Autor Tópico: PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais  (Lida 472 vezes)

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Offline Caio1985

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PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais
« Online: 31 de Março de 2008, 12:20:11 »
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Marcelo Godoy

A cúpula do crime organizado quer ter representação política. Depois de entrar no tráfico internacional de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) quer se aproximar dos partidos políticos e financiar campanhas eleitorais. Seus líderes consideram que a “família” pode garantir muitos votos aos seus escolhidos e tem capacidade de mobilização em dez Estados. “Muitos partidos políticos não têm essa força”, afirmou Daniel Vinícius Canônico, o Cego, porta-voz do líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Em um diálogo interceptado pela inteligência do governo estadual, Canônico e o segundo homem na hierarquia do PCC, Julio Cesar Guedes de Moraes, o Carambola, conversam com o advogado Sérgio Wesley da Cunha. Eles começam tratando da manifestação patrocinada pela facção em frente do Congresso Nacional, ocorrida em 28 de novembro. “Doutor, sabe qual a intenção dessa passeata?”, pergunta Canônico. É o porta-voz de Marcola que responde: “Era pra mostrar para aqueles deputados federais que nós temos força política.”

A organização criminosa fretou ônibus em dez Estados para levar manifestantes até Brasília. O objetivo declarado do movimento era fazer um protesto contra o descumprimento da Lei de Execuções Penais.

No meio da conversa, Wesley defende que o PCC deve ter representação política. “Eu sempre falei pro Marcos (Marcola), uma vez que eu conversei com ele longamente, só na grade, olho no olho: ‘Marcos, a gente precisa ter uma representação política! O IRA (Exército Republicano Irlandês) que está bem pra cacete lá na Irlanda (do Norte), eles têm o Sinn Fein, que é um partido de representação política!”

Em seguida, Carambola e Canônico questionam o advogado sobre qual candidato a prefeito de São Paulo a facção deve apoiar. Wesley conta quem são os pré-candidatos de partidos como DEM, PSDB e PT.

TESOUREIROS

Nesse trecho, a interceptação do diálogo ficou truncada. Aparentemente, os criminosos discutem como se aproximar dos partidos, doando dinheiro aos tesoureiros para financiar campanhas - há quem desconfie que a facção estaria pensando em se apossar do dinheiro das doações dadas aos partidos.

Embora Wesley diga que trabalhou na campanha de um político importante, os investigadores consideram que essa informação precisa ser melhor apurada. O advogado estaria “vendendo fumaça” para o PCC. “Ele tem um escritório ao lado de um córrego no bairro do Limão. Ele não tem todos os contatos que ele diz”, disse uma autoridade que investiga o caso.

Carambola pede ao advogado que faça “esses levantamentos”. “Com certeza, porque meu interesse é ganhar dinheiro também”, diz Wesley. Canônico pede, então, a opinião do advogado sobre o protesto em Brasília. É quando o homem acusado de ser o principal pombo-correio da cúpula do PCC critica a mídia, que, segundo ele, abafou a manifestação. Uma ligação do gabinete do deputado federal Talmir Rodrigues (PV) para um detento da Penitenciária de Valparaíso já havia mostrado que o PCC estava por trás do ato e tentava se infiltrar no Congresso.

Essa não é a primeira vez que o PCC tenta entrar na política. Em 2002, a facção quis lançar o advogado Anselmo Neves Maia candidato a deputado federal pelo PMN. Maia acabou preso. Em 2006, outro advogado suspeito, Paulo Bravos, teve sua candidatura recusada pelo PV. Naquele ano, a facção planejava eleger um deputado estadual e um federal em São Paulo. O plano fracassou.

http://www.estado.com.br/editorias/2008/03/31/cid-1.93.3.20080331.1.1.xml

Offline JJ

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Re:PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais
« Resposta #1 Online: 14 de Fevereiro de 2018, 10:09:27 »
Escutas revelam que PCC está envolvido na política de São Paulo


Autoridades e especialistas não têm dúvidas de que facção investirá recursos e material humano para apoiar candidatos simpáticos ao sistema prisional nas eleições deste ano

Por O Dia


18/07/2014 20h23 Atualizado às 18/07/2014 20h28


São Paulo - Com o controle de 90% da massa carcerária paulista e a hegemonia dos negócios do crime (tráfico de drogas e roubos contra o patrimônio), o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agora colocando um pé na política. Autoridades e especialistas não têm dúvidas de que nas eleições deste ano a facção investirá recursos e material humano para apoiar candidatos simpáticos ao sistema prisional.


O principal indício da busca de espaço político está em um pequeno trecho da denúncia formalizada contra a cúpula da facção, no ano passado, pelo Ministério Público de São Paulo. As decisões foram tomadas pelos líderes, presos em Presidente Venceslau, e estão documentadas em quase 900 páginas do inquérito, onde sobram evidências de que o PCC – conforme escrevem os promotores com base em transcrições de conversas telefônicas – busca “aproximação com políticos e autoridades”.


“Soriano (Roberto Soriano, um dos cabeças da facção) diz que vão usar essa eleição para adquirir experiência”, relatam os promotores, de acordo com diálogos travados às vésperas do pleito de 2010, nos quais os chefões da facção conversam sobre a possibilidade de eleger um deputado.


O candidato seria um homem ou uma mulher vinculado à “sintonia dos gravatas”, que é como eles chamam os advogados que trabalham para a facção. Os presos avaliam que o importante é não dividir forças e recomendam o envio de um “salve”, ordenando que todos os detentos provisórios com direito a voto se unam em torno do candidato recomendado. A mesma ordem também vale para as favelas onde o PCC tem influência.


Na transcrição, Soriano conversa por celular com outro preso, Francisco Tiago Augusto Bobo, conhecido como Cérebro, e diz que um terceiro detento, a quem trata por Veinho e Barbará (Cláudio Bárbara da Siliva), “vai encostar em você mais tarde, a respeito daquelas ideias que vai (sic) precisar de um apoio e tal daquela pessoa que a gente vai tentar colocar uma cadeirinha lá (pode ser na Assembleia Legislativa de São Paulo), daquela caminhada da política... O Barbará vai ligar para você pra pedir um apoio... ligar (também) para o Renatinho (Fábio Santos de Oliveira) porque no final de semana vai chegar um salve na rua pro Mateus dos gravatas (setor dos advogados). Aí pede para ele no que ele pedir, porque vai fazer aquele apoio na favela”.


Em outro diálogo, de agosto de 2010, outro preso, Judeu, também conhecido por Cego (Daniel Vinicius Canonico), diz para Soriano que "o Boca de Ovo (Abel Pacheco de Andrade) mandou uma carta referente a uma caminhada do negócio do voto... Ele (Abel) sugeriu uma gravata. Se não desse certo essa gravata seria um outro”.


Ainda de acordo com a transcrição, Soriano confirma: "É isso mesmo, é o R”. Cego diz que "esse outro gravata (R.) não está trabalhando no quadro (de advogados da facção) e neste momento não está tendo muito trampo pra ele mesmo. Por nós demorou de falar com ele (trabalhar neste campo político)”. Soriano diz que "nesses bagulhos não podem dividir (forças), esse assunto está na mão do Tico (Airton Ferreira da Silva) e do Barbará. Já mandaram, inclusive, carta para chegar nos CDPs (Centros de Detenção Provisória) um salve de conscientização". Cego diz que "cada sintonia de CDP faça um levantamento rápido de quem está no direito e quem não está e passar (resultado) e o Mateus puxar o bonde, mas vamos puxar o bonde com esse cara aí (R.) que foi falado mesmo".



Expansão


As discussões captadas em grampo autorizado pela Justiça mostram que em 2010 o PCC estava partindo para uma nova fase. As referências sobre os CDPs revelam que eles sabem que a Constituição só permite que preso não condenado tenha direito a voto. A facção já havia dominado os presídios, expandido sua influência para as regiões pobres da periferia e providenciado fachada legal para os lucros do crime. Em 2014, depois de duas décadas de existência, a política daria um lustre à facção.


“Não acredito que o PCC pretenda se colocar como força política ou eleger representantes que defendam a sigla. O que acho que a organização pretende é ajudar a eleger pessoas que defendam reivindicações voltadas para o sistema prisional – como direitos humanos e o fim do encarceramento massivo e da violência policial – e levem assistência para a periferia”, diz a socióloga Camila Dias, professora da Universidade Federal do ABC.


Segundo ela, não é possível vislumbrar o envolvimento de partidos com a facção. No caso de São Paulo, embora seja visível que PT e PSDB estejam ensaiando uma disputa em que PCC deve ser o mote, a exploração do tema pode ser ruim para os dois - em especial aos tucanos, em cujo governo a facção floresceu e se consolidou.


No caso do deputado estadual Luiz Moura (PT), que teria participado de uma reunião com a presença de integrantes do PCC, diz Camila Dias, o PSDB tentou jogar o problema para os petistas, provavelmente para tentar anular a possível exploração do tema contra o governo estadual. Ela acha que o PCC não tem capacidade real para eleger bancadas, mas sim de ocupar espaços elegendo políticos que defendam melhoras no sistema prisional. “O PCC não ganharia nada com isso”, afirma. Moura nega envolvimento com a facção e trava uma batalha na Justiça para reconquistar a vaga da reeleição.

Representante da Polícia Militar, o deputado Major Olímpio (PDT) diz que é difícil mensurar números, mas não tem dúvidas de que na Grande São Paulo e em municípios do litoral há prefeitos e vereadores eleitos com o apoio do PCC. Segundo ele, se as instituições são reconhecidamente impotentes para barrar o avanço da organização no crime, mais difícil ainda é estabelecer um filtro para não contaminar a política.


“Essa organização cresce graças à conduta omissiva do governo e do judiciário. O preocupante é a infiltração do PCC nas instituições. Os criminosos entram em concursos públicos até na polícia e financiam candidatos em todos os níveis”, diz o deputado. Segundo ele, há preocupação com infiltração inclusive nas Forças Armadas. “O governo não quer assumir que perdeu o controle dos presídios e da violência”, afirma.


Nesta semana, uma operação da Polícia Civil prendeu 39 integrantes do PCC e descobriu o envolvimento de 30 policiais – a maioria militares – com a organização. O esquema de corrupção está sendo investigado pelas corregedorias das duas corporações.



Vereador


A dificuldade da Justiça em fechar as portas da política para criminosos está na Constituição, que não permite a impugnação de candidaturas sem que a sentença seja definitiva. Pela tradicional lentidão da Justiça, a conclusão, com a inelegibilidade, ocorre normalmente quando o eleito já cumpriu o mandato.

No mês passado, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou o mandato do suplente de deputado federal pelo PSC Claudinei Alves dos Santos. Conhecido por Ney Santos, ele foi indiciado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, adulteração de combustível, sonegação fiscal e acusado pelo delegado Raul Godoy Neto, atualmente lotado no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), de ligações com o PCC.


Restante no link:



https://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-07-18/escutas-revelam-que-pcc-tambem-esta-envolvido-na-politica-de-sao-paulo.html


« Última modificação: 14 de Fevereiro de 2018, 10:20:03 por JJ »

Offline JJ

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Re:PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais
« Resposta #2 Online: 14 de Fevereiro de 2018, 10:14:16 »

E no Ceará:


A ação política do PCC


15.07.16 - 18h00


Criada em São Paulo, há duas décadas, a principal organização criminosa do País instalou-se no Ceará. Nas eleições de outubro, pretende financiar a eleição de 10 prefeitos e 50 vereadores


Em nenhuma capital brasileira, a juventude corre mais risco que em Fortaleza. O número de assassinatos na faixa etária de 16 e 17 anos supera a de países em guerra. Nos indicadores gerais de violência, a capital cearense ocupa o vergonhoso 12° lugar entre as piores cidades do mundo para se viver. A deterioração da segurança pública é mais que o resultado de uma década de fracasso do governo cearense na gestão de segurança pública. O Ceará virou a offshore da principal organização criminosa em atividade no Brasil, o PCC. O sinal mais evidente da importância do Ceará nas operações do grupo era que o controle da quadrilha no Estado estava nas mãos de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão caçula de Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. Alejandro Herbas foi preso em março pela Polícia Federal. Considerado o “CEO” da organização, Herbas é o principal nome depois de Marcola. Além de cuidar de perto dos negócios na Região Nordeste, ele dava as cartas em todas as ações do PCC nos demais Estados. Segundo os investigadores cearenses, ele coordenava uma intrincada rede de empresas de fachada usadas para lavar a fortuna originada do tráfico de drogas, assaltos a bancos e das mensalidades cobradas dos presos – hoje estipulada em R$ 750. Até ser preso pela PF, há três meses, Herbas viveu uma vida de fausto no Ceará. Tinha mansões em alguns dos principais cartões-postais do Ceará: a praia de Porto das Dunas, no município de Aquiraz, na idílica Cumbuco, em Caucaia, e em Lagoinha, na cidade de Paraipaba. Nada menos que 40 policiais militares trabalhavam em sua segurança pessoal.


As investigações apontam para as novas ambições do PCC. Os policiais envolvidos no monitoramento da organização descobriram que a quadrilha tem aspirações políticas. Sob as ordens de Herbas, o PCC trabalha para eleger 10 prefeitos e 50 vereadores no Ceará. Com a proibição do financiamento por empresas privadas, o PCC se projeta como uma importante força para irrigar as campanhas. As conversas da quadrilha foram relatadas à polícia por fontes infiltradas na organização. Os alvos do PCC são as disputas pela prefeitura de Mombaça, Caucaia e Itatira. A primeira delas é por razões afetivas. O irmão de Marcola morou na cidade. A segunda é a jóia da coroa. Com a segunda maior população do Ceará, Caucaia é vista pela organização como estratégica. A polícia não identificou quem é o candidato do PCC. Atualmente, as pesquisas apontam a liderança do deputado estadual Naumir Amorim (PMB). O parlamentar apresenta uma folha corrida de 148 processos, entre os quais dois por homicídio. O clima político em Caucaia está tão conflagrado que nos últimos meses os opositores a candidatura de Amorim têm sofrido uma série de ameaças. O coordenador de campanha do PSDB, Marcos Correa, foi alvo de três tentativas de sequestro em 60 dias. Para o delegado Jurandir Braga Nunes, a violência não tem conexões com crimes comuns. “Esses atentados não são assaltos. São obra do PCC”, afirma. Em outra cidade, Itatira, a polícia acompanha as movimentações do PCC para lançar a candidatura de um dos irmãos de Jussivan Alves, o Alemão, que em 2005 comandou o assalto ao Banco Central em Fortaleza. Para Francisco Carlos Crisóstomo, chefe do Departamento de Inteligência Policial(DIP), da Polícia Civil do Ceará, não há dúvidas de que as candidaturas serão financiadas pelo PCC.



https://istoe.com.br/acao-politica-do-pcc/


« Última modificação: 14 de Fevereiro de 2018, 10:20:48 por JJ »

Offline JJ

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Re:PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais
« Resposta #3 Online: 14 de Fevereiro de 2018, 10:46:18 »
Facções crescem com membros jovens e crimes cruéis no Ceará, diz sociólogo

Crédito: Cid Barbosa - 27.jan.2018/Diário do Nordeste

Carro queimado usado por bandidos em chacina na periferia de Fortaleza neste sábado

28.jan.2018 às 14h56

THAYS LAVOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM FORTALEZA

Para o sociólogo César Barreira, professor da Universidade Federal do Ceará, a facção Guardiões do Estado, que teria sido responsável pela chacina que deixou 14 mortos em festa em região periférica.


"Se formos mapear, temos no Ceará as seguintes facções: Comando Vermelho, PCC, Família do Norte, Guardiões do Estado e Amigos dos Amigos. Essas duas ultimas estão se construindo com pessoas muito jovens e os crimes têm muitos requintes de crueldade", diz Barreira, que coordena o Laboratório de Estudos da Violência da universidade.


Restante no link:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/01/1953980-faccoes-crescem-com-membros-jovens-e-crimes-crueis-no-ceara-diz-sociologo.shtml


 

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