Autor Tópico: PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?  (Lida 17051 vezes)

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #400 Online: 21 de Janeiro de 2018, 20:34:59 »



Após as privatizações das telefônicas obviamente apareceram melhores resultados em termos de  preços e ofertas de linhas.  Mas,  tem essa questão do BNDES  que financiou a expansão das telefônicas com dinheiro público, e que não vi nenhum  defensor de privatizações  a ter citado e destacado.  O que é uma omissão conveniente para os apologistas das privatizações.

O Prof. Claudio Henrique destaca isso no vídeo ao invés de omitir.


Uma coisa é você não ver ou não lembrar. Outra coisa, totalmente diferente, é não ter existido essa condenação, que existiu inclusive neste tópico:

Um antigo artigo sobre o tema:

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Sobre as privatizações (Parte 1)
por Leandro Roque, quinta-feira, 18 de março de 2010

Em anos de eleição presidencial, um triste hábito acomete o Brasil: aparentemente, a inteligência nacional, cansada, resolve ir passear por outras bandas, e assuntos que teriam grandes dificuldades em ser levados a sério até mesmo por aborígenes, aqui adquirem um ar de imerecida respeitabilidade, e são debatidos a sério não só por partidos políticos, mas também por intelectuais em colunas de jornal e em mesas redondas.

Nas eleições de 2006, a moda era reestatizar a mineradora Vale (então chamada Vale do Rio Doce).  Mais ainda: foi proibida qualquer alusão à necessária desestatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.  A Eletrobrás, então, nem foi mencionada.  O candidato da "oposição" se viu forçado a sair vestindo camisetas de estatais a fim de confirmar sua inabalável fé no estado, numa das cenas mais patéticas da nossa história eleitoral.

(Em tempo: em 2007, último ano de calmaria econômica e de preços recordes do barril de petróleo, bem maiores que os de 2006, a Petrobras teve uma queda de 17% no lucro em relação a 2006.  Das dez principais empresas de petróleo do mundo, apenas quatro não apresentaram crescimento do lucro: Petrobras, Pemex (México), PDVSA (Venezuela) e Gazprom (Rússia), todas elas estatais)

Quase quatro anos depois, o barulho das passadas dos dinossauros já é ouvido com ainda mais intensidade.  O atraso da vez envolve a reativação da nada saudosa Telebrás, além da quase já confirmada criação da Febrasa, estatal de fertilizantes.

Os governistas podem dizer que a ameaça de reestatização da Vale foi apenas bravata eleitoreira, apenas um balão de ensaio que foi levantado sem maiores perspectivas, o mesmo sendo válido para a Telebrás.  Pode ser.  Mas sempre há outras intenções mais insidiosas.  O fato é que medidas desse tipo servem apenas para deslocar o fiel da balança cada vez mais para o campo estatizante, limitando cada vez mais a amplitude do debate aceitável, restringindo-o totalmente ao campo antimercado.  Se nas eleições de 1989 falava-se com naturalidade na privatização de várias estatais e na redução do estado, nas de hoje o candidato que não jurar de pé junto que não vai vender uma única ação ordinária de alguns desses mamutes irá raivosamente ganhar a pecha de privatista insano, estando automaticamente excluído dos "debates sérios".

Mas por que isso aconteceu?  Como as coisas regrediram a esse ponto?  De um lado, a explicação é fácil: privatizações causam pânico naqueles aspones que ganham salários astronômicos para não fazer... bem, para ser um aspone.  Como estão ali por indicação política, uma vez que estatais são notórios cabides de emprego, é óbvio que um enxugamento dos quadros, a busca por lucros e a exigência de eficiência — medidas básicas adotadas por qualquer empresa privada que queira sobreviver — representa um perigo imediato para a boa vida desses indivíduos, que nunca estiveram acostumados a qualquer tipo de pressão.  Para evitar essa tragédia, eles acionam seus sindicatos — outra categoria repleta de aspones —, organizações poderosas, temidas e de forte peso eleitoral.  Poucos têm a coragem de peitá-los.

Outra explicação, também fácil, envolve a falta de intimidade da população com assuntos econômicos.  O discurso nacionalista sobre "entrega das riquezas nacionais", "espoliação do patrimônio nacional", "o petróleo é nosso", "o minério é nosso", "a telefonia é nossa", "as filas de banco são nossas", tudo isso tem forte apelo popular sobre as massas mais despreparadas (nacionalismo e ignorância andam juntos).  Dizer que o petróleo é nosso e que sua desestatização nos privaria de um produto estratégico, essencial, barato e de qualidade, é algo extremamente fácil e eficaz, que não exige mais do que dez segundos de propaganda televisiva.  Porém, explicar que isso é mentira e que a desestatização e a livre concorrência — em qualquer setor — geram produtos de melhor qualidade e preços mais baixos é algo que exige mais didática, mais preparo e mais paciência.  E principalmente: exige uma platéia atenta e genuinamente interessada em aprender.  Temos isso em maioria democrática no país?  Pois é.

Porém, há também uma terceira explicação para o ressurgimento dessas ideias jurássicas, as quais incrivelmente têm uma boa penetração entre as massas mais cultas e que não necessariamente estão encasteladas em estatais ou trabalhando para o governo: o modelo de privatização adotado no Brasil foi péssimo — algo óbvio, aliás, pois o processo foi conduzido pelo estado.

O que foi privatizado

Antes, é preciso desmistificar algumas coisas.  O consenso (quase) geral é que o governo Fernando Henrique foi o que mais privatizou, o que mais tirou o estado da economia, o que mais desregulamentou, e patacoadas afins.  Mentira.  Qualquer análise básica e desapaixonada irá revelar que as privatizações feitas pelo governo federal no mandato do sociólogo foram ínfimas, embora tenham sido as de maior valor de venda.  Fernando Collor e até mesmo o ultranacionalista Itamar Franco privatizaram mais.  Confira:

Collor:

USIMINAS, CELMA (Cia. Eletromecânica), MAFER S.A., COSINOR (Cia. Siderúrgica do Nordeste), SBNP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata), AFP (Aços Finos Piratini), Petroflex S.A., COPESUL (Cia. Petroquímica do Sul), CNA(Cia. Nacional de Álcalis), CST (Cia. Siderúrgica de Tubarão), FÓSFERTIL, GOIASFÉRTIL e Acesita.

Nota-se que as privatizações se concentraram no setor siderúrgico e petroquímico.

Itamar:

CSN, ULTRAFÉRTIL, COSIPA, AÇOMINAS, PQU (Petroquímica União), CARAÍBA (mineração), EMBRAER

Fernando Henrique:

ESCELSA (Espírito Santo Centrais Elétricas S.A.), Light (vendida para um consórcio no qual as estatais CEMIG e Électricité de France tinham participação majoritária), Companhia Vale do Rio Doce, Banco Meridional, Telebrás, GERASUL (Centrais Geradoras do Sul) e DATAMEC (Sistema de Processamento de Dados).

De todas essas privatizações, as melhores — no sentido de mais bem feitas — ocorreram nos governos Collor e Itamar, em que as siderúrgicas foram vendidas e o governo simplesmente se retirou da área, sem dar palpites nem impor regulamentações.  A privatização da EMBRAER foi quase toda correta, exceto pelo fato de ter havido recursos do BNDES. 

(...)
 


Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #401 Online: 21 de Janeiro de 2018, 20:54:31 »

Após as privatizações das telefônicas obviamente apareceram melhores resultados em termos de  preços e ofertas de linhas.  Mas,  tem essa questão do BNDES  que financiou a expansão das telefônicas com dinheiro público, e que não vi nenhum  defensor de privatizações  a ter citado e destacado.  O que é uma omissão conveniente para os apologistas das privatizações.

O Prof. Claudio Henrique destaca isso no vídeo ao invés de omitir.


Uma coisa é você não ver ou não lembrar. Outra coisa, totalmente diferente, é não ter existido essa condenação, que existiu inclusive neste tópico:

Um antigo artigo sobre o tema:

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Sobre as privatizações (Parte 1)
por Leandro Roque, quinta-feira, 18 de março de 2010

Em anos de eleição presidencial, um triste hábito acomete o Brasil: aparentemente, a inteligência nacional, cansada, resolve ir passear por outras bandas, e assuntos que teriam grandes dificuldades em ser levados a sério até mesmo por aborígenes, aqui adquirem um ar de imerecida respeitabilidade, e são debatidos a sério não só por partidos políticos, mas também por intelectuais em colunas de jornal e em mesas redondas.

Nas eleições de 2006, a moda era reestatizar a mineradora Vale (então chamada Vale do Rio Doce).  Mais ainda: foi proibida qualquer alusão à necessária desestatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.  A Eletrobrás, então, nem foi mencionada.  O candidato da "oposição" se viu forçado a sair vestindo camisetas de estatais a fim de confirmar sua inabalável fé no estado, numa das cenas mais patéticas da nossa história eleitoral.

(Em tempo: em 2007, último ano de calmaria econômica e de preços recordes do barril de petróleo, bem maiores que os de 2006, a Petrobras teve uma queda de 17% no lucro em relação a 2006.  Das dez principais empresas de petróleo do mundo, apenas quatro não apresentaram crescimento do lucro: Petrobras, Pemex (México), PDVSA (Venezuela) e Gazprom (Rússia), todas elas estatais)

Quase quatro anos depois, o barulho das passadas dos dinossauros já é ouvido com ainda mais intensidade.  O atraso da vez envolve a reativação da nada saudosa Telebrás, além da quase já confirmada criação da Febrasa, estatal de fertilizantes.

Os governistas podem dizer que a ameaça de reestatização da Vale foi apenas bravata eleitoreira, apenas um balão de ensaio que foi levantado sem maiores perspectivas, o mesmo sendo válido para a Telebrás.  Pode ser.  Mas sempre há outras intenções mais insidiosas.  O fato é que medidas desse tipo servem apenas para deslocar o fiel da balança cada vez mais para o campo estatizante, limitando cada vez mais a amplitude do debate aceitável, restringindo-o totalmente ao campo antimercado.  Se nas eleições de 1989 falava-se com naturalidade na privatização de várias estatais e na redução do estado, nas de hoje o candidato que não jurar de pé junto que não vai vender uma única ação ordinária de alguns desses mamutes irá raivosamente ganhar a pecha de privatista insano, estando automaticamente excluído dos "debates sérios".

Mas por que isso aconteceu?  Como as coisas regrediram a esse ponto?  De um lado, a explicação é fácil: privatizações causam pânico naqueles aspones que ganham salários astronômicos para não fazer... bem, para ser um aspone.  Como estão ali por indicação política, uma vez que estatais são notórios cabides de emprego, é óbvio que um enxugamento dos quadros, a busca por lucros e a exigência de eficiência — medidas básicas adotadas por qualquer empresa privada que queira sobreviver — representa um perigo imediato para a boa vida desses indivíduos, que nunca estiveram acostumados a qualquer tipo de pressão.  Para evitar essa tragédia, eles acionam seus sindicatos — outra categoria repleta de aspones —, organizações poderosas, temidas e de forte peso eleitoral.  Poucos têm a coragem de peitá-los.

Outra explicação, também fácil, envolve a falta de intimidade da população com assuntos econômicos.  O discurso nacionalista sobre "entrega das riquezas nacionais", "espoliação do patrimônio nacional", "o petróleo é nosso", "o minério é nosso", "a telefonia é nossa", "as filas de banco são nossas", tudo isso tem forte apelo popular sobre as massas mais despreparadas (nacionalismo e ignorância andam juntos).  Dizer que o petróleo é nosso e que sua desestatização nos privaria de um produto estratégico, essencial, barato e de qualidade, é algo extremamente fácil e eficaz, que não exige mais do que dez segundos de propaganda televisiva.  Porém, explicar que isso é mentira e que a desestatização e a livre concorrência — em qualquer setor — geram produtos de melhor qualidade e preços mais baixos é algo que exige mais didática, mais preparo e mais paciência.  E principalmente: exige uma platéia atenta e genuinamente interessada em aprender.  Temos isso em maioria democrática no país?  Pois é.

Porém, há também uma terceira explicação para o ressurgimento dessas ideias jurássicas, as quais incrivelmente têm uma boa penetração entre as massas mais cultas e que não necessariamente estão encasteladas em estatais ou trabalhando para o governo: o modelo de privatização adotado no Brasil foi péssimo — algo óbvio, aliás, pois o processo foi conduzido pelo estado.

O que foi privatizado

Antes, é preciso desmistificar algumas coisas.  O consenso (quase) geral é que o governo Fernando Henrique foi o que mais privatizou, o que mais tirou o estado da economia, o que mais desregulamentou, e patacoadas afins.  Mentira.  Qualquer análise básica e desapaixonada irá revelar que as privatizações feitas pelo governo federal no mandato do sociólogo foram ínfimas, embora tenham sido as de maior valor de venda.  Fernando Collor e até mesmo o ultranacionalista Itamar Franco privatizaram mais.  Confira:

Collor:

USIMINAS, CELMA (Cia. Eletromecânica), MAFER S.A., COSINOR (Cia. Siderúrgica do Nordeste), SBNP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata), AFP (Aços Finos Piratini), Petroflex S.A., COPESUL (Cia. Petroquímica do Sul), CNA(Cia. Nacional de Álcalis), CST (Cia. Siderúrgica de Tubarão), FÓSFERTIL, GOIASFÉRTIL e Acesita.

Nota-se que as privatizações se concentraram no setor siderúrgico e petroquímico.

Itamar:

CSN, ULTRAFÉRTIL, COSIPA, AÇOMINAS, PQU (Petroquímica União), CARAÍBA (mineração), EMBRAER

Fernando Henrique:

ESCELSA (Espírito Santo Centrais Elétricas S.A.), Light (vendida para um consórcio no qual as estatais CEMIG e Électricité de France tinham participação majoritária), Companhia Vale do Rio Doce, Banco Meridional, Telebrás, GERASUL (Centrais Geradoras do Sul) e DATAMEC (Sistema de Processamento de Dados).

De todas essas privatizações, as melhores — no sentido de mais bem feitas — ocorreram nos governos Collor e Itamar, em que as siderúrgicas foram vendidas e o governo simplesmente se retirou da área, sem dar palpites nem impor regulamentações.  A privatização da EMBRAER foi quase toda correta, exceto pelo fato de ter havido recursos do BNDES. 

(...)
 





Especificamente o professor se referiu à recursos posteriores  emprestados pelo BNDES, para as teles, para que houvesse expansão na rede telefônica,  de modo que é diferente do que informado no texto acima,  que além de se referir à recursos para privatização da EMBRAER ,  e não para a sua expansão, além da  Embraer  não ser uma tele, ainda temos que o recurso não foi para expansão.  Há semelhanças entre as ideias, e por extensão poderíamos imaginar que haveria condenação para o uso de empréstimos do BNDES para a expansão das teles, mas não é exatamente a mesma coisa.
« Última modificação: 21 de Janeiro de 2018, 20:57:38 por JJ »

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #402 Online: 21 de Janeiro de 2018, 21:51:23 »

Após as privatizações das telefônicas obviamente apareceram melhores resultados em termos de  preços e ofertas de linhas.  Mas,  tem essa questão do BNDES  que financiou a expansão das telefônicas com dinheiro público, e que não vi nenhum  defensor de privatizações  a ter citado e destacado.  O que é uma omissão conveniente para os apologistas das privatizações.

O Prof. Claudio Henrique destaca isso no vídeo ao invés de omitir.


Uma coisa é você não ver ou não lembrar. Outra coisa, totalmente diferente, é não ter existido essa condenação, que existiu inclusive neste tópico:

Um antigo artigo sobre o tema:

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Sobre as privatizações (Parte 1)
por Leandro Roque, quinta-feira, 18 de março de 2010

Em anos de eleição presidencial, um triste hábito acomete o Brasil: aparentemente, a inteligência nacional, cansada, resolve ir passear por outras bandas, e assuntos que teriam grandes dificuldades em ser levados a sério até mesmo por aborígenes, aqui adquirem um ar de imerecida respeitabilidade, e são debatidos a sério não só por partidos políticos, mas também por intelectuais em colunas de jornal e em mesas redondas.

Nas eleições de 2006, a moda era reestatizar a mineradora Vale (então chamada Vale do Rio Doce).  Mais ainda: foi proibida qualquer alusão à necessária desestatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.  A Eletrobrás, então, nem foi mencionada.  O candidato da "oposição" se viu forçado a sair vestindo camisetas de estatais a fim de confirmar sua inabalável fé no estado, numa das cenas mais patéticas da nossa história eleitoral.

(Em tempo: em 2007, último ano de calmaria econômica e de preços recordes do barril de petróleo, bem maiores que os de 2006, a Petrobras teve uma queda de 17% no lucro em relação a 2006.  Das dez principais empresas de petróleo do mundo, apenas quatro não apresentaram crescimento do lucro: Petrobras, Pemex (México), PDVSA (Venezuela) e Gazprom (Rússia), todas elas estatais)

Quase quatro anos depois, o barulho das passadas dos dinossauros já é ouvido com ainda mais intensidade.  O atraso da vez envolve a reativação da nada saudosa Telebrás, além da quase já confirmada criação da Febrasa, estatal de fertilizantes.

Os governistas podem dizer que a ameaça de reestatização da Vale foi apenas bravata eleitoreira, apenas um balão de ensaio que foi levantado sem maiores perspectivas, o mesmo sendo válido para a Telebrás.  Pode ser.  Mas sempre há outras intenções mais insidiosas.  O fato é que medidas desse tipo servem apenas para deslocar o fiel da balança cada vez mais para o campo estatizante, limitando cada vez mais a amplitude do debate aceitável, restringindo-o totalmente ao campo antimercado.  Se nas eleições de 1989 falava-se com naturalidade na privatização de várias estatais e na redução do estado, nas de hoje o candidato que não jurar de pé junto que não vai vender uma única ação ordinária de alguns desses mamutes irá raivosamente ganhar a pecha de privatista insano, estando automaticamente excluído dos "debates sérios".

Mas por que isso aconteceu?  Como as coisas regrediram a esse ponto?  De um lado, a explicação é fácil: privatizações causam pânico naqueles aspones que ganham salários astronômicos para não fazer... bem, para ser um aspone.  Como estão ali por indicação política, uma vez que estatais são notórios cabides de emprego, é óbvio que um enxugamento dos quadros, a busca por lucros e a exigência de eficiência — medidas básicas adotadas por qualquer empresa privada que queira sobreviver — representa um perigo imediato para a boa vida desses indivíduos, que nunca estiveram acostumados a qualquer tipo de pressão.  Para evitar essa tragédia, eles acionam seus sindicatos — outra categoria repleta de aspones —, organizações poderosas, temidas e de forte peso eleitoral.  Poucos têm a coragem de peitá-los.

Outra explicação, também fácil, envolve a falta de intimidade da população com assuntos econômicos.  O discurso nacionalista sobre "entrega das riquezas nacionais", "espoliação do patrimônio nacional", "o petróleo é nosso", "o minério é nosso", "a telefonia é nossa", "as filas de banco são nossas", tudo isso tem forte apelo popular sobre as massas mais despreparadas (nacionalismo e ignorância andam juntos).  Dizer que o petróleo é nosso e que sua desestatização nos privaria de um produto estratégico, essencial, barato e de qualidade, é algo extremamente fácil e eficaz, que não exige mais do que dez segundos de propaganda televisiva.  Porém, explicar que isso é mentira e que a desestatização e a livre concorrência — em qualquer setor — geram produtos de melhor qualidade e preços mais baixos é algo que exige mais didática, mais preparo e mais paciência.  E principalmente: exige uma platéia atenta e genuinamente interessada em aprender.  Temos isso em maioria democrática no país?  Pois é.

Porém, há também uma terceira explicação para o ressurgimento dessas ideias jurássicas, as quais incrivelmente têm uma boa penetração entre as massas mais cultas e que não necessariamente estão encasteladas em estatais ou trabalhando para o governo: o modelo de privatização adotado no Brasil foi péssimo — algo óbvio, aliás, pois o processo foi conduzido pelo estado.

O que foi privatizado

Antes, é preciso desmistificar algumas coisas.  O consenso (quase) geral é que o governo Fernando Henrique foi o que mais privatizou, o que mais tirou o estado da economia, o que mais desregulamentou, e patacoadas afins.  Mentira.  Qualquer análise básica e desapaixonada irá revelar que as privatizações feitas pelo governo federal no mandato do sociólogo foram ínfimas, embora tenham sido as de maior valor de venda.  Fernando Collor e até mesmo o ultranacionalista Itamar Franco privatizaram mais.  Confira:

Collor:

USIMINAS, CELMA (Cia. Eletromecânica), MAFER S.A., COSINOR (Cia. Siderúrgica do Nordeste), SBNP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata), AFP (Aços Finos Piratini), Petroflex S.A., COPESUL (Cia. Petroquímica do Sul), CNA(Cia. Nacional de Álcalis), CST (Cia. Siderúrgica de Tubarão), FÓSFERTIL, GOIASFÉRTIL e Acesita.

Nota-se que as privatizações se concentraram no setor siderúrgico e petroquímico.

Itamar:

CSN, ULTRAFÉRTIL, COSIPA, AÇOMINAS, PQU (Petroquímica União), CARAÍBA (mineração), EMBRAER

Fernando Henrique:

ESCELSA (Espírito Santo Centrais Elétricas S.A.), Light (vendida para um consórcio no qual as estatais CEMIG e Électricité de France tinham participação majoritária), Companhia Vale do Rio Doce, Banco Meridional, Telebrás, GERASUL (Centrais Geradoras do Sul) e DATAMEC (Sistema de Processamento de Dados).

De todas essas privatizações, as melhores — no sentido de mais bem feitas — ocorreram nos governos Collor e Itamar, em que as siderúrgicas foram vendidas e o governo simplesmente se retirou da área, sem dar palpites nem impor regulamentações.  A privatização da EMBRAER foi quase toda correta, exceto pelo fato de ter havido recursos do BNDES. 

(...)
 





Especificamente o professor se referiu à recursos posteriores  emprestados pelo BNDES, para as teles, para que houvesse expansão na rede telefônica,  de modo que é diferente do que informado no texto acima,  que além de se referir à recursos para privatização da EMBRAER ,  e não para a sua expansão, além da  Embraer  não ser uma tele, ainda temos que o recurso não foi para expansão.  Há semelhanças entre as ideias, e por extensão poderíamos imaginar que haveria condenação para o uso de empréstimos do BNDES para a expansão das teles, mas não é exatamente a mesma coisa.

Isso torna ainda pior a queixa. Existe coisa mais clichê em um típico formador de opinião privatista do que a crítica do uso do BNDES para financiar empresas que poderiam fazer isso no sistema financeiro privado? Quando se fala em defesa da privatização do BNDES é quase impossível não ouvir esse argumento.

A diferenciação do uso do BNDES para privatização ou para expansão de empresas privatizadas não faz sentido algum do ponto de vista prático. Idem para o caso da privatização de uma gigante envolver uma tele ou não. Para o pagador de impostos sem acesso às regalias das oligarquias econômicas, já que há semelhanças estruturais em todos os casos, é tudo a mesma merda.
« Última modificação: 21 de Janeiro de 2018, 22:11:05 por -Huxley- »

Offline Gauss

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #403 Online: 21 de Janeiro de 2018, 22:07:05 »
Que insano. Todos nós entreguistas sempre defendemos a privatização ou extinção do BNDES.
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #404 Online: 21 de Janeiro de 2018, 22:52:00 »
Que insano. Todos nós entreguistas sempre defendemos a privatização ou extinção do BNDES.


Sempre ?  Em 1994  (ou antes) todos   vocês  "entreguistas"  já defendiam a privatização ou extinção do BNDES ?  Pode apresentar provas de que você já fazia isso em 1994 ou antes ?



Offline -Huxley-

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #405 Online: 21 de Janeiro de 2018, 23:18:52 »
A crença "Não privatizar o BNDES contribui para manter o Brasil no atraso" é verdadeira, mesmo que ninguém, em algum momento, acreditasse nela. A verdade não depende das crenças dos indivíduos.

Offline Zero

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #406 Online: 26 de Fevereiro de 2018, 22:13:04 »
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Alckmin diz que privatizaria Petrobras se vencesse eleição
Uma vez um tabu por conta de preocupações com a soberania nacional, a privatização da Petrobras deve se tornar uma questão importante na campanha

Brasília – O governador do Estado de São Paulo e provável candidato à presidência, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), disse nesta segunda-feira que privatizaria a estatal Petrobras se ganhasse as eleições em outubro.

Alckmin disse em entrevista à rede de televisão Band que é a favor de uma gestão privada na Petrobras, maior empresa do Brasil, desde a venda da companhia seja conduzida de acordo com um rigoroso processo regulatório.

Uma vez um tabu na política brasileira por conta de preocupações com a soberania nacional, a privatização da Petrobras deve se tornar uma questão importante na campanha deste ano, conforme o Brasil luta para controlar um insustentável déficit orçamentário.

A esquerda brasileira rejeita fortemente a venda da Petrobras, mas o líder da esquerda nas pesquisas de opinião até o momento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser impedido de concorrer devido a uma condenação por corrupção e não há um candidato óbvio para substituí-lo.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse ainda neste mês avaliar que a sociedade brasileira não deseja a privatização da Petrobras.

“Sob o ponto de vista da Petrobras, qualquer discussão sobre eventual possibilidade de privatização, neste momento, teria um efeito perturbador”, afirmou Parente a jornalistas em 7 de fevereiro.

https://exame.abril.com.br/economia/alckmin-diz-que-privatizaria-petrobras-se-vencesse-eleicao/
All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes.

Offline Lorentz

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #407 Online: 26 de Fevereiro de 2018, 22:57:01 »
Que insano. Todos nós entreguistas sempre defendemos a privatização ou extinção do BNDES.


Sempre ?  Em 1994  (ou antes) todos   vocês  "entreguistas"  já defendiam a privatização ou extinção do BNDES ?  Pode apresentar provas de que você já fazia isso em 1994 ou antes ?




https://exame.abril.com.br/economia/devia-ser-proibido-criar-estatal-diz-diretora-do-bndes-de-fhc/

Citar
Landau foi diretora da área de desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #408 Online: 03 de Março de 2018, 06:36:16 »
Que insano. Todos nós entreguistas sempre defendemos a privatização ou extinção do BNDES.


Sempre ?  Em 1994  (ou antes) todos   vocês  "entreguistas"  já defendiam a privatização ou extinção do BNDES ?  Pode apresentar provas de que você já fazia isso em 1994 ou antes ?




https://exame.abril.com.br/economia/devia-ser-proibido-criar-estatal-diz-diretora-do-bndes-de-fhc/

Citar
Landau foi diretora da área de desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Fernando Henrique Cardoso.



Repare que o  Gauss  digitou :  "Todos nós "


Se ele tivesse digitado:  "algumas pessoas" ,  aí certamente estaria certo.



Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #409 Online: 03 de Março de 2018, 06:38:29 »


Sugiro que tenha cuidado com o uso da palavra todos(as), pois é geralmente fácil falsificar  proposições  com tais palavras, principalmente se elas se referirem à comportamentos humanos.

Offline Gauss

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #410 Online: 03 de Março de 2018, 10:12:00 »
Sugiro que tenha cuidado com o uso da palavra todos(as), pois é geralmente fácil falsificar  proposições  com tais palavras, principalmente se elas se referirem à comportamentos humanos.
Ok. Todos nós 'neoentreguistas' sempre fomos favoráveis...
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #411 Online: 03 de Março de 2018, 19:45:37 »
Sugiro que tenha cuidado com o uso da palavra todos(as), pois é geralmente fácil falsificar  proposições  com tais palavras, principalmente se elas se referirem à comportamentos humanos.
Ok. Todos nós 'neoentreguistas' sempre fomos favoráveis...



Basta que eu encontre apenas um "neoentreguista" que não tenha sido sempre favorável, para que esta sua proposição seja falsificada.



Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #412 Online: 03 de Março de 2018, 20:29:33 »
às picuinhas dá se o nome de debate e o que estava sendo debatido era sua informação errada (como provado) de que as estatais eram tão eficientes quanto as privadas.
Como esse seu posicionamento se dá em conjunção com outros tão extravagantes (Lula não sabia de nada, se deve destruir propriedade alheia e produtiva se quem destrói é a esquerda, Dirceu guerreiro do povo, essas coisas) é óbvio que o debate ocorre, e ocorre de uma maneira que você não se mantém, sempre.

E quer saber, eu continuarei debatendo  :hihi:. Faz bem e eu gosto.


Ta bom, para mim deu. Acho que minha paciência com essas infantilidades já acabou. Até algum dia. Regozije-se por ser tão bom em argumentos falaciosos.

E como ultima frase vou deixar para você: Lula e o cara.


O Lula ainda é o cara  ?


« Última modificação: 03 de Março de 2018, 20:34:54 por JJ »

Offline Fabrício

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #413 Online: 05 de Março de 2018, 13:28:38 »
Citação de: JJ
O Lula ainda é o cara  ?

Se você reparar bem no post do Juca, vai ver que não tem assento no "e". Logo, não é Lula É o cara, ele quis dizer Lula "E" o cara. Esse "cara" a quem ele se refere é um amigo do Lula, que paga as contas dele, compra sítios e triplex em seu nome para o Lula usufruir, faz um monte de merda, rouba, e nunca conta nada pro Lula.
"Deus prefere os ateus"

Offline JJ

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #414 Online: 05 de Março de 2018, 14:02:27 »
Citação de: JJ
O Lula ainda é o cara  ?

Se você reparar bem no post do Juca, vai ver que não tem assento no "e". Logo, não é Lula É o cara, ele quis dizer Lula "E" o cara. Esse "cara" a quem ele se refere é um amigo do Lula, que paga as contas dele, compra sítios e triplex em seu nome para o Lula usufruir, faz um monte de merda, rouba, e nunca conta nada pro Lula.


Pois é. Coitado do  Lula, ele se esforçou tanto para chegar no mais alto posto da república  para representar e fazer a vontade do  PT/Nomenklatura   povo, mas infelizmente ele foi traído pelos amigos.

Muito triste isso.  :'(

 

Offline Lorentz

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #415 Online: 05 de Março de 2018, 15:45:40 »
Já apoiei fanaticamente o Aécio. Hoje não mais. Não vejo problema com o Juca apoiando Lula no passado. Só seria problema se ele ainda apoiasse o Lula nos dias de hoje. Não parece ser o caso.
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

Offline Fabrício

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Re:PRIVATIZAÇÕES...boas ou más ?
« Resposta #416 Online: 05 de Março de 2018, 16:16:59 »
Já apoiei fanaticamente o Aécio. Hoje não mais. Não vejo problema com o Juca apoiando Lula no passado. Só seria problema se ele ainda apoiasse o Lula nos dias de hoje. Não parece ser o caso.

Depende de até onde vai esse passado, Lorentz. O Juca continuou apoiando o Lula mesmo bem depois de ficar óbvio que ele não era "o cara". Hoje em dia não sei se apóia mais.

Eu também já apoiei (talvez não fanaticamente, mas votei nele) o Aécio. Já até mesmo elogiei a Dilma no início do governo dela  :vergonha:, e até achava que o Lula era honesto quando ganhou a primeira vez para Presidente (como eu era ingênuo), embora nunca tenha gostado dele ou do PT.

É como diz o clichê, errar é humano, permanecer no erro é que é burrice.
« Última modificação: 05 de Março de 2018, 16:19:00 por Fabrício »
"Deus prefere os ateus"

 

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