Autor Tópico: Causas da desigualdade de renda entre as pessoas  (Lida 1484 vezes)

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Offline Gauss

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #25 Online: 29 de Novembro de 2016, 11:40:15 »
O texto não aparenta estar defendendo que a solução seja tirar dos mais ricos ao invés de dar mais liberdade aos mais pobres. Parece que uma parte basilar do argumento é a informação que ele cita no oitavo parágrafo:

Citar
Outra constatação da pesquisa de Milá foi de que há uma paradoxo no Brasil entre concentração de renda e investimentos. Durante o período pesquisado, quando havia maior concentração da renda no topo, observava-se uma queda dos investimentos, demonstrando que o aumento deles pode estar associado a uma melhor distribuição de renda [...]

Não faço ideia de se esse dado é real ou não. Se for, pode ser um indício de que, apesar de a existência de uma camada de renda superior ser essencial para a manutenção de investimentos (afinal, para investir é preciso primeiro acumular), por outro lado haveria um nível crítico de concentração de renda a partir do qual o nível de investimento passaria a cair em vez de aumentar, porque passaria a limitar a possibilidade de o mercado consumidor funcionar como clientela para esses investimentos. Grosso modo, não pode existir uma fábrica se ninguém tiver dinheiro para abrir uma, mas ela também não pode existir se apenas o proprietário e sua família tiverem dinheiro para adquirir o produtos. Há um meio ideal entre esses extremos.

Provavelmente são dados forçados, eu nem levei muito a sério.

Mas veja:
Citar
[...]Uma justificativa para isso é que se buscou no Brasil uma maior distribuição de renda por meio dos gastos do Estado, mas o regressivo sistema tributário brasileiro não realizou o seu papel de desconcentrar a renda na parte de cima da pirâmide.

Como desconcentrar a renda da parte de cima da pirâmide fazendo o que o texto sugere?

Citar
[...]Está cada vez mais claro que a tributação progressiva é capaz de desconcentrar a renda no topo e que, portanto, ela é o início do processo de redução da desigualdade, que se conclui num gasto estatal capaz de diluir na base a renda retirada no topo. Tributação e gastos são, portanto, fundamentais e complementares para uma economia mais dinâmica.[...]

Aumentando gastos estatais? Tirando do "topo da pirâmide"? Não me surpreenda eles acharem que o dinheiro público é infinito e serem contra o corte de gastos públicos. E obviamente eles estão fazendo uma confusão entre pobreza e desigualdade econômica. Ao menos para mim, tive essa impressão.



Sou contra a pobreza, acho prejudicial e sou a favor de políticas de redistribuição baseadas no IR Negativo, mas é furada fazer o que o texto sugere.
« Última modificação: 29 de Novembro de 2016, 11:46:09 por Gauss »
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #26 Online: 29 de Novembro de 2016, 13:12:10 »
Acho que não é bem uma "confusão", ou, nem sempre.
É sim, na maioria das vezes. Leia qualquer artigo da Carta Capital que fale sobre o assunto que você verá. Ou não é confusão,  é desonestidade mesmo.

Talvez eu tenha pego o bonde andando, mas não respondi pensando especificamente na CC, mas no discurso esquerdista em geral, ou, na verdade, tentando "salvá-lo" pelo que houver de melhor.



Citar
De modo geral está implícito que não importaria tanto uma "desigualdade" com a margem inferior numa classe média-alta, mesmo que no outro extremo se tivesse obscenilionários. Não precisa dizer que o problema é pobreza.
Desigualdade é qualquer coisa que é desigual(duh). Um bilionário comparado a um milionário tem uma renda muito desigual entre ambos. A pobreza está relacionada a desigualdade, mas não é a mesma coisa.

Evidentemente. Mas também me parece evidente que é na maioria dos casos subentendido que se fala des desigualdades onde há um lado pobre ou abaixo da pobreza e outro tremendamente mais rico, e não qualquer desigualdade, especialmente entre ricos e mais ricos.



Citar
Então falar em "desigualdade" é uma forma de enfatizar políticas redistributivas como uma solução parcial (porém possivelmente não apenas paliativa), porém acessível.
É uma forma de certo modo desonesta de enfatizar políticas redistributivas.

Por que desonesta?



Citar
Enquanto que o foco apenas em "pobreza" deixa estrategicamente omisso haver riqueza extrema no outro lado do espectro,
Como se fosse um problema pessoas que enriqueceram por méritos próprios ficarem cada vez mais ricas só porque ainda existem pobres... Talvez o problema é os progressistas pensarem que a pobreza de uns só existe devido a riqueza de outros.

Sem dúvida é mesmo uma "conclusão" de alguns, mas não é necessariamente o fundamento de qualquer política redistributiva, seja estatal ou em administração de empresas.

Mas, ao mesmo tempo, não é estritamente incorreto dizer que a pobreza de uns só existe devido a preservação total das riquezas de outros, já que a redistribuição dessas riquezas reduz sim a pobreza. Note: isso não é a negação da possibilidade de eventual enriquecimento dos mais pobres, ou afirmação de uma conexão causal mais do que "matemática"/tautológica entre a riqueza desigual e desigualdade. Embora possa sim haver argumentos nessa direção, como políticas corporativistas (como salário mínimo) protegerem o status de alguns em detrimento de oportunidades para os mais pobres.



Citar
enviesando a pensar em soluções apenas em termos de maior produção de riquezas, em vez de em melhor aproveitamento delas, tanto no aspecto humanitário/moral quanto econômico.
Pensar em maior criação de riqueza e redistribuição de renda com menos liberdade econômica?

Só se os progressistas passaram a ler Friedman, o que não duvido, visto que o Bolsa Família é inspirado no neoliberalismo do Imposto de Renda Negativo.

Infelizmente acho que é apenas uma minoria que tem um pensamento mais sofisticado e menos maniqueísta sobre o tema. De ambos os lados.



Citar
Antes que criem espantalhos ou coisas parecidas, gostaria que lessem esses artigos para entender meu ponto:
http://liberalismoeconomico.org/como-o-livre-mercado-atua-sobre-a-pobreza/  (o mais importante)

http://liberalismoeconomico.org/a-liberdade-economica-prejudica-os-mais-pobres-heritage-2013/

http://liberalismoeconomico.org/o-liberalismo-economico-prejudica-os-mais-pobres-heritage-2014/


E também deixo claro que condeno a miséria, antes que venham espantalhar com a pseudociência preconceituosa do Darwinismo Social. E não estou criticando políticas de Welfare nórdicas também.

Não falando em nome da Carta Capital, ou mesmo de progressistas em geral, acho que há a visão progressista que é perfeitamente a favor de graus elevados de liberdade econômica, porém sem cair no "quanto mais, melhor", que em última instância é anarquia. As reduções de liberdade econômica se justificando de forma não fundamentalmente diferentes daquelas com que se justifica um "estado de vigias noturnos", apenas não vendo qualquer aumento do escopo de segurança necessariamente como catastrófico ou um declive escorregadio para o comunismo.

Pode-se fazer analogia ainda com administração das finanças de uma empresa. Se ela tem setores desiguais em estruturação e lucratividade, e não se pode simplesmente eliminar os setores pior estruturados/capacitados que dão prejuízo (que seria darwinismo social dos piores), então é necessário que o investimento do lucro total priorize a estruturação/capacitação onde é precária.

Isso é um argumento estritamente economico/administrativo, não moral, onde fora da analogia libertários questionariam a moralidade dos mais ricos serem forçados a reduzir o sofrimento dos mais pobres, enquanto os progressistas, de não fazê-lo.

Mas mais importante que esse "primeiro" questionamento libertário, e até independente deste, seria um segundo: a confiança excessiva na organização estatal como capaz de dar conta desses problemas. Esse questionamento não precisa ser "absoluto", isso é, "o estado sempre criará uma situação pior do que sua ausência", mas ser mais específico, e dessa forma, produtivo, "científico", em apontar políticas falhas.

Offline Lakatos

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #27 Online: 03 de Dezembro de 2016, 01:56:23 »
Gauss, sobre o ranking da Heritage Foundation, acredito que você tenha concordado que ele gera na verdade um score a partir da fusão de características distintas: tamanho do Estado e sua eficiência. Tanto os nórdicos (Estado grande, porém eficiente) quanto aquelas proto-minarquias caóticas (Estado pequeno, porém ineficiente) mostram que é perfeitamente possível ter um sem ter o outro. O uso que se faz do índice, que talvez nem seja um uso endossado por seus criadores, têm sido sim o de citar cases de países bem classificados e apontar como causa desse sucesso apenas o suposto tamanho pequeno do Estado, e vice-versa. Ignoram completamente os indicadores que, somados, mais pesam no índice, que são aqueles relacionados à eficiência.

O melhor jeito de analisar como realmente esses indicadores impactam na riqueza das nações seria conseguir uma planilha com os dados brutos usados pela Heritage e então separá-los, criando um score relacionado apenas aos indicadores de tamanho do Estado e outro score distinto relacionado apenas à eficiência, e então verificar qual deles se correlaciona mais com a riqueza, prosperidade, IDH etc. Não sei se esses dados são disponibilizados por eles, acredito que não.

Mas já de início é possível destacar que o índice geral é baseado em dez indicadores de mesmo peso, dos quais apenas dois tem relação conceitual direita com tamanho do Estado (azul). Há até (pelo menos) um indicador que é o oposto, premia Estados mais fortes (vermelho).

Citar
Property Rights

The property rights component is an assessment of the ability of individuals to accumulate private property, secured by clear laws that are fully enforced by the state. It measures the degree to which a country’s laws protect private property rights and the degree to which its government enforces those laws. It also assesses the likelihood that private property will be expropriated and analyzes the independence of the judiciary, the existence of corruption within the judiciary, and the ability of individuals and businesses to enforce contracts.


Freedom from Corruption

Corruption erodes economic freedom by introducing insecurity and uncertainty into economic relationships. The score for this component is derived primarily from Transparency International’s Corruption Perceptions Index (CPI) for 2010, which measures the level of corruption in 178 countries.

Fiscal Freedom

Fiscal freedom is a measure of the tax burden imposed by government. It includes both the direct tax burden in terms of the top tax rates on individual and corporate incomes and the overall amount of tax revenue as a percentage of GDP.

Government Spending

This component considers the level of government expenditures as a percentage of GDP. Government expenditures, including consumption and transfers, account for the entire score.


Business Freedom

Business freedom is a quantitative measure of the ability to start, operate, and close a business that represents the overall burden of regulation as well as the efficiency of government in the regulatory process. The business freedom score for each country is a number between 0 and 100, with 100 equaling the freest business environment.

Labor Freedom

The labor freedom component is a quantitative measure that looks into various aspects of the legal and regulatory framework of a country’s labor market. It provides cross-country data on regulations concerning minimum wages; laws inhibiting layoffs; severance requirements; and measurable regulatory burdens on hiring, hours, and so on.

Monetary Freedom

Monetary freedom combines a measure of price stability with an assessment of price controls. Both inflation and price controls distort market activity. Price stability without microeconomic intervention is the ideal state for the free market.

Trade Freedom

Trade freedom is a composite measure of the absence of tariff and non-tariff barriers that affect imports and exports of goods and services.

Investment Freedom

In an economically free country, there would be no constraints on the flow of investment capital. Individuals and firms would be allowed to move their resources into and out of specific activities, both internally and across the country’s borders, without restriction. Such an ideal country would receive a score of 100 on the investment freedom component of the Index of Economic Freedom.

Financial Freedom

Financial freedom is a measure of banking efficiency as well as a measure of independence from government control and interference in the financial sector. State ownership of banks and other financial institutions such as insurers and capital markets reduces competition and generally lowers the level of available services. In an ideal banking and financing environment where a minimum level of government interference exists, independent central bank supervision and regulation of financial institutions are limited to enforcing contractual obligations and preventing fraud. Credit is allocated on market terms, and the government does not own financial institutions. Financial institutions provide various types of financial services to individuals and companies. Banks are free to extend credit, accept deposits, and conduct operations in foreign currencies. Foreign financial institutions operate freely and are treated the same as domestic institutions.

Sobre o texto da Carta Capital, você acaba convergindo para ele na conclusão sobre a pertinência do imposto negativo, que nada mais é que um programa de redistribuição de renda do topo à base da pirâmide, tornando a tributação progressiva com objetivo de inserir pessoas mais pobres no mercado de consumo e consequentemente aumentar o nível de investimento. É a mesma tese defendida pelo texto, sem tirar nem por.

Você está assinando embaixo daquele texto, só está relutando em admitir.

Offline DDV

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #28 Online: 03 de Dezembro de 2016, 06:07:05 »
O imposto negativo é um substituto para os serviços estatais, ou seja, ao invés do estado oferecer diretamente serviços, ele distribui dinheiro para que as próprias pessoas adquiram esses serviços da iniciativa privada. É o método preferido dos liberais, por entenderem que o estado é um péssimo gestor.
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Lakatos

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #29 Online: 03 de Dezembro de 2016, 06:15:52 »
Também é o método preferido por muita gente de esquerda. Diminui a burocracia (agrada os liberais) e mantém um sistema de redistribuição funcionando via arrecadação tributária (agrada os "progressistas").

Offline DDV

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #30 Online: 03 de Dezembro de 2016, 10:50:45 »
Mas para funcionar com Zé Povinho, infelizmente deveria vir acompanhado com leis obrigando colocar filho na escola, ter um plano de saúde, etc.
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Offline O Grande Capanga

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #31 Online: 03 de Dezembro de 2016, 13:42:35 »
O imposto negativo é um substituto para os serviços estatais, ou seja, ao invés do estado oferecer diretamente serviços, ele distribui dinheiro para que as próprias pessoas adquiram esses serviços da iniciativa privada. É o método preferido dos liberais, por entenderem que o estado é um péssimo gestor.

Você sabe quanto o governo gasta por mês com saúde?

De maneira bem grosseira, seria viável privatizar toda a saúde e o governo pagar planos de saúde a toda população?

Rhyan

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #32 Online: 03 de Dezembro de 2016, 14:20:01 »
O imposto negativo é um substituto para os serviços estatais, ou seja, ao invés do estado oferecer diretamente serviços, ele distribui dinheiro para que as próprias pessoas adquiram esses serviços da iniciativa privada. É o método preferido dos liberais, por entenderem que o estado é um péssimo gestor.

Você sabe quanto o governo gasta por mês com saúde?

De maneira bem grosseira, seria viável privatizar toda a saúde e o governo pagar planos de saúde a toda população?

Só sei que na educação valeria muito a pena, sem contar os ganhos com a própria educação da classe baixa que seria muito melhor.

Usem os dados do Fraser Institute, são considerados muito mais confiáveis que os do Heritage.
http://www.freetheworld.com/release.html

Offline Gauss

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #33 Online: 03 de Dezembro de 2016, 16:29:48 »
Todo o Quote.

Quanto a direito rígidos de proteção de propriedade que a Heritage avalia, é o mínimo esperado de qualquer estado capitalista. Nada de ultra-estatal anti-liberal ai.

Os links que passei não se focam em estados com governo pouco limitado.

E gostaria de saber quais são as proto-minarquias caóticas que você citou.

Você está assinando embaixo daquele texto, só está relutando em admitir.
Não, discordo de pontos cruciais dele, como mostrei acima em outros posts. Seria como eu trazer um daqueles textos da Carta Capital que defende Políticas Afirmativas para negros e mulheres, e fosse taxado de defensor das mesma só por dizer que o racismo e o sexismo são problemas que realmente enfrentamos, mesmo sem endossar o discurso racista das PA.

O imposto negativo é um substituto para os serviços estatais, ou seja, ao invés do estado oferecer diretamente serviços, ele distribui dinheiro para que as próprias pessoas adquiram esses serviços da iniciativa privada. É o método preferido dos liberais, por entenderem que o estado é um péssimo gestor.

Você sabe quanto o governo gasta por mês com saúde?

De maneira bem grosseira, seria viável privatizar toda a saúde e o governo pagar planos de saúde a toda população?

Uma voucherização da saúde para os pobres deve ser bem positivo se bem planejado, visto o sucesso da voucherização do ensino em lugares onde é aplicado o mesmo. Não sei se existe algum lugar que voucheriza a saúde.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #34 Online: 03 de Dezembro de 2016, 17:22:35 »
O imposto negativo é um substituto para os serviços estatais, ou seja, ao invés do estado oferecer diretamente serviços, ele distribui dinheiro para que as próprias pessoas adquiram esses serviços da iniciativa privada. É o método preferido dos liberais, por entenderem que o estado é um péssimo gestor.

Você sabe quanto o governo gasta por mês com saúde?

De maneira bem grosseira, seria viável privatizar toda a saúde e o governo pagar planos de saúde a toda população?

Acho que seria interessante uma comparação da produtividade/eficiência de clínicas e etc que calhem de ser acessíveis para as faixas mais baixas de renda. O quão comuns elas são, e quão pior (se é mesmo pior) é a eficiência do serviço estatal?

Talvez viesse bem a calhar incentivos fiscais para atuação com foco em acessibilidade às faixas de renda inferiores.

Uma vantagem de uma observação estatal mais próxima estaria em coletar dados e analisá-los a fim de filtrar os processos mais eficientes, tanto administrativos, quanto médicos mesmo. O problema é que mesmo o SUS sendo estatal, não faz isso. Mas talvez fosse a única função que devesse ter então, uma espécie diferente de "vigilância sanitária" que além de fazer essas inspeções, tenta fazer esses estudos e refinar as legislações para maior eficiência. Quase que formulando modelos de "franquias open source" em saúde.

Offline Lakatos

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #35 Online: 03 de Dezembro de 2016, 20:21:20 »
Todo o Quote.

Quanto a direito rígidos de proteção de propriedade que a Heritage avalia, é o mínimo esperado de qualquer estado capitalista. Nada de ultra-estatal anti-liberal ai.

Os links que passei não se focam em estados com governo pouco limitado.

E gostaria de saber quais são as proto-minarquias caóticas que você citou.

O ponto era que a maioria dos índices não tem relação direta com tamanho do Estado. Acho que já está bem demonstrado.

Eu me referia a "proto-minarquias caóticas" de forma genérica a governos que cobram poucos impostos e gastam pouco em comparação com os demais e ainda assim não são ricos nem possuem bom padrão de vida. Exemplos: Bangladesh, Turcomenistão, Paraguai, Etiópia, Guatemala. O tipo de país que você nunca encontra nos gráficos do mises.org, naqueles diagramas de correlação entre gasto estatal em relação ao PIB e alguma medida de prosperidade.

Offline Gauss

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #36 Online: 03 de Dezembro de 2016, 23:02:05 »
Bangladesh, Turcomenistão, Paraguai, Etiópia e Guatemala? Por que você pensa que são países com estado mínimo ou quase estado mínimo? Liberdade fiscal e baixos gastos de governo não são sinônimo para minarquia, há muitos outros fatores para tornar os mesmos um estado mínimo de fato... Senão Hong Kong, onde as pessoas tem direitos políticos relativamente suprimidos, poderia ser considerado minarquia também.
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Offline DDV

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #37 Online: 16 de Março de 2017, 23:37:36 »
Um fator que ajuda a reduzir a desigualdade de renda é a superoferta de cursos (ditos) superiores.

Essa superoferta 'desvia' muitas pessoas do mercado de empregos pouco qualificados ou técnicos para empregos intelectuais, deixando os trabalhadores não-qualificados ou técnicos com menos concorrência, fazendo seus salários aumentarem.

É a dinâmica do mercado em ação, a "curva de preço VS demanda" do mercado de trabalho.

Quando há poucos trabalhadores com nível superior e uma massa enorme não qualificada, o salário destes últimos é uma miséria e o dos primeiros elevado, isso aumenta a demanda por cursos superiores, que no final aumenta a oferta de trabalhadores com cursos superiores e reduz a de trabalhadores para empregos pouco qualificados, mas essenciais (como pedreiro, encanador, mecânico, carpinteiro, etc). Isso faz o salários destes últimos aumentarem e o dos primeiros reduzirem, gerando uma maior igualdade de renda.
 
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Offline Shadow

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #38 Online: 17 de Março de 2017, 07:59:14 »
Um fator que ajuda a reduzir a desigualdade de renda é a superoferta de cursos (ditos) superiores.

Essa superoferta 'desvia' muitas pessoas do mercado de empregos pouco qualificados ou técnicos para empregos intelectuais, deixando os trabalhadores não-qualificados ou técnicos com menos concorrência, fazendo seus salários aumentarem.

É a dinâmica do mercado em ação, a "curva de preço VS demanda" do mercado de trabalho.

Quando há poucos trabalhadores com nível superior e uma massa enorme não qualificada, o salário destes últimos é uma miséria e o dos primeiros elevado, isso aumenta a demanda por cursos superiores, que no final aumenta a oferta de trabalhadores com cursos superiores e reduz a de trabalhadores para empregos pouco qualificados, mas essenciais (como pedreiro, encanador, mecânico, carpinteiro, etc). Isso faz o salários destes últimos aumentarem e o dos primeiros reduzirem, gerando uma maior igualdade de renda.

Uma das maiores bobagens do FHC foi praticamente acabar com os velhos CEFETs e congêneres, ao menos nos modelos anteriores, praticamente acabando com as formações de nível técnico naqueles moldes.
"Who knows what evil lurks in the hearts of men? The Shadow knows..."

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #39 Online: 17 de Março de 2017, 11:32:59 »
Intuitivamente me parece improvável que esteja se conseguindo obter uma redução significativa da oferta de mão-de-obra pouco qualificada por formação excessiva da mais qualificada. Mas talvez, com esse "ditos superiores", esteja se referindo a cursos que talvez as pessoas façam mais pensando apenas em ter ensino superior para poder concorrer em concursos públicos para cargos com salários mais altos, em vez de algo motivado pela própria demanda da especialização em si, o que pode "desviar" um número maior de pessoas.

Porém, também tem aquela piada dum episódio dos Simpsons, de "agora estamos formando cinco advogados para cada americano", com os advogados concorrendo a tapa para pegar um caso. E tinha ainda aquele advogado que tentava vender resto de suco de laranja e engraxava sapatos também, além de acho que tentar ser babá até. :biglol:

Seria interessante ver números disso, especialmente da mudança ao longo do tempo, bem como de coisas correlatas a essas mudanças de renda em diferentes faixas.




Acho que no blog "mercado popular" tem um artigo argumentando que as faculdades públicas ajudam a aumentar a desigualdade.

Mas não li, só esbarrei com isso outro dia procurando imagens no google, de gráficos relacionados a renda de alunos das faculdades.

http://mercadopopular.org/2015/07/como-a-universidade-publica-e-gratuita-aumenta-a-desigualdade-de-renda/

Citar
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/como-as-universidades-publicas.html
...

  • Em gastos por aluno, o setor público escolheu por priorizar a educação superior. Para cada estudante em uma universidade pública, em média, seria possível manter quatro estudantes de ensino médio ou fundamental na escola.
  • Essa priorização beneficia os mais ricos. Estudantes de universidade pública têm uma renda familiar per capita duas vezes maior do que aqueles que não vão para a universidade. A representação proporcional da classe alta nas universidades públicas é quase o dobro daquela observada na sociedade como um todo.
  • A probabilidade estimada de um jovem com renda familiar per capita de R$250 ao mês estudar em universidade pública é virtualmente nula: cerca de 2%. Já aqueles jovens que têm uma renda familiar per capita de R$20 mil reais ao mês têm uma chance de 40% de estudar em uma universidade pública.
  • Existe uma desigualdade também no acesso a cursos mais concorridos. Em universidades públicas, cursos com nota de corte mais alta no SISU tendem a ter uma presença menor de negros. Negros são também sub-representados no Ciência sem Fronteiras.
  • Transferir renda para financiar a educação dos mais ricos com impostos ajuda a perpetuar desigualdades, pois anos adicionais de estudo incrementam a renda de quem recebeu o benefício. Para cada ano adicional de estudo, adultos têm um aumento de sua renda entre 6,5% e 10%.
  • Mudar o foco das universidades públicas para outros níveis de ensino amenizaria essas desigualdades. Retornos ao investimento em educação, em termos econômicos para a sociedade e cognitivos para as crianças, são maiores quando esses investimentos são direcionados à educação de base.
  • Algumas alternativas em políticas públicas seriam: (a) permitir e financiar a criação de escolas públicas de administração autônoma; (b) criar o ProUni do ensino básico e distribuir vale-escola para estudantes pobres se matricularem em escolas privadas; e (c) estimular a educação na primeira infância, eliminando impostos sobre creches e pré-escolas, facilitando seu processo de criação e registro.


..


Semi relacionado a isso, vi que recentemente também tem aumentado a demanda por ensino básico privado, mesmo no Brasil. Tinha feito um tópico sobre isso em países de terceiro mundo em geral, mas tinha a impressão do Brasil estar consideravelmente fora do que falavam nos textos que li.



Também relacionado a essa colocação incial, vi recentemente gráfico dizendo que foi se reduzindo a associação entre renda mais alta e curso superior. É ainda forte, mas se reduziu, acho que meio que numa "lacuna" ou "depressão" em uma renda mais intermediária, o que talvez seja compatível com o esperado desses cursos de "ensino superior baixo" produzirem uma super-oferta de formados.









Mais coisas interessantes sobre a importância da presença de ambos os pais na formação das pessoas:

Citar
[...] Specifically, she found that “twenty-five percent of youths from divorced families in comparison to 10 percent from non-divorced families did have serious social, emotional, or psychological problems.” Other research suggests that the children of never-married single parents tend to do somewhat worse than children of divorced single parents.

Take two contemporary social problems: teenage pregnancy and the incarceration of young males. Research by Sara McLanahan at Princeton University suggests that boys are significantly more likely to end up in jail or prison by the time they turn 30 if they are raised by a single mother. Specifically, McLanahan and a colleague found that boys raised in a single-parent household were more than twice as likely to be incarcerated, compared with boys raised in an intact, married home, even after controlling for differences in parental income, education, race, and ethnicity. Research on young men suggests they are less likely to engage in delinquent or illegal behavior when they have the affection, attention, and monitoring of their own mother and father.

But daughters depend on dads as well. One study by Bruce Ellis of the University of Arizona found that about one-third of girls whose fathers left the home before they turned 6 ended up pregnant as teenagers, compared with just 5 percent of girls whose fathers were there throughout their childhood. This dramatic divide was narrowed a bit when Ellis controlled for parents’ socioeconomic background—but only by a few percentage points. The research on this topic suggests that girls raised by single mothers are less likely to be supervised, more likely to engage in early sex, and to end up pregnant compared with girls raised by their own married parents.

It’s true that poorer families are more likely to be headed by single mothers. But even factoring out class shows a clear difference. Research by the Economic Mobility Project at Pew suggests that children from intact families are also more likely to rise up the income ladder if they were raised in a low-income family, and less likely to fall into poverty if they were raised in a wealthy family. For instance, according to Pew’s analysis, 54 percent of today’s young adults who grew up in an intact two-parent home in the top-third of household income have remained in the top-third as adults, compared with just 37 percent of today’s young adults who grew up in a wealthy (top-third) but divorced family. [...]

http://www.slate.com/articles/double_x/doublex/2012/07/single_motherhood_worse_for_children_.single.html



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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #41 Online: 31 de Maio de 2017, 20:27:24 »
Desigualdade social não é problema, o problema é a iniquidade na sociedade.

Offline -Huxley-

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #42 Online: 31 de Maio de 2017, 20:41:47 »
<a href="https://www.youtube.com/v/GUXNPxtkxYc" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/GUXNPxtkxYc</a>

A resposta da esquerda com influência marxista para o Kim seria que o Estado é essencialmente controlado pela "burguesia" (ou pelos "ricos", naqueles sem sotaque marxista), especialmente pelos capitalistas financeiros.  :biglol:
« Última modificação: 31 de Maio de 2017, 20:43:54 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #43 Online: 31 de Maio de 2017, 20:44:25 »
Isso seria a resposta mais elaborada, intelectual, até.

Antes disso, seria algo como "PORCO FASCISTA CAPITALISTA CRIPTOTUCANO JAPORONGA DE PAU PEQUENO COXINHA DE DOZE ANOS USANDO TERNO DO PAI MENTIROSO FILHO DA PUTA!!!!11113131313 MORTE AO CAPITAL!!!!1113 MORTE AO CAPITAL!!!!1113 [...]"

Offline Euler1707

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #44 Online: 31 de Maio de 2017, 20:47:35 »
Desigualdade social não é problema, o problema é a iniquidade na sociedade.
A desigualdade se torna um problema quando muitos cargos públicos têm salários desproporcionalmente grandes para as mesmas funções que são feitas no setor privado. Isso causa uma desigualdade de renda absurda, criando uma elite de funcionários públicos que, em tese, não produzem nada.

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #45 Online: 31 de Maio de 2017, 20:52:27 »
Desigualdade social não é problema, o problema é a iniquidade na sociedade.
A desigualdade se torna um problema quando muitos cargos públicos têm salários desproporcionalmente grandes para as mesmas funções que são feitas no setor privado. Isso causa uma desigualdade de renda absurda, criando uma elite de funcionários públicos que, em tese, não produzem nada.
Mas isso caracteriza-se em iniquidade, não em desigualdade.

Offline Euler1707

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #46 Online: 31 de Maio de 2017, 21:06:42 »
Desigualdade social não é problema, o problema é a iniquidade na sociedade.
A desigualdade se torna um problema quando muitos cargos públicos têm salários desproporcionalmente grandes para as mesmas funções que são feitas no setor privado. Isso causa uma desigualdade de renda absurda, criando uma elite de funcionários públicos que, em tese, não produzem nada.
Mas isso caracteriza-se em iniquidade, não em desigualdade.
Essa "iniquidade" faz parte das causas da desigualdade de renda no Brasil. O estado, além de esmagar a iniciativa privada, tira dinheiro dos trabalhadores da iniciativa privada para sustentar uma elite de funcionários públicos que recebem de 2 a 10 vezes mais do que esses mesmos trabalhadores. 

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #47 Online: 01 de Junho de 2017, 18:16:19 »
Um fator que ajuda a reduzir a desigualdade de renda é a superoferta de cursos (ditos) superiores.

Essa superoferta 'desvia' muitas pessoas do mercado de empregos pouco qualificados ou técnicos para empregos intelectuais, deixando os trabalhadores não-qualificados ou técnicos com menos concorrência, fazendo seus salários aumentarem.

É a dinâmica do mercado em ação, a "curva de preço VS demanda" do mercado de trabalho.

Quando há poucos trabalhadores com nível superior e uma massa enorme não qualificada, o salário destes últimos é uma miséria e o dos primeiros elevado, isso aumenta a demanda por cursos superiores, que no final aumenta a oferta de trabalhadores com cursos superiores e reduz a de trabalhadores para empregos pouco qualificados, mas essenciais (como pedreiro, encanador, mecânico, carpinteiro, etc). Isso faz o salários destes últimos aumentarem e o dos primeiros reduzirem, gerando uma maior igualdade de renda.

Uma das maiores bobagens do FHC foi praticamente acabar com os velhos CEFETs e congêneres, ao menos nos modelos anteriores, praticamente acabando com as formações de nível técnico naqueles moldes.

Os CEFETs são agora na maioria Institutos Federais. Os cursos técnicos continuam existindo e foram ampliados. O problema é que quando se pergunta aos alunos do médio-técnico, 90% dos alunos respondem que estão no curso em razão do ensino público e de qualidade e para obter o diploma de ensino médio. A qualificação técnica não interessa quase nada. O resultado é que o Estado está qualificando um monte de gente no nível técnico, mas que a imensa maioria nunca irá atuar na área em que foi qualificado.

Parece um problema cultural. O mercado não se interessa por técnicos, nem a população. O negócio é fazer faculdade com muitos diplomas de qualidade duvidosa.

Não que as pessoas formadas nos institutos no nível técnico não cresçam muito com o curso, no entanto, da forma como está investir num nível medio comum de qualidade teria efeitos muito melhores, com menos custos. Ou faz isso ou se investe para mudar a cultura.
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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #48 Online: 01 de Junho de 2017, 18:25:37 »
Intuitivamente me parece improvável que esteja se conseguindo obter uma redução significativa da oferta de mão-de-obra pouco qualificada por formação excessiva da mais qualificada. Mas talvez, com esse "ditos superiores", esteja se referindo a cursos que talvez as pessoas façam mais pensando apenas em ter ensino superior para poder concorrer em concursos públicos para cargos com salários mais altos, em vez de algo motivado pela própria demanda da especialização em si, o que pode "desviar" um número maior de pessoas.

Porém, também tem aquela piada dum episódio dos Simpsons, de "agora estamos formando cinco advogados para cada americano", com os advogados concorrendo a tapa para pegar um caso. E tinha ainda aquele advogado que tentava vender resto de suco de laranja e engraxava sapatos também, além de acho que tentar ser babá até. :biglol:

Seria interessante ver números disso, especialmente da mudança ao longo do tempo, bem como de coisas correlatas a essas mudanças de renda em diferentes faixas.




Acho que no blog "mercado popular" tem um artigo argumentando que as faculdades públicas ajudam a aumentar a desigualdade.

Mas não li, só esbarrei com isso outro dia procurando imagens no google, de gráficos relacionados a renda de alunos das faculdades.

http://mercadopopular.org/2015/07/como-a-universidade-publica-e-gratuita-aumenta-a-desigualdade-de-renda/

Citar
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/como-as-universidades-publicas.html
...

  • Em gastos por aluno, o setor público escolheu por priorizar a educação superior. Para cada estudante em uma universidade pública, em média, seria possível manter quatro estudantes de ensino médio ou fundamental na escola.
  • Essa priorização beneficia os mais ricos. Estudantes de universidade pública têm uma renda familiar per capita duas vezes maior do que aqueles que não vão para a universidade. A representação proporcional da classe alta nas universidades públicas é quase o dobro daquela observada na sociedade como um todo.
  • A probabilidade estimada de um jovem com renda familiar per capita de R$250 ao mês estudar em universidade pública é virtualmente nula: cerca de 2%. Já aqueles jovens que têm uma renda familiar per capita de R$20 mil reais ao mês têm uma chance de 40% de estudar em uma universidade pública.
  • Existe uma desigualdade também no acesso a cursos mais concorridos. Em universidades públicas, cursos com nota de corte mais alta no SISU tendem a ter uma presença menor de negros. Negros são também sub-representados no Ciência sem Fronteiras.
  • Transferir renda para financiar a educação dos mais ricos com impostos ajuda a perpetuar desigualdades, pois anos adicionais de estudo incrementam a renda de quem recebeu o benefício. Para cada ano adicional de estudo, adultos têm um aumento de sua renda entre 6,5% e 10%.
  • Mudar o foco das universidades públicas para outros níveis de ensino amenizaria essas desigualdades. Retornos ao investimento em educação, em termos econômicos para a sociedade e cognitivos para as crianças, são maiores quando esses investimentos são direcionados à educação de base.
  • Algumas alternativas em políticas públicas seriam: (a) permitir e financiar a criação de escolas públicas de administração autônoma; (b) criar o ProUni do ensino básico e distribuir vale-escola para estudantes pobres se matricularem em escolas privadas; e (c) estimular a educação na primeira infância, eliminando impostos sobre creches e pré-escolas, facilitando seu processo de criação e registro.


..


Semi relacionado a isso, vi que recentemente também tem aumentado a demanda por ensino básico privado, mesmo no Brasil. Tinha feito um tópico sobre isso em países de terceiro mundo em geral, mas tinha a impressão do Brasil estar consideravelmente fora do que falavam nos textos que li.



Também relacionado a essa colocação incial, vi recentemente gráfico dizendo que foi se reduzindo a associação entre renda mais alta e curso superior. É ainda forte, mas se reduziu, acho que meio que numa "lacuna" ou "depressão" em uma renda mais intermediária, o que talvez seja compatível com o esperado desses cursos de "ensino superior baixo" produzirem uma super-oferta de formados.









Mais coisas interessantes sobre a importância da presença de ambos os pais na formação das pessoas:

Citar
[...] Specifically, she found that “twenty-five percent of youths from divorced families in comparison to 10 percent from non-divorced families did have serious social, emotional, or psychological problems.” Other research suggests that the children of never-married single parents tend to do somewhat worse than children of divorced single parents.

Take two contemporary social problems: teenage pregnancy and the incarceration of young males. Research by Sara McLanahan at Princeton University suggests that boys are significantly more likely to end up in jail or prison by the time they turn 30 if they are raised by a single mother. Specifically, McLanahan and a colleague found that boys raised in a single-parent household were more than twice as likely to be incarcerated, compared with boys raised in an intact, married home, even after controlling for differences in parental income, education, race, and ethnicity. Research on young men suggests they are less likely to engage in delinquent or illegal behavior when they have the affection, attention, and monitoring of their own mother and father.

But daughters depend on dads as well. One study by Bruce Ellis of the University of Arizona found that about one-third of girls whose fathers left the home before they turned 6 ended up pregnant as teenagers, compared with just 5 percent of girls whose fathers were there throughout their childhood. This dramatic divide was narrowed a bit when Ellis controlled for parents’ socioeconomic background—but only by a few percentage points. The research on this topic suggests that girls raised by single mothers are less likely to be supervised, more likely to engage in early sex, and to end up pregnant compared with girls raised by their own married parents.

It’s true that poorer families are more likely to be headed by single mothers. But even factoring out class shows a clear difference. Research by the Economic Mobility Project at Pew suggests that children from intact families are also more likely to rise up the income ladder if they were raised in a low-income family, and less likely to fall into poverty if they were raised in a wealthy family. For instance, according to Pew’s analysis, 54 percent of today’s young adults who grew up in an intact two-parent home in the top-third of household income have remained in the top-third as adults, compared with just 37 percent of today’s young adults who grew up in a wealthy (top-third) but divorced family. [...]

http://www.slate.com/articles/double_x/doublex/2012/07/single_motherhood_worse_for_children_.single.html


Óbvio que a Universidade pública por si só privilegia os mais ricos. Basta ver a renda familiar de alunos de medicina numa federal qualquer. Quem tem renda melhor estudou em escolas melhores, teve todo um ambiente mais favorável que o pobre. Agora, quando baixam cotas sociais de metade das vagas o pessoal reclama. Por que os ricos não vão estudar nas PUCs? No Brasil os mais pobres se formam em grande parte nas particulares, isso é bizarro.

O investimento estatal na educação básica é de fato importantissimo, mas não acho que não se deve investir também no superior. Educação traz muito avanço se for uma política consistente e de longo prazo.

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Causas da desigualdade de renda entre as pessoas
« Resposta #49 Online: 01 de Junho de 2017, 18:52:23 »
O problema é que, independentemente de qualquer lei de teto de gastos, a receita é limitada, e deve-se priorizar de acordo com o que obtiver os melhores resultados. O que poderia objetivamente ser manter ou mesmo reduzir a receita para o ensino superior.

Mesmo as cotas sociais e raciais privilegiam os mais ricos dentre os mais pobres, ao mesmo tempo em que provavelmente com um custo adicional por aluno, por maior abandono e  tempo de formação prolongado, bem como talvez alguma tendência a menor desempenho geral. Isso não é verificado em todos estudos, porém não ser diz mais sobre a inadequação do processo seletivo em filtrar os alunos mais preparados do que a favor do sistema de cotas. Ainda que esse possa acidentalmente acabar sendo um fator positivo em termos de preparo, ou aptidão.




Será que existe algum estudo sobre demanda inflada por alguns cursos superiores, mais buscados só para ter ensino superior completo e poder concorrer em mais concursos públicos? Acho que é possivelmente uma outra distorção/perda de eficiência do sistema que deveria ser corrigida, ainda que talvez não vá depender só de políticas de educação diretamente. E, incidentalmente, deve ser outro mecanismo estatal de concentração de renda.

 

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