Autor Tópico: Até quando politicamente correto?  (Lida 2376 vezes)

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Skorpios

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Até quando politicamente correto?
« Online: 14 de Junho de 2016, 07:56:32 »
Achei que esse artigo poderia render boas discussões, portanto aí vai, para a apreciação dos sistinos colegas.

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Até quando politicamente correto?

As mazelas de uma sociedade de apenas uma linha de pensamento válida.

Atualmente o Brasil vive a democracia de uma só corrente de opinião.

Toda e qualquer opinião contrária a essa tal opinião democrática é automaticamente rechaçada como fascismo, mesmo que não exista sequer uma linha fascista na opinião, ou posicionamento proferido.

Ah claramente hoje no estado não uma democracia de apenas um ponto de vista, mas na verdade o que existe é a ditadura de uma só interpretação, que se transveste em histeria e pânico quando confrontados com opiniões divergentes.

Quem não assistiu, presenciou, ou ao menos ouviu falar nos gritos, berros, choros ao se questionar qualquer coisa que é tido como correto no atual senso comum?

A mulher grita: - Estuproooo!

A sociedade cobra o cárcere instantâneo.

O cidadão desavisado questiona se foi feita investigação e se está sendo respeitado o devido processo legal. Se não há talvez possibilidade de haver armação, por um jogo de interesses, quem sabe?

Pobre do cidadão...

Feministas em desespero e aos gritos: "machista", "a vítima nunca tem culpa", etc...

Se ousar questionar para que cotas raciais para acesso a pós-graduação, afinal o cidadão desavisado vai se sentir curioso com o fato de que o mesmo já se aproveitou da cota para entrar na faculdade e na faculdade se espera que o mesmo seja nivelado a todos os outros, então por que afinal cotas para entrar na pós-graduação também?

(...) ah, pobre desse nosso cidadão... Ele ainda não entendeu a nova regra que estamos vivenciando...

- RACISTA! GENOCIDA! Branco matador de escravos!

- Ei, calma, branco não! Eu me declarei pardo! - Dirá o pobre cidadão que ainda não captou a mensagem dessa massa democrática.

- Pardo? Seu fenótipo é branco!

- Mas eu me declarei pardo ao IBGE, meus pais são pardos também!

- Isso não vale nada, é auto declaração! Você só declarou pardo pelas cotas, quer roubar a minha cota! Você usa dessa política elitista onde a maior parte é branca para se proteger! Essa política não representa o Brasil pois o Brasil não é de maioria branca!

- Como você sabe que a maior parte do congresso é branco e que o Estado não é de maioria branca?

- Pelos dados do IBGE!

- Mas esses dados não valem nada quando é para mim? Mas são ponto alto de seu discurso quando é para você? Eu sou pardo para ser sua maioria, mas sou branco para entrar na universidade contigo? (http://g1.globo.com/são-paulo/noticia/2016/04/aprovados-por-cotas-podem-ter-que-comprovar-origem-rac...)

(...) Ei, ei, ei! Amigo cidadão, melhor deixar a discussão agora para trás; ou será caçado por um grupo insano do movimento dele e você vai apanhar, democraticamente claro... (provavelmente decidirão de forma democrática onde lhe aplicarão os socos mais fortes, vai saber).

    The word 'racism' is like ketchup. It can be put on practically anything - and demanding evidence makes you a 'racist.' - Thomas Sowell

E nem ouse questionar porque dentro de sua faculdade federal os que se dizem oprimidos são os que nunca trabalharam e ficam o dia inteiro na faculdade sustentados pelos pais, vão de carro próprio para os estudos e viajam todo final do ano para o exterior, atualmente está na moda cuspir, vomitar, etc... Melhor deixar suas dúvidas para lá meu parceiro cidadão, até porque com esses questionamentos, nessa sociedade nem para cidadão você serve. ( http://rodrigoconstantino.com/artigos/professor-de-filosofiaeintimidado-na-ufpe-por-militantes-de-... )

A linha de pensamento desses grupos é clara e apelando sempre para o emocional se afastando completamente do racional defendem primeiro que só existe uma verdade: a verdade deles. Que representam os oprimidos e as minorias e que o questionamento a essas ideias é antidemocrático e fascista, mesmo que não se encontre na linguística sentido algum nesse tipo de nomeação que estão lhe aplicando para o caso concreto.

Se tem um pouco de John Rawls e muito de Antônio Gramsci não se pode ter certeza, mas que eles conseguiram o que Karl Marx nunca conseguiu, não dá para negar (http://www.espacoacademico.com.br/083/83protasio.htm). Através da doutrinação cultural e do controle linguístico e didático, hoje é difícil sair da escola com o seu ponto de vista sobre as coisas, já que é uníssono que o estudante vai aprender apenas o lado obscuro da coisa e treinado a repelir qualquer ponto de vista diferente, o curioso é que esse modelo de doutrinação vem justamente de um modelo de pensamento da esquerda que se chama "teoria crítica".

Meu sonho é ver um bom grupo de adolescentes sair do ensino médio se perguntando: "'Pera' aí, se os comunistas lutavam pela redemocratização do Estado Brasileiro, porque eles foram treinados e financiados por países ditatoriais como Cuba e China?"

Ou simplesmente se perguntarem: ''por que meu livro de história prega que a Ditadura Militar foi a pior ditadura possível, se ela sequer retirou liberdades individuais em quase toda sua existência e ainda permitia eleições até para governadores e senadores?"

(http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/31-de-marco-1-vivaademocracia-nada-devemosaesquerda...)

Tente ousar questionar os homicídios de LGBTTs para ver o resultado.

“Mas onde que garante que os homicídios sejam oriundos do crime de ódio? Os dados dos poucos estados que filtram isso fica bem claro que a maior parte dos crimes é passional”.

-Não existe crime passional! O amor não mata! Isso é criação dos homofóbicos e dos machistas!

Ou ainda: “Como assim as prisões são senzalas da idade moderna? Ok que a população negra é a mais pobre, mas existe negro rico e não há negro rico na cadeia, assim como existe branco pobre em menor número e há branco pobre na cadeia, não seria então uma questão social muito mais que racial? ”

- Não me venha com esse discurso racista! Só pararemos quando a prisão ficar mais branca e menos negra!

- E vai ter gente que vai dizer que esse texto não tem valor porque defende (?) a ditadura, e o autor será chamado provavelmente não só de machista (?) e racista (?) (fascista (!) também, claro), mas também e ainda de militarista e intervencionista.

Hoje isso tudo é impossível graças aos livros extremamente ideológicos que formam nossos filhos. As universidades públicas que cada vez mais deixam de ser cátedras do ensino e da pesquisa para se tornarem grandes centros doutrinadores e assim perdem cada vez mais o prestígio como centros de desenvolvimento de conhecimento que outrora orgulhosamente ostentavam.

Os grupos que representam os movimentos das tais minorias são carregados de preconceitos permitidos por essa ideologia de esquerda que nos enfiam desde os 8 anos de idade (senão antes).

Uma análise mais cuidadosa de qualquer um que tenha um olhar menos carregado por essas posições vai perceber claramente que no movimento negro a culpa de tudo é do Branco e ninguém levanta a bandeira do racismo e da cultura do ódio racial. Mas vai dizer o contrário para ver qual alcunha carregará até seus últimos dias nesse planeta.

O movimento feminista sobre de uma misandria patológica (http://www.unicamp.br/cemarx/ANAIS%20IV%20COLOQUIO/comunica%E7%F5es/GT4/gt4m3c6.PDF e https://we.riseup.net/radfem/a-nova-misandria-joanna-russ) e qualquer questionamento que faça, mesmo que seja no intuito de sugerir algo em prol do todo e muito provavelmente verá a maior histeria possível.

Essa cultura do politicamente correto, transformou até a gramática em 'uma mulher' machista. É 'X' e 'arroba' em todos os lugares, assassinando a pobre da gramática sem que sejam acusados pelo homicídio. Assim fica difícil, até gente que só escreve no feminino já está surgindo e vai fazer piada e só escrever no masculino para ver o que lhe acontece. (http://Http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/patrulha-gayzistaefeminazi-chega-ao-colegio-pedro-ii-...)

Não existe democracia de apenas uma opinião e é uma interpretação errada, entender que Jean Jacques Rousseau defende que a opinião da minoria é a opinião errada na disputa democrática ‘Rousseauniana’, muito embora Edmund Burke já o tenha desmentido além da conta (https://www.ukessays.com/essays/politics/contrasting-edmund-burke-and-jean-jacque-rousseau-politics-.... Além de que no Brasil atual muitas vezes não é a opinião da maioria numérica que se repete por aí, mas a opinião dos mais estridentes.

Dizem se preocupar com as liberdades individuais no que tange aborto e as drogas, mas esquecem da liberdade individual ao falar do porte de armas, dizem que são da paz, mesmo tendo feito do Brasil com essa cultura um dos países mais violentos do mundo e não se preocupando em explicar porque não lutam por um processo para obtenção de licença para dirigir mais eficaz, já que o trânsito mata muito mais que o porte de armas no mundo, mesmo em proporção.

Dizem ser contra a cultura do estupro, mas apoiam as festas funk nos morros do Rio de Janeiro, inclusive com financiamento público e querem a punição de todos os estupradores, mesmo os que não foram sequer investigados, desde que sejam maiores de idade, se menores o perdão está dado, após os 18 anos o sistema é inocentado e o estuprador pode levar toda a culpa, antes disso a culpa é sua, minha, nossa, MAS NUNCA do estuprador (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tres-menores-praticam-estupro-coletivo-feministaseesq....

São contra as piadas de mal gosto, qualquer piada que use negro é racismo, que use a mulher é machismo, mas se quiserem fazer piada de judeus, cristãos, carecas ou mesmo anões, aí 'ta' liberado.

Não desejam a igualdade, não querem colocar todos num mesmo patamar de possibilidades, mas querem sim inverter o eixo das coisas, como se um lado fosse melhor que o outro e querem punir quem quer deixar do jeito que está, ou quem prefere um caminho mais focado no indivíduo e menos em detalhes como o sexo que prática, o sexo que nasceu, ou a cor de pele.

Daqui uns dias sexo só com contrato reconhecido em cartório. Mas a verdade é que daqui uns dias...

Por que é benéfico carregar de preconceitos para com a verdade dos fatos em prol de se levar a vida toda uma verdade mentirosa? Porque assim se justifica uma ideologia implantada a mais de 50 anos no território nacional.

Essa cultura vai dividindo o País ao invés de nos tornar cada vez mais unidade.

Essa cultura não sucinta o discurso, já que ela não é pautada na razão, mas sim na emoção.

Não medem esforços para diminuir as opiniões divergentes, quem defende o porte de armas é chamado de bancada da bala (nessa hora, como já citado, a esquerda esquece a tal defesa das liberdades individuais), mas vai chamar a bancada que pede a liberação das drogas de ‘a bancada dos nóias’ para ver (...).

Finalmente, essa cultura não criou apenas o 'nós', mas sim o" 'nós' contra o 'eles' ".

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #1 Online: 14 de Junho de 2016, 11:32:58 »
Defesa velada de fascismo, racismo, misoginia, homofobia, violência infantil, da eugenia de idosos, usuários de drogas, e deficientes. Não vou nem ler.

Offline Dr. Manhattan

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #2 Online: 14 de Junho de 2016, 11:41:13 »
Não entendi. O autor do texto foi censurado, calado ou impedido de alguma maneira de expressar sua opinião? Ou está ele apenas reclamando por ter ouvido opiniões contrárias à sua? Somos responsáveis pelo que dizemos e ninguém tem a obrigação de concordar com você. E ainda vem com espantalhos, alegando que os que são contra a cultura do estupro são a favor de bailes funk, ou que são a favor da proibição da compra de armas. Eu mesmo sou contra o politicamente correto, mas esse texto é muito é fraquinho e cheio de mimis.
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Offline Skeptikós

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #3 Online: 14 de Junho de 2016, 12:43:43 »
Existe espantalhos na argumentação dos dois lados. Mas de fato, se hoje não há censura não é por falta de querer, e sim de poder. Se muitos destes intelectuais ou militantes de movimentos da extrema esquerda chegassem ao poder com apoio suficiente de outros líderes alinhados aos seus interesses, não séria absurdo uma crescente limitação de direitos individuais como o da liberdade de expressão. É só observar o discurso de algumas bancadas no congresso ou de alguns ativistas na rede, pretendem criminalizar manifestações de pensamento alegando discurso de ódio e apologia a violência se baseando em premissas altamente questionáveis. Enquanto não possuem poder para isso, se vitimizam tentando fazer as críticas que recebem parecerem criminosas, onde acusações de racismo, machismo e fascismo são meros exemplos desta estratégia sendo posta em prática.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #4 Online: 14 de Junho de 2016, 17:05:53 »
Não é algo consensual entre a esquerda:

http://www.juventudemarxista.com/2015/07/apropriacao-cultural-e-marxismo.html

(inesperado, até imaginei poder ser fake, mas parece real)

Na verdade o que ocorre é que há uma apropriação cultural de todas as culturas pelo CAPITALISMO, isso sim que se deve combater.

Offline DDV

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #5 Online: 19 de Setembro de 2016, 10:43:21 »
Acho curioso como muita coisa mudou de 20 anos pra cá devido ao politicamente correto.

Até frases e conceitos célebres do cinema foram alterados, exemplo:


Star Wars (antes): "o lado negro da força"
                (hoje):   "o lado sombrio da força"


Star Trek (antes):  "indo onde nenhum homem jamais esteve"
                (hoje):    "indo onde ninguém jamais esteve"



Acho engraçado também como certos humorísticos de meros 10-15 anos atrás ficariam "estranhos" hoje. Um exemplo é o do Pit Bicha de Tom Cavalcante, onde em certo momento uma mulher fala "já sei, já vi tudo, estou vendo que vocês não passam de BICHAS!", gerando uma comoção depois. Esse tipo de humor hoje provavelmente não teria o mesmo impacto.

 
 
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Offline Lorentz

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #6 Online: 19 de Setembro de 2016, 11:10:47 »
Acho curioso como muita coisa mudou de 20 anos pra cá devido ao politicamente correto.

Até frases e conceitos célebres do cinema foram alterados, exemplo:


Star Wars (antes): "o lado negro da força"
                (hoje):   "o lado sombrio da força"

Eu acho que essa adaptação tem mais a ver com uma tradução mais correta do que com o politicamente correto. Em inglês é "dark side", e não "black side".

Star Trek (antes):  "indo onde nenhum homem jamais esteve"
                (hoje):    "indo onde ninguém jamais esteve"

Já esse também me parece uma adaptação da série para mostrar que eles vão ainda mais longe, extrapolando os limites impostos até pelas demais raças alienígenas. Até porque virou uma piada dizer que "nenhum homem jamais esteve", mas sempre tinha alguém lá.
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Offline DDV

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #7 Online: 19 de Setembro de 2016, 11:22:17 »
Já esse também me parece uma adaptação da série para mostrar que eles vão ainda mais longe, extrapolando os limites impostos até pelas demais raças alienígenas. Até porque virou uma piada dizer que "nenhum homem jamais esteve", mas sempre tinha alguém lá.

Mas a frase refere-se apenas a 'homens' (seres humanos) mesmo, não inclui outras espécies.
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Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #8 Online: 19 de Setembro de 2016, 11:29:04 »

Star Trek (antes):  "indo onde nenhum homem jamais esteve"
                (hoje):    "indo onde ninguém jamais esteve"


Vocês não  percebem o alto  tom de misoginia na primeira frase?
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #9 Online: 19 de Setembro de 2016, 12:53:26 »
Já esse também me parece uma adaptação da série para mostrar que eles vão ainda mais longe, extrapolando os limites impostos até pelas demais raças alienígenas. Até porque virou uma piada dizer que "nenhum homem jamais esteve", mas sempre tinha alguém lá.

Mas a frase refere-se apenas a 'homens' (seres humanos) mesmo, não inclui outras espécies.

Sim, mas como ele disse, coloca então os membros da federação, de qualquer espécie, como desbravadores absolutos do universo, em vez da posição antropocêntrica de humanos indo onde nenhum homem/humano jamais esteve, mas que poderia já ser trivial para outras espécies ET. A versão antropocentrica é meio como "indo até onde nenhuma criança da pré-escola jamais esteve", no contexto de um universo cheio de civilizações mais avançadas.

Por outro lado, como "one" em inglês não tem gênero, podem ser dois coelhos numa cajadada só dois inconvenientes resolvidos de uma só vez.

Acho curioso como muita coisa mudou de 20 anos pra cá devido ao politicamente correto.

Até frases e conceitos célebres do cinema foram alterados, exemplo:


Star Wars (antes): "o lado negro da força"
                (hoje):   "o lado sombrio da força"

Eu acho que essa adaptação tem mais a ver com uma tradução mais correta do que com o politicamente correto. Em inglês é "dark side", e não "black side".


Acho que isso (que é argumentavelmente má adaptação mesmo que seja uma tradução mais "direta") talvez seja mais um possível pretexto "racional" para o politicamente correto do que motivação real.

Offline Lorentz

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #10 Online: 19 de Setembro de 2016, 12:54:49 »

Star Trek (antes):  "indo onde nenhum homem jamais esteve"
                (hoje):    "indo onde ninguém jamais esteve"


Vocês não  percebem o alto  tom de misoginia na primeira frase?

Essa nova versão da frase foi criada na série A Nova Geração, ainda na década de 80. Ainda na década do politicamente incorreto. A ideia é que eles não só superaram os limites da humanidade, como o limite dos seres vivos em geral. Se fosse por mera questão de politicamente correto, trocariam "man" por "human".
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #11 Online: 19 de Setembro de 2016, 13:11:28 »
E é inclusão de ETs, não só das fêmeas humanas.

Seria interessante de qualquer forma ver um gráfico da evolução do PC ao longo das décadas.



Enquanto não acho isso:












Offline Johnny Cash

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #12 Online: 19 de Setembro de 2016, 14:01:31 »
'Pet' instead of 'animal companion'...

Putz, essa eu nunca tinha visto.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #13 Online: 19 de Setembro de 2016, 16:16:15 »
É de 1991, está desatualizado. O PC agora é "non-hominid metazoan companion".

("animal" é ofensivo, remete a algo "selvagem", "animalesco", etc)

Offline Johnny Cash

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #14 Online: 19 de Setembro de 2016, 16:39:39 »
Entendi.

Talvez esse "non" do "non-hominid", também seja ofensivo. Até mais provavelmente "hominid" seja, também, muito ofensivo, por meio que sugerir já de cara o gênero do que se trata.

O mais apropriado pode ser algo para o lado de: whatever-gender-and-species-it-wants-to-be metazoan companion

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #15 Online: 19 de Setembro de 2016, 17:09:19 »
É verdade. A questão da construção social do gênero é geralmente muito focada apenas no aspecto sexual, enquanto que o gênero taxonômico é essencialmente negligenciado.

O que é realmente um "gênero" biológico? Tem um gene singular que diferencie um "gênero" de outro? Não é a demarcação dessa divisão em conjuntos arbitrários de supostas "linhagens" fundamentalmente a mesma lógica que justifica a divisão das pessoas em raças superiores e inferiores, e em última instância, o gen[ER]ocídio para limpeza étnica?

A verdade é que só existe um gênero: o gênero da vida, que inclui os vírus e a química orgânica, e talvez até a inorgânica, em outros planetas.

Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #16 Online: 19 de Setembro de 2016, 18:24:10 »
A verdade é que só existe um gênero: o gênero da vida, que inclui os vírus e a química orgânica, e talvez até a inorgânica, em outros planetas.

Mas isso aí é academicismo, a verdade é que gênero pode ser qualquer coisa, já é um conceito construído dentro da sociedade. A ciência não nos diz nada, é puro fascismo acadêmico.
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Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #17 Online: 19 de Setembro de 2016, 18:40:15 »
Sim, senhoras e senhores (estou sem paciência para cortar para as partes importantes, vai o texto inteiro). Basicamente alguém achou o novo Echo Smart Home, da Amazon, algo sexista, pois sua assistente virtual é uma mulher que eles chamam de Alexa.
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Amazon Echo's Alexa is yet another virtual assistant reinforcing sexist stereotypes



Siri, we need to talk.

Last week Amazon announced plans to sell the Echo, its voice-controlled "intelligent" speaker, in the UK.

The Echo is a two-way wireless speaker and microphone with a virtual artificial intelligence assistant called "Alexa" that responds to voice commands such as “Read me the news” or “Turn off the lights”.

Like Siri, Alexa is ready to respond to every wish and command directed at her.

She has a female name, a female voice, and is housed inside a sleek, curvy container topped with round, glowing lips. It is perhaps no surprise that a virtual personal assistant, a typically feminine profession, should take such a form.

Of course, this is nothing new. When Siri was launched in 2010 it only came with a female voice, setting a trend for all similar devices to have a gendered persona.

Amazon’s decision to place yet another female virtual personal assistant in British homes six years later is concerning.

It is difficult to ignore the sexist origins of these various robots’ names: Apple’s Siri translates as "beautiful woman who leads you to victory"; Amazon’s Alexa is a name given to one of the five main Bratz dolls; Microsoft’s Cortana is based on a hypersexualised female character in the video game "Halo", and Facebook’s M is rumoured to be inspired by Moneypenny - the epitome of the "sexy secretary" - a woman who panders to James Bond’s misogynistic come-ons in every film.

Even Google’s disembodied, nameless voice is female by default.

Ask any of these machines which gender they have and they, too, will claim they have none. But users still refer to them as "she" not "it", even though any sensible person can recognise that they are but sexless machines.

Siri now comes with a male option and Amy Ingham - a bot that schedules meetings via email - is also available as Andrew Ingham, but these male counterparts were both introduced as an afterthought - an update introduced, perhaps, to silence angry feminists.

And while it is true that several scientific studies have found that both men and women find female voices more appealing, this is a symptom of sexism in society that should actively be changed.

Female vocality has always been ascribed an inferior role. In ancient Greece, a woman’s voice was linked to prostitution, witchcraft and hysteria. During the Second World War - where women became telephone operators and receptionists because they were the only people available to do the job - they were coached in making their voices deferential and accommodating to customers.

Even now, women with husky voices are considered more attractive but are less likely to get a job.

By April of this year, Amazon had sold more than 3 million Echoes in the US alone. As the device launches in the UK, it is a genuine concern that it will magnify gender stereotypes.

Since birth we are programmed to tell women what to do - because they are our mothers, they are "trolly dollies", they are quiet, little ladies who don’t talk back. Now that we have an army of female AI assistants to command, the pattern begins again.

These devices are programmed to follow and obey you unconditionally, to not judge or challenge. If future generations are brought up with only female versions, how will they treat women? What if, as is the case for many young adolescents, the majority of their interactions with women are with a computer who simply cannot say no?

Female digital assistants that do not fight back reinforce the connection between a woman’s voice and submission. In fact, it encourages it.

According to Erika Hall, a professor at Emory University’s Goizueta Business School, our preferences and biases are acquired from the popular culture and human behaviour that we encounter in our lives. We become sexist just from existing in modern society, a theory called "unconscious bias." Prejudices then become stronger the more frequently they are encountered.

So every time you call on Siri or Alexa to fetch you a pizza, you are exacerbating the association between females and instant gratification, no questions asked.

For centuries, women have struggled to have their voices heard. In some cultures, they are still fighting. These AI assistants have no need for gender, but women still need equality. It is frankly disrespectful that tech companies reinforce sexist stereotypes on our digital devices. Although, it is not entirely surprising when 60 per cent of women who work in Silicon Valley have been sexually harassed.

Making matters more creepy is the relationship between Siri and sex. In a world where virtual porn and sex dolls exist without too much question, it is not totally inconceivable that people may turn to these interactive devices for companionship.

In the 2013 film Her a mobile operating system - not dissimilar to Alexa - gets so familiar with its user Joaquin Phoenix that they become romantically attached.

The suggestion is built into some of the assistants already. Try asking Siri or Alexa a host of suggestive, inappropriate questions that, if said in a bar, would get you a slap in the face.

Alexa will say "let's just be friends" to date requests. Tell Siri you love it and , the reply is a sultry "you are the wind beneath my wings". Ask Siri for sex and you get a passive response.

Harmless flirting, some might say. Except it's not.

As Alexa arrives in British households, AI's increasing ability to make our lives easier should be celebrated, as long as we remember that these are mindless and genderless machines.

Come on Siri, tell me how to smash that glass ceiling.

http://www.telegraph.co.uk/technology/2016/09/19/amazon-echos-alexa-is-yet-another-virtual-assistant-reinforcing/amp/
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #18 Online: 19 de Setembro de 2016, 23:25:17 »
O bom desse tipo de argumentação é que praticamente sempre você pode arranjar algum problema, qualquer que fosse a situação. Se fosse uma versão masculina poderia ainda se dizer que é discriminatório contra as mulheres desde o emprego da pessoa que empresta a voz ao aparelho, bem como ao reforçar estereótipo de maior profissionalidade e dependabilidade masculina, e o elo de homens com tecnologia de informação, que emprega proporcionalmente menos mulheres. Sugeriria que um aparelho feminino poderia ter "daqueles dias", em que não funciona direito, precisando mais de assistência técnica e manutenção, enquanto o masculino é mais "estável".

Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #19 Online: 11 de Outubro de 2016, 21:57:32 »
10 vezes em que o politicamente correto passou de todos os limites em 2016
http://spotniks.com/10-vezes-em-que-o-politicamente-correto-passou-de-todos-os-limites-em-2016/
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Offline André Luiz

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #20 Online: 12 de Outubro de 2016, 14:13:54 »
O problema dessa galera é que eles acham que não é possível ser de direita sem ser um babaca.

Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #21 Online: 12 de Outubro de 2016, 14:24:38 »
O problema dessa galera é que eles acham que não é possível ser de direita sem ser um babaca.

Eles acham que ou você deve ser progressista ou deve ser conservador. Se você não for progressista automaticamente é conservador. São aquele pessoal que acha que o  Liberalismo/Libertarianismo é a mesma coisa que o Conservadorismo. E isso tem se tornado muito comum, inclusive entre o pessoal das ciências. Gostava muito de acompanhar os vídeos do Pirulla, mas nos últimos tempos ele tem vindo com uns papos meio progressistas do naipe da Justiça Social e trazendo fontes de sites progressistas para embasar a opinião política dele, e tem se tornado insuportável acompanhar.


Não considero o Liberalismo e o Libertarianismo como direitistas de fato, mas a direita tradicional (conservadora) só escolhe babacas como seus intelectuais e representantes mesmo.


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Offline Skeptikós

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #22 Online: 12 de Outubro de 2016, 20:50:30 »
Nem sempre:
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Gauss

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #23 Online: 12 de Outubro de 2016, 21:35:48 »
Nem sempre:


Os conservadores do estrangeiro estão anos luz a frente dos brasileiros.
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Offline JJ

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Re:Até quando politicamente correto?
« Resposta #24 Online: 13 de Outubro de 2016, 08:19:27 »

Como a guerra ao 'politicamente correto' explica ascensão de Trump

João Fellet - @joaofellet

da BBC Brasil em Washington (EUA)

9 março 2016


Para entender o fenômeno, é preciso lembrar que disputa sobre uso da língua se insere em batalha cultural mais ampla, que opõe esquerda e direita e se reproduz também no Brasil
Questionados sobre as maiores qualidades de Donald Trump, muitos eleitores do empresário costumam citar sua recusa em ser "politicamente correto".


"O grande problema deste país é ser politicamente correto", disse o pré-candidato Republicano em 2015 quando indagado sobre declarações ofensivas que havia feito contra mulheres.
Em sua campanha, o empresário já afirmou que imigrantes mexicanos eram "estupradores", defendeu impedir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos e insinuou que uma jornalista havia lhe tratado com rispidez porque estaria menstruada.


Na mesma medida em que inflama seus críticos, as posturas lhe rendem elogios entre seus apoiadores, para quem Trump apenas "diz as coisas como elas são". Segundo eles, ao se posicionar sobre os mais variados assuntos, o empresário não se curva a sensibilidades e patrulhas linguísticas que dificultam o combate de problemas reais dos Estados Unidos, como a criminalidade e o terrorismo.


Análises indicam, porém, que a cruzada de Trump contra o politicamente correto se insere numa batalha política e cultural mais ampla, que vai bem além da linguagem. O embate muitas vezes põe direita e esquerda em lados opostos e se reproduz em vários cantos do mundo, inclusive no Brasil.


Em artigo recente no The Washington Post, Philip Bump analisou o emprego da expressão "politicamente correto" ao longo da história americana. Ele diz que a expressão ganhou popularidade durante a Guerra Fria, quando era normalmente associada ao comunismo.


Naquela época, diz o articulista, "politicamente correto" era o que o regime soviético considerava correto. Ele cita uma reportagem de 1985 sobre uma importadora de discos. "Atualmente o jazz é politicamente correto na União Soviética", dizia o texto.


Contornos que o debate vem ganhando nos últimos anos sugerem que a pacificação da disputa está bem distante Nos anos 1990 e com a implosão do regime soviético, Bump diz que a expressão passou a ser mais usada no campo cultural, ligada a práticas ou expressões que deveriam ser evitadas por ofender certos grupos.


É nesse contexto que muitos passam a associar o "politicamente correto" a uma postura cerceadora e que muitas vezes beiraria o ridículo.


Alguns críticos costumam citar, ao exemplificar o que consideram exageros dessa atitude, o cancelamento da peça Diálogos da Vagina por uma faculdade de Massachusetts em 2015.
Tida como um manifesto feminista ao ser criada nos anos 1990, a peça foi rejeitada pela faculdade Mount Holyoke por não ser inclusiva o suficiente: estudantes avaliaram que ela ignorava a experiência de mulheres transexuais sem vagina.


Leia também: 'Rezei para meu filho morrer': Mãe de atirador de Columbine relembra tragédia
Um artigo recente na Chronicles Magazine, publicação de um instituto conservador americano, diz que o pensamento politicamente correto cala ou torna objeto de ódio e escárnio todos que se recusam a seguir seus códigos.


O objetivo da prática, segundo a revista, é exercer um controle social que "torne impossível a pessoas comuns manifestar suas queixas publicamente de uma maneira aceitável, de modo que suas objeções possam ser facilmente rejeitadas como expressões de preconceituosos ignorantes".


Para alguns, esse comportamento põe em risco a própria comunicação e se choca com a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.


No outro lado da disputa, muitos avaliam que ser "politicamente correto" significa apenas tratar as pessoas com respeito, e que a oposição aos códigos é alimentada por grupos que se recusam a rever privilégios ou deixar de usar expressões racistas.


Um artigo no Christian Science Monitor diz que, para as gerações que cresceram sob essa filosofia, "o discurso é uma arma, e suprimir palavras que possam ser vistas como ofensivas ou odiosas é a nova fronteira dos direitos civis".


Etiquetas


Diante desse embate, há quem veja argumentos válidos nos dois campos.


Em artigo na revista The Atlantic, Conor Friedersdorf diz que alguns códigos politicamente corretos - como a crença de que americanos muçulmanos merecem ser tratados como os demais cidadãos - ajudam a impedir que pessoas inocentes sofram injustiças.



Por outro lado, ele afirma que algumas práticas são "etiquetas arbitrárias que pessoas formadas em faculdades concorridas usam para se sentir superiores a outras".


"Entre as normas chave que são vitais à democracia e as demandas mais frívolas por correção política há muitos territórios em disputa", afirma o autor. Para ele, a ascensão de Trump mostra que pessoas que rejeitam os caprichos da elite intelectual estão ganhando espaço nesse embate.
Friedersdorf diz que críticos do "trumpismo" devem estudar os danos causados pelos exageros dessas normas, identificar quais delas merecem ser defendidas e convencer os americanos a adotá-las voluntariamente, e não sob a ameaça de humilhação pública.


Mas os contornos que o debate vem ganhando nos últimos anos sugerem que a pacificação da disputa está bem distante.


Para Philip Bump, do Washington Post, a expressão "politicamente correto" virou um guarda-chuva para várias ideias associadas à esquerda, como a defesa do casamento gay, da igualdade de gêneros e de ações afirmativas em prol de minorias.


Não por acaso, outros políticos que concorrem ou concorreram com Trump nas prévias Republicanas também condenaram práticas "politicamente corretas".


Seu principal oponente, o senador Ted Cruz (Texas), disse que a "correção política está matando pessoas", pois impediria o governo de investigar a comunicação de potenciais extremistas muçulmanos. Para o neurocirurgião Ben Carson, que deixou a corrida há poucos dias, a "correção política está arruinando nosso país".


No Brasil, políticos conservadores também têm se insurgido contra essas normas. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos principais expoentes do grupo, costuma dizer que "estamos vivendo a ditadura do politicamente correto".


Tanto no caso americano como no brasileiro, o discurso ganha força após vários anos de governos mais à esquerda, que assumiram bandeiras em favor de minorias.


Curiosamente, Philip Bump nota que o sentido da expressão tem se reaproximado do que tinha na Guerra Fria.


"'Politicamente correto' hoje é em grande medida um sinônimo para 'o modo como a esquerda age'", diz ele.



http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160303_politicamente_trump_jf



« Última modificação: 13 de Outubro de 2016, 08:28:03 por JJ »

 

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