Autor Tópico: Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)  (Lida 619 vezes)

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Offline Südenbauer

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Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Online: 27 de Agosto de 2007, 01:43:37 »
"Lula, no mínimo, no mínimo foi conivente com todo esse processo"

Paulo de Tarso Venceslau


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PAULO DE TARSO VENCESLAU, EX-SECRETÁRIO DAS FINANÇAS DE CAMPINAS E SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, CONTA TUDO SOBRE AS RELAÇÕES DA DIREÇÃO DO PARTIDO COM AS ADMINISTRAÇÕES PETISTAS. E FAZ GRAVES ACUSAÇÕES CONTRA ROBERTO TEIXEIRA, COMPADRE DE LULA, E PAULO OKAMOTO, RESPONSÁVEL PELO CAIXA DO PT
 


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Está aqui, a cavaleiro, para fazer graves acusações à direção nacional do Partido dos Trabalhadores - talvez as mais graves em toda a sua história -, um quadro político que carrega nas costas, com muito orgulho, uma decisiva participação naquela que foi a maior façanha da luta armada na época da ditadura militar, o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, a 4 de setembro de 1969. O ex-guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN), preso político torturado, com cinco anos e meio de cadeia no lombo, chama-se Paulo de Tarso Venceslau, tem 53 anos, é economista, quadro petista respeitado e pertence ao conselho editorial da revista do partido, Teoria & Debate. Já foi secretário de Finanças de duas das mais expressivas administrações petistas - as prefeituras de Campinas (gestão Jacó Bittar - 89/92) e São José dos Campos (gestão Ângela Guadagnin - 93/96) e ocupou uma diretoria da CMTC na gestão da prefeita Luiza Erundina (89/92).

Tem, portanto, além de qualificadas informações internas, autoridade, cacife, coragem e respaldo para dizer o que vai dizer sobre a corrente política que hoje detém a hegemonia da direção do PT - leia-se Articulação - e sobre os dois mais importantes dirigentes do partido: Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de honra, e José Dirceu de Oliveira e Silva, o Zé Dirceu, presidente de direito. Registre-se aqui, antes que Paulo de Tarso desengatilhe sua metralhadora, uma singular ironia da história - a de que o seqüestro de Elbrick, pelo qual ele e outros guerrilheiros arriscaram a vida, tinha, como objetivo principal, libertar da cadeia lideranças universitárias, entre elas José Dirceu. Foi o seqüestro que o levou para o exílio - como um dos quinze presos políticos trocados pelo embaixador.

Na longa entrevista que se segue, toda ela gravada, Paulo de Tarso vai dizer que o PT tem uma banda podre. Regida por dois maestros - Lula e Zé Dirceu -, afinada pelo trabalho dos "bate-paus" Paulo Frateschi e Paulo Okamoto (a quem também chama de "coletor" do dinheiro público) e azeitada pela omissão de músicos ilustres da cúpula do partido.

Por que Paulo de Tarso vem a público para tão severas acusações?

Porque, segundo ele, todas as instâncias máximas do PT ignoraram solenemente, por pelo menos dois anos, denúncias fundamentadas e auditadas contra uma empresa privada que presta serviços sem licitação a diversas prefeituras do partido.

A empresa chama-se Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM) e, como a entrevista deixará sobejamente claro, tem ligações no mínimo nebulosas com uma pessoa muito cara (sem trocadilho) a Lula: o bem-sucedido empresário Roberto Teixeira, aquele que entre outros favores diversos lhe empresta até hoje a confortável casa em que mora de graça há oito anos (o aluguel, pelos preços de mercado, está em torno de R$ 1.400 mensais). Roberto Teixeira é compadre de Lula - padrinho de seu filho caçula, Luís Cláudio.

O compadre Teixeira e a CPEM cruzaram o caminho de Paulo de Tarso em 1990 - quando era o secretário de Finanças do prefeito de Campinas Jacó Bittar. Roberto Teixeira estava lá, no gabinete do então petista, para vender a contratação da CPEM, sem licitação, e faturar alguns milhões de dólares. Oferecia um trabalho técnico de alavancagem do ICMS - em tese útil -, mas se recusava a entrar no processo licitatório. Paulo de Tarso não concordou - e Jacó o trouxe a São Paulo, para uma reunião com o compadre Lula, que então se revelou um árduo defensor da contratação pleiteada pelo compadre Teixeira. Paulo de Tarso achou estranho, mas em Campinas a CPEM não levou.

O tempo passa, a barba cresce, e temos que em 1993 o economista é indicado por Aloízio Mercadante e José Dirceu para a Secretaria de Finanças de São José dos Campos, prefeitura petista de Ângela Guadagnin. Quem aparece? A CPEM. E desta vez como a maior credora da prefeitura. Entenda-se: por contrato celebrado com a administração anterior, de Pedro Ives, do PRN, o partido do presidente Fernando Collor de Mello, a CPEM já tinha levado US$ 10,5 milhões - e ainda era credora de mais US$ 5,5 milhões. Paulo de Tarso sustou imediatamente o pagamento do cheque. Desconfiado, vasculhou a documentação, descobriu uma série de fraudes, acionou o Ministério Público, pediu uma auditoria independente. O imbróglio foi noticiado à época - mas então, por se tratar de ano eleitoral, Lula candidato a presidente da República, Paulo de Tarso calou-se sobre os bastidores.

Os quais, agora revelados, acusam a participação direta de Lula em negociações que visavam a proteger a CPEM e o compadre Roberto Teixeira, garantindo-lhes a fortuna de que se achavam credores e permitindo, assim, que parte dela fosse desviada para os cofres do PT. Segundo Paulo de Tarso, o "bate-pau" (palavras dele) Paulo Okamoto, responsável pelas finanças do partido desde 1989, foi informado passo a passo das denúncias que iam sendo apuradas contra a empresa representada pelo compadre Roberto e seu irmão Dirceu Teixeira. Quando a coisa engrossou, Paulo de Tarso sofreu uma estranha ameaça - o carro em que estava foi bruscamente fechado na Rodovia dos Trabalhadores -, ouviu que Lula e a Articulação estavam com ele por aqui e foi ao próprio Baiano (apelido com que tratava Lula) acertar os ponteiros, mostrar seu dossiê contra a CPEM, explicar que ela era uma empresa inidônea, que estava lesando os cofres públicos.

Sempre segundo Paulo de Tarso - que dentro do partido é carinhosamente tratado por PT -, Lula mandou-o conversar com o compadre Teixeira e com o irmão Dirceu, sempre eles a aparecer quando a CPEM estava na parada.

A história é longa, como verá o leitor. PT, o ex-guerrilheiro da ALN, foi rifado da administração de Ângela. Passou então a lutar para que as instâncias máximas do partido investigassem suas denúncias - de resto cacifadas pela condenação judicial da CPEM a devolver os US$ 10,5 milhões aos cofres de São José dos Campos e, ainda mais, pelo relatório da auditoria independente Boucinhas & Associados. A conclusão do relatório diz: "A remuneração paga à empresa contratada para recuperação do índice de participação do município foi maior que a devida." Mesmo assim Paulo de Tarso não conseguiu nada.

A 23 de março de 1995 foi a um cartório e registrou uma carta endereçada ao presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva. É uma carta séria - que vai publicada na íntegra na página seguinte -, mas mesmo assim, sempre segundo Paulo de Tarso, nenhuma providência foi tomada. A carta foi enviada às mais ilustres lideranças do partido - incluindo senadores, deputados federais, executiva nacional e diretório nacional. Não deu em nada.

No último dia 9 de abril - "em comemoração aos dois anos de aniversário de absoluto silêncio e conivência com as falcatruas de nossos dirigentes", como grafou num PS ao pé do texto original - a carta foi novamente enviada. "Nada, nada e nada", diz ele. O silêncio foi rompido como a entrevista que se segue.

JT - Em 1995 você manda, via cartório, uma carta ao então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, com uma série de denúncias relativas às prefeituras do partido, especialmente a de São José dos Campos, onde você foi secretário de Finanças. Qual era o conteúdo básico dessa carta, e o que foi que aconteceu de lá para cá?

Paulo de Tarso Venceslau - A carta foi registrada em cartório em março de 95 - e se refere a fatos acontecidos durante o ano de 93. Fatos acontecidos na prefeitura de São José dos Campos, onde eu era secretário da Fazenda.

Por que você não tornou esses fatos públicos naquela ocasião?

Primeiro porque estávamos no final de 93, já iniciando praticamente o período eleitoral de 94. Eu, na minha formação de esquerda, não tenho vocação pra levar água pro moinho da direita. Esse foi o fator mais importante: evitar que a direita fizesse uso de algumas informações delicadas sobre fatos em São José dos Campos. 95 era um ano não eleitoral - e eu praticamente já tinha esgotado todos os encaminhamentos dentro da estrutura partidária.

Que encaminhamentos?

Eu já tinha duas pessoas que em tese estariam me representando no Diretório Nacional - duas pessoas por quem eu tinha o maior respeito e acreditava que iriam levar o caso pra frente.

Quem eram?

Um era o Aloízio Mercadante e o outro era o Gilberto de Carvalho. O Aloízio é conhecido: foi candidato a vice do Lula, deputado federal muito bem votado, com um papel muito grande no impeachment do Collor e meu amigo de velhos carnavais. Gilberto eu conheci mais na militância, junto aos trabalhos populares, e é uma pessoa que eu reputava de uma integridade muito grande, porque tinha o cargo efetivo, que era o de secretário-geral do PT. Eu achava que com essas duas pessoas eu estaria bem representado.

Por conta disso você ainda acreditava numa solução interna?

Acreditava, porque eu sempre tive uma formação política muito disciplinada. Eu não encaminhei nada fora das estruturas partidárias - e nesse processo eu sofri algumas grandes decepções.

Qual é o núcleo central das acusações que você faz nessa carta?

O envolvimento de uma empresa, chamada Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM), com base em São Bernardo do Campo. Quando eu assumi a Secretaria da Fazenda de São José dos Campos, essa empresa era a maior credora. Eu já conhecia essa empresa dos tempos em que fui secretário da Fazenda de Campinas, à época do prefeito Jacó Bittar, então do Partido dos Trabalhadores. Em Campinas eu sofri pressões para a contratação dessa empresa e não contratei.

Que tipo de pressão?

A pressão era que fosse contratada sem licitação - simplesmente por notória especialização. E isso por um serviço que o corpo técnico da prefeitura, com contabilistas de segundo grau, tinha condições de fazer.

 

 

De quem é essa empresa, a CPEM?

É de um pessoal de São Bernardo do Campo. Mas era apresentada nas prefeituras petistas pelos irmãos Teixeira - o Roberto Teixeira e o Dirceu Teixeira. Esses dois personagens é que representavam essa empresa, especialmente o Roberto Teixeira, que era o mais linha de frente, sempre insinuando que era uma empresa que contribuía com o PT e que no fundo o partido sairia beneficiado.

Como foi feita essa pressão em Campinas - à época do prefeito Jacó Bittar?

Essa empresa surgiu em Campinas no início dos anos 90. Eu estava lá desde 89, como secretário de Finanças. No início de 90 eu sou chamado numa reunião no gabinete do prefeito Jacó Bittar, onde se encontrava o sr. Roberto Teixeira, com a proposta de fazer esse trabalho de revisão do valor adicionado, que é o principal componente no cálculo do ICMS.

Colaboração: Adilton Maciel/Cap PMSC

http://www.mail-archive.com/policia-br@grupos.com.br/msg09936.html

Offline Spitfire

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Re: Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Resposta #1 Online: 27 de Agosto de 2007, 02:55:24 »
Qual é a novidade???? Claro que o Lula é conivente e cúmplice.
 
O político mais "inocente" que houver no Brasil é, no mínimo, conivente e omisso... qualquer um, não importa o partido e nem o cargo.
O que me indigina é esta pose de "escandalizados" que a oposição faz... escandalizados o KCT... são  putas véias.

Mensalão, mensalão... tsc tsc... apenas um novo nome para uma prática bastante antiga. Perto da putaria generalizada que ocorre durante a votação do Orçamento Geral da União pelo congresso, safadezas cabeludas ocorrem que fazem o mensalão parecer coisinha de amador.

Mas é bem feito para o PT... quer roubar sozinho e não aceita barganhar com o resto da corja... por isto toda esta choradeira.

Offline Rodion

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Re: Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Resposta #2 Online: 27 de Agosto de 2007, 09:10:54 »
Citar
O político mais "inocente" que houver no Brasil é, no mínimo, conivente e omisso... qualquer um, não importa o partido e nem o cargo.
O que me indigina é esta pose de "escandalizados" que a oposição faz... escandalizados o KCT... são  putas véias.
a primeira coisa a fazer quando algo deveria ser levada a sério e não é, spit, é começar você mesmo a levá-la.
"Notai, vós homens de ação orgulhosos, não sois senão os instrumentos inconscientes dos homens de pensamento, que na quietude humilde traçaram freqüentemente vossos planos de ação mais definidos." heinrich heine

Offline Spitfire

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Re: Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Resposta #3 Online: 27 de Agosto de 2007, 12:19:30 »
Não dá para levar a sério algo que você, até pelo que já viu "in loco", tem a noção como funciona por trás dos bastidores.

Não há inocentes.

Offline Herf

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Re: Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Resposta #4 Online: 27 de Agosto de 2007, 18:57:56 »
Mas é bem feito para o PT... quer roubar sozinho e não aceita barganhar com o resto da corja... por isto toda esta choradeira.
Já definia o famoso "dicionário terminológico da esquerda", que circula pela Internet: "ÉTICA NA POLÍTICA = É quando o PT rouba dinheiro público sozinho, sem a concorrência de nenhum outro partido".

http://dicionariodaesquerda.wordpress.com/

Offline JJ

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Re:Petista revela esquema de corrupção no Partido (1997)
« Resposta #5 Online: 30 de Janeiro de 2018, 13:09:27 »

Ex-ministro de Lula e Dilma, Lupi diz que PT ‘roubou demais’ e ‘se esgotou’


‘Faxinado’ por suspeitas de irregularidades no Trabalho em 2011, presidente do PDT afirma em reunião do partido que petistas ‘exageraram’ e reclama que conversa com a atual e o ex-presidente é ‘qual o naco de poder que fica com cada um’

       
Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2015 | 21h00


BRASÍLIA- Ex-ministro dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e um dos “faxinados” do mandato passado, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que os petistas “roubaram demais” e que o partido deles “se esgotou”. “O PT exauriu-se, esgotou-se. Olha o caso da Petrobrás. A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram demais. Exageraram. O projeto deles virou projeto de poder pelo poder”, disse Lupi um dia após a Petrobrás divulgar que a perda da estatal com a corrupção chegava a R$ 6,2 bilhões.


A declaração foi feita durante um encontro com correligionários na quinta-feira, em São Paulo. O Estado teve acesso à fala de Lupi, que foi confirmada pelo próprio dirigente pedetista.


Na conversa, o presidente do partido fez ressalvas a programas simbólicos dos governos petistas, como o Bolsa Família. “Tirou milhões da miséria, isso é bom para caramba. O Nordeste é outro (avanço), é verdade. Quem não vê isso é mentiroso, nojento. Eu tenho raiva deles. Mas (o governo) criou também uma dependência. Eu vejo gente que não quer trabalhar para manter o Bolsa Família, isso está errado. O programa tem que ser instrumento para tirar da miséria, não para manter na miséria.”


Aos correligionários, Lupi também reclamou do tratamento dado pelo PT ao PDT desde que as duas legendas formalizaram a aliança em 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputava a reeleição. “A conversa com o PT, com o meu amigo Lula e com a presidente Dilma, é qual o naco de poder que fica com cada um. Para mim, isso não basta. Eu não quero um pedaço de chocolate para brincar como criança que adoça a boca. Eu quero ser sócio da fábrica, eu quero ajudar a fazer o chocolate.”



Restante no link:


http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ex-ministro-de-lula-e-dilma-lupi-diz-que-pt-roubou-demais-e-se-esgotou,1676032




 

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