Autor Tópico: Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo  (Lida 12099 vezes)

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Offline Geotecton

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #100 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:45:11 »
Não sei se entendi sua intenção, mas aparentemente você está propondo exemplos gradativamente mais radicais tentando chegar a uma reductio ad absurdum, um ponto onde eu diga: "ok, isso não pode ser chamado de arte" e de onde emergiria a conclusão de que em algum ponto entre a Mona Lisa e o pote de merda há uma fronteira entre o que é arte e o que não é, e que o problema se reduziria a definir essa fronteira.

O que eu acredito é que não há essa fronteira. Arte não é um juízo de valor, não é um adjetivo. É qualquer produção humana, ou se quisermos alargar mais a definição, qualquer produção inteligente que vise a manifestar a percepção estética de quem a criou. Se o pote de merda ou a merda espalhada reflete a percepção estética de quem fez isso, então é arte. Isso não é um selo de que é bom, de que é construtivo, de que é evocativo, de que é bonito, isso é irrelevante para o conceito de arte.

O que está em destacado em negrito permite aceitar que quase tudo é "arte". Acho que a parte mais vulnerável de sua definição está na palavra "inteligente".

Sinceramente não consigo visualizar como o ato de enfiar o dedo no ânus em uma peça teatral possa estar na mesma categoria ("arte") de um afresco de Michelângelo.
« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 11:48:02 por Geotecton »
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Offline Geotecton

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #101 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:47:03 »
Parece que se aceitarmos a arte conceitual como uma manifestação artística válida, logo não teremos mais fotorrealismo, não teremos mais esculturas de alto nível técnico, não teremos mais peças de teatro elaboradas, músicas de alta sofisticação, e não é nada disso.

Enfiar o dedo no ânus é "arte conceitual"?
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Offline Johnny Cash

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #102 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:50:15 »
Estou dizendo que "arte" é meramente "técnica". É essa a definição. Independe de intencionar manifestar a "percepção estética"/gosto/capacidade do criador.

Pode ser técnica da confecção de um objeto, de cantar, de interpretação, ou mesmo de criar interesse em torno de algo que não tem valor intrínseco ou qualquer primor excepcional em confecção.

Aí que a definição peca pela generalização. Um médico usa técnica, um contador usa técnica, um advogado usa técnica e nem por isso estão fazendo arte. Acho que a manifestação estética do autor é indissociável da definição de arte.

Bom, eu acho que estão sim. E nem há falta de manifestação estética.


E a discussão originada sobre o vídeo nem mesmo é sobre a definição do que é arte ou não, mas sim do caminho que a coisa está tomando/tem tomado/tomou, meio no sentido de todo mundo ter que achar tudo muito legal, inclusive coisas normalmente sem qualquer valor como um vômito provocado por ressaca ou uma rocha comum.

Isso é um mito, boa parte dos artistas contemporâneos não está muito focada nesse tipo de reconhecimento, têm mais o objetivo de chocar e causar reflexões em momentos específicos e ponto final. Também acho um mito de que seja "um rumo que a arte está tomando". A arte "tradicional" não está perdendo espaço, também há cada vez mais museus, galerias, artistas e público interessados nela. Apenas não aceitam terem perdido o "monopólio".

Como assim mito? Foi demonstrado, existem exemplos diversos.

Em que uma tela em branco choca? E causa reflexões? Você acha que a maior parte dos artistas contemporâneos quer (e consegue) causas reflexões?

Pra mim isso pouco importa, até inclusive se pode refletir sobre qualquer coisa mesmo.

Parece que se aceitarmos a arte conceitual como uma manifestação artística válida, logo não teremos mais fotorrealismo, não teremos mais esculturas de alto nível técnico, não teremos mais peças de teatro elaboradas, músicas de alta sofisticação, e não é nada disso.

Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Offline Johnny Cash

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #103 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:51:51 »
Parece que se aceitarmos a arte conceitual como uma manifestação artística válida, logo não teremos mais fotorrealismo, não teremos mais esculturas de alto nível técnico, não teremos mais peças de teatro elaboradas, músicas de alta sofisticação, e não é nada disso.

Enfiar o dedo no ânus é "arte conceitual"?

Eu acho que girar num palco enquanto se enfia o dedo no ânus do cara da frente, em público, é arte sim.

Só é algo apelativo mesmo, meio tosco, que não demanda qualquer coisa que coragem de ficar pelado em público tomando no ...

A discussão é, universidades públicas deveriam bancar esse tipo de produção? Porque?

Offline Geotecton

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #104 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:55:03 »
Isso é um mito, boa parte dos artistas contemporâneos não está muito focada nesse tipo de reconhecimento, têm mais o objetivo de chocar e causar reflexões em momentos específicos e ponto final. Também acho um mito de que seja "um rumo que a arte está tomando". A arte "tradicional" não está perdendo espaço, também há cada vez mais museus, galerias, artistas e público interessados nela. Apenas não aceitam terem perdido o "monopólio".
Como assim mito? Foi demonstrado, existem exemplos diversos.

Em que uma tela em branco choca? E causa reflexões? Você acha que a maior parte dos artistas contemporâneos quer (e consegue) causas reflexões?
[...]

É claro que uma tela em branco causa reflexões.

A mais comum é: "PQP!!! O que é que eu estou fazendo aqui olhando para esta p... que não tem nada?"  :P
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Offline Geotecton

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #105 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:55:52 »
Parece que se aceitarmos a arte conceitual como uma manifestação artística válida, logo não teremos mais fotorrealismo, não teremos mais esculturas de alto nível técnico, não teremos mais peças de teatro elaboradas, músicas de alta sofisticação, e não é nada disso.

Enfiar o dedo no ânus é "arte conceitual"?
Eu acho que girar num palco enquanto se enfia o dedo no ânus do cara da frente, em público, é arte sim.

Discussão encerrada.  :)
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #106 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:58:33 »
Estou dizendo que "arte" é meramente "técnica". É essa a definição. Independe de intencionar manifestar a "percepção estética"/gosto/capacidade do criador.

Pode ser técnica da confecção de um objeto, de cantar, de interpretação, ou mesmo de criar interesse em torno de algo que não tem valor intrínseco ou qualquer primor excepcional em confecção.

Aí que a definição peca pela generalização. Um médico usa técnica, um contador usa técnica, um advogado usa técnica e nem por isso estão fazendo arte. Acho que a manifestação estética do autor é indissociável da definição de arte.

Essa seria uma "definição" com vagas firulas subjetivas, indo além do necessário. Todas essas coisas também são "artes" embora o termo não seja tão comumente usado fora de artes/técnicas aplicadas ao entretenimento se não para caracterizar um grau elevado de maestria. Mas são artes. Inclusive há a expressão, "the state of the art", "estado da arte", se referindo ao mais avançado que há se tratando de técnicas não tão rotineiramente chamadas de "artísticas", como algo de ciências.

Citar
ar·te
(latim ars, artis, maneira de ser ou agir, conduta, habilidade, ciência, talento, ofício)
substantivo feminino
1. Preceitos para fazer ou dizer como é devido.
2. Livro de tais preceitos.
3. [Figurado]  Modo; artifício.
4. Habilidade.
5. Ofício.
6. Manha, astúcia.
7. [Técnica]  Aparelho de pesca (ex.: arte de xávega).
8. [Brasil, Informal]  Travessura, traquinice.

artes
substantivo feminino plural
9. As artes liberais; aquelas em que o espírito toma maior parte que as mãos.

arte mágica
• Magia.
artes plásticas
• As artes do desenho, da pintura, da escultura e da arquitectura.

"arte", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/arte [consultado em 26-02-2016].

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #107 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:00:41 »
Não sei se entendi sua intenção, mas aparentemente você está propondo exemplos gradativamente mais radicais tentando chegar a uma reductio ad absurdum, um ponto onde eu diga: "ok, isso não pode ser chamado de arte" e de onde emergiria a conclusão de que em algum ponto entre a Mona Lisa e o pote de merda há uma fronteira entre o que é arte e o que não é, e que o problema se reduziria a definir essa fronteira.

O que eu acredito é que não há essa fronteira. Arte não é um juízo de valor, não é um adjetivo. É qualquer produção humana, ou se quisermos alargar mais a definição, qualquer produção inteligente que vise a manifestar a percepção estética de quem a criou. Se o pote de merda ou a merda espalhada reflete a percepção estética de quem fez isso, então é arte. Isso não é um selo de que é bom, de que é construtivo, de que é evocativo, de que é bonito, isso é irrelevante para o conceito de arte.

O que está em destacado em negrito permite aceitar que quase tudo é "arte". Acho que a parte mais vulnerável de sua definição está na palavra "inteligente".

Sinceramente não consigo visualizar como o ato de enfiar o dedo no ânus em uma peça teatral possa estar na mesma categoria ("arte") de um afresco de Michelângelo.

É que você está vendo arte como juízo de valor. O que você diz é mais ou menos como dizer "não consigo visualizar que o Gol Bolinha possa estar na mesma categoria (carro) que o Lamborghini Gallardo." A partir do momento que você aceita que o conceito de arte é neutro em relação a valor, vê que dizer que ambos são arte não os iguala de nenhuma forma.

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #108 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:04:08 »
Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Arte conceitual é a manifestação artística em que o conceito é mais importante que o objeto. O Davi de Michelangelo não é arte conceitual, é arte formal, porque a arte é o objeto. Colocar o Davi de Michelangelo em outra galeria, em outro tempo, em outro país, etc. não altera seu significado, porque ele está contido no objeto. Agora pegar a "Fonte" de Duchamp, por exemplo, e colocá-la em outro contexto altera totalmente seu significado, então é arte conceitual.

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #109 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:05:12 »
Eu acho que girar num palco enquanto se enfia o dedo no ânus do cara da frente, em público, é arte sim.

Só é algo apelativo mesmo, meio tosco, que não demanda qualquer coisa que coragem de ficar pelado em público tomando no ...

A discussão é, universidades públicas deveriam bancar esse tipo de produção? Porque?

Sim, é arte, mas universidades públicas não devem bancar isso.

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #110 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:08:01 »
Essa seria uma "definição" com vagas firulas subjetivas, indo além do necessário. Todas essas coisas também são "artes" embora o termo não seja tão comumente usado fora de artes/técnicas aplicadas ao entretenimento se não para caracterizar um grau elevado de maestria. Mas são artes. Inclusive há a expressão, "the state of the art", "estado da arte", se referindo ao mais avançado que há se tratando de técnicas não tão rotineiramente chamadas de "artísticas", como algo de ciências.

Citar
ar·te
(latim ars, artis, maneira de ser ou agir, conduta, habilidade, ciência, talento, ofício)
substantivo feminino
1. Preceitos para fazer ou dizer como é devido.
2. Livro de tais preceitos.
3. [Figurado]  Modo; artifício.
4. Habilidade.
5. Ofício.
6. Manha, astúcia.
7. [Técnica]  Aparelho de pesca (ex.: arte de xávega).
8. [Brasil, Informal]  Travessura, traquinice.


Usar a definição de dicionário ou o mero significado em latim ou grego não costuma ser muito útil, vide a palavra "átomo" por exemplo. Se você quiser usar o termo "arte" no sentido latino, não estaremos falando da mesma coisa.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #111 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:11:24 »
Não sei se entendi sua intenção, mas aparentemente você está propondo exemplos gradativamente mais radicais tentando chegar a uma reductio ad absurdum, um ponto onde eu diga: "ok, isso não pode ser chamado de arte" e de onde emergiria a conclusão de que em algum ponto entre a Mona Lisa e o pote de merda há uma fronteira entre o que é arte e o que não é, e que o problema se reduziria a definir essa fronteira.

O que eu acredito é que não há essa fronteira. Arte não é um juízo de valor, não é um adjetivo. É qualquer produção humana, ou se quisermos alargar mais a definição, qualquer produção inteligente que vise a manifestar a percepção estética de quem a criou. Se o pote de merda ou a merda espalhada reflete a percepção estética de quem fez isso, então é arte. Isso não é um selo de que é bom, de que é construtivo, de que é evocativo, de que é bonito, isso é irrelevante para o conceito de arte.

O que está em destacado em negrito permite aceitar que quase tudo é "arte". Acho que a parte mais vulnerável de sua definição está na palavra "inteligente".

Sinceramente não consigo visualizar como o ato de enfiar o dedo no ânus em uma peça teatral possa estar na mesma categoria ("arte") de um afresco de Michelângelo.

É que você está vendo arte como juízo de valor. O que você diz é mais ou menos como dizer "não consigo visualizar que o Gol Bolinha possa estar na mesma categoria (carro) que o Lamborghini Gallardo." A partir do momento que você aceita que o conceito de arte é neutro em relação a valor, vê que dizer que ambos são arte não os iguala de nenhuma forma.

É que o conceito não é neutro em relação a "valor". É um sinônimo de "técnica" tendendo ao superlativo.

Não se diz a algo que acha impressionante, "isso é uma obra de arte", significando que "é algo que qualquer um poderia ter feito com facilidade, como deixar a cama desarrumada".




Essa seria uma "definição" com vagas firulas subjetivas, indo além do necessário. Todas essas coisas também são "artes" embora o termo não seja tão comumente usado fora de artes/técnicas aplicadas ao entretenimento se não para caracterizar um grau elevado de maestria. Mas são artes. Inclusive há a expressão, "the state of the art", "estado da arte", se referindo ao mais avançado que há se tratando de técnicas não tão rotineiramente chamadas de "artísticas", como algo de ciências.

Citar
ar·te
(latim ars, artis, maneira de ser ou agir, conduta, habilidade, ciência, talento, ofício)
substantivo feminino
1. Preceitos para fazer ou dizer como é devido.
2. Livro de tais preceitos.
3. [Figurado]  Modo; artifício.
4. Habilidade.
5. Ofício.
6. Manha, astúcia.
7. [Técnica]  Aparelho de pesca (ex.: arte de xávega).
8. [Brasil, Informal]  Travessura, traquinice.


Usar a definição de dicionário ou o mero significado em latim ou grego não costuma ser muito útil, vide a palavra "átomo" por exemplo. Se você quiser usar o termo "arte" no sentido latino, não estaremos falando da mesma coisa.

Não é só no sentido "latino", é no sentido regular que a palavra é usado. O uso em "arte moderna" que é em boa parte do tempo aberrante, conforme coloquei no trecho anterior. Elogiar algo como "uma obra de arte" é dizer que é impressionante, requer habilidade excepcional, não uma coisa trivial, ou alguém "causando" com uma melancia no pescoço.

Offline Johnny Cash

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #112 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:20:51 »
Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Arte conceitual é a manifestação artística em que o conceito é mais importante que o objeto. O Davi de Michelangelo não é arte conceitual, é arte formal, porque a arte é o objeto. Colocar o Davi de Michelangelo em outra galeria, em outro tempo, em outro país, etc. não altera seu significado, porque ele está contido no objeto. Agora pegar a "Fonte" de Duchamp, por exemplo, e colocá-la em outro contexto altera totalmente seu significado, então é arte conceitual.

Explicação típica para forçar a barra pra "acrescentar valor" onde há pouco.

Como medir a diferença de importância entre o "objeto" e o "conceito"? Porque em Davi a arte é o objeto?

Offline DDV

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #113 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:25:35 »
O que exige talento ou perícia incomuns, não podendo ser feito por qualquer pessoa ( e de qualquer idade  :lol:), é arte.

O que pode ser feito por qualquer pessoa, não exigindo nenhum talento ou perícia, não é arte.


Podem fechar o tópico.
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #114 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:26:25 »
Não sei se entendi sua intenção, mas aparentemente você está propondo exemplos gradativamente mais radicais tentando chegar a uma reductio ad absurdum, um ponto onde eu diga: "ok, isso não pode ser chamado de arte" e de onde emergiria a conclusão de que em algum ponto entre a Mona Lisa e o pote de merda há uma fronteira entre o que é arte e o que não é, e que o problema se reduziria a definir essa fronteira.

O que eu acredito é que não há essa fronteira. Arte não é um juízo de valor, não é um adjetivo. É qualquer produção humana, ou se quisermos alargar mais a definição, qualquer produção inteligente que vise a manifestar a percepção estética de quem a criou. Se o pote de merda ou a merda espalhada reflete a percepção estética de quem fez isso, então é arte. Isso não é um selo de que é bom, de que é construtivo, de que é evocativo, de que é bonito, isso é irrelevante para o conceito de arte.

O que está em destacado em negrito permite aceitar que quase tudo é "arte". Acho que a parte mais vulnerável de sua definição está na palavra "inteligente".

Sinceramente não consigo visualizar como o ato de enfiar o dedo no ânus em uma peça teatral possa estar na mesma categoria ("arte") de um afresco de Michelângelo.

É que você está vendo arte como juízo de valor. O que você diz é mais ou menos como dizer "não consigo visualizar que o Gol Bolinha possa estar na mesma categoria (carro) que o Lamborghini Gallardo." A partir do momento que você aceita que o conceito de arte é neutro em relação a valor, vê que dizer que ambos são arte não os iguala de nenhuma forma.

É que o conceito não é neutro em relação a "valor". É um sinônimo de "técnica" tendendo ao superlativo.

Não se diz a algo que acha impressionante, "isso é uma obra de arte", significando que "é algo que qualquer um poderia ter feito com facilidade, como deixar a cama desarrumada".

O fato de as pessoas associarem arte a algo de valor não nos obriga a usar uma definição que englobe o sentido corrente. Do contrário, teremos que trabalhar com uma definição que englobe todos os sentidos correntes, desde arte como algo impressionante até arte como "travessura infantil". Quando falamos de arte no sentido de ser algo que englobe a música, a pintura, a literatura, o teatro etc. estamos necessariamente falando de um conjunto de manifestações culturais em que haja algum significado estético. Quando alguém estende o conceito de arte a médicos e advogados é mais no sentido de elogiá-los, usando a falsa ideia da arte como juízo de valor, do que com a intenção de realmente classificar a profissão deles como pertencendo ao ramo artístico. É mais ou menos como chamar alguém de gênio, não necessariamente querendo dizer com isso que a pessoa mora em uma lâmpada mágica. Expressões como "estado da arte" e similares é que são variações, onde a palavra "arte" tem sentido diverso do que está sendo discutido aqui.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #115 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:28:53 »
Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Arte conceitual é a manifestação artística em que o conceito é mais importante que o objeto. O Davi de Michelangelo não é arte conceitual, é arte formal, porque a arte é o objeto. Colocar o Davi de Michelangelo em outra galeria, em outro tempo, em outro país, etc. não altera seu significado, porque ele está contido no objeto. Agora pegar a "Fonte" de Duchamp, por exemplo, e colocá-la em outro contexto altera totalmente seu significado, então é arte conceitual.

Explicação típica para forçar a barra pra "acrescentar valor" onde há pouco.

Ele já disse que arte não tem necessariamente nenhum valor. É o que qualquer um disser que é arte. Uma caixa de laranjas, um penico, um chaveiro, uma cusparada, um arroto, uma bexiga cheia de ar ou gás, uma bexiga murcha ou estourada, etc. Ou combinações de algumas dessas coisas, para "garantir".



Como medir a diferença de importância entre o "objeto" e o "conceito"? Porque em Davi a arte é o objeto?

Não necessariamente:


Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #116 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:29:17 »
Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Arte conceitual é a manifestação artística em que o conceito é mais importante que o objeto. O Davi de Michelangelo não é arte conceitual, é arte formal, porque a arte é o objeto. Colocar o Davi de Michelangelo em outra galeria, em outro tempo, em outro país, etc. não altera seu significado, porque ele está contido no objeto. Agora pegar a "Fonte" de Duchamp, por exemplo, e colocá-la em outro contexto altera totalmente seu significado, então é arte conceitual.

Explicação típica para forçar a barra pra "acrescentar valor" onde há pouco.

Como medir a diferença de importância entre o "objeto" e o "conceito"? Porque em Davi a arte é o objeto?

O que diz isso é a intenção do autor. Daí a importância de tentar entender o contexto de cada obra.

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #117 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:52:15 »
O que exige talento ou perícia incomuns, não podendo ser feito por qualquer pessoa ( e de qualquer idade  :lol:), é arte.

O que pode ser feito por qualquer pessoa, não exigindo nenhum talento ou perícia, não é arte.


Podem fechar o tópico.

Parabéns, sua definição de arte exclui boa parte da música (canto tribal, por exemplo) e inclui coisas como limpeza de vidros de edifícios e manutenção de aeronaves.

Podem fechar o tópico mesmo.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #118 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 12:59:26 »
O fato de as pessoas associarem arte a algo de valor não nos obriga a usar uma definição que englobe o sentido corrente.

Bem, a definição das palavras é meio que inerentemente o seu sentido, que tenderá a ser o corrente, ou não fugir tanto disso (embora ocorra, então se diz que a definição mudou com o sentido... a primeira o descreve).



Citar
Do contrário, teremos que trabalhar com uma definição que englobe todos os sentidos correntes, desde arte como algo impressionante até arte como "travessura infantil".

Não. O dicionário dá comumente diferentes usos para uma mesma palavra. Em alguns casos, usos irônicos, como esse. Ocorrer isso não obriga a uma "fusão" conceitual de todos possíveis usos de uma palavra.


Citar
Quando falamos de arte no sentido de ser algo que englobe a música, a pintura, a literatura, o teatro etc. estamos necessariamente falando de um conjunto de manifestações culturais em que haja algum significado estético.

Esse é um dos entendimentos regulares, embora novamente com instâncias que fogem a isso dentro da "arte moderna".


Citar
Quando alguém estende o conceito de arte a médicos e advogados é mais no sentido de elogiá-los, usando a falsa ideia da arte como juízo de valor

Não é uma "falsa idéia", é uma das idéias mais recorrentes, em oposição frontal à idéia de que arte é algo banal, que qualquer coisa é "arte".

Esse é um dos possíveis usos. Outro, mais incomum, seria como em "artes marciais", que não são necessariamente "expressões estéticas", embora em muitos casos tenha havido um "desvio" rumo à algo que se aproxima de "dança", mas técnicas de combate. Como "técnica", poderia se falar também de "artes médicas"

http://www.grupoa.com.br/livros/artes-medicas



Citar
do que com a intenção de realmente classificar a profissão deles como pertencendo ao ramo artístico.

É mais "ramo artístico" que foi tomando um sentido de artes/técnicas voltadas ao entretenimento específicamente, então não é que haja necessariamente essa sugestão. Pode ser um "elogio", no sentido de beleza, comparando às "artes de entrenimento", meio que caracterizadas por isso, ou meramente o uso meio arcaico de "técnica" não necessariamente "artística"/de entretenimento.


Citar
É mais ou menos como chamar alguém de gênio, não necessariamente querendo dizer com isso que a pessoa mora em uma lâmpada mágica. Expressões como "estado da arte" e similares é que são variações, onde a palavra "arte" tem sentido diverso do que está sendo discutido aqui.

Esse sentido é ainda mais próximo ao tradicional/corrente, mais universalmente adotado, do qual "arte moderna/contemporânea" é que diverge, ao se tornar essencialmente nulo, com absolutamente qualquer coisa podendo ser declarada arte, bastando ser exposta intencionalmente como tal por alguém que dê esse rótulo.

Offline Johnny Cash

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #119 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:10:56 »
Curioso você adotar o termo "arte conceitual" como, no que eu entendi, não englobando esculturas de alto nível técnico, peças de teatro elaboradas e demais. O que está aí dentro? Vômito na calçada entra nessa?

Ademais, não se preocupe, quem defende esse perigo de extinção do fotorrealismo decorre em declive escorregadio.

Arte conceitual é a manifestação artística em que o conceito é mais importante que o objeto. O Davi de Michelangelo não é arte conceitual, é arte formal, porque a arte é o objeto. Colocar o Davi de Michelangelo em outra galeria, em outro tempo, em outro país, etc. não altera seu significado, porque ele está contido no objeto. Agora pegar a "Fonte" de Duchamp, por exemplo, e colocá-la em outro contexto altera totalmente seu significado, então é arte conceitual.

Explicação típica para forçar a barra pra "acrescentar valor" onde há pouco.

Como medir a diferença de importância entre o "objeto" e o "conceito"? Porque em Davi a arte é o objeto?

O que diz isso é a intenção do autor. Daí a importância de tentar entender o contexto de cada obra.

Tem muita coisa então que se não for explicada pelo autor não é arte.

Não consigo concordar com isso, cara.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #120 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:23:05 »
É como um cadaver. Ele pode ser uma obra de arte. Como o fim ou meio de uma narrativa, de um suspense. Mas requer que o autor explique. Senão não é arte, apenas um cadáver.

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Offline Gaúcho

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #121 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:29:59 »
Parece aquelas discussões sobre ideologia. Tinha gente que defendia a tese de que qualquer opinião era uma ideologia, logo, não existiam pessoas livres de ideologias.

-"Eu acho morango melhor que melancia."
-"Ideologia!"
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline Johnny Cash

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #122 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:47:41 »
Só agora me atentei pra uma coisa, o Lakatos quer defender que discursos de avogados, belas demonstrações contábeis, chicote elétrico de carro e similares mundanices não são arte, enquanto uma caixa de papelão jogada no meio da calçada mas explicada por alguém como sendo "algo que propõe novas linguagens entre a aflição humana e a real introspecção global" é sim arte.

Pô, Lakatão.




Obra: A Aflição.
Discurso: A "caixa" deixada assim no meio da rua convida o transeunte a refletir sobre si mesmo, após indagar sua própria origem passa a se questionar "o que tem dentro da caixa?", levando a descobertas de novas linguagens e diálogos entre homem e papel, humano e natureza transformada por mãos desconhecidas, aflitas... Maçã.

Aplausos.
« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 13:50:02 por Johnny Cash »

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #123 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:50:46 »
O fato de as pessoas associarem arte a algo de valor não nos obriga a usar uma definição que englobe o sentido corrente.

Bem, a definição das palavras é meio que inerentemente o seu sentido, que tenderá a ser o corrente, ou não fugir tanto disso (embora ocorra, então se diz que a definição mudou com o sentido... a primeira o descreve).

Não, é o mesmo caso de dizer que algo não é confiável porque é "apenas uma teoria", utilizando o sentido popular e corrente de teoria como sendo uma conjectura, um palpite. Da mesma forma que a ciência não é obrigada a adequar sua terminologia ao sentido corrente dos termos, inventando outra palavra para designar o que chama de "teoria" no sentido formal, a arte também não é. Se as pessoas acham que arte é alguma coisa impressionante e maravilhosa, isso não obriga o campo artístico a adotar essa definição.

Offline Lakatos

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Re:Arte Contemporânea: dedada grupal no rabo
« Resposta #124 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 13:55:56 »
Só agora me atentei pra uma coisa, o Lakatos quer defender que discursos de avogados, belas demonstrações contábeis, chicote elétrico de carro e similares mundanices não são arte, enquanto uma caixa de papelão jogada no meio da calçada mas explicada por alguém como sendo "algo que propõe novas linguagens entre a aflição humana e a real introspecção global" é sim arte.

Pô, Lakatão.

Obra: A Aflição.
Discurso: A "caixa" deixada assim no meio da rua convida o transeunte a refletir sobre si mesmo, após indagar sua própria origem passa a se questionar "o que tem dentro da caixa?", levando a descobertas de novas linguagens e diálogos entre homem e papel, humano e natureza transformada por mãos desconhecidas, aflitas... Maçã.

Aplausos.

Eu poderia criar uma variação da sua fala dizendo:

"O Lakatos quer defender que uma estrutura extremamente imponente e bem construída como um Boeing 747, com uma tecnologia extremamente avançada e capaz de autonomia de voo de muitas horas, equipamentos de comunicação de última geração, envergadura de mais de 50 metros não é um automóvel enquanto um fusquinha enferrujado e de pneu murcho é.

Pô Lakatão"

 

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