Autor Tópico: depressão pós descrença  (Lida 3012 vezes)

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Offline Geotecton

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #25 Online: 14 de Julho de 2016, 21:37:31 »
Não espero um cafuné e um colo de mãe...
Se mata.

Caro forista Euler1707.

Tenho certeza que a sua recomendação supra não passa de uma brincadeira.

Mas dada a condição emocional e psicológica fragilizada do forista Thomas_Blum, eu recomendo que tais sugestões não sejam feitas sequer como brincadeira.

Fica a advertência.

Quanto a você, forista Thomas_Blum, tenha certeza que este ambiente NÃO é o mais adequado para buscar a melhor ajuda para o seu caso. De qualquer modo, considere as opiniões mais sérias e descarte qualquer tipo de conselho que possa resultar em danos físicos a você.

Fica a recomendação.
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Offline Gigaview

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #26 Online: 14 de Julho de 2016, 22:36:58 »
Se ele fosse doido e suicída talvez a esta hora já teria sido sepultado se tivesse seguido o conselho desse forista que foi advertido (enfim) tardiamente apesar da minha denúncia de ontem.

E olha que tinha um conselheiro dando "força" dizendo que a vida é uma merda e um moderador dizendo que ela é injusta num contexto confesso de depressão, mas o Geo como sempre salvou a lavoura.

Geo, obrigado pela sensibilidade. Com essas coisas não se brinca.


Offline Euler1707

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #27 Online: 14 de Julho de 2016, 23:01:27 »
Legal. Isso me tranquiliza diante da sugestão irresponsável de um forista para que você se matasse, o que não é aceitável nem por brincadeira. (Aliás, denunciei à moderação, que não tomou nenhuma atitude como esperado).
Sim, eu sei que é irresponsável o que eu disse, mesmo que tenha sido por brincadeira. Não acho que mereço um cartão, mesmo que eu tenha sido um idiota (seja incentivando um crime, seja cometendo outro ou porque eu simplesmente desrespeitei algum valor moral teu), mas aproveitando o meu deboche, gostaria de saber o que você tem contra o suicídio?

Voltando ao tópico, mas não muito longe do parágrafo anterior, creio que a grande questão da vida, por mais clichê que seja, seja decidir se ela vale a pena ser vivida. Esqueçamos do suicídio por enquanto, e vamos nos focar na minha experiência com o ateísmo. Se você perguntar à algum ateu se ele sempre foi ateu, ele provavelmente dirá que já foi religioso, mas começou a se tornar (você se torna ateu num longo e esquisito processo)durante a pré-adolescência, por volta dos 10 aos 12 anos. O processo é basicamente o mesmo: Você questiona a moral de sua religião, depois o sentido da vida, logo depois a moral de deus, e então te tornas alguma espécie agnóstico (você parece que ainda está nesse processo), depois, como se tivesse saído de um sono, você se acorda que é ateu. O ateísmo, por mais que os ateus gostem de pensar, não é uma "escolha" racional, mas o abandono de uma herança irracional que não nos é natural. Você pode ser ateu e não ter nenhum bom argumento para justificar o seu ateísmo (há vezes que eu me pergunto se não fosse por certas situações, eu não me tornaria ateu tão jovem quanto eu fui).
O meu caso não foi diferente. Quando eu era criança, eu era bastante supersticioso, acreditando em coisas como lobisomens, ETs, demônios e espíritos, e inclusive, experienciei situações toscas por causa dessas crenças. Me lembro quando tinha 8 anos, eu tive uma crise de choro porque um amigo do meu irmão me disse que a minha vizinhança estava cheia de lobisomens e que eles iriam querer me pegar caso me vissem pelas janelas (isso me fez dormir por debaixo das cobertas por um longo tempo). A minha primeira experiência com o ateísmo (até uns 9 anos, eu não sabia que existiam pessoas que não acreditavam em deus) foi com um amigo meu que disse que não acreditava em deus. Isso pra mim foi um choque, e me desesperou. Foi a primeira vez que eu me perguntei se não havia nada além da vida que compensasse o sofrimento mundano. Na época, minha família estava passando por uma grave tragédia, com a demência e morte do meu pai e as tentativas melodramáticas de suicídio da minha mãe, comecei a questionar a moral divína, e o fazia durante as chatas aulas de catequese da minha igreja. Fazia algumas perguntas à minha professora e ela não conseguia me responder, e quando respondia, a resposta era péssima (devo ter plantado algumas plantinhas de ceticismo nos meus coleguinhas com as minhas perguntas sobre pra onde vão os bebês quando morrem). Eu ainda não tinha me tornado ateu nessa época, mas já me questionava o se a vida valia a pena ser vivida. O tempo que se seguiu depois da morte do meu paí foi péssimo pra mim, já que minha família mudou de cidade, minha mãe continuava depressiva  (e alcoólatra), eu era solitário na escola e quando chegava em casa, só me restava dormir. Às noites, eu tinha insônia, mas era ótimo ficar madrugando até às 3 ou 4 horas, mesmo tendo que acordar Às 7 horas da manhã, eu gostava porque era o único período do dia que eu tinha silêncio e estava solitário, aproveitando esse tempo para ler bastante, e a cada noite que se passava, eu me tornava mais ateu, mas por mais seguro que eu estivesse, essa questão que te atormenta hoje ainda me atormentava, mas sobre uma outra forma. O que eu posso te dizer por experiência é que isso vai ficando cada vez mais irrelevante a medida que você tem noção de que você quer fazer, do que você gosta de fazer, e isso responde a pergunta inicial do segundo parágrafo; Viva o que vale a pena ser vivido.

Offline Euler1707

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #28 Online: 14 de Julho de 2016, 23:11:40 »
Se ele fosse doido e suicída talvez a esta hora já teria sido sepultado se tivesse seguido o conselho desse forista que foi advertido (enfim) tardiamente apesar da minha denúncia de ontem.

E olha que tinha um conselheiro dando "força" dizendo que a vida é uma merda e um moderador dizendo que ela é injusta num contexto confesso de depressão, mas o Geo como sempre salvou a lavoura.

Geo, obrigado pela sensibilidade. Com essas coisas não se brinca.
Sei bem o quão sério é o suicídio, mas sei muito bem que o suicídio não é cometido por loucos desesperados, mas é uma atitude muita bem pensada e ponderada durante uma vida toda, o que não é o caso do Thomas. A pessoa mais ofendida aqui parece ser você, o que me faz pensar que eu desrespeitei algum valor moral cristão de valorização da vida seu. Estou certo?

Offline Gigaview

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #29 Online: 14 de Julho de 2016, 23:43:29 »
Citar
A pessoa mais ofendida aqui parece ser você, o que me faz pensar que eu desrespeitei algum valor moral cristão de valorização da vida seu. Estou certo?

Você desrespeitou o meu valor moral maracintoquintomista de valorização da vida.

Mas como ninguém morreu resolvi esquecer você e tudo que você escreveu. Pelo menos até você surgir de novo das trevas cuspindo fogo.

Offline Fernando Silva

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #30 Online: 15 de Julho de 2016, 09:31:08 »
O que eu procurava aqui nesse tópico era conversar com vocês a respeito das possiveis crises emocionais e psicológicas causadas pela descrença. Mas me parece que são quase todos fortes demais, incríveis demais, ja nasceram céticos e científicos!! Que ótimo!
Algumas pessoas sofrem de depressão crônica. As que não sofrem são duronas, muito fortes? Ou são apenas normais?

Quando criança, disseram que eu era cristão e eu acreditei. Um dia, descobri que aquilo tudo era bobagem.
Para mim, religião era algo obrigatório, necessário e muito chato, como escovar os dentes.
Eu não gostava, mas aceitava que era preciso fazer.

Quando percebi que estava enganado, larguei minha crendice.
Algumas pessoas são psicologicamente dependentes de uma fé em coisas invisíveis. Eu não era. Não me fez falta.
Já para as dependentes, é como largar o cigarro: elas sabem que faz mal, mas têm dificuldade.

Offline JJ

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #31 Online: 15 de Julho de 2016, 09:45:32 »
Acho bastante confuso essa busca do forum, nunca consigo encontrar os temas que procuro apesar de imaginar que são muito clichês (como este).

Bom, é algo pessoal mas creio que muito comum para alguns que acabaram de sair de algum sistema de crença.
Quando se abri os olhos e percebi que de fato é cada vez menos provável que alguma dessas teorias nova era tenham algum fundamento, principalmente as que dizem respeito à necessidade nossa de uma continuidade de de um motivo para estarmos vivos, como as bases de reencarnação em série rumo a evolução da alma para níveis mais complexos de abrangência e da hipótese de que você nunca morre, apenas melhora-se, isso me causou (e está me causando um pesar tão grande). Não sei, por mais bobo que sejam estas crenças elas servem para a grande massa (ou pequena massa, já que a grande está absorta em outros padrões religiosos) como um nivelador de ética, de moral, de comportamento, de pacificação. A busca pelo aperfeiçoamento soa muito mais interessante quando se supõe que isso não será perdido, não será em vão.

Fica um pouco vago imaginar que estou dando o meu melhor para nada, por nada, por que, por mais que eu aproveite agora, daqui a pouco posso zerar minha vida, tudo acaba, toda a memória e toda a percepção de existência, não sobra nem um espaço para me arrepender de ter sido um mal ser vivo, então qual é a diferença? Como funciona a bússola da ética para vocês?



Com relação a bússola ética,  você pode adotar qualquer sistema ético que queira (existem vários), inclusive você pode até inventar um sistema ético.   Lembrando que o que é muito errado num sistema ético pode ser muito certo noutro sistema ético.  Então procure conhecer os sistemas éticos e escolha o que mais lhe agradar, e/ou faça uma miscelânea de sistemas éticos, e/ou use um sistema ético numa hora e use outro noutra hora conforme a sua conveniência, ou como já dito invente um sistema ético que lhe agrade.

Ou faça o que quiser e que esteja de acordo com o seu poder sem se preocupar se alguma ação sua está de acordo com um sistema ético qualquer.   Ou talvez neste caso nós poderíamos dizer que você está agindo conforme algum sistema ético de poder.





« Última modificação: 15 de Julho de 2016, 11:02:03 por JJ »

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #32 Online: 15 de Julho de 2016, 10:40:46 »
Você é religioso, meu caro I am not Johnny Ramone?

Ateu.

Offline Criaturo

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #33 Online: 15 de Julho de 2016, 11:29:23 »
Fica um pouco vago imaginar que estou dando o meu melhor para nada, por nada, por que, por mais que eu aproveite agora, daqui a pouco posso zerar minha vida, tudo acaba, toda a memória e toda a percepção de existência, não sobra nem um espaço para me arrepender de ter sido um mal ser vivo, então qual é a diferença? Como funciona a bússola da ética para vocês?
Na minha opinião aquilo que é considerado certo ou errado em termos morais não passa de um acordo feito entre as pessoas. E o fundamento daquilo que considero moralmente correto é considerar todos os humanos iguais em dignidade e direitos, e definir estes direitos de maneira a evitar o sofrimento e possibilitar a felicidade. É disso que se trata a base dos direitos humanos, que foram pouco a pouco aceitos como universais a medida que mais e mais pessoas concordavam com estes termos.

direitos iguais só para deveres iguais, justiça é uma  utopia onde todo desejam mesmo é o próprio bem estar .
e sofrimento de um pode significar o prazer do outro.
existência é igual a  ciência, sem nenhuma ciência sem existência.

Amo sofia mas, ela parece fugir de mim, de tão longe faz o meu amor platônico.

Offline Johnny Cash

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #34 Online: 15 de Julho de 2016, 11:47:59 »
[...]

Não espero um cafuné e um colo de mãe, só queria conversar com quem já teve alguma crise existencial relativa a esse impacto de se ver enfim sozinho no cosmos. Cada um por si e sem muletas mágicas...  :(

Brô, pra mim a coisa só funcionou mesmo quando eu vi essa solidão traduzida em "liberdade".

A falta de propósito, significado e objetivo acaba servindo bem pra se poder viver autenticamente, fugindo da ma-fé bem definida por Sartre.

Recomendo a leitura de grandes estoicos, sobre tudo o curto "Meditações" de Marco Aurélio.


« Última modificação: 15 de Julho de 2016, 11:51:41 por Johnny Cash »

Offline Skorpios

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #35 Online: 15 de Julho de 2016, 15:44:12 »

Quando criança, disseram que eu era cristão e eu acreditei. Um dia, descobri que aquilo tudo era bobagem.
Para mim, religião era algo obrigatório, necessário e muito chato, como escovar os dentes.
Eu não gostava, mas aceitava que era preciso fazer.

Quando percebi que estava enganado, larguei minha crendice.


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Se você agir sempre com dignidade pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos.

Millôr Fernandes

Offline FZapp

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #36 Online: 15 de Julho de 2016, 20:42:35 »
(...)
Fica ainda mais amargurante imaginar a guerra, crianças morrendo de fome no líbano, para que? Se não irão voltar, não estão pagando supostos karmas! Qual é o propósito de países que vivem numa miséria indescritível e impensável e outros que jamais conheceram nem um arremedo de violência? Por que? Para que?
(...)

Vou tentar uma resposta, mas com certeza não será melhor do que a do Bukarooo Banzai e o Hakuna Matata,que resume tudo da melhor maneira.

Na verdade religões também dão resposta a sua angústia, que vem de um certo egoísmo da nossa parte. Leia sobre o princípio da impermanência.

https://pt.wikibooks.org/wiki/Budismo/As_tr%C3%AAs_qualidades_do_universo

Mesmo no meu ceticismo as tres verdades citadas aqui são evidentes: nada permanece, a dor é uma constante, e seu eu é uma ilusão.

Daí você pode digerir tudo isso de várias formas, onde as mais famosas podem ser :

1- Dane-se (ok, mas os seus filhos precisam de você, e assim precisarão seus netos, portanto isso de não servir para nada não é bem assim).

2- Quem sou eu  ? (depois de uma volta dentro de você poderá ver as coisas de outra forma)

Então autocomiseração não vai levá-lo à nada, muito embora você faça parte de um continium de DNA que se propaga, da cultura humana que se propaga, da humanidade que se propaga... e o que digo não deixam de ser crenças, mas você não precisa de vida além da morte ou outras crenças sobrenaturais, para sobreviver ao mundo.

É assim: a vida é um ciclo, você morre, é assim que tem que ser!

Vou lhe deixar o final de uma canção de um espanhol que canta ao seu mar e de quando ele morrer (justo num dia que precisamos cantar a essa região que chora seus mortos, o Mar Mediterrâneo) :

Y si un día para mi mal
Viene a buscarme la parca,
empujad al mar mi barca
Con un levante otoñal
Y dejad que el temporal
Desguace sus alas blancas.

Y a mí enterradme sin duelo
Entre la playa y el cielo...

En la ladera de un monte,
Más alto que el horizonte
Quiero tener buena vista.
Mi cuerpo será camino,
Le daré verde a los pinos
Y amarillo a la genista.

Cerca del mar, porque yo
Nací en el Mediterráneo.


<a href="https://www.youtube.com/v/_w2WOHs9wG4" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/_w2WOHs9wG4</a>



--
Si hemos de salvar o no,
de esto naides nos responde;
derecho ande el sol se esconde
tierra adentro hay que tirar;
algun día hemos de llegar...
despues sabremos a dónde.

"Why do you necessarily have to be wrong just because a few million people think you are?" Frank Zappa

Offline Skeptikós

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #37 Online: 15 de Julho de 2016, 21:08:02 »
(...)
O que eu procurava aqui nesse tópico era conversar com vocês a respeito das possiveis crises emocionais e psicológicas causadas pela descrença. (...) Estou falando dessa falta de expectativa diante do fato de que todo o paradigma que eu seguia se mostrou falho e ilusório e que até o momento não encontrei material que me alimente para compreender o que é realmente importante em relação a motivação de estar vivo e de seguir fazendo seu melhor em um universo sem expectativas.
Fugir do sofrimento e alcançar a felicidade, não é isso que a maioria dos sistemas de pensamento objetivam em essência?

Os critérios elencados para isso divergem, mas o objetivo em essência parece ser o mesmo, e agora que sua crença no sobrenatural foi abalada, você pode simplesmente experimentar um sistema que não apela para o sobrenatural.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Thomas_Blum

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #38 Online: 16 de Julho de 2016, 12:40:32 »
... e agora que sua crença no sobrenatural foi abalada, você pode simplesmente experimentar um sistema que não apela para o sobrenatural.

Poderia me dar alguns exemplos? Sei da filosofia (muito grosseiramente, não me aprofundei em variedades e linhas específicas) e da ciência (também de uma forma geral).

Offline Criaturo

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #39 Online: 16 de Julho de 2016, 19:21:22 »
Acho bastante confuso essa busca do forum, nunca consigo encontrar os temas que procuro apesar de imaginar que são muito clichês (como este).

Bom, é algo pessoal mas creio que muito comum para alguns que acabaram de sair de algum sistema de crença.
Quando se abri os olhos e percebi que de fato é cada vez menos provável que alguma dessas teorias nova era tenham algum fundamento, principalmente as que dizem respeito à necessidade nossa de uma continuidade de de um motivo para estarmos vivos, como as bases de reencarnação em série rumo a evolução da alma para níveis mais complexos de abrangência e da hipótese de que você nunca morre, apenas melhora-se, isso me causou (e está me causando um pesar tão grande). Não sei, por mais bobo que sejam estas crenças elas servem para a grande massa (ou pequena massa, já que a grande está absorta em outros padrões religiosos) como um nivelador de ética, de moral, de comportamento, de pacificação. A busca pelo aperfeiçoamento soa muito mais interessante quando se supõe que isso não será perdido, não será em vão.

de fato sem continuação penso que não importa o que voce acredita,sinta, pense ou faça não ha sentido algum, ja que tudo e todos caminham para uma total falta de sentidos.
no entanto onde exste um maior grau de dificuldade, passar a existir consciência  ou apenas continuar existindo ?
para mim existe sim essa possibilidade, inclusive a da reencarnação.
Não consigo conceber uma vida sem evolução.

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Fica um pouco vago imaginar que estou dando o meu melhor para nada, por nada, por que, por mais que eu aproveite agora, daqui a pouco posso zerar minha vida, tudo acaba, toda a memória e toda a percepção de existência, não sobra nem um espaço para me arrepender de ter sido um mal ser vivo, então qual é a diferença? Como funciona a bússola da ética para vocês?

não impor ao outro aquilo que me faz sofrer
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Fica ainda mais amargurante imaginar a guerra, crianças morrendo de fome no líbano, para que? Se não irão voltar, não estão pagando supostos karmas! Qual é o propósito de países que vivem numa miséria indescritível e impensável e outros que jamais conheceram nem um arremedo de violência? Por que? Para que?

consciências diferentes, são atraídas por suas afinidades.
algumas a partir do berço ja sentem prazer em matar.
por que jovens de classe média filho de juizes, colocam fogo em índios, formam quadrilhas?
Promotores matam, molestam menores ?

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Não estou desequilibrado em relação aos meus valores éticos, até por que me parece inerente ser relativamente bom, ajudar as pessoas, aprender mais e mais, fazer alguma diferença pelo menos para alguns. Mas num contexto geral... De que serve então estar aqui?
não seja mais um iludido, acreditando ser um herói desapegado, tudo o que voce faz é para agradar ao seu EGO.
Estamos aqui formando o nosso próprio "Eu"

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Não espero um cafuné e um colo de mãe, só queria conversar com quem já teve alguma crise existencial relativa a esse impacto de se ver enfim sozinho no cosmos. Cada um por si e sem muletas mágicas...  :(
viver com fé no futuro é o que nos move, acreditar que haverá um futuro , um propósito é saber viver com otimismo!
Se houver um fim jamais saberemos, então acreditar nisto ironicamente não passa de mais uma fé!  ::)


existência é igual a  ciência, sem nenhuma ciência sem existência.

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Offline Skeptikós

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #40 Online: 17 de Julho de 2016, 13:53:03 »
... e agora que sua crença no sobrenatural foi abalada, você pode simplesmente experimentar um sistema que não apela para o sobrenatural.

Poderia me dar alguns exemplos? Sei da filosofia (muito grosseiramente, não me aprofundei em variedades e linhas específicas) e da ciência (também de uma forma geral).
Há uma série de televisão da BBC chamada "Filosofia: Um guia para a felicidade", com apresentação de Alain de Botton, onde o mesmo apresenta  os seus filósofos favoritos, e suas idéias práticas voltadas para o alcance da tão almejada felicidade.

A série completa (com legendas em português) está disponível no YouTube

Mas na própria Filosofia da Nova Era você encontra material que promete felicidade ou prosperidade sem apelar para o sobrenatural ou espiritual, como em "O Poder do Subconsciente", de Joseph Murphy.
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Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline -Huxley-

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #41 Online: 17 de Julho de 2016, 22:39:05 »
Pode-se tão somente consultar a subjetividade própria ou a intersubjetividade humana para tentar responder a essa pergunta: "De que serve estar aqui?". Acredito que nós humanos geralmente temos intuições morais inatas que geram um potencial imenso para valorizar as coisas que citarei a seguir: as emoções positivas (prazeres físicos, como as causadas por comida ou orgasmo, ou prazeres cognitivos, como o encantamento); o engajamento em atividades de desafios (um trabalho de lazer ou esporte, por exemplo); o significado (apreciação e prática das qualidades mais abstratas da vida - sabedoria, amor, justiça, etc.).
« Última modificação: 17 de Julho de 2016, 22:41:09 por -Huxley- »

Offline Skeptikós

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #42 Online: 17 de Julho de 2016, 22:52:09 »
Fica um pouco vago imaginar que estou dando o meu melhor para nada, por nada, por que, por mais que eu aproveite agora, daqui a pouco posso zerar minha vida, tudo acaba, toda a memória e toda a percepção de existência, não sobra nem um espaço para me arrepender de ter sido um mal ser vivo, então qual é a diferença? Como funciona a bússola da ética para vocês?
Na minha opinião aquilo que é considerado certo ou errado em termos morais não passa de um acordo feito entre as pessoas. E o fundamento daquilo que considero moralmente correto é considerar todos os humanos iguais em dignidade e direitos, e definir estes direitos de maneira a evitar o sofrimento e possibilitar a felicidade. É disso que se trata a base dos direitos humanos, que foram pouco a pouco aceitos como universais a medida que mais e mais pessoas concordavam com estes termos.

direitos iguais só para deveres iguais, justiça é uma  utopia onde todo desejam mesmo é o próprio bem estar .
e sofrimento de um pode significar o prazer do outro.
Mesmo que isso seja verdade em absoluto, ainda sim aquilo definido como direito seria obtido por acordo com as outras pessoas, pois como disse John Donne, "nenhum homem é uma ilha." Eu não consigo fazer aquilo que acredito ser um direito ser respeitado se não obtiver ao menos alguma concordância (mesmo que parcial) com uma parcela das pessoas com as quais convivo. Com o passar dos anos algumas idéias de direito passaram a ser aceitas por uma grande parcela de pessoas, e esses se tornaram direitos amplamente empregados.
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Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Criaturo

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #43 Online: 18 de Julho de 2016, 11:20:15 »
não matar é uma lei absoluta ?
existência é igual a  ciência, sem nenhuma ciência sem existência.

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Offline Brienne of Tarth

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #44 Online: 18 de Julho de 2016, 14:50:29 »
Depende. Se estiver em uma guerra, matar não é uma opção.
GNOSE

Offline Spencer

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #45 Online: 18 de Julho de 2016, 17:21:44 »
Excelentes colocações.
Gostaria de apresentar um texto sobre o mal e a dor, na perspectiva do enigma de Lactancio, mas não gostaria que fosse interpretado como proselitismo.
Como poderia me certificar a respeito disto?
Há algum modo de submetê-lo antes da postagem?

Outra coisa e parece que foi Gabarito que mencionou:
enquanto estamos jovens, ou saudáveis, e as coisas estão indo bem. não temos qualquer tipo de preocupação com o futuro. Ser irônico, esquerdista, e blasé é relativamente fácil, mas parece que a vida sempre traz surpresas em  algum momento. Havemos de estar preparados.
Mas como?
Penso que se temos nossa consciência tranquila, com a certeza de que se fizemos mal a alguém procuramos reparar, então nada precisamos temer; o Universo encontrará um meio de nos recompensar.



 
« Última modificação: 18 de Julho de 2016, 17:57:55 por Spencer »

Offline FZapp

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #46 Online: 18 de Julho de 2016, 17:25:33 »
Entendo que , desde que você declare que não está querendo convencer alguém de estar certo, e que se considere uma obra de arte, não seria considerado proselitismo.

O proselitismo está na intenção de um argumento. Agora se o texto for altamente proselitista vai ser rejeitado por esse motivo, não associado a você , que o posta desde que você indique que não necessariamente concorda com o texto.
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Si hemos de salvar o no,
de esto naides nos responde;
derecho ande el sol se esconde
tierra adentro hay que tirar;
algun día hemos de llegar...
despues sabremos a dónde.

"Why do you necessarily have to be wrong just because a few million people think you are?" Frank Zappa

Offline Skeptikós

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #47 Online: 18 de Julho de 2016, 18:19:16 »
não matar é uma lei absoluta ?
Como insinuou a Brienne, há exceções. Isso dependerá da cultura, do contexto, dos indivíduos envolvidos e etc. Em nossa cultura, é amplamente aceito matar em legítima defesa, em um confronto armado interestatal (não civis desarmados, soldados rendidos e etc.). Para algumas culturas tribais é permitido matar qualquer pessoa de fora da tribo. Em algumas culturas o soberano tem permissão para matar membros de sua sociedade sem muitas explicações, mas seus súditos (principalmente os de classes mais baixas) não. E por aí vai.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Spencer

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #48 Online: 18 de Julho de 2016, 18:49:16 »
Sensibilizado pelo tema proposto, principalmente porque também já passei por uma forte depressão, e em solidariedade quero trazer uma opinião.
Fique claro que é o meu modo de encarar o problema, mas não afirmo que seja a única verdade.

O dilema de Lactâncio – citando Cícero –  parece insolúvel, porquanto coloca em xeque a existência de Deus.
Mas torna-se ainda mais poderoso, como argumento, quando confronta todos os atributos do Criador face à angustiante ameaça da dor, do sofrimento e do mal, que como a espada de Dâmocles se sustém sobre nossas cabeças, todos os dias.

Se Deus quer suprimir o mal mas não pode, não é onipotente... logo,não é Deus
Se pode suprimir o mal, mas não quer, não nos ama... então não é Deus.
Mas se pode e quer, qual a explicação para a persistência do mal e do sofrimento no mundo?


Mesmo que creditássemos a Deus uma suprema e minuciosa justiça que se impusesse ao homem por força de nossos erros, ou seja, que estivéssemos sendo castigados, justificando a existência do mal e da dor, ainda assim permaneceria uma questão não resolvida: por que sofrem os inocentes, as crianças, os animais? Estariam sendo igualmente castigados por crimes que não cometeram? Absurdo.

Toda a Teodicéia de Leibniz se mostra irrelevante ante a concepção humana de Deus historicamente ensinada pelas Religiões, que nos mostram um Deus infantil, mágico e rancoroso.
O pensamento moderno, arguto e capcioso se recusa a compactuar com estas Teologias, em qualquer nível que se apresentem.

Em todas as partes do mundo o mal e o sofrimento estão presentes, e atualmente, de forma intensa e injustificada.
O terrorismo na Europa, a morte de policiais e ataques indiscriminados com armas de fogo nos Estados Unidos; a corrupção generalizada que conduz ao caos, além da violência por parte de traficantes no Brasil; Boko Haran, Talibãs, Al qaeda; sem mencionar os cataclismos naturais que ceifam milhares de vidas por toda a parte.

Penso numa alternativa razoavelmente lógica e consoladora para essa questão.
O fenômeno da Reencarnação.

A Reencarnação sempre foi rejeitada pela cultura ocidental porque se apresenta de forma excessivamente mística e contraditória nas práticas religiosas do oriente, pois que ali os homens podem ser punidos na próxima existência, reencarnando em animais.

Inobstante, existe outra concepção para este fenômeno que é aquela apresentada pelo Espiritualismo do século XIX proposto por AKardec.

Perante a Justiça Divina não paga quem não deve, mas sobretudo, considera os agravantes ou atenuantes no processo em curso.

Evidente que são hipóteses com algum grau de probabilidade mas certamente requerem provas mais conclusivas.

Offline Brienne of Tarth

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Re:depressão pós descrença
« Resposta #49 Online: 18 de Julho de 2016, 19:26:33 »
O consolo proposto pela DE é falso, pois implica em expiar um crime sem ter-se a mínima noção do que foi feito em uma "outra vida", além de condenar os que agora habitam um novo corpo a renovarem o erro ao invés de consertá-lo, e induzem à omissão, por entendimento que cada um deve cumprir seu "karma" a fim de fugir do "samsara"...
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