Autor Tópico: Liberalismo  (Lida 6730 vezes)

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Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #175 Online: 05 de Janeiro de 2018, 16:51:18 »
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.
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Carl Friedrich Gauss.

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #176 Online: 06 de Janeiro de 2018, 07:02:46 »
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.


Sobre isso achei este texto no Mercado Popular:


Instituto Mercado Popular

ECONOMIA, HISTÓRIA, POLÍTICA

Milton Friedman, desestatização à cubana e privatizações tucanas

Por Valdenor Júnior · Em 17/02/2014


Por Valdenor Júnior.

O anticapitalista de livre mercado daqui do blog, o Rodrigo Viana, escreveu recentemente um texto denominado “Desestatização à cubana, ou: Por que eu não defendo o libertarianismo vulgar“. Ali ele defende o tipo de desestatização feita recentemente em Cuba, onde a propriedade pública é substituída por cooperativas de trabalhadores já empregados no setor antes estatizado. Denomina-a de “desestatização à cubana”, e coloca como um de seus defensores o libertário Charles Johnson, em Two Words on “Privatization”:


“‘Privatização’, como compreendida pelo FMI, pelos governos neoliberais e pelas corporações de barões assaltantes é um monstro bem diferente da ‘privatização’ como compreendida por radicais de livre mercado. O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária.


Então aqui está minha proposta para a reforma linguística. O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’.”


O Viana contrasta isso com as privatizações “neoliberais”, entendendo por neoliberalismo um conjunto de “medidas políticas que buscam vender ativos públicos ou estatais para os interesses corporativos, geralmente sob preços muito baixos” e que “todo esse processo neoliberal faz entregar para uma elite corporativa um ativo onde os custos de instalação, infra-estrutura e start-up foram socializados através do espólio promovido pelos impostos.”


De fato, concordo que, se realmente quisermos dar um sentido para a palavra “neoliberalismo”, temos de defini-la como “liberalização econômica dirigida por negociação política, coordenação intergovernamental e organismos internacionais, com especial atenção aos efeitos macroeconômicos”, o que se relaciona com o fato da economia de mercado ter vencido por W.O, pela desistência de seu concorrente, não por uma mudança nas atitudes públicas em direção ao liberalismo. (contudo, o termo causa tanta confusão, que eu prefiro não usá-lo)


Agora, geralmente menciona-se que Milton Friedman seria “neoliberal”. O que é um grande erro, pois Milton Friedman era um liberal clássico autêntico. Contudo, você pode se perguntar: Friedman preferiria as desestatizações à cubana ou as privatizações tucanas (sob o FHC) “neoliberais”? Que modo ele favorecia para que as empresas públicas fossem privatizadas/desestatizadas?


Bem, para falar a verdade, o velho Friedman preferia as desestatizações à cubana. Sim, isso mesmo, o suposto “neoliberal” não defendia a venda das empresas públicas para as grandes corporações ou para quem pagasse mais em um leilão público.


Prova nº 1:


No vídeo abaixo, segue-se uma conversa entre Milton Friedman e um interlocutor, acerca da privatização na Hungria, dos 18:53 até os 20:04. Vou primeiro transcrever a conversa. E depois vocês podem confirmar assistindo ao vídeo:


[Milton Friedman narrando] Os convidados desta festa não se interessam por pequenos empresários como Martin. Altos executivos poderosos da América do Norte e da Europa Ocidental se interessam por coisas maiores. (…) Promoverão empreendimentos conjuntos entre empresas ocidentais e estatais. Para prosperarem precisam ser amigos dos políticos e dos burocratas poderosos. É lobby de alto escalão, aos moldes ocidentais. O perigo é que no processo, burocratas do governo local e grandes empresas estrangeiras congelam os pequenos empresários.


[o interlocutor fala] Ele sabe bem que o governo se preocupa em não vender o país.


[Milton Friedman] Os bens da Hungria pertencem ao povo.


[Interlocutor] certo.


[Milton Friedman] Não acho que devam ser vendidos. Você é cidadão húngaro. Quem é dono das estatais?


[Interlocutor] A sociedade.


[Milton Friedman] Não, é o povo.


[Interlocutor] sim…


[ Milton Friedman] Então, entreguem-nas ao povo.


Assista você mesmo ao vídeo:


Prova nº 2:


Milton Friedman, no ensaio “Using The Market for Social Development“, afirma que devemos tomar cuidado, ao privatizar, de converter um monopólio público em um monopólio privado, e afirma que sua forma favorita de privatização é entregar as empresas públicas… ao povo:


“Minha própria forma favorita de privatização não é vender participação acionária, mas dar as empresas possuídas pelo governo aos cidadãos. Quem, eu pergunto aos oponentes, possui as empresas estatais? A resposta invariavelmente é, “O público”. Bem, então por que não fazer disso uma realidade ao invés de floreio retórico? Configure-a como uma corporação privada, e dê a cada cidadão um ou uma centena de ações/quotas nela. Deixe-os livres para comprar ou vender suas ações/quotas. As ações/quotas iriam para as mãos dos empreendedores que poderia manter a empresa, por exemplo, o sistema postal, como uma única entidade se for mais rentável fazê-lo ou dividi-la no número de entidades que parecesse mais rentável.”  (tradução livre)


Conclusão: Se usarmos o termo de Viana, “desestatização à Cubana”, em sentido amplo, de forma consistente com a definição de Charles Johnson (“O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’”), teremos que concluir que Milton Friedman defendia justamente isso.


Ele considerava que era uma forma ruim de privatização simplesmente vender as empresas estatais para corporações já constituídas, mas defendia que deveríamos devolvê-las à população e permitir que os cidadãos, conforme a livre troca de suas participações na empresa, acabassem por reconfigurar a empresa em uma ou mais firmas a depender das condições daquele mercado em específico. (e claro, sendo garantida a livre entrada de concorrentes no setor)


Ainda que a desestatização em Cuba envolva a ideia de “cooperativas”, enquanto Friedman prioriza o modelo societário de firma (com base em ações ou quotas), não se pode negar que Friedman apoiava entusiasticamente uma espécie de desestatização à cubana e a desestatização preconizada por Charles Johnson, e não a privatização “neoliberal” ou nos moldes feitos no Brasil na década de 90.


valdenor


Valdenor Júnior é advogado. Desde janeiro de 2013, tem o blog Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart onde discute alguns de seus principais interesses: naturalismo filosófico, ciência evolucionária com foco nas explicações darwinianas ao comportamento e cognição humanas, economia, filosofia política com foco na compatibilidade entre livre mercado e justiça social. Com Darwin aprendeu a valiosa lição de que entender o babuíno é mais importante do que se imagina.


http://mercadopopular.org/2014/02/milton-friedman-desestatizacao-a-cubana-e-privatizacoes-tucanas/


« Última modificação: 06 de Janeiro de 2018, 07:05:55 por JJ »

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #177 Online: 06 de Janeiro de 2018, 13:24:54 »
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #178 Online: 06 de Janeiro de 2018, 13:35:41 »
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]

No Brasil, a manutenção da estatização é tão ruim que é questionável que ela seja um mal menor do que a privatização baseada em socialismo aristocrático do capitalismo de compadrio. Em 1998, o Brasil estava bem atrás até do México (que privatizou a Telmex em 1991), país de renda per capita semelhante a nossa na época, em número de telefones por 100 habitantes. Lembro que as reportagens das revistas semanais de grande circulação mencionaram isso, sobretudo a Veja. E, depois da privatização da Telebrás, o número de usuários de telefone explodiu rapidamente ao ponto de, em algum momento, não devermos nada ao México em termos de densidade telefônica.
« Última modificação: 06 de Janeiro de 2018, 13:40:42 por -Huxley- »

Offline Horacio

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Re:Liberalismo
« Resposta #179 Online: 06 de Janeiro de 2018, 15:33:11 »
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

---------------
Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.


Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #180 Online: 06 de Janeiro de 2018, 18:34:25 »
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

---------------
Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

No Brasil, as privatizações não seguiram o modelo de Friedman. Ou o mercado foi regulado através da criação de Agências Reguladoras (como a ANATEL após a privatização do setor telefônico), ou o governo manteve grandes participações (como na Vale, onde se não estou enganado, o Governo ainda detém 49% das participações).
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Offline Geotecton

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Re:Liberalismo
« Resposta #181 Online: 06 de Janeiro de 2018, 18:40:21 »
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
Foto USGS

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #182 Online: 06 de Janeiro de 2018, 18:47:21 »
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
O BNDESPAR  é uma divisão do BNDES, que é controlado pela União, então... dá quase na mesma...
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Offline -Huxley-

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« Resposta #183 Online: 06 de Janeiro de 2018, 22:48:08 »
Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

Idealismo é o paraíso dos perdedores. Não vivemos na Idealândia. No mundo real, somos constantemente forçados a dar nosso posicionamento sobre escolher entre a pior alternativa e uma alternativa sub-ótima (ou mesmo sub-boa). "Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais" significa, na prática, que fôssemos indiferentes entre escolher a manutenção do estado da Vale e da Telebrás como empresas estatais e a privatização delas como ocorreu. 
« Última modificação: 07 de Janeiro de 2018, 00:37:22 por -Huxley- »

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« Resposta #184 Online: 06 de Janeiro de 2018, 23:23:03 »
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O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
« Última modificação: 07 de Janeiro de 2018, 13:24:59 por -Huxley- »

Offline -Huxley-

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« Resposta #185 Online: 06 de Janeiro de 2018, 23:28:45 »
Citar
Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.

Offline Horacio

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« Resposta #186 Online: 07 de Janeiro de 2018, 00:50:53 »
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.






Offline -Huxley-

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« Resposta #187 Online: 07 de Janeiro de 2018, 01:22:47 »
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.

Isso é como dizer que a culpa dos acidentes automobilísticos é exclusivamente dos motoristas e nunca dos automóveis. Mas pense nas pessoas americanas que poderiam ter viajado de avião no pós-11 de setembro e não o fizeram. O uso do automóvel como veículo aumentou o número de acidentes com veículos. Então, há algo de errado sim com o automóvel (e não apenas com os motoristas), pelo menos na comparação com o avião, que é um veículo muito mais seguro. O mesmo pode ser dito do Estado. A não limitação do uso do Estado como veículo de prosperidade causa catástrofes. E muitas grandes corporações tem parcela de culpa nisso. Defender mais liberdade econômica não significa necessariamente ser encantado com essas grandes corporações.

Offline JJ

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« Resposta #188 Online: 07 de Janeiro de 2018, 07:59:07 »


O desespero por comida na Venezuela

Mundo  06.01.18 20:10

Multidões de venezuelanos se aglomeraram do lado de fora de alguns supermercados de Caracas neste sábado, um dia após o governo de Nicolás Maduro obrigar estabelecimentos a reduzirem os preços a níveis de um mês atrás, informa O Globo.

Trata-se de uma redução drástica, dada a hiperinflação da Venezuela.

“Em um dos supermercados, centenas de pessoas, incluindo bebês, pensionistas e crianças com deficiências se reuniam em cenas caóticas.

‘Na minha casa, não comemos três vezes por dia’, disse Mileidy Acosta, de 28 anos, com três crianças. ‘As pessoas estão cansadas. Uma pessoa que ganha um salário mínimo não pode comprar nem molho de tomate.'”

Lula não vai agendar uma palestra em Caracas?

Fonte: https://www.oantagonista.com/mundo/o-desespero-por-comida-na-venezuela/





Offline JJ

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« Resposta #189 Online: 07 de Janeiro de 2018, 07:59:37 »
Venezuela em 2015:


Venezuela vai intensificar controle de preços

 (http://afp.com)

21/10/2015 05h38



Caracas, 21 Out 2015 (AFP) - O governo da Venezuela vai endurecer a política de controle de preços e as sanções aos especuladores, segundo uma série de medidas anunciadas na terça-feira pelo presidente Nicolás Maduro para conter o acelerado aumento do custo de vida.


"Vamos apertar a lei de preços justos", disse Maduro em seu programa semanal de rádio e televisão, ao anunciar uma reforma que estabelece um controle ferrenho ao custo dos produtos básicos e outros bens de consumo.


As medidas, anunciadas um mês e meio antes das eleições legislativas de 6 de dezembro, pretendem conter a inflação galopante, que segundo Maduro deve ficar próxima de 85% em 2015.


"Vamos fechar as comportas às práticas para roubar o povo. Aumentaremos as sanções a todo aquele que estiver remarcando produtos", completou o presidente venezuelano, que também prometeu aumentar a punição aos especuladores.


Maduro advertiu que as sanções afetarão os que violam o controle cambial e fixam preços tomando como referência o dólar paralelo - 125 vezes mais caro que a menor taxa oficial.


O atual sistema estabelece uma tabela de "preços justos", publicada na internet, mas o presidente venezuelano disse que a lei foi "invadida e pulverizada" pelos especuladores.

Maduro disse que a lei fixa um lucro de 30% para os comerciantes, mas "criaram vínculos com a cadeia intermediária e a cada etapa adicionam 30%".
"Vamos mudar todos os mecanismos de cálculo do preço justo", disse. Os detalhes serão apresentados em breve, segundo Maduro, que antecipou a
criação de uma categoria que determinará um "preço máximo de venda ao público" que incluirá produtos de toda a economia nacional.


"Estamos elevando as penas de prisão porque a lei tem que voltar a ser implacável em tempos de guerra econômica", afirmou Maduro, que atribuiu a crise aos empresários e à oposição, assim como às máfias do contrabando.


Economistas e empresas de consultoria afirmam que a inflação da Venezuela deve superar 200% no conjunto de 2015, em um cenário de escassez de dois em cada três produtos básicos e profunda desvalorização da moeda nacional.


Analistas consideram que o controle de prelos e do sistema cambial provoca muitas distorções da economia venezuelana, ao desestimular a produção nacional.


https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2015/10/21/venezuela-vai-intensificar-controle-de-precos.htm


Offline JJ

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« Resposta #190 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:00:37 »


O nível de burrice econômica de Maduro está chegando a patamares surreais. A hiperinflação está acelerando o passo e o que o paspalho esquerdopata faz? Põe um controle de preços ainda mais restritivo para deixar as prateleiras dos supermercados ainda mais vazias do que já estão.


Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #191 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:01:13 »
Aproveitando a oportunidade das notícias sobres controle de preços na Venezuela



Controle de Preços: origens, manutenção, ações e efeitos


 11 MAIO '14   ROBERTO BARRICELLI   


Da série: Livre Mercado x Intervencionismo O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, […]



Da série: Livre Mercado x Intervencionismo

escassez-controle-precos


O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, contudo, o tiro costuma sair pela culatra.


Um governo, como do facínora Nicolás Maduro, na Venezuela, decide “abaixas os preços” com uma canetada. Primeiro, porque a inflação é absurda e segundo, porque acha que isso deixará o povo mais feliz e consequentemente melhorará a imagem do governante. Contudo, o controle de preços gera escassez e piora uma situação já delicada, desencadeando insatisfação contra o próprio governante.


Quando o Estado define pelo “controle dos preços”, ele corta o preço dos produtos e/ou serviços abaixo do preço de mercado. Esse ato incorre no recolhimento de tais produtos e/ou serviços pelos empresários, que decidem esperar ou pelo fim do controle de preços, ou por outro momento mais propício, ou até se aventuram no mercado negro, que é originado neste caso devido à escassez provocada pela retirada desses produtos e retenção dos estoques.

Ora, o preço foi cortado por uma canetada de um burocrata aquém do mercado, mas os custos continuam os mesmos, logo, não há como vender o produto e/ou serviço, obter os prejuízos e continuar de pé. Com a falência dessas empresas a escassez seria ainda maior. O próximo passo do Estado é estender o controle de preços aos insumos e produtos necessários para a fabricação e oferta dos produtos e serviços inicialmente controlados, esperando que os custos destes caíssem e eles retornassem ao mercado. Contudo, o mesmo problema se repete e agora como há escassez também dos insumos, o preço dos produtos e serviços sobe ainda mais.


Quando não houver mais onde implantar o controle de preços, o Estado, então, obrigará os empresários a venderem seus produtos e serviços estocados, normalmente sob ameaças de prisão, pena de morte, extradição, estatização, etc, caso não obedeçam (novamente, lembram da Venezuela, do papel higiênico, dos produtos alimentícios…?). Contudo, quando esses produtos forem sob essas condições (controle de preços abaixo do valor de mercado e, principalmente, do mercado negro já existente nesta fase) a demanda por eles será muito maior do que a oferta, logo, não haverá como atender a todos e muitos ficarão sem esses produtos e/ou serviços.


Neste momento entra a terceira etapa do Estado intervencionista: o racionamento. O Estado decide que os produtos e/ou serviços controlados e escassos serão racionados e limita a quantidade que cada cidadão pode consumir de cada um deles. Isso mesmo, o Estado define o quanto o cidadão pode consumir de cada produto e/ou serviço. Porém, como o Estado não conseguirá medir qual a necessidade de consumo de cada indivíduo, uns terão mais do que precisam (poucos) e outros (a maioria) terão menos do que precisam. Novamente vemos o fortalecimento do mercado negro, com os preços aumentando mais, devido à origem deste advir de escassez, intervencionismo e falta de concorrência. Venezuela?


O Estado não consegue medir a demanda coletiva, devido não estar sob as leis do mercado que compreendem o sistema de preços e custos e o mecanismo de lucros e prejuízos, logo, impossibilitado de realizar o cálculo de quanto é necessário investir para oferecer um produto e/ou serviço e qual seria seu preço. Logo, não conseguindo saber quanto precisa ofertar, tão pouco sabe a demanda e não consegue alocar racionalmente os escassos recursos que possui, agravando a escassez dos mesmos. Imagina então medir a demanda individual, ou seja, quanto cada cidadão necessita e/ou quer consumir de determinado produto e/ou serviço e quanto está apto e aceita a pagar pelos mesmos. Por isso afirmo no parágrafo acima que o Estado agravará a escassez, quando implantar o racionamento.


No fim, ou o Estado desiste do controle de preços e ruma ao liberalismo econômico, ou a sociedade colapsa e pode nunca se recuperar. Talvez haja manifestações em massa, que serão reprimidas com violência. Talvez até uma guerra civil e intervenção externa no conflito.

Agora, se tudo isso ocorre no intervencionismo, como é o controle de preços no livre mercado? Não existe um controle de preços formal no Livre Mercado, mas uma disseminação do poder nas relações de trocas voluntárias, entre consumidores e empresários. Logo, haverá mecanismos que possibilitarão aos consumidores “controlar” os preços do mercado.


Essas ferramentas eu já citei em meu artigo sobre monopólios: concorrência potencial, concorrência de substitutos e elasticidade da demanda. Mas falarei novamente aqui, pois servem como ferramentas contra as empresas monopolísticas e também contra empresas em mercado de ampla concorrência.


A concorrência potencial significa que se as empresas oferecerem produtos e serviços ruins e/ou a preços exorbitantes, logo, gerará insatisfação em seus consumidores e abrirão caminho para outras empresas entrarem no setor e tomar fatia importante do mercado, logo, esse perigo as faz melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Caso a concorrência potencial não tenha quaisquer efeitos, a concorrência de substitutos pode ser utilizada. Significa que os consumidores consumirão produtos e serviços similares, mas de outras empresas, por exemplo, ao invés de um refrigerante da empresa X, tomarão suco da Y, ou água da Z. Isso afetará os lucros das empresas ruins e as obrigará (novamente) a melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Por fim, se nada disso funcionar, a elasticidade da demanda funcionará (e esta costuma se a principal e mais aplicada ferramenta, utilizada até antes da substituição). Os indivíduos consumirão menos do produto e os lucros serão afetados consideravelmente, obrigando as empresas a melhorarem a qualidade e diminuírem os preços.


Essas ferramentas são também eficazes contra cartéis e na prevenção de trustes, mas falarei disso em outros artigos.


Bem, são essas as diferenças entre origem, manutenção, ação e efeitos do controle de preços no sistema intervencionista e no Livre Mercado. No intervencionismo há escassez, aumento de preços, queda da qualidade, racionamento e agravamento da escassez inicial, podendo haver conflitos civis e militares quando a situação se torna insustentável, mas o Estado se recusa a recuar. Já no Livre Mercado o controle é exercido de forma natural pelos consumires através da livre concorrência e de ferramentas que obrigam os empresários a investirem em qualidade maior e preços menores.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/controle-de-precos-origens-manutencao-acoes-e-efeitos/


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« Resposta #192 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:10:04 »
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?



A maioria dos esquerdistas que fazem parte de cúpulas partidárias certamente que não iria querer, pois eles certamente acalentam a esperança de chegarem no poder e obterem altos cargos em alguma estatal.


Já a maioria dos esquerdistas comuns provavelmente nem sabem dessa possibilidade,  já que a cúpula do partido certamente não defendeu tal ideia de forma veemente e sistemática (e provavelmente nem defendeu de forma fraca e assistemática).




« Última modificação: 07 de Janeiro de 2018, 08:13:36 por JJ »

Offline JJ

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« Resposta #193 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:18:04 »
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.



Legal. Quer dizer que você é contra a ação de distribuir bônus conversíveis para o povo do país em ações da  ex estatal ?



" A chamada "privatização espontânea", isto é, a distribuição gratuita a toda a população de "vouchers" (bônus conversíveis em ações), amplamente usada nos países ex-comunistas, foi inventada num país capitalista, o Canadá. Em 1975, na província de British Columbia, um governo conservador decidiu revogar as estatizações do governo anterior. Congregou as empresas estatizadas numa holding, distribuindo gratuitamente cinco ações a cada membro da população."


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html


Offline JJ

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« Resposta #194 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:23:49 »


É por esse tipo de pensamento mesquinho e egoísta tipo Ayn Rand, que não se importa em melhorar diretamente a vida do povo é que essa coisa de liberalismo não se espalha em massa no Brasil. Pelo visto muitos liberais brasileiros parece que só se interessam por desestatização que vá beneficiar (diretamente) os que já são ricos e poderosos.  Se for para fazer um benefício direto para o povo, nem pensar. Mesmo que haja um exemplo do Canadá (um país de primeiríssimo mundo).



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« Última modificação: 07 de Janeiro de 2018, 08:39:59 por JJ »

Offline JJ

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« Resposta #195 Online: 07 de Janeiro de 2018, 08:33:07 »
Propor uma distribuição quase geral (que deveria excluir os já ricos) de bônus conversíveis em ações (que poderiam depois serem negociadas em bolsas de valores) de todas as estatais brasileiras seria uma excelente proposta de desestatização que conquistaria a maioria esmagadora  da população.


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Entretanto uns liberais do tipo Ayn Rand ( a sociopata  super  egoísta  ) não gostariam dessa ideia.   :no: :no:


 
« Última modificação: 07 de Janeiro de 2018, 08:36:12 por JJ »

Offline JJ

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« Resposta #196 Online: 07 de Janeiro de 2018, 15:00:48 »


Uma análise econômica do controle de preços (I)


 8 SET '15   INSTITUTO LIBERAL   


por GABRIEL DIB* Introdução Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca. Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria […]

por GABRIEL DIB*

Introdução


Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca.


Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria do valor subjetivo à teoria do valor trabalho. Na segunda parte, mostram-se os diversos tipos de políticas de controle de preço, como o controle de aluguéis e o salário mínimo. A parte final contém uma analise histórica dos resultados da política de controle de preços em diversas épocas, e realizam-se considerações finais no que toca ao tema abordado.


Por fim, é necessário destacar que os argumentos aqui expostos não têm como objetivo qualquer tipo de julgamento de valor; portanto, procura-se apenas provar que certa política é ineficaz, independente de sua moralidade. Utilizam-se, dessa maneira, de argumentos objetivos, os quais não tem dependência com nenhum tipo de código ético, preferências morais ou política


Formação de Preços


Antes de analisar-se qualquer tipo de política no que diz respeito ao controle ou alteração dos preços de mercado, é necessário compreender como os preços se formam e quais são as suas principais funções.


Antigamente, nas origens da ciência econômica, era tido com o uma máxima absoluta que os preços eram derivados do esforço ou do trabalho para produzir certo bem. Nesse sentido, os principais teóricos desse conceito eram Adam Smith – conhecido como o patrono da economia- e David Ricardo.


Adam Smith e David Ricardo


Ainda convém lembrar que outro autor o qual foi influenciado por esse conceito de Smith e Ricardo foi Karl Marx. Em consequência disso, Marx baseou grande parte da sua teoria e realizou diversas conclusões partindo de uma premissa equivocada, a qual ficou conhecida como teoria do valor-trabalho.


É incontestável que a teoria do valor-trabalho possui inúmeras contradições. Por exemplo, se Pablo Picasso empreendesse o mesmo tempo em uma obra sua que um pintor de paredes em uma casa, o preço final seria o mesmo? O próprio Marx reconheceu alguns erros em sua teoria.


Além disso, é necessário introduzir o conceito de Sunk Cost – conceito fundamental para empreendedores. O Sunk Cost refere-se a recursos empregados na fabricação de um ativo que são irrecuperáveis.  Juntando o conceito de valor-trabalho com o de Sunk Cost, temos o seguinte exemplo: é decidido investir em uma fábrica de gelo no Alasca; porém, necessita-se de um grande esforço e de custo altos para as máquinas, sobretudo. Supondo que fosse gasto 1 milhão de reais,  seria possível cobrar um preço tão alto pelo produto como se fosse vendido no Deserto do Saara? De fato, não é uma decisão mercadológica muito interessante, sendo similar a investir em lampiões na era da eletricidade. Portanto, fica evidente que os custos passados não têm um elo tão íntimo com o preço final.


A verdade é que os preços são formados pela combinação de duas varáveis: a demanda subjetiva, relacionada à utilidade marginal, e a quantidade ofertada, relacionada à escassez.



Carl Menger


Os conceitos de utilidade marginal e preferências subjetivas são oriundos da Revolução Marginalista, tendo como principal expoente Carl Menger – um dos principais teóricos da Escola Austríaca. O conceito de preferências subjetivas é bastante trivial: se todos gostassem de um produto X, ninguém compraria o produto Y. Ou seja, em suma, as demandas dos diversos agentes econômicos diferem entre si. Esse fato é de extrema importância, visto que quando alguém vai ao mercado comprar algo que demanda, leva consigo sempre uma escolha subjetiva, a qual tem total relação com o preço final.


O conceito de utilidade da Escola Austríaca difere bastante do conceito junto à economia neoclássica. Quando se compra certo bem no mercado, é comprada uma quantidade específica dele: 300 gramas de queijo ou um carro. E não apenas carros ou maças. Muitos economistas não conseguiram elaborar uma teoria de preços baseada na utilidade porque não compreendiam que se se comprava apenas uma quantidade de certo bem no mercado, e não a classe toda.


Para os austríacos, a utilidade é basicamente um ranking de preferências subjetivas. Quando se vai comprar algo, você faz um ranking dos diferentes produtos disponíveis. Por sua vez, a posição nesse ranking depende da valoração subjetiva de cada produto. Dessa maneira, se gasta nessa lista até o dinheiro disponível acabar. Obviamente, são escolhidos primeiros os produtos que estão acima no ranking. Portanto, é impossível medir utilidade, não porque não se tem uma unidade correta, mas sim porque não se tem o que medir.


Nesse sentido, supondo que um agricultor produza 4 sacas de trigo e as valoriza no seguinte ranking:


1- Alimentar a família

2-Reinvestir na agricultura

3-Fabricar cevada

4-Alimentar os animais de estimação


Caso uma praga destrua uma saca, supondo que fossem sacas carimbadas e nesse caso fosse destruída a quarta, o agricultor simplesmente realocaria o recurso de acordo com suas preferências, ou seja, investiria na agricultura em detrimento da alimentação dos animais de estimação.  Ademais, a utilidade marginal é de extrema importância na formação de preços, pois só se compra algo se o preço desse bem justificar esse custo, ou seja, se o preço for acima da utilidade marginal do bem, o agente econômico simplesmente irá parar de consumi-lo.


Por outro lado, a oferta está diretamente relacionada ao princípio de escassez: quando eu consumo um bem, eu estou deixando uma menor quantidade para os outros consumidores. Esse é um pressuposto básico da economia: não há motivos para falar em calculo econômico se o conceito de escassez não existisse. A despeito disso, há diversas críticas no que diz respeito a alguns economistas marxistas por não terem compreendido o conceito de escassez.


‘’Em última instância, os preços são determinados pelo julgamento de valores feitos pelos consumidores. Cada indivíduo, ao comprar ou ao não comprar e ao vender ou não vender, dá a sua contribuição à formação dos preços de mercado. Mas quanto maior for o mercado, menor será o peso da contribuição de cada indivíduo. Assim, a estrutura dos preços de mercado parece, a um indivíduo, um dado ao qual ele deve ajustar sua própria conduta. Aquilo a que se chama de preço é sempre uma relação que ocorre no interior de um sistema integrado, sistema esse que é o resultado das várias relações humanas’’ (Ludwig von Mises)


Outro fator existente é que o preço de mercado tende a igualar a oferta e a demanda. Se um preço se afastar do nível de equidade entre a ofertada e a demanda, a tendência é que o retorno ao equilíbrio ocorra automaticamente em um mercado livre. Muito economistas utilizam o termo de preços de equilíbrio; porém, é necessário citar que, para a Escola Austríaca, não existem preços de equilíbrio, visto que a economia é essencialmente dinâmica e, portanto, o que há são apenas preços que convergem para o equilíbrio, no chamado processo de mercado.


Além disso, é necessário citar que o sistema de preços de mercado tem a importância fundamental de emitir sinais para que os diversos participantes do processo de mercado possam coordenar seus planos ao longo do tempo. Friedrich Hayek – economista austríaco com prêmio Nobel – em seu paper ‘’The Use of Knowledge in Society’’, define que a informação é difusa e pulverizada. Nesse contexto, quando transacionamos no mercado levamos conosco essa pequena parcela de conhecimento. De fato, ninguém, por mais inteligente que seja, possui o conhecimento de todos e conhece, portanto, todas as preferências subjetivas individuais.


O preço, dessa maneira, é a resultante das mais diversas informações e conhecimentos, levando informações relevantes tanto para o consumo quanto para a produção. Por exemplo, se o preço da energia subir, devido a explosão de uma usina no Japão, o agente econômico pode não saber dessa informação, mas mesmo assim irá reajustar a sua demanda. Além disso, o sistema de preços cria incentivos para se alocar recursos da forma mais eficiente possível. Se o produtor de um lápis percebe que uma espécie de madeira está ficando mais cara devido a sua escassez, ele tende a economizar e utilizar uma madeira mais barata, ao receber essa informação.


Fica evidente, portanto, que o sistema de preços é indispensável para a alocação de recursos de forma mais eficiente possível. Porém, é necessário que a formação desse preço ocorra de maneira livre, sem intervenções ou distorções.

 

*Gabriel Dib é vice-coordenador do EPL no Rio Grande do Sul, presidente do Clube Empreendedorismo e Liberdade e diretor de eventos no Instituto Atlantos.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/uma-analise-economica-do-controle-de-precos-i/



Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #197 Online: 08 de Janeiro de 2018, 21:55:42 »
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O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.
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Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #198 Online: 08 de Janeiro de 2018, 22:00:18 »
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Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.
Sim, de fato.
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Carl Friedrich Gauss.

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #199 Online: 08 de Janeiro de 2018, 23:00:37 »
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O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.

O que eu entendi é que, no modelo cubano de privatização, a empresa estatal vira propriedade apenas dos empregados do setor, e não de todos os pagadores de impostos, enquanto que foram todos os pagadores de impostos que ajudaram a criar a empresa estatal ou pagaram a conta dela quando a mesma deu prejuízo. Mas, na privatização espontânea, a empresa estatal é dada a todos os pagadores de impostos.

 

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