Autor Tópico: Estatísticas Ateístas  (Lida 10356 vezes)

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Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #125 Online: 04 de Maio de 2016, 09:34:48 »
Um verdadeiro cético não pode nem mesmo dizer que é cético, pois não tem como saber se é ou não é. Pois, se sabe que é cético, faz juízo aí e perde a condição de verdadeiro cético.

Bom, essa definição não é útil já que ela não tem aplicação qualquer na vida real.

O modo com que se usa mesmo o termo/título Cético, com alguma praticidade, é o inerente realmente ao da dúvida ou, até, ao de adotar sempre a prática de "investigar" em algum nível de detalhe as propostas que se apresentam como inicialmente verdadeiras. Normalmente investigando contra parâmetros/padrões que se julgam respaldados por algum método ou coisa similar levado adiante por "instituição" notoriamente confiável (embora se exija crença nos pareceres não reproduzíveis por pessoas comuns dessas instituições e todo o mais que "sabemos").

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #126 Online: 04 de Maio de 2016, 10:07:55 »
Mas estes exemplos são muito diferentes daquele dado por você incialmente:

(...)
Duvido que deuses existam, creio que deuses não existem.
(...)
Enquanto nos últimos exemplos as proposições defendiam posições sobre assuntos completamente diferentes (Deus não existe; o big bang realmente ocorreu), neste caso, a conclusão é a mesma, se dúvida for entendida no sentido errôneo de negação (Deus não existe). E contraditória, se dúvida for corretamente entendida como ausência de crença (Não sei se Deus existe; sei que Deus não existe).

Está meio que implícito, ou "sugestivo", em big-bang ou estado estacionário, a ausência de deuses.

"Acreditar" não é necessariamente "acreditar saber", pode ser admitidamente uma "aposta".

"Não sei se deus(es) existe(m) (são geralmente absolutamente irrefutáveis, o "agnosticismo" é então "necessário"); todas as explicações alternativas, científicas, para o que quer que seja, me parecem muito mais críveis".

OU

"Não sei se deus(es) existe(m); por tudo em que posso crer, deuses não existem".



Citar
"Ceticismo" geralmente tenta ser promovido como uma "dúvida racional" (independentemente do raciocínio deixar coisas relevantes de fora), e não como sinônimo de "agnosticismo radical"/pirronismo/em-cima-do-murismo-permanente. Nesse "Ceticismo Verdadeiro" a pessoa não pode nem acreditar em nada, nem em ciência, o que for, já que não dá para refutar solipsismo, que somos o sonho de uma borboleta, ou qualquer outra coisa irrefutável. Deve ter havido umas sete pessoas com essa postura ao longo da história, e umas três ou quatro internadas em manicômios pela maior parte da vida.
Você ignora uma parte importante da definição de cético. Primeiro, uma pessoa pode ser cética em relação a alguns assuntos, mas não em relação a todos.

Bem, isso estava implícito em outras coisas que eu disse (criacionistas como céticos da ciência). E acho que isso seria mais para o uso cotidiano de "cético" do que esse Cético Histórico Verdadeiro Com Carteirinha...



Citar
Segundo, o cético dúvida de tudo que se pretende real, mas suspende seu juízo somente em relação a questões teóricas, enquanto na prática vive conforme as coisas lhe parecem. Ele bebe água quando sente sede, porque lhe parece que a cede cessa quando faz isso. Ele come quando tem fome, foge ou luta quando se sente ameaçado e etc. pelos mesmos motivos. Mas não pretende assumir que as coisas como lhe parecem sejam de fato como ele as percebe, isto é real ou verdadeiro.

Duvido. Acho que na maior parte do tempo acabam acreditando naquilo que parece ser. :P



Mas... seja lá como for, tanto faz. Nem me importo com isso e etc e tal. Estou me incluindo fora dessa discussão semântica, que não acho tremendamente interessante e muito menos útil. Algumas vezes entro nelas meio acidentalmente, impulsivamente. :/

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #127 Online: 04 de Maio de 2016, 23:06:26 »
Não é impossível se comportar como cético na prática, basta manter uma postura agnóstica de inquisição, e entender que assim que se afirma algo com a pretensão de que seja real, deixa-se de ser cético. Ao se deparar com uma afirmação fantástica e sem embasamento, como no caso onde pessoas carbonizadas quase que instantaneamente, sem que nenhum dos objetos ao seu redor tenham sido afetados, incluindo objetos inflamáveis, e que essas pessoas tenham sido vitimas de combustão espontânea, aponte a falta de evidências para suportar tal teoria, ao invés de supor que o efeito pavil é o responsável pelo fenômeno. Quando você questiona neste caso, não tem nenhum ônus de provar nada, mas quando faz afirmações, o ônus da prova recai sobre você, e agora você  também tem uma afirmação sem sustentação para defender. É isso que o Marcelo Truzzi crítica em seu artigo. Esses críticos de anomalias contrapõem afirmações fantásticas sobre eventos com anomalias com torias científicamente reconhecidas,  que no entanto não dão conta de explicar as anomalias observadas nestes fenômenos. Eles não só não são céticos, como apresentam eles mesmos teorias que não dão conta de explicar aquilo que pretendem.
« Última modificação: 04 de Maio de 2016, 23:13:20 por Skeptikós »
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Cinzu

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #128 Online: 05 de Maio de 2016, 02:19:42 »
Por isso que o mais correto deveria ser o probabilismo. Muitas vezes, teorias científicas possuem tantas evidências que acabamos tomando aquilo como verdade, mesmo estando cientes que possui uma chance ínfima de estar errado. Neste caso, não estaríamos necessariamente acreditando em algo, mas sim descartando explicações incoerentes.
O verdadeiro inferno está em nossas mentes. Cabe a nós libertá-lo ou não.

Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #129 Online: 12 de Maio de 2016, 08:03:44 »
Não é impossível se comportar como cético na prática, basta manter uma postura agnóstica de inquisição, e entender que assim que se afirma algo com a pretensão de que seja real, deixa-se de ser cético. Ao se deparar com uma afirmação fantástica e sem embasamento, como no caso onde pessoas carbonizadas quase que instantaneamente, sem que nenhum dos objetos ao seu redor tenham sido afetados, incluindo objetos inflamáveis, e que essas pessoas tenham sido vitimas de combustão espontânea, aponte a falta de evidências para suportar tal teoria, ao invés de supor que o efeito pavil é o responsável pelo fenômeno. Quando você questiona neste caso, não tem nenhum ônus de provar nada, mas quando faz afirmações, o ônus da prova recai sobre você, e agora você  também tem uma afirmação sem sustentação para defender. É isso que o Marcelo Truzzi crítica em seu artigo. Esses críticos de anomalias contrapõem afirmações fantásticas sobre eventos com anomalias com torias científicamente reconhecidas,  que no entanto não dão conta de explicar as anomalias observadas nestes fenômenos. Eles não só não são céticos, como apresentam eles mesmos teorias que não dão conta de explicar aquilo que pretendem.

Me parece que isso, no final das contas e de modo geral, se alinha ao que vem sendo defendido enquanto ceticismo ser, na prática, uma postura de investigação permanente "mas fazendo concessões práticas e tolerando algumas afirmações plausíveis para o dia a dia".

O que não exatamente se encaixa com essa parte aqui:

[...] e entender que assim que se afirma algo com a pretensão de que seja real, deixa-se de ser cético[/...]


Um cético de verdade pode saber que pensa?

Offline Skeptikós

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #130 Online: 12 de Maio de 2016, 15:18:43 »
Não é impossível se comportar como cético na prática, basta manter uma postura agnóstica de inquisição, e entender que assim que se afirma algo com a pretensão de que seja real, deixa-se de ser cético. Ao se deparar com uma afirmação fantástica e sem embasamento, como no caso onde pessoas carbonizadas quase que instantaneamente, sem que nenhum dos objetos ao seu redor tenham sido afetados, incluindo objetos inflamáveis, e que essas pessoas tenham sido vitimas de combustão espontânea, aponte a falta de evidências para suportar tal teoria, ao invés de supor que o efeito pavil é o responsável pelo fenômeno. Quando você questiona neste caso, não tem nenhum ônus de provar nada, mas quando faz afirmações, o ônus da prova recai sobre você, e agora você  também tem uma afirmação sem sustentação para defender. É isso que o Marcelo Truzzi crítica em seu artigo. Esses críticos de anomalias contrapõem afirmações fantásticas sobre eventos com anomalias com torias científicamente reconhecidas,  que no entanto não dão conta de explicar as anomalias observadas nestes fenômenos. Eles não só não são céticos, como apresentam eles mesmos teorias que não dão conta de explicar aquilo que pretendem.

Me parece que isso, no final das contas e de modo geral, se alinha ao que vem sendo defendido enquanto ceticismo ser, na prática, uma postura de investigação permanente "mas fazendo concessões práticas e tolerando algumas afirmações plausíveis para o dia a dia".
Esta é uma postura defendida em todos os livros e artigos de ceticismo que li. O cético questiona e suspende o juízo nas questões teóricas e afirmações sobre como as coisas são de fato, mas na prática ou na vida cotidiana, vive conforme as coisas lhe parecem, sem no entanto defender que as suas impressões das coisas reprentem de fato como elas são em si mesmas.

O que não exatamente se encaixa com essa parte aqui:

[...] e entender que assim que se afirma algo com a pretensão de que seja real, deixa-se de ser cético[/...]
Na vida cotidiana o cético toma varias atitudes e faz várias afirmações baseadas na maneira como as coisas lhe parecem. No entanto, sem a pretensão de que elas representem de fato como as coisas são em si mesmas, isto é, como são de fato, independentes do observador.

Um cético de verdade pode saber que pensa?
Descartes, fundador do método cartesiano chegou a esta conclusão, se penso, logo existo. Mesmo que eu seja apenas um cérebro numa cuba, está conclusão parece irrefutável.

Os céticos apresentam vários cenários e questionamentos problemáticos que põem em dúvida as nossas pretensões de conhecimento, mas não me lembro deles terem levantado alguma dúvida capaz de abalar minimamente esta aparentemente simples, mas profunda conclusão de Descartes.

Eu confesso que no momento não sei responder bem esta sua pergunta, pelo que me lembro esta conclusão não foi refutada, mas não sei ao certo como o ceticismo lidou com ela.

Abraços!
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
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Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #131 Online: 12 de Maio de 2016, 17:03:19 »
Show de bola!  :ok:

Offline Gigaview

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #132 Online: 10 de Julho de 2016, 12:37:54 »

Offline Johnny Cash

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #133 Online: 15 de Julho de 2016, 11:23:16 »
Muito curioso o posicionamento de Israel. Eu não sabia que eram tão pouco religiosos.

Offline Gauss

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #134 Online: 15 de Julho de 2016, 13:34:36 »
Muito curioso o posicionamento de Israel. Eu não sabia que eram tão pouco religiosos.

Judeus estão entre os povos mais ateus.

https://en.wikipedia.org/wiki/Jewish_atheism
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline Fernando Silva

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #135 Online: 16 de Julho de 2016, 09:04:13 »
Muito curioso o posicionamento de Israel. Eu não sabia que eram tão pouco religiosos.
O Estado de Israel foi fundado por ateus.
Até hoje os ortodoxos não aceitam sua existência e dizem que é preciso esperar pela vinda do Messias.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #136 Online: 16 de Julho de 2016, 11:34:51 »
Talvez no futuro então uma nova diáspora gradual faça Israel desaparecer via migração para países onde estão mais protegidos do antissemitismo, deixando as quinquilharias religiosas sagradas para quem se importa com isso.

Offline Gigaview

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Re:Estatísticas Ateístas
« Resposta #137 Online: 16 de Julho de 2016, 12:19:04 »
Talvez no futuro então uma nova diáspora gradual faça Israel desaparecer via migração para países onde estão mais protegidos do antissemitismo, deixando as quinquilharias religiosas sagradas para quem se importa com isso.

No futuro o Messias chegará.

 

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