Autor Tópico: Golpistas altamente talentosos  (Lida 1091 vezes)

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Offline Lakatos

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Golpistas altamente talentosos
« Online: 27 de Dezembro de 2016, 04:09:05 »
Sobre casos históricos de crimes envolvendo grandes sacadas, talento acima do comum e planos mirabolantes, ou bandidos que desenvolveram grandes habilidades técnicas, físicas ou intelectuais para a prática de seus delitos.



Wolfgang Beltracchi, pintor falsário

A maioria dos falsários opta por reproduções fiéis de quadros conhecidos, mas de paradeiro incerto. Obras que já foram vistas, fotografadas e constam nos catálogos, mas que estão perdidas há muito tempo e cujas imagens disponíveis não possuem resolução tão alta. Como nas imagens abaixo: imagine ter uma dessas telas em mãos e apenas uma fotografia antiga da original, em preto e branco. Muito difícil de distinguir, mesmo para bons avaliadores. Quando o valor da pintura não é assim tão exorbitante para fazer valer a pena um teste químico, a chance de sucesso de passar pela inspeção visual é alta.



Mas há um problema. Mesmo que os testes químicos sejam muito caros, há outras modalidades de testes baratos e difíceis de burlar. Os padrões de envelhecimento do tecido da tela são bem conhecidos por especialistas, bem como as marcas na estrutura de madeira, manchas na parte de trás etc. Um especialista não conhece apenas a figura do quadro. Ele sabe se há rabiscos na parte traseira, carimbos, pequenos rasgos, amassados, grampos e outros detalhes difíceis de imitar de forma satisfatória.

Aí entra a técnica de Beltracchi.

Em vez de falsificar uma pintura conhecida por especialistas, ele fazia uma profunda pesquisa biográfica sobre os pintores, quase sempre do início do século XX, não apenas para conhecer suas obras, mas principalmente para conhecer seus hiatos de produção. Escolhia o artista a ser imitado e então comprava uma tela qualquer pintada nessa época e local, algo barato feito por algum anônimo, apagava cuidadosamente a pintura original e realizava uma criação totalmente nova imitando o estilo do pintor-alvo.

Assim, o quadro era oferecido para venda como proveniente de uma coleção particular perdida durante o confisco nazista, uma obra até então desconhecida. A vantagem imediata é que os especialistas não teriam nenhuma referência prévia nem sobre a pintura e nem sobre os detalhes da tela, mas poderiam averiguar, por inspeção, que seu estado era coerente com uma tela da época (afinal, era de fato uma tela da época, apenas com o desenho trocado). Com uma história bem amarrada, uma imitação talentosa e coerente do estilo original, algumas "evidências" fotográficas forjadas em estúdio e telas de baixo valor, o sucesso era garantido. O profundo conhecimento de Beltracci dos mais completos catálogos de arte possibilitava que ele fizesse escolhas certeiras, algumas vezes realizando trabalhos sobre os quais já havia alguma menção histórica, mas cuja reprodução visual não constava em lugar algum.



Foto de uma colecionadora de arte alemã do início do século XX, confirmando a existência da obra até então perdida.
Na verdade, é apenas uma foto da mulher de Beltracchi com roupas da época, posando com a falsificação recém-criada de um quadro inexistente ao lado de outras falsificações meia-boca de quadros que realmente existem e pertenciam a uma colecionadora da época, conhecida o suficiente para existir alguma menção sobre ela acessível aos avaliadores mas desconhecida o suficiente para ninguém conseguir contatar seus herdeiros.

Também há um jogo psicológico envolvido nessa técnica. Quando um especialista analisa uma obra existente, sua reputação corre grande risco. Se ele garantir uma obra como legítima e ela realmente for, foi apenas mais um dia de trabalho. Se aparecer outra no mercado algum tempo depois, haverá um problema. Nesse caso, se a que ele avaliou não for realmente a legítima, sua credibilidade irá por água abaixo imediatamente, e nesse profissão a credibilidade é a maior ferramenta de trabalho. Por isso, o grau de certeza para obter a chancela de legitimidade deve ser altíssimo. Por outro lado, quando aparece uma obra totalmente nova, a situação muda de figura. Se a obra for verdadeira, haverá repercussão midiática, o nome dele será citado e sua popularidade aumentará. Se for falsa, uma obra inexistente, o prejuízo não será tão grande. Afinal, não haverá como aparecer outra no mercado já que, por definição, ninguém jamais viu aquela pintura e ninguém vai querer copiá-la após ter aparecido uma com status de verdadeira. Consequentemente, o grau de ceticismo do avaliador sofre considerável impacto.

Usando esse estratagema e abusando do jogo psicológico citado acima, Beltracchi vendeu várias obras da suposta coleção que possuía, sem abusar do preço para que as pinturas não passassem por teste químico. Sempre sendo aprovado pelos avaliadores, portanto. Com o tempo, adquiriu a fama de um vendedor confiável, e aí sim, foi aumentando gradualmente o preço até atingir a casa dos milhões de dólares. Conseguiu passar pela avaliação de especialistas das principais galerias de arte do mundo e forjou obras "perdidas" de artistas como Max Ernst  - uma delas foi elogiada pela própria viúva de Ernst como tendo sido o melhor trabalho do marido e permanece até hoje na parede do comprador, que não quis devolvê-la. Chegou a ressuscitar o interesse das galerias europeias por Heinrich Campendonk, até então em baixa. Vendeu quadros para magnatas bilionários e atores de Hollywood. Estima-se que tenha faturado 45 milhões de dólares durante a carreira.

Mas só sabemos de toda essa história porque enfim ele foi pego. Durante a venda de uma falsificação de Campendonk para uma empresa maltesa, que seria fechada em 3,5 milhões de dólares, um teste químico de autenticidade foi exigido. Algo inesperado, porém irreversível. O procedimento revelou traços de titânio na tinta usada, que não poderiam estar presentes em pinturas da época, e o esquema veio abaixo. Para reduzir sua pena, Beltracchi confessou oficialmente ter forjado catorze obras e ficou preso por 6 anos, além de ter devolvido milhões de dólares. Entretanto, hoje em dia alega ter criado cerca de trezentos trabalhos imitando mais de cinquenta artistas diferentes durante 35 anos. Não apenas para faturar alto, mas também "para melhorá-los", segundo ele. A maior parte dessas falsificações ainda está exposta em museus e coleções particulares, constando como originais. E a maioria dos proprietários prefere que continue assim, para que não percam valor de mercado.

Atualmente vende pinturas legítimas, assinadas com o próprio nome. Ano passado, um galerista suíço organizou uma exposição com 24 de suas criações recentes e vendeu todas em um único mês, por 650 mil euros.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #1 Online: 27 de Dezembro de 2016, 11:07:15 »
Para reduzir sua pena, Beltracchi confessou oficialmente ter forjado catorze obras e ficou preso por 6 anos, além de ter devolvido milhões de dólares. Entretanto, hoje em dia alega ter criado cerca de trezentos trabalhos imitando mais de cinquenta artistas diferentes durante 35 anos. Não apenas para faturar alto, mas também "para melhorá-los", segundo ele. A maior parte dessas falsificações ainda está exposta em museus e coleções particulares, constando como originais. E a maioria dos proprietários prefere que continue assim, para que não percam valor de mercado.

E aqui também pode estar inflando do número e sucesso como parte do golpismo, agora na forma de auto-promoção mesmo, aumentando mais o valor de suas próprias obras do que se dissesse, "é, foram só essas catorze mesmo, antes disso eu vendia reproduções admitidas como tal, sem grande rigor em fidelidade, baratinho, como ítem de decoração popular. Com o passar do tempo, fui tendo sempre a ambição de melhorar cada vez mais as reproduções, até chegar ao ponto de começar a estudar a possibilidade de passar como reais mesmo, e ganhar bem mais assim. As vinte primeiras não passaram no teste".

Offline Lorentz

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #2 Online: 27 de Dezembro de 2016, 11:29:00 »
Temer é um golpista altamente talentoso?
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Offline Digão

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #3 Online: 27 de Dezembro de 2016, 14:06:00 »
Acho que Ponzi schemes entram neste tópico, não?

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #4 Online: 27 de Dezembro de 2016, 20:02:14 »
Para reduzir sua pena, Beltracchi confessou oficialmente ter forjado catorze obras e ficou preso por 6 anos, além de ter devolvido milhões de dólares. Entretanto, hoje em dia alega ter criado cerca de trezentos trabalhos imitando mais de cinquenta artistas diferentes durante 35 anos. Não apenas para faturar alto, mas também "para melhorá-los", segundo ele. A maior parte dessas falsificações ainda está exposta em museus e coleções particulares, constando como originais. E a maioria dos proprietários prefere que continue assim, para que não percam valor de mercado.

E aqui também pode estar inflando do número e sucesso como parte do golpismo, agora na forma de auto-promoção mesmo, aumentando mais o valor de suas próprias obras do que se dissesse, "é, foram só essas catorze mesmo, antes disso eu vendia reproduções admitidas como tal, sem grande rigor em fidelidade, baratinho, como ítem de decoração popular. Com o passar do tempo, fui tendo sempre a ambição de melhorar cada vez mais as reproduções, até chegar ao ponto de começar a estudar a possibilidade de passar como reais mesmo, e ganhar bem mais assim. As vinte primeiras não passaram no teste".

Há falsificações célebres dele pintadas há mais de 20 anos. Até pode ter ocorrido essa curva de aprendizado, mas no começo da década de 1990 ele já estava no auge, enganando grandes avaliadores. Foi muito tempo pintando até ser pego em 2010, mais do que suficiente para pintar tudo isso. Contudo, é razoável supor que ele exagere o número real. Se eu fosse chutar, diria que deve haver umas 100 a 150 obras dele espalhadas por aí em museus, galerias e coleções particulares.

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #5 Online: 27 de Dezembro de 2016, 20:03:10 »
Acho que Ponzi schemes entram neste tópico, não?

Com certeza.

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #6 Online: 27 de Dezembro de 2016, 20:04:09 »

Offline Pedro Reis

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #7 Online: 27 de Dezembro de 2016, 23:22:22 »

Offline Lorentz

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #9 Online: 28 de Dezembro de 2016, 12:24:53 »
Foi muito tempo pintando até ser pego em 2010, mais do que suficiente para pintar tudo isso. Contudo, é razoável supor que ele exagere o número real.

Será que há uma estimativa do quanto tempo levava para conseguir os materiais, produzir elaborar cada pintura falsa?

Acho que além do tempo talvez ser relativamente longo, não me surpreenderia que mais do que 1.4 meses para cada pintura, talvez essa "produtividade" arriscasse aumentar a suspeita sobre ele. E ainda tem as suas outras atividades não-golpistas que provavelmente ainda tinha que tocar para manter as aparências, também tomando tempo. Ou será que ele se dedicava mesmo exclusivamente a isso?

É contudo interessante se perguntar se não haveria uma porção de outros com estratégia similar, ainda não pegos.

Talvez muitos mais ainda apenas com falsificações pontuais, para uma graninha mais fácil quando a situação estiver mais apertada.

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #10 Online: 28 de Dezembro de 2016, 20:29:27 »
Há um documentário onde ele explica pessoalmente toda a técnica que usava ("Beltracchi: Die Kunst der Fälschung" / "Beltracchi: A arte da falsificação"). Não lembro de mencionar explicitamente o tempo que levava com tudo isso, mas vendo o processo estimo algo entre duas a seis semanas.

A desculpa para a "produtividade" era que a coleção de um galerista judeu chamado Alfred Flechtheim, tomada pelos nazistas na década de 1930, havia sendo vendida para a avó de sua esposa e permaneceu na família durante décadas. Agora, em dificuldades financeiras, ela estaria gradualmente se desfazendo das obras. Ele também usava um amigo que se apresentava como descendente de uma linhagem nobre alemã. Beltracchi em si não participava das vendas, então ninguém o associava às pinturas para investigar sua vida e questionar a fonte de seus ganhos. Fora isso, o mercado de arte em si envolve muito sigilo, e é relativamente comum a existência de negócios legítimos em que as partes envolvidas sequer se encontram ou conhecem as identidades um do outro, resolvendo tudo por intermediários.

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #11 Online: 29 de Dezembro de 2016, 07:19:10 »
Os cutters: trapaceiros de cassino

O método mais famoso para se dar bem em cassinos sem ter sorte é através da contagem de cartas de baralho, técnica que consiste em memorizar "scores" das cartas jogadas na mesa e usar essa informação para estimar a probabilidade de as próximas a sair serem favoráveis ou desfavoráveis à estratégia do jogador. Pode inclusive receber auxílio tecnológico através de minicomputadores escondidos na roupa e discretamente alimentados com os inputs do jogo. Embora muitas pessoas já tenham ficado milionárias usando essas técnicas, hoje em dia é extremamente arriscada: os cassinos do mundo todo costumam estar equipados com centenas de câmeras de monitoramento e as mesas dos jogos onde esse truque é mais manjado - como blackjack e poker - não toleram jogadores que ganham muito dinheiro inesperadamente. Outras medidas como o embaralhamento frequente do monte e a contratação de crupiês treinados para acelerar o jogo têm sido usadas para combater a prática.

Entretanto, um jogo de cartas que historicamente nunca foi motivo de preocupação para os proprietários de cassinos é o baccarat. Semelhante ao blackjack em certos pontos, no baccarat o jogador e o banqueiro também se enfrentam. O jogador deve, de início, apostar qual mão terá soma de pontos mais próxima de nove: a sua ou a do banqueiro. Essa é sua única interferência. Em seguida, duas cartas são distribuídas para cada um e os resultados são auferidos. Uma nova carta é adicionada às mãos dependendo da pontuação obtida, mas essa regra é cumprida deterministicamente sem deliberação do jogador.


O pesadelo para os contadores reside no seguinte: além do grande número de cartas utilizadas (em geral 8 decks de 52 cartas misturados), o jogador apenas aposta, sem poder interferir na distribuição, que é feita de forma automática a partir das regras. Não há possibilidade de recusar ou pedir uma adicional. Outro problema é que no baccarat a contagem não "estoura". Quando o valor 9 é ultrapassado, subtrai-se 10 pontos da contagem total, então uma mão com a soma de 17 pontos, por exemplo, vale 7 e continua com possibilidade de ganhar. Tudo isso diminui muito a efetividade das estratégias de previsão. É um jogo praticamente à prova de contagem, e mesmo quando aplicada, ela no máximo diminui a margem da casa em uma pequena fração. A única maneira de trapacear é sabendo a sequência exata das cartas.

Dito isto, nos transportamos para 2011, em Las Vegas. Quatro homens entram no cassino e se dirigem à mesa do baccarat. O crupiê embaralha o deck e, como praxe, pede para que um deles divida o baralho. O jogador percorre o monte de cartas com o cartão de plástico e corta. As cartas são colocadas no sapato (armazenador de cartas posicionado na mesa) e o jogo se inicia. Animadamente, todos falam ao celular, bebem e conversam entre si, já que o jogo não exige nenhum tipo de concentração. É só ir apostando, a cada rodada. Nada de anormal acontece e os resultados ficam dentro da faixa esperada, com as pequenas apostas oscilando entre sucessos e fracassos.

Algum tempo depois, um dos jogadores pede licença para ir ao banheiro, enquanto os outros três continuam jogando. Sai calmamente e volta após cinco minutos, animado. Sente-se com sorte, mas continua sem grandes resultados. De repente, resolve aumentar a aposta. Os amigos são contagiados pelo estado de espírito e também resolvem aumentar, e todos apostam juntos, no mesmo resultado: voilà, sucesso! Na rodada seguinte, repetem a estratégia e apostam juntos de novo. Outro sucesso. E outro. E outro. Acabaram de ganhar 1 milhão de dólares no Cosmopolitan Casino, um dos maiores da cidade. A segurança já está monitorando a mesa. Um funcionário, olhando de perto, sabe que algo está errado, mas não consegue entender o quê. Estão sendo roubados, e não sabem como. Imagine a situação.

O grupo troca suas fichas e sai com a fortuna conquistada, mas é parado na porta, porque a administração chamou a polícia. Os funcionários os estão acusando de portarem contadores eletrônicos de carta, marcadores de tinta invisível, câmeras, mas a verdade é que não sabem o que aconteceu. Os policiais explicam que não podem revistá-los, já que, legalmente, o procedimento requer uma causa provável ou suspeita razoável sobre os jogadores, e não há nada. Eles não têm nenhum histórico de trapaça e não há sequer registro prévio deles no sistema de reconhecimento facial dos cassinos de Las Vegas. Ainda que fossem revistados, não faria diferença. Estão realmente limpos e partem para casa felizes da vida.

O que de fato aconteceu nesse dia só ficou conhecido algum tempo depois, quando um grupo de apostadores foi preso nas Filipinas, em circunstâncias desconhecidas mas praticando o mesmo golpe.

O truque é simples e sutil. Os três ou quatro jogadores sentam à mesa e o crupiê oferece o baralho para ser cortado por um deles. Toda a essência do processo acontece aí. Enquanto passa o cartão de corte pelo monte, uma pequena agulha de plástico na mão do trapaceiro passa pelas cartas, revelando a face de cada uma delas por alguns milissegundos. Tempo impossível para qualquer ser humano observar a sequência, mas possível de ser filmado por uma pequena câmera de alta velocidade escondida na manga da camisa.


Nesse momento, a parte mais difícil já está feita. Os jogadores permanecem fazendo apostas aleatórias para não despertar suspeitas. Depois de um tempo, o portador da câmera vai até o banheiro e entra na cabine. Dentro dela, já há um comparsa esperando com um laptop ligado, rodando um software especialmente programado para reconhecer as imagens do vídeo e fornecer a sequência de cartas do baralho. O jogador não precisa de tantas assim: ele decora uma sequência de quinze ou vinte cartas que sairão dali a pouco, o suficiente para ter algumas rodadas de sucesso. Enquanto o homem do laptop vai embora levando todos os equipamentos incriminadores (ele não será revistado, afinal não ganhou dinheiro algum e até perdeu uns trocados na roleta minutos antes), o jogador volta para a mesa. Espera sua sequência mágica começar a sair e aumenta as apostas. Os demais jogadores apenas "seguem o mestre": quando o veem apostando alto, começam a imitar suas jogadas. Menos de dois minutos depois, já estarão milionários e a caminho do balcão de pagamentos, sem qualquer risco em caso de serem revistados.

Quando forem aplicar o golpe novamente, basta trocar as pessoas para que não entrem "rostos conhecidos" nos cassinos, evitando revistas: suspeita-se que a gangue (ou "as gangues") seja formada por cerca de 70 membros e ainda esteja ativa. Inclusive os presos das Filipinas, que fugiram pouco tempo depois.
« Última modificação: 29 de Dezembro de 2016, 09:53:21 por Lakatos »

Offline Geotecton

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #12 Online: 29 de Dezembro de 2016, 09:45:47 »
Legal a sua narrativa, Lakatos.
Foto USGS

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #13 Online: 29 de Dezembro de 2016, 09:56:07 »
Legal a sua narrativa, Lakatos.

Opa, valeu!  :ok:

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #14 Online: 29 de Dezembro de 2016, 10:09:41 »
Há um documentário onde ele explica pessoalmente toda a técnica que usava ("Beltracchi: Die Kunst der Fälschung" / "Beltracchi: A arte da falsificação"). Não lembro de mencionar explicitamente o tempo que levava com tudo isso, mas vendo o processo estimo algo entre duas a seis semanas.

A desculpa para a "produtividade" era que a coleção de um galerista judeu chamado Alfred Flechtheim, tomada pelos nazistas na década de 1930, havia sendo vendida para a avó de sua esposa e permaneceu na família durante décadas. Agora, em dificuldades financeiras, ela estaria gradualmente se desfazendo das obras. Ele também usava um amigo que se apresentava como descendente de uma linhagem nobre alemã. Beltracchi em si não participava das vendas, então ninguém o associava às pinturas para investigar sua vida e questionar a fonte de seus ganhos. Fora isso, o mercado de arte em si envolve muito sigilo, e é relativamente comum a existência de negócios legítimos em que as partes envolvidas sequer se encontram ou conhecem as identidades um do outro, resolvendo tudo por intermediários.

Tem ainda o aspecto de que ele pode ir fazendo várias mais ou menos ao mesmo tempo, e dar um bom tempo até esperar "secar" e etc e tal, não precisa fazer uma e vender "fresquinha" imediatamente.

Será que haveria alguns "mythbusters" artísticos tentando inferir quais poderiam ser essas outras falsificações não confessadas, incluindo o palpite de provavelmente ser obra dele?

Offline Lakatos

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #15 Online: 30 de Dezembro de 2016, 00:22:04 »
Há um documentário onde ele explica pessoalmente toda a técnica que usava ("Beltracchi: Die Kunst der Fälschung" / "Beltracchi: A arte da falsificação"). Não lembro de mencionar explicitamente o tempo que levava com tudo isso, mas vendo o processo estimo algo entre duas a seis semanas.

A desculpa para a "produtividade" era que a coleção de um galerista judeu chamado Alfred Flechtheim, tomada pelos nazistas na década de 1930, havia sendo vendida para a avó de sua esposa e permaneceu na família durante décadas. Agora, em dificuldades financeiras, ela estaria gradualmente se desfazendo das obras. Ele também usava um amigo que se apresentava como descendente de uma linhagem nobre alemã. Beltracchi em si não participava das vendas, então ninguém o associava às pinturas para investigar sua vida e questionar a fonte de seus ganhos. Fora isso, o mercado de arte em si envolve muito sigilo, e é relativamente comum a existência de negócios legítimos em que as partes envolvidas sequer se encontram ou conhecem as identidades um do outro, resolvendo tudo por intermediários.

Tem ainda o aspecto de que ele pode ir fazendo várias mais ou menos ao mesmo tempo, e dar um bom tempo até esperar "secar" e etc e tal, não precisa fazer uma e vender "fresquinha" imediatamente.

Será que haveria alguns "mythbusters" artísticos tentando inferir quais poderiam ser essas outras falsificações não confessadas, incluindo o palpite de provavelmente ser obra dele?

Sim, dava para trabalhar paralelamente em várias obras.

Sobre gente interessada em debunkar os quadros, é uma boa pergunta. Até deve existir, mas é difícil porque há um sistema de incentivos jogando contra. Beltracchi está devendo milhões e todo dinheiro de seus quadros atuais é confiscado pela justiça para restituir compradores. Assim, quem está com um quadro dele na parede e tem ciência disso tende a ficar quieto e depois de um tempo tentar revender usando o comprovante de autenticidade que tem em mãos. Não adianta muito recorrer à polícia agora porque a chance de conseguir alguma restituição financeira é muito pequena. E mesmo que haja grupos externos tentando desvendá-los, para fazer um novo exame nos quadros seria necessária a autorização dos proprietários, que como dito, são quem menos querem que isso seja feito.

Uma das grandes sacadas do golpe é justamente essa: mesmo quando a vítima percebe que foi enganada, ela fica com sentimentos contraditórios sobre tomar ou não alguma providência, já que pode piorar ainda mais a própria situação.

Offline Pedro Reis

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #16 Online: 30 de Dezembro de 2016, 01:32:22 »
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1. BLACKJACK

Como se joga – O dealer distribui duas cartas para cada um dos jogadores e pega duas para si. Cada pessoa soma os números das cartas que tem nas mãos. Cada jogador pode pedir mais cartas, se quiser. Todo mundo mostra o que tem na mão: quem tiver uma soma mais próxima de 21 ganha.

Como levar vantagem – A idéia é memorizar os números que vão saindo do baralho. Com isso, é possível saber quais cartas ainda vão aparecer durante o jogo. O ideal é apostar quando houver muitas cartas altas – pois isso dá uma vantagem matemática ao apostador.

O GOLPE

1. Contagem – Usando um minicomputador, o jogador registra a seqüência de cartas que vão sendo abertas na mesa. Ele digita, num miniteclado de 4 botões que fica escondido sob a sua roupa , um código para representar cada uma das cartas.

2. Estratégia – O computador mede a probabilidade de aparecerem cartas altas na próxima rodada. Quando a situação é favorável, ele avisa: “Aposte alto”. O jogador ouve essa mensagem por um fone de ouvido . E faz um gesto específico, como coçar a cabeça.

3. Aposta – É o sinal para que um comparsa se aproxime. Enquanto seu parceiro continua anotando as cartas da mesa, ele entra no jogo e aposta alto. Se o golpe for perfeitamente sincronizado, é possível conseguir até 40% de vantagem sobre o cassino.

2. ROLETA

Como se joga – O jogador aposta no número da roleta em que a bolinha vai parar. Também é possível apostar em características do número – como preto ou vermelho, par ou ímpar. Se ele errar a aposta, ou se a bolinha cair no número 0, o cassino embolsa o dinheiro.

Como levar vantagem – Usando conceitos básicos da física e um computador especial. A idéia é calcular as forças envolvidas para adivinhar onde a bolinha vai parar – e usar essa informação para fazer uma aposta certeira enquanto a roleta ainda está girando.

O GOLPE

1. Preparação – O jogador tem um minicomputador escondido na manga que é capaz de calcular a trajetória da bolinha em relação à roleta – e, com isso, prever em que casa ela vai parar. É preciso fornecer dois dados à máquina: a velocidade da bola e da roleta.

2. Olho vivo – O jogador utiliza 3 referências: um ponto na mesa, uma casa da roleta (previamente programada no computador) e a bolinha em si . Cada vez que esses elementos se cruzam, ou a bolinha passa por algum deles, ele dá um clique no computador.

3. Aposta – O computador diz onde a bolinha vai parar. Um cúmplice ouve a mensagem por meio de um fone de ouvido e faz sua aposta. Para aumentar as chances, também aposta nas casas vizinhas à indicada pelo computador (35, por exemplo) .

3. DADOS

Como se joga – O jogador lança os dois dados. Se a soma deles der 7 ou 11, ganha. Se a soma for 2, 3 ou 12, perde. Saindo qualquer outro resultado, o jogador pode repetir a aposta – e ganha se conseguir duas vezes a mesma soma (6 e 6, por exemplo).

Como levar vantagem – Desenvolvendo uma técnica manual para arremessar os dados com alta precisão, o que aumenta a probabilidade de tirar os números necessários.

O GOLPE

1. Planejamento – O jogador escolhe a posição dos dados , ou seja, os números que vão ficar para cima, conforme o resultado que deseja. Para conseguir um par de 5, por exemplo, o ideal é posicionar os dados com o número 6 virado para cima .

2. Pegada – O jogador pega os dados com a ponta dos dedos, sem alterar sua posição inicial (os números que estão para cima). Além de facilitar o lançamento dos dados, essa técnica evita que eles rolem dentro da mão do jogador, o que estragaria o arremesso.

3. Arremesso – O lançamento deve ser fraco e num ângulo de 45o . A idéia é fazer com que os dados percorram a mesa com o mínimo de velocidade. Isso minimiza a energia cinética e a rotação deles, aumentando a chance de que caiam na posição desejada .

4. PÔQUER

Como se joga – Cada jogador recebe 5 cartas. As possíveis combinações entre elas formam um ranking. Ganha quem tiver a combinação mais valiosa. Ou fizer os outros jogadores acreditar que têm boas cartas (blefe), estimulando-os a saírem da rodada.

Como levar vantagem – Conhecendo as cartas dos outros. Sabendo o que eles têm na mão, é possível deduzir se você vai ganhar ou não. E tomar a decisão mais adequada para cada situação: aumentar a aposta ou desistir, minimizando os riscos e maximizando os lucros.

O GOLPE

1. Marcação – O jogador leva uma tinta especial escondida em um potinho no bolso . Ele suja o dedo de tinta e marca o verso das cartas que recebe, com um padrão que permite reconhecê-las depois (um ás, por exemplo, é identificado por dois pontos).

2. Próxima rodada – Ao término de cada rodada, os apostadores devolvem suas cartas ao dealer. Ele embaralha tudo e as redistribui entre os jogadores. O trapaceiro aproveita para pintar mais cartas. Após algumas rodadas, boa parte do baralho já está marcado.

3. Olho mágico – A tinta usada para marcar as cartas é invisível. Mas o golpista usa uma lente de contato especial , que permite enxergar as marcações. Olhando o verso das cartas dos adversários , ele sabe o que cada um tem na mão. E leva vantagem.

http://super.abril.com.br/comportamento/quebrando-a-banca-os-golpes-mais-inacreditaveis-do-mundo/

Offline Alquimista

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #17 Online: 30 de Dezembro de 2016, 01:41:02 »
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1. BLACKJACK

Como se joga – O dealer distribui duas cartas para cada um dos jogadores e pega duas para si. Cada pessoa soma os números das cartas que tem nas mãos. Cada jogador pode pedir mais cartas, se quiser. Todo mundo mostra o que tem na mão: quem tiver uma soma mais próxima de 21 ganha.

Como levar vantagem – A idéia é memorizar os números que vão saindo do baralho. Com isso, é possível saber quais cartas ainda vão aparecer durante o jogo. O ideal é apostar quando houver muitas cartas altas – pois isso dá uma vantagem matemática ao apostador.

O GOLPE

1. Contagem – Usando um minicomputador, o jogador registra a seqüência de cartas que vão sendo abertas na mesa. Ele digita, num miniteclado de 4 botões que fica escondido sob a sua roupa , um código para representar cada uma das cartas.

2. Estratégia – O computador mede a probabilidade de aparecerem cartas altas na próxima rodada. Quando a situação é favorável, ele avisa: “Aposte alto”. O jogador ouve essa mensagem por um fone de ouvido . E faz um gesto específico, como coçar a cabeça.

3. Aposta – É o sinal para que um comparsa se aproxime. Enquanto seu parceiro continua anotando as cartas da mesa, ele entra no jogo e aposta alto. Se o golpe for perfeitamente sincronizado, é possível conseguir até 40% de vantagem sobre o cassino.

2. ROLETA

Como se joga – O jogador aposta no número da roleta em que a bolinha vai parar. Também é possível apostar em características do número – como preto ou vermelho, par ou ímpar. Se ele errar a aposta, ou se a bolinha cair no número 0, o cassino embolsa o dinheiro.

Como levar vantagem – Usando conceitos básicos da física e um computador especial. A idéia é calcular as forças envolvidas para adivinhar onde a bolinha vai parar – e usar essa informação para fazer uma aposta certeira enquanto a roleta ainda está girando.

O GOLPE

1. Preparação – O jogador tem um minicomputador escondido na manga que é capaz de calcular a trajetória da bolinha em relação à roleta – e, com isso, prever em que casa ela vai parar. É preciso fornecer dois dados à máquina: a velocidade da bola e da roleta.

2. Olho vivo – O jogador utiliza 3 referências: um ponto na mesa, uma casa da roleta (previamente programada no computador) e a bolinha em si . Cada vez que esses elementos se cruzam, ou a bolinha passa por algum deles, ele dá um clique no computador.

3. Aposta – O computador diz onde a bolinha vai parar. Um cúmplice ouve a mensagem por meio de um fone de ouvido e faz sua aposta. Para aumentar as chances, também aposta nas casas vizinhas à indicada pelo computador (35, por exemplo) .

3. DADOS

Como se joga – O jogador lança os dois dados. Se a soma deles der 7 ou 11, ganha. Se a soma for 2, 3 ou 12, perde. Saindo qualquer outro resultado, o jogador pode repetir a aposta – e ganha se conseguir duas vezes a mesma soma (6 e 6, por exemplo).

Como levar vantagem – Desenvolvendo uma técnica manual para arremessar os dados com alta precisão, o que aumenta a probabilidade de tirar os números necessários.

O GOLPE

1. Planejamento – O jogador escolhe a posição dos dados , ou seja, os números que vão ficar para cima, conforme o resultado que deseja. Para conseguir um par de 5, por exemplo, o ideal é posicionar os dados com o número 6 virado para cima .

2. Pegada – O jogador pega os dados com a ponta dos dedos, sem alterar sua posição inicial (os números que estão para cima). Além de facilitar o lançamento dos dados, essa técnica evita que eles rolem dentro da mão do jogador, o que estragaria o arremesso.

3. Arremesso – O lançamento deve ser fraco e num ângulo de 45o . A idéia é fazer com que os dados percorram a mesa com o mínimo de velocidade. Isso minimiza a energia cinética e a rotação deles, aumentando a chance de que caiam na posição desejada .

4. PÔQUER

Como se joga – Cada jogador recebe 5 cartas. As possíveis combinações entre elas formam um ranking. Ganha quem tiver a combinação mais valiosa. Ou fizer os outros jogadores acreditar que têm boas cartas (blefe), estimulando-os a saírem da rodada.

Como levar vantagem – Conhecendo as cartas dos outros. Sabendo o que eles têm na mão, é possível deduzir se você vai ganhar ou não. E tomar a decisão mais adequada para cada situação: aumentar a aposta ou desistir, minimizando os riscos e maximizando os lucros.

O GOLPE

1. Marcação – O jogador leva uma tinta especial escondida em um potinho no bolso . Ele suja o dedo de tinta e marca o verso das cartas que recebe, com um padrão que permite reconhecê-las depois (um ás, por exemplo, é identificado por dois pontos).

2. Próxima rodada – Ao término de cada rodada, os apostadores devolvem suas cartas ao dealer. Ele embaralha tudo e as redistribui entre os jogadores. O trapaceiro aproveita para pintar mais cartas. Após algumas rodadas, boa parte do baralho já está marcado.

3. Olho mágico – A tinta usada para marcar as cartas é invisível. Mas o golpista usa uma lente de contato especial , que permite enxergar as marcações. Olhando o verso das cartas dos adversários , ele sabe o que cada um tem na mão. E leva vantagem.

http://super.abril.com.br/comportamento/quebrando-a-banca-os-golpes-mais-inacreditaveis-do-mundo/

Cara, nada disso aí é golpe, senão habilidades!!!!  Golpistas são os cassinos!!!!  KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...
« Última modificação: 30 de Dezembro de 2016, 01:50:37 por Alquimista »
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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #18 Online: 30 de Dezembro de 2016, 02:23:25 »
Dar golpes e ganhar dinheiro no brasil é a coisa mais banal que existe!!!!! O difícil mesmo é ser mau caráter!!!! Mas...   


Existem TRUQUES PSICOLÓGICOS simples de executar que O ALQUIMISTA ensina aqui pra algum forista que por acaso esteja necessitado por cascalho fácil!!!

_Quanto for em algum estabelecimento que tiver aqueles cartões de visita no balcão, procure pelos que mais passem credibilidade (como de advogados e dentistas) e pegue um tanto bom deles.
Vista uma roupa bem formal que passe status social e vá para um sítio movimentado onde frequente pessoas simples (praças públicas, etc...).
Cace alguém com cara de trouxa e aborde essa pessoa. Improvise uma estória de que você é um advogado (se estiver com uma cartão de advogado) e dê o cartão para a vítima. Então finja aflição e diga que você foi assaltado e tal... que levaram sua carteira e que você precisa urgentemente de uma grana pra pegar um táxi porque já está atrasado para uma audiência importante. Daí fale para o otário que é só ligar no outro dia para o escritório (mostre o telefone que está no cartão) que a secretária marcará o reembolso com direito a uma pequena bonificação de agradecimento.
Se fizer um teatro direitinho mas bem discreto, dá pra levantar uma importância até legal para quem está na pindaíba.

_Esse é véio, porém funciona porque a quantidade de gente idiota no brasil é graaaaaaaaande...
Vá a um estabelecimento simples, de preferência desses que não tem câmeras de vigilância.
Se o caixa tiver cara de tolo(a), retire um produto de 5 reais da prateleira e leve para pagar. Então retire uma nota de 50 da carteira e espere o caixa perguntar se você não tem uma nota de 5. Caso ele(a) não faça nada, então você pergunta se tem troco para 50 (é importante preparar a mente dele/a!).
Dê a nota de 50, ESPERE (isso é fundamental) ele(a) te dar o troco de 45, e daí você joga um lero:
''Por acaso você me lembra uma pessoa! Conhece algum Augusto? É o meu primo! Não é você que estudou com ele? Olha, tenho uma foto dele aqui na minha carteira... e blá, blá, blá...''
Quando ver que o caixa se distraiu e caiu na sua, DIGA:
''Putz! Tinha aqui na minha carteira uma nota de 5 e nem havia percebido. Desculpe!''
Então junte a nota de 5 com os QUARENTA E CINCO que o caixa havia te dado, e continue:
''Olha! Meus 5 com mais estes 45 dão 50 reais. Então eu te DEVOLVO esses 50, e com mais a nota de 50 que EU TE DEI você me DEVOLVE CEM!!!!''
Se o caixa tiver CEMZIM e for babaca o suficiente, você, que antes havia entrado com 55, agora sai com CEMZINHO!!!!!!!!  Nada mal!!!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...

       
 
« Última modificação: 30 de Dezembro de 2016, 02:38:44 por Alquimista »
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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #19 Online: 30 de Dezembro de 2016, 02:53:55 »
O Homem mais sabido do mundo e...

A influência da glândula pineal do urubu no desenvolvimento jurídico do ocidente:

O grande embusteiro Conde Alexandre, se fazendo de místico, cientista e projeto de médico, vem à Paraíba, instala-se numa cidade do interior e consegue iludir várias pessoas da alta sociedade paraibana de que possui a cura do câncer: trata-se de um remédio (elixir) extraído da glândula pineal do urubu!!!!!!!!!!!!!
Mais tarde, eis que o Conde é visto dando uma conferência para desembargadores, juízes, advogados e estudantes no Tribunal de Justiça da Paraíba, com o importantíssimo assunto da ”influência da glândula pineal do urubu no desenvolvimento jurídico do ocidente”.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...
E ainda foi ovacionado de pé!!!!!!!!!! Até que um dia é descoberto e foge da Paraíba. Anos depois, foi visto dando entrevista no Programa do Jô Soares, na maior cara-de-pau, e ainda conseguiu passar a perna no apresenta-a-dor que acreditou em todas as besteiras que o Conde disse.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...

Eis como o Conde se apresentou no Programa do Xô:

Em 2000, uma figuraça apareceu na mídia nacional alegando, aos 99 anos, falar 33 idiomas e 72 dialetos. Omar Kayan dizia ter 107 títulos de doutor e três indicações ao Prêmio Nobel.
Ninguém no país tinha ouvido falar nesse detentor de tanta sapiência. Mesmo assim, o senhor com ares de profeta enganou todo mundo direitinho. Deu entrevistas para os grandes jornais e chegou a ocupar dois blocos do Programa do Jô Soares.
Khayam na verdade se chamava Alexandre Selva, tinha 62 anos, e não era doutor coisíssima nenhuma. Tratava-se de um charlatão que se fazia passar por gênio para dar palestras e faturar dinheiro. Um estelionatário de marca maior.
Pior, Selva alegava ter poderes paranormais e cobrava para, supostamente, curar pessoas com a força do pensamento.
A fama acabou derrubando Selva. O pilantra ficou tão conhecido Brasil afora que foi descoberto por pessoas que haviam sido prejudicadas por ele anos antes. Acuado, o 171 sumiu e parou, pelo menos temporariamente, de tentar enganar o povão. Pelo menos até o próximo golpe aparecer.

http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/velhinho-safado-dizia-ser-o-homem-mais-inteligente-do-mundo-20090928.html

O Conde foi o único entrevistado que teve uma segunda participação em TEMPO RECORD no programa (se não me engano, foi algo em torno de duas semanas), devido a unanimidade de pedidos de pessoas que ficaram impressionadas, inclusive de políticos influentes.
O pilantra ficou tão famoso que foi até capa da Revista Isto é! com o título: O oceano Omar!!! Confiram:
http://istoe.com.br/29839_O+OCEANO+OMAR/

Maiores detalhes:


   
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Offline Pedro Reis

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #20 Online: 30 de Dezembro de 2016, 03:03:07 »
A história do gordinho que enganou o Amaury Júnior é pau a pau com essa.

Conhece o gordinho, Alquimista?

Não foi só com o Amaury, esse gordinho tem mil histórias ( reais ) de cinema.

Offline Pedro Reis

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #21 Online: 30 de Dezembro de 2016, 03:06:09 »
O gordinho é um talento.


Offline Alquimista

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #22 Online: 30 de Dezembro de 2016, 03:10:50 »
Sou ESPECIALISTA na história do Marcelo. Já li o livro, assisti N vezes seu documentário (esse que você postou), tenho até o filme (que não ficou bom!), fora várias outras matérias e reportagens!!!!  Ele é sim um dos grande talentos na história dos golpes!!!!!   
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Offline Alquimista

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #23 Online: 30 de Dezembro de 2016, 03:15:30 »
Mas para mim O MAIOR, O GÊNIO, foi esse cara aqui, que conseguiu VENDER A TORRE EIFFEL (DUAS VEZES!!!!!!) e passou a perna no... AL CAPONE!!!!!

http://oaprendizverde.com.br/2013/02/02/victor-lustig-um-dos-maiores-vigaristas-do-seculo-20-2/ 
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Offline Alquimista

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Re:Golpistas altamente talentosos
« Resposta #24 Online: 30 de Dezembro de 2016, 03:18:10 »
''Yellow kid'' Weil também foi outro MESTRE!!!!!

Um site interessante: https://aguaeazeite.wordpress.com/tag/joseph-weil/
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