Autor Tópico: Ancine limitará ocupação das salas de cinema  (Lida 7290 vezes)

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Offline Gaúcho

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #100 Online: 19 de Dezembro de 2014, 09:41:00 »
Quando eu escrevi "[...]que construa cinemas públicos[...]", um pedaço da minha alma morreu. :lol:
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline Gabarito

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #101 Online: 19 de Dezembro de 2014, 09:47:55 »
Nossa, que lixo essa medida.

Acho que os caras dessas agências estão procurando avidamente algo que justifique seus cargos e salários, só pode.

Devem ser exibidos o que o público quer assistir.

Se os cinemas fossem do governo, vá lá, mas um cinema de propriedade particular ser forçado a exibir algo que ninguém quer assistir e que consequentemente não pague suas contas e lhe dê lucro...é surreal.

A ideia continua sendo estúpida, não importa o malabarismo para relativizá-la. É uma empresa privada, ela coloca em cartaz o filme que quiser, em quantas salas quiser.

O próximo passo é definir a porcentagem de cada tipo de salgados e bolos em uma confeitaria. E eu vou apoiar, porque da última vez que fui, não tinha o bolo que eu gostava. Faça-me o favor.

Os filmes são produzidos com dinheiro de particulares. Os cinemas são mantidos com dinheiros de particulares. As entradas são pagas com dinheiros de particulares. Por que alguém mais além desses particulares poderia decidir quais filmes devam ser exibidos ou não?

Mesmo se aceitarmos que cinema seja "cultura em massa", o que já é algo completamente discutível, os filmes ainda são exibidos em salas privadas. Se o Estado quer decidir quais filmes passar, que construa cinemas públicos e passe o que bem entender.

Shows musicais também são considerados cultura? O Estado define a porcentagem de shows nacionais e internacionais de todas as casas de shows do país? E peças de teatro? Tem um porcentagem obrigatória de peças sobre determinados temas? Existem peças que estão em cartaz há anos, não precisamos de uma lei de determine o número máximo de apresentações de peças, para darem lugar a outras, independente se o público quer ou não continuar assistindo a peça atual?

Essas imposições do Estado sempre me parecem uma mera justificativa para o ministério correspondente existir.


Resumão bom aí em cima.


A tentativa de regulação parece mesmo querer justificar a existência de agências, cargos e salários.
A comparação com teatro, shows e eventos semelhantes está perfeita.
As empresas são privadas, particulares. Não cabe o dedo do Estado na gerência de um negócio, quando é um negócio lícito.
Concordo que mercado não pode ser totalmente livre. Há temas que precisam ser observados de perto pelo Estado. Mas arte e entretenimento, no caso cinema, está claro que não é um deles, ainda mais quando invade a liberdade de gerir negócios particulares.

Agência de Águas, de Energia, Telefonia, essas coisas, têm o seu motivo de existência. Mas de Cinema? Tem também de Música e Dança? Por que não regulam o que as orquestras e as companhias de dança podem ou não apresentar?



Quando eu escrevi "[...]que construa cinemas públicos[...]", um pedaço da minha alma morreu. :lol:

Compreensível, porque dá calafrios pensar no governo mantendo cinemas.
Mas a argumentação está perfeita.

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #102 Online: 19 de Dezembro de 2014, 10:46:26 »
A leitura dos comentários me dá a impressão de alguns foristas fizeram leitura seletiva do artigo da Folha:
Nesse artigo também constam os seguintes trechos:   
- O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras* (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
- Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
- "A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."

Quer dizer, tivemos a situação em que: Empresas - com o apoio da agência que regula seu respectivo negocio no pais - assinaram um acordo que, hipoteticamente, as fariam perder dinheiro; o cabeça da Paris Filmes, que distribui(u) diversos teen movies no pais (e, hipoteticamente, estaria perdendo dinheiro caso a medida já estivesse em vigor) se disse favorável à medida e; o próprio presidente da federação nacional de exibidores afirmou que foi uma decisão tomada de baixo pra cima e não foi imposta pelo governo.

"Não irmãos! Não façam isso! O governo esta querendo te enganar! Concorrência! Não-intervencionismo! Liberdade de escolha! A... a... Ah, droga! Eles sofreram lavagem cerebral. Estão se tornando mais responsáveis. Hereges! Descrentes! Deveriam ser excomungados da Santa Igreja do Livre Mercado. Em nome de Hayek, Friedman e de Adam Smith, Amén"

*Grupo Kinoplex Severiano Ribeiro, Cinépolis Operadora de Cinemas do Brasil, Cinemark Brasil, Grupo Espaço de Cinema, Cineflix Cinemas, United Cinemas Internacional Brasil (UCI), Rede Cinesystem, Arcoplex Cinemas, Lui Cinematográfica, Centerplex Cinemas, Moviecom Cinemas, Rede Cine Show, Rede Cineart Multiplex, Rede Cinemaxx, Sindicato das Empresas Exibidoras do Rio de Janeiro, Rede Moviemax, GNC Cinemas, Grupo Estação, Lumière Cinema, Cineart Café, CineSercla, Grupo Cine Cinemas, Playarte Cinemas, Cine Caixa Belas Artes, Pandora Filmes, Paris Filmes, H20 Films, Downtown Filmes e Imagem Filmes. FONTE
"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Offline Fabrício

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #103 Online: 19 de Dezembro de 2014, 11:07:28 »
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A leitura dos comentários me dá a impressão de alguns foristas fizeram leitura seletiva do artigo da Folha:
Nesse artigo também constam os seguintes trechos:   
- O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras* (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
- Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
- "A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."

Quer dizer, tivemos a situação em que: Empresas - com o apoio da agência que regula seu respectivo negocio no pais - assinaram um acordo que, hipoteticamente, as fariam perder dinheiro; o cabeça da Paris Filmes, que distribui(u) diversos teen movies no pais (e, hipoteticamente, estaria perdendo dinheiro caso a medida já estivesse em vigor) se disse favorável à medida e; o próprio presidente da federação nacional de exibidores afirmou que foi uma decisão tomada de baixo pra cima e não foi imposta pelo governo.

Tudo funciona na teoria. Vamos ver se na prática esse "acordo de cavalheiros" vai mesmo se confirmar. Meu palpite é que, apesar das exibidoras terem concordado com isso, na hora do vamos ver tudo vai continuar como é hoje. Não que eu esteja criticando, do jeito que está pra mim funciona. Veremos em um futuro próximo o que vai acontecer.
"Deus prefere os ateus"

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #104 Online: 19 de Dezembro de 2014, 11:09:29 »
Não dá pra levar a sério isso. Como falei antes, é como se a Associação dos Confeiteiros do Brasil quisessem definir a porcentagem de salgados e bolos nas confeitarias.

Que intromissão estúpida do estado em empresas privadas. Pelo menos não é uma lei, e como não tem multa e a fiscalização deve ser aquela coisa que estamos acostumados, as empresas não devem levar isso a sério.

Algums ressalvas:
- Padarias e confeitarias não vendem todos os seus produtos pelo mesmo preço.
- A torteleta de morango e o risole permanecem disponíveis por anos, e não apenas por um mês e meio.
- Os bolos não se beneficiam de orçamentos multimilionários para publicidade.
- Padeiros e confeiteiros querem que você compre de tudo e não apenas o pão francês.
- Não existem apenas 750 padarias e confeitarías no país.
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Offline DDV

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #105 Online: 19 de Dezembro de 2014, 11:22:14 »
Cara, como acho impressionante e de uma ingenuidade que chega a ser tocante essa pretensão que algumas pessoas têm, achando que sabem o que é melhor para as demais do que as próprias, achando que podem planejar detalhadamente e moldar com sucesso fenômenos tão complexos como a produção de bens culturais, a oferta e demanda de bens diversos, etc. 

É impressionante mesmo. É muita pretensão, muita arrogância e muita falta de realismo. 

Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Gaúcho

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #106 Online: 19 de Dezembro de 2014, 11:23:36 »
Não dá pra levar a sério isso. Como falei antes, é como se a Associação dos Confeiteiros do Brasil quisessem definir a porcentagem de salgados e bolos nas confeitarias.

Que intromissão estúpida do estado em empresas privadas. Pelo menos não é uma lei, e como não tem multa e a fiscalização deve ser aquela coisa que estamos acostumados, as empresas não devem levar isso a sério.

Algums ressalvas:
- Padarias e confeitarias não vendem todos os seus produtos pelo mesmo preço.

Nem cinemas. 3D é mais caro que 2D, e Imax é mais caro que 3D. Qual o ponto?

- A torteleta de morango e o risole permanecem disponíveis por anos, e não apenas por um mês e meio.

Porque pessoas continuam comprando depois de anos. Se milhões de pessoas quisessem ver o mesmo filme no cinema depois de 6 meses de estreia, os cinemas continuariam exibindo o filme. Mesma coisa com as torteletas e o risole, se as pessoas parassem de comer em uma quantidade que seja lucrativa para o dono da confeitaria, ele pararia de vendê-las. Pelo seu argumento, neste caso, o Estado deveria obrigar a confeitaria a continuar vendendo as torteletas e o risole, o que é algo, no mínimo, idiota.

- Os bolos não se beneficiam de orçamentos multimilionários para publicidade.

E?

- Padeiros e confeiteiros querem que você compre de tudo e não apenas o pão francês.

Padeiros e confeiteiros querem ter lucro, independente do que os clientes estão comprando. Se os clientes estão comprando só bolos, eles farão só bolos e não farão salgados que ninguém compra.

- Não existem apenas 750 padarias e confeitarías no país.

E se só existisse 750? Elas seriam obrigadas a fazer doces e salgados que ninguém compra, só porque o Estado quer? Qual a lógica disso? Se esses doces tivessem uma demanda significativa, eles seriam feitos espontaneamente pelos confeiteiros, que, ao contrário do que você parece acreditar, não são almas caridosas que não querem lucros, mas, sim, adoçar a vida da população e transformar o mundo. Não tem cabimento obrigar os confeiteiros a fazerem um doce que não tem demanda/trás prejuízo.
« Última modificação: 19 de Dezembro de 2014, 11:26:39 por Gaúcho »
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #107 Online: 19 de Dezembro de 2014, 11:28:36 »
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A leitura dos comentários me dá a impressão de alguns foristas fizeram leitura seletiva do artigo da Folha:
Nesse artigo também constam os seguintes trechos:   
- O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras* (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
- Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
- "A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."

Quer dizer, tivemos a situação em que: Empresas - com o apoio da agência que regula seu respectivo negocio no pais - assinaram um acordo que, hipoteticamente, as fariam perder dinheiro; o cabeça da Paris Filmes, que distribui(u) diversos teen movies no pais (e, hipoteticamente, estaria perdendo dinheiro caso a medida já estivesse em vigor) se disse favorável à medida e; o próprio presidente da federação nacional de exibidores afirmou que foi uma decisão tomada de baixo pra cima e não foi imposta pelo governo.

Tudo funciona na teoria. Vamos ver se na prática esse "acordo de cavalheiros" vai mesmo se confirmar. Meu palpite é que, apesar das exibidoras terem concordado com isso, na hora do vamos ver tudo vai continuar como é hoje. Não que eu esteja criticando, do jeito que está pra mim funciona. Veremos em um futuro próximo o que vai acontecer.

Pois é. Eu também vejo isso como um "acordo de cavalheiros" (entre aspas mesmo, pois conta com o respaldo do governo).
Meu palpite é que, pelo menos à curto prazo, todo mundo que concordou vai segurar a onda. 2015 vai ser um período de teste.
Se vai se estender para 2016, eu já não sei. Nessa aposta, eu boto metade das minhas fichas.
"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Offline Fabrício

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #108 Online: 19 de Dezembro de 2014, 12:05:00 »
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A leitura dos comentários me dá a impressão de alguns foristas fizeram leitura seletiva do artigo da Folha:
Nesse artigo também constam os seguintes trechos:   
- O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras* (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
- Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
- "A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."

Quer dizer, tivemos a situação em que: Empresas - com o apoio da agência que regula seu respectivo negocio no pais - assinaram um acordo que, hipoteticamente, as fariam perder dinheiro; o cabeça da Paris Filmes, que distribui(u) diversos teen movies no pais (e, hipoteticamente, estaria perdendo dinheiro caso a medida já estivesse em vigor) se disse favorável à medida e; o próprio presidente da federação nacional de exibidores afirmou que foi uma decisão tomada de baixo pra cima e não foi imposta pelo governo.

Tudo funciona na teoria. Vamos ver se na prática esse "acordo de cavalheiros" vai mesmo se confirmar. Meu palpite é que, apesar das exibidoras terem concordado com isso, na hora do vamos ver tudo vai continuar como é hoje. Não que eu esteja criticando, do jeito que está pra mim funciona. Veremos em um futuro próximo o que vai acontecer.

Pois é. Eu também vejo isso como um "acordo de cavalheiros" (entre aspas mesmo, pois conta com o respaldo do governo).
Meu palpite é que, pelo menos à curto prazo, todo mundo que concordou vai segurar a onda. 2015 vai ser um período de teste.
Se vai se estender para 2016, eu já não sei. Nessa aposta, eu boto metade das minhas fichas.

Eu apostaria que a demanda será mais forte e em pouco tempo (máximo segundo semestre de 2015, e olhe lá) esse acordo não vai ser seguido por ninguém. Meu receio é que aí os gênios da ANCINE resolvam impor a medida na marra.

Cara, como acho impressionante e de uma ingenuidade que chega a ser tocante essa pretensão que algumas pessoas têm, achando que sabem o que é melhor para as demais do que as próprias, achando que podem planejar detalhadamente e moldar com sucesso fenômenos tão complexos como a produção de bens culturais, a oferta e demanda de bens diversos, etc. 

É impressionante mesmo. É muita pretensão, muita arrogância e muita falta de realismo. 



 :ok:
"Deus prefere os ateus"

Offline Rocky Joe

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #109 Online: 19 de Dezembro de 2014, 12:06:17 »
Cara, como acho impressionante e de uma ingenuidade que chega a ser tocante essa pretensão que algumas pessoas têm, achando que sabem o que é melhor para as demais do que as próprias, achando que podem planejar detalhadamente e moldar com sucesso fenômenos tão complexos como a produção de bens culturais, a oferta e demanda de bens diversos, etc. 

É impressionante mesmo. É muita pretensão, muita arrogância e muita falta de realismo. 



Você que está vendo uma pretensão de "controlar perfeitamente" e, mais uma vez, está reduzindo as pessoas que pensam diferente de você  - que o estado pode interferir na cultura (e estamos em uma democracia, onde, se o estado não for interferir ou fazer nada, é difícil dizer para que serve esta democracia afinal) - a pessoas mal intencionadas ou burras.

Até onde eu saiba, é usual intervenção estatal em arte, por exemplo, por financiamento público (Canadá, França, Inglaterra...). Não é uma questão de 'modelar perfeitamente', mas tentar uma interferência positiva.

Se você acha que o mercado sozinho irá cuidar bem de nossos bem culturais, OK. Mas chamar o outro lado de 'ingênuo, pretensioso, arrogante" é exagero, ainda mais quando se trata de políticas bem estabelecidas.

Lembrando que eu ainda acho esta decisão meio 'meh'.

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #110 Online: 19 de Dezembro de 2014, 12:28:21 »
...

Algums ressalvas:
- Padarias e confeitarias não vendem todos os seus produtos pelo mesmo preço.

(1)Nem cinemas. 3D é mais caro que 2D, e Imax é mais caro que 3D. Qual o ponto?

- A torteleta de morango e o risole permanecem disponíveis por anos, e não apenas por um mês e meio.

(2)Porque pessoas continuam comprando depois de anos. Se milhões de pessoas quisessem ver o mesmo filme no cinema depois de 6 meses de estreia, os cinemas continuariam exibindo o filme. Mesma coisa com as torteletas e o risole, se as pessoas parassem de comer em uma quantidade que seja lucrativa para o dono da confeitaria, ele pararia de vendê-las. Pelo seu argumento, neste caso, o Estado deveria obrigar a confeitaria a continuar vendendo as torteletas e o risole, o que é algo, no mínimo, idiota.

- Os bolos não se beneficiam de orçamentos multimilionários para publicidade.

(3)E?

- Padeiros e confeiteiros querem que você compre de tudo e não apenas o pão francês.

(4)Padeiros e confeiteiros querem ter lucro, independente do que os clientes estão comprando. Se os clientes estão comprando só bolos, eles farão só bolos e não farão salgados que ninguém compra.

- Não existem apenas 750 padarias e confeitarías no país.

(5)E se só existisse 750? Elas seriam obrigadas a fazer doces e salgados que ninguém compra, só porque o Estado quer? Qual a lógica disso? Se esses doces tivessem uma demanda significativa, eles seriam feitos espontaneamente pelos confeiteiros, que, ao contrário do que você parece acreditar, não são almas caridosas que não querem lucros, mas, sim, adoçar a vida da população e transformar o mundo. Não tem cabimento obrigar os confeiteiros a fazerem um doce que não tem demanda/trás prejuízo.

1. O equivalente na confeitaria a pedir um sorvete de chocolate no copo ou no cascalho, com ou sem chantilly. São adicionais que melhoram a experiência de consumo de um mesmo produto. Enquanto isso, o sorvete puro continua custando $3,00, A coxinha $2,00 e o Pão Francês $0,50.

2. Isso aconteceu com o filme Titanic. São exceções à regra. O acordo também não toca no assunto de período máximo de exibição de um filme.
Eu também não sugeri que o Estado deveria obrigar confeiteiros a vender coisa alguma. Ambas interpretação e conclusão são particulares suas. 

3. Campanhas publicitaria são importantes para a bilheteria de um filme. Se esse fato não corresponde à sua opinião, Kotler gostaria de ter uma conversinha contigo.

4. Padarias também usam matriz BCG. O mundo não é preto ou branco. Existem tons de cinza pra caralho!

5. Novamente: O Estado não está obrigando ninguém a exibir nada. A medida não menciona que cinemas serão obrigados a manter determinados filmes em exibição (i.e. trata-se de uma medida de contenção). Filmes disponíveis e lançamentos também não faltam. Minha opinião sobre confeiteiros também não corresponde à sua sugestão.

Não sei qual é sua formação acadêmica, mas caso seja/tenha sido na área de administração ou economia, seria legal honrar seu diploma e analisar mercados e industrias levando em consideração todos os respectivos fatores conhecidos e relevantes em conjunto e não separadamente. Dá mais trabalho? Dá! Os resultados são melhores? Sem dúvida!
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Offline Sergiomgbr

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #111 Online: 19 de Dezembro de 2014, 13:19:31 »
Não dá pra levar a sério isso. Como falei antes, é como se a Associação dos Confeiteiros do Brasil quisessem definir a porcentagem de salgados e bolos nas confeitarias.

Que intromissão estúpida do estado em empresas privadas. Pelo menos não é uma lei, e como não tem multa e a fiscalização deve ser aquela coisa que estamos acostumados, as empresas não devem levar isso a sério.
Tirando o fato de que a analogia com confeitos não  é muito condizente, já que exibição de filmes entra na seara de cultura de massa(não confundir massa de bolo com massa humana), algo no escopo doutrinário, também acho intrusiva essa tentativa de controle, principalmente por que não deve ser algo a nível educativo e sim para promoção das "porcarias" cinematográficas produzidas no Brasil. Chega a ser melancólico.

Mesmo se aceitarmos que cinema seja "cultura em massa", o que já é algo completamente discutível, os filmes ainda são exibidos em salas privadas. Se o Estado quer decidir quais filmes passar, que construa cinemas públicos e passe o que bem entender.

Shows musicais também são considerados cultura? O Estado define a porcentagem de shows nacionais e internacionais de todas as casas de shows do país? E peças de teatro? Tem um porcentagem obrigatória de peças sobre determinados temas? Existem peças que estão em cartaz há anos, não precisamos de uma lei de determine o número máximo de apresentações de peças, para darem lugar a outras, independente se o público quer ou não continuar assistindo a peça atual?
O "privado"é um produto do "público", leia-se, o Estado. O consenso sobre o que é lícito e o que é ilícito é produto do Estado, o Estado é parte tácita de todo o processo. O Estado é tutor indissociável de todo o processo.

Quando se fala de cultura de massa e de que forma é necessária a intervenção do Estado, o que está em jogo é a manutenção da cultura que fez mister esse Estado. Na questão da gestão do consumo de cultura de massas como é o caso do cinema, o Estado deverá ser o zelador natural  profícuo do patrimônio cultural de um povo, quando inibe mensagens negativas e comportamentos deletérios para a sociedade que o instituiu, evitar expor crianças, violência gratuita, mensagens facistas, racismo, fanatismo religioso e todo tipo de alienação da sociedade, algo que é subjetivo, já que nem sempre é algo auto-evidente para muitos, portanto, cerne de discussões de todo tipo, mas necessário.

Offline DDV

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #112 Online: 19 de Dezembro de 2014, 13:42:09 »
, onde, se o estado não for interferir ou fazer nada, é difícil dizer para que serve esta democracia afinal)

Há uma lista ENORME de coisas importantes que o estado pode e deve fazer. Regular exibição de películas particulares em salas particulares certamente não está entre elas. A lista de prioridades na frente desta é gigantesca mesmo se considerarmos pertinente essa regulação. "Não poder interferir em nada" é espantalho (na verdade uma hipérbole).

Citação de: Rocky Joe
Se você acha que o mercado sozinho irá cuidar bem de nossos bem culturais, OK.

Há muitas coisas que o estado poderia ou não "cuidar". Poderíamos fica aqui debatendo o dia todo que coisas faz sentido o estado regular, que coisas não. Mas "cultura" certamente está entre as últimas coisas a se pensar quando se fala em "regulação". Cultura é algo imaterial e espontâneo demais para ser objeto de regulação. E liberdade é um fermento para a cultura.

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Offline DDV

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #113 Online: 19 de Dezembro de 2014, 13:44:22 »
Regular "cultura" está mais para uma forma de engenharia social típica de regimes totalitários. No livro 1984, você encontrará um exemplo perfeito de regulação bem sucedida da "cultura" de um local.

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Offline DDV

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #114 Online: 19 de Dezembro de 2014, 13:46:23 »
“Como qualquer grupo, os acadêmicos gostam de demonstrar influência e se sentir importantes. Poucos intelectuais no mundo das ciências sociais e humanas ficam satisfeitos simplesmente em observar, descrever e explicar a sociedade; a maioria quer melhorá-la e é ingênua o bastante para acreditar que poderia de fato fazê-lo caso tivesse a influência necessária. A existência de um enorme governo dá aos acadêmicos a possibilidade real de colocar em prática suas fantasias reformistas.”


Dwight Lee
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Rhyan

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #115 Online: 20 de Dezembro de 2014, 03:14:58 »
A leitura dos comentários me dá a impressão de alguns foristas fizeram leitura seletiva do artigo da Folha:
Nesse artigo também constam os seguintes trechos:   
- O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras* (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
- Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
- "A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."

Quer dizer, tivemos a situação em que: Empresas - com o apoio da agência que regula seu respectivo negocio no pais - assinaram um acordo que, hipoteticamente, as fariam perder dinheiro; o cabeça da Paris Filmes, que distribui(u) diversos teen movies no pais (e, hipoteticamente, estaria perdendo dinheiro caso a medida já estivesse em vigor) se disse favorável à medida e; o próprio presidente da federação nacional de exibidores afirmou que foi uma decisão tomada de baixo pra cima e não foi imposta pelo governo.

"Não irmãos! Não façam isso! O governo esta querendo te enganar! Concorrência! Não-intervencionismo! Liberdade de escolha! A... a... Ah, droga! Eles sofreram lavagem cerebral. Estão se tornando mais responsáveis. Hereges! Descrentes! Deveriam ser excomungados da Santa Igreja do Livre Mercado. Em nome de Hayek, Friedman e de Adam Smith, Amén"

*Grupo Kinoplex Severiano Ribeiro, Cinépolis Operadora de Cinemas do Brasil, Cinemark Brasil, Grupo Espaço de Cinema, Cineflix Cinemas, United Cinemas Internacional Brasil (UCI), Rede Cinesystem, Arcoplex Cinemas, Lui Cinematográfica, Centerplex Cinemas, Moviecom Cinemas, Rede Cine Show, Rede Cineart Multiplex, Rede Cinemaxx, Sindicato das Empresas Exibidoras do Rio de Janeiro, Rede Moviemax, GNC Cinemas, Grupo Estação, Lumière Cinema, Cineart Café, CineSercla, Grupo Cine Cinemas, Playarte Cinemas, Cine Caixa Belas Artes, Pandora Filmes, Paris Filmes, H20 Films, Downtown Filmes e Imagem Filmes. FONTE

Previsível, assim como grandes empresas fazem lobby para o aumento do salário mínimo. Assim que o corporativismo elimina concorrentes mais fracos.

Mas eu devo estar errado e você deve entender mais sobre liberalismo clássico do que eu pra saber quais as suas falhas teóricas.

Rhyan

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #116 Online: 20 de Dezembro de 2014, 07:54:04 »
Ausência de regulação é coisa de maluco mesmo:
http://www.econlib.org/library/Enc/Regulation.html

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #117 Online: 21 de Dezembro de 2014, 01:41:43 »
...

Previsível, assim como grandes empresas fazem lobby para o aumento do salário mínimo. Assim que o corporativismo elimina concorrentes mais fracos.

Mas eu devo estar errado e você deve entender mais sobre liberalismo clássico do que eu pra saber quais as suas falhas teóricas.

Pois é. Tão previsível que o festival de chulapadas contra a Ancine durou até o momento em que se soube que tudo foi conversado e que a medida não tem força de lei. Ninguém entre os que criticaram a proposta em momento algum mencionou/sugeriu a possibilidade de um acordo ter sido feito entre grupos chave da industria e o governo. Foi só "intromissão do governo" pra lá, "idéia estúpida que prejudica os cinemas" pra cá, tentativa de enfiar filme goela abaixo e por aí vai. Tudo foi acertado (e ninguém retirou o que disse :no:).

Sobre essa questão do "lobby para aumento de salário":
O Departamento de Justiça americano está agora (novamente) movendo uma ação contra diversas corporações (e.g. Google, Pixar, Microsoft) do Vale do Silício, acusadas de envolvimento num (suposto) conluio, cujo efeito era impedir a escalada dos salários de profissionais. (Eu até cheguei a postar essa informação num outro tópico mas, até o momento, somente o forista Gaúcho demonstrou algum interesse).
Um detalhe sobre o caso: Segundo uma declaração feita por Edwin Catwell, CEO da Pixar, a estrategia teria como função preservar a competitividade da industria nacional frente aos concorrentes internacionais, que se beneficiam de custos mais baixos.
Haveria a possibilidade de saber sua opinião sobre esse caso, traçando um paralelo com a estratégia que você acaba de citar?

Grato.
"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Rhyan

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #118 Online: 21 de Dezembro de 2014, 23:57:26 »
Pois é. Tão previsível que o festival de chulapadas contra a Ancine durou até o momento em que se soube que tudo foi conversado e que a medida não tem força de lei. Ninguém entre os que criticaram a proposta em momento algum mencionou/sugeriu a possibilidade de um acordo ter sido feito entre grupos chave da industria e o governo. Foi só "intromissão do governo" pra lá, "idéia estúpida que prejudica os cinemas" pra cá, tentativa de enfiar filme goela abaixo e por aí vai. Tudo foi acertado (e ninguém retirou o que disse :no:).

Já ouviu falar na teoria da captura?

Citar
Sobre essa questão do "lobby para aumento de salário":
O Departamento de Justiça americano está agora (novamente) movendo uma ação contra diversas corporações (e.g. Google, Pixar, Microsoft) do Vale do Silício, acusadas de envolvimento num (suposto) conluio, cujo efeito era impedir a escalada dos salários de profissionais. (Eu até cheguei a postar essa informação num outro tópico mas, até o momento, somente o forista Gaúcho demonstrou algum interesse).
Um detalhe sobre o caso: Segundo uma declaração feita por Edwin Catwell, CEO da Pixar, a estrategia teria como função preservar a competitividade da industria nacional frente aos concorrentes internacionais, que se beneficiam de custos mais baixos.
Haveria a possibilidade de saber sua opinião sobre esse caso, traçando um paralelo com a estratégia que você acaba de citar?

Grato.

http://mises.org/library/wal-mart-warms-state
http://mises.org/library/how-special-interest-groups-benefit-minimum-wage-laws

Não sei exatamente o motivo de entrarem nesse acordo, mas sendo acordo geral pode beneficiar todos. Na teoria econômica a queda de preços e salários pode até ser boa para os empregados que recebem um menor salário porque a produção aumenta e os bens ficam mais baratos havendo na verdade um aumento do salário real. Desconfio que é algo próprio do setor de tecnologias um acordo dessa natureza.

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #119 Online: 24 de Janeiro de 2015, 15:48:49 »
....

Já ouviu falar na teoria da captura?

Sim. Inclusive ajudei na correção de uma dissertação que abordava esse fenômeno no Brasil.
E a possibilidade desse ter sido o caso não muda o fato de que a reação da maioria dos foristas foi de descer o sarrafo na Ancine antes mesmo que, ambos, os nomes daqueles que estavam na mesa e as condições do acordo fossem divulgados.
Depois disso, querer explicar o caso com teoria da captura chega a ser gozação.

...

http://mises.org/library/wal-mart-warms-state
http://mises.org/library/how-special-interest-groups-benefit-minimum-wage-laws

Não sei exatamente o motivo de entrarem nesse acordo, mas sendo acordo geral pode beneficiar todos. Na teoria econômica a queda de preços e salários pode até ser boa para os empregados que recebem um menor salário porque a produção aumenta e os bens ficam mais baratos havendo na verdade um aumento do salário real. Desconfio que é algo próprio do setor de tecnologias um acordo dessa natureza.

Tive o cuidado de incluir um link para um artigo que trás detalhes relevantes sobre o caso supracitado.
Sinceramente, eu não vejo como os links e o exemplo fornecidos acima se encaixam - mesmo que remotamente - no caso, visto que aqueles que estão recebendo salários menores não são os consumidores dos serviços que eles mesmos oferecem, de modo que não há benefício real senão para o empregador. Contudo, se alguém algum dia me apresentar um estudo (ou bom argumento que o valha), indicando que custos de produção (de filmes) baixos ajuda a manter as entradas dos cinemas mais baratas, assim beneficiando o consumidor final (e aí estão incluidos também os profissionais dessa indústria), eu mudo de opinião.
Querendo apresentar outra "teoria econômica" que realmente explique o caso, sinta-se à vontade.
« Última modificação: 24 de Janeiro de 2015, 15:58:29 por Pilantrólogo »
"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Rhyan

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #120 Online: 25 de Janeiro de 2015, 00:53:14 »
....

Já ouviu falar na teoria da captura?

Sim. Inclusive ajudei na correção de uma dissertação que abordava esse fenômeno no Brasil.
E a possibilidade desse ter sido o caso não muda o fato de que a reação da maioria dos foristas foi de descer o sarrafo na Ancine antes mesmo que, ambos, os nomes daqueles que estavam na mesa e as condições do acordo fossem divulgados.
Depois disso, querer explicar o caso com teoria da captura chega a ser gozação.

Gozação? hahaha... a teoria da captura foi complementada pelos austríacos, e que descreve perfeitamente os últimos anos regulatórios da Anatel, por ex.. Você quer porque quer colocar a Ancine como a santa na história.

Tive o cuidado de incluir um link para um artigo que trás detalhes relevantes sobre o caso supracitado.
Sinceramente, eu não vejo como os links e o exemplo fornecidos acima se encaixam - mesmo que remotamente - no caso, visto que aqueles que estão recebendo salários menores não são os consumidores dos serviços que eles mesmos oferecem, de modo que não há benefício real senão para o empregador. Contudo, se alguém algum dia me apresentar um estudo (ou bom argumento que o valha), indicando que custos de produção (de filmes) baixos ajuda a manter as entradas dos cinemas mais baratas, assim beneficiando o consumidor final (e aí estão incluidos também os profissionais dessa indústria), eu mudo de opinião.
Querendo apresentar outra "teoria econômica" que realmente explique o caso, sinta-se à vontade.

Estava falando de preços gerais, não de setores. Recessões que houve diminuição salarial geral duraram menos que outras.

O setor de tecnologia é concentrado pelo excesso de patentes e PIs. O ex. do Wal-Mart e lojinhas é mais parecido com grandes cinemas e pequenos cinemas.

Rhyan

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #121 Online: 25 de Janeiro de 2015, 01:00:09 »
Saiu:
Governo Limita Ocupação de Salas de Cinemas à Até 35% Pelo Mesmo Filme

Citar
A voracidade dos blockbusters ganhou um limite. A Ancine (Agência Nacional do Cinema), após consultar representantes do setor cinematográfico, bateu o martelo nesta quarta (17) e definiu um teto à ocupação das salas por um mesmo filme.
A partir de 2015, um único título não poderá ocupar mais do que duas em complexos de até seis salas de cinema. Nos casos dos espaços multiplex com mais de seis salas, o teto não poderá ultrapassar 35%.
A polêmica ganhou força em novembro, após reportagem da Folha apontar a ocupação recorde de salas por um único filme no país: "Jogos Vorazes: A Esperança–Parte 1" estreou em 1.300 salas das 2.800 do país (46% do total).

Em entrevista à Folha à época, o presidente da Ancine, Manoel Rangel, classificou o lançamento de "predatório" por restringir a diversidade de filmes que poderiam ser exibidos nesses lugares. A declaração teve grande repercussão no meio cinematográfico, que já discutia o assunto em câmara técnica do órgão.
A adoção de uma medida como essa, existente em países como a França (30%), divide o mercado brasileiro.
O segmento mais independente e autoral afirma que a distribuição dos filmes nos cinemas é o principal gargalo da produção nacional, já que filmes do país entram em poucas salas e ficam pouco tempo em cartaz. Grandes redes de cinemas e distribuidoras, por outro lado, rejeitam uma intervenção estatal por ferir a livre concorrência.
Ontem, por exemplo, longas das franquias "O Hobbit" e "Jogos Vorazes" ocupavam oito das 14 salas do Cinemark Aricanduva, e a animação "As Aventuras do Avião Vermelho", único brasileiro em exibição no local, dividia uma sala com o longa "Drácula".
"Os megalançamentos são bem-vindos porque aumentam a frequência ao cinema, mas queremos evitar que homogeneízem a programação como ocorre hoje", diz Rangel.
Segundo ele, a chamada cota de tela dará "capilaridade" aos lançamentos. "Uma distorção atual é que, mesmo quando um filme ocupa muitas salas num mesmo complexo, não se espalha para muitos locais. Com essa medida, os filmes poderão chegar a cidades onde antes não chegavam."
Convocados pela Ancine, representantes dessas entidades se reuniram na semana passada para discutir diversos aspectos ligados à digitalização dos cinemas, incluindo a ocupação pelos grandes lançamentos, mas só chegaram a uma definição sobre o teto que consideram adequado nesta quarta.
O acordo foi assinado por 17 das 21 grandes exibidoras (isto é, que possuem mais de 20 salas de cinema no país). Ao todo, 82% das telas dos complexos com mais de três salas são cobertas pelo termo –75% do total de salas no Brasil.
A decisão não tem força de lei, mas cinemas que não a seguirem terão de apresentar compensação, como exibir filmes nacionais por mais tempo.
O ano que vem será a prova de fogo da medida. Estreiam em 2015 mais de dez franquias blockbusters, incluindo "Star Wars" e "007", cada vez mais dependentes de países estrangeiros diante do enfraquecimento do mercado nos EUA.

RECEPÇÃO

Para parte dos diretores, distribuidores e exibidores do país, a medida anunciada pela Ancine que limitará a ocupação das salas de cinema pelo mesmo título é bem-vinda. Mas não há consenso sobre como o mercado reagirá a ela em 2015, ano de grandes lançamentos hollywoodianos.
"A medida ajuda, mas não é nenhuma varinha mágica", diz Adhemar Oliveira, diretor de programação do Espaço Itaú. "Mesmo com a limitação, um cinema pode lotar nove de suas salas com apenas três filmes. Cadê a diversidade aí?"
Segundo ele, o maior gargalo é o pequeno número de salas de cinema no Brasil.
O acordo já veio tarde, segundo os cineastas André Klotzel ("A Marvada Carne") e Cláudio Assis ("A Febre do Rato"). "Já falamos disso há dez anos. Na França o filme paga mais imposto quando ocupa muitas salas", diz Klotzel.
Ele diz que o mercado hoje vive uma "liberdade abusiva". "É preciso tratar de forma diferente lançamentos que são diferentes", afirma o diretor.
Assis defende uma cota de tela ainda maior (o máximo estabelecido é 35%). "O nosso filme é expulso das salas pelas produções estrangeiras."
"Esse limite só vai reforçar a posição do filme nacional competitivo por um bom espaço no circuito", pondera Bruno Wainer, diretor da distribuidora Downtown Filmes.
"A ocupação predatória é imposta pela força econômica das corporações internacionais, e não necessariamente pela demanda do publico por um determinado titulo."
Diretor da Paris Filmes, que distribuiu "Jogos Vorazes" no país, Marcio Fraccaroli também se disse favorável à cota (ele integra a câmara técnica da Ancine). Apesar de já ter se manifestado contra uma intervenção do Estado em ocasiões anteriores, disse que a decisão foi "normal e democrática".
"A intervenção nunca é bem-vinda, mas não foi uma atitude tomada de cima para baixo", diz Paulo Lui, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). "Alguns exibidores se opõem, mas no geral há entendimento."
Lui não crê que a regra vá ser infringida. "O mercado está mais profissional. Não há mais exibidores amadores."
Os membros do setor convocados para debater o tema pela Ancine propuseram a criação de uma comissão que irá avaliar o desempenho da medida em 2015.

Obs.: Negrito e ênfase na cor vermelha meus, para ressaltar colocações relacionadas às criticas e observações feitas pelos foristas durante a discussão sobre o referido tema.

Ou seja partiu da Ancine e o pessoal fingiu que gostou... a Ancine sem dúvida é o vilão da história. O governo definindo/limitando qual filme um cinema deve exibir é bizarro por si só. Não há possibilidade de defesa racional para tal absurdo.

Offline Pilantrólogo

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #122 Online: 25 de Janeiro de 2015, 07:36:25 »
....

Já ouviu falar na teoria da captura?

Sim. Inclusive ajudei na correção de uma dissertação que abordava esse fenômeno no Brasil.
E a possibilidade desse ter sido o caso não muda o fato de que a reação da maioria dos foristas foi de descer o sarrafo na Ancine antes mesmo que, ambos, os nomes daqueles que estavam na mesa e as condições do acordo fossem divulgados.
Depois disso, querer explicar o caso com teoria da captura chega a ser gozação.

Gozação? hahaha... a teoria da captura foi complementada pelos austríacos, e que descreve perfeitamente os últimos anos regulatórios da Anatel, por ex.. (1)Você quer porque quer colocar a Ancine como a santa na história.

Tive o cuidado de incluir um link para um artigo que trás detalhes relevantes sobre o caso supracitado.
Sinceramente, eu não vejo como os links e o exemplo fornecidos acima se encaixam - mesmo que remotamente - no caso, visto que aqueles que estão recebendo salários menores não são os consumidores dos serviços que eles mesmos oferecem, de modo que não há benefício real senão para o empregador. Contudo, se alguém algum dia me apresentar um estudo (ou bom argumento que o valha), indicando que custos de produção (de filmes) baixos ajuda a manter as entradas dos cinemas mais baratas, assim beneficiando o consumidor final (e aí estão incluidos também os profissionais dessa indústria), eu mudo de opinião.
Querendo apresentar outra "teoria econômica" que realmente explique o caso, sinta-se à vontade.

(2) Estava falando de preços gerais, não de setores. Recessões que houve diminuição salarial geral duraram menos que outras.

O setor de tecnologia é concentrado pelo excesso de patentes e PIs. O ex. do Wal-Mart e lojinhas é mais parecido com grandes cinemas e pequenos cinemas.

(1) Qual é mesmo o nome daquela falácia lógica em que uma pessoa ignora a posição do adversário no debate e a substitui por uma versão distorcida, que representa de forma errada esta posição?
(2) Caso a vontade de ler o artigo sobre o caso esteja ausente, basta dizer "Eu não tenho interesse em ler seu artigo.". De que adianta citar exemplos que não se aplicam e não explicam o que o artigo expõe?
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Offline Eremita

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #123 Online: 26 de Janeiro de 2015, 03:07:35 »
Sou a favor de financiamento estatal da produção de cultura, sim; mas mais alguém aqui tem a sensação que a Ancine só serve para esvaziar o bolso alheio, não produzindo o que preste? Por que essa bosta de Ancine ainda existe?
Monoteísmo é a hidra de Lerna. Con Kolivas estava certo sobre o desktop. Prozac não deixa tudo melhor. Aquiles devia ter escolhido os dois destinos, juntos. Coração sentimental + mente cética = aflição. Sou responsável pelo que digo, não pela sua interpretação sobre o que digo.

Offline Fabrício

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Re:Ancine limitará ocupação das salas de cinema
« Resposta #124 Online: 26 de Janeiro de 2015, 08:17:29 »
Sou a favor de financiamento estatal da produção de cultura, sim; mas mais alguém aqui tem a sensação que a Ancine só serve para esvaziar o bolso alheio, não produzindo o que preste? Por que essa bosta de Ancine ainda existe?

Ué, você mesmo disse, para esvaziar o bolso alheio e encher outros bolsos.
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