Autor Tópico: Educação empesteada de relativistas anencéfalos  (Lida 4542 vezes)

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Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Online: 05 de Outubro de 2006, 02:45:09 »
É impressionante como profissionais da educação adoram Paulo Freire e sua teoria de uma educação que leve em conta o universo socio-cultural do aluno. O fato é que estes chamam qualquer ignorância ou deficiência cognitiva de diferenças sócio-culturais que devem ser respeitadas.
Por exemplo, um pedagogo entrevista um professorzinho de matemática de uma escola na zona rural, pede para ele definir "área". Este responde que é a medição da terra. Eles então escrevem artigos defendendo que em zonas rurais, o ensino de geometria deve ser voltada para a agrimensura. Mas custava simplesmente dizer ao cara: "área é o quanto uma figura ocupa uma superfície"?

Eu estava a ler um artigo de uma edição especial da Scientific American: Etnomatemática. Em meio a ótimos artigos como o sistema numérico maia e a resolução de problemas geométricos no Japão medieval, havia um escrito por um brasileiro: Eduardo Sebastiani Ferreira (pesquisador colaborador do Núcleo Interdisciplinar de Matemática da Unicamp), no qual ele descrevia sua experiência em aldeias indígenas. Ele descreve que uma vez ficou impressionado com um índio que pescava com arco e flecha, levando em conta a refração da água: o peixe parecia estar em um lugar e o índio disparava em outro. Ao perguntar ao índio sobre como ele sabia onde atirar, este respondeu "os olhos da gente estão errados". Por algum motivo o Eduardo achou o caso digno de nota, e levou a discussão para um grupo de estudos no Instituto de Artes. O que segue depois é uma das coisas mais ridículas que já vi um relativista dizer.

Citação de: Eduardo Sebastiani Ferreira
...a análise que fizemos para mim foi conclusiva. Somos de uma cultura judaico-cristã, na qual existe a crença de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus - ser perfeito -, portanto não admitimos que podemos ter algo errado com o corpo. Para responder ao fenômeno da refração inventamos uma lei física, e com este pressuposto criamos toda nossa ciência.


Chamar a análise de "conclusiva" foi a cereja do bolo. Para esta gente tudo é relativo, menos suas elocubrações falaciosas.
O mínimo que poderia se esperar de alguém que seja pesquisador colaborador do Núcleo Interdisciplinar de Matemática é que conheça um pouco sobre a História da disciplina, incluindo alguns fatos tais como que Euclides e Arquimedes já estudavam o fenômeno da refração séculos antes de cristo. Talvez seja muito esperar que alguém em um grupo do Instituto de Artes saiba algum fato da história da filosofia, tal como que cristãos como Descartes admitiam as falhas nos sentidos e as estudavam.
Certamente é muito esperar que alguém cujo o cérebro atrofiou de tanto ler Paulo Freire lembre que o conhecimento do fenômeno da refração nos permite construir desde microscópios e telescópios até os óculos que o Paulo Freire usava.

Offline Alenônimo

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #1 Online: 05 de Outubro de 2006, 03:17:32 »
Essa do Eduardo Sebastiani Ferreira doeu nos meus ovos! Quer dizer que ele achava que o corpo humano era perfeito e feito á semelhança de Deus? Por que mais ele ficaria surpreso com a descoberta do contrário?
“A ciência não explica tudo. A religião não explica nada.”

Offline Luis Dantas

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #2 Online: 05 de Outubro de 2006, 07:17:10 »
Caramba.  Como é possível um pesquisador da Unicamp falar uma bobagem "conclusiva" tão sem nexo?

"Inventamos" uma lei física?  Todo mundo pensa que é o Lanterna Verde hoje em dia.
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Offline Rodion

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #3 Online: 05 de Outubro de 2006, 09:51:46 »
Citar
Caramba.  Como é possível um pesquisador da Unicamp falar uma bobagem "conclusiva" tão sem nexo?
como não seria? coisa sem nexo abunda nas universidades.
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Offline Dbohr

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #4 Online: 05 de Outubro de 2006, 09:54:12 »
Eu li a revista e lamentei do mesmo jeito. Quanto à sua pergunta, Luís, repare só: ele levou a discussão para o IA da Unicamp.

Agora, não tenho nada contra estudantes de Artes, ou contra a Unicamp (estudei lá um tempo e freqüentava o IA), mas exatamente qual é a qualificação deles para dizer que leis físicas são "inventadas"? E se um físico ou engenheiro fosse criticar os rabiscos do Juan Miró, dizendo que aquilo não é arte? Uma e outra crítica simplesmente carecem de substância.

Sinto pena do índio, que teve que agüentar as esquisitices do grande professor se curvando ante sua sabedoria.



Offline Dr. Manhattan

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #5 Online: 05 de Outubro de 2006, 10:16:14 »
Será que esse pesquisador não pensou na real possibilidade de o índio estar tirando onda com a cara dele?
(ref.: Margareth Mead).

Sem falar que a observação em si não se referia a uma atividade cultural (ok, claro que existe um aspecto cultural, mas isso não vai influenciar a lei de Snell). Alguem devia avisar a esse pesquisador sobre as gerações incontáveis de arqueiros, de todos os backgrounds culturais diferentes, que tinham que mirar à frente de um alvo em movimento para poder acertar a flecha...

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Alan Watts

Offline Dbohr

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #6 Online: 05 de Outubro de 2006, 10:20:59 »
Manhattan, o que me dói mais é que o cara é Matemático. MATEMÁTICO! Da Unicamp, ainda por cima... princípio de menor ação, alô?

Offline Südenbauer

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #7 Online: 05 de Outubro de 2006, 12:22:14 »
Como assim? Isso saiu na Sciam?

Me desculpem a linguagem, mas: PUTA QUE PARIU!

Offline Dr. Manhattan

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #8 Online: 05 de Outubro de 2006, 14:11:06 »
Ah ele é matemático?!!

E olha que, além de ele ter tido essa postura pós-modernista estúpida, o argumento dele é baseado num enorme
non sequitur!
Ora bolas, o que é que a afirmação do índio tem a ver com a "cultura judaico-cristã"?!!  |(

(sem falar que esse negócio de se referir à cultura "judaico-cristã" sempre me parece coisa de gente com preguiça mental: é querer colocar, por exemplo, os cristãos filipinos no mesmo saco cultural que os judeus ortodoxos de NY)

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Offline Oceanos

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #9 Online: 05 de Outubro de 2006, 15:17:53 »
Triste não é o cara falar uma idiotice dessas, triste é alguem achar que ele está certo. :(

Offline Nina

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #10 Online: 05 de Outubro de 2006, 19:40:57 »
Alguém escreveu para a revista reclamando da reportagem?

:oops:
"A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." Carl Sagan.

Offline Südenbauer

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #11 Online: 05 de Outubro de 2006, 20:24:46 »
Brilhante idéia, Nina!

Offline Luis Dantas

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #12 Online: 05 de Outubro de 2006, 20:47:48 »
Bateu uma imagem de arqueiros errando o alvo por ser cristãos...
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Luz

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #13 Online: 05 de Outubro de 2006, 21:23:52 »
Bateu uma imagem de arqueiros errando o alvo por ser cristãos...

É próprio da "visão" cristã, mirar no que vê e acertar no que não vê.

Isso estar numa revista científica não seria indício de que o argumento de "autoridade", infelizmente, tem alguma autoridade?

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #14 Online: 05 de Outubro de 2006, 22:23:22 »
Ah ele é matemático?!!

E olha que, além de ele ter tido essa postura pós-modernista estúpida, o argumento dele é baseado num enorme non sequitur!

Certamente ele deve pensar que validade lógica seja algo socialmente construído.

Ora bolas, o que é que a afirmação do índio tem a ver com a "cultura judaico-cristã"?!! |(

(sem falar que esse negócio de se referir à cultura "judaico-cristã" sempre me parece coisa de gente com preguiça mental: é querer colocar, por exemplo, os cristãos filipinos no mesmo saco cultural que os judeus ortodoxos de NY)

Se os caras duvidam da refração, por que deveriam ter o que os anglófonos chamam de "accuracy" acerca das questões sociais? O que vale é fazer malabarismos retóricos e chamá-los depois de "análise conclusiva".
Se fosse o contrário, se os amerídios tivessem desenvolvido uma óptica que trata da refração enquanto os "judaico-cristãos" atribuíssem o fenômeno a um problema da visão, seria porque estes carregam a culpa do pecado original ou coisa do tipo...
Se bem que o lance deles mesmo é sempre passar a idéia de sociedade judaico-cristão como um bando de arrogantes.

Offline Luis Dantas

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #15 Online: 05 de Outubro de 2006, 22:25:32 »
Certamente ele deve pensar que validade lógica seja algo socialmente construído.

Não duvido nada.  Apesar de absurda, a idéia de que "até mesmo os delírios de um louco tem lógica" é muito difundida.
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Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #16 Online: 05 de Outubro de 2006, 22:31:46 »
Como assim? Isso saiu na Sciam?

Bem... a maioria das reportagens eram traduzidas. Algumas tratavam de questões bem interessantes sobre como algumas culturas lidavam com a matemática, enquanto outras analisavam matemáticamente expressões culturais como música e arquitetura.
O editor deve ter achado que eles precisavam de algum artigo de um brasileiro sobre o assunto, convidou o cara e na última hora receberam esta porcaria.

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #17 Online: 05 de Outubro de 2006, 22:37:03 »
Caramba.  Como é possível um pesquisador da Unicamp falar uma bobagem "conclusiva" tão sem nexo?

"Inventamos" uma lei física? Todo mundo pensa que é o Lanterna Verde hoje em dia.

Este pessoal ficou tão impressionado com o papel do sujeito na construção do conhecimento que esqueceu que o mundo independe das nossas crenças.

rizk

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #18 Online: 06 de Outubro de 2006, 07:42:37 »
Este pessoal ficou tão impressionado com o papel do sujeito na construção do conhecimento que esqueceu que o mundo independe das nossas crenças.
Fechou. Mas, sério, o que o pobre do Paulo Freire tem que ver com isso?

Qual a chance de o cara estar fazendo uma extrapolação? Afinal, a FORMULAÇÃO da lei é nossa, apesar de ela existir com ou sem a gente - e é possível que outra CULTURA formulasse ela de maneira diferente, mesmo que com resultados menos precisos.
Até onde me recordo, aconteceu assim na astronomia: apesar de uma percepção de "universo" que tinha a terra no centro e Deus na "superfície" da esfera, com anjos no meio do caminho e número de corpos celestes finitos, os resultados dos cálculos de órbita e mudança das estações e previsão de eclipse e taltatal eram semelhantes aos nossos.

Enfim. Não tive acesso à matéria inteira, mas acontece mutas vezes de o escritor querer inventar uma frase de impacto que no fim não tem muito a ver com os resultados dele. Bobeando o que ele pretende dizer é que o "índio" e o "europeu" dão ênfase a coisas diferentes: um assume que a disparidade é fruto de uma falha do corpo em perceber a realidade como ela é, o outro dá ênfase a uma natureza externa a ele que se rege por leis próprias - ou seja, este fala em "fenômeno de refração" enquanto o outro fala simplesmente em olhos tortos.

Nesse sentido, é até possível que escrevam que "sobre este pressuposto construímos a nossa ciência". O índio em questão "parou" naquilo, e naquilo ficou. Se o membro da cultura judaico-cristã  se "conformasse" com a natureza como ela é, não tinha ciência porra nenhuma, hm.

Agora, se é pra botar juízo de valor nisso... eu não acho que o índio seja legal não. Mas o autor aparentemente acha. Então ok.

De todo modo sou contra escrever pra SciAm. Vocês é que não estão acostumados a ler essas coisas :lol:

rizk

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #19 Online: 06 de Outubro de 2006, 07:47:27 »
Uh, e sem falar da mania ocidental de correspondência entre o micro e o macrocosmos. A gente desistiu de ensinar estudante de medicina a usar astrolábio, mas vai falar de dualidade onda-partícula pra uma pessoa normal e vê se ela não ri da sua cara.

Ou vê se ela não vai achar que, se existe tal coisa como relatividade na CIÊNCIA (que ninguém sabe direito o que é mas resolveu que "é tudo relativo"), existe possibilidade de dimensões diferentes em que vivam espíritos e outros seres iluminados.

 |(

Volto depois.

Offline Alenônimo

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #20 Online: 06 de Outubro de 2006, 07:54:07 »
E aí? Reclamaram com a revista?
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Offline Dbohr

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #21 Online: 06 de Outubro de 2006, 10:31:50 »
Eu escrevi quando a matéria saiu, e escrevi quando eles publicaram anúncios de livros de auto-ajuda espiritual.

Tô esperando resposta até agora.

Offline Südenbauer

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #22 Online: 06 de Outubro de 2006, 12:26:41 »
Este pessoal ficou tão impressionado com o papel do sujeito na construção do conhecimento que esqueceu que o mundo independe das nossas crenças.
Fechou. Mas, sério, o que o pobre do Paulo Freire tem que ver com isso?
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Offline Dr. Manhattan

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #23 Online: 06 de Outubro de 2006, 12:38:04 »
Qual a chance de o cara estar fazendo uma extrapolação? Afinal, a FORMULAÇÃO da lei é nossa, apesar de ela existir com ou sem a gente - e é possível que outra CULTURA formulasse ela de maneira diferente, mesmo que com resultados menos precisos.

A questão não é essa. É que existem estudiosos chamados "pós-modernista" que resolveram questionar o próprio conceito de verdade científica. Isto é, eles não contestavam a formulação, mas a própria idéia de que exista uma verdade independente do contexto social, o que obviamente é uma tremenda bobagem. Isso inclusive gerou uma controvérsia enorme nos anos 90, principalmente do famoso artigo falso do Alan Sokal, que ficou conhecida como as "Guerras da Ciência". O que acontece é que o autor desse texto da SciAm parece acreditar nessas bobagens pós-modernistas.
Não conheço nenhum cientista que questione o papel do contexto social para explicar o impacto de uma teoria, ou a motivação de um cientista ou mesmo a formulação de uma teoria. Mas isso não quer dizer que, por exemplo, a validade da teoria da gravitação dependa do ambiente cultural
(claro, isso ficaria aberto a questionamentos se alguem um dia encontrasse uma tribo de índios levitadores :-) ).
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Offline Dbohr

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Re: Educação empesteada de relativistas anencéfalos
« Resposta #24 Online: 06 de Outubro de 2006, 15:23:34 »
Heh. A Radiação Cósmica de Fundo é isotrópica -- menos nas salas de aula dos pós-modernos...

 

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