Autor Tópico: Quarto Caminho  (Lida 460 vezes)

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Offline Enio

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Quarto Caminho
« Online: 16 de Janeiro de 2017, 21:41:10 »
Eu achei um site interessante que fala sobre uma filosofia da qual estou começando a tomar conhecimento, mas que desde já achei interessante. É uma linha de pensamento que usa as religiões como base alegórica do desenvolvimento humano. Não é em si uma religião, mas trata certas religiões de uma maneira mais interessante, mais voltada ao desenvolvimento pessoal, e não como as religiões geralmente fazem, em nos escravizar nelas mesmas, em termos que nos submeter a alguém.

Chama-se Quarto Caminho. Eis o site:

http://beperiod.com/pt/

Acredito que as religiões possuem um lado positivo, porém apenas num sentido mais alegórico, não no teológico. Esse sentido alegórico é em achar elementos nelas que nos sejam realmente úteis ao desenvolvimento da nossa consciência. O que acham disso? Acham que isso é proveitoso, ou será mesmo que as religiões não têm nada a acrescentar ao desenvolvimento humano? A ciência desvenda o que há fora de nós mesmos. Mas e o que há dentro de nós mesmos, em relação à consciência em si, em relação ao seu aspecto mais sutil ou abstrato? Será que há algo nos conhecimentos milenares que serviriam como uma pista sobre a natureza mais íntima da consciência? Seria o quarto caminho um método realmente útil?

Offline Gigaview

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #1 Online: 16 de Janeiro de 2017, 22:38:02 »
Gurdjieff era picareta e levou Ouspensky no bico da mesma forma que Blavatsky confundiu Olcott. Precisa estudar mais Spencer, existem outros picaretas além de Kardec. O discurso é sempre o mesmo.

“The knives of jealousy are honed on details.”
― Ruth Rendell

Offline Enio

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #2 Online: 17 de Janeiro de 2017, 00:23:04 »
Então você acha que realmente não há nada de bom que possa ser abstraído das religiões, nem mesmo num sentido alegórico?

Offline Spencer

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #3 Online: 17 de Janeiro de 2017, 08:09:01 »
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Gurdjieff era picareta e levou Ouspensky no bico da mesma forma que Blavatsky confundiu Olcott. Precisa estudar mais Spencer, existem outros picaretas além de Kardec. O discurso é sempre o mesmo.
 
Por que será que Giga cita meu nome, se nem participei do tópico? :histeria: :histeria:

Offline Shadow

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #4 Online: 17 de Janeiro de 2017, 08:19:58 »
Gurdjieff era picareta e levou Ouspensky no bico da mesma forma que Blavatsky confundiu Olcott. Precisa estudar mais Spencer, existem outros picaretas além de Kardec. O discurso é sempre o mesmo.

http://brazil.skepdic.com/gurgjieff.html

"Todo o mal, todo o crime, todo o auto-sacrifício, todos os actos heróicos, bem como as acções da vida normal, são controlados pela lua."


"Who knows what evil lurks in the hearts of men? The Shadow knows..."

Offline Shadow

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #5 Online: 17 de Janeiro de 2017, 08:29:17 »
"Fritz Peters recalled an occasion on which a rich English lady approached Gurdjieff as he was sitting at a cafe table and offered him a cheque for £1,000 if he would tell her 'the secret of life'. Gurdjieff promptly summoned a well-known prostitute from her beat in front of the cafe, gave her a drink, and proceeded to tell her that he was a being from another planet called Karatas. He complained that it was very expensive to have the food he needed flown in from this planet, but urged the prostitute to taste some which he gave her. When asked what she made of it, she replied that he had given her cherries, and went on her way with the money Gurdjieff pressed upon her, obviously believing that he was mad. Gurdjieff turned to the English lady and said: 'That is the secret of life.' She appeared to be disgusted, called him a charlatan, and went off. However, she reappeared later on the same day, gave Gurdjieff the cheque for £1,000, and became a devoted follower."

  :rola:


https://books.google.com.br/books?id=QjetCc6ktOgC&lpg=PA154&ots=oJ8JvbXHG8&dq=Fritz%20Peters%20Gurdjieff%20prostitute&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false
"Who knows what evil lurks in the hearts of men? The Shadow knows..."

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #6 Online: 17 de Janeiro de 2017, 08:42:02 »
Então você acha que realmente não há nada de bom que possa ser abstraído das religiões, nem mesmo num sentido alegórico?

Eu penso que por mais que exista nas religiões, grandes ou pequenas, uma mensagem positiva, todo o conjunto da obra as deixa com um saldo extremamente negativo.

Tipo, por mais que a mensagem do Jesus histórico tenha sido indiscutivelmente positiva e realmente quem a segue é uma pessoa melhor do que uma pessoa que não a segue, não vale a pena se tornar um cristão somente porque eles falam que seguem as palavras de Jesus. Não é necessário se tornar católico, evangélico ou espírita para seguir o que Jesus pregava. Para se classificar como católico, evangélico ou espírita, além de seguir o que Jesus pregava você tem que seguir mais um monte de absurdos que, ao invés de promover um engrandecimento pessoal, faz justamente o contrário. Seja uma pessoa independente, flexível e exercite o espírito crítico.

Um humanista secular é mais seguidor de Jesus que os cristãos.

Pessoalmente eu abro uma excessão para o budismo tibetano, que apesar de ter um pouco de fanfarronice, no geral eu penso que o seguir causa um efeito positivo no ser humano. Melhor ainda é aproveitar o que tem de bom no budismo sem ter que se prender muito no "eu-sou-um-budista". Talvez a Falun Gong tenha méritos também.

Offline Gigaview

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #7 Online: 17 de Janeiro de 2017, 09:33:23 »
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Gurdjieff era picareta e levou Ouspensky no bico da mesma forma que Blavatsky confundiu Olcott. Precisa estudar mais Spencer, existem outros picaretas além de Kardec. O discurso é sempre o mesmo.
 
Por que será que Giga cita meu nome, se nem participei do tópico? :histeria: :histeria:

Para mim vocês são mesma pessoa, tanto faz. 
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― Ruth Rendell

Offline Enio

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #8 Online: 17 de Janeiro de 2017, 10:06:51 »
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Seja uma pessoa independente, flexível e exercite o espírito crítico.
Bem isso de fato já sou.

Sim, as religiões têm seus absurdos, mas na verdade estava me referindo mais aos ensinamentos destas assim como aos "mitos" presente nelas, e não em relação a dogmas absurdos criados por instituições, como a igreja católica.

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #9 Online: 17 de Janeiro de 2017, 10:18:26 »
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Seja uma pessoa independente, flexível e exercite o espírito crítico.
Bem isso de fato já sou.

Sim, as religiões têm seus absurdos, mas na verdade estava me referindo mais aos ensinamentos destas assim como aos "mitos" presente nelas, e não em relação a dogmas absurdos criados por instituições, como a igreja católica.

Eu não li o link e não conheço esse religião, mas é bem simples, é só você se inteirar sobre o que ela prega, avaliar o que presta e o que não presta, absorver o que for válido e descartar o que é besteira. Você não necessariamente tem que se juntar a ela, basta usar o que você acha que é valido dela na sua vida pessoal.

Aderir a uma religião faz a pessoa se engessar psicologicamente. É como o espírita, que junto com toda a bagagem moral que tem um valor positivo, aceita de forma não crítica a doutrina de reencarnação sem enxergar as falhas, fica radicalmente contra o aborto sem pensar se é algo racional, considera que doentes terminais, não importa o sofrimento, não podem ser eutanasiados independente de se eles acreditam ou não no espiritismo e, claro, porque não, saem comprando, a torto e a direito, livros bonitinhos que falam que o 11 de setembro foi um resgate coletivo de almas que queimavam cristãos no império romano.

Offline Enio

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #10 Online: 17 de Janeiro de 2017, 11:01:08 »
Eu li o artigo do skepdic e concordo que ele tinha umas idéias doidas, porém:

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A noção de que a maioria dos seres humanos que estão acordados agem como se dormissem. Gurdjieff tambem observou que a maioria das pessoas está morta por dentro. Penso que ele queria significar que as pessoas são sugestionáveis, crédulas, não reflectem ou suspeitam dos seus semelhantes, e precisam de um guru para dar às suas vidas vitalidade e sentido. Penso que Gurdjieff correctamente notou que a maioria das pessoas não são cépticas nem auto-motivadas, e são facilmente enganadas por gurus porque querem alguem que lhes mostre como levar uma vida mais cheia. Ele prontificou-se a mostrar aos seus seguidores o caminho para uma vida desperta, um estado de consciência e vitalidade que transcende a consciência ordinária.
Daí isso tenho que concordar com ele, a maior parte das pessoas vivem como se estivessem num estado de semiconsciência, são mais como meros reflexos da sociedade e não trabalham seus próprios potenciais e nem se conhecem direito, necessitando de especialistas em psicologia que as façam se conhecer melhor assim como recorrendo a adivinhos. Exceto em relação ao que ele acreditava sobre a lua. Vez ou outra um guru pode nos trazer uma nova forma de ver a vida, mas não ao ponto de ele se tornar a única verdade, daí sou contra. Não me ajoelho perante a santo ou guru algum.

Citar
Gurdjieff obviamente tinha uma poderosa personalidade, mas o seu desdém pelo mundano e pela ciência devia aumentar a sua atracção.
Acredito que este foi um erro dele. Se você não leva em consideração conhecimento empírico e acadêmico, pode acabar desenvolvendo ideias irrealistas. Pode-se até discordar de algum "conhecimento", mas desdenhar todos eles? Talvez a visão de realidade proposta pela ciência da época não estava de acordo com sua visão de realidade. Ou ele simplesmente queria criar algo inédito mesmo.

Quanto à religião, posso dizer que já fui inteiramente espírita, agora só parcialmente, quer dizer, eu ainda entendo certos pontos do espiritismo como razoáveis e aceitáveis (mesmo tendo refletido mais profundamente sobre eles por muito tempo), mas não significa que eu concorde com tudo o que é pregado no movimento, principalmente quando tratam Deus como se fosse uma entidade, ainda que o espiritismo afirme não ser. Digamos que mesmo me baseando no espiritismo, eu tenho a minha própria maneira de raciocinar e modelos pessoais construídos, tanto que desenvolvi o que chamo de Naturalismo Transcendente.

Outra coisa que ando discordando é esse religiosismo em torno de Jesus, como se ele fosse mais importante que o entendimento dos mecanismos do além. Acredito que o entendimento dos mecanismos do além (diga-se, da natureza) poderiam nos dar uma luz sobre como deveríamos nos comportar. É o que ando investigando. Porém ao invés de adotar para mim o darwinismo social (é-me mais prejudicial que favorecedor para a sociedade), prefiro algo num sentido mais espiritual. Não desenvolver este entendimento dos mecanismos do além e ater-se somente a um código moral é-me uma pedra no caminho para o desenvolvimento intelectual.

Significa que eu teria uma visão mais gnóstica da coisa, e menos religiosa propriamente dita.

Não acredito em obras bonitinhas, eu gosto mais daquelas polêmicas que tratam sobre tabus, inclusive religiosos. Gosto daquelas obras que nos fazem refletir mais sobre as coisas, sem engessar, seja materialismo ou religião. Gosto quando alguém trata de soluções que resolvam estes dualismos estabelecidos entre ciência e religião (eu mesmo faço isso). A minha própria participação aqui me fez repensar sobre certas coisas que ainda estavam mais engessadas em mim. O que acredito mesmo é que devemos ser como somos, e não como o que os outros querem que sejamos, que devemos descobrir nossos potenciais e usá-los a favor de si mesmo e da sociedade, e não em vivermos como robozinhos condicionados pela mídia ou tendências sociais, pensamento este defendido pelos libertários. Assim como superar estereótipos ao invés de estar de acordo com eles, não se limitar a nenhuma religião, cultura ou posição política.

Por exemplo, não ser de esquerda ou direita, mas ser algo que está fora deste esquema de controle social. Acredito que uma posição mais centrista seria a mais razoável, ao invés de uma posição mais extremista. Acredito que a solução para muitos problemas está em achar algo em comum entre conceitos opostos, ou que consiga explorar o melhor em ambos sem adotar características negativas de ambos extremos. Chamo isso de uma solução monista.

Superar e eliminar o sistema maquiavélico que está em ti mesmo. Faça isso e será menos manipulado, seja pelo próximo ou pelo sistema.

Digamos que esta seria a minha "religião libertista". Viu? Não estou mais engessado por religião estabelecida.
« Última modificação: 17 de Janeiro de 2017, 11:07:49 por Enio »

Offline Gigaview

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #11 Online: 17 de Janeiro de 2017, 11:22:21 »
Ele tinha idéias doidas e pseudocientíficas. O eneagrama é um bom exemplo.
“The knives of jealousy are honed on details.”
― Ruth Rendell

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #12 Online: 17 de Janeiro de 2017, 11:58:42 »
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Não desenvolver este entendimento dos mecanismos do além e ater-se somente a um código moral é-me uma pedra no caminho para o desenvolvimento intelectual.

Vamos assumir por um momento que o além exista.

Como que, hoje, com as ferramentas que dispomos, nós podemos desenvolver um entendimento dos mecanismos do além? Se o Além existe ele é algo natural, certo? Só que esse é um natural que nós não temos instrumentos para estudá-lo, algo como as ondas eletromagnéticas, que ninguém nem sequer cogitava a existência, então recentemente elas viraram uma abstração matemática e hoje todo mundo sabe que ondas eletromagnéticas são um fenômeno natural.

Tem alguma teoria que seja confiável a respeito do Álem?

O que tem é um sentimento que as pessoas tem de espiritualidade e trocentas pessoas diferentes que afirmam que conhecem o caminho correto que leva para o Álem. Se você analisar o que essas trocentas pessoas diferentes pregam você vai encontrar inúmeras falhas em cada uma dessas filosofias e vai encontrar inúmeras coisas que contradizem fatos que nós temos certeza absoluta que são reais.

Eu penso que o melhor é construir a própria filosofia de vida e enfatizar o crescimento pessoal em cima das bases mais sólidas possíveis. Não vejo com bons olhos usar como fundamento para o próprio viver a vida, algo que com um piscar de olhos pode ser descartado.


Offline Spencer

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #13 Online: 19 de Janeiro de 2017, 14:21:19 »
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Eu penso que o melhor é construir a própria filosofia de vida e enfatizar o crescimento pessoal em cima das bases mais sólidas possíveis. Não vejo com bons olhos usar como fundamento para o próprio viver a vida, algo que com um piscar de olhos pode ser descartado.
Olá Wowbagger;
Poderia discorrer um pouco mais sobre este seu pensamento?

Offline Enio

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Re:Quarto Caminho
« Resposta #14 Online: 19 de Janeiro de 2017, 17:34:07 »
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Eu penso que o melhor é construir a própria filosofia de vida e enfatizar o crescimento pessoal em cima das bases mais sólidas possíveis.
Concordo, e isso se chama livre pensamento. Ser uma ovelha adestrada é uma ideia que não me agrada.
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Não vejo com bons olhos usar como fundamento para o próprio viver a vida, algo que com um piscar de olhos pode ser descartado.
Concordo, mas esse fundamento tem que ser algo que tenha como base conhecimento verificável. As indagações seriam apenas um aprimoramento deste tal fundamento. Às vezes é preciso arriscar.

 

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