Autor Tópico: O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"  (Lida 422 vezes)

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Offline -Huxley-

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O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Online: 31 de Dezembro de 2017, 00:38:11 »
É difícil não perceber como as pessoas se iludem por vieses cognitivos, que são erros do julgamento humano baseados nas falhas inerentes de nosso aparelho cognitivo. Não raro, esses se difundem coletivamente de tal forma que se transformam em fatos com repercussões políticas. Um deles é a ilusão correlacional. O fato de dois eventos ocorrerem freqüentemente juntos não significa que um seja, necessariamente, a causa do outro. O outro é conhecido como erro de redução ou falácia da causa única. Nele, as pessoas deixam de procurar causas adicionais quando pensam que achou uma que parece proeminente.

Em contexto político, essa ilusão se traduziu recentemente na seguinte crença proposicional no Brasil: “Lula e o PT foram os heróis do 'milagre sócio-econômico' do Brasil (sobretudo de 2004 a 2011)”. Essa crença de excepcionalidade do desempenho de Lula e do PT não passa de ilusão, mesmo se fosse desconsiderado o recente período de estagnação ou recessão. Isso eu já expliquei no tópico do Clube Cético  Brasil deixado para trás pelo resto da Periferia na Era Lula/PT.

Todavia, depois do fiasco econômico do PT na fase terminal de sua estadia no Poder Executivo, existem por aí pessoas ligadas ao petismo que ainda tentam minimizar ou não responsabilizar o lulopetismo pelo desastre econômico recente. Vamos aos três principais argumentos e as respostas aos mesmos:

A operação Lava Jato paralisou o setor de infra-estrutura, afundando a economia

O problema desse argumento é que o Brasil apresentou recentemente duas taxas de decréscimo do PIB de cerca de 4%. Isso ocorreu nos períodos de 2015 e 2016. Mesmo que fosse verdade que o efeito da crise institucional sobre as principais construtoras do país tivesse abalado a renda nacional, a própria revista Carta Capital, petista de carteirinha, admitiu, partindo de estimativas de consultorias, que “se não fosse a Lava Jato, a recessão de cada ano teria sido algo em torno de 1,5%”:
https://www.cartacapital.com.br/economia/quantos-empregos-custa-a-lava-jato   

Veja que se evitou dizer “apenas 1,5%”. É compreensível, pois lembremos que, embora o governo não-petista anterior, o de FHC, tenha sido marcado por graves crises econômicas, não houve um único ano sequer em que o PIB não teve variação de aproximadamente 0% ou mais. E, nos oito anos da gestão de FHC, jamais houve um aumento tão explosivo na taxa de desemprego em tão pouco tempo como houve no fim do período em que o PT esteve no Poder Executivo. Durante a gestão de FHC, nunca se chegou nem minimamente próximo ao feito de quase triplicar a taxa de desemprego em cerca de um ano e meio - medido pela "Pesquisa Mensal de Emprego" de dezembro de 2014 a maio de 2016.

Lembremos que a Lava Jato se iniciou no extremo fim do primeiro trimestre de 2014, isto é em 17 de março de 2014. Eu fui no Google Imagens e digitei “recessão 2014”. Para minha surpresa, vi um gráfico do portal de notícias G1 cuja fonte de dados era o IBGE. Do terceiro trimestre de 2013 ao segundo trimestre de 2014, tem variação do PIB contra trimestre anterior (em %) assim: -0,5%,+ 0,5%,  -0,2%, -0,6%. Isso desmente o mito da Lava Jato como a causa primeira da deterioração do desempenho da economia brasileira.

Ademais, existe outra proposição que quero desmentir. A de que...

O Brasil vivia taxa de desemprego excepcionalmente baixa até a entrada do economista neoliberal e defensor da política fiscal austera, Joaquim Levy, que estragou os feitos do lulopetismo

Será isso verdade? A queda da taxa de desemprego realmente foi resultado da aceleração do crescimento econômico que ocorreu no Brasil no período 2004-2011. Todavia, o feito de Dilma, a taxa de desemprego “menor da história” desde o começo da implementação da metodologia atual nada mais do que foi o resultado da diminuição da oferta de emprego, pois a produção e o emprego ficaram estagnados por volta de 2014. Isso fica cristalinamente claro ao se ler o artigo da Folha de São Paulo “Paradoxos Heterodoxos” do economista Alexandre Schwartsman, ex-membro da equipe econômica de Lula. Um excerto do artigo é esclarecedor:

Citar
(...) entre agosto de 2013 e agosto de 2014 a força de trabalho encolheu em 160 mil pessoas, quase o dobro da queda do emprego no período. É este desenvolvimento que explica a redução do desemprego apesar da produção e do emprego estagnados.

Não é claro o que causou este fenômeno. Ele parece mais pronunciado na faixa etária de 18 a 24 anos e pode resultar tanto da busca por maior qualificação por parte dos jovens (que teriam se afastado do mercado para estudar), como do aumento da “geração nem-nem” (nem trabalha nem estuda).

Fonte:
http://maovisivel.blogspot.com.br/2014/10/paradoxos-heterodoxos.html

Também disponível em:
https://www.institutomillenium.org.br/artigos/paradoxos-heterodoxos/



Quanto a entrada de Joaquim Levy ter causado a recessão, isso é falso, como mostram os sinais de variação negativa do PIB que antecederam a entrada, no Ministério da Fazenda, de tal economista.

Todavia, há de se levar em conta que a entrada de Joaquim Levy, seja por impotência ou incompetência política, não significou austeridade fiscal, portanto não houve qualquer "arrocho fiscal neoliberal causador de crise". Alexandre Schwarstman, o mesmo desmascarador do mito acerca da taxa de desemprego, diz o seguinte:

Citar
Há quem atribua tal desempenho à austeridade fiscal, principalmente por parte do governo federal. Isso é falso: como divulgado ontem, o consumo do setor público se manteve virtualmente inalterado (R$ 361 bilhões agora contra R$ 365 bilhões no início de 2014). Outras medidas de gastos, no caso do governo federal, incluindo despesas como pagamentos de aposentadorias e pensões, mostram aumento do dispêndio, jamais queda.

Só mesmo apreciável contorcionismo mental poderia atribuir ao ajuste fiscal, sequer iniciado, a queda vertiginosa da atividade econômica, iniciada ainda em 2014.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2017/03/sete-anos-em-tres.html (Blog Mão Visível)


A culpa foi de Dilma, não de Lula

Diferentemente do que acontece com outros argumentos, esse aqui não tenta negar o efeito causal da incompetência de Dilma no colapso recente da economia. O foco dele é proteger Lula.

Todavia, esse argumento parece ignorar o fato óbvio de que Lula é o pai da política econômica iniciada por Dilma. O ministro da Fazenda que levou o Brasil ao abismo no governo Dilma foi nomeado na gestão Lula. Muitos economistas atribuem o relativo bom desempenho econômico do Brasil lulista ao tripé macroeconômico que a equipe econômica de Lula criou no primeiro mandato e que foi desfeita no fim da era Lula. Em que consistia esse tripé?  De novo, o esclarecedor Alexandre Shwartsman desmontou o mito no artigo de 2013 “O fracasso órfão” no seu blog Mão Visível:

Citar

Durante os anos que o país adotou o chamado “tripé macroeconômico”, caracterizado pelo câmbio flutuante, o compromisso com as metas de inflação e o cumprimento das metas do superávit primário, autodenominados “desenvolvimentistas” não se vexaram de prometer um desempenho melhor caso sua estratégia fosse adotada. Segundo este pessoal, seria possível crescer muito mais caso a taxa de câmbio fosse administrada, a taxa de juros reduzida, o grau de intervenção do governo na economia aumentasse (via políticas setoriais) e a política fiscal fosse relaxada.

Não é necessário nenhum grande salto de imaginação para notar que estas têm sido as vigas mestras do que se convencionou chamar de “nova matriz econômica”, que entrou paulatinamente em vigor nos anos finais do governo Lula, ganhando força considerável nestes dois anos e meio da administração Dilma. Diga-se, aliás, que a transição foi aplaudida entusiasticamente por todos os que defendiam esta alternativa ao “tripé”.

Os resultados desta política estão nas manchetes de todos os jornais: crescimento pífio, inflação acima do topo da meta, déficits externos crescentes e desarticulação do investimento. Por qualquer ângulo que se olhe, a “nova matriz econômica” tem sido um fiasco retumbante.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/07/o-fracasso-orfao.html

Vejam que mesmo que a política fiscal expansionista tivesse algum valor anticíclico num contexto pós-crise internacional 2008-2009, sua dosagem incorreta foi responsável por, a partir de 2010, a taxa de inflação ficar acima do centro da meta. Depois disso, além de a taxa de inflação ficar acima do centro da meta e até do teto, isso também foi acompanhado de desaceleração da taxa de crescimento do PIB. Isso culminou na taxa de inflação elevada acima de 10% e brutal recessão observada em 2015.

Tudo isso começou por um processo iniciado por Luís Inácio Lula da Silva, esse mito, que nos faz inferir, depois de tudo demonstrado aqui, a seguinte lição. Nem sempre as contiguidades temporais apontam para realizações grandes de habilidades grandes, pois eventos supostamente extraordinários podem acontecer sem causas extraordinárias. Lula é apenas um “Dilma de calças” que deu sorte. Estivesse ele lá num hipotético terceiro e quarto mandatos, provavelmente teríamos aproximadamente o mesmo do desastre causado por Dilma. O que deixaria claro, para muitos dos que querem o mesmo mais uma vez no Palácio do Planalto por um longo tempo, o quão enganador ele foi. Mas, como isso não ocorreu, é parcialmente compreensível que ainda existam pessoas que fantasiam as realizações de um Lula que não existiu.
« Última modificação: 31 de Dezembro de 2017, 12:24:30 por -Huxley- »

Offline Geotecton

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #1 Online: 31 de Dezembro de 2017, 00:56:33 »
Acrescente-se a esta análise o período de grande crescimento do PIB mundial durante 2001 e 2009 e, internamente, as 'mentiras deslavadas' dos PACs e as informações manipuladas, entre outros engodos.
Foto USGS

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #2 Online: 31 de Dezembro de 2017, 05:31:31 »
Acrescente-se a esta análise o período de grande crescimento do PIB mundial durante 2001 e 2009 e, internamente, as 'mentiras deslavadas' dos PACs e as informações manipuladas, entre outros engodos.

Lembra do Dilmão falando da Copa do Mundo que geraria milhões de empregos? E dizendo depois que a recessão foi causada pela Copa?

E então a recessão passou a ser culpa da Lava Jato.

Petista não serve nem para ser usado como adubo.

Offline Fernando Silva

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #3 Online: 31 de Dezembro de 2017, 08:35:14 »
A operação Lava Jato paralisou o setor de infra-estrutura, afundando a economia

O problema desse argumento é que o Brasil apresentou recentemente duas taxas de decréscimo do PIB de cerca de 4%. Isso ocorreu nos períodos de 2015 e 2016. Mesmo que fosse verdade que o efeito da crise institucional sobre as principais construtoras do país tivesse abalado a renda nacional, a própria revista Carta Capital, petista de carteirinha, admitiu, partindo de estimativas de consultorias, que “se não fosse a Lava Jato, a recessão de cada ano teria sido algo em torno de 1,5%”:
https://www.cartacapital.com.br/economia/quantos-empregos-custa-a-lava-jato   

Veja que se evitou dizer “apenas 1,5%”. É compreensível, pois lembremos que, embora o governo não-petista anterior, o de FHC, tenha sido marcado por graves crises econômicas, não houve um único ano sequer em que o PIB não teve variação de aproximadamente 0% ou mais. E, nos oito anos da gestão de FHC, jamais houve um aumento tão explosivo na taxa de desemprego em tão pouco tempo como houve no fim do período em que o PT esteve no Poder Executivo.
Ainda que fosse verdade que houve uma súbita piora devido à Lava Jato, o fato é que ela era necessária e, sem ela, seríamos uma nova Venezuela, com uma degradação talvez mais lenta e menos perceptível, mas, por isto mesmo, mais destrutiva (a história do sapo na panela de água fervendo).

Basta comparar Petrobras e PDVSA: enquanto a PDVSA está em ruínas, com os poços se esgotando por falta de pesquisas e com as refinarias caindo aos pedaços por falta de manutenção (o que levou ao absurdo de faltar gasolina num país que tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo), a Petrobras tem problemas e dívida altíssima, mas ainda é capaz de se recuperar com a remoção dos parasitas.

O Brasil, ao contrário da Venezuela, ainda tem jeito se o governo não atrapalhar.

Offline Fernando Silva

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #4 Online: 31 de Dezembro de 2017, 08:38:22 »
Lula não fez milagres, pelo contrário, destruiu o país, só que ninguém notou na época porque o dinheiro entrava a rodo.
Reeleger o Lula não vai trazer esse dinheiro de volta, só vai acabar com o pouco que já se conseguiu recuperar.

Offline JJ

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #5 Online: 31 de Dezembro de 2017, 08:41:41 »
O Brasil, ao contrário da Venezuela, ainda tem jeito se o governo não atrapalhar.


Se o Maduro  sair ou for retirado do poder, e não vier outro semelhante a ele (socialista/estatista)  para ocupar o poder, então a Venezuela ainda terá jeito.



Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #6 Online: 31 de Dezembro de 2017, 08:50:59 »
O Brasil, ao contrário da Venezuela, ainda tem jeito se o governo não atrapalhar.


Se o Maduro  sair ou for retirado do poder, e não vier outro semelhante a ele (socialista/estatista)  para ocupar o poder, então a Venezuela ainda terá jeito.




Acho que é só questão de tempo.

O cara conseguia se manter a custa de ajuda externa mas agora não tem petróleo suficiente, não tem crédito,  não tem como alimentar milicianos, não tem mais apoio total das FA.

« Última modificação: 31 de Dezembro de 2017, 08:53:08 por Arcanjo Lúcifer »

Offline Gabarito

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #7 Online: 31 de Dezembro de 2017, 10:47:37 »
Fechando o ano com um tópico excelente!
Parabéns, -Huxley-!

Além de muito esclarecedor, temos informações importantíssimas e necessárias para serem amplamente difundidas para que o país se prepare para a eleição de novas autoridades e governantes em 2018.

Aproveitando e pegando carona, contribuo com um artigo sobre a cegueira do brasileiro médio quando o assunto são as necessárias privatizações.
Recentemente, uma pesquisa do DataFolha apontou que 70% dos entrevistados são contrários a elas.

Citar
   
No Masoquistão, o país dos masoquistas, povo tem horror a privatizações

    por Leandro Narloch
    [ 29/12/2017 ] [ 16:17 ] Atualizado em [ 29/12/2017 ] [ 16:23 ]

Entre as nações mais estranhas e exóticas do planeta se destaca o Masoquistão, a terra dos masoquistas. A população desse país rejeita pessoas e empresas que lhe trazem conforto e nutre um fetiche por serviços públicos que causam dor, sofrimento, agonia e longas filas de espera. Esse comportamento se manifesta principalmente na questão da privatização das 129 empresas estatais do Masoquistão.

Um importante serviço de pesquisas daquele país revelou recentemente que quase 70% dos masoquistenses se opõem à privatização. Sentem um tédio terrível quando são servidos por garçons simpáticos e atenciosos e por vendedores sorridentes de lojas baratas, ou quando ganham uma redução na mensalidade do telefone celular.

Mas são tomados por uma perturbadora satisfação quando se decepcionam com os serviços públicos mais essenciais, como a polícia ou a conservação de estradas. Mordem os lábios de prazer ao encontrarem cartazes como este: “Ofender funcionário público: seis meses de detenção”.

“É disso que precisamos!”, dizem os líderes do Masoquistão diante dessas mensagens ou diante da calamidade das escolas e hospitais públicos. A maior parte dos cidadãos dessa nação sabe muito bem que, sem estatais e muitos serviços públicos precários, sua dose de agonia seria sensivelmente diminuída. Do ponto de vista antropológico, portanto, é perfeitamente racional que eles sejam contrários ao fim das estatais.

Os políticos do Masoquistão são particularmente conhecidos por usar as empresas públicas da pior forma possível. Nomeiam afilhados políticos para cargos de direção, cobram propinas de empreiteiras e causam rombos enormes nas contas das empresas. Ocorreram nas estatais do Masoquistão alguns dos piores casos de corrupção da história do mundo.

O que fazem os masoquistenses diante desses escândalos? Defendem que os políticos continuem mandando nas empresas, é claro!

O governo dessa estranha nação vem enfrentando uma grave crise fiscal, ou seja: não consegue gastar menos do que arrecada. Para agravar esse problema, os masoquistenses contam com a ajuda das empresas estatais, que na soma geral dão mais prejuízo que lucro aos cofres públicos. Só nos últimos cinco anos, causaram um rombo de 10 bilhões de dólares, devidamente pago pelos contribuintes locais.

Vender as estatais ainda aliviaria a dívida do Masoquistão, o que poderia atrair investidores, gerar empregos e enriquecer as famílias. Mas os masoquistenses têm horror a imagens de famílias felizes tomando sorvete na praia, viajando de avião ou inscrevendo os filhos em colégios particulares. Por isso lutam para eliminar qualquer chance de prosperidade.

É verdade que nem todos os habitantes gostam de sofrer ou apoiam o prosseguimento dos estatais. Mas esses formam uma minoria tímida e silenciosa. Até mesmo os políticos que defendem privatizações evitam o assunto – mantêm suas opiniões em segredo para não perder eleitores. Ninguém no Masoquistão tem coragem de contrariar um costume nacional tão tradicional quanto a vontade de sofrer.


Vamos torcer para que o quadro não seja assim tão negro.
Portanto, a difusão de informações trazidas em tópicos com esse é mais do que necessária a se ter bons gestores no ano que vem.
Oxalá!

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #8 Online: 31 de Dezembro de 2017, 11:07:37 »
Citar
Recentemente, uma pesquisa do DataFolha apontou que 70% dos entrevistados são contrários a elas.

Mais uma confiável pesquisa do Data Foice com margem de erro batendo os 80%?

Offline Geotecton

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #9 Online: 31 de Dezembro de 2017, 11:22:53 »
Também tenho sérias dúvidas sobre os números apresentados pelo DataFoice, digo, DataFolha.
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Offline JJ

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #10 Online: 01 de Janeiro de 2018, 07:25:58 »
Eu não duvido que a pesquisa do DataFolha esteja correta, pois entre outros motivos temos algumas ações e crenças como as que seguem:


1) O poder de muitos anos de propagandas políticas contra privatizações ( “Collor privatizou e Collor não prestava”, “FHC privatizou e FHC não prestava”);


2) Paralelo a  propaganda contrária, temos que durante muitos anos não teve praticamente nenhuma defesa, sistemática e consistente, das privatizações feitas por FHC (do Collor nem se fala pois o cara foi chutado do governo, então como se faria defesa de coisa que o cara fez?). De  alguns anos para cá  temos alguma defesa de privatizações, mas  ainda é algo mais restrito à grupos da  internet;


3) A crença ampla no grande poder do Estado (o que é razoável, haja visto a sua grande presença, e se o Estado/governo é tão forte, então basta ele querer fazer a coisa certa, para que as coisas deem certo);


4) A propaganda contra os capitalistas;


5) A ilusão de que algo público é do povo;


6) A demissão de pessoas quando uma empresa estatal é privatizada (ser demitido é algo ruim, então privatizar é algo ruim);


7) A ideia de que o governo dá coisas grátis, e em certos casos se houver privatização o povo poderá deixar de  ter o mesmo acesso que tinha antes;

« Última modificação: 01 de Janeiro de 2018, 07:39:36 por JJ »

Offline JJ

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #11 Online: 01 de Janeiro de 2018, 07:44:43 »

Aqui uma página que coloca alguns motivos que já foram usados como propaganda contra privatizações (e com razoável sucesso), ele também coloca motivos para ser a favor, mas como já mencionei, a propaganda para ser a favor é mais recente do que a para ser contra:


Privatizações, 10 motivos para ser contra, 10 motivos para ser a favor
 


Hoje apenas sugerir uma privatização já é considerado entreguismo. Por mais que o PT também tenha privatizado, os tucanos ficarão para sempre estigmatizados como privateiros que entregaram ao capital estrangeiro nosso patrimônio. Logo, para o PT, existem privatizações que são piores que outras.

Como sempre, darei 10 motivos para ambos os lados, colocando primeiro o que discordo.

10 motivos para ser contra as privatizações

1- Soberania Nacional

Ao privatizar determinado serviço, o Estado perde parte de sua soberania, pois entrega de bandeja ao capital externo o controle e o lucro de determinada finalidade, não podendo o Estado criar ferramentas para proteger a população da ambição capitalista.


2-Roubo

Ao privatizar uma empresa, o Estado entrega à iniciativa privada uma empresa construida com dinheiro público. Ou seja, o trabalhador paga com seus impostos ao Estado para que este invista em determinada empresa e depois o Estado vende a empresa à iniciativa privada. Logo, dinheiro público é usado para enriquecer a iniciativa privada.


3-Corrupção

Todos sabemos que os políticos privateiros sempre receberão favores das empresas que porventura façam ganhar as licitações e leilões. Logo, as privatizações servem para enriquecer e perpetuar no poder o partido privatizador.


4- Desemprego

As privatizações causam desemprego. A iniciativa privada, ao tomar o controle de uma empresa pública, não pensará duas vezes antes de demitir seus funcionárias. Logo, as privatizações são ruins para os trabalhadores dessas empresas, que ficarão ameaçados de perderem seus empregos, sendo muitos deles demitidos.


5- Finalidade

A empresa privada não tem o objetivo de prestar um bom serviço público, o objetivo da empresa privada é o lucro, não importando como. Logo, o serviço prestado ao cidadão é piorado.


6-Desigualdade

Com as privatizações, os serviços tem seus preços aumentados e os pobres ficam inaptos para acessá-los. Logo, só quem tem dinheiro poderá gozar pelo serviço privado e será aumentado ainda mais o abismo entre os ricos e os pobres.


7- Fuga de capitais

Com as privatizações, grupos estrangeiros passam a comprar as empresas estatais e a repassar ao exterior os lucros do trabalho do brasileiro. Logo, as privatizações geram fuga de recursos para o exterior e fazem o Brasil ficar mais pobre.


8- Universalização

Com a privatização, uma empresa pode se negar a oferecer determinado serviço importantíssimo em determinada localidade por causa de sua baixa viabilidade econômica. Logo, até os brasileiros com recursos podem ser prejudicados pela falta de serviços.


9- Crise

As crises do capitalismo são cíclicas. Logo, quando o Estado controla determinada atividade, existe mais segurança de que ela será cumprida e não será abalada por crises. Empresas estatais não costumam declarar falência, pois se resguardam no Estado.


10- Consequências

O resultado das políticas de privatizações promovida pelos governos neoliberais tornou o Brasil mais pobre, mais desigual e mais injusto, apenas enriquecendo uma pequena classe de empresários e políticos. Logo, as privatizações colaboram para que a sociedade seja mais desigual e aplica o capitalismo selvagem contra nossa sofrida população carente.


11- Constituição

Nossa Constituição é social e democrática de Direito, e determina que o Estado preste diretamente serviços como o de educação, saúde e assistência social, podendo a iniciativa privada atuar apenas de forma complementar/suplementar, não sendo possível a concessão de serviços públicos sociais.


12- Prejuízo

Com as privatizações o Estado perde uma importante fonte de receita. Imagine quantos hospitais e escolas poderíamos contruir com os lucros que as empresas privatizadas estão obtendo todo o ano. É um roubo bilionário. Dinheiro que deveria ser nosso enriquece poucos.



https://acidblacknerd.wordpress.com/2013/05/18/privatizacoes-10-motivos-para-ser-contra-10-motivos-para-ser-a-favor/



Offline JJ

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #12 Online: 01 de Janeiro de 2018, 07:49:37 »
Aqui ele coloca  motivos para ser a favor :


10 motivos para ser a favor das privatizações

1- Melhora nos serviços

Felizmente a realidade por si só já advoga a favor das privatizações. Experimente andar numa estrada controlada pela iniciativa privada e numa controlada pelo governo. Verifique a eficiência das empresas públicas e a das privadas.


O que podemos concluir é que as empresas privadas, por estar a todo momento sob risco e contra uma feroz concorrência, são obrigadas a buscar saídas e soluções para gerar dinamismo e optimizar suas funções – diferente das empresas públicas.


2- Corrupção

Diferente de uma empresa pública, os funcionários de uma empresa privada sabem muito bem quem é o dono da empresa e para quem trabalham. Os desvios de recursos nas empresas privadas são bem inferiores ao das empresas públicas, pois, diferente das empresas públicas, as empresas privadas não se capitalizam com apenas dinheiro público. Logo, com as privatizações a corrupção nas empresas será reduzida. Prova disso é que pagar a mensalidade de um aluno no serviço particular geralmente é mais barato do que sustentar o mesmo aluno no ensino público.


3- Cabide de emprego

Todos sabemos que as estatais servem apenas de cabide de empregos para que políticos indiquem pessoas desqualificadas para cargos altamente gabaritados. Até a Dilma foi indicada para um cargo na Petrobrás com salário de 100 mil reais.


Logo, as estatais abrigam muito mais funcionários do que deveriam para, às custas do nossos impostos, empregar apadrinhados do partido do poder, que irão desviar recursos das empresas públicas para seus partidos, que assim se perpetuarão no poder.


4- Crescimento

Numa empresa privada, os funcionários são promovidos através do mérito e esforço. Logo, o profissional evolui ou regride na sua carreira de acordo com seu desempenho. Numa empresa pública, é muito difícil demitir um funcionário improdutivo e há como evoluir na carreira através de um generoso plano de carreira ou de um apadrinhamento político.


Situações com essa desvalorizam o profissional que quer trabalhar e premiam os canalhas, pois no serviço público a diferenciação entre a remuneração é inferior a do serviço privado.


Logo, um ótimo professor do ensino público acaba ficando desmotivado com as péssimas condições de trabalho e de remuneração, acabando oferecendo um serviço pior do que o oferece no serviço privado.


5- Concorrência

Vejamos o exemplo da Vale. Não havia dinheiro para os investimentos necessários para a empresa crescer e se manter competitiva. Os balanços da empresa estavam sempre no vermelho. Depois de privatizada, a Vale cresceu, emprega mais brasileiros e paga muito mais impostos do que antes.


Antes das privatizações, só ricos podiam contar com uma linha telefônica. As privatizações aumentaram a concorrência e entre as companias, que passaram a oferecer um serviço cada vez mais acessível ao cidadão comum. Por pior que seja o serviço de algumas operadoras, certamente é melhor e mais barato aos nossos bolsos do que seria se elas fossem estatizadas.


6- Privilégios

Enquanto que a maioria esmagadora dos brasileiros que pagam impostos trabalham na iniciativa privada, não contando com nenhum privilégio, muitos trabalhadores da estatais têm estabilidade em seus cargos. Como pode o cidadão acabar sustentando via imposto o BNDES para que esse financie empresas onde os trabalhadores contam com privilégios?


7- Inchaço

Ao privatizar estatais, o Estado passa a contar com os recursos da compra e assim poder focar mais nas suas funções essenciais, as quais a iniciativa privada não pode atuar: defesa do país, segurança, saúde, infraestrutura, educação, etc. O Estado deve fazer menos e fazer melhor. De nada adianta o Estado atuar em todas as áreas se ele atua de forma ineficiente com o dinheiro do contribuinte.


8- Risco

A forte atuação do governo em empresas estatais acaba fazendo com essas empresas percam valor no mercado, como é o caso da Petrobrás.


O investidor internacional fica receoso de investir numa empresa onde o objetivo não é só lucrar, mas também regular inflação e apadrinhar pessoas nos altos cargos. Como resultado disso, todo o país perde, pois o Brasil investe seus investimentos de longo prazo comprando ações da Petrobrás. Logo, a má gestão do governo acaba afetando até o brasileiro comum, que não investe na bolsa.


9- Prejuízo

Nas empresas privadas, quando uma fraude acontece, quem sai prejudicado é o acionista. Nas empresas públicas é o contribuinte, ou seja, todos os cidadãos. Quem manda nas empresas privadas são os acionistas controladores. Nas empresas púbicas os funcionários mandam e desmandam através das corporações.


10-Contratação


Nas empresas privadas a área de recrutamento de pessoal existe para contratar os melhores para o desempenho das atividades sempre muito competitivas. Nas públicas a contratação é feita: 1- concurso (que só identifica a inteligência, mas não a produtividade); 2- por definição política (onde a técnica é desconsiderada); e, 3- por indicação de pessoas ligadas ao governo, para ocuparem os perigosos CCs;


11-Descontinuidade devido às eleições

As empresas privadas podem escolher o caminho da Governança Corporativa. As empresas públicas só podem esperar o resultado das eleições para que seja definido como será feita a administração das mesmas mais adiante;


12-Demora

As fraudes apuradas nas empresas privadas são, geralmente, de curta duração. As decisões do dono ou controlador tratam de minimizar as conseqüências ruins e novos controles tratam de prever melhor as crises. Já nas empresas públicas tudo é demorado e dificilmente empregado é demitido. O representante dos donos (cidadãos-contribuintes) jamais toma decisões drásticas;


13- Publicidade

A publicidade dos produtos da empresas privadas é, geralmente, medida pelo retorno das vendas e da institucionalização da imagem. No caso da publicidade das empresas públicas a decisão só tem como objetivo ajudar os amigos e aduladores;


14-Burocracia

As empresas privadas, como se sabe, não fazem licitações. Fazem negociações. Já as empresas públicas, além de serem obrigadas a licitar tudo, acabam por oportunizar fraudes por parte de quem quer vencer as licitações. Isto sem falar na demora que a burocracia impõe para as compras.


15– Mito do “petróleo é nosso”

Da onde que as pessoas acreditam que o petróleo é nosso? Até onde eu sei o dinheiro do petróleo acaba sendo revestido para fins secundários. Como para financiar os esportes, a cultura, os filmes nacionais, fazer propaganda em revistas e jornais que apoiam o governo, criar comerciais de tv, etc.


Se os lucros do petróleo fossem destinados inteiramente à educação, poderia até não reclamar. Porém, a realidade é que ele é destinado para muitos fins que pouco ou nada beneficiam a população.


Por que uma propaganda da Petrobrás numa revista me beneficiaria? Por que o investimento da Petrobrás num filme que eu não quero ver me beneficia? A verdade é que esses incentivos à cultura acabam fazendo com que a nossa imprensa e classe artística acabe se tornando defensora desse sistema que os beneficiam. Logo, eles defendem que o petróleo é nosso, mas é porque o dinheiro do petróleo, na verdade, é deles.


Se o petróleo é nosso por que o ouro também não é nosso? Cadê a Ourobrás? Então por que a preciosa água também não é nossa? Cadê a Águabrás? Então por que a banana também não é nossa? Cadê a Bananobrás. Só acreditamos que temos que estatizar a produção daquilo que está no nosso território porque somos uns bananas que moramos na Banânia.


Nossos recursos naturais devem ser explorados, sendo o lucro repassado para o explorador e os impostos da exploração destinados aos nossos serviços. O Estado não necessariamente tem que ser o explorador, apenas o bom gastador dos recursos dos impostos da exploração.


https://acidblacknerd.wordpress.com/2013/05/18/privatizacoes-10-motivos-para-ser-contra-10-motivos-para-ser-a-favor/
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2018, 08:41:55 por JJ »

Offline Fernando Silva

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #13 Online: 01 de Janeiro de 2018, 08:09:04 »
O Brasil, ao contrário da Venezuela, ainda tem jeito se o governo não atrapalhar.
Se o Maduro  sair ou for retirado do poder, e não vier outro semelhante a ele (socialista/estatista)  para ocupar o poder, então a Venezuela ainda terá jeito.
A destruição da Venezuela foi muito maior. Ela terá que ser reconstruída quase do zero, sem ter dinheiro para isto.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #14 Online: 01 de Janeiro de 2018, 08:09:41 »
Citar
14-Burocracia

As empresas privadas, como se sabe, não fazem licitações. Fazem negociações. Já as empresas públicas, além de serem obrigadas a licitar tudo, acabam por oportunizar fraudes por parte de quem quer vencer as licitações. Isto sem falar na demora que a burocracia impõe para as compras.

Cara, para comprar uma porcaria de 100 Reais é uma burocracia desgraçada.

Se tiver cadastro do produto em falta no estoque não podemos comprar porque fica a cargo do pessoal responsável pelas compras em geral que pode levar semanas ou nunca mais ser reposta.

Se for coisa não cadastrada no estoque precisa de três orçamentos exatamente iguais sem errar uma vírgula mas muitas vezes pode ser produto fabricado e vendido por apenas uma empresa.

Por exemplo, vc precisa repor uma fechadura de modelo específico ou comprar uma determinada placa de revestimento com a cor especifica do catálogo do fabricante.

Tem que ser aquela cor para reposição ou tem que ser aquele modelo de fechadura mas vc precisa três orçamentos diferentes de algo que só tem um fabricante ou revendedor autorizado.

Em empresa privada o dono deixa o horário de almoço de lado para correr até a loja se funcionario ficar ocioso por falta de algum produto.

É soda explicar que hora de funcionário parado é um custo na empresa pública quando só olham o custo final da compra.
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2018, 08:13:55 por Arcanjo Lúcifer »

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #15 Online: 01 de Janeiro de 2018, 08:12:46 »
O Brasil, ao contrário da Venezuela, ainda tem jeito se o governo não atrapalhar.
Se o Maduro  sair ou for retirado do poder, e não vier outro semelhante a ele (socialista/estatista)  para ocupar o poder, então a Venezuela ainda terá jeito.
A destruição da Venezuela foi muito maior. Ela terá que ser reconstruída quase do zero, sem ter dinheiro para isto.

E quando se livrarem do parasita ainda vai levar décadas para alguém querer investir dinheiro sem segurança jurídica.

Fora o ladrão do Odebrecht será que alguém honesto vai por dinheiro onde a empresa pode ser tomada a força?

Offline Fernando Silva

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #16 Online: 01 de Janeiro de 2018, 08:28:12 »
10 motivos para ser contra as privatizações
1- Soberania Nacional

Ao privatizar determinado serviço, o Estado perde parte de sua soberania, pois entrega de bandeja ao capital externo o controle e o lucro de determinada finalidade, não podendo o Estado criar ferramentas para proteger a população da ambição capitalista.
Por que necessariamente ao capital externo?
E qual o problema de trocar um serviço ruim prestado pelo Estado por um bom serviço prestado pela iniciativa privada?
2-Roubo

Ao privatizar uma empresa, o Estado entrega à iniciativa privada uma empresa construida com dinheiro público. Ou seja, o trabalhador paga com seus impostos ao Estado para que este invista em determinada empresa e depois o Estado vende a empresa à iniciativa privada. Logo, dinheiro público é usado para enriquecer a iniciativa privada.
Errado. Não é uma doação, é uma venda. A iniciativa privada não enriquece automaticamente, ela terá que investir (além do que já pagou pela compra) e prestar um bom serviço.
3-Corrupção

Todos sabemos que os políticos privateiros sempre receberão favores das empresas que porventura façam ganhar as licitações e leilões. Logo, as privatizações servem para enriquecer e perpetuar no poder o partido privatizador.
Isto acontece quando o Estado é corrupto, não por um defeito intrínseco das privatizações.
4- Desemprego

As privatizações causam desemprego. A iniciativa privada, ao tomar o controle de uma empresa pública, não pensará duas vezes antes de demitir seus funcionárias. Logo, as privatizações são ruins para os trabalhadores dessas empresas, que ficarão ameaçados de perderem seus empregos, sendo muitos deles demitidos.
Empregados desnecessários são sustentados pelo povo. Devem ser eliminados.
5- Finalidade

A empresa privada não tem o objetivo de prestar um bom serviço público, o objetivo da empresa privada é o lucro, não importando como. Logo, o serviço prestado ao cidadão é piorado.
Cabe ao Estado fiscalizar para que a empresa privada preste um bom serviço.
6-Desigualdade

Com as privatizações, os serviços tem seus preços aumentados e os pobres ficam inaptos para acessá-los. Logo, só quem tem dinheiro poderá gozar pelo serviço privado e será aumentado ainda mais o abismo entre os ricos e os pobres.
Se houver concorrência, os preços serão controlados pela lei da oferta e da procura. Se os preços eram baixos artificialmente quando a empresa era estatal, é sinal de que o povo estava pagando pelos subsídios. Por exemplo: no governo do PT, o povo que não tinha carro pagava pela gasolina barata de quem tinha.
7- Fuga de capitais

Com as privatizações, grupos estrangeiros passam a comprar as empresas estatais e a repassar ao exterior os lucros do trabalho do brasileiro. Logo, as privatizações geram fuga de recursos para o exterior e fazem o Brasil ficar mais pobre.
O ideal é que venda seja feita a empresas nacionais, mas, se os serviços prestados atenderem às necessidades dos consumidores, dane-se que os gringos enviem uma parte do lucro para o exterior.
8- Universalização

Com a privatização, uma empresa pode se negar a oferecer determinado serviço importantíssimo em determinada localidade por causa de sua baixa viabilidade econômica. Logo, até os brasileiros com recursos podem ser prejudicados pela falta de serviços.
Pode acontecer, mas também acontece com a ineficiência da empresa estatal. Cabe ao Estado fiscalizar para que isto não acontece.
9- Crise

As crises do capitalismo são cíclicas. Logo, quando o Estado controla determinada atividade, existe mais segurança de que ela será cumprida e não será abalada por crises. Empresas estatais não costumam declarar falência, pois se resguardam no Estado.
"Se resguardam no Estado = o povo arca com o prejuízo".
10- Consequências

O resultado das políticas de privatizações promovida pelos governos neoliberais tornou o Brasil mais pobre, mais desigual e mais injusto, apenas enriquecendo uma pequena classe de empresários e políticos. Logo, as privatizações colaboram para que a sociedade seja mais desigual e aplica o capitalismo selvagem contra nossa sofrida população carente.
Tipo os países civilizados, onde a economia é majoritariamente privada?
11- Constituição

Nossa Constituição é social e democrática de Direito, e determina que o Estado preste diretamente serviços como o de educação, saúde e assistência social, podendo a iniciativa privada atuar apenas de forma complementar/suplementar, não sendo possível a concessão de serviços públicos sociais.
O Estado pode e deve prestar serviços onde não houver interesse das empresas privadas. Ou terceirizar estes serviços contratando tais empresas e apenas fiscalizando.
12- Prejuízo

Com as privatizações o Estado perde uma importante fonte de receita. Imagine quantos hospitais e escolas poderíamos contruir com os lucros que as empresas privatizadas estão obtendo todo o ano. É um roubo bilionário. Dinheiro que deveria ser nosso enriquece poucos.
Lucro não é roubo. Se foi conseguido honestamente, é a justa recompensa pelo serviço prestado. Já o Estado (e o povo) se beneficia com tais serviços e produtos, com os impostos pagos, com a geração de empregos (que distribui a riqueza).

Offline -Huxley-

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #17 Online: 01 de Janeiro de 2018, 14:20:15 »
Quase quebrei o computador lendo tantos dejetos estatistas ditos pelo articulista do site que JJ publicou. Incrível como ainda tem gente que tem o cinismo e a cara de pau de associar "lucro (privado)" a "serviço piorado" e "não ênfase em lucro" a "serviço melhor". Foi o escritor Dmitri Orlov que disse certeza vez que, enquanto nos Estados Unidos queimam-se 12 calorias para cada caloria nutritiva transportada, na Rússia soviética, a proporção era de uma para uma. Precisa dizer mais alguma coisa?

E economia estatizada (em empresas) significa emprego em abundância? É só ver o caso da Venezuela, país entupido de empresas estatais, com taxa de desemprego de 21,2% (https://oglobo.globo.com/opiniao/numeros-confirmam-colapso-da-venezuela-21328144). Parece melhor do que os países desenvolvidos que foram "desestatizados" décadas atrás, não é mesmo? Reino Unido, Nova Zelândia, etc. A Venezuela faz inveja a eles.

Melhor retornar ao foco do tópico, e deixar o resto para postar aqui:

PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2018, 15:21:14 por -Huxley- »

Offline -Huxley-

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #18 Online: 10 de Janeiro de 2018, 23:29:02 »
É difícil não perceber como as pessoas se iludem por vieses cognitivos, que são erros do julgamento humano baseados nas falhas inerentes de nosso aparelho cognitivo. Não raro, esses se difundem coletivamente de tal forma que se transformam em fatos com repercussões políticas. Um deles é a ilusão correlacional. O fato de dois eventos ocorrerem frequentemente juntos não significa que um seja, necessariamente, a causa do outro. O outro é conhecido como erro de redução ou falácia da causa única. Nele, as pessoas deixam de procurar causas adicionais quando pensam que achou uma que parece proeminente.

Em contexto político, essa ilusão se traduziu recentemente na seguinte crença proposicional no Brasil: “Lula e o PT foram os heróis do 'milagre sócio-econômico' do Brasil (sobretudo de 2004 a 2011)”. Essa crença de excepcionalidade do desempenho de Lula e do PT não passa de ilusão, mesmo se fosse desconsiderado o recente período de estagnação ou recessão. Isso eu já expliquei no tópico do Clube Cético  Brasil deixado para trás pelo resto da Periferia na Era Lula/PT.

Todavia, depois do fiasco econômico do PT na fase terminal de sua estadia no Poder Executivo, existem por aí pessoas ligadas ao petismo que ainda tentam minimizar ou não responsabilizar o lulopetismo pelo desastre econômico recente. Vamos aos três principais argumentos e as respostas aos mesmos:

A operação Lava Jato paralisou o setor de infra-estrutura, afundando a economia

O problema desse argumento é que o Brasil apresentou recentemente duas taxas de decréscimo do PIB de cerca de 4%. Isso ocorreu nos períodos de 2015 e 2016. Mesmo que fosse verdade que o efeito da crise institucional sobre as principais construtoras do país tivesse abalado a renda nacional, a própria revista Carta Capital, petista de carteirinha, admitiu, partindo de estimativas de consultorias, que “se não fosse a Lava Jato, a recessão de cada ano teria sido algo em torno de 1,5%”:
https://www.cartacapital.com.br/economia/quantos-empregos-custa-a-lava-jato   

Veja que se evitou dizer “apenas 1,5%”. É compreensível, pois lembremos que, embora o governo não-petista anterior, o de FHC, tenha sido marcado por graves crises econômicas, não houve um único ano sequer em que o PIB não teve variação de aproximadamente 0% ou mais. E, nos oito anos da gestão de FHC, jamais houve um aumento tão explosivo na taxa de desemprego em tão pouco tempo como houve no fim do período em que o PT esteve no Poder Executivo. Durante a gestão de FHC, nunca se chegou nem minimamente próximo ao feito de quase triplicar a taxa de desemprego em cerca de um ano e meio - medido pela "Pesquisa Mensal de Emprego" de dezembro de 2014 a maio de 2016.

Lembremos que a Lava Jato se iniciou no extremo fim do primeiro trimestre de 2014, isto é em 17 de março de 2014. Eu fui no Google Imagens e digitei “recessão 2014”. Para minha surpresa, vi um gráfico do portal de notícias G1 cuja fonte de dados era o IBGE. Do terceiro trimestre de 2013 ao segundo trimestre de 2014, tem variação do PIB contra trimestre anterior (em %) assim: -0,5%,+ 0,5%,  -0,2%, -0,6%. Isso desmente o mito da Lava Jato como a causa primeira da deterioração do desempenho da economia brasileira.

Ademais, existe outra proposição que quero desmentir. A de que...

O Brasil vivia taxa de desemprego excepcionalmente baixa até a entrada do economista neoliberal e defensor da política fiscal austera, Joaquim Levy, que estragou os feitos do lulopetismo

Será isso verdade? A queda da taxa de desemprego realmente foi resultado da aceleração do crescimento econômico que ocorreu no Brasil no período 2004-2011. Todavia, o feito de Dilma, a taxa de desemprego “menor da história” desde o começo da implementação da metodologia atual nada mais do que foi o resultado da diminuição da oferta de emprego, pois a produção e o emprego ficaram estagnados por volta de 2014. Isso fica cristalinamente claro ao se ler o artigo da Folha de São Paulo “Paradoxos Heterodoxos” do economista Alexandre Schwartsman, ex-membro da equipe econômica de Lula. Um excerto do artigo é esclarecedor:

Citar
(...) entre agosto de 2013 e agosto de 2014 a força de trabalho encolheu em 160 mil pessoas, quase o dobro da queda do emprego no período. É este desenvolvimento que explica a redução do desemprego apesar da produção e do emprego estagnados.

Não é claro o que causou este fenômeno. Ele parece mais pronunciado na faixa etária de 18 a 24 anos e pode resultar tanto da busca por maior qualificação por parte dos jovens (que teriam se afastado do mercado para estudar), como do aumento da “geração nem-nem” (nem trabalha nem estuda).

Fonte:
http://maovisivel.blogspot.com.br/2014/10/paradoxos-heterodoxos.html

Também disponível em:
https://www.institutomillenium.org.br/artigos/paradoxos-heterodoxos/



Quanto a entrada de Joaquim Levy ter causado a recessão, isso é falso, como mostram os sinais de variação negativa do PIB que antecederam a entrada, no Ministério da Fazenda, de tal economista.

Todavia, há de se levar em conta que a entrada de Joaquim Levy, seja por impotência ou incompetência política, não significou austeridade fiscal, portanto não houve qualquer "arrocho fiscal neoliberal causador de crise". Alexandre Schwarstman, o mesmo desmascarador do mito acerca da taxa de desemprego, diz o seguinte:

Citar
Há quem atribua tal desempenho à austeridade fiscal, principalmente por parte do governo federal. Isso é falso: como divulgado ontem, o consumo do setor público se manteve virtualmente inalterado (R$ 361 bilhões agora contra R$ 365 bilhões no início de 2014). Outras medidas de gastos, no caso do governo federal, incluindo despesas como pagamentos de aposentadorias e pensões, mostram aumento do dispêndio, jamais queda.

Só mesmo apreciável contorcionismo mental poderia atribuir ao ajuste fiscal, sequer iniciado, a queda vertiginosa da atividade econômica, iniciada ainda em 2014.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2017/03/sete-anos-em-tres.html (Blog Mão Visível)


A culpa foi de Dilma, não de Lula

Diferentemente do que acontece com outros argumentos, esse aqui não tenta negar o efeito causal da incompetência de Dilma no colapso recente da economia. O foco dele é proteger Lula.

Todavia, esse argumento parece ignorar o fato óbvio de que Lula é o pai da política econômica iniciada por Dilma. O ministro da Fazenda que levou o Brasil ao abismo no governo Dilma foi nomeado na gestão Lula. Muitos economistas atribuem o relativo bom desempenho econômico do Brasil lulista ao tripé macroeconômico que a equipe econômica de Lula criou no primeiro mandato e que foi desfeita no fim da era Lula. Em que consistia esse tripé?  De novo, o esclarecedor Alexandre Shwartsman desmontou o mito no artigo de 2013 “O fracasso órfão” no seu blog Mão Visível:

Citar

Durante os anos que o país adotou o chamado “tripé macroeconômico”, caracterizado pelo câmbio flutuante, o compromisso com as metas de inflação e o cumprimento das metas do superávit primário, autodenominados “desenvolvimentistas” não se vexaram de prometer um desempenho melhor caso sua estratégia fosse adotada. Segundo este pessoal, seria possível crescer muito mais caso a taxa de câmbio fosse administrada, a taxa de juros reduzida, o grau de intervenção do governo na economia aumentasse (via políticas setoriais) e a política fiscal fosse relaxada.

Não é necessário nenhum grande salto de imaginação para notar que estas têm sido as vigas mestras do que se convencionou chamar de “nova matriz econômica”, que entrou paulatinamente em vigor nos anos finais do governo Lula, ganhando força considerável nestes dois anos e meio da administração Dilma. Diga-se, aliás, que a transição foi aplaudida entusiasticamente por todos os que defendiam esta alternativa ao “tripé”.

Os resultados desta política estão nas manchetes de todos os jornais: crescimento pífio, inflação acima do topo da meta, déficits externos crescentes e desarticulação do investimento. Por qualquer ângulo que se olhe, a “nova matriz econômica” tem sido um fiasco retumbante.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/07/o-fracasso-orfao.html

Vejam que mesmo que a política fiscal expansionista tivesse algum valor anticíclico num contexto pós-crise internacional 2008-2009, sua dosagem incorreta foi responsável por, a partir de 2010, a taxa de inflação ficar acima do centro da meta*. Depois disso, além de a taxa de inflação ficar acima do centro da meta e até do teto, isso também foi acompanhado de desaceleração da taxa de crescimento do PIB. Isso culminou na taxa de inflação elevada acima de 10% e brutal recessão observada em 2015.

Tudo isso começou por um processo iniciado por Luís Inácio Lula da Silva, esse mito, que nos faz inferir, depois de tudo demonstrado aqui, a seguinte lição. Nem sempre as contiguidades temporais apontam para realizações grandes de habilidades grandes, pois eventos supostamente extraordinários podem acontecer sem causas extraordinárias. Lula é apenas um “Dilma de calças” que deu sorte. Estivesse ele lá num hipotético terceiro e quarto mandatos, provavelmente teríamos aproximadamente o mesmo do desastre causado por Dilma. O que deixaria claro, para muitos dos que querem o mesmo mais uma vez no Palácio do Planalto por um longo tempo, o quão enganador ele foi. Mas, como isso não ocorreu, é parcialmente compreensível que ainda existam pessoas que fantasiam as realizações de um Lula que não existiu.

* P.S.: Política fiscal expansionista não gera inflação (ou aceleração da mesma) se não for acompanhada por uma política monetária também continuamente expansionista. Porém, como o Poder Executivo Federal controla ambas, o governo Lula não se salva da crítica deste texto por causa dessa observação adicional.
« Última modificação: 10 de Janeiro de 2018, 23:39:40 por -Huxley- »

Offline -Huxley-

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Re:O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
« Resposta #19 Online: 10 de Janeiro de 2018, 23:31:02 »
Eu acrescentei uma nota de rodapé pequena ao meu texto do primeiro post do tópico. Ela está no post anterior. É pequena, mas é importante.

 

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