Autor Tópico: O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?  (Lida 3104 vezes)

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Offline JJ

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Ontem à noite (04 de fevereiro de 2014), aconteceu o debate “Is creationism a viable model of origins in today’s modern scientific era?” (“Criacionismo é um modelo viável sobre as origens [da vida] na era científica moderna?”, em tradução livre), proposto por Ken Ham (CEO do grupo Answers in Genesis), realizado em The Creation Museum, e aceito por Bill Nye, “The Science Guy” (que, para quem não conhece, é um personagem muito popular na mídia americana em termos de divulgação científica).

O Debate acabou gerando, por fora, um outro debate: Por que debater sobre criacionismo? Isso não é validar, aos olhos da população geral, o criacionismo como alternativa? Vale a pena?

Muito se falou sobre os motivos de Bill Nye teria aceitado o desafio, e o próprio deu suas explicações, mas neste texto não vou entrar neste ponto. Polêmicas à parte, o debate aconteceu de qualquer maneira, e a partir dele foi possível fazer análises valiosas.

Primeiro, Ken Ham é um impressionante argumentador. Não conheço todos os “advogados” do criacionismo, mas já assisti alguns debates do tipo e Ham certamente se destaca como um excelente orador e argumentador. E este é o cerne do por que criacionistas adoram propor este tipo de desafio: retórica.

Como imagino que todos os leitores saibam, a ciência é, hoje, mais do que um aglomerado de conhecimentos e fatos; é, antes de tudo, uma ferramenta, um conjunto de técnicas. É o criterioso método da ciência que faz com que a ciência seja ciência e não outra coisa. Mas não é o método em si que faz uma coisa ser uma verdade científica ou não, e sim a evidência. O método serve apenas para garantir que a evidência seja sólida e objetiva o bastante, considerando nossa bem conhecida subjetividade, além de nossas próprias expectativas e desejos pessoais.

O método científico serve para garantir que a realidade como ela é (ou foi) seja mostrada, INDEPENDENTE do que nós pessoalmente pensamos a respeito dela. Para garantir a máxima objetividade possível, nós fazemos a revisão por pares, publicamos em revistas especializadas e com credibilidade, fazemos testes e, principalmente, somos capazes de prever ações e/ou aspectos da realidade a partir do método.

É aí que entra a necessidade do debate para os criacionistas. Um debate, sendo um momento de discussão com regras próprias, tem como sustentáculo principal a argumentação. Não só a argumentação, mas a argumentação num determinado tempo, um tempo bem diferente daquele que os cientistas levam para fazer uma pesquisa científica, por exemplo.

Num debate, a realidade é a realidade do debate. E o que vale é quem está melhor preparado para falar. Ham e provavelmente a grande maioria dos advogados do criacionismo sabem disso muito bem. Eles sabem que não podem vencer as evidências, mas sabem que podem ganhar em retórica. Basta eles serem bons o bastante na argumentação. E, pelo menos no caso de Ken Ham, ele é. Muito.

Para poder se opor a Nye, Ham relativiza tudo o que a humanidade aprendeu até hoje com a ciência e tenta provar que, ao invés de uma técnica rigorosa de coleta, análise e interpretação de dados, a ciência, assim como o cristianismo, é mera opinião. Que se basear na literalidade da bíblia é um ponto de partida tão válido quanto se basear na “filosofia natural”. Com isso, Ham cria uma teoria de conspiração que coloca os cientistas como vilões que tentam impor uma religião naturalista na sociedade, enquanto o criacionismo tenta se valer de dados “de verdade”, que são os encontrados na Bíblia. Como vocês podem ter percebido, Ham inverte os papéis: chama a ciência de dogma, e alega que o criacionismo é mais científico que a própria ciência.

Ham tenta demonstrar isso de duas maneiras: primeiro, tentando usar uma distinção (falsa) entre o que ele chama de “ciência observacional” (aquilo que, de fato, podemos testar no momento presente) e “ciência histórica” (a investigação do que aconteceu no passado). Isso permite que ele continue podendo usar a ciência como base, questionando apenas aquilo que lhe é conveniente.

Segundo, Ham tenta forçar a perspectiva questionando diversas metodologias bem estabelecidas, partindo do princípio que elas são apenas suposições. O argumento final é: não importa a metodologia que se use para falar sobre o passado remoto, ninguém esteve lá para dizer – apenas deus, que ditou a Bíblia e é por isso que a Bíbilia é o ponto de partida para se entender as origens do universo, segundo Ham.

É claro que estes argumentos, por mais bem elaborados que sejam (acreditem, eu apenas toquei em alguns pontos-chave aqui, mas a apresentação de Ham é muito boa), podem ser facilmente derrubados. Não existe diferença entre a ciência que estuda o presente e a que estuda o passado por que a metodologia é a mesma. É verdade que, quanto mais fundo no passado investiguemos, mais difícil é de conseguir evidências sólidas, mas o que importa é que o método é o mesmo. Questionar o método é questionar TODA a forma de fazer ciência, inclusive aquela com a qual Ken Ham alega concordar. E isso apenas para dar um dos muitos exemplos.

Mas por que, então, este debate é tão importante para os criacionistas? Muito simples: Opinião pública. Ham sabe que não pode vencer na esfera acadêmica, por que precisa passar pelo escrutínio do método científico, com sua objetividade, evidência, revisão por pares e assim por diante. Mas ele sabe também que a opinião pública é maleável e não tem uma distinção muito clara sobre o que diferencia a ciência de outras formas de conhecimento. Resta, então, jogar o jogo da retórica.

Colocando o debate ao nível da argumentação, fingindo que a diferença entre as duas partes é apenas de pontos de vista, Ham manda uma mensagem poderosa: ninguém está certo ou errado, por que todos se baseiam numa (alegada) autoridade. O debate deixa de ser entre ciência X religião, evolução X criacionismo, e se torna um debate sobre a qual autoridade iremos nos submeter: a do homem, que criou a Filosofia naturalista, ou a de deus, que (supostamente) criou o universo. É claro que esta é uma dicotomia falsa, mas a opinião pública não vive a prática científica, e sim a prática do dia a dia, que geralmente é uma questão de pontos de vista. Ham trata – em termos de argumentação – a ciência como religião, e a religião cristã como Filosofia. E assim joga com as palavras a fim de convencer a opinião pública, mais suscetível a sofismas do que cientistas.

O debate se mostrou mais honesto no momento em que cada participante teve que responder perguntas enviadas por outros e previamente selecionadas. E a que, para mim, encerra o debate – e qualquer outro debate da mesma natureza – é a pergunta:

“O que faria você mudar de opinião?”

Ken Ham: Sou Cristão, então, nada me faria mudar de opinião.

Bill Nye: Evidência, novas informações.
 
Mas não tome minha palavra (neste caso, o texto) como garantia: assista o debate completo (que é bem longo, quase 3 horas), em inglês:

 
Um adendo: Ken Ham foi quem propôs o debate, que ficou disponível no site Debatelive.org. Que, “coincidentemente”, desde antes de terminar, já havia em pré-venda o DVD do debate. Apenas para constar.

Etiquetas: Bill Nye, Criacionismo, Teoria da Evolução


Acerca do autor(a)

Rafael Rodrigues
Rafael Rodrigues é Filósofo, roteirista de quadrinhos, divulgador da ciência e redator publicitário. Formado em Filosofia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente cursando pós-graduação em Neurociências Aplicada a Linguagem e Aprendizagem, escreve sobre terror, quadrinhos, Filosofia e ciência para sites diversos. Considera-se um humanista e acredita que o ser humano constrói e é construído por sua história e que ceticismo científico é a principal ferramenta para se mudar o mundo. Interessa-se pelo passado, presente, futuro e especialmente pela mente humana.


Fonte:

http://www.astropt.org/2014/02/05/o-que-eu-aprendi-com-o-debate-entre-bill-nye-e-ken-ham/






Achei essa análise do debate entre Byll Nye e o criacionista Ken Ham feita pelo Rafael Rodrigues muito boa, por isso resolvi compartilhar aqui.







Offline Pedro Reis

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #1 Online: 10 de Novembro de 2015, 16:21:08 »
Há ainda um detalhe que o Rafael Rodriguez não mencionou: a questão da falseabilidade do relato do Gênesis.

Não basta questionar a Ciência, os criacionistas precisam também testar suas próprias proposições. E são testáveis! Por exemplo: onde estão os fósseis de mamíferos herbívoros com ossos esmagados por dentes de dinossauros? Encontramos todos os tipos de fósseis na mesma camada geológica como teria que ser no caso de uma "Criação Especial"? E assim por diante...

Offline Spencer

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #2 Online: 23 de Dezembro de 2015, 02:35:47 »
Existe uma afirmativa no texto que, aparentemente absurda, tem um lado bastante lógico:a ciência, ao negar a existência de Deus, sem evidências ou argumentos racionais, torna-se dogmática, enquanto o crente nutre sua crença em evidências, e principalmente nos lapsos da ciência.
Primeiramente é necessário distinguir crente e "crente". Pode-se acreditar em um Deus racional que pouco ou nada tem a ver com o Deus das religiões tradicionais.
Ou seja, se esquecermos os absurdos dos livros sagrados e nos concentrarmos em evidências, ou sugestões, de uma racionalidade na criação, estaremos mais próximos de alguma verdade que, ao contrário, se, simplesmente nos apegarmos em negar, pelo fato de que o Deus das religiões é inconsistente.
Mas seria impossível a existência de um criador, racional, lógico, com vontade e propósito para sua criação, e que nada tivesse a ver com a superstição, fanatismo e crendices?
Spencer

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #3 Online: 23 de Dezembro de 2015, 03:06:09 »
A ciência não exatamente "nega a existência de Deus/Jeová". Antes disso, não produziu nada que realmente indique que tal ente realmente exista como algo além de mito/imaginação (ainda que com rebuscamentos sofismáticos racionalizem a compatibilidade de sua existência ante a absoluta falta de evidências), como normalmente a sociedade cristã aceita inquestionadamente ser para tantos outros deuses e seres mágicos.

Não existe a formulação de Jeová/outros deuses, ou mono-deus* parecido, como hipótese científica, refutada. (Até por comumente as noções fazerem de uma eventual hipótese algo irrefutável). Assim como não há para a vasta maioria de outros seres já imaginados pelo homem. Mesmo aqueles que a maior parte das pessoas não leva mais a sério, apesar de também não serem exatamente "hipóteses refutadas".

 Em alguns casos as características atribuídas até poderiam fazer com que também fossem por definição, irrefutáveis. De modo geral, aquilo que tais "hipóteses" supostamente explicariam é mais satisfatoriamente explicado por fenômenos mais ordinários. Ou no mínimo são concebíveis explicações hipotéticas que não requerem toda a "bagagem" da hipótese tradicional.



* significando aqui "deus singular", não deus-macaco, ainda que também seja característica constante, esse deus genérico ser também um primata.

Online Sergiomgbr

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #4 Online: 23 de Dezembro de 2015, 15:10:25 »
Acho que um deus realmente verosímil é tão indistinto de um deus que não há, que só poderia haver não havendo.
« Última modificação: 24 de Dezembro de 2015, 16:11:43 por Sergiomgbr »

Online Sergiomgbr

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #5 Online: 23 de Dezembro de 2015, 15:17:04 »
Acho que um deus realmente verosímil é tão indistinto de um deus que não há que só pode haver não havendo.
Mas ora, pra quê alguém quer que  o quê  quer que seja, seja porque há um deus?

A grande pergunta: O deus que atenda à necessidade de alguém de haver um deus é um deus possível?
« Última modificação: 24 de Dezembro de 2015, 16:09:12 por Sergiomgbr »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #6 Online: 23 de Dezembro de 2015, 16:35:20 »
Esse "duplo-sentido" que eu imaginei com "monoteísmo" me levou a pesquisar por primatoteísmo e antropoteísmo. "Antropoteísmo" é uma coisa que existe.

https://en.wikipedia.org/wiki/Anthropotheism

O artigo ainda conduz a outro que informa que o termo mais específico para a "antropomorfia mental/comportamental" de deuses é antropopatia:

Citar
Anthropopathism (from Greek ἄνθρωπος anthropos, "human" and πάθος pathos, "suffering") is the attribution of human emotions, or the ascription of human feelings or passions to a non-human being, generally to a deity.

Offline Spencer

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #7 Online: 31 de Dezembro de 2015, 20:16:16 »
Eis a grande questão: saber diferenciar o racional do lógico. Alguma abstração ou conceito pode ser lógico mas não racional. Assim, algo se impõe pela lógica, mas a razão se nega a aceitar. A origem de tudo o que existe é, curiosamente, desconhecida da ciência. Ela se farta de teorias, mas admite seu desconhecimento.
Por exemplo: a vida, a matéria, o Universo, em fim, o essencial nos é desconhecido.
Mas o que é maravilhoso nisto é que a partir desta origem, mesmo que desconhecida, existe um aperfeiçoamento de tudo, com absoluta serventia. É como se leis bem determinadas e específicas estivessem regendo a orquestra perfeitamente harmônica da evolução.
Vamos pensar?
Spencer

Online Sergiomgbr

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #8 Online: 31 de Dezembro de 2015, 20:32:38 »
O criacionismo é só um leite para crianças.

Offline Pilantrólogo

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #9 Online: 05 de Janeiro de 2016, 13:23:41 »
O criacionismo é só um leite para crianças.

Apresento-vos um Dotô que aparenta não comungar desse ponto de vista:
<a href="https://www.youtube.com/v/53JrgU1-W78" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/53JrgU1-W78</a>

Queria até saber do Geotecton se ele conhece esse Neves de Souza Jr. e o que seria necessário para cassar os diplomas que a USP e a Unesp concederam a esse cidadão (se é que isso é possível)? 

O Dr. Cardoso de Pinna, apesar de seu esforço inicial, não conseguiu manter o discurso dele sem usar o termo "evolucionismo" repetidas vezes. Difícil.

"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Offline JJ

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #10 Online: 14 de Janeiro de 2016, 20:35:21 »

Apresento-vos um Dotô que aparenta não comungar desse ponto de vista:

Queria até saber do Geotecton se ele conhece esse Neves de Souza Jr. e o que seria necessário para cassar os diplomas que a USP e a Unesp concederam a esse cidadão (se é que isso é possível)? 

O Dr. Cardoso de Pinna, apesar de seu esforço inicial, não conseguiu manter o discurso dele sem usar o termo "evolucionismo" repetidas vezes. Difícil.





Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco. 




« Última modificação: 15 de Janeiro de 2016, 08:18:54 por JJ »

Offline fantoche

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #11 Online: 14 de Janeiro de 2016, 22:08:24 »
Citação de: Spencer
É como se leis bem determinadas e específicas estivessem regendo a orquestra perfeitamente harmônica da evolução.

Ou seja, o deus abraâmico é o regente, certo?! :umm:
« Última modificação: 14 de Janeiro de 2016, 22:54:53 por fantoche »

Offline Pilantrólogo

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #12 Online: 15 de Janeiro de 2016, 12:37:27 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

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Offline Geotecton

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #13 Online: 15 de Janeiro de 2016, 12:41:00 »
O criacionismo é só um leite para crianças.

Apresento-vos um Dotô que aparenta não comungar desse ponto de vista:
<a href="https://www.youtube.com/v/53JrgU1-W78" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/53JrgU1-W78</a>

Queria até saber do Geotecton se ele conhece esse Neves de Souza Jr. e o que seria necessário para cassar os diplomas que a USP e a Unesp concederam a esse cidadão (se é que isso é possível)? 


Sim, eu o conheço. Ele se tornou um religioso fanático depois de obter o seu título de doutor.

E até onde eu sei, só é possível retirar o título dele se for comprovada alguma fraude na pesquisa ou na avaliação da banca.
« Última modificação: 15 de Janeiro de 2016, 12:46:20 por Geotecton »
Foto USGS

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #14 Online: 15 de Janeiro de 2016, 12:45:32 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

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Esse medo de alguns ateus da palavra "crença" ironicamente lembra a crença religiosa no poder sobrenatural em proferir palavras, como mecanismo para invocar espíritos, demônios, ou controlar fenômenos mágicos.

Offline Dr. Manhattan

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #15 Online: 15 de Janeiro de 2016, 13:46:18 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

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Esse medo de alguns ateus da palavra "crença" ironicamente lembra a crença religiosa no poder sobrenatural em proferir palavras, como mecanismo para invocar espíritos, demônios, ou controlar fenômenos mágicos.

De fato. É sempre bom se ter em mente que as crenças científicas se distinguem das religiosas por serem logicamente consistentes e condizerem com observações experimentais metódicas.
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Offline Pilantrólogo

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #16 Online: 15 de Janeiro de 2016, 15:55:41 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #17 Online: 15 de Janeiro de 2016, 16:29:44 »
Pior até. Argumentar poder ser correto falar em "conhecimento falso" me parece menos oxímoro do que ter "crença" como aplicável apenas ao inacreditável. Ao mesmo tempo em que não se têm consistências como dizer que "conclusionabilidade é melhor do que credibilidade". (E talvez "inacreditável", devesse ser algo tido como "certo", factual!)

Offline JJ

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #18 Online: 15 de Janeiro de 2016, 17:42:55 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

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Esse medo de alguns ateus da palavra "crença" ironicamente lembra a crença religiosa no poder sobrenatural em proferir palavras, como mecanismo para invocar espíritos, demônios, ou controlar fenômenos mágicos.

De fato. É sempre bom se ter em mente que as crenças científicas se distinguem das religiosas por serem logicamente consistentes e condizerem com observações experimentais metódicas.


E de forma ainda mais resumida podemos dizer que a maior diferença é que a crença científica é fundamentada em boas evidências.   Já  a crença religiosa  simplesmente dispensa boas evidências.








Offline JJ

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #19 Online: 15 de Janeiro de 2016, 17:47:28 »
[...]

Pelo que eu saiba cassar um diploma só ocorre em situações graves que violem códigos de ética,  desconheço que se possa  cassar um diploma de alguém por este discordar de alguma  crença científica  que seja adotada por uma maioria  em sua área, e isto considerando que esta discordância não ponha a vida (ou o patrimônio) de outras pessoas em risco.

Hehe. Boa tentativa de provocar um Poe, JJ.

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"Crença científica" = "proposição que a ciência tem como verdade", ou "proposição de caráter científico que o indivíduo tem como verdade".


Esse medo de alguns ateus da palavra "crença" ironicamente lembra a crença religiosa no poder sobrenatural em proferir palavras, como mecanismo para invocar espíritos, demônios, ou controlar fenômenos mágicos.


Eu tenho essa impressão quando  vejo essa reação  de  cientificistas  perante a palavra crença.   Até parece que pronunciar a palavra crença irá torná-los menos científicos, ou até mesmo transformá-los em religiosos.

Ôo  palavra poderosa...









Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #20 Online: 15 de Janeiro de 2016, 20:14:27 »

E de forma ainda mais resumida podemos dizer que a maior diferença é que a crença científica é fundamentada em boas evidências.   Já  a crença religiosa  simplesmente dispensa boas evidências.

Talvez melhor "método científico", em vez de "evidência". Porque só "evidência" sem "científica" também dá margem a coisas como ter sentido arrepios numa sessão espírita, ou ter tomado água agitada por vários dias e passado a irritação na pele.

(Tem até quem fale em ser preferível o movimento de "medicina baseada em evidência" se chamar de, ou, evoluir para "medicina baseada em ciência", mais ou menos por esse motivo)


...para fazer uns 90% dos neo-ateuzinhos terem um treco: "devemos ter fé na ciência".


Se lembrar que isso pode significar só "devemos conFIar na ciência", talvez se acalmem, passado o choque inicial.


Com "fé" é engraçado que de vez em quando os próprios religiosos usam com esse sentido de "fé irracional", em frases como essa, numa tentativa de relativizar e dizer que é tudo igual. Também ocorre com "crença", mas acho que "fé" deve ser preferido para "pegar pesado".


Seria engraçado um ataque [pseudo-]científico-semântico à "fidelidade conjugal". Por ser uma "fé irracional" em não estar havendo traição, e/ou uma "fé irracional" no valor cristão/religioso de ter isso como meta.

Offline Pilantrólogo

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #21 Online: 16 de Janeiro de 2016, 09:26:22 »
[...]

Hehe. Boa tentativa de provocar um Poe, JJ.

Moving on...

"Crença científica" = "proposição que a ciência tem como verdade", ou "proposição de caráter científico que o indivíduo tem como verdade".


Esse medo de alguns ateus da palavra "crença" ironicamente lembra a crença religiosa no poder sobrenatural em proferir palavras, como mecanismo para invocar espíritos, demônios, ou controlar fenômenos mágicos.


Eu tenho essa impressão quando  vejo essa reação  de  cientificistas  perante a palavra crença.   Até parece que pronunciar a palavra crença irá torná-los menos científicos, ou até mesmo transformá-los em religiosos.

Ôo  palavra poderosa...

Fala como se a expressão "crença cientifica" fosse ser interpretada de maneira igual por crentes e descrentes, independentemente se fosse um Silas Malafaia ou um Edward O. Wilson falando e independentemente do contexto.

Ta joia.
« Última modificação: 16 de Janeiro de 2016, 09:41:37 por Pilantrólogo »
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #22 Online: 16 de Janeiro de 2016, 10:25:30 »
Nem a expressão "teoria" ou "teoria científica" é interpretada igualmente por todas as pessoas, ou terá o mesmo significado dependendo de quem fala. É inevitável esse tipo de coisa.

Em livros nem tão antigos também se usava "doutrina científica", o que deve dar calafrios e espasmos em quem tem ideais de um fundamentalismo positivista na linguagem textual. "Hipótese" também seria naturalmente um sinônimo, não algo inferior numa hierarquia "hipótese < teoria < lei".

E para revirar o estômago mesmo, ainda deve ser bastante comumente usada a expressão "primeiro dogma da biologia molecular".

Offline Gigaview

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #23 Online: 26 de Julho de 2016, 21:09:16 »
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Offline Lorentz

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Re:O Criacionismo é um modelo viável sobre as origens na era científica moderna?
« Resposta #24 Online: 26 de Julho de 2016, 23:42:40 »
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Fake. O veículo tem muitos mecanismos, e a chance de dar um problema é grande. Como ele depende de todos os passos concluídos com sucesso, a chance de terminar todos os ciclos é pequena.

As plantas não são os primeiros seres vivos a surgirem no planeta. E a planta em si dependeria de outros seres vivos para respirar o O2 que ela produz para fornecer o CO2.

A explicação do filme Prometheus é "melhor".
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

 

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