Autor Tópico: A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita  (Lida 900 vezes)

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Offline Pagão

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A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Online: 10 de Dezembro de 2015, 07:01:55 »
http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-estado-islamico-sempre-existiu-e-a-arabia-saudita-1716649

A Arábia Saudita é o real estado islâmico sunita e explica o radicalismo? Uma entrevista especialmente importante?
Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #1 Online: 10 de Dezembro de 2015, 08:14:31 »
Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad?


O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.





O que eu acho muito interessante eu que eu não tenho visto  constantes e fortes críticas a Arábia Saudita.   Porque será que não ?


Porque será que eu vejo gente  criticando o governo da Síria  e não vejo gente aqui criticando o governo da Arábia Saudita ?


Porque será que tem gente com raiva do Assad e querendo que ele seja derrubado mas não demonstra a mesma raiva da casa de Saud e tampouco a vontade de derrubar a casa de Saud ?


Será que é porque a casa de Saud tem um amigão especial que é muito admirado  por certas gentes ?







« Última modificação: 10 de Dezembro de 2015, 08:18:06 por JJ »

Offline Geotecton

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #2 Online: 10 de Dezembro de 2015, 08:26:47 »
Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad?

O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.
O que eu acho muito interessante eu que eu não tenho visto  constantes e fortes críticas a Arábia Saudita.   Porque será que não?

A Arábia Saudita é um dos países social e politicamente mais retrógrados do mundo. O que faz a diferença favorável a ela é ter uma das maiores reservas de petróleo do mundo e quase sempre ser aliada do EUA.


Porque será que eu vejo gente  criticando o governo da Síria  e não vejo gente aqui criticando o governo da Arábia Saudita ?

Porque o governo sírio tem muito mais 'corpos' em sua conta do que o saudita, mesmo com este apoiando grupos extremistas.


Porque será que tem gente com raiva do Assad e querendo que ele seja derrubado mas não demonstra a mesma raiva da casa de Saud e tampouco a vontade de derrubar a casa de Saud ?

Se dependesse de mim, não somente os governos da Síria e da Arábia Saudita seriam 'varridos do mapa'. Os da China, da Rússia, do Brasil, da Venezuela, de Cuba, da Coréia do Norte, do Sudão e muitos outros teriam o mesmo destino.


Será que é porque a casa de Saud tem um amigão especial que é muito admirado  por certas gentes ?

Não é todo mundo que tem aquele 'amigão' ao seu lado.

Somente os que possuem petróleo e bens minerais estratégicos.  :)
Foto USGS

Offline Pasteur

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #3 Online: 10 de Dezembro de 2015, 08:38:15 »
O autor está confundindo ortodoxia/conservadorismo com terrorismo. Muita fantasia...

Se fosse mesmo um ninho de terroristas, o Ocidente o teria atacado faz tempo.

Todos preferimos a democracia na região, mas melhor ter um ditador aliado que um inimigo. E não se compara o nível de brutalidade do governo Sírio e Saudita, talvez também porque a renda per capita do saudita é muito superior à do sírio.

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #4 Online: 10 de Dezembro de 2015, 08:54:39 »
Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad?

O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.
O que eu acho muito interessante eu que eu não tenho visto  constantes e fortes críticas a Arábia Saudita.   Porque será que não?

A Arábia Saudita é um dos países social e politicamente mais retrógrados do mundo. O que faz a diferença favorável a ela é ter uma das maiores reservas de petróleo do mundo e quase sempre ser aliada do EUA.


Porque será que eu vejo gente  criticando o governo da Síria  e não vejo gente aqui criticando o governo da Arábia Saudita ?

Porque o governo sírio tem muito mais 'corpos' em sua conta do que o saudita, mesmo com este apoiando grupos extremistas.


Porque será que tem gente com raiva do Assad e querendo que ele seja derrubado mas não demonstra a mesma raiva da casa de Saud e tampouco a vontade de derrubar a casa de Saud ?

Se dependesse de mim, não somente os governos da Síria e da Arábia Saudita seriam 'varridos do mapa'. Os da China, da Rússia, do Brasil, da Venezuela, de Cuba, da Coréia do Norte, do Sudão e muitos outros teriam o mesmo destino.


Será que é porque a casa de Saud tem um amigão especial que é muito admirado  por certas gentes ?

Não é todo mundo que tem aquele 'amigão' ao seu lado.

Somente os que possuem petróleo e bens minerais estratégicos.  :)


Geotecton,


Você  é geralmente  bastante coerente e ponderado,  e de forma sagaz  percebe  que a política internacional é movida primordialmente por interesses econômicos (diretos e/ou indiretos).

 :ok:


Offline Pagão

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Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #6 Online: 10 de Dezembro de 2015, 15:29:44 »
Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad?


O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.





O que eu acho muito interessante eu que eu não tenho visto  constantes e fortes críticas a Arábia Saudita.   Porque será que não ?


Porque será que eu vejo gente  criticando o governo da Síria  e não vejo gente aqui criticando o governo da Arábia Saudita ?


Porque será que tem gente com raiva do Assad e querendo que ele seja derrubado mas não demonstra a mesma raiva da casa de Saud e tampouco a vontade de derrubar a casa de Saud ?


Será que é porque a casa de Saud tem um amigão especial que é muito admirado  por certas gentes ?









Além disso:

https://en.wikipedia.org/wiki/Human_rights_in_Syria

https://en.wikipedia.org/wiki/Human_rights_in_Saudi_Arabia

Offline Pasteur

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #7 Online: 15 de Dezembro de 2015, 10:12:11 »
Arábia Saudita anuncia coalizão de 34 países islâmicos contra o terrorismo

Boa iniciativa, tomara que efetiva. Antes tarde do que nunca.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #8 Online: 15 de Dezembro de 2015, 17:41:20 »
Por algum motivo me soa apenas tão inspirador quanto um anúncio de coalização de N países sulamericanos no combate ao tráfico de drogas, por algum país como Brasil, México, Colômbia, ou Chile, que seja.

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #9 Online: 09 de Maio de 2016, 08:58:02 »
Por que ninguém fala do apoio da Arábia Saudita ao terrorismo mundial?


GUSTAVOCHACRA
14 Abril 2015 | 12:42

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, segue a ideologia wahabbita do islamismo. A Al Qaeda segue a ideologia wahabbita do islamismo. O Boko Haram segue a ideologia wahabbita do islamismo. O Al Shabab segue a ideologia wahabbita do islamismo. Verdade, esta ideologia não representa a totalidade do islamismo. Tampouco a totalidade do islamismo sunita. Longe disso. Nem mesmo a maioria dos sunitas são wahabbitas. Mas o regime de Arábia Saudita é seguidor e propagador da ideologia wahabbita, que tem crescido bastante no mundo islâmico, especialmente no Oriente Médio e na África, além de em parte de comunidades islâmicas na Europa.

No regime saudita, mulheres são alvos de apartheid. Minorias religiosas, como os xiitas, são perseguidas. Cristãos e judeus só entram no país como convidados. Há ligações de braços do regime saudita com todos os grupos terroristas acima citados, embora alguns de fato sejam inimigos do comando da família Saud. Aliás, o poder na Arábia Saudita passa de irmão para irmão, sem nenhuma liberdade democrática.

Ainda assim, tratam o regime saudita “como moderado” no Ocidente, onde o regime do Irã, inimigo dos wahabbitas, é tratado como o radical (embora realmente seja, mas na vertente xiita do islamismo). Por que? Porque de fato a Arábia Saudita nunca ameaçou formalmente os EUA. Isto é, não ficam gritando “Morte aos EUA” ou “Morte a Israel”. E colaboram com os americanos em uma série de áreas de segurança internacional, além de serem os maiores exportadores de petróleo do mundo.

Notem, no entanto, que o membro da Al Qaeda e um dos mentores do 11 de Setembro, Zacarias Moussaoui, diz abertamente que membros proeminentes do regime saudita financiavam a rede terrorista nos anos 1980. O ex-senador da Florida Bob Graham tem fornecido provas neste sentido, como se pode ver nesta matéria do New York Times. Sem falar que 15 dos 19 terroristas eram sauditas. Curiosamente, um dos poucos países a reconhecer o regime do Taleban era a Arábia Saudita.

Até décadas atrás, não havia esta disseminação de mesquitas e madrassas com a ideologia wahabbita pelo mundo. Outras ideologias, bem mais moderadas, tinham mais força. O crescimento desta ideologia ultra conservadora e extremista disseminada pelo regime saudita radicalizou nas últimas décadas parcelas da população muçulmana, mesmo alguns que não sejam wahabbitas (noto que há muitos wahabbitas pacíficos).

Grande parte da culpa pela radicalização do mundo islâmico e pelo surgimento de grupos radicais como ISIS, Al Qaeda, Boko Haram e Al Shabab é do regime em Riad. Não dá para esconder isso.


http://internacional.estadao.com.br/blogs/gustavo-chacra/por-que-ninguem-fala-do-apoio-da-arabia-saudita-ao-terrorismo-mundial/



Offline Sdelareza

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #10 Online: 10 de Maio de 2016, 22:26:56 »
Noruega proíbe doações para construção de mesquitas enquanto Arábia Saudita não permitir abertura de igrejas

Uma decisão polêmica e ousada tomada pelo governo da Noruega proibiu o governo da Arábia Saudita de financiar a construção de mesquitas em território norueguês. A justificativa foi simples: os sauditas não permitem a construção de igrejas em seu país.

O princípio da reciprocidade foi aplicado sob o viés da liberdade religiosa, e o representante do governo da Noruega, Jonas Gahr Stor, que é ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que os repasses de doações para construção de mesquitas estavam proibidos.

O islamismo vem sendo difundido na Europa, e uma das frentes de crescimento é a construção de mesquitas, a partir de doações milionárias de muçulmanos dos países do Oriente Médio. Na Noruega, o governo da Arábia Saudita teria feito donativos vultosos para a construção de templos, segundo informações do Jornal Q.

Ao averiguar que as autoridades sauditas não autorizam a construção de igrejas e impõem dificuldades e restrições ao evangelismo em seu território, os noruegueses aplicaram o mesmo tratamento.

“Seria um paradoxo anti-natural aceitar essas fontes de financiamento de um país onde não existe liberdade religiosa. A aceitação desse dinheiro seria um contrassenso”, disse Stor, referindo-se à proibição de construção de igrejas de outras religiões existentes na legislação saudita.

A medida, no entanto, permite que as comunidades religiosas recebam ajuda financeira para se manter. Jonas Gahr Stor afirmou que o assunto será tratado no Conselho da Europa, e defenderá a postura tomada pela Noruega.

O islamismo é a religião que mais cresce na Europa, tendo na França o principal foco de difusão da mensagem muçulmana. Nos países do Oriente Médio, a perseguição religiosa contra cristãos é intensa. Grupos extremistas, como o Estado Islâmico, falam abertamente em erradicar o cristianismo destes países, e entre os mais ousados, há os que defendam a ideia de “invadir” o ocidente e impor a religião seguida por eles.

http://noticias.gospelmais.com.br/noruega-proibe-doacoes-construcao-mesquitas-72642.html

Offline Sdelareza

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #11 Online: 10 de Maio de 2016, 22:33:42 »
A Arábia Saudita é (penso eu) o único país que proíbe mulheres de dirigir e o culto público de qualquer outra religião que não seja o wahabismo. São posições extremistas que não tem nada a ver com o islã.

Offline Gauss

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #12 Online: 11 de Maio de 2016, 14:38:03 »
Não esquecendo que a Família Bin Laden é uma das mais poderosas e abastadas da Arábia Saudita, com negócios principalmente no ramo imobiliário, tendo influência profunda na Família Real Saudita.

https://en.wikipedia.org/wiki/Bin_Laden_family

Claro que só o ramo de Osama Bin Laden virou terrorista nessa família,mas considerando a influência da família é bem provável que ela seja wahabista também.
« Última modificação: 11 de Maio de 2016, 14:41:57 por Gauss »
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline André Luiz

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #13 Online: 12 de Maio de 2016, 09:23:07 »
Soluçao para a Arábia Saudita?

O diabinho no meu ombro esta gritando tanques e jogar sal depois.

Cartago nunca mais incomodou alguém  :twisted:

Offline Pagão

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #14 Online: 16 de Junho de 2016, 18:20:12 »
Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #15 Online: 21 de Julho de 2016, 14:19:52 »

“O Estado Islâmico sempre existiu, é a Arábia Saudita”


SOFIA LORENA 07/12/2015 - 08:19


Ziauddin Sardar, reformista muçulmano, acredita que se um grupo terrorista for destruído outro ocupará o seu lugar. Isto, até se atacar a ideologia na base do extremismo, o wahhabismo saudita. Riad e os terroristas usam as mesmas leis, diz.

 
Sardar esteve em Lisboa a convite da Fundação Champalimaud


Nasceu em 1951 no Paquistão, mas vive em Londres desde os nove anos. Estudioso da sua religião, mas também de Ciência Política ou Literatura, é autor de mais de 45 livros e de vários programas sobre o islão para a BBC ou o Channel 4. Hoje, o britânico Ziauddin Sardar é presidente do Muslim Institute, organização que promove o conhecimento e o debate, e editor do Critical Muslim, uma revista trimestral sobre ideias e pensamento islâmico contemporâneo. Diz que faz falta uma rede de reformistas no islão. “Estamos muito sozinhos no nosso trabalho”. A conversa aconteceu em Lisboa, na Fundação Champalimaud, onde participou na conferência “O Desconhecido: Daqui a 100 Anos”.


Há um centro que está a desenvolver uma aplicação para os estudantes de origem árabe conhecerem a herança muçulmana na Andaluzia. Por que é que sabemos tão pouco do contributo dos cientistas ou arquitectos muçulmanos?

Parece que ninguém sabe nada dessa herança, é verdade. Isso acontece por duas razões. Por um lado, a tradição intelectual e racional do islão foi marginalizada nas sociedades muçulmanas por volta do século XIV, XV. Por exemplo, toda a ideia de teologia racional, que o dogma devia relacionar-se com a razão, que devemos justificar através do pensamento racional aquilo em que acreditamos, estas ideias foram mais ou menos abandonadas por uma técnica a que chamamos ‘fechar as portas da itjihad' [raciocínio independente]. Estas ‘portas’ não foram fechadas do dia para a noite, aconteceu ao longo de um par de séculos. Para além disso, houve muitos califas que não gostavam do pensamento racional, os estudiosos de então questionavam a autoridade, eram o que hoje chamamos dissidentes. Um califa muito conhecido, Al-Qhadir, do império Abássida, criou o “credo Qhadir’, que proibia que se colocassem perguntas racionais. Saber se o Corão foi criado, por exemplo, era muito debatido. Esta era uma pergunta muito racional, se foi criado, foi criado na História, e então tem um contexto histórico e precisa de ser interpretado à luz da História. Mas se não foi criado, tem de ser lido literalmente.


Isto aconteceu mais ou menos quando a sharia, a lei islâmica, estava a ser formulado, certo?

Exactamente. A maioria dos muçulmanos pensa que a sharia é divina, mas na verdade é uma construção humana na História. É uma lei construída no século IX, quase 250 anos depois da morte do Profeta. O que é interessante é que até aí havia racionalismo na cultura muçulmana, não havia sharia, não havia hadiths [conjunto de ditos de Maomé], eles estavam a reuni-los nessa altura. E nesse período clássico inicial, a sociedade islâmica fervilhava de ideias, pensamento e aprendizagem. Quando a sharia foi formulada, os teólogos inventaram uma espécie de truque para aumentar a confiança nestas regras, sugerindo que a sharia era divina. Mas a maior parte da sharia vem dos ditos do Profeta, que são fabricados.


Aquilo que chama os hadiths manufacturados?

Sim, são uma espécie de dogma manufacturado. Isso pode ser demonstrado muito claramente. Por exemplo, a sharia diz que um apóstata [alguém que abandona a religião] deve ser morto, mas o Corão diz que não há pertença compulsiva ao islão. A sharia diz que a mulher tem um estatuto inferior e deve cobrir-se, mas o Corão diz que homem e mulher são iguais. Há muitos aspectos da sharia que estão em completa contradição com o Corão. Afirmar que a sharia é divina é totalmente ridículo e grande parte do fundamentalismo vem de aceitar a sharia como lei divina.


Estas são as razões internas ao islão. Mas há razões externas?

Sim, é a segunda razão. Quando os poderes coloniais chegaram também marginalizaram essa parte da História. Se olharmos para a História da Ciência, parece que começa com a Grécia e depois é como se não tivesse acontecido nada até ao Iluminismo. Mas o próprio Iluminismo nunca teria acontecido sem a Filosofia e o pensamento muçulmanos. Muitos dos componentes básicos do Iluminismo vêm do que chamamos literatura adab, a literatura da ética e do humanismo, que criou universidades, instituições académicas, professores, condutas para ser um bom ser humano, condutas de boa governação. O Iluminismo adaptou todas as partes da literatura adab, que se tornou na sua base. Por exemplo, na literatura adab era obrigatório aprender tudo na língua clássica, o árabe, o Iluminismo não tinha nenhuma e foi buscar o latim. Passou a ser preciso aprender latim para ser um bom estudioso. O colonialismo relegou toda a cultura anterior para as margens, renegando o conhecimento do islão. Para mim, a História da Europa é tanto islâmica como qualquer outra coisa, não haveria Europa sem islão. Os jovens crescem sem saberem nada desta História e acreditam no que os fundamentalistas dizem sobre o islão.

A maioria dos muçulmanos pensa que a sharia é divina, mas é uma construção humana na História

Ziuaddin Sardar

Continuamos a aprender versões diferentes da História, em Portugal, por exemplo, não aprendemos a História comum que temos com os muçulmanos, só as cruzadas, a Reconquista.

Sim, e mesmo isso muitas vezes é ensinado com interpretações muito particulares. Dizem que os navios partiram daqui para descobrir o mundo novo, no Brasil e em África. Não dizem o que é que lhe fizeram quando o descobriram… Temos de ensinar essa História. Na Europa, ainda há uma versão romantizada do colonialismo, a verdade do colonialismo não é ensinada nas escolas e nas universidades, a sua brutalidade. É como se pensássemos que fizemos bem, que civilizámos esses países. Mas muito do sofrimento que ainda existe nalguns destes países é um produto do que os europeus lá fizeram. Os portugueses foram brutais em África, horrendos. Criando estes mitos e perpetuando-os só contribuímos para perpetuar a opressão e a injustiça. Temos de ensinar essa História para podermos ter um mundo mais harmonioso.


O fundamentalismo actual então não tem nada a ver com o início do islão nem com a sua herança racional.

Não, vem de uma área muito específica, vem da Arábia Saudita e da ideologia wahhabita. Até 1925, 1930, havia diferentes tradições do islão e pessoas que concordavam com umas e com outras. Havia jihads, mas tinham princípios éticos, eram lutas contra o colonialismo e o imperialismo, com regras claras, era proibido atacar civis, matar mulheres e crianças, matar prisioneiros. Jihad [guerra santa] não significa declarar guerra a toda a gente. Mas quando a Arábia Saudita se tornou numa petro-monarquia e começou a exportar a sua ideologia, tudo mudou. Os sauditas foram muito espertos, foram a todo o mundo construir mesquitas e madrassas [escolas corânicas] e depois enviaram os seus imãs [quem lidera as orações], professores e livros. E incentivavam toda a gente a ir estudar em Meca e Medina. Conseguiram exportar o wahhabismo para todo o mundo muçulmano.


Até aos anos 1920, os wahhabitas eram uma seita muito minoritária e as pessoas gozavam com eles, eram considerados fanáticos iletrados sem relevância. Mas esta seita tornou-se na ortodoxia muçulmana. E hoje, há duas questões fundamentais aqui. Por um lado, os muçulmanos aceitam esta ideologia porque reverenciam a Arábia Saudita de forma acrítica. Por ser lá que estão Meca e Medina, assume-se que como o Profeta nasceu em Meca estas pessoas teriam o melhor conhecimento do islão, quando têm o pior. Por outro, as potências ocidentais, a América, o Reino Unido, a França, a Alemanha, apoiaram a Arábia Saudita e os estados do Golfo por motivos económicos e militares, eles compram as armas que estes países produzem. Ao apoiar a Arábia Saudita, ignorando o seu fanatismo, dão-lhes liberdade de acção.


Wahhabismo e salafismo, a doutrina que se diz estar na base da ideologia da maioria dos grupos terroristas como a Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico, são quase iguais, certo?

Sim, essencialmente ambos defendem a interpretação literal do Corão e a aceitação da sharia como divina. Há salafistas e outros, mas no fundo são diferentes tipos de wahhabismo.


Defende que a própria organização de grupos como o Estado Islâmico se inspira no modelo saudita.

Sim, a ideia de um líder que não pode ser questionado e que é reverenciado. As pessoas perguntam-me muitas vezes ‘de onde vem o ISIS’ [Estado Islâmico do Iraque e de al-Shams, como o Estado Islâmico se chamava a si próprio antes de declarar um califado, no Verão de 2014] e ‘como é o que o ISIS apareceu assim, tão depressa’. A resposta às duas perguntas é muito simples. O ISIS não apareceu do nada, sempre existiu, o ISIS é a Arábia Saudita. Se olharmos para as leis que o ISIS pratica são exactamente as mesmas em vigor na Arábia Saudita [onde as mulheres têm de ter um guardião masculino e andar cobertas, e crimes como a blasfémia são sentenciados como chicotadas ou alguém que tenha cometido adultério pode ser condenado à morte]. Só há uma diferença entre o ISIS e a Arábia Saudita, a Arábia Saudita comete as suas atrocidades atrás de uma cortina enquanto o ISIS transforma as suas atrocidades em vídeos do YouTube. O ano passado, na verdade, mais pessoas foram executadas na Arábia Saudita [oficialmente, 151] do que pelo ISIS. Mas quando o rei [Abdullah] saudita morreu [em Janeiro], o primeiro-ministro britânico foi à Arábia Saudita e bandeira britânica foi colocada a meia haste.


Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad?


O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.


Em vez disso, os países estão-se a organizar para bombardear cada vez mais o ISIS.
Sim, bombardeiam-se estes países e, pelo meio, matam-se civis e perpetua-se este processo. Contribui-se para a radicalização. Alguns dos sírios que estão a ser bombardeados vão acabar por se juntar a grupos terroristas e aumentar o seu poder.


O próprio Iluminismo nunca teria acontecido sem a Filosofia e o pensamento muçulmanos

Ziauddin Sardar


Falou dos imãs e das mesquitas construídas com dinheiro saudita. Até há alguns anos, a mesquita era o lugar de radicalização. Mas agora esse espaço foi ocupado pela Internet e por televisões.


Sim, há 20 anos os pregadores extremistas só podiam chegar aos muçulmanos numa mesquita. Agora, as pessoas vão até eles, podem aceder a centenas de milhares de pessoas por canais de YouTube ou de televisão. No Reino Unido temos 56 canais digitais que são basicamente canais de oração com doidos fundamentalistas a pregar lixo. Depois ainda há o Facebook e o Twitter. Basicamente, os extremistas têm o mundo todo aberto. A radicalização acontece nos velhos e nos novos media. Mas a maioria desta pregadores ou são sauditas ou qataris ou foram educados pela Arábia Saudita, e quando não são, os sauditas encontram forma de os enquadrar, convidam-nos, premeia-nos, e financiam estes canais.


Por que é a Internet não é bombardeada com mensagens contrárias às dos fundamentalistas, de reformistas?

Da minha experiência, os bons tendem a ser passivos, enquanto os maus são agressivos. Os bons não fazem nada que possa contribuir para o conflito, pensam, enquanto os maus tendem a levar as suas ideias à prática. Em parte, é a natureza humana. Nos últimos 20 anos, no Reino Unido, dizemos muito que os moderados não se notam nos media. Isso é precisamente por serem moderados, não denunciam pessoas, não fazem declarações bombásticas, têm reacções tranquilas.


Acredita que o wahhabismo se tornou mainstream e dominante?

Tornou-se na ortodoxia muçulmana. Ser um muçulmano ortodoxo passou a significar ser um wahbabi, antes queria dizer ser um seguidor de uma escola particular, podia ser-se místico, por exemplo. Agora, ser ortodoxo é ser wahhabita.



https://www.publico.pt/mundo/noticia/o-estado-islamico-sempre-existiu-e-a-arabia-saudita-1716649




« Última modificação: 22 de Julho de 2016, 09:38:52 por JJ »

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #16 Online: 05 de Outubro de 2016, 09:09:28 »

Mais uma notícia da rica  ditadura que é convenientemente esquecida por muita gente:



Jovem de 21 anos é condenado à decapitação e crucificação na Arábia Saudita


Ali Mohammed al-Nimr foi preso quando tinha 17 anos, ao participar de um protesto contra o regime. Ele é sobrinho de um opositor do governo

REDAÇÃO ÉPOCA

21/09/2015 - 18h07 - Atualizado 22/09/2015 11h02


O jovem Ali Mohammed al-Nimr (Foto: Reprodução/ Facebook)


Ali Mohammed al-Nimr é um árabe saudita de 21 anos que deve morrer de maneira brutal.  Sobrinho de um clérigo que se opõe ao regime saudita, al-Nimr participou de um protesto contra o governo quando tinha 17 anos. Foi preso e acusado de possuir armas de fogo. Condenado a morte, perdeu todas as apelações. Será decapitado e seu corpo, já morto, será crucificado e exposto em praça pública. A sentença contra al-Nimr atraiu críticas de organizações de defesa dos direitos humanos em todo o mundo. Seu nome virou uma hashtag – pela internet, ativistas tentam pressionar o governo de modo a mudar o destino do rapaz. Ainda que chocante, os casos de execução na Arábia Saudita não são raros – o país patina no respeito aos direitos humanos.


>> Maryam Al Khawaja: “No Golfo, vidas valem menos que petróleo”


Al- Nimr, um muçulmano xiita, foi preso em 2012, quando participava de um protesto na província onde nasceu, Qatif. Passou um ano em uma instituição prisional para jovens, segundo a Anistia Internacional, antes de ser transferido para um presídio ao completar 18 anos. Quando foi detido, al- Nimr foi acusado de participar de atos contra o governo e possuir arma de fogo. Ele costumava negar essa última acusação, mas confessou a posse de armas sob tortura. A sentença à morte veio em maio de 2014. Esgotados todos os recursos, a decisão precisa ser ratificada pelo rei para que a decapitação ocorra.


A execução de al-Nimr, dizem os ativistas, vai ocorrer por razões políticas. O menino é sobrinho de Sheikh Nimr Baqir al-Nimr, um clérigo proeminente e opositor do governo, que foi preso e também condenado à morte em outubro do ano passado. “Ali era ainda um menor de idade vulnerável quando foi preso”, disse Maya Foa, da ONG Reprieve, em um comunicado obtido pelo site Quartz. “Sua execução  - baseada aparentemente no ódio das autoridades ao seu tio e no seu envolvimento em protestos contra o governo – viola as leis internacionais e os princípios mais básicos da decência. Isso tem de ser impedido”.


A notícia da execução de al-Nimr surgiu quase que simultaneamente ao anúncio de que a Arábia Saudita deve conduzir um painel sobre direitos humanos nas Nações Unidas. A escolha do país foi considerada “escandalosa” por ativistas dos direitos humanos.


RC


http://epoca.globo.com/tempo/filtro/noticia/2015/09/jovem-de-21-anos-e-condenado-decapitacao-e-crucificacao-na-arabia-saudita.html

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #17 Online: 05 de Outubro de 2016, 09:29:58 »
Soluçao para a Arábia Saudita?

O diabinho no meu ombro esta gritando tanques e jogar sal depois.

Cartago nunca mais incomodou alguém  :twisted:



A Arábia Saudita é um importantíssimo país aliado do Grande Irmão.




Offline Geotecton

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #18 Online: 05 de Outubro de 2016, 20:59:17 »
Soluçao para a Arábia Saudita?

O diabinho no meu ombro esta gritando tanques e jogar sal depois.

Cartago nunca mais incomodou alguém  :twisted:
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Deixe acabar o petróleo...
Foto USGS

Offline DDV

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #19 Online: 05 de Outubro de 2016, 21:25:58 »
Soluçao para a Arábia Saudita?

O diabinho no meu ombro esta gritando tanques e jogar sal depois.

Cartago nunca mais incomodou alguém  :twisted:
A Arábia Saudita é um importantíssimo país aliado do Grande Irmão.

Deixe acabar o petróleo...

Então continuará aliada por um longo tempo.  :lol:
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Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #20 Online: 08 de Outubro de 2016, 06:24:54 »

Mais uma informação  interessante* sobre a rica ditadura que é convenientemente esquecida  por muitos  defensores  da democracia (e detratores seletivos  de alguns  específicos países autoritários) :


Mulher é decapitada por causa de acusação de bruxaria na Arábia Saudita


Publicado em 18.12.2011   


O que você vai ler surpreendentemente não é uma história da Idade Média, mas aconteceu no início desta semana. Uma mulher, chamada Amina bint Abdulhalim Nassar, foi acusada de fazer bruxaria e feitiçaria pelo Ministério do Interior saudita. E ela não teve perdão: foi condenada à morte e decapitada.


Amina, que afirmou ser curandeira e mística, foi presa depois que autoridades encontraram uma variedade de itens ocultos em sua posse, incluindo ervas, garrafas de vidro, um livro sobre bruxaria e um líquido desconhecido, supostamente usado para feitiçaria. De acordo com um porta-voz da polícia, a saudita também prometia falsas curas e milagres, cobrando quase 1,5 mil reais pelos serviços.


Muitos muçulmanos xiitas e cristãos fundamentalistas consideram a leitura das mãos uma prática de bruxaria e, portanto, ruim. Fazer previsões ou usar magias (ou fingir e afirmar que faz isso) é visto como a invocação de forças diabólicas.


Adivinhação, profecia e bruxaria são práticas condenadas pelos poderosos líderes religiosos da Arábia Saudita. Lá, a política e a religião estão tão estreitamente alinhadas que é quase impossível separar as duas coisas.


No ano passado, um libanês chamado Ali Sabat também foi acusado de bruxaria após por ter feito aconselhamentos psíquicos e previsões em um programa de televisão. Sabat foi preso na Arábia Saudita pela polícia religiosa e foi condenado à morte em abril de 2010, embora ainda não se saiba se a sentença foi executada.


Acusações de feitiçaria e bruxaria não são desconhecidas em todo o mundo, especialmente em campanhas políticas em que elas são usadas como uma tática difamatória. Colaboradores mais próximos do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foram acusados no ano passado de usar feitiçaria.


Durante séculos, as acusações de (e leis contra) feitiçaria têm sido usadas como uma ferramenta de quem está no poder. O caso da saudita Amina é um lembrete de que a crença na magia ainda é levada muito a sério em muitas partes do mundo – e pode ter graves consequências. [LiveScience]



http://hypescience.com/mulher-e-decapitada-por-causa-de-acusacao-de-bruxaria-na-arabia-saudita/




* a  notícia  é de  dezembro de 2011, mas continua atual,  pois não houve mudança nesse aspecto.



« Última modificação: 08 de Outubro de 2016, 06:32:05 por JJ »

Offline JJ

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Re:A Arábia Saudita é a fonte do radicalismo sunita
« Resposta #21 Online: 04 de Fevereiro de 2017, 08:25:10 »
Arábia Saudita, o verdadeiro Estado Islâmico

POR NUNO RAMOS DE ALMEIDA
– ON 04/01/2016

CATEGORIAS: GEOPOLÍTICA, MUNDO, POSTS
               
160104-ArábiaSaudita


Retrógrado, misógino, intolerante, Reino de Saud financia e estimula o ISIS. Decapitou 47 opositores, no primeiro dia do ano. É o grande aliado do “mundo livre” no Oriente Médio…


Por Nuno Ramos de Almeida


“Era de manhã em Karbala, cidade a cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdad, e o mercado local estava cheio quando todos ouviram gritos. Um grupo de homens vestidos de preto, levando espadas e bandeiras negras, invadiu o mercado matando crianças, mulheres, idosos e adultos. Avançaram pelas ruas até tomar o controle de toda a cidade. Neste dia, cerca de 4 mil pessoas morreram. Os homens vestidos de preto que organizaram esta matança não eram do grupo autodenominado Estado Islâmico. O massacre ocorreu há mais de 200 anos e o grupo era comandando por um dos primeiros governantes da Arábia Saudita, que acabava de formar um novo movimento religioso: o wahabismo”, recorda a insuspeita BBC.


A história tem várias versões, mas resumindo e simplificando conta-se da seguinte maneira: uma vez pediram ao ocupante de turno da Casa Branca que se pronunciasse sobre Anastásio Somoza Garcia, o primeiro da família como ditador da Nicarágua. O líder do mundo livre terá feito um silêncio e respondido: “é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta”.


Só essa lógica oportunística justifica o apoio dos Estados Unidos e dos seus aliados europeus à monarquia reinante na Arábia Saudita. Mas essa lógica de ter aliados pouco recomendáveis para fazerem o jogo mais sujo, arrisca-se a rebentar-lhes nas mãos, como os apoios que deram a Bin Laden durante a guerra do Afeganistão contra a ocupação soviética.


Não só vêm da Arábia Saudita os principais financiamentos a grupos terroristas como o Estado Islâmico; também é o reino que fornece a sua base ideológica: sem o wahabismo, doutrina salafista, pregada pelo poder saudita, não haveria interpretações radicais do Islã, que transformam a religião muçulmana numa identidade assassina para todas as pessoas, inclusive os muçulmanos que não acreditam numa interpretação feudal, misógina e conservadora que viola repetidamente as palavras do Corão. Por todo o mundo muçulmano, os sauditas exportaram a sua forma de religião, com o dinheiro do petróleo financiam madrassas e outras escolas religiosas que propagam o salafismo além fronteiras.


Esse apostolado tem tido frutos venenosos: quando vemos como regride a situação das mulheres nas zonas libertadas do Sahara Ocidental ou da Palestina, percebemos o papel da influência religiosa do wahhabismo.


Finalmente, a Arábia Saudita é a concretização na prática do que seria um país dirigido pelo Estado Islâmico. Nesse território, as mulheres são seres de segunda, os imigrantes são abaixo de cão, os não crentes podem ser mortos, os estrangeiros estão proibidos de visitar às cidades sagradas de Meca e Medina, e qualquer oposição ao poder despótico vigente é condenada à morte por decapitação.


No entanto, com a execução neste sábado de 47 condenados, entre os quais o clérigo xiita Nimr al Nimr, a estratégia terrorista de apoios ao Estado Islâmico atingiu um novo e perigoso patamar. O líder dos xiitas da Arábia Saudita foi preso, torturado e decapitado. As suas últimas palavras foram um aviso: “a minha morte será um motivo para ação”. Esse aviso há muito que monarquia saudita conhece: aquilo que se pretende com esta execução é transformar a guerra contra o Estado Islâmico num conflito entre sunitas e xiitas.


O governo da Arábia Saudita está envolvido numa guerra em várias frentes contra os xiitas, nomeadamente no Iemen, Bahrein, Síria e Iraque. Os governos do Ocidente têm fechado os olhos a estas ações, porque elas são contra a maior potência xiita, o Irã. Mas as ruas de Paris são a prova que não há guerras limpinhas para os aliados do reino. Um conflito que opusesse sunitas e xiitas poderia salvar, momentaneamente, o Estado Islâmico e Riad, mas conduziria o mundo a uma guerra sem fronteiras.


http://outraspalavras.net/posts/arabia-saudita-o-verdadeiro-estado-islamico/


Nuno Ramos de Almeida

Nuno Ramos de Almeida é jornalista português, editor-executivo do Jornal I (www.ionline.pt).




 

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