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Discussões => Ciência, Tecnologia e Saúde => Tópico iniciado por: JJ em 05 de Junho de 2016, 08:51:25

Título: A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 05 de Junho de 2016, 08:51:25


A pseudociência econômica de Ludwig von Mises



No mês passado, em uma foto minha na página oficial da Luciana Genro, vários libertários vieram me difamar, uns diziam que era contraditório eu defender a ciência e ser contra a pseudociência ao apoiar, segundo eles, uma socialista. [1]


Grande parte dos libertários que me acusaram, usaram como argumento o critério de demarcação de Popper para demarcar socialismo como pseudociência. [2]


A ideia deste texto não é discutir a cientificidade do marxismo e nem validade do modelo socialista na política atual, mas apenas em denunciar a praxeologia como uma pseudociência indefensavelmente dualista.


O intocável Popper (eu sou fã do Popper) era libertário, austríaco, e ajudou a fundar a Sociedade Mont Pèlerin com Ludwig von Mises. [3] (A epistemolgia de Popper é intocável para alguns libertários, mas a verdade é que sua epistemologia está ultrapassada há anos, basta se atualizarem: http://lihs.org.br/artigos/Haack_Negativismo_Logico_LiHS_2014.pdf e http://ndpr.nd.edu/news/49425-philosophy-of-pseudoscience-reconsidering-the-demarcation-problem/).


O que é pseudociência? (Introdução para quase-leigos)


Pseudociência (artigo introdutório sobre o tema: http://universoracionalista.org/pseudociencias/) é aquela área do conhecimento que possui uma epistemologia de caráter injustificável (pseudociências não precisam ter pretensões claras de serem ciências).


Exempli gratia (e. g.), com frequência, quando digo que uma determinada área do conhecimento é pseudociência, ouço a resposta, “mas ‘x’ área não se coloca enquanto uma ciência!” (como se houvesse algum mérito nisso!).


Astrólogos, ufólogos, parapsicólogos, cartomantes, videntes, quiropráticos, numerólogos, homeopatas e toda a corja de charlatões também não se declaram (na maioria das vezes, diria eu) cientistas!


A existência de teses e atitudes epistemológicas classificadas como pseudocientíficas não depende de uma espécie de “declaração em cartório” por parte da disciplina (ou melhor, do corpo representativo da disciplina) quanto à sua classificação ou não enquanto ciência, como alguns de seus defensores parecem imaginar (parafraseiei Jerônimo Gregolini Pucci).


O que é praxeologia?


A praxeologia é uma hipótese dedutiva da ação do Homem baseada na ideia de que os seres humanos possuem comportamentos propositais, ao contrário de comportamentos reflexivos como espirros e comportamento inanimado. E. g., a noção de que os seres humanos se envolvem em atos de escolha implica que eles têm preferências.


Ludwig von Mises, um economista austríaco, fez um uso absurdo de sua hipótese praxeológica no desenvolvimento de suas teorias econômicas. Para algumas pessoas, a praxeologia seria uma sub-disciplina da economia. Os economistas da Escola Austríaca continuam usando a hipótese praxeológica, ao invés de estudos empíricos, para determinar os princípios econômicos.


Praxeologia, uma pseudociência


Ludwig von Mises é considerado o Deus da Escola Austríaca de Economia (uma famosa escola anti modelagem matemática e teste empírico). [4]


A maior obra de Mises é a chamada “Ação Humana”, onde ele apresenta o método da praxeologia. [4] [5]


Pra quem não sabe, muitos libertários ainda defendem a cientificidade da mesma e ainda se rotulam praxeologistas (eu diria, pseudocientistas!), [6] [10] mesmo tem sido demonstrado inúmeras vezes que sua epistemologia é pseudocientífica (uma pseudociência de origem libertária).


Mises nega a própria realidade, e rejeita o método científico nas ciências humanas e sociais na construção da praxeologia. Mises tenta estabelecer “leis” imutáveis a partir de um único axioma (axioma da ação), além dele ter acrescentado hipóteses ad hocs e ter argumentado através de Ipse Dixit (falácia lógica: argumento pela afirmação).


Mises distingue o que ele chama de “ação” do comportamento instintivo. Ação seria definida como um comportamento que é feito com alguma intenção em mente, ou seja, um objetivo-orientado. Apesar de admitir a possibilidade de explicações materialistas, ele argumentava que os pressupostos do dualismo e da livre-vontade são necessários para uma “ciência” da ação humana (resumindo: ele falou com palavras bonitas que devemos enaltecer explicações metafísicas de caráter inverificável para que sua “ciência” funcione. Porém, o nome disso se chama pseudociência!). É claro que, além disso, tem o problema de derivar todo um sistema de fé baseados em um único axioma em economia. Mises ainda fugiu do problema ao fazer uma distinção clara entre “ação” e “instinto” que não existe na psicologia e nas ciências cognitivas (na verdade, ele descarta toda a psicologia, antropologia, et cetera, portanto, ele foi incapaz de fazer qualquer previsão). [4] [5] [7]


Conclusão


Praxeologia é uma pseudociência de caráter inverificável, que parte de um único axioma e de premissas dualistas.


Apesar de alguns libertários ainda cultuarem a praxeologia, é interessante notar que estes mesmos se rebelam contra o marxismo e o socialismo usando o mesmo tipo de “desculpa”, i. e., chamando o marxismo de pseudociência e confundindo socialismo com marxismo. Aliás, não sou nem marxista e nem socialista, então, além disso, posso considerar mais essas tentativas furadas de ataque pessoal.


Qual foi a intenção desta publicação?


Mostrar o quanto os libertários radicais também podem defender pseudociências econômicas assim como os outros extremos.


Bônus

O Olavo é fã do Instituto Mises (página de zoeira em homenagem: Igreja Olaval do Reino de Mises) [8] [9]

Notas:


[1] Eles usaram socialismo como sinônimo de marxismo, e argumentaram que tal área possui pretensões claras de ser ciência, e que, segundo eles, por não obedecer um conjunto de regras, ela seria pseudocientífica, em alusão a Popper e seu critério de demarcação.

[2] Eles confundiram socialismo com marxismo ou foram desonestos em unificá-los.

[3] http://en.wikipedia.org/wiki/Mont_Pelerin_Society

[4] http://rationalwiki.org/wiki/Ludwig_von_Mises

[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Praxeology

[6] http://liberdadeemfoco.com/libert/?page_id=2

[7] http://rationalwiki.org/wiki/Austrian_school

[8] http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=274

[9] http://www.midiasemmascara.org/arquivos/3054-a-praxeologia-e-a-ciencia-economica.html
[10]


https://medium.com/@DouglasRodrigues/a-pseudociencia-economica-de-ludwig-von-mises-f806e13cc398#.o68ye8syh
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lakatos em 05 de Junho de 2016, 22:23:42
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 06 de Junho de 2016, 08:54:21
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 06 de Junho de 2016, 10:07:41
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.




Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 06 de Junho de 2016, 11:38:17
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.


Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?



Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.



Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 06 de Junho de 2016, 11:44:54



Mas, antecipando ao seu trabalho, os próprios adeptos da ideologia admitem não serem capazes de fazerem previsões que sejam realmente falsificáveis.  Ou seja eles admitem que não conseguem passar  pelo critério proposto por  Karl Popper.


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 06 de Junho de 2016, 13:45:59
Depois que eu li um texto que Rothbard escreveu falando que a dialética é melhor e mais confiável que a matemática eu passei a ficar com o pé muito mais atrás em relação à Escola Austríaca, que eu já não era muito fã.

Gosto em especial da Escola de Chicago, de Milton Friedman e do conceito de Expectativa Racional, que é bem mais próximo da realidade que os libertários anarcocapitalistas de Viena pregam.

https://en.wikipedia.org/wiki/Rational_expectations

É interessante também as ideias da escola de Freiburg, apesar de não gostar de algumas interferências na economia propostas por eles. Eles foram os formuladores do Ordoliberalismo que temos na Alemanha e que pelo visto deu certo.É uma variante do Liberalismo Social, no qual eu simpatizo muito.

https://en.wikipedia.org/wiki/Freiburg_school

https://en.wikipedia.org/wiki/Ordoliberalism
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Geotecton em 06 de Junho de 2016, 13:46:06
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?
A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.
Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

A metereologia consegue fornecer, com precisão minuto-a-minuto, qual será o clima e temperatura na parte oeste da cidade de Irati (Paraná) em: 30/05/2017; 16/08/2018 e 21/12/2019?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Euler1707 em 06 de Junho de 2016, 18:01:06
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.
Tá "serto". O libertarianismo não existia até Mises nascer, ele é o Jesus dos libertários.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Euler1707 em 06 de Junho de 2016, 18:05:50
O que é pseudociência? (Introdução para quase-leigos)
Pseudociência (artigo introdutório sobre o tema: http://universoracionalista.org/pseudociencias/) é aquela área do conhecimento que possui uma epistemologia de caráter injustificável.
Essa parte ficou meio vaga, e dependendo do critério de "justificável", até a ciência poderia ser pseudo-científica.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 06 de Junho de 2016, 20:10:49
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.




Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?

Embora talvez possa-se em última instância traçar alguma ligação com praxeologia a essas "previsões", não é algo que derivaria muito diretamente, ou, "necessariamente", disso (o contrário tem um quê da lógica "impostos não devem ser exageradamente altos, logo, tudo que Mises disse está correto"). Previsões de alguns libertários/austrianistas não tem nem "nada a ver" nem com economia, mas com tradições políticas dos países e regiões ("dinheiro dos pagadores de impostos irá reconstruir a Palestina e o Afeganistão", etc).

No que for mais diretamente economia, provavelmente pode chegar a conclusões similares sobre economia sem partir de praxeologia (talvez com embasamento empírico), e até aceitar modelos matemáticos (como a escola de Chicago), e então provavelmente fazer "previsões" similares (sem falar de talvez ser possível fazer previsões diferentes partindo dos mesmos princípios praxeológicos, que acho que não chega a ser como uma "matemática" onde 2+2=4). Ou mesmo ter visões econômicas bastante diferentes, como marxismo, neo-marxismo, pós-keynesianismo e o escambau, e também fazer as mesmas "previsões". (http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/2011/12/austrians-predicted-housing-bubble-but.html)

Citar
http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/2011/12/austrians-predicted-housing-bubble-but.html
...
It is obvious that Austrians identifying a housing bubble from 2003–2004 onwards should not regarded as having any special predictive power. They were merely identifying an on-going phenomenon. It is, furthermore, notable that when some Austrians identified a housing bubble in the first half of 2002, so too did the Keynesian economist Dean Baker.

We must remember that any “predictions” after 2002 are not even predictions at all: they represent people identifying an existing asset bubble that was becoming worse.
...




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 06 de Junho de 2016, 22:51:43
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?
A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.
Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

A metereologia consegue fornecer, com precisão minuto-a-minuto, qual será o clima e temperatura na parte oeste da cidade de Irati (Paraná) em: 30/05/2017; 16/08/2018 e 21/12/2019?


Não. A meteorologia consegue fazer previsões com razoável grau de acerto para mais ou menos até cinco dias. Entretanto veja que quem sugeriu que a teoria do Mises era científica porque acertava previsões foi o Lorentz, o que eu fiz foi apenas solicitar as previsões para poder comparar com a realidade posteriormente.

E veja também que o problema da praxeologia já começa logo no início ao depender da ideia furada de livre arbítrio (e conforme o texto também do dualismo).  O livre arbítrio é uma ideia muito boa... para a religião...

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 06 de Junho de 2016, 23:03:01
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?
A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.
Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

A metereologia consegue fornecer, com precisão minuto-a-minuto, qual será o clima e temperatura na parte oeste da cidade de Irati (Paraná) em: 30/05/2017; 16/08/2018 e 21/12/2019?

"Então a psicanálise aplicada à economia é tão válida quanto a meteorologia"... :hein:











Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


Citar

In my view, a useful division of modern Austrians would be as follows:

(1) The Anarcho-capitalists
E.g., Murray Rothbard, Hans-Hermann Hoppe and Jörg Guido Hülsmann;

(2) The minimal state/classical liberal Austrians in the tradition of Mises
This variety often supports praxeology and utilitarianism;

(3) Hayek’s economics, with a minimal state, and with an empirical (or Popperian) approach to economic method, in place of praxeology;

(4) Moderate subjectivist Austrians
E.g., Israel Kirzner and Roger Garrison;

(5) Radical subjectivists like Ludwig M. Lachmann (1906–1990), and Austrians influenced by him.


http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/p/blog-page.html


(Em outro tópico eu chutava que Mises seria meio utilitarianista/óide, bom saber que provavelmente não foi tão bola fora assim, provavelmente, já que esse cara certamente os estudou mais do que eu)
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 06 de Junho de 2016, 23:27:15
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?

Para os da Escola Austríaca sim.

Agora, para os de Chicago e outros seguimentos libertários(são vários), absolutamente não.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Euler1707 em 06 de Junho de 2016, 23:28:27
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.
Você está usando o conceito de previsão econômica distinta da de Mises. Pra você, uma teoria econômica válida é aquela onde os modelos matemáticos conseguem descrever e prever fenômenos físicos com um certo grau de acerto, mas a praxeologia não faz previsões matemáticas, isso porque ela não usa a matemática como ferramenta (mas isso não os impede de usar estatísticas), e sim a lógica. Você está age de maneira burra ao descartar toda a teoria econômica da escola austríaca e tratá-la como se ela fosse um criacionismo por esse critério estúpido de "epistemologia de caráter injustificável", como se as premissas da praxeologia não o fossem.
Você já se perguntou o por quê da ciência e da matemática darem sempre resultados corretos? Se não, então saiba que é porque todos os resultados finais são logicamente consistentes com suas premissas, e só. Eu vou te dar o seguinte exemplo: um biólogo quer criar um modelo que explique o crescimento populacional de uma dada espécie de coelho; Ele sabe quanto mais coelho se tem, mais rápido a população vai crescer (seria essa uma premissa válida?), isso porque quanto mais coelho se tem, mais eles se reproduzem. Ele então cria uma fórmula matemática para descrever essa dada população: P_c%28t%29%3DC_1+e%5E%7BC_2+t%7D. Essa fórmula, após ser testada, consegue com um certo grau de acerto prever a população de coelhos (P_c) no tempo t. Qual a razão desse sucesso? a premissa inicial de que a taxa de reprodução é proporcional à população é válida, e o modelo matemático obtido de maneira lógica à partir dessa premissa é consistente (e só). As previsões da praxeologia não precisam ter um modelo matemático para serem corretas, basta as sua previsas serem válidas e as previsões serem consistentes com as premissas.
O motivo de Mises ter se utilizado da praxeologia, ao invés de análises mais matemáticas, se deve ao fato de que a ciência econômica é bastante dinâmica, isto é, o mercado é um sistema dinâmico complexo (cada parte do mercado pode afetar uma outra parte do mercado) e além disso, o mercado não é um sistema isolado, sendo assim, é preferível uma análise mais geral do comportamento dos agentes econômicos (e isso é feito pela praxeologia), do que uma análise de cada agente econômico. Mises previu, à partir do comportamento dos agentes econômicos da época, que haveria sim uma crise (a crise de 1929), e ele acertou.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 05:13:28
Bônus

O Olavo é fã do Instituto Mises (página de zoeira em homenagem: Igreja Olaval do Reino de Mises)

Na boa, procure uma crítica que dê algum conteúdo, essa aqui é boa:
https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2014/06/21/contra-a-praxeologia-a-favor-da-ciencia/

Colocar como pseudociência um ramo do conhecimento, que como Mises colocou, é apriorístico, assim como a lógica e a matemática, já fica clara a falha de raciocínio. A Praxologia não é empírica pra ser chamada de ciência ou pseudo pela definição estrita de ciência.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 05:23:35
A Praxeologia nunca teve importância no meio acadêmico. Esse é o principal motivo do porquê a EA é colocada de lado entre as escolas mainstream. Mas o modelo praxeológico foi aprimorado por Rothbard, aluno de Mises e hoje domina o austro-libertariasmo. Hayek não utilizava metodologia praxeológica mas sua crítica à metodologia mainstream é a mesma do Mises. Quiseram usar um método feito pra estudar a natureza para estudar pessoas e sociedade.

A Praxeologia, como coloca Mises, não é apenas um método, é a ciência da ação humana, e que deve se deriva a economia, a sociologia e etc.. O tal do "individualismo metodológico" da EA.

Não tenho capacidade intelectual nem 1% do conhecimento necessário pra opinar sobre a validade desse método (que mesmo errado, não seria uma pseudociência). Se existir cinco pessoas com essa capacidade no Brasil, vou achar muito.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 05:29:27
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

Essa pergunta não faz o menor sentido dentro da praxeologia. A praxeologia gera conhecimento teórico do funcionamento da economia. Se baseia em vários ceteris paribus. O que você tá pedindo é uma onisciência baseada em historicismo ou econometria, isso pra criticar um modelo de análise baseado na ação humana individual, ou seja, o completo oposto. Sua pergunta é tão absurda que deveria ser feita para as metodologias acadêmicas atuais.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 05:46:01
Praxeologia: o método dos economistas austríacos

Praxeologia é a distinta metodologia da Escola Austríaca. O termo foi inicialmente aplicado ao método austríaco por Ludwig von Mises, que foi não apenas o maior arquiteto e elaborador dessa metodologia mas também o economista que mais completamente e de forma mais bem-sucedida a aplicou na construção da teoria econômica.[1] Enquanto o método praxeológico é fora de moda, para dizer o mínimo, na economia contemporânea bem como em ciências sociais no geral e em filosofia da ciência, ele foi o método básico no início da Escola Austríaca e também de um considerável segmento da antiga escola clássica, em particular de J. B. Say e Nassau W. Senior.[2]

A praxeologia se baseia no axioma fundamental de que indivíduos agem, ou seja, no fato primordial de que indivíduos participam de ações conscientes visando objetivos escolhidos. Esse conceito de ação contrasta com o comportamento puramente reflexivo, ou automático, que não é dirigido para objetivos. O método praxeológico estende, por dedução verbal, as implicações lógicas desse fato primordial. Em resumo, a economia praxeológica é a estrutura de implicações lógicas do fato de que indivíduos agem. Essa estrutura é construída sobre o axioma fundamental da ação, e tem alguns axiomas auxiliares, tais como os indivíduos são diferentes e que seres humanos consideram lazer como um bem valioso. Para qualquer cético em relação a se deduzir de tal base simples um sistema inteiro de economia, eu recomendo o livro Ação Humana de Mises. Além disso, uma vez que a praxeologia inicia com um axioma verdadeiro, A, todas as proposições que podem ser deduzidas desse axioma têm que ser verdadeiras, pois se A implica B, e A é verdadeiro, então B tem também que ser verdadeiro.

Consideremos algumas das implicações imediatas do axioma da ação. Ação implica que o comportamento do indivíduo é proposital, em resumo, que é direcionado a objetivos. Além disso, o fato de ele agir implica que ele conscientemente escolheu certos meios para atingir seus objetivos. Uma vez que ele deseja atingir esses objetivos, estes devem ser valiosos a ele; de acordo com isso ele deve ter valores que governam as suas escolhas. Que ele emprega meios implica que ele acredita que ele tem o conhecimento tecnológico que certos meios irão atingir seus fins desejados. Notemos que a praxeologia não assume que a escolha de valores e objetivos pela pessoa é sábia ou adequada ou que ela escolheu o método tecnologicamente correto de atingi-los. Tudo o que a praxeologia afirma é que o indivíduo agente adota objetivos e acredita, quer erroneamente, quer corretamente, que ele pode chegar a eles pelo emprego de certos meios.

Toda ação no mundo real, além disso, deve realizar-se através do tempo; toda ação tem lugar em algum presente e é direcionada para a realização futura (imediata ou remota) de um fim. Se todos os objetivos de um pessoa pudessem ser instantaneamente realizados, não haveria razão alguma para que ela agisse.[3] Além do mais, que um homem age implica que ele acredita que a ação fará alguma diferença; em outras palavras, que ele prefere a situação resultante da ação àquela de nenhuma ação. Portanto, ação implica que o homem não tem conhecimento onisciente do futuro; pois se tivesse tal conhecimento, nenhuma ação de sua parte faria qualquer diferença. Assim, ação implica que nós vivemos em um mundo de um futuro incerto, ou não totalmente certo. Assim, nós podemos retificar a nossa análise da ação e dizer que o homem decide empregar meios de acordo com o seu plano tecnológico no presente porque ele espera atingir seus objetivos em algum tempo futuro.

O fato de que as pessoas agem necessariamente implica que os meios empregados são escassos em relação aos fins desejados; pois, se todos os meios não fossem escassos, mas superabundantes, os fins já teriam sido atingidos, e não haveria necessidade de ação. Colocado de outra forma, recursos que são superabundantes não mais funcionam como meios, porque eles deixam de ser objetos da ação. Assim, o ar é indispensável para a vida e, portanto, para o alcance de objetivos; entretanto, o ar sendo superabundante não é um objeto da ação e, portanto, não pode ser considerado como um meio, mas como o que Mises chamou uma “condição geral do bem-estar humano”. Onde o ar não é superabundante, ele pode se tornar um objeto de ação, por exemplo, onde ar frio é desejado e ar quente é transformado pelo condicionador de ar. Mesmo com o absurdamente improvável advento do Éden (ou o que uns poucos anos atrás foi considerado em alguns círculos como sendo um eminente mundo “pós-escassez”), no qual todos os desejos podem ser satisfeitos instantaneamente, ainda haveria pelo menos um meio escasso: o tempo do indivíduo, do qual cada unidade, se alocada para um propósito, é necessariamente não alocada para algum outro objetivo.[4]

Tais são algumas das implicações imediatas do axioma da ação. Nós chegamos a elas ao deduzirmos as implicações lógicas do fato existente da ação humana e, portanto, deduzimos conclusões verdadeiras de um axioma verdadeiro. Apesar do fato de que essas conclusões não podem ser “testadas” por meios históricos ou estatísticos, não há necessidade de testá-las uma vez que suas verdades já foram estabelecidas. Um fato histórico entra nessas conclusões apenas para determinar qual o ramo da teoria é aplicável em cada caso particular. Assim, para Crusoé e Sexta-Feira em sua ilha deserta, a teoria praxeológica do dinheiro é de interesse apenas acadêmico, em vez de um interesse aplicável no momento. Uma análise mais completa da relação entre teoria e história na abordagem praxeológica será considerada abaixo.

Existem, então, duas partes desse método axiomático-dedutivo: o processo de dedução e o status epistemológico dos próprios axiomas. Primeiro, há o processo de dedução; por que existem meios verbais em vez da lógica matemática?[5] Sem apresentar o abrangente argumento contra a economia matemática, um ponto pode ser imediatamente levantado: deixemos o leitor tomar as implicações do conceito de ação como desenvolvido até aqui neste artigo e tentar colocá-las em uma forma matemática. E mesmo que isso pudesse ser feito, o que teria sido alcançado exceto uma drástica perda do significado em cada passo do processo dedutivo? A lógica matemática é apropriada à física – a ciência que tem se tornado a ciência-modelo, que positivistas e empiristas modernos acreditam que todas as outras ciências sociais e físicas deveriam emular. Em física, os axiomas e, portanto, as deduções são em si mesmas puramente formais e apenas adquirem significado “operacionalmente” na medida em que elas podem explicar e prever certos fatos. Por outro lado, na praxeologia, na análise da ação humana, sabe-se que os próprios axiomas são verdadeiros e têm significado. Como resultado, cada dedução verbal passo-a-passo é também verdadeira e tem significado; é pela grande qualidade das proposições verbais que cada uma tem significado, enquanto símbolos matemáticos não têm significado em si mesmos. Assim, Lord Keynes, muito pouco austríaco e ele mesmo um matemático digno de nota, dirigiu a seguinte crítica ao simbolismo matemático em economia:

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“É uma grande falha dos métodos simbólicos pseudo-matemáticos de formalizar um sistema de análise econômica, já que eles assumem estrita independência entre os fatores envolvidos e perdem toda a sua habilidade persuasiva e autoridade se essa hipótese não é permitida: enquanto que no discurso normal, onde nós não estamos cegamente manipulando mas sabemos a todo tempo o que estamos fazendo e o que as palavras significam, podemos manter ‘ao fundo do nosso pensamento’ as reservas e qualificações necessárias e os ajustes que tivermos que fazer mais adiante, de uma forma que nós não podemos usar para manter complicadas diferenciais parciais ‘ao fundo de’ várias páginas de álgebra que assumem que todas elas se cancelam. Uma proporção muito grande da recente economia ‘matemática’ são meras invenções, tão imprecisas quanto as premissas iniciais em que se baseiam, o que permite que o autor perca de vista as complexidades e interdependências do mundo real em um labirinto de símbolos pretensiosos e inúteis.”[6]
Além do mais, mesmo se a economia verbal pudesse ser traduzida em símbolos matemáticos com sucesso e então retraduzida para o inglês a fim de explicar as conclusões, o processo não faz sentido e viola o grande princípio cientìfico da navalha de Occam: evitar desnecessária multiplicação de entidades.[7]

Além disso, como o cientista político Bruno Leoni e o matemático Eugenio Frola apontaram,

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“Frequentemente se afirma que a tradução de tal conceito como o máximo da linguagem normal para a linguagem matemática envolve uma melhora na exatidão lógica do conceito, bem como oportunidades mais abrangentes para o seu uso. Mas a falta de precisão matemática na linguagem normal reflete precisamente o comportamento dos seres humanos no mundo real. … Nós podemos suspeitar que a tradução para a linguagem matemática por si mesma implica uma sugerida transformação de operadores econômicos humanos em robôs virtuais.”[8]

De forma parecida, um dos primeiros metodologistas em economia, Jean-Baptiste Say, criticou os economistas matemáticos por

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“não terem sido capazes de enunciar essas questões em linguagem analítica, sem desprovê-las de suas naturais complicações, por meio de simplificações e supressões arbitrárias, cujas consequências, não estimadas adequadamente, sempre mudam essencialmente a condição do problema e perverte todos os seus resultados.”[9]

Mais recentemente, Boris Ischboldin tem enfatizado a diferença entre lógica verbal ou “linguística” (“a análise real do pensamento declarado pela linguagem expressiva da realidade como compreendido na experiência comum”) e a lógica “construtiva”, que é “a aplicação de dados quantitativos (econômicos) de construção da matemática e lógica simbólica cujas construções podem ou não ter equivalentes reais”.[10]

Ainda que fosse ele mesmo um economista matemático, o matemático filho de Carl Menger escreveu uma dura crítica à ideia de que a apresentação matemática em economia é necessariamente mais precisa do que a linguagem normal:

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“Considere, por exemplo, os enunciados (2): A um preço mais elevado de um bem corresponde uma mais baixa (ou a qualquer taxa, uma não mais alta) demanda.

(2′): Se p denota o preço de um bem e q a sua demanda, então

q = f(p) e dq/dp = f’(p) = 0

Aqueles que consideram a fórmula (2′) como mais precisa ou “mais matemática” do que a sentença (2) estão sob completo equívoco … a única diferença entre (2) e (2′) é essa: uma vez que (2′) é limitada a funções que são diferenciáveis e cujos gráficos, portanto, têm tangentes (que de um ponto de vista econômico não são mais plausíveis do que a curvatura), a sentença (2) é mais geral, mas de forma alguma menos precisa: ela tem a mesma precisão matemática do que (2′).”[11]

Indo do processo de dedução para os próprios axiomas, qual o seu status epistemológico? Aqui os problemas se tornam obscuros pela diferença de opinião dentro do campo praxeológico, em particular no que diz respeito ao axioma fundamental da ação. Ludwig von Mises, um adepto da epistemologia kantiana, afirmava que o conceito de ação é a priori a toda experiência, porque ele é, como a lei de causa e efeito, parte do “caráter essencial e necessário da estrutura lógica da mente humana”. [12]Sem analisar muito profundamente as turvas águas da epistemologia, eu negaria, como um aristotélico e neotomista, qualquer suposta “lei de estrutura lógica” que a mente humana necessariamente impõe à estrutura caótica da realidade. Pelo contrário, eu chamaria tais leis de “leis da realidade”, as quais a mente compreende ao investigar e comparar os fatos do mundo real. Meu ponto de vista é que o axioma fundamental e os axiomas auxiliares são derivados da experiência da realidade e são, portanto, empíricos no sentido mais abrangente. Eu concordaria com a visão realista aristotélica de que sua doutrina é radicalmente empírica, muito mais do que o empiricismo pós-humeano que é dominante na filosofia moderna. Assim, John Wild escreveu:

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“É impossível reduzir a experiência a um conjunto de impressões isoladas e unidades atômicas. Estrutura relacional é também dada com igual evidência e certeza. Os dados imediatos são cheios de estrutura determinada, que é facilmente abstraída pela mente e compreendida como essências e possibilidades universais.”[13]

Além do mais, um dos dados comuns de toda a experiência humana é a existência; outro é a consciência. Em contraste com a visão kantiana, Harmon Champman escreveu que

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“a concepção é um tipo de consciência, uma forma de compreender coisas ou entendê-las e não uma suposta manipulação subjetiva das assim chamadas generalidades ou universalidades unicamente ‘mentais’ ou ‘lógicas’ em suas origens e não cognitivas por natureza.

Que então ao penetrar os dados dos sentidos, a concepção também sintetiza esses dados é evidente. Mas a síntese aqui envolvida, ao contrário da síntese de Kant, não é uma condição anterior à percepção, um processo anterior que constitui ambos a percepção e seu objeto, mas, pelo contrário, uma síntese cognitiva de compreensão, ou seja, uma união ou ‘entendimento’ que é um com a própria compreensão. Em outras palavras, percepção e experiência não são resultados ou produtos finais de um processo sintético a priori, mas são eles mesmos sintéticos ou entendimento compreensivo cuja unidade estruturada é prescrita unicamente pela natureza do real, ou seja, pelos objetos pretendidos em sua essência e não pela própria consciência cuja natureza (cognitiva) é de compreender a realidade – como ela é.”[14]

Se, no sentido mais amplo, os axiomas da praxeologia são radicalmente empíricos, eles estão longe do empirismo pós-humeano que permeia a moderna metodologia das ciências sociais. Além das considerações supracitadas, (1) eles são tão amplamente baseados na experiência humana comum que, uma vez enunciados, eles se tornam autoevidentes e, portanto, não cumprem o corrente critério de “falseabilidade”; (2) eles se baseiam, em particular o axioma da ação, na experiência interna universal, bem como na experiência externa, ou seja, a evidência é reflexiva ao invés de puramente física; e (3) eles são, portanto, a priori aos complexos eventos históricos aos quais o empiricismo moderno confina o conceito de “experiência.”[15]

Say, talvez o primeiro praxeologista, explicou a derivação dos axiomas da teoria econômica como segue:

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“Daí a vantagem desfrutada por todos que, através de distinta e precisa observação, podem estabelecer a existência desses fatos gerais, demonstram sua conexão e deduzem suas consequências. Elas tão certamente seguem da natureza das coisas como as leis do mundo material. Nós não as imaginamos; elas são resultados a nós revelados através de judiciosa obervação e análise…

A economia política … é composta de alguns poucos princípios fundamentais e de um grande número de corolários e conclusões, obtidos desses princípios … que podem ser admitidos por toda mente reflexiva.”[16]

Friedrich A. Hayek descreve duramente o método praxeológico em contraste com a metodologia das ciências físicas e também destacou a abrangente natureza empírica dos axiomas praxeológicos:

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“A posição do homem … resulta em que os fatos básicos essenciais de que precisamos para a explicação de fenômenos sociais são parte da experiência comum, parte da substância do nosso pensamento. Nas ciências sociais são os elementos dos fenômenos complexos que se sabem estar além da possibilidade de contestação. Nas ciências naturais eles podem ser apenas especulados, na melhor da hipóteses. A existência desses elementos é tão mais certa do que quaisquer regularidades nos fenômenos complexos dos quais eles surgem que são eles que constituem o verdadeiro fator empírico nas ciências sociais. Não pode haver muita dúvida de que é essa diferente posição do fator empírico no processo de raciocínio nos dois grupos de disciplinas que está na raiz da grande confusão com respeito ao seus caracteres lógicos. A diferença essencial é que nas ciências naturais o processo de dedução tem que iniciar de alguma hipótese que é o resultado de generalizações indutivas, enquanto que nas ciências sociais isso inicia diretamente dos elementos empiricamente conhecidos e se usa-os para encontrar as regularidades nos fenômenos complexos que não podem ser estabelecidos por observações diretas. Elas são, por assim dizer, ciências empiricamente dedutivas, procedendo dos elementos conhecidos às regularidades nos fenômenos complexos que não podem ser diretamente estabelecidos.”[17]

De forma similar, J. E. Cairnes escreveu:

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“O economista inicia com o conhecimento das causas finais. Ele já está, no início da sua empreitada, na posição que o físico apenas alcança após um período de laboriosa pesquisa… pois para a descoberta de tais premissas nenhum processo elaborado de indução é necessário… por essa razão nós temos, ou podemos ter se escolhermos voltar nossa atenção a esse assunto, conhecimento direto dessas causas em nossas consciências do que se passa em nossas mentes e nas informações que os nossos sentidos transmitem … para nós dos fatos externos.”[18]

Nassau W. Senior expressou isso da seguinte forma:

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“As ciências físicas, estando apenas em segundo plano em termos de familiarização com a mente, obtêm suas premissas quase que exclusivamente de observação ou hipótese. … Por outro lado, as ciências mentais e as artes mentais derivam as suas premissas principalmente da consciência. Os objetos com os quais elas estão primariamente familiarizados são as operações da mente humana. [Essas premissas são] algumas poucas proposições gerais, que são resultado de observação, ou consciência, e que quase todo homem admite logo que as ouve, como familiares aos seus pensamentos, ou ao menos inclusas em seu conhecimento prévio.”[19]

Comentando a respeito de que estava completamente de acordo com essa passagem, Mises escreveu que essas “proposições imediatamente evidentes” são “de derivação apriorística … a não ser que alguém deseje chamar cognição apriorística de experiência interna.”[20]

Sobre isso Marian Bowley, uma biógrafa de Senior, justamente comentou:

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“A única diferença fundamental entre as posições gerais de Mises e Senior está na aparente negação de Mises da possibilidade de usar qualquer dado empírico geral, ou seja, fatos da observação geral, como premissas iniciais. Essa diferença, entretanto, se volta contra as ideias básicas de Mises sobre a natureza do pensamento, e apesar de importância filosófica geral, tem pouca relevância ao método econômico como tal.”[21]

Deve-se notar que para Mises é apenas o axioma fundamental da ação que é a priori; ele reconhece que os axiomas auxiliares da diversidade da humanidade e natureza e do lazer como um bem de consumo são largamente empíricos.

A filosofia moderna pós-kantiana tem tido bastante problema em englobar proposições autoevidentes, que são marcadas precisamente por sua forte e evidente verdade e não por serem hipóteses testáveis, que são, no estado atual, consideradas “falsificáveis”. Às vezes parece que os empiricistas usam a moderna dicotomia analítica-sintética, como o filósofo Hao Wang acusou, para descartar teorias que acham difíceis de refutar ao rejeitá-las como necessariamente definições disfarçadas ou hipóteses questionáveis e incertas.[22]

Mas e se submetermos a celebrada “evidência” dos modernos positivistas e empiristas à análise? O que é isso? Nós descobrimos que há dois tipos de tal evidência que confirma ou refuta uma proposição: (1) se ela viola as leis da lógica, por exemplo, implica que A = -A; ou (2) se é confirmada por fatos empíricos (como num laboratório) que podem ser checados por muitas pessoas. Mas qual seria a natureza de tal “evidência” se não levar, por vários meios, de proposições até agora nebulosas e obscuras para uma visão clara e evidente, ou seja, evidente aos observadores científicos? Em resumo, processos lógicos ou de laboratório servem para tornar evidente às “consciências” dos vários observadores que as proposições são confirmadas ou refutadas, ou, para usar uma terminologia ultrapassada, verdadeiro ou falso. Mas nesse caso, proposições que são imediatamente evidentes às consciências dos observadores têm ao menos status científico tão bom quanto a outra e atualmente formas de evidência mais aceitáveis. Ou, como colocou o filósofo tomista John J. Toohey,

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“Provar significa tornar evidente algo que não é evidente. Se uma verdade ou proposição é autoevidente, é inútil tentar prová-la; tentar prová-la seria tentar tornar evidente algo que já é evidente.”[23]

O axioma da ação em particular deveria ser, de acordo com a filosofia aristotélica, incontestável e autoevidente, uma vez que o crítico que tenta refutá-la descobre que ele deve usá-lo no processo da suposta refutação. Assim, o axioma da existência da consciência humana é demonstrado como autoevidente pelo fato de que o próprio ato de negar a existência da consciência deve ser ele próprio realizado por um ser consciente. O filósofo R. P. Phillips chamou esse atributo de um axioma autoevidente de “princípio bumerangue”, uma vez que “mesmo que o arremessássemos para longe de nós, ele voltaria.”[24] Uma autocontradição semelhante encara o homem que tenta refutar o axioma da ação. Uma vez que ao fazê-lo, ele é ipso facto uma pessoa fazendo uma escolha consciente dos meios de tentar atingir um fim determinado: nesse caso o fim, ou objetivo, de tentar refutar o axioma da ação. Ele emprega ação em tentar refutar a noção de ação.

Obviamente, uma pessoa pode dizer que nega a existência de princípios autoevidentes ou outras verdades estabelecidas do mundo real, mas essa mera fala não tem validade epistemológica. Como apontou Toohey,

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“Um homem pode falar qualquer coisa que lhe agrade, mas ele não pode pensar ou fazer qualquer coisa que lhe agrade. Ele pode falar que viu um quadrado redondo, mas ele não pode pensar que viu um quadrado redondo. Ele pode dizer, se ele gostar, que viu um cavalo montado com uma perna de cada lado em suas próprias costas, mas nós devemos saber o que pensar dele se ele falar isso.”[25]

A metodologia do positivismo e empiricismo moderno falha mesmo nas ciências físicas, para as quais ela é muito mais apropriada do que para as ciências da ação; de fato, ela falha particularmente onde os dois tipos de disciplina se interconectam. Assim, o fenomenologista Alfred Schtz, um aluno de Mises em Viena, que foi pioneiro em aplicar a fenomenologia às ciências sociais, apontou a contradição na insistência dos empiristas no princípio da verificabilidade empírica na ciência, enquanto ao mesmo tempo negam a existência de “outras mentes” como inverificável. Mas quem deveria fazer a verificação de laboratório se não as próprias “outras mentes” dos reunidos cientistas? Schtz escreve:

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“Não é compreensível que os mesmos autores que estão convencidos de que nenhuma verificação da inteligência de outros seres humanos é possível tenham tal confiança no princípio da verificabilidade, que pode ser cumprido apenas através da cooperação com os outros.”[26]

Nesse sentido, os empiristas modernos ignoram as pressuposições necessárias do próprio método científico que eles defendem. Para Schtz, o conhecimento de tais pressuposições é “empírica” em seu sentido mais amplo,

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“dado que não restringimos esse termo às percepções sensoriais de objetos e eventos no mundo externo mas incluímos a forma da experiência, pela qual o pensamento do senso comum na vida cotidiana entende ações humanas e seus resultados em termos de seus motivos e objetivos fundamentais.”[27]

Tendo lidado com a natureza da praxeologia, seus procedimentos e axiomas e sua base filosófica, consideremos qual é a relação entre praxeologia e as outras disciplinas que estudam a ação humana. Em particular, quais as diferenças entre a praxeologia e tecnologia, psicologia, história e ética – todas em certo sentido interessadas na ação humana?

Em resumo, a praxeologia consiste nas implicações lógicas do fato formal universal de que as pessoas agem, que elas empregam meios de tentar atingir os fins escolhidos. A tecnologia lida, em termos de conteúdo, com o problema de como atingir fins pela adoção de meios. A psicologia lida com a questão do porquê as pessoas adotam vários fins e como eles chegam a adotá-los. A ética lida com a questão de quais fins, ou valores, as pessoas devem adotar. E a história lida com os fins adotados no passado, quais meios foram usados ao tentar atingi-los – e quais foram as consequências dessas ações.

A praxeologia, ou a ciência econômica em particular, é, portanto, uma disciplina única dentro das ciências sociais; uma vez que, em contraste com as outras, ela lida não com o conteúdo dos valores, objetivos ou ações dos homens – não com o que eles fizeram ou como eles agiram ou como eles devem agir – mas puramente com o fato de que eles têm objetivos e agem para atingi-los. As leis da utilidade, demanda, oferta e preço se aplicam independentemente do tipo de bens e serviços desejados ou produzidos. Como Joseph Dorfman escreveu sobre o Outlines of Economic Theory de Herbert J. Davenport (1896):

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“O caráter ético dos desejos não foi parte fundamental de sua investigação. Os homens trabalham e se submetem à privação por ‘whiskey, cigarros e burglars’ jimmies’ ele disse, ‘bem como para comida, estátuas ou maquinário para colheita’. Enquanto os homens forem dispostos a comprar e vender ‘tolice e maldade’, as primeiras commodities seriam fatores econômicos com um lugar no mercado, pela utilidade, como um termo econômico, significando meramente a adaptabilidade aos desejos humanos. Enquanto os homens a desejarem, elas satisfariam uma necessidade e seriam motivos para a sua produção. Portanto, a economia não precisa investigar a origem das escolhas.”[28]

A praxeologia, bem como os sensatos aspectos das outras ciências sociais, se baseia no individualismo metodológico, no fato de que apenas indivíduos sentem, valorizam, pensam e agem. O individualismo foi sempre acusado pelos seus críticos – e sempre de forma incorreta – com a premissa de que cada indivíduo é um “átomo” hermeticamente fechado, separado e não influenciado por outras pessoas. Essa má interpretação absurda do individualismo metodológico está na raiz da triunfante demonstração de J. K. Galbraith em The Affluent Society (Boston, Houghton Mifflin, 1958) de que os valores e escolhas dos indivíduos são influenciadas por outras pessoas e, portanto, supostamente que a teoria econômica é inválida. Galbraith também conclui de sua demonstração que essas escolhas, por serem influenciadas, são artificiais e ilegítimas. O fato de a teoria econômica praxeológica se basear no fato universal de valores e escolhas individuais significa, repetindo o resumo de Dorfman do pensamento de Davenport, que a teoria econômica “não precisa investigar a origem das escolhas”. A teoria econômica não é baseada na premissa absurda de que todo o indivíduo chega aos seus valores e escolhas em um vácuo, imune à influência humana. Obviamente, os indivíduos estão continuamente aprendendo e influenciando uns aos outros. Como F. A. Hayek escreveu em sua justamente famosa crítica a Galbraith, “The Non Sequitur of the ‘Dependence Effect’”:

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“O argumento do Professor Galbraith poderia ser facilmente empregado, sem qualquer mudança dos termos essenciais, para demonstrar a inutilidade da literatura ou qualquer outra forma de arte. Certamente um desejo do indivíduo por literatura não originário de si mesmo no sentido de que ele a experimentaria se a literatura não fosse produzida. Isso significa então que a produção de literatura não pode ser defendida como satisfazendo um desejo porque é apenas a sua produção que provoca a sua demanda?”[29]

Que a Escola Austríaca de economia se baseia desde o início na análise do fato das escolhas e valores subjetivos individuais infelizmente levou os primeiros austríacos a adotar o termo escola psicológica. O resultado foi uma série de críticas desorientadas de que os últimos achados da psicologia não tinham sido incorporados à teoria econômica. Isso levou também a equívocos tais como que a lei da utilidade marginal decrescente se baseia em alguma lei psicológica da saciedade dos desejos. Na realidade, como Mises firmemente apontou, essa lei é praxeológica em vez de psicológica e não tem nada a ver com o conteúdo dos desejos, por exemplo, que a décima colher de sorvete pode não ter um sabor tão prazeroso do que a nona colher. Pelo contrário, essa é uma verdade praxeológica, derivada da natureza da ação, que a primeira unidade de um bem será alocada para o seu uso mais valioso, a próxima unidade para o próximo uso mais valioso, e assim por diante.[30] Em um ponto, e em um ponto apenas, a praxeologia e as ciências da ação humana relacionadas tomam uma posição em relação à psicologia filosófica: sobre a proposição de que a mente humana, a consciência e a subjetividade existem e, portanto, a ação existe. Nesse sentido se opõe à base filosófica do behaviorismo e doutrinas relacionadas e se une a todos os ramos da filosofia clássica e à fenomenologia. Em todas as outras questões, entretanto, praxeologia e psicologia são disciplinas distintas e separadas.[31]
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 05:48:44
Uma questão particularmente vital é a relação entre teoria econômica e história. Aqui novamente, como em muitas outras áreas da economia austríaca, Ludwig von Mises fez uma excepcional contribuição, particularmente em seu Teoria e História.[32] É especialmente curioso que Mises e outros praxeologistas, como supostos “aprioristas”, têm geralmente sido acusados de se “oporem” à história. Mises de fato defendia não apenas que a teoria econômica não precisa ser “testada” por fatos históricos mas também que não pode ser testada dessa forma. Para um fato ser útil em testar teorias, ele deve ser um fato simples, homogêneo em relação a outros fatos em classes acessíveis e passíveis de repetição. Resumindo, a teoria de que um átomo de cobre, um átomo de enxofre e quatro átomos de oxigênio irão se combinar para formar uma entidade reconhecível chamada sulfato de cobre, com propriedades conhecidas, é facilmente testada em laboratório. Cada um desses átomos é homogêneo, e, portanto, o teste pode ser repetido indefinidamente. Mas cada evento histórico, como apontado por Mises, não é simples e repetível; cada evento é um complexo resultado de uma inconstante variedade de múltiplas causas, as quais nunca se mantém em relações constantes com as outras. Todo evento histórico, portanto, é heterogêneo, e, portanto, eventos históricos não podem ser usados para testar ou construir leis da história, quantitativas ou qualquer outra. Nós podemos colocar todos os átomos de cobre em uma classe homogênea de átomos de cobre; nós não podemos fazer o mesmo com os eventos da história humana.

Obviamente, isso não é dizer que não há semelhanças entre eventos históricos. Existem muitas semelhanças, mas nenhuma homogeneidade. Assim, houve muitas semelhanças entre as eleições presidenciais de 1968 e 1972, mas elas foram eventos muito pouco homogêneos, uma vez que foram marcados por importantes e inescapáveis diferenças. A próxima eleição também não será um evento repetível a ser colocado em uma classe homogênea de “eleições”. Logo, nenhuma lei científica, e certamente não quantitativa, pode ser derivada a partir desses eventos.

A oposição radicalmente fundamental de Mises à econometria agora se torna clara. A econometria não apenas tenta imitar as ciências naturais ao usar fatos históricos complexos e heterogêneos como se eles fossem fatos de laboratório repetíveis e homogêneos; ela também comprime a complexidade qualitativa de cada evento em um número quantitativo e então pioram a falácia ao agirem como se essas relações quantitativas permanecessem constantes na história humana. Em notável contraste com as ciências físicas, que se baseiam na descoberta empírica de constantes quantitativas, a econometria, como Mises repetidamente enfatizou, falhou em descobrir uma única constante na história humana. E dado que as condições de vontade, conhecimento, valores humanos e as diferenças entre os homens estão sempre em mudança, é inconcebível que a econometria possa algum dia fazê-lo.

Longe de ser opor à história, o praxeologista, e não os supostos admiradores da história, têm profundo respeito pelos irredutíveis e únicos fatos da história humana. Além disso, é o praxeologista que reconhece que indivíduos humanos não podem de forma legítima ser tratados pelo cientista social como se não fossem homens que têm mentes e agem de acordo com seus valores e expectativas, mas pedras ou moléculas cujas trajetórias podem ser cientificamente traçadas em supostas leis constantes ou quantitativas. Ademais, como suprema ironia, é o praxeologista que é realmente empírico, porque ele reconhece a natureza única e heterogênea dos fatos históricos; é o autoproclamado “empirista” que grosseiramente viola os fatos da história ao tentar reduzi-los a leis quantitativas. Mises escreveu o seguinte sobre econometristas e outras formas de “economistas quantitativos”:

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“Não há relações constantes no campo da economia, e consequentemente nenhuma medição é possível. Se um estatístico determina que um aumento de 10% na oferta de batatas em Atlantis em um dado tempo foi seguido de uma queda de 8% no preço, ele não estabelece nada a respeito do que aconteceu ou pode acontecer com a mudança na oferta de batatas em outro país ou em outra época. Ele não ‘mediu’ a ‘elasticidade da demanda’ das batatas. Ele estabeleceu um único fato histórico individual. Nenhum homem inteligente pode duvidar de que o comportamento de homens a respeito de batatas e todas as outras commodities é variável. Indivíduos diferentes valorizam a mesma coisa de uma forma diferente e valorizações mudam em um mesmo indivíduo dadas condições diferentes. …

A impraticabilidade da medição não é devido à falta de métodos técnicos para o estabelecimento da medida. É devido a ausência de relações constantes. … A economia não é, como … os positivas repetem vez após vez, atrasada por que não é ‘quantitativa’. Não é quantitativa e não faz medições porque não há constantes. Dados estatísticos que se referem a eventos econômicos são dados históricos. Eles nos falam o que aconteceu em um caso histórico não repetível. Eventos físicos podem ser interpretados com base no nosso conhecimento referente a relações constantes estabelecidas por experimentos. Eventos históricos não estão abertos a tal interpretação…

A experiência da história econômica é sempre a experiência de fenômenos complexos. Não pode nunca carregar conhecimento do tipo que o experimentador abstrai de um experimento de laboratório. A estatística é um método para a apresentação de fatos históricos… A estatística de preços é história econômica. A ideia de que, ceteris paribus, um aumento na demanda deve resultar em um aumento nos preços não é derivado da experiência. Ninguém nunca esteve ou estará na posição de observar uma mudança em um dado do mercado ceteris paribus. Não existe algo como economia quantitativa. Todas as quantidades econômicas que conhecemos são dados da história econômica… Ninguém seria tão ousado a ponto de afirmar que um aumento de A% na oferta de uma commodity deve sempre – em todos os países e a qualquer tempo – resultar numa queda de B% no preço. Mas como nenhum economista quantitativo ousou definir precisamente com base na experiência estatística as condições especiais que produzem um desvio definido da razão A:B, a futilidade de seus esforços é manifesta.”[33]

Elaborando a sua crítica das constantes, Mises adicionou:

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“As quantidades que nós observamos no campo da ação humana … são manifestamente variáveis. Mudanças que ocorrem a elas claramente afetam o resultado de nossas ações. Toda quantidade que observamos é um evento histórico, um fato que não pode ser totalmente descrito sem especificarmos o tempo e o ponto geográfico.

O econometrista é incapaz de refutar esse fato, o que mina o seu raciocínio. Ele não pode se ajudar ao admitir que não há ‘constantes comportamentais’. Ainda assim, ele quer introduzir alguns números, escolhidos arbitrariamente com base em fatos históricos, como ‘constantes comportamentais desconhecidas’. A única desculpa que ele propõe é que suas hipóteses estão ‘falando apenas que esses números desconhecidos continuam razoavelmente constantes ao longo de um certo período’.[34] Agora se tal período de suposta constância de um certo número ainda permanece ou se uma mudança no número já ocorreu pode ser estabelecido apenas mais tarde. Em retrospecto, pode ser possível, ainda que apenas em raros casos, declarar que durante um (provavelmente muito curto) período uma razão aproximadamente estável que o econometrista escolhe chamar uma razão ‘razoavelmente’ constante prevaleceu entre os valores numéricos de dois fatores. Mas isso é algo fundamentalmente diferente das constantes da física. É a asserção de um fato histórico, não de uma constante que pode ser considerada em tentativas de prever eventos futuros.[35] As largamente enaltecidas equações são, na medida em que se aplicam ao futuro, meramente equações nas quais todas as quantidades são desconhecidas.[36]

No tratamento matemático da física a distinção entre constantes e variáveis faz sentido; é essencial em toda instância do cálculo tecnológico. Em economia não existem relações constantes entre várias magnitudes. Consequentemente, todos os dados determináveis são variáveis, ou o equivalente a, dados históricos. Os economistas matemáticos reiteram que a dificuldade da economia matemática consiste no fato de que há um grande número de variáveis. A verdade é que existem apenas variáveis e nenhuma constante. Não faz sentido falar em variáveis onde não há invariáveis.”[37]

Qual, então, seria a relação adequada entre teoria econômica e história econômica ou, mais precisamente, história no geral? A função do historiador é tentar explicar os fatos históricos únicos que são do seu interesse; para fazer isso adequadamente ele deve empregar todas as teorias relevantes de todas as várias disciplinas que afetam o seu problema, pois fatos históricos são complexos resultantes de uma miríade de causas que surgem dos diferentes aspectos da condição humana. Assim, o historiador deve estar preparado para usar não apenas a teoria econômica praxeológica mas também ideias da física, psicologia, tecnologia e estratégia militar juntamente com um entendimento interpretativo dos motivos e objetivos dos indivíduos. Ele deve empregar essas ferramentas para entender os objetivos das várias ações da história e as consequências de tais ações. Porque o entendimento de diversos indivíduos e suas interações estão envolvidos, bem como o contexto histórico, o historiador usando as ferramentas das ciências naturais e sociais é em última análise um “artista” e, portanto, não há garantia ou mesmo probabilidade de que quaisquer dois historiadores julgarão uma situação precisamente da mesma forma. Enquanto eles podem concordar com uma variedade de fatores para explicar a gênese e as consequências de um evento, é improvável que concordem no peso exato a ser dado a cada fator causal. Ao empregar várias teorias científicas, eles têm que fazer julgamentos de relevância sobre quais teorias se aplicam em cada caso; ao se referir ao exemplo usado no início deste artigo, um historiador de Robinson Crusoé dificilmente empregaria a teoria do dinheiro em uma explicação histórica de suas ações numa ilha deserta. Ao historiador econômico, a lei econômica não é confirmada nem testada por fatos históricos; pelo contrário, a lei, quando relevante, é aplicada para ajudar a explicar os fatos. Os fatos assim ilustram os trabalhos da lei. A relação entre teoria econômica praxeológica e o entendimento da história econômica foi sutilmente resumido por Alfred Schtz:

Citar
“Nenhum ato econômico é concebível sem alguma referência a um agente econômico, mas esse último é absolutamente anônimo; não é você, nem eu, nem um empreendedor, nem mesmo um ‘homem econômico’, mas um puramente universal ‘ser’. Essa é a razão pela qual as proposições da teoria econômica têm simplesmente essa ‘validade universal’ que dá a elas a idealidade do ‘e assim por diante’ e o ‘eu posso fazer isso novamente’. Entretanto, alguém pode estudar o agente econômico como tal e tentar descobrir o que acontece em sua mente; obviamente, esse alguém não está preocupado com a economia teórica mas com a história econômica ou sociologia econômica. … Entretanto, os enunciados dessas ciências não podem alegar validade universal, pois eles lidam ou com sentimentos econômicos de indivíduos históricos em particular ou com tipos de atividade econômica para os quais os atos econômicos em questão são evidência. …

Na nossa visão, a economia pura é um perfeito exemplo de um complexo-significativo objetivo a respeito de complexos-subjetivos significativos, em outras palavras, de uma configuração significativa-objetiva estipulando as experiências subjetivas típicas e invariantes de alguém que age dentro da estrutura econômica. … Teriam que ser excluídos de tal esquema os usos para os quais os ‘bens’ seriam colocados após adquiridos. Mas, uma vez que voltamos a nossa atenção ao significado subjetivo de um indivíduo real, deixando para trás o ‘alguém’ anônimo, então obviamente faz sentido falar em comportamento que é atípico. … Para ter certeza, tal comportamento é irrelevante do ponto de vista da economia e é nesse sentido que os princípios econômicos são, nas palavras de Mises, ‘não um enunciado do que normalmente acontece, mas do que necessariamente deve acontecer.’”[38]

 
—————————————————————–

Tradução de Daniel Chaves Claudino

Notas

[1] Ver em particular Ludwig von Mises, Human Action: A Tretise on Economics (New Haven: Yale University Press, 1949); ver também Mises, Epistemological Problems of Economics, George Reisman, trans. (Princeton, NJ: Van Nostrand, 1960).

[2] Ver Murray N. Rothbard, “Praxeology as the Method of the Social Sciences,” em Phenomenology and the Social Sciences, Maurice Natanson,ed., 2 vols. (Evanston: Northwestern University Press, 1973), 2 p. 323–35 [reimpresso em Logic of Action One, p. 29–58]; ver também Marian Bowley, Nassau Senior and Classical Economics (New York: Augustus M. Kelley, 1949), p. 27–65; e Terence W. Hutchinson, “Some Themes from Investigations into Method,” em Carl Menger and the Austrian School of Economics, J.R. Hicks and Wilhelm Weber, eds. (Oxford: Clarendon Press, 1973), p. 15–31.

[3] Em resposta à crítica de que nem toda ação é direcionada a um ponto futuro no tempo, ver Walter Block, “A Comment on ‘The Extraordinary Claim of Praxeology’ by Professor Gutierrez,” Theory and Decision 3 (1973): 381–82.

[4] Ver Mises, Human Action, pp. 101–2; e especialmente, Block, “Comment,” p. 383

[5] Para uma típica crítica à praxeologia por não usar lógica matemática, ver George J. Schuller, “Rejoinder”, American Economics Review 41 (March 1951): 188.

[6] John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest, and Money (New York Harcourt, Brace, 1936), pp. 297–98.

[7] Ver Murray N. Rothbard, “Toward a Reconstruction of Utility and Welfare Economics,” em On Freedom and Free Enterprise, Mary Sennhoz, ed. (Princeton, NJ: D. Van Nostrand, 1956), p. 227 [e reimpresso em Logic of Action One]; Rothbard, Man, Economy, and State, 2 vols. (Princeton: D Van Nostrand, 1962), 1:65–66. Sobre a lógica matemática ser subordinada à lógica verbal, ver Rene Poirier, “Logique,” em Vocabulaire technique et critique de la philosophie, Andre Lalande, ed., 6th ed. Rev. (Paris: Presses Universitaires de France, 1951), p. 574–75.

[8] Bruno Leoni e Eugenio Frola, “On Mathematical Thinking in Economics” (manuscrito não publicado distribuído de forma privada), p. 23–24; a versão italiana desse artigo é “Possibilita di applicazione della matematiche alle discipline economiche,” Il Politico 20 (1995).

[9] Jean-Baptiste Say, A Treatise on Political Economy (New York: Augustus M. Kelley, 1964), p. xxvi n.

[10] Boris Ischboldin, “a Critique of Econometrics,” Review of Social Economy 18, no. 2 (September 1960): 11 N; A discussão de Ischboldin é baseada na construção de I.M. Bochenski, “Scholastic and Aristotelian Logic,” Proceedings of the American Catholic Philosophical Association 30 (1956): 112–17.

[11] Karl Menger, “Austrian Marginalism and Mathematical Economics,” em Carl Menger, p. 41.

[12] Mises, Human Action, p. 34.

[13] John Wild, “Phenomenology and Metaphysics,” em The Return to Reason: Essays in Realistic Philosophy, John Wild, ed. (Chicago: Henrey Regnery, 1953), p. 48, 37–57.

[14] Harmon M. Chapman, “Realism and Phenomenology,” em Return to Reason, p. 29. Sobre as funções interrelacionadas dos sentidos e da razão e seus respectivos papéis na cognição humana da realidade, ver Francis H. Parker, “Realistic Epistemology,” ibid., p. 167–69.

[15] Ver Murray N. Rothbard, “In Defense of ‘Extreme Apriorism,’” Southern Economic Journal 23 (January 1957): 315–18 [reimpresso como Volume 1, Chapter 6]. Deve ser claro com base no presente artigo que o termo apriorismo extremo é um termo impróprio para praxeologia.

[16] Say, A Treatise on Political Economy, pp. xxv–xxvi, xlv.

[17] Friedrich A. Hayek, “The Nature and History of the Problem,” em Collectivist Economic Planning, F.A. Hayek, ed. (London: George Routledge and Sons, 1935), p 11.

[18] John Elliott Cairnes, The Character and Logical Method of Political Economy, 2nd ed. (London: Macmillan, 1875), p. 87–88; original em itálico.

[19] Bowley, Nassau Senior, pp. 43, 56.

[20] Mises, Epistemological Problems, p. 19.

[21] Bowley, Nassau Senior, pp. 64–65.

[22] Hao Wang, “Notes on the Analytic-Synthetic Distinction,” Theoria 21 (1995); 158; ver também John Wild and J.L. Cobitz, “On the Distinction between the Analytic and Synthetic,” Philosophy and Phenomenological Research 8 (June 1948): 651–67.

[23] John J. Toohey, Notes on Epistemology, rev. ed. (Washington D.C.: Georgetown University, 1937), p. 36.; original em itálico.

[24] R.P. Phillips, Modern Thomistic Philosophy (Westminster, Maryland: Newman Bookshop, 1934–35), 2, p. 36–37; ver também Murray N. Rothbard, “The Mantle of Science,” em Scientism and Values, Helmut Schoeck and James W. Wiggins, ed., (Princeton, NJ: D Van Nostrand, 1960), p. 162–65.

[25] Toohey, Notes on Epistemology, p. 10. Original em itálico.

[26] Alfred Schtz, Collected Papers of Alfred Schtz, vol. 2, Studies in Social Theory, A. Brodersen, ed. (The Hague: Nijhoff, 1964), p. 4; ver também Mises, Human Action, p. 24.

[27] Alfred Schtz, Collected Papers of Alfred Schtz, vol. 1, The Problem of Social Reality, A. Brodersen, ed. (the Hague, Nijhoff), 1964, p. 65. Sobre as pressuposições filosóficas da ciência, ver Andrew G. Van Melsen, The Philosophy of Nature (Pittsburgh: Duquesne University Press, 1953), p. 6–29. Sobre o senso comum como campo de trabalho para a filosofia, ver Toohey, Notes on Epistemology, p. 74, 106–13. Sobre a aplicação de um ponto de vista parecido à metodologia da economia, ver Frank H Knight, “’What is Truth’ in Economics,” em On the History and Method of Economics (Chicago: University of Chicago Press, 1956), p. 151–78.

[28] Joseph Dorfman, The Economic Mind in American Civilization, 5 vols. (New York: Viking Press, 1949), 3, p. 376.

[29] Friedrich A. Hayek, “The Non Sequitur of the ‘Dependence Effect,’” em Friedrich A. Hayek, Studies in Philosophy, Politics, and Economics (Chicago: University of Chicago Press, 1967), p. 314–15.

[30] Mises, Human Action, p. 124.

[31] Ver Rothbard, “Toward a Reconstruction,” p. 230–31.

[32] Ludwig von Mises, Theory and History (New Haven: Yale University Press, 1957).

[33] Mises, Human Action, p. 55–56, 348.

[34] Cowles Commission for Research in Economics, Report for the Period, January 1, 1948–June 30, 1949 (Chicago: University of Chicago Press, 1949), p. 7, citado em Mises, Theory and History, p. 10–11.

[35] Ibid., p. 10–11.

[36] Ludwig von Mises, “Comments about the Mathematical Treatment of Economic Problems” (citado como “unpublished manuscript”; publicado como “The Equations of Mathematical Economics” no Quarterly Journal of Austrian Economics, vol. 3, no. 1 (Spring 2000), 27–32.

[37] Mises, Theory and History, p. 11–12; ver também Leoni and Frola, “On Mathematical Thinking,” p. 1–8; e Leland B. Yeager, “Measurement as Scientific Method in Economics,” American Journal of Economics and Sociology 16 (July 1957): 337–46.

[38] Alfred Schtz, The Phenomenology of the Social World (Evanston, Ill.: Northwestern University Press, 1967), p. 137, 245; ver também Ludwig M. Lachmann, The Legacy of Max Weber (Berkeley, California: Clendessary Press, 1971), p. 17–48.


Por Murray N. Rothbard| 25 maio,2016

Fonte: http://rothbardbrasil.com/praxeologia-o-metodo-dos-economistas-austriacos/
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 07 de Junho de 2016, 06:07:51
Artigos sobre o tema:

Praxeologia - A constatação nada trivial de Mises - Robert P. Murphy
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=230

Prêmio Nobel para a praxeologia - Tullio Bertini
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1464

Psicologia versus Praxeologia - Robert P. Murphy
http://mises.org.br/Article.aspx?id=231

Economia praxeológica e Economia matemática - Gene Callahan
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=95

Mercado, praxeologia, lucros e prejuízos - Ludwig von Mises
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1107

O apriorismo de Mises contra o relativismo na ciência econômica - Thorsten Polleit
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=644

Livros sobre o tema:

A Ciência Econômica e o Método Austríaco - Hans Hermann Hoppe
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=18

Ação Humana - Um Tratado de Economia - Ludwig von Mises
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=44

Ação, Tempo e Conhecimento: A Escola Austríaca de Economia - Ubiratan Iorio
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=60
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 07 de Junho de 2016, 09:12:14

Você já se perguntou o por quê da ciência e da matemática darem sempre resultados corretos?


1° Erro : usar o rótulo ciência de forma genérica  sugerindo implicitamente  que  todo conhecimento, que toda  teoria e/ou procedimento que tenha sido rotulado(a) ou nomeado(a) ou chamada de  ciência ou científica  tenha o mesmo grau de confiabilidade.

2° Erro: ter afirmado  que sempre dá resultados corretos, como se fosse um conhecimento final e infalível,  e isto é claro que não é.   

Se não, então saiba que é porque todos os resultados finais são logicamente consistentes com suas premissas, e só.

Mas nem aqui nem em Alfa do Centauro  isto é verdadeiro.  Ser logicamente consistente  significa apenas que está de acordo com as regras de alguma lógica, sendo a mais comum a aristotélica/clássica (só que existem outras, como a paraconsistente, cujas regras são diferentes).  Uma conclusão pode ser simultaneamente 100% lógica e 100% fantasiosa,  pode  ser plenamente lógica  e não ter nada a ver com a realidade.

Ser conforme  as  regras  da  lógica (clássica, ou outra)  não é condição necessária e suficiente para ser real.



Eu vou te dar o seguinte exemplo: um biólogo quer criar um modelo que explique o crescimento populacional de uma dada espécie de coelho; Ele sabe quanto mais coelho se tem, mais rápido a população vai crescer (seria essa uma premissa válida?), isso porque quanto mais coelho se tem, mais eles se reproduzem. Ele então cria uma fórmula matemática para descrever essa dada população: P_c%28t%29%3DC_1+e%5E%7BC_2+t%7D. Essa fórmula, após ser testada, consegue com um certo grau de acerto prever a população de coelhos (P_c) no tempo t. Qual a razão desse sucesso? a premissa inicial de que a taxa de reprodução é proporcional à população é válida, e o modelo matemático obtido de maneira lógica à partir dessa premissa é consistente (e só). As previsões da praxeologia não precisam ter um modelo matemático para serem corretas, basta as sua previsas serem válidas e as previsões serem consistentes com as premissas.


Em momento algum eu afirmei que alguma teoria precisa ter um modelo matemático para ser correta.  Tampouco isto está no texto que iniciou o post. 

A crítica inicial é com relação aos fundamentos da praxeologia, especificamente à crença no livre arbítrio (e o autor do texto também  afirma que o dualismo é fundamento, o que também é motivo de crítica).





Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 07 de Junho de 2016, 09:38:07
Praxeologia: o método dos economistas austríacos

Praxeologia é a distinta metodologia da Escola Austríaca. O termo foi inicialmente aplicado ao método austríaco por Ludwig von Mises, que foi não apenas o maior arquiteto e elaborador dessa metodologia mas também o economista que mais completamente e de forma mais bem-sucedida a aplicou na construção da teoria econômica.[1] Enquanto o método praxeológico é fora de moda, para dizer o mínimo, na economia contemporânea bem como em ciências sociais no geral e em filosofia da ciência, ele foi o método básico no início da Escola Austríaca e também de um considerável segmento da antiga escola clássica, em particular de J. B. Say e Nassau W. Senior.[2]


A praxeologia se baseia no axioma fundamental de que indivíduos agem, ou seja, no fato primordial de que indivíduos participam de ações conscientes visando objetivos escolhidos. Esse conceito de ação contrasta com o comportamento puramente reflexivo, ou automático, que não é dirigido para objetivos.



É aqui que a teoria desaba, e espertamente o autor deste texto não declarou que isto é a velha crença  no livre arbítrio  (provavelmente para não despertar um sinal de alerta nos leitores mais desavisados, já que a crença no livre arbítrio também é um componente fundamental de religiões cristãs, e não é muito legal ter como base,  e compartilhar uma crença que também é tão importante para religiosos).  Mas, é exatamente este um fundamento básico da praxeologia: a crença no livre arbítrio.




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 07 de Junho de 2016, 09:59:20
Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

Essa pergunta não faz o menor sentido dentro da praxeologia. A praxeologia gera conhecimento teórico do funcionamento da economia. Se baseia em vários ceteris paribus. O que você tá pedindo é uma onisciência baseada em historicismo ou econometria, isso pra criticar um modelo de análise baseado na ação humana individual, ou seja, o completo oposto. Sua pergunta é tão absurda que deveria ser feita para as metodologias acadêmicas atuais.



Novamente devo  relembrar que foi o Lorentz que sugeriu que a praxeologia  seria correta (e científica)  por ter feito boas previsões [significativas, precisas , detalhadas]. Dado que ele sugeriu isto, eu simplesmente solicitei as novas previsões [significativas, precisas , detalhadas] que ele possa ter  com base na praxeologia, e que possam passar por testes da realidade.





Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 07 de Junho de 2016, 10:22:36
Novamente devo  relembrar que foi o Lorentz que sugeriu que a praxeologia  seria correta (e científica)  por ter feito boas previsões [significativas, precisas , detalhadas]. Dado que ele sugeriu isto, eu simplesmente solicitei as novas previsões [significativas, precisas , detalhadas] que ele possa ter  com base na praxeologia, e que possam passar por testes da realidade.

Ou seja, ao invés de você tentar rever parte de seus argumentos, você não se dá por vencido, não responde, e ainda pede algo que é impossível em várias outras ciências na tentativa de demonstrar que a praxeologia é de fato pseudociência.

Talvez seja mesmo, pois minha pergunta foi sincera. Eu não sei se Mises acertou em várias crises. Já ouvi dizer que sim e queria sua opinião.

Mas sua opinião não existe. Você já está convicto e não vai dar o braço a torcer.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 07 de Junho de 2016, 10:52:01
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?
A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.
Tá "serto". O libertarianismo não existia até Mises nascer, ele é o Jesus dos libertários.



O Mises é certamente muito mais citado no Brasil do que alguns autores mais antigos,  no Brasil parece ser a principal referência para  os fãs do libertarismo/anarcocapitalismo.   




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 07 de Junho de 2016, 10:54:56
Novamente devo  relembrar que foi o Lorentz que sugeriu que a praxeologia  seria correta (e científica)  por ter feito boas previsões [significativas, precisas , detalhadas]. Dado que ele sugeriu isto, eu simplesmente solicitei as novas previsões [significativas, precisas , detalhadas] que ele possa ter  com base na praxeologia, e que possam passar por testes da realidade.

Ou seja, ao invés de você tentar rever parte de seus argumentos, você não se dá por vencido, não responde, e ainda pede algo que é impossível em várias outras ciências na tentativa de demonstrar que a praxeologia é de fato pseudociência.

Talvez seja mesmo, pois minha pergunta foi sincera. Eu não sei se Mises acertou em várias crises. Já ouvi dizer que sim e queria sua opinião.

Mas sua opinião não existe. Você já está convicto e não vai dar o braço a torcer.



Ela certamente é pseudociência  por outros motivos, tais como os mostrados no texto que abre o tópico. 

A minha resposta foi apenas uma forma de chamar a atenção para a crença de que a teoria do Mises tinha capacidade de previsão (significativa).  Se a crença é verdadeira porque não são apresentadas  novas previsões significativas ( e  precisas, testáveis, falsificáveis) ? 



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Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 07 de Junho de 2016, 11:11:44
Novamente devo  relembrar que foi o Lorentz que sugeriu que a praxeologia  seria correta (e científica)  por ter feito boas previsões [significativas, precisas , detalhadas]. Dado que ele sugeriu isto, eu simplesmente solicitei as novas previsões [significativas, precisas , detalhadas] que ele possa ter  com base na praxeologia, e que possam passar por testes da realidade.

Ou seja, ao invés de você tentar rever parte de seus argumentos, você não se dá por vencido, não responde, e ainda pede algo que é impossível em várias outras ciências na tentativa de demonstrar que a praxeologia é de fato pseudociência.

Talvez seja mesmo, pois minha pergunta foi sincera. Eu não sei se Mises acertou em várias crises. Já ouvi dizer que sim e queria sua opinião.

Mas sua opinião não existe. Você já está convicto e não vai dar o braço a torcer.



Ela certamente é pseudociência  por outros motivos, tais como os mostrados no texto que abre o tópico. 

A minha resposta foi apenas uma forma de chamar a atenção para a crença de que a teoria do Mises tinha capacidade de previsão (significativa).  Se a crença é verdadeira porque não são apresentadas  novas previsões significativas ( e  precisas, testáveis, falsificáveis) ? 



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Talvez esteja apresentando, mas é necessário pesquisar e colocar aqui. Eu não sei se está pois não estou defendendo, então não adianta perguntar pra mim.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 09 de Junho de 2016, 09:58:11
Livre-arbítrio ou determinismo não faria a menor diferença dentro da praxeologia que estuda a ação humana, seus meios, fins e consequências. Se o livre arbítrio é uma ilusão na nossa mente, não tira nenhum mérito da Praxeologia.

Quer uma previsão praxeológica? Em 1920, Mises escreveu um livro deixando claro que o socialismo nunca daria certo, é um total impossibilidade. Ele usou o método praxeológico, claro.

Agora, essa palhaçada de querer saber como é a economia no ano 2017 ou qualquer bobagem do tipo só pode ser um raciocínio que quem acredita em planejamento central. O ponto da EA é justamente o oposto, eu mesmo não sei nem o que eu vou querer e fazer amanhã, como um planejador central pode saber o que milhões de pessoas vão querer em um ano? Praxeologistas odeiam previsões econômicas, hayekianos também.

Sua pergunta deixou claro o quanto desconhece o tema. Vale a regra básica: Conheça o tema que você critica se não vai ficar parecendo um criacionista.

As "previsões" da praxeologia são regrinhas lógicas do tipo "se o salário mínimo for muito alto vai gerar desemprego, caso as outras variáveis não mudem", "intervenção num mercado desregula o sistema de preços e consequentemente o cálculo econômico".

Segundo o metodologia mainstream econométrica, como vai ser a economia em 2017, 2018, ....?

Se o modelo mainstream fosse tão bem sucedido ele não teria tantas vertentes e todos os países do mundo seguiriam o mesmo modelo. Chicaguistas e keynesianos usam a mesma metodologia e se contradizem o tempo todo, como isso é possível?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 09 de Junho de 2016, 11:11:39
Não faz sentido pedir "previsões científicas" no sentido popperiano da coisa (com a qual essas caricaturalmente se assemelham) em resposta a alegação de praxeologia ser científica, porque eles rejeitam a esse critério de ciência, tal como seria o caso com psicanálise*, à qual a praxeologia "deve muito"**, segundo Mises.

"Previsões" nas linhas de "já temos as fórmulas e apenas falta poder computacional para sermos o demônio de Laplace" são mais o que faria algum sentido de se esperar do conceito popperiano de ciência, de refutabilidade, ainda que numa forma caricatural/espantalhosa para fins humanamente práticos, que conduziria a concluir que nada então é "científico" se não fizer previsões tão fantasticamente proféticas.




* Comumente o mesmo com qualquer outro círculo restrito de crenças que dê a si mesma rótulos científicos, apesar de ser algo largamente ignorado/desprezado pelo resto do mundo, ou pela maioria dos pesquisadores com instrução em campos científicos próximos ao tema pretensamente estudado. Como criacionismo, espiritismo, e medicina alternativa. A "cientificidade" será defendida em "bater com os fatos", não em ser refutável por eles.




**

(https://books.google.com.br/books?id=bqhZRn5zWA4C&hl=pt-BR&pg=PA12&img=1&zoom=3&sig=ACfU3U2o3DDyd6sNJJeuPoVki8OgK0VSeQ&w=1280)


"Human action (https://books.google.com.br/books?id=bqhZRn5zWA4C&pg=PA12&lpg=PA12&dq=psychoanalysis+praxeology&source=bl&ots=5VENz_4S_G&sig=TNpTaLFLyMsfXQU1N5lzISey8XI&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwilqtackJvNAhWIhZAKHcHiAwgQ6AEILTAC#v=onepage&q=psychoanalysis%20praxeology&f=false)"
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 09 de Junho de 2016, 15:25:42
Bem, a Crise Econômica de 2008 foi prevista por alguns economistas utilizando a Econometria como meio. Não dá para saber o que as pessoas vão querer fazer hoje ou amanhã, mas dá para analisar os dados de demanda, procura e oferta e prever resultados usando os números. Uma das coisas mais engraçadas entre os críticos do Liberalismo/Libertarianismo é achar que existe uma única escola liberal/libertária. David Friedman por exemplo é libertário e anarco-capitalista e um célebre crítico da EA.

O que me dá muitas vezes impressão é que a Escola Austríaca é muito mais focada na filosofia e parece ignorar a economia em si. É uma escola muito mais filosófica que econômica, diferentemente da de Chicago.


Citar
* Comumente o mesmo com qualquer outro círculo restrito de crenças que dê a si mesma rótulos científicos, apesar de ser algo largamente ignorado/desprezado pelo resto do mundo, ou pela maioria dos pesquisadores com instrução em campos científicos próximos ao tema pretensamente estudado. Como criacionismo, espiritismo, e medicina alternativa. A "cientificidade" será defendida em "bater com os fatos", não em ser refutável por eles.

Há quem diga que a Psicologia com um  todo pode ser considerada pseudociência...
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 09 de Junho de 2016, 15:40:50
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 09 de Junho de 2016, 15:49:58
Pode até ser, mas quando psicólogos começam a falar em Freud e Jung(quando não aparece um Nietzsche no meio) dá vontade de vomitar.

A Psicologia é válida na análise do comportamento humano, mas é invalidada quando os psicólogos freudianos metem a psicanálise(que é somente uma filosofia sem comprovação científica e não testável) no meio.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 09 de Junho de 2016, 18:26:24
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Euler1707 em 09 de Junho de 2016, 19:05:54
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.
Basta analisar os aspectos qualitativos das previsões e então comparará-las.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 09 de Junho de 2016, 19:18:35
Pode até ser, mas quando psicólogos começam a falar em Freud e Jung(quando não aparece um Nietzsche no meio) dá vontade de vomitar.

A Psicologia é válida na análise do comportamento humano, mas é invalidada quando os psicólogos freudianos metem a psicanálise(que é somente uma filosofia sem comprovação científica e não testável) no meio.

Sim, de modo geral. Mas teoricamente você poderia "pegar" algo da psicanálise e "cientifizar", assim como agregaram elementos da escola austríaca de economia ao mainstream.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 09 de Junho de 2016, 21:35:20
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.
Basta analisar os aspectos qualitativos das previsões e então comparará-las.

Isso é de pouca ou nenhuma ajuda para tomar decisões sérias. Dados econômicos são, em sua maioria, dados paramétricos, aqueles em que a magnitude das variáveis importam.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 09 de Junho de 2016, 22:46:23
Alias, nem precisa colocar chicaguista contra keynesianos, keynesianos já brigam o suficiente entre eles, tem tantas correntes próprias também. Tudo resultado de um livro confuso.

Se existisse alguma coisa desse tal "efeito multiplicador" o mundo não estaria vivendo uma era de recessão com grandes déficits, dívidas públicas e necessidade de austeridade. Pior ainda, tem vários grupos que culpam a austeridade pela crise, e em muitos casos essa austeridade nem existe, é baseada em aumento de impostos e redução do nível do déficit (comparado com o anterior).

Se a economia mainstream no geral fosse positiva, o mundo não seria o caos que é na área econômica, onde a era dos Bancos Centrais, principalmente com moedas fiduciárias, só gerou crises e inflação. E atualmente chegamos nas bizarrices monetárias (QEs) e taxas básicas de juros negativas (nominais).

A Escola de Chicago até que é útil no geral, mas é claro que os políticos vão preferir uma teoria que diz o que eles querem ouvir, que justifica os erros que eles cometem.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 09 de Junho de 2016, 23:27:00
A Escola de Chicago até que é útil no geral, mas é claro que os políticos vão preferir uma teoria que diz o que eles querem ouvir, que justifica os erros que eles cometem.

Quando você diz isso, você está se referindo à Escola Keynesiana, certo?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 10 de Junho de 2016, 06:17:57
Se existisse alguma coisa desse tal "efeito multiplicador" o mundo não estaria vivendo uma era de recessão com grandes déficits, dívidas públicas e necessidade de austeridade.

Não como os economistas que lidam com fatos empíricos/realidade a enxergam.

Ironicamente, a "solução" seria derivar a mesma coisa, mesmo que não funcionasse, como uma "certeza a priori", e então estaria tudo bem.



Citar
Pior ainda, tem vários grupos que culpam a austeridade pela crise, e em muitos casos essa austeridade nem existe, é baseada em aumento de impostos e redução do nível do déficit (comparado com o anterior).

Se a economia mainstream no geral fosse positiva, o mundo não seria o caos que é na área econômica, onde a era dos Bancos Centrais, principalmente com moedas fiduciárias, só gerou crises e inflação.

(http://bread.typepad.com/.a/6a00d8341d945753ef017ee476a618970d-800wi)

(http://futurist.typepad.com/my_weblog/images/2007/07/12/ggp.jpg)

(https://agenda.weforum.org/wp-content/uploads/2015/09/150904-global-inflation-since-1920-PS-chart-1.jpg)


"Reality has a well-known liberal bias." Stephen Colbert
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 10 de Junho de 2016, 08:24:03

As "previsões" da praxeologia são regrinhas lógicas do tipo "se o salário mínimo for muito alto vai gerar desemprego, caso as outras variáveis não mudem", "intervenção num mercado desregula o sistema de preços e consequentemente o cálculo econômico".



Mas isso também é afirmado na economia mainstream,  em  livros convencionais de economia a gente já encontra críticas a ideia de salário mínimo e da intervenção do governo no mercado.  Nestes pontos não vejo  discordâncias.


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 10 de Junho de 2016, 08:28:40


E para quem quiser, aqui tem  um arquivo com o livro Ação Humana:

http://www.mises.org.br/files/literature/A%C3%A7%C3%A3o%20Humana%20-%20WEB.pdf 

Ação Humana

Um Tratado de Economia




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 10 de Junho de 2016, 23:26:40
Livro este que o autor do texto que inicia o tópico não leu, com certeza.

Dica de canal:

https://www.youtube.com/v/Iu4mv4FyxD4
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 10 de Junho de 2016, 23:31:55
Praxeologia me soa como algum tipo de pseudociência de cura astral.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 10 de Junho de 2016, 23:36:15
A matemática e a lógica também?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 10 de Junho de 2016, 23:49:31
A matemática e a lógica também?

Comparar praxeologia com matemática e lógica é como querer comparar a Psicanálise com a Psiquiatria.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Junho de 2016, 07:39:48
Praxeologia me soa como algum tipo de pseudociência de cura astral.

A mim lembra um pouco de "omniologia", que tinha menor popularidade.

Seguia a mesma linha, exceto em vez de ser algo que se declara ciência acima de todas as que estudam o comportamento humano, fazia isso com todas as ciências em geral.

http://evolutionwiki.org/wiki/Omniology

Ao mesmo tempo em que considerava que as ciências não tinham verdadeiramente o suporte empírico que alegavam, sendo na verdade religiões, algo assim.

Mas enquanto essa era mais/bem/definitivamente criacionistóide, a praxeologia tem uma "estética" mais parecida com o filosofo-cientifiquês marxista. O mesmo "cultismo elitista", com um ar mais ponderado/equilibrado, em vez de escrever "gritando" tudo em maiúsculas.

"Você precisa ler no mínimo o básico sobre dialética de Engels [...] Hegel, Marx, Engels e outros demonstraram que o capitalismo é uma impossibilidade prática devido a suas inconsistências lógicas; é algo que só se tem a ilusão de ser possível quando se ignora o Materialismo Histórico, como era o caso com pensadores anteriores que são ainda hoje tidos como os ícones do laissez faire e do darwinismo social", etc.

Fechados em seu próprio círculo, mutuamente reforçando suas certezas e superioridade com relação aos ignorantes do mundo exterior.


Escritos de um marxista praxeologista:

https://www.marxists.org/archive/bukharin/library.htm






A matemática e a lógica também?

Comparar praxeologia com matemática e lógica é como querer comparar a Psicanálise com a Psiquiatria.


Me parece algo meio como se aqui fosse um clubinho ainda mais fechado e (meio como o "less wrong") e cunhássemos nossa atividade científica como "realidadologia", mas falando sério mesmo. Talvez precisando de algum ou outro indivíduo mais célebre e incontestado, que aos olhos dos demais e de si próprio, elevasse "bom senso" a uma ciência que encompassa todas as demais.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 11 de Junho de 2016, 12:09:54
A matemática e a lógica também?

Não.

Deixa eu ir ali no meu praxeólogo colocar meus chacras no lugar.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 11 de Junho de 2016, 12:10:55
A matemática e a lógica também?

Comparar praxeologia com matemática e lógica é como querer comparar a Psicanálise com a Psiquiatria.

Nada a ver. É o ramo em que todas elas estão, chamadas pelo Mises de "ciências apriorísticas". A praxeologia nada mais é do que a lógica voltada pra ação humana. Inicia com base em axiomas e vai sendo desenvolvida com deduções lógicas.

A EA não rejeita a empiria nem a matemática na economia, só não coloca esses sistemas como a espinha dorsal do seu modelo epistemológico. Como fazer experimentos na economia? Como isolar variáveis? A economia não é um tudo de ensaio, não existe um laboratório de economia.

Uma vez saiu na Nature (?) um estudo mostrando o quanto a estatística pode ser maleável para direcionar a conclusão de um estudo, e o assunto era, obviamente, publicações científicas em ciências naturais. Agora, imagina tudo isso no meio econômico e da econometria. Econometria é a verdadeira pseudociência aqui, é praticamente uma numerologia para planejadores centrais, ou tarot.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 11 de Junho de 2016, 12:19:51
Não importa se a Econometria seja pseudociência, isso não faz da Praxeologia uma ciência. Não se pode chamar de "ciência" uma filosofia. Ciência é o conhecimento derivado dos fatos da experiência. Isso é incompatível com o que é descrito sobre a definição de Praxeologia.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 11 de Junho de 2016, 12:21:17
Seria como se alguém dissesse que a soma dos ângulos internos dos triângulos, num plano euclidiano, será sempre 180º. É apriorístico.

Mas outra pessoa duvidaria dizendo que basta uma única vez ser diferente de 180º para a teoria cair por terra. Aí invocaria um modelo empirista, iria medir todos os ângulos de todos os triângulos possíveis...

E foi isso que o Hayek chamou de cientificismo, usar o método das ciências naturais para estudar comportamentos humanos e a economia como um todo, algo que se resume nas zilhões de ações e interações entre bilhões de humanos (mesmo ele não sendo um praxeologista).
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 11 de Junho de 2016, 12:22:48
Não importa se a Econometria seja pseudociência, isso não faz da Praxeologia uma ciência. Não se pode chamar de "ciência" uma filosofia. Ciência é o conhecimento derivado dos fatos da experiência. Isso é incompatível com o que é descrito sobre a definição de Praxeologia.

Nesse sentido, praxeologia não é ciência mesmo, assim como a lógica e a matemática. Nunca vi ninguém chamando a matemática e a lógica de pseudo...
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Junho de 2016, 13:13:26

Citação de: Mises - The Ultimate Foundation of Economic Science
The a priori knowledge of praxeology is entirely different—categorially different—from the a priori knowledge of mathematics or, more precisely, from mathematical a priori knowledge as interpreted by logical positivism. The starting point of all praxeological thinking is not arbitrarily chosen axioms, but a self-evident proposition, fully, clearly and necessarily present in every human mind. An unbridgeable gulf separates those animals in whose minds this cognition is present from those in whose minds it is not fully and clearly present. Only to the former is the appellation man accorded. The characteristic feature of man is precisely that he consciously acts. Man is Homo agens, the acting animal.







Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.



Citação de: wikipedia
Since Mises' time, some Austrian thinkers have accepted his praxeological approach, while others have adopted alternative methodologies.[16] For example, Fritz Machlup, Friedrich Hayek, and others, did not take Mises' strong a priori approach to economics.[17]:225–235 Ludwig Lachmann, a radical subjectivist, also largely rejected Mises' formulation of Praxeology in favor of the verstehende Methode (interpretive method) articulated by Max Weber.[13][18]

In the 20th century, various Austrians incorporated models and mathematics into their analysis. Austrian economist Steven Horwitz argued in 2000, that Austrian methodology is consistent with macroeconomics and that Austrian macroeconomics can be expressed in terms of microeconomic foundations.[19] Austrian economist Roger Garrison writes that Austrian macroeconomic theory can be correctly expressed in terms of diagrammatic models.[20] In 1944, Austrian economist Oskar Morgenstern presented a rigorous schematization of an ordinal utility function (the Von Neumann–Morgenstern utility theorem) in Theory of Games and Economic Behavior.[21]
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 11 de Junho de 2016, 15:29:17
Econometria é a verdadeira pseudociência aqui, é praticamente uma numerologia para planejadores centrais, ou tarot.

A Econometria trabalha com dados reais estatísticos. Usa a estatística através de vários métodos para tentar observar e não  "prever"(diferente da pseudociência numerologia) o que acontecerá, para criar um modelo matemático para a economia. Se você analisar dados de produção de algo conforme os anos e perceber quedas de produção ou consumo, você poderá aplicar um modelo matemático para isso. Os planejadores podem se basear nos dados para tomar decisões, mas isso já outro ponto. Mas é melhor se basear em algo empírico  para tomar decisões do que nas relações sociológicas entre os indivíduos como defende alguns filósofos da EA.

P.S.: Lembrando que VaR é diferente de Econometria, estando somente relacionado a Matemática Financeira. Pode haver uma confusão entre os dois métodos sendo que um trabalha com estatística e outro com probabilidade, estando presente nas empresas de consultoria.
https://en.wikipedia.org/wiki/Value_at_risk

Por ora:
https://en.wikipedia.org/wiki/Criticisms_of_econometrics
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 11 de Junho de 2016, 15:55:31
Lógica e matemática, isoladamente, não explicam os fenômenos da realidade externa. Para fenômenos da realidade externa, a lógica e matemática não nos dizem no que acreditar, mas apenas dizem no que estamos comprometidos a acreditar caso nossos pressupostos sejam verdadeiros. E todos os axiomas são tautologias. O poder explicativo científico de uma tautologia é zero. Então, nós só podemos ter certeza da veracidade de fenômenos da realidade externa quando podemos verificar o grau de correspondência entre fato e teoria. A única coisa adicional que precisamos para além disso é a crença metafísica no realismo. Na praxeologia, precisamos ter crença não apenas no realismo, mas também temos de ter fé nos "axiomas da ação humana". A alternativa de suspensão de julgamento em relação ao último item é mais compatível com a postura cética. Até o "não sabemos" é melhor epistemologicamente do que o "você continua criticando esse modelo, mas ele é tudo o que temos".
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Junho de 2016, 17:09:24
Econometria é a verdadeira pseudociência aqui, é praticamente uma numerologia para planejadores centrais, ou tarot.

A Econometria trabalha com dados reais estatísticos.

Citação de: Mises, The Foundation of Economic Sciences
Statistics provides numerical information about historical facts, that is, about events that happened at a definite period of time to definite people in a definite area. It deals with the past and not with the future. Like any other past experience, it can occasionally render important services in planning for the future, but it does not say anything that is directly valid for the future.

[...] What characterizes the field of the sciences of human action is the absence of constant relations apart from those dealt with by praxeology. In the former group of sciences there are laws (of nature) and measurement. In the latter there is no measurement and—apart from praxeology—no laws; there is only history, including statistics.

Como diria o Aroldocbn, "não tem jeito não, ateus, vocês não vão conseguir refutar os axiomas!!!!!11111"

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 11 de Junho de 2016, 17:35:40

Citação de: Mises, The Foundation of Economic Sciences
Statistics provides numerical information about historical facts, that is, about events that happened at a definite period of time to definite people in a definite area. It deals with the past and not with the future. Like any other past experience, it can occasionally render important services in planning for the future, but it does not say anything that is directly valid for the future.

[...] What characterizes the field of the sciences of human action is the absence of constant relations apart from those dealt with by praxeology. In the former group of sciences there are laws (of nature) and measurement. In the latter there is no measurement and—apart from praxeology—no laws; there is only history, including statistics.

Um estudo do psicólogo Philip Tetlock publicado no livro Superprevisões: A arte e a ciência de prever o futuro (Editora Objetiva, 2016) demontrou que alguns indivíduos - desses que seguem o método empírico em assuntos como economia, bolsas, eleições, guerras, etc. - tem de fato uma habilidade extraordinária de prever o futuro com um grau de precisão 60% maior do que a média. Se o estudo do passado estatístico fosse só história como diz Mises, então teríamos que postular milagres para explicar essa capacidade:

"(...) os meros mortais só podem desafiar as leis da gravidade estatística até certo ponto. (...) De modo que ainda deveríamos considerar considerável regressão à média. Todo ano, aproximadamente 30% dos superprevisores individuais deixam a faixa dos 2% melhores no ano seguinte. Mas isso também implica um bocado de consistência ao longo do tempo: 70% dos superprevisores continuam superprevisores. As chances de tal solidez surgir entre palpites de cara ou coroa (em que a correlação ano a ano é zero) é menos de 1 em 100 milhões, mas a chance de tal consistência surgir entre previsores (em que a correlação ano a ano é 0,65) é muito mais alta, cerca de 1 em 3".
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Junho de 2016, 19:49:21
Citar
http://freakonomics.com/podcast/how-to-be-less-terrible-at-predicting-the-future-a-new-freakonomics-radio-podcast/

[...]

Back then, I asked Tetlock to name the distinguishing characteristic of a bad, and overconfident, forecaster.

TETLOCK: Dogmatism.

DUBNER: It can be summed up that easily?

TETLOCK: I think so. I think an unwillingness to change one’s mind in a reasonably timely way in response to new evidence. A tendency, when asked to explain one’s predictions, to generate only reasons that favor your preferred prediction and not to generate reasons opposed to it.

[...]






Olavo de Carvalho sobre a importância da contribuição da astrologia à praxeologia:

Citar
Não existe possibilidade alguma de entendimento de qualquer civilização antiga sem o conhecimento da Astrologia. O modelo de visão do mundo baseado nos ciclos planetários e nas esferas esteve em vigor durante milênios e isto continua a estar, de certo modo, no "inconsciente" das pessoas. Apesar de algumas deficiências no modelo astrológico, foi ele quem estruturou a humanidade pelo menos a partir do império egípcio-babilônico, o que significa, no mínimo, cinco mil anos de história. A Astrologia é um elemento obrigatório, por isto quem não a estudou, não estudou nada, é um analfabeto, um estúpido. O trabalho mais vigoroso nas ciências humanas do século XX, por exemplo, só aconteceu depois da existência do Instituto Warburg, fundado em Londres por um milionário judeu fugido da Alemanha, que juntou, durante 20 anos, as melhores cabeças do século em torno de uma coleção de manuscritos astrológicos e alquímicos. Sem este estudo, a comunidade acadêmica nunca teria qualquer possibilidade de compreensão real das civilizações antigas.

[...]

u equacionei a Astrocaracterologia de tal modo que, para avançar de onde parei, só mesmo a pesquisa experimental. Para se formar uma ciência, é preciso levantar uma série de conceitos; destes conceitos, tirar hipóteses; das hipóteses, um método e dos métodos, as pesquisas. A parte teórica eu pude concluir, mas daí para frente, a Astrocaracterologia deixou de ser problema teórico para ser de investigação científica. Eu não tenho condições de dar continuidade a estas pesquisas porque precisaria de tempo, gente e dinheiro. Voltar a mexer neste assunto só me deixaria desesperado, porque eu não poderia realizar as investigações necessárias para responder as questões que levantei.

[...]

 Urano, por exemplo, recebe uma interpretação já muito ligada ao próprio espírito moderno. Certas organizações esotéricas agem, ritualmente, no sentido da interpretação que elas próprias atribuíram ao planeta. Os ciclos destes astros começam a trabalhar mais neste sentido, porque são reforçados pela ação humana. Eu não acredito, realmente, que um planeta possa trazer a ideologia da revolução francesa. Agora, quando se quer realizar uma grande mudança no mundo, saber da existência de um novo planeta pode ser maravilhoso, já que possibilita a realização de toda uma reinterpretação da história, com base nos significados que você mesmo quis atribuir a ele. Acontece a mesma coisa com Netuno e Plutão, mas isto não quer dizer que estas interpretações não funcionem, porque parcialmente estes efeitos podem corresponder ao dos planetas, embora sejam apenas uma parte destacada do significado total daquele astro. Até o sétimo planeta, os astrólogos contavam com uma interpretação estável entre várias civilizações e não dá para justificar estas interpretações apenas como produto ideológico de tais civilizações. Mas nestes últimos, você tem interpretações específicas da astrologia ocidental, feita quase que totalmente por sociedades secretas. Essas interpretações não tem universalidade, apesar de poderem ser parcialmente válidas.

[....]



[...]

CAPITALISMO E SOCIALISMO SEGUNDO A ASTROLOGIA

por Olavo de Carvalho

A evolução do conflito entre capitalismo e socialismo acompanha rigorosamente os movimentos de três planetas: as relações geométricas (em linguagem astrológica, "aspectos") entre Saturno e Urano assinalam acontecimentos importantes nos países capitalistas, e os pontos cruciais da história do comunismo fazem contraponto aos aspectos entre Saturno e Netuno.

Essa é a tese que o astrólogo Antonio Facciolo Neto vai apresentar no Congresso Brasileiro de Astrologia, a ser realizado nos próximos meses em São Paulo. Ela está exposta em Ciclos Cósmicos da História, que é um dos vários trabalhos que astrólogos de S. Paulo estão enviando para a Associação Brasileira de Astrologia, responsável pela organização do congresso. Facciolo estabeleceu um minucioso quadro comparativo dos movimentos dos três planetas e da evolução do capitalismo e do comunismo desde 1846 (quando Marx fundou a Liga dos Comunistas) até os dias de hoje, obtendo assim algumas fortes evidências em favor da doutrina astrológica segundo a qual o ciclo Saturno-Urano rege o capitalismo e o ciclo Saturno-Netuno rege o comunismo. Alguns estudos anteriores já indicavam claramente essa direção. Alguns anos atrás o economista norte-americano L. Peter Cogan, por exemplo, da Academia de Ciências de Nova York, demonstrou a uma platéia de estupefatos cientistas a correlação entre as conjunções e oposições Saturno-Urano e as fases de otimismo e pessimismo das bolsas de valores. Saturno e Urano, segundo a astrologia, regem o capitalismo.

O estudo de Facciolo é bem mais abrangente que o de Cogan. Ele mostra, por exemplo, que aspectos "benéficos" entre Saturno e Urano acompanharam, entre inúmeros outros, os seguintes acontecimentos importantes para a formação e fortalecimento do capitalismo:

1851-52: a descoberta simultânea de minas de ouro na Austrália, na Califórnia e na Nova Zelândia dá um impulso, sem precedentes, no ritmo dos negócios nas principais bolsas de valores do mundo. 1857-58: as potências capitalistas européias ocupam a China e o Sudeste asiático. 1865-66: abolição da escravatura nos Estados Unidos e introdução da constituição democrática na Suécia. 1896-97: fundação do movimento sionista. 1905-06: formação da Entente Cordiale entre as potências européias. 1948-49: formação da OTAN. Inversamente, os ângulos "maléficos" assinalaram períodos de dificuldades para os países capitalistas: 1880-02: Guerra Civil Americana. 1873-75: crise econômica mundial. 1909-10: início das guerras européias. 1930-31: nova crise econômica mundial. 1950-51: o Irã nacionaliza o petróleo; a França é derrotada na Indochina; começa a guerra na Coréia. 1964-65: os Estados Unidos ingressam na Guerra do Vietnã. 1975-77: crise do petróleo.

No mundo comunista, as conjunções e aspectos benéficos entre Saturno e Netuno acompanharam, entre outros, os seguintes acontecimentos: 1846-47: fundação da Liga dos Comunistas. 1917-18: Revolução Russa. 1929-30: Plano Qüinqüenal. 1941-42: acordo com os EUA e a Inglaterra. 1952-55: morte de Stálin e início do novo ciclo histórico. 1959: sputniks. Os aspectos "maléficos" estavam presentes nos seguintes acontecimentos: 1868-69: dissolvida a seção francesa da Internacional Comunista. 1899-1900: cisão entre bolcheviques e mencheviques. 1926-27: surgimento da ditadura stalinista. 1937-38: Processos de Moscou. 1962-63: crise dos foguetes em Cuba e conflito entre Pequim e Moscou. 1971-72: aproximação entre Cuba e EUA.

Um novo ângulo maléfico entre Saturno e Netuno ocorrerá em 1979-80. Entre Saturno e Urano, em 1982. Em 1987-89, os três planetas entrarão simultaneamente em conjunção e, no fim do século, em quadratura. É lícito, portanto, segundo Facciolo, esperar um período de crise no mundo comunista, seguido de outro no mundo capitalista, em seguida uma aproximação entre os dois regimes e finalmente um período de crise geral.

Além de Ciclos Cósmicos na História, a associação já recebeu vários outros trabalhos para o congresso, entre os quais, A Lua e o Matrimônio, do psicólogo Juan Alfredo César Müller, ex-aluno de Jung e Szondi e estudioso da astrologia. Ele faz uma análise comparativa dos prognósticos matrimoniais e da posição da Lua nos temas astrológicos individuais, e propõe a introdução de novos métodos de previsão.

Pela tradição astrológica renascentista, as condições do matrimônio do indivíduo são estudadas pelo estado da sua 7ª casa astrológica. Sendo a parte mais ocidental do zodíaco oposta ao oriente, que representa o ego, a 7ª casa simboliza a relação entre os outros, os compromissos do indivíduo com a coletividade e, por extensão, o matrimônio.

Segundo Müller, essa doutrina surgiu numa época em que o casamento se definia essencialmente como um compromisso de ordem social, destinado a assegurar a procriação coercitiva (contrabalançando a mortalidade infantil, muito alta então) e o sustento dos filhos.

A diminuição da taxa de mortalidade infantil e o advento dos novos padrões de comportamento, na sociedade industrial urbana, amenizaram esse aspecto de coerção legal do matrimônio, ressaltando, ao inverso, seu aspecto de encontro interpessoal, seu lado afetivo e subjetivo.

Daí que, segundo Müller, o prognóstico matrimonial já não possa ser feito com base na 7ª casa, que tem um significado eminentemente social e coercitivo (contrato). O verdadeiro significador astrológico do matrimônio, hoje em dia, é a Lua, que representa tradicionalmente a subjetividade e as afeições.

Outros trabalhos já recebidos pela associação são: O Elo entre a Vida e a Matéria, por Antoine Daoud Philo, Urano e as Doenças Cardíacas, por Vera Facciolo, e A Mensagem da Astrologia, por Maria Ribeiro Franco.

A Associação Brasileira de Astrologia está convidando os astrólogos a participarem do congresso e a enviarem seus trabalhos. Ela pretende, também, paralelamente, formar um núcleo de estudos e pesquisas composto exclusivamente de pessoas de nível universitário, com vistas à formação eventual de um instituto superior de astrologia. Os interessados podem escrever para a associação (Rua Xavier de Toledo, 114, 3º andar, conj. 303, fone 239-0879, São Paulo-SP).

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 12 de Junho de 2016, 05:07:55

Citação de: Mises - The Ultimate Foundation of Economic Science
The a priori knowledge of praxeology is entirely different—categorially different—from the a priori knowledge of mathematics or, more precisely, from mathematical a priori knowledge as interpreted by logical positivism. The starting point of all praxeological thinking is not arbitrarily chosen axioms, but a self-evident proposition, fully, clearly and necessarily present in every human mind. An unbridgeable gulf separates those animals in whose minds this cognition is present from those in whose minds it is not fully and clearly present. Only to the former is the appellation man accorded. The characteristic feature of man is precisely that he consciously acts. Man is Homo agens, the acting animal.

Claro que tem diferenças, se não bastaria usar a matemática. O que Mises faz é colocam ambas no mesma classificação científica. Ciências apriorísticas, ciências formais, seja lá como se chame atualmente.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 12 de Junho de 2016, 05:14:47
Temos muitos exemplos de coisas maravilhosas que surgiram dos variados ramos da ciência. Mas e a economia, qual a grande contribuição prática da ciência econômica para o mundo? Com a física, foi possível colocar uma sonda num cometa, qual seria o equivalente na área econômica? O fato de que as ciências sociais nunca têm uma linha geral de conhecimento verificado prova que não dá pra comparar ciências naturais com sociais/humanas. E talvez não deveriam ter o mesmo tipo de metodologia epistemológica.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 12 de Junho de 2016, 08:45:27

Citação de: Mises - The Ultimate Foundation of Economic Science
The a priori knowledge of praxeology is entirely different—categorially different—from the a priori knowledge of mathematics or, more precisely, from mathematical a priori knowledge as interpreted by logical positivism. The starting point of all praxeological thinking is not arbitrarily chosen axioms, but a self-evident proposition, fully, clearly and necessarily present in every human mind. An unbridgeable gulf separates those animals in whose minds this cognition is present from those in whose minds it is not fully and clearly present. Only to the former is the appellation man accorded. The characteristic feature of man is precisely that he consciously acts. Man is Homo agens, the acting animal.

Claro que tem diferenças, se não bastaria usar a matemática. O que Mises faz é colocam ambas no mesma classificação científica. Ciências apriorísticas, ciências formais, seja lá como se chame atualmente.

A diferença para ele é que a praxeologia seria verdade ainda mais absoluta e indiscutível que a matemática. Quando a posição razoável é de que são (ou deveriam ser) meras suposições, o esboço inicial de hipóteses, e não, como ele quer, "leis". (Tirando eventuais impossibilidades ou necessidades lógicas/físicas, que suponho não se estenderem tão longe quanto propoem, e que provavelmente não devem suscitar a necessidade do rótulo de "leis" do comportamento).

A partir daí as coisas deveriam buscar validação empírica/"histórica", como em economia comportamental (e posteriormente modelagem matemática, como de fato uns fizeram). Do contrário é na melhor das hipóteses meio como aquelas especulações teológicas que tentam dar um verniz de validação "científica"/filosófica com a linguagem lógica, "Deus necessariamente existe, dado que o universo existe, isso é bom, e Deus é bom e onipotente, portanto o único ser com o pode de criar tudo". A única vantagem (significativa) sendo que lida ao menos com coisas que sabemos existir, pessoas e comortamento, então há maior chance de se aproximar da realidade aparente.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 12 de Junho de 2016, 12:39:30
Não é claro que as hipóteses matemáticas sejam infalsificáveis:

Citar
Many philosophers[weasel words] believe that mathematics is not experimentally falsifiable, and thus not a science according to the definition of Karl Popper.[28] However, in the 1930s Gödel's incompleteness theorems proved that there does not exist a set of axioms for mathematics which is both complete and consistent. Karl Popper concluded that "most mathematical theories are, like those of physics and biology, hypothetico-deductive: pure mathematics therefore turns out to be much closer to the natural sciences whose hypotheses are conjectures, than it seemed even recently."[29] Other thinkers, notably Imre Lakatos, have applied a version of falsificationism to mathematics itself.

https://en.wikipedia.org/wiki/Falsifiability


Citar
Popper's "two senses" theory

Realist and constructivist theories are normally taken to be contraries. However, Karl Popper[19] argued that a number statement such as "2 apples + 2 apples = 4 apples" can be taken in two senses. In one sense it is irrefutable and logically true. In the second sense it is factually true and falsifiable. Another way of putting this is to say that a single number statement can express two propositions: one of which can be explained on constructivist lines; the other on realist lines.[20]

https://en.wikipedia.org/wiki/Philosophy_of_mathematics#Popper.27s_.22two_senses.22_theory
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 12 de Junho de 2016, 13:11:30
Para complicar ainda mais, há argumentos filosóficos que afirmam que a Lógica também não está imune à revisão.

https://en.wikipedia.org/wiki/Is_logic_empirical%3F

Mas, vou parar por aqui, caso contrário a discussão em torno do tema do tópico será desviada.

A verdade é que percebemos que quem se dedica a atividades práticas, a menos que seja um físico (ou químico), não conseguirá realizar os maiores feitos com teorias, mas apenas tão somente se concentrando nas regularidades empíricas dos fenômenos e botando o mínimo de teoria possível. Em disciplinas que lidam com sistemas dinâmicos, teorias vem e vão com frequência, mas os fenômenos detectados empiricamente de forma regular duram mais como verdades. Os médicos e arquitetos da antiguidade descobriram isso bem antes de nós. Acho que o estudo de Tetlock também lança uma sugestão disso. Por isso, a Praxeologia vai na contramão daquilo que os sistemas dinâmicos precisam para serem melhor estudados. Ou seja, eles precisam de mais empirismo e menos introspecção racionalista para serem melhor estudados. E não, como sugere Mises, menos empirismo e mais introspecção racionalista.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 12 de Junho de 2016, 16:56:40

"O monismo ensina que existe apenas uma substância básica; o dualismo diz que existem duas; o pluralismo, que existem muitas. Não tem sentido discutir tais questões. São meras disputas metafísicas insolúveis. O presente estado do nosso conhecimento não nos proporciona os meios de resolvê-las com uma explicação que  um homem razoável considerasse satisfatória.


O monismo materialista afirma que vontades e pensamentos humanos são o produto do funcionamento dos órgãos, das células do cérebro e dos nervos. O pensamento, a vontade e a ação são produzidos apenas por processos materiais que um dia serão completamente explicados pela investigação no campo da física ou da química. Essa também é uma hipótese metafísica, embora seus adeptos a considerem como uma verdade científica inegável e inabalável.


Várias doutrinas têm sido formuladas para explicar a relação entre corpo e mente. São meras conjecturas sem qualquer referência a fatos reais. Tudo o que se pode afirmar com certeza é que existem relações entre processos mentais e fisiológicos. Quanto à natureza e ao funcionamento desta conexão, sabemos muito pouco, se é que sabemos alguma coisa.


Julgamentos concretos de valor e ações humanas definidas não são passíveis de maiores análises. Podemos honestamente supor
ou acreditar que sejam inteiramente dependentes de (ou condicionados por) suas causas.
Mas, uma vez que não sabemos como fatos  exteriores – físicos ou fisiológicos – produzem na mente humana pensamentos e vontades definidas que resultam em atos concretos, temos de enfrentar um insuperável dualismo metodológico. No estado atual de nosso conhecimento, os postulados fundamentais do positivismo, do monismo e do panfisicalismo são meros postulados metafísicos, desprovidos de qualquer base científica, sem sentido e sem utilidade na pesquisa científica. A razão e a experiência nos mostram dois mundos diferentes: o mundo exterior dos fenômenos físicos, químicos e fisiológicos e o mundo interior do pensamento, do sentimento, do julgamento de valor e da ação propositada. Até onde sabemos hoje, nenhuma ponte liga esses dois mundos. Idênticos eventos exteriores resultam, às vezes, em respostas humanas diferentes, enquanto que eventos exteriores diferentes produzem, às vezes, a mesma resposta humana. Não sabemos por quê.


Em face desta realidade, não podemos deixar de apontar a falta de bom senso dos postulados essenciais do monismo e do materialismo. Podemos acreditar ou não que as ciências naturais conseguirão um dia explicar a produção de ideias definidas, julgamentos de valor e ações, da mesma maneira como explicam a produção de um composto químico: o resultado necessário e inevitável de certa combinação de elementos. Até que chegue esse dia, somos obrigados a concordar com o dualismo metodológico."


Ação Humana, 42 - 43.

--------------------------------


Pelo visto o dualismo é realmente  importante para a teoria do Mises, o que afinal está de acordo com a crença no livre arbítrio.


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 12 de Junho de 2016, 17:06:41


"Ação humana é um dos instrumentos que promovem mudança. É um elemento de atividade e transformação cósmica. Portanto, é  um tema legítimo de investigação científica. Como – pelo menos nas condições atuais – não pode ser rastreada até suas origens, tem de ser considerada como um dado irredutível e como tal deve ser estudada."  p. 43



Para o Mises o comportamento humano não podia ser reduzido ao funcionamento do sistema nervoso (e as consequentes relações de causa e efeito que ocorrem no sistema nervoso),  mais uma vez está é uma crença necessária para os crentes no livre arbítrio.



Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 12 de Junho de 2016, 18:16:57


"Ação humana é um dos instrumentos que promovem mudança. É um elemento de atividade e transformação cósmica. Portanto, é  um tema legítimo de investigação científica. Como – pelo menos nas condições atuais – não pode ser rastreada até suas origens, tem de ser considerada como um dado irredutível e como tal deve ser estudada."  p. 43



Para o Mises o comportamento humano não podia ser reduzido ao funcionamento do sistema nervoso (e as consequentes relações de causa e efeito que ocorrem no sistema nervoso),  mais uma vez está é uma crença necessária para os crentes no livre arbítrio.





Não é necessário postular dualismo metodológico. Mesmo o fisicalismo é compatível com a negação de que uma análise reducionista de um sistema complexo como a mente humana é suficiente para explicar todos os fenômenos que são característicos desse sistema. "O todo é mais que a soma de suas partes", como já dizia Aristóteles.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 13 de Junho de 2016, 20:21:21
Peter Boettke é um grande professor que ensina a praxeologia moderna, nessa palestra ele explica um pouco essa evolução da praxeologia desde a época de Mises e como os estudos econômicos utilizando praxeologia estão aumentado no meio acadêmico. Ele defende uma visão que não descarta o modelo matemático da economia mainstream completamente, mas um meio termo para que os prexeologistas consigam "conversar" com outros acadêmicos econômicos.

http://www.youtube.com/v/yTo60j2MOJs
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: MisesBr em 14 de Junho de 2016, 20:00:23

Convencionais, 16/10/1929: "As ações atingiram aquilo que parece ser um patamar estável e permanentemente alto." — Irving Fisher, célebre economista neoclássico

Austríacos, 02/1929: "A euforia acabará e haverá um colapso daqui a alguns meses." — Friedrich von Hayek, Instituto Austríaco de Pesquisa Econômica

 

Convencionais, 20/10/2005: "Os preços dos imóveis subiram aproximadamente 25% ao longo dos últimos dois anos.  Embora a atividade especulativa tenha aumentado em algumas áreas, tais aumentos de preços em nível nacional refletem majoritariamente nossos robustos fundamentos econômicos, dentre eles um robusto crescimento no emprego e na renda, baixas taxas de juros sobre empréstimos hipotecários, taxas estáveis de formação de famílias, e fatores que limitam o aumento da oferta de imóveis em algumas áreas." — Ben Shalom Bernanke, futuro presidente do Fed, o Banco Central americano

Austríacos, 06/04/2004: "O aumento ocorrido na inflação de preços não deveria ter sido nenhuma surpresa, dado que o Fed aumentou a oferta monetária em 25% durante o período 2001—2003. (...) Considerando-se o incentivo governamental a práticas negligentes e frouxas de concessão de empréstimos para a aquisição de imóveis, os preços dos imóveis poderão despencar no futuro, o que gerará grandes falências.  Consequentemente, empresas financeiras — inclusive as grandes empresas hipotecárias protegidas pelo governo, Fannie Mae e Freddie Mac —, poderão ter de ser socorridas com o dinheiro dos pagadores de impostos." — Mark Thornton, Mises Institute

 

Austríacos vs. Keynesianos, Comparação das Previsões

Keynesianos, 1989: "A economia soviética é a prova cabal de que, contrariamente àquilo em que muitos céticos haviam prematuramente acreditado, uma economia planificada socialista pode não apenas funcionar, como também prosperar." — Paul Samuelson, keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 1920: "Pode-se antecipar qual será a natureza da futura sociedade socialista.  Haverá centenas de milhares de fábricas em operação.  Poucas estarão produzindo bens prontos para seu uso final; na maioria dos casos, o que será manufaturado serão bens inacabados e bens de produção. (...) No entanto, neste ininterrupto, monótono e repetitivo processo, a administração estará sem quaisquer meios de avaliar a eficácia de sua produção. (...) Assim, em lugar de haver um método "anárquico" de produção, todos os recursos estarão entregues à produção irracional de maquinarias despropositais.  As engrenagens iriam girar, mas sem efeito algum." — Ludwig von Mises, "O cálculo econômico sob o socialismo"

 

Keynesianos, 02/08/2002: "Para combater esta recessão, o Fed [tem de estimular] os gastos dos consumidores para contrabalançar o moribundo investimento das empresas.  E para fazer isso (...) Alan Greenspan tem de criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha da Nasdaq." — Paul Krugman, outro keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 31/12/2006: "Os preços dos imóveis hoje são completamente insustentáveis. Eles foram elevados a estes valores artificiais por causa de uma combinação entre hipotecas de valores ajustáveis e artificialmente baixos, compras especulativas e uma total ausência de qualquer tipo de padrão para empréstimos. E o que vai acontecer em 2007 é que muitas destas hipotecas artificialmente baixas serão reajustadas para cima. Você verá tanto o governo quanto os emprestadores re-impondo padrões de empréstimos mais rigorosos e apertando o crédito. E várias pessoas que hoje estão comprando imóveis para especular passarão a vender. Com isso, os preços elevadíssimos dos imóveis irão despencar abruptamente." — Peter Schiff, presidente da Euro Pacific Capital

 

Keynesianos, 10/02/2010: "A Grécia formulou um equilíbrio bem cuidadosamente ponderado entre coesão social e reestruturação econômica." — Joseph Stiglitz, mais um outro keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 11/02/2010: "Ao passo que os aumentos de impostos irão causar novos problemas para os gregos, outros problemas ainda continuam sem ser atacados: tudo indica que o enorme setor público não será substancialmente reduzido; e os salários em geral permanecem pouco competitivos devido aos fortes sindicatos. (...) O futuro do euro é obscuro porque há fortes incentivos para um comportamento fiscal negligente, não apenas da Grécia mas também de todos os outros países." — Philipp Bagus, autor de "A Tragédia do Euro"



http://www.youtube.com/v/8lpSnECTKW8


Isso se chama teoria austríaca dos ciclos econômicos.

Existe muito mais acertos (a crise Brasileira por exemplo, dado o expansionismo de crédito e gastos publicos).

A teoria keynesiana é a verdadeira pseudociência. Por que ignora seu histórico de falhas, tenta reinventar a roda.

 Eu nem vou entrar na questão teórica e metodológica de ambas, só estou trazendo o histórico ''empirico'' de acertos e erros
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 14 de Junho de 2016, 21:16:41
A previsão de Krugman foi acertada, mas alguns austrianistas e similares tentam interpretar frase da bolha como "recomendação" literal, apesar dele ser recorrente crítico do Greenspan.

A União Soviética foi durante um bom tempo uma das maiores potências mundiais lado a lado com os EUA. Pesquisem na wikipédia, "guerra fria", etc e tal :rolleyes:. Por inferior que possa ser o planejamento econômico, ou planejamento econômico centralizado e universal (em vez de micro-planejamentos em nível de empresas, conglomerados, ou outros, até mesmo estatais), não chega a ser inerentemente falho a ponto ponto de impedir a essa ascensão, que factualmente ocorreu.



Eu sou cético sobre qualquer escola econômica, mas a forma como austrianistas pegam no pé de "keynesianistas" tem algo que me lembra um pouco criacionistas falando de "darwinistas". Como por exemplo essa citação descontextualizada.

Gostaria de ver debates de "entendidos" de lados opostos. Parece que em geral todos evitam debates e preferem construí-los de forma semi-unilateral, através de recortes de afirmações do outro lado.

Também acho mais interessantes relatos dos "arrependidos", ex-partidários de alguma escola, do que o proselitismo daqueles que têm uma fé mais forte.

Por isso tendo a "apostar" mais na "economia mainstream", se alguma, já que é uma mistura de pedaços de tudo posta no liquidificador, com sorte passados por algum crivo mais consensual.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 14 de Junho de 2016, 22:04:27
Não há muito o que discutir com seguidores da Escola Austríaca que defendem a Praxeologia. Já que o próprio Mises admite que a escola de pensamento não faz previsão quantitativa, então eles não tem como mostrar seu histórico de previsões quantitativas para, por exemplo, taxa de crescimento do PIB e taxa de inflação. Nem ao menos eles fazem previsão quantitativa para qualquer estatística de dado não paramétrico que invoque um resposta do tipo sim/não (número de mortes ou de desempregados, por exemplo). Se eles não formalizam o argumento em modelos formais com o uso de probabilidades e/ou estatísticas, então não há como julgar o grau de convergência entre os dados observados e as previsões de qualquer teoria austríaca.

Economia mainstream , embora conserve alguma unidade, é um grupo muito heterogêneo, pelo menos na macroeconomia. Ela é representada por quatro escolas de pensamento macroeconômico: Síntese Neoclássica Keynesiana, Macroeconomia Novo Keynesiana, Monetarismo e Macroeconomia Novo Clássica. Ao contrário do que muitos pensam, Keynes não faz parte de qualquer uma delas, as duas primeiras citadas são tentativas de ajustar o pensamento keynesiano aos modelos de equilíbrio geral, coisa que o economista britânico nunca defendeu. A Escola Pós-Keynesiana é a única que pode ser chamada de bastante keynesiana, mas ela não tem muita influência no meio acadêmico. Em microeconomia, a Escola Neoclássica pode se resumida como a mainstream, sendo que a própria Escola Austríaca é uma variação dela (a ideia de marginalismo que a escola neoclássica herda é mais baseada nas ideias de León Walras do que nas de Carl Menger, mas ambos convergem intelectualmente em muitos assuntos). Muitas escolas de microeconomia e/ou macroeconomia são alternativas ao mainstream que não a Escola Austríaca: Economia Comportamental, Escola Neo-Schumpeteriana, Escola Institucionalista, etc. Percebo ultimamente que os livros-textos de Economia neoclássicos vem incorporando teorias e argumentos de outras escolas. E, a Escola Austríaca, além de ser similar a Microeconomia Neoclássica em muitos aspectos, guarda semelhança com a Escola Pós-Keynesiana no que se refere à ênfase dada à Economia da Incerteza (embora as conclusões sobre os aspectos normativos sejam radicalmente diferentes).
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Gauss em 14 de Junho de 2016, 22:57:57
Chicaguistas usam os mesmos métodos quantitativos que keynesianos e têm ideias totalmente opostas...
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 15 de Junho de 2016, 12:52:49
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8a/Heterodox3.png/640px-Heterodox3.png)

Por que não tem a escola austríaca nesse diagrama de escolas heterodoxas?

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: MisesBr em 15 de Junho de 2016, 19:33:19
A previsão de Krugman foi acertada, mas alguns austrianistas e similares tentam interpretar frase da bolha como "recomendação" literal, apesar dele ser recorrente crítico do Greenspan.

A União Soviética foi durante um bom tempo uma das maiores potências mundiais lado a lado com os EUA. Pesquisem na wikipédia, "guerra fria", etc e tal :rolleyes:. Por inferior que possa ser o planejamento econômico, ou planejamento econômico centralizado e universal (em vez de micro-planejamentos em nível de empresas, conglomerados, ou outros, até mesmo estatais), não chega a ser inerentemente falho a ponto ponto de impedir a essa ascensão, que factualmente ocorreu.



Eu sou cético sobre qualquer escola econômica, mas a forma como austrianistas pegam no pé de "keynesianistas" tem algo que me lembra um pouco criacionistas falando de "darwinistas". Como por exemplo essa citação descontextualizada.

Gostaria de ver debates de "entendidos" de lados opostos. Parece que em geral todos evitam debates e preferem construí-los de forma semi-unilateral, através de recortes de afirmações do outro lado.

Também acho mais interessantes relatos dos "arrependidos", ex-partidários de alguma escola, do que o proselitismo daqueles que têm uma fé mais forte.

Por isso tendo a "apostar" mais na "economia mainstream", se alguma, já que é uma mistura de pedaços de tudo posta no liquidificador, com sorte passados por algum crivo mais consensual.

A únião soviética foi um bom tempo ''funcional'' depois ou antes da reforma liberalizante que ela fez?

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Pol%C3%ADtica_Econ%C3%B4mica

 Estavam indo para o abismo tão rápido, que  contrariamente sua vontade, tiveram que ceder em partes ao setor privado. 
Portanto, eu diria que a URSS viveu socialismos em diversos níveis, aquele que buscou planificar tudo foi o que causou as fomes generalizadas, etc..

Teve esse cedimento, e também, tinha muito mercado clandestino, tanto que após o fim da URSS, ''surgiu'' centenas de milionários que faziam parte desses ''mercados''.. E faziam vista grossa, porque é o que sustentava em partes a economia soviética.

Uma economia ''mista'' pode se sustentar por mais tempo que o socialismo, porem, haverá menos padrão de vida; E se esse país for rico, essa economia mista vai se sustentar ainda mais tempo.

 Algo semelhante, chuto eu, vai acontecer com a Venezuela, apos ela perceber que preços ditados por um comite central não funciona,(é a tentativa deles de lidar com inflação);   

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Junho de 2016, 09:49:37
O "sucesso" da economia soviética se dever a isso não seria ainda conflitante com a afirmação, dado que era ainda dentro de uma economia planificada. A "liberalização" "definitiva" da URSS não se deu nos anos 20, mas só ao fim dos anos 80, quando era ainda uma potência mundial com poder suficiente para ter mantido por todas as décadas anteriores desde 1945 uma "guerra fria" com todo o mundo capitalista.

(http://i33.fastpic.ru/big/2013/0806/43/e3abf0a23e0fba69cf11833581f89443.jpg)
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/92/Soviet_Union_GDP_per_capita.gif/640px-Soviet_Union_GDP_per_capita.gif)

Não eram vistos como um fracasso inofensivo que teriam que usar estilingues e pedras por falta de armamento, eram uma ameaça potencial que só pôde existir graças a uma economia capaz de sustentar um contingente militar ameaçador e equipá-lo também com tecnologia que precisa ser constantemente renovada para não se tornar obsoleta contra os avanços do outro lado.

O ceticismo quanto a "capacidade" da planificação econômica poderia ter sido tal que, não preveria que isso fosse ser possível. Em vez disso, chegariam a falência muito antes, nunca podendo constituir ameaça à paz mundial e à própria existência da humanidade numa eventual Terceira Guerra Mundial. Limitada a isso, não haveria muito o que criticar na citação, mas ela pode mesmo omitir algo pior, enxergando maior viabilidade em planejamento econômico a partir disso, em vez de condições mais ou menos excepcionais. Isso talvez seja o caso porque, essa situação também me parece em geral razoávelmente favorável ao que penso ser uma noção keynesianista de guerras "favorecerem a economia", talvez sendo daí mesmo que tenha se originado.

Teoricamente isso poderia fornecer uma "explicação" para o sucesso posterior da economia em tempos de paz, já que existe a noção rudimentar de que a produtividade de uma economia pode ser meio que trivialmente "convertida" em diferentes setores, ou seja, a urgência do preparo para a guerra criaria infra-estrutura, ou "eficiência geral", que poderia então ser co-optada para uma economia "pacífica", cessada a guerra ou ameaça.

Essa visão das coisas, se considerada pelo autor da frase, poderia ser ainda um "atenuante" adicional a simplesmente notar que a planificação econômica não é tão fadada ao fracasso a ponto da URSS nunca poder ter constituído o poder e ameaça que historicamente constituiu. Mas também pode até se transformar num agravante para uma visão florida das coisas, imaginando então ser desejável iniciativa similar, mas sem a motivação bélica, para a organização econômica de uma nação.


O que, se não estiver claro aí, eu considero bastante equivocado. Sem previsões "quantitativas" no cenário geral vislumbrado por Mises, poderia se ter também uma visão tão equivocada quanto, de que a URSS nunca constituiria uma potência mundial, falindo muito antes disso, não décadas depois, só depois de Mises mesmo morrer sem ter visto a essa falência. Nem seria algo tão surpreendente se tivesse sido o caso, dado o exemplo histórico anterior da colônia de Plymouth, mas em última instância estaria errado, ou apenas "certo" de maneira vaga e imprecisa, como qualquer um poderia imaginar -- não precisando de iluminação praxeológica ou austríaca.


(Não estou sugerindo que keyenesianos ou quem quer que seja tenham modelos que pudessem prever a economia mundial a ponto de retrodizer ou prever a história)
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: MarceliNNNN em 18 de Junho de 2016, 01:07:56
O autor do tópico quer criticar "pseudociência", mas ele mesmo acredita no projeto Vênus. Um tanto quanto contraditório  :hihi: :hihi:
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 18 de Junho de 2016, 06:10:50
O autor do tópico quer criticar "pseudociência", mas ele mesmo acredita no projeto Vênus. Um tanto quanto contraditório  :hihi: :hihi:


Argumentum ad hominem

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo.[1] [2] [3] Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

A falácia ocorre porque conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo.

O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.

Pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumentum_ad_hominem



Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 18 de Junho de 2016, 11:45:41
O autor do tópico quer criticar "pseudociência", mas ele mesmo acredita no projeto Vênus. Um tanto quanto contraditório  :hihi: :hihi:


Só para registrar:

-Eu nem conheço os detalhes desse projeto Vênus;

-A história não chegou ao fim; quem acredita que chegou parece ter medo de grandes mudanças;

-A automação e a IA irão provocar cada vez mais o desemprego estrutural,  o homem está sendo cada vez mais ultrapassado pela sua criação; já estamos tendo resultados nessa área que eu imaginava que iriam demorar.

E

_ Eu acredito que no momento histórico atual o Brasil se beneficiaria muito com uma ampla liberalização da economia; sou bastante favorável a que o Brasil ficasse nas primeiras posições no índice de liberdade do Heritage.




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 18 de Junho de 2016, 13:03:48
O autor do tópico quer criticar "pseudociência", mas ele mesmo acredita no projeto Vênus. Um tanto quanto contraditório  :hihi: :hihi:


Argumentum ad hominem

Seria mais "tu quoque" aqui, acho. Se é que dá para chamar aquilo de "pseudociência", uma vez que acho que nem se propunha a ser uma "ciência"... então é um pouco como admitir gostar de uma marca ou produto que não existe mais, faliu... ou dum "movimento social"...
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 21:31:42
Mises deixa claro que esse daulismo metodológico é um artifício (primeiro parágrafo do livro Teoria e História) :

"O HOMEM MORTAL não sabe como o universo e tudo o que ele contém
pode parecer a uma inteligência sobre-humana. Talvez uma mente assim
esteja numa posição que lhe permita elaborar uma interpretação monista
coerente e abrangente de todos os fenômenos. O homem – até agora, pelo
menos – sempre fracassou redondamente em suas tentativas de construir
uma ponte sobre o abismo que ele vê se abrir entre a mente e a matéria, entre
o cavaleiro e o cavalo, entre o pedreiro e a pedra. Seria absurdo enxergar
este fracasso como uma demonstração suficiente da solidez de uma filosofia
dualística. Tudo o que podemos deduzir a partir disso é que a ciência – ao
menos por ora – deve adotar um enfoque dualístico, mais como um artifício
metodológico do que como uma explicação filosófica.
O dualismo metodológico evita fazer qualquer proposição a respeito de
essências e constructos metafísicos; ele apenas leva em conta o fato de que
não sabemos como os eventos externos – físicos, químicos e fisiológicos
– afetam os pensamentos, ideias e julgamentos de valor humanos. Esta
ignorância divide o reino do conhecimento em dois campos separados, o
reino dos eventos externos, comumente chamado de natureza, e o reino do
pensamento e da ação humana."

* qdo você coloca indefensavelmente dualista, você que dizer o que : que o materialismo está comprovado??

A praxeologia é somente a ciência da ação intencional humanam (ela estuda o comportamento do sistema complexo, formado pelos individuos e suas iterações, através de suas ações), baseada no axioma da ação (repare que Mises nunca falou que o homem somente agisse intencionalmente - atos reflexos, por exemplo).

O axioma da ação, nesse sentido, afirma que o homem age, através de meios, para  atingir determinados fins (o que não significa que ele conseguirá escolher os melhores meios para o atingimento de determinados fins, muito menos que escolherá os que possibilitem o atingimento desses fins  - muito diferente do homo economicus da escola de chicago).


Obs : não é a praxeologia que é parte da economia. A economia é um dos ramos da praxeologia, e o mais desenvolvido deles.

Outra premissa da praxeologia, é o princípio da casualidade.

Então, a pergunta que você tem que responder para refutar a praxeologia é : existe  ação humana economia não intencional (onde não se busque meios, para atingir fins)? O conjunto de ações humanas em uma sociedade (interações) viola o princípio da casualidade?

Se vocês conseguir responder positivamente esses questionamentos, vocês terá refutado praxeologia. Se não conseguir, os fundamentos da praxeologia não terão sido falseados.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 21:39:47
Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


A praxeologia é o fundamento, é a base de toda teoria do Ludwig von Mises,  sem a praxeologia  os    anarcocapitalistas/libertários    ficam sem base  para sua ideologia.  A  ideologia desmorona,  a ideologia entra em colapso.  Só  sobram  escombros.


Não há previsões corretas de várias crises usando a teoria de Mises?



Solicito que apresente previsões precisas e detalhadas, que sejam plenamente testáveis e falsificáveis, utilizando esta teoria do Mises, para os próximos anos de 2017, 2018,  2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025.

Você já leu o livro Teoria e História do MIses, onde ele aborda justamente essa questão metodológica, racionalidade, previsibilidade, etc?

Me de, por exemplo, a previsão para todos os anos, daqui até o ano 110,000 para a evolução humana (os órgãos que vão se alterar - e se vão se alterar - habilidades que iremos desenvolver, etc). Isso faz da teoria da evolução uma pseudociência?

Ciências que lidam com sistemas dinâmicos complexos NÃO tem como fazer previsões precisas da mesma forma que se faz nas ciências naturais. O que elas fornecem são as leis, através das quais será possível explicar as possíveis "histórias" desses sitemas. O livro Teoria e História, não tem esse nome à toa, pois nele Mises esclarece essa confusão.

Por exemplo, temos várias histórias possíveis para a evolução humana. Porém, só podemos compreender cada uma delas, à luz da Teoria da Evolução.

Link para o livro Teoria e História - http://www.mises.org.br/files/literature/MisesBrasil_TeoriaeHistoria_Brochura.pdf
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 21:52:36



Mas, antecipando ao seu trabalho, os próprios adeptos da ideologia admitem não serem capazes de fazerem previsões que sejam realmente falsificáveis.  Ou seja eles admitem que não conseguem passar  pelo critério proposto por  Karl Popper.

Todas as crises/grandes bolhas econômicas ocorridas até hoje são explicadas pela TACE (Teoria Austriaca dos Cilcos Econômicos). Inlcusive, um dos eventos "só explicáveis" pela "irracionalidade" humana, é explicada também pela TACE (já ouviu falar na "Mania das Tulipas"?).

Dito de outra forma, a Escola Austriaca afirma que toda grande crise/bolha econômica será precedida por uma expansão creditícia, com dinheiro "novo" sendo jogado na economia (expansão da base monetária). Isso é falseável em qualquer sentido que você deseje. E adivinha só : ela passa no teste!!!

Até mesmo a "Mania das Tulipas", sempre citada como um exemplo de crise causada pela irracionalidade pura e simples,  é explicada pela TACE (pois segundo MIses, mesmo uma expansão montetária que ocorra com "dinheiro bom" - no caso, ouro e prata - também causará distorção nos preços relativos, e "malinvestiments").

Sobre a manida das tulipas : http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=267
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:02:01

[1] Eles usaram socialismo como sinônimo de marxismo, e argumentaram que tal área possui pretensões claras de ser ciência, e que, segundo eles, por não obedecer um conjunto de regras, ela seria pseudocientífica, em alusão a Popper e seu critério de demarcação.

[2] Eles confundiram socialismo com marxismo ou foram desonestos em unificá-los.


Socialismo é, por definição, a propriedade estatal dos meios de produção, o que é em essência, o próprio Marxismo. Não houve confusão alguma. O que ocorreu foi que, da época deles para cá, o socialismo e a social democracia (que propunha uma reforma do sistema capitalismo sem necessidade de luta revolucionária, mas visando a estatização dos meios de produção -e todos eles apoiados na dialética de Marx) produziu o que chamamos de socialismo moderno (estado de bem estar social). Mas isso é recente.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Junho de 2016, 22:04:12
Obs : não é a praxeologia que é parte da economia. A economia é um dos ramos da praxeologia, e o mais desenvolvido deles.

OBS.: na verdade isso é meio como dizer, "não é a teologia que é parte da biologia; a biologia que é de certa forma um dos ramos da teologia, que, por estudar a Deus e a toda sua criação, estuda tudo".

E então se tem em vez dos axiomas praxeológicos misesianos, alguma daquelas coisas como argumento do primeiro motor e etc para derivar tudo.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:16:45
Depois que eu li um texto que Rothbard escreveu falando que a dialética é melhor e mais confiável que a matemática eu passei a ficar com o pé muito mais atrás em relação à Escola Austríaca, que eu já não era muito fã.

Gosto em especial da Escola de Chicago, de Milton Friedman e do conceito de Expectativa Racional, que é bem mais próximo da realidade que os libertários anarcocapitalistas de Viena pregam.

https://en.wikipedia.org/wiki/Rational_expectations


Creio que você tirou de contexto a frase do Rothbard. O que ele sempre falou é que, NA ECONOMIA, a lógica verbal é muito mais importante do que a matemática (entender as consequências das ações, é muito mais importante do que tentar descrever a economia em linguagem matemática, o que pode levar a entendimentos incorretos da realidade - vide Keynes e sua abordagem Marco). E que a matematização da economia se baseava em hipóteses, a priori, irreais cujas equações na verdade não agregavam conhecimento .
algum.

Você citou a Escola de Chicago. Eles tentaram transformar a economia em uma ciência equivalnte às ciências naturais (previsibilidade, etc), sem se darem conta que estavam lidando mais com uma ciência similar a evolução, do que com Física ou Química.

As premissas que eles adotam para matematizar a economia e tentar fazer dela uma ciência natural são, no mínimo, risíveis

- informações perfeitamente distribuida entre os agentes/concorrência perfeita (infinitos competidores)
- sistema em equilíbrio
- homem racional (racionalidade aqui significando que o agente sempre toma as decisões corretas, muito diferente do conceito de racionalidade misesano)

De uma olhada no capítulo I, página 15 onde é feita uma comparação entre a escola de chicago e a escola austriaca e me responda : quem trabalha com o mundo real, e não com o mundo de peter pan?

http://www.mises.org.br/files/literature/Escola%20Austr%C3%ADaca%20-%20Mercado%20e%20criatividade%20empresarial%20-%20WEB.pdf
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:23:29
Obs : não é a praxeologia que é parte da economia. A economia é um dos ramos da praxeologia, e o mais desenvolvido deles.

OBS.: na verdade isso é meio como dizer, "não é a teologia que é parte da biologia; a biologia que é de certa forma um dos ramos da teologia, que, por estudar a Deus e a toda sua criação, estuda tudo".

E então se tem em vez dos axiomas praxeológicos misesianos, alguma daquelas coisas como argumento do primeiro motor e etc para derivar tudo.

Não é naõ Buck. A Praxeologia é a ciência da ações humana em geral! A Economia é um dos ramos da Praxeologia

Aqui um artigo sobre os fundamentos praxeologicos da teoria legal libertária, que seria outro ramo da praxeologia :

http://rothbardbrasil.com/os-fundamentos-praxeologicos-da-teoria-legal-libertaria/

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:37:43
Embora talvez possa-se em última instância traçar alguma ligação com praxeologia a essas "previsões", não é algo que derivaria muito diretamente, ou, "necessariamente", disso (o contrário tem um quê da lógica "impostos não devem ser exageradamente altos, logo, tudo que Mises disse está correto"). Previsões de alguns libertários/austrianistas não tem nem "nada a ver" nem com economia, mas com tradições políticas dos países e regiões ("dinheiro dos pagadores de impostos irá reconstruir a Palestina e o Afeganistão", etc).

No que for mais diretamente economia, provavelmente pode chegar a conclusões similares sobre economia sem partir de praxeologia (talvez com embasamento empírico), e até aceitar modelos matemáticos (como a escola de Chicago), e então provavelmente fazer "previsões" similares (sem falar de talvez ser possível fazer previsões diferentes partindo dos mesmos princípios praxeológicos, que acho que não chega a ser como uma "matemática" onde 2+2=4). Ou mesmo ter visões econômicas bastante diferentes, como marxismo, neo-marxismo, pós-keynesianismo e o escambau, e também fazer as mesmas "previsões". (http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/2011/12/austrians-predicted-housing-bubble-but.html)

Citar
http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/2011/12/austrians-predicted-housing-bubble-but.html
...
It is obvious that Austrians identifying a housing bubble from 2003–2004 onwards should not regarded as having any special predictive power. They were merely identifying an on-going phenomenon. It is, furthermore, notable that when some Austrians identified a housing bubble in the first half of 2002, so too did the Keynesian economist Dean Baker.

We must remember that any “predictions” after 2002 are not even predictions at all: they represent people identifying an existing asset bubble that was becoming worse.


A ligação entra a praxeologia e as previsões são consequências diretas do fato de que a TACE (Teoria Austriaca dos Ciclos Econômicos) é produto direto da Praxeologia. E nenhuma outra escola chegou nessa teoria, justamente pela diferença metodológica. Então, na verdade, é o contrário. Qualquer teoria ou lei desenvolvida por empiristas - se de fato for uma teoria ou lei, e não uma "lei"/"teoria" de uma história de dados específica, que poderá ser explicada por uma lei geral que abranja outros conjuntos possíveis de dados históricos -  poderá ser deduzida praxeologicamente (caso contrário, teremos rompido o axioma da ação e o princípio da casualidade).
 
Com relação ao link : desde que se baixou a taxa de juros e liberou-se crédito os austriacos já sabiam que isso geraria uma crise/bolha, posteriormente foi identificado onde a bolha foi gerada e as consequências graves da mesma (nesse sentido, só os austríacos previram corretamente o desastre que se seguiria)  pois é isso o que a TACE diz! Além disso, não é só 2008. Tem todo o histórico de previsões dos austríacos, desde 1929, como já coloquei aqui além da TACE explicar também crises anteriores a 1929.

Edit - quer ver uma outra coisa interessante. Também pela diferença metodológica, nenhuma outra escola de economia achou que a estatização total dos meios de produção era impraticável. Pensavam que era uma decisão meramente política. Somente a EA, com sua abordagem metodológica, conseguiu identificar essa falha fatal no projeto socialista, no que ficou conhecido como "O Probelma do Cálculo Econômico". Hayek, por exemplo, era um socialista convicto. Porém, após ler o trabalho de Mises sobre o Cálculo Econômico, abandonou esse caminho e foi estudar com o Mises.

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Junho de 2016, 22:47:04
Obs : não é a praxeologia que é parte da economia. A economia é um dos ramos da praxeologia, e o mais desenvolvido deles.

OBS.: na verdade isso é meio como dizer, "não é a teologia que é parte da biologia; a biologia que é de certa forma um dos ramos da teologia, que, por estudar a Deus e a toda sua criação, estuda tudo".

E então se tem em vez dos axiomas praxeológicos misesianos, alguma daquelas coisas como argumento do primeiro motor e etc para derivar tudo.

Não é naõ Buck. A Praxeologia é a ciência da ações humana em geral! A Economia é um dos ramos da Praxeologia

Aqui um artigo sobre os fundamentos praxeologicos da teoria legal libertária, que seria outro ramo da praxeologia :

http://rothbardbrasil.com/os-fundamentos-praxeologicos-da-teoria-legal-libertaria/



Eu estou bem certo de que os defensores disso dizem que sim, é sim. Tal como qualquer defensor de teoria/posição fringe tentará enaltecê-la, dar um status maior que realmente tem. Mas o resto do mundo não dá bola para isso. Nem mesmo economistas partidários da escola austríaca.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:52:09
Não. A meteorologia consegue fazer previsões com razoável grau de acerto para mais ou menos até cinco dias. Entretanto veja que quem sugeriu que a teoria do Mises era científica porque acertava previsões foi o Lorentz, o que eu fiz foi apenas solicitar as previsões para poder comparar com a realidade posteriormente.

E veja também que o problema da praxeologia já começa logo no início ao depender da ideia furada de livre arbítrio (e conforme o texto também do dualismo).  O livre arbítrio é uma ideia muito boa... para a religião...

Ué, mas a Meteorologia é ou não científica (as vezes tb erra, mesmo nesse horizonte de tempo)? E sim, a "teoria de Mises" faz previsões corretas, dentro daquilo a que se propõe prever, como já expus aqui.

De onde você tirou que a questão do livre arbítrio está resolvida? Se quiser podemos debater em outro tópico!

Ademais, mesmo que estivesse, Mises deixa claro que o dualismo metodológico é um artifício :

"O dualismo metodológico evita fazer qualquer proposição a respeito de
essências e constructos metafísicos; ele apenas leva em conta o fato de que
não sabemos como os eventos externos – físicos, químicos e fisiológicos
– afetam os pensamentos, ideias e julgamentos de valor humanos. Esta
ignorância divide o reino do conhecimento em dois campos separados, o
reino dos eventos externos, comumente chamado de natureza, e o reino do
pensamento e da ação humana."
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 22:57:24
Eu estou bem certo de que os defensores disso dizem que sim, é sim. Tal como qualquer defensor de teoria/posição fringe tentará enaltecê-la, dar um status maior que realmente tem. Mas o resto do mundo não dá bola para isso. Nem mesmo economistas partidários da escola austríaca.

Sinceramente não entendi seu ponto. Você colocou uma questão referente a praxeologia e a economia, e eu evidenciei que existem outros ramos da praxeologia, como a teoria do direito libertária. Ou você está querendo dizer que a Economia não é uma ciência da ação humana? 

Praxeologia - Ciência da Ação Humana (baseada no axioma da ação)
Economia - um ramo da ciência da ação humana

Se não é uma ciência da ação humana, é uma ciência do que?

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:03:22
"Então a psicanálise aplicada à economia é tão válida quanto a meteorologia"... :hein:











Eu pensava que a praxeologia já havia sido relativamente abandonada pelos libertários. Ela ainda tem essa influência toda?


Citar

In my view, a useful division of modern Austrians would be as follows:

(1) The Anarcho-capitalists
E.g., Murray Rothbard, Hans-Hermann Hoppe and Jörg Guido Hülsmann;

(2) The minimal state/classical liberal Austrians in the tradition of Mises
This variety often supports praxeology and utilitarianism;

(3) Hayek’s economics, with a minimal state, and with an empirical (or Popperian) approach to economic method, in place of praxeology;

(4) Moderate subjectivist Austrians
E.g., Israel Kirzner and Roger Garrison;

(5) Radical subjectivists like Ludwig M. Lachmann (1906–1990), and Austrians influenced by him.


http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com.br/p/blog-page.html


(Em outro tópico eu chutava que Mises seria meio utilitarianista/óide, bom saber que provavelmente não foi tão bola fora assim, provavelmente, já que esse cara certamente os estudou mais do que eu)

Não. O que o GEO quis colocar é que existe uma delimitação de previsão que uma teoria é capaz de fazer! E que a TACE tem a sua delimitação de previsão (como já coloquei).

Existe essa divisão. Mas a maior parte dos Austriacos são adeptos do método praxeológico. Eu, particularmente, não tenho nada contra submeter às teorias, como a TACE, a testes.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:08:51
Praxeologia: o método dos economistas austríacos

Praxeologia é a distinta metodologia da Escola Austríaca. O termo foi inicialmente aplicado ao método austríaco por Ludwig von Mises, que foi não apenas o maior arquiteto e elaborador dessa metodologia mas também o economista que mais completamente e de forma mais bem-sucedida a aplicou na construção da teoria econômica.[1] Enquanto o método praxeológico é fora de moda, para dizer o mínimo, na economia contemporânea bem como em ciências sociais no geral e em filosofia da ciência, ele foi o método básico no início da Escola Austríaca e também de um considerável segmento da antiga escola clássica, em particular de J. B. Say e Nassau W. Senior.[2]


A praxeologia se baseia no axioma fundamental de que indivíduos agem, ou seja, no fato primordial de que indivíduos participam de ações conscientes visando objetivos escolhidos. Esse conceito de ação contrasta com o comportamento puramente reflexivo, ou automático, que não é dirigido para objetivos.



É aqui que a teoria desaba, e espertamente o autor deste texto não declarou que isto é a velha crença  no livre arbítrio  (provavelmente para não despertar um sinal de alerta nos leitores mais desavisados, já que a crença no livre arbítrio também é um componente fundamental de religiões cristãs, e não é muito legal ter como base,  e compartilhar uma crença que também é tão importante para religiosos).  Mas, é exatamente este um fundamento básico da praxeologia: a crença no livre arbítrio.

Não é! Como já falei, o uso do dualismo metodológico é um artifício, como explicado pelo próprio Mises!
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Junho de 2016, 23:10:54
Eu estou bem certo de que os defensores disso dizem que sim, é sim. Tal como qualquer defensor de teoria/posição fringe tentará enaltecê-la, dar um status maior que realmente tem. Mas o resto do mundo não dá bola para isso. Nem mesmo economistas partidários da escola austríaca.

Sinceramente não entendi seu ponto. Você colocou uma questão referente a praxeologia e a economia, e eu evidenciei que existem outros ramos da praxeologia, como a teoria do direito libertária. Ou você está querendo dizer que a Economia não é uma ciência da ação humana? 

Praxeologia - Ciência da Ação Humana (baseada no axioma da ação)
Economia - um ramo da ciência da ação humana

Se não é uma ciência da ação humana, é uma ciência do que?



Não é uma ciência. Como diversas outras coisas cujo restrito círculo de defensores/crentes defendem ser.

Ainda que "seja", "no conceito de 'ciência' deles". Como astrologia, desenho inteligente, ou marxismo científico, por exemplo. Como seria alguém inventar "omnilogia" (http://www.omniology.com/) como "a ciência de todas as coisas", da qual outras ciências seriam parte, com ressalvas como que ele deriva versões alternativas do que é aceito pelas tradicionais/reais em seus respectivos campos específicos.

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:11:37
Novamente devo  relembrar que foi o Lorentz que sugeriu que a praxeologia  seria correta (e científica)  por ter feito boas previsões [significativas, precisas , detalhadas]. Dado que ele sugeriu isto, eu simplesmente solicitei as novas previsões [significativas, precisas , detalhadas] que ele possa ter  com base na praxeologia, e que possam passar por testes da realidade.

Ou seja, ao invés de você tentar rever parte de seus argumentos, você não se dá por vencido, não responde, e ainda pede algo que é impossível em várias outras ciências na tentativa de demonstrar que a praxeologia é de fato pseudociência.

Talvez seja mesmo, pois minha pergunta foi sincera. Eu não sei se Mises acertou em várias crises. Já ouvi dizer que sim e queria sua opinião.

Mas sua opinião não existe. Você já está convicto e não vai dar o braço a torcer.



Ela certamente é pseudociência  por outros motivos, tais como os mostrados no texto que abre o tópico. 

A minha resposta foi apenas uma forma de chamar a atenção para a crença de que a teoria do Mises tinha capacidade de previsão (significativa).  Se a crença é verdadeira porque não são apresentadas  novas previsões significativas ( e  precisas, testáveis, falsificáveis) ? 



 :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?:

Se você ler o que a TACE fala, saberá que estamos a caminho de uma crise MUITO, MAS MUITO PIOR que a de 2008! Use esse conhecimento prévio para se preparar para o que está por vir!
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:14:16
Citar

Não é uma ciência. Como diversas outras coisas cujo restrito círculo de defensores/crentes defendem ser.

Ainda que "seja", "no conceito de 'ciência' deles". Como astrologia, desenho inteligente, ou marxismo científico, por exemplo. Como seria alguém inventar "omnilogia" (http://www.omniology.com/) como "a ciência de todas as coisas", da qual outras ciências seriam parte, com ressalvas como que ele deriva versões alternativas do que é aceito pelas tradicionais/reais em seus respectivos campos específicos.

Como não? Já cansei de mostrar aqui que, mesmo com seus defensores se recusando a admitir a necessidade de falsificação, sua princiapal teoria vem passando em todos os testes empíricos ao qual foi submetida! Incluindo um teste com "dados" de 1600,


Buck, você já leu Teoria e História?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Lorentz em 20 de Junho de 2016, 23:16:26
Se você ler o que a TACE fala, saberá que estamos a caminho de uma crise MUITO, MAS MUITO PIOR que a de 2008! Use esse conhecimento prévio para se preparar para o que está por vir!


Alguma outra escola econômica também está prevendo esta crise?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:23:14
Não faz sentido pedir "previsões científicas" no sentido popperiano da coisa (com a qual essas caricaturalmente se assemelham) em resposta a alegação de praxeologia ser científica, porque eles rejeitam a esse critério de ciência, tal como seria o caso com psicanálise*, à qual a praxeologia "deve muito"**, segundo Mises.

"Previsões" nas linhas de "já temos as fórmulas e apenas falta poder computacional para sermos o demônio de Laplace" são mais o que faria algum sentido de se esperar do conceito popperiano de ciência, de refutabilidade, ainda que numa forma caricatural/espantalhosa para fins humanamente práticos, que conduziria a concluir que nada então é "científico" se não fizer previsões tão fantasticamente proféticas.






* Comumente o mesmo com qualquer outro círculo restrito de crenças que dê a si mesma rótulos científicos, apesar de ser algo largamente ignorado/desprezado pelo resto do mundo, ou pela maioria dos pesquisadores com instrução em campos científicos próximos ao tema pretensamente estudado. Como criacionismo, espiritismo, e medicina alternativa. A "cientificidade" será defendida em "bater com os fatos", não em ser refutável por eles.




**

(https://books.google.com.br/books?id=bqhZRn5zWA4C&hl=pt-BR&pg=PA12&img=1&zoom=3&sig=ACfU3U2o3DDyd6sNJJeuPoVki8OgK0VSeQ&w=1280)


"Human action (https://books.google.com.br/books?id=bqhZRn5zWA4C&pg=PA12&lpg=PA12&dq=psychoanalysis+praxeology&source=bl&ots=5VENz_4S_G&sig=TNpTaLFLyMsfXQU1N5lzISey8XI&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwilqtackJvNAhWIhZAKHcHiAwgQ6AEILTAC#v=onepage&q=psychoanalysis%20praxeology&f=false)"

Acho que faz mais sentido falar em praxeologia como método, não como teoria científica. Da mesma forma como não temos como demonstrar a cientificidade do método científico, não temos como fazer o mesmo com o método praxeologia. Porém, podemos testar as teorias oriundas da praxeologia, da mesma forma que testamos as demais teorias científicas.

No caso da TACE : toda crise/bolha econômica é precedida por um período de expansão creditícia/monetária (tem mais detalhes, mas estou colocando dessa forma, para evidenciar como podemos ter um critério de falseabilidade)
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Junho de 2016, 23:25:47
https://www.youtube.com/v/Y_SXHEJ59p8







Citar

Não é uma ciência. Como diversas outras coisas cujo restrito círculo de defensores/crentes defendem ser.

Ainda que "seja", "no conceito de 'ciência' deles". Como astrologia, desenho inteligente, ou marxismo científico, por exemplo. Como seria alguém inventar "omnilogia" (http://www.omniology.com/) como "a ciência de todas as coisas", da qual outras ciências seriam parte, com ressalvas como que ele deriva versões alternativas do que é aceito pelas tradicionais/reais em seus respectivos campos específicos.

Como não? Já cansei de mostrar aqui que, mesmo com seus defensores se recusando a admitir a necessidade de falsificação, sua princiapal teoria vem passando em todos os testes empíricos ao qual foi submetida! Incluindo um teste com "dados" de 1600,


Buck, você já leu Teoria e História?

Não, não li. Também não li Marx. Os defensores de Marx dizem exatamente as mesmas coisas em termos de status e confirmação/validade. São quase tão ignorados quanto.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:27:37
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

Mas a praxeologia não tem como objetivo determinar o porque das pessoas pensarem, agirem de tal forma, como constroem seus valores, etc. Para ela, só interessa o resultado disso, aquilo que se manifesta no mundo físico : a ação humana, através de meios, para atingimento de determinados fins. 

Eu sinceramente não consigo entender porque tanto problema com esse axioma. Alguém aqui conhece um exemplo de ação humana que não se encaixe no axioma (já falei dos atos reflexos, e o proprio Mises não considerava que toda ação era proposital).
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Junho de 2016, 23:36:04
É como o axioma de que "os humanos vivos fazem coisas".
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 20 de Junho de 2016, 23:57:18
https://www.youtube.com/v/Y_SXHEJ59p8

Todos que decidem colocar datas especificas para previsões desse tipo, correm sério risco de caírem nessa. Mas veja : inflação, por definição, é a emissão de moeda. O aumento do nível geral dos preços é uma das consequências possíveis dessa ação. Tudo vai depender do caminho que o dinheiro vai fazer na sociedade. Dessa forma, a base monetária americana já foi hiperinflada.

Os EUA emitiram 3 trilhões de dólares. Porém, boa parte desse dinheiro não foi para a sociedade, ficando como reservas nos bancos. Outra grande parte foi para áreas específicas e, por isso, atualmente se fala que não existe bolha nos EUA, mas que a própria economia é uma bolha (ações, imoveis novamente, automovies, financiamento de estudantes). Além disso, existe uma grande pressão deflacionária na economia americana e mundial (esse é um outro motivo pelo qual ainda não tivemos uma definição - os BCs estão lutando contra deflação), que está sendo combatida pelso BCs.

Edit - de uma olhada em como o dinheiro que o FED emitiu criou a bolha das bolhas no mercado acionário :

https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/?graph_id=205372

Nunca existiu dúvida com relação à crise que se aproxima (prevista pela TACE). A questão toda é : qual será a dinâmica dessa crise ? hiperinflação, deflação ou deflação, seguida por hiperinflação - foi essa dinâmica que o cara do vídeo, além de tentar antecipar, tentou colocar uma data específica.

Eu aposto em uma deflação, em função do nível de débito que se encontra no mercado mundial (publico e privado), seguida de hiperinflação (devido à reação dos BCs para reverterem a deflação). Se os BCs optarem pelo Helicopter Money, aí teremos hiperinflação, sem passar por deflação.

Mas repare que independente da dinâmica da crise, a causa básica da mesma ainda será aquela descrita pela TACE.




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:03:07
É como o axioma de que "os humanos vivos fazem coisas".

Não é. Desse axioma, você não consegue deduzir o que é deduzido do axioma da ação! O ponto fundamental é reconhecer que  a ação humana ocorre através de meios, para o atingimento de determinados fins. Isso é bem diferente de falar que "humanos vivos fazem coisas". Por exemplo, a lei da utilidade marginal decrescente é deduzida diretamente do axioma da ação em um ambiente de recursos escassos.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1288

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:08:28
Bem, a Crise Econômica de 2008 foi prevista por alguns economistas utilizando a Econometria como meio. Não dá para saber o que as pessoas vão querer fazer hoje ou amanhã, mas dá para analisar os dados de demanda, procura e oferta e prever resultados usando os números. Uma das coisas mais engraçadas entre os críticos do Liberalismo/Libertarianismo é achar que existe uma única escola liberal/libertária. David Friedman por exemplo é libertário e anarco-capitalista e um célebre crítico da EA.

O que me dá muitas vezes impressão é que a Escola Austríaca é muito mais focada na filosofia e parece ignorar a economia em si. É uma escola muito mais filosófica que econômica, diferentemente da de Chicago.


Citar
* Comumente o mesmo com qualquer outro círculo restrito de crenças que dê a si mesma rótulos científicos, apesar de ser algo largamente ignorado/desprezado pelo resto do mundo, ou pela maioria dos pesquisadores com instrução em campos científicos próximos ao tema pretensamente estudado. Como criacionismo, espiritismo, e medicina alternativa. A "cientificidade" será defendida em "bater com os fatos", não em ser refutável por eles.

Há quem diga que a Psicologia com um  todo pode ser considerada pseudociência...

Você pode passar a previsão desses economistas?

O Friedman é um liberal, que acredita no livre mercado. A principal diferença entre Asutriacos e Chicaguistas está no método. Uma escola analisa a realidade como ela é, e constroe seu conhecimento baseado nisso (imperfeições) a outra, constroe um mundo de Bob, a partil do qual seja possivel matematizar a economia.

Além disso, a abordagem com relação  das duas escolas ao dinheiro é fudamentalmente diferente também. Isso dá um outro tópico.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:10:25
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:12:29
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 21 de Junho de 2016, 00:21:48
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0

É uma religião, pseudociência.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:25:15
A Escola de Chicago até que é útil no geral, mas é claro que os políticos vão preferir uma teoria que diz o que eles querem ouvir, que justifica os erros que eles cometem.

Quando você diz isso, você está se referindo à Escola Keynesiana, certo?

A Chicaguista tb, pois no monetarismo o governo também é visto como potencial solucionador de problemas na economia. Esse artigo é bem interessante, pois expõe como as 4 escolas abordam questões fundamentais : Marx, Keynes, Chicago e Austriaca

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:37:36
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0

É uma religião, pseudociência.

Você não respondeu minha pergunta. Em que momento o axioma da ação entra em conflito com as ciências que você citou? E o axioma da ação não é baseado em um fato, FACILMENTE observável? Os Homens Agem, através de meios, para atingir determinados fins!

O que você não está percebendo é que não é objetivo da praxeologia entender como essa ação é construida na interação organismo-química-meio. Para o estudo da economia, só interessa as consequências lógicas das ações tomadas, dos meios escolhidos para os fins perseguidos. Isso fica claro no trecho do Teoria e Historia que coloquei aqui 2 x!

E desde quando a Praxigril virou a expoente filosófica da Escola Asutríaca? Pelo que li, ela está cometendo o mesmo tipo de confusão que você está. Não percebendo que são níveis de descrição diferentes. Como voce mesmo falou, um detalhando como a neuroquímica influencia nas decisões, etc. O outro, se apegando somente na ação (influenciada por essa neuroquimica) via meios, para determinar suas consequências.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:53:00
Econometria é a verdadeira pseudociência aqui, é praticamente uma numerologia para planejadores centrais, ou tarot.

A Econometria trabalha com dados reais estatísticos. Usa a estatística através de vários métodos para tentar observar e não  "prever"(diferente da pseudociência numerologia) o que acontecerá, para criar um modelo matemático para a economia. Se você analisar dados de produção de algo conforme os anos e perceber quedas de produção ou consumo, você poderá aplicar um modelo matemático para isso. Os planejadores podem se basear nos dados para tomar decisões, mas isso já outro ponto. Mas é melhor se basear em algo empírico  para tomar decisões do que nas relações sociológicas entre os indivíduos como defende alguns filósofos da EA.

P.S.: Lembrando que VaR é diferente de Econometria, estando somente relacionado a Matemática Financeira. Pode haver uma confusão entre os dois métodos sendo que um trabalha com estatística e outro com probabilidade, estando presente nas empresas de consultoria.
https://en.wikipedia.org/wiki/Value_at_risk

Por ora:
https://en.wikipedia.org/wiki/Criticisms_of_econometrics

Ninguém fala que se deva usar teorias economicas da escola austriaca para tomar decisões de produção!

Os dados estatísticos são dados HISTÓRICOS, que sofrem alterações, principalmente quando temos inovações. Existe uma diferença entre teoria e história! O Mises aborda isso em Teoria e História.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 00:57:49

Citação de: Mises, The Foundation of Economic Sciences
Statistics provides numerical information about historical facts, that is, about events that happened at a definite period of time to definite people in a definite area. It deals with the past and not with the future. Like any other past experience, it can occasionally render important services in planning for the future, but it does not say anything that is directly valid for the future.

[...] What characterizes the field of the sciences of human action is the absence of constant relations apart from those dealt with by praxeology. In the former group of sciences there are laws (of nature) and measurement. In the latter there is no measurement and—apart from praxeology—no laws; there is only history, including statistics.

Um estudo do psicólogo Philip Tetlock publicado no livro Superprevisões: A arte e a ciência de prever o futuro (Editora Objetiva, 2016) demontrou que alguns indivíduos - desses que seguem o método empírico em assuntos como economia, bolsas, eleições, guerras, etc. - tem de fato uma habilidade extraordinária de prever o futuro com um grau de precisão 60% maior do que a média. Se o estudo do passado estatístico fosse só história como diz Mises, então teríamos que postular milagres para explicar essa capacidade:

"(...) os meros mortais só podem desafiar as leis da gravidade estatística até certo ponto. (...) De modo que ainda deveríamos considerar considerável regressão à média. Todo ano, aproximadamente 30% dos superprevisores individuais deixam a faixa dos 2% melhores no ano seguinte. Mas isso também implica um bocado de consistência ao longo do tempo: 70% dos superprevisores continuam superprevisores. As chances de tal solidez surgir entre palpites de cara ou coroa (em que a correlação ano a ano é zero) é menos de 1 em 100 milhões, mas a chance de tal consistência surgir entre previsores (em que a correlação ano a ano é 0,65) é muito mais alta, cerca de 1 em 3".

Se a questão fosse meramente estatística, não teriamos diferenças significativas entre todos os que usam esses métodos (ou seja, existe alguma questão referente a habilidade interpretativa individual). E outra questão é que a estatística pode sim ser válida para prever eventos futuros, durante um período de tempo (e isso o mises fala em seu livro), mas não para que, a partir dela, se possa  extrair uma lei atemporal baseada nas correlações observadas.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 01:04:27

Citação de: Mises - The Ultimate Foundation of Economic Science
The a priori knowledge of praxeology is entirely different—categorially different—from the a priori knowledge of mathematics or, more precisely, from mathematical a priori knowledge as interpreted by logical positivism. The starting point of all praxeological thinking is not arbitrarily chosen axioms, but a self-evident proposition, fully, clearly and necessarily present in every human mind. An unbridgeable gulf separates those animals in whose minds this cognition is present from those in whose minds it is not fully and clearly present. Only to the former is the appellation man accorded. The characteristic feature of man is precisely that he consciously acts. Man is Homo agens, the acting animal.

Claro que tem diferenças, se não bastaria usar a matemática. O que Mises faz é colocam ambas no mesma classificação científica. Ciências apriorísticas, ciências formais, seja lá como se chame atualmente.

A diferença para ele é que a praxeologia seria verdade ainda mais absoluta e indiscutível que a matemática. Quando a posição razoável é de que são (ou deveriam ser) meras suposições, o esboço inicial de hipóteses, e não, como ele quer, "leis". (Tirando eventuais impossibilidades ou necessidades lógicas/físicas, que suponho não se estenderem tão longe quanto propoem, e que provavelmente não devem suscitar a necessidade do rótulo de "leis" do comportamento).

A partir daí as coisas deveriam buscar validação empírica/"histórica", como em economia comportamental (e posteriormente modelagem matemática, como de fato uns fizeram). Do contrário é na melhor das hipóteses meio como aquelas especulações teológicas que tentam dar um verniz de validação "científica"/filosófica com a linguagem lógica, "Deus necessariamente existe, dado que o universo existe, isso é bom, e Deus é bom e onipotente, portanto o único ser com o pode de criar tudo". A única vantagem (significativa) sendo que lida ao menos com coisas que sabemos existir, pessoas e comortamento, então há maior chance de se aproximar da realidade aparente.

 A questão é que se você usou o axioma da ação e dele, usando a lógica e o princípio da casualidade, estabeleceu leis., para você falar que essas leis são falsas, ou você nega o axioma da ação, ou o princípio da casualidade. Exemplo : Lei da Utilidade Marginal Decrescente, Lei da Associação de Ricardo. Essas e outras Leis são dedutíveis do axioma da ação, e são verdadeiras!
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 21 de Junho de 2016, 01:24:02
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0

É uma religião, pseudociência.

Você não respondeu minha pergunta. Em que momento o axioma da ação entra em conflito com as ciências que você citou? E o axioma da ação não é baseado em um fato, FACILMENTE observável? Os Homens Agem, através de meios, para atingir determinados fins!

O que você não está percebendo é que não é objetivo da praxeologia entender como essa ação é construida na interação organismo-química-meio. Para o estudo da economia, só interessa as consequências lógicas das ações tomadas, dos meios escolhidos para os fins perseguidos. Isso fica claro no trecho do Teoria e Historia que coloquei aqui 2 x!

E desde quando a Praxigril virou a expoente filosófica da Escola Asutríaca? Pelo que li, ela está cometendo o mesmo tipo de confusão que você está. Não percebendo que são níveis de descrição diferentes. Como voce mesmo falou, um detalhando como a neuroquímica influencia nas decisões, etc. O outro, se apegando somente na ação (influenciada por essa neuroquimica) via meios, para determinar suas consequências.


Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.



O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".


É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.



Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 21 de Junho de 2016, 02:00:02
Quer criticar a Praxeologia e a Escola Austríaca, critiquem, mas não sejam idiotas que nem esse Douglas do UR. Tenham a mínima noção do que criticam. Esse Douglas não conseguiu fazer uma única crítica com validade, e ainda deixou implícito que Marx tem ou teve alguma importância na ciência econômica.

Why I Am Not an Austrian Economist
by
Bryan Caplan
http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Obs.: Bryan Caplan é ancap.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 02:53:19
Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.

Agora você respondeu. Não ser levado à sério por quem pesquisa ciências "de verdade" relacionadas ao comportamento em nada invalida o uso do método para fins econômicos. Não é objetivo da praxeologia entrar no campo dessas ciências, trabalhar com um nível de redução maior ao que se propõe.

Quantas vezes vou ter que repetir isso? Não interessa ao economista tentar descobrir o que, ou como, o por que vias neurais, químicas, ou hipnose, ou sugestão o ser humano toma as suas decisões. O nível de reducionismo necessário é somente da ação em si, do uso de meios para atingimento de fins. O nível das afirmações da praxeologia não é o mesmo nível das afirmações dessa ciências. E sim, a praxeologia faz afirmações específicas sobre a realidade, através da economia.

Como a afirmação "a evolução ocorre por mutação e seleção natural", se adapta a qualquer  realidade possível, ela não vale absolutamente nada?

Citar
O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".

É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.

Isso. É uma observação extremamente trivial e esse é o componente básico, o bloco básico a partir do qual todas as leis econômicas são derivadas em conjunto com outros conceitos econômicos, como o de troca, escassez, valor,  etc.

Economia não é um sistema aberto, é um sistema fechado, com possibilidades restritas de ação dos agentes econômicos (investir, poupar, realizar trocas voluntárias, usar determinado meio de troca, determinado sistema bancário, etc). Não existe essa questão de expansão fenomenológica (e não existe separação de marco e micro economia - Mises unificou ambas, se não me engano, com sua teoria do dinheiro e do crédito. Essa separação é uma abstração que, por sinal, tem nos levado a cair no canto Keynesiano) , de que qualquer coisa seja possível, como se, a partir do axioma da ação e de conceitos econômicos, fosse se chegar a inúmeras leis possíveis competindo para explicar uma mesma realidade, ou que se expanda para além da economia.

Se chega a verdade pela lógica, pois temos o princípio da casualidade, aplicados à própria ação econômica humana propositada. 

Citar
Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.

Como assim, coisas que praxeologistas tenham adaptado posteriormente? A contribuição austríaca é precedente ao positivismo na Economia; bem precedente!

Como eu já disse, eu não ligo para que se falseie as teorias/leis derivadas do método austríaco. Todas elas passam no teste, apesar do empirismo ser impossível de ser aplicado à economia da mesma forma como se aplica às ciências naturais. Porém, as consequências das ações econômicas humanas são passíveis de serem deduzidas logicamente, por causa do princípio da casualidade, sem necessidade de experimentação (talvez voce esteja pensando que em algum momento termos mais de 3 caminhos possíveis de análise, para se formar uma determinada lei econômica. Porém, essas análises são realizadas mantendo-se tudo mais constante e fazendo somente a variável estudada sofrer alteração). Vc não vai deduzir, para uma mesma situação, resultados diferentes.

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!   

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 21 de Junho de 2016, 02:58:40
Quer criticar a Praxeologia e a Escola Austríaca, critiquem, mas não sejam idiotas que nem esse Douglas do UR. Tenham a mínima noção do que criticam. Esse Douglas não conseguiu fazer uma única crítica com validade, e ainda deixou implícito que Marx tem ou teve alguma importância na ciência econômica.

Why I Am Not an Austrian Economist
by
Bryan Caplan
http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Obs.: Bryan Caplan é ancap.

Eu coloquei esse link em um post que abri, se não me engano por sugestão do Buckaroo, para discutir espeficicamente o método austríaco. E o Caplan já recuou na TACE, em um debate com o Walter Block. Ele também usa um conceito de utilidade marginal diferente do conceito original austriaco (revolução marginalista).  Mas a crítica dele é interessante, e mereceu atenção e resposta do Mises institute.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 21 de Junho de 2016, 10:05:46
Acho que dentre os três marginalistas, os neoclássicos usam Jevons.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 28 de Junho de 2016, 18:21:09
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

A teoria da evolução faz previsões quantitativas, e é claro que isso inclui coisas sobre a evolução humana: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 28 de Junho de 2016, 19:00:19

Se a questão fosse meramente estatística, não teriamos diferenças significativas entre todos os que usam esses métodos (ou seja, existe alguma questão referente a habilidade interpretativa individual).

Em nenhum momento foi negado que os quants têm prática em avaliar o peso de diferentes tipos de informação e que podem se beneficiar com o uso de fatores qualitativos juntamente aos quantitativos.

E outra questão é que a estatística pode sim ser válida para prever eventos futuros, durante um período de tempo (e isso o mises fala em seu livro), mas não para que, a partir dela, se possa  extrair uma lei atemporal baseada nas correlações observadas.

A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 28 de Junho de 2016, 19:17:27
Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.

Agora você respondeu. Não ser levado à sério por quem pesquisa ciências "de verdade" relacionadas ao comportamento em nada invalida o uso do método para fins econômicos. Não é objetivo da praxeologia entrar no campo dessas ciências, trabalhar com um nível de redução maior ao que se propõe.

Quantas vezes vou ter que repetir isso? Não interessa ao economista tentar descobrir o que, ou como, o por que vias neurais, químicas, ou hipnose, ou sugestão o ser humano toma as suas decisões. O nível de reducionismo necessário é somente da ação em si, do uso de meios para atingimento de fins. O nível das afirmações da praxeologia não é o mesmo nível das afirmações dessa ciências. E sim, a praxeologia faz afirmações específicas sobre a realidade, através da economia.

O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

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Como a afirmação "a evolução ocorre por mutação e seleção natural", se adapta a qualquer  realidade possível, ela não vale absolutamente nada?

Não se adapta a qualquer realidade possível, já que você poderia verificar não existir mutação, nem seleção natural, ou mesmo que, apesar de ambas ocorrerem, elas não se acumulassem em "evolução".


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O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".

É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.

Isso. É uma observação extremamente trivial e esse é o componente básico, o bloco básico a partir do qual todas as leis econômicas são derivadas em conjunto com outros conceitos econômicos, como o de troca, escassez, valor,  etc.

Economia não é um sistema aberto, é um sistema fechado, com possibilidades restritas de ação dos agentes econômicos (investir, poupar, realizar trocas voluntárias, usar determinado meio de troca, determinado sistema bancário, etc). Não existe essa questão de expansão fenomenológica (e não existe separação de marco e micro economia - Mises unificou ambas, se não me engano, com sua teoria do dinheiro e do crédito. Essa separação é uma abstração que, por sinal, tem nos levado a cair no canto Keynesiano) , de que qualquer coisa seja possível, como se, a partir do axioma da ação e de conceitos econômicos, fosse se chegar a inúmeras leis possíveis competindo para explicar uma mesma realidade, ou que se expanda para além da economia.

Essa "separação", se é que se pode chamar assim, é aceita pela maioria dos pesquisadores levados a sério, e faz sentido mesmo em outras áreas de pesquisa real (em vez de mera "imaginação" como "ciência") do comportamento humano. Simplesmente tem coisas que são mais perceptíveis se observando os efeitos globais/gerais do que tentando prever a partir do reducionismo. Climatologia e meteorologia talvez sejam os melhores exemplos, e talvez bastante comparáveis a economia nesse aspecto, podendo se ignorar "micro causas" para modelar com algum sucesso fenômenos "macro".




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Se chega a verdade pela lógica, pois temos o princípio da casualidade, aplicados à própria ação econômica humana propositada.

É meio como dizer "se chega a verdade pela lógica, termos o princípio das ações e reações que governam as moléculas de água, aplicados a própria ação das moléculas no clima terrestre."

Por mais que o "micro" possa informar, não acabam as coisas aí, especialmente se ficamos só na imaginação. Não dá para chamar de ciência, tanto que ninguém faz, senão os adeptos, como é o caso com toda pseudociência.

 

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Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.

Como assim, coisas que praxeologistas tenham adaptado posteriormente? A contribuição austríaca é precedente ao positivismo na Economia; bem precedente!

Me refiro a economia mainstream, não a "positivismo". Em alguns casos o que veio a ser mais largamente aceito vindo de austríacos pode ter partido de elaborações precedentes sem "fundamentos" praxeológicos, muito embora possam ser adaptados a essa narrativa, já que é só dar um jeito de falar como as pessoas logicamente fariam isso. Pode também ter se originado daí mesmo, não é surpreendente, muito embora isso não faça desse empreendimento algo científico. Os austríacos provavelmente não reinventaram a economia "do zero" a partir de uma rejeição categórica a todas as outras, "redescobrindo" através da praxeologia aquilo com o que concordam. Antes disso é um exercício de adaptação a essa linguagem daquilo que têm como verdade.

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Among the theoretical contributions of the early years of the Austrian School are the subjective theory of value, marginalism in price theory, and the formulation of the economic calculation problem, each of which has become an accepted part of mainstream economics.[6]

Suspeito que todas essas coisas não sejam 100% originais/exclusivas dos austríacos, e podendo ser inferidas mesmo sem treinamento em praxeologia, apenas a partir de seus fundamentos obviamente triviais, "pessoas fazem coisas".



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Como eu já disse, eu não ligo para que se falseie as teorias/leis derivadas do método austríaco. Todas elas passam no teste, apesar do empirismo ser impossível de ser aplicado à economia da mesma forma como se aplica às ciências naturais. Porém, as consequências das ações econômicas humanas são passíveis de serem deduzidas logicamente, por causa do princípio da casualidade, sem necessidade de experimentação (talvez voce esteja pensando que em algum momento termos mais de 3 caminhos possíveis de análise, para se formar uma determinada lei econômica. Porém, essas análises são realizadas mantendo-se tudo mais constante e fazendo somente a variável estudada sofrer alteração). Vc não vai deduzir, para uma mesma situação, resultados diferentes.

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!

Isso não difere de se ter uma fórmula matemática com as mesmas assunções (apesar da aversão a matemática), não é nenhuma exclusividade. E como em matemática, a fórmula só é tão boa quanto as assunções que faz corresponderem à proxidade da realidade do que se modela. Haver certeza matemática/lógica não quer dizer que haverá certeza real.

Os fatos podem divergir da análise. Se não universalmente, ocasionalmente/pontualmente, por fatores não levados em consideração apenas imaginando as coisas.

Você pode ter um algoritmo para imaginar as coisas, e ele pode parecer render bem, mas não é cientifico por isso, e muito menos porque segundo suas próprias fórmulas, ele está sempre certo.

   









A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

Isso significa que poder retroditivo não vale nada, não deve nem ser preocupação? :hein:

Nessas não acaba se abrindo muito espaço para hipóteses ad hoc que justificam falhas de modelos que no fim das contas não servem para nada?
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 28 de Junho de 2016, 22:32:53
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

A teoria da evolução faz previsões quantitativas, e é claro que isso inclui coisas sobre a evolução humana: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/

Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 28 de Junho de 2016, 22:54:58
Em nenhum momento foi negado que os quants têm prática em avaliar o peso de diferentes tipos de informação e que podem se beneficiar com o uso de fatores qualitativos juntamente aos quantitativos.

A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

O ponto aqui é que a estatística não nos permite deduzir, a partir delas, leis universais. Pois estatística é história, não teoria (leia o livro Teoria e História do Mises. Ele tem outro livro muito bom focado também na questão metodológica). Como história, representa uma configuração de condições únicas.

A atitude correta para quem? Não para um economista. Talvez para alguém que trabalhe com previsão de mercado.

Como assim a economia não obedece a leis fundamentais? Já citei aqui um monte delas!

Outra coisa. A Economia (Escola Austríaca) não se define como ciência (quem cometeu esse equivoco,e  para isso, criou um mundo de Boby, foi a Escola de Chicago) da mesma forma que as ciências naturais! Pelo contrário (e no livro Teoria e História isso fica claro), faz questão de se diferenciar das ciências naturais. Sendo assim, 0não se propõe a prever com a mesma precisão das ciências naturais, mas sim prever as consequências de políticas adotadas (expansão de crédito, aumento descontrolado da base monetária, etc,etc) e explicar os eventos passados.

O Peter Schiff (e a EA) ficou 4 anos avisando sobre a crise de 2008, explicando o mecanismo a sua dinâmica. E está, desde 2009, alertando que a correção adotada irá nos levar a uma crise muito pior! Quando? não podemos precisar, até porque, os BC's não estão permitindo as correções de mercado. Estão fazendo isso, porém, com um grande custo - aumentando o potencial destruidor dessa crise.

Essa discussão é, na verdade, sobre qual o método ideal para se aplicar na Economia : o mesmo das ciências naturais? Ou o método lógico-dedutivo, baseado no axioma da ação e suas consequências ?

Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 28 de Junho de 2016, 23:32:14
Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

Alelos sofrerarão alteração em suas freqüências de acordo com as pressões seletivas. Quais alelos, quais pressões, são questões em aberto.

Dentro de um espaço relativamente curto de tempo como esse as "previsões" provavelmente seriam de que pouquíssima coisa mudaria (ao menos em  humanos), as menos especulativas seriam só de que a variação neutra e quase-neutra continuará a aumentar com o aumento populacional. Indo mais nessa linha de "mudança de órgãos" poderia ser ainda próximo de "previsão" dizer alterações como de tolerância a lactose e redução da dentição tendem a se propagar/emergir em algum grau conforme os povos abandonarem o estilo de vida de caçador-coletor. Mas não acho que dá para chamar isso exatamente de "previsão", não havendo "aposta" nas condições.

Previsões mais práticas e realistas podem ser usadas para informar questões de agropecuária, como desenvolvimento de linhagens, ou estratégias para conter a evolução de resistência de pestes.

Em laboratório é ainda capaz de se testar coisas como o risco potencial de linhagens de vírus, em que eles podem se transformar, de fato os selecionando aceleradamente em algumas condições.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 29 de Junho de 2016, 01:21:59
O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas! Esse é o ponto. Caso contrário, ou você irá abrir mão do princípio da causalidade, ou terá que abraçar algum tipo de emergencismo forte bizarro! Se Austríacos discordam sobre uma lei ou uma teoria, eles não precisam recorrer ao empirismo para saber quem está certo! Tem que revisitar as premissas e as deduções feitas e encontrar os erros. Não existem duas realidades econômicas!

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Não se adapta a qualquer realidade possível, já que você poderia verificar não existir mutação, nem seleção natural, ou mesmo que, apesar de ambas ocorrerem, elas não se acumulassem em "evolução".

Assim como pode ocorrer com teorias econômicas : você verifica que não ouve nem expansão creditícia, nem redução de juros. Ou que ocorreu ambas, mas ainda não "se acumularam" em crise! Mas repare que em ambos os casos, você irá analisar a realidade tendo como base a teoria de evolução, mesmo para concluir que as pressões seletivas não foram suficientes para fixar a mutação ou que não tenha ocorrido sequer mutação.

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Essa "separação", se é que se pode chamar assim, é aceita pela maioria dos pesquisadores levados a sério, e faz sentido mesmo em outras áreas de pesquisa real (em vez de mera "imaginação" como "ciência") do comportamento humano. Simplesmente tem coisas que são mais perceptíveis se observando os efeitos globais/gerais do que tentando prever a partir do reducionismo. Climatologia e meteorologia talvez sejam os melhores exemplos, e talvez bastante comparáveis a economia nesse aspecto, podendo se ignorar "micro causas" para modelar com algum sucesso fenômenos "macro".

Não é imaginação do comportamento humano. Não se procura imaginar possíveis comportamentos humanos!O que se faz é analisar as consequências das ações do homem dentro da economia : ao poupar, ao consumir, ao empreender, ao emitir moeda, ao alterar a taxa de juros, etc. Não é sair por aí imaginando ações; as atuações econômicas são limitadas, são conhecidas e estão presentes entre nós faz muito tempo!


Você até pode analisar padrões globais. Porém, a modelagem matemática desse comportamento global, o "entendimento desse comportamento global" (como por exemplo : velocidade de circulação*) não irá lhe dar nenhuma informação significativa sobre o que está causando esse padrão, que no final, é o que interessa. É aí que reside o conhecimento que vai possibilitar o diagnóstico de situações, a adoção de políticas eficazes! E não são comparáveis, pois nos exemplos anteriores não existe intenção, aprendizado, mudança de opinião, metas, preferências, etc!

*"Por exemplo, é muito comum ouvir que o valor do dólar depende não somente da quantidade de dólares, mas também da sua "velocidade de circulação". Um aumento na "velocidade de circulação", no entanto, não é a causa de uma queda adicional do valor do dólar; esse aumento é em si uma das conseqüências do temor de que o valor do dólar vai diminuir (ou, para colocar de outra maneira, da crença de que os preços dos bens vão aumentar). É essa crença que torna as pessoas mais ansiosas para trocar dólares por bens. A ênfase que alguns escritores dão à "velocidade de circulação" é apenas mais um exemplo do erro de se substituir razões reais psicológicas por considerações mecânicas dúbias.

Um outro beco sem saída: como resposta àqueles que dizem que a inflação de preços é causada primariamente por um aumento do dinheiro e do crédito, algumas pessoas argumentam que o aumento dos preços das commodities frequentemente ocorre antes do aumento da oferta monetária. Isso é verdade. Isso foi o que ocorreu imediatamente após a deflagração da guerra na Coréia. Matérias-primas estratégicas começaram a encarecer por temor de que elas se tornariam escassas. Especuladores e produtores começaram a comprá-las e guardá-las, seja para se obter lucros futuros ou para se formar estoques preventivos. Mas para fazer isso, eles tiveram de pedir mais dinheiro emprestado junto aos bancos. Assim, o aumento dos preços foi acompanhado de um aumento igualmente notável dos empréstimos bancários e dos depósitos. De 31 de maio de 1950 até 30 de maio de 1951, os empréstimos feitos pelos bancos daquele país aumentaram em $12 bilhões. Se esse aumento dos empréstimos não tivesse ocorrido, e dinheiro novo (algo em torno de $6 bilhões ao final de janeiro de 1951) não tivesse sido impresso para cobrir os empréstimos, o aumento dos preços não teria como ser sustentado. Ou seja, o aumento dos preços só foi possível porque houve um aumento da oferta monetária."


* https://mises.org/library/velocity-magic

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É meio como dizer "se chega a verdade pela lógica, termos o princípio das ações e reações que governam as moléculas de água, aplicados a própria ação das moléculas no clima terrestre."

Por mais que o "micro" possa informar, não acabam as coisas aí, especialmente se ficamos só na imaginação. Não dá para chamar de ciência, tanto que ninguém faz, senão os adeptos, como é o caso com toda pseudociência.

Acho que estamos tratando em níveis diferentes : a verdade que se chega, com relação às moléculas, vem do empirismo - são as leis que governam esse comportamento, citadas por vc acima (a partir daí se aplica estatística para prever o seu comportamento na atmosfera). E não tem como ser diferente, pois não temos nenhum conhecimento a priori com relação às "ações" das moléculas. O que estou falando é que, no caso da economia, chegamos a essa mesmas leis básicas através das análises das consequências lógicas das ações humanas (poupar, escolher em um ambiente com recursos escassos, etc).


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Me refiro a economia mainstream, não a "positivismo". Em alguns casos o que veio a ser mais largamente aceito vindo de austríacos pode ter partido de elaborações precedentes sem "fundamentos" praxeológicos, muito embora possam ser adaptados a essa narrativa, já que é só dar um jeito de falar como as pessoas logicamente fariam isso. Pode também ter se originado daí mesmo, não é surpreendente, muito embora isso não faça desse empreendimento algo científico. Os austríacos provavelmente não reinventaram a economia "do zero" a partir de uma rejeição categórica a todas as outras, "redescobrindo" através da praxeologia aquilo com o que concordam. Antes disso é um exercício de adaptação a essa linguagem daquilo que têm como verdade.

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Among the theoretical contributions of the early years of the Austrian School are the subjective theory of value, marginalism in price theory, and the formulation of the economic calculation problem, each of which has become an accepted part of mainstream economics.[6]

Suspeito que todas essas coisas não sejam 100% originais/exclusivas dos austríacos, e podendo ser inferidas mesmo sem treinamento em praxeologia, apenas a partir de seus fundamentos obviamente triviais, "pessoas fazem coisas".

O Maistream é positivista. É a Escola de Chicago. E todas essas contribuições são decorrentes da Praxeologia. E claro que não foram os Austríacos que descobriram a Economia, até porque Moeda, Juros, Comércio, Poupança, etc surgem antes da teoria econômica!. Porém, o que o Mises fez, foi formalizar e fundamentar, filosoficamente, a abordagem econômica tradicional!

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Isso não difere de se ter uma fórmula matemática com as mesmas assunções (apesar da aversão a matemática), não é nenhuma exclusividade. E como em matemática, a fórmula só é tão boa quanto as assunções que faz corresponderem à proxidade da realidade do que se modela. Haver certeza matemática/lógica não quer dizer que haverá certeza real.

Os fatos podem divergir da análise. Se não universalmente, ocasionalmente/pontualmente, por fatores não levados em consideração apenas imaginando as coisas.

Você pode ter um algoritmo para imaginar as coisas, e ele pode parecer render bem, mas não é cientifico por isso, e muito menos porque segundo suas próprias fórmulas, ele está sempre certo.
   
Não é científico como se define as ciências naturais e nem tem a pretensão de ser. A certeza que se tem é que determinada ação humana, em determinada condição só pode ter um resultado (assumindo demais variáveis constates), caso contrário, estaremos violando o princípio da causalidade.

Fómulas matemáticas não nos ajudam em nada no entendimento das causas das variações que estão ocorrendo, muitas vezes não nos permitem observar a questão da temporalidade e nos levam a conclusões erradas, como o mito do subconsumo Keynesiano.







Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 29 de Junho de 2016, 01:28:43
Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

Alelos sofrerarão alteração em suas freqüências de acordo com as pressões seletivas. Quais alelos, quais pressões, são questões em aberto.

Dentro de um espaço relativamente curto de tempo como esse as "previsões" provavelmente seriam de que pouquíssima coisa mudaria (ao menos em  humanos), as menos especulativas seriam só de que a variação neutra e quase-neutra continuará a aumentar com o aumento populacional. Indo mais nessa linha de "mudança de órgãos" poderia ser ainda próximo de "previsão" dizer alterações como de tolerância a lactose e redução da dentição tendem a se propagar/emergir em algum grau conforme os povos abandonarem o estilo de vida de caçador-coletor. Mas não acho que dá para chamar isso exatamente de "previsão", não havendo "aposta" nas condições.

Previsões mais práticas e realistas podem ser usadas para informar questões de agropecuária, como desenvolvimento de linhagens, ou estratégias para conter a evolução de resistência de pestes.

Em laboratório é ainda capaz de se testar coisas como o risco potencial de linhagens de vírus, em que eles podem se transformar, de fato os selecionando aceleradamente em algumas condições.

Sim, mas minha intenção foi somente evidenciar que não é porque não se consegue determinar o momento ou exatamente o que irá acontecer, que uma teoria se torna não científica. O tipo de previsão que você apresentou é o mesmo que é apresentado pela Economia (EA). Outras escolas tentam (sem perceber a impossibilidade dessa missão), trazer para a economia o mesmo poder preditivo da física!


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 29 de Junho de 2016, 08:37:48

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!   



Esse exemplo que você deu de SM tem em livro tradicional e autor tradicional de economia, não é necessário ser  seguidor  da ideologia   anarcocapitalista    para isso.


Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 29 de Junho de 2016, 08:59:56
Mises deixa claro que esse dualismo metodológico é um artifício (primeiro parágrafo do livro Teoria e História) :



Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

Mas a praxeologia não tem como objetivo determinar o porque das pessoas pensarem, agirem de tal forma, como constroem seus valores, etc. Para ela, só interessa o resultado disso, aquilo que se manifesta no mundo físico : a ação humana, através de meios, para atingimento de determinados fins. 

Eu sinceramente não consigo entender porque tanto problema com esse axioma. Alguém aqui conhece um exemplo de ação humana que não se encaixe no axioma (já falei dos atos reflexos, e o proprio Mises não considerava que toda ação era proposital).

Feliperj,

Você como seguidor desta doutrina acredita que as ações (comportamentos) de um Homo sapiens sapiens :

1)São controladas pelo sistema nervoso central ou acredita que tem um espírito/alma controlando ?

2) O desenvolvimento e funcionamento de sistema nervoso central depende dos sinais recebidos do ambiente ?

3)O desenvolvimento e funcionamento de sistema nervoso central também depende dos sinais* recebidos do restante do corpo (sistemas endócrinos e outros sistemas internos)?

4)A origem destes sistemas internos dependem da genética ?

5) Os sinais recebidos do ambiente tem efeitos no SNC ? E produz uma seqüencia continua de causas e efeitos no SNC?

6)Sinais diferentes (ou mesmo a ausência de sinais)  terão efeitos diferentes no SNC ?

7) O funcionamento do SNC  tem uma continua relação de causa e efeito? Causas anteriores determinam o funcionamento das células do SNC?





*Obviamente que não estou excluindo que também depende de matéria orgânica recebida via corrente sanguínea.




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 29 de Junho de 2016, 18:29:57
Como o centro do tópico é a questão de ciência/pseudociência, vou mover um trecho mais central dessa questão para o topo:

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Isso não difere de se ter uma fórmula matemática com as mesmas assunções (apesar da aversão a matemática), não é nenhuma exclusividade. E como em matemática, a fórmula só é tão boa quanto as assunções que faz corresponderem à proxidade da realidade do que se modela. Haver certeza matemática/lógica não quer dizer que haverá certeza real.

Os fatos podem divergir da análise. Se não universalmente, ocasionalmente/pontualmente, por fatores não levados em consideração apenas imaginando as coisas.

Você pode ter um algoritmo para imaginar as coisas, e ele pode parecer render bem, mas não é cientifico por isso, e muito menos porque segundo suas próprias fórmulas, ele está sempre certo.
   
Não é científico como se define as ciências naturais e nem tem a pretensão de ser. A certeza que se tem é que determinada ação humana, em determinada condição só pode ter um resultado (assumindo demais variáveis constates), caso contrário, estaremos violando o princípio da causalidade. [/quote]

Mises não foi o primeiro a "descobrir" que coisas causal ou logicamente impossíveis não podem ocorrer. Isso ainda não faz de praxeologia ciência. Se não há pretensão de ser "ciência como as ciências naturais", bem, então nem tem muito o que discutir. É uma forma de enaltecer o "método" de hipotetizar/entender as supostas causas fundamentais dos mercados. Infelizmente parece que a insistência em tal termo faz com que alguns pensem ser fundamentalmente mais do que isso, e portanto, algo que produz apenas verdades "por definição", não "dentro das suposições", mas sobre a realidade inclusive.






Com isso, pode ignorar qualquer praticamente colocação sobre "não é ciência", já que acho que esse trecho provavelmente "resolve" tudo. Se tivesse lido antes a mensagem toda ante de responder talvez nem tivesse feito os outros comentários, mas agora é tarde demais, e não vou ter todo o trabalho de editar para tirar o que possa ser redundante.











O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!

Toda "lei" econômica deve obrigatoriamente corresponder ao que ocorre na economia real, a despeito de como quer que tenha sido inicialmente concebida.

Previsivelmente, muito do que ocorre na economia, como quer que se observe, poderá ser traçado até ações humanas que constituem o mercado, até mesmo de fenômenos emergentes que não pareçam tão óbvios de ocorrer se apenas imaginamos o que indivíduos fariam em escala individual.

Um sistema de imaginar o que as pessoas fariam, não é ciência, o que se imagina a partir dele também não é necessariamente ciência. Pode se verificar correto, e nesse caso se tornar, mas antes disso é só apenas formulação/imaginação de hipóteses.


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Esse é o ponto. Caso contrário, ou você irá abrir mão do princípio da causalidade, ou terá que abraçar algum tipo de emergencismo forte bizarro! Se Austríacos discordam sobre uma lei ou uma teoria, eles não precisam recorrer ao empirismo para saber quem está certo! Tem que revisitar as premissas e as deduções feitas e encontrar os erros. Não existem duas realidades econômicas!

Deveriam recorrer ao empirismo para ver qual está mais provavelmente certo, e ver como a realidade se encaixa naquilo que imaginaram.

Pode inclusive ser que o aparentemente errado esteja certo quanto ao que acontece num nível "micro", mas não ter imaginado corretamente como as coisas se desenrolam a partir daí, e o aparentemente certo esteja apenas mais superficialmente certo, sem que a realidade esteja se desenrolando a partir daquilo que imaginou.

Só existe uma realidade, que não é descoberta apenas imaginando.

Não é que haja problema com imaginar, ou com sistematizar a imaginação de maneira que pareça mais lógica. Imaginar é até indispensável, já que a "observação pura" não confere entendimento imediato. Só que só imaginar não é "ciência" (nem necessariamente algo análogo a matemática), não importa o quão elegantemente você fraseie os seus "experimentos mentais".



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Não se adapta a qualquer realidade possível, já que você poderia verificar não existir mutação, nem seleção natural, ou mesmo que, apesar de ambas ocorrerem, elas não se acumulassem em "evolução".

Assim como pode ocorrer com teorias econômicas : você verifica que não ouve nem expansão creditícia, nem redução de juros. Ou que ocorreu ambas, mas ainda não "se acumularam" em crise! Mas repare que em ambos os casos, você irá analisar a realidade tendo como base a teoria de evolução, mesmo para concluir que as pressões seletivas não foram suficientes para fixar a mutação ou que não tenha ocorrido sequer mutação.

Eu não estou bem entendendo se você pretende dizer que praxeologia seria algo análogo a evolução por seleção natural, ou que evolução por seleção natural seria pseudociência como keynesianismo "e/ou" economia mainstream ("e/ou" porque parece que austrianistas sempre dão keynesianismo como sinônimo de economia mainstream, não que seja).

Já via analogias da "mão invisível" com darwnismo, que são OK (com a ressalva de que mais de 90% dos seres vivos são parasitas, que não é um quadro econômico/ecológico geral que os defensores de mercado desregulado idealizavam como analogia, mas sim adaptações "sob o microscópio"), mas não consigo bem enxergar analogia em seleção natural como teoria econômica que fosse capaz de prever crises, até porque não concebo bem o que seria o análogo a "crise" em evolução. Temo que qualquer coisa tende a ser analogia fraca demais para ser útil. Talvez "ecologia" já fosse algo talvez mais produtivo, mas ainda acho que foge do tópico de discussão.


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Essa "separação", se é que se pode chamar assim, é aceita pela maioria dos pesquisadores levados a sério, e faz sentido mesmo em outras áreas de pesquisa real (em vez de mera "imaginação" como "ciência") do comportamento humano. Simplesmente tem coisas que são mais perceptíveis se observando os efeitos globais/gerais do que tentando prever a partir do reducionismo. Climatologia e meteorologia talvez sejam os melhores exemplos, e talvez bastante comparáveis a economia nesse aspecto, podendo se ignorar "micro causas" para modelar com algum sucesso fenômenos "macro".

Não é imaginação do comportamento humano. Não se procura imaginar possíveis comportamentos humanos!O que se faz é analisar as consequências das ações do homem dentro da economia : ao poupar, ao consumir, ao empreender, ao emitir moeda, ao alterar a taxa de juros, etc. Não é sair por aí imaginando ações; as atuações econômicas são limitadas, são conhecidas e estão presentes entre nós faz muito tempo!


Você até pode analisar padrões globais. Porém, a modelagem matemática desse comportamento global, o "entendimento desse comportamento global" (como por exemplo : velocidade de circulação*) não irá lhe dar nenhuma informação significativa sobre o que está causando esse padrão, que no final, é o que interessa. É aí que reside o conhecimento que vai possibilitar o diagnóstico de situações, a adoção de políticas eficazes! E não são comparáveis, pois nos exemplos anteriores não existe intenção, aprendizado, mudança de opinião, metas, preferências, etc!

*"Por exemplo, é muito comum ouvir que o valor do dólar depende não somente da quantidade de dólares, mas também da sua "velocidade de circulação". Um aumento na "velocidade de circulação", no entanto, não é a causa de uma queda adicional do valor do dólar; esse aumento é em si uma das conseqüências do temor de que o valor do dólar vai diminuir (ou, para colocar de outra maneira, da crença de que os preços dos bens vão aumentar). É essa crença que torna as pessoas mais ansiosas para trocar dólares por bens. A ênfase que alguns escritores dão à "velocidade de circulação" é apenas mais um exemplo do erro de se substituir razões reais psicológicas por considerações mecânicas dúbias.

Não vejo como seria um "erro" não descrever o fenômeno "global" pelas supostas motivações individuais, que não serão necessariamente as imaginadas. O fato absoluto é a compra e venda/circulação.

Em última instância, o que teríamos seriam austrianistas faturando loucamente em seus investimentos, enquanto os demais ficam só se ferrando por se prender demais a padrões sem enxergar suas verdadeiras causas individual-coletivas. (E de fato existem umas tentativas quase místicas de prever o mercado, como achar que vai seguir algum padrão fibonnacci e coisas assim). Talvez até se beneficiando excepcionalmente dessa falta de percepção dos outros, como maior oportunidade para lucro pessoal.

Até acho que pode ser mesmo o caso, simplesmente não sei (talvez seja até vantajoso e desvantajoso em diferentes situações tentar prever os melhores investimentos a partir do que se imagina serem as motivações individuais coletivas). Mas isso novamente é algo que não dá à praxeologia status de ciência, senão por critérios particulares/cultistas de "ciência".

Seria interessante isso, ver como diferem investidores de acordo com suas escolas econômicas preferidas.




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É meio como dizer "se chega a verdade pela lógica, termos o princípio das ações e reações que governam as moléculas de água, aplicados a própria ação das moléculas no clima terrestre."

Por mais que o "micro" possa informar, não acabam as coisas aí, especialmente se ficamos só na imaginação. Não dá para chamar de ciência, tanto que ninguém faz, senão os adeptos, como é o caso com toda pseudociência.

Acho que estamos tratando em níveis diferentes : a verdade que se chega, com relação às moléculas, vem do empirismo - são as leis que governam esse comportamento, citadas por vc acima (a partir daí se aplica estatística para prever o seu comportamento na atmosfera). E não tem como ser diferente, pois não temos nenhum conhecimento a priori com relação às "ações" das moléculas. O que estou falando é que, no caso da economia, chegamos a essa mesmas leis básicas através das análises das consequências lógicas das ações humanas (poupar, escolher em um ambiente com recursos escassos, etc).


Acho que químicos e físicos diriam que a ação de moléculas é bem mais previsível que a humana, "a priori". Até porque humanos são um arranjo muito complexo de um numero astronômico moléculas, no fim das contas.

Não que a previsão do comportamento humano seja tão fadado ao fracasso quanto tentar prevê-lo a partir dessa causalidade em nível "micro". Os "grandes padrões" algumas vezes são consistentes o suficiente para que se possa compreendê-los em algum grau independentemente de suas causas fundamentais... novamente.


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Me refiro a economia mainstream, não a "positivismo". Em alguns casos o que veio a ser mais largamente aceito vindo de austríacos pode ter partido de elaborações precedentes sem "fundamentos" praxeológicos, muito embora possam ser adaptados a essa narrativa, já que é só dar um jeito de falar como as pessoas logicamente fariam isso. Pode também ter se originado daí mesmo, não é surpreendente, muito embora isso não faça desse empreendimento algo científico. Os austríacos provavelmente não reinventaram a economia "do zero" a partir de uma rejeição categórica a todas as outras, "redescobrindo" através da praxeologia aquilo com o que concordam. Antes disso é um exercício de adaptação a essa linguagem daquilo que têm como verdade.

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Among the theoretical contributions of the early years of the Austrian School are the subjective theory of value, marginalism in price theory, and the formulation of the economic calculation problem, each of which has become an accepted part of mainstream economics.[6]

Suspeito que todas essas coisas não sejam 100% originais/exclusivas dos austríacos, e podendo ser inferidas mesmo sem treinamento em praxeologia, apenas a partir de seus fundamentos obviamente triviais, "pessoas fazem coisas".

O Maistream é positivista. É a Escola de Chicago. E todas essas contribuições são decorrentes da Praxeologia. E claro que não foram os Austríacos que descobriram a Economia, até porque Moeda, Juros, Comércio, Poupança, etc surgem antes da teoria econômica!. Porém, o que o Mises fez, foi formalizar e fundamentar, filosoficamente, a abordagem econômica tradicional!

Mises não é considerado fundador da escola austríaca. Como disse, essas contribuições podem até ter sido "praxeologizadas", mas não me surpreenderia se outros economistas, de outras escolas, ou mesmo austríacos pré-praxeologia ou "apraxeológicos" tivessem inferido aproximações ou as bases dessas coisas sem considerar serem dotados de uma "ciência" de inferir o comportamento humano. Vejamos, seguindo os artigos da WP:

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The subjective theory of value [...] While the modern version of this theory was created independently and nearly simultaneously by William Stanley Jevons, Léon Walras, and Carl Menger in the late 19th century[2] it had in fact been advanced in the Middle Ages and Renaissance but did not gain widespread acceptance at that time.

(Acho que Menger é o mais aceito como "fundador" da escola austríaca. Embora talvez ele mesmo já falasse em praxeologia, e/ou misesistas rotulem suas inferências sobre comportamento assim, sua linha de pensamento não era a de Mises)

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Marginalism [...] Perhaps the essence of a notion of diminishing marginal utility can be found in Aristotle's Politics, [...]

Eighteenth-century Italian mercantilists, such as Antonio Genovesi, Giammaria Ortes, Pietro Verri, Cesare Beccaria, and Giovanni Rinaldo, held that value was explained in terms of the general utility and of scarcity [...] In Della moneta (1751), Abbé Ferdinando Galiani, a pupil of Genovesi, attempted to explain value as a ratio of two ratios, utility and scarcity [...]

The first unambiguous published statement of any sort of theory of marginal utility was by Daniel Bernoulli, in "Specimen theoriae novae de mensura sortis".[26] This paper appeared in 1738, but a draft had been written in 1731 or in 1732 [...]

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The economic calculation problem is a criticism of using economic planning as a substitute for market-based allocation of the factors of production. It was first proposed by Ludwig von Mises in his 1920 article "Economic Calculation in the Socialist Commonwealth" and later expanded upon by Friedrich Hayek. [...]

However, it is important to note that central planning has been criticized by socialists who advocated decentralized mechanisms of economic coordination, including mutualist Pierre-Joseph Proudhon, Marxist Leon Trotsky, and anarcho-communist Peter Kropotkin before the Austrian school critique.

Não me surpreenderia se houvesse ainda outras críticas anteriores, ou insights com o mesmo cerne, se bobear, também antes até de comunismo propriamente dito. Tudo sem a "ciência" de Mises, mesmo que "imaginando o que pessoas fazem" em algum grau.





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Fómulas matemáticas não nos ajudam em nada no entendimento das causas das variações que estão ocorrendo, muitas vezes não nos permitem observar a questão da temporalidade e nos levam a conclusões erradas, como o mito do subconsumo Keynesiano.

Bem, como disse antes, talvez seja possível entendimento e até algum poder preditivo sobre o que ocorre independentemente do que se imagina serem as causas fundamentais. Isso tem exatamente a mesma lógica de se imaginar poder prever o comportamento humano com algum grau de utilidade sem fazê-lo a partir da previsão da ação de seus constituintes físicos fundamentais.

Inclusive talvez acrescente fenômenos emergentes, que são difíceis de começar a se imaginar como se formularia ou poderia entender a partir do nível mais fundamental de análise, como psicologia mesmo; como "medo", ou "empolgação", de um animal. Muito provavelmente não é algo a que o fundamento físico elementar contribui significativamente no entendimento, sendo absurdamente inescrutável a diferença "física" fundamental de um animal nesses dois estados. Talvez algo similar possa ocorrer também com economia e indivíduo, ainda que em nível não tão distante.



Fórmulas matemáticas também devem de qualquer forma fornecer algo mais útil do que meramente essa noção textual de o que as pessoas fariam individualmente e etc. Imagino que os austrianistas que abraçaram essa abordagem devem então ter feito as mais significativas contribuições dessa escola de pensamento ao mainstream econômico, as com mais utilidade prática.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 29 de Junho de 2016, 21:41:50
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

A teoria da evolução faz previsões quantitativas, e é claro que isso inclui coisas sobre a evolução humana: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/

Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

O que importa se a biologia evolutiva não pode prever várias dessas coisas? Com o que ela já faz de previsão/retrodição quantitativa e teoriza já dá para discutir as propriedades gerais do mundo e aprender o limite do que não se pode saber. Isso é muito diferente da atitude de Mises de negar a fazer QUALQUER previsão quantitativa em QUALQUER campo econômico.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Buckaroo Banzai em 29 de Junho de 2016, 22:06:55
Ele parece estar sugerindo algo como que  "assim como a teoria da evolução não é capaz de fazer previsões desse tipo e ainda ser ciência, a praxeologia pode não ser capaz de fazer previsões análogas para a economia e ainda ser ciência". Mas isso parece conflitar um pouco com aceitar não ser "ciência" como "ciência natural", mas algo mais como os advogados se dizem praticantes de "ciências legais" ou algo assim, ainda que não tão análogo já que o fenômeno estudado seria "mais" natural... sei lá. (Também é um pouco aquilo que Popper disse sobre evolução como "paradigma de pesquisas", ou algo assim).

De qualquer forma, mesmo que apenas com os conceitos "geraizões" de evolução não se tenha esse tipo de poder preditivo, existe uma infinidade de modelos que permitem inferir as filogenias, tempo de separação das linhagens, se houve miscigenação, e remontar a história mais provável a partir delas, bem como fazer previsões quanto ao futuro, se referentes a situações bastante delimitadas. Não as vejo como muito análogas as de economia, de qualquer forma. Acho que em ciências naturais o mais análogo seria (ou deveriam ser) meteorologia e climatologia.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: -Huxley- em 29 de Junho de 2016, 22:09:13
Em nenhum momento foi negado que os quants têm prática em avaliar o peso de diferentes tipos de informação e que podem se beneficiar com o uso de fatores qualitativos juntamente aos quantitativos.

A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

O ponto aqui é que a estatística não nos permite deduzir, a partir delas, leis universais. Pois estatística é história, não teoria (leia o livro Teoria e História do Mises. Ele tem outro livro muito bom focado também na questão metodológica). Como história, representa uma configuração de condições únicas.

A atitude correta para quem? Não para um economista. Talvez para alguém que trabalhe com previsão de mercado.

Como assim a economia não obedece a leis fundamentais? Já citei aqui um monte delas!

Outra coisa. A Economia (Escola Austríaca) não se define como ciência (quem cometeu esse equivoco,e  para isso, criou um mundo de Boby, foi a Escola de Chicago) da mesma forma que as ciências naturais! Pelo contrário (e no livro Teoria e História isso fica claro), faz questão de se diferenciar das ciências naturais. Sendo assim, 0não se propõe a prever com a mesma precisão das ciências naturais, mas sim prever as consequências de políticas adotadas (expansão de crédito, aumento descontrolado da base monetária, etc,etc) e explicar os eventos passados.

O Peter Schiff (e a EA) ficou 4 anos avisando sobre a crise de 2008, explicando o mecanismo a sua dinâmica. E está, desde 2009, alertando que a correção adotada irá nos levar a uma crise muito pior! Quando? não podemos precisar, até porque, os BC's não estão permitindo as correções de mercado. Estão fazendo isso, porém, com um grande custo - aumentando o potencial destruidor dessa crise.

Essa discussão é, na verdade, sobre qual o método ideal para se aplicar na Economia : o mesmo das ciências naturais? Ou o método lógico-dedutivo, baseado no axioma da ação e suas consequências ?



"Como história, representa uma configuração de condições únicas". As condições e eventos únicos da história não gera incerteza tão grande a ponto de alguém poder afirmar automaticamente que "é tudo é aleatório e imprevisível". Até mesmo uma capacidade modesta de previsão quantitativa deve ser respeitada, e há evidência que isso existe no campo da economia/política/finanças etc. (lembrar da minha menção a Philip Tetlock).

As predições científicas são carregadas de abordagem estatística, o que significa que precisamos de estatísticas e probabilidades para julgar o grau de convergência entre os dados e as predições de qualquer teoria. Eu posso dizer que acertei que todas as previsões de X, mas se eu não posso mensurar isso quantitativamente para saber quão específicas e de risco foram minhas previsões, então é melhor para mim ficar quieto sobre a confiança acerca da acurácia da minha teoria.

O único axioma admissível em ciência é esse: existem regularidades no mundo real. Postular axiomas adicionais é como querer transformar a ciência em religião pois "a lógica não nos diz, por si mesma, aquilo em que acreditar. Só nos diz o que tem de ser o caso, dada a verdade dos nossos pressupostos e portanto o que estamos comprometidos a acreditar dado que acreditamos nesses pressupostos" (John Searle). Ciência é "conhecimento derivado dos fatos da experiência", não existe essa de "axioma da ação humana" ser algo científico, pois todos os pressupostos em ciência (com exceção do realismo) tem de ser testados empiricamente, por mais triviais e óbvios que possam parecer.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: JJ em 30 de Junho de 2016, 08:12:39
O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!



"Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!"


Reformulando o que foi afirmado:

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO de  produzir algum objeto, trocar objetos, tomar posse de objetos, tomar posse de terras,  trocar  terras por objetos (e comportamentos humanos semelhantes) ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou para ficar ainda mais fácil de ver:


Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ( subconjunto de CH),  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO (conjunto CH).


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Reescrevi o mesmo argumento em formas diferentes para ficar claro que o que foi afirmado originalmente é apenas uma trivialidade.




Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 01 de Julho de 2016, 01:06:32
Engraçado isso, quando criticam a praxeologia, geralmente não se informaram sobre ela antes de criticar. E criticam o fato de que ela não faz parte do sistema empírico com modelos matemáticos que o lado mainstream usa. Quando um austríaco ou praxeologista critica a metodologia mainstream, geralmente é um pessoa muito bem informa sobre o que critica, e critica justamente o fato de que esse modelo foi criado para estudar a natureza e não a ação humana (daí o termo "individualismo metodológico), que modelos matemáticos podem ter erros absurdos antes de entrar na matemática ou na sua tradução para matemática.

A primeira crítica erra o alvo por não entender a segunda que, aparentemente, acerta em cheio.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 01 de Julho de 2016, 01:11:12
Austríacos pegam uma tradição escolástica, a escola liberal clássica francesa também é bem parecida (Say, Bastiat, Molinari).

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A particularly outstanding feature of J.B. Say's treatise is that he was the first economist to think deeply about the proper methodology of his discipline, and to base his work, as far as he could, upon that methodology. From previous economists and from his own study, he arrived at the unique method of economic theory, what Ludwig von Mises was, over a century later, to call "praxeology." Economics, Say realized, was not based on a mass of inchoate particular statistical facts. It was based, instead, on very general facts (fait généraux), facts so general and universal and so deeply rooted in the nature of man and his world that everyone, upon learning or reading of them, would give his assent. These facts were based, then, on the nature of things (la nature des choses), and on the deductive implications of these facts so broadly rooted in human nature and in natural law. Since these broad facts were true, their logical implications must be true as well.

Mais em: https://mises.org/library/jb-say-and-method-praxeology
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Rhyan em 01 de Julho de 2016, 01:13:42
O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!



"Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!"


Reformulando o que foi afirmado:

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO de  produzir algum objeto, trocar objetos, tomar posse de objetos, tomar posse de terras,  trocar  terras por objetos (e comportamentos humanos semelhantes) ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou para ficar ainda mais fácil de ver:


Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ( subconjunto de CH),  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO (conjunto CH).


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Reescrevi o mesmo argumento em formas diferentes para ficar claro que o que foi afirmado originalmente é apenas uma trivialidade.

Praxeologia não é só economia, economia é um ramo da praxeologia. A sociologia é outro, por exemplo.
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 01 de Julho de 2016, 02:13:11
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Mises não foi o primeiro a "descobrir" que coisas causal ou logicamente impossíveis não podem ocorrer. Isso ainda não faz de praxeologia ciência. Se não há pretensão de ser "ciência como as ciências naturais", bem, então nem tem muito o que discutir. É uma forma de enaltecer o "método" de hipotetizar/entender as supostas causas fundamentais dos mercados. Infelizmente parece que a insistência em tal termo faz com que alguns pensem ser fundamentalmente mais do que isso, e portanto, algo que produz apenas verdades "por definição", não "dentro das suposições", mas sobre a realidade inclusive.

Em momento algum fiz essa afirmação (de que Mises foi o primeiro a descobria a casualidade). O que falei foi : Mises foi o primeiro a fundamentar filosoficamente o que os economistas já faziam a Séculos (antes da Escola de Chicago)!

Sim, são métodos diferentes; e a proposta preditiva da economia é BEM diferente da física e química (pelo menos da economia desenvolvida com a praxeologia, que SABE dos limites preditivos inerentes aos sistemas econômicos), e é aí que eu falo que a EA não é científica, como na física e química (e por isso a analogia com a evolução) na sua proposta de capacidade preditiva.

Mas repare que, em momento algum, eu afirmei que as descobertas da praxeologia não correspondiam a realidade. Correspondem. Isso é fato (comprovado empiricamente).

Todas as leis e teorias desenvolvidas pela EA, através da praxeologia, são válidas na Realidade. Uma coisa que talvez não tenha ficado clara: economistas observam a realidade. Conceitos como troca, poupança, gasto, investimento,etc vem direto da realidade. Não são imaginações, experimentos mentais, nem modelos. São conceitos derivados da experiência real, que nomeiam coisas reais; fazem parte da realidade.

Eu não me preocupo em submeter as leis e teorias da escola austríaca ao empirismo, pois TODAS passam!

Você já leu Teoria e História? Ou algum livro sobre a questão metodológica da EA? Ou sobre o desenvolvimento da EA, a sua TACE e seus resultados? Já postei aqui : até mesmo na "Mania das Tulipas", onde nenhuma outra escola explica o ocorrido, a não ser apelando para a "irracionalidade" do homem, a teoria de Mises se mantém, pois como ele explica na sua obra prima "Ação Humana", até mesmo a expansão monetária ocorrida com "dinheiro bom", poderá provocar distorções, bolhas e ciclos.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=267

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Toda "lei" econômica deve obrigatoriamente corresponder ao que ocorre na economia real, a despeito de como quer que tenha sido inicialmente concebida.

Previsivelmente, muito do que ocorre na economia, como quer que se observe, poderá ser traçado até ações humanas que constituem o mercado, até mesmo de fenômenos emergentes que não pareçam tão óbvios de ocorrer se apenas imaginamos o que indivíduos fariam em escala individual.

Um sistema de imaginar o que as pessoas fariam, não é ciência, o que se imagina a partir dele também não é necessariamente ciência. Pode se verificar correto, e nesse caso se tornar, mas antes disso é só apenas formulação/imaginação de hipóteses.

Poderá não, tem de ser.  Caso contrário, teríamos algum tipo de mágica, de emergencismo ontológico, o que é absurdo!

A afirmação que se faz é : as consequências das decisões econômicas, em uma dada condição, serão SEMPRE as mesmas. Por exemplo : em uma economia de livre mercado(laissez faire), mantendo-se tudo constante, inflacionando-se a moeda, o nível geral de preços irá subir (e nada além disso, pode ser falado com certeza )! Isso é uma consequência dedutível, da mesma forma que se trabalha com um problema de otimização em uma linha de produção , usando-se a matemática (o que é exatamente a Lei de Associação de Ricardo). A diferença é que, aqui, se usa a lógica verbal, ou  : em uma economia de livre mercado, mantendo-se tudo constante, uma politica de salário mínimo irá causar desemprego na população menos qualificada, que em tese, é a que se quer proteger.

Não se trata de imaginar o que as pessoas fariam (como se a economia fosse um livro aberto em termos de decisões possíveis - a complexidade e a especificidade da história economica se originam nas diferentes combinações possíveis dessas decisões CONHECIDAS A PRIORI, e dos feedbacks que ocorrem nesse sistema fechado), como se isso fosse uma questão em aberto. As decisões econômicas são limitadas e conhecidas. O que se propõe é apresentar os resultados das diferentes decisões tomadas, e se analisar o porque de determinada história econômica ter ocorrido.

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Deveriam recorrer ao empirismo para ver qual está mais provavelmente certo, e ver como a realidade se encaixa naquilo que imaginaram.

Pode inclusive ser que o aparentemente errado esteja certo quanto ao que acontece num nível "micro", mas não ter imaginado corretamente como as coisas se desenrolam a partir daí, e o aparentemente certo esteja apenas mais superficialmente certo, sem que a realidade esteja se desenrolando a partir daquilo que imaginou.

Só existe uma realidade, que não é descoberta apenas imaginando.

Não é que haja problema com imaginar, ou com sistematizar a imaginação de maneira que pareça mais lógica. Imaginar é até indispensável, já que a "observação pura" não confere entendimento imediato. Só que só imaginar não é "ciência" (nem necessariamente algo análogo a matemática), não importa o quão elegantemente você fraseie os seus "experimentos mentais".

Com já falei, não me  preocupa que se recorra ao empirismo, eu até prefiro que assim o seja. E a realidade econômica é observável já faz muito tempo. As leis são deduzidas para explicar essa realidade observada (como por exemplo, a resolução do paradoxo do valor - água e diamante). A praxeologia não parte do zero, da imaginação. Ela explica, através da análise das consequências das ações, a realidade observada.

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Eu não estou bem entendendo se você pretende dizer que praxeologia seria algo análogo a evolução por seleção natural, ou que evolução por seleção natural seria pseudociência como keynesianismo "e/ou" economia mainstream ("e/ou" porque parece que austrianistas sempre dão keynesianismo como sinônimo de economia mainstream, não que seja).

Já via analogias da "mão invisível" com darwnismo, que são OK (com a ressalva de que mais de 90% dos seres vivos são parasitas, que não é um quadro econômico/ecológico geral que os defensores de mercado desregulado idealizavam como analogia, mas sim adaptações "sob o microscópio"), mas não consigo bem enxergar analogia em seleção natural como teoria econômica que fosse capaz de prever crises, até porque não concebo bem o que seria o análogo a "crise" em evolução. Temo que qualquer coisa tende a ser analogia fraca demais para ser útil. Talvez "ecologia" já fosse algo talvez mais produtivo, mas ainda acho que foge do tópico de discussão.

A analogia é somente para deixar claro que a incapacidade de se fazer previsões exatas, como em física e química, não faz de algo uma pseudociência. Somente isso. Poderia colocar, nesse sentido, a própria meteorologia.

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Não vejo como seria um "erro" não descrever o fenômeno "global" pelas supostas motivações individuais, que não serão necessariamente as imaginadas. O fato absoluto é a compra e venda/circulação.

Em última instância, o que teríamos seriam austrianistas faturando loucamente em seus investimentos, enquanto os demais ficam só se ferrando por se prender demais a padrões sem enxergar suas verdadeiras causas individual-coletivas. (E de fato existem umas tentativas quase místicas de prever o mercado, como achar que vai seguir algum padrão fibonnacci e coisas assim). Talvez até se beneficiando excepcionalmente dessa falta de percepção dos outros, como maior oportunidade para lucro pessoal.

Até acho que pode ser mesmo o caso, simplesmente não sei (talvez seja até vantajoso e desvantajoso em diferentes situações tentar prever os melhores investimentos a partir do que se imagina serem as motivações individuais coletivas). Mas isso novamente é algo que não dá à praxeologia status de ciência, senão por critérios particulares/cultistas de "ciência".

Seria interessante isso, ver como diferem investidores de acordo com suas escolas econômicas preferidas.

O fato "macro absoluto" NÂO nos dá um diagnóstico do que está ocorrendo; assim como uma equação matemática não nos dá as relações de causa-efeito e temporalidade que produzem essa equação (que é o que importa) e, por isso, muito menos nos permitem prescrever solução para os problemas identificados com essas equações ou nesse nível macro. É exatamente por acreditar nessas questões macro e matemáticas como ferramenta de diagnóstico e solução, que estamos vivendo um dos períodos mais idiotas da história econômica, com economistas modernos repetindo erros de 3.000 anos atrás! É dessa visão "científica" que se origina o mito so sub-consumo Keynesiano.

Em última instância não teríamos seguidores da EA faturando loucamente em investimentos. Como já falei, a EA não prevê valor de ações, de taxa de juros, quando uma crise irá ocorrer, ou qqer outra variável econômica que permita efetuar ganhos dia a dia, mes a mes. O que voce poderá observar é que, investidores  que seguem a EA, identificam ciclos econômicos artificiais (manipulação monetária e juros)   se posicionam (não necessariamente entram no ponto ótimo de ganho - aliás, muito raramente se consegue entrar nesses pontos) se proteger (as vezes manter o seu patrimônio já é um ganho em determinadas crises) e até mesmo lucram com a crise que está por vir.

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Acho que químicos e físicos diriam que a ação de moléculas é bem mais previsível que a humana, "a priori". Até porque humanos são um arranjo muito complexo de um numero astronômico moléculas, no fim das contas.

Não que a previsão do comportamento humano seja tão fadado ao fracasso quanto tentar prevê-lo a partir dessa causalidade em nível "micro". Os "grandes padrões" algumas vezes são consistentes o suficiente para que se possa compreendê-los em algum grau independentemente de suas causas fundamentais... novamente.

É bem mais previsível, concordo! E isso é abordado em um dos capítulos do Teoria e História. Porém, o economista não pretende prever os comportamentos humanos (nem os econômicos), ou descrever as consequências de TODOS os possíveis comportamentos humanos. Apenas as consequências das decisões econômicas tomadas pelo homem, em uma dada circunstância.

A própria análise do intervencionismo (o Mises tem um livro excelente, que explica todo o ocorrido na Venezuela, no Brasil da década de 80 e em todos os países onde se tentou o mesmo) parte de uma situação de livre mercado para explicar como uma intervenção inicial  causa distorção no sistema (beneficia uma minoria e prejudica a maioria) e acaba levando a necessidade de intervenções "corretivas " sucessivas, para se corrigir essa distorção inicial, o que pode acabar em um ciclo interminável de "solução" de problemas via novas intervenções, levando o país para o caos econômico.

http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=32

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Mises não é considerado fundador da escola austríaca. Como disse, essas contribuições podem até ter sido "praxeologizadas", mas não me surpreenderia se outros economistas, de outras escolas, ou mesmo austríacos pré-praxeologia ou "apraxeológicos" tivessem inferido aproximações ou as bases dessas coisas sem considerar serem dotados de uma "ciência" de inferir o comportamento humano. Vejamos, seguindo os artigos da WP:


The subjective theory of value [...] While the modern version of this theory was created independently and nearly simultaneously by William Stanley Jevons, Léon Walras, and Carl Menger in the late 19th century[2] it had in fact been advanced in the Middle Ages and Renaissance but did not gain widespread acceptance at that time.

(Acho que Menger é o mais aceito como "fundador" da escola austríaca. Embora talvez ele mesmo já falasse em praxeologia, e/ou misesistas rotulem suas inferências sobre comportamento assim, sua linha de pensamento não era a de Mises)

Ele não é o fundador. Na realidade, as origens da Escola Austríaca remontam aos Escolásticos, em Portugal e Espanha. O nome EA foi dado pelos Historicistas alemães, numa tentativa de depreciação dessa escola econômica, pois os adeptos da época eram da Austria (considerada inferior), e estavam combatendo a visão historicista de que era impossível termos leis econômicas atemporais (eles achavam que para explicar a economia da época do imério romano, era necessário entender o período histórico da época - o livro Teoria e História, vem combater e "matar" essa visão Germânica)

E sim, pode-se ter chegado às mesmas conclusões que a EA partindo de outro método (cientifico), como a Escola de Chicago. Eu não nego isso, em momento algum. Só falo que os dados históricos não serão úteis para comprovar essas teorias; eles vão ter que usar essa teoria para interpretar dados históricos. E essa teoria é possível de ser derivada do axioma da ação e dos conceitos econômicos.

Você colocou aqui a questão da utilidade marginal decrescente. Olhe que interessante, a diferença das leis obtidas pela EA e pela Escola de Chicago (o homem não age por indiferença. Se eu me envolvo com você em uma troca, é porque eu valorizo algo nessa troca, nem que seja ajudar você).

https://mises.org/blog/austrian-and-neoclassical-concepts-marginal-ulitity

As premissas da Escola de Chicago são risíveis, são justamente a imaginação do mundo de Boby!

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Não me surpreenderia se houvesse ainda outras críticas anteriores, ou insights com o mesmo cerne, se bobear, também antes até de comunismo propriamente dito. Tudo sem a "ciência" de Mises, mesmo que "imaginando o que pessoas fazem" em algum grau.

Sabe o que é mais legal : Não existia! Inclusive, para as outras escolas (como posteriormente, para a escola de Chivago e Keynesiana), a questão de socialismo e capitalismo era meramente uma escolha politica; no máximo algum problema de ineficiência decorrente da falta de incentivos. Mas essa questão fundamental, foi derivado por Mises, diretamente do Axioma da Ação aplicado a economia.

Tem um filme que relata problemas de alocação na URSS, onde o cara compra uma geladeira e encontra um escapamento de carro dentro dela. Não lembro o nome, mas é engraçado!

E a URSS só durou tanto com um relativo nível de subsistência, pois se descobriu que o que existia ali era mair próximo do fascismo, com grande parte da economia sendo tocada por campeões nacionais, escolhidos pelo partidão (que emergiram como Bilionários assim que a URSS caiu), e também contava com os preços internacionais para poder balizar minimamente os seus planos.

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Bem, como disse antes, talvez seja possível entendimento e até algum poder preditivo sobre o que ocorre independentemente do que se imagina serem as causas fundamentais. Isso tem exatamente a mesma lógica de se imaginar poder prever o comportamento humano com algum grau de utilidade sem fazê-lo a partir da previsão da ação de seus constituintes físicos fundamentais.

Inclusive talvez acrescente fenômenos emergentes, que são difíceis de começar a se imaginar como se formularia ou poderia entender a partir do nível mais fundamental de análise, como psicologia mesmo; como "medo", ou "empolgação", de um animal. Muito provavelmente não é algo a que o fundamento físico elementar contribui significativamente no entendimento, sendo absurdamente inescrutável a diferença "física" fundamental de um animal nesses dois estados. Talvez algo similar possa ocorrer também com economia e indivíduo, ainda que em nível não tão distante.


Fórmulas matemáticas também devem de qualquer forma fornecer algo mais útil do que meramente essa noção textual de o que as pessoas fariam individualmente e etc. Imagino que os austrianistas que abraçaram essa abordagem devem então ter feito as mais significativas contribuições dessa escola de pensamento ao mainstream econômico, as com mais utilidade prática.

Não é equivalente. Os constituintes fundamentais não possuem intenção, não aprendem, não inovam, não evoluem (e até o momento não temos como reduzir as decisões humanas às reações do organismo ao meio, em nível molecular, ou mesmo celular). O medo, ou outra qualquer emoção vai se manifestar no momento da decisão econômica tomada. O economista não quer saber o que influenciou essa decisão, apenas que ela representa uma preferência (naquele momento, e que pode ser alterada ou mesmo se arrepender - mas o que importa são as manifestações momentâneas concretas e suas interações - e esse é o artifício metodológico que Mises cita) e que ela tem consequências!

Mas concordo que se pode chegar a descobertas com uma modelagem mais macro (apesar de considerar que a mesma poderia ser feita através da dedução). Porém, a matemática e o nível macro, em nada nos ajudam a entender as relações de causa-efeito e temporalidade.

Uma outra questão que parece não estar clara : quando se fala que a economia austríaca é baseada no indivíduo, está se falando que as ações e consequências das mesmas são estudadas da perspectivas do individuo. Mas as análises macro são realizadas em um nivel macro (porém redutíveis ao comportamento individual) : por exemplo, quando falamos que uma sociedade só se desenvolve de forma produtiva e sustentável através de poupança, estamos assumindo que uma parte da população não gasta tudo o que ganha, renunciando um consumo presente em favor de um consumo futuro (preferencia temporal - aliás, essa explicação do Mises para o Juros é muito legal), o que garante capital para investimento presente e a demanda futura. É interessante como isso pode ser deduzido através da análise econômica de Robson Crusoé;

Quando falamos que a manipulação de juros e expansão de crédito geram crises, estamos falando que a sinalização equivocada vai alterar as decisões de um grupo considerável da sociedade (empreendedores e investidores).

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=141
Título: Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
Enviado por: Feliperj em 01 de Julho de 2016, 02:16:34
O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!



"Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas!"


Reformulando o que foi afirmado:

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO de  produzir algum objeto, trocar objetos, tomar posse de objetos, tomar posse de terras,  trocar  terras por objetos (e comportamentos humanos semelhantes) ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou para ficar ainda mais fácil de ver:


Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ,  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO.


Ou

Toda teoria sobre o COMPORTAMENTO  HUMANO do tipo  X, Y, Z ( subconjunto de CH),  tem que ser deduzível como consequência lógica de COMPORTAMENTO  HUMANO (conjunto CH).


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Reescrevi o mesmo argumento em formas diferentes para ficar claro que o que foi afirmado originalmente é apenas uma trivialidade.

Praxeologia não é só economia, economia é um ramo da praxeologia. A sociologia é outro, por exemplo.

Sim isso é trivial, e já falei isso várias vezes : a consequência da ação  humana econômica, em um determinado contexto, será SEMPRE a mesma!