Autor Tópico: Reforma Pedagógica do Ensino Médio  (Lida 2863 vezes)

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Offline Lakatos

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #25 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:05:29 »
Acho que seria interessante tentar implementar uma cultura estudantil/educativa que seja verificadamente melhor, em vez de nos contentarmos com baixas auto-expectativas. "Ah, mas brasileiro é assim mesmo, jamais poderemos ser como japoneses." Esse tipo de pensamento pode até ser uma auto-sabotagem coletiva.

Diga-se de passagem, li num artigo antigo de Seleções, um autor apontar como um dos motivos para o sucesso japonês o fato deles terem buscado copiar o que há de melhor ao redor do mundo, em vez de reinventar a roda.

O Japão, e em algum nível todos esses países asiáticos, possuem uma cultura mais coletivista e tradicionalista, ao contrário dos países ocidentais, que são mais individualistas, e os sistemas educacionais refletem um pouco disso. Todas as escolas funcionam no mesmo horário, têm uniformes padronizados, até as mochilas, os alunos precisam trabalhar na limpeza, ajudar na cozinha etc. Se tentassem implantar algo do tipo no Brasil, ou mesmo na Europa Ocidental ou América do Norte, seriam ridicularizados. Nunca daria certo. É esse tipo de traço cultural que eu acho que requer atenção quando se tenta copiar alguma ideia estrangeira.

A citada Finlândia, por outro lado, também consegue um sistema de excelência em ensino, só que mais alinhado com essa mentalidade ocidental. Mais autonomia para os alunos, incentivo a conteúdos criativos, avaliações mais informais, etc. Claro que com a requerida seriedade, para não virar bagunça.

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Acho que "revisão de conteúdos" vem antes de tudo, com uma redução para os pilares mais fundamentais. Pelo que já vi de diferenças de currículos brasileiros e internacionais passa até a impressão que o currículo brasileiro é imaginado como é como uma espécie de reflexo de complexo de vira-latas, uma tentativa de "compensar" o nível baixo de educação com um currículo mais "impressionante".



Também talvez fosse interessante alguma espécie de separação de escolas de elite ou graus de "elitismo", umas mais flexíveis em vez desse negócio de creche para adolescentes.

Isso é verdade. O currículo do ensino médio é muito extenso, mas a culpa nesse caso acaba sendo também dos vestibulares. Não tem como enxugar o conteúdo do ensino médio e depois acabar obrigando todos a fazerem curso pré-vestibular para entrarem em boas universidades.

Eu tive um colega no ensino médio que foi passar um ano nos EUA, estudando em uma high school, e contou que lá, nos primeiros dias de aula, os colegas se impressionavam por ele saber calcular relações trigonométricas básicas sem a calculadora, coisa banal por aqui. Em várias matérias ele comentava como lá os assuntos eram passados de maneira muito mais básica e superficial, mas todo mundo aprendia.
« Última modificação: 23 de Setembro de 2016, 17:10:23 por Lakatos »

Offline Lorentz

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #26 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:07:57 »
Nosso sistema de ensino quer abraçar o mundo, e acaba com os piores níveis educacionais do planeta.

 :ok:

Na Ásia eles estudam matemática e se formam engenheiros mas são uns robozinhos que não pensam, que não tem noções de cidadania. Que tipo de sociedade o Japão e Coreia do Sul estão criando com esses "doutores" que só enxergam números, e não pessoas? O que lá é melhor do que aqui, tirando transporte, educação, saúde, economia, saneamento, dignidade, higiene, meio-ambiente e expectativa de vida? Eu lhes respondo: Nada! Aqui somos felizes, ajudamos os outros, e não desistimos.
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Offline Geotecton

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #27 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:08:31 »
Acho que seria interessante tentar implementar uma cultura estudantil/educativa que seja verificadamente melhor, em vez de nos contentarmos com baixas auto-expectativas. "Ah, mas brasileiro é assim mesmo, jamais poderemos ser como japoneses." Esse tipo de pensamento pode até ser uma auto-sabotagem coletiva.

Diga-se de passagem, li num artigo antigo de Seleções, um autor apontar como um dos motivos para o sucesso japonês o fato deles terem buscado copiar o que há de melhor ao redor do mundo, em vez de reinventar a roda.

O Japão, e em algum nível todos esses países asiáticos, possuem uma cultura mais coletivista e tradicionalista, ao contrário dos países ocidentais, que são mais individualistas, e os sistemas educacionais refletem um pouco disso. Todas as escolas funcionam no mesmo horário, têm uniformes padronizados, até as mochilas, precisam trabalhar na limpeza, ajudar na cozinha etc. Se tentassem implantar algo do tipo no Brasil, ou mesmo na Europa Ocidental ou América do Norte, seriam ridicularizados. Nunca daria certo. É esse tipo de traço cultural que eu acho que requer atenção quando se tenta copiar alguma ideia estrangeira.

A citada Finlândia, por outro lado, também consegue um sistema de excelência em ensino, só que mais alinhado com essa mentalidade ocidental. Mais autonomia para os alunos, incentivo a conteúdos criativos, avaliações mais informais, etc. Claro que com a requerida seriedade, para não virar bagunça.

Concordo, no geral, com a sua análise.

O "sucesso" ou o "insucesso" de um sistema educacional depende, em alguma medida, da natureza cultural de cada povo.
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Offline Geotecton

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #28 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:09:36 »
Nosso sistema de ensino quer abraçar o mundo, e acaba com os piores níveis educacionais do planeta.

 :ok:

Na Ásia eles estudam matemática e se formam engenheiros mas são uns robozinhos que não pensam, que não tem noções de cidadania. Que tipo de sociedade o Japão e Coreia do Sul estão criando com esses "doutores" que só enxergam números, e não pessoas? O que lá é melhor do que aqui, tirando transporte, educação, saúde, economia, saneamento, dignidade, higiene, meio-ambiente e expectativa de vida? Eu lhes respondo: Nada! Aqui somos felizes, ajudamos os outros, e não desistimos.

Faltou o emoticon para indicar que é uma piada.  :)
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Offline Lorentz

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #29 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:14:57 »
Acho que "revisão de conteúdos" vem antes de tudo, com uma redução para os pilares mais fundamentais. Pelo que já vi de diferenças de currículos brasileiros e internacionais passa até a impressão que o currículo brasileiro é imaginado como é como uma espécie de reflexo de complexo de vira-latas, uma tentativa de "compensar" o nível baixo de educação com um currículo mais "impressionante".

Acredito que antigamente o currículo era menor, mas foi aumentando aos poucos com a inserção feita por políticos e pedagogos que queriam mostrar trabalho. Vejo direto pessoas da área falando que o aluno deve estudar filosofia para "aprender a pensar", e sociologia para "aprender a viver em sociedade", e música para "desenvolver a cultura", e demais empulhações para "respeitar o próximo".

Ignoram que a família é quem deveria educar neste sentido, e é quase impossível repassar esta responsabilidade para as escolas.
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Offline Lorentz

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #30 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:16:12 »
Acho que o Chalita é um que defende essas disciplinas inúteis.
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Rhyan

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #31 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:18:38 »
A educação ainda é socializada? Então vai dar errado.

Sério, não entendo por que esquerdistas não defender a política de vouchers.

Offline Lakatos

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #32 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:20:08 »
Por favor, sem divergir para privado vs público (ou fazer isso num tópico como esse ligado aqui). Mesmo que seja privado ou vouchers, essa parte financeira deve ser secundária com relação à prática.

Rhyan

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #33 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:40:33 »
Não tem como excluir o ponto principal do debate e nem querer achar um modelo perfeito já existente agora pois nenhum é baseado num modelo de mercado.

Offline Lakatos

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #34 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:45:49 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Offline Lorentz

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #35 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:48:22 »
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Contra o tambor

Por Mario Sabino

De todas as mudanças que o governo quer fazer no ensino médio, a que mais me entusiasma é o fim do ensino obrigatório de “Artes” ou “Educação Artística”.

Não que eu seja contra a Arte, muito pelo contrário. Acho a pintura, por exemplo, o ápice das realizações humanas. A boa pintura, fique claro, não esses horrores produzidos por Romero Britto e congêneres.

Eis um dos pontos, aliás: ao substituir “Artes” por disciplinas úteis, a probabilidade de surgir outro Romero Britto diminui – e pode aumentar, vamos ser otimistas, a chance de termos um cientista que faça alguma diferença para o país.

Deverá diminuir, ainda, o número de adolescentes ritmistas, visto que, na falta de museus, orquestras e livros, aos professores de “Artes” resta o tambor.

Eu não gosto de tambor, acho batucada um pesadelo e desconfio de que acelera a queima de neurônios. Fico penalizado quando as emissoras de televisão mostram crianças e jovens tocando tambor, como se isso fosse salvar o seu futuro. Na verdade, fico indignado.

Provavelmente alguém dirá que é melhor tocar tambor do que sair por aí assaltando ou matando. Bem, lobotomia maciça também impediria milhares de adolescentes de cometer crimes, mas eu jamais defenderia uma saída como essa. Tambor, para mim, é lobotomia sonora.

A Folha de S. Paulo ouviu uma professora da Unesp contrariada com o fim da obrigatoriedade de “Artes”. Kathya Godoy afirmou o seguinte: "O ensino de arte permite um olhar expandido para as coisas. Com a mudança, tira a possibilidade de sensação, os alunos vão se tornar anestesiados." O jornal informa que Kathya Godoy é “doutora em Educação Artística e graduada em Educação Física”. Assim como a Educação Artística, a Educação Física deve deixar de ser obrigatória. Sou a favor.

Com as mudanças, os alunos do ensino médio talvez entendam, finalmente, que o melhor lugar para agás e ípsilons é nas equações matemáticas e fórmulas científicas.
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Offline Lorentz

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #36 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:49:05 »
A educação ainda é socializada? Então vai dar errado.

Sério, não entendo por que esquerdistas não defender a política de vouchers.

Dúvida: Como funciona na Suécia e Japão, que parecem ser referências?
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Rhyan

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #37 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:52:57 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Ok. A estrutura pedagógica que defendendo é... a liberdade do mercado definir estruturas pedagógicas num sistema de "descoberta empreendedora" com auxílio do sistema de preços livres baseado na propriedade privada.

O Raphael resumiu bem isso aqui:

<a href="https://www.youtube.com/v/SNtcY2p4Ifo" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/SNtcY2p4Ifo</a>


Offline Gauss

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #38 Online: 23 de Setembro de 2016, 17:59:29 »
Eu acho  engraçado o  pessoal que surgiu agora que acha que Sociologia e Filosofia detêem o monopólio do senso crítico. Foram matérias que não serviram de nada para mim.
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Rhyan

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #39 Online: 23 de Setembro de 2016, 18:03:01 »
A educação ainda é socializada? Então vai dar errado.

Sério, não entendo por que esquerdistas não defender a política de vouchers.

Dúvida: Como funciona na Suécia e Japão, que parecem ser referências?

Países ricos, alto grau de investimento, população homogênea, ausência de um sistema educacional de livre mercado para mostrar que o sistema não é tão eficiente quanto parece só é mais eficiente que a educação estatal dos outros países e outros motivos culturais de menor relevância.

Ter uma educação pública de qualidade razoável para boa é mais provável do que ter uma saúde pública no mesmo patamar por causa dos curtos em equipamentos, mas é algo que só países ricos podem fazer. E algo que com certeza é um verdadeiro desperdício de recursos comparado com o modelo de racionalidade econômica e seu custo-benefício.

Como diz o economista David Friedman (que trabalha com modelos empíricos, antes que alguém venha encher o saco), quando o governo faz um serviço ou produto, aproximadamente o custo para a população é o dobro caso fosse feito por um sistema de mercado (privado e desregulamentado).

É curioso como a maioria sabe que estatizar setores da economia é algo ruim, mas acha super normal educação e saúde estatizadas. Se esses mercados são tão impostantes como dizem (e também acredito que são), deveriam ser os mais desestatizados possível.

Rhyan

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #40 Online: 23 de Setembro de 2016, 18:05:23 »
Eu acho  engraçado o  pessoal que surgiu agora que acha que Sociologia e Filosofia detêem o monopólio do senso crítico. Foram matérias que não serviram de nada para mim.

Quando eu estudava, sociologia era basicamente uma aula religiosa, e filosofia era a aula para dormir.

Até aula de ética na faculdade era mais interessante mesmo num curso de exatas.

Offline Lakatos

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #41 Online: 23 de Setembro de 2016, 18:20:32 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Ok. A estrutura pedagógica que defendendo é... a liberdade do mercado definir estruturas pedagógicas num sistema de "descoberta empreendedora" com auxílio do sistema de preços livres baseado na propriedade privada.

O Raphael resumiu bem isso aqui:

Nesse modelo, as escolas vão ser basicamente cursos preparatórios para a vida corporativa, com os pais escolhendo desde o início o que os filhos estudarão. A ideia de ter um monte de disciplinas no ciclo básico é justamente a de dar a chance de o próprio aluno identificar quais são suas inclinações e que caminho quer seguir. Se ele sequer tiver a oportunidade de ter contato com um grande número de temas, vai perder grande parte da autonomia de decidir o rumo da própria vida.

Citando casos pessoais, eu apenas tive relativa segurança sobre a área que queria seguir com 17 anos. Sequer imagino o que teria feito se, com 10 anos ou menos, já tivesse sido obrigado a escolher uma área "profissional" em detrimento de outras. Imagina um adolescente que tem convicção de que quer ser médico, por exemplo, estuda a vida toda com ênfase nesse assunto e perto dos 18 anos descobre que não é isso que quer (algo que não é incomum). Para escolher outra área, vai precisar refazer todo o ciclo básico de outra ênfase para seguir, sei lá, uma carreira de advogado.
« Última modificação: 23 de Setembro de 2016, 18:26:38 por Lakatos »

Offline Gauss

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #42 Online: 23 de Setembro de 2016, 18:28:22 »
O Izzy Nobre fez um vídeo sobre o assunto(ele quem desmascarou o currículo fake da Bel Pesce, pra quem não lembra dele):
<a href="https://www.youtube.com/v/yhARyhtmtBs" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/yhARyhtmtBs</a>

Concordo quando ele diz que nosso sistema atual mata aptidões em potencial.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #43 Online: 23 de Setembro de 2016, 20:46:18 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Ok. A estrutura pedagógica que defendendo é... a liberdade do mercado definir estruturas pedagógicas num sistema de "descoberta empreendedora" com auxílio do sistema de preços livres baseado na propriedade privada.

O Raphael resumiu bem isso aqui:

Nesse modelo, as escolas vão ser basicamente cursos preparatórios para a vida corporativa, com os pais escolhendo desde o início o que os filhos estudarão. A ideia de ter um monte de disciplinas no ciclo básico é justamente a de dar a chance de o próprio aluno identificar quais são suas inclinações e que caminho quer seguir. Se ele sequer tiver a oportunidade de ter contato com um grande número de temas, vai perder grande parte da autonomia de decidir o rumo da própria vida.

Citando casos pessoais, eu apenas tive relativa segurança sobre a área que queria seguir com 17 anos. Sequer imagino o que teria feito se, com 10 anos ou menos, já tivesse sido obrigado a escolher uma área "profissional" em detrimento de outras. Imagina um adolescente que tem convicção de que quer ser médico, por exemplo, estuda a vida toda com ênfase nesse assunto e perto dos 18 anos descobre que não é isso que quer (algo que não é incomum). Para escolher outra área, vai precisar refazer todo o ciclo básico de outra ênfase para seguir, sei lá, uma carreira de advogado.

Não tem por que supor que esse seria o único resultado de só haver ensino privado. É uma conclusão meio parecida com a de que, se só houvesse navegação privada, só haveria cargueiros levando produtos de um país para outro.

Se um número suficiente de pessoas tem determinada perspectiva filosófica sobre o que a escola deveria oferecer, deverão haver escolas privadas (e até filantrópicas) com perspectivas de acordo.

Apesar da situação de terem que pagar do próprio bolso de maneira mais direta (para si/seus filhos, ou para a comunidade) tender a reduzir desperdícios do estilo "faculdade cracolândia", mesmo essas coisas mais viajandonas/apenas menos "preparação direta para o emprego" poderão ainda existir, desde que as pessoas interessadas diretamente nisso financiem tais iniciativas.




Os problemas com um fornecimento exclusivamente privado deverão ser na tendência à filantropia não dar conta de prover um acesso tão amplo quanto o ensino gratuito financiado por impostos, bem como aqueles problemas já existentes nesse e em qualquer empreendimento decorrentes do "lucro como objetivo", mas estes independem de um fornecimento exclusivamente privado e nem é algo sem no mínimo um análogo no setor público, seja com desvio de verbas ou populismo.


MAS, isso é mais viagem na maionese do que algo objetivo. Se abrirmos um tópico sobre, sei lá, cura do câncer, se perguntando se alimentação, exercício, quimioterapia, vírus geneticamente alterados ou o escambau, são os caminhos mais promissores de prevenção e cura, não tarda a aparecer o argumento "o câncer já teria sido resolvido no anarcocapitalismo, qualquer que seja a cura para o câncer será eventualmente chegada através da eliminação do estado, blablalbá, praxeologia, blablablá." Ou, em outro ciclo ideológico, comunismo e expansão do milagre da medicina cubana.

Offline Geotecton

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #44 Online: 23 de Setembro de 2016, 21:08:55 »
Não tem como excluir o ponto principal do debate e nem querer achar um modelo perfeito já existente agora pois nenhum é baseado num modelo de mercado.

E um modelo baseado apenas em 'mercado' seria necessariamente perfeito ou, pelo menos, melhor do que um modelo estatal?

Como é que você pode afirmar isto com tal segurança?
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #45 Online: 23 de Setembro de 2016, 21:38:02 »
Acho que numa afirmação mais "fraca", de maior papel do mercado, este, menos restrito por diretrizes estatais, permitiria explorar diferentes possibilidades, e daí devem aumentar as chances de algumas delas serem melhores do que aquela "desenhada" por burocratas ou mesmo por um processo democraticóide, como plebiscitos e tudo mais.

Não é fundamentalmente diferente de praticamente "qualquer outra coisa", qualquer outro empreedimento, que normalmente julgamos que o mercado deverá tender a ser mais eficaz que o estado em fornecer o serviço ou produto. No que se considera que educação nesse nível se aproxima das exceções onde o estado deve atuar, ainda é argumentável que poderia se dar através de vouchers, ou parcerias público-privadas.


Indo mais além poderia-se sair ainda mais do assunto e imaginar todo um goveno privado cujas leis privadas de alguma forma não iriam também restringir de maneira ineficiente o mercado a explorar diferentes opções, mas não precisamos chegar a tanto. Mas... deve ser inevitável acabar nisso, apesar dessas considerações se distanciarem  nãosó do tópico original, como da realidade plausível, bem mais até.

Offline Lakatos

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #46 Online: 23 de Setembro de 2016, 23:18:42 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Ok. A estrutura pedagógica que defendendo é... a liberdade do mercado definir estruturas pedagógicas num sistema de "descoberta empreendedora" com auxílio do sistema de preços livres baseado na propriedade privada.

O Raphael resumiu bem isso aqui:

Nesse modelo, as escolas vão ser basicamente cursos preparatórios para a vida corporativa, com os pais escolhendo desde o início o que os filhos estudarão. A ideia de ter um monte de disciplinas no ciclo básico é justamente a de dar a chance de o próprio aluno identificar quais são suas inclinações e que caminho quer seguir. Se ele sequer tiver a oportunidade de ter contato com um grande número de temas, vai perder grande parte da autonomia de decidir o rumo da própria vida.

Citando casos pessoais, eu apenas tive relativa segurança sobre a área que queria seguir com 17 anos. Sequer imagino o que teria feito se, com 10 anos ou menos, já tivesse sido obrigado a escolher uma área "profissional" em detrimento de outras. Imagina um adolescente que tem convicção de que quer ser médico, por exemplo, estuda a vida toda com ênfase nesse assunto e perto dos 18 anos descobre que não é isso que quer (algo que não é incomum). Para escolher outra área, vai precisar refazer todo o ciclo básico de outra ênfase para seguir, sei lá, uma carreira de advogado.

Não tem por que supor que esse seria o único resultado de só haver ensino privado. É uma conclusão meio parecida com a de que, se só houvesse navegação privada, só haveria cargueiros levando produtos de um país para outro.

Se um número suficiente de pessoas tem determinada perspectiva filosófica sobre o que a escola deveria oferecer, deverão haver escolas privadas (e até filantrópicas) com perspectivas de acordo.

Apesar da situação de terem que pagar do próprio bolso de maneira mais direta (para si/seus filhos, ou para a comunidade) tender a reduzir desperdícios do estilo "faculdade cracolândia", mesmo essas coisas mais viajandonas/apenas menos "preparação direta para o emprego" poderão ainda existir, desde que as pessoas interessadas diretamente nisso financiem tais iniciativas.




Os problemas com um fornecimento exclusivamente privado deverão ser na tendência à filantropia não dar conta de prover um acesso tão amplo quanto o ensino gratuito financiado por impostos, bem como aqueles problemas já existentes nesse e em qualquer empreendimento decorrentes do "lucro como objetivo", mas estes independem de um fornecimento exclusivamente privado e nem é algo sem no mínimo um análogo no setor público, seja com desvio de verbas ou populismo.

Meu comentário não é se contrapondo a um modelo privado "genérico", é ao modelo que o cara apresentou no vídeo, onde as escolas infantis seriam voltadas ao aprendizado de profissões e estudariam apenas áreas correlatas a esse campo profissional, que a criança, ou a família, escolheria em um momento que eu considero muito precoce. Eu preferiria um currículo mais generalista para crianças, justamente para dar a elas mesmas, com o passar do tempo e depois de ao menos algum contato com diferentes assuntos, a maior autonomia possível para escolher suas própria áreas de interesse, e não os pais escolherem por elas.

Quanto à educação ser exclusivamente privada eu não tenho a princípio nada contra, desde que o acesso da população mais pobre fosse garantido por vouchers. Não sei se é o ideal, mas também não acho que seria pior do que já é hoje.
« Última modificação: 23 de Setembro de 2016, 23:25:17 por Lakatos »

Offline JJ

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #47 Online: 24 de Setembro de 2016, 04:44:45 »
Não tem como excluir o ponto principal do debate e nem querer achar um modelo perfeito já existente agora pois nenhum é baseado num modelo de mercado.


Eu concordo com o Libertário, a questão do controle estatal  da educação não é uma questão secundária e que por isso possa ser alijada da discussão.  Muito pelo contrário, considero que seja uma questão fundamental , a qual afeta o sistema educacional e os seus resultados de forma extremamente ampla e profunda.





Offline JJ

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #48 Online: 24 de Setembro de 2016, 05:02:21 »
É que o tópico é sobre a estrutura pedagógica que os cursos devem ter, os melhores conteúdos, cargas horárias, ênfases de ensino, e não como isso seria implementado no campo político e econômico. Nada contra essa discussão, mas como dito, já há outros tópicos com esse enfoque.

Descreva como seria, em termos de estrutura curricular e pedagógica, esse modelo que você defende.

Ok. A estrutura pedagógica que defendendo é... a liberdade do mercado definir estruturas pedagógicas num sistema de "descoberta empreendedora" com auxílio do sistema de preços livres baseado na propriedade privada.

O Raphael resumiu bem isso aqui:

Nesse modelo, as escolas vão ser basicamente cursos preparatórios para a vida corporativa, com os pais escolhendo desde o início o que os filhos estudarão.

Primeiramente que não necessariamente a liberdade proposta pelo Libertário  levaria apenas  a se ter um curso preparatório para a vida corporativa.  Só para exemplificar , poderíamos ter uma escola com uma grade focada para  preparar  bons comerciantes,  e isso não implicaria  necessariamente em posteriormente fazer parte de uma corporação (aqui entendida como uma grande empresa que não é de sua propriedade), uma pessoa pode ser um bom comerciante sendo o dono de seu próprio comércio (até mesmo um pequeno comércio).


Outro exemplo, ainda mais distante desta ideia de preparo para vida corporativa,  seria o de adolescentes com grande talento para ser um cantor de música sertaneja,  então uma escola em que a grade curricular tivesse total liberdade de priorizar totalmente o ensino de canto, seria a escola ideal para esses adolescentes  (e a matemática de ensino médio seria uma coisa inútil para esse interesse).




« Última modificação: 24 de Setembro de 2016, 05:23:43 por JJ »

Offline JJ

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Re:Reforma Pedagógica do Ensino Médio
« Resposta #49 Online: 24 de Setembro de 2016, 05:20:47 »
A ideia de ter um monte de disciplinas no ciclo básico é justamente a de dar a chance de o próprio aluno identificar quais são suas inclinações e que caminho quer seguir. Se ele sequer tiver a oportunidade de ter contato com um grande número de temas, vai perder grande parte da autonomia de decidir o rumo da própria vida.


Com relação à ideia de ter um monte de disciplinas no ciclo básico ser justamente a de dar a chance de o próprio aluno identificar quais são suas inclinações e que caminho quer seguir, podemos dizer que é o sistema atual (com controle estatal )  que exclui um monte de alternativas , e que  num sistema totalmente libertário, onde houvesse total liberdade curricular , é que teríamos realmente um enorme oportunidade para a pessoa  ter uma enorme autonomia de decidir o rumo da própria vida.   A verdade é que no atual sistema de controle estatal grande parte da liberdade e autonomia é perdida.


A pessoa pode  ter contato com um grande número de temas sem que seja de forma autoritária e impositiva.  Isto pode ser feita de forma livre. De modo que ela não perderá grande parte da autonomia de decidir o rumo da própria vida.



« Última modificação: 24 de Setembro de 2016, 05:24:28 por JJ »

 

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