Autor Tópico: STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional  (Lida 450 vezes)

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Offline Geotecton

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STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Online: 27 de Setembro de 2017, 21:06:57 »
STF decide que ensino religioso em escolas públicas pode promover crenças específicas

Corte julgou improcedente ação que defendia que disciplinas dessa natureza não tivessem vínculo com nenhuma religião em especial

BRASÍLIA e RIO - Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, 27, que o ensino religioso ministrado em escolas públicas pode promover crenças específicas.

Depois de quatro sessões dedicadas ao tema, a Corte concluiu o julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2010 que questionava  um acordo firmado entre Brasil e Vaticano em 2008. O decreto em questão, assinado pelo então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, promulga um acordo entre Brasil e o Vaticano, que afirma que o “ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas” constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Na avaliação da PGR, a redação evidencia a adoção de um ensino confessional, ou seja, com vinculação a certas religiões.

A maioria dos ministros seguiu o voto do ministro Alexandre de Moraes e defendeu a possibilidade de que o ensino religioso seja confessional, ou seja, vinculado a religiões específicas. Os seis magistrados entenderam, ainda, que o ensino religioso deve ser facultativo.

Além de Moraes, votaram a favor da possibilidade de o ensino religioso ser vinculado a religiões específicas - os ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e a presidente do STF, Cármen Lúcia.

O relator da ação, ministro Luís Robeto Barroso, teve sua posição derrotada em plenário. Para ele, somente o modelo não confessional (sem vínculo a religião específica) de ensino religioso seria compatível com o princípio de um Estado laico. Nessa modalidade, explicou o ministro, a disciplina consiste na exposição neutra e objetiva de doutrinas, práticas, aspectos históricos e dimensões sociais das diferentes religiões. Concordaram com o ele os ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Luiz Fux e Rosa Weber.


Votos divergentes

Na sessão plenária de 31 de agosto, Moraes abriu a divergência ao defender o ensino confessional. "A meu ver, não se pode substituir os dogmas da fé do ensino religioso por algo descritivo, narrativo. Você não está ensinando religiosamente aquele que se inscreveu numa determinada fé se você descreve dessa, daquela ou da outra. Isso pode ser inclusive dado como história das religiões, mas não é ensino religioso", comentou.

"O ensino religioso é um direito público subjetivo. O oferecimento de ensino confessional será permitido aos alunos que expressem voluntariamente, se matriculem, para que possam exercer na plenitude o seu direito subjetivo ao ensino religioso, desde que queiram", prosseguiu.


O ministro Edson Fachin acompanhou o entendimento de Moraes durante o julgamento.

Em sessão de 21 de setembro, o ministro Dias Toffoli seguiu os colegas. "O Estado brasileiro não é inimigo da fé. A separação entre Estado brasileiro e a igreja não é uma separação absoluta", disse, na ocasião.

Gilmar Mendes pontuou que  a história do Estado brasileiro está fortemente marcada pela influência cristã, uma herança religiosa que se reflete inclusive nos feriados nacionais. "Neutralidade não é o mesmo que indiferença. E ainda que o Estado seja laico, a religião foi e continua sendo importante para a própria formação de diversas sociedades, e claro da sociedade brasileira, da sua cultura", argumentou Gilmar Mendes.

Para o ministro Ricardo Lewandowski, o ensino religioso confessional colabora para a construção de uma cultura de paz e tolerância.  "A laicidade não implica descaso estatal para com a religião. Autorizar o ensino confessional em nada ofende o dever de neutralidade do Estado, ainda que algumas confissões podem ser predominantes", ressaltou Lewandowski.

O voto da ministra Cármen Lúcia, a quem coube desempatar a votação nesta quarta, definiu o resultado. “Não vejo como se opor à laicidade a opção do legislador e não vejo contrariedade aqui que pudesse me levar a considerar inconstitucionais as normas questionadas”, disse a presidente do STF. “Não vejo submissão do Estado à submissão de religião na norma. A pluralidade de crenças, a tolerância – que é princípio da Constituição Federal – combina-se com os dispositivos aqui atacados. Pode-se ter conteúdo confessional em matérias não obrigatórias nas escolas”, concluiu a ministra.


Questão

Na avaliação de Barroso, somente o modelo não confessional de ensino religioso nas escolas públicas é compatível com o princípio de um Estado laico. Nessa modalidade, explicou o ministro, a disciplina consiste na exposição neutra e objetiva de doutrinas, práticas, aspectos históricos e dimensões sociais das diferentes religiões.

A ministra Rosa Weber condordou com o relator. "Religião e fé dizem respeito ao domínio privado, e não público. Neutro há de ser o Estado", afirmou a ministra.

Luiz Fux segiu ne mesma linha. "A confessionalidade do ensino público ultraja de forma bifronte a liberdade individual religiosa e a igualdade ao impor uma pré-concepção religiosa, o que implica inequivocamente no vedado proselitismo",disse o ministro.

Para Celso de Mello, a fé é questão essencialmente privada no Estado laico. “A laicidade do Estado envolve a pretensão republicana de delimitar espaços próprios e inconfundíveis para o poder político e a fé. O Estado laico não pode nem pode ter preferências de ordem confessional e não pode portanto interferir na esfera das escolhas religiosas. O Estado não tem nem pode ter interesses confessionais”, sustentou Celso de Mello.

“Ninguém pode ser coagido a fazer parte de associação religiosa. Ninguém pode ser perguntado, indagado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, nem ser prejudicado por se recusar a responder. Ninguém é obrigado a indicar sua religião. Ninguém pode ser obrigado a prestar juramento religioso. Nesta República laica, o direito não se submete à religião”, frisou Celso de Mello.

Na avaliação de Marco Aurélio Mello, a garantia do Estado laico impede que dogmas da fé determinem o conteúdo de atos estatais. “Concepções morais religiosas, quer unânimes, quer majoritárias, quer minoritárias, não podem guiar as decisões do Estado, devendo ficar circunscritas à esfera privada. A crença religiosa e espiritual – ou a falta dela, o ateísmo – serve precipuamente para ditar a conduta e a vida privada do cidadão que a possui ou não a possui. Paixões religiosas de toda ordem hão de ser colocadas à parte na condução do Estado”, disse Marco Aurélio Mello na sessão desta quarta-feira.

“É tempo de atentar para o lugar da religião na sociedade brasileira. Esta, embora aspecto relevante da comunidade, digno de tutela na Constituição Federal, desenvolve-se no seio privado, no lar, na intimidade, nas escolas particulares. Nas públicas, espaço promovido pelo Estado para convívio democrático das diversas visões de mundo, deve prevalecer a ampla liberdade de pensamento, sem o direcionamento estatal a qualquer credo”, completou Marco Aurélio Mello.


Rio de Janeiro

Duas horas após a decisão do STF, o Estado do Rio informou, em nota, que não pretende mudar sua oferta de ensino religioso nas escolas públicas de educação básica de modo não confessional e facultativo. Hoje, 195 mil estudantes da rede fluminense cursam, por opção, a disciplina religiosa.

A nota do governo fluminense informou que, a despeito do decreto 31.086, de 2002, que regulamentou o ensino religioso de forma confessional até o ensino médio, vem mantendo as aulas não confessionais.

"A Secretaria de Estado de Educação tem orientado as escolas da rede estadual que o ensino religioso faz parte do processo educativo e deve congregar valores à formação dos estudantes, incentivando o diálogo, promovendo a reflexão sobre a religiosidade de cada um e valorizando a diversidade cultural e religiosa, viabilizando na escola pública o exercício da tolerância e o respeito", explicou o comunicado.


Fonte.
« Última modificação: 27 de Setembro de 2017, 21:11:10 por Geotecton »
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Offline Geotecton

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #1 Online: 27 de Setembro de 2017, 21:09:37 »
Minha opinião: O STF cometeu um erro crasso porque os adeptos do cristianismo vão impor, agora com base legal, a sua 'visão de mundo' para as crianças das escolas públicas com idade entre 06 a 14 anos.
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Offline Gauss

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #2 Online: 27 de Setembro de 2017, 22:50:23 »
Não sei se vocês têm observado as posições do ministro Barroso nos últimos tempos. Muito coerentes, há quem diga que ele parece ser o liberal mais poderosos do  Brasil nos últimos tempos.


Basicamente, o Brasil é uma federação que é um estado unitário, um estado laico que é confessional, uma democracia que não é democracia...
“A matemática é a rainha das ciências.”
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Offline André Luiz

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #3 Online: 27 de Setembro de 2017, 23:17:28 »
É o fim.


Offline El Elyon

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #4 Online: 30 de Setembro de 2017, 01:31:23 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.
"As long as the Colossus stands, Rome will stand, when the Colossus falls, Rome will also fall, when Rome falls, so falls the world."

São Beda.

Offline Pedro Reis

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #5 Online: 30 de Setembro de 2017, 04:46:32 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.

Que maluquice. Respeito muito seus comentários mas acho que você não entende o que é democracia.

Por estes seus critérios a Alemanha nazista teria sido uma democracia plena, já que a população em peso apoiou Hitler, suas políticas e sua guerra.

Mas democracia implica em liberdade, respeito às minorias e o direito e a liberdade de ser minoria e dessa minoria se expressar, ainda que essa liberdade contrarie e desgoste a maioria. Portanto democracia é indissociável de Estado laico. Por princípio e por definição, um Estado democrático não pode assumir oficialmente uma determinada religião, ou mesmo, como sub-repticiamente sucede agora, assumir que religião é uma verdade que pode e deve ser ensinada.

Faço uma pergunta: se a maioria desejar a castração química de homossexuais e lobotomia de esquizofrênicos, o democrático seria submeter estas minorias a estes procedimentos?

Por favor, não confunda democracia com ditadura da maioria. Ditadura da maioria é a do proletariado.

Em tese, porque na prática acaba sendo só a ditadura de quem marioneta a maioria.

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Outra questão: porque o tópico está na seção Ciência, tecnologia e saúde?

É porque ensino público religioso faz mal à saúde pública? Até que faz sentido.

 

Offline Geotecton

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #6 Online: 30 de Setembro de 2017, 08:50:58 »
[...]
Outra questão: porque o tópico está na seção Ciência, tecnologia e saúde?

É porque ensino público religioso faz mal à saúde pública? Até que faz sentido.

Foi um erro meu.
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Offline JJ

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #7 Online: 30 de Setembro de 2017, 09:28:46 »
Minha opinião: O STF cometeu um erro crasso porque os adeptos do cristianismo vão impor, agora com base legal, a sua 'visão de mundo' para as crianças das escolas públicas com idade entre 06 a 14 anos.


Mas as aulas serão facultativas, então como impor sobre os alunos ?



Offline JJ

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #8 Online: 30 de Setembro de 2017, 09:30:10 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.


Eu julgo que foi uma boa decisão. Lembrando que as aulas serão facultativas.  Então, assistirá quem quiser.



Offline El Elyon

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #9 Online: 30 de Setembro de 2017, 12:35:21 »
Citação de: Pedro Reis
Que maluquice. Respeito muito seus comentários mas acho que você não entende o que é democracia.

Ao contrário - você que está assumindo que ao me referir ao termo "Democracia  reflita o que a população deseja", eu esteja usando ele como sinônimo para Democracia Universalista/Liberal/Secular/Multicultural - Não estou.

Citação de: Pedro Reis
Mas democracia implica em liberdade, respeito às minorias e o direito e a liberdade de ser minoria e dessa minoria se expressar, ainda que essa liberdade contrarie e desgoste a maioria. Portanto democracia é indissociável de Estado laico. Por princípio e por definição, um Estado democrático não pode assumir oficialmente uma determinada religião, ou mesmo, como sub-repticiamente sucede agora, assumir que religião é uma verdade que pode e deve ser ensinada.

Nope, não implica - caso contrário você teria que ignorar todos os governos que eram democráticos/republicanos antes da "Era dos Direitos Civis'. Democracia se refere apenas e apenas ao método em que é realizada a escolha(s) de governante a partir de um conjunto de candidatos prévios, em um processo relativamente limpo e consensual e de como a população pode dar inputs (aprovar e rejeitar) o que os governantes escolhidos fazem.

E sim, uma nação democrática pode perfeitamente ter uma religião como verdadeira/preferencial/nacional - é que nações como Argentina, Inglaterra, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Islândia e Israel fazem, e raramente vejo secularistas acusando-nas de serem "Antidemocráticas".

Citação de: Pedro Reis
Faço uma pergunta: se a maioria desejar a castração química de homossexuais e lobotomia de esquizofrênicos, o democrático seria submeter estas minorias a estes procedimentos?

Se for realizado um plebiscito quanto a isso? Sim, seria. De onde tirou que Democracia é necessariamente algo Bom? :)

Citação de: Pedro Reis
Por favor, não confunda democracia com ditadura da maioria. Ditadura da maioria é a do proletariado.

Não estou. Entretanto, é bom ser consistente com crenças democráticas e reconhecer que em um processo democrático, o critério de seleção é a maioria. Não é sobre verdade, consistência, razoabilidade ou outro critério - é sobre popularidade.
« Última modificação: 30 de Setembro de 2017, 12:49:54 por El Elyon »
"As long as the Colossus stands, Rome will stand, when the Colossus falls, Rome will also fall, when Rome falls, so falls the world."

São Beda.

Offline EuSouOqueSou

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #10 Online: 30 de Setembro de 2017, 12:46:54 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.


Eu julgo que foi uma boa decisão. Lembrando que as aulas serão facultativas.  Então, assistirá quem quiser.

"Mãe, o povo da escola fica implicando comigo pq eu não assisto aula de jesuis. Me muda de escola mãe, por favor"  :'( :chorao:
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline homemcinza

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #11 Online: 30 de Setembro de 2017, 12:50:20 »
Porque eu deveria ficar feliz com isso?

Lugar de catequese é nas Igrejas e ponto final.

Essa coisa de facultativo é balela. Como se criancinhas tivessem o poder de decisão. Se tiver aula de religião e a professora disser que elas devem participar, elas participarão. Além do que dificilmente terá aula de proselitismo umbandista, espiritoide, ou islamico. O que vai haver é a velha xaropada de Jesus é o salvador.

Na prática, já dei aulas onde a diretora anda com Biblia debaixo do braço. Em algumas salas haviam algumas mini biblias dos TJ, outras salas tinham aqueles livrinhos infantis com historias de jesus, além de toalhas de mesa na biblioteca com salmos da Biblia.

Offline Skeptikós

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #12 Online: 30 de Setembro de 2017, 14:29:13 »
Citação de: Pedro Reis
Que maluquice. Respeito muito seus comentários mas acho que você não entende o que é democracia.

Ao contrário - você que está assumindo que ao me referir ao termo "Democracia  reflita o que a população deseja", eu esteja usando ele como sinônimo para Democracia Universalista/Liberal/Secular/Multicultural - Não estou.

Citação de: Pedro Reis
Mas democracia implica em liberdade, respeito às minorias e o direito e a liberdade de ser minoria e dessa minoria se expressar, ainda que essa liberdade contrarie e desgoste a maioria. Portanto democracia é indissociável de Estado laico. Por princípio e por definição, um Estado democrático não pode assumir oficialmente uma determinada religião, ou mesmo, como sub-repticiamente sucede agora, assumir que religião é uma verdade que pode e deve ser ensinada.

Nope, não implica - caso contrário você teria que ignorar todos os governos que eram democráticos/republicanos antes da "Era dos Direitos Civis'. Democracia se refere apenas e apenas ao método em que é realizada a escolha(s) de governante a partir de um conjunto de candidatos prévios, em um processo relativamente limpo e consensual e de como a população pode dar inputs (aprovar e rejeitar) o que os governantes escolhidos fazem.

E sim, uma nação democrática pode perfeitamente ter uma religião como verdadeira/preferencial/nacional - é que nações como Argentina, Inglaterra, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Islândia e Israel fazem, e raramente vejo secularistas acusando-nas de serem "Antidemocráticas".

Citação de: Pedro Reis
Faço uma pergunta: se a maioria desejar a castração química de homossexuais e lobotomia de esquizofrênicos, o democrático seria submeter estas minorias a estes procedimentos?

Se for realizado um plebiscito quanto a isso? Sim, seria. De onde tirou que Democracia é necessariamente algo Bom? :)

Citação de: Pedro Reis
Por favor, não confunda democracia com ditadura da maioria. Ditadura da maioria é a do proletariado.

Não estou. Entretanto, é bom ser consistente com crenças democráticas e reconhecer que em um processo democrático, o critério de seleção é a maioria. Não é sobre verdade, consistência, razoabilidade ou outro critério - é sobre popularidade.
Apesar de preferir o ensino não confessional por acreditar que sua contribuição para a sociedade seria muito mais rica do que o ensino confessional quanto a tolerância religiosa e ao conhecimento filosófico, antropológico e social das mais diversas posições religiosas existentes, também não vejo (grandes) problemas no ensino confessional da forma como foi aprovado, sendo facultativo, de forma que ninguém sera obrigado a assistir as aulas caso não queira ou não concorde com o a forma como a aula é ministrada. Acho a comparação com regimes totalitaristas, como o nazismo, disparatadas. Uma coisa não tem qualquer relação com a outra. Nestes regimes a liberdade religiosa simplesmente não existia e qualquer divergência ao governo ou aos ideais governistas era reprimida com violência, diferentemente da decisão do STF que não altera em nada a liberdade religiosa no país. Se você tem uma escola e decida que o ensino religioso seja ministrado por um professor que ensine o budismo de maneira confessional, ou o islamismo, ou judaísmo ou até mesmo o ateísmo militante, você será livre para isso e os alunos e seus pais livres para escolherem se devem ou não assistir a essas aulas.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #13 Online: 30 de Setembro de 2017, 14:32:04 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.


Eu julgo que foi uma boa decisão. Lembrando que as aulas serão facultativas.  Então, assistirá quem quiser.

"Mãe, o povo da escola fica implicando comigo pq eu não assisto aula de jesuis. Me muda de escola mãe, por favor"  :'( :chorao:
A maioria dos alunos que decidiram não assistir a aula serão cristãos, essa é a minha aposta, pois estatisticamente é mais provável que seja assim que aconteça, já que a maioria dos alunos são cristãos e boa parte dos alunos não perdem uma oportunidade de matar aula, principalmente quando não se é punido por isso (ainda mais se o ensino religioso acontecer no último horário).
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Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Skeptikós

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #14 Online: 30 de Setembro de 2017, 14:35:19 »
Eu diria que qualquer pessoa que tem simpatias que uma Democracia reflita o que a população deseja, ao invés de imposições de elite baseadas em critérios não-compartilhados pela população, deveria ficar moderadamente satisfeito com a decisão que o STF tomou.


Eu julgo que foi uma boa decisão. Lembrando que as aulas serão facultativas.  Então, assistirá quem quiser.
Deve ter pesado o fato também da economia, o governo praticamente não precisara gastar com salários ou materiais de ensino, já que da forma como a aula é ministrada atualmente, boa parte das aulas é mantida por instituições religiosa e voluntários. Se o ensino não confessional fosse aprovado, teria que se contratar profissionais mais qualificados, como estudiosos de religião comparada, antropologia da religião ou filosofia da religião.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
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Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Fernando Silva

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #15 Online: 01 de Outubro de 2017, 13:23:58 »
Em breve numa escola perto de você:
"Crianças, abram o livro de ciências no capítulo 5, versículo 81".

Offline _Juca_

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #16 Online: 02 de Outubro de 2017, 17:51:07 »
Em breve numa escola perto de você:
"Crianças, abram o livro de ciências no capítulo 5, versículo 81".

E qual a novidade, eu tinha isso quando criança. |(

Offline Fernando Silva

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #17 Online: 03 de Outubro de 2017, 08:00:31 »
Em breve numa escola perto de você:
"Crianças, abram o livro de ciências no capítulo 5, versículo 81".
E qual a novidade, eu tinha isso quando criança. |(
Estudei num colégio católico, com aulas de religião e missa obrigatória uma vez por mês, mas nunca houve interferência nas aulas de ciência.

Offline El Elyon

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #18 Online: 05 de Outubro de 2017, 02:36:51 »
Citação de: Fernando Silva
Estudei num colégio católico, com aulas de religião e missa obrigatória uma vez por mês, mas nunca houve interferência nas aulas de ciência.

Eu também sou fruto da educação católica, só que a ida a missas era algo opcional para alunos não-católicos (havia alguns protestantes, ateus e mesmo um muçulmano) e as aulas de Religião eram mais "genericamente cristãs" do que católicas (se minha memória não está enganada, um dos professores foi um ex-hippie que deu aulas sobre outras perspectivas religiosas sobre os Patriarcas e Jesus) e mesmo as aulas de História eram ministradas por uma perspectiva bastante inclinada á Esquerda.
"As long as the Colossus stands, Rome will stand, when the Colossus falls, Rome will also fall, when Rome falls, so falls the world."

São Beda.

Offline Fernando Silva

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Re:STF libera, para as escolas públicas, o ensino religioso confissional
« Resposta #19 Online: 05 de Outubro de 2017, 07:39:14 »
Citação de: Fernando Silva
Estudei num colégio católico, com aulas de religião e missa obrigatória uma vez por mês, mas nunca houve interferência nas aulas de ciência.
Eu também sou fruto da educação católica, só que a ida a missas era algo opcional para alunos não-católicos (havia alguns protestantes, ateus e mesmo um muçulmano) e as aulas de Religião eram mais "genericamente cristãs" do que católicas (se minha memória não está enganada, um dos professores foi um ex-hippie que deu aulas sobre outras perspectivas religiosas sobre os Patriarcas e Jesus) e mesmo as aulas de História eram ministradas por uma perspectiva bastante inclinada á Esquerda.
Na minha infância, todo mundo era católico por definição, mesmo espíritas e umbandistas. A exceção eram os poucos protestantes tradicionais, como batistas ou metodistas. Ateus eram apenas uma possibilidade teórica e muçulmanos eram uma coisa exótica de países remotos.

 

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