Autor Tópico: Pelo direito de ser ateu  (Lida 7469 vezes)

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Offline Mr."A"

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #25 Online: 30 de Novembro de 2011, 15:17:17 »
só meter depois do casamento.
Isso, na prática, é tãããão relativo!
8-)

Offline gilberto

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #26 Online: 30 de Novembro de 2011, 15:34:20 »
O único preconceito que sofri veio de uma pessoa bem próxima da família, amiga da minha mãe por mais de 20 anos. Ela é evangélica, quando disse que era ateu ela achou um absurdo, ficava questionando "não acredito, como é possível alguém tão bem criado se desviar assim?" e "mas por que você tem raiva de deus? Ele te ama e te deu a vida...". Ficava questionando minha mãe: "como você permite isso? Isso só vai fazer ele afundar mais e blá, blá, blá!".

Essa mulher tem duas filhas, uma se mudou para São Paulo e recentemente soube-se que ela está trabalhando num prostíbulo; a outra mais nova, recentemente se assumiu lésbica. Eu não tenho nada contra isso, cada um trepa com quem quiser e escolhe sua profissão, mas as vezes dá vontade de perguntar: "Ué, por que seu G-zuis não salvou suas filhas do "desvio"? Elas sempre tiveram uma educação tão cristã!".

OBS: ela está com depressão e frequentando o psicanalísta. Cadê o poder de Cristo agora? kkkkkkkk :tease:
Isso aconteceu porque você tem o diabo no corpo e intimamente desejou esse mau a ela. Se vc tivesse deus no coração nada disso aconteceria e o mundo todo seria feliz.

Offline nobre

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #27 Online: 01 de Dezembro de 2011, 13:56:17 »
Como qualquer pessoa acho que tenho o direito de acreditar no que achar mais conveniente/convincente. Assim parece bastante aceitável que as pessoas acreditem em deus(?) ou não. É um absurdo que alguém queira questionar aquilo que acredito, pois este é um problema meu e só meu! Por isso me recuso a conversar/discutir com quem quer que seja aquilo que acredito ou não acredito! Por consequência, também acho que religião não se discute, pois acho que é uma questão de "foro íntimo". Discutir a existência ou não de deus(?) independe daquilo que acredito, trata-se apenas de ter uma boa argumentação lógica, fiável. Quando perguntam se eu acredito em deus(?) apenas digo que não, sem deixar margem para nenhum tipo de discussão (quando quero ser "mal-educado" apenas respondo que isso não interessa ...).   
« Última modificação: 01 de Dezembro de 2011, 13:58:24 por nobre »

Offline uiliníli

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #28 Online: 01 de Dezembro de 2011, 14:06:55 »
Não acho nenhum absurdo alguém quesitionar aquilo em que você acredita, eu acho que não podemos manter nossas crenças protegidas dentro de um casulo de dogmatismo, toda opinião deve ser testada constantemente contra argumentos racionais e evidências, e se ela não resistir a eles deve ser revista ou rejeitada.

Na prática isso é difícil, mas deveríamos estar sempre abertos e ansiosos por perder uma discussão: quem ganha o debate não aprende nada, se mantém no mesmo ponto em que o iniciou; quem perde aprende uma coisa nova e melhora a consistência de suas crenças. Infelizmente somos orgulhosos demais e vemos qualquer discussão como uma disputa de poder que não aceitamos perder.

Offline nobre

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #29 Online: 01 de Dezembro de 2011, 16:55:09 »
Esse é mais um dos motivos para que minhas crenças sejam só minhas!
Não interessa no que (eu) acredito, uma vez que posso deixar de acreditar e substituir minhas atuais crenças por outras. Para tanto, basta ficar convencido pela verdade dos novos argumentos que me são apresentados. Assim, não acho que valha a pena divulgar minhas crenças pessoais. Discuto e questiono teses, analiso hipóteses, posso ou não aceitar axiomas, mas apenas racionalmente.
No meu entender as crenças (pessoais, claro) carregam em si um componente emocional, que só faz atrapalhar o raciocínio e o pensamento.

Offline _Juca_

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #30 Online: 01 de Dezembro de 2011, 17:05:32 »
Esse é mais um dos motivos para que minhas crenças sejam só minhas!
Não interessa no que (eu) acredito, uma vez que posso deixar de acreditar e substituir minhas atuais crenças por outras. Para tanto, basta ficar convencido pela verdade dos novos argumentos que me são apresentados. Assim, não acho que valha a pena divulgar minhas crenças pessoais. Discuto e questiono teses, analiso hipóteses, posso ou não aceitar axiomas, mas apenas racionalmente.
No meu entender as crenças (pessoais, claro) carregam em si um componente emocional, que só faz atrapalhar o raciocínio e o pensamento.

Porque as crenças são só suas? Suas crenças não são também produto do meio social em que vive? Sua crença ou ausência dela importa ao outros sim, importa na sociedade, e são passíveis de interpelações einterpretações, queira você ou não.

Offline nobre

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #31 Online: 02 de Dezembro de 2011, 07:20:41 »
Porque as crenças são só suas? Suas crenças não são também produto do meio social em que vive? Sua crença ou ausência dela importa ao outros sim, importa na sociedade, e são passíveis de interpelações e interpretações, queira você ou não.

Desculpe se não me fiz entender.
Eu faço uma distinção entre crenças pessoais  (aquilo em que eu acredito) e as crenças gerais  (aquilo em que muitos acreditam).
Apenas disse que as minhas crenças são só minhas e somente por mim (e para mim) podem ser justificadas ou modificadas, já que são estritamente pessoais. São um produto da minha educação (ou falta de), do meu próprio entendimento e de muitos outros componentes (emocionais, intelectuais, sociais).
É claro que posso acreditar em algo que muitas outras pessoas acreditam, argumentar sobre isso, esclarecer, concordar, refutar, e esse diálogo poderá ter influencia (ou não) sobre as minhas crenças pessoais.
Assim, não me acho no direito de questionar as crenças pessoais de quem quer que seja.
Por exemplo, não discuto religião pois considero uma crença pessoal, porém isso não significa que eu não possa discutir sobre o Cristianismo ou outra coisa qualquer.
Acho que a intolerância ao diálogo é consequência direta das crenças pessoais que são sempre abordadas com um componente emocional muito grande.


Offline _Juca_

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #32 Online: 02 de Dezembro de 2011, 09:10:39 »
[
Acho que a intolerância ao diálogo é consequência direta das crenças pessoais que são sempre abordadas com um componente emocional muito grande.



Justamente por isso ela são altamente questionáveis.  :ok:

Offline Moro

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #33 Online: 02 de Dezembro de 2011, 22:42:46 »
sim crenças são altamente questionáveis
“If an ideology is peaceful, we will see its extremists and literalists as the most peaceful people on earth, that's called common sense.”

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"To claim that someone is not motivated by what they say is motivating them, means you know what motivates them better than they do."

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Sacred cows make the best hamburgers

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Offline Digão

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #34 Online: 16 de Abril de 2012, 18:58:21 »
Enquanto isso, parece que o número de ateus declarados tem crescido bastante. É por isso que acho importante que os ateus não tenham medo de mostrar sua falta de crença em público. Essa é a melhor forma de combater uma escalada de intolerância.

Nem a pau!!! Cê tá louco? Eu era católico e sei muito bem o tamanho do meu preconceito e o dos outros em relação a gente como os ateus. E isso que a gente era moderado! Pra nós ateu era gente do mal sobre os quais nem se falava a respeito, gente perdida, que até se poderia ignorar se fosse um aqui e outro ali, mas se começarem a virar praga são absolutamente inadmissíveis. Aí sim que acontece uma escalada de intolerância. Melhor esperar que sejamos mais numerosos antes de sair proclamando aos quatro ventos que seguimos uma ideologia que entra no ouvido cristão com som de "comedor de criancinhas". Sei que muitos vão ficar mordidos, mas quem convive em ambientes menos "esclarecidos" sabe do que estou falando. Não quero virar alvo fácil como aqueles homossexuais da Paulista.
« Última modificação: 16 de Abril de 2012, 19:11:17 por Digão »

Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #35 Online: 16 de Abril de 2012, 21:51:11 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.

Offline EuSouOqueSou

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #36 Online: 16 de Abril de 2012, 22:21:42 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.

Sim, vc tem essa sorte.
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline Geotecton

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #37 Online: 16 de Abril de 2012, 23:57:01 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.

Ou as pessoas não se importam com a sua opinião.  :)
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Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #38 Online: 17 de Abril de 2012, 00:02:17 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.

Ou as pessoas não se importam com a sua opinião.  :)

É o que eu penso. Elas devem me ver da mesma forma que as vejo.  :)

Offline Geotecton

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #39 Online: 17 de Abril de 2012, 00:07:31 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.
Ou as pessoas não se importam com a sua opinião.  :)
É o que eu penso. Elas devem me ver da mesma forma que as vejo.  :)

Eu tenho esta impressão, pois as pessoas religiosas assim se comportam como uma defesa contra as ideias que possam lhes tirar da 'zona de conforto'.
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Offline Vento Sul

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #40 Online: 17 de Abril de 2012, 00:28:54 »
Eu uso sempre a frase, nós não detestamos os religiosos ou religiões, apenas não acreditamos. Isso dá uma desarmada boa nos crentes. Outro dia um colega de trabalho que é evangélico caiu na besteira de puxar assunto sobre religião, e eu disse que não entendia os cristãos, pois eles não entendem quem eles seguem, o tal Cristo. Ou então que estão sendo enganados. Pergunto a ele onde que ele viu Cristo sendo intolerante?  Como a maior parte dos evangélicos praticam o papagaiês e não tem formação para analisar os fundamentos das suas crenças, eles vem com algumas frases prontas e mudam de assunto rapidamente. Ah o assunto começou com ele dizendo que católicos não seguem e nem usam a bíblia, em seus rituais só usam textos apócrifos...
« Última modificação: 17 de Abril de 2012, 00:32:25 por zambest »
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Resumindo: Ou acreditamos em mágica ou não!
 
 
 
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Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #41 Online: 17 de Abril de 2012, 00:50:59 »
Eu uso sempre a frase, nós não detestamos os religiosos ou religiões, apenas não acreditamos. Isso dá uma desarmada boa nos crentes. Outro dia um colega de trabalho que é evangélico caiu na besteira de puxar assunto sobre religião, e eu disse que não entendia os cristãos, pois eles não entendem quem eles seguem, o tal Cristo. Ou então que estão sendo enganados. Pergunto a ele onde que ele viu Cristo sendo intolerante?  Como a maior parte dos evangélicos praticam o papagaiês e não tem formação para analisar os fundamentos das suas crenças, eles vem com algumas frases prontas e mudam de assunto rapidamente. Ah o assunto começou com ele dizendo que católicos não seguem e nem usam a bíblia, em seus rituais só usam textos apócrifos...

Nós quem? Você e seu(s) amigo(s) imagnário(s)?  ::)   Ah, desculpe! Não resisti.  :P

À sério, você diz mesmo "nós" como se falasse por um grupo ou foi apenas modo de "falar"? Me chamou atenção esse detalhe. Pergunto porque há ateus que se expressam dessa forma, no plural e sempre me parece tão estranho.

E como assim não detestamos religião? Eu detesto.  :hihi:

Offline Gaúcho

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #42 Online: 17 de Abril de 2012, 12:21:48 »
Como alguém bem disse uma vez: "Pessoas boas farão coisas boas e pessoas ruins farão coisas ruins, mas é preciso religião para que pessoas boas façam coisas ruins".
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline West

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #43 Online: 18 de Abril de 2012, 09:55:43 »
Pior são os comentários do tipo: "não somos intolerantes, respeitamos os ateus, amamos a todos, Jesus ensina a tolerância, etc, etc... MAS esperamos que vocês se convertam porque senão vão todos queimar no inferno."
PQP!
"Houve um tempo em que os anjos perambulavam na terra.
Agora não se acham nem no céu."
__________
Provérbio Iídiche.

"Acerca dos deuses não tenho como saber nem se eles existem nem se eles não
existem, nem qual sua aparência. Muitas coisas impedem meu conhecimento.
Entres elas, o fato de que eles nunca aparecem."
__________
Protágoras.Ensaio sobre os deuses. Séc. V a.C.

Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #44 Online: 18 de Abril de 2012, 11:35:32 »
Pior são os comentários do tipo: "não somos intolerantes, respeitamos os ateus, amamos a todos, Jesus ensina a tolerância, etc, etc... MAS esperamos que vocês se convertam porque senão vão todos queimar no inferno."
PQP!

Como pior? Esses são os melhores.  :hihi:

A comentários semelhantes já respondi "Então tá, nos vemos lá!" ou "Deus já mudou de idéia tantas vezes que não se pode confiar no que ele diz!" ou "De repente eu me converto no leito de morte, já que posso ter o melhor dos dois mundos." e "etc".  :P

Pior mesmo são aqueles que você não pode responder sem que o provocador seja você.  <_< 

Não que eu me importe!  :lol:


Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #45 Online: 18 de Abril de 2012, 14:59:32 »
Eu devo ser uma pessoa de muita sorte, porque quase todos os meus parentes, amigos, clientes e vizinhos são religiosos ou, no mínimo, acreditam em Deus e nunca sofri nenhum preconceito. E falo tranquilamente sobre o assunto em qualquer meio.
Ou as pessoas não se importam com a sua opinião.  :)
É o que eu penso. Elas devem me ver da mesma forma que as vejo.  :)

Eu tenho esta impressão, pois as pessoas religiosas assim se comportam como uma defesa contra as ideias que possam lhes tirar da 'zona de conforto'.

Acho que a explicação mais simples é a recíproca mesmo, pois normalmente trato o ateísmo com a mesma reverência que qualquer religião. Ou seja, nenhuma!  :)

E que graça teria debater com quem aparenta indiferença? Até prefiro assim porque esse relamente não é um assunto que eu consiga tratar com seriedade. É cômica a forma como as pessoas dão tanta importância às próprias opiniões tanto quanto as alheias. Então só me resta o bom humor.  :)

Offline Pellicer

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #46 Online: 18 de Abril de 2012, 18:15:30 »
Como alguém bem disse uma vez: "Pessoas boas farão coisas boas e pessoas ruins farão coisas ruins, mas é preciso religião para que pessoas boas façam coisas ruins".

“Religion is an insult to human dignity. With or without it, you'd have good people doing good things and evil people doing bad things, but for good people to do bad things, it takes religion.”
-- Steven Weinberg

Skorpios

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #47 Online: 09 de Maio de 2014, 15:53:21 »
Não quis abrir outro tópico para esse artigo.
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A era dos direitos: a vez dos ateus
Por Afonso Nascimento - Advogado e Professor de Direito da UFS

O jurista e filosofo da política italiano Norberto Bobbio escreveu um livro muito bacana intitulado "A era dos direitos". Com ele, mostrava como a segunda metade do século passado se tornara de fato uma época de extensão de direitos a muitos grupos humanos antes invisíveis ou ignorados. Nessa sua lista, entraram minorias raciais e étnicas, minorias sexuais, deficientes de todos os tipos e assim por diante. No Brasil, uma expressão dessa era dos direitos, apoiada pela Constituição Federal de 1988, foi o surgimento de uma série de estatutos ou leis específicas ou não gerais (criança e adolescente, afro-descendentes, idosos, mulheres, etc.). A esse rol de estatutos "só faltou" incluir um estatuto da igualdade social.

A era dos direitos religiosos dos brasileiros são um assunto que traz à tona muitos problemas. O primeiro que diz respeito a como nos tornamos uma nação majoritariamente cristã. Sem intenção de querer me aprofundar no tema, esse foi um processo violento contra as crenças de povos não europeus, o que incluiu, entre outras coisas, os tribunais da inquisição em Sergipe e no Brasil, a discriminação legal contra judeus no período colonial, a intolerância vigente ate hoje contra religiões de matriz africana não mais pelo Estado e mas por adeptos de religiões cristãs, etc.

Talvez em razão da forte religiosidade dos brasileiros, os ateus, pessoas desprovidas de crenças sobrenaturais, sempre foram um grupo socialmente discriminado. Salvo engano meu, uma importante discriminação partia do IBGE (leia-se o Estado brasileiro) que não os incluía nos seus censos sobre as crenças religiosas no Brasil. Não faz muito tempo, quando passou a levar em conta esse indicador, os brasileiros ficaram sabendo que seus compatriotas sem religião correspondem a cerca de 10% da população geral, inclusive em Sergipe. Quando leio essas estatísticas, fico a pensar: será que elas incluem ao mesmo tempo pessoas que não foram batizadas em nenhuma religião, pessoas que já tiveram religião e depois se tornaram ateias e pessoas que foram educadas pelos pais para não terem nenhuma crença religiosa? Provavelmente as três categorias.

Os estereótipos, os preconceitos e a discriminação contra os ateus estão bem arraigados em todas as populações crentes em religiões no Brasil, pouco importando a sua denominação (católicas, protestantes, evangélicas, afro-descendentes, espíritas, etc.). As pessoas simplesmente não entendem que outras possam não ter crenças sobrenaturais como as suas. Não compreendem que os ateus também possuem as suas crenças, com a diferença de que elas são terrenas, mesmo que também sejam irracionais. Para essa incompreensão e esse preconceito, a contribuição da Igreja Católica brasileira foi importantíssima. Embora tenha raízes mais antigas, foi durante o período em que passou a competir com comunistas pela liderança dos movimentos dos trabalhadores que os católicos propagaram a idéia do "comunismo ateu" - um preconceito por sua vez ligado ã famosa e infeliz frase de Marx sobre a religião como "ópio" que impedia a classe trabalhadora de emancipar-se.

Não faz muito tempo li artigo no jornal Folha de São Paulo em que articulista, ateu, denunciava a discriminação contra ateus e agnósticos no Brasil. Nessa ocasião fiquei sabendo, pela primeira vez, que ha no Brasil uma Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), com sede em São Paulo, tendo por objetivos os seguintes pontos: "Congregar ateus e agnósticos, defendendo seus interesses e direitos, em todo o território nacional, bem como nos países ou estados independentes onde o Estado brasileiro possui representação diplomática; Combater o preconceito e a desinformação a respeito do ateísmo e do agnosticismo, dos ateus e dos agnósticos; Auxiliar a auto-afirmação dos ateus e agnósticos frente ao preconceito e a rejeição sociais; Apontar o ateísmo e o agnosticismo como caminhos filosóficos viáveis, consistentes e morais; Promover sistemas éticos seculares; Promover a laicidade efetiva do Estado, combatendo em todas as esferas legais qualquer tipo de associação que seja contrária ao descrito na Constituição da Republica Federativa do Brasil; Promover o pensamento crítico e o método científico; e Defender os direitos legais de ateus e agnósticos podendo participar e contribuir com as instituições democráticas legalmente descritas e fundamentadas na Constituição da Republica Federativa do Brasil, fazendo sugestões, participando de discussões sociais e representando ações públicas ou privadas sempre com base nos objetivos descritos e fundamentados no estatuto". Embora eu não seja e nem pretenda ser militante ou ativista do ateísmo ou do agnosticismo, honestamente eu não teria problema em aderir a uma associação com tais objetivos.

A minha escolha racional pelo ateísmo, como aquele descrito acima, nada tem de intolerante. Ela começou, paradoxalmente, quando eu era adolescente e colaborava, sem ser coroinha, com os trabalhos da casa paroquial e da igreja matriz de Laranjeiras, em Sergipe. Tudo espontaneamente. Depois, ao longo de mais de três décadas, fiz boas leituras de autores como Feuerbach ("Os homens inventam os deuses. Depois dizem que foram inventados por aqueles" ), o velho Marx, o biruta e anti-semita do Nietzsche e finalmente grandes nomes como Bertrand Russell ("Por que não sou cristão") e ateus contemporâneos como Hitchens, Dawkins, Sam Harris, etc. Foram esses autores que solidificaram e sofisticaram meu embasamento ateísta. Para os interessados, existe ate um livro ainda não foi traduzido para o português e organizado por HITCHENS (Cristopher. The Portable Atheist. New York: Da Capo Press, 2007) com uma excelente seleção de textos de muitos autores ateus.

Muito recentemente, ao ler a noticia de que juiz federal de São Paulo, atendendo a pedido do MPF, condenou o apresentador José Luiz Datena a produzir programa fazendo a dissociação entre ateísmo e criminalidade como punição educativa, fiquei muito contente. Em seu programa Brasil Urgente, Datena disse coisas como essas em 2010: "Um sujeito que é ateu não tem limites, e é por isso que a gente vê esses crimes aí" ou então "não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse". O ateísmo nada tem a ver com criminalidade. São conhecidas guerras religiosas, guerras de conquista e criminalidade em nome de Deus. Em se tratando de um programa de TV que e visto por milhões de brasileiros, espero que sirva para educar os brasileiros na direção de uma sociedade democrática que pratique a liberdade de crença e de convicção e que respeite a diversidade e a tolerância em todos os sentidos.


Fonte

Offline Jetro

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #48 Online: 29 de Maio de 2014, 23:48:17 »
(...)
Quando eu era criança tinha vergonha quando meus pais saiam para a Igreja com a Bíblia na mão. Meus colegas ficavam gritando "Jetro é Crente"... Havia vezes em que eu andava alguns metros atrás, na vã tentativa de talvez, pensarem que estava só. Pelo visto a coisa é bem diferente nos dias de hoje. Na verdade a "coisa" está sempre mudando. Piorando, ao meu ver.
Tenho uma leitura diferente deste caso da "Jornalista e o Taxista". Ela, dotada de cultura e ele de fé, mas ambos rasos de entendimento e foi este o maior problema. Da mesma forma que o ateu enfrenta situações desconfortáveis quando se declara ateu num país cristão, eu enfrento muita dificuldade em dizer coisas como "Não assisto a Rede Globo"; "Eu não como carne"; "Eu nunca minto"; "Não vejo graça no carnaval"; "Não tenho time de futebol"; E mais uma infinidade de "Absurdos" similares. Então, se a Jornalista tivesse o mínimo de bom senso, teria percebido que estava diante de uma pessoa sem cultura, que mal sabia escrever, inseguro de si, pulando de igreja em igreja. Quando ela se declarou "ateia" ao motorista, foi como se dissesse "a Barbie é um pedaço de plástico" a uma criança que brinca de boneca. Não se deve desmerecer o que o outro valoriza. A criança gritaria "Sua chata!" da mesma forma que o taxista retrucou "Deus me livre". Talvez seja um defeito meu, mas sempre, numa briga entre um culto e um ignorante, eu tomo as dores do mais fraco porque eu penso que quem sabe mais, deve mais.

Minha dica aos ateus, acerca dos crentes, é que devem evitar diálogos sobre assuntos religiosos com os de baixo nível cultural, toda vez que este possa ser notado sem muito esforço. Aliás, evitem qualquer forma de debate para não se frustrarem.
Eu sou Crente, e curto um bom debate, mas prefiro fazê-lo com ateus, porque a grande maioria dos crentes de hoje, parecem estar loucos. É realmente muito estranho o que está acontecendo.
« Última modificação: 31 de Maio de 2014, 14:59:48 por Jetro »
"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima." Louis Pasteur

Offline AlienígenA

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Re:Pelo direito de ser ateu
« Resposta #49 Online: 30 de Maio de 2014, 08:42:23 »
Jetro, sem conceber com sinceridade a possibilidade de que não existem deuses, as pessoas nunca terão a oportunidade de descobrir que são capazes de fazer o bem quando não tem ninguém olhando. É preciso ficar a sós consigo mesmo para se conhecer intimamente e os deuses não permitem isso. Uma experiência das mais enriquecedoras. Meia hora de ateísmo diário não faz mal a ninguém. #ficadica :)

 

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