Autor Tópico: Etanol  (Lida 1077 vezes)

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Offline Shadow

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Re:Etanol
« Resposta #25 Online: 24 de Janeiro de 2017, 16:26:10 »

Pois é...todo mundo bateu palminhas quando da "luta" contra o "trabalho escravo" na lavoura da cana.... o resultado foi a mecanização.


A mecanização e a automação são o futuro da grande produção (e até da média e pequena). É um caminho sem volta.



E é bom que seja, porque cortar cana manualmente é um dos serviços mais brutais que existe.

E com esta alternativa aí da batata doce, que me parece mesmo bem interessante, fica melhor ainda.

Era um serviço bem remunerado, que garantia o sustento de muita gente, e que agora migrou para um dos serviços mais brutais que existe, abate de frango....
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Etanol
« Resposta #26 Online: 24 de Janeiro de 2017, 17:01:03 »

Quem tiver uma chácara, ou  sítio já pode pensar em produzir o seu próprio combustível. Ou se estiver próximo de uma região produtora de batata doce talvez até seja viável comprá-la e ter um micro usina em casa.   :D

Existem pequenas usinas para cana também. Qual a vantagem da produção do álcool de batata, em termos financeiros?

O fator mais crucial para analisar a viabilidade deve ser o retorno de energia por energia investida.

https://en.wikipedia.org/wiki/Energy_returned_on_energy_invested


Não adianta celebrar que pequenos produtores possam produzir melhor, se eles gastarem quase tanta energia ou mais do que rende no fim das coisas. É um tremendo risco de populismo de subsídios agrários inúteis.

Offline JJ

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Re:Etanol
« Resposta #27 Online: 24 de Janeiro de 2017, 17:14:52 »

Quem tiver uma chácara, ou  sítio já pode pensar em produzir o seu próprio combustível. Ou se estiver próximo de uma região produtora de batata doce talvez até seja viável comprá-la e ter um micro usina em casa.   :D

Existem pequenas usinas para cana também. Qual a vantagem da produção do álcool de batata, em termos financeiros?

O fator mais crucial para analisar a viabilidade deve ser o retorno de energia por energia investida.

https://en.wikipedia.org/wiki/Energy_returned_on_energy_invested


Não adianta celebrar que pequenos produtores possam produzir melhor, se eles gastarem quase tanta energia ou mais do que rende no fim das coisas. É um tremendo risco de populismo de subsídios agrários inúteis.


O negócio dá lucro, e além disso o custo de produção do etanol de batata doce  (com as variedades atualmente usadas) fica inferior ao do etanol de cana,  então deve passar nesse teste. 


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Etanol
« Resposta #28 Online: 24 de Janeiro de 2017, 19:21:13 »
Esquisito isso aqui:

Citar
... Desde 2003 Cabello desenvolve linhas de pesquisas sobre a produção de etanol a partir de amidos. “Inhame e batata doce têm boas possibilidades, mas nada se compara ao que é possível se fazer a partir da mandioca. Ela possui diferenciais extremamente positivos, como a possibilidade de cultivo em diferentes regiões”, disse

...

Segundo a pesquisa, para cada caloria de energia investida com a mandioca há um retorno de 1,67 calorias de energia em etanol. “São 67% de lucratividade energética com a mandioca, contra 9% da cana e 19% do milho”, argumentou. “Portanto a mandioca é, entre os três produtos, o que causa menor impacto no agroecossistema de cultivo”, conclui. O estudo desconsiderou a utilização do bagaço da cana como fonte de energia.

...

https://www.ecodebate.com.br/2009/03/02/especial-embrapa-pesquisa-a-utilizacao-da-mandioca-acucarada-na-producao-de-etanol/

Sempre achei que a cana desse de lavada no milho (que teria "prejuízo" em energia, ou muito pŕoximo disso), mas agora está perdendo? :hein:

Offline Shadow

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Re:Etanol
« Resposta #29 Online: 24 de Janeiro de 2017, 20:44:02 »
Esquisito isso aqui:

Citar
... Desde 2003 Cabello desenvolve linhas de pesquisas sobre a produção de etanol a partir de amidos. “Inhame e batata doce têm boas possibilidades, mas nada se compara ao que é possível se fazer a partir da mandioca. Ela possui diferenciais extremamente positivos, como a possibilidade de cultivo em diferentes regiões”, disse

...

Segundo a pesquisa, para cada caloria de energia investida com a mandioca há um retorno de 1,67 calorias de energia em etanol. “São 67% de lucratividade energética com a mandioca, contra 9% da cana e 19% do milho”, argumentou. “Portanto a mandioca é, entre os três produtos, o que causa menor impacto no agroecossistema de cultivo”, conclui. O estudo desconsiderou a utilização do bagaço da cana como fonte de energia.

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https://www.ecodebate.com.br/2009/03/02/especial-embrapa-pesquisa-a-utilizacao-da-mandioca-acucarada-na-producao-de-etanol/

Sempre achei que a cana desse de lavada no milho (que teria "prejuízo" em energia, ou muito pŕoximo disso), mas agora está perdendo? :hein:

O que eu conheço é um monte de gente, literalmente, sentados na mandioca porque essa coisa não tem preço. Não compensa nem tirar da terra.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Etanol
« Resposta #30 Online: 24 de Janeiro de 2017, 21:29:18 »
Nem toda mandioca é comestível.


(Talvez estejam "inflando" o custo da cana considerando sua produção onde é inviável)

Offline JJ

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Re:Etanol
« Resposta #31 Online: 25 de Janeiro de 2017, 08:43:36 »
Nem toda mandioca é comestível.

(Talvez estejam "inflando" o custo da cana considerando sua produção onde é inviável)


E também tem locais em que não é permitido plantá-la (grande parte do Mato Grosso e Amazônia).  Nestes lugares pode-se plantar batata doce, e experiências já mostram boa produção com as variedades criadas pelos pesquisadores.




[...]
O principal estado agrícola do país está legalmente impedido de produzir etanol de cana. Pelo menos na maior parte do seu território. Apenas em uma pequena faixa territorial do Mato Grosso o cultivo de cana-de-açúcar é permitido. A limitação foi imposta pelo ZAECANA (Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar), que vetou a cultura nas áreas pertencentes a Bacia do Alto Paraguai e aos biomas Amazônico e Pantanal. Tirando as reservas indígenas e áreas de conservação, restam menos de 10% do território mato-grossense onde o plantio de cana é permitido. Por acaso, a maioria são áreas não aráveis, de relevo acidentado, utilizadas para pecuária. Ou seja, o case mais bem sucedido do mundo para a produção de biocombustível não pode ser desenvolvido no maior estado produtor do Brasil. O contrassenso fechou uma porta, mas abriu outra.
[...]


http://www.gcnoticias.com.br/economia/usina-de-sorriso-vai-produzir-etanol-de-batata-doce/29776888

« Última modificação: 25 de Janeiro de 2017, 08:58:03 por JJ »

Offline JJ

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Re:Etanol
« Resposta #32 Online: 25 de Janeiro de 2017, 08:46:11 »
Esquisito isso aqui:

Citar
... Desde 2003 Cabello desenvolve linhas de pesquisas sobre a produção de etanol a partir de amidos. “Inhame e batata doce têm boas possibilidades, mas nada se compara ao que é possível se fazer a partir da mandioca. Ela possui diferenciais extremamente positivos, como a possibilidade de cultivo em diferentes regiões”, disse

...

Segundo a pesquisa, para cada caloria de energia investida com a mandioca há um retorno de 1,67 calorias de energia em etanol. “São 67% de lucratividade energética com a mandioca, contra 9% da cana e 19% do milho”, argumentou. “Portanto a mandioca é, entre os três produtos, o que causa menor impacto no agroecossistema de cultivo”, conclui. O estudo desconsiderou a utilização do bagaço da cana como fonte de energia.

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https://www.ecodebate.com.br/2009/03/02/especial-embrapa-pesquisa-a-utilizacao-da-mandioca-acucarada-na-producao-de-etanol/

Sempre achei que a cana desse de lavada no milho (que teria "prejuízo" em energia, ou muito pŕoximo disso), mas agora está perdendo? :hein:


No Brasil o que determina a viabilidade do uso do milho para obter etanol é  o preço da saca de milho,  abaixo de certo preço compensa, acima de certo preço não compensa.



[...]
Operando com milho, o custo do litro de etanol produzido é de R$ 1,25, considerando o preço médio do grão a R$ 20,00 a saca. O problema é que o preço do milho já não é esse na região. Com a saca cotada a R$ 35,00, o custo do litro produzido é de R$ 1,75.

O valor de venda de etanol, da usina para distribuidora, em janeiro de 2016, era de R$ 2,20. Embora na conta o milho ainda seja opção uma rentável, o negócio se torna melhor com a batata-doce.
[...]


http://www.gcnoticias.com.br/economia/usina-de-sorriso-vai-produzir-etanol-de-batata-doce/29776888


« Última modificação: 25 de Janeiro de 2017, 08:55:05 por JJ »

Offline JJ

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Re:Etanol
« Resposta #33 Online: 25 de Janeiro de 2017, 08:57:21 »


Usina de Sorriso vai produzir etanol de batata-doce

GC Notícias | 14/07/2016 09:53
 

Alternativa ecologicamente correta tem o propósito social de beneficiar a agricultura familiar


O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos), e o maior exportador. Aproximadamente 25% de todo o álcool combustível produzido no mundo sai das usinas brasileiras. O país é considerado o mais eficiente na produção de combustíveis renováveis, graças ao potencial do etanol obtido através da cana-de-açúcar. O método BR é duas vezes mais efetivo, em volume de produção por hectare, que o do líder mundial na produção do combustível. As usinas de etanol de milho, dos Estados Unidos, geram entre 3 a 4 mil litros de álcool por hectare plantado. As do Brasil entre 7 e 8 mil litros por hectare de cana.


Some a viabilidade técnica do método brasileiro à legislação que obriga o aditivo de até 25% de álcool na gasolina e ao sucesso da indústria automobilística nacional com os carros flex. Tudo isso faz do etanol uma potência do agronegócio brasileiro, com amplo mercado e boa rentabilidade. Mas não é para todos.


O principal estado agrícola do país está legalmente impedido de produzir etanol de cana. Pelo menos na maior parte do seu território. Apenas em uma pequena faixa territorial do Mato Grosso o cultivo de cana-de-açúcar é permitido. A limitação foi imposta pelo ZAECANA (Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar), que vetou a cultura nas áreas pertencentes a Bacia do Alto Paraguai e aos biomas Amazônico e Pantanal. Tirando as reservas indígenas e áreas de conservação, restam menos de 10% do território mato-grossense onde o plantio de cana é permitido. Por acaso, a maioria são áreas não aráveis, de relevo acidentado, utilizadas para pecuária. Ou seja, o case mais bem sucedido do mundo para a produção de biocombustível não pode ser desenvolvido no maior estado produtor do Brasil. O contrassenso fechou uma porta, mas abriu outra.


Foi justamente a aparente inviabilidade de produzir álcool combustível em Mato Grosso que levou o empresário Aldo Silva a instalar uma usina na cidade de Sorriso. Veterano da Marinha, Aldo pesquisa há 13 anos o mercado de biocombustíveis com o objetivo de entrar nesse ramo. Sua primeira usina foi instalada no Norte de Mato Grosso, local considerado pelo investidor o mais viável. “A principal razão de escolher pela cidade de Sorriso foi a logística. Aqui o etanol é caro e o milho barato”, ressalta Aldo.


A planta industrial está localizada na região conhecida como Barreiro, às margens da BR-163. São 2 mil metros de área construída. A usina é do tipo “flex”, podendo ser ajustada para produzir biodiesel ou álcool. A capacidade nominal é para 100 mil litros de biodiesel ou 50 mil litros de etanol hidratado por dia.


A planta iniciou a operação em caráter experimental no mês de maio, com uma capacidade para 8 mil litros de etanol de por dia. O começo das operações foi com o milho, cereal abundante no município. Mas o objetivo de Aldo é fazer a usina rodar com batata-doce, o que torna o projeto ainda mais interessante.


Conforme o empresário, operando com milho, a usina produzir 400 litros de etanol por tonelada do grão. Em termos de conversão, o cereal é bem mais rentável que batata-doce, que gera 160 litros de álcool por tonelada. A vantagem está no custo da produção.

Operando com milho, o custo do litro de etanol produzido é de R$ 1,25, considerando o preço médio do grão a R$ 20,00 a saca. O problema é que o preço do milho já não é esse na região. Com a saca cotada a R$ 35,00, o custo do litro produzido é de R$ 1,75.


O valor de venda de etanol, da usina para distribuidora, em janeiro de 2016, era de R$ 2,20. Embora na conta o milho ainda seja opção uma rentável, o negócio se torna melhor com a batata-doce.


Rodando com milho, o principal custo da usina é justamente a matéria prima, e o segundo o vapor (cavaco), que corresponde a 15% do que é gasto com o grão. Com batata-doce, o custo de produção sobe, devido aos produtos químicos e enzimas que farão a quebra do amido. Mas a despesa com matéria prima cai em 60%.

Um litro de etanol obtido através da batata-doce custa para a usina R$ 1,07, ou seja, 39% a menos que o mesmo produto extraído do milho. Outra vantagem para Aldo é que na atual configuração sua usina consegue produzir 12 mil litros de álcool por dia utilizando batata-doce. No milho essa quantidade cai para 8 mil litros dia.


Em uma conta simples, operando ao longo de 20 dias, a usina de etanol do empresário gera um lucro de R$ 72 mil utilizando o milho como matéria prima. Se a produção for com batata-doce, o lucro salta para R$ 270 mil – quase 4 vezes mais.


Para conseguir manter a usina apenas com batata-doce é preciso primeiro desenvolver essa cadeia produtiva. Embora pareça, em uma primeira análise, que isso é interessante apenas para o dono da indústria, motivar essa nova cultura pode ser uma grande oportunidade para a agricultura familiar, que na região é economicamente achatada com a concorrência das commodities. Segundo Aldo, plantar batata-doce não é bom apenas para a indústria.



A raiz utilizada para a produção de álcool é chamada de BDI (Batata-Doce Industrial). Diferente da variedade que ocupa as gôndolas de supermercado, a BDI é rústica, disforme e com um tamanho desproporcional – a maioria não caberia em uma panela. A batata-doce Industrial não aparência, mas tem conteúdo. Conforme Aldo, a variedade tem alto teor de amido, o que é fundamental para a extração de álcool, além de ser bem mais produtiva que a convencional.


Em campos experimentais implantados em Mato Grosso, simulando as condições da agricultura familiar, a BDI teve uma produtividade média de 60 toneladas por hectare. Ela possui um ciclo de produção que oscila entre 4 e 5 meses, o que permitiria duas safras no ano. Além disso, é possível adiar a colheita em até um ano, sendo que após colhida a raiz agüenta até 2 meses. No modelo de produção da agricultura familiar ainda é possível utilizar as ramas para alimentação do gado leiteiro.

As BDI’s foram desenvolvidas pela Embrapa e pela Universidade Federal de Tocantins. Já existem várias cultivares no Estado e a própria usina de Aldo implantou um campo para a multiplicação, afim de fornecer ramas para quem quiser ingressar na atividade. O custo médio para o plantio da BDI é de R$ 1.650 por hectare. Existem implementos para mecanizar todo o processo, do plantio à colheita.

Aldo fez uma simulação da atividade na agricultura familiar, tomando como base um módulo de 300 hectares, espaço de terra de alguns assentamentos da reforma agrária. Na conta do empresário ele elevou o custo por hectare para R$ 2.950,00, incluindo o custo do arrendamento da terra, e considerou a produtividade média em 65 toneladas por hectare. O preço de venda da produção, nessa simulação, foi de R$ 80,00 a tonelada na lavoura, mas é possível chegar até R$ 104,00 a tonelada. Nessa conta, o lucro da safra foi de R$ 675 mil – uma média de R$ 2,2 mil por hectare.   


Aldo considera a batata-doce uma grande oportunidade para o desenvolvimento da agricultura familiar do Estado, algo que para acontecer depende da existência de usinas nesse perfil para absorver a produção. Seu empreendimento está instalado muito próximo a um projeto de assentamento da reforma agrária. Desenvolver a cadeia da batata-doce nessa área significaria viabilizar tanto a indústria como o assentamento. “As usinas que produzem álcool a partir da batata-doce levam o selo de ‘Etanol social’, justamente por absorverem a produção da agricultura familiar e fomentar a atividade rural das pequenas propriedades”, ressalta.


Mato Grosso possui 764 assentamentos da reforma agrária. A maioria está longe de atingir o seu propósito final, que é gerar qualidade de vida e viabilidade econômica ao pequeno produtor, fixando o homem no campo e abastecendo a cidade.

 

Etanol doce

Esse tipo de usina de etanol implantada por Aldo, seja operando com milho ou batata-doce, não gera resíduos nocivos ao meio ambiente. As usinas convencionais de etanol (cana-de-açúcar), geram como sobra da produção o “vinhoto”, e por isso são proibidas na Amazônia pelo ZAECANA.


O que sobra do processo de extração do álcool nesse tipo de planta industrial é um subproduto, rico em proteína, ideal para alimentação animal (suinocultura, bovinocultura, avicultura e até piscicultura). Conforme Aldo, cada tonelada de batata-doce gera 160 litros de etanol e 150kg de massa protéica, basicamente ração animal, com uma concentração de 28,5% de proteína. Caso a matéria prima seja o milho, a sobra é de 480 km de massa protéica por tonelada, sendo com uma concentração menor, de 12%. Ou seja, a batata-doce produz menos em volume, mas o subproduto no fim é mais vantajoso que o milho devido ao preço.


Agregando os ganhos com a venda do etanol e da massa protéica, Aldo estima que uma usina que produza 10 mil litros por dia, tenha um lucro médio de R$ 393 mil por mês operando com batata-doce. Processando o mesmo volume, 10 mil litros, com milho, o lucro médio cai para R$ 171 mil por mês – considerando o milho a R$ 35,00 a saca.

E quanto custa uma usina dessas? Segundo Aldo, os preços das usinas de etanol são como um Fiat Uno e uma Mercedes. “Os dois te levam ao mesmo lugar. Um custa R$ 30 mil outro custa R$ 300 mil. O valor de uma usina depende muito do padrão que o investidor quer, mas existem empresas sérias e com preços dentro da realidade. Eu não vendo usina, mas conheço das melhores às piores”, brinca Aldo.


Conforme o empresário, para implantar uma usina com capacidade de 10 mil litros de etanol dia, similar a sua, o investimento varia de R$ 3 milhões a R$ 10 milhões. Considerando o “meio da tabela”, R$ 6,5 milhões, com o lucro da produção simulado acima, o investimento se pagaria em um intervalo de 17 meses operando com batata-doce e em 38 meses com milho – tomando como base os valores do álcool no mercado, da matéria-prima e do custo de produção listados na reportagem.


Na conta e na ideia a Usina de Etanol Social é um negócio sedutor. Aldo já está rodando a sua.


Fonte: Jamerson Miléski


http://www.gcnoticias.com.br/economia/usina-de-sorriso-vai-produzir-etanol-de-batata-doce/29776888


Offline Fabrício

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Re:Etanol
« Resposta #34 Online: 25 de Janeiro de 2017, 13:50:12 »

Pois é...todo mundo bateu palminhas quando da "luta" contra o "trabalho escravo" na lavoura da cana.... o resultado foi a mecanização.


A mecanização e a automação são o futuro da grande produção (e até da média e pequena). É um caminho sem volta.



E é bom que seja, porque cortar cana manualmente é um dos serviços mais brutais que existe.

E com esta alternativa aí da batata doce, que me parece mesmo bem interessante, fica melhor ainda.

Era um serviço bem remunerado, que garantia o sustento de muita gente, e que agora migrou para um dos serviços mais brutais que existe, abate de frango....

Se você está dizendo "bem remunerado" considerando a média salarial das zonas rurais, ou mesmo de empregos urbanos de baixa qualificação, concordo. Mas é um trabalho extremamente extenuante e insalubre. E sustento por sustento, até a escravidão garante  :hihi:.

E abate de frango nem de longe é tão brutal quanto corte de cana (a não ser para o frango, claro  :hihi:)
"Deus prefere os ateus"

Offline Shadow

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Re:Etanol
« Resposta #35 Online: 25 de Janeiro de 2017, 14:11:12 »

Pois é...todo mundo bateu palminhas quando da "luta" contra o "trabalho escravo" na lavoura da cana.... o resultado foi a mecanização.


A mecanização e a automação são o futuro da grande produção (e até da média e pequena). É um caminho sem volta.



E é bom que seja, porque cortar cana manualmente é um dos serviços mais brutais que existe.

E com esta alternativa aí da batata doce, que me parece mesmo bem interessante, fica melhor ainda.

Era um serviço bem remunerado, que garantia o sustento de muita gente, e que agora migrou para um dos serviços mais brutais que existe, abate de frango....

Se você está dizendo "bem remunerado" considerando a média salarial das zonas rurais, ou mesmo de empregos urbanos de baixa qualificação, concordo. Mas é um trabalho extremamente extenuante e insalubre. E sustento por sustento, até a escravidão garante  :hihi:.

E abate de frango nem de longe é tão brutal quanto corte de cana (a não ser para o frango, claro  :hihi:)

Bem remunerado considerando ser usualmente superior à remuneração nas pequenas cidades.

A remuneração no abate é, no frigir dos ovos, a mesma da cana. Algumas vezes até menor. E é um trabalho miserável.

Veja um exemplo:

http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/45-noticias-prt-curitiba/729-unidade-da-jbs-registra-mais-de-2-500-jornadas-acima-do-limite-legal-por-mes

Pesquisa revela más condições de trabalho

Uma pesquisa coordenada pelo Ministério Público do TrabaLho no Paraná realizada com 396 trabalhador0es durante a força-tarefa revelou que 48,5% sentem frio constantemente na realização de suas tarefas, e outros 24,6% dizem sentir frio às vezes. Em geral, o frio é mais comum nas mãos (18,9%) e nos pés (22,5%). 62,1% dizem considerar as roupas fornecidas inadequadas. 35,9% se dizem cansados ao final do dia de trabalho, outros 21,7% se dizem muito cansados e 17,9% exaustos. 28% dos trabalhadores entrevistados disseram que o desconforto durante a realização do trabalho é constante e 49% afirmaram ter tomado remédios, aplicado emplastos e compressas para conseguir trabalhar. 15,7% avaliam o atendimento médico da empresa como muito muito ruim e 17,4% como ruim. 46,9% dos funcionários têm menos de um ano de serviço


http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/50-noticias-ptm-londrina/730-jbs-recebe-75-autos-de-infracao-da-operacao-grande-escolha-producao-total-cai-em-media-40-na-unidade-de-rolandia

JBS recebe 75 autos de infração da operação "Grande Escolha"; produção total cai em média 40% na unidade de Rolândia

A unidade de abate de frangos da JBS no município de Rolândia (PR), Big Frango, segue parcialmente interditada após a ação da força-tarefa "Grande Escolha", iniciada na terça-feira, dia 12 de maio. Composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União, a operação tem como objetivo fiscalizar e regularizar as condições de trabalho e fiscais da empresa. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia. A equipe da força-tarefa fica em Rolândia até hoje (15), mas auditores fiscais e procuradores do trabalho da região continuarão monitorando a fábrica.

No dia 13, 51 máquinas foram interditadas. Até o final da tarde de ontem, apenas 12 delas foram regularizadas pela empresa e desinterditadas. Hoje (15) pela manhã uma nova vistoria será feita em outras máquinas. A produção da fábrica caiu 43% na quarta-feira (13) em relação ao mesmo dia da semana anterior. Já ontem (14) a produção total registrou queda de 38% em relação ao mesmo dia da semana anterior. O setor de expedição segue operando com apenas metade de sua capacidade.

Na manhã de hoje, o Ministério do Trabalho entregou à empresa 75 autos de infração. Além disso, Ministério Público do Trabalho, Advocacia Geral da União, INSS e Receita Federal podem propor termos de ajustamentos de conduta (TACs) ou entrar com ações nas próximas semanas para obter judicialmente indenizações pelas irregularidades encontradas.
Força-tarefa “Grande Escolha” interdita unidade da JBS no Paraná

Uma força-tarefa composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União interditou ontem (13), no final da tarde, a Big Frangos, unidade de abate de frangos da JBS em Rolândia. O frigorífico abate diariamente em torno de 400 mil frangos e emprega aproximadamente 4 mil trabalhadores. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia.

Os auditores fiscais do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram irregularidades graves em 45 máquinas que foram interditadas por apresentarem riscos à saúde e segurança do trabalhador, sendo quatro das interdições relacionadas à ergonomia. A produção da fábrica foi parcialmente interrompida em razão das interdições ocorridas nas máquinas e equipamentos. Na força-tarefa, constatou-se que alguns dos trabalhadores chegavam a fazer movimentação manual de cargas acima de 30 toneladas.

Além da inspeção, nessa terça-feira (12) também foi realizada uma pesquisa com quase 400 trabalhadores. Nos últimos 12 meses, mais da metade (52,9%) dos entrevistados assumiram ter tomado remédio ou aplicado emplastos ou compressas para poder trabalhar. Apenas 15,6% disseram não sentir qualquer tipo de desconforto durante o trabalho, como dor, formigamento ou perda de força, enquanto 38% disseram sentir dor forte na realização de suas atividades. 49,6% dos trabalhadores relataram sentir frio durante a realização de suas atividades e 25,8% disseram sentir frio às vezes. Ao final de um dia de trabalho, 17,3% se disseram exaustos, 23% muito cansados e 35,1% cansados, ou seja, 75,4% dos trabalhadores ficam entre cansados e exaustos ao final da jornada diária.

As condições de trabalho são ainda mais preocupantes considerando-se as estatísticas de acidentes de trabalho do setor. Segundo dados do INSS, o abate de suínos, aves e outros pequenos animais é a segunda atividade econômica que mais registra acidentes de trabalho no sul do Brasil e no Paraná, perdendo apenas para a atividade de atendimento hospitalar. O sul foi responsável, em 2013, por 6.314 dos 10.386 acidentes do setor no Brasil, o correspondente a 60,8%. No mesmo período, o Paraná registrou 3.498 acidentes.

Atuação interdisciplinar

Considerada a maior força-tarefa do setor já realizada no Brasil, a “Grande Escolha” foi a primeira a congregar esforços do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, INSS e Advocacia Geral da União. As duas últimas atuarão em conjunto em ações regressivas para reaver valores gastos pela União com afastamentos de trabalhadores em casos em que se comprovem responsabilidade da empresa. O Decreto nº 3.048/99 prevê que “nos casos de negligência quanto às normas padrão de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a previdência social proporá ação regressiva contra os responsáveis”.Cerca de 2 mil prontuários médicos estão sendo analisados para se verificar como a empresa tratava os afastamentos e demissões. O menor número de registro de acidentes de trabalho faz com que a empresa pague valores menores ao INSS, o que pode levá-la a maquiar os laudos médicos. A Receita Federal avaliará se riscos ambientais estão sendo negligenciados para fins de sonegação tributária.

Serviço de Inteligência do MPT subsidia atuação

A operação foi realizada com o uso de relatórios de inteligência produzidos pela Coordenadoria de Análise e Pesquisa de Informações do Ministério Público do Trabalho (Capi/MPT). As informações foram obtidas por meio do cruzamentos de diferentes bases de dados com foco no panorama de adoecimentos do empregador nos últimos anos.

Criada no segundo semestre de 2014 e orientada por métodos de inteligência computacional, a nova Coordenadoria do MPT tem a função de organizar, classificar, cruzar e analisar dados de bancos de dados públicos e privados para produzir relatórios de inteligência. “Os dados, nas respostas às requisições dos procuradores, em geral chegam ao MPT sem nenhum tratamento ou cruzamento, já que em suas diferentes origens são acessados de forma bruta, muito pouco inteligível. Com a atividade de pesquisa e análise, pode-se produzir, a partir desses dados brutos, informações estratégicas de inteligência”, explica o Coordenador da Capi, o procurador do trabalho Luis Fabiano de Assis. “As informações produzidas podem orientar não apenas a atuação do MPT, mas também a ação de órgãos como a Advocacia Geral da União, o Ministério da Previdência, o Instituto Nacional do Seguro Social e o Ministério do Trabalho e Emprego”, acrescenta.

Por meio dos relatórios foi possível observar que, em 2014, os cerca de 4 mil trabalhadores da Big Frango foram submetidos a 2.033 consultas ocupacionais, ou seja, consultas médicas por causas relacionadas ao trabalho, e buscaram 70.279 atendimentos de enfermagem, uma média de 225 por dia - ou seja, em média 6% dos trabalhadores buscaram atendimento de enfermagem a cada dia. Em 2014, os afastamentos por CIDs relacionados a doenças osteomusculares ou traumas somaram mais de 6 mil dias. No mesmo período a empresa registrou 60 afastamentos com CATs (Comunicação de Acidente de Trabalho), uma média de um afastamento a cada semana trabalhada.

Em contraposição à situação dos trabalhadores, a JBS registrou no primeiro trimestre de 2015, segundo o jornal Valor Econômico, um lucro líquido de R$1,393 bilhões, valor 20 vezes maior que o lucro do mesmo período do ano passado.
"Who knows what evil lurks in the hearts of men? The Shadow knows..."

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Re:Etanol
« Resposta #36 Online: 27 de Janeiro de 2017, 13:30:35 »

Pois é...todo mundo bateu palminhas quando da "luta" contra o "trabalho escravo" na lavoura da cana.... o resultado foi a mecanização.


A mecanização e a automação são o futuro da grande produção (e até da média e pequena). É um caminho sem volta.



E é bom que seja, porque cortar cana manualmente é um dos serviços mais brutais que existe.

E com esta alternativa aí da batata doce, que me parece mesmo bem interessante, fica melhor ainda.

Era um serviço bem remunerado, que garantia o sustento de muita gente, e que agora migrou para um dos serviços mais brutais que existe, abate de frango....

Se você está dizendo "bem remunerado" considerando a média salarial das zonas rurais, ou mesmo de empregos urbanos de baixa qualificação, concordo. Mas é um trabalho extremamente extenuante e insalubre. E sustento por sustento, até a escravidão garante  :hihi:.

E abate de frango nem de longe é tão brutal quanto corte de cana (a não ser para o frango, claro  :hihi:)

Bem remunerado considerando ser usualmente superior à remuneração nas pequenas cidades.

A remuneração no abate é, no frigir dos ovos, a mesma da cana. Algumas vezes até menor. E é um trabalho miserável.

Veja um exemplo:

http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/45-noticias-prt-curitiba/729-unidade-da-jbs-registra-mais-de-2-500-jornadas-acima-do-limite-legal-por-mes

Pesquisa revela más condições de trabalho

Uma pesquisa coordenada pelo Ministério Público do TrabaLho no Paraná realizada com 396 trabalhador0es durante a força-tarefa revelou que 48,5% sentem frio constantemente na realização de suas tarefas, e outros 24,6% dizem sentir frio às vezes. Em geral, o frio é mais comum nas mãos (18,9%) e nos pés (22,5%). 62,1% dizem considerar as roupas fornecidas inadequadas. 35,9% se dizem cansados ao final do dia de trabalho, outros 21,7% se dizem muito cansados e 17,9% exaustos. 28% dos trabalhadores entrevistados disseram que o desconforto durante a realização do trabalho é constante e 49% afirmaram ter tomado remédios, aplicado emplastos e compressas para conseguir trabalhar. 15,7% avaliam o atendimento médico da empresa como muito muito ruim e 17,4% como ruim. 46,9% dos funcionários têm menos de um ano de serviço


http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/50-noticias-ptm-londrina/730-jbs-recebe-75-autos-de-infracao-da-operacao-grande-escolha-producao-total-cai-em-media-40-na-unidade-de-rolandia

JBS recebe 75 autos de infração da operação "Grande Escolha"; produção total cai em média 40% na unidade de Rolândia

A unidade de abate de frangos da JBS no município de Rolândia (PR), Big Frango, segue parcialmente interditada após a ação da força-tarefa "Grande Escolha", iniciada na terça-feira, dia 12 de maio. Composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União, a operação tem como objetivo fiscalizar e regularizar as condições de trabalho e fiscais da empresa. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia. A equipe da força-tarefa fica em Rolândia até hoje (15), mas auditores fiscais e procuradores do trabalho da região continuarão monitorando a fábrica.

No dia 13, 51 máquinas foram interditadas. Até o final da tarde de ontem, apenas 12 delas foram regularizadas pela empresa e desinterditadas. Hoje (15) pela manhã uma nova vistoria será feita em outras máquinas. A produção da fábrica caiu 43% na quarta-feira (13) em relação ao mesmo dia da semana anterior. Já ontem (14) a produção total registrou queda de 38% em relação ao mesmo dia da semana anterior. O setor de expedição segue operando com apenas metade de sua capacidade.

Na manhã de hoje, o Ministério do Trabalho entregou à empresa 75 autos de infração. Além disso, Ministério Público do Trabalho, Advocacia Geral da União, INSS e Receita Federal podem propor termos de ajustamentos de conduta (TACs) ou entrar com ações nas próximas semanas para obter judicialmente indenizações pelas irregularidades encontradas.
Força-tarefa “Grande Escolha” interdita unidade da JBS no Paraná

Uma força-tarefa composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União interditou ontem (13), no final da tarde, a Big Frangos, unidade de abate de frangos da JBS em Rolândia. O frigorífico abate diariamente em torno de 400 mil frangos e emprega aproximadamente 4 mil trabalhadores. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia.

Os auditores fiscais do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram irregularidades graves em 45 máquinas que foram interditadas por apresentarem riscos à saúde e segurança do trabalhador, sendo quatro das interdições relacionadas à ergonomia. A produção da fábrica foi parcialmente interrompida em razão das interdições ocorridas nas máquinas e equipamentos. Na força-tarefa, constatou-se que alguns dos trabalhadores chegavam a fazer movimentação manual de cargas acima de 30 toneladas.

Além da inspeção, nessa terça-feira (12) também foi realizada uma pesquisa com quase 400 trabalhadores. Nos últimos 12 meses, mais da metade (52,9%) dos entrevistados assumiram ter tomado remédio ou aplicado emplastos ou compressas para poder trabalhar. Apenas 15,6% disseram não sentir qualquer tipo de desconforto durante o trabalho, como dor, formigamento ou perda de força, enquanto 38% disseram sentir dor forte na realização de suas atividades. 49,6% dos trabalhadores relataram sentir frio durante a realização de suas atividades e 25,8% disseram sentir frio às vezes. Ao final de um dia de trabalho, 17,3% se disseram exaustos, 23% muito cansados e 35,1% cansados, ou seja, 75,4% dos trabalhadores ficam entre cansados e exaustos ao final da jornada diária.

As condições de trabalho são ainda mais preocupantes considerando-se as estatísticas de acidentes de trabalho do setor. Segundo dados do INSS, o abate de suínos, aves e outros pequenos animais é a segunda atividade econômica que mais registra acidentes de trabalho no sul do Brasil e no Paraná, perdendo apenas para a atividade de atendimento hospitalar. O sul foi responsável, em 2013, por 6.314 dos 10.386 acidentes do setor no Brasil, o correspondente a 60,8%. No mesmo período, o Paraná registrou 3.498 acidentes.

Atuação interdisciplinar

Considerada a maior força-tarefa do setor já realizada no Brasil, a “Grande Escolha” foi a primeira a congregar esforços do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, INSS e Advocacia Geral da União. As duas últimas atuarão em conjunto em ações regressivas para reaver valores gastos pela União com afastamentos de trabalhadores em casos em que se comprovem responsabilidade da empresa. O Decreto nº 3.048/99 prevê que “nos casos de negligência quanto às normas padrão de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a previdência social proporá ação regressiva contra os responsáveis”.Cerca de 2 mil prontuários médicos estão sendo analisados para se verificar como a empresa tratava os afastamentos e demissões. O menor número de registro de acidentes de trabalho faz com que a empresa pague valores menores ao INSS, o que pode levá-la a maquiar os laudos médicos. A Receita Federal avaliará se riscos ambientais estão sendo negligenciados para fins de sonegação tributária.

Serviço de Inteligência do MPT subsidia atuação

A operação foi realizada com o uso de relatórios de inteligência produzidos pela Coordenadoria de Análise e Pesquisa de Informações do Ministério Público do Trabalho (Capi/MPT). As informações foram obtidas por meio do cruzamentos de diferentes bases de dados com foco no panorama de adoecimentos do empregador nos últimos anos.

Criada no segundo semestre de 2014 e orientada por métodos de inteligência computacional, a nova Coordenadoria do MPT tem a função de organizar, classificar, cruzar e analisar dados de bancos de dados públicos e privados para produzir relatórios de inteligência. “Os dados, nas respostas às requisições dos procuradores, em geral chegam ao MPT sem nenhum tratamento ou cruzamento, já que em suas diferentes origens são acessados de forma bruta, muito pouco inteligível. Com a atividade de pesquisa e análise, pode-se produzir, a partir desses dados brutos, informações estratégicas de inteligência”, explica o Coordenador da Capi, o procurador do trabalho Luis Fabiano de Assis. “As informações produzidas podem orientar não apenas a atuação do MPT, mas também a ação de órgãos como a Advocacia Geral da União, o Ministério da Previdência, o Instituto Nacional do Seguro Social e o Ministério do Trabalho e Emprego”, acrescenta.

Por meio dos relatórios foi possível observar que, em 2014, os cerca de 4 mil trabalhadores da Big Frango foram submetidos a 2.033 consultas ocupacionais, ou seja, consultas médicas por causas relacionadas ao trabalho, e buscaram 70.279 atendimentos de enfermagem, uma média de 225 por dia - ou seja, em média 6% dos trabalhadores buscaram atendimento de enfermagem a cada dia. Em 2014, os afastamentos por CIDs relacionados a doenças osteomusculares ou traumas somaram mais de 6 mil dias. No mesmo período a empresa registrou 60 afastamentos com CATs (Comunicação de Acidente de Trabalho), uma média de um afastamento a cada semana trabalhada.

Em contraposição à situação dos trabalhadores, a JBS registrou no primeiro trimestre de 2015, segundo o jornal Valor Econômico, um lucro líquido de R$1,393 bilhões, valor 20 vezes maior que o lucro do mesmo período do ano passado.


Shadow, não duvido que as condições de trabalho em um abatedouro de frangos não sejam lá uma maravilha. Mas as condições do corte de cana são muito piores (ou pelo menos eram, já faz bastante tempo que não tenho contato com esse "maravilhoso universo").

Pelo que me lembro os cortadores saíam de casa de madrugada, em ônibus precários ou mesmo na carrocerias de caminhões e camionetes. Trabalhavam o dia todo, sob sol escaldante e até debaixo de chuva. Comiam o que traziam de casa, frio mesmo, ou a (péssima) comida fornecida pela usina. A maior parte da remuneração era de acordo com a quantidade de cana cortada. Ficou doente, se ferrou. O trabalho é muito duro, requer força e movimentação física o tempo todo. No final do dia o trabalhador está mais moído do que a própria cana, principalmente nos braços e ombros. Ele está sempre exposto a péssimas condições ambientais, sol, chuva, calor, frio, fumaça, cobras e outros animais peçonhentos. E está sempre correndo riscos, no transporte, e no próprio corte da cana em si.

Citar
Uma pesquisa coordenada pelo Ministério Público do TrabaLho no Paraná realizada com 396 trabalhador0es durante a força-tarefa revelou que 48,5% sentem frio constantemente na realização de suas tarefas, e outros 24,6% dizem sentir frio às vezes. Em geral, o frio é mais comum nas mãos (18,9%) e nos pés (22,5%). 62,1% dizem considerar as roupas fornecidas inadequadas.

Sem querer desmerecer as dificuldades destas pessoas, mas elas trabalham em frigoríficos, claro que é frio. Reclamar disso é como trabalhar em uma siderúrgica e reclamar do calor. Se a empresa pode fornecer roupas melhores é outra história, mas desconfio que mesmo assim os trabalhadores sentirão frio em algum grau. O frio ainda pode ser amenizado por agasalhos. E para fazer um paralelo, os cortadores de cana sofrem com o frio intenso de manhã e o calor infernal durante o dia, o que é muito pior. Se é ruim trabalhar em algum lugar sentindo frio nas mãos, pior ainda é trabalhar sob um sol de 40º e ainda se movimentando e fazendo força o tempo todo.

Citar
35,9% se dizem cansados ao final do dia de trabalho, outros 21,7% se dizem muito cansados e 17,9% exaustos.

Se você fizer a mesma pesquisa em qualquer outra categoria, mesmo aquelas que trabalham em locais climatizados, provavelmente vai ter resultados parecidos. Por exemplo:

http://medico-psiquiatra.com/principal2/estresse-depressao-fadiga-fobias-bancarios.html

E novamente comparando, o corte de cana ganhou, 100% dos cortadores estão exaustos no final do dia de trabalho, a não ser que sejam X-Men ou coisa parecida.

No mais, não estou dizendo que trabalhar numa JBS da vida seja fácil, mas não dá para comparar com o corte de cana. Cortar cana é o serviço mais desumano que eu já tive o desprazer de presenciar, e olha que vi muito serviço ruim na época que trabalhava no setor rural.
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Re:Etanol
« Resposta #37 Online: 27 de Janeiro de 2017, 14:38:38 »

Pois é...todo mundo bateu palminhas quando da "luta" contra o "trabalho escravo" na lavoura da cana.... o resultado foi a mecanização.


A mecanização e a automação são o futuro da grande produção (e até da média e pequena). É um caminho sem volta.



E é bom que seja, porque cortar cana manualmente é um dos serviços mais brutais que existe.

E com esta alternativa aí da batata doce, que me parece mesmo bem interessante, fica melhor ainda.

Era um serviço bem remunerado, que garantia o sustento de muita gente, e que agora migrou para um dos serviços mais brutais que existe, abate de frango....

Se você está dizendo "bem remunerado" considerando a média salarial das zonas rurais, ou mesmo de empregos urbanos de baixa qualificação, concordo. Mas é um trabalho extremamente extenuante e insalubre. E sustento por sustento, até a escravidão garante  :hihi:.

E abate de frango nem de longe é tão brutal quanto corte de cana (a não ser para o frango, claro  :hihi:)

Bem remunerado considerando ser usualmente superior à remuneração nas pequenas cidades.

A remuneração no abate é, no frigir dos ovos, a mesma da cana. Algumas vezes até menor. E é um trabalho miserável.

Veja um exemplo:

http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/45-noticias-prt-curitiba/729-unidade-da-jbs-registra-mais-de-2-500-jornadas-acima-do-limite-legal-por-mes

Pesquisa revela más condições de trabalho

Uma pesquisa coordenada pelo Ministério Público do TrabaLho no Paraná realizada com 396 trabalhador0es durante a força-tarefa revelou que 48,5% sentem frio constantemente na realização de suas tarefas, e outros 24,6% dizem sentir frio às vezes. Em geral, o frio é mais comum nas mãos (18,9%) e nos pés (22,5%). 62,1% dizem considerar as roupas fornecidas inadequadas. 35,9% se dizem cansados ao final do dia de trabalho, outros 21,7% se dizem muito cansados e 17,9% exaustos. 28% dos trabalhadores entrevistados disseram que o desconforto durante a realização do trabalho é constante e 49% afirmaram ter tomado remédios, aplicado emplastos e compressas para conseguir trabalhar. 15,7% avaliam o atendimento médico da empresa como muito muito ruim e 17,4% como ruim. 46,9% dos funcionários têm menos de um ano de serviço


http://www.prt9.mpt.gov.br/informe-se/noticias-do-mpt-pr/50-noticias-ptm-londrina/730-jbs-recebe-75-autos-de-infracao-da-operacao-grande-escolha-producao-total-cai-em-media-40-na-unidade-de-rolandia

JBS recebe 75 autos de infração da operação "Grande Escolha"; produção total cai em média 40% na unidade de Rolândia

A unidade de abate de frangos da JBS no município de Rolândia (PR), Big Frango, segue parcialmente interditada após a ação da força-tarefa "Grande Escolha", iniciada na terça-feira, dia 12 de maio. Composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União, a operação tem como objetivo fiscalizar e regularizar as condições de trabalho e fiscais da empresa. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia. A equipe da força-tarefa fica em Rolândia até hoje (15), mas auditores fiscais e procuradores do trabalho da região continuarão monitorando a fábrica.

No dia 13, 51 máquinas foram interditadas. Até o final da tarde de ontem, apenas 12 delas foram regularizadas pela empresa e desinterditadas. Hoje (15) pela manhã uma nova vistoria será feita em outras máquinas. A produção da fábrica caiu 43% na quarta-feira (13) em relação ao mesmo dia da semana anterior. Já ontem (14) a produção total registrou queda de 38% em relação ao mesmo dia da semana anterior. O setor de expedição segue operando com apenas metade de sua capacidade.

Na manhã de hoje, o Ministério do Trabalho entregou à empresa 75 autos de infração. Além disso, Ministério Público do Trabalho, Advocacia Geral da União, INSS e Receita Federal podem propor termos de ajustamentos de conduta (TACs) ou entrar com ações nas próximas semanas para obter judicialmente indenizações pelas irregularidades encontradas.
Força-tarefa “Grande Escolha” interdita unidade da JBS no Paraná

Uma força-tarefa composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, INSS, Receita Federal e Advocacia Geral da União interditou ontem (13), no final da tarde, a Big Frangos, unidade de abate de frangos da JBS em Rolândia. O frigorífico abate diariamente em torno de 400 mil frangos e emprega aproximadamente 4 mil trabalhadores. A operação conta com apoio operacional de inteligência e segurança institucional da Polícia Militar do Paraná e é acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Paraná e Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Arapongas e Rolândia.

Os auditores fiscais do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram irregularidades graves em 45 máquinas que foram interditadas por apresentarem riscos à saúde e segurança do trabalhador, sendo quatro das interdições relacionadas à ergonomia. A produção da fábrica foi parcialmente interrompida em razão das interdições ocorridas nas máquinas e equipamentos. Na força-tarefa, constatou-se que alguns dos trabalhadores chegavam a fazer movimentação manual de cargas acima de 30 toneladas.

Além da inspeção, nessa terça-feira (12) também foi realizada uma pesquisa com quase 400 trabalhadores. Nos últimos 12 meses, mais da metade (52,9%) dos entrevistados assumiram ter tomado remédio ou aplicado emplastos ou compressas para poder trabalhar. Apenas 15,6% disseram não sentir qualquer tipo de desconforto durante o trabalho, como dor, formigamento ou perda de força, enquanto 38% disseram sentir dor forte na realização de suas atividades. 49,6% dos trabalhadores relataram sentir frio durante a realização de suas atividades e 25,8% disseram sentir frio às vezes. Ao final de um dia de trabalho, 17,3% se disseram exaustos, 23% muito cansados e 35,1% cansados, ou seja, 75,4% dos trabalhadores ficam entre cansados e exaustos ao final da jornada diária.

As condições de trabalho são ainda mais preocupantes considerando-se as estatísticas de acidentes de trabalho do setor. Segundo dados do INSS, o abate de suínos, aves e outros pequenos animais é a segunda atividade econômica que mais registra acidentes de trabalho no sul do Brasil e no Paraná, perdendo apenas para a atividade de atendimento hospitalar. O sul foi responsável, em 2013, por 6.314 dos 10.386 acidentes do setor no Brasil, o correspondente a 60,8%. No mesmo período, o Paraná registrou 3.498 acidentes.

Atuação interdisciplinar

Considerada a maior força-tarefa do setor já realizada no Brasil, a “Grande Escolha” foi a primeira a congregar esforços do Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, INSS e Advocacia Geral da União. As duas últimas atuarão em conjunto em ações regressivas para reaver valores gastos pela União com afastamentos de trabalhadores em casos em que se comprovem responsabilidade da empresa. O Decreto nº 3.048/99 prevê que “nos casos de negligência quanto às normas padrão de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a previdência social proporá ação regressiva contra os responsáveis”.Cerca de 2 mil prontuários médicos estão sendo analisados para se verificar como a empresa tratava os afastamentos e demissões. O menor número de registro de acidentes de trabalho faz com que a empresa pague valores menores ao INSS, o que pode levá-la a maquiar os laudos médicos. A Receita Federal avaliará se riscos ambientais estão sendo negligenciados para fins de sonegação tributária.

Serviço de Inteligência do MPT subsidia atuação

A operação foi realizada com o uso de relatórios de inteligência produzidos pela Coordenadoria de Análise e Pesquisa de Informações do Ministério Público do Trabalho (Capi/MPT). As informações foram obtidas por meio do cruzamentos de diferentes bases de dados com foco no panorama de adoecimentos do empregador nos últimos anos.

Criada no segundo semestre de 2014 e orientada por métodos de inteligência computacional, a nova Coordenadoria do MPT tem a função de organizar, classificar, cruzar e analisar dados de bancos de dados públicos e privados para produzir relatórios de inteligência. “Os dados, nas respostas às requisições dos procuradores, em geral chegam ao MPT sem nenhum tratamento ou cruzamento, já que em suas diferentes origens são acessados de forma bruta, muito pouco inteligível. Com a atividade de pesquisa e análise, pode-se produzir, a partir desses dados brutos, informações estratégicas de inteligência”, explica o Coordenador da Capi, o procurador do trabalho Luis Fabiano de Assis. “As informações produzidas podem orientar não apenas a atuação do MPT, mas também a ação de órgãos como a Advocacia Geral da União, o Ministério da Previdência, o Instituto Nacional do Seguro Social e o Ministério do Trabalho e Emprego”, acrescenta.

Por meio dos relatórios foi possível observar que, em 2014, os cerca de 4 mil trabalhadores da Big Frango foram submetidos a 2.033 consultas ocupacionais, ou seja, consultas médicas por causas relacionadas ao trabalho, e buscaram 70.279 atendimentos de enfermagem, uma média de 225 por dia - ou seja, em média 6% dos trabalhadores buscaram atendimento de enfermagem a cada dia. Em 2014, os afastamentos por CIDs relacionados a doenças osteomusculares ou traumas somaram mais de 6 mil dias. No mesmo período a empresa registrou 60 afastamentos com CATs (Comunicação de Acidente de Trabalho), uma média de um afastamento a cada semana trabalhada.

Em contraposição à situação dos trabalhadores, a JBS registrou no primeiro trimestre de 2015, segundo o jornal Valor Econômico, um lucro líquido de R$1,393 bilhões, valor 20 vezes maior que o lucro do mesmo período do ano passado.


Shadow, não duvido que as condições de trabalho em um abatedouro de frangos não sejam lá uma maravilha. Mas as condições do corte de cana são muito piores (ou pelo menos eram, já faz bastante tempo que não tenho contato com esse "maravilhoso universo").

Pelo que me lembro os cortadores saíam de casa de madrugada, em ônibus precários ou mesmo na carrocerias de caminhões e camionetes. Trabalhavam o dia todo, sob sol escaldante e até debaixo de chuva. Comiam o que traziam de casa, frio mesmo, ou a (péssima) comida fornecida pela usina. A maior parte da remuneração era de acordo com a quantidade de cana cortada. Ficou doente, se ferrou. O trabalho é muito duro, requer força e movimentação física o tempo todo. No final do dia o trabalhador está mais moído do que a própria cana, principalmente nos braços e ombros. Ele está sempre exposto a péssimas condições ambientais, sol, chuva, calor, frio, fumaça, cobras e outros animais peçonhentos. E está sempre correndo riscos, no transporte, e no próprio corte da cana em si.

Citar
Uma pesquisa coordenada pelo Ministério Público do TrabaLho no Paraná realizada com 396 trabalhador0es durante a força-tarefa revelou que 48,5% sentem frio constantemente na realização de suas tarefas, e outros 24,6% dizem sentir frio às vezes. Em geral, o frio é mais comum nas mãos (18,9%) e nos pés (22,5%). 62,1% dizem considerar as roupas fornecidas inadequadas.

Sem querer desmerecer as dificuldades destas pessoas, mas elas trabalham em frigoríficos, claro que é frio. Reclamar disso é como trabalhar em uma siderúrgica e reclamar do calor. Se a empresa pode fornecer roupas melhores é outra história, mas desconfio que mesmo assim os trabalhadores sentirão frio em algum grau. O frio ainda pode ser amenizado por agasalhos. E para fazer um paralelo, os cortadores de cana sofrem com o frio intenso de manhã e o calor infernal durante o dia, o que é muito pior. Se é ruim trabalhar em algum lugar sentindo frio nas mãos, pior ainda é trabalhar sob um sol de 40º e ainda se movimentando e fazendo força o tempo todo.

Citar
35,9% se dizem cansados ao final do dia de trabalho, outros 21,7% se dizem muito cansados e 17,9% exaustos.

Se você fizer a mesma pesquisa em qualquer outra categoria, mesmo aquelas que trabalham em locais climatizados, provavelmente vai ter resultados parecidos. Por exemplo:

http://medico-psiquiatra.com/principal2/estresse-depressao-fadiga-fobias-bancarios.html

E novamente comparando, o corte de cana ganhou, 100% dos cortadores estão exaustos no final do dia de trabalho, a não ser que sejam X-Men ou coisa parecida.

No mais, não estou dizendo que trabalhar numa JBS da vida seja fácil, mas não dá para comparar com o corte de cana. Cortar cana é o serviço mais desumano que eu já tive o desprazer de presenciar, e olha que vi muito serviço ruim na época que trabalhava no setor rural.

No fim a situação já não era a mesma. Banheiros, refeitórios móveis com sombra. Transporte apenas com ônibus.Remuneração média bem razoável (para as pequenas cidades). Claro...graças aos apertos do MPT.

Não defendo usineiros não. Pesquise "guerra de Porecatu" e veja os resultados das ações desses caras aqui no Paraná. Apenas ressalto que a rotatividade nos abatedouros é imensa, pelas duras condições. E sentir frio é falta de EPI, me parece....
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Skorpios

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Re:Etanol
« Resposta #38 Online: 27 de Janeiro de 2017, 15:42:35 »
Precisa mesmo citar todo o post para responder? Ainda mais em posts desse tamanho?

Offline Fabrício

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Re:Etanol
« Resposta #39 Online: 27 de Janeiro de 2017, 15:47:27 »
Precisa mesmo citar todo o post para responder? Ainda mais em posts desse tamanho?

Vai regular o tamanho dos posts agora?? Esse fascismo do CC me irrita  :P!

Foi mal Skorpios, desculpe aí  :vergonha:.

Citação de: Shadow
No fim a situação já não era a mesma. Banheiros, refeitórios móveis com sombra. Transporte apenas com ônibus.Remuneração média bem razoável (para as pequenas cidades). Claro...graças aos apertos do MPT.

Não defendo usineiros não. Pesquise "guerra de Porecatu" e veja os resultados das ações desses caras aqui no Paraná. Apenas ressalto que a rotatividade nos abatedouros é imensa, pelas duras condições. E sentir frio é falta de EPI, me parece....

Também não defendo as JBS da vida, acredito sim que as condições de trabalho nos frigoríficos deles não deve mesmo ser grande coisa.
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Offline Shadow

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Re:Etanol
« Resposta #40 Online: 27 de Janeiro de 2017, 15:50:21 »
Precisa mesmo citar todo o post para responder? Ainda mais em posts desse tamanho?

Maus aí....achei que era a moda da casa....
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