verdadeiro 'mestre'.

Por hora, Hayek curiosamente também é considerado um integrante da 'Escola de Chicago', sendo que os mesmo foi professor da Universidade de Chicago. Seu aluno mais ilustre? Milton Friedman.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 00:38:50
A resposta do FED para a crise de 2008 foi as aplicações das ideias de Friedman e da Escola de Chicago em prática.
https://www.federalreserve.gov/PubS/feds/2011/201126/201126pap.pdf
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: El Elyon em 04 de Novembro de 2017, 01:16:42
Citação de: Tirn Aill
Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".

Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 16:52:32
Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
O MBL é fruto da conspiração armada pelo Projeto Atlas para implantar um governo libertário global.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 04 de Novembro de 2017, 18:16:11
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
O Chile é bem menor que o Brasil, até em população, e mesmo com o crescimento econômico eles ainda têm pobreza e uma grande desigualdade. Além disso, existiram vários países que tiveram crescimento econômico com estatismo, Alemanha nazista, União Soviética por um tempo, A Rússia quando Putin assumiu o poder, etc. Sempre o estado teve um papel importante no crescimento dos países, até em Hong Kong.

O Neoliberalismo já vem sendo estudado desde quando ele foi implantado em alguns países, e os resultados não foram bons para os países de terceiro e segundo mundo, tem muitas criticas ao Neoliberalismo.  Dai vem alguns e dizem que Neoliberalismo não existe, sendo que o termo neo (novo) é usado para indicar a diferença entre o liberalismo antigo do Adam Smith com o do Hayek e Friedman.

Se fosse só adotar o estado mínimo, seria fácil todos os países fariam isso e ficariam bem, mas a realidade é mais complicada e difícil do que isso.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".
Falo da academia em um sentido mundial, não só no Brasil.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 21:33:16
O Neoliberalismo já vem sendo estudado desde quando ele foi implantado em alguns países, e os resultados não foram bons para os países de terceiro e segundo mundo, tem muitas criticas ao Neoliberalismo.  Dai vem alguns e dizem que Neoliberalismo não existe, sendo que o termo neo (novo) é usado para indicar a diferença entre o liberalismo antigo do Adam Smith com o do Hayek e Friedman.
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 21:51:47
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
O Chile é bem menor que o Brasil, até em população, e mesmo com o crescimento econômico eles ainda têm pobreza e uma grande desigualdade. Além disso, existiram vários países que tiveram crescimento econômico com estatismo, Alemanha nazista, União Soviética por um tempo, A Rússia quando Putin assumiu o poder, etc. Sempre o estado teve um papel importante no crescimento dos países, até em Hong Kong.
[...]
Qual o problema em haver desigualdade no Chile? Desigualdade econômica é algo completamente natural no sistema capitalista e eliminá-la é simplesmente uma utopia socialista. Os pobres chilenos têm uma boa educação pública? A Segunda Melhor da América Latina (https://en.wikipedia.org/wiki/Education_Index). Saúde? Uma das mais eficientes do mundo. (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-sobre-a-eficiencia-dos-servicos-de-saude-brasil-fica-em-ultimo-lugar/) Crime? Menor taxa de homicídios intencionais da AL.  (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate)

A diferença do crescimento econômico do Chile (https://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile) ou da Nova Zelândia (https://en.wikipedia.org/wiki/Rogernomics) em relação aos países que você citou, é que o crescimento econômico por lá é durável justamente por não depender de fatores que possam envolver os problemas estatais, principalmente a corrupção ou conflitos que possam alterar os planejamentos do governo central. Da mesma forma que o estado foi importante para o crescimento econômico da URSS ou da Alemnha Nazista, o mesmo foi o responsável pelo seu colapso.

É indiscutível o estatismo exacerbado da Rússia, mas o crescimento econômico sob Putin se deve justamente às desestatizações econômicas e cortes de impostos promovidos por ele. (https://en.wikipedia.org/wiki/Russia_under_Vladimir_Putin#Economic_policies)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 05 de Novembro de 2017, 02:35:02
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Qual o problema deles serem marxistas ou pós-keynesianos? Isso não significa que o termo está errado. O termo foi criado por Alexander Rüstow: https://www.infoescola.com/historia/neoliberalismo/
                                                                                                                                                                                                                                  https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_R%C3%BCstow
Ele era pós-keynesiano também?

O FMI usa: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm
                  http://www.politize.com.br/neoliberalismo-o-que-e/
E é citado em vários países: https://www.google.com.br/search?q=neoliberalism&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b&gws_rd=cr&dcr=0&ei=mmj-WeSmOYakwATos6-ICQ
https://www.google.com.br/search?q=neoliberismo&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b&gws_rd=cr&dcr=0&ei=7Wj-WYyfMoWVwgSBsK-ICg
https://www.google.com.br/search?client=firefox-b&dcr=0&ei=S2r-WaVKw6rCBNbimKgJ&q=+%D8%A7%D9%84%D9%86%D9%8A%D9%88%D9%84%D9%8A%D8%A8%D8%B1%D8%A7%D9%84%D9%8A%D8%A9&oq=+%D8%A7%D9%84%D9%86%D9%8A%D9%88%D9%84%D9%8A%D8%A8%D8%B1%D8%A7%D9%84%D9%8A%D8%A9&gs_l=psy-ab.3..0i7i30k1l9j0i7i10i30k1.3618.3974.0.4460.2.2.0.0.0.0.293.457.0j1j1.2.0....0...1.1.64.psy-ab..0.1.289....0.BYbQ6yB9R8g
https://www.google.com.br/search?q=%E6%96%B0%E8%87%AA%E7%94%B1%E4%B8%BB%E7%BE%A9&client=firefox-b&dcr=0&source=lnms&sa=X&ved=0ahUKEwixnpm1pabXAhUJIpAKHXKvDMMQ_AUICSgA&biw=1920&bih=971&dpr=1

É um termo usado no mundo inteiro, o mundo está errado, quem está certo é a escola austríaca? Igual o Lair Ribeiro está certo e a medicina mundial errada?
Qual o problema em haver desigualdade no Chile? Desigualdade econômica é algo completamente natural no sistema capitalista e eliminá-la é simplesmente uma utopia socialista. Os pobres chilenos têm uma boa educação pública? A Segunda Melhor da América Latina (https://en.wikipedia.org/wiki/Education_Index). Saúde? Uma das mais eficientes do mundo. (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-sobre-a-eficiencia-dos-servicos-de-saude-brasil-fica-em-ultimo-lugar/) Crime? Menor taxa de homicídios intencionais da AL.  (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate)

A diferença do crescimento econômico do Chile (https://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile) ou da Nova Zelândia (https://en.wikipedia.org/wiki/Rogernomics) em relação aos países que você citou, é que o crescimento econômico por lá é durável justamente por não depender de fatores que possam envolver os problemas estatais, principalmente a corrupção ou conflitos que possam alterar os planejamentos do governo central. Da mesma forma que o estado foi importante para o crescimento econômico da URSS ou da Alemnha Nazista, o mesmo foi o responsável pelo seu colapso.

É indiscutível o estatismo exacerbado da Rússia, mas o crescimento econômico sob Putin se deve justamente às desestatizações econômicas e cortes de impostos promovidos por ele. (https://en.wikipedia.org/wiki/Russia_under_Vladimir_Putin#Economic_policies)

Todo mundo sabe que no capitalismo sempre vai existir classes, até no socialismo real existe. Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui, como aqui no Brasil, onde uma minoria tem a mesma riqueza da metade dos mais pobres, onde pagam bem menos imposto que nós, onde eles compram o estado e o usa ao seu favor. Quanto mais pessoas se aproximam da classe alta melhor.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 05 de Novembro de 2017, 05:56:55
https://theintercept.com/2017/08/11/esfera-de-influencia-como-os-libertarios-americanos-estao-reinventando-a-politica-latino-americana/?comments=1#comments
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Novembro de 2017, 08:18:52
NORUEGA: CONHEÇA OS FATORES QUE PERMITIRAM SEU DESENVOLVIMENTO


A Noruega alcançou sucesso econômico e social em diversas áreas por ter seguido uma agenda de desenvolvimento totalmente inversa da qual é imposta atualmente no Brasil.

Por Leandro  Em 18 de dez de 2016

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A Noruega é um país gelado localizado no extremo norte da Europa e considerado por alguns o mais próspero do mundo.


Esse título é comumente atribuído a essa nação devido aos diversos indicadores econômicos invejáveis, estando sistematicamente entre os melhores do mundo em itens como PIB per capita [1] (indicador de geração de riqueza, maior = melhor), IDH [2] (indicador de desenvolvimento social, maior = melhor), índice GINI [3] (indicador de desigualdade social, menor = melhor), índice de homicídios [4] (menor = melhor), desemprego [5], dentre diversos outros (praticamente qualquer indicador de desenvolvimento tem a Noruega entre as primeiras posições).


Um país com tamanho êxito em áreas tão distintas é um caso importante a ser estudado por aqueles que desejam o sucesso econômico e social de sua própria nação e este texto se propõe a compreender o que tornou e mantém a Noruega numa posição destacada entre todos os países do mundo.


 
Serão levantados os principais pontos que tornaram a Noruega um caso de sucesso, dentre tantos outros países que encontraram grandes reservas de recursos naturais, dado que muitos acabam permanecendo no atraso dependendo unicamente da extração da matéria prima encontrada.


A Noruega se tornou um país independente da Coroa Sueca em 1905 e permaneceu com pouco destaque na economia europeia até o início da exploração de petróleo no Mar do Norte, na década de 60, cujo período deve ser resumido antes de se aprofundar em outros aspectos da economia norueguesa.


Centro financeiro no bairro de Bjørvika, em Oslo.


Isso se faz necessário pelo fato desse país, apesar de possuir uma pequena população,  de apenas 5 milhões de habitantes, ter se tornado o 13º maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 2 milhões de barris por dia, além de ser a origem de diversas companhias relevantes em nível mundial do setor (como a Statoil, a Aker Solutions, a Subsea 7, a Seadrill e a DOF). Essa relevância é visível na composição das exportações do país, na qual produtos relacionados ao petróleo chegam a quase 65% do valor exportado.


Alguns poderiam dizer que isso é consequência do petróleo fácil, como o do Oriente Médio, mas isso não é verdade. O petróleo norueguês está em alto mar e sempre precisou de tecnologia de ponta para ser devidamente extraído. Sua situação se aproxima muito mais com a do Brasil, México, Nigéria, Guiné Equatorial e Namíbia do que dos países do Oriente Médio que possuem óleo de altíssima qualidade e extremamente acessível logo abaixo de seus desertos. Não é necessário se estender para concluir que o ouro negro não trouxe prosperidade similar para os outros países em situação análoga à norueguesa.


Está gostando deste artigo sobre o desenvolvimento da Noruega? Então confira também o nosso artigo que explica como a Inglaterra se desenvolveu clicando aqui.


O Modelo Norueguês de Exploração de Petróleo


Durante a década de 60, a exploração de petróleo na Noruega era quase completamente feita por empresas privadas estrangeiras. No governo de Trygve Bratteli (do Partido Trabalhista Norueguês, que governou nos períodos de 1971-1972 e 1973-1976), foram tomadas decisões que muito influenciaram no destino da Noruega: A criação da Statoil (petrolífera 100% estatal), a definição de que o governo norueguês teria no mínimo 50% de todos os campos explorados a serem licenciados no país e a obrigatoriedade dos estrangeiros desenvolverem fornecedores locais (chegando ao ponto de forçar a contratação de fornecedores específicos para que sua operação fosse autorizada).


A partir da 4ª rodada de licenciamento (1978-1979) foi introduzida a obrigatoriedade de investimento em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas interessadas. Desse investimento, 50% obrigatoriamente teria que ser feito em instituições norueguesas.


A sede da Statoil, em Oslo, Noruega.


Em 1985, houve alteração no sistema: O Estado Norueguês passou a ter uma participação variável em cada projeto, definida para cada licença, sendo essa participação do Estado executada através da Statoil (ou seja, a todos os campos a serem licitados teriam a Statoil como sócia, com essa porcentagem variando em cada projeto).


No ano de 1990, foi criado o atual fundo soberano norueguês: o Government Pension Fund Global. Fundo esse que se tornaria o maior fundo soberano do planeta, responsável por investir a receita do governo norueguês como consequência de sua participação na exploração de petróleo do país.


As políticas de conteúdo local foram abolidas em 1994, como consequência de um acordo de livre comércio com a União Européia.


Em 2001, foram vendidas parte das ações da Statoil, que se tornou uma empresa de economia mista, mas tendo como maior acionista o Estado norueguês (que permaneceu como único controlador da empresa). Com essa venda, a participação estatal nos campos passou a ser administrada através da recém fundada Petoro (100% estatal), a qual, porém, não opera nenhum campo.


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Pode-se dizer que o regime de partilha que tentou se estabelecer para o pré-sal brasileiro foi inspirado no regime norueguês em diversas de suas fases, como:

1- Possuir uma participação estatal variável para cada campo licitado, administrada por uma empresa 100% estatal (Pré-Sal Petróleo S/A), com participação obrigatória da operadora de economia mista (Petrobras), de uma forma que também varia em cada projeto;

2- Criação de um fundo soberano para a investimento das receitas do Estado provenientes da extração petrolífera;

3- Obrigatoriedade de conteúdo local para os empreendimentos.

O Fundo Soberano e o Estado Empresário Norueguês


Pode-se dizer que a principal herança do modelo de exploração de petróleo norueguês é o seu fundo soberano, o Government Pension Fund Global que por si só é uma demonstração do gigantismo do Estado norueguês.


O valor de mercado do fundo soberano no dia de elaboração desse artigo ultrapassava 7 trilhões de coroas norueguesas (mais de 800 bilhões de dólares), sendo que todo o mercado de ações da Noruega estava avaliado em pouco mais de 2 trilhões de coroas norueguesas (menos de 1/3 do tamanho do fundo soberano do país). A dívida pública norueguesa se encontrava em um pouco mais de 1 trilhão de coroas norueguesas, o que significa que o fundo soberano poderia comprar todas as ações e toda a dívida pública norueguesa 2 vezes que ainda assim sobraria dinheiro.


Como o PIB da Noruega está um pouco acima de 3 trilhões de coroas norueguesas (menos de 400 bilhões de dólares), isso significa que toda a riqueza produzida no país em dois anos é menor que o valor de mercado do fundo soberano norueguês.

No entanto, mesmo sem considerar o Government Pension Fund Global, o governo é o principal player econômico do país, controlador de todas as 5 maiores empresas da Noruega em valor de mercado (já excluindo dessa lista as empresas totalmente estatais, que não possuem valor de mercado bem definido para serem avaliadas), que estão listadas abaixo:


A participação do Estado na economia norueguesa


 ANT 1 de 5 PRÓX

 Statoil ASA (67% diretamente do Estado, 3% do Estado via fundos. Controlada pelo Estado)
 Norsk Hydro ASA (35% do Estado, 1% dela mesma. Controlada pelo Estado)
 Telenor SA (54% diretamente do Estado. Controlada pelo Estado)


Dentre essas empresas se encontram a maior petrolífera do país (Statoil), a maior empresa de telecomunicações (Telenor), o maior banco (DNB), além da maior empresa de alumínio (Norsk Hydro), mas a participação do governo em setores estratégicos não se resume a essas companhias.


No setor de energia elétrica, por exemplo, praticamente não há espaço para a inciativa privada. Toda a transmissão e distribuição de energia elétrica em alta tensão é controlada por uma empresa 100% estatal chamada Statnett, que também é a operadora do sistema.


Na geração de energia, além da Norsk Hydro (segunda maior geradora de energia do país), o Estado está presente através da Statkraft (maior geradora de energia do país) e da TrønderEnergi, dentre outras empresas públicas.

Com geração quase totalmente estatal, a Noruega é um dos líderes mundiais no uso de energia limpa e renovável, com mais de 99% de suas necessidades energéticas geradas através de usinas hidrelétricas. Também lidera no uso de carros elétricos e se destaca mundialmente com planos agressivos de redução das emissões de gases poluentes (o que parece irônico vindo de um país que tem nos derivados de petróleo o principal produto de exportação).


Antes da criação da Statnett e Statkraft, a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica era tratada diretamente pelo Norges vassdrags- og energiverk, que é algo como um Ministério das águas e energia. O que significa que o modelo estatal na área de energia elétrica é bastante antigo.


Outro ponto que deve ser destacado é o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.


Carga Tributária e o Estado de Bem-Estar Social Norueguês


Outro ponto em que a Noruega se destaca é quanto a seus altos impostos. O sistema de taxação norueguês é todo construído de acordo com a ideia de que cada um deve pagar impostos de acordo com suas capacidades, ou seja, o imposto é progressivo: quem ganha mais, paga mais. Pode-se dizer que os impostos noruegueses são altos porque, desde 1970, o peso dos mesmos está entre 35% e 45% do PIB, com pequenas variações no período, sempre figurando entre as maiores entre os países membros da OCDE.


Os noruegueses usufruem dos melhores indicadores sociais do mundo.

Sobre o Estado de Bem-Estar Social, pode-se dizer que a Noruega é referência no mundo, sendo utilizada como exemplo clássico de Estado que propicia tudo que um cidadão pode desejar de um governo, o que um (neo)liberal consideraria um entrave para o desenvolvimento de uma nação.


Os direitos trabalhistas são muito extensos. A lei permite trabalho até 40h semanais, mas todos os acordos coletivos vigentes são de até 37,5h semanais. Além disso, funcionários tem direito a redução de carga horária por motivos sociais, de saúde ou bem-estar. Os que não possuem cargo de chefia devem receber no mínimo 40% de adicional em caso de horas extras.

Todos os funcionários tem direito a 5 semanas de férias, sendo que aqueles com mais de 60 anos possuem o direito de uma semana adicional (totalizando 6 semanas). 3 dessas semanas devem ser tiradas de forma consecutiva, enquanto as outras 2 semanas podem ser divididas em dias ou semanas separadas.


Um funcionário tem direito a 10 dias por ano para cuidar de seus filhos doentes, aumentando para 15 no caso de ter mais de um filho. Pais (ou mães) solteiros tem esse benefício dobrado (20 dias no caso de um filho e 30 no caso de mais de um). Em caso de gravidez, são disponibilizadas 43 semanas (algo próximo de 10 meses) de folga a serem compartilhadas pelo pai e mãe (sendo que as primeiras 6 semanas necessariamente devem ser da mãe e 14 dessas semanas necessariamente do pai).


O seguro-desemprego é bastante generoso. O desempregado recebe 62,4% de sua renda bruta por até 1 ou 2 anos, dependendo de sua faixa de renda. Caso você não tenha dinheiro o suficiente para sua subsistência, o governo irá complementar sua renda no valor que considerar necessário (o valor depende do município).


O hospital público Østfold, em Oslo, Noruega.


O sistema de saúde norueguês é universal, gratuito, descentralizado e financiado pelos impostos. A maior parte dos hospitais é estatal, com uma quantidade muito pequena de hospitais privados. Além disso, mesmo os hospitais privados normalmente recebem dinheiro do Estado.


A Noruega possui um sistema educacional público bem estruturado, que abrange desde a infância até a universidade. Apenas o jardim de infância é pago, mas o governo tem como objetivo torna-lo acessível para todos que tenham interesse em colocar seus filhos no jardim de infância. Quanto ao tamanho do sistema público em relação ao privado, se encontram fora do sistema estatal de educação 45% das crianças no jardim de infância, 2,2% dos usuários da educação primária e secundária baixa (10 primeiras séries, dos 6 aos 16 anos), 6% dos alunos da educação secundária superior (16-19 anos) e 13% dos alunos universitários.


 
Conclusões


Reine, no arquipélago de Lofoten, no norte da Noruega.


Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Também salta aos olhos que a corrupção não é combatida com retórica simplista que responsabiliza o Estado e ignora a corrupção privada. Na Noruega as contas dos indivíduos são expostas e isso é utilizado para inibir a corrupção pública e privada simultaneamente.


Tudo isso leva a um sério questionamento acerca da ideologia que está sendo vendida como solução para o Brasil.

Referências:

• [1] Knoema – GDP per capita ranking 2016
• [2] PNUD – Relatório do Desenvolvimento Humano 2015
• [3] The World Bank – World Development Indicators: Distribution of income or consumption
• [4] UNODC Statistics
• [5] The World Bank Data – Unemployment, total (% of total labor force)
• OEC – Norway
• Norsk Petroleum – Everything you need to know about Norwegian petroleum activities
• Norges Bank
• Forbes – The World’s Biggest Public Companies: Norway
• Statoil – Major shareholders
• Telenor Group – Major Shareholdings
• DNB – Shareholders
• Yara – Shareholders
• Hydro – Main Shareholders
Our Power Plants
• Oslo Bors – Norwegian Indices
• National Debt Clocks – National Debt of Norway
• Statista – The world’s leading primary aluminum producing companies in 2015, based on production output (in 1,000 metric tons)
• Statkraft – Hydropower
• Statnett – Legislation
• The Guardian – Norway pledges to become climate neutral by 2030
• Skatteetaten – Tax in Norway
• OECD – Revenue Statistics – OECD countries: Comparative tables
• NHO – Basic Labour Law
• NAV – Unemployment benefits
Information about NAV’s services and benefits
Pensions and pension applications from outside Norway
• Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2014: RESULTS
• BBC – Tax transparency: Could the UK take a leaf out of Norway’s book?
• G1 – A Noruega pode ter o segredo para acabar com a sonegação de impostos?
• Statens legemiddelverk – The Norwegian health care system and pharmaceutical system
• Utdanningsdirektoratet – Education in Norway: from Kindergarten to Adult Education


https://voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Novembro de 2017, 11:27:44
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Qual o problema deles serem marxistas ou pós-keynesianos? Isso não significa que o termo está errado. O termo foi criado por Alexander Rüstow: https://www.infoescola.com/historia/neoliberalismo/
                                                                                                                                                                                                                                  https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_R%C3%BCstow
Ele era pós-keynesiano também?
Não. O termo "neoliberalismo" na época de Rüstow descrevia o "Ordoliberalismo" alemão. Somente na década de 1980 o termo ganhou a conotação atual.


Citar
O FMI usa: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm               
O FMI é justamente o órgão considerado mais "neoliberal" pela esquerda. Os três cidadãos que escreveram esse artigo são justamente da Escola de Chicago e citam Milton Friedman, que rejeitava o termo. Admito que é o único artigo não enviesado que li sobre esse tópico.

Citar
É um termo usado no mundo inteiro, o mundo está errado, quem está certo é a escola austríaca? Igual o Lair Ribeiro está certo e a medicina mundial errada?
A Escola Austríaca, Milton Friedman, George Stigler, Hayek...

Citar
Todo mundo sabe que no capitalismo sempre vai existir classes, até no socialismo real existe. Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui, como aqui no Brasil, onde uma minoria tem a mesma riqueza da metade dos mais pobres, onde pagam bem menos imposto que nós, onde eles compram o estado e o usa ao seu favor. Quanto mais pessoas se aproximam da classe alta melhor.
No Brasil é algo mais peculiar. A nossa elite é composta basicamente por poderosos donos de terras, altos funcionários públicos (como juízes, promotores...) e políticos (sendo que estes geralmente já são os dois primeiros). Nosso problema é justamente o tamanho e a organização do Estado. Você confia em um estado governado por marajás? Você quer aumentá-lo ainda mais para praticar caridade com o dinheiro dos mais pobres que já pagam mais impostos? Ou você prefere reduzir impostos, aumentando seu poder de consumo sobre bens e serviços, reduzir os gastos estatais e aumentar sua eficiência, reduzindo-se aos setores essenciais (saúde, educação, segurança, justiça e defesa)? Eu prefiro a segunda opção "neoliberal". :hihi:

Quanto a isso:
Citar
Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui[...]
Na verdade, o Coeficiente Gini não leva o poder de consumo em consideração. Ele apenas faz uma média sem considerar os salários e quanto cada indivíduo pode consumir, apenas faz um cálculo de distribuição de riqueza. Se você separa um grupo de 100 indivíduos, onde o primeiro gana 1 milhão e o centésimo ganha 100 milhões, e todos ganham entre 1 milhão e 100 milhões, o seu coeficiente será altíssimo. Mas isso quer dizer que os mais pobres não t~em poder de consumo? Não.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 05 de Novembro de 2017, 11:44:53

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Novembro de 2017, 20:42:45
https://theintercept.com/2017/08/11/esfera-de-influencia-como-os-libertarios-americanos-estao-reinventando-a-politica-latino-americana/?comments=1#comments
:lol: :lol:
Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
O MBL é fruto da conspiração armada pelo Projeto Atlas para implantar um governo libertário global.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 08:09:33

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 08:16:27
AFEGANISTÃO

Produção afegã de ópio aumenta 43%, diz ONU


Novos dados das Nações Unidas mostram um forte acréscimo da produção de ópio no Afeganistão. O aumento se deve à crescente insegurança no país como resultado da insurgência dos talibãs, dizem autoridades.



Colheita de ópio no Afeganistão



Neste ano, foram produzidas por volta de 4,8 mil toneladas de ópio no Afeganistão, um aumento de 43% em relação ao ano passado, declarou neste domingo (23/10) o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC, na sigla em inglês).


Segundo a ONU, a superfície de cultivo da droga atingiu 201 mil hectares, um aumento de 10% em relação à última pesquisa divulgada no ano passado. De acordo com o documento, esse acréscimo se deve à crescente insegurança no país como resultado da insurgência dos talibãs.


"O aumento de 10% no cultivo de ópio se deve à insegurança. A maior parte das plantações se concentra em áreas controladas pelos talibãs e zonas inseguras e de difícil acesso", disse o ministro afegão responsável pelo combate a drogas, Salamat Azimi, na apresentação do estudo em Cabul.


A região norte do país, onde os insurgentes ganharam terreno nos últimos meses, registrou um forte aumento no cultivo da planta, de acordo com a Pesquisa de Ópio no Afeganistão 2016, realizada pelo ministério afegão e UNODC.


Apesar disso, a maior parte da produção, 59%, se concentrou na região sul, berço do movimento talibã e tradicionalmente a principal zona de domínio insurgente.


Como já antecipou no começo do mês o diretor do UNODC, Yury Fedotov, durante uma conferência em Bruxelas para arrecadar fundos para o Afeganistão, a erradicação desta substância ficou praticamente paralisada em 2016.


"Devido à insegurança, a maioria das forças de segurança esteve ocupada em operações antiterroristas. Neste ano não pudemos destruir mais plantações de ópio", explicou o vice-ministro de combate a drogas, Baath Muhammad Ahmadi.


A erradicação caiu 91%, de 3.760 hectares destruídos em 2015 para apenas 350 neste ano. O Afeganistão é o principal produtor de ópio do mundo e, em 2012, 75% da heroína mundial procedeu deste país, no qual segundo dados da ONU os ingressos gerados pela produção da droga financiam 15% das atividades dos talibãs.



http://www.dw.com/pt-br/produ%C3%A7%C3%A3o-afeg%C3%A3-de-%C3%B3pio-aumenta-43-diz-onu/a-36127684




Um viva para o Estado pequeno e fraco.  :biglol:


Outro viva para a liberdade para os  capitalistas.   :biglol:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Novembro de 2017, 10:57:21
É difícil não rir das definições de liberalismo clássico do JJ. Se eu pudesse usar um dispositivo para identificar uma pessoa que nunca leu um livro de um liberal clássico, eu citaria que ela diz isso: "Liberais clássicos defendem que o Estado seja fraco". E, agora, essa de dizer que o Afeganistão é um exemplo de Estado liberal é coisa típica de quem quer desesperadamente criar uma caricatura. 

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 06 de Novembro de 2017, 11:22:25

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.





Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 12:04:37
É difícil não rir das definições de liberalismo clássico do JJ. Se eu pudesse usar um dispositivo para identificar uma pessoa que nunca leu um livro de um liberal clássico, eu citaria que ela diz isso: "Liberais clássicos defendem que o Estado seja fraco". E, agora, essa de dizer que o Afeganistão é um exemplo de Estado liberal é coisa típica de quem quer desesperadamente criar uma caricatura. 





Repare na resposta do Lorentz que eu quotei, eu só respondi  de forma semelhante ao estilo que ele usou.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 12:06:57

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.

Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.



O Afeganistão é um exemplo de quase anarquia capitalista,  em boa parte do território o Estado praticamente não existe. E o Afeganistão como um todo tem um Estado enxuto, bem enxuto.


E também lá os  capitalistas tem a preciosa liberdade para fazer o que bem entendem (não tem um Estado grande oprimindo os capitalistas), inclusive atenderem o importante (no conceito dos libertários) mercado de drogas, e esta liberdade é defendida pelos anarco capitalistas.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 06 de Novembro de 2017, 12:32:44

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.

Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.



O Afeganistão é um exemplo de quase anarquia capitalista,  em boa parte do território o Estado praticamente não existe. E o Afeganistão como um todo tem um Estado enxuto, bem enxuto.


E também lá os  capitalistas tem a preciosa liberdade para fazer o que bem entendem (não tem um Estado grande oprimindo os capitalistas), inclusive atenderem o importante (no conceito dos libertários) mercado de drogas, e esta liberdade é defendida pelos anarco capitalistas.




Qual o problema de haver mercado de drogas? E o que o Estado está fazendo para impedir o maior produtor e maior mercado de cocaína do mundo (Américas)?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Novembro de 2017, 18:14:43
Vontade de responder o JJ, mas não terei paciência e receberei cartão.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: MarceliNNNN em 07 de Novembro de 2017, 14:37:09
Só espantalho... haja paciência.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: EuSouOqueSou em 07 de Novembro de 2017, 20:27:07
Vontade de responder o JJ, mas não terei paciência e receberei cartão.

Não vale a pena, bons foristas já tomaram cartão por causa dessas jjotices, ignore.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Novembro de 2017, 08:49:50
Mundo tenta se unir contra enxurrada de aço da China

Com informações da Agência Brasil -  16/05/2016


 
Excesso de aço       


Dez associações da indústria do aço dos Estados Unidos, Canadá, México, América Latina, Europa e Turquia endossaram comunicado global sobre excesso de capacidade de produção de aço no mundo.


O documento reconhece que os desafios enfrentados pela indústria siderúrgica têm dimensão global e, por essa razão, precisam ser tratados por meio de um diálogo também em nível mundial e de caráter permanente.

O manifesto foi lançado após reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em abril, assinado pelos governos do Canadá, Estados Unidos, Japão, México, União Europeia, República da Coreia, Suíça e Turquia.


Houve consenso na avaliação de que, apesar de esses desafios do setor resultarem, muitas vezes, de problemas econômicos ou estruturais, há medidas que vêm sendo tomadas por alguns países que acabam contribuindo para o aumento do excedente de produção e distorções nos fluxos de comércio, além de práticas de concorrência desleal.


Braço de aço contra a China


O documento explicita uma queda de braço entre a China e o resto do mundo no campo da indústria siderúrgica.


O excesso de capacidade na produção mundial de aço alcança hoje cerca de 700 milhões de toneladas de aço, dos quais 400 milhões são da China. A OCDE prevê que, em 2017, o excesso de capacidade de produção siderúrgica chegará a 800 milhões de toneladas no mundo.


Segundo o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, a situação no Brasil é muito delicada, porque o mercado interno continua muito fraco.



Lopes disse que todos os países estão tomando providências de fechamento dos seus mercados para a exportação de aço da China. "E nós aqui, não", lamentou. No momento, acrescentou, é importante que o Brasil esteja atento e tenha capacidade de, "ao identificar um novo surto de exportação siderúrgica para cá, consiga reagir a tempo de evitar maiores danos".




Há 15 anos, a China entrou com protocolo de acesso na Organização Mundial do Comércio (OMC) e entende que esse acesso é automático ao fim desse prazo, que termina no dia 12 de dezembro próximo. O IABr e as demais entidades internacionais do setor entendem que o acesso não é automático. Caberá à OMC resolver essa disputa.


Crise no setor siderúrgico brasileiro


O IABr aponta que o setor siderúrgico brasileiro vive a pior crise de sua história. Essa crise vem se agravando devido a fatores estruturais, como custo de energia, custo tributário, cumulatividade de impostos, juros e câmbio.


Dados do instituto mostram que a produção siderúrgica brasileira, acumulada nos três primeiros meses deste ano, somou 7,4 milhões de toneladas de aço bruto e 5,1 milhões de toneladas de laminados, com redução, respectivamente, de 12,3% e 17,5% em comparação a igual trimestre de 2015.


As vendas de laminados no mercado interno caíram 23,3% entre janeiro e março e a de semiacabados, 7,3%. Do mesmo modo, o consumo aparente nacional atingiu 4,3 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, revelando queda de 29,3% em relação aos três primeiros meses de 2015.



http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=mundo-tenta-se-unir-contra-producao-aco-china&id=010175160516#.WhajndKnGM8


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Novembro de 2017, 12:42:55

Dono de Ferrari de R$ 3,9 milhões pagará maior IPVA de SP: R$ 159 mil


IPVA corresponde a 4% do preço estimado da F12 tdf. Já o menor valor é de R$ 10,44 para moto Hero Stream 50, ano 1999.


fim do ano está chegando, e alguns já começam a fazer as contas para as despesas do início de 2018, incluindo o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, o famoso IPVA.


Se você acha o tributo do seu carro um absurdo, imagine o dono de uma Ferrari F12 tdf, ano 2016, que pagará R$ 159 mil de IPVA em 2018.
O esportivo foi avaliado em R$ 3.982.466, conforme a tabela de valores venais divulgada pela Secretaria da Fazenda de São Paulo nesta quinta-feira (30).
Aplicando-se a alíquota de 4% sobre o valor venal, chegamos a R$ 159.298,64 de IPVA 2018 para o dono desta Ferrari. Com este valor é possível
Com motor de 780 cavalos de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos, a F12 tdf é uma versão especial da F12 Berlinetta com apenas 799 unidades fabricadas no mundo.


O menor valor de IPVA 2018 no estado será de R$ 10,44, para uma moto Brandy Hero Stream 50, ano 1999.


https://g1.globo.com/carros/noticia/dono-de-ferrari-de-r-39-milhoes-pagara-maior-ipva-de-sp-r-159-mil.ghtml


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 30 de Novembro de 2017, 13:18:54
Muitas vezes eu penso que o IPVA e o IPTU são uma forma de roubo ou extorsão.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Novembro de 2017, 15:23:44


E além de pagarmos um preço mais elevado pelos automóveis ainda existe um imposto anual em cima da propriedade do automóvel. Já nos Estados Unidos o imposto na aquisição é bem mais baixo e não existe imposto anual sobre a propriedade de veículo automotor (existe apenas o licenciamento que é em torno de US$60,00, que é o equivalente ao nosso licenciamento para transitar com o veículo).

Deve ser por isso que as estradas nos Estados Unidos são tão ruins.   ::)


Realmente eu dou a razão para quem pensa em mudar para um país de primeiro mundo como os Estados Unidos.  :|


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 07:30:00

E o grande líder dá o exemplo de como ser liberal e defender o livre comércio: 


 8-)


EUA impõem tarifas contra importações de aço plano de oito países

Reuters  ECONOMIA  por REUTERS 30/03/2017 - 17H51



WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira pela imposição de tarifas antidumping de 3,62 a 148 por cento contra certos tipos de aço carbono laminado importados de oito países, afirmou o secretário de Comércio, Wilbur Ross.


As determinações se aplicam a importações de chapa grossa de tipo CTL da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul e Taiwan, disse Ross.


Além disso, houve uma decisão final de que as importações de produtos sul-coreanos são subsidiadas, o que gerou imposição de tarifa de 4,31 por cento.


Em 2015, as importações de chapas grossas CTL pelos Estados Unidos vindas dos oito países somaram 732 milhões de dólares.


https://noticias.r7.com/economia/eua-impoem-tarifas-contra-importacoes-de-aco-plano-de-oito-paises-30032017



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 07:35:02
E vem mais dose de liberalismo do grande líder :


Trump reitera plano de restringir importação de aço dos EUA

AE Agência Estado
postado em 13/07/2017 19:31


Washington, 13 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou seu plano de impor novas restrições à importação de aço, embora não tenha dado detalhes sobre como pode proceder. "O aço é um grande problema", disse Trump a repórteres durante um voo para a França. Trump reclamou que os EUA sofreriam com suposto dumping no setor. "E eu estou acabando com isso."

Questionado sobre que tipo de medidas ele usaria, o presidente respondeu: "Há duas maneiras - cotas e tarifas. Talvez eu use as duas."



As declarações foram dadas por Trump na quarta-feira, mas não foram tornadas públicas até a tarde desta quinta-feira. Elas foram respostas a questões de repórteres que viajavam com ele a Paris para um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, nas celebrações do Dia da Bastilha.

No fim de abril, Trump e o secretário de Comércio, Wilbur Ross, anunciaram que estudariam a possibilidade de impor novos limites à importação de aço em nome da "segurança nacional". O presidente disse várias vezes que pretendia fazer isso até o fim de junho. O processo, porém, atrasou em meio a debates com assessores, bem como pela forte pressão de parceiros comerciais do país e de consumidores americanos de aço.


Em suas declarações da quarta-feira, Trump não disse quando pode impor novas medidas, nem como elas devem ser aplicadas. O presidente disse que o problema "não é apenas a China, mas outros", sem especificar. Fonte: Dow Jones Newswires.


https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/13/internas_economia,883716/trump-reitera-plano-de-restringir-importacao-de-aco-dos-eua.shtml




É liberalismo demais,  é liberalismo para dar e vender. :biglol:



 8-)



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 15:50:47
Você gosta de espantalhos, não?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 16:11:03
Que tal o seguinte: O Brasil, nos últimos 50 anos passando de JK aos militares, e dos miltares à democracia, adotou uma política econômica protecionista e nacionalista, algo que está enraizado na nossa legislação, e mesmo assim, não se desenvolveu tal qual os países asiáticos, que, contrariando você, se desenvolveram sem um forte protecionismo, mas com bastante investimento externo e acordos de livre-comércio. (https://www.wto.org/english/res_e/booksp_e/stat_tradepat_globvalchains_e.pdf)

O protecionismo no Brasil é uma falha no sistema tributário Brasileiro. Só existe, porque nossas empresas não conseguem competir com o que vêm de fora, e isso é culpa da hiper-taxação que nossa indústria sofre, entre outros fatores que tornam nossos produtos de má qualidade. Se quisermos desenvolver nossa indústria, não vai ser com protecionismo que vamos conseguir isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 17:40:34
Você gosta de   , não?


Os meus comentários nos dois últimos post foram irônicos. E as notícias  mostradas são fatos.


O grande líder está dando um exemplo muito muito  interessante.   :ok:







Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 17:49:04
Brasil de 1950 a 1980:

O Desenvolvimento Econômico Brasileiro no Pós-Guerra 1

Pedro Cavalcanti Ferreira
 Fernando Veloso


"Entre 1950 e 1980, o Brasil passou por uma profunda transformação. Nesse período, a economia brasileira cresceu a uma das taxas mais elevadas do mundo e o país deixou de ser predominantemente rural e agrícola, para se tornar urbano e com sua produção concentrada na indústria e no setor de serviços. O rápido crescimento foi viabilizado em boa medida pela maciça transferência de recursos da agricultura, caracterizada por baixa produtividade, para setores mais produtivos, como a indústria e serviços. Entretanto, com exceção do período de reformas associadas ao Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) entre 1964 e 1967, com forte impacto posterior sobre o crescimento, a tônica das estratégias de desenvolvimento do período centrou-se no incentivo à acumulação de capital físico, industrialização via substituição de importações e ativa participação do estado na economia. "



https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/14054/O_Desenvolvimento_Econ%C3%B4mico_Brasileiro_no_P%C3%B3s_Guerra.pdf



-----------------------------------------



O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:16:38
Você gosta de   , não?


Os meus comentários nos dois últimos post foram irônicos. E as notícias  mostradas são fatos.


O grande líder está dando um exemplo muito muito  interessante.
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 18:26:01
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.



Eu fui irônico, eu não tomei como exemplo de liberalismo,   o que  eu  quis mostrar com as notícias é justamente alguns pontos práticos  de  desprezo do grande líder  pela ideologia  liberal, e especialmente pelo livre comércio.


É um exemplo do "faça o que eu falo (ou que falava antes), mas não faça o que eu faço". Foi isto.






Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:41:25
O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980
Com uma profunda inflação e desindustrialização nas duas décadas seguintes.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:43:06
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.



Eu fui irônico, eu não tomei como exemplo de liberalismo,   o que  eu  quis mostrar com as notícias é justamente alguns pontos práticos  de  desprezo do grande líder  pela ideologia  liberal, e especialmente pelo livre comércio.


É um exemplo do "faça o que eu falo (ou que falava antes), mas não faça o que eu faço". Foi isto.
Aham. Tá bom. Sabemos disso. Acreditamos em você.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 02 de Dezembro de 2017, 20:06:41
O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980
Com uma profunda inflação e desindustrialização nas duas décadas seguintes.

Pareceu o "milagre soviético" de 1930-1970. Veio o milagre econômico e depois veio um milagre econômico às avessas. Década perdida de 1980, estagnação nos anos 1990, um oásis de crescimento econômico bom de 2004-2011 e a volta a mais uma década perdida.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Dezembro de 2017, 08:25:29


EUA vão encerrar acordo de comércio de aço plano com Rússia



WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos vai terminar um acordo de 15 anos que protegia produtores de aços planos laminados a quente da Rússia de elevados impostos de importação, afirmou o órgão em carta enviada a autoridades russas.


Na carta, os EUA deram à Rússia um aviso de 60 dias sobre o encerramento do acordo antes da retomada de tarifas contra dumping.


O acordo protegia siderúrgicas russas das tarifas de até 184,56 por cento incidentes sobre aços laminados a quente, aços planos laminados e aço carbono e definia limites à importação e preços mínimos. Com a suspensão do acerto, tarifas começarão a ser aplicadas a partir de 16 de dezembro, segundo a carta do departamento.



Os produtores de aço dos EUA reclamaram ao departamento em julho, afirmando que o acordo de 1999 não impediu siderúrgicas russas de inundarem o mercado norte-americano.
Nucor, US Steel, ArcelorMittal e outras companhias afirmaram que o preço de referência que tinha sido definido no acordo era inferior aos praticados nos EUA desde 2004.



A russa Severstal enfrenta agora tarifas antidumping de 73,59 por cento. Outras siderúrgicas russas, como a Novolipetsk Steel e Magnitogorsk Iron and Steel Works terão de pagar tarifas de 184,56 por cento.




O Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) comemorou a decisão. "Nossa indústria não deveria se sujeitar a prejuízos pelo aumento nas importações de aços laminados a quente da Rússia que chegam a este país sob um acordo que não atende mais a seu propósito", disse o presidente da AISI, Thomas Gibson.

(Por Krista Hughes)



https://oglobo.globo.com/economia/eua-vao-encerrar-acordo-de-comercio-de-aco-plano-com-russia-8440960




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Algum liberalzão  consegue explicar como a burra, estúpida, socialista, e autoritária Rússia consegue produzir  aços planos laminados a quente por um preço muito mais competitivo do que o inteligentão,  liberalzão,   capitalistão  e democraticão  EUA ? 


 :?:



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 03 de Dezembro de 2017, 08:54:39
Pelo que eu lembro, praticando dumping patrocinado pelo governo russo. Acho que as indústrias russas citadas foram todas criadas após a queda da URSS, já na esteira do 'capitalismo de compadrio' que predomina na Rússia, como é o caso exemplar da área de petróleo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Dezembro de 2017, 09:07:41
Pelo que eu lembro, praticando dumping patrocinado pelo governo russo. Acho que as indústrias russas citadas foram todas criadas após a queda da URSS, já na esteira do 'capitalismo de compadrio' que predomina na Rússia, como é o caso exemplar da área de petróleo.


Dumping como ?  Tem algum texto  confiável que mostre que esse  "dumping" significa que o governo russo usa dinheiro público para conseguir que empresas russas vendam aço abaixo do preço de custo  ?

Por acaso o governo russo  pegava dinheiro de impostos dos russos para  vender aço abaixo do preço de custo ?   Os russos tem dinheiro sobrando para fazerem isso ?

Ou simplesmente os custos de produção de aço dos russos são bem menores ?



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:18:11
Estado destruindo empregos e um negócio, e afundando um município:



“Situação é de desespero, diz prefeito”

O Popular  09/08/2017 22:00



A Mina Cana Brava, administrada pela Sama Minerações Associadas, que faz a extração da fibra de amianto crisotila, gera 457 empregos diretos e 463 indiretos. Para o prefeito de Minaçu, Agenor Ferreira (DEM), o banimento do amianto pode significar a falência do município. Isso porque cerca de 80% da economia de Minaçu tem alguma dependência da mina.

O prefeito diz que a arrecadação do município já sofreu outro forte baque: a queda na produção de energia na Usina de Serra da Mesa, em virtude da forte redução no nível do reservatório, e a divisão dos recursos com outros municípios. Com isso, segundo ele, a receita bruta caiu de R$ 9 milhões no ano passado para R$ 6 milhões este ano. “Só nossa folha de pagamento consome R$ 3,9 milhões”, destaca Agenor Ferreira.


Para ele, a situação de Minaçu seria desesperadora, caso a exploração de amianto fosse totalmente interrompida. “Os doentes que existem vieram da mina que era explorada antigamente na Bahia, sem nenhum critério. Hoje, o controle é muito rígido e, de 1980 para cá, não houve mais casos de doenças em nossa região”, defende o prefeito. Para ele, a defesa do banimento é resultado, apenas, de interesses econômicos provocados por uma
guerra pelo mercado de telhas. “Estamos confiantes na atuação da bancada goiana em Brasília”.

Produção

Cerca de 98% da fibra produzida no município é aplicada em produtos de fibrocimento, principalmente telhas. O restante é utilizado pela indústria de soda cloro e produtos de fricção. A Sama é a terceira maior produtora de crisotila do mundo, concorrendo com produtores da Rússia, China e Cazaquistão. Cerca de 45% da produção é exportada.

Minaçu praticamente não tem produção agrícola e pecuária. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa e de Beneficiamento de Minaçu e Região, Adelman Araújo Filho, também acredita que a defesa do banimento seja resultado de interesses econômicos. Segundo ele, os trabalhadores da mina e toda população local estão apreensivos, já que Minaçu vive há 40 anos em função da mina.

Adelman diz que os trabalhadores confiam no uso controlado da fibra, já comprovado por estudos científicos. “Estou na companhia há 27 anos e nunca tive problemas de saúde.

Tenho companheiros que estão há 41 anos e ainda estão atuantes na produção, sem qualquer problema”, afirma o representante dos trabalhadores.

Segundo ele, todos os casos de doenças registrados são anteriores à 1980, um passivo pelo qual a empresa tem se responsabilizado. “Aprendemos a trabalhar de forma segura aqui, sem ajuda do Ministério Público do Trabalho, pois a empresa investiu pesado em toda
tecnologia necessária para proteger o meio ambiente e os trabalhadores”.

Sindicalista lamenta imagem negativa

Apesar dos altos riscos à saúde anunciados pelos defensores do banimento do amianto, muitos moradores de Minaçu vivem dentro da Vila Sama, que fica no complexo da Sama Minerações, ao lado da Mina de Cana Brava.


O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa e de Beneficiamento de Minaçu e Região, Adelman Araújo, lembra que várias autoridades do município vivem na Vila, como o promotor e o delegado da cidade, e até o médico da empresa junto com toda a sua família. “Se houvesse risco, com certeza essas pessoas não estariam vivendo lá”, afirma.

Para ele, é um grande mal abrir mão de um produto goiano, natural, para utilizar fibras sintéticas produzidas em laboratório e que podem oferecer mais riscos à saúde humana.

“Hoje, o controle do ar na mina é muito rígido, sofrendo avaliação até na Europa”, diz.


Porém, ele lamenta que o mercado do amianto já esteja comprometido com toda a propaganda contrária.

O amianto é proibido na União Europeia desde 2005, apesar de seus defensores alegarem que a proibição envolveu apenas o tipo anfibólio. Para a jornalista Eliane Brum, o banimento é certo no Brasil. Por enquanto, o País estaria na fase do “nosso amianto é menos perigoso” e “possível de ser controlado”, com o argumento da necessidade de garantir os empregos e a economia.


https://www.opopular.com.br/editorias/economia/situa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-de-desespero-diz-prefeito-1.1325130?usarChave=true



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:24:24

STF proíbe uso do amianto em todo o Brasil


Com a decisão, não poderá ocorrer a extração, a industrialização e a comercialização do produto em nenhum estado do País


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (29) proibir uso do amianto do tipo crisotila, material usado na fabricação de telhas e caixas d’água. A decisão dos ministros foi tomada pararesolver problemas que surgiram após a decisão da Corte que declarou a inconstitucionalidade de um artigo da Lei Federal 9.055/1995, que permitiu o uso controlado do material.


Com a decisão, tomada por 7 votos a 2, não poderá ocorrer a extração, a industrialização e a comercialização do produto em nenhum estado do país. Durante o julgamento não foi discutido como a decisão será cumprida pelas mineradoras, apesar do pedido feito por um dos advogados do caso, que solicitou a concessão de prazo para efetivar a demissão de trabalhadores do setor e suspensão da comercialização.


Em agosto, ao começar a julgar o caso, cinco ministros votaram pela derrubada da lei nacional, porém, seriam necessários seis votos para que a norma fosse considerada inconstitucional. Dessa forma, o resultado do julgamento provocou um vácuo jurídico e o uso do amianto ficaria proibido nos estados onde a substância já foi vetada, como em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas permitida onde não há lei específica sobre o caso, como em Goiás, por exemplo, onde está localizada uma das principais minas de amianto, em Minaçu.


As ações julgadas pela Corte foram propostas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) há dez anos ao Supremo e pedem a manutenção do uso do material. A confederação sustenta que o município de São Paulo não poderia legislar sobre a proibição do amianto por tratar-se de matéria de competência privativa da União. Segundo a defesa da entidade, os trabalhadores não têm contato com o pó do amianto.


De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras entidades que defendem o banimento do amianto, apesar dos benefícios da substância para a economia nacional – geração de empregos, exportação, barateamento de materiais de construção -, estudos comprovam que a substância é cancerígena e causa danos ao meio ambiente.


https://www.opopular.com.br/editorias/economia/stf-pro%C3%ADbe-uso-do-amianto-em-todo-o-brasil-1.1405964



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:28:08


As ações dos governos dos estados que já tinham proibida a atividade empreendedora de extração do mineral amianto, deram causa a ação que foi julgada pelo STF, e a maioria dos juízes no STF votaram pela proibição, e agora a mina será fechada,  centenas de trabalhadores perderão o seu emprego, os consumidores irão perder a opção de ter produtos de boa qualidade, seguros e mais baratos,   e o município perderá a maior fonte de arrecadação de impostos.


 :no:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:33:20
Mais um resultado desastroso da ação do Estado na economia. 

Mas,  os juízes continuarão ganhando seus altos salários públicos, e os políticos do estados que iniciaram a proibição das atividades de mineração do amianto continuaram em suas boas vidas.  Então que se lasquem os trabalhadores e os empreendedores que trabalhavam com isso, e também a população e o município de Minaçu que irão afundar com essa decisão.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:37:31


Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"


 :no:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 01 de Janeiro de 2018, 12:40:06
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

 :no:

Mas não se preocupe.

Os procuradores e os juízes não terão seus rendimentos afetados por isto.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 15:05:51
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

 :no:

Mas não se preocupe.

Os procuradores e os juízes não terão seus rendimentos afetados por isto.


Não mesmo,  eles continuarão tranquilos recebendo sua  ampla remuneração  oriunda de impostos no final de cada mês, quem vai se ferrar serão os empregadas da empresa, os empresários, a prefeitura e os moradores de Minaçu, que verão a decadência em razão do fechamento da empresa mais importante do município.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Jack Carver em 03 de Janeiro de 2018, 23:01:22
https://www.youtube.com/v/DPkM7laJlTs
 :?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Brienne of Tarth em 04 de Janeiro de 2018, 15:08:40
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

JJ, se é tão bom assim extrair amianto porquê isso?

"Responsável por 70% da arrecadação do município e maior doadora privada de campanhas políticas no Estado, segundo valores declarados ao TSE (veja infografia), a Sama coleciona simpatizantes na cidade. Seu produto é proibido em cerca de 50 países, como Argentina e Japão. Na Europa, todos os tipos de amianto estão proibidos desde 2005, mas a demanda transferiu-se para países em desenvolvimento, como Índia, e continua estável."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/novoemfolha47/ult10115u589896.shtml

E isso?

"Apesar das garantias da mineradora, não há dados oficiais sobre a saúde de quem trabalha com o amianto. Dezessete empresas do setor, entre elas a Sama, conseguiram uma liminar para não cumprir portaria que exigia que informações sobre os trabalhadores fossem enviadas ao Ministério da Saúde. O argumento é que a portaria inibe a atividade e "constitui privilégio à indústria de fibras alternativas", que não foi obrigada a encaminhar os dados." (Mesma fonte)

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 04 de Janeiro de 2018, 16:16:38
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

JJ, se é tão bom assim extrair amianto porquê isso?

"Responsável por 70% da arrecadação do município e maior doadora privada de campanhas políticas no Estado, segundo valores declarados ao TSE (veja infografia), a Sama coleciona simpatizantes na cidade. Seu produto é proibido em cerca de 50 países, como Argentina e Japão. Na Europa, todos os tipos de amianto estão proibidos desde 2005, mas a demanda transferiu-se para países em desenvolvimento, como Índia, e continua estável."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/novoemfolha47/ult10115u589896.shtml

E isso?

"Apesar das garantias da mineradora, não há dados oficiais sobre a saúde de quem trabalha com o amianto. Dezessete empresas do setor, entre elas a Sama, conseguiram uma liminar para não cumprir portaria que exigia que informações sobre os trabalhadores fossem enviadas ao Ministério da Saúde. O argumento é que a portaria inibe a atividade e "constitui privilégio à indústria de fibras alternativas", que não foi obrigada a encaminhar os dados." (Mesma fonte)

Eu vou responder pelo JJ:

Da literatura médica que eu conheço, todas informam que a explotação do amianto, seja qual for o tipo, só apresenta perigo para a saúde de uma pessoa, se esta manusear ou ficar exposta em um ambiente pouco ventilado, sem nenhuma proteção e por longos períodos, mesmo para aquele que provém de minerais do grupo dos anfibólios, que são considerados os mais nocivos.

Até hoje não vi um só argumento consistente para o banimento da produção de amianto, embora eu esteja desatualizado em pelo menos dois anos.

E da indústria e ou beneficiamento de minerais e seus subprodutos, tenho plena certeza que a produção de carvão e de cal são muito mais nocivos para os trabalhadores desprotegidos e para o meio-ambiente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 09:52:49


O Geotecton já respondeu com boas informações,  eu só acrescento que cumprindo as normas de segurança para adequação do ambiente e  usando o EPI adequado não há problemas para o trabalhador.  É uma atividade de mineração segura como outras atividades de mineração que são permitidas sem problemas legais.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 12:08:23

É possível encolher o estado brasileiro – e as condições nunca estiveram tão propícias quanto hoje

No entanto, "colocar um dos nossos em Brasília" não irá resolver a situação

Nota do editor:

Nesta abrangente e detalhada entrevista, o jornalista e documentarista Adalberto Piotto entrevistou o presidente do IMB, Helio Beltrão, sobre as questões mais prementes hoje na economia e na cultura brasileira.


Segundo Helio, boa parte da população ainda tem a mentalidade de que precisamos de burocratas gerenciando nossas vidas por meio de um estado-babá muito presente na economia.  Ainda predomina a mentalidade de que um burocrata sentado em Brasília, munido de uma caneta, é capaz de saber melhor o que pode funcionar para todos os indivíduos de todos os cantos do país do que todo o conhecimento que está disperso pela sociedade dentro da mente da cada indivíduo.


E a consequência dessa tutela é a perda da autonomia, da liberdade, do dinamismo e da capacidade empreendedorial.


Além disso, e para piorar, há os grupos empresariais e sindicais de sempre, que estão em um confortável conluio com o poder, e que têm todo o interesse de manter a atual máquina de Brasília operando intocada.


Helio também fala sobre a indústria do carimbo, que ainda é muito resiliente.  E isso decorre dos grandes grupos de interesse já encastelados no poder, que ganham com o atual arranjo de criar dificuldades para vender facilidades.  A própria existência de cartórios é boa para empresas já estabelecidas, pois dificulta o surgimento de novos concorrentes. Será muito difícil mudar isso se ainda tivermos a mentalidade de que precisamos desse tipo de controle.


Ao passo que na Suécia e nos EUA qualquer um pode autorizar e registrar uma cópia — nos EUA, o notário público normalmente é um farmacêutico —, aqui no Brasil a mentalidade cartorial segue firma a despeito de todo o avanço tecnológico já vivenciado pelo mundo.


Para resolver o atual descalabro, não basta apenas "colocarmos um dos nossos em Brasília".  Mesmo que um genuíno libertário assuma a presidência, se a mentalidade da população ainda for estatista, nenhuma reforma poderá ser feita.  Não haverá clamor popular por tais reformas.


Uma analogia que, segundo Helio, retrata bem esse problema, seria a de tentar infiltrar uma pessoa boa e honrada no PCC (Primeiro Comando da Capital) com o intuito de tornar aquela quadrilha uma organização de pessoas boas e decentes.

O que irá acontecer, nesse caso, é que, ou essa pessoa boa irá se corromper e irá se tornar mais um membro da quadrilha, ou ela simplesmente pedirá para sair.


Com o estado, o raciocínio é o mesmo.  O estado tem a sua própria lógica — a lógica de manter o poder, de usar verbas para proveito da máquina, de fazer acordos de favorecimento a grupos de interesse — e essa lógica só poderá ser mudada de fora para dentro, por meio de mudanças na mentalidade da população.


Sobre a questão dos programas sociais, Helio afirma que há alternativas não-estatais que funcionariam de maneira muito mais eficaz.  Se, em vez de ter seu dinheiro confiscado por impostos, você tivesse a opção de doar seu dinheiro para ONGs auditadas pelo mercado, você muito provavelmente escolheria uma ONG cuja auditoria independente revelasse que 95% do dinheiro doado realmente chega a quem precisa (ao contrário do modelo estatal, em que 95% é desviado e vai parar nos bolsos de que não precisa), e provavelmente você escolheria uma ONG que trabalha na sua comunidade, de modo que você passaria a ter mais responsabilidade e mais poder de fiscalização e cobrança.


Portanto, mesmo na questão da rede social, há alternativas não-estatais que trazem de volta a questão de responsabilidade individual.  É muito mais importante devolver ao cidadão a responsabilidade por resolver os problemas sociais do que deixar tudo nas mãos de Brasília.


Embora a entrevista seja relativamente longa (29 minutos), esta é sem dúvida uma das melhores e mais completas exposições dos ideais do livre mercado, do voluntarismo e de livre cooperação entre os indivíduos.  E o entrevistador é extremamente competente.  Vale muito a pena.


Feito em 2015, o vídeo foi produzido pela Fecomércio-SP como parte do projeto Um Brasil.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2168


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 12:17:03
É necessário diminuir o peso do Estado na economia

O preconceitocomprivatizações ficou à margem do tempo.

Mudou o conceito, da simples venda de empresas estatais para
uma real mudança no papel do Estado

POR EDITORIAL

09/07/2016 0:00 /atualizado 09/07/2016 19:52


Em meio a uma crise sem precedentes, produziu-se em Brasília uma autêntica obra de arte política, a Lei de Responsabilidade das Empresas Estatais.


Durante ano e meio, à margem da tempestade perfeita que caiu sobre o Executivo e o Legislativo, por causa da corrupção em contratos de empresas estatais e órgãos públicos, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) negociou à exaustão com todos os partidos, e aprovou um conjunto de normas com o objetivo de impedir o uso político das empresas estatais.


O resultado foi um raro consenso parlamentar — PT incluído — sob a forma de legislação inovadora, em torno da profissionalização da gestão das empresas públicas, com adoção de mecanismos de mercado e barreiras inéditas ao loteamento político-partidário.


Houve uma tentativa rasteira de subversão do projeto na Câmara, mas o Senado recuperou o espírito da proposta de lei, legitimou-a no voto, e o presidente interino Michel Temer sancionou na semana passada, com vetos pontuais e precisos.


Agora, é preciso ir além. A emergência da crise impõe a necessidade de redução do peso e do tamanho do Estado na economia. Não se trata de mera questão ideológica ou acadêmica, mas de racionalidade: a sociedade não suporta mais pagar por um Estado caro, esbanjador e ineficaz tanto na produção quanto na prestação de serviços essenciais.


Tem-se um bom retrato das distorções no conjunto das empresas públicas, usadas politicamente na última década de forma intensiva e prejudicial ao erário.


Além do mais, qual a razão para a Petrobras manter ativos como uma fábrica de fios sintéticos ou alguns dos campos de petróleo no Nordeste se a própria estatal avaliou e concluiu pela certeza de que já não precisa deles? Qual o sentido de se manter empresas como a Telebras, a Valec e a Infraero?


O preconceito com privatizações ficou à margem do tempo. Mudou o conceito, da simples venda de empresas estatais para uma real mudança no papel do Estado. Como lembrou a economista Elena Landau, em recente entrevista ao GLOBO, o novo ciclo alcança áreas como infraestrutura, se reveste de formas inovadoras, como os contratos de gestão, as parcerias público-privadas, e concessões. Ao Estado moderno cabe, sim, forte papel regulatório, com atuação eficaz na defesa da sociedade.


A meta fiscal estabelecida pelo governo federal para 2017 significa, na prática, uma tentativa de conter o déficit nas contas públicas no limite de R$139 bilhões.


Para realizá-la, governo federal e os estados dependem do auxílio das chamadas receitas extraordinárias, passíveis de se obter na escala necessária apenas com a venda de empresas públicas, contratos de gestão, parcerias público-privadas e concessões. É a saída.


https://oglobo.globo.com/opiniao/e-necessario-diminuir-peso-do-estado-na-economia-19674460
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 05 de Janeiro de 2018, 15:01:43
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.

Sinto falta de uma perspectiva mais ampla sobre essa questão no debate, não dá pra deixar um debate dessa importancia ser pautado apenas pela midia.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Janeiro de 2018, 16:51:18
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Janeiro de 2018, 07:02:46
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.


Sobre isso achei este texto no Mercado Popular:


Instituto Mercado Popular

ECONOMIA, HISTÓRIA, POLÍTICA

Milton Friedman, desestatização à cubana e privatizações tucanas

Por Valdenor Júnior · Em 17/02/2014


Por Valdenor Júnior.

O anticapitalista de livre mercado daqui do blog, o Rodrigo Viana, escreveu recentemente um texto denominado “Desestatização à cubana, ou: Por que eu não defendo o libertarianismo vulgar“. Ali ele defende o tipo de desestatização feita recentemente em Cuba, onde a propriedade pública é substituída por cooperativas de trabalhadores já empregados no setor antes estatizado. Denomina-a de “desestatização à cubana”, e coloca como um de seus defensores o libertário Charles Johnson, em Two Words on “Privatization”:


“‘Privatização’, como compreendida pelo FMI, pelos governos neoliberais e pelas corporações de barões assaltantes é um monstro bem diferente da ‘privatização’ como compreendida por radicais de livre mercado. O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária.


Então aqui está minha proposta para a reforma linguística. O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’.”


O Viana contrasta isso com as privatizações “neoliberais”, entendendo por neoliberalismo um conjunto de “medidas políticas que buscam vender ativos públicos ou estatais para os interesses corporativos, geralmente sob preços muito baixos” e que “todo esse processo neoliberal faz entregar para uma elite corporativa um ativo onde os custos de instalação, infra-estrutura e start-up foram socializados através do espólio promovido pelos impostos.”


De fato, concordo que, se realmente quisermos dar um sentido para a palavra “neoliberalismo”, temos de defini-la como “liberalização econômica dirigida por negociação política, coordenação intergovernamental e organismos internacionais, com especial atenção aos efeitos macroeconômicos”, o que se relaciona com o fato da economia de mercado ter vencido por W.O, pela desistência de seu concorrente, não por uma mudança nas atitudes públicas em direção ao liberalismo. (contudo, o termo causa tanta confusão, que eu prefiro não usá-lo)


Agora, geralmente menciona-se que Milton Friedman seria “neoliberal”. O que é um grande erro, pois Milton Friedman era um liberal clássico autêntico. Contudo, você pode se perguntar: Friedman preferiria as desestatizações à cubana ou as privatizações tucanas (sob o FHC) “neoliberais”? Que modo ele favorecia para que as empresas públicas fossem privatizadas/desestatizadas?


Bem, para falar a verdade, o velho Friedman preferia as desestatizações à cubana. Sim, isso mesmo, o suposto “neoliberal” não defendia a venda das empresas públicas para as grandes corporações ou para quem pagasse mais em um leilão público.


Prova nº 1:


No vídeo abaixo, segue-se uma conversa entre Milton Friedman e um interlocutor, acerca da privatização na Hungria, dos 18:53 até os 20:04. Vou primeiro transcrever a conversa. E depois vocês podem confirmar assistindo ao vídeo:


[Milton Friedman narrando] Os convidados desta festa não se interessam por pequenos empresários como Martin. Altos executivos poderosos da América do Norte e da Europa Ocidental se interessam por coisas maiores. (…) Promoverão empreendimentos conjuntos entre empresas ocidentais e estatais. Para prosperarem precisam ser amigos dos políticos e dos burocratas poderosos. É lobby de alto escalão, aos moldes ocidentais. O perigo é que no processo, burocratas do governo local e grandes empresas estrangeiras congelam os pequenos empresários.


[o interlocutor fala] Ele sabe bem que o governo se preocupa em não vender o país.


[Milton Friedman] Os bens da Hungria pertencem ao povo.


[Interlocutor] certo.


[Milton Friedman] Não acho que devam ser vendidos. Você é cidadão húngaro. Quem é dono das estatais?


[Interlocutor] A sociedade.


[Milton Friedman] Não, é o povo.


[Interlocutor] sim…


[ Milton Friedman] Então, entreguem-nas ao povo.


Assista você mesmo ao vídeo:


Prova nº 2:


Milton Friedman, no ensaio “Using The Market for Social Development“, afirma que devemos tomar cuidado, ao privatizar, de converter um monopólio público em um monopólio privado, e afirma que sua forma favorita de privatização é entregar as empresas públicas… ao povo:


“Minha própria forma favorita de privatização não é vender participação acionária, mas dar as empresas possuídas pelo governo aos cidadãos. Quem, eu pergunto aos oponentes, possui as empresas estatais? A resposta invariavelmente é, “O público”. Bem, então por que não fazer disso uma realidade ao invés de floreio retórico? Configure-a como uma corporação privada, e dê a cada cidadão um ou uma centena de ações/quotas nela. Deixe-os livres para comprar ou vender suas ações/quotas. As ações/quotas iriam para as mãos dos empreendedores que poderia manter a empresa, por exemplo, o sistema postal, como uma única entidade se for mais rentável fazê-lo ou dividi-la no número de entidades que parecesse mais rentável.”  (tradução livre)


Conclusão: Se usarmos o termo de Viana, “desestatização à Cubana”, em sentido amplo, de forma consistente com a definição de Charles Johnson (“O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’”), teremos que concluir que Milton Friedman defendia justamente isso.


Ele considerava que era uma forma ruim de privatização simplesmente vender as empresas estatais para corporações já constituídas, mas defendia que deveríamos devolvê-las à população e permitir que os cidadãos, conforme a livre troca de suas participações na empresa, acabassem por reconfigurar a empresa em uma ou mais firmas a depender das condições daquele mercado em específico. (e claro, sendo garantida a livre entrada de concorrentes no setor)


Ainda que a desestatização em Cuba envolva a ideia de “cooperativas”, enquanto Friedman prioriza o modelo societário de firma (com base em ações ou quotas), não se pode negar que Friedman apoiava entusiasticamente uma espécie de desestatização à cubana e a desestatização preconizada por Charles Johnson, e não a privatização “neoliberal” ou nos moldes feitos no Brasil na década de 90.


valdenor


Valdenor Júnior é advogado. Desde janeiro de 2013, tem o blog Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart onde discute alguns de seus principais interesses: naturalismo filosófico, ciência evolucionária com foco nas explicações darwinianas ao comportamento e cognição humanas, economia, filosofia política com foco na compatibilidade entre livre mercado e justiça social. Com Darwin aprendeu a valiosa lição de que entender o babuíno é mais importante do que se imagina.


http://mercadopopular.org/2014/02/milton-friedman-desestatizacao-a-cubana-e-privatizacoes-tucanas/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 13:24:54
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 13:35:41
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]

No Brasil, a manutenção da estatização é tão ruim que é questionável que ela seja um mal menor do que a privatização baseada em socialismo aristocrático do capitalismo de compadrio. Em 1998, o Brasil estava bem atrás até do México (que privatizou a Telmex em 1991), país de renda per capita semelhante a nossa na época, em número de telefones por 100 habitantes. Lembro que as reportagens das revistas semanais de grande circulação mencionaram isso, sobretudo a Veja. E, depois da privatização da Telebrás, o número de usuários de telefone explodiu rapidamente ao ponto de, em algum momento, não devermos nada ao México em termos de densidade telefônica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 06 de Janeiro de 2018, 15:33:11
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Janeiro de 2018, 18:34:25
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

No Brasil, as privatizações não seguiram o modelo de Friedman. Ou o mercado foi regulado através da criação de Agências Reguladoras (como a ANATEL após a privatização do setor telefônico), ou o governo manteve grandes participações (como na Vale, onde se não estou enganado, o Governo ainda detém 49% das participações).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 06 de Janeiro de 2018, 18:40:21
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Janeiro de 2018, 18:47:21
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
O BNDESPAR  é uma divisão do BNDES, que é controlado pela União, então... dá quase na mesma...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 22:48:08
Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

Idealismo é o paraíso dos perdedores. Não vivemos na Idealândia. No mundo real, somos constantemente forçados a dar nosso posicionamento sobre escolher entre a pior alternativa e uma alternativa sub-ótima (ou mesmo sub-boa). "Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais" significa, na prática, que fôssemos indiferentes entre escolher a manutenção do estado da Vale e da Telebrás como empresas estatais e a privatização delas como ocorreu. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 23:23:03
Citar
O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 23:28:45
Citar
Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 07 de Janeiro de 2018, 00:50:53
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 07 de Janeiro de 2018, 01:22:47
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.

Isso é como dizer que a culpa dos acidentes automobilísticos é exclusivamente dos motoristas e nunca dos automóveis. Mas pense nas pessoas americanas que poderiam ter viajado de avião no pós-11 de setembro e não o fizeram. O uso do automóvel como veículo aumentou o número de acidentes com veículos. Então, há algo de errado sim com o automóvel (e não apenas com os motoristas), pelo menos na comparação com o avião, que é um veículo muito mais seguro. O mesmo pode ser dito do Estado. A não limitação do uso do Estado como veículo de prosperidade causa catástrofes. E muitas grandes corporações tem parcela de culpa nisso. Defender mais liberdade econômica não significa necessariamente ser encantado com essas grandes corporações.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 07:59:07


O desespero por comida na Venezuela

Mundo  06.01.18 20:10

Multidões de venezuelanos se aglomeraram do lado de fora de alguns supermercados de Caracas neste sábado, um dia após o governo de Nicolás Maduro obrigar estabelecimentos a reduzirem os preços a níveis de um mês atrás, informa O Globo.

Trata-se de uma redução drástica, dada a hiperinflação da Venezuela.

“Em um dos supermercados, centenas de pessoas, incluindo bebês, pensionistas e crianças com deficiências se reuniam em cenas caóticas.

‘Na minha casa, não comemos três vezes por dia’, disse Mileidy Acosta, de 28 anos, com três crianças. ‘As pessoas estão cansadas. Uma pessoa que ganha um salário mínimo não pode comprar nem molho de tomate.'”

Lula não vai agendar uma palestra em Caracas?

Fonte: https://www.oantagonista.com/mundo/o-desespero-por-comida-na-venezuela/




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 07:59:37
Venezuela em 2015:


Venezuela vai intensificar controle de preços

 (http://afp.com)

21/10/2015 05h38



Caracas, 21 Out 2015 (AFP) - O governo da Venezuela vai endurecer a política de controle de preços e as sanções aos especuladores, segundo uma série de medidas anunciadas na terça-feira pelo presidente Nicolás Maduro para conter o acelerado aumento do custo de vida.


"Vamos apertar a lei de preços justos", disse Maduro em seu programa semanal de rádio e televisão, ao anunciar uma reforma que estabelece um controle ferrenho ao custo dos produtos básicos e outros bens de consumo.


As medidas, anunciadas um mês e meio antes das eleições legislativas de 6 de dezembro, pretendem conter a inflação galopante, que segundo Maduro deve ficar próxima de 85% em 2015.


"Vamos fechar as comportas às práticas para roubar o povo. Aumentaremos as sanções a todo aquele que estiver remarcando produtos", completou o presidente venezuelano, que também prometeu aumentar a punição aos especuladores.


Maduro advertiu que as sanções afetarão os que violam o controle cambial e fixam preços tomando como referência o dólar paralelo - 125 vezes mais caro que a menor taxa oficial.


O atual sistema estabelece uma tabela de "preços justos", publicada na internet, mas o presidente venezuelano disse que a lei foi "invadida e pulverizada" pelos especuladores.

Maduro disse que a lei fixa um lucro de 30% para os comerciantes, mas "criaram vínculos com a cadeia intermediária e a cada etapa adicionam 30%".
"Vamos mudar todos os mecanismos de cálculo do preço justo", disse. Os detalhes serão apresentados em breve, segundo Maduro, que antecipou a
criação de uma categoria que determinará um "preço máximo de venda ao público" que incluirá produtos de toda a economia nacional.


"Estamos elevando as penas de prisão porque a lei tem que voltar a ser implacável em tempos de guerra econômica", afirmou Maduro, que atribuiu a crise aos empresários e à oposição, assim como às máfias do contrabando.


Economistas e empresas de consultoria afirmam que a inflação da Venezuela deve superar 200% no conjunto de 2015, em um cenário de escassez de dois em cada três produtos básicos e profunda desvalorização da moeda nacional.


Analistas consideram que o controle de prelos e do sistema cambial provoca muitas distorções da economia venezuelana, ao desestimular a produção nacional.


https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2015/10/21/venezuela-vai-intensificar-controle-de-precos.htm

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:00:37


O nível de burrice econômica de Maduro está chegando a patamares surreais. A hiperinflação está acelerando o passo e o que o paspalho esquerdopata faz? Põe um controle de preços ainda mais restritivo para deixar as prateleiras dos supermercados ainda mais vazias do que já estão.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:01:13
Aproveitando a oportunidade das notícias sobres controle de preços na Venezuela



Controle de Preços: origens, manutenção, ações e efeitos


 11 MAIO '14   ROBERTO BARRICELLI   


Da série: Livre Mercado x Intervencionismo O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, […]



Da série: Livre Mercado x Intervencionismo

escassez-controle-precos


O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, contudo, o tiro costuma sair pela culatra.


Um governo, como do facínora Nicolás Maduro, na Venezuela, decide “abaixas os preços” com uma canetada. Primeiro, porque a inflação é absurda e segundo, porque acha que isso deixará o povo mais feliz e consequentemente melhorará a imagem do governante. Contudo, o controle de preços gera escassez e piora uma situação já delicada, desencadeando insatisfação contra o próprio governante.


Quando o Estado define pelo “controle dos preços”, ele corta o preço dos produtos e/ou serviços abaixo do preço de mercado. Esse ato incorre no recolhimento de tais produtos e/ou serviços pelos empresários, que decidem esperar ou pelo fim do controle de preços, ou por outro momento mais propício, ou até se aventuram no mercado negro, que é originado neste caso devido à escassez provocada pela retirada desses produtos e retenção dos estoques.

Ora, o preço foi cortado por uma canetada de um burocrata aquém do mercado, mas os custos continuam os mesmos, logo, não há como vender o produto e/ou serviço, obter os prejuízos e continuar de pé. Com a falência dessas empresas a escassez seria ainda maior. O próximo passo do Estado é estender o controle de preços aos insumos e produtos necessários para a fabricação e oferta dos produtos e serviços inicialmente controlados, esperando que os custos destes caíssem e eles retornassem ao mercado. Contudo, o mesmo problema se repete e agora como há escassez também dos insumos, o preço dos produtos e serviços sobe ainda mais.


Quando não houver mais onde implantar o controle de preços, o Estado, então, obrigará os empresários a venderem seus produtos e serviços estocados, normalmente sob ameaças de prisão, pena de morte, extradição, estatização, etc, caso não obedeçam (novamente, lembram da Venezuela, do papel higiênico, dos produtos alimentícios…?). Contudo, quando esses produtos forem sob essas condições (controle de preços abaixo do valor de mercado e, principalmente, do mercado negro já existente nesta fase) a demanda por eles será muito maior do que a oferta, logo, não haverá como atender a todos e muitos ficarão sem esses produtos e/ou serviços.


Neste momento entra a terceira etapa do Estado intervencionista: o racionamento. O Estado decide que os produtos e/ou serviços controlados e escassos serão racionados e limita a quantidade que cada cidadão pode consumir de cada um deles. Isso mesmo, o Estado define o quanto o cidadão pode consumir de cada produto e/ou serviço. Porém, como o Estado não conseguirá medir qual a necessidade de consumo de cada indivíduo, uns terão mais do que precisam (poucos) e outros (a maioria) terão menos do que precisam. Novamente vemos o fortalecimento do mercado negro, com os preços aumentando mais, devido à origem deste advir de escassez, intervencionismo e falta de concorrência. Venezuela?


O Estado não consegue medir a demanda coletiva, devido não estar sob as leis do mercado que compreendem o sistema de preços e custos e o mecanismo de lucros e prejuízos, logo, impossibilitado de realizar o cálculo de quanto é necessário investir para oferecer um produto e/ou serviço e qual seria seu preço. Logo, não conseguindo saber quanto precisa ofertar, tão pouco sabe a demanda e não consegue alocar racionalmente os escassos recursos que possui, agravando a escassez dos mesmos. Imagina então medir a demanda individual, ou seja, quanto cada cidadão necessita e/ou quer consumir de determinado produto e/ou serviço e quanto está apto e aceita a pagar pelos mesmos. Por isso afirmo no parágrafo acima que o Estado agravará a escassez, quando implantar o racionamento.


No fim, ou o Estado desiste do controle de preços e ruma ao liberalismo econômico, ou a sociedade colapsa e pode nunca se recuperar. Talvez haja manifestações em massa, que serão reprimidas com violência. Talvez até uma guerra civil e intervenção externa no conflito.

Agora, se tudo isso ocorre no intervencionismo, como é o controle de preços no livre mercado? Não existe um controle de preços formal no Livre Mercado, mas uma disseminação do poder nas relações de trocas voluntárias, entre consumidores e empresários. Logo, haverá mecanismos que possibilitarão aos consumidores “controlar” os preços do mercado.


Essas ferramentas eu já citei em meu artigo sobre monopólios: concorrência potencial, concorrência de substitutos e elasticidade da demanda. Mas falarei novamente aqui, pois servem como ferramentas contra as empresas monopolísticas e também contra empresas em mercado de ampla concorrência.


A concorrência potencial significa que se as empresas oferecerem produtos e serviços ruins e/ou a preços exorbitantes, logo, gerará insatisfação em seus consumidores e abrirão caminho para outras empresas entrarem no setor e tomar fatia importante do mercado, logo, esse perigo as faz melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Caso a concorrência potencial não tenha quaisquer efeitos, a concorrência de substitutos pode ser utilizada. Significa que os consumidores consumirão produtos e serviços similares, mas de outras empresas, por exemplo, ao invés de um refrigerante da empresa X, tomarão suco da Y, ou água da Z. Isso afetará os lucros das empresas ruins e as obrigará (novamente) a melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Por fim, se nada disso funcionar, a elasticidade da demanda funcionará (e esta costuma se a principal e mais aplicada ferramenta, utilizada até antes da substituição). Os indivíduos consumirão menos do produto e os lucros serão afetados consideravelmente, obrigando as empresas a melhorarem a qualidade e diminuírem os preços.


Essas ferramentas são também eficazes contra cartéis e na prevenção de trustes, mas falarei disso em outros artigos.


Bem, são essas as diferenças entre origem, manutenção, ação e efeitos do controle de preços no sistema intervencionista e no Livre Mercado. No intervencionismo há escassez, aumento de preços, queda da qualidade, racionamento e agravamento da escassez inicial, podendo haver conflitos civis e militares quando a situação se torna insustentável, mas o Estado se recusa a recuar. Já no Livre Mercado o controle é exercido de forma natural pelos consumires através da livre concorrência e de ferramentas que obrigam os empresários a investirem em qualidade maior e preços menores.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/controle-de-precos-origens-manutencao-acoes-e-efeitos/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:10:04
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?



A maioria dos esquerdistas que fazem parte de cúpulas partidárias certamente que não iria querer, pois eles certamente acalentam a esperança de chegarem no poder e obterem altos cargos em alguma estatal.


Já a maioria dos esquerdistas comuns provavelmente nem sabem dessa possibilidade,  já que a cúpula do partido certamente não defendeu tal ideia de forma veemente e sistemática (e provavelmente nem defendeu de forma fraca e assistemática).




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:18:04
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.



Legal. Quer dizer que você é contra a ação de distribuir bônus conversíveis para o povo do país em ações da  ex estatal ?



" A chamada "privatização espontânea", isto é, a distribuição gratuita a toda a população de "vouchers" (bônus conversíveis em ações), amplamente usada nos países ex-comunistas, foi inventada num país capitalista, o Canadá. Em 1975, na província de British Columbia, um governo conservador decidiu revogar as estatizações do governo anterior. Congregou as empresas estatizadas numa holding, distribuindo gratuitamente cinco ações a cada membro da população."


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:23:49


É por esse tipo de pensamento mesquinho e egoísta tipo Ayn Rand, que não se importa em melhorar diretamente a vida do povo é que essa coisa de liberalismo não se espalha em massa no Brasil. Pelo visto muitos liberais brasileiros parece que só se interessam por desestatização que vá beneficiar (diretamente) os que já são ricos e poderosos.  Se for para fazer um benefício direto para o povo, nem pensar. Mesmo que haja um exemplo do Canadá (um país de primeiríssimo mundo).



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:33:07
Propor uma distribuição quase geral (que deveria excluir os já ricos) de bônus conversíveis em ações (que poderiam depois serem negociadas em bolsas de valores) de todas as estatais brasileiras seria uma excelente proposta de desestatização que conquistaria a maioria esmagadora  da população.


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Entretanto uns liberais do tipo Ayn Rand ( a sociopata  super  egoísta  ) não gostariam dessa ideia.   :no: :no:


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 15:00:48


Uma análise econômica do controle de preços (I)


 8 SET '15   INSTITUTO LIBERAL   


por GABRIEL DIB* Introdução Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca. Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria […]

por GABRIEL DIB*

Introdução


Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca.


Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria do valor subjetivo à teoria do valor trabalho. Na segunda parte, mostram-se os diversos tipos de políticas de controle de preço, como o controle de aluguéis e o salário mínimo. A parte final contém uma analise histórica dos resultados da política de controle de preços em diversas épocas, e realizam-se considerações finais no que toca ao tema abordado.


Por fim, é necessário destacar que os argumentos aqui expostos não têm como objetivo qualquer tipo de julgamento de valor; portanto, procura-se apenas provar que certa política é ineficaz, independente de sua moralidade. Utilizam-se, dessa maneira, de argumentos objetivos, os quais não tem dependência com nenhum tipo de código ético, preferências morais ou política


Formação de Preços


Antes de analisar-se qualquer tipo de política no que diz respeito ao controle ou alteração dos preços de mercado, é necessário compreender como os preços se formam e quais são as suas principais funções.


Antigamente, nas origens da ciência econômica, era tido com o uma máxima absoluta que os preços eram derivados do esforço ou do trabalho para produzir certo bem. Nesse sentido, os principais teóricos desse conceito eram Adam Smith – conhecido como o patrono da economia- e David Ricardo.


Adam Smith e David Ricardo


Ainda convém lembrar que outro autor o qual foi influenciado por esse conceito de Smith e Ricardo foi Karl Marx. Em consequência disso, Marx baseou grande parte da sua teoria e realizou diversas conclusões partindo de uma premissa equivocada, a qual ficou conhecida como teoria do valor-trabalho.


É incontestável que a teoria do valor-trabalho possui inúmeras contradições. Por exemplo, se Pablo Picasso empreendesse o mesmo tempo em uma obra sua que um pintor de paredes em uma casa, o preço final seria o mesmo? O próprio Marx reconheceu alguns erros em sua teoria.


Além disso, é necessário introduzir o conceito de Sunk Cost – conceito fundamental para empreendedores. O Sunk Cost refere-se a recursos empregados na fabricação de um ativo que são irrecuperáveis.  Juntando o conceito de valor-trabalho com o de Sunk Cost, temos o seguinte exemplo: é decidido investir em uma fábrica de gelo no Alasca; porém, necessita-se de um grande esforço e de custo altos para as máquinas, sobretudo. Supondo que fosse gasto 1 milhão de reais,  seria possível cobrar um preço tão alto pelo produto como se fosse vendido no Deserto do Saara? De fato, não é uma decisão mercadológica muito interessante, sendo similar a investir em lampiões na era da eletricidade. Portanto, fica evidente que os custos passados não têm um elo tão íntimo com o preço final.


A verdade é que os preços são formados pela combinação de duas varáveis: a demanda subjetiva, relacionada à utilidade marginal, e a quantidade ofertada, relacionada à escassez.



Carl Menger


Os conceitos de utilidade marginal e preferências subjetivas são oriundos da Revolução Marginalista, tendo como principal expoente Carl Menger – um dos principais teóricos da Escola Austríaca. O conceito de preferências subjetivas é bastante trivial: se todos gostassem de um produto X, ninguém compraria o produto Y. Ou seja, em suma, as demandas dos diversos agentes econômicos diferem entre si. Esse fato é de extrema importância, visto que quando alguém vai ao mercado comprar algo que demanda, leva consigo sempre uma escolha subjetiva, a qual tem total relação com o preço final.


O conceito de utilidade da Escola Austríaca difere bastante do conceito junto à economia neoclássica. Quando se compra certo bem no mercado, é comprada uma quantidade específica dele: 300 gramas de queijo ou um carro. E não apenas carros ou maças. Muitos economistas não conseguiram elaborar uma teoria de preços baseada na utilidade porque não compreendiam que se se comprava apenas uma quantidade de certo bem no mercado, e não a classe toda.


Para os austríacos, a utilidade é basicamente um ranking de preferências subjetivas. Quando se vai comprar algo, você faz um ranking dos diferentes produtos disponíveis. Por sua vez, a posição nesse ranking depende da valoração subjetiva de cada produto. Dessa maneira, se gasta nessa lista até o dinheiro disponível acabar. Obviamente, são escolhidos primeiros os produtos que estão acima no ranking. Portanto, é impossível medir utilidade, não porque não se tem uma unidade correta, mas sim porque não se tem o que medir.


Nesse sentido, supondo que um agricultor produza 4 sacas de trigo e as valoriza no seguinte ranking:


1- Alimentar a família

2-Reinvestir na agricultura

3-Fabricar cevada

4-Alimentar os animais de estimação


Caso uma praga destrua uma saca, supondo que fossem sacas carimbadas e nesse caso fosse destruída a quarta, o agricultor simplesmente realocaria o recurso de acordo com suas preferências, ou seja, investiria na agricultura em detrimento da alimentação dos animais de estimação.  Ademais, a utilidade marginal é de extrema importância na formação de preços, pois só se compra algo se o preço desse bem justificar esse custo, ou seja, se o preço for acima da utilidade marginal do bem, o agente econômico simplesmente irá parar de consumi-lo.


Por outro lado, a oferta está diretamente relacionada ao princípio de escassez: quando eu consumo um bem, eu estou deixando uma menor quantidade para os outros consumidores. Esse é um pressuposto básico da economia: não há motivos para falar em calculo econômico se o conceito de escassez não existisse. A despeito disso, há diversas críticas no que diz respeito a alguns economistas marxistas por não terem compreendido o conceito de escassez.


‘’Em última instância, os preços são determinados pelo julgamento de valores feitos pelos consumidores. Cada indivíduo, ao comprar ou ao não comprar e ao vender ou não vender, dá a sua contribuição à formação dos preços de mercado. Mas quanto maior for o mercado, menor será o peso da contribuição de cada indivíduo. Assim, a estrutura dos preços de mercado parece, a um indivíduo, um dado ao qual ele deve ajustar sua própria conduta. Aquilo a que se chama de preço é sempre uma relação que ocorre no interior de um sistema integrado, sistema esse que é o resultado das várias relações humanas’’ (Ludwig von Mises)


Outro fator existente é que o preço de mercado tende a igualar a oferta e a demanda. Se um preço se afastar do nível de equidade entre a ofertada e a demanda, a tendência é que o retorno ao equilíbrio ocorra automaticamente em um mercado livre. Muito economistas utilizam o termo de preços de equilíbrio; porém, é necessário citar que, para a Escola Austríaca, não existem preços de equilíbrio, visto que a economia é essencialmente dinâmica e, portanto, o que há são apenas preços que convergem para o equilíbrio, no chamado processo de mercado.


Além disso, é necessário citar que o sistema de preços de mercado tem a importância fundamental de emitir sinais para que os diversos participantes do processo de mercado possam coordenar seus planos ao longo do tempo. Friedrich Hayek – economista austríaco com prêmio Nobel – em seu paper ‘’The Use of Knowledge in Society’’, define que a informação é difusa e pulverizada. Nesse contexto, quando transacionamos no mercado levamos conosco essa pequena parcela de conhecimento. De fato, ninguém, por mais inteligente que seja, possui o conhecimento de todos e conhece, portanto, todas as preferências subjetivas individuais.


O preço, dessa maneira, é a resultante das mais diversas informações e conhecimentos, levando informações relevantes tanto para o consumo quanto para a produção. Por exemplo, se o preço da energia subir, devido a explosão de uma usina no Japão, o agente econômico pode não saber dessa informação, mas mesmo assim irá reajustar a sua demanda. Além disso, o sistema de preços cria incentivos para se alocar recursos da forma mais eficiente possível. Se o produtor de um lápis percebe que uma espécie de madeira está ficando mais cara devido a sua escassez, ele tende a economizar e utilizar uma madeira mais barata, ao receber essa informação.


Fica evidente, portanto, que o sistema de preços é indispensável para a alocação de recursos de forma mais eficiente possível. Porém, é necessário que a formação desse preço ocorra de maneira livre, sem intervenções ou distorções.

 

*Gabriel Dib é vice-coordenador do EPL no Rio Grande do Sul, presidente do Clube Empreendedorismo e Liberdade e diretor de eventos no Instituto Atlantos.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/uma-analise-economica-do-controle-de-precos-i/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 08 de Janeiro de 2018, 21:55:42
Citar
O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 08 de Janeiro de 2018, 22:00:18
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Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.
Sim, de fato.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 08 de Janeiro de 2018, 23:00:37
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O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.

O que eu entendi é que, no modelo cubano de privatização, a empresa estatal vira propriedade apenas dos empregados do setor, e não de todos os pagadores de impostos, enquanto que foram todos os pagadores de impostos que ajudaram a criar a empresa estatal ou pagaram a conta dela quando a mesma deu prejuízo. Mas, na privatização espontânea, a empresa estatal é dada a todos os pagadores de impostos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 09 de Janeiro de 2018, 15:21:46
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

A questão central é da propriedade, estatal ou privada, e os controles, regras, que a sociedade pode criar para impedir que uma excessiva concentração de poder economico resulte em incentivos para corrupção, monopolização, controle e tudo o mais que destroi as bases de uma sociedade liberal.

Quando uma empresa tem us$ 200 bi em caixa, ela pode avançar sobre os direitos de propriedade dos consumidores, manipulando, rastreando, sabotando seu aparelhos pelos quais ele pagaram um sobrepreço razoável, e mesmo assim terá certeza de impunidade, as multas se vierem, não arranharão nem seu caixa.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 09 de Janeiro de 2018, 20:04:01
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 09 de Janeiro de 2018, 20:35:59
A questão central é da propriedade, estatal ou privada, e os controles, regras, que a sociedade pode criar para impedir que uma excessiva concentração de poder economico resulte em incentivos para corrupção, monopolização, controle e tudo o mais que destroi as bases de uma sociedade liberal.

Quando uma empresa tem us$ 200 bi em caixa, ela pode avançar sobre os direitos de propriedade dos consumidores, manipulando, rastreando, sabotando seu aparelhos pelos quais ele pagaram um sobrepreço razoável, e mesmo assim terá certeza de impunidade, as multas se vierem, não arranharão nem seu caixa.

Embora existam problemas de subintervenção econômica no mundo, o principal antídoto para concentração excessiva de poder econômico corporativo e monopolização é liberdade econômica. Não existe país sem elites econômicas e políticas, mas os locais que mais apresentam problemas de concentração de poder econômico corporativo e monopolização são aqueles liderados por Estado socialista (o que inclui o Estado de Capitalismo de Compadrio). Direito de propriedade garantido, desregulamentação que diminua barreiras à entrada de novos ofertantes no mercado (inclusive os estrangeiros) e abertura comercial têm poder para diluir os poderes das elites econômicas locais. Como demonstrado no livro Porque as Nações Fracassam, de Daron Acemoglu e James Robinson, instituições que estimulam a prosperidade criam um esquema de retroalimentação positiva que anula as tentativas das elites de solapá-las.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 10 de Janeiro de 2018, 13:08:31
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http://www1.folha.uol.com.br/colunas/leandro-narloch/2018/01/1949339-bolsonaro-e-psl-fizeram-livres-cair-para-cima.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=comptw

Bolsonaro e PSL fizeram 'Livres' cair para cima

Há uma direita e uma esquerda permitidas no Brasil. A esquerda tenta fingir para si própria que seus adversários odeiam pobres e minorias e que não existe liberal de verdade por aqui.

Já a direita prefere acreditar que a esquerda se resume a adoradores de Nicolás Maduro, Dilma Rousseff e Pabllo Vittar, gente que pretende rachar as "bases tradicionais da família" e implantar as metas do Foro de São Paulo.

Por isso foi tão interessante a revolta do Livres, movimento que deixou o PSL depois de o presidente do partido decidir se unir a Jair Bolsonaro. A opinião pública teve de repente que aceitar a existência de um movimento tão contrário a Bolsonaro quanto ao PT, com integrantes que defendem liberdades à esquerda e à direita, como a legalização das drogas, o casamento gay, a privatização e a reforma das leis trabalhistas.

O acordo entre Bolsonaro e o PSL teve sabor de derrota para o Livres na semana passada. "Agora percebemos que caímos para cima", me disse um amigo. O grupo recebeu mensagens de governadores, convites de filiação e pedidos de reunião de nove partidos —Novo, PSDB, PPS, Podemos, Rede, Patriota, PRP e PSC. Seus integrantes descobriram ter muito mais chances de se elegerem deputados se filiados a partidos mais relevantes que o PSL.

A ousadia do Livres é defender bandeiras que não são exatamente o que o povo quer ouvir. Apesar da febre liberal recente, o grosso do eleitorado ainda é um bocado estatista e nacionalista. O Datafolha mostrou nas últimas semanas que o apoio a privatizações e à descriminalização da maconha está aumentando, mas ainda é baixo principalmente entre os mais pobres.

O povo pensa como Levy Fidelix; a elite, como FHC. Ou melhor: os mais ricos se dividem entre defensores do livre mercado e da liberalidade nos costumes, raramente as duas coisas ao mesmo tempo.

O MBL, por exemplo, parece ter concluído que o liberalismo econômico só vai vingar no Brasil via conservadorismo. Enquanto a esquerda se perde em fantasias de gênero, o MBL tenta difundir um liberalismo popular entre brasileiros menos progressistas.

Como disse Renan Santos, numa conversa de WhatsApp divulgada pela Piauí, a aliança "entre setores modernos da economia, mais agro, mais evangélicos é a melhor forma de termos um pacto político de centro-direita, que dialoga com o campo e com a classe C". Com a guinada recente ao conservadorismo, o MBL pode ter perdido o apoio da imprensa, mas ganhou a eleitora de Pirituba que simpatiza com Bolsonaro e decide eleições.

Já o Livres, que nasceu de uma dissidência com o MBL, tenta representar um eleitor mais raro, que está à deriva entre correntes marxistas e conservadoras. Será um motivo de orgulho para o país ver esses liberais coerentes eleitos este ano.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 10 de Janeiro de 2018, 15:01:38
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false

O exemplo da Russia é bastante eloquente: não basta substituir o estado pela iniciativa privada, e também não adianta optar por formulas de privatização "espontaneas", quando não existem condições institucionais para prevenir a corrupção do processo de privatização.

Nem o mais obtuso liberal julgaria que o Brasil dispõe dessas condições. Um congresso podre é capaz de elaborar uma lei de privatização justa? Agentes reguladores nomeados por indicação politica desse mesmo congresso tem capacidade de regular alguma coisa? E a mídia controlada por oligarcas tem condição de fiscalizar e dar transparencia ao processo todo?

Mais uma vez, o buraco é mais embaixo. Sociedade liberal não se constroi simplesmente deixando oligarcas administrando o mercado como bem entendem. Isso é uma caricatura de liberalismo vendida pela midia.

Uma sociedade livre só se desenvolverá quando a sociedade civil conseguir montar uma agenda propria de liberalização economica, na qual o primeiro item é trazer as assimetrias economicas e politicas da sociedade para um nível compativel com uma sociedade democrática. Não pode haver liberalismo nem democracia com o grau (crescente ainda por cima) de concentração de riqueza e poder que temos hoje. Numa plutocracia, abrir mão do poder de regulação do Estado e entregar o mercado de vez aos plutocratas é o caminho mais curto para a tirania absoluta.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Janeiro de 2018, 22:31:08
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false

O exemplo da Russia é bastante eloquente: não basta substituir o estado pela iniciativa privada, e também não adianta optar por formulas de privatização "espontaneas", quando não existem condições institucionais para prevenir a corrupção do processo de privatização.

Nem o mais obtuso liberal julgaria que o Brasil dispõe dessas condições. Um congresso podre é capaz de elaborar uma lei de privatização justa? Agentes reguladores nomeados por indicação politica desse mesmo congresso tem capacidade de regular alguma coisa? E a mídia controlada por oligarcas tem condição de fiscalizar e dar transparencia ao processo todo?

Mais uma vez, o buraco é mais embaixo. Sociedade liberal não se constroi simplesmente deixando oligarcas administrando o mercado como bem entendem. Isso é uma caricatura de liberalismo vendida pela midia.

Uma sociedade livre só se desenvolverá quando a sociedade civil conseguir montar uma agenda propria de liberalização economica, na qual o primeiro item é trazer as assimetrias economicas e politicas da sociedade para um nível compativel com uma sociedade democrática. Não pode haver liberalismo nem democracia com o grau (crescente ainda por cima) de concentração de riqueza e poder que temos hoje. Numa plutocracia, abrir mão do poder de regulação do Estado e entregar o mercado de vez aos plutocratas é o caminho mais curto para a tirania absoluta.

O diagnóstico do seu erro pode ser descrito a seguir (o excerto é de um texto de um autor desconhecido que defendeu a reforma da previdência, mas ela se encaixa como uma luva também no assunto privatização):

Citar
Uma boa desculpa para quem não quer fazer reforma nenhuma é dizer que é preciso fazer tudo de uma vez só. Como isso se torna muito mais difícil, a paralisia acaba imperando, e nada acontece. Sempre é (e será) possível identificar alguma outra injustiça no mundo como fator condicionante para funcionar como desculpa para justificar posição contraria à reforma.

Por acaso o Brasil não teve evolução líquida com a privatização imperfeita da Embraer, Vale e Telebrás? A despeito da existência da plutocracia, por acaso teria sido melhor que a República Tcheca pós-comunista e o Canadá em 1975 (província de British Columbia) não tivessem feito privatização espontânea alguma? Responda.

Ademais, concentração de poder corporativo é muito mais um fenômeno derivado da regulação estatal do que da falta dela. Eu desafio você mostrar um único caso de país em que há grande concentração de poder corporativo - relativamente aos demais países do mundo - e a regulação estatal anti-liberdade econômica não seja, disparado, o maior responsável por tal concentração.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 11 de Janeiro de 2018, 15:13:30
Se existe dúvida quanto a vivermos numa plutocracia é só examinar quantos grupos controlam a sistema financeiro globalmente, quantos dominam a midia globalmente, quantos controlam o setor de energia, a industria militar, a Internet...

São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.

Elites já trataram muito mal as massas no passado, o Estado é o unico ente que pode limitar seu apetite, se realmente conseguir ser um estado razoavelmente democratico, que represente interesses de outras camadas sociais, alem da elite.

Essa guerra ao Estado, fazendo de conta que não existem outras estruturas de poder coercitivas na sociedade alem dele, só se justifica pelo interesse em remover a capacidade de defesa dos cidadãos frente ao avanço do poder corporativo.

Já controlam o BC, o Congresso, a Midia, a  Justiça, mas ainda correm risco frente a ascenção de candidatos menos amigáveis, então melhor acabar com essas brechas democráticas de vez.

Mais uma vez, liberalismo depende de um Estado forte, não grande, para enraizar, e Estado forte só deixando de acreditar em papai-noel e começar a prestar atenção no que realmente está acontecendo
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Janeiro de 2018, 15:54:33

[...]
São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.
[...]



Comparações entre  países não é uma falácia,  existem diferenças e semelhanças entre países. Existem países com indicadores econômico sociais ruins e outros bons (como renda per capita, IDH , etc). Temos desde Estados com baixa liberdade econômica e extremamente  intervencionistas como Cuba e Venezuela (e com uma economia fraca e/ou em  frangalhos),  até  Estados com  alta ou média liberdade econômica e pouco  intervencionistas como Estados Unidos e Austrália (e com economias fortes).

Temos Estados  de alta corrupção como o Brasil (cheios de agentes estatais corruptos), e Estados com baixa corrupção (como o Canadá e outros).

Falácia é afirmar que a comparação entre países é algo falacioso. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 11 de Janeiro de 2018, 22:18:08
Se existe dúvida quanto a vivermos numa plutocracia é só examinar quantos grupos controlam a sistema financeiro globalmente, quantos dominam a midia globalmente, quantos controlam o setor de energia, a industria militar, a Internet...

São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.

Elites já trataram muito mal as massas no passado, o Estado é o unico ente que pode limitar seu apetite, se realmente conseguir ser um estado razoavelmente democratico, que represente interesses de outras camadas sociais, alem da elite.

Essa guerra ao Estado, fazendo de conta que não existem outras estruturas de poder coercitivas na sociedade alem dele, só se justifica pelo interesse em remover a capacidade de defesa dos cidadãos frente ao avanço do poder corporativo.

Já controlam o BC, o Congresso, a Midia, a  Justiça, mas ainda correm risco frente a ascenção de candidatos menos amigáveis, então melhor acabar com essas brechas democráticas de vez.

Mais uma vez, liberalismo depende de um Estado forte, não grande, para enraizar, e Estado forte só deixando de acreditar em papai-noel e começar a prestar atenção no que realmente está acontecendo

Falou, falou e acabou saindo da discussão. Eu por acaso falei em "Estado fraco" ou "Estado fornecedor de privilégios a elite"? Você parece que está argumentando em resposta não a mim, mas a outra pessoa. E o Estado fica mais fraco justamente defendendo-se o que você defende, isto é, a manutenção das empresas estatais. Veja as doações das campanhas eleitorais de 2014. Sua origem está bastante concentrada em grandes empresas de plutocratas que se beneficiaram de mamatas de empresas estatais que você acha que não devem ser privatizadas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 12 de Janeiro de 2018, 12:56:18
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.








Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Janeiro de 2018, 14:18:58

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.



Você pode mostrar um país que tenha pelo menos 20 milhões de habitantes e que conseguiu esse seu Estado democrático ideal ?



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 12 de Janeiro de 2018, 15:54:47
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 12 de Janeiro de 2018, 17:12:42
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 12 de Janeiro de 2018, 18:37:10
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.
(...)

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.

Redistribuição de poder econômico por meio do poder político que tente "promover o esvaziamento de poder das plutocracias" só poderia ser feito por representantes do povo não dignos de confiança chamados de "políticos". E não por anjos, ou será que você acredita em Papai Noel? Citação instrutiva sobre esse ponto:   

Citar
O ideal socialista é, em essência, a atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político. Mas ninguém pode arbitrar eficazmente diferenças entre o mais poderoso e o menos poderoso sem ser mais poderoso que ambos: o socialismo tem de concentrar um poder capaz não apenas de se impor aos pobres, mas de enfrentar vitoriosamente o conjunto dos ricos. Não lhe é possível, portanto, nivelar as diferenças de poder econômico sem criar desníveis ainda maiores de poder político. E como a estrutura de poder político não se sustenta no ar mas custa dinheiro, não se vê como o poder político poderia subjugar o poder econômico sem absorvê-lo em si, tomando as riquezas dos ricos e administrando-as diretamente. Daí que no socialismo, exatamente ao contrário do que se passa no capitalismo, não haja diferença entre o poder político e o domínio sobre as riquezas: quanto mais alta a posição de um indivíduo e de um grupo na hierarquia política, mais riqueza estará à sua inteira e direta mercê: não haverá classe mais rica do que os governantes.

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/que-e-ser-socialista/

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.

A sua querida manutenção de estatização de empresas tem feito justamente o contrário no Brasil, não é? Estatização é mesmo desconcentração de mercado e não-monopolização. Durante a era PT, a roubalheira nas empresas estatais criou o monopólio de resinas plásticas da Braskem (com a ajuda do aumento da tarifa de importação feita por Dilma), que é do grupo Odebrecht. A roubalheira nas empresas estatais transformou a antes moribunda JBS numa empresa detentora de monopólio no setor de proteína animal. E só Deus sabe quantos mais monopólios e concentrações de mercado ajudou a criar; Palocci vem aí com a delação contra banqueiros. Ademais, a Petrobrás é detentora de monopólio no setor petrolífero, diferentemente, do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos e em outros países do G7 (Há outros monopólios no Brasil, por exemplo: Correios). Por fim, a Petrobrás não só é um monopólio, mas também o dinheiro do lucro desse monopólio ajudou a criar monopólios em outros setores, pois os grandes empresários corruptos já citados recebiam renda desviada de tal estatal. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil se chama "Petrolão", e não algo como "Embraerão".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 06:09:48

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.


Você poderia precisar e detalhar  como  fazer   essa    democratização  do Estado  ? 



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 06:20:57
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.



Se privatizar sifgnifica isso,  então reestatizar significaria retirar  poder politico e econômico das elites, nos aproximando  ainda mais de uma sociedade liberal.

Então, conforme seu raciocínio a melhor coisa a se fazer no Brasil é desfazer as privatizações  reestatizando as empresas que foram privatizadas  (assim vamos tirar poder dos plutocratas).

Então devemos reestatizar:

_As telefônicas e recriarmos a Telebrás;

_A Vale e recriarmos a estatal Vale do Rio Doce;

_As siderúrgicas que foram privatizadas e recriarmos as estatais siderúrgicas;

_As ferrovias e recriarmos a grande RFFSA;

_As ferrovias estaduais e recriarmos a FEPASA (e outras que eram estaduais);

_E outras empresas que foram privatizadas, e que desta forma fortaleceram as plutocracias nacionais e internacionais,  e nos afastaram de uma sociedade mais liberal.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:00:08
Mais um passo no  Caminho da Servidão ao Estado :






ABSURDO: A PARTIR DE 2019 VOCÊ SERÁ OBRIGADO A FAZER VISTORIA   [a cada dois anos]


Milan Dark



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:07:47

Além de ter que transferir a cada dois anos  mais uma parte da sua renda ao Estado  (ou a uma empresa terceirizada que preste serviço ao DETRAN  do estado), em troca de um serviço obrigatório (que você não precisa e não quer), você ainda terá que perder mais um pouco de tempo de sua vida para satisfazer mais uma vontade de burocratas do Estado.



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:09:43


É mais um pouco da sua renda $ e da sua liberdade que o maravilhoso Estado irá tomar de você.



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:12:07

Mais regulamentação estatal =  menos liberdade individual.


E assim vamos dando mais alguns passos no Caminho da Servidão.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:26:58
Contran confirma inspeção veicular obrigatória em 2019

Por iG São Paulo | 11/12/2017 12:07


Vistoria deverá ser feita a cada dois anos como condição para o licenciamento anual. Saiba mais detalhes sobre a nova resolução


Inspeção veicular voltará a valer em todo o Brasil a partir do final de 2019, segundo o Contran


Até dezembro de 2019 entrará em vigor a inspeção veicular obrigatória em todo do Brasil, de acordo com a resolução publicada pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito. Ainda conforme o que foi publicado, as vistorias terão que  ocorrer a cada dois anos e será pré-requisito para o licenciamento anual. O objetivo é verificar as condicões de segurança e de emissões de poluentes dos veículos, principalmente os com mais de 3 anos, inclusive de frotas e comerciais.


Até os primeiros três anos de uso, ainda conforme o que foi informado pelo Contran, os carros novos que não tenham mais de 7 lugares, ficarão isentos da inspeção contanto que não tenham recebido modificacões ou se envolvido em acidentes com danos médios ou graves. Além disso, os modelos de pessoa jurídica poderão ficar sem inspeção nos primeiros dois anos de uso. Entretanto, os veículos voltados ao transporte escolar terão que ser vistoriados a cada seis meses. Os de coleção (com placas pretas) e os militares também estarão isentos de serem inspecionados, de acordo com o que determina a nova resolução do Contran.


Critérios da nova inspeção


Os Detrans de cada estado ou empreses devidamente credenciadas serão incumbidas de fazerem a inspeção que vai verificar itens dos sistemas de iluminação, freios, direção, eixos, suspensão, pneus, rodas, entre outros componentes obrigatórios, bem como a emissão de gases e o nível de ruído. Os carros que apresentarem defeitos graves nos freios, pneus, rodas ou que tiverem itens proibidos, falhas nos obrigatórios e ainda ultrapassarem os limites de emissões ou de ruído serão reprovados no primeiro ano.



A resolução do Contran também diz que a partir do segundo ano serão reprovados os modelos que apresentarem defeitos graves no sitema de direção e, no terceiro, os que tiverem problemas considerados de alta gravidade nos equipamentos anti-poluição. Com isso, os carros reprovados terão que serem reparados para passarem por uma nova inspeção. Quem não passar pela vistoria terá que arcar com multa no valor de R$ 195,23 e terá o veículo retido. Ainda não foram definidos os valores do serviço, que serão diferentes, de acordo com cada região do País.


Link deste artigo:

http://carros.ig.com.br/2017-12-11/inspecao-veicular.html


Fonte: Carros - iG @ http://carros.ig.com.br/2017-12-11/inspecao-veicular.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:30:28


É o papai Estado  através de seus zelosos burocratas  zelando  pela segurança da coletividade. 


O que seria da sociedade sem os zelosos burocratas estatais para nos proteger ?





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 09:12:18
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.



Eu lembrei da JBS , que é um exemplo de grande poder que  um plutocrata  pode ter,  e seguindo essa linha de raciocínio, e  considerando  que a estatização tira poder dos plutocratas, eu  pensei que seria uma boa se o o governo brasileiro estatizasse a JBS e criasse a:


CARNEBRAS


Desta forma, além de  tirarmos o poder de alguns plutocratas,  o que democratizaria mais a sociedade, o governo também estaria garantido a produção de um  produto altamente estratégico (pois proteína é algo extremamente importante para a saúde da população).


Então, eu acredito que todos nós deveríamos nos unirmos para lutarmos por esta importante causa para a democratização da sociedade, e para a saúde dos brasileiros.  Então, companheiros eu os conclamo para participar ativamente nessa luta, e lembrem:


 A Carne é Nossa !




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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 09:38:08
Essa da CARNEBRAS eu inventei agora após repensar na  ideia de democratizar  a sociedade  e de tirar poder dos plutocratas. E logo após  eu resolvi pesquisar na internet para saber se alguém já tinha pensado numa CARNEBRAS,  e  teve, só que não como numa estatal produzindo diretamente e sim como uma agência de fomento e/ou planejadora, reguladora (só que não era uma proposta real e sim uma crítica relembrando de outras agências semelhantes que o Brasil já teve). Abaixo segue o excelente texto que relembra um pouco de nossa história de intervenção estatal, e que alerta para o ativismo estatal  que ainda é forte no Brasil:




Contra o planejamento estatal e a política industrial


Por Rubem de Freitas Novaes



Na atual fase da história, quando todas as economias dinâmicas caminham para o estreitamento das atividades do Estado, vemos ressurgir em nosso país o entusiasmo pelo planejamento governamental e pelo estabelecimento de uma política industrial forte e abrangente, como nos tempos do II PND. A apresentação do Plano Plurianual (PPA), a crise no setor industrial e as dificuldades encontradas para a regulamentação da Infraestrutura fazem retornar a velha conversa sobre setores prioritários e/ou estratégicos, sobre os “espaços vazios” e sobre a definição dos instrumentos de indução e/ou punição a serem criados para o alcance dos objetivos de governo. Ao mesmo tempo, nossos melhores especialistas em contas públicas prevêem que a carga tributária rapidamente evoluirá para cerca de 40% do PIB, com despesas governamentais atingindo o padrão escandinavo de 45% do PIB.


Quem acompanhou, ou estudou, nossa história recente pôde constatar importantes mutações nas formas de ingerência do Estado na economia. No apogeu do governo Geisel, por exemplo, trabalhava-se com uma contida carga tributária (na ordem de 25% do PIB), mas era formidável o aparato de instrumentos não fiscais acionados para a intervenção governamental. Vivíamos, então, o tempo do planejamento estratégico centralizador (II PND) e da política industrial ativa, em que se escolhiam, no Olimpo, setores prioritários e empresas vencedoras. Para cada problema real, ou objetivo nobre, surgia uma ação corretiva do Estado – árbitro e indutor supremo – que, por meio de incentivos fiscais e créditos subsidiados fartos, procurava direcionar a produção e os investimentos, bem como corrigir desigualdades de renda.


Parecia que, no limite, todo setor teria um órgão próprio de planejamento e fomento. Para cuidar da cafeicultura, o IBC; para o açúcar e o álcool, o IAA; para o cacau, a CEPLAC; para a borracha, a SUDHEVEA; para a pesca, a SUDEPE; para as florestas, o IBDF; para os computadores, o CAPRE (depois SEI); para a construção naval e a marinha mercante, a SUNAMAM; para o aço, a SIDERBRAS e o CONSIDER; para a energia elétrica, a ELETROBRAS; etc., etc. Somente o “complexo soja” e o setor de “carnes”, atividades que curiosamente mais se desenvolveram, não tinham uma “SOJABRAS” ou “CARNEBRAS” para tutela-los. O monopólio do petróleo, privativo da União, na prática era exercido pela PETROBRAS, que não abria espaços para ninguém. Reservas de mercado eram concedidas em abundância, sendo a mais notória a que regulou o setor de informática por muitos anos. Empresas estatais dominavam toda a infraestrutura de energia, aço, estradas e ferrovias, portos, telecomunicações etc. Cada um dos estados da Federação tinha o seu banco comercial próprio, aos quais se acoplavam bancos de desenvolvimento, verdadeiros ralos do dinheiro público. Empresários se submetiam a uma verdadeira via crucis em busca dos favores governamentais no BNDES, CDI, CDE, CACEX, INPI, SUDENE, SUDAM, etc. Quem não fosse “prioritário”, não tinha condições de sobreviver.


Mas não era só isso! Também na macroeconomia era grande o ativismo estatal, já que os principais “preços” sofriam a intervenção direta do governo federal. A correção monetária era toda regulada por lei e obedecia a parâmetros tecnocráticos. Da mesma forma, para a taxa de online casino câmbio, tínhamos uma regra matemática estabelecida em gabinete para nortear as freqüentes desvalorizações. Os reajustes de salários, em toda a economia, eram regulados por lei federal. Finalmente, os preços de mercadorias e serviços em geral eram controlados pelo CIP e SUNAB, com base em planilhas de custo e outros critérios menos explícitos (para dizer o mínimo!).


Passado o tempo, fomos nos livrando deste verdadeiro “entulho” intervencionista. Infelizmente, no entanto, o mesmo fenômeno de simplificação e enxugamento não ocorreu na esfera dos orçamentos públicos. A União, os Estados e os Municípios, em verdadeira febre de expansionismo, estimulada pela nova Constituição, passaram a elevar consistentemente a arrecadação de tributos para financiar seus robustos programas. Consolidava-se um novo tipo de ativismo: menos órgãos de regulamentação e fomento, menos empresas estatais, mas, como o país continuava cheio de problemas (e quem não os tem?), mais projetos e programas públicos para resolve-los. E neste passo fomos indo até que a carga tributária evoluísse, dos 25% do PIB, dos tempos do Gal. Geisel, para 36% do PIB, ao final do governo de FHC.


Esperamos que muitos estejam percebendo o círculo vicioso em que estamos nos metendo. Para tentar resolver problemas de pobreza e emprego (e uns outros mais), inchamos, sem quaisquer resultados palpáveis sobre as desigualdades de renda, o orçamento público. Acontece que, para financiar a expansão do Estado, acabamos por estrangular o setor produtivo privado, que passa a desempregar, fugir para a clandestinidade e baixar salários reais, aumentando assim os problemas que almejamos eliminar. É a rota direta para uma espiral descendente que poderá nos levar a um formidável atraso econômico e social!


Caros leitores, já nos iludimos muito no passado ao achar que mais governo seria solução para os problemas do país. Tal opção não deu resultados aqui, nem em qualquer outro lugar do mundo. Hoje, deparamo-nos com um quadro conducente a supor que, ao menos em termos de diretrizes macroeconômicas, estamos encontrando a orientação correta para a superação de nossos males. Não podemos permitir que políticas microeconômicas mal conduzidas, e com forte conteúdo intervencionista, somadas à desmedida ambição orçamentária de nossos gestores públicos, venham a nos colocar em rumo equivocado, justamente quando se abrem perspectivas de retomada do crescimento, logo adiante.


Digamos, portanto, em alto e bom som: não, para o planejamento centralizador; não, para “políticas industriais’ carregadas de privilégios e sim, para a redução das despesas em todos os níveis de governo!


P.S. – O presidente Lula voltou a defender, na cerimônia de reinstalação da SUDAM, mais planejamento estatal, elogiando o Plano Decenal dos governos militares. Cabe esclarecer que este Plano, preparado no final do governo Castelo Branco, foi devidamente arquivado pelo ministro Delfim Netto, que o fulminou, no início do “milagre”, com a famosa frase: “dêem-me o ano e esqueçam a década”. O planejamento centralizador só retornou, muitos anos depois, com o II PND do governo Geisel. Coincidência ou não, a partir daí, com a presença marcante do Estado na economia, sob diferentes formas, o país nunca mais recuperou seu ímpeto histórico de desenvolvimento.


*Rubem de Freitas Novaes é Economista (UFRJ) com Doutorado pela Universidade de Chicago.


Publicado em 20/06/2014


Tema: Política de Desenvolvimento. Palavras-chave: Planejamento, Política Industrial.


http://agriforum.agr.br/contra-o-planejamento-estatal-e-a-politica-industrial/



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 13 de Janeiro de 2018, 10:26:09
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.

Mas o que é a casta do funcionalismo, Geotecton?

Eu concordo plenamente que o Estado brasileiro é uma cloaca, que temos os piores dos piores em posições chave e esses indivíduos tomam decisões pensando somente em se perpetuar na mamata. Mas será que defender um extremo é a solução? Nós passamos por 13 anos de PTismo com o Estado sendo moldado para que a caterva se perpetuar lá. Eles bagunçaram o já caótico Estado. Será que a solução para os nossos problemas como nação é defender um extremo oposto do PTismo? Eu não sei.

Eu não vou fingir que entendo de economia e mesmo da parte mais filosófica de sistemas de governo, mas eu tenho um pouco de bom senso (que, óbvio, pode estar enganado, por isso este post para você). Eu já ví você defendendo que juízes e promotores ganhassem um teto de 5 mil reais. Será que isso não é um extremo inviável na prática que deriva de um ódio (plenamente justificado) pela nossa situação com os oportunistas do poder? Juízes e promotores têm uma função de altíssima responsabilidade e complexidade, nós temos que ter os melhores possíveis nestes cargos, será que os melhores iriam se interessar se fosse para ganhar isso? Claro, é injustificável eles ganharem acima do teto, e é revoltante os benefícios que eles ganham, mas eu falo de defender um extremo tão grande como esse (5 mil reais), será que defender isso é o correto?

Eu vejo esses posts do Horácio e não consigo discordar muito dele. Acho que Estado tem tamanho certo, como diz o Otário (Canal do Otário): Quanto mais Estado, menos cidadão. O Estado brasileiro é inchadíssimo e deve ser enxugado para evitar que oportunistas se aproveitem, mas Estado de menos diminui o tamanho do cidadão também.

Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Nós temos maturidade suficiente para nos comportarmos sem regulamentações? O povo sabe o que realmente é melhor para ele a médio e longo prazo?

Eu acho que o certo é lutar por um Estado forte (no sentido de um Estado que atue como se deve, ou seja, como um mediador entre os cidadãos e com um projeto de médio e longo prazo); lutar para moldar o lixo que está ai no sentido de um Estado que seja funcional.

Não dá para negar que o cidadão comum não tem como se equiparar com grandes corporações e que essas corporações, deixadas totalmente livres, não vão ter muita preocupação com qualquer um que não seja ela mesma. Diminuir a força da Cloaca do estado brasileiro para dar de mãos beijadas para grandes corporações é sair de um problema para cair em outro.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 13 de Janeiro de 2018, 10:53:17
Assim que eu estiver em frente de um teclado decente, lhe responderei.

No momento estou em trânsito e escrevendo de um telefone celular. E detesto isto.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 11:25:41
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.

Mas o que é a casta do funcionalismo, Geotecton?

Eu concordo plenamente que o Estado brasileiro é uma cloaca, que temos os piores dos piores em posições chave e esses indivíduos tomam decisões pensando somente em se perpetuar na mamata. Mas será que defender um extremo é a solução? Nós passamos por 13 anos de PTismo com o Estado sendo moldado para que a caterva se perpetuar lá. Eles bagunçaram o já caótico Estado. Será que a solução para os nossos problemas como nação é defender um extremo oposto do PTismo? Eu não sei.

Eu não vou fingir que entendo de economia e mesmo da parte mais filosófica de sistemas de governo, mas eu tenho um pouco de bom senso (que, óbvio, pode estar enganado, por isso este post para você). Eu já ví você defendendo que juízes e promotores ganhassem um teto de 5 mil reais. Será que isso não é um extremo inviável na prática que deriva de um ódio (plenamente justificado) pela nossa situação com os oportunistas do poder? Juízes e promotores têm uma função de altíssima responsabilidade e complexidade, nós temos que ter os melhores possíveis nestes cargos, será que os melhores iriam se interessar se fosse para ganhar isso? Claro, é injustificável eles ganharem acima do teto, e é revoltante os benefícios que eles ganham, mas eu falo de defender um extremo tão grande como esse (5 mil reais), será que defender isso é o correto?


Boa pergunta, então vamos fazer algumas contas com base em  alguns dados e parâmetros:


Um juiz federal americano ganha em média US$ 126.840 por ano  (US$ 10.570 por mês, ou US$ 9.756,92 mais um 13° de igual valor, se quisermos melhor comparar  com a nossa situação (mas a renda total anual continua a mesma nas duas contas, apenas concentramos uma parte em dezembro ao termos o 13°) ).

A renda per capita americana foi de 57.466,79 USD (2016).

Então temos que a média salarial de um juiz federal americano em relação à renda per capita será de 126.840/57.466,79 é de  2,20718 x a renda per capita americana.


A renda per capita brasileira em 2016 foi de US$ 8.649,85.

Para termos um mesmo valor proporcional do salário de um juiz federal no Brasil, em relação à renda per capita, basta fazermos a conta:

2,20718 x US$8.649,85 = US$ 19.092,064 por ano,  o que dividindo por 13 dará US$ 1.468,62  por mês e mais um 13° de igual valor em dezembro.

E ontem a cotação do dólar estava em R$ 3,23 por dólar. De modo que em reais teríamos R$ 4.743,64  por mês mais o 13° no final do ano.


Então surpreendentemente podemos ver que o Geotecton fez uma excelente estimativa do que deveria ser o salário de um juiz federal brasileiro, se levarmos em consideração a renda per capita brasileira em comparação com a renda per capita americana e com o salário de um juiz federal americano.  O que seriam parâmetros  bastante razoáveis (salário e renda per capita no Brasil versus salário e renda per capita nos Estados Unidos).




Fonte consultada para os salários de juízes americanos:

https://www.conjur.com.br/2013-fev-28/salarios-juizes-federais-eua-sao-mesmos-congressistas



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 11:31:33

Eu pesquisei os dados e depois de fazer as contas  me surpreendi  com o resultado, o qual ficou muito próximo do que o Geotecton havia considerado adequado (tendo em vista a realidade do Brasil).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 13 de Janeiro de 2018, 13:29:21
Vocês acham mesmo que Deltan Dallagnol ou Sérgio Moro arriscariam a vida trazendo dor de cabeça a corruptos ultra-poderosos se ganhassem só 5 mil reais por mês? Quem ganha um pouco menos que isso e vive no Rio de Janeiro mora na favela. O alto escalão do Judiciário brasileiro seria um antro de Toffolis piorados.

Melhor voltar ao debate sobre as privatizações.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:04:18
Vocês acham mesmo que Deltan Dallagnol ou Sérgio Moro arriscariam a vida trazendo dor de cabeça a corruptos ultra-poderosos se ganhassem só 5 mil reais por mês?


Não. Mas também tem que ter um certo cuidado com este argumento, pois a ideia de "ter que ganhar muito para que fique imune (ou quase imune) a corrupção", pode ser usado para se defender um salário de R$100.000 por mês para juízes (já vi pessoa falando algo semelhante). E de R$150.000 por mês para deputados (ou até mais).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:05:40
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação extrema em todas as  áreas certamente não seria uma boa solução para nós. Principalmente uma desregulamentação extrema em relação à questões ambientais. Mas certamente há  alguns  exageros na legislação ambiental, e que poderiam ser retirados ou minimizados (um ponto específico, que posso citar é a liberdade para retirar uma árvore grande  que esteja na calçada em frente a uma residência ou comércio, e que seja uma ameaça em dia de chuva forte, e que o dono da casa ou comércio quisesse retirar e substituir por outra de médio ou pequeno porte, mas que devido a legislação ambiental exagerada, ele não poderá fazê-lo).  E com relação à  outras legislações certamente há  coisas que poderiam ser reduzidas (e até eliminadas). E que se poderia dar liberdade para os indivíduos decidirem. Apenas como mais um exemplo, eu cito a possibilidade de que uns vizinhos reunissem e quisessem transformar em um condomínio fechado uma parte do bairro em que moram (por questões de segurança), mas que a legislação impede. Este seria um caso em que a desregulamentação e liberalização poderia até salvar vidas. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:16:18
[...] lutar para moldar o lixo que está ai no sentido de um Estado que seja funcional.


Talvez pudéssemos tentar condicionar os nossos políticos a se comportarem como políticos suecos. Quem sabe se pode ser feito? Podemos tentar um programa de reeducação política.


 :hihi:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 14 de Janeiro de 2018, 13:49:43
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 14 de Janeiro de 2018, 14:05:54
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.

Eu já tinha visto coisas neste sentido.

Você acredita que na prática isso iria funcionar? Se a Samarco fosse dona do meio ambiente que ela destruiu ela iria ter uma preocupação maior com as barragens dela?

Não me parece factível. Na teoria pode até parecer que tenha muita lógica, na prática não sei. Se o ser humano tivesse um pouco de bom senso até poderia ser.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 14 de Janeiro de 2018, 14:18:08
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Pedro Reis em 14 de Janeiro de 2018, 16:31:39
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.

Já li uma teoria da conspiração sobre a origem da proibição do DDT. Quem defendeu a tese foi nada mais, nada menos, que um artigo do Wall Street Journal.

A patente do DDT estava prestes a expirar e a gigante Du Pont iria perder dinheiro.  Coincidentemente iniciou-se uma campanha para proibir o pesticida com base na alegação de que era cancerígeno.  O DDT foi proibido mundialmente e substituído por produtos também cancerígenos, porém patenteados.

Esse artigo especulava se a proibição dos CFCs não se tratava do mesmo golpe.

E sobre "privatizar para conservar" também acho que seja um pensamento ingênuo. Talvez a ganância desmedida, o egoísmo patológico e o tempo de vida limitado do homem expliquem melhor muitos comportamentos irresponsáveis.

Tudo depende do meio ambiente: a nossa sobrevivência e, claro, até a economia. Em algum momento deste século a humanidade irá enfrentar a maior crise de sua história e o caos irá se refletir também nas atividades econômicas, atingindo os mais ricos e grandes empresas.

Mas nem isso freia o aquecimento global e a indústria do petróleo financia os Trumps da vida para sabotar acordos vitais como o de Paris. É uma estratégia suicida, mas talvez seja estratégia de homens que não se  importam porque não estarão mais aqui quando a bomba realmente estourar.

E não é só o aquecimento, estamos agravando algumas dezenas de problemas ambientais seríssimos e o mais grave é que todas estas bombas convergem para explodir mais ou menos ao mesmo tempo.

Neste século um mundo cada vez mais voraz no consumo de combustíveis fósseis verá inexoravelmente o fim desse recurso e não há uma alternativa para o atual consumo de milhões de barris/dia. O crescimento da demanda por água potável não é acompanhado pela oferta, e esse recurso na verdade está se tornando mais escasso. Jà é na verdade o maior fator de tensão entre Ìndia e Paquistão, duas potências nucleares. A poluição de rios, lagos, mares e lençóis freáticos continua em ritmo acelerado, apesar de algumas soluções locais. O lixo não é um problema que não está sendo resolvido: são vários! Desde o lixo comum orgânico, a contaminação do meio ambiente por resíduos químicos e metais pesados, o indestrutível plástico, lixo hospitalar, lixo atômico, etc... O crescimento das áreas desérticas vem acelerando em todo o mundo desde a década de 1970, e em importantes países produtores de alimentos a camada arável do solo vem diminuindo como efeito das atuais técnicas de plantio. Florestas nativas e o recurso inestimável da biodiversidade continuam sendo extintos e a destruição de habitats naturais de alguns hospedeiros é uma ameaça à humanidade, porque doenças podem migrar para o ter o ser humano como vetor preferencial, como no caso do vírus ebola. Além disso o aumento da população e cada vez maior mobilidade global da nossa espécie potencializa em muito estes riscos. A elevação do nível dos mares obrigará o deslocamento de enormes populações que vivem em áreas litorâneas "baixas", como na ìndia, o que deve levar a uma desestabilização social, política e econômica de consequências inimagináveis... Enfim... imagine todos estes problemas e muitos outros alcançando seu ponto crítico mais ou menos ao mesmo tempo, ainda neste século.

Tudo indica que, como tudo mais, a economia irá entrar em colapso. Que a produção de riqueza irá desabar. E nem em face dessa realidade as grandes empresas estão fazendo o mínimo para preservar o seu próprio negócio: se comportam exatamente como os caçadores de búfalos das planícies do oeste, que em apenas uma geração extinguiram completamente o seu principal meio de vida.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 14 de Janeiro de 2018, 20:48:54
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.

Eu já tinha visto coisas neste sentido.

Você acredita que na prática isso iria funcionar? Se a Samarco fosse dona do meio ambiente que ela destruiu ela iria ter uma preocupação maior com as barragens dela?

Não me parece factível. Na teoria pode até parecer que tenha muita lógica, na prática não sei. Se o ser humano tivesse um pouco de bom senso até poderia ser.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 15 de Janeiro de 2018, 20:43:58
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 16 de Janeiro de 2018, 08:15:49
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?

O problema do DDT é muito mais indiscriminado. Nós não vivemos em um mundo muito sério, mas nunca que se iria proibir algo no mundo (civilizado) inteiro baseado em uma histeria causada por um livro de ficção científica.

Os problemas do DDT (usado como pesticida, existe medicamentos que têm como base o DDT) são bem documentados. Eu vou dar uma procurada em algum artigo bom e depois eu posto neste mesmo post.

E, pelo menos no Brasil, a proibição não é geral. Em saúde pública se preconiza o uso do DDT para o combate do Anopheles (mosquito vetor da malária) em determinadas situações.

Dizer que "Nós temos problema com dengue em SP!!! Vamos esquecer o politicamente correto e combatê-lo com DDT..." é além do absurdo.