Autor Tópico: Publicações científicas que passam trote nas revistas  (Lida 317 vezes)

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Offline Gabarito

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Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Online: 24 de Maio de 2017, 09:09:03 »
Tópico para publicações científicas que dão um trote nas revistas da área.
Trabalhos científicos "revisados por pares" que conseguem passar pelo filtro dessas revistas e entram de penetra na festa dos estudos sérios.
Estaria para o humor assim como o Prêmio Darwin, no mesmo meio científico.


Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #1 Online: 24 de Maio de 2017, 09:10:53 »
O Pênis Conceitual?
Vai uma alfinetada naquele linguajar dos Justiceiros Sociais, ideologia de gênero, patriarcado, "emponderamento" e esses modismos pedantes:

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O pênis conceitual
24/05/2017 02h00
hélio schwartsman

SÃO PAULO - Chega de crise, hoje vamos nos divertir um pouco.

O pênis é uma construção social concebida para oprimir mulheres e outras categorias de gênero e é um dos operadores conceituais da mudança climática. Louco, não? Com certeza, mas um artigo com 3.000 palavras defendendo ideias desse quilate em linguagem empolada, que busca imitar textos pós-estruturalistas, acaba de ser publicado num periódico de ciências humanas de acesso aberto e com revisão por pares, o "Cogent Social Sciences" (CSS).

Sim, os editores da revista se deixaram apanhar num trote nos moldes do célebre caso Sokal. Os autores do chiste, Peter Boghossian e James Lindsay, procuraram reunir o máximo de pseudoargumentos que não fazem o menor sentido num só texto e o submeteram ao CSS, que o aceitou e publicou. Vale a pena reproduzir uma frase para dar o gostinho do artigo: "A hipermasculinidade tóxica extrai sua significância diretamente do pênis conceitual e se dedica a apoiar o materialismo neocapitalista, que é um dos principais operadores da mudança climática". O site da revista "Skeptic" traz uma boa reportagem sobre o caso.

É fácil creditar o vexame à falta de rigor das ciências humanas, especialmente em suas vertentes mais ideológicas como os estudos de gênero. Isso pode ser parte do problema, mas é importante lembrar que as ciências duras também têm seu estoque de fiascos. Em 2013, John Bohannon, da "Science", submeteu múltiplas versões de um artigo científico verossímil mas com erros metodológicos gritantes para 304 periódicos de acesso aberto que diziam contar com "peer review". Tudo bem que as publicações de acesso aberto não são a elite dos periódicos, mas os números assustam mesmo assim: 157 aceitaram o texto, 98 o rejeitaram e o restante não respondeu em tempo.

Talvez seja precipitado falar em crise das ciências, mas dá para falar numa crise do modelo de "journals".


Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #2 Online: 24 de Maio de 2017, 09:11:09 »
Caso citado no artigo anterior, o Caso Sokal:

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Caso Sokal
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O caso Sokal (ou escândalo Sokal) foi um escândalo ocorrido no meio acadêmico durante a segunda metade da década de 1990. O caso eclodiu em 1996, quando o físico Alan Sokal publicou um artigo-embuste na revista Social Text (publicada pela Duke University Press), publicação de estudos culturais até então conhecida por seu caráter “pós-moderno”.

Professor de Física na Universidade de Nova Iorque, Sokal submeteu o artigo à publicação como um experimento para ver se um jornal desse tipo iria “publicar um artigo generosamente temperado com nonsense se (a) o artigo soasse bem e (b) o artigo exaltasse as concepções ideológicas dos editores”.[1]

O artigo, intitulado “Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity”[2] (em português, “Transgredindo as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”), foi publicado na edição de “Guerras da Ciência” da Social Text e argumentava que a gravidade quântica seria uma construção social e linguística. Na época, a revista não contava com um processo de revisão por pares e não submeteu o artigo a revisores.[3] Na época da publicação, Sokal anunciou em outra publicação - Lingua Franca - que o artigo era uma fraude, qualificando-o como “um pasticho de jargões esquerdistas, referências aduladoras, citações pomposas e completo nonsense", tendo sido “estruturado em torno das citações mais tolas que eu pude encontrar sobre Matemática e Física” feitas por acadêmicos pós-modernos.

A ficção científica já havia previsto casos semelhantes. Um exemplo é a obra The Number of the Beast, de Robert A. Heinlein, em que o protagonista Zebadiah Carter obtém o doutorado mediante uma tese deliberadamente construída sem conteúdo.[4]


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #3 Online: 24 de Maio de 2017, 19:21:01 »
O pior é que a picaretagem pós-modernista não acaba mesmo assim.

Um ano ou dois atrás foi publicado, e em alguma publicação de grande respeito -- acho que uma das "grandes duas", Nature ou Science, ou sub-versões delas -- um artigo sobre "glaciologia feminista".

É simplesmente um insulto ao bom-senso.

https://whyevolutionistrue.wordpress.com/2016/03/13/postmodern-glacier-professor-defends-his-study-says-it-was-misunderstood-it-wasnt/

Acho que feministas "de verdade" deveriam ver como ofensivas essas tentativas de usar o tópico para posar de "progressista com concernimentos". Se bem que aparentemente é praticamente só isso que restou, uma tomada geral do rótulo por gente no mimimi-business.

Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #4 Online: 25 de Maio de 2017, 19:37:50 »
Quase uma publicação científica, mas uma dissertação de mestrado:


Não é bem uma noticia bizarra, ou é? Na falta de topico melhor posto aqui. Acho que caberia tmabem naquele topico de arte contemporanea.
Isso tudo abaixo é uma dissertaçao de mestrado  :histeria:

https://ceticismo.net/2017/05/20/academia-de-inumanas-reforcando-idiotas-na-area-da-educacao/




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Academia de Inumanas: Reforçando idiotas na área da Educação
sábado, 20 de maio de 2017   Ceticismo, Ciência, Comportamento, Cultura, Filosofia, História, Idiocracia, Mitos Desmascarados, Pseudociência, Tecnologia   25 Comentários
Escrito por: André

Volta e meia me criticam porque eu “persigo” os coitadinhos dos departamentos de Humanas (não, nenhuma ciência aqui. Sorry). Afinal, eles também desenvolvem conhecimento, ajudam a melhorar o mundo, faz o ser amado voltar em 3 dias, caminha sobre as águas e cura sua espinhela caída. Entretanto, quando vemos os trabalhos, dissertações e teses, vemos o lixo pseudointelectual que produzem. Não, o Tedson, que ganhou 30 mil reais para ficar fazendo sexo oral em banheirão púbico, não é algo raro.

Me mostraram, por exemplo, uma bela dissertação de uma mestranda em Educação. O trabalho é… interessante e nos mostra como as Universidades hoje estão um lixo, e antes que você diga, não, não foi uma universidade particular, mas federal.

A dissertação tem o título: Uma educação esquizita. Uma formação bricoleur processo ético e estético e político e econômico (sic).

Bricoleur é definido como “amador de bricolage, pau pra toda obra, manhoso, faz-tudo”. Ou seja, a pesquisa foi feita com amadorismo? Pode ser. Vamos ver no resumo sobre o que é:

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    Meu tema é o instante? meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim. Escrevo-te toda inteira e sinto um sabor em ser e o sabor-a-ti é abstrato como o instante. é também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo-a-corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro. Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras – e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão. Hoje acabei a tela de que te falei: linhas redondas que se interpenetram em traços finos e negros, e tu, que tens o hábito de querer saber por quê – e porque não me interessa, a causa é matéria de passado – perguntarás por que os traços negros e finos? é por causa do mesmo segredo que me faz escrever agora como se fosse a ti, escrevo redondo, enovelado e tépido, mas às vezes frígido como os instantes frescos, água do riacho que treme sempre por si mesma. O que pintei nessa tela é passível de ser fraseado em palavras? Tanto quanto possa ser implícita a palavra muda no som musical…. E eis que percebo que quero para mim o substrato vibrante da palavra repetida em canto gregoriano. Estou consciente de que tudo que sei não posso dizer, só sei pintando ou pronunciando, sílabas cegas de sentido. E se tenho aqui que usar-te palavras, elas têm que fazer um sentido quase que só corpóreo, estou em luta com a vibração última. Para te dizer o meu substrato faço uma frase de palavras feitas apenas dos instantes-já. Lê então o meu invento de pura vibração sem significado senão o de cada esfuziante sílaba, lê o que agora se segue…. Ouve-me, ouve o silêncio. O que eu te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas em um caleidoscópio….Ouve apenas superficialmente o que digo e da falta de sentido nascerá um sentido como de mim nasce inexplicavelmente vida alta e leve…. Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. Ése. Sou-me. Tu te és.

Primeiro, ele não diz sobre o que é. Segundo, depois dos pontos e inícios de frases a inicial não está em maiúscula. As reticências (desnecessárias) possuem, não três, mas quatro pontos. Vírgulas ou são inexistentes ou colocadas no lugar errado, entre outras coisas que fariam este “texto” ser reprovado em qualquer exame de redação em nível de Ensino Fundamental.

Reiterando: eu não alterei nada. Vou até dar o link de novo, e é da Universidade Federal de Juiz de Fora.

No abstract – que deve ser em inglês, de acordo com a ABNT, salvo seja feito em outro idioma estrangeiro, mediante consulta prévia – vem:

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You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
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 v You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
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 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
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 You have to learn Portuguese. v You have to learn Portuguese.
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 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese.

    (sic, inclusive aqueles “v”)

Lembrando que este é o Programa de Pós-graduação em Educação, financiado pelo CNPq.

Vocês acham que acabou? Que nada! Se vocês se dignarem a ver o *.pdf verão que a primeira página não é uma capa, mas…



Não perguntem (e sim, é desse jeito que está lá).

Mais uma vez é repetido o abstract em inglês conforme mostrado anteriormente (diga-se de passagem, eu pensei que fora algum erro do site, mas não).

O trabalho parece uma imensa egotrip de uma adolescente que apanha dos pais e está cheia de drogas na ideia, nada faz sentido, nada angariou de importante, não tem bibliografia, não tem conclusão, não tem estilo reconhecido pela ABNT não tem NADA! Não parecem ter consultado a página da própria UFJF que traz toda a normatização (em *.pdf), senão saberiam que as imagens têm que estar referenciadas, a capa não pode começar com um monte de fotos de diarinhos sem sentido, tem norma para as margens e NEM PENSAR ter trecho escrito com fonte tamanho 20 ou variando as fontes entre Times Roman, Arial e até Courrier (EU NÃO ESTOU INVENTANDO. Baixem o pdf e vejam por si só).

A escrita é pobre, problemas de ortografia e gramática, elementos textuais desconexos, respeito pela norma culta nula, respeito pelas normatizações desdenhadas, sem conclusão, sem sentido, sem nem dizer sobre o que é a dissertação. Mas o Tarcísio, autor desta imensa MERDA, não é o culpado. A culpa é da sua orientadora ridícula, que cagou e andou para tudo o que uma pesquisa acadêmica séria prega. A culpa é da Banca, que aceitou esta mixórdia imunda, já que orientador de hoje fará a banca de amanhã e ninguém quer correr o risco de bater de frente com quem avaliará o próprio orientando depois. A culpa é do CNPq que financia qualquer lixo, deixando pesquisas sérias sem um centavo de verba, porque o que interessa é quem pede, quem orienta como no caso da fábula da tese do coelhinho ser um grande predador.

Aí, o Governo corta a bolsa e investimento das universidades e todo mundo começa a chiar. Querem saber? TEM MAIS QUE CORTAR, MESMO! Se é pro meu dinheiro de impostos financiar este LIXO digna de enfiar na bunda do autor, que parece ter feito alguma peça de teatro de vanguarda de 3ª classe, eu prefiro que não se faça nada.

E para finalizar os 5 minutos de ódio? Este inútil é que dirá aos professores como se deve ensinar, pois ele… OOOOOOOOHHHHHHHH tem mestrado, está no doutorado e tudo isso por uma universidade federal, que ficam cagando goma por ser a melhor. Não é, nunca foi e mesmo que fosse, eu não quero ver as piores.

Offline EuSouOqueSou

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #5 Online: 26 de Maio de 2017, 21:28:25 »
Que eu saiba isso não foi um trote. Infelizmente.
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

 

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