Autor Tópico: Nós e as mídias sociais.  (Lida 2441 vezes)

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Offline Muad'Dib

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Nós e as mídias sociais.
« Online: 12 de Dezembro de 2017, 08:41:35 »
Estou abrindo este tópico para discussão sobre como a Internet (e principalmente as mídias sociais) estão moldando a nossa sociedade.

http://www.aljazeera.com/news/2017/12/growing-tide-fake-news-india-171210122732217.html

https://www.theguardian.com/technology/2017/dec/11/facebook-former-executive-ripping-society-apart


Minha opinião sobre a internet é que ela é a maior ferramenta já criada pelo homem, supera até a roda, porém ela surgiu de forma totalmente abrupta e antes que nós, como sociedade, desenvolvêssemos maturidade suficiente para lidar com ela. Somos crianças com martelos martelando tudo o que vemos pela frente.

O uso dos memes como arma política é algo absolutamente absurdo. Memes têm uma função linguística indiscutível, substituem com extrema competência gestos, entonação da voz, circunstâncias do discurso e etc, mas têm que ser usados juntamente com uma argumentação escrita para cumprirem seu papel. O uso de memes isolados para formar opinião de terceiros por agentes "políticos" é covarde e antidemocrático.

Os algoritmos seriam uma ferramenta fantástica se não fosse o fato de eles serem programados para despertar o pior de nós.

E ainda tem o Big data, que um forista aqui já postou um texto excelente, que eu não encontrei, onde mostra o quão sofisticado já é o uso dele. E o sofisticado é no melhor estilo pior forma possível.

Offline Lorentz

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #1 Online: 12 de Dezembro de 2017, 09:11:58 »
O uso dos memes como arma política é algo absolutamente absurdo. Memes têm uma função linguística indiscutível, substituem com extrema competência gestos, entonação da voz, circunstâncias do discurso e etc, mas têm que ser usados juntamente com uma argumentação escrita para cumprirem seu papel. O uso de memes isolados para formar opinião de terceiros por agentes "políticos" é covarde e antidemocrático.


Não confunda a tecnologia da Internet com serviços de rede social que fazem uso da tecnologia. A Internet está presente em lugares úteis que não vemos no dia-a-dia. Ela está unificando em banco de dados as pesquisas científicas com mais eficiência, barateando comunicação entre filiais de uma empresa, etc.
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

Offline Muad'Dib

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #2 Online: 12 de Dezembro de 2017, 09:41:56 »
O uso dos memes como arma política é algo absolutamente absurdo. Memes têm uma função linguística indiscutível, substituem com extrema competência gestos, entonação da voz, circunstâncias do discurso e etc, mas têm que ser usados juntamente com uma argumentação escrita para cumprirem seu papel. O uso de memes isolados para formar opinião de terceiros por agentes "políticos" é covarde e antidemocrático.


Não confunda a tecnologia da Internet com serviços de rede social que fazem uso da tecnologia. A Internet está presente em lugares úteis que não vemos no dia-a-dia. Ela está unificando em banco de dados as pesquisas científicas com mais eficiência, barateando comunicação entre filiais de uma empresa, etc.

É precisamente isto que eu estou dizendo. O uso que estamos fazendo da "ferramenta Internet" está ficando cada dia mais destrutivo. Está deixando de ser apenas os bobalhões fazendo bobices online para um comportamento generalizado aceito como normal e parte do dia a dia.



Offline Pedro Reis

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #4 Online: 12 de Dezembro de 2017, 15:41:12 »
Excelente tópico!

Uma pena que meu tempo anda exíguo pra postar minhas bobagens aqui, mas esse é um ponto que não vem recebendo ainda a devida atenção tanto da mídia quanto da pesquisa acadêmica.

Depois da explosão da internet comercial deu-se também um aumento assombroso de crimes como a exploração da pedofilia, fraudes bancárias e estelionatos. Esses tipos de problemas preocupam bastante a ponto de a maioria dos países já terem atualizado suas legislações e possuírem delegacias especializadas em crimes digitais.

Mas pouco se dá importância ao papel da internet como ferramenta de desinformação. Sim, de desinformação, porque estamos condicionados a acreditar que a internet é a maior e melhor ferramenta de informação já criada.

Porém ocorre que, juntamente com os crimes digitais, a explosão da internet incrementou exponencialmente os crentes em bobagens ridículas como criacionismo, neo-nazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde... uma lista infinda de absurdos que disseminadas pela internet rapidamente conquistam milhões de adeptos. E nada simboliza melhor esse capacidade nefasta de desinformar do que um movimento esdrúxulo congregando dezenas de milhões de patetas na crença em um mito já demonstrado falso desde a Antiguidade: a Terra plana.

A informática inaugurou a era da informação. A internet a era da desinformação.

Evidentemente esse poder não passou desapercebido dos agentes políticos e acredito que há muitos formadores de opinião bem conhecidos nas redes sociais que na verdade tenham sido estimulados e sejam patrocinados pelos interesses que representam.

Offline Zero

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #5 Online: 12 de Dezembro de 2017, 18:36:48 »
[...]Porém ocorre que, juntamente com os crimes digitais, a explosão da internet incrementou exponencialmente os crentes em bobagens ridículas como criacionismo, neo-nazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde... uma lista infinda de absurdos que disseminadas pela internet rapidamente conquistam milhões de adeptos. E nada simboliza melhor esse capacidade nefasta de desinformar do que um movimento esdrúxulo congregando dezenas de milhões de patetas na crença em um mito já demonstrado falso desde a Antiguidade: a Terra plana. [...]

Resumindo:
Citação de: Umberto Eco
“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calarem a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

Offline Muad'Dib

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #6 Online: 13 de Dezembro de 2017, 11:41:26 »
Excelente tópico!

Uma pena que meu tempo anda exíguo pra postar minhas bobagens aqui, mas esse é um ponto que não vem recebendo ainda a devida atenção tanto da mídia quanto da pesquisa acadêmica.

Depois da explosão da internet comercial deu-se também um aumento assombroso de crimes como a exploração da pedofilia, fraudes bancárias e estelionatos. Esses tipos de problemas preocupam bastante a ponto de a maioria dos países já terem atualizado suas legislações e possuírem delegacias especializadas em crimes digitais.

Mas pouco se dá importância ao papel da internet como ferramenta de desinformação. Sim, de desinformação, porque estamos condicionados a acreditar que a internet é a maior e melhor ferramenta de informação já criada.

Porém ocorre que, juntamente com os crimes digitais, a explosão da internet incrementou exponencialmente os crentes em bobagens ridículas como criacionismo, neo-nazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde... uma lista infinda de absurdos que disseminadas pela internet rapidamente conquistam milhões de adeptos. E nada simboliza melhor esse capacidade nefasta de desinformar do que um movimento esdrúxulo congregando dezenas de milhões de patetas na crença em um mito já demonstrado falso desde a Antiguidade: a Terra plana.

A informática inaugurou a era da informação. A internet a era da desinformação.

Evidentemente esse poder não passou desapercebido dos agentes políticos e acredito que há muitos formadores de opinião bem conhecidos nas redes sociais que na verdade tenham sido estimulados e sejam patrocinados pelos interesses que representam.

O irônico é que nós estamos com os dois pés na "Era da Informação"  e temos um exército enorme de pessoas sem a menor capacidade para lidar com informação. E o pior, elas têm certeza que estão 100% certas e que quem não pensa como elas esta errado.

O maior problema que estamos enfrentando, imagino eu, é a capacidade que grandes empresas como Google e Facebook têm de manipular essa incapacidade de lidar com informações que as pessoas têm. A criação das Echo Chambers, que no início deve ter sido um movimento natural das pessoas no meio virtual (contrariando as espectativas dos anos 90, que consideravam a Internet um meio de conectar pessoas com culturas e pensamentos diferentes), agora está sendo explorada por algoritmos de forma assustadoramente eficaz. E isso está sendo feito explorando a propensão que as pessoas têm para conflito e extremismo. Ao invés de um Partido Nacional-Socialista que englobe uma nação inteira, temos diversos grupinhos extremistas, um para cada gosto diferente.

[...]Porém ocorre que, juntamente com os crimes digitais, a explosão da internet incrementou exponencialmente os crentes em bobagens ridículas como criacionismo, neo-nazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde... uma lista infinda de absurdos que disseminadas pela internet rapidamente conquistam milhões de adeptos. E nada simboliza melhor esse capacidade nefasta de desinformar do que um movimento esdrúxulo congregando dezenas de milhões de patetas na crença em um mito já demonstrado falso desde a Antiguidade: a Terra plana. [...]

Resumindo:
Citação de: Umberto Eco
“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calarem a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

E o idiota da aldeia consegue aliciar idiotas mais mentecaptos que ele formando um grupo coeso.



Offline Zero

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #9 Online: 24 de Dezembro de 2017, 23:07:15 »
Trocamos a privacidade por praticidade.

De uma forma ou outra estamos sendo "espionados", tanto pelas empresas fornecedoras de serviços, quanto por organizações governamentais.

Ou pelo menos estávamos e parou, algo que duvido.


Offline Sdelareza

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #10 Online: 25 de Dezembro de 2017, 12:56:59 »
Cancelei há pouco tempo minha conta do facebook, pois cheguei a conclusão que é uma rede social
com 99% de conteúdo fútil ou besteira e que ela só emburrece as pessoas que a usam de forma assídua.

Uso o whatsapp para recado e só. Me cadastrei no quora pois ela parece ser bastante
instrutiva e com controle eficaz contra as bobagens mencionadas antes pelo Pedro Reis (criacionismo,
 neonazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma
 conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde). Se não for o caso,
avisam-me por favor.

Offline Sdelareza

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #11 Online: 25 de Dezembro de 2017, 13:02:33 »

De uma forma ou outra estamos sendo "espionados", tanto pelas empresas fornecedoras de serviços, quanto por organizações governamentais.


Use o navegador Tor. Ele te permite navegar de forma anônima na internet e sem ser rastreado.

Offline Zero

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #12 Online: 25 de Dezembro de 2017, 17:43:32 »
[...]
Me cadastrei no quora pois ela parece ser bastante instrutiva e com controle eficaz contra as bobagens mencionadas antes pelo Pedro Reis (criacionismo, neonazismo, negacionismo do holocausto, mudanças climáticas sendo um mito criado por uma conspiração qualquer, a não ida do homem à lua, vacinas são prejudiciais à saúde). Se não for o caso avisam-me por favor.

Em relação ao quora, como é? É como um yahoo respostas da vida, mas de forma organizada e "sem" bullshits?

Pessoalmente tento evitar redes sociais como Facebook, mas por vezes utilizo, tenho necessidade por tal. Também para passar o tempo dou uma olhada no yahoo respostas, é de indignar-se com tanta baboseira que se lê por lá, mas enfim.

Use o navegador Tor. Ele te permite navegar de forma anônima na internet e sem ser rastreado.
:ok:

Inclusive já usei o Tails Linux, mas pouco, apenas por curiosidade.

Até penso em trocar o google pelo duckduckgo, mas a precisão nos resultados é um empecilho.

Ou seja, novamente a comodidade prevalece sobre a privacidade, infelizmente.

Offline Sdelareza

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #13 Online: 25 de Dezembro de 2017, 18:38:30 »
Em relação ao quora, como é? É como um yahoo respostas da vida, mas de forma organizada e "sem" bullshits?

Sim, neste estilo. A diferença é que os usuários votam nas respostas. Assim, as melhores respostas (com mais votos) costumam aparecer no topo (e muitas vezes são especialistas ou conhecedores no assunto que respondem). Pelo que vi, as respostas do tipo besteira são relativamente raras.

Ela parece possuir um controle eficaz contra trolls e bagunceiros. Para se cadastrar, é preciso colocar seu verdadeiro perfil.

Não existe ainda uma versão em português.

Talvez volto no Facebook com um perfil somente profissional, pois pretendo me tornar autônomo. Mas isso somente em última necessidade.

E olha que o Quora foi fundado por dois ex-empregados do Facebook.


« Última modificação: 25 de Dezembro de 2017, 18:54:31 por Sdelareza »

Offline Zero

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #14 Online: 25 de Dezembro de 2017, 21:19:06 »
Interessante. Obrigado.


Offline EuSouOqueSou

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Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline Pedro Reis

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #17 Online: 02 de Janeiro de 2018, 00:33:41 »
Já percebi que estão usando este tópico para abordar vários aspectos negativos das mídias sociais. Não que as pessoas neguem o lado útil destas ferramentas, mas chamam atenção para usos que podem ser prejudiciais a sociedade ou a indivíduos.

Um nota como a internet é uma arma política ainda mais eficiente que a própria propaganda eleitoral conseguindo ser ainda mais superficial também. Rivaliza em efetividade até com a imprensa corporativa só que via de regra usando um padrão raso de discussão. Outro chama atenção para o atual grau da exposição de sua privacidade a que está sujeito o cidadão comum, outro alerta para os problemas relativos à segurança... e assim por diante.

Mas eu gostaria de trazer um outro ponto até para saber o que outros pensam: se é coisa da minha cabeça, se faz algum sentido ou se consideram esse tipo de especulação alguma coisa completamente sem noção.

Porque eu não tenho visto muita gente ( na verdade ninguém ) perceber um fenômeno ocorrendo nas mídias sociais que é cada vez mais nítido pra mim.

O surgimento do que poderia ser chamado de uma nova profissão para alguns, ou mero "bico" para muitos. Me refiro à pessoas que parecem estar ganhando para fazer proselitismo de ideias com as quais elas nem necessariamente se identificam.

Não quero discutir sobre pessoas divulgando suas crenças excêntricas, suas teorias tão revolucionárias quanto estapafúrdias, vomitando seus radicalismos políticos ou fazendo a pregação de seus preconceitos. Estes são apenas os 'idiotas da aldeia' já citados aqui, que de repente receberam mais voz do que jamais deveriam ter, e já são suficientemente percebidos e lamentados e por tal não despertam minha curiosidade. Em vez disso gostaria de discutir a possível existência de esquemas para arregimentar "funcionários" para atuarem como influenciadores de opinião nas redes sociais. E e estes cooptados poderiam ser desde pessoas carismáticas e bem articuladas que facilmente arrebanham muitos seguidores, assim como gente com formação técnica em determinada área, até o mais inesperado, que seriam pessoas comuns que de alguma forma estariam recebendo algum benefício para fazer coro nas redes sociais em prol de alguma coisa.

Financiar formadores de opinião não é novidade, isso sempre existiu. Desde o final da década de 50 existiu o IBAD, que já se sabia e hoje temos prova através de documentos oficiais liberados pela lei de informação dos EUA, que este instituto financiava ( com dinheiro de empresas nacionais e americanas ) políticos, jornalistas e órgãos de imprensa e trabalhou para criar a histeria anti-comunista pré golpe de 64.

Viu-se também, durante décadas, como a indústria do tabaco usou seu poder econômico para comprar não só políticos mas também porta-vozes empenhados em desacreditar estudos científicos que confirmavam o que todos sempre souberam: o fumo faz mal à saúde. Um médico chegou a escrever um volumoso livro defendendo os "benefícios de fumar". Por acaso Olavo de Carvalho foi e é um desses que usa todo o seu poder de ilusionismo retórico para convencer a sua manada de bovinos que não tem coisa melhor para uma vida longa e saudável do que entupir os próprios alvéolos pulmonares com muita nicotina.

E se estudarmos esse longo processo de luta pela conscientização dos males do tabagismo e as técnicas de contrapropaganda de desinformação utilizadas pela indústria, identificamos o exato mesmo "modus operandi" dos atuais negacionistas do aquecimento global.

Muitos também acham bastante evidente que publicações como a Carta Capital possui mais ligações com o finado governo petista do que simples afinidade ideológica. Assim como a Veja é sistematicamente tendenciosa. Recentemente o colunista Reinaldo Azevedo gravou um vídeo onde insinuava que sua atual desafeta Joice Hasselmann receberia dinheiro para promover o político Bolsonaro. Azevedo deve conhecer bem o seu "métier", pois logo depois um grampo vazado pela PF mostrou suas próprias relações promíscuas com a família de Aécio Neves, e nunca passou desapercebido que Reinaldo Azevedo se converteu em um critico ferino da Lavajato quando esta começou a ameaçar o próprio Aécio.

Acho que ninguém duvida que em uma democracia a Imprensa é livre. Livre inclusive para se vender.

Portanto seria improvável que grupos políticos, econômicos e religiosos ignorassem o poder da internet. Claro que divulgar e defender suas posições em qualquer mídia é perfeitamente legítimo. Mesmo quando estas posições não são tão legítimas o direito de expressa-las continua sendo. O que não é legal é fazer isso de forma desonesta.

Se um jornalista recebe (veladamente) dinheiro de um político para trabalhar a imagem desse político, então ele não está fazendo seu trabalho de jornalista e está enganando seus leitores. Nem é preciso dizer da desonestidade de um técnico ou pesquisador que, remunerado por grandes corporações, usa suas credenciais acadêmicas para desinformar o grande público.

Para mim é isso que parece estar acontecendo nas redes socais em proporções epidêmicas: mercenários ideológicos, pessoas que recebem algum tipo de vantagem para propagarem cinicamente qualquer absurdo. Discursam de acordo com uma pauta que lhes é dada mas estão perfeitamente conscientes de serem farsantes.

Contudo antes de desenvolver mais este assunto acho necessário especificar melhor sobre o quê e que tipo de pessoa imagino estar falando. Há muitos tipos de farsantes se aproveitando e obtendo vantagens pessoais com a oportunidade de atingir ( a um baixo custo ) milhões de incautos pela internet, mas não devemos confundi-los com os mercenários.

Vejamos alguns exemplos de picaretas que parasitam na internet mas não são mercenários a serviço da enganação de outros:

- Lair Ribeiro: charlatão, dublê de médico que há muito abandonou a Medicina pra ficar rico vendendo água alcalina milagrosa que cura qualquer doença.

- 7antigos7: Esse tipo já baixou nesse fórum, e também em outros similares. Alega que não precisa mais comer e se alimenta de luz, além de outras palhaçadas. Vive da venda de DVDs, livros e cursos onde ensina como dar o grande "salto quântico". Depois de criar vários tópicos e dizer muita bobagem edita as conversas e as publica em contas em suas mídias sociais com títulos chamativos como "CÉTICOS DO CC PULVERIZADOS EM DEBATE", "CÉTICOS HUMILHADOS"...

Bem, os vigaristas sempre existiram  mas estes são exemplos de estelionatários comuns. Pretendo demonstrar em posts subsequentes que parece haver atualmente verdadeiros esquemas para cooptar pessoas com poucos escrúpulos e que aceitam atuar como "caixas de ressonância" de ideias que nem são suas, e com as quais não necessariamente se identificam ou acreditam.

To be continued...

Offline Muad'Dib

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #18 Online: 02 de Janeiro de 2018, 08:19:45 »
Fala, Pedro Reis...

Você está focando mais nos nomes mais famosos que estão (aparentemente  ::)) vendendo as opiniões, certo? É uma prostituição da profissão do jornalismo. O complicado é que pode-se somente lançar dúvidas sobre se a Carta Capital ou a Joice Hasselmann vendem as próprias opiniões pessoais para quem pagar melhor, mas se tentar discutir com quem "consome" (os leitores da Carta Capital, por exemplo) esse tipo de mercantilísmo, é algo impossível de se argumentar.

Eu iria até mais além dessas figuras notáveis. Eu diria que muitos dos "polêmicos" do youtuber (aquele metaleiro conservador, por exemplo), facebook e twitter, realmente não acreditam no que pregam. Acho que são pessoas desesperadas por fama e dinheiro que encontram nas adeias absurdas um atalho para seus objetivos. Esse povo está fazendo um estrago no debate.

Os seguidores desses cidadãos também não acreditam muito no que eles fazem e estão lá somente porque acham que é divertido o joguinho de "polícia e ladrão" que é a dicotomia esquerda X direita, conservadores X progressistas, religiosos X ateus... Ninguém tá lá porque está defendendo uma opinião pessoal que realmente acredita, estão lá para o jogo. Não são mais sofisticados do que os idiotas que brigam em estádio.

E o debate é realmente o mais raso possível. O raso cumpre seu papel no jogo. Não dá para debater, por exemplo, com o metaleiro do Youtube, o discurso dele é irrefutável (aos olhos de seus seguidores, que é o que interessa para ele). No Antologia II do Asimov, ele cita um lider Democrata populista que tinha o discurso que se assemelhava a um determinado rio de lá, "... dois quilômetros de largura e 30 centímetros de profundidade." Esse tipo de coisa vem desde sempre. A diferença que hoje a situação fugiu da mão de alguns líderes com o dom da oratória e se disseminou para qualquer um.

Acho que os nomes grandes que você citou, já tinham o seu mercado aberto esperando por compradores. Mas acho também que os que estão "fazendo seu nome" agora são os que mais estragos estão produzindo.

Mas isso é tudo achismo. No fim das contas eu posso argumentar dois anos seguidos sobre o oportunismo desses infelizes, mas nunca vai ser suficiente para fazer seus seguidores verem eles pelo que são.

Offline Pedro Reis

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #19 Online: 02 de Janeiro de 2018, 09:38:48 »
Fala, Pedro Reis...


Eu iria até mais além dessas figuras notáveis. Eu diria que muitos dos "polêmicos" do youtuber (aquele metaleiro conservador, por exemplo), facebook e twitter, realmente não acreditam no que pregam. Acho que são pessoas desesperadas por fama e dinheiro que encontram nas adeias absurdas um atalho para seus objetivos.


Mas é nestes tipos que eu queria chegar. Joice e Reinaldo Azevedo são jornalistas, e jornalistas sempre fizeram isso. Não todos, é claro, mas sempre existiu a imprensa marrom e a imprensa vendida.

Os "Nando Mouras" é que são a novidade.

Olha, esse cara tem todo o discurso do segmento da direita conservadora norte-americana. Ponto por ponto, vírgula por vírgula. O que é um tanto estranho porque eu posso ter muita afinidade com alguém, mas até em um casamento não há marido e mulher que concordem em tudo um com outro. É como se ele não tivesse opinião própria, um papagaio repetindo um discurso pré-fabricado.

Veja, não é só em política, o que seria natural: ora, se ele é um conservador de direita é natural que ele concorde com discursos de outros conservadores de direita assim como um marxista tende a concordar com Marx. Mas os temas que ele aborda são todos da pauta de um determinado segmento muito bem incrustado no Partido Republicano americano. Entre eles sionistas, fundamentalistas cristãos, negacionistas climáticos... E entre os fundamentalistas cristãos americanos está surgindo uma vertente que faz pregação anti-ciência,  que parece empenhado em desacreditar a Ciência perante o público leigo.

Bom, quem acompanha o Nando Moura já percebeu que o seu canal está se convertendo em um canal anti-Ciência, e até canais de terraplanistas ele cita e recomenda. E praticamente virou a segunda casa daquele Ricardo Felício, professor da USP vigarista que dá palestras com o tema da "conspiração do aquecimento global".

Mas eu creio que o buraco aí seja muito mais fundo e vá além de gente como o Nando Moura, mas isso eu vou desenvolver mais tarde. Por enquanto, como você citou o Dando Boura, eu coloco uma questão:

Pelo que pesquisei, o YT paga cerca de $3 por mil visualizações. É uma média. Ou seja, para faturar 3 mil dólares por mês ( o que seria uma boa grana ) seriam necessárias 1 milhão de visualizações mensais.

Raríssimos canais atingem isso. Logo, de uma maneira geral, um canal no YT não dá grana, mesmo pra alguém como o Nando. Então fica a dúvida sobre o quê realmente motiva certas pessoas a dispenderem tanto tempo e trabalho gravando e postando vídeos no Youtube.

Mas acredito que exista muito mais caroço nesse angu. Com mais tempo depois eu trarei mais informações sobre essa questão.

Offline Geotecton

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #20 Online: 02 de Janeiro de 2018, 10:57:26 »
[...]
Mas isso é tudo achismo. No fim das contas eu posso argumentar dois anos seguidos sobre o oportunismo desses infelizes, mas nunca vai ser suficiente para fazer seus seguidores verem eles pelo que são.

Mesmo que não fosse "achismo", isto é, ainda que as afirmações fossem sustentadas por várias evidências consistentes, a imensa maioria das pessoas que seguem estas 'iminências pardas' não mudariam as suas 'opiniões' porque o que as movem é uma espécie de mistura de fé e fanatismo.
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Offline Gauss

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #21 Online: 02 de Janeiro de 2018, 18:40:24 »
[...]

Bom, quem acompanha o Nando Moura já percebeu que o seu canal está se convertendo em um canal anti-Ciência, e até canais de terraplanistas ele cita e recomenda. E praticamente virou a segunda casa daquele Ricardo Felício, professor da USP vigarista que dá palestras com o tema da "conspiração do aquecimento global".

[...]
O engraçado do movimento anti-ciência no Brasil, é que não é um movimento que incorpora apenas a anti-ciência de direta, mas sim, faz um sincretismo com os movimentos anti-ciência de esquerda e de direta norte-americanos, como o movimento anti-vacina (mais alinhado à esquerda) e anti-evolução (mais alinhado à direta). É comum vermos negacionistas que são contra a vacina e evolução ao mesmo tempo no Brasil.
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline Pedro Reis

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #22 Online: 03 de Janeiro de 2018, 00:01:37 »
Fala, Pedro Reis...

Você está focando mais nos nomes mais famosos que estão (aparentemente  ::)) vendendo as opiniões, certo?

Não, não estava focando em nomes conhecidos da imprensa. Porque esse tipo de coisa não me surpreende. Ora, jornalista se vendendo? Se advogados, juízes, juiz do supremo, policiais, políticos, fiscal de ICMS, etc, todos se vendem, por que só a classe dos jornalistas seria formada por santos?

Talvez muitos não saibam quem é realmente Joice Hasselmann, mas foi processada no Paraná por ter plagiado dezenas de matérias. Está impedida de ingressar no sindicato de jornalistas daquele estado, porém seus fãs alegam que foi perseguição por críticas ao governador. Só que a própria admitiu que os textos eram copiados no entanto pôs a culpa em assessores.

http://www.sindijorpr.org.br/noticias/6066/conselho-de-etica-comprova-plagio-praticado-pela-jornalista-joice-hasselmann

E a Veja dá emprego a uma profissional com essa folha corrida, quando hoje se dá dois cliques no mouse e se levanta tudo sobre qualquer um. Essa revista também não é séria.

Mas retomando o fio da meada sobre as redes sociais...

Pode haver muitas razões para alguém ser bastante ativo em redes sociais: desde mero passatempo até ativismo político, ou ecológico, religioso, ou ativismo de qualquer natureza... Há também pessoas que caíram no ostracismo e manifestam opiniões polêmicas na internet com o intuito de voltarem à mídia. Há os que querem alavancar uma carreira, seja de humorista, de ator, de músico, e encontram nas redes sociais uma possibilidade de vitrine. Também dá para se ganhar dinheiro com isso porque um vlogger bem sucedido como a Kéfera ou Felipe Neto chega a ficar rico. Não diretamente com a monetização de views, mas com "merchan", lançando livros, etc... Principalmente com "merchan": já li que a Kéfera fatura mais que qualquer atriz global. Mas pra muitos com nível de renda baixo a própria monetização de views já vale a pena. E mesmo para quem tem uma expectativa de renda maior a rentabilidade direta de um canal muito popular pode compensar o trabalho. Contudo tem que ser muito popular mesmo, na casa das milhões de visualizações por mês.

Enfim, há muitas diferentes explicações para diferentes pessoas gastarem boa parte do seu tempo e energia com YT, com Facebook, twitter, etc... Porém o que me intriga são aquelas pessoas para as quais não se consegue encaixar nenhuma explicação!

Às vezes você vê ali um sujeito que está se prejudicando socialmente, e até profissionalmente, e nem dinheiro pode estar ganhando ao se expor dessa maneira. Pelo contrário, ao se denegrir como profissional ele só está se complicando. Poderia ser um ativista de qualquer causa, um fanático para quem não importa qualquer sacrifício? Não quando você tem prova de que o cara está mentindo deliberadamente, quando ele sabe melhor que qualquer um que tudo que tá dizendo é besteira. Seria então alguém que simplesmente ficou maluco? Não porque ele é muito articulado e tenta iludir seu público alvo com o máximo de habilidade.

Examinemos o caso do cidadão que aparece no vídeo abaixo:

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Afonso Emidio de Vasconcelos Lopes foi professor da USP, aluno brilhante formado em Geofísica pela USP e Doutor em Geofísica. Tem currículo na plataforma Lattes e atua como consultor... bom, dá uma olhada no currículo do cara:

Citar
Bacharel e Doutor em Geofísica pela Universidade de São Paulo, atuou três anos como professor doutor autárquico DR-3 da Universidade de São Paulo junto ao Grupo de Sismologia, é conselheiro de pesquisa de empresas start-up, e acionista/pesquisador da empresa VERACRUZ, onde desenvolve novos métodos de estudos ambientais. Tem experiência em avaliação de risco sísmico para grandes obras, com mais de 10 trabalhos executados dentro e fora do país, monitoramento sismográfico para estudo de atividade sísmica natural e induzida por reservatórios, sísmica passiva, desenvolvimento de softwares de inteligência artificial, com destaque na utilização de algoritmos genéticos, e modelagens matemáticas aplicadas ao meio ambiente.

Existe 1 chance em 10 trilhões desse cara sequer considerar a hipótese de que vive em uma Terra plana coberta por uma cúpula de vidro??!!

É impossível, e como ele não parece estar acometido de nenhum surto psicótico tem que haver alguma explicação razoável para isso que você está vendo. E se formos obrigados a descartar todas as explicações simples como impossibilidades então o razoável, o correto uso da razão, nos direciona a investigar possíveis outras motivações que a princípio não consideraríamos.

Tirando por uma média os vídeos dele tem cerca de 25 mil visualizações. Postar uns 4 por semana deve lhe tomar um bom tempo e mesmo assim não dá pra ganhar dinheiro. Para quem vive de salário mínimo poderia ser bom, mas para alguém com o perfil sócio econômico dele não faz sentido.

Em relativo pouco tempo de vida esse canal já "upou" 229 vídeos, o que é próximo da produtividade de youtubers profisionais.

E embora ele possa parecer um herói a milhares de analfabetos, em seu próprio meio social e profissional deve ser muito embaraçoso se expor a tamanho ridículo. Não é só afirmar que a Terra é plana, o canal "Ciência de Verdade" tem como proposta desacreditar a Ciência, induzir quem assiste aos vídeos a pensar que uma conspiração de materialistas satanistas se apropriou do discurso científico com a única finalidade de afastar o Homem de Deus e do verdadeiro conhecimento que nos foi revelado nas escrituras sagradas. A Terra ser plana é até pouco perto de outras sandices que ele já delirou.

Evidentemente também não ajuda na sua carreira profissional. Há um bom campo para geofísicos que podem atuar no levantamento de impactos ambientais, prospecção de recursos minerais, estudos de estabilidade do solo em obras de grande e médio porte, e principalmente nas empresas petrolíferas. Mas dizer que a Terra tem 6 mil anos é o maior atestado de incompetência que alguém poderia dar nessa área.

Então qualé a desse cara se ele não é maluco, se não estiver faturando com isso, se não é um fanático religioso que acredita no que prega, se está passando vergonha e ainda por cima tendo trabalho e desperdiçando seu tempo administrando o canal?

Como você explicaria?

Offline Muad'Dib

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Re:Nós e as mídias sociais.
« Resposta #23 Online: 03 de Janeiro de 2018, 06:27:54 »
Não tentaria explicar.

Eu já tinha aberto vídeos desse cara, mas nem tinha terminado de ver. Eu achava que era um completo idiota. Foi uma surpresa ver que não é exatamente o zé-mané que eu imaginava.

É difícil até imaginar quem seria as figuras que têm interesse em financiar um canal desse. Eu não descarto a hipótese de ser uma pessoa totalmente solitária buscando atenção de forma perniciosa na internet.


 

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