Autor Tópico: Estatísticas Ateístas  (Lida 10343 vezes)

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Offline Onsigbare

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #100 Online: 28 de Abril de 2016, 17:20:35 »
Eu não nego a existência de deus.
eu apenas acho que deus essa invenção marota dos humanos não merece nem negação
Se alguém me perguntar se eu acredito em deus, eu direi   __  o que é deus?
Dependendo do lugar do mundo, e com quem estiver falando, a explicação vai ser bem diferente.
Por fim vou chegar a conclusão que é preciso acreditar mesmo, pois ninguém jamais me dará nenhuma evidência.

Acho que ateu é uma palavra que só cabe para quem acredita em deus. Esses podem apontar e dizer aquele é um ateu, pois não acredita no que acredito.
Então eu posso dizer que para esses eu sou um ateu, mas para outro ateu não. Como também não chamaria ninguém de ateu.
sempre que nos referimos à palavra ateu, estamos ligando-aos que criaram esta palavra.
Um americano que é chamado no méxico como gringo, não chama outro americano de gringo. Ele pode até dizer lá no méxico você é um gringo.

Então com certeza já sabemos que se alguém nos chama de ateu, ele é um crente.
« Última modificação: 28 de Abril de 2016, 17:22:54 por Onsigbare »

Offline vithor

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #101 Online: 28 de Abril de 2016, 17:24:53 »
Não entendi como confundem os termos..

Ateu= Não crer em deuses
Pode haver um ateu supersticioso por mais que seja ilógico... 
A palavra para quem não crê em sopro de dados e Duendes etc é Cético
Pode haver um Ateu supersticioso  e um ateu Cético simples..

Quem quiser pode chamar ateus apenas os ateus céticos..
Mas saibam que em pesquisas isso não é levado em conta, Ateus
em pesquisas é apenas o estado religioso e não se a pessoa crê em bicho-papão ou papai noel...  :wink:
Enquanto ateu é aquele que nega a existência de deuses ou afirma a inexistência destes; cético é aquele que suspende o juízo sobre a questão em causa. Logo, um ateu cético seria uma contradição de conceitos. Não existem ateus céticos, pois assim que se acredita estar de posse de uma verdade, como o ateu em relação a existência ou não de deuses, deixa-se de ser cético.

Mas entenda ateu é só uma postura religiosa.. Cético de uma forma leiga é o que duvida do inexplicável sobrenatural...
Você ser ateu não significa que  você não acredita em  superstição
Você pode ser um Ateu cético, Você não é cético diante Deus, Mas continua sendo cético as outras coisas como "sopro de dados".
E Você pode ser um Ateu supersticioso que crê em sopro de dados..
Esse é meu ponto de vista...

 

Offline Gigaview

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #102 Online: 28 de Abril de 2016, 18:48:02 »
Deve ser difícil para os crentes admitirem que Deus é ateu. Logo o maior de todos.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #103 Online: 28 de Abril de 2016, 19:56:59 »
Não entendi como confundem os termos..

Ateu= Não crer em deuses
Pode haver um ateu supersticioso por mais que seja ilógico... 
A palavra para quem não crê em sopro de dados e Duendes etc é Cético
Pode haver um Ateu supersticioso  e um ateu Cético simples..

Quem quiser pode chamar ateus apenas os ateus céticos..
Mas saibam que em pesquisas isso não é levado em conta, Ateus em pesquisas é apenas o estado religioso e não se a pessoa crê em bicho-papão ou papai noel...  :wink:
Enquanto ateu é aquele que nega a existência de deuses ou afirma a inexistência destes; cético é aquele que suspende o juízo sobre a questão em causa. Logo, um ateu cético seria uma contradição de conceitos. Não existem ateus céticos, pois assim que se acredita estar de posse de uma verdade, como o ateu em relação a existência ou não de deuses, deixa-se de ser cético.



E quem acha que seja muitíssimo improvável que  exista algum deus onipotente, mas que não afirme de forma peremptória  que não existe,  seria o que ? 

E quem afirma que não há evidências de  que  exista algum deus onipotente (e onipresente), mas que não afirme de forma peremptória  que não existe,  seria o que ?
Se a dúvida permanece, ele pode ser considerado cético.

A "suspensão de juízo", se é realmente feita por alguém, não é pelos céticos em geral, mas especificamente pelos pirrônicos. E acho que nem se limitaria a coisas como super-homens criadores de universos, mas praticamente qualquer coisa irrefutável que se possa imaginar, como solipsismo.

Há mais significados comumente associados ao termo, como ceticismo científico, que deve ser compatível com ateísmo, mesmo ateísmo forte.
Tanto no ceticismo pirrônico, quanto no acadêmico ou científico, existe a dúvida e a suspensão do juízo. A diferença entre o ceticismo acadêmico e o pirrônico, é que aquele considera a verdade inapreensível, e este continua a investigar. No ceticismo científico, a dúvida é pautada pela metodologia científica. Se algo não pode ser cientificamente comprovado, o cético mantém uma atitude de neutralidade agnóstica. Em ambos os casos, existe ceticismo enquanto existe dúvida e neutralidade. Todo aquele que toma uma posição negativa em relação a alegações sobre metafísica ou sobrenaturalidade (alegações que em geral são cientificamente não-falseaveis) e se diz cético, é na verdade um pseudo cético.

Sobre pseudo-ceticismo
« Última modificação: 28 de Abril de 2016, 20:04:08 por Skeptikós »
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #104 Online: 28 de Abril de 2016, 20:13:16 »
Acho que o ceticismo não requer essa neutralidade agnóstica. Aquele que tem crenças negativas quanto a fadas, gnomos, solipsismo, deuses, zumbis, lobisomens, é apenas pragmático (mais qualquer que seja o termo filosófico para alguém que crê na realidade aparente a uma combinação de conhecimento científico e mesmo mero "bom senso"), e pode ser ainda "cético"*, apenas não um "cético fundamentalista", que não afirmaria nem mesmo que ele próprio existe, pois é nesse nível que se chegaria para ter consistência com o "ceticismo".


* Talvez apenas num sentido corrente, não histórica/literalmente correto, que requereria dúvida absoluta acerca de tudo, exceto talvez da semântica de "ceticismo", mas não sei se mesmo isso escaparia.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #105 Online: 28 de Abril de 2016, 22:10:16 »
Você pode ser cético em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos. É assim que eu me vejo atualmente. Ou você pode simplesmente manter-se cético sobre tudo, e para evitar a inação completa , agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que suas impressões sobre a realidade estejam corretas, como sugere alguns céticos.
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Offline Fernando Silva

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #106 Online: 29 de Abril de 2016, 09:18:30 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".

E nem por isso passa a ter fé cega naquilo que "sabe".
Se surgirem novos fatos, pode ser necessário abandonar essa "verdade" e aceitar outra.

Já o religioso não precisa de provas e continua acreditando até diante de evidências em contrário.

Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #107 Online: 29 de Abril de 2016, 09:49:17 »
Você pode ser cético em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos. É assim que eu me vejo atualmente. Ou você pode simplesmente manter-se cético sobre tudo, e para evitar a inação completa , agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que suas impressões sobre a realidade estejam corretas, como sugere alguns céticos.

A postura do Ceticismo Pirrônico Hardcore é impossível na prática.

Essas definições, recorrentemente debatidas por aqui, deveriam ser fixadas em alguma das seções do fórum, com uma lista delas e antes de cada definição sempre ter um "de acordo com o que disse Fulano o ateísmo é...", "de acordo com linha de pensamento B ceticismo é...".

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #108 Online: 29 de Abril de 2016, 12:01:40 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas para saber é preciso acreditar, já que conhecimento é crença verdadeira e justificada. E acreditar e/ou saber é diferente de duvidar, que é a caracteristica principal do ceticismo. A partir do momento em que se assume ter encontrado a verdade sobre determinado assunto, deixa-se de ser cético sobre este assunto em específico.

E nem por isso passa a ter fé cega naquilo que "sabe".
Se surgirem novos fatos, pode ser necessário abandonar essa "verdade" e aceitar outra.
Não precisa ter fé, mas mesmo uma crença justificada e sustentada por evidências e argumentação lógica, ainda sim é uma crença. E mesmo que a conclusao não seja inquestionável, ainda sim acredita-se pelo menos até o momento estar de posse da verdade, algo incompatível com a postura cética.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
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Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #109 Online: 29 de Abril de 2016, 12:09:14 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas para saber é preciso acreditar, já que conhecimento é crença verdadeira e justificada. E acreditar e/ou saber é diferente de duvidar, que é a caracteristica principal do ceticismo. A partir do momento em que se assume ter encontrado a verdade sobre determinado assunto, deixa-se de ser cético sobre este assunto em específico.

Você trouxe apenas a definição platônica de conhecimento, dessa forma, seria bom a utilização de "de acordo com platão, conhecimento é...", de outra forma ficamos sempre nessas discussões de "é num é".

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #110 Online: 29 de Abril de 2016, 12:15:49 »
Você pode ser cético em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos. É assim que eu me vejo atualmente. Ou você pode simplesmente manter-se cético sobre tudo, e para evitar a inação completa , agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que suas impressões sobre a realidade estejam corretas, como sugere alguns céticos.

A postura do Ceticismo Pirrônico Hardcore é impossível na prática.
Também acho, inclusive reza a lenda de que Pirro morreu em decorrência de seu ceticismo extremo. Após ser avisado por seus discípulos de que se aproximava de um abismo, não acreditou neles e nem em seus próprios sentidos, e terminou por caminhar para a morte.

A parte da teoria cética que inclui agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que esteja de posse da verdade, a fim de evitar a inação ou a imprudência, só foi adicionada posteriormente.

Essas definições, recorrentemente debatidas por aqui, deveriam ser fixadas em alguma das seções do fórum, com uma lista delas e antes de cada definição sempre ter um "de acordo com o que disse Fulano o ateísmo é...", "de acordo com linha de pensamento B ceticismo é...".
Uma característica de todas as doutrinas céticas é a dúvida ao invés da negação ou aceitação, isso basta para saber se uma pessoa está ou não agindo de maneira cética. Um ateu não é cético em relação a existência de deuses, por ele se posicionar de maneira negativa ao invés de agnóstica em relação a esta questão. Pode ser que ele seja cético em relação a outros assuntos, mas definitivamente não o é em relação a existência de deuses.

Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas para saber é preciso acreditar, já que conhecimento é crença verdadeira e justificada. E acreditar e/ou saber é diferente de duvidar, que é a caracteristica principal do ceticismo. A partir do momento em que se assume ter encontrado a verdade sobre determinado assunto, deixa-se de ser cético sobre este assunto em específico.

Você trouxe apenas a definição platônica de conhecimento, dessa forma, seria bom a utilização de "de acordo com platão, conhecimento é...", de outra forma ficamos sempre nessas discussões de "é num é".
Concordo, sei que esta definição de conhecimento já foi pertinentemente questionada. Mas você conhece alguma definição de conhecimento que negue a necessidade de crença, quando crença é definido como compreendendo o estado mental acompanhado de uma postulação que foi determinada como verdadeira ou falsa?
« Última modificação: 29 de Abril de 2016, 12:55:15 por Skeptikós »
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #111 Online: 29 de Abril de 2016, 12:51:48 »
É bom lembrar que a teoria de conhecimento de Platão como sendo suficiente e necessário para se ter conhecimento: crença, verdade e justificação, foi questionada no sentido de estas três condições não serem suficientes,  mas é amplamente aceito pelos estudiosos do assunto que estas três condições são necessárias. Fonte
« Última modificação: 29 de Abril de 2016, 13:00:08 por Skeptikós »
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

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Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #112 Online: 29 de Abril de 2016, 12:54:48 »
Você pode ser cético em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos. É assim que eu me vejo atualmente. Ou você pode simplesmente manter-se cético sobre tudo, e para evitar a inação completa , agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que suas impressões sobre a realidade estejam corretas, como sugere alguns céticos.

A postura do Ceticismo Pirrônico Hardcore é impossível na prática.
Também acho, inclusive reza a lenda de que Pirro morreu em decorrência de seu ceticismo extremo. Após ser avisado por seus discípulos de que se aproximava de um abismo, não acreditou neles e nem em seus próprios sentidos, e terminou por caminhar para a morte.

 :lol:

Exatamente por isso eu acho sempre uma bobeira semântica ficar dizendo aos outros que "Ah, mas se você então evitar abismos, não adianta vir me falar em cetiticismo, seu pseudo-cético".

A parte da teoria cética que inclui agir com base naquilo que lhe parece, sem assumir que esteja de posse da verdade, a fim de evitar a inação ou a imprudência, só foi adicionada posteriormente.

É nessas que eu bóio.

Qual "teoria cética"? Existe essa "teoria cética" central e acordada?

Eu acho que não existe, e só de haver ainda essa discussão bruta sobre o tema, talvez seja evidência de que o consenso ainda está longe e citar os "de acordo com..." seria benéfico.

Essas definições, recorrentemente debatidas por aqui, deveriam ser fixadas em alguma das seções do fórum, com uma lista delas e antes de cada definição sempre ter um "de acordo com o que disse Fulano o ateísmo é...", "de acordo com linha de pensamento B ceticismo é...".
Uma característica de todas as doutrinas céticas é a dúvida ao invés da negação ou aceitação, isso basta para saber se uma pessoa está ou não agindo de maneira cética. Um ateu não é cético em relação a existência de deuses, por ele se posicionar de maneira negativa ao invés de agnóstica. Pode ser que ele seja cético em relação a outros assuntos, mas definitivamente não o é em relação a existência de deuses.

Ta bom, se continuamos com a definição de que ser cético é suspender o juízo.

Mas ja que eu acho que essa definição tem aplicação praticamente virtual, não acho ela útil pra se definir conceitos do dia a dia.

Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas para saber é preciso acreditar, já que conhecimento é crença verdadeira e justificada. E acreditar e/ou saber é diferente de duvidar, que é a caracteristica principal do ceticismo. A partir do momento em que se assume ter encontrado a verdade sobre determinado assunto, deixa-se de ser cético sobre este assunto em específico.

Você trouxe apenas a definição platônica de conhecimento, dessa forma, seria bom a utilização de "de acordo com platão, conhecimento é...", de outra forma ficamos sempre nessas discussões de "é num é".
Concordo, sei que esta definição de conhecimento já foi eficiente questionada. Mas você conhece alguma definição de conhecimento que negue a necessidade de crença, quando crença é definido como compreendendo o estado mental acompanhado de uma postulação que foi determinada como verdadeira ou falsa?


Observando meu quote, podemos ter crença justifica de que é verdade eu não estar contestando a definição de conhecimento, apenas dizendo que é bom, ao invés de dizer apenas que "deus é amor" é melhor trazer para o debate as referências, para que a discussão não seja apenas semanticoide e ganhe mais corpo/valor.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #113 Online: 29 de Abril de 2016, 13:38:48 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".

Mas você acredita naquilo sabe, ou, no que julga saber. Acreditar é apenas "ter como verdade", não "crer cegamente", "crer sem provas", "crer apesar de provas contrárias", "crer porque tem algo no fundo do seu coração que te diz que aquilo é Verdade", etc.



Citar
Já o religioso não precisa de provas e continua acreditando até diante de evidências em contrário.

Não é só o religioso. Todo não-solipsista não tem provas do não-solipsismo, nem por isso comparamos isso com religião. Há ainda a crença com confiança (fé) na credibilidade (se isso não for pleonasmo, acho que é) de um corpo de conhecimentos, como a ciência. Você pode acreditar em proposições científias em geral sem conhecer as provas para cada uma, o que é o mais comum para os não-hiper-polímatas, e não se costuma dizer que isso é equivalente à fé religiosa.











Ta bom, se continuamos com a definição de que ser cético é suspender o juízo.

Mas ja que eu acho que essa definição tem aplicação praticamente virtual, não acho ela útil pra se definir conceitos do dia a dia.

Acho que "ser cético" no sentido mais elementar é duvidar. Céticos = "duvidantes". Você pode duvidar de uma proposição e acreditar em outra da mesma "área". Duvido que deuses existam, creio que deuses não existem.

No sentido que o termo acabou tomando para grupos/"tribos" que se rotulam assim como parte de sua identidade, geralmente será uma "dúvida" acerca desses temas relacionados a religião e "sobrenatural". Enquanto criacionistas, diversos outros subgrupos religiosos, e "céticos do aquecimento global [antropogênico]" duvidam daquilo que é tido como conhecimento estabelecido pela ciência.

Offline Criaturo

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #114 Online: 30 de Abril de 2016, 11:25:33 »
Deve ser difícil para os crentes admitirem que Deus é ateu. Logo o maior de todos.
justifique!
existência é igual a  ciência, sem nenhuma ciência sem existência.

Amo sofia mas, ela parece fugir de mim, de tão longe faz o meu amor platônico.

Offline Criaturo

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #115 Online: 30 de Abril de 2016, 11:27:32 »
sem nenhuma fé não damos nem o próximo passo, pois a fé é o que nos move
existência é igual a  ciência, sem nenhuma ciência sem existência.

Amo sofia mas, ela parece fugir de mim, de tão longe faz o meu amor platônico.

Offline Fernando Silva

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #116 Online: 30 de Abril de 2016, 11:45:04 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas você acredita naquilo sabe, ou, no que julga saber. Acreditar é apenas "ter como verdade", não "crer cegamente", "crer sem provas", "crer apesar de provas contrárias", "crer porque tem algo no fundo do seu coração que te diz que aquilo é Verdade", etc.
Considero a força da gravidade como uma verdade comprovada. Planejo minha vida o tempo todo em função dela. Até agora, não vi motivos para mudar de ideia.

Por outro lado, embora esteja convicto de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário, caso eu descubra que estou errado, minha vida não mudará em nada. Apenas ficarei surpreso.

Acontece que adotar uma religião implica em mudar de vida: tem que fazer isto, não pode fazer aquilo etc.
Ninguém muda nada em sua vida ao aceitar que houve um Big Bang, mas seria um terremoto se ficasse provado que Jesus nunca foi Deus.

Portanto, minha "crença" nas afirmações da ciência, ao contrário da crença numa religião, não afeta minha vida.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #117 Online: 30 de Abril de 2016, 11:57:50 »
Ceticismo é apenas não acreditar sem provas.
Se há provas, o cético não precisa "acreditar". Ele apenas "sabe".
Mas você acredita naquilo sabe, ou, no que julga saber. Acreditar é apenas "ter como verdade", não "crer cegamente", "crer sem provas", "crer apesar de provas contrárias", "crer porque tem algo no fundo do seu coração que te diz que aquilo é Verdade", etc.
Considero a força da gravidade como uma verdade comprovada. Planejo minha vida o tempo todo em função dela. Até agora, não vi motivos para mudar de ideia.

Por outro lado, embora esteja convicto de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário, caso eu descubra que estou errado, minha vida não mudará em nada. Apenas ficarei surpreso.

Acontece que adotar uma religião implica em mudar de vida: tem que fazer isto, não pode fazer aquilo etc.
Ninguém muda nada em sua vida ao aceitar que houve um Big Bang, mas seria um terremoto se ficasse provado que Jesus nunca foi Deus.

Portanto, minha "crença" nas afirmações da ciência, ao contrário da crença numa religião, não afeta minha vida.
Como não? Você aceita tomar uma vacina contendo a doença que procura evitar, por acreditar na ciência por trás da teoria que diz que isso irá lhe imunizar contra a tal doença. Quando a vacina foi inventada, está crença era completamente contra-intuitiva, a maioria das pessoas não a aceitavam, e no entanto, hoje isso é uma crença amplamente aceita. Neste caso, a simples crença na eficácia da vacina afetou a vida de bilhões de pessoas.
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Offline Fernando Silva

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #118 Online: 30 de Abril de 2016, 12:13:52 »
Portanto, minha "crença" nas afirmações da ciência, ao contrário da crença numa religião, não afeta minha vida.
Como não? Você aceita tomar uma vacina contendo a doença que procura evitar, por acreditar na ciência por trás da teoria que diz que isso irá lhe imunizar contra a tal doença. Quando a vacina foi inventada, está crença era completamente contra-intuitiva, a maioria das pessoas não a aceitavam, e no entanto, hoje isso é uma crença amplamente aceita. Neste caso, a simples crença na eficácia da vacina afetou a vida de bilhões de pessoas.
Assim como no caso da força da gravidade, baseio minha decisão no fato de que a vacina parece funcionar.
Entendo o mecanismo da imunização, tenho estatísticas que confirmam minha convicção.
É uma aposta, sim, já que pode ser apenas uma incrível coincidência, mas as evidências são bastante convincentes.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #119 Online: 30 de Abril de 2016, 12:39:55 »
O que não deixa de ser uma crença que afeta a sua vida em decorrência das decisões que você toma com base nesta crença. Mas independente disso, a conclusão a que chegamos é a de que aceitar uma proposição científica como verdadeira, independente das suas razões para isso, constitui uma crença. Não digo porém que a fé religiosas se equipara a crença justificada por evidências científicas, pois certamente que não se equiparam, a não ser na conclusão de que ambas são em essência, crenças.
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Offline Fernando Silva

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #120 Online: 30 de Abril de 2016, 13:08:53 »
Não digo porém que a fé religiosas se equipara a crença justificada por evidências científicas, pois certamente que não se equiparam, a não ser na conclusão de que ambas são em essência, crenças.
Pelo menos, na ciência, ninguém diz que é virtude acreditar sem ter visto.

Sem falar em que a ciência avança ao questionar as teorias aceitas, enquanto que é heresia e apostasia duvidar de uma doutrina religiosa.

Mesmo porque a ciência tenta entender as coisas, enquanto que a religião manda aceitar mesmo sem entender.

Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #121 Online: 02 de Maio de 2016, 09:25:05 »

Ta bom, se continuamos com a definição de que ser cético é suspender o juízo.

Mas ja que eu acho que essa definição tem aplicação praticamente virtual, não acho ela útil pra se definir conceitos do dia a dia.

Acho que "ser cético" no sentido mais elementar é duvidar. Céticos = "duvidantes". Você pode duvidar de uma proposição e acreditar em outra da mesma "área". Duvido que deuses existam, creio que deuses não existem.

No sentido que o termo acabou tomando para grupos/"tribos" que se rotulam assim como parte de sua identidade, geralmente será uma "dúvida" acerca desses temas relacionados a religião e "sobrenatural". Enquanto criacionistas, diversos outros subgrupos religiosos, e "céticos do aquecimento global [antropogênico]" duvidam daquilo que é tido como conhecimento estabelecido pela ciência.

Absolutamente de acordo.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #122 Online: 02 de Maio de 2016, 11:49:19 »

Ta bom, se continuamos com a definição de que ser cético é suspender o juízo.

Mas ja que eu acho que essa definição tem aplicação praticamente virtual, não acho ela útil pra se definir conceitos do dia a dia.

Acho que "ser cético" no sentido mais elementar é duvidar. Céticos = "duvidantes". Você pode duvidar de uma proposição e acreditar em outra da mesma "área". Duvido que deuses existam, creio que deuses não existem.
(...)
Na verdade existe uma contradição aí, se a dúvida é a ausência de crença, não é possível duvidar e acreditar respectivamente ao mesmo tempo em duas proposições que levam a mesma conclusão sobre o mesmo assunto (deuses existem ou deuses não existem). A não ser que você admita o uso comum,  mas incorreto dos termos "duvidar" e " cético" como significando negação.

No sentido que o termo acabou tomando para grupos/"tribos" que se rotulam assim como parte de sua identidade, geralmente será uma "dúvida" acerca desses temas relacionados a religião e "sobrenatural". Enquanto criacionistas, diversos outros subgrupos religiosos, e "céticos do aquecimento global [antropogênico]" duvidam daquilo que é tido como conhecimento estabelecido pela ciência.
Absolutamente de acordo.
Essas pessoas podem até se chamarem céticas, mas usurpam indevidamente deste rótulo, como apontado por Marcelo Truzzi no artigo sobre o pseudo-ceticismo já indicado aqui por mim. Qualquer pessoa que apresente uma posição negativa ao invés de agnóstica sobre determinada questão, não esta manifestando dúvida ou uma posição cética sobre a questão. E é isso que estes críticos do aquecimento global e criacionistas costumam fazer com as teorias cientificamente estabelecidas, fontes de suas críticas.
« Última modificação: 02 de Maio de 2016, 12:01:12 por Skeptikós »
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #123 Online: 02 de Maio de 2016, 15:50:15 »
Bem, eu estou falando mais do uso aceitável da palavra do que do Verdadeiro Ceticismo Correto Com Cê Maiúsculo.

Cético é quem duvida. Você pode duvidar de algo e acreditar em algo "oposto", pode duvidar de algo irrefutável e acreditar em algo que dá conta de explicar os mesmos fatos e que seja no entanto plenamente embasado em fatos. Não são posições absurdas ou extraordinárias de se ter, e me parece que na prática é a posição da maior parte dos que se rotulam e são rotulados céticos, ainda que talvez não sejam os "Verdadeiros Céticos", apenas os céticos "reais", que de fato existem, ou, vastamente mais comuns.



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Na verdade existe uma contradição aí, se a dúvida é a ausência de crença, não é possível duvidar e acreditar respectivamente ao mesmo tempo em duas proposições que levam a mesma conclusão sobre o mesmo assunto (deuses existem ou deuses não existem). A não ser que você admita o uso comum,  mas incorreto dos termos "duvidar" e " cético" como significando negação.

A e B fazem alegações sobre C, você pode duvidar de A, não crer em A, mas pode crer em B, que não tem nada a ver com A a não ser explicar C.

Duvidar de/não crer em alegações de que uma doença seja causada por demônios ou uma conspiração de dominação mundial, e acreditar que seja causada naturalmente por algum vírus ao mesmo tempo.

Duvidar de/não crer em Jeová, Zeus ou num "Ser Mágico Inteligente Criador Universal Apenas Tão Minimamente Antropomórfico Quanto Necessário Para Não Considerar Ridículo", mas acreditar no Big Bang ou no Estado Estacionário.




"Ceticismo" geralmente tenta ser promovido como uma "dúvida racional" (independentemente do raciocínio deixar coisas relevantes de fora), e não como sinônimo de "agnosticismo radical"/pirronismo/em-cima-do-murismo-permanente. Nesse "Ceticismo Verdadeiro" a pessoa não pode nem acreditar em nada, nem em ciência, o que for, já que não dá para refutar solipsismo, que somos o sonho de uma borboleta, ou qualquer outra coisa irrefutável. Deve ter havido umas sete pessoas com essa postura ao longo da história, e umas três ou quatro internadas em manicômios pela maior parte da vida.

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #124 Online: 03 de Maio de 2016, 20:26:44 »
Bem, eu estou falando mais do uso aceitável da palavra do que do Verdadeiro Ceticismo Correto Com Cê Maiúsculo.

Cético é quem duvida. Você pode duvidar de algo e acreditar em algo "oposto", pode duvidar de algo irrefutável e acreditar em algo que dá conta de explicar os mesmos fatos e que seja no entanto plenamente embasado em fatos. Não são posições absurdas ou extraordinárias de se ter, e me parece que na prática é a posição da maior parte dos que se rotulam e são rotulados céticos, ainda que talvez não sejam os "Verdadeiros Céticos", apenas os céticos "reais", que de fato existem, ou, vastamente mais comuns.



Citar
Na verdade existe uma contradição aí, se a dúvida é a ausência de crença, não é possível duvidar e acreditar respectivamente ao mesmo tempo em duas proposições que levam a mesma conclusão sobre o mesmo assunto (deuses existem ou deuses não existem). A não ser que você admita o uso comum,  mas incorreto dos termos "duvidar" e " cético" como significando negação.

A e B fazem alegações sobre C, você pode duvidar de A, não crer em A, mas pode crer em B, que não tem nada a ver com A a não ser explicar C.

Duvidar de/não crer em alegações de que uma doença seja causada por demônios ou uma conspiração de dominação mundial, e acreditar que seja causada naturalmente por algum vírus ao mesmo tempo.

Duvidar de/não crer em Jeová, Zeus ou num "Ser Mágico Inteligente Criador Universal Apenas Tão Minimamente Antropomórfico Quanto Necessário Para Não Considerar Ridículo", mas acreditar no Big Bang ou no Estado Estacionário.
Mas estes exemplos são muito diferentes daquele dado por você incialmente:

(...)
Duvido que deuses existam, creio que deuses não existem.
(...)
Enquanto nos últimos exemplos as proposições defendiam posições sobre assuntos completamente diferentes (Deus não existe; o big bang realmente ocorreu), neste caso, a conclusão é a mesma, se dúvida for entendida no sentido errôneo de negação (Deus não existe). E contraditória, se dúvida for corretamente entendida como ausência de crença (Não sei se Deus existe; sei que Deus não existe).

"Ceticismo" geralmente tenta ser promovido como uma "dúvida racional" (independentemente do raciocínio deixar coisas relevantes de fora), e não como sinônimo de "agnosticismo radical"/pirronismo/em-cima-do-murismo-permanente. Nesse "Ceticismo Verdadeiro" a pessoa não pode nem acreditar em nada, nem em ciência, o que for, já que não dá para refutar solipsismo, que somos o sonho de uma borboleta, ou qualquer outra coisa irrefutável. Deve ter havido umas sete pessoas com essa postura ao longo da história, e umas três ou quatro internadas em manicômios pela maior parte da vida.
Você ignora uma parte importante da definição de cético. Primeiro, uma pessoa pode ser cética em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos. Segundo, o cético dúvida de tudo que se pretende real, mas suspende seu juízo somente em relação a questões teóricas, enquanto na prática vive conforme as coisas lhe parecem. Ele bebe água quando sente sede, porque lhe parece que a cede cessa quando faz isso. Ele come quando tem fome, foge ou luta quando se sente ameaçado e etc. pelos mesmos motivos. Mas não pretende assumir que as coisas como lhe parecem sejam de fato como ele as percebe, isto é real ou verdadeiro.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

 

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