Autor Tópico: O que você aprendeu hoje?  (Lida 25318 vezes)

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Offline AlienígenA

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #350 Online: 24 de Junho de 2017, 22:33:35 »
Aprendi uma versão disso com meu velho: na emergência escute a intuição, quando suportada pela experiência, mas ignore-a na ausência desta. Ele era bom nisso!

Offline Skeptikós

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #351 Online: 24 de Junho de 2017, 22:40:56 »
Me lembro de ter lido em um livro de James Gleick (A informação: uma história, uma teoria, uma enxurrada ), que o excesso de informação pode mais atrapalhar do que ajudar. Inclusive uma série de conceitos sobre os efeitos do excesso da informação surgiram, tais como, "sobrecarga de informação", "saturação de informação", "ansiedade de informação" e "fadiga de informação", o último sendo inclusive reconhecido como uma síndrome pelo OED. O excesso de informação pode paralisa-lo numa situação onde a decisão pede rapidez instintiva, e aí está uma dos efeitos negativos possíveis de se obter informações em excesso.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #352 Online: 24 de Junho de 2017, 23:58:26 »
"Instintivo" em vários desses casos é um termo inapropriado, sugerindo que qualquer um está em iguais chances.

"Intuição de expert"/"intuição lapidada por experiência" seria melhor, podendo ser dramaticamente diferente da intuição/"instinto" de alguém sem a mesma experiência.

Mesmo essa "experiência" deve ser melhor qualificada: serve para tipos de experiência que especificamente treinam tal intuição, pela prática regular ou treinamento fornecer muitos "feedbacks" instantâneos do desempenho.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #353 Online: 17 de Julho de 2017, 16:10:00 »
Sou destro, mas fiquei sabendo que sou canhoto destro (acho que li definições diferentes) em cruzar os braços (como a maioria das pessoas, também, não como os esquisitos ops, na verdade a maioria é canhoto nisso, então faço parte das aberrações :( ) mas canhoto para "cruzar os dedos" (aqui parece ser mais próximo da metade, ainda então em disputa o que é aceitável e o que é aberração doentia).

http://udel.edu/~mcdonald/mythhandclasp.html

http://udel.edu/~mcdonald/mytharmfold.html

http://www.rightleftrightwrong.com/statistics.html

Offline Gauss

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #354 Online: 17 de Julho de 2017, 17:44:20 »
Sou destro para escrever e tocar violão/guitarra, mas sou canhoto para embaralhar cartas. Alguma explicação? Sou canhotocom a perna também.
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #355 Online: 17 de Julho de 2017, 18:18:28 »
A explicação, como sempre, é uma combinação, difícil de precisar, de genética, biologia do desenvolvimento, e vidas passadas.


Eu não sei realmente tocar violão, mas é algo que até me surpreende que seja considerado destro quem toca como destro e não o contrário. Se algum dia eu vir a tentar aprender mais, eu acho que serei canhoto nisso.

"Canhoto para embaralhar cartas" é a primeira vez que ouço falar, nunca pensei nisso.

Deve ter também algo sobre com que mão a pessoa usa o garfo ou a faca para comer. O que novamente suscita questões sobre os graus de lateralização no cérebro dos japoneses, agora por comer com baquetas pauzinhos.

Outra coisa que sempre tive curiosidade mas nunca fui procurar era sobre acidentes de motoristas ingleses na França ou franceses na Inglaterra, usando carros adaptados para o sentido de "mão" diferente. Talvez também tenha implicações curiosas em lateralização cerebral.

Offline Gigaview

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #356 Online: 17 de Julho de 2017, 20:17:05 »
Toda a população muçulmana é canhota para limpar a bunda.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #357 Online: 17 de Julho de 2017, 20:47:08 »
Uma vez eu vi umas coisas, sobre algo assim, mas acho que era sobre povos africanos em geral ou algum mais específico, não lembro de serem muçulmanos. Acho que isso ajudava a embasar o anti-canhotismo na população, e ainda teria algo como que gestos com a mão esquerda seriam mais ofensivos ou algo assim.

E já que estamos falando de destrismo ou canhotismo e ligações com temas fecais, por muito tempo se pensava que ser destro era algo especificamente humano, mas mais ou menos recentemente (nah, acho que nem tanto) se descobriu que chimpanzés, ao contrário desses povos humanos, usam bem mais a mão direita para enfiar gravetos em cupinzeiros (para tirar cupins para comer) e também para arremessar fezes contra pessoas.

http://www.pnas.org/content/102/35/12634.full

http://www.apa.org/monitor/2009/01/chimps.aspx

Offline Gauss

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #358 Online: 18 de Julho de 2017, 13:08:13 »
Conversando com um amigo neurologista, ele disse que isso se chama lateralidade cruzada, e é muito comum. Pesquisei sobre e apenas encontrei artigos alarmistas falando sobre o assunto.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #359 Online: 12 de Agosto de 2017, 10:14:50 »
Fantasia e fantasma têm a mesma origem etimológica. É irônico que o segundo seja algo que algumas pessoas considerem real.

Citar
phantasm (n.) Look up phantasm at Dictionary.com
early 13c., fantesme, from Old French fantosme "a dream, illusion, fantasy; apparition, ghost, phantom" (12c.), and directly from Latin phantasma "an apparition, specter," from Greek phantasma "image, phantom, apparition; mere image, unreality," from phantazein "to make visible, display," from stem of phainein "to bring to light, make appear; come to light, be seen, appear; explain, expound, inform against; appear to be so," from PIE root *bha- (1) "to shine." Spelling conformed to Latin from 16c. (see ph). A spelling variant of phantom, "differentiated, but so that the differences are elusive" [Fowler].

fantasy (n.) Look up fantasy at Dictionary.com
early 14c., "illusory appearance," from Old French fantaisie, phantasie "vision, imagination" (14c.), from Latin phantasia, from Greek phantasia "power of imagination; appearance, image, perception," from phantazesthai "picture to oneself," from phantos "visible," from phainesthai "appear," in late Greek "to imagine, have visions," related to phaos, phos "light," phainein "to show, to bring to light" (from PIE root *bha- (1) "to shine").

http://www.etymonline.com

Offline Skeptikós

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #360 Online: 12 de Agosto de 2017, 11:54:59 »
Não foi hoje, mas alguns dias atrás descobri que algumas pessoas não conseguem criar imagens mentais, e que este fenômeno se chama afantasia
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #361 Online: 12 de Agosto de 2017, 13:36:27 »
Não foi hoje, mas alguns dias atrás descobri que algumas pessoas não conseguem criar imagens mentais, e que este fenômeno se chama afantasia

Só por curiosidade, quer dizer por exemplo que essas pessoas tb não sonham com imagens enquanto dormem?

*Vi agora, a imagem dos sonhos é preservada mas não uma memória voluntária como lembrar de um parente morto.

Eu tb não conhecia o problema.
« Última modificação: 12 de Agosto de 2017, 13:40:21 por Arcanjo Lúcifer »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #362 Online: 12 de Agosto de 2017, 23:43:50 »
Pelo pouco que li, não chega a esse ponto.

Eu particularmente tenho minhas dúvidas quanto ao fenômeno "existir", ou melhor, não ser na verdade a norma, com uma quantidade ínfima de pessoas talvez tendo o que para mim soa espantoso, uma habilidade de criar alucinações deliberadas.

Acho curioso que a própria natureza de "qualia", "imagens mentais" é em alguns casos questionada até de maneira mais "absoluta", isso é, mesmo as imagens que vemos cotidianamente não seriam "mentais", mas literalmente "externas" (o chamado "realismo ingênuo" na filosofia da mente), que quaisquer imagens "mentais" mais literais na verdade inexistiriam -- ao mesmo tempo em que essa condição não parece ter suscitado grande questionamento filosófico/cético.

A alternativa poderia ser de que tais visões não são literalmente imagens tal como aquelas de sonhos ou alucinações, mas apenas uma impressão mais vaga de tê-las, enquanto se pensa em características visualmente descritivas dos objetos e cenários em que está se pensando.

Um dos links de artigos filosóficos tem um argumento curioso, acho que de Dennett, questionando a idéia de imagens literais: se você pede a alguém imaginar um tigre, a pessoa dirá que fez isso. Mas se pedir que conte as listras, não será capaz de fazê-lo. Diferentemente do que se pode fazer com verdadeiras imagens.

Ao mesmo tempo, é algo que praticamente qualquer pessoa que supostamente tenha a condição de "afantasia" deverá poder fingir perfeitamente. É só dizer que está imaginando coisas, e ir inventando quaisquer detalhes na hora. O cientista não deve ter como distinguir isso do suposto "normal".

Não sugiro que pessoas com algum problema mais grave não possam ter dificuldades relacionadas, que dificultam até mesmo a imaginação não-literalmente pictórica/alucinatória. Apenas acho que, tirando esses casos mais excepcionais, é um problema de limitações da linguagem e confusão comum nas pessoas em darem relatos fiéis precisos de seus estados mentais, influenciados por rudimentaridade de conceitos de "psicologia folclórica".

Mas pode ser que seja isso mesmo e as pessoas consigam alucinar voluntariamente. Eu acho bizarro, para mim isso é que deveria ser muito mais motivo de notícia.

Me faz ficar completamente estupefato com o apelo que tiveram representações gráficas "materializadas" no decorrer da história (e pré-história até), como pinturas, fotografia, e cinema. Mesmo com efeitos espeiciais tosquíssimos que não se comparam ao que aparentemente qualquer um é capaz de "ver" sem o menor esforço. Livros seriam tudo que é necessário para a vasta maioria dos normais, e o cinema, precário e limitado (é sempre a mesma câmera toda vez que se vê o filme!), seria coisa que teria apelo apenas para essa pequena fração de "afantasiosos" debilitados.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #363 Online: 13 de Agosto de 2017, 07:52:41 »
Eu já vi casos, não recordo o nome da doença agora, de pessoas que tem um problema na área que liga as suas metades do cérebro.

Por exemplo, a pessoa vê uma maçã sobre a mesa e facilmente sabe que é uma maçã mas se fechar um dos olhos não consegue mais ligar a imagem ao objeto.

Alguns não conseguem reconhecer nem pelo tato.

Vou pesquisar na internet, postarei aqui se conseguir achar.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O que você aprendeu hoje?
« Resposta #364 Online: 13 de Agosto de 2017, 10:40:43 »
Tem umas coisas que são até difíceis de entender mesmo. Como uma condição em que é apresentado o desenho de um rosto a uma pessoa, um desenho simples como esse:  :|  -- e a pessoa não consegue identificá-lo como rosto, palpitando que é uma maçã, por exemplo.

Acho que é a mesma condição a que se referia o título do livro de Oliver Sacks, "o homem que confundiu sua mulher com um chapéu".


Outra particularmente interessante é a síndrome de Anton-Babinski, onde as pessoas são cegas, mas não acreditam nisso. Inventando sempre alguma desculpa para o porque de não conseguirem fazer o que uma pessoa não-cega faria. Não sei se eles alucinam um "sonho" que, devido a cegueira objetiva, não serve realmente para a pessoa se orientar, ou se é algo mais estranho, como de alguma forma "acreditar" ver, mesmo sem alucinações propriamente ditas. Não seria uma simples negação por "vergonha", "fingirem" não ser cegos por "não conseguirem aceitar", mas um delírio "menos voluntário".



Citar
[...] There are a number of theories as to how ABS occurs as no-one knows for sure why patients deny they are blind. One school of thought is that visual cortex damage may result in an inability to communicate with the brain’s speech-language areas (i.e., visual information is received but not interpreted correctly and a verbal response is confabulated). In fact, Dr. G. Goldenberg and colleagues in a 1995 issue of the journal Neuropsychologia claim that damage to the visual association cortex is thought to be one of the main causes explaining the loss of awareness of the visual deficit. Others postulate that ABS patients are simply having hallucinatory sensations (unrelated to their actual surrounding reality). [...]

https://drmarkgriffiths.wordpress.com/2013/10/08/swearing-blind-a-brief-look-at-anton-babinski-syndrome%E2%80%AC/


Ironicamente, talvez o estado de não-afantasia seja uma versão benigna e mais limitada de síndrome de Anton-Babinki, onde as pessoas não estão conscientes de não estarem de fato vendo qualquer coisa que acreditam visualizar, mas similarmente confabulando. Possivelmente não por qualquer lesão, mas talvez menor atenção dirigida ao campo visual propriamente dito, concentração apenas em "descrições visuais", mas não-pictóricas, daquilo em que estão pensando.

Dano cerebral em áreas relacionadas ao acesso a essas descrições, ou, independentemente capacidade maior de foco no campo visual (possivelmente desenvolvida incidentalmente por treino, como por desenhar ou atividades que requeiram maior atenção visual "na realidade"), impediria as pessoas de terem a mesma impressão. As primeiras, até mesmo de "visualizar", enquanto as segundas ainda "visualizariam", porém de maneira conscientemente mais metafórica.

Alternativamente, esse mesmo tipo de "treino" de foco na "visão real" talvez objetivamente desvie o indivíduo de um treino alternativo, de, "distraído" da visão propriamente dita, perceber, se focar em "alucinações espontâneas" se formando, e até controlá-las.

Sonhos lúcidos acordado.

https://en.wikipedia.org/wiki/Hypnagogia

 

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