Forum Clube Cetico

Discussões => Laicismo, Política e Economia => Tópico iniciado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:19:02

Título: Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:19:02
Tópico para  informações gerais, e notícias  que tenham a ver com liberalismo ou com a sua falta (com ênfase no liberalismo econômico, mas obviamente nada impede de se colocar informações relativas ao liberalismo social).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Novembro de 2016, 11:20:39
Aqui uma notícia  que tem a ver com  pensamento econômico anti liberal, o qual é ainda preponderante no Brasil:



Mínimo de 35% de cacau no chocolate dá basta no Faz de conta, diz deputado



ENVIADA EM: 25/11/2016 11:14HS


Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados obriga as indústrias de chocolate a adicionar, no mínimo, 35% de cacau puro ao chocolate produzido no Brasil. Autor da proposta, o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA) voltou a defender, ontem (24), na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços a mudança, que fortaleceria ainda mais a cadeia produtiva do cacau.


A medida, segundo Bebeto, busca a valorização do produtor e proteger o consumidor. “Quando se aumenta a massa de cacau na industrialização do chocolate, aumenta o nível de produção e provoca uma melhora comercial para quem produz”, acredita. Na outra ponta, está o consumidor. “Com esse projeto, daremos um basta a um verdadeiro faz de conta, afinal hoje em dia nós comemos massa hidrogenada dizendo que é cacau, comemos açúcar achando que é chocolate”, argumenta Bebeto.


O parlamentar baiano apelou por um consenso entre os setores envolvidos para garantir o avanço do projeto na Câmara. “Mesmo com toda boa vontade desta Casa e a dedicação da agricultura e dos deputados, não chegamos ainda a um texto de consenso com os representantes das indústrias que aportam sempre a este debate critérios de natureza técnica e impedimentos para chegar conclusivamente ao resultado”.


DEMANDA


Uma das discussões é se há oferta de cacau no mercado suficiente para atender a demanda gerada pela possível aprovação da lei. “A indústria do chocolate está disposta a indicar sugestão de aprimoramento no texto? Se é para convergir, é preciso fazer o esforço para a convergência”, provoca. Bebeto diz ver disposição do setores envolvidos para chegar a essa disposição. De acordo com ele, o projeto já deveria ter sido votado no início do ano. “Já chegamos a um limite que não dá para postergar mais esse debate”, completa”. Fonte:

Pimenta


http://mercadodocacau.com/artigo/minimo-de-35-de-cacau-no-chocolate-da-basta-no-faz-de-conta-diz-deputado


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 28 de Novembro de 2016, 08:34:34

Por que o crescimento dos liberais está assustando a esquerda


Por Instituto Liberal


Em 19 de novembro de 2015


Temos presenciado recentemente no Brasil um fenômeno considerado impensável há alguns anos atrás: a derrocada da hegemonia esquerdista/progressista no campo dos debates e das ideias. A recente escalada do pensamento liberal por aqui é um episódio digno de estudos aprofundados para a posteridade.


Se por um lado muitos de nós, liberais, assistimos resignados à ascensão lulopetista nas duas ultimas décadas, é fato inconteste que esse quadro tem mudado, sobretudo no (longo e tortuoso) governo Dilma Rousseff. A velha esquerda, tão acostumada ao monopólio dos discursos, está se vendo em uma situação inusitada. Não mais pode vomitar suas falácias aos quatro ventos. Tem encontrado, com frequência cada vez maior, oposição preparada e combativa entre liberais e conservadores. É bastante provável que você, leitor, já tenha se deparado com situação semelhante, seja nas redes sociais, com aquele seu colega militante sendo execrado ao defender o indefensável, seja em sua vida real, na faculdade, por exemplo, quando aquele professor marxista, boquiaberto, viu seu discurso sobre as mazelas do capitalismo contestado por um aluno cuja cabeceira da cama ostenta exemplares de As Seis Lições e O Caminho da Servidão.

Esse novo cenário, contudo, não é fruto do acaso. Há causas para tanto. Organizações como o próprio IL, o Instituto Mises Brasil, além dos diversos grupos e comunidades de estudo liberal espalhados Brasil afora, proporcionam esse crescimento. Obras clássicas da Escola Austríaca estão hoje a um clique do leitor interessado, formando, para desespero dos esquerdistas, novos “austríacos” todos os dias.

Outro fato interessante é a presença, cada vez mais comum, de liberais (ou simpatizantes) nos meios de comunicação. Se é fato que a imprensa ainda é majoritariamente inclinada à esquerda, não há como não destacar o trabalho de gente do gabarito de Rodrigo Constantino e o sucesso do seu recém descontinuado blog na revista Veja (que vacilo, hein, Veja…), além de sua coluna em O Globo e blog neste mesmo IL. Há também outros jornalistas não tão alinhados com os ideais liberais, mas, sim, companheiros na batalha contra o atual governo e sua ideologia. Reinaldo Azevedo, Paulo Eduardo Martins, Luiz Felipe Pondé, Rachel Sheherazade, entre outros, desempenham, todos eles, papéis importantes na imprensa. São, no mínimo, o contraditório necessário para minar a predominância dos que simpatizam e/ou que estão na folha de pagamento (ou seria Empenho, Cynara?) do atual governo. Se não estão propriamente a divulgar as ideias de Mises, é certo que estão a combater, de maneira bastante contundente, as mentiras propagadas pelos camaradas do PT, e isso é sim extremamente importante, pois oferece ao grande publico uma oportunidade de buscar novas ideias, uma terceira via entre o “socialismo petista” e o “capitalismo tucano”.

E é aí que surge outro fenômeno digno de reconhecimento: o Partido Novo.

Fundado em 2011 por gente sem ligação tradicional com a politica, o NOVO, como tem sido chamado, teve seu registro aprovado em 15 de setembro último, e já figura como segundo maior partido com simpatizantes na rede social Facebook, atrás somente (e por enquanto!) do PSDB. Seus detratores, desonestos como sempre, buscam minimizar suas conquistas, seu sucesso. Afirmam, equivocadamente, que política se faz nas ruas, não no Facebook – argumento que só faz demonstrar o quão ignorantes e mentirosos eles são, visto que não há organização séria que não foque boa parte de seus esforços nas redes sociais. E o NOVO tem usado essas ferramentas de maneira brilhante. Com um dialogo fácil, João Dionisio Amoedo, presidente do partido, tem buscado desconstruir alguns conceitos enraizados na cultura brasileira. O mito do governo grátis, Privatização e Livre Mercado tem sido assuntos cada vez mais presentes na mídia desde que o NOVO tomou forma. Ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o partido se estabeleça como um dos protagonistas da política nacional, mas as perspectivas são boas. Liberais de renome têm depositado sua confiança no partido, como, por exemplo, Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil, e Rodrigo Saraiva Marinho, do Instituto Liberal do Nordeste, outra organização importantíssima em um reduto considerado de predominância petista. Sabem que politica não se faz só com ideias, mas também (e principalmente!) na pratica. É, em última instância, o princípio da Semeadura e Colheita. Há que se plantar as ideias liberais para colher um país mais livre. E para tanto se faz necessário o engajamento.

Embora tenhamos tido avanços importantes na difusão das ideias liberais, o cenário político tradicional é onde menos há reflexo desses avanços. Declarar-se liberal era até pouco tempo atrás sentença de morte política. A predominância esquerdista era tamanha que o próprio PFL (Partido da Frente Liberal, atual DEM) recusava a alcunha. O cenário é, hoje, um pouco mais brando. Liberalismo já não é tabu entre os políticos. Devido à crescente demanda da população por menor peso do estado, menor burocracia, a classe política tem se obrigado a debater esses assuntos, não só no campo econômico, mas também no das liberdades individuais. Vale destacar aqui a atuação do jovem deputado gaúcho, Marcel Van Hattem, que em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, tem se mostrado uma grata surpresa politica. Dotado de ótima oratória, discurso afiado e bom conhecimento das pautas liberais, Marcel tem sido a pedra no sapato dos esquerdistas gaúchos. Aproveitando ao máximo a reverberação das redes sociais, promove discursos inflamados contra o atual governo, como no episódio em que encontrou a comitiva da deputada Maria do Rosário, durante sua campanha em 2014, e, aos berros, achincalhou a petista. O vídeo postado nas redes sociais rendeu milhares de visualizações e compartilhamentos e foi determinante para a chegada do então candidato ao Palácio Farroupilha.


 
O mais curioso disso tudo é que, enquanto os liberais galgam espaço na política, o lado de lá vem descendo ladeira abaixo. Os atuais índices de reprovação à esquerda são históricos. E não estamos falando só de números e estatísticas. A reprovação é manifesta. E a esquerda tem experimentado dela nas ruas, restaurantes, livrarias e até mesmo em hospitais. O próprio Lula, outrora imune, tem sido frequentemente hostilizado junto a seus pares. Enquanto o PT enfrenta o maior êxodo desde a sua fundação, a dita direita (não necessariamente liberal) surfa a onda da popularidade. O exemplo cabal disso são as recepções quase que holliwoodianas ao deputado federal Jair Bolsonaro nos aeroportos do Brasil.

Somado a isso tudo, não poderia deixar de citar duas organizações em especial: o Movimento Brasil Livre (MBL) e os Estudantes Pela Liberdade (EPL). Ambas, instituições de destaque em seus meios. Ambas, motivo de desvario esquerdista.

O MBL tem desempenhado importante papel na pressão sobre o governo. Suas barracas armadas no gramado do congresso são traços duma resistência a muito adormecida no Brasil. Resistência não do tipo baderneira, daquelas que, entre uma depredação e outra, protesta contra o estado pedindo… mais estado! Os jovens lá acampados retratam o descrédito do povo em suas instituições. Se chegaram ao extremo de nesse momento abrir mão do conforto dos seus lares, do carinho de suas famílias, não foi por falta de tentativa de estabelecer dialogo. O atual governo tem se mostrado prepotente e incapaz de ouvir quem quer que seja. Inclusive seus aliados, o que tem causado constrangimentos recorrentes à presidente. Apesar dos sórdidos ataques do MST ao grupo, que se confirmaram após ameaças do líder do governo, deputado Sibá Machado (PT- AC), o MBL permanece firme e aumentando cada vez mais o numero de “acampados”. Também parece legar novas lideranças. Kim Kataguiri, um dos principais nomes do grupo, foi eleito recentemente um dos 30 jovens mais influentes do mundo pela revista Time.

O objetivo do EPL, entretanto, é outro. A organização, formada por estudantes, tem foco na propagação de ideias e difusão de conhecimento. Sua contribuição à causa liberal se dá através dos vários projetos executados por seus coordenadores (dentre os quais, este que vos escreve) espalhados por todo o Brasil, além de parcerias com empreendedores e associações comerciais. Assim como o IL e o IMB, atua na raiz da questão, fomentando o liberalismo e os ensinamentos da Escola Austríaca de Economia.

Enfim, nobre leitor, o momento é de mudança. É preciso saber aproveitar as oportunidades que se apresentam para não desperdiçar o vento favorável. Todas as instituições citadas acima têm cumprido seu papel na árdua tarefa que é lutar por um Brasil mais livre. Cabe a você prestigia-las da maneira que melhor lhe convir.

A esquerda sangra. O governo sangra.

Sejamos nós, liberais, uma opção de mudança!

*Marlon Reguelin é empreendedor e coordenador local do EPL.

SOBRE O AUTOR

Instituto Liberal


O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/por-que-o-crescimento-dos-liberais-esta-assustando-a-esquerda/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 28 de Novembro de 2016, 08:49:15


Parece que a difusão das ideias de liberais ainda é bem limitada (não é algo popular),  ainda será necessário muito trabalho e empenho para divulgar estas ideias e conquistar um número expressivo de adeptos.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Rhyan em 28 de Novembro de 2016, 20:53:25
Libertarians = liberais

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Dezembro de 2016, 10:57:10
A notícia já tem um ano, mas o assunto continua atual.


04/11/15 07:00 - Opinião

Liberalismo econômico

Fernando José Martha de Pinho   
 

Nunca praticados na sociedade latino-americana, os ideais liberais sempre foram execrados por absoluta ignorância a respeito de suas virtudes. Essa doutrina embasou as revoluções antiabsolutistas que aconteceram notadamente na Inglaterra e França (séculos XVII e XVIII) e também a luta pela independência norte-americana. Defendia: 1) a liberdade individual; 2) a independência dos três poderes; 3) o direito inalienável à propriedade privada e 4) ampla concorrência e a livre iniciativa como princípios basilares, objetivando compatibilizar os interesses coletivos e individuais, bem como  a geração do progresso de toda a sociedade. A meritocracia também não poderia ser esquecida.


Alicerçadas nos ideais acima elencados, surgiram há alguns anos no Brasil diversas organizações privadas voltadas a reavivar tais princípios, num continente asfixiado pelo excesso de dirigismo estatal e de teorias desenvolvimentistas equivocadas, amplamente divulgadas até em prestigiosas universidades brasileiras, travestidas de boas ideias. Nesse aspecto, afirmou Milton Friedman (Nobel de Economia em 1976): ”Não existe nada que cause mais males do que boas intenções”. No dia 19 de novembro de 2015, ocorreu em São Paulo o “II Fórum Liberdade e Democracia – O Brasil que dá Certo”, de cunho liberal, promovido pelas seguintes entidades: Instituto de Formação de Líderes, Capitalismo Consciente Brasil, Instituto Millenium, Líderes do Amanhã, Mises Brasil, Diretório Acadêmico do Insper e Instituto de Estudos Empresariais.


Aproximadamente 5 mil pessoas, maioria de jovens entre 20 e 30 anos, dispondo-se a divulgar os ideais liberais. Foi entusiasmante participar. Dirigindo o evento estavam: Gustavo Franco (ex-presidente do BC e acionista da Rio Bravo Investimentos), Paulo Guedes (acionista e fundador do Banco Pactual) e o economista norte-americano David Friedman (filho de Milton Friedman), e um dos baluartes do movimento liberal contemporâneo. Abílio Diniz, como Keynote Speaker, dissertou sobre o tema: “Liberdade para Empreender”.


Parece claro que o combate feroz à mentalidade anticapitalista está só começando no Brasil, pois à medida que as pessoas instruem-se, têm acesso a melhores condições de vida e começam a enriquecer; a trajetória política de governantes que insistem em pregar idéias intervencionistas será cada vez mais difícil. Esse processo de mudança de mentalidade será cada vez mais facilitado também pela percepção da retumbante ruína das economias brasileira, equatoriana, argentina, venezuelana e cubana. Exemplos incontestáveis do que não funciona em termos de políticas econômicas.
Ao final do evento, foi distribuído o recém-lançado livro “Um Pequeno Passo para a Liberdade”, uma coletânea de artigos de diversos autores, editado pela QuintAventura Edições, SP. A iniciativa de realização desse evento traz alento a um Brasil tão carente de esperança, mas não de grandes oportunidades. Participar desses eventos é uma delas.
 

O autor é economista - Blog: www.fpinho.com.br


http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=240992



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Dezembro de 2016, 14:02:31
Mais um ataque a liberdade econômica :



Projeto de deputado petista que proíbe Uber em todo o Brasil pode ser votado essa semana

By Marcelo Faria -05/12/2016



Nesta semana, a Câmara dos Deputados pode votar um projeto de lei que proíbe o Uber em todo o Brasil. O PL 5587/2016, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), assegura exclusividade aos taxistas no transporte individual de passageiros em todo o país, tornando ilegais os serviços prestados por motoristas privados por meio de aplicativos.


O projeto possui dois requerimentos de urgência para a inclusão na pauta. Esses pedidos foram feitos pelos deputados João Daniel (PT-SE) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). Se aprovada a urgência, um acordo no colégio de líderes prevê a votação do texto no Plenário já na quarta-feira, dia 07.


O Uber convocou os usuários a pressionar os deputados a votarem contra a proibição, enviando e-mails para os parlamentares. “Diversos municípios já tentaram, sem sucesso, proibir a inovação. Agora, a Câmara dos Deputados quer fazer o mesmo com o país”, diz o comunicado.


http://www.ilisp.org/noticias/projeto-de-deputado-petista-que-proibe-uber-em-todo-o-brasil-pode-ser-votado-essa-semana/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 11 de Dezembro de 2016, 16:14:45
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Dezembro de 2016, 17:56:48
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ? 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 11 de Dezembro de 2016, 19:02:05
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 11 de Dezembro de 2016, 19:32:50
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lakatos em 11 de Dezembro de 2016, 20:33:49
Haja lobby pra passar essa proposta. Ainda mais vindo de um petista.

Inteiro teor: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:37:47
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:38:37
Haja lobby pra passar essa proposta. Ainda mais vindo de um petista.

Inteiro teor: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016


Espera-se que não, mas de qualquer forma é uma tentativa de ataque a liberdade de mercado.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:41:22
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.


Lorentz,


Os redatores da lei certamente não foram ingênuos ao ponto de  usar o nome específico do serviço, o que se faz normalmente é caracterizar de forma mais geral a ação que se quer regular  (no caso  impedir).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:43:53
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.



Aqui parte do texto:


Art. 12-C – O transporte individual remunerado de passageiros em veículos com capacidade de até 7 (sete) passageiros somente poderá ser realizado por veículos de aluguel conduzidos por profissionais taxistas, ficando expressamente vedada a utilização de veículos particulares para viagens individuais municipais,  intermunicipais ou interestaduais, inclusive por meio de plataformas digitais quando houver qualquer proveito econômico direto ou indireto das partes envolvidas no transporte.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Dezembro de 2016, 07:48:43


Este é um exemplo da mentalidade anti livre mercado, a qual precisa ser divulgada e combatida por quem defende o liberalismo econômico.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 12 de Dezembro de 2016, 11:32:33
Como o Rafael Lima comentou, o caixa dois e propina também são proibidos.


Você acha que  se esse projeto virar lei  será possível  os motoristas do Uber continuarem a trabalhar ?


Depende de como será a lei.

"Proibido Uber". Aí muda o nome para Hyper.


Lorentz,


Os redatores da lei certamente não foram ingênuos ao ponto de  usar o nome específico do serviço, o que se faz normalmente é caracterizar de forma mais geral a ação que se quer regular  (no caso  impedir).

Não foram, mas volta e meia proíbem o Whatsapp, como se não fosse possível usar outro aplicativo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lakatos em 12 de Dezembro de 2016, 11:43:13
Gente, não precisa especular sobre o texto, ele tá aqui:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C5B85D4CADF0DA4870D4A844294F2DE5.proposicoesWebExterno2?codteor=1468253&filename=PL+5587/2016
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 12 de Dezembro de 2016, 12:39:09
Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Porque como vocês sabem, no Brasil a aprovação de uma lei não é suficiente, é necessário também que ela "pegue". Em um estado com tradição de querer canetar tudo, é inevitável que leis idiotas, inúteis ou redundantes sejam feitas.

Quase todo aplicativo de smartphone tem o Uber integrado. Vocês acham que o brasileiro se conformaria com aqui ser o único cu de mundo onde Uber não existe?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 12 de Dezembro de 2016, 14:19:13
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


O Uber é uma empresa que coordena os preços de motoristas, que teoricamente seriam concorrentes independentes entre si, cada um podendo estabelecer seu preço. Isso tem similaridades tanto com cartel, na coordenação de preço não-concorrente, tanto com sindicato, pelo mesmo motivo.

A diferença de sindicatos deve ser terem comumente mais imposições, em vez de ser tudo apenas na base do preço, ao mesmo tempo em que os sindicalizados talvez sejam argumentavelmente mais beneficiados do que em sistemas como Uber, onde o principal beneficiário é a empresa, ainda que talvez mesmo aqui possa haver alguma analogia com sindicatos, embora eu imagine que a fatia dos lucros dos trabalhadores deva  ser menor.



Teoricamente até mesmo a existência de "concorrentes" do Uber usando mecanismos análogos de estabelecimento de preços ainda poderia acabar constituindo um meta-cartel.









Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Depende do que tem pelo termo...

http://www.dgabc.com.br/Noticia/40461/diadema-completa-dez-anos-de-lei-seca


O que acontece se o Brasil simplesmente agir no mesmo modo que fez com relação ao vídeo do youtube de sexo na praia daquela modelo?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Feliperj em 16 de Dezembro de 2016, 00:23:34
Economicamente, Uber é um cartel ou um outro sindicato? Tem diferença?


O Uber não faz parte de um grupo que controla o mercado de apps de transporte e o de transporte compartilhado, então não parece correto caracterizar como cartel. Quanto a sindicato também não vejo como caracterizar. 


O Uber é uma empresa que coordena os preços de motoristas, que teoricamente seriam concorrentes independentes entre si, cada um podendo estabelecer seu preço. Isso tem similaridades tanto com cartel, na coordenação de preço não-concorrente, tanto com sindicato, pelo mesmo motivo.

A diferença de sindicatos deve ser terem comumente mais imposições, em vez de ser tudo apenas na base do preço, ao mesmo tempo em que os sindicalizados talvez sejam argumentavelmente mais beneficiados do que em sistemas como Uber, onde o principal beneficiário é a empresa, ainda que talvez mesmo aqui possa haver alguma analogia com sindicatos, embora eu imagine que a fatia dos lucros dos trabalhadores deva  ser menor.



Teoricamente até mesmo a existência de "concorrentes" do Uber usando mecanismos análogos de estabelecimento de preços ainda poderia acabar constituindo um meta-cartel.









Proibir o Uber a essa altura seria meio como a Lei Seca. É uma lei que não vai pegar.

Depende do que tem pelo termo...

http://www.dgabc.com.br/Noticia/40461/diadema-completa-dez-anos-de-lei-seca


O que acontece se o Brasil simplesmente agir no mesmo modo que fez com relação ao vídeo do youtube de sexo na praia daquela modelo?

O Uber precifica os serviços daqueles que...trabalham com o Uber!!! Ele não impede que outro "Uber" ofereça o mesmo serviço a outros preços ou que um indivíduo o ofereça o serviço sem o Uber (aliás, quem faz isso é o Estado. O maior criador de Cartéis e Monopólios que existe). O Uber é uma empresa, não um cartel!

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 10:01:48
Se o Uber é Cartel, todas as redes de franquias também são.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 10:55:37
Uber não é uma franquia de motoristas, é um sistema de coordenação de preços entre motoristas independentes.

Outros "ubers" seriam também cartéis paralelos no mesmo ramo, ainda que uber seja o dominante.

Cartéis não necessariamente impedem competidores. Você pode ir fazer orçamento para a reforma de um carro ou de uma casa, e o comerciante de onde fez o primeiro orçamento pode ou não repassar esse orçamento e seus preços para pseudo-concorrentes. Não precisam ser todos no ramo regional participando do esquema, mas os que estão participando do esquema de preços combinados, estão.


Não li o paper inteiro nem nada:

Citar
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2826652

The UBER-Cartel? UBER between Labour and Competition Law

Julian Nowag
Lund University - Faculty of Law; Oxford Centre for Competition Law and Policy

[...]

How could such an arrangement be contrary to competition law? The important element in this context
is that UBER’s business model relies currently on the prices that are not set freely by the drivers. Instead
UBER sets or co-ordinates the prices by means of an algorithm.

Such a configuration can be seen as a so called hub-and-spoke cartel. In a hub-and-spoke cartel the
cartel members do not directly communicate to align their business behaviour. Instead the
communication or more precisely the organisation of the cartel is left to a third party, an intermediary.

In such an arrangement the intermediary is not active on the cartelised market. However, this does not
shield the intermediary from antitrust liability.16 A recent example of such a hub-n-spoke cartel in the
EU is AC-Treuhand.17 In this case the CJ found that a Swiss consultancy company, AC-Treuhand, by
overseeing the cartel, collecting and sharing market data, and providing a place for the cartelist to meet
had infringed Article 101(1) TFEU. In the US the last major hub-and-spoke cartel was the Apple ebook
price-fixing case. 18 In this case Apple was found to have engaged in a hub-and-spoke cartel by
fixing the e-book prices with the publishers to a certain level. Apple would receive a certain percentage
of the fixed price. This was found to be a per se violation of Section 1 of the Sherman Act.

Similarly, in the case of UBER’s business model, UBER profits from the fixing of the driver’s prices
because its fees are depended on the rate charged by the drivers. What distinguishes the UBER
arrangement from the Apple agreement is that UBER does not directly fix the prices or a price range
for the driver. Instead it uses a computer algorithm to determine the price which the drivers will charge
the customers.

Price fixing between competitors using a computer algorithm may be a new phenomenon. Yet, as such
it should not be an obstacle to antitrust liability. Such an arrangement is not much different from a
normal hub-and-spoke cartel arrangement.19

[...]


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 11:05:28
Existem diferenças de preços entre as franquias do MC'Donalds? Ou eles tem um sistema de preços coordenado? Se eles tiverem preços padrão, eles são cartel utilizando a mesma lógica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 11:22:53
Varia sim.

Citar
http://www.reclameaqui.com.br/11098091/mcdonalds/precos-diferentes-de-uma-loja-para-outra/

[...]

O McDonald?s agradece pela sua mensagem e esclarece que a segmentação de preços adotada nos restaurantes da rede no Brasil foi feita de acordo com o perfil da região onde a unidade está localizada.

Digamos que não variasse, como penso que poderia ser o caso sem constituir cartel. Então, não tem nada demais em concorrentes coordenarem preços? Basta serem "franquias" de um sistema de coordenação de preços?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 16:53:43
Estou até agora tentando entender a lógica do "Cartel Privado" feito pelo Uber.

Citar
Cartel é um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação[1] ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cartel

O Uber não faz isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 16:56:48
O Uber é a fixação de preços entre motoristas "concorrentes". Apenas em vez de haver o acordo explícito, entre eles, é implícito através da ligação de todos com o intermediário, Uber. E dessa forma aumentam os preços, também, com consumidores reclamando disso, encaixando então em prejuízo de seu bem-estar.


Como se fosse um "mercado livre" em que qualquer ítem que você vai comprar, é o mesmo preço, independentemente do vendedor.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 17:04:39
O Uber é a fixação de preços entre motoristas "concorrentes". Apenas em vez de haver o acordo explícito, entre eles, é implícito através da ligação de todos com o intermediário, Uber. E dessa forma aumentam os preços, também, com consumidores reclamando disso, encaixando então em prejuízo de seu bem-estar.


Como se fosse um "mercado livre" em que qualquer ítem que você vai comprar, é o mesmo preço, independentemente do vendedor.

Mas os concorrentes do Uber não fixaram preços iguais. Cartel privado entre os concorrentes também? Não sei se vocâ já andou de Uber, mas o preço varia dependendo do tempo que demorar a corrida.
(http://s2.glbimg.com/d5Qzr6RXEYUbGqI3vrfxLDErsdA=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/07/27/arte-concorrentes620.jpg)

Não são preços 100% fixados...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 17:27:45
Acho que um meta-cartel só ocorreria se os algoritmos dos cartéis de motoristas chegassem aos mesmos preços "ótimos", eliminando totalmente a concorrência, e não só entre os associados de cada cartel, mas não fui ver a fundo sobre esse tema.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 18:08:14
Acho que um meta-cartel só ocorreria se os algoritmos dos cartéis de motoristas chegassem aos mesmos preços "ótimos", eliminando totalmente a concorrência, e não só entre os associados de cada cartel, mas não fui ver a fundo sobre esse tema.

Não há cartel com o sistema do Uber.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 16 de Dezembro de 2016, 19:44:23
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 16 de Dezembro de 2016, 20:14:47
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
O problema é o viés desses acadêmicos... Eu não sei qual é o viés do acadêmico do artigo que você postou, mas nunca tinha lido que Uber é Cartel. Cartel em minha cabeça é o que as companhias de telefonias fazem junto com a ANATEL por exemplo... Ou o que as petrolíferas fazem, ou o que a OPEP faz... É bem diferente desse conceito do acadêmico.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: André Luiz em 16 de Dezembro de 2016, 23:01:48
É sobre liberalismo

Ideia não é propriedade escassa porque qualquer um pode ter?

Porque eu estava vendo o vídeo do cara do "Mamãe falei" com o Rafael do "Ideias Radicais" e a impressão que deu na fala do Rafael é que roubar uma ideia não é uma agressão, não importa o quanto o sujeito se dedicou a ela, o custo em pesquisa ou físico mesmo.

Que o mercado poderia abolir a propriedade intelectual através de kickstarter, crowdfunding...

O tópico ideal seria aquele sobre patentes, mas até hoje não entendi direito como essa porra funciona mesmo
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 17 de Dezembro de 2016, 10:18:10
Essa coisa de tudo partir de ser ou não "agressão" é de filosofias de libertarianismo, não necessariamente o embasamento legal de tudo. Outros anarquistas de renome dizem que "propriedade é agressão/roubo," qualquer propriedade.

Escassez também tecnicamente não tem relação quanto a algo ser ou não propriedae, mas ao valor de mercado dela.


O "mercado" não pode abolir propriedade intelectual, ou qualquer outra; quem poderia abolir seria o estado, que em última instância define o que pode ou não ser propriedade.*

O estado pode tentar abolir proteção legal a qualquer tipo de propriedade que quiser, e o resultado será sempre o mesmo: reduzir ou inviabilizar um mercado relacionado à essa produção. Mercado imobiliário depende de imóveis serem propriedades, mercado automotivo depende de automóveis serem propriedade, mercado intelectual depende de produção intelectual ser propriedade, etc.

Abolida essa categoria de propriedade, reduz-se tremendamente o incentivo individual em produzir algo novo nessa categoria, já que não é algo de quem produziu para explorar comercialmente, mas um "bem comum".

Sistemas de arrecadar doações poderiam sustentar alguma produção de algo que não é legalmente protegido como propriedade, contanto que os investidores não se importassem, ou até gostassem, de fazer essa doação "ao mundo". Comunistas e similares vão generalizar esse princípio altruísta para todos os tipos de propriedade, o que historicamente não teve bons resultados apesar das boas intenções.

A seletividade de anarco-capitalistas talvez se deva a uma valorização menor da propriedade intelectual/tecnológica no bem-estar da sociedade, considerando que não ter a eficiência do mercado nessa área não seja uma perda significativa, diferentemente de um não-mercado mais generalizado. Ou talvez somente de adotarem como moralmente correto que a lei deva ser deontológica e não conseqüencialista, mesmo que implicasse em ser moralmente correto algo menos economicamente eficiente, pelos princípios de que parte (o que em si não é "absurdo"; partindo de princípios assim alguém poderia defender também um valor mais universal, como a contrariedade à escravidão, mantendo que ela não se justifica mesmo que se previsse ser mais produtiva e economicamente eficiente).





* (Isso é, falando do "mundo real", onde as leis são estatais, não privadas. Indo mais fundo na filosofia anarquista, então as leis seriam também uma espécie de propriedade intelectual e aderidas ou não por forças de mercado, e, os anti-propriedade intelectual supõem que fosse "vender mais" justamente pacotes de leis que não protegessem propriedade intelectual).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 17 de Dezembro de 2016, 15:20:36
Bem, eu só imaginei que poderia ser considerado assim, como de fato é, ao menos por alguns acadêmicos que estão estudando isso.
O problema é o viés desses acadêmicos... Eu não sei qual é o viés do acadêmico do artigo que você postou, mas nunca tinha lido que Uber é Cartel. Cartel em minha cabeça é o que as companhias de telefonias fazem junto com a ANATEL por exemplo... Ou o que as petrolíferas fazem, ou o que a OPEP faz... É bem diferente desse conceito do acadêmico.

Realmente o viés intelectual vai mudar bastante o discurso. Se de alguma forma Uber tivesse alguns elementos mais sindicalistas talvez já mudasse totalmente a consideração, quando talvez sejam coisas bastante próximas. Ao menos no aspecto de combinação de preços.

O sindicalismo talvez tenha a vantagem de teoricamente promover melhores condições de trabalho, de "cortar" a oportunidade de trabalho à prejuízo, o que não será o caso de sistemas que também podem se aproximar de "multilevel marketing networks" e etc. O Uber também me cheira a um pouco disso. Uns poucos promovendo como "você tem que se dedicar, aí é tudo mil maravilhas, prosperidade, etc", todo o papo de palestra motivacional. Do outro lado os outros falando que ganham R$ 2,00 por hora no máximo. Ao Uber em si interessa aumentar o número de motoristas, mesmo que o trabalho não valha a pena para eles. Claro que, quanto mais puder fazer valer a pena, mais atrairá. Porém, para atrair, basta haver a aparência de que valha a pena.

Mas também não fui atrás disso. Mas não me surpreenderia que tenham alguns ganhando extras para fazerem o marketing viral/guerrilla de oportunidades fabulosas em trabalhar para o Uber, sem no entanto o esquema de pirâmide de recrutamento propriamente dito.


Ops, parece que tem isso também:

Citar
https://help.uber.com/h/03db9e2b-270b-4fdb-95a7-afce7c6b4b3b

How do referrals work?
Referrals can help you earn extra money as a driver-partner. When you invite your friends to partner with Uber, share your personal invite code. Every friend who signs up to drive and completes a required number of trips will earn you a referral reward.



Citar
https://help.lyft.com/hc/en-us/articles/213582158-How-to-Refer-Drivers

If a friend applies with your code and meets the ride requirement, you’ll each get a bonus. (Terms apply.)


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 14:52:16
[centro-esquerda mode]E é função do Estado decidir, da maneira mais bem intencionada possível, como que as pessoas devem trabalhar  ou se associar voluntariamente para determinado trabalho. Temos que ter em mente que as pessoas são incapazes de escolher o que é melhor para elas, e somente com um estado forte teremos uma sociedade mais justa e com maiores igualdades de oportunidades. Nem que essa igualdade venha com menor oferta de emprego para todos. Por isso, acho mais que justo que o estado tenha o dever de proibir o Uber por o mesmo ser uma nova forma de Cartel, e que faz com que as pessoas sejam voluntariamente obrigadas a trabalhar em um suposto esquema de pirâmide.[/centro-esquerda mode]
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 18 de Dezembro de 2016, 16:29:27
Os motoristas de Uber, por protestos, conseguiram fazer com que no Reino Unido, recebessem salário mínimo e férias pagas.

Movimentos similares também ocorrem nos EUA, onde os motoristas começam a ser substituídos por robôs. Há também processos por esse aspecto de coordenação de preços.

Imaginava que talvez os baixos pagamentos fossem descaracterizar isso como problema, já que teoricamente seria algo cujo problema seria em se encarecer o serviço ao consumidor, para o benefício daqueles que tem um preço sem concorrência, mas no caso, eles barateiam mais, contra a vontade do motorista, conduzindo-os a uma "corrida ao fundo do poço".

Também aí deve estar a diferença com "sindicato", já que só os donos do Uber que estão contentes com a forma como conduzem o negócio.

(http://www.slate.com/content/dam/slate/articles/business/moneybox/2014/10/141027_%24BOX_uber_300.jpg.CROP.original-original.jpg)

Provavelmente isso tudo se deve à propaganda enganosa de vender trabalhar para eles como grande oportunidade de renda extra.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 17:09:44
E por que os motoristas Uber simplesmente não saíram do Uber e procuraram um lugar melhor para trabalhar como...os táxis?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 18 de Dezembro de 2016, 17:21:00
Não posso falar por eles, apenas li que o Uber tem de fato um grande problema de retenção de motoristas, então de fato muitos estão saindo, ainda que, imagino, provavelmente não para ser taxistas.

Pesquisando, uma das razões é o investimento que fizeram do próprio bolso para trabalhar como motoristas para a empresa:

Citar
http://www.businessinsider.com/why-uber-drivers-just-cant-quit-2014-10

"I get that a lot — why don't you do something else? Why don't you just quit?" De Wolf Sandoval says.

"One reason is that a lot of people have invested a lot of money into their fleet, or into their cars to work on the Uber system, with the implied promise from Uber that they were going to be doing very well — they'd be running their own small business and they'd be able to recoup the investments, whether that's an investment in a Chevy Suburban at $40,000, or maybe two — or 10, if you own a fleet,"









Citar
http://valleywag.gawker.com/uber-and-its-shady-partners-are-pushing-drivers-into-su-1649936785

Uber and Its Shady Partners Are Pushing Drivers into Subprime Loans

[...] Here's how Uber fits into all of this. The company's financing program connects drivers with poor credit to auto lenders and dealers, promising better rates. Uber does not finance the loans itself. Rather, Uber introduces drivers to partners like General Motors, Toyota, "and several unnamed financial institutions." Why? The startup wants drivers with nicer cars, but it badly needs more drivers overall to meet demand and feed its growth spurt. Human drivers aren't as easy to scale as servers, causing competition between rivals like Lyft and Sidecar. Uber dubbed its recruitment efforts "Operation Slog." [...]

The company has been bombarding drivers in San Francisco with email offers encouraging them to sign up for Uber's vehicle financing program—including one sent days after the latest subpoena. The most recent ones, obtained by Valleywag, open with the image of a car with cash literally flying out of the backseat. Uber promises drivers that it's "Easy to qualify, even with poor credit or no credit history at all."

[...]
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 18 de Dezembro de 2016, 17:26:44
Não posso falar por eles, apenas li que o Uber tem de fato um grande problema de retenção de motoristas, então de fato muitos estão saindo, ainda que, imagino, provavelmente não para ser taxistas.
Sim, por isso existem também outras empresas do mesmo ramo que talvez tenham uma oferta melhor de emprego.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 19 de Dezembro de 2016, 09:11:55
Estava assistindo a pouco à reprise de uma entrevista do Dias Toffoli para Roberto D'Avila. Ele declarou que tem mudado radicalmente sua visão nos últimos anos, para uma visão liberal - menos Estado, mais mercado. Que no Brasil somos todos muito dependentes do Estado, recorremos ao Estado para tudo, temos uma visão muito paternalista, que o Estado não dá conta, precisamos de mais mercado... aquele discurso padrão. Por essa eu não esperava.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 08:53:28
Eu estava conversando agora de manhã com um vigilante (fazendo propaganda do liberalismo  econômico e de anti estatismo   :hihi:  ) que trabalha (como terceirizado, noutro posto) no MP, e ele falou de funcionário público de lá que ganhou  88.000  no mês     :susto:   , então fui dar uma pesquisada sobre supersalários no MP  e encontrei algumas informações sobre esse acinte aos pagadores de impostos no Brasil :



No Espírito Santo, 99% dos membros do MP ganham supersalários, diz jornal


Jornal GGN - No Espírito Santo, quase 100% dos procuradores do Estado recebem os chamados supersalários todo mês. Levantamento feito pela Gazeta Online com dados do portal da Transparência mostram que os membros do MP-ES receberam mais do que o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que é o teto do Judiciário. Há casos em que promotores e procuradores receberam mais de R$ 100 mil. Para ultrapassar o teto, esses funcionários recebem uma série de gratificações que, agora, serão debatidas pelo Senado.


99% dos membros do MP ganham supersalários

Da Gazeta Online

O valor do subsídio pago pelo Ministério Público Estadual (MPES) é hoje deR$ 30.471,11 para procuradores de Justiça, de R$ 28.947,55 para promotores e de R$ 27.500,17 para promotores substitutos. Entretanto, de janeiro a setembro deste ano, 99% deles receberam acima do teto constitucional, R$ 33,7 mil, valor do contracheque dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O número total de membros do órgão, que era de 304 no início do ano, agora é de 300. Em todos esses nove meses, pelo menos 293 deles receberam os chamados supersalários.

Dos 2.725 salários pagos a todos eles até setembro, 2.698 ultrapassaram o valor constitucional. Ou seja, 99% dos subsídios atropelaram o teto. Em março, um procurador de Justiça chegou a receber, de uma só vez, R$ 221.204,23. Fazendo uma média entre todos os salários pagos entre janeiro e setembro deste ano, promotores e procuradores receberam, mensalmente, R$ 47.193,99 – o que significa R$ 13,4 mil a mais que o teto.

Esses excedentes não são pagamentos ilegais. Eles são obtidos por recursos pagos a títulos variados que, por terem caráter indenizatório, não incidem sobre o teto.

Radiografia

A reportagem de A GAZETA chegou a esses dados após analisar, no decorrer das últimas duas semanas, as planilhas divulgadas pelo Portal da Transparência do MPES.

Foi calculado o total de rendimentos brutos, que engloba o subsídio, outras verbas remuneratórias legais ou judiciais – como adicional por tempo de serviço, vantagens decorrentes de sentença judicial ou extensão administrativa –, o adicional por função de confiança e o abono permanência. Foi subtraído o “abate -teto”, quando houve.

A esse valor, foram somadas as indenizações, como auxílio-alimentação e auxílio-moradia, e outras remunerações retroativas e temporárias, que são os adicionais de insalubridade, de periculosidade ou serviço extraordinário, visto que sobre estas rubricas não incide qualquer desconto.

Foram retirados da base de cálculo o adicional de férias e o 13º salário, pois são remunerações a que todos os servidores públicos têm direito. Pela mesma razão, foram utilizados os valores brutos, sem subtrair os descontos com a Previdência e o imposto de renda, visto que são aplicados a qualquer trabalhador.


Abono engorda os vencimentos


O levantamento de A GAZETA identificou quatro salários do Ministério Público Estadual que chegaram a ultrapassar R$ 100 mil durante este ano. Os maiores foram de R$ 221.204,23, pagos a um procurador em março, e R$ 188.484,42, pagos a um promotor em agosto.


Além desses casos pontuais, 29,6% de todos os salários pagos na instituição chefiada pela procuradora-geral Elda Spedo estão acima de R$ 50 mil.

O responsável pela maior parte da “bolada” é o abono permanência, que é uma espécie de reembolso ao servidor em idade de aposentadoria por seu gasto com a Previdência, de 11% do salário total. Na prática, é como se o servidor recebesse um aumento para permanecer na ativa.

No caso do procurador, foram pagos R$ 175,9 mil apenas por esse bônus. Já o promotor recebeu R$ 144,2 mil por não se aposentar.

Além desse benefício, os membros do MPES também recebem auxílio-moradia de R$ 4.377,73, mesmo se residirem em casa própria e na mesma cidade onde atuam.

Continue lendo aqui.


http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/11/noticias/politica/3995495-99-dos-membros-do-mp-ganham-supersalarios.html

http://jornalggn.com.br/noticia/no-espirito-santo-99-dos-membros-do-mp-ganham-supersalarios-diz-jornal



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 08:58:53
Achei também este texto sobre super salários no Brasil:


SUPER-SALÁRIOS do MP-SP revela: O Brasil é uma sociedade de castas


Por Daniel Mello e Eliane Gonçalves

Quase 80% dos membros do MPSP recebem acima do teto constitucional: vale-livro, auxílio-moradia e supersalários somam até R$ 130 mil por mês



Em setembro, o governo de São Paulo encaminhou para a Assembleia Legislativa do Estado a proposta de orçamento do Ministério Público (MP) para 2017. A previsão é destinar R$ 2,3 bilhões para manter funcionando a estrutura criada para defender os direitos dos cidadãos paulistas. Um orçamento três vezes maior do que o previsto para a Secretaria de Cultura e o dobro do que será destinado para pastas como Agricultura, Meio Ambiente ou Habitação. É com esse dinheiro que o MP vai cobrir gastos com água, luz, telefone, salários – e os polpudos benefícios destinados a procuradores e promotores.


A remuneração inicial de um promotor público em São Paulo é de R$ 24.818,71. Na última etapa da carreira, o procurador de justiça, o salário chega a R$ 30.471,11. São valores que seguem o teto constitucional: promotores e procuradores paulistas recebem, no máximo, 90,25% do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal.


Mas os vencimentos não terminam por aí. Somam-se benefícios como vale-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-funeral, pagamento de diárias, remunerações retroativas, duas férias anuais. A Lei Orgânica do Ministério Público de São Paulo, de 1993, prevê 16 auxílios extras que, apesar de serem considerados legais, ajudam a ultrapassar, em muito, o teto constitucional.



Na prática, dos 2015 membros do MPSP que receberam salário em outubro, 1243 receberam a partir de R$ 38,900, ou seja, 61,7% do total. É um valor acima dos R$ 33.763 pagos aos ministros do STF, mais os extras. Se prosperar o entendimento de que “teto é teto” e os “extras” não deveriam estar nem na conta dos ministros do Supremo, a proporção de promotores e procuradores que receberam acima do teto constitucional sobe para 79,8%. Foram 1.608 promotores e procuradores que receberam mais do que o salário teto de R$ 33.736.


A Comissão foi instalada, em novembro, no Congresso Nacional, para propor um fim aos “supersalários” de funcionários públicos.


A folha de pagamento do MPSP de outubro é repleta de exemplos de “supersalários”. Naquele mês o promotor de justiça de entrância final Milton Theodoro Filho, lotado na capital, recebeu o maior valor da folha: R$ 129.469,78. Foram R$ 28.947,55 de salário bruto (sem descontar a contribuição previdenciária e o imposto de renda) e R$ 89.979,35 de indenizações (incluídos R$ 5.087,73 auxílio-moradia e vale-alimentação). Além disso, há mais R$ 9.179,62 de valores retroativos da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), resultado de uma decisão de 1992 do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara os salários do Judiciário com os do Congresso Nacional.



No mesmo mês, o promotor Julio César Palhares, que serve em Bauru, no interior paulista, recebeu R$ 118.480,60. Desse montante, R$ 28.947,55 referem-se ao salário bruto, R$ 82.281,19 a indenizações não discriminadas, à exceção de R$ 5.087,73 de auxílio-moradia e vale-alimentação.


Orlando Bastos Filho, promotor em Sorocaba, foi o terceiro membro com maiores vencimentos no mês, recebendo R$ 107.025 brutos. Nesse valor estão incluídos R$ 64.901,22 de indenizações não discriminadas e R$ 7.864,41 retroativos da PAE. Em 2015, Bastos Filho acirrou os ânimos dos vereadores do município ao iniciar uma investigação sobre seus gastos com despesas de telefone, carro oficial e itens de escritório.


O professor de ética e filosofia política na Unicamp Roberto Romano estuda o poder Judiciário e defende o papel do MP como instituição de garantia da democracia brasileira. Mas critica: “Eu acho que o Ministério Público, justamente porque é o zelador da lei, o fiscal da aplicação da lei, deveria renunciar a esse tipo de acréscimo ao seu salário, sobretudo porque não corresponde à experiência de todos os demais funcionários do estado”.


As informações sobre os rendimentos dos membros do MP estão disponíveis no Portal da Transparência. Veja abaixo a lista dos 20 membros mais bem pagos do MP paulista em outubro:



Para AntôniAlberto Machado, promotor aposentado, as altas remunerações do MP estão diretamente associadas a práticas conservadoras: “As carreiras jurídicas, em geral, se tornaram muito atrativas de algumas décadas para cá. Há 40 anos não era assim. Isso fez com que os membros dessas carreiras tivessem um padrão remuneratório equivalente ao que a gente chama de classe A. A leitura que eu faço é que essas carreiras jurídicas estão ‘sitiadas’. Foram tomadas por essas classes média, média alta, classe alta que têm um valor de mundo conservador e que estão julgando as classes de baixo”.


Promotores e procuradores têm a prerrogativa de legislar sobre os próprios vencimentos. Alguns dos valores e critérios para o pagamento de cada um desses extras são definidos por resoluções e atos normativos que cabem ao procurador-geral de justiça do estado. Foi um ato normativo de 2003 que definiu, por exemplo, que o valor de uma diária corresponde a 1/30 do salário bruto de um promotor em início de carreira. Em 2016, corresponde a R$ 827,30. O valor extra é pago quando o promotor tem de substituir um colega de trabalho.


Um ato normativo de 2014 definiu que promotores e procuradores cedidos para outros órgãos continuam tendo direito a receber o auxílio-moradia. Trata-se de um complemento à lei orgânica que já garante que membros do MP que se afastem do cargo para ocupar cargos eletivos, por exemplo, possam continuar recebendo os vencimentos do órgão se abrirem mão do outro salário. É o que garante ao deputado Fernando Capez continuar na folha de pagamento do MP. A troca vale a pena. Enquanto um deputado estadual tem remuneração de R$ 25.322,25, os vencimentos de Capez em outubro chegaram a R$ 40.497. Como secretários do governo de São Paulo, os procuradores Mágino Barbosa e Elias Rosa receberiam R$ 19.467,94. Porém, ao manterem os salários do MP, eles receberam, em outubro, respectivamente R$ 56.911,63 e R$ 47.685,94.



O maior benefício é o auxílio-moradia, no valor de R$ 4.377 mensais. A ajuda financeira foi autorizada por meio de liminar do ministro do STF Luiz Fux em setembro de 2014 e se estende a membros da magistratura e dos ministérios públicos de todo o país. À diferença do que ocorre com todos os outros funcionários públicos – até mesmo dos congressistas –, o benefício se destina também para quem tem residência própria e vive na mesma cidade em que atua. Ficam de fora apenas aposentados e licenciados.


Segundo a folha de pagamento de outubro de 2016, disponível no Portal da Transparência do MPSP, dos 2.084 promotores e procuradores públicos na ativa, pelo menos 1.593 recebem o auxílio (76%). O custo anual para os cofres públicos é de aproximadamente R$ 69,7 milhões. O valor daria para atender mais de 14 mil famílias com o programa Auxílio-Aluguel da prefeitura de São Paulo, de R$ 400 mensais.


Mas a despesa não fica por aí. O adicional foi tratado como retroativo pelo ministro Luiz Fux. Assim, promotores e procuradores tiveram direito a receber os “atrasados” dos cinco anos anteriores à liminar, ou seja, desde 2009. Para a maioria da classe, isso significou uma bolada de mais de R$ 262 mil que vem sendo paga em parcelas regulares desde então.


Outro auxílio que ajuda a compor o orçamento anual dos promotores é o auxílio-livro. Uma ajuda extra de até R$ 1.700 por ano, criada em 2010 com o objetivo de garantir a atualização técnica dos promotores e procuradores.


Entre 2010 e 2013, o advogado Rodrigo Xande Nunes trabalhou como oficial de Promotoria dentro do MP, cuja tarefa era solicitar verbas indenizatórias para os promotores e procuradores que assessora. “Bastava o promotor apresentar uma nota fiscal de qualquer livraria com a descrição ‘livro’ para assegurar o reembolso. Vi livros de doutrina jurídica que iam parar nas mãos de sobrinhos do promotor que estavam cursando faculdade de direito, ou romances virarem presentes de aniversário”, lembra.


Depois de ter deixado o cargo de oficial de Promotoria, Rodrigo Xande seguiu carreira como advogado. É justamente por estar do lado de fora que ele se dispõe a falar o que pensa sobre os benefícios, que acredita afastarem a categoria da realidade dos brasileiros: “É impossível garantir direitos para quem vive cercado de tantos privilégios”, argumenta.


Uma das instituições mais aguerridas na defesa de benefícios é a Associação Paulista do Ministério Público (APMP). O escritório da associação ocupa o 11º andar da sede do MPSP e é presidida pelo ex-candidato a procurador-geral Felipe Locke. Procurado pela Pública, ele não concedeu entrevista para a reportagem.


O presidente da APMP tem, no entanto, se posicionado publicamente sobre o tema. Segundo texto publicado na página da associação em outubro, sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 62 que derruba a vinculação automática dos salários de agentes públicos à remuneração dos ministros do Supremo, ele escreveu: “Sem recursos nossas instituições não funcionam e sem Ministério Público e a Magistratura, corrupto não vai para a cadeia. Esses projetos têm o mesmo objetivo da PEC 37 [proposta derrubada pelo Congresso que propunha limites ao poder de investigação de promotores e procuradores], acabar com o poder de investigação, deixando os corruptos à solta”.


Ao mesmo tempo em que a APMP faz campanha contra a PEC 62, também exerce pressão pela aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 27, que eleva os salários dos ministros do Supremo para R$ 39,2 mil em janeiro de 2017. Mas nestes tempos em que o governo federal fala em limitar gastos públicos, a luta corporativa da APMP ficou mais difícil.



Agora, a nova demanda da classe é garantir ainda mais benefícios.



A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) discute, em regime de urgência, o pagamento de planos de saúde de caráter vitalício para os membros do MPSP. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 52/2015 foi apresentado pelo então procurador-geral Márcio Elias Rosa e acolhido pelo então recém-eleito presidente da Alesp e promotor afastado Fernando Capez. O PLC 52 já foi aprovado pelas Comissões de Constituição e Justiça e de Finanças, Orçamento e Planejamento e está pronto para ser votado pelo plenário desde dezembro de 2015.


Promotores e procuradores querem também a extensão do auxílio-moradia para seus colegas aposentados. Em outubro de 2015, o Colégio de Aposentados da APMP reiterou o pedido que já vem sendo feito desde 2013 à Procuradoria-Geral, apelando para o princípio da simetria para justificar a ampliação da benesse.


Privilégio nos detalhes


Em novembro de 2015, o MPSP fechou um contrato para o fornecimento de copinhos de água mineral para a instituição. Ao custo de R$ 71.724, garantiu o fornecimento de 11.904 copinhos de 200 ml com água mineral por mês, durante um ano. Porém, o produto é usado para a hidratação apenas de parte dos servidores, os promotores e procuradores. A regra, em vigor desde 2011, ganhou forma em um comunicado interno da diretoria geral do órgão.


Comunicado nº 68/2011 - DG/MP, de 17 de junho de 2011
O Diretor Geral do Ministério Público, no uso de suas atribuições legais previstas na Lei Complementar nº 734, de 26 de novembro de 1993, considerando a necessidade de distribuição de água mineral em copo nas diversas áreas desta Instituição, comunica:

A quantidade de caixas de água fornecida pela Sub-área de Copa deverá estar de acordo com o número de Procuradores e Promotores de Justiça da Unidade requisitante;


O Oficial de Promotoria-Chefe e/ou responsável pelo setor deverá designar uma pessoa para a retirada das caixas, devendo obedecer aos critérios estabelecidos na planilha;

Cada unidade terá uma requisição mensal para controle das caixas retiradas, que deverá permanecer na Sub-área de Copa;

A requisição deverá ser preenchida na Sub-área de Copa no momento da retirada das caixas;
No final de cada mês, a requisição deverá ser encaminhada à Diretoria de Divisão do Ministério Público - Atividades Complementares, para ciência;


Fica vedado o consumo de água em copo de 200 ml, com tampa aluminizada, a todos os servidores da Instituição.


Restrições como essa raramente ganham redação oficial, mas são frequentes no cotidiano do MPSP. Passam pelos lanches – frutas, sucos e biscoitos, comprados com dinheiro público e que também são restritos aos promotores e procuradores –, pelas vagas nas garagens e pelo uso de elevadores.As diferenciações são tão grandes que os “outros” funcionários costumam brincar que, se uma pessoa do século 19 pudesse viajar no tempo, o lugar que se sentiria mais à vontade seria o MPSP. “Eu já cheguei a falar para um procurador que a época da escravidão passou, que a ditadura também passou.


Tem membro [do MPSP] que, se pudesse colocar o servidor no tronco e dar um surra, ele faria isso”, critica Jacira Costa Silva, oficial de promotoria desde 1989 e presidente do Sindicato dos Servidores do MPSP. A sindicalista enumera situações em que funcionários tiveram de lavar carros e até pagar contas pessoais dos promotores.
______________
FONTE: Agência Pública

Postado por Paulo Franco às 16:18   
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Marcadores: auxilio-moradia, Fernando Capez, Ministério Publico, MPSP, Procurador, Promotor, STF, super-salários, vale-livro


http://pafranco2005.blogspot.com.br/2016/12/por-daniel-mello-e-eliane-goncalves.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 09:10:27



Este é o tipo de coisa que algumas castas de poderosos agentes estatais fazem  com o dinheiro dos  trabalhadores e pagadores de impostos no Brasil.  A grande maioria,  que vive com um salário médio próximo de 2000,00 por mês, e que tem aproximadamente 40% do seu salário tomado por impostos,  é obrigada a sustentar castas como essas que vivem como se fossem uma nova nobreza.    :rei:



 :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no: :no:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 09:43:31
É por isso que não gosto desse endeusamento pela mídia aos procuradores, juízes e promotores em geral, como se fossem os mocinhos lutando contra os políticos bandidos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 10:33:38
É por isso que não gosto desse endeusamento pela mídia aos procuradores, juízes e promotores em geral, como se fossem os mocinhos lutando contra os políticos bandidos.



Concordo, faz todo o sentido.   Eles querem vender a imagem de guardiães do dinheiro público  dinheiro dos pagadores de impostos,  de grandes moralizadores,  e caçadores de corruptos, mas eles também  fazem parte de castas que  se beneficiam com o dinheiro do brasileiro comum pagador de impostos.


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 22 de Dezembro de 2016, 10:43:11
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 11:12:40
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Não sugeri que estejam no mesmo nível.

Só que no país da desigualdade, ganhar uma salário que está entre os mais altos e ainda proveniente de impostos, que ainda por cima são pagos pela maioria mais pobre, é imoral.

Não endeuso esses caras.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 22 de Dezembro de 2016, 12:08:26
Os procuradores e juízes ganham valores imorais com os benefícios 'por fora' do salário que recebem, mas daí a sugerir que estariam no mesmo nível de políticos que roubam dinheiro público é nonsense.

Não sugeri que estejam no mesmo nível.

Só que no país da desigualdade, ganhar uma salário que está entre os mais altos e ainda proveniente de impostos, que ainda por cima são pagos pela maioria mais pobre, é imoral.

Não endeuso esses caras.

Não há nenhum demérito em buscar maior retorno financeiro, mesmo que no setor público, desde que dentro das regras. Altos salários e estabilidade é o que atrai a grande maioria das pessoas para o serviço público. Imoral são as regras.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: DDV em 22 de Dezembro de 2016, 12:09:59
Eu não endeuso, mas os considero a maior esperança disponível para reduzir a corrupção.

Como o povo brasileiro é muito carente de justiça, não o culpo por endeusar juízes atuantes.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 12:17:33
Eu não endeuso, mas os considero a maior esperança disponível para reduzir a corrupção.

Como o povo brasileiro é muito carente de justiça, não o culpo por endeusar juízes atuantes.

Ok, mas a gente pode aplaudir o esforço para acabar com a corrupção, mas também condenar os excessos.

E a imprensa, ao invés de explicar os verdadeiros motivos de termos tantos problemas, ficam babando ovo nos juízes por aí.

O problema é tratar os políticos como corruptos, mas continuar a elegê-los.

Outra coisa nociva que vejo é o excesso de críticas em cima do Temer, quando o cara está fazendo muita coisa pelo pais. Vejo muita gente pedindo a cabeça dele nos comentários sem parar pra pensar um segundo que isso seria ótimo para a Marina ou até para o Lula.

A falta de pensamento estratégico é foda. Ainda vamos tirar o Temer para colocar a Marina no poder.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 22 de Dezembro de 2016, 15:47:28
[...]
Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.

"Concordo".

Por isto proponho que o salário para ministro do STF seja de 20 salários mínimos nacionais.

O resto da caterva, incluindo desembargadores, deve ganhar menos do que isto. Bem menos.

E que todo e qualquer auxílio seja extinto.

Não ficaram contentes os juízes e desembargadores?

Simples... Peçam demissão e venham para a 'selva', que é o setor privado.

Tenho certeza que a maioria iria se fo...!
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 15:51:05

Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.


Só que certamente que a ideologia estatista que impera no Brasil, a grande interferência do governo na economia (e na vida social),  a "fúria legiferante"  e reguladora  dos governos e dos legisladores brasileiros,   contribuem bastante  para tornar a legislação muito  mais complexa do que poderia (e deveria)  ser, e deste modo cria-se uma necessidade artificial  de um complexo e custoso preparo  para o exercício da função, em relação ao que poderíamos ter num Estado mínimo (ou ao menos num Estado bem mais reduzido) .   



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Dezembro de 2016, 16:04:57
[...]
Salário de juíz deve ser alto mesmo, pela complexidade e responsabilidade do cargo (deve ser o maior salário do serviço público), claro que sem os benefícios por fora.

"Concordo".

Por isto proponho que o salário para ministro do STF seja de 20 salários mínimos nacionais.

O resto da caterva, incluindo desembargadores, deve ganhar menos do que isto. Bem menos.

E que todo e qualquer auxílio seja extinto.

Não ficaram contentes os juízes e desembargadores?

Simples... Peçam demissão e venham para a 'selva', que é o setor privado.

Tenho certeza que a maioria iria se fo...!


Acho importante notar que  uma boa parte das agruras que se enfrenta no setor privado tem justamente a ver com o fato de se ter que sustentar um  Estado grande cheio  de  "nobres",   excelências, e  "doutores".

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Shadow em 22 de Dezembro de 2016, 16:25:22
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 22 de Dezembro de 2016, 17:27:46
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....

O problema não é o juíz ganhar 20 contos. É ganhar 200 contos com brechas na lei e outras "mutretas".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Dezembro de 2016, 09:17:25
O problema não é um juiz ganhar 20 contos. É um batedor de carimbo, contínuo ou garçom ganhar quase isso em alguns poderes....

O problema não é o juíz ganhar 20 contos. É ganhar 200 contos com brechas na lei e outras "mutretas".




Pois é, e os trabalhadores comuns do Brasil que trabalhem bastante para pagar os  altos tributos.  Afinal de contas os nobres precisam viver bem.    :rei:
 


Supersalários de juízes no RJ ultrapassam R$ 500.000


Remuneração é inflada por 'vantagens eventuais' a desembargadores

Por Da Redação
access_time 24 jan 2012, 06h00
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Veja.com
Veja.com (Veja.com/VEJA.com)

Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de 40.000 a 150.000 reais. A remuneração de 24.117,62 reais é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, 400.000 reais, cada, somente em penduricalhos.

A folha de pagamentos, que o próprio TJ divulgou em obediência à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – norma que impõe transparência aos tribunais -, revela que em dezembro de 2010 o mais abastado dos desembargadores recebeu 511.739,23 reais.


Outro magistrado recebeu naquele mês depósitos em sua conta que somaram 462.000 reais, além do salário. Um terceiro desembargador recebeu 349.000 reais. No total, 72 desembargadores receberam mais de 100.000 reais, sendo que 6 tiveram rendimentos superiores a 200.000 reais.


Os supercontracheques da toga fluminense, ao contrário do que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo, não são incomuns. Os dados mais recentes publicados pela corte do Rio, referentes a novembro de 2011, mostram que 107 dos 178 desembargadores receberam valores que superam com folga a casa dos 50.000 reais. Desses, quatro ganharam mais de 100.000 reais cada – um recebeu 152.972,29 reais.



Em setembro de 2011, 120 desembargadores receberam mais de 40.000 reais e 23 foram contemplados com mais de 50.000 reais. Um deles ganhou 642.962,66 reais; outro recebeu 81.796,65 reais. Há ainda dezenas de contracheques superiores a 80.000 reais e casos em que os valores superam 100.000 reais.


Em maio de 2010, a remuneração bruta de 112 desembargadores superou os 100.000 reais. Nove receberam mais de 150.000 reais.


A folha de pagamentos do tribunal indica que, além do salário, magistrados têm direito a inúmeros benefícios, como auxílio-creche, auxílio-saúde, auxílio-locomoção, ajuda de custo, ajuda de custo para transporte e mudança, auxílio-refeição, auxílio-alimentação.


Os magistrados do Rio desfrutam de lista extensa de vantagens eventuais – tais como gratificação hora-aula, adicional de insalubridade, adicional noturno, gratificação de substituto, terço constitucional de férias, gratificação de Justiça itinerante, correção abono variável, abono de permanência, parcela autônoma de equivalência, indenização de férias.


Recorde – Os desembargadores do Rio estão entre os detentores dos maiores rendimentos do serviço público. A folha de pagamentos do TJ seria um dos principais alvos da inspeção que estava nos planos da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon.


A liminar deferida no final do ano passado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu as inspeções do CNJ até que informações detalhadas fossem prestadas pela corregedora.

A ordem de Lewandowski atendeu ao pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), símbolo da resistência à ação de Eliana Calmon – a ministra enviou as informações ao STF, mas a liminar será julgada depois que a corte máxima do Judiciário voltar do recesso, no início de fevereiro.


A diferença entre o TJ do Rio e o de São Paulo é que magistrados desta corte receberam quantias excepcionais em caráter antecipado – atropelaram a ordem cronológica interna. Um desembargador recebeu bolada de R$ 1,6 milhão; pelo menos outros cinco levaram montante acima de 600.000 reais.


Conselheiros do CNJ destacam que os pagamentos vultosos no Rio são possíveis porque o tribunal conta com um fundo próprio de receita para administrar. Uma lei sancionada na década de 90 criou um fundo especial de receitas provenientes das custas judiciais, valores de inscrição de candidatos em concursos públicos, transferência de recursos de cartórios e outras taxas.


(Com Agência Estado)


http://veja.abril.com.br/brasil/supersalarios-de-juizes-no-rj-ultrapassam-r-500-000/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Dezembro de 2016, 12:58:22
Um texto de 2015, mas com sua mensagem ainda totalmente válida e pertinente:



OS LIBERAIS PRECISAM SE ENGAJAR NA POLÍTICA

19 de abril de 2015


O deputado estadual Marcel van Hattem abriu o domingo de palestras da I Conferência Estadual do EPL em Passo Fundo, falando sobre o processo político. Marcel acredita que os liberais, muitas vezes mais preparados do ponto de vista intelectual, precisam também arregaçar as mangas e participar da política. Mas para tanto contam com vários obstáculos.


Em primeiro lugar, a escolha de um partido. São muitos no Brasil, mas poucos com um DNA programático que é levado a sério. A maioria é um “saco de gatos” em termos de ideologia. Além disso, os partidos têm caráter nacional, algo exigido na Constituição. Isso, segundo Marcel, é contrário ao que se esperaria naturalmente. A tendência normal seria a formação de um partido de baixo para cima, com viés mais local, próximo da sociedade, o que seria melhor preservado com o voto distrital.


O próprio partido de Marcel, o PP, foi escolhido por alguma afinidade ideológica e mais pelos conhecidos que tinha e confiava em sua região. Mas como defender o PP como um todo, após envolvimento no escândalo do petrolão, por exemplo. A questão é: para onde ele poderia ir? Quais as alternativas possíveis hoje? Poucas ou nenhuma. Há um passivo que o político carrega só ao se filiar a um partido existente. Muitos partidos fazem parte da burocracia estatal (fundo partidário) e se tornaram verdadeiras máfias em alguns casos.


O momento atual do país, porém, favorece os liberais. Há mais espaço para candidatos com discurso ideológico contrário à esquerda. A sociedade está em busca de novas ideias, e ideias boas. Aqueles que estão no poder vivem seu pior momento de baixa, fracassando na entrega das promessas que fizeram. A esquerda enfrenta forte fadiga de poder, e deixa o Brasil combalido, em crise. A vanguarda hoje é ser liberal, e vemos jovens com adesivos e camisas de “Menos Marx, Mais Mises”, em vez da velha e carcomida foto de Che Guevara.


Mas o clima favorável não basta. Como Marcel bem sabe por experiência, o processo político é complicado, favorece políticos estabelecidos e famosos. Sua primeira eleição como vereador foi sem organização, no velho estilo “franciscano” de porta em porta, sem recursos. Excesso de idealismo típico da juventude (Marcel tinha apenas 20 anos). É preciso ter uma campanha mais organizada, contar com recursos para ter alguma chance concreta.

De alguma forma é necessário abandonar o preconceito de que o caminho político não presta, pois essa mentalidade deixa o espaço totalmente livre para ser ocupado pelos piores, pela esquerda. A experiência que Marcel teve na Holanda mostrou a ele que era possível participar da política e preservar os princípios liberais, a ética, a meta de reduzir o poder do próprio estado, de dentro.

Afinal, o liberalismo precisa também de seus executores e defensores no governo. É por isso que os liberais devem, com realismo, se engajar na política, participar do processo democrático representando o liberalismo contra tantas vertentes coletivistas, contra os cinquenta tons de vermelho. Se nós não queremos viver em outro país, mas sim em outro Brasil, então temos que ocupar espaços na política.



PS: Justamente para suprir a demanda reprimida por um partido genuinamente liberal é que vem aí o Partido Novo, que nasce já com seu DNA programático em defesa do indivíduo, a menor minoria de todas, e da livre iniciativa, em vez de encarar o estado como o messias salvador. Será o instrumento natural dos liberais que pretendem participar da política para tentar mudar as coisas de dentro do sistema. O desafio será, claro, filtrar os candidatos, para que somente aqueles realmente comprometidos com a causa liberal sejam eleitos.

Rodrigo Constantino


http://rodrigoconstantino.com/artigos/os-liberais-precisam-se-engajar-na-politica/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Dezembro de 2016, 16:40:34
Eu estava conversando agora de manhã com um vigilante (fazendo propaganda do liberalismo  econômico e de anti estatismo   :hihi:  ) que trabalha (como terceirizado, noutro posto) no MP, e ele falou de funcionário público de lá que ganhou  88.000  no mês     :susto: 


Citar
Mais de 5 mil servidores públicos de SP ganham salários acima do teto

SPTV inicia série de reportagens sobre os supersalários no funcionalismo.

Procurador lidera 'ranking' com salário de R$ 102 mil. [...]

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/04/mais-de-5-mil-servidores-publicos-de-sp-que-ganham-salarios-acima-do-teto.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Dezembro de 2016, 15:04:09
O poder do Estado e o desrespeito a propriedade privada no Brasil, o caso da Raposa Serra do Sol



terça-feira, 14 de junho de 2011

RAPOSA SERRA DO SOL- OS MISERÁVEIS QUE O STF CRIOU COM A ANTROPOLOGIA POÉTICA DE AYRES DE BRITTO

Por Reinaldo Azevedo-(30/05/2011)

Poesia de Ayres Britto empurrou o índio mucuxi Adalto da Silva para um lixão; sem emprego, teve de deixar a reserva


Caros, o fato de a gente antever um desastre e ter a certeza de que ele vai acontecer não nos impede de ficar um tanto surpresos quando ele realmente acontece. É assim com a reserva Raposa Serra do Sol. Lembram-se dela?


A mesma quase unanimidade estúpida que se vê na imprensa agora contra o relatório correto e decente de Aldo Rebelo (PCdoB) para o novo Código Florestal se via em março de 2009 em relação à demarcação contínua da reserva e à expulsão dos arrozeiros. Assim como jornalistas que nunca viram um pé de feijão estão convictos hoje de que é preciso reflorestar as margens de rios que abrigam agricultura há 200 anos, estavam então convictos de que os agricultores tinham de sair da dita reserva indígena. Eram as mesmas ONGs, os mesmos terroristas midiáticos, os mesmos vagabundos. Mais de mil ONGs atuam na Amazônia. MIL!!!


A propósito: Aldo Rebelo opôs-se também à saída dos arrozeiros. Mas foi o que quis o ministro Ayres Britto, que contou com o apoio da maioria do Supremo. Seu relatório exaltando a harmonia entre o índio e a terra é um primor da antropologia… poética (íntegra aqui). Eu o ridicularizei duramente aqui, chamando a atenção dos senhores ministros para o fato de que aqueles índios já eram aculturados. Sem a economia capitalista que já havia se instalado lá, a miséria seria certa. Foi inútil. Ayres Britto tinha um modelo de índio na cabeça e o impôs legalmente. Não custa lembrar que os agricultores ocupavam MENOS DE 1% DA RESERVA, mas empregavam farta mão-de-obra indígena.



Hoje, 13% do território nacional é composto de reservas indígenas, onde vivem 750 mil índios. De novo: 13% do território abriga 0,41% da população!!! Fossem eles autônomos, numa economia auto-sustentável, vá lá… Mas não! Dependem da Funai — além de se dedicar ao desmatamento e ao garimpo ilegais. Mas volto à Raposa Serra do Sol. A Fundação Ford, que financiava um grupo de índios que queria a expulsão dos brancos, ganhou.


Os arquivos estão aí. O desastre parecia certo. Eu o anunciei aqui. Mas boa parte dos meus coleguinhas queria os arrozeiros capitalistas fora do éden dos aborígenes, como dizia Ayres Britto. Pois é. Leonardo Coutinho, de VEJA, voltou à região dois anos depois. A impressionante reportagem está na revista desta semana. Reproduzo alguns trechos. Volto depois:
*


Quatro novas favelas brotaram na periferia de Boa Vista, nos últimos dois anos. O surgimento de Monte das Oliveiras, Santa Helena, São Germano e Brigadeiro coincide com a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Nesse território de extensão contínua que abarca 7,5% de Roraima, viviam 340 famílias de brancos e mestiços. Em sua maioria, eram constituídas por arrozeiros, pecuaristas e pequenos comerciantes, que respondiam por 6% da economia do estado. Alguns possuíam títulos de terra emitidos havia mais de 100 anos pelo governo federal, de quem tinham comprado suas propriedades. Empregavam índios e compravam as mercadorias produzidas em suas aldeias, como mandioca, frutas, galinhas e porcos. Em 2009, todos foram expulsos. O governo federal prometeu indenizá-los de maneira justa. No momento de calcular as compensações, alegou que eles haviam ocupado ilegalmente terra indígena. Por isso, encampou as propriedades e pagou apenas o valor das edificações. Os novos sem-terra iniciaram o êxodo em direção à capital. As indenizações foram suficientes apenas para que os ex-fazendeiros se estabelecessem em Boa Vista. VEJA ouviu quarenta deles. Suas reparações variaram de 50.000 a 230.000 reais – isso não daria para comprar nem um bom apartamento de três quartos nas principais cidades do país. Imagine uma outra fazenda.



Poesia de Ayres Britto, com apoio de maioria do Supremo, tornou deserto um campo de arroz. Resultado dos versos: fome, miséria e migração

Resultado dos versos: fome, miséria e migração



Em seguida, foi a vez de os índios migrarem para a capital de Roraima. Os historiadores acreditam que eles estavam em contato com os brancos havia três séculos. Perderam sua fonte de renda, proveniente de empregos e comércio, depois que os fazendeiros foram expulsos. A situação piorou com a ruína das estradas e pontes, até então conservadas pelos agricultores. “Acabou quase tudo. No próximo inverno, ficaremos totalmente isolados”, diz o cacique macuxi Nicodemos Andrade Ramos, de 28 anos. Um milhar de índios se instalou nas novas favelas de Boa Vista. “Está impossível sustentar uma família na reserva. Meus parentes que ficaram lá estão abandonados e passam por necessidades que jamais imaginaríamos”, afirma o também macuxi Avelino Pereira, de 48 anos. Cacique de sete aldeias, ele preferiu trocar uma espaçosa casa de alvenaria na reserva por um barraco de tábuas na favela Santa Helena. O líder indígena diz que foi para Boa Vista para evitar que sua família perdesse o acesso a escolas, ao sistema de saúde e, sobretudo, ao mercado de trabalho.


Com o passar do tempo, a situação dos índios tem piorado. Recentemente, algumas das famílias desaldeadas começaram a erguer barracos no aterro sanitário de Boa Vista. Uma delas é a do macuxi Adalto da Silva, de 31 anos, que chegou à capital há apenas um mês. Ele fala mal português, mas nunca pensou em viver da mesma forma que seus antepassados. Mesmo porque a caça e a pesca são escassas na Raposa Serra do Sol já faz tempo. Até 2009, ele recebia um salário mínimo para trabalhar como peão de gado. Está desempregado desde então. Como os índios não têm dinheiro, tecnologia ou assistência técnica para cultivar as lavouras, os campos onde o peão trabalhava foram abandonados. Silva preferiu construir uma maloca sobre uma montanha de lixo a viver na aldeia. Agora, ganha 10 reais por dia coletando latinhas de alumínio, 40% menos do que recebia para tocar boiada. Ainda assim, considera sua vida no lixão menos miserável do que na reserva. Ele é vizinho do casal uapixana Roberto da Silva, de 79 anos, e Maria Luciano da Silva, de 60, que também cata latas e comida no aterro. “O lixo virou a única forma de subsistência de muita gente que morava na Raposa Serra do Sol”, diz o macuxi Sílvio Silva, presidente da Sociedade de Defesa dos índios Unidos do Norte de Roraima.


Poesia de Ayres Britto transformou o próspero fazendeiro Wilson Bezerra em vendedor de churrasquinho de rua; os índios que ele empregava viraram favelados. Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas


 Brancos e mestiços expulsos da reserva também foram jogados na pobreza. O pecuarista Wilson Alves Bezerra, de 69 anos, tinha uma fazenda de 50 quilômetros quadrados na qual criava 1.300 cabeças de gado. Um avaliador privado estimou em 350.000 reais o valor das edificações da propriedade. A Fundação Nacional do Índio (Funai) deu-lhe 72.000 reais por essas benfeitorias e nada pela terra. Seu rebanho definhou. Restam-lhe cinqüenta reses em um pasto alugado. Falido, ele sobrevive vendendo churrasquinho no centro de Boa Vista.


Lendo a reportagem na revista, você ficará sabendo que parte das famílias de Raposa Serra do Sol foi assentada numa região chamada Serra da Lua, perto dali. Não por muito tempo se depender dos xiitas do Ministério do Meio Ambiente — aqueles humanistas de Marina, vocês sabem. Eles querem desalojar as pessoas de lá para criar mais uma reserva ambiental.


Não tem jeito. A única saída para o homem do campo no Brasil é lutar pelo direito de ser considerado bicho. Aí, quem sabe, ele terá a proteção do Ibama e do Meio Ambiente.


Os novos favelados de Roraima são uma criação das ONGs, da Fundação Ford, da Funai, do Ibama, do Ministério do Meio Ambiente, da esmagadora maioria da imprensa — os mesmos conjurados agora contra o Código Florestal — e, obviamente, do STF. Os versos que poetizam essa miséria são de Ayres Britto. Ele exaltou tanto os índios ideais. O chato é que eles eram reais.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo e Mujahdin Cucaracha-(07-06-2011)


http://r.search.yahoo.com/_ylt=A0LEVoCU.F9Y5WgASgYf7At.;_ylu=X3oDMTByODJtaWUzBHNlYwNzcgRwb3MDMwRjb2xvA2JmMQR2dGlkAw--/RV=2/RE=1482713364/RO=10/RU=http%3a%2f%2fpedrodaveiga.blogspot.com%2f2011%2f06%2fraposa-serra-do-sol-os-miseraveis-que-o.html/RK=0/RS=62WLr3zynvzJBw_gFNMwu.288bs-

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Janeiro de 2017, 08:24:12
BRASIL  ANTI  LIBERAL


Anti Liberalismo em ação, Poder político municipal  IMPONDO  multas de R$22.000  (totalmente desnecessárias e absurdas) sobre um empreendedor: 






Entenda com é difícil empreender no Brasil - Parte 4 "As Multas!"



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 23 de Janeiro de 2017, 18:16:36
Queria ver maiores informações sobre o caso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:19:13
Queria ver maiores informações sobre o caso.


Só se entrar em contato com o autor do vídeo.  Ou se você conhecer gente que trabalha no orgão multador de trânsito do município de São Paulo.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:22:28
A notícia abaixo é antiga, mas é atual,  pois a ideologia estatista é ainda a ideologia que impera no Brasil, e  mostra uma tentativa de agentes estatais obterem mais poder e subjugar cada vez mais  o cidadão.



OAB: penhora de bens sem autorização judicial cria o 'estado fiscal policial'

sexta-feira, 26 de março de 2010 às 10:10

Brasília, 26/03/2010 - Os projetos que ampliam os poderes da Fazenda Nacional na cobrança de dívidas tributárias estão causando polêmica no Congresso Nacional e no meio jurídico. Apesar de defendido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e por parlamentares, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e deputados da oposição alegam que as propostas instituem um "Estado policialesco" e reduzem as chances de defesa de devedores.

Os quatro projetos foram enviados ao Congresso pelo Executivo no fim do ano passado, mas só começaram a tramitar este mês numa comissão especial criada na Câmara dos Deputados para tratar da cobrança de dívida ativa. O ponto mais polêmico trata da possibilidade de a Fazenda Nacional penhorar bens de devedores (que posteriormente podem ir a leilão) sem autorização judicial.


Mas há críticas à criação de um Sistema Nacional de Informações Patrimoniais dos Contribuintes, que seria consultado pelos procuradores na hora de selecionar que bens de devedores poderiam ser penhorados. Outro ponto sensível é a possibilidade de os devedores buscarem a PGFN para fazerem acordos.


O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirma que a penhora de bens sem autorização judicial dá um poder extremo à Fazenda Nacional e deixa os devedores desprotegidos. - Hoje, o devedor é submetido a um processo judicial e não pode ter bens penhorados sem autorização de um juiz. Com as mudanças propostas, está sendo criado um Estado fiscal policial. Isso investe sobre o princípio de presunção da inocência do contribuinte - afirmou o presidente da OAB. (Agência Globo)


http://www.oab.org.br/noticia/19374/oab-penhora-de-bens-sem-autorizacao-judicial-cria-o-estado-fiscal-policial
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 09:31:19


Este tipo de tentativa ilustra bem a  vontade dos agentes estatais de obterem cada vez mais poder,  e assim poderem submeter os indivíduos aos interesses do Estado (e de seus agentes).  E tal  tentativa de agentes estatais serve mostrar o perigo de se deixar que estes agentes  anti liberais  ajam e conquistem cada vez mais poder. 

Este é um exemplo de  uma ação no sentido  do caminho da servidão.  Quanto mais poder for concedido para os agentes estatais, mais estaremos no caminho da servidão.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:06:41

Uma notícia sobre o aprimoramento do Estado Fiscal Policial:


SEGURANÇA

Polícia terá delegacia especial para combate a crimes fiscais no Estado.

Nova unidade deverá entrar em funcionamento no 1º semestre de 2017

A Polícia Civil inaugura no primeiro semestre do ano que vem a Delegacia Especializada de Combate a Crimes de Ordem Fiscal (Delefisco). A unidade funcionará como instrumento repressivo em face das irregularidades encontradas em fiscalizações feitas pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). O foco principal será combater o valor incalculável desviado anualmente dos cofres públicos, o que causa impacto negativo em investimentos e repasses feitos pelo Governo do Estado à população.


De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcelo Vargas, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) estuda instalar a Delefisco no prédio da Sefaz, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no Centro de Campo Grande. A equipe será composta, inicialmente, por um delegado, dois escrivães de polícia e dez investigadores. “O trabalho será conjunto. De um lado, a Sefaz, com o poder de fiscalização. Do outro a polícia, com a repressão”, disse.


(*) A reportagem, de Daniella Arruda, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.


http://www.correiodoestado.com.br/cidades/policia-tera-delegacia-especial-para-combate-a-crimes-fiscais-no/291276/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:07:43
E  o mesmo texto reescrito a partir de uma visão liberal:


SEGURANÇA DO ESTADO E INSEGURANÇA DO INDIVÌDUO

Polícia terá delegacia especial para combater a liberdade dos indivíduos disporem do dinheiro de seu próprio trabalho,  e  assim poderem auxiliar o  Estado a espoliar os indivíduos.

Nova unidade deverá entrar em funcionamento no 1º semestre de 2017


A Polícia Civil inaugura no primeiro semestre do ano que vem a Delegacia Especializada de Combate a Tentativas de Ordem Libertária (DeleCombLiber). A unidade funcionará como instrumento repressivo em face das tentativas dos indivíduos de serem livres, e de livremente disporem dos produtos de seus trabalhos.  O foco principal será combater a liberdade das pessoas de  não entregarem o  produto de seu trabalho para os cofres gerenciados pelos políticos (e por outros agentes estatais), o que causa impacto negativo na quantidade de dinheiro disponível para os políticos e agentes estatais viverem de forma parasitária,  e  também para a distribuição de algumas migalhas oferecidas pelo Governo do Estado à população.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcial Anti Liber, a Secretaria Estadual de Injustiça e Insegurança Pública (Insejusp) estuda instalar a DeleCombLiber no prédio da Sefaz, localizado na Avenida Fernando Fiscal da Cola, no Centro de Campo Lande. A equipe será composta, inicialmente, por um delegado, dois escrivães de polícia e dez investigadores. “O trabalho será conjunto. De um lado, a Sefaz, com o poder de fiscalização dos indivíduos. Do outro a polícia, com a repressão “aos impertinentes indivíduos que querem ser livres”, disse.


(*) A reportagem, de Daniella Liber, está na edição de hoje do jornal Correio da Liberdade.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:42:24
Essa notícia  aqui parece piada   :D  , mas é a triste realidade anti liberal :


Fiscais do Indea e Polícia Ambiental combatem comércio ilegal de mudas em Rondonópolis

Adriana Nascimento – Assessoria Sintap  AGUA BOA NEWS

 
Fiscais do Indea e Polícia Ambiental combatem comércio ilegal de mudas em Rondonópolis

29/09/16 às 16:29

Após denúncia um grupo de fiscais do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), apoiado pela equipe da Polícia Ambiental de Rondonópolis, apreendeu, na manhã desta quinta-feira (29.09), um caminhão com 300 mudas de árvores frutíferas proveniente da cidade de Herculândia/SP. O Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária (Afedaf), Paluã Correa Soares, informou que a apreensão ocorreu porque isso caracteriza comércio ambulante de mudas, o que é atividade expressamente proibida pela Lei Estadual 9415/2010.
 

As mudas eram de laranja, jabuticaba, coco e carambola, entre outras e, conforme prevê a referida lei, foram todas destruídas no lixāo de Rondonópolis. Isso é feito pelo fato de não possuírem comprovação de origem sanitária. Além de Soares a equipe do Indea também era composta pelos Fedafs: Antônio João Moreira Calaça, Mário Arthur Lopes Correia e o Agente Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal (Afedaf), Manoel Douglas Dourado.
 

Deixar que mudas de árvores sem comprovação sanitária sejam comercializadas livremente sem fiscalização traz sério risco ao status sanitário de Mato Grosso, por isso o combate é sempre necessário mas nem sempre com a frequência com que merece. Isso se dá pelo fato de o Indea não ter investimentos necessários em carros e maior número de servidores para atender a todo o Estado.
 

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso (Sintap), Diany Dias, salienta que, ainda com todas as dificuldades encontradas na lida diária tendo a entidade sindical como aguerrida na busca de solucionar junto à autarquia esses problemas, vale destacar que os servidores não deixam de cumprir fielmente seu papel da melhor forma possível estando sempre atentos para garantir a qualidade de vida da população mato-grossense.



http://www.aguaboanews.com.br/noticias/exibir.asp?id=6795&noticia=fiscais_do_indea_e_policia_ambiental_combatem_comercio_ilegal_de_mudas_em_rondonopolis 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 31 de Janeiro de 2017, 10:45:46

No link tem uma foto do caminhão com as mudas assassinas que estavam pondo em risco a qualidade de vida da população mato-grossense.

 :hihi:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Shadow em 31 de Janeiro de 2017, 11:30:55

No link tem uma foto do caminhão com as mudas assassinas que estavam pondo em risco a qualidade de vida da população mato-grossense.

 :hihi:

Vai brincando....   
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Jurubeba em 20 de Março de 2017, 18:06:52
Citar
Conclusão

Uma economia repleta de grandes empresas que dominam vários setores da economia é um arranjo 100% criado pelo governo. Sem todos os direitos especiais, subsídios, protecionismos e privilégios concedidos pelo governo a grandes empresas amigas do regime, pequenas empresas teriam muito mais liberdade e facilidade para surgir e entrar em qualquer mercado.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, alimentício, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.). Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

O livre mercado não apenas não é pró-grandes empresas, como, ao contrário, é a maior — e única — ameaça à proliferação e manutenção de grandes empresas.

Por si só, não há nada de errado com grandes empresas. O problema é que, no arranjo econômico atual, as grandes empresas são produto direto de subsídios, protecionismos e vários outros benefícios criados pelo governo, inclusive impostos e regulamentações (que facilitam o domínio dos grandes ao punir os pequenos).

Empresas grandes e já estabelecidas têm mais capacidade e mais recursos para atender regulações minuciosas e onerosas. Empresas pequenas, que querem entrar naquele mercado mas que ainda não possuem muitos recursos financeiros, não têm essa capacidade.

Empresas grandes podem contratar lobistas (ou podem simplesmente subornar políticos) para elaborar padrões de regulação que elas já atendem ou que podem facilmente atender, mas que são impossíveis de serem atendidos por empresas pequenas e recém-criadas.

Empresas grandes podem subornar fiscais e burocratas. Empresas pequenas não têm essa capacidade financeira.

Regulações fazem com que o estado, por meio de suas licenças, conceda respeitabilidade a empresas escroques e impeça que empreendedores sérios e genuinamente competentes possam servir livremente os consumidores. Regulações impedem a formação de uma genuinamente boa reputação comercial, aquela que só se consegue por meio das preferências voluntariamente demonstrada por consumidores no livre mercado.

Regulações, em suma, são a mais insidiosa maneira de se abolir a livre iniciativa, de garantir uma iniciativa privada ineficiente, de impedir a proliferação de pequenas empresas, e de inundar o mercado com empresas grandes, ineficientes e insensíveis às demandas dos consumidores.

Artigo completo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2652

Saudações
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 20 de Março de 2017, 18:23:39
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 29 de Março de 2017, 18:09:56
Citar
por Rodrigo Constantino

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil? (http://rodrigoconstantino.com/artigos/o-que-mais-atrapalha-o-movimento-liberal-no-brasil/)
29 de março de 2017

A luta dos liberais num país como o Brasil é bastante inglória, já que, como sabia Roberto Campos, a estupidez tem um passado glorioso e um futuro promissor em nosso país. A mentalidade é estatizante, muitos olham para o estado como um deus salvador da Pátria e para o empreendedor como um explorador, vários querem só fazer concurso em busca de estabilidade, empresários ficam de olho em privilégios estatais e a cultura da malandragem em nada ajuda.

A ignorância é brutal, a máquina de doutrinação ideológica é enorme, e a educação é controlada pela extrema-esquerda há décadas. Um povo mais tribal deixa as emoções falarem mais alto também, e se torna refém do populismo e do sensacionalismo com maior facilidade. A ladainha esquerdista seduz uma legião de incautos.

E, como se tudo isso não bastasse, ainda há o “fogo amigo”, ou seja, o dispêndio de energia daqueles que supostamente defendem o liberalismo como conceito, mas na prática só fazem atacar os liberais que efetivamente tentam fazer alguma coisa para mudar o país. Priscila Chammas Dáu, do Livres (PSL), sentiu isso na pele ao ingressar na política, e escreveu um desabafo em sua página de Facebook:

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil não é a esquerda. Ter hater esquerdista já é esperado, e até ajuda a tornar a discussão mais acalorada e empolgante. Destruir argumento esquerdista é relativamente fácil e, na verdade, isso é o que mais tem colaborado para o nosso crescimento. Ainda arrisco dizer que a maioria dos esquerdistas não o são por maldade, mas porque cresceram ouvindo essas asneiras, e ainda não conheceram a palavra de Mises. Prova disso é que é comum ter ex-esquerdista no movimento liberal, mas não conheço um único que era liberal e virou esquerdista.

O que mais atrapalha o movimento liberal é a parte do próprio movimento liberal que parece torcer contra. É aquele cara, metido a intelectual que, ao ver surgir qualquer iniciativa de disseminação, tem como primeira atitude dizer que não vai dar certo, que não vamos conseguir, que “logo ele tropeça” ou – pior – que o movimento não é sério. Não digo pra ser Alice e acreditar em qualquer coisa. Mas criticar por criticar, sem nem se dar ao trabalho de procurar entender mais sobre o alvo, ou sobre os efeitos que ele vem causando, é uma atitude burra.

Ainda tem os famosos ancaps agoristas, muitos dos quais gastam todo o seu tempo livre (e também o tempo que não deveria estar tão livre assim) xingando os outros no Facebook e vendo vídeos de um tal de Kogos (que adora xingar os outros no Youtube). Eles direcionam o seu ódio não aos estatistas, que estão por aí pedindo mais intervenções do governo. O alvo são os que querem diminuir o Estado, em vez de extingui-lo. Putz… o Estado atual é gigante! Será que a gente não poderia reduzir ele primeiro, pra depois discutir se o tamanho ideal é 0 ou é 5? Minha esperança é que esses são, em sua maioria, adolescentes, que logo devem amadurecer e descobrir que bitcoins são ótimos, mas não suficientes para derrotar o Estado.

O fogo amigo é muito pior do que a patrulha ideológica dos inimigos, e o que peço, encarecidamente, é que quem não quer fazer nada para ajudar, pelo menos faça o favor de não atrapalhar. A Revolução Liberal no Brasil é uma realidade, e ela vem acontecendo graças a uns liberais e APESAR de outros liberais (ou libertários).

Não chegaria a tanto, colocando esses “haters da direita”, libertários, ancaps ou reacionários, como “o que mais atrapalha”. O maior obstáculo é mesmo a ignorância geral do povo e a organização da esquerda pérfida, que conta com vastos recursos e a máquina estatal. Mas é inegável que esse “fogo amigo” em nada ajuda. São pessoas que, no fundo, vivem numa Torre de Marfim ideológica, pensam ter descoberto a “pedra filosofal”, e só querem cuspir em tudo e todos em busca da sensação de superioridade moral.

Já comprei briga com muitos desse tipo, e sei como funciona seu modus operandi. São infantis, raivosos, intolerantes, arrogantes. O liberalismo precisa de toda ajuda, até porque está perdendo de goleada ainda, tendo passado mais longe do Brasil do que Plutão da Terra. Por isso creio que há espaço para várias estratégias e perfis diferentes. Gosto da metáfora do time de futebol, que conta com goleiro, zagueiros, laterais, meio-campo e ataque, além do técnico e da torcida. Não gosto de diminuir uns para enaltecer outros: são todos importantes!

Há espaço para os mais teóricos, para os mais libertários e também os mais conservadores, para os mais práticos, para “think tanks” e para partidos, para grupos ativos nas redes sociais, para sites e blogs, enfim, para toda uma gama de participação de acordo com as habilidades de cada um. Só não há espaço mesmo é para derrotistas, para imaturidade e para quem, no fundo, torce contra, para continuar posando de “único defensor da verdadeira liberdade”. Esses precisam amadurecer para entrar para o liberalismo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 29 de Março de 2017, 19:49:20
Concordo com o Constantinolavo. Os libertários ancaps têm se convertido nos progressistas do movimento liberal. Ô povinho chato. Não basta acreditarem em pseudagem.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 29 de Março de 2017, 19:57:37
Seria legal se tivesse de alguma forma uns mais radicais ainda que os "brutalistas" que dissessem que eles não são brutalistas o suficiente, e/ou talvez que brutalismo (talvez no nível deles, poderiam chamar de "brutalismo fraco", ou "maricas") é cripto-comunismo marxista (mas também poderia ser argumentado pelos gradualistas). É sem dúvida uma possibilidade de trolagem muito interessante, se conseguir se passar por alguém real.

"PROPRIEDADE PRIVADA É COMUNISMO" poderia ser o lema.

E o princípio da não-agressão não passa de viadagem politicamente correta esquerdista, que em última instância fundamenta o comunismo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Março de 2017, 09:30:16

A ignorância é brutal, a máquina de doutrinação ideológica é enorme, e a educação é controlada pela extrema-esquerda há décadas. Um povo mais tribal deixa as emoções falarem mais alto também, e se torna refém do populismo e do sensacionalismo com maior facilidade. A ladainha esquerdista seduz uma legião de incautos
E, como se tudo isso não bastasse, ainda há o “fogo amigo”, ou seja, o dispêndio de energia daqueles que supostamente defendem o liberalismo como conceito, mas na prática só fazem atacar os liberais que efetivamente tentam fazer alguma coisa para mudar o país. Priscila Chammas Dáu, do Livres (PSL), sentiu isso na pele ao ingressar na política, e escreveu um desabafo em sua página de Facebook:

O que mais atrapalha o movimento liberal no Brasil não é a esquerda. Ter hater esquerdista já é esperado, e até ajuda a tornar a discussão mais acalorada e empolgante. Destruir argumento esquerdista é relativamente fácil e, na verdade, isso é o que mais tem colaborado para o nosso crescimento. Ainda arrisco dizer que a maioria dos esquerdistas não o são por maldade, mas porque cresceram ouvindo essas asneiras, e ainda não conheceram a palavra de Mises. Prova disso é que é comum ter ex-esquerdista no movimento liberal, mas não conheço um único que era liberal e virou esquerdista.

O que mais atrapalha o movimento liberal é a parte do próprio movimento liberal que parece torcer contra. É aquele cara, metido a intelectual que, ao ver surgir qualquer iniciativa de disseminação, tem como primeira atitude dizer que não vai dar certo, que não vamos conseguir, que “logo ele tropeça” ou – pior – que o movimento não é sério. Não digo pra ser Alice e acreditar em qualquer coisa. Mas criticar por criticar, sem nem se dar ao trabalho de procurar entender mais sobre o alvo, ou sobre os efeitos que ele vem causando, é uma atitude burra.

Ainda tem os famosos ancaps agoristas, muitos dos quais gastam todo o seu tempo livre (e também o tempo que não deveria estar tão livre assim) xingando os outros no Facebook e vendo vídeos de um tal de Kogos (que adora xingar os outros no Youtube). Eles direcionam o seu ódio não aos estatistas, que estão por aí pedindo mais intervenções do governo. O alvo são os que querem diminuir o Estado, em vez de extingui-lo. Putz… o Estado atual é gigante! Será que a gente não poderia reduzir ele primeiro, pra depois discutir se o tamanho ideal é 0 ou é 5? Minha esperança é que esses são, em sua maioria, adolescentes, que logo devem amadurecer e descobrir que bitcoins são ótimos, mas não suficientes para derrotar o Estado.

O fogo amigo é muito pior do que a patrulha ideológica dos inimigos, e o que peço, encarecidamente, é que quem não quer fazer nada para ajudar, pelo menos faça o favor de não atrapalhar. A Revolução Liberal no Brasil é uma realidade, e ela vem acontecendo graças a uns liberais e APESAR de outros liberais (ou libertários).



Eu concordo bastante com a Priscila Chammas Dáu,  os radicais  anarcos acabam fazendo o papel de bons espantalhos para os estatistas baterem nos defensores do liberalismo de uma forma generalizada.


 :ordem2:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Abril de 2017, 13:03:47


Mais uma de estatistas   no Brasil :


Projeto na Câmara dos Deputados quer proibir sites de pornografia no Brasil

07/04/2017 14h36  Por Bruna Aidar  Edição 2177

De autoria de Marcelo Aguiar (DEM-SP), a proposta afirma que jovens estão ficando viciados em pornô e masturbação e obriga operadoras a bloquear este tipo de conteúdo

Tramita em Brasília um projeto de lei do deputado federal Marcelo Aguiar (DEM-SP) que tenta proibir o acesso a sites pornográficos em todo o país. Se a proposta for aprovada, as operadoras que que disponibilizam acesso à internet terão que criar algum sistema que filtrasse automaticamente qualquer conteúdo envolvendo sexo virtual, prostituição e sites pornográficos.

Relacionados

Pesquisa revela hábitos de goianienses em site pornográfico
Para o autor da proposta, a nova lei é necessária para proteger crianças e adolescentes expostos à este tipo de conteúdo. “Pais, educadores e a sociedade em geral, não estão conscientes o bastante dos perigos envolvidos. Estudos atualizados informam um aumento no número de viciados em conteúdo pornô e na masturbação devido ao fácil acesso pela internet e à privacidade que celular e o tablet proporcionam”, explicou ele.

Depois de apresentado, o projeto foi apensado ao Projeto de Lei 5.016/2016, do deputado goiano Célio Silveira (PSDB), que já havia proposto algo parecido. O projeto de Célio determinava o bloqueio prévio do acesso a “sites e aplicativos de relacionamento que contenham conteúdo pornográfico ou que instiguem a violência” e também foi apensado à outra matéria, o PL 2.390/15.

Esta terceira matéria é de autoria do Pastor Franklin (PTdoB-MG) e propõe a criação do chamado Cadasto Nacional de Acesso à Internet para impedir que crianças e adolescentes tenham acesso “a sítios eletrônicos com conteúdo inadequado”. Agora, o projeto já foi distribuído a cinco comissões, onde será discutido pelos parlamentares.


http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/projeto-na-camara-dos-deputados-quer-proibir-sites-de-pornografia-no-brasil-91375/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Abril de 2017, 22:21:16
Vejam a porcentagem dos que negaram a regulamentação absurda do Uber...

(http://rodrigoconstantino.com/assets/png/blog-661.png)

Fonte:

http://rodrigoconstantino.com/artigos/como-votou-cada-partido-no-uber-analise-permite-algumas-conclusoes-interessantes/

Nossa, o executivo federal realmente é comandado por um partido de direita neoliberal. Um partido que tem 55% de deputados federais comunistas que querem avacalhar o Uber e ainda chamam esse PMDB de partido de direita neoliberal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Abril de 2017, 08:08:42
Vejam a porcentagem dos que negaram a regulamentação absurda do Uber...

Fonte:

http://rodrigoconstantino.com/artigos/como-votou-cada-partido-no-uber-analise-permite-algumas-conclusoes-interessantes/

Nossa, o executivo federal realmente é comandado por um partido de direita neoliberal. Um partido que tem 55% de deputados federais comunistas que querem avacalhar o Uber e ainda chamam esse PMDB de partido de direita neoliberal.


O Solidariedade, o PP, o PTB, o PSDB e o PSC  foram bem, o PSD foi razoável, e o DEM  poderia ter sido melhor. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 19 de Julho de 2017, 17:44:00
https://www.youtube.com/v/vncNAfJleLE
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Agosto de 2017, 13:08:10
Ensaio que contém muitas ideias liberais:


Patrimonialismo e Democracia:

Encontros e desencontros. 1


HUMBERTO SCHUBERT COELHO.

 do núcleo de estudos ibéricos e ibero-americanos da ufjf.
graduado em filosofia pela ufjf.

aluno do programa de mestrado em ciência da religião da ufjf.
humbertoschubert@yahoo.com.b


Sinopse: Este ensaio procura traçar linhas gerais de compreensão destas duas grandes tendências políticas atuais, mais em termos teóricos do que históricos, mas tendo sempre em vista o referencial de Patrimonialismo como desenvolvimento do despotismo oriental, elaborado por Karl Wittfogel. Nossa preocupação concentra-se na conceituação mesma dos dois modelos, sobretudo no que tange ao contraste entre seus parâmetros morais, da forma como foram analisados por Max Weber. Por fim pretendemos apontar condições favoráveis a uma transição cultural do Patrimonialismo à Democracia.



1- O Patrimonialismo como organização primária de Estado:


 A compreensão de Patrimonialismo que aqui apresentamos assenta-se sobre a definição de Max Weber, que distinguia três tipos de dominação2 : Racional: baseada na crença da ordem estabelecida. Tradicional: baseada na crença em tradições(costumes religiosos e sociais). Carismática: baseada na crença no valor excepcional de uma personalidade (fascismo,ditadura idólatra)  O Patrimonialismo é uma forma de dominação tradicional, em que se aceita, por costume, que o Estado seja organizado pelo soberano de forma análoga à organização doméstica.3 O primeiro e principal marco histórico para compreender o Patrimonialismo é a tese de Karl Wittfogel, segundo a qual este modelo seria decorrente de organizações estatais primitivas em sociedade hidráulicas.

A partir das análises de Vélez e Paim4 , observa-se que tais sociedades transitaram, através de organização estatal, de uma divisão social do poder para a concentração deste nas mãos dos administradores estatais. Detendo o controle de sistemas em que se baseavam toda a economia das nações, os
primeiros Estados desenvolveram-se segundo o conhecido despotismo oriental, em que os núcleos de poder da sociedade são diluídos ao máximo com a concentração de todos os poderes e funções no Estado.

Wittfogel mostrou que os Estados socialistas do século XX desenvolveram-se a partir deste mesmo princípio, eliminando todas as esferas de poder privado ou social, e centrando toda a atividade produtiva nas mãos do Estado.

Ao contrário do Estado Contratual, fundado sobre um sistema multi-polar, o Estado Patrimonial é fruto de um sistema em que o poder econômico e político é monopolizado, produzindo um direito centrado no soberano e não no cidadão. No caso brasileiro é manifesta a herança portuguesa que, a partir da dominação árabe e da contra-reforma, desenvolveu uma cultura de autoridade permanente e uma mentalidade
de desprezo ao lucro e ao trabalho.

Observado no czarismo russo, na China do século XIX, no stalinismo, em toda a América Latina e principalmente nas culturas islâmicas, para citar somente as  sociedades minimamente organizadas, o Patrimonialismo apresenta-se sempre com as mesmas características principais. Vélez destaca treze5
:
1- Senhores de terra e mandatários reais são mais fortes que a sociedade. Sem poder social a população não tem representação e torna-se marginal na dinâmica político-administrativa.

2- O Estado, embora maior que a sociedade, não possui instância pública de bem estar social. Simon Schwartz define bem a questão: Para outros povos a política é um meio de melhorar os negócios, aqui ela é o grande negócio.

3- Complexo de clã: A solidariedade social só se estende ao grupo parental. Ocorre a privatização do Estado.

4- Supõe-se o Estado como garantidor da riqueza da nação. A tributação nestes países converte-se em confisco. A poupança e o investimento são dificultados.

5- Autoritarismo e terrorismo político se justificam pela tese de que o Estado precisa de poder total para solucionar os problemas.

6- Corporativismo desenvolve-se como forma macro do complexo de clã. Defende-se irracionalmente a classe ou grupo em detrimento do bem geral.

7- A cidadania, ou seja, o direito do indivíduo, não vale nada. Só o pertencimento a um grupo de poder constitui direito. É um refinamento da lei do mais forte.

8- Aparelho jurídico se adapta, tornando-se permissivo para o Estado e rigoroso contra os inimigos do Estado, o povo.

9- Partidos se organizam em função de grupos pessoais de poder.

10- Retórica política desvia da representatividade direta e cidadania para a idealização total da nação no carisma do governante

11- Estabelece-se a ética privada ou de grupo como norma. A essência do Patrimonialismo é a corrupção da noção de Estado como esfera do público.

12- Teologia da pobreza, inclusive teologia da libertação.

13- Tendências modernizadoras esporádicas baseadas no tecnicismo ou burocratização do Estado Patrimonial.


A idéia geral que perpassa todos estes elementos, parece evidente, é a de que não existe direito individual, mas somente o de grupo. A idéia familiar de que a “união faz a força” é levada ao extremo, numa verdadeira fragmentação social em que os inúmeros grupos familiares compreendem a si mesmos como defensores exclusivos de seus membros e, se o direito é de nós para nós, ele deve ser contra os outros.

Quando o próprio Estado é infestado por estes indivíduos, a sociedade torna-se guerra de todos contra todos. Impossível garantir os interesses individuais sem lutar contra os interesses de todos os demais, porque num ambiente onde o direito é privado, não existe juízo racional de valor a definir quem está amparado ou condenado por ele. O que resta é a subjetivação completa do direito, discriminando não mais regras universais, mas particulares.

Numa tal sociedade inexiste estabilidade e segurança. As mudanças no poder estatal mudam as condições dos favorecidos e desfavorecidos, não há parâmetro em que se basear ou fazer previsões. A competência dá lugar ao agrado. A virtude deixa de ser uma excelência unanimemente reconhecida, pois agradar ao chefe é a grande virtude. Isso gera um círculo vicioso de comodismo por parte dos protegidos e desânimo por parte dos excluídos.

Oliveira Vianna nos mostrou que a moralidade social, do consenso, não existe em Estados Patrimoniais como o Brasil. Estabeleceu-se, ao contrário, uma moralidade de grupo e partido, com fidelidade restrita e segmentação de valores ao grupo-clã. É o que acontece entre Estados, devido à noção patriótica primitiva de que a moralidade social só precisa respeitar os limites da nação ou povo, mas o caso torna-se grave por criar núcleos dentro de uma mesma coletividade, impossibilitando a ação universal de um Estado de direito neste território6
.
Kant atacou duramente este pensamento eu seu “Para a paz perpétua”. Para ele o bem geral é o mais conforme a razão, e o bem de um povo ou nação não pode estar acima do bem geral de toda a humanidade. Isso vale tanto para a esfera familiar quanto para a nacional. Ferir os direitos de outro indivíduo em benefício do grupo ou da nação é um ato irracional, e por isso inumano.

[…]


O restante do ensaio (15 páginas em PDF)  vocês podem ver e baixar aqui:


http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/PDED.pdf

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Agosto de 2017, 15:44:01
30.abr.08 - 10h00

Índio quer cassino



Há uma diferença entre norteamericanos e brasileiros. Eles vão direto ao ponto. Nós preferimos caminhos tortuosos. Em 1988, enquanto o Brasil promulgou a sua “Constituição cidadã”, que reconheceu os direitos dos povos indígenas e deu origem à política de demarcações de terras, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o Indian Gaming Regulatory Act. Essa lei impulsionou um dos negócios mais lucrativos do mundo: os cassinos indígenas. Já existem 294 deles operando em 28 Estados americanos, gerando uma receita anual de US$ 26 bilhões, 670 mil empregos e US$ 11,1 bilhões em impostos. São tão poderosos que os cassinos dos filmes de Hollywood chefiados por baixinhos da máfia italiana, do tipo Danny de Vito, já são minoria. Hoje, quem comanda o bacará e a roleta são caciques de tribos como Mohawk, Mohegan e Haak´u.


No Brasil, onde o jogo é atividade ilícita, uma proposta desse tipo seria considerada ultrajante. Mas o que ocorre com os descendentes dos nossos primeiros habitantes? Damos a eles quantidades imensas de terra – mais que um Portugal no caso das reservas de Roraima – e fingimos acreditar que as tribos continuarão vivendo como em 1500, caçando, pescando, tomando ayhuasca e fazendo a dança da chuva. Não é o que acontece. Em Rondônia, os cintas-largas dominam o garimpo de diamantes – e matam a pedradas quem ousa invadir a reserva. Os suruís negociam grandes quantidades de madeira amazônica, e as autoridades fazem vista grossa. No fundo, nossas tribos também têm seus cassinos. Apenas não são contabilizados.


Em vez de ceder terras às tribos, os americanos lhes deram cassinos, que já rendem US$ 26 bilhões


Num livro clássico sobre a colonização brasileira, o historiador Jean-Marc Montaigne conta que os franceses compreenderam rapidamente a natureza dos povos indígenas. Enquanto os portugueses tentavam forçá-los ao trabalho, os comerciantes da Normandia negociavam. Trocavam toras de pau-brasil por espelhos, facões e anzóis. Eles se tornaram tão próximos das tribos que chegaram até a editar dicionários normando-tupi-guaranis e a encenar peças de combate para a monarquia francesa, com índios brasileiros atuando em pleno rio Sena.


Bom, mas e a preservação da cultura indígena? Nos Estados Unidos, tribos que operam cassinos dão contrapartidas. Investem em museus, parques nacionais e financiam a educação dos índios. Muitos deles têm entrado em grandes universidades. Além disso, a renda média das famílias indígenas já é de US$ 33 mil. Aqui, nossos curumins não têm escolha. Estão condenados a caçar capivaras ou a operar, por baixo dos panos, algum esquema ilegal, com a conivência de homens brancos da Funai e do Ibama. Faz sentido. Afinal, o Brasil é o país da hipocrisia.


http://istoe.com.br/3211_INDIO+QUER+CASSINO/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 02 de Agosto de 2017, 18:12:40
30.abr.08 - 10h00
 gerando uma receita anual de US$ 26 bilhões, 670 mil empregos e US$ 11,1 bilhões em impostos.

Então, como eu ia dizendo,

Citar

Economy and social status[edit]

See also: Native Americans and reservation inequality and Reservation poverty
The United States is home to 3.1 million Native Americans. In comparison to the rest of the population, this number is a very small amount (only .9%).[10] American Indians have historically lived in extreme poverty. With the rise of Indian gaming enterprises, the problem of poverty may have been variously addressed in select areas. Yet, while Native Americans have begun to take more control of their tribal economies and have begun to improve situations, poverty on Indian Reservations is still a major issue. The U.S. Census in both 1990 and 2000 indicates that poverty has prevailed on reservations; to this day, Native Americans have the highest poverty and unemployment rates in the United States of America. The poverty rate of Native Americans is 25%.[11]

...

Further breakdown of poverty rates show that Native Americans are consistently the highest among each race. Reservation Indians have a 39% poverty rate; Non-Reservations, 26%; Black, 25%, Hispanic/Latino of all races, 23%, Pacific Islander, 18%, Asian, 13%; and White, 9%.[18]

https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_social_statistics_of_Native_Americans#Economy_and_social_status

https://www.economist.com/news/united-states/21639547-how-cash-casinos-makes-native-americans-poorer-slots-and-sloth

https://www.theatlantic.com/business/archive/2014/08/a-good-way-to-wreck-a-local-economy-build-casinos/375691/

https://www.theguardian.com/uk/2013/jan/04/fixed-odds-betting-terminals-poorest-communities

http://metrocosm.com/state-lotteries-high-cost-low-return-and-absurdly-dishonest/


O último artigo faz a analogia de loteria com um imposto, altamente regressivo, porém, ironicamente, voluntário.

Essa idéia de que legalizando mais o jogo, todo mundo fica rico, é extremamente simplista e ingênua. A casa sempre ganha.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 08 de Agosto de 2017, 10:37:55

Instituto Mercado Popular

FILOSOFIA, HISTÓRIA, POLÍTICA

Henry Maksoud e seu legado como voz que clamou no deserto


Por Valdenor Júnior · Em 18/04/2014

Por Valdenor Júnior

Imagine que, no Brasil da década de 70, em plena ditadura militar, um libertário comprasse uma revista, a Visão, e tornasse sua linha editorial liberal, criticando os excessos do intervencionismo, do estatismo e do desenvolvimentismo do regime militar.

Imagine que, ao comprar a Visão, foi impedido de nela escrever por não ter diploma de jornalismo, pois eram os tempos da famigerada Lei de Imprensa, aprovada em 1967, em pleno regime ditatorial.

Imagine ainda que, a posição editorial dessa revista fosse um incômodo para o regime, de tal forma que o governo federal promoveu um boicote contra a Visão, por meio de seu controle econômico ao meio editorial brasileiro: deixando de investir em publicidade nela e inibindo a participação de empresários que mantinham relações com a esfera federal, para que passassem a não anunciar na revista Visão, temendo represálias.

Imagine que esta represália tenha contribuído para que a revista passasse por significativas dificuldades financeiras, passando por sucessivas crises, até deixar de circular por completo no início da década de 90.

Imagine que, sem desistir, este libertário chegou ao ponto de pagar do próprio bolso um programa de televisão com o intuito de divulgar as ideias da liberdade, logo na década de 90.

Imagine ainda que, por sua paixão pelas ideias hayekianas, ele tivesse trazido Hayek ao Brasil.

Imagine que, quando se discutia uma nova Constituição para o Brasil, esse libertário tivesse feito um anteprojeto próprio de Constituição inspirada nas ideias de Hayek, onde o regime de governo não era a tradicional democracia majoritária, mas sim a demarquia!

Imagine, portanto, que o Brasil, por conta desse libertário, teve a chance de adotar uma constituição que ao menos o aproximasse do liberalismo clássico, tentando limitar (seja isso pretensioso demais ou não) o Leviatã brasileiro.

Imagine que, na época em que o presidente Lula estava no poder e a hegemonia da esquerda estatista no Brasil parecia garantida pelos altos níveis de popularidade de sua presidência, este libertário, em entrevista para a Folha de São Paulo, tenha declarado que o único erro de Lula havia sido… ter comprado apenas um avião, pois era melhor que tivesse comprado logo 15 e colocado o governo para tirar férias coletivas.

Imagine que, na mesma entrevista, ele tenha justificado essa estranha recomendação da seguinte forma: “Aí não teríamos governo. Você está rindo, eu estou falando sério. Sou anarquista. As pessoas pensam que anarquia é bagunça. Anarquia é um sistema de governo. Quer dizer governo mínimo. Você já imaginou o governo viajando o tempo todo e em aviões bacanas por esses lugares todos? Anos atrás, uns amigos me acusavam de eu ficar criticando, escrevendo, falando e nunca apontar uma solução. E aí dei uma solução: férias coletivas para o governo.” Um comentário que lembra Henry David Thoureau: “o melhor governo é o que não governa absolutamente nada”.

Imagine que, ainda nesta entrevista, perguntado se preferia Lula ou FHC, tenha respondido: “se for para considerar o que eu penso do Brasil, este e o outro são umas merdas. Tem muita intervenção, coisas que não deveriam existir e que deveriam ter sido mudadas.”

Imagine ainda que ele tenha aproveitado para desmitificar a ideia de que o liberalismo e o livre mercado são triunfantes no mundo pós-Guerra Fria: “O conceito liberal que eu defendo não é o que se tem hoje. Essa bobagem chamada neoliberal não existe. Pode escrever. Neoliberal é besteira. Não existe essa asneira. O que aconteceu na Inglaterra e na Escócia é algo que poderia ser chamado de liberalismo clássico, mas aconteceu só lá. Foi apenas uma pequena mancha tão forte que as idéias foram para alguns outros lugares. Mas isso não quer dizer que, depois disso, o liberalismo clássico, a economia de mercado, espalhou-se pelo mundo. Não. Se você procurar onde existe a economia de mercado, vai ver só algumas manchas.”

Este libertário realmente existiu. Seu nome: Henry Maksoud.

Foi muito ativo numa época do Brasil em que o liberalismo brasileiro era ainda menor do que  hoje e geralmente restrito ao seu aspecto econômico. Maksoud, em contraste, destacou-se por enfatizar, com notável coerência e independência, o aspecto político, o aspecto radical e transformador, a ousadia de tentar o diferente e de pretender mudanças estruturais radicais no modo como a sociedade se governa.

Da demarquia às férias coletivas do governo, o objetivo era libertação: libertação em relação ao Estado e à política enquanto instrumentos de coerção.

Ontem, ele faleceu. Mas, como a Voz que clamou no deserto, seu legado para o libertarianismo brasileiro não morrerá.



valdenor

Valdenor Júnior é advogado. Desde janeiro de 2013, escreve em seu blog pessoal Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart onde discute alguns de seus principais interesses: naturalismo filosófico, ciência evolucionária com foco nas explicações darwinianas ao comportamento e cognição humanas, economia, filosofia política com foco na compatibilidade entre livre mercado e justiça social. Também escreve para o Center for a Stateless Society e o Liberzone.



http://mercadopopular.org/2014/04/henry-maksoud-e-seu-legado-como-voz-que-clamou-no-deserto/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 10 de Agosto de 2017, 16:47:48
Artigo muito bom sobre um pouco da história de tentativas de trazer o liberalismo para o Brasil:


FRIEDRICH HAYEK E OS LIBERAIS BRASILEIROS NA TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA

FRIEDRICH HAYEK AND THE CLASSICAL LIBERALS IN THE BRAZILIAN DEMOCRATIC
TRANSITION


Gabriel Onofre328


Resumo: A proposta do trabalho é a de reconstituir as visitas do filósofo e economista da Escola
Austríaca, Friedrich Hayek, ao Brasil, suas conferências e entrevistas e a cobertura da imprensa,
analisando suas ideias sobre política, economia e sociedade que servirão de referência para os grupos
(neo) liberais brasileiros durante a transição democrática.


Palavras-chave: Friedrich Hayek – Liberalismo Econômico – Transição Democrática


http://www.revista.ufal.br/criticahistorica/attachments/article/213/FRIEDRICH%20HAYEK%20E%20OS%20LIBERAIS%20BRASILEIROS%20NA%20TRANSI%C3%87%C3%83O%20DEMOCR%C3%81TICA.pdf (http://www.revista.ufal.br/criticahistorica/attachments/article/213/FRIEDRICH%20HAYEK%20E%20OS%20LIBERAIS%20BRASILEIROS%20NA%20TRANSI%C3%87%C3%83O%20DEMOCR%C3%81TICA.pdf)

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 10 de Agosto de 2017, 20:18:19
Estudo muito interessante.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:13:01

Eu já sabia de algumas falsidades  que vários liberais ficam falando, mas a falsidade da Cingapura liberal extrapolou os limites, que coisa mais fake ! 

:hihi:


0 FATOS DE SINGAPURA QUE INVALIDAM O DISCURSO DE QUE ELA É UM “PARAÍSO LIBERAL”

Singapura é sempre citada pelos defensores do liberalismo como um exemplo, mas será que seu modelo de desenvolvimento seguiu mesmo a cartilha do liberalismo econômico?

ECONOMIA
Por Leandro  Em 26 de jan de 2017

 105 44,291
 15 1311
Singapura é uma cidade-estado localizada no sudeste asiático, mais precisamente em uma ilha ao sul da Malásia, sendo conhecida na internet por seu altíssimo índice de liberdade econômica, tanto pela Heritage Foundation quanto pelo Fraser Institute (2º lugar dentre todos os países do mundo em ambos os rankings na data de publicação desse artigo).

Baseados nesses rankings, muitos veem Singapura como a terra da oportunidade, da liberdade econômica, onde o estado não atrapalha os empresários e a população pode desfrutar de liberdade irrestrita.

Parece ótimo, mas os entusiastas da “liberdade econômica” esqueceram de levar em consideração alguns fatos sobre Singapura, que nos levarão a sérios questionamentos quanto a credibilidade do uso desses índices para justificar a adoção de políticas liberais (neoclássicas ou não).

Vale ressaltar que em todo o artigo será utilizada a taxa de câmbio comercial obtida no dia 24/01/2017.


 
1. Singapura tem o carro mais caro do planeta


Ter um carro em Singapura não é para todos, e não apenas pelos altos preços e taxas, mas também devido a restrições impostas pelo Governo local.

Antes de comprar um carro, você precisa primeiro ter um "Certificado de Titularidade" (Certificate Of Entitlement) que custa em torno de R$ 113.808 (S$ 50.991) para carros até 1600 cilindradas (categoria A) e R$ 125.903 (S$ 56.410) para carros acima de 1600cc (categoria B). Esses certificados são limitados e a Autoridade de Transporte Terrestre (órgão estatal) faz 2 sorteios mensais, com uma quota de aproximadamente 2.000 certificados para a categoria A e 1.350 para a categoria B. Para se ter uma ideia do quão limitadas são as licenças, em todo ano de 2015 foram sorteadas 32.862 categoria A e 21.578 categoria B, pouco mais de 54.000 licenças para uma população de mais de 5.6 Milhões de pessoas. [1] [2] [3]

Após obter o seu certificado você finalmente pode comprar um carro, bastando agora apenas pagar as taxas e impostos de registro e circulação [4]:

Taxa de Registro: S$ 140 (Dólares de Singapura), aproximadamente R$ 312.
Taxa de Registro Adicional: Para os primeiros S$ 20.000,00 a taxa é de 100% o valor de mercado do carro, para os próximos S$ 30.000,00 são 140% e acima dos S$ 50.000,00 mais 180%. Para adquirir um carro com valor de mercado de S$ 75.000,00 você pagaria 100% x S$20,000 + 140% x S$30,000 + 180% x S$25,000 = S$20,000 + S$42,000 + S$45,000 = S$107,000 ou aproximadamente R$ 238.817 de taxa adicional de registro.
Imposto de consumo: 20% do valor de mercado do carro
Imposto de Bens e Serviços (GST): 7% do valor de mercado
Imposto de circulação (válido por 6 meses): [S$475 + S$0.75(CC - 1,600)] x 0.782 para carros entre 1600 e 3000 cilindradas
Exemplo de cálculo: Captiva 2.4
2. O Estado controla o mercado imobiliário e as terras
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 ANT  PRÓX  1 de 24


Como vice-campeã de liberdade econômica você deve imaginar que Singapura tem um mercado imobiliário livre e competitivo, dominado pela iniciativa privada e com pouca interferência estatal, mas pode-se dizer que é exatamente o contrário.

A habitação pública sempre foi uma importante política de Estado desde sua independência na década de 60 quando tinha algumas das mais precárias favelas do mundo.

Fundada em 1960, a Housing and Development Board (Agência para Habitação e Desenvolvimento) é hoje responsável por mais de 80% das habitações do país.

Antes de ser criada, na décaca de 60, a agência antecessora - o Singapore Improvement Trust - tinha construído 20.907 unidades de unidades de habitação pública no período de 12 anos entre 1947 e 1959, o que era insuficiente para abrigar a população de cerca de 1,6 milhão de habitantes da época.

Com apenas 3 anos após a formação da HDB, foram construídos 31.317 apartamentos e a crise imobiliária já havia sido amenizada com sucesso. Os apartamentos eram básicos, contando com água canalizada e saneamento básico, mas forneciam habitação decente e abrigo para a população em geral.

Em 1964, o governo introduziu o Home Ownership for the People Scheme para dar aos cidadãos um ativo tangível no país e uma participação na construção da nação. Este empurrão para a posse de uma casa também melhorou a estabilidade econômica, social e política em geral do país.

Em 1968, para ajudar mais habitantes a "comprarem" (o termo comprar nesse caso necessita de explicações adicionais) sua casa, o governo permitiu o uso da poupança do Fundo Central de Previdência (CPF) para entrada e parcelas mensais do empréstimo hipotecário. Isto, juntamente com outros programas de subsídios introduzidos ao longo dos anos, tornou a casa própria mais acessível e atraente. [7]

Conjuntos habitacionais públicos e modernos substituíram as favelas e a ruralidade periférica com uma oferta abrangente de infraestrutura e serviços. Inicialmente, a habitação pública foi introduzida para combater a escassez severa de habitação como uma resposta política ao "direito universal à habitação", e em apoio à industrialização liderada pelas exportações. Tem servido assim como um mecanismo chave de "construção nacional", e como um atrativo internacional de capital que tem gerado altas taxas de crescimento econômico.

A forma mais comum de "venda" de terras e habitação é o arrendamento ou concessão, onde na verdade você tem a "posse" por 99 anos, ou seja, em última instância a posse ainda é do Estado. [8]

É visível que Singapura conta, desde sua independência, com um dos maiores programas de habitação pública do mundo, fazendo o Minha Casa Minha Vida e o BNH brasileiros parecerem algo inexpressivo.

3. O governo de Singapura possui dois dos maiores fundos soberanos do mundo e está presente nas principais empresas do país


O Estado de Singapura possui dois fundos soberanos do planeta, mais precisamente o 8º e o 12º maiores do mundo: Government of Singapura Investment Corporation (também conhecido como GIC Private Limited, fundado em 1981) e Temasek Holdings (fundado em 1974).

Somados, esses fundos estão avaliados, na data de elaboração desse artigo, em 543 bilhões de dólares americanos, o equivalente a 1,722 trilhões de reais. Para fins de comparação: nessa mesma data a dívida total do governo de Singapura estava próxima de 300 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 55% do valor de mercado dos fundos soberanos), o PIB estava próximo de 277 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 50% do valor dos fundos soberanos) e todas as ações negociadas na Singapore Exchange avaliadas próximo de 640 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 118% do valor dos fundos soberanos). [9] [10] [11] [12] [13]

O Temasek Holdings foi criado através do Singapore Companies Act, para administrar os investimentos e ativos que já eram propriedade do governo de Singapura, feitos na primeira década de construção da nação a partir de 1965. Dentre esses ativos, já constavam desde o início o Development Bank of Singapore Ltd (atual DBS Group), Jurong Holdings, Jurong Shipbuilders, Jurong Shipyard (parte da Sembcorb Industries ltd todas as três) e Singapore Airlines, empresas que ainda hoje estão entre as maiores de Singapura. [13] [14]

No caso do GIC Private Limited, o fundo foi criado para administrar as reservas internacionais do país. Desde sua independência da Malásia, o país não desejava lastrear sua moeda somente em confiança e o GIC foi um importante passo para que o governo construísse um grande patrimônio em ativos localizados no exterior, que permitiriam um grande controle sobre a moeda local que permanece nos dias de hoje. [15]

Dentre as 10 maiores empresas de Singapura em valor de mercado nos dias atuais (que podem ser conferidas na lista da Forbes) 6 estão na carteira da Temasek (SingTel, DBS Group, CapitaLand, Singapore Airlines, ST Engineering e Keppel Corp), que também é a controladora das companhias (sozinha ou em conjunto com outros acionistas). O GIC, por outro lado, está presente em 2 (Oversea-Chinese Banking e United Overseas Banking), porém, como acionista minoritário (sem participar diretamente do controle). [16] [17] [18] [19]

4. O Estado controla a maior parte dos serviços essenciais, dando pouco espaço para a iniciativa privada


A presença massiva do Estado nas necessidades básicas da cidade em questão não se resume apenas ao setor habitacional e de terras, mas se expande por todos os serviços essenciais presentes na ilha.

O setor de telecomunicações, por exemplo, foi um monopólio da SingTel até o ano de 2000, cujo fim foi anunciado em 1997. Apesar da quebra de monopólio estatal, permaneceram restrições sobre o controle estrangeiro (como um limite mínimo de 51% de propriedade local nos novos participantes do setor) e, apesar da aparente diversificação, os dois competidores da Singtel (que permanece a maior empresa de telecomunicações do país) com presença relevante possuem o Estado como um dos principais acionistas. [20] [21]

A segunda maior empresa de telecomunicações é a Mobile One, que possui como segundo maior acionista a Keppel Telecom, que é uma subsidiária integral da Keppel Corp, a qual, por sua vez, é controlada pela Temasek. Além disso, o terceiro maior acionista (SPH Multimedia Private Ltd) possui entre seus controladores a própria SingTel. Ambas as empresas citadas estão entre os controladores da companhia. [22] [23] [24] [25]

No caso da terceira empresa de telecom singapuriana, a Starhub, o controle é exercido pela Asia Mobile Holdings. Esta é subsidiária da Singapore Technologies Telemedia, que também é uma empresa controlada pela Temasek. [26] [24] [27]

Desta forma, o governo mantém, via Temasek, sua influência em praticamente todo o setor de telecomunicações do país.

O setor de energia de Singapura é controlado por uma empresa 100% estatal chamada Singapore Power (seu único acionista é a Temasek). Ela é a única fornecedora, operadora e transportadora de gás natural do país (via PowerGas), única transmissora de energia elétrica (via SP PowerAssets), única distribuidora de energia e operadora do sistema (via SP PowerGrid), deixando para a iniciativa privada espaço apenas na área de geração de energia elétrica. [28] [29]

Contudo, mesmo na área de geração de energia elétrica, a presença do Estado é relevante (apesar de ter diminuído significativamente nos últimos anos). Por meio da SembCorb e Keppel Corp, o Estado de Singapura controlava no final de 2015 (últimos dados disponíveis na data de elaboração do artigo) 22,8% da geração de energia.

Essa pequena participação do Estado na geração se trata de um evento recente. A Tuas Power Generation e a Senoko Energy (que possuem somadas 41,1% do market share) foram vendidas pela Temasek em 2008, enquanto a PowerSeraya (17,9% do market share) foi vendida pela mesma em 2009. [30] [31] [32] [33]

No setor de transportes terrestres, os preços proibitivos e as dificuldades em se obter licença para uso de carros fazem com que o transporte público seja o principal meio de locomoção do país. Nesse setor, o LTA (Land Transport Authority, órgão governamental) é proprietária de todos os ativos (ônibus, rodovias, linhas de trem e trens), deixando para a iniciativa privada somente a possibilidade de operá-los. [34] [35] [36]

Apesar da possibilidade de transportes terrestres serem operados pela iniciativa privada, o Estado mantém amplo controle do setor. Existem apenas 2 operadores de trens, que são a SMRT TRAINS e a SBS Transit. A primeira se trata de uma empresa controlada pela Temasek, enquanto a segunda é controlada pela ComfortDelGro Corporation Limited, que por sua vez tem entre seus controladores a Singapore Labour Foundation (órgão sindical ligado ao governo). Dentre os operadores de ônibus, existem 4, com as 2 empresas operadoras de trem (SMRT e SBS) sendo as maiores do setor e as outras 2 (Tower Transit Singapore e Go-Ahead Singapore) sem ligação com o Estado. [37] [38] [39] [40]

5. Os serviços públicos de Singapura são majoritariamente estatais, universais e pagos de acordo com a renda de cada cidadão

O mundialmente aclamado sistema educacional de Singapura, que frequentemente aparece nas primeiras posições em exames como o PISA, também é praticamente todo controlado pelo Estado (atendendo mais de 70% dos estudantes nos níveis primário e secundário), sendo que 100% das escolas (mesmo privadas) recebem dinheiro do Estado e são obrigadas a seguir o mesmo currículo. [41] [42]

A possibilidade de colocar seus filhos no jardim de infância está disponível para toda a população de Singapura, com o custo variando de acordo com a capacidade de pagamento das famílias. O valor mensal varia entre S$ 1,50 (aproximadamente R$ 3,35) para a população mais carente e S$ 150 (aproximadamente R$ 334) para a população mais abastada. [43] [44]

Os ensinos primário e secundário em Singapura são praticamente gratuitos. Se aplicam taxas mensais na faixa de S$ 6,50 (aproximadamente R$ 14,47) para o ensino primário e S$ 15 (aproximadamente R$ 33,40) para o ensino secundário, que são isentas para os alunos carentes (elegíveis aos programas de subsídio). [45] [46] [47]

No nível superior de ensino, a situação não é muito diferente: Essa pequena cidade-estado possui 6 universidades públicas (National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore Management University, Singapore University of Technology and Design, Singapore Institute of Technology e SIM University), que dominam amplamente o ensino superior local. Os alunos pagam de acordo com sua renda, podendo ser integralmente isentos no caso de alunos carentes. [48]

O sistema de saúde de Singapura é público e universal, amplamente dominado pelos hospitais do Estado, principalmente após a crise asiática de 1997, sendo também construído de tal forma que as pessoas pagam de acordo com suas capacidades financeiras, chegando à gratuidade para as populações carentes. [49] [50]


 
6. Singapura possui um fundo de previdência obrigatório e diversos direitos trabalhistas

Diferente do que é defendido pelos (neo)liberais, os direitos trabalhistas em Singapura existem:

- A carga horária é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço.

- Deve haver um dia de descanso remunerado mínimo por semana.

- Existem 11 feriados nacionais pagos que, caso haja trabalho, deverão ser compensados pelo empregador.

- Os trabalhadores tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 dias em caso de hospitalização dependendo do tempo de vínculo empregatício.

- Também possuem direito a férias remuneradas, que variam entre 7 e 14 dias úteis dependendo de seu tempo de casa.

- Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública, chamada CPF.

- Contam com o direito a faltar 6 dias no ano para cuidar de suas crianças, porém não remunerados. Caso a criança tenha menos de 2 anos, goza-se de outros 6 dias adicionais remunerados.

- As mulheres tem direito a até 16 semanas de licença-maternidade e 2 semanas de licença paternidade.

Entre outros direitos trabalhistas. [51] [52] [53] [54] [55] [56]

7. Os impostos de Singapura são baixos, porém progressivos


Singapura é um país conhecido por cobrar impostos relativamente baixos e isso não se trata de um mito: Efetivamente os impostos cobrados em relação ao PIB estão abaixo da média da OCDE. Em 2016, o governo calculou a carga tributária em 16,7% do PIB, sendo que a média da OCDE de 2015 foi 34,3% do PIB e o Brasil esteve próximo dessa média. [57] [58] [59]

Obviamente, isso tem impacto nas políticas de bem-estar social da ilha e, apesar do Estado oferecer muito para a população em comparação a países subdesenvolvidos (como pode ser visto nos itens anteriores), são benefícios menores do que os oferecidos pelo governo da Noruega, por exemplo. [60]

Apesar disso, pode-se dizer que a cidade-estado passa longe de seguir o ideário liberal nesse quesito. Conforme o próprio governo, 3 objetivos são levados em consideração para definir os gastos: Promover o crescimento econômico com baixa inflação, manter o orçamento equilibrado e focar os investimentos governamentais em prover serviços públicos essenciais (educação, saúde, infraestrutura, habitação e programas de proteção ao meio ambiente), ou seja, tudo aquilo que foi listado nos itens 2, 3, 4 e 5 desse artigo, acrescido de programas de proteção ao meio ambiente. [61]

Outros sinais que mostram afastamento do método liberal de cobrar impostos estão na origem da receita. O item que mais contribui para a arrecadação são as taxas sobre lucro das empresas, seguido pelos impostos sobre consumo, renda de pessoas físicas, veículos (que são um tipo de propriedade) e propriedades. Pode-se dizer que mais da metade da receita de impostos provém de renda e propriedade, que são os mais difíceis de ser repassados para os consumidores e cujos cortes são mais defendidos pelos novos liberais (os liberais clássicos possuem uma visão mais crítica em relação à propriedade). [62]

É notório e bem sabido que os impostos sobre consumo pesam mais sobre os pobres, pela facilidade de se repassar no preço dos produtos vendidos e também por eles gastarem praticamente todo o salário, o que torna a tributação brasileira regressiva (no Brasil a maior parte dos impostos é sobre o consumo), de forma inversa à tributação singapuriana. [63] [64]

Também surpreende os brasileiros que, diferente do nosso país, Singapura não isenta o lucro dos ganhos de capital de investimentos estrangeiros em bolsa nem a distribuição de dividendos por empresas de capital aberto. [65] [66]

8. Os Singapurianos tem sua liberdade individual extremamente restrita pelo governo


A ilha tem diversas leis que restringem a liberdade individual, ao ponto de o país ser alvo sistemático de listas de “leis inacreditáveis”, justamente pelo fato do governo tentar controlar detalhes ínfimos da vida de seus habitantes por meio de leis específicas.

Entre essas leis (todas com punição prevista no código penal local), podemos citar as proibições de vender e mascar chicletes, incomodar alguém com instrumentos musicais em local público, soltar pipa ou jogar qualquer jogo que atrapalhe o trânsito, cantar músicas com letras obscenas em público, cuspir, distribuir material obsceno (inclui fotos, DVDs e revistas com pornografia), conectar no wi-fi de outra pessoa, esquecer de dar descarga no vaso, andar nu dentro de casa (em público também é ilegal, mas isso já é comum em outros países), alimentar pombos, usar drogas antes de entrar no país (se fizerem teste antidrogas logo na sua entrada você pode ser preso mesmo não tendo feito nada em terras singapurianas), ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo, atravessar a rua fora da faixa, beber álcool em locais públicos entre 22:30 e 7:00... [67] [68] [69]

9. Existem acusações bem fundamentadas de que Singapura possui um regime de partido único e não uma democracia


Apesar de existirem diversos partidos registrados em Singapura, sua política é totalmente controlada pelo People’s Action Party (PAP), que possui o primeiro-ministro desde que a cidade deixou de ser um protetorado britânico em 1959. Isso inclui o período em que o país esteve unido com a Malásia e todo o período pós-independência até a data de elaboração do artigo (1965-2017).

Analistas e partidários da oposição acusam frequentemente o país de funcionar com um regime de partido único disfarçado, acusação similar à que ocorre com o governo da Coréia do Norte (que também possui diversos partidos, mas inexiste alternância de poder), o que parece ser corroborado pela realidade (é no mínimo estranho um único partido permanecer no poder por quase 60 anos ininterruptos).

Lee Kwan Yew foi o governante do país e o comandou com mão-de-ferro de 1959 até 1990, sendo substituído por seus correligionários Goh Chok Tong até 2004 e desde então pelo atual primeiro-ministro Lee Hsien Loong (que é inclusive um dos filhos do ex-primeiro ministro Lee Kwan Yew).

O PAP foi um partido leninista em sua origem, porém é extremamente árduo de ser definido ideologicamente com precisão. Apesar do partido ter se declarado socialista democrático historicamente, esse artigo não tem nenhuma pretensão de posicioná-lo no espectro ideológico. O que não muda o fato de um importante ministro do PAP ter declarado em homenagem a Lee Kwan Yew na ocasião de sua morte que “Este país não deve jamais esquecer seu coração socialista, que sempre fará mais por aqueles que tem menos”. [70] [71] [72] [73] [74] [75] [76] [77]

10. Há sérias dúvidas quanto à existência de liberdade de imprensa no país


As acusações de violações à liberdade de imprensa nessa cidade-estado são diversas. No ranking do índice mundial de liberdade de imprensa feito no ano de 2016 pela organização independente Repórteres sem Fronteiras, Singapura aparece na posição 154 (de 180 países avaliados), atrás de nações acusadas sistematicamente no ocidente por violações à liberdade de imprensa como Coréia do Norte (152ª posição), Rússia (148ª posição) e Venezuela (139ª posição). [78]

Ao descrever a situação da imprensa no país, o Repórteres sem Fronteiras cita a possibilidade do Media Development Authority (MDA) censurar conteúdo jornalístico, incluindo conteúdo online, respaldado pelo Media Development Authority Act, Films Act e Broadcasting Act. No ano de 2015, o governo chegou ao ponto de ordenar o fechamento do site de notícias The Real Singapore (TRS) por conteúdo “excessivamente crítico” e acusar 2 de seus participantes pelo crime de sedição (insubordinação contra o Estado), razão pela qual foram condenados à prisão. [79] [80]

Considerações Finais


Nessa altura, já deve estar claro que:

- A liberdade individual é coibida com uma legislação extremamente rígida, bem diferente dos países ocidentais.

- O Estado de Singapura é muito grande e interfere nos negócios não apenas através de regulação, mas sendo controlador de uma grande quantidade de empresas (incluindo 6 das 10 maiores do país) em áreas estratégicas.

- O governo de Cingapura não é exatamente um modelo de austeridade, possuindo uma dívida maior do que o PIB ao mesmo tempo que oferece amplos serviços para a população.

- Os serviços públicos, assim como os essenciais, são controlados pelo Estado e muito mais bem estruturados que nos países subdesenvolvidos (como o Brasil).

- O mercado imobiliário e de terras é um dos mais concentrados na mão do Estado em todo o planeta.

- O regime tributário é progressivo (não há espaço para a ideia de que se deve taxar menos os ricos do que os pobres, por eles serem geradores de riqueza).

- Singapura não foi construída com base liberal e permanece muito distante de ser modelo de (neo)liberalismo.

- Há evidências de que existe um sistema de partido único disfarçado em Singapura, tendo o único partido de facto (PAP) origem leninista, associado com acusações de perseguição à imprensa.

Duas perguntas ficam em aberto, por não ser parte do escopo do artigo responde-las:

- Dado que Singapura mostra de forma inequívoca que os índices de liberdade econômica visivelmente não medem Estado mínimo nem adoção de medidas (neo)liberais, o que eles medem?

- Por que militantes de direita utilizam esses índices como justificativa de adoção de suas políticas, sendo que nem os primeiros colocados as adotam?

Por fim, é necessário  lembrar que Singapura sequer é um país, mas sim uma cidade-Estado, localizada em uma região estratégica do globo, com uma população em torno de 5 milhões de habitantes. Singapura, como Hong Kong e Taiwan, é uma zona portuária importante do sudeste asiático desde o século XIX, por conta de suas características territoriais que a torna um interposto comercial e por meio das políticas desenvolvimentistas do seu Estado, que a transformaram em uma plataforma de exportação.

Por essas razões, a realidade de Singapura não tem como ser reproduzida nos demais países, ainda mais naqueles que possuem uma grande população, como é o caso do Brasil, que necessita de uma economia diversificada e não tem como sustentar uma população de quase 200 milhões de habitantes apenas com a atividade portuária-financeira.

Singapura não é liberal e tampouco usou do liberalismo econômico em nenhuma de suas etapas de desenvolvimento. Pelo contrário, o Estado cumpriu sempre o papel de organizador da economia e isso se mantem até hoje. Mesmo se tivesse se desenvolvido com liberalismo econômico, porém, o seu exemplo de nada serviria para os demais países por sua realidade bem particular, impossível de ser replicada em países com grande população ou com um território maior, não insular e fora de uma localização privilegiada semelhante, ou seja, Singapura sequer serviria de exemplo se tivesse de fato seguido a agenda dos liberais.

Referências



https://voyager1.net/economia/10-fatos-sobre-singapura-que-invalidam-os-indices-de-liberdade-economica/



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:14:24
Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Agosto de 2017, 16:15:43


Este link foi uma ótima indicação do Daniel Ex Vermelho.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 23 de Agosto de 2017, 18:58:44
Me mostre: onde nos rankings de liberdade econômica eles dizem estar medindo Estado mínimo?


Há sérios riscos desse texto ser um baita espantalho.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Agosto de 2017, 07:42:19
Me mostre: onde nos rankings de liberdade econômica eles dizem estar medindo Estado mínimo?

Há sérios riscos desse texto ser um baita espantalho.


A questão notável aqui é a imagem e a propaganda da ideia  ideia de liberdade econômica que o índice tenta passar, e comparando a realidade de Singapura com a propaganda fica parecendo haver uma grande distância. 

Em certos pontos, que considero importantes, o Brasil tem mais liberdade econômica, e o Estado brasileiro interfere menos. 

E é interessante notar que precisou de um esquerdista para mostrar a realidade de Singapura, que vários  propagandistas brasileiros do índice do Heritage não tiveram a coragem de mostrar.

Isto é praticar a ocultação de informação relevante, esquerdistas/socialistas certamente fazem isso, mas pelo visto direitistas/capitalistas também fazem.

Propagandistas liberais e/ou libertários podem ser tão falsificadores e manipuladores de informações quanto socialistas, eles não são uma categoria livre de enganadores/falsificadores.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 24 de Agosto de 2017, 12:52:28
Você deu a entender que o ranking de liberdade econômica seria apenas para medir estado mínimo.

Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?



Mas sim, alta liberdade econômica não necessita de um Estado mínimo, ao menos não do conceito anglo-americano de estado mínimo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gaúcho em 24 de Agosto de 2017, 13:20:58
Singapura tem um dos menores impostos do mundo e não tem imposto sobre lucro e heranças. É isso que mais pesa pra colocação dele no ranking de liberdade econômica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:11:00
A FARSA DOS ÍNDICES DE LIBERDADE ECONÔMICA: SUA REAL FUNÇÃO É IDEOLÓGICA

Diante de uma análise criteriosa, os rankings de "liberdade econômica", comumente utilizada pela direita (neo)liberal, demonstram diversas incoerências que comprometem sua credibilidade.

ECONOMIA

Por Leandro  Em 15 de mar de 2017


Muito provavelmente você já ouviu falar sobre os índices de liberdade econômica, que são corriqueiramente utilizados para relacionar o nível de desenvolvimento de um país à sua “liberdade econômica”. Mas será que é possível fazer esse tipo de associação? O que esses índices medem? Que conclusão podemos tirar a partir deles?


Com este artigo, utilizando como base o índice de liberdade econômica do think tank Heritage Foundation (Index of Economic Freedom 2016 – último com metodologia disponível na data de início da elaboração desse texto), iremos entender melhor como os índices são calculados e verificar se as vertentes específicas do liberalismo econômico que os utilizam como argumento para a aplicação de suas políticas estão interpretando corretamente seus dados e os utilizando de forma adequada.


Nesse texto, denominaremos essas vertentes específicas do liberalismo de neoliberais, mesmo sabendo que passaram a rejeitar o termo [1], para diferenciá-los dos liberais clássicos e outras escolas econômicas derivadas do liberalismo clássico que não compartilham das mesmas ideias.


Anteriormente, a Voyager mostrou que a melhora nesse tipo de índice não tem correlação com desenvolvimento ou crescimento econômico [2], assim como demonstrou que nas primeiras posições se encontram países que não seguiram a ideologia (neo)liberal [3a]. No final deste artigo, ficará mais claro o porquê dessas inconsistências nesse tipo de ranking.

 
1. Os critérios considerados no índice e seus respectivos pesos


Margareth Thatcher, ex primeira-ministra britânica, com Ed Feulner, presidente da Heritage Fountation, em 2003. Foto: Heritage Foundation.


O Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) calculado pela Heritage Foundation é baseado em 10 critérios, os quais recebem uma nota de 0 a 100. Com o resultado de cada critério, é feita uma média aritmética, ou seja, são somadas as notas de todos os itens e o valor da soma é dividido por 10 (número de itens somados). A seguir, está a lista dos 10 critérios com breve descrição de como é efetuado o cálculo [4a]:


1 – Direito de propriedade (Property Rights)


Direito de propriedade é medido pelo nível de proteção legal que a propriedade privada possui. Uma nota 100 é definida como “A propriedade privada é garantida pelo governo, o poder judiciário garante o cumprimento dos contratos de forma rápida e eficiente, a justiça pune aqueles que confiscam propriedade privada ilegalmente, não há corrupção ou expropriação”.



2 – Ausência de corrupção (Freedom from Corruption)


Este item utiliza o ranking da transparência internacional de percepção da corrupção (corruption perception index), cujo objetivo é medir a percepção de corrupção fazendo uma média do resultado de 13 fontes diferentes, considerando apenas países que aparecem em, no mínimo 3 delas. Cada uma dessas fontes faz perguntas diferentes para os entrevistados e capta essa percepção de corrupção em grupos diferentes, havendo uma ponderação para que as fontes possuam o mesmo peso, sendo admitido pela própria transparência internacional a dificuldade de efetivamente medir a corrupção. [5] [6]


3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)


Medida fazendo a média aritimética de 3 Valores. Esses valores são obtidos subtraindo de 100 o valor em porcentagem (convertido em um número de 0 a 100) elevado ao quadrado da carga tributária, maior taxa incidente sobre renda pessoa física e maior taxa incidente sobre renda de pessoa jurídica, cada um deles multiplicado por 0,03 antes da subtração.


4 – Gasto Governamental (Government Spending)


Calculado subtraindo de 100 o valor percentual de gasto em relação ao PIB elevado ao quadrado multiplicado por um fator 0,03. Desta forma, um país com gasto público igual a zero tem um resultado igual a 100, enquanto um país com gasto público igual a 58% do PIB (ou maior) tem resultado igual a zero. É considerado o gasto das esferas federal, estadual e municipal (quando os dados estão presentes. Para alguns países é considerado apenas o governo federal).


5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)


O nome daria a entender algo relacionado à liberdade dos empresários de atuar nas áreas de seu interesse, mas não é disto que se trata. A liberdade empresarial neste item é medida considerando 13 subitens, com os quais é feita uma média ponderada: 4 itens relacionados ao início de um negócio (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capta, capital mínimo em porcentagem da renda per capita), 3 à obtenção de licenças (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capita), 3 ao encerramento de um negócio (tempo em anos, custo em porcentagem do valor da propriedade, taxa de recuperação em centavos/dólar) e 3 à obtenção de eletricidade (número de procedimentos, tempo em dias e custo em porcentagem da renda per capita). Cada item é ponderado para que todos impactem igualmente na nota final.


6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)


É medida fazendo uma média ponderada de 7 itens (a ponderação é feita para que todos os itens representem a mesma fração do resultado final): Razão entre salário mínimo e valor médio agregado por trabalhador, entraves para contratações de novos trabalhadores, rigidez de horário, dificuldade de demitir trabalhadores redundantes, período legal de aviso prévio, pagamento obrigatório por demissão e taxa de ocupação da força de trabalho. Essa média ponderada é convertida em uma escala de 0 a 100.


7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)


No caso não diz respeito à liberdade do câmbio, o que seria indiscutivelmente uma pauta defendido por neoliberais, mas sim à inflação. Basicamente se reduz do valor de 100 uma média ponderada dos últimos 3 anos (sendo mais exato, se faz uma raiz quadrada dessa média ponderada), acrescido de uma penalização de 0 a 20 devido à existência de controle estatal de preços.


8 – Liberdade Comercial (Trade Freedom)


É calculada a partir do valor da tarifa média de importação/exportação normalizada a partir das tarifas médias de todos os países em questão. Acrescido a isso, é definida uma penalização de 0 a 20 para barreiras não-tarifárias.


9 – Liberdade de Investimento (Investment Freedom)


Partindo de um valor de 100, há penalizações de até 25 pontos para diferença de tratamento entre investimentos nacionais e estrangeiros, até 20 pontos para falta de transparência e burocracia para investimentos estrangeiros, 15 pontos para restrição de compra de terrenos, 20 pontos para restrição de investimentos internacionais em determinados setores, 25 pontos para expropriação de investimentos sem compensação justa, 20 pontos para restrições no comércio de moedas estrangeiras e 25 pontos para o controle de remessas de lucros para o exterior.


10 – Liberdade Financeira (Financial Freedom)


O item “liberdade financeira” objetiva medir a presença do Estado no setor bancário. A nota 100 é atribuída quando não existem bancos estatais, o governo não interfere na alocação de crédito por parte dos bancos, não há restrição para a oferta de serviços bancários por estrangeiros, o governo não possui ações dos bancos privados existentes e não há restrição para o estabelecimento de novos bancos.


Maiores detalhes podem ser encontrados no documento da própria Heritage Foundation. [4b]



2. Critérios que não estão relacionados com adoção de liberalismo econômico


O ex-presidente dos EUA Ronald Reagan com o casal Ed e Linda Feulner. Foto: Heritage Foundation.


Antes de se atribuir uma nota elevada em algum item ao liberalismo econômico, é prudente questionar se um país necessariamente precisa adotar políticas (neo)liberais para consegui-lo e quem se oporia a tais itens. Como vivemos em um sistema capitalista e poucos são os partidos que efetivamente defendem a abolição do Estado (como os ultraliberais – também chamados proprietaristas ou “anarcocapitalistas” – anarquistas ou comunistas) ou a estatização dos meios de produção (marxistas-leninistas), serão consideradas como oposição ao neoliberalismo as opções que a democracia representativa coloca para os eleitores com chances reais de vitória: social-democratas, trabalhistas, keynesianos, conservadores antiliberais, dentre outros que se opõem à lógica (neo)liberal sem a destruição do sistema econômico vigente no planeta praticamente inteiro (capitalista com Estado).


1 – Direito de Propriedade (Property Rights)


Para que o Governo garanta a propriedade privada, a avaliação e a validade dos contratos de forma rápida e eficiente e uma justiça que puna quem confisca a propriedade alheia, será necessário um sistema judiciário/policial grande e capacitado, leis claras e eficientes feitas pelo legislativo. Exceto nos casos das pessoas que defendem o fim do Estado ou a estatização dos meios de produção, pode-se dizer que essa definição de direito de propriedade é um consenso. Ora, se algo é considerado um consenso por todas as alternativas políticas, então não pode jamais ser utilizado para defender uma delas em detrimento de outras. Isso se torna mais grave ainda quando o índice é usado pelos neoliberais extremistas (os “anarcocapitalistas”), dado que no sistema por eles defendidos o Estado sequer existe para exercer a proteção legal medida por esse item.

2 – Ausência de Corrupção (Freedom from Corruption)


Não existe nenhuma vertente política que defenda a corrupção como algo benéfico. Existem diferenças na melhor forma de se combater a corrupção, mas o índice não avalia quais são os métodos adotados para combatê-la e sim a percepção de corrupção de determinada parte população (vale ressaltar que a população ainda pode ter uma percepção errada da corrupção, principalmente em casos no qual a imprensa é controlada de perto pelo governo, como em Singapura [3b]). Como o item não avalia a existência de métodos (neo)liberais de combate à corrupção, não é útil para indicar a adoção ou não de suas medidas.


5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)


Este item conseguiu reunir sob um nome que remete ao liberalismo econômico uma coletânea de 13 subitens que nenhuma corrente política é contra e em muitos casos são resolvidos com medidas antiliberais. Pode-se por exemplo reduzir o tempo para apreciação de licenças, abertura e encerramento de negócios tendo mais de 30% de sua população empregada no setor público, como no caso da Noruega e Dinamarca [7]. É possível agilizar a instalação de energia elétrica e reduzir seu custo concentrando todo o setor nas mãos do Estado, como no caso da Noruega e Singapura [3c] [8]. O tempo para se fechar uma empresa e o custo de fechamento estão muito relacionados a pendências judiciais, que dependem basicamente de um ponto pacífico (o primeiro item, Direito de propriedade).


Os itens em que se coloca renda per capita para dividir o valor por outro lado são um mero medidor de riqueza dos países, pois privilegiam os países mais ricos em detrimento dos mais pobres. Em suma, o item não avalia quais estratégias são usadas para se obter um resultado que é ponto pacífico, e sim considera aqueles que possuem melhores resultados, independente da estratégia adotada pelo país ser liberal ou antiliberal, além de usar fatores que beneficiam países ricos em detrimento de pobres diretamente, o que o torna inútil para defender um ou outro tipo de política.


7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)


De fato, neoliberais dão uma importância acima da média ao controle da inflação, mesmo quando comparados com liberais clássicos, em especial aqueles cujos estudos derivaram do trabalho de Milton Friedman. Porém, vale ressaltar que economistas de todas as vertentes existentes defendem alguma forma de combate à inflação, existindo inúmeras formas de combate-la. Os brasileiros sabem bem disso, dado que passamos pelos planos Cruzado, Cruzado Novo, Bresser, Verão, Collor I, Collor II e Real antes de conseguirmos certa estabilidade em nossa moeda (sendo que o próprio plano real possui duas fases bem distintas, onde a primeira tinha entre seus principais alicerces uma âncora cambial e a segunda adotou câmbio flutuante). Em suma, o que efetivamente pode diferir em escolas econômicas diversas é o método adotado para se combater a inflação e, para evitar um longo texto acerca de cada um dos métodos existentes de combate à inflação, basta dizer que um país com inflação zero e preço totalmente controlado pelo Estado teria, neste item, uma nota de 80 (100 devido à inflação zero e uma penalização de 20 devido ao controle de preços), o que o colocaria na metade mais “livre” do mundo nesse quesito, com uma diferença de 1,8 para o líder geral do ranking (Hong Kong) e de apenas 10 para o país com maior valor no item (Dominica), sendo que é de certa forma óbvio que caso o objetivo fosse medir a adoção do neoliberalismo a nota deveria ser zero.



3. Critérios que efetivamente estão relacionados com o liberalismo econômico



Ed Feulner, presidente da Heritage Foundation, e o ex-presidente dos EUA George Bush em uma palestra na própria fundação em 11 de novembro de 2003. Na ocasião, Bush anunciou ações militares no Afeganistão e no Iraque sob aplausos dos integrantes do think tank. Foto: Alex
Wong/Getty Images.


3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)


A definição de liberdade fiscal parece adequada aos preceitos neoliberais. De fato, eles defendem sistematicamente a redução de carga tributária em geral e principalmente dos impostos que incidem com maior intensidade sobre os mais ricos, caso dos impostos sobre renda (tanto corporativa quanto pessoa física) e propriedade. A justificativa é de que os ricos seriam responsáveis por gerar riqueza e seu enriquecimento resultaria em um benefício para a população em geral. Apesar de à primeira vista o indicador parecer razoável, da forma que é construído países com impostos baixos de forma geral não apresentam grande diferença no resultado independente do modelo de taxação adotado. Outras escolas econômicas não possuem meta de impostos (muito pelo contrário, todos sabem que os impostos não podem ser elevados indefinidamente), frisando mais a questão de como eles são distribuídos do que no valor da carga tributária em si. Um caso emblemático é o de Singapura, que possui carga tributária baixa mas segue um regime de tributação oposto ao defendido pelos neoliberais [3d], algo que é camuflado pela forma que o indicador foi construído. Isso poderia ser amenizado se não elevassem os valores ao quadrado, pois fazendo-o, as alterações em valores pequenos acabam tendo resultado irrisório, enquanto alterações em valores maiores tem impacto muito grande (Por exemplo: Um país com taxa 0% em todos os quesitos teria nota 100. Com taxa de 15% para todos os itens receberia uma nota igual a 93,3, mas se aumentasse em mais 15% todas as taxas – chegando a 30% – teria um resultado igual a 73,0, aumentando mais 15% – chegando a 45% – o resultado seria 39,3).


4 – Gasto Governamental (Government Spending)


De fato, a fixação com a redução do gasto público por parte dos neoliberais é peculiar, não encontrando paralelo em seus adversários. A visível falha do indicador é que se considera (na maioria dos casos) os gastos nas esfera federal, municipal e estadual dos países, mas não das empresas estatais. Em alguns casos, inclusive se considera apenas o governo central (esfera federal) por falta de dados. Isso distorce o resultado para cima, aumentando as notas dos países nesse item, principalmente nos casos em que Estado é muito atuante através de suas empresas (como Singapura [3e]) ou quando os dados são escassos.


6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)


É pública e notória a repulsa dos neoliberais em relação à existência de leis trabalhistas. Há porém de se ressaltar a falta de direitos trabalhistas vistos como prioritários pelos seus adversários (não há menção por exemplo ao seguro-desemprego, previdência pública obrigatória ou um sistema de seguridade social), a utilização de itens que vão contra os preceitos neoliberais (a visão de que o Estado deve garantir o pleno emprego e combater diretamente uma baixa taxa de ocupação é tipicamente keynesiana, enquanto os neoliberais consideram que um certo nível de desemprego é saudável para a economia – tendo o desalento uma relação clara com o desemprego prolongado – além de ser um indicador que privilegia países ricos e estáveis que costumam a ter taxa de desemprego menor. Ao dividir o salário mínimo por um indicador relacionado à produtividade, se privilegia os países ricos que não por acaso são mais produtivos ao mesmo tempo que se transmite uma ideia de que trabalhadores pouco qualificados, facilmente substituíveis e com pouco prestígio com o resto da população – aqueles que de fato recebem salário mínimo – devem ser beneficiados por um ganho de produtividade geral, algo que também é defendido somente pelos opositores do neoliberalismo). Outro ponto que não poderia ficar de fora são os sindicatos, tão criticados pelos neoliberais. Muitos dos países mais desenvolvidos estão entre os mais sindicalizados e com os trabalhadores mais cobertos por acordos coletivos, sendo um alto nível de sindicalização inclusive considerado por alguns um substituto razoável para o salário mínimo e outros direitos trabalhistas [9] [10] [11].


8 – Liberdade Comercial (Trade Freedom)


Apesar dos eleitores típicos do neoliberalismo e alguns de seus porta-vozes na mídia estarem traindo a defesa do livre-comércio apoiando o protecionista Trump, o Brexit e incentivando o desmonte de acordos de livre-comércio como a União Européia, NAFTA e Tratado Trans-Pacífico, seus autores efetivamente são opositores das barreiras alfandegárias, algo que não é acompanhado por seus adversários na democracia representativa. Apesar de não existir corrente política contrária à existência do comércio, de fato os neoliberais encabeçam a defesa de que a redução de barreiras para importação/exportação é uma medida intrinsecamente boa.


9 – Liberdade de Investimento (Investment Freedom)


Efetivamente, os neoliberais são os grandes advogados do livre fluxo de capitais e investimentos.


10 – Liberdade Financeira (Financial Freedom)


A ausência do governo no setor bancário é de fato uma bandeira que distingue os neoliberais.

 
4. Critérios que não poderiam faltar em um ranking de liberalismo econômico (de acordo com o que pregam os neoliberais), mas não existem no índice


O presidente da Heritage Foundation Ed Feulner com o vice-presidente dos EUA Dick Cheney em 2006. Foto: Charles Geer.
Além da existência de itens que não representam adequadamente o receituário neoliberal e distorções evidentes nos itens relacionados às políticas defendidas por militantes que usam índices de liberdade econômica, é gritante a ausência de temas centrais defendidos por seus autores, eleitores e governos.


Não existe no ranking nenhum item que trate da participação do Estado na economia em relação ao PIB, ou alguma proporção entre a participação das empresas privadas e estatais/economia mista na economia local, o que distorce totalmente o resultado de países em que a atuação do Estado se dá por meio de suas companhias (os casos mais gritantes são Singapura [3f] e os países exploradores de petróleo do Oriente Médio, cuja a atividade econômica assim como a receita do governo são extremamente dependentes das estatais petrolíferas).


Uma importante atividade econômica de empresas estatais é a principal razão dos baixos impostos encontrados em diversos países, como Singapura, Arábia Saudita, Qatar e Kuwait. Sendo, portanto, a presença de um item tratando dessa questão necessária para corrigir falhas do item “Liberdade Fiscal”.


Não há, também, nenhum item que trate da questão dos serviços públicos. A privatização dos serviços públicos (saúde, educação, segurança, dentre outros) é uma das principais bandeiras do neoliberalismo, sendo a defesa da maior eficiência da iniciativa privada exaltada sistematicamente por aqueles alinhados com seus dogmas. Com a extensa campanha que fazem contra a eficiência estatal em prestar serviços públicos, torna-se totalmente incoerente o uso de um índice que nada diz a respeito de uma das principais bandeiras neoliberais para justificar a adoção de suas políticas. Diversos países bem localizados no índice de liberdade econômica (como Austrália, Nova Zelândia e Singapura) se destacam pela forte presença estatal nos serviços públicos.


Outro ponto que não poderia faltar é a respeito da liberdade cambial. É comum entre economistas neoliberais a defesa do fim dos Bancos Centrais ou sua “independência” em relação ao governo e o combate à manipulação cambial, que consideram prejudicial mesmo no caso em que as moedas são desvalorizadas para aumentar a competitividade no comércio global. O subitem presente na “liberdade de investimentos” não representa essa discussão, apesar de ter relação com o assunto.


Os 3 itens citados anteriormente não poderiam faltar em um índice que é usado para legitimar a aplicação de políticas neoliberais, pois é notório e bem sabido que os principais opositores dessas políticas na esfera econômica são os que seguem uma linha derivada do keynesianismo, onde comumente se defende um papel relevante do Estado nestes itens (serviços públicos, setores estratégicos e política cambial controlada pelo Estado condizente com uma estratégia de desenvolvimento do país).


Não há como utilizar na discussão econômica um índice que sequer avalia os principais pontos de discordância entre aqueles que usam o índice para defender liberalismo econômico e os críticos deste modelo.



5. Ranking considerando apenas os itens relacionados ao liberalismo econômico


Desconsiderando as falhas apresentadas nas seções 3 e 4 deste artigo e sabendo que isso causa fortes distorções em países extremamente dependentes de empresas estatais como Singapura e as potências petrolíferas, assim como nos países em que o Estado está fortemente presente nos serviços públicos (caso de Nova Zelândia, Austrália, Canadá e novamente Singapura), faremos um exercício que se trata de se repetir o mesmo índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, considerando apenas os 6 itens apresentados no terceiro tópico – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom), Gasto Governamental (Government Spending), Liberdade Trabalhista (Labor Freedom), Liberdade Comercial (Trade Freedom), Liberdade de Investimento (Investment Freedom) e Liberdade Financeira (Financial Freedom) – para avaliar qual seria o resultado de tal ranking.


Conferir tabela do ranking considerando apenas liberdade econômica
https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1


Não é surpreendente notar que o resultado é muito mais próximo da realidade daquilo que o ideário neoliberal defende do que o ranking original: Diversos países com longa tradição social-democrata (como França, Noruega, Suécia, Dinamarca, Bélgica) passam a figurar na metade “menos livre” do mundo, estando a França em uma das últimas posições (156º lugar de 178 países).


Também nota-se uma forte evolução em “liberdade econômica” de países ex-socialistas que passaram por grandes reformas liberais desde a década de 90, como Geórgia, Armênia, Azerbaijão e Albânia, mas permanecem pobres.


Outro fato evidente é a forte subida de paraísos fiscais pobres, como o Panamá e o Paraguai, que visivelmente estão bem próximos do receituário neoliberal mas eram penalizados pelo simples fato de estarem em condição de pobreza.



6. Ranking considerando apenas os itens não relacionados ao liberalismo econômico


Como exercício complementar, faremos outro ranking, apenas com os itens expurgados por serem defendidos também pelos opositores do neoliberalismo apresentados no segundo tópico.

Conferir tabela do ranking considerando apenas os ítens não relacionados com liberalismo
https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1

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O resultado é bastante interessante e inclusive esperado: Os países europeus com longa tradição social-democrata estão entre os melhores posicionados no índice que considera somente os pontos que são pacíficos como algo necessário para o desenvolvimento de uma economia em um sistema capitalista.


Considerações finais


O presidente da Heritage Foundation Ed Feulner, o ex presidente dos EUA Ronald Reagan e o casal Rose e Milton Friedman em 1986. Foto: Charles Geer / Heritage Foundation.
Os rankings apresentados nos quinto e sexto tópicos por si só mostram como os índices de “liberdade econômica” seriam impactados de forma bastante intensa se fossem fidedignos aos princípios defendidos pelos neoliberais, o que implica na impossibilidade de seu uso para defender suas políticas.


A expectativa é que um “índice de liberdade econômica” verdadeiramente alinhado com seu receituário resulte em um ranking no qual os líderes seriam os paraísos fiscais. Mesmo entre os paraísos fiscais, porém, é provável que os mais desenvolvidos sejam classificados como “menos livres”, justamente pela forte presença do Estado nos serviços públicos e infraestrutura (caso da Suíça). Outro resultado bastante provável, é que países com longa tradição social-democrata como Noruega, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Islândia, Bélgica, Alemanha, entre outros, sigam a trajetória de queda vertiginosa no índice identificada no quinto tópico, fazendo companhia à França nas últimas posições.


Enquanto o debate econômico não passa pelo uso de índices que realmente representam aquilo que se deseja defender, pouco pode-se fazer além de conjecturas. Não é objetivo deste artigo elaborar um novo índice que reflita o ideário neoliberal, somente explicar por que os “índices de liberdade econômica” apresentam resultados incoerentes, classificando nas primeiras posições países que adotaram receituário diametralmente oposto àqueles que o utilizam como argumento, além de um aumento no índice não possuir qualquer correlação com desenvolvimento econômico.


Desta forma, uma célebre frase do ex-presidente Itamar Franco resume bem o uso de “índices de liberdade econômica” para legitimar a aplicação de políticas neoliberais: “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”.


Referências

[1] The Guardian – Neoliberalism: the ideology at the root of all our problems (versão traduzida pela Voyager aqui)
[2] Left Business Observer – Laissez-faire Olympics (versão traduzida pela Voyager aqui)
[3 (a/b/c/d/e/f)] Voyager – 10 fatos sobre Singapura que invalidam os índices de liberdade econômica
[4(a/b)] Heritage Foundantion – Methodology
[5] Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2014: IN DETAIL
[6] Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2016
[7] OECD – Employment in Public Sector
[8] Voyager – O Livre Mercado é a chave para a prosperidade? A Noruega prova que não.
[9] Law of Work – Most Highly Unionized Countries Top ‘Happiest Countries” List, Again. Why?
[10] Parlamento Europeu – Legislação do mercado de trabalho
[11] BBC – Na Dinamarca, Lula confere modelo trabalhista flexível
• Heritage Foundation – Index of Economic Freedom 2017


https://voyager1.net/economia/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/#accordion-142789231-pane-1



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:17:05


Eu sou a favor de maior liberdade econômica, mas  sou completamente contrário a tentativas de FALSIFICAÇÃO da realidade usando índices  espúrios.  E é isso que esse índice do Heritage é: um índice espúrio, uma fraude que tenta ligar riqueza e desenvolvimento com uma suposta ampla aplicação de ideias liberais de liberdade econômica.







Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:23:57


Pelo visto mentirosos e falsificadores existem tanto no lado dos socialistas como no lado dos capitalistas.  No  final das contas parece que o que vale mesmo são as táticas  para  conseguir  ter  o máximo de poder  nas próprias mãos.  Mentiras e fraudes são apenas algumas das armas utilizadas por ambos os lados.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Setembro de 2017, 10:32:24
Você deu a entender que o ranking de liberdade econômica seria apenas para medir estado mínimo.

Antes quando eu vi o índice de liberdade de Cingapura eu achava que Cingapura tinha realmente muita liberdade econômica.  Mas, depois dessas informações...

O que é que vale essa porcaria de índice de liberdade econômica do Heritage ?

Isso é para inglês ver ?



Mas sim, alta liberdade econômica não necessita de um Estado mínimo, ao menos não do conceito anglo-americano de estado mínimo.



O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.



 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 15:45:11
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice. E liberdade econômica depende de vários fatores, não só o tamanho do estado. Senão a Somália seria líder do ranking... A eficiência do estado vale muito, principalmente em relação a leis e a garantia das mesmas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 17:38:27
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.

Todavia, os críticos cometem os mesmos erros que alegam denunciar. O caso de Singapura é exemplar, pois o pessoal da Voyager quer fazer parecer que tal cidade-estado muito longe do topo da liberdade econômica entre os países do mundo só porque ela está a anos-luz de ser um paraíso minarquista. Por mais que Singapura tenha muito intervencionismo, em muitos aspectos, a maioria das outras nações podem estar em situação pior. Apesar de tudo, o setor de saúde de Singapura é basicamente pago e privado (a despeito da existência de hospitais públicos), a carga tributária é quase a mesma da menor do mundo desenvolvido (13% do PIB, apenas um pouco superior a de Taiwan), há disciplina fiscal, abertura comercial excepcionalmente alta, burocracia mínima para abrir e fechar empresas, ausência de salário mínimo e de muitas regulamentações básicas que existem na CLT. Disso, o artigo da Voyager não fala ou não se aprofunda no assunto, é claro, e o JJ não sabe ou finge que não vê. 

O JJ não sabe ou ignora esta reportagem da BBC que mostra que é MENTIRA da Voyager essa história de que, em Singapura, o setor privado não tem espaço para prover serviços tipicamente considerados "públicos" nas sociais democracias: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2002/020923_cingapurarg.shtml
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 17:51:46
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 18:05:38
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 03 de Setembro de 2017, 18:09:01
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 21:57:01
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.
Sim, de fato. Mas afirmar até que ponto é prejudicial a desigualdade é subjetivo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Setembro de 2017, 22:03:30
Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.
Ótimo texto!
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 04 de Setembro de 2017, 06:39:44
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: criso em 04 de Setembro de 2017, 08:26:08
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Setembro de 2017, 12:40:49
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.

Leia os artigos que o Huxley passou.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Setembro de 2017, 06:28:37
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.



Eu sou a favor da contenção e da redução (até certo ponto)  do Estado brasileiro.  Apesar disso, esse índice do Heritage me decepcionou, eu não sou a favor de usar índices manipulados que depois possam ser mostrados como tolices feitas por liberais (ou libertários).  Eu sou a favor de usar argumentos  que tenham proposições verdadeiras, que tenham relações verdadeiras, e que levem em consideração as realidades econômicas, políticas, sociais e  históricas.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Setembro de 2017, 06:58:01

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo


postado por Tagarela Midia em dezembro 30, 2016

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo




Socialismo, anarquismo e libertarianismo tomaram corpo no século XIX. Nasceram na Europa, principalmente em Paris, onde Karl Marx, Pierre-Joseph Proudhon e Frédéric Bastiat tomavam café. Cada um a seu jeito, eram todos anarquistas. Marx era anarcocomunista, Bastiat anarcocapitalista e Proudhon anarcomutualista. Estas não eram as suas alcunhas na época, e nem tampouco seus pensamentos haviam se desenvolvido completamente a estes pontos, mas estes foram os seus destinos. Inspiravam-se todos nos liberais do Iluminismo escocês – John Locke, David Hume, Adam Smith… – que haviam se insurgido contra a oligarquia aristocrática. Porém enquanto os seus inspiradores debruçaram-se sobre a tarefa de construção do Estado de direito para substituir o Estado absolutista, os anarquistas queriam a destruição do Estado. Como é possível?

O ancestral

O liberalismo nasceu na Inglaterra e Escócia nos séculos XVII e XVIII. O Iluminismo escocês foi muito diferente do Iluminismo francês. O escocês criou a escola de pensamento empirista; o francês a racionalista. O que separa os dois, mais que o Canal da Mancha, é como cada uma busca a verdade, A escola empirista entende que o conhecimento humano deriva da observação e da experiência, depois processadas pela razão. A escola racionalista entende que o conhecimento verdadeiro independe da observação, e que é possível alcançá-lo só através da razão. Esta é a tradição de Descartes, que remonta a Euclides e Platão na Grécia Antiga. Nem todos britânicos e franceses seguiram as escolas de pensamento predominantes em seus países. Os franceses Montesquieu, Benjamin Constant e Alexis de Tocqueville, por exemplo, seguiram a tradição liberal britânica. Na Inglaterra, Thomas Hobbes, William Godwin, Joseph Priestly, Richard Price e Thomas Paine, preferiram a versão francesa (Hayek, 1960).

As formas de pensar dos britânicos e dos franceses eram tão completamente diferentes, que isso se refletia nas suas estruturas sociais e jurídicas. A França adotou o direito romano, em que as leis são primeiro concebidas e depois aplicadas. Na Inglaterra, e agora em toda a anglosfera, se usa common law, em que as leis são criadas nos próprios tribunais, a cada sentença. No primeiro há planejamento; no segundo adaptação. Até os jardins na Inglaterra e na França refletem essas diferentes formas de ver o mundo: os franceses são arquitetados com rigor matemático e geometria impecável; os ingleses são mais orgânicos, adaptados ao terreno.

A prole

Liberalismo, socialismo, libertarianismo e mutualismo, todos buscam a liberdade. Porém as diferentes formas de se pensar do liberalismo e dos anarquismos, os levam para lados completamente opostos. O racionalismo francês exige rigor matemático e perfeita coerência lógica. Os anarquistas se inspiraram nas curvas do liberalismo britânico, mas tiveram que encaixá-lo no quadrado do racionalismo francês. Não coube; tiveram que cortar uns pedaços. E cada um cortou um pedaço diferente. Aos olhos dos anarquistas, havia uma falha fundamental na relação entre o mercado e o Estado liberal. Se uma empresa concentra poder privado demais, uma das formas mais racionais dos empresários defenderem o seu capital é comprar os governantes, e colocá-los para proteger o seu monopólio. Por outro lado, se é o Estado que concentra poder público demais, os governantes é que passam a defender a sua posição comprando os empresários. É um conflito constante entre a esfera pública e a esfera privada, em que burocratas e plutocratas competem e colaboram entre si pelo poder.

Esta é a inequação que os anarquistas precisavam resolver, pois o sistema social tinha que ser lógico, racional, não contraditório. Por isso Marx fala das “contradições do capitalismo”. Capitalismo é uma ordem socioeconômica, não uma teoria que pode se contradizer. Porém era assim que os racionalistas viam a realidade; como a projeção de uma teoria, que tem que ser tão logicamente exata e coesa quanto uma teoria deve ser. Cada um deles então buscou o seu próprio caminho para resolver essa inequação. Para Bastiat, é o Estado a origem de todo o mal, é ele quem cria os monopólios, então basta retirá-lo, da economia pelo menos, que tudo se equaciona:

“O Estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver às custas de todos.” (Bastiat 1849, p. 11)

“O que impede a ordem social de alcançar a sua perfeição (ao menos aquela possível) é o esforço constante de seus membros para viver e se desenvolver a expensas dos outros.” (Bastiat, [1850] 1863, p. 128)

Para Marx, é o mercado a origem da concentração de poder, então é preciso primeiro eliminar o mercado, para depois eliminar o Estado:

“Ele, que antes era o dono do dinheiro, agora marcha à frente como capitalista; o que tinha a força de trabalho segue como seu trabalhador. O primeiro com um ar de importância, sorridente, imbuído do negócio; o outro, tímido e recuado, como aquele que está trazendo a sua própria pele ao mercado e não tem nada mais a esperar do que ser — escalpelado.” (Marx, 1867, Vol I, Cap VI, p. 798)

E Proudhon, o primeiro a se declarar “anarquista”, queria eliminar os dois numa só tacada:

“Do direito da força derivam a exploração do homem pelo homem ou, dizendo doutro modo, a servidão, a usura, o tributo imposto pelo vencedor ao inimigo vencido, e toda essa família numerosa de impostos, gabelas, revelias, corvéias, derramas, arrendamentos, aluguéis etc., numa palavra, a propriedade.” (Proudhon, [1840] 1973, p. 209-210)

“[R]esolveremos todas as contradições econômicas, emanciparemos o trabalho e submeteremos o capital; o trabalhador e o capitalista estarão ambos satisfeitos e contentes um com o outro.” (Proudhon, [1848] 1868, p. 130)

Os três, diga-se de passagem, não só viviam na mesma cidade, Paris, como se conheciam e se conversavam. Marx tentou recrutar Proudhon para a revolução socialista, imagina-se após lá se conhecerem, e este por sua vez era colega de Bastiat na Assembléia Nacional, com quem trocou uma longa correspondência acerca da usura. A Marx, Proudhon criticava o seu otimismo quanto ao Estado, e a Bastiat ao mercado:

“O erro do socialismo foi, até aqui, o de perpetuar o devaneio religioso lançando-se em um futuro fantástico ao invés de capturar a realidade que o esmaga, assim como o erro dos economistas é o de considerar cada fato positivo um impedimento a qualquer proposta de mudança.” (Proudhon [1846] 1972, p. 128)

Libertarianos são liberais?¹

Cada um dos três anarquistas deu origem a longas dinastias de pensadores. Bastiat inspirou os economistas marginalistas do laissez faire: Carl Menger na Áustria, Léon Walras na Suíça e William Stanley Jevons na Inglaterra. Marx fez seus herdeiros entre os sociólogos e teóricos do socialismo: Karl Kautsky na Alemanha, Daniel de Leon nos EUA, Georg Lukács na Hungria, Antonio Gramsci na Itália e Vladimir Lenin na Rússia. Proudhon não deixou herdeiros, e sim irmãos, contemporâneos seus, como lhe seria peculiar: Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin na Rússia. Mas foi Bastiat quem tomou para si o nome do liberalismo, ainda que a sua descendência fosse bastarda, filha na verdade do racionalismo francês. Friedrich Hayek (1960) nos explica:

“Esse desenvolvimento de uma teoria da liberdade aconteceu principalmente no século XVIII. Começou em dois países: Inglaterra e França. O primeiro conhecia a liberdade; o segundo não.

Como resultado, temos até hoje duas diferentes tradições na teoria da liberdade: uma empírica e assistemática, a outra especulativa e racionalista; a primeira baseada em uma interpretação de tradições e instituições que cresceram espontaneamente e que não eram completamente compreendidas, e a segunda almejando a construção de uma utopia, que tem sido frequentemente tentada porém nunca bem sucedida. Ainda assim, tem sido o argumento racionalista, plausível e aparentemente lógico da tradição francesa, com suas elegantes premissas sobre os poderes ilimitados da razão humana, que tem progressivamente ganho influência, enquanto a tradição inglesa, menos eloquente e explícita, tem estado em decadência.

Essa diferenciação está escondida pelo fato de que o que chamamos de ‘tradição francesa’ da liberdade surgiu em grande parte de interpretar instituições britânicas e de que os conceitos que outros países fizeram delas eram baseados majoritariamente nas suas descrições por escritores franceses. […]

Para desenroscar essas duas tradições, é necessário examinar as formas relativamente puras em que surgiram no século XVIII. O que chamamos de ‘tradição britânica’ foi explicitado principalmente por um grupo de filósofos morais escoceses liderado por David Hume, Adam Smith e Adam Ferguson, seguidos de seus contemporâneos ingleses Josiah Tucker, Edmund Burke e William Paley, e inspirado majoritariamente na tradição fundamentada na jurisprudência britânica da common law. Contraposta a eles estava a tradição do Iluminismo francês, profundamente imbuída do racionalismo cartesiano: os enciclopedistas e Rousseau, e os fisiocratas e Condorcet são os seus mais renomados representantes. Evidentemente, esta divisão não coincide totalmente com as fronteiras nacionais. Franceses, como Montesquieu e, mais tarde, Benjamin Constant e, sobretudo, Alexis de Tocqueville estão provavelmente mais próximos do que estamos chamando de ‘tradição britânica’ do que da ‘francesa’. E em Thomas Hobbes, a Grã Bretanha tem pelo menos um dos fundadores da tradição racionalista, sem falar em toda uma geração de entusiastas pela Revolução Francesa, como Godwin, Priestly, Price e Paine, que, como Jefferson depois de sua estadia na França, pertence inteiramente a ela.” (Hayek, 1960)

Não é só Hayek que vê assim, do seu ponto de vista empiricista; Herman-Hans Hoppe, libertariano, pupilo de Murray N. Rothbard, concorda:

“Vale enfatizar, então, que Hayek não é um membro da linha racionalista da Escola Austríaca, e nem tampouco ele diz que é. Hayek faz parte da tradição empirista e cética britânica, e é um oponente explícito do racionalismo europeu adotado por Menger, Böhm-Bawerk, Mises e Rothbard.” (Hoppe, 1999)

Hayek está aí na verdade respondendo ao seu, nesta época já antigo, mentor, Ludwig von Mises (1927), que em nada ajudou milhares (milhões?) de leitores a entender essa distinção quando definiu que:

“[A] tarefa do Estado consiste apenas e exclusivamente em garantir a proteção da vida, da saúde, da liberdade e da propriedade contra ataques violentos. Tudo o que for além é vil.” (Mises, 1927, Cap I, §11)

Ayn Rand (1966) expande:

“Capitalismo é o único sistema em que os homens são livres para funcionar e onde o progresso é acompanhado, não por privações forçadas, e sim pelo aumento constante da prosperidade, do consumo e do aproveitamento da vida. […] Quando eu me refiro a ‘capitalismo’, eu quero dizer completo, puro, ilimitado, capitalismo laissez-faire sem regulação – com uma separação entre Estado e economia, da mesma forma e pelas mesmas razões que a separação entre Estado e religião. […] Toda interferência governamental na economia consiste em dar benefício não-conquistado, extorquido à força, a alguns em detrimento de outros.” (Rand, 1966)

Mas nada poderia ser mais repudiante a Adam Smith do que essa definição de Estado de Mises:

“Governo civil, quando instituído somente para a proteção da propriedade privada, é na realidade instituído para a defesa dos ricos contra os pobres, dos que têm propriedade contra os que não têm.” (Smith 1776, Cap. I, Parte II, p. 775)

Robert Nozick, também libertariano, reitera a definição de Mises 44 anos mais tarde:

“Nossa principal conclusão é sobre o Estado é que um Estado mínimo, limitado às estreitas funções de proteção contra a força, roubo, fraude, cumprimento de contratos, etc, é legítimo, mas que um Estado maior violará os direitos das pessoas de não serem forçadas a fazer certas coisas, e é ilegítimo.” (Nozick, 1974, Prefácio, p. ix)

Porém é o próprio pupilo de Mises, Hayek, quem nos conta que os liberais nunca foram anti-Estado; nunca defenderam o laissez faire:

“Nem Locke, nem Hume, nem Smith, nem Burke poderiam ter argumentado, como fez Bentham, que “toda lei é má porque toda lei é um atentado à liberdade.” Os seus argumentos nunca foram completamente laissez-faire, que, como as próprias palavras demonstram, é também parte de uma tradição racionalista francesa, e o seu sentido literal nunca foi defendido por nenhum dos economistas clássicos ingleses. Eles sabiam melhor que todos os seus críticos posteriores que não era por mágica, e sim pela evolução de “instituições bem construídas,” onde “as regras e os privilégios de interesses opostos e vantagens negociadas” seriam reconciliadas, que canalizou exitosamente esforços individuais para objetivos socialmente benéficos. Na verdade, o seu argumento nunca foi anti-Estado assim, ou anárquico, a consequência lógica da doutrina laissez-faire racionalista; era um argumento que considerava tanto as funções do Estado quanto os limites da ação do Estado.” (Hayek, 1960)

Pelo contrário, os liberais, desde John Locke, o pioneiro do liberalismo no século XVII, formularam o Estado constitucional de direito justamente para protegerem-se das arbitrariedades de uma monarquia absolutista e de uma oligarquia aristocrática:

“A liberdade dos homens sob um governo é a de ter uma lei de convivência, comum a todos na sociedade e instituída pelo seu poder legislativo; a liberdade de fazer o que quiser que a lei não proíba, e não estar sujeito à vontade inconstante, incerta, desconhecida e arbitrária de outro homem.” (Locke, 1689, Vol. IV, Cap. 22)

Nem tampouco é verdade que os liberais não vissem papel para o Estado na economia, como propalou Mises e ainda o fazem seus seguidores. Adam Smith foi bem claro ao dizer que:

“O terceiro e último dever de um Estado soberano é o de erguer e manter aquelas instituições públicas e aquelas obras públicas, que, embora sejam extremamente benéficas à sociedade, são, contudo, de tal natureza, que o seu lucro nunca poderia repagar o investimento de nenhum indivíduo ou pequeno grupo, e que portanto não se pode esperar que alguém ou algum pequeno grupo vá construí-las ou mantê-las.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III)

Como já disse Hayek acima, os liberais entendiam muito bem que a liberdade não surgia por geração espontânea, e na verdade resultava de “instituições bem construídas”. Ao contrário do que comumente associam a um “liberalismo vulgar” contemporâneo, até mesmo por aqueles que se identificam como “liberais”, essas instituições incluem também incluem a regulação dos mercados. O “livre mercado” dos liberais não é um mercado desenfreado; é um mercado em que todos são livres para negociar em pé de igualdade.

“O livre mercado não é uma permissão para os mercadores fazerem o que quiserem; isso seria antes a sua escravidão. O que restringe o mercador não necessariamente restringe o mercado.” (Montesquieu, 1748, Vol XX)

Não só Smith via a necessidade do governo fazer aquilo que a iniciativa privada não tinha interesse em fazer, como deveria fazer também aquilo em que só um indivíduo ou empresa poderia fazer. Em outras palavras, era bem ciente do perigo dos monopólios:

“Os pedágios para a manutenção de uma auto-estrada não podem com segurança alguma ser privatizados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap III, Parte I, p. 786)

Além da regulação dos mercados, Smith incluía também educação pública, algo que só foi ser colocado em prática 250 anos mais tarde, com a criação do Estado Social no século XX. Se por vouchers escolares quer-se dizer livre escolha de escolas privadas subsidiadas com custeio estatal, podemos dizer que é Smith o progenitor da proposta pela qual Friedman é tão creditado:

“Além das instituições públicas e das obras públicas necessárias para a defesa da sociedade, e para a administração da justiça, […] as outras tarefas e instituições deste tipo são principalmente aquelas que facilitam o comércio na sociedade, e aquelas que promovem a educação das pessoas. […] Com uma despesa muito pequena o público pode facilitar, encorajar e até impor a todos a necessidade de adquirir as partes mais essenciais da educação.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III, Artigo II, p. 847)

Hayek resume:

“É importante não confundir oposição ao planejamento central com um laissez faire dogmático. O argumento liberal não defende deixar as coisas ao léu; ele favorece fazer o melhor uso possível das forças da competição como meio para coordenar o esforço humano. Ele é baseado na convicção de que, onde se puder criar concorrência de verdade, esta é a melhor forma de guiar os esforços individuais. Ele enfatiza que para a concorrência ser benéfica, é necessário um arcabouço legal cuidadosamente bem arquitetado.” (HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944)

As diferenças entre libertarianos e liberais vão ficando cada vez mais contrastantes. Nenhuma delas porém é mais diametralmente oposta que o papel do Estado na justiça social. Contemporaneamente, Matthew Zwolinski, professor de Filosofia da University of California em San Diego, e John Tomasi, professor de Ciência Política da Brown University, fazem essa distinção de forma precisa, ainda que se identifiquem ambos como libertarianos, e não como liberais:

“O minarquista é aquele que mais comumente identificamos com o libertarianismo. Ele crê que Estados podem ser legítimos, mas somente se são estritamente limitados nas suas funções. Tipicamente, embora não necessariamente, minarquistas são lbertários jusnaturalistas, e crêem que as funções legítimas do Estado estão restritas àquelas necessárias para a proteção dos direitos naturais das pessoas. [… Liberais clássicos] defendem que um Estado legítimo pode, e em alguns casos deve, ser mais que o guarda noturno defendido pelos minarquistas. [… H]á um consenso de que Estados devem usar receitas fiscais com justiça para prover bens comuns (no sentido preciso em Economia). E liberais clássicos, diferentemente dos libertarianos minarquistas, tendem a estar abertos à possibilidade de que a justiça permita ou até exija alguma parcela de redistribuição para prover uma proteção social aos mais pobres.” (ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010)

Smith confirma:

“Nenhuma sociedade pode prosperar e ser feliz se a maioria dos seus membros forem pobres e miseráveis. Nada mais equitativo, aliás, que os que alimentam, vestem, e abrigam todo o povo, fiquem com parte do produto do seu próprio trabalho de forma a ser eles mesmos minimamente bem alimentados, vestidos e abrigados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap. VIII, p. 94)

E esta não é uma visão particular de Smith; é comum a todos os liberais:

“A garantia de uma renda mínima para todos, ou um piso abaixo do qual ninguém ficaria, mesmo quando incapaz de prover a si mesmo, não só é uma proteção inteiramente legítima contra um risco comum a todos, como também é essencial à Grande Sociedade, na qual indivíduos não mais contam com a proteção da pequena comunidade em que nasceram.” (Hayek, 1979, vol III, p. 395)

“A nossa sensibilidade humana exige que alguma provisão seja feita para aqueles que não tiveram sorte na loteria da vida. Nosso mundo se tornou muito complexo e emaranhado, e nós muito sensatos para deixarmos essa função inteiramente à caridade ou responsabilidade da comunidade local.” (Friedman, 1951)

“[P]odemos todos estar dispostos a contribuir com o redução da pobreza, desde que todos os outros também o façam. Sem essa garantia, podemos não estar dispostos a contribuir o mesmo tanto. Em pequenas comunidades, a pressão de grupo pode bastar para que a caridade seja suficiente. Em comunidades grandes e impessoais, que cada vez mais predominam a nossa sociedade, é muito mais difícil fazê-lo.” (Friedman, 1962)

Por isso Smith não hesita em defender a redistribuição da riqueza, tão malograda pelos libertarianos, via tributação progressiva, e do patrimônio!

“As necessidades da vida são as principais despesas dos pobres. Têm dificuldade em conseguir comida, e a maior parte da pouca renda que têm é gasta conseguindo-a. Os luxos e os confortos da vida são as principais despesas dos ricos, e uma casa magnífica orna e abre caminho para todos os outros luxos e confortos que possuem. Um imposto sobre os aluguéis, portanto, de forma geral, cairia mais pesadamente sobre os ricos; e neste tipo de desigualdade não haveria, talvez, nada de irrazoável. Não é irrazoável que os ricos devam contribuir aos gastos públicos, não somente em proporção à sua receita, mas mais do que nessa proporção.” (Smith, 1776, Vol II, Cap VII, Parte 71)

Nada poderia ser mais hediondo ao libertariano:

“Tributação da renda gerada pelo trabalho é equiparável à trabalhos forçados. Tomar os resultados do trabalho de alguém equivale a tomar-lhe horas.” (Nozick, 1974, Cap 7, Parte I)

Tomasi e Zwolinski concluem:

“[N]enhum dos antigos liberais trataram o direito à propriedade com absolutismo moral, e assim nenhum deles estava impedido por princípio a negar que a preocupação com os pobres era uma consideração legítima no desenho institucional. Acreditamos que o liberalismo clássico, não o libertarianismo axiomático, é o verdadeiro herdeiro da tradição liberal.” (Matt Zwolinski and John Tomasi, A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012)

A verdade é que Smith não compactuava do elitismo material, que é tipicamente aceito, e até cultivado, por libertarianos; muito pelo contrário:

“Nossa tendência a admirar, quase venerar, os ricos e poderosos, e de desdenhar, ou no mínimo ignorar, pessoas em condições pobres e cruéis, embora necessária para estabelecer e manter a distinção entre níveis sociais, é ao mesmo tempo a maior e mais universal causa da corrupção da nossa sensibilidade moral.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção III, cap II)

E aí é que se evidencia a diferença fundamentalmente moral entre o liberalismo e o libertarianismo. O libertariano não só confunde egoísmo com individualismo, como o reverencia:

“Antes do capitalismo, eu defendo o egoísmo, e antes do egoísmo eu defendo a razão. Se a supremacia da razão é reconhecida, e aplicada coerentemente, todo o resto é consequência.” (Rand, 1962)

Nada poderia estar mais distante do liberalismo:

“Por mais egoísta que se possa supor que seja o Homem, há princípios na sua natureza que o fazem se interessar pelo bem estar dos outros, tornando a sua felicidade uma necessidade para si, embora ele não ganhe nada com isso senão o prazer de vê-la.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção I, cap I)

O liberal defende a liberdade individual sim, mas sobretudo a do outro, não a própria:

“Até os déspotas acham a liberdade excelente. Porém eles a querem só para si, dizendo que ninguém mais a merece. O que nos distingue não é portanto o nosso apreço pela liberdade, e sim pelo próximo.” (TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858)



¹ Traduzimos aqui do inglês libertarian, associado à tradição descendente de Bastiat, para libertariano, um anglicismo, propositadamente para diferenciá-lo do francês libertaire, que ocupa o significado de libertário em português, e que se associa à escola de pensamento descendente de Proudhon.

BASTIAT, Frédéric. L’Etat: Maudit Argent. Journal des Économiste. Paris: Guillaumin, 1849.

BASTIAT, Frédéric. Sophismes Économiques. In: BASTIAT, Frédéric. Oeuvres Complétes de Frédéric Bastiat (OCFB). T. IV. Paris: Guillaumin, 1863.

FRIEDMAN, Milton, Neo-Liberalism and Its Prospects, Farmand, 17 fevereiro 1951, pp. 89-93.

HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944.

HAYEK, Friedrich A. The Constitution of Liberty, 1960.

HAYEK, Friedrich A. Lei, Legislação e Liberdade, 1979.

HOPPE, Hemann-Hans. Murray N. Rothbard: Economics, Science, and Liberty, In: 15 Great Austrian Economists, The Ludwig von Mises Institute, 1999.

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil, 1689.

MARX, Karl. Das Kapital, 1867.

MISES, Ludwig von. Liberalismus, 1927.

MONTESQUIEU, O espírito das leis, 1748.

NOZICK, Robert, Anarchy, State, and Utopia, 1974.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Qu’est-ce la propriété? In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome I. Paris: A. Lacroix, [1840] 1873.

PROUDHON, Pierre-Joseph. System of economical contradictions or the philosophy of misery. New York: Arno Press, [1846] 1972.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Solution du problème social. In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome VI. Paris: C. Marpon et E. Flammarion, [1848] 1868.

RAND, Ayn. Introducing Objectivism, The Objectivist Newsletter, Vol. 1, No. 8. August, 1962. p. 35.

RAND, Ayn. Capitalism: The Unknown Ideal. 1966.

SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações, 1776.

TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012.

O post Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo apareceu primeiro em O Contraditório.



http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Daniel_1993 em 06 de Setembro de 2017, 21:38:26
Seguindo o pensamento do texto acima:

Liberalismo, a primeira esquerda

Por Rodrigo Viana

Existe um certo debate no meio liberal que tende a dividir seus seguidores em duas inclinações políticas do qual eles mesmos se identificam: direita e centro. O liberal “direitista”, geralmente de viés cultural conservador, tem um posicionamento “contra-tudo-que-é-esquerdista” e é notável por seu estilo mais pragmático. Já o “centrista”, que normalmente se denomina como “centro radical”, é aquele liberal ligeiramente mais jovem e ligado a filosofia liberal moderna chamada de libertarianismo. Este último, acidentalmente segue a máxima kassabista de “nem direita e nem esquerda, muito pelo contrário”.

Confesso que vejo tudo isso de forma bem deprimente por saber o quão infundado são essas suposições. Na filosofia política não tem espaço para centro. Ou é x ou y.

Pessimismo e otimismo antropológico

Se a pessoa tende a enxergar a dicotomia esquerda x direita tão somente como uma mera tendência a se posicionar a favor de certas escolhas políticas (a realpolitik) envolvendo governos, como exemplificado em enquetes de perguntas e respostas de internet, então creio que essa pessoa não entendeu a profundidade do que vem a ser esquerda e direita.

Tal dicotomia não tem e nunca teve a ver com governos necessariamente, mas principalmente sobre o modo como o ser humano, enquanto ser social e não uma entidade atomizada, enxerga a si e a sociedade e em como essa sociedade responde a esse ser humano. Tal dicotomia tem a ver com o enlace ininterrupto desses efeitos. É o mundo visto em sua forma socio-antropológica e não por essa ou aquela campanha partidária, por exemplo.

Contudo, quando analisamos tais efeitos nós tendemos a perceber a existência de dois tipos de interpretações contrastantes que vivem em um eterno conflito. De um lado, uma tendência mais pessimista, tanto do ser humano quanto da sociedade, e do outro, uma mais otimista.

Quando alguém tende a enfatizar o humano como um ser limitado (ou mesmo incapaz) de muitos feitos e salientando sua imperfeição, muito embora tendo uns reconhecendo aptidões e habilidades, essa pessoa é considerada uma pessimista com o próprio gênero humano e a sociedade envolta. Nesse caso ela é adepta do pessimismo antropológico. Agora se alguém possui uma percepção diferente do ser humano como um ser capaz (ou de capacidade ilimitada) de muitos feitos e salientando suas possibilidades, embora uns reconhecendo a imperfeição e a limitação natural, essa pessoa é adepta do otimismo antropológico.

O pessimista antropológico, conhecido por sua qualidade “realista”, tende a se apoiar em estruturas sociais que se transformaram socialmente. Por focar na ideia da limitação humana em relação a enxergar sua própria realidade de uma maneira mais ampla, o pessimista conclui que o ser humano provavelmente nunca conseguirá gerar feitos satisfatórios para ele e para os que estão em sua volta sem criar conflitos e situações problemáticas. Ele acredita que um ser limitado como o humano, preso nas possibilidades dos próprios erros, pode gerar inovações (iniciar do zero) com nível de propensão ao fracasso.
Seu posicionamento mais comum se firma no ceticismo por tais inovações, uma vez que acredita que isso minimizaria (ou frearia, dependendo dos casos) conflitos sociais que podem vir a surgir. Logo, o pessimista prefere se apegar nas construções sociais sólidas do que existe e do que é funcional ao invés de tentar buscar certos feitos inovadores, mesmo reconhecendo a existência de problemas intrínsecos nas estruturas já existentes. Quer dizer, ele analisa a realidade e se apega ao que já está consolidado na sociedade como uma garantia afim de assegurar as conquistas de até então. Todavia, com o cuidado de gerar ideias que não abstraia demais o relacionamento social.

Já o otimista antropológico, caracterizado por sua qualidade “visionária”, tende a se apoiar nas estruturas sociais existentes que as julga satisfatórias, mas também na possibilidade de alternativas novas para as estruturas insatisfatórias. Dado que ele foca na possibilidade humana sobre a realidade, o otimista conclui que o ser humano possui a capacidade de gerar feitos satisfatórios para a sociedade, de modo a minimizar (ou acabar) tanto os conflitos existentes, quanto os que poderão vir a surgir se seguindo a condição até então atual. Isso porque seu otimismo característico possibilita ver o ser humano, mesmo em sua condição de limitação natural, como um gerador de inovações com inclinação ao sucesso.

Esse posicionamento favorável a busca de novos paradigmas é o que o motiva a gerar seus feitos. Sendo assim, ele analisa a realidade e toma partido em direção a uma possibilidade de almejar alternativas novas para aprimorar as conquistas do que existe. Contudo, tal possibilidade se assegura em instrumentos (isto é, ferramentas) produzidos pelo pensar e observar, no intuito de partir de um ponto fundamentado e não de uma quimera. É por contar com a razão como provavelmente o mais fundamental instrumento de uso que o otimista se abre para novas perspectivas.

Mas há algo que vale ressaltar nessa discussão. O ser humano não se comporta de modo exato em qualquer um dos polos e, por isso, é esperado uma variância. O posicionamento e a visão de mundo de uma pessoa não pode ser vista de forma absoluta e fechada, como se um otimista fosse, de fato, somente otimista caso tivesse uma predisposição total para essa direção. E o mesmo vale para o pessimista. Não somos máquinas, não fomos programados para pensar e agir de maneira determinada enquanto ser político. A relação dessas interpretações sócio-antropológicas nos informa uma indicação e não um simples questionário de acertos e erros.

Partindo desse ponto, nós podemos perceber que certas ideias, arranjos, ações e fundamentações se iniciam tanto de visões distintas, bem como as posições mais moderadas ou radicais dentro da perspectiva em que elas foram concebidas. Ou seja, nem todo pessimista enxerga o ser humano como um ente mal, fadado a viver na amargura de sua própria natureza. Do mesmo modo um otimista necessariamente não enxerga o ser humano como um ente dotado de uma bondade angelical, capaz de criar um verdadeiro paraíso terreno.

Note, leitor, que em momento algum falei de política especificamente, certo? Por que isso? Simplesmente porque a política, tanto no seu estudo investigativo quanto na sua aplicabilidade, é a consequência das interpretações sociológicas e antropológica e não a causa.

Seguindo tal raciocínio, entende-se que o mero uso (ou sua negação) de instituições sociais para se chegar a um norte específico não caracteriza esta ou aquela categoria política como necessariamente pertencente a esse ou aquele espectro político.

Por exemplo, o uso de mecanismos governamentais que se fazem presentes no nosso dia a dia como projetos de leis, democracia participativa, partidos, constituição, corpo legal e etc, não condiz se tal pessoa segue ou não uma tendência direitista ou esquerdista. É verdade que muitos desses mecanismos se identificam (ao menos historicamente) mais com essa ou aquela perspectiva por diversos motivos, todavia isso não tira o fato de que aquele que defende um protecionismo, por exemplo, “é de esquerda”. Sim, porque a base em que essa adesão se assenta e que delineia um norte a ser buscado é o elemento preponderante.

O fato é que quando uma pessoa tem uma tendência ao pessimismo em relação a sociedade e ao ser humano, ela busca se apoiar em ideias de estruturas sólidas consolidadas que são: a hierarquia social, tradição, condição de conformidade, ordem social, norma social, unidade orgânica e etc. De forma semelhante, quando uma pessoa tende ao otimismo, sua busca está em ideias de estruturas racionais reformadoras e/ ou inovadoras como: igualdade, liberdade, tolerância social, secularismo social, direitos inalienáveis e etc. É nesse momento que as primeiras ideias políticas começam a ser esboçadas.

Então com toda certeza podemos dizer que a pessoa de bases mais pessimistas é um direitista e o de bases mais otimistas é um esquerdista.

A influência dos movimento iluministas e contra-revolucionários

É sabido que os pensamentos políticos que vieram a ser influenciados diretamente pelos movimentos iluministas (ou Era da Razão) podem ser descritos facilmente como “esquerdistas”. Isto é, pensamentos de caráter visionário e de natureza opositora à perspectiva pessimista, mais preocupado em mudanças reformadoras e/ ou inovadoras. Estes pensamentos deram novas formas de reflexão na relação entre o ser humano e a sociedade. Resultando em ideias, possibilidades e alternativas sobre o estado em que se encontra a sociedade. E o liberalismo não apenas se encaixa nessa perspectiva, como foi o primeiro pensamento político a inaugurar de fato o que vinha sendo produzido nos círculos iluministas.

Uma vez a filosofia liberal sendo obra destes movimentos, em maior parte dos que se seguiram nos séculos dezessete e dezoito e em menor no dezenove, é natural que o liberal defenda a ideia de que o ser humano possui os instrumentos necessários para guiar o seu próprio destino no alcance de uma vida social mais justa e próspera. A crença iluminista pela busca por um mundo melhor é também um importante componente muito presente no liberalismo. E o que responde esse questionamento senão premissas como o respeito ao indivíduo enquanto um ser único tendo fim em si mesmo; direitos inalienáveis sobre a vida, liberdade e propriedade; igualdade de autoridade; poder político limitado; e sociedade tolerante?

Ora, existe um aspecto ativo dentro de qualquer pensamento enraizado nos movimentos iluministas. Esse aspecto é o impulso que motiva o liberal a não aceitar o mundo da forma como se encontra. Ele deseja a mudança e isso o motiva a buscar o que pretende. E isso independe da vertente que o liberal se apoia, seja ela no liberalismo clássico de Robert Nozick e Ludwig von Mises, no liberalismo social de John M. Keynes e John Rawls ou no liberalismo radical de Murray Rothbard e David Friedman. O liberal deseja aprimorar, transformar e tornar mais justo as relações humanas.

Isso é notório ao comparar com uma outra importante filosofia política também de origem iluminista: o socialismo. Mas antes abro um parêntese: do mesmo modo que falo do liberalismo em uma maneira ampla e sem levar em conta suas vertentes internas, assim falo do socialismo. Quer dizer, a filosofia política que também gerou diversas teorias e correntes próprias para buscar soluções para as relações sociais.

Tudo isso significa que as bases do pensamento socialista são tranquilamente compartilhadas por liberais, uma vez que foram os movimentos iluministas quem as forneceram. Como e por qual fim utilizar tais ferramentas é o que também distingue estas filosofias políticas. Podemos ver isso na interpretação que cada filosofia (e suas correntes internas) dá às ideias de liberdade, igualdade ou justiça, por exemplo. Do mesmo modo que individualismo necessariamente não significa “supressão do indivíduo para com outro indivíduo”, assim também é em relação ao coletivismo com a ideia da “supressão do coletivo sobre o indivíduo”. Nem todo socialista é coletivista, como nem todo coletivista é anti-indivíduo. É muito importante mencionar tais fatores porque isso faz cair por terra a errônea crença popular de que “direita é pró-indivíduo e esquerda pró-coletivo”.

Bom, é sabido que liberais e socialistas são os descendentes dos iluministas e comungam da perspectiva otimista de interpretar o mundo enquanto entidade social. Então que movimento defendia a perspectiva pessimista e quem são seus descendentes hoje?

Quando analisamos o período histórico do nascimento das teorias políticas modernas entre o final da Idade Média e início da Idade Moderna, não podemos nos esquecer do não menos importante movimento político chamado Contra-revolução. Movimento este presente em vários países europeus, porém de atuação mais expressiva na França. As ideias desse movimento faziam parte do corpo teórico defendido pelo absolutistas monárquicos, dos quais são os antepassados diretos dos conservadores modernos.

Por terem um ceticismo perante as reivindicações “idealistas” defendidas pelos primeiros liberais e socialistas, os absolutistas eram “impedidos” pelo pessimismo característico de vislumbrar qualquer tipo de reforma ou inovação estrutural na sociedade que não estivesse realmente se firmado numa continuidade. Tanto a democracia liberal, quanto o socialismo de estado ou o anarquismo eram concepções vistas por muitos como uma forma artificial, pois contava com construções teóricas que exigiam um certo grau de confiança abstrata referente ao funcionamento da sociedade e/ ou da própria natureza humana. Por exemplo, para alguns absolutistas a simples ideia da não existência de um governo regido pela hereditariedade soava como “anti-natural”.

Vale comentar que, por diversas particularidades, a Inglaterra não teve um movimento tão expressivo em favor do absolutismo como foi em outras partes da Europa. A ideia de um estado absoluto não era muito bem vista até por aqueles que compartilhavam da perspectiva pessimista. Esse grupo de pessimistas influenciou enormemente o pensamento conservador atual, sobretudo o de origem anglo-saxônica, pois diferencia consideravelmente na forma de se fazer política (mas não as bases filosóficas) dos conservadores mais apegados às lições pelos antigos apoiadores do absolutismo. Da mesma forma que os iluministas tiveram suas diferenças, os contra-revolucionários também tiveram.

Hoje os tempos são outros. Não existe mais grupos defendendo um retorno ao regime absolutista. Os conservadores, que carregam o pessimismo dos contra-revolucionários, já aceitaram a democracia liberal como um sistema de governo estável. Estando o norte conservador na preservação de princípios civilizacionais e das instituições políticas, os meios de como eles serão alcançados pouco importa no âmbito filosófico, seja através de uma forte intromissão governamental ou pela defesa da autonomia e da liberdade das comunidades. Mudança moderada ou radical nunca foi empecilho para o conservador firmar o tradicionalismo, dado que a natureza de sua mudança visada é de caráter mantenedora e não inovadora. Então podemos ver que o conservadorismo pode tanto tender para o autoritarismo, típico dos absolutistas, quanto a uma versão mais tolerante, presente nas ideias dos whigs moderados da Inglaterra. Nível de presença do governo na sociedade não é fator determinante para o espectro político. Nunca foi.

Como as ideias liberais, de uma forma geral, prevaleceram no mundo, é natural que hoje os conservadores defendam muitas delas, dando a impressão de que, a partir de agora, eles “se tornaram liberais”. Não se tornaram. O DNA pessimista ainda é o fator que guia a defesa das estruturas sociais consolidadas e tradicionais do pensamento conservador e não o gene otimista. Ou por acaso social-democratas modernos se tornaram liberais só porque largaram de vez a ideia do estado proletariado para abraçar a democracia liberal? Indo direto ao ponto, um conservador “é tão liberal” quanto um social-democrata, embora este último esteja muito mais próximo da filosofia liberal do que o primeiro por assuntos já comentados anteriormente.

Um adendo

Querer resumir os movimentos iluministas como se fossem apenas “movimentos políticos” é uma interpretação que não se sustenta. Estes movimentos foram muito mais do que expressão política propriamente dita, foram a expressão viva do ser humano em todas as suas relações. Os iluministas influenciaram as ciências naturais, as artes, a educação e forma de passar conhecimento e muitas outras coisas. Ajudaram a florescer verdadeiros debates religiosos, literários e ajudou na ideia da disseminação do conhecimento, seja através do livro ou da imprensa. Suas ideias desafiantes mexiam com a opinião pública, esclareciam conceitos baseados apenas em meras tradições ao ponto de chocar e escandalizar a sociedade com suas opiniões diferenciadas.

Estes senhores (e senhoras também) mudaram o mundo de tal maneira que, em poucos séculos, toda a sociedade deu saltos gigantescos na civilização para melhor. O que não quer dizer que tudo ocorreu como planejado, mas ainda assim vivemos bem melhor do que qualquer época já registrada. Diferente de hoje, em que podemos ver o mundo de nossos avós bem diferente, em séculos passados o que prevalecia era a mesmice. Essa é a perspectiva atuante que gira o mundo. O mundo não é feito por covardes, mas por gente que se arrisca, que questiona ou que sonha. Esse é o grande legado deixado pelos iluministas.

Conclusão

O liberalismo, enquanto filosofia, ainda é uma ideia radical, visionária, inovadora e, em certas vertentes internas, revolucionária. Desde o seu surgimento ele vem propondo ideias e alternativas que colocam em xeque o modo de ver a sociedade baseada na continuidade tradicional. A alegação da ideia do indivíduo como senhor de si é ainda revolucionária mesmo hoje. Estes ensinamentos iluministas também se mantém bem presentes nas vertentes libertárias do socialismo (anarquismo).

Um problema que eu vejo hoje está em enxergar as teorias e tendências políticas de origem direta no marxismo ou não (socialismo fabiano) da era pós-comunismo, quase que de forma exclusiva como “a esquerda”. Não tenho nenhum problema em classificar esta ou aquela prática, vertente ou proposta política como “de esquerda ou de direita” para dar a noção de algo moderado ou radical, de pouco ou mais inovador ou coisa do tipo dentro da realpolitik.

O problema é quando esses conceitos superficiais se transformam em um tipo de regra que envolve as filosofias políticas em si, pois tendem a ficar deturpadas e viciadas. Dado que isso tende a renegar aspectos teóricos e históricos, um estudante com uma maior bagagem cultural sobre filosofia política poderá se atrapalhar e não entender pontos muito mais importantes. A divisão entre “proletariado x burguês” do pré-comunismo e o “capitalismo x socialismo” da Guerra Fria é tão somente um fator histórico que não deve ser levado tanto em conta para os estudos das filosofias políticas. A ciência política pode lidar com isso de uma forma mais elegante.
Se os liberais franceses, antes da ascensão dos partidos de raiz socialista, eram vistos como os progressistas, esquerdistas no século dezenove e hoje são visto como direitistas, muito se deve a ideias particulares deste ou daquele autor, como também das próprias formas como as propostas políticas foram empregadas. Independente ser de cunho liberal ou não. O fato dos liberais terem se aproximado dos conservadores no século vinte para a contenção do marxismo é tão somente um fator circunstancial.

Será mesmo que os liberais não se manteriam próximos dos socialistas caso as vertentes libertárias deste último tivessem se sobressaído como influência maior no mundo, empurrando o socialismo estatista de Marx para os becos da intelectualidade? Bem, a história mostra que liberais e socialistas ficaram juntos na França quando os dois ainda mantinham propostas parecidas. Dado que parte da tradição socialista se radicalizou em prol da liberdade no século dezenove e o liberalismo no século vinte, soa até previsível que estas duas linhagens mantenham novamente laços próximos no século vinte um.

Liberalismo e socialismo, enquanto filosofia, possuem um ancestral comum e a tendência que eu acredito hoje está neles se reatarem como em séculos atrás, visto que as ideologias fortemente estatistas e/ ou autoritárias tão presentes no século vinte tem estado perdendo força nas últimas décadas. Sim, os dois pensamentos surgiram em épocas próximas, embora o liberalismo tenha vindo antes. É por isso que o liberalismo foi a primeira esquerda.

 http://mercadopopular.org/2014/06/liberalismo-a-primeira-esquerda-2/ (http://mercadopopular.org/2014/06/liberalismo-a-primeira-esquerda-2/)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 17 de Outubro de 2017, 18:48:56
*tópico errado*
Título: Criticas ao liberalismo.
Enviado por: Tirn Aill em 01 de Novembro de 2017, 06:14:54
O liberalismo é muito criticado por acadêmicos desde que ele surgiu. Vou postar alguns links.

Textos da Voyager que criticam o livre mercado.
https://voyager1.net/economia/o-fracasso-da-globalizacao-pautada-na-desregulacao-dos-mercados/
.
https://voyager1.net/selecionadas/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/
.
https://voyager1.net/historia/como-a-inglaterra-se-desenvolveu/
.
https://voyager1.net/historia/a-grande-depressao/
.
https://voyager1.net/politica/a-desegregacao-neoliberal/
.
https://voyager1.net/selecionadas/o-mito-sul-coreano/
.
https://voyager1.net/economia/a-suecia-e-seu-desenvolvimentismo-a-estrategia-que-rechacou-a-ideia-de-estado-minimo/
.
https://voyager1.net/mundo/pros-e-contras-da-australia/
.
https://voyager1.net/economia-politica/os-mercados-se-autorregulam-explicando-como-essa-ideologia-nos-roubou-trilhoes-e-quer-roubar-mais/
.
https://voyager1.net/sociedade/estado-minimo-e-intervencao-militar-nas-favelas/
.
https://voyager1.net/economia/o-canto-da-sereia-neoliberal-e-a-privatizacao-da-eletrobras/
.
Na verdade todo o site Voyager1 critica o liberalismo e o capitalismo, nem todos artigos são bons mas vale dar uma olhada para ver o que outro lado tem a dizer.

Também tem esse que critica diretamente a escola austríaca.
https://reflexoesparaoamanhecer.wordpress.com/
Título: Criticas ao liberalismo.
Enviado por: Tirn Aill em 01 de Novembro de 2017, 06:43:22
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 01 de Novembro de 2017, 11:14:31
A epistemologia envolvida nas inferências de causalidades em alguns desses artigos é ginasiana.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 01 de Novembro de 2017, 11:19:27
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/

Pode ser uma paródia muito bem arquitetada.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 01 de Novembro de 2017, 11:25:23
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 01 de Novembro de 2017, 11:41:40
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.

Interessante os caras usarem uma plataforma gratuita como o wordpress, cujo modelo de negócios só é possível graças ao modelo liberal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 03 de Novembro de 2017, 18:46:25
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 03 de Novembro de 2017, 22:30:33
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 00:32:50
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.
Errado. Pinochet adotou o modelo da Escola de Chicago (escola também liberal, mas no 'mainstream' do pensamento econômico). Hayek é o único economista da Escola Austríaca  levado a sério por ele nunca usar a pseudagem da Praxeologia em seus estudos, preferindo utilizar métodos convencionais de econometria. Curiosamente os Rothbardianos, os dominantes dentro da escola austríaca, detestam Hayek e consideram Rothbard o verdadeiro 'mestre'.

Por hora, Hayek curiosamente também é considerado um integrante da 'Escola de Chicago', sendo que os mesmo foi professor da Universidade de Chicago. Seu aluno mais ilustre? Milton Friedman.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 00:38:50
A resposta do FED para a crise de 2008 foi as aplicações das ideias de Friedman e da Escola de Chicago em prática.
https://www.federalreserve.gov/PubS/feds/2011/201126/201126pap.pdf
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: El Elyon em 04 de Novembro de 2017, 01:16:42
Citação de: Tirn Aill
Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".

Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 16:52:32
Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
O MBL é fruto da conspiração armada pelo Projeto Atlas para implantar um governo libertário global.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 04 de Novembro de 2017, 18:16:11
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
O Chile é bem menor que o Brasil, até em população, e mesmo com o crescimento econômico eles ainda têm pobreza e uma grande desigualdade. Além disso, existiram vários países que tiveram crescimento econômico com estatismo, Alemanha nazista, União Soviética por um tempo, A Rússia quando Putin assumiu o poder, etc. Sempre o estado teve um papel importante no crescimento dos países, até em Hong Kong.

O Neoliberalismo já vem sendo estudado desde quando ele foi implantado em alguns países, e os resultados não foram bons para os países de terceiro e segundo mundo, tem muitas criticas ao Neoliberalismo.  Dai vem alguns e dizem que Neoliberalismo não existe, sendo que o termo neo (novo) é usado para indicar a diferença entre o liberalismo antigo do Adam Smith com o do Hayek e Friedman.

Se fosse só adotar o estado mínimo, seria fácil todos os países fariam isso e ficariam bem, mas a realidade é mais complicada e difícil do que isso.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".
Falo da academia em um sentido mundial, não só no Brasil.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 21:33:16
O Neoliberalismo já vem sendo estudado desde quando ele foi implantado em alguns países, e os resultados não foram bons para os países de terceiro e segundo mundo, tem muitas criticas ao Neoliberalismo.  Dai vem alguns e dizem que Neoliberalismo não existe, sendo que o termo neo (novo) é usado para indicar a diferença entre o liberalismo antigo do Adam Smith com o do Hayek e Friedman.
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 04 de Novembro de 2017, 21:51:47
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
O Chile é bem menor que o Brasil, até em população, e mesmo com o crescimento econômico eles ainda têm pobreza e uma grande desigualdade. Além disso, existiram vários países que tiveram crescimento econômico com estatismo, Alemanha nazista, União Soviética por um tempo, A Rússia quando Putin assumiu o poder, etc. Sempre o estado teve um papel importante no crescimento dos países, até em Hong Kong.
[...]
Qual o problema em haver desigualdade no Chile? Desigualdade econômica é algo completamente natural no sistema capitalista e eliminá-la é simplesmente uma utopia socialista. Os pobres chilenos têm uma boa educação pública? A Segunda Melhor da América Latina (https://en.wikipedia.org/wiki/Education_Index). Saúde? Uma das mais eficientes do mundo. (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-sobre-a-eficiencia-dos-servicos-de-saude-brasil-fica-em-ultimo-lugar/) Crime? Menor taxa de homicídios intencionais da AL.  (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate)

A diferença do crescimento econômico do Chile (https://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile) ou da Nova Zelândia (https://en.wikipedia.org/wiki/Rogernomics) em relação aos países que você citou, é que o crescimento econômico por lá é durável justamente por não depender de fatores que possam envolver os problemas estatais, principalmente a corrupção ou conflitos que possam alterar os planejamentos do governo central. Da mesma forma que o estado foi importante para o crescimento econômico da URSS ou da Alemnha Nazista, o mesmo foi o responsável pelo seu colapso.

É indiscutível o estatismo exacerbado da Rússia, mas o crescimento econômico sob Putin se deve justamente às desestatizações econômicas e cortes de impostos promovidos por ele. (https://en.wikipedia.org/wiki/Russia_under_Vladimir_Putin#Economic_policies)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 05 de Novembro de 2017, 02:35:02
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Qual o problema deles serem marxistas ou pós-keynesianos? Isso não significa que o termo está errado. O termo foi criado por Alexander Rüstow: https://www.infoescola.com/historia/neoliberalismo/
                                                                                                                                                                                                                                  https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_R%C3%BCstow
Ele era pós-keynesiano também?

O FMI usa: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm
                  http://www.politize.com.br/neoliberalismo-o-que-e/
E é citado em vários países: https://www.google.com.br/search?q=neoliberalism&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b&gws_rd=cr&dcr=0&ei=mmj-WeSmOYakwATos6-ICQ
https://www.google.com.br/search?q=neoliberismo&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b&gws_rd=cr&dcr=0&ei=7Wj-WYyfMoWVwgSBsK-ICg
https://www.google.com.br/search?client=firefox-b&dcr=0&ei=S2r-WaVKw6rCBNbimKgJ&q=+%D8%A7%D9%84%D9%86%D9%8A%D9%88%D9%84%D9%8A%D8%A8%D8%B1%D8%A7%D9%84%D9%8A%D8%A9&oq=+%D8%A7%D9%84%D9%86%D9%8A%D9%88%D9%84%D9%8A%D8%A8%D8%B1%D8%A7%D9%84%D9%8A%D8%A9&gs_l=psy-ab.3..0i7i30k1l9j0i7i10i30k1.3618.3974.0.4460.2.2.0.0.0.0.293.457.0j1j1.2.0....0...1.1.64.psy-ab..0.1.289....0.BYbQ6yB9R8g
https://www.google.com.br/search?q=%E6%96%B0%E8%87%AA%E7%94%B1%E4%B8%BB%E7%BE%A9&client=firefox-b&dcr=0&source=lnms&sa=X&ved=0ahUKEwixnpm1pabXAhUJIpAKHXKvDMMQ_AUICSgA&biw=1920&bih=971&dpr=1

É um termo usado no mundo inteiro, o mundo está errado, quem está certo é a escola austríaca? Igual o Lair Ribeiro está certo e a medicina mundial errada?
Qual o problema em haver desigualdade no Chile? Desigualdade econômica é algo completamente natural no sistema capitalista e eliminá-la é simplesmente uma utopia socialista. Os pobres chilenos têm uma boa educação pública? A Segunda Melhor da América Latina (https://en.wikipedia.org/wiki/Education_Index). Saúde? Uma das mais eficientes do mundo. (http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-sobre-a-eficiencia-dos-servicos-de-saude-brasil-fica-em-ultimo-lugar/) Crime? Menor taxa de homicídios intencionais da AL.  (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate)

A diferença do crescimento econômico do Chile (https://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile) ou da Nova Zelândia (https://en.wikipedia.org/wiki/Rogernomics) em relação aos países que você citou, é que o crescimento econômico por lá é durável justamente por não depender de fatores que possam envolver os problemas estatais, principalmente a corrupção ou conflitos que possam alterar os planejamentos do governo central. Da mesma forma que o estado foi importante para o crescimento econômico da URSS ou da Alemnha Nazista, o mesmo foi o responsável pelo seu colapso.

É indiscutível o estatismo exacerbado da Rússia, mas o crescimento econômico sob Putin se deve justamente às desestatizações econômicas e cortes de impostos promovidos por ele. (https://en.wikipedia.org/wiki/Russia_under_Vladimir_Putin#Economic_policies)

Todo mundo sabe que no capitalismo sempre vai existir classes, até no socialismo real existe. Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui, como aqui no Brasil, onde uma minoria tem a mesma riqueza da metade dos mais pobres, onde pagam bem menos imposto que nós, onde eles compram o estado e o usa ao seu favor. Quanto mais pessoas se aproximam da classe alta melhor.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Tirn Aill em 05 de Novembro de 2017, 05:56:55
https://theintercept.com/2017/08/11/esfera-de-influencia-como-os-libertarios-americanos-estao-reinventando-a-politica-latino-americana/?comments=1#comments
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Novembro de 2017, 08:18:52
NORUEGA: CONHEÇA OS FATORES QUE PERMITIRAM SEU DESENVOLVIMENTO


A Noruega alcançou sucesso econômico e social em diversas áreas por ter seguido uma agenda de desenvolvimento totalmente inversa da qual é imposta atualmente no Brasil.

Por Leandro  Em 18 de dez de 2016

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A Noruega é um país gelado localizado no extremo norte da Europa e considerado por alguns o mais próspero do mundo.


Esse título é comumente atribuído a essa nação devido aos diversos indicadores econômicos invejáveis, estando sistematicamente entre os melhores do mundo em itens como PIB per capita [1] (indicador de geração de riqueza, maior = melhor), IDH [2] (indicador de desenvolvimento social, maior = melhor), índice GINI [3] (indicador de desigualdade social, menor = melhor), índice de homicídios [4] (menor = melhor), desemprego [5], dentre diversos outros (praticamente qualquer indicador de desenvolvimento tem a Noruega entre as primeiras posições).


Um país com tamanho êxito em áreas tão distintas é um caso importante a ser estudado por aqueles que desejam o sucesso econômico e social de sua própria nação e este texto se propõe a compreender o que tornou e mantém a Noruega numa posição destacada entre todos os países do mundo.


 
Serão levantados os principais pontos que tornaram a Noruega um caso de sucesso, dentre tantos outros países que encontraram grandes reservas de recursos naturais, dado que muitos acabam permanecendo no atraso dependendo unicamente da extração da matéria prima encontrada.


A Noruega se tornou um país independente da Coroa Sueca em 1905 e permaneceu com pouco destaque na economia europeia até o início da exploração de petróleo no Mar do Norte, na década de 60, cujo período deve ser resumido antes de se aprofundar em outros aspectos da economia norueguesa.


Centro financeiro no bairro de Bjørvika, em Oslo.


Isso se faz necessário pelo fato desse país, apesar de possuir uma pequena população,  de apenas 5 milhões de habitantes, ter se tornado o 13º maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 2 milhões de barris por dia, além de ser a origem de diversas companhias relevantes em nível mundial do setor (como a Statoil, a Aker Solutions, a Subsea 7, a Seadrill e a DOF). Essa relevância é visível na composição das exportações do país, na qual produtos relacionados ao petróleo chegam a quase 65% do valor exportado.


Alguns poderiam dizer que isso é consequência do petróleo fácil, como o do Oriente Médio, mas isso não é verdade. O petróleo norueguês está em alto mar e sempre precisou de tecnologia de ponta para ser devidamente extraído. Sua situação se aproxima muito mais com a do Brasil, México, Nigéria, Guiné Equatorial e Namíbia do que dos países do Oriente Médio que possuem óleo de altíssima qualidade e extremamente acessível logo abaixo de seus desertos. Não é necessário se estender para concluir que o ouro negro não trouxe prosperidade similar para os outros países em situação análoga à norueguesa.


Está gostando deste artigo sobre o desenvolvimento da Noruega? Então confira também o nosso artigo que explica como a Inglaterra se desenvolveu clicando aqui.


O Modelo Norueguês de Exploração de Petróleo


Durante a década de 60, a exploração de petróleo na Noruega era quase completamente feita por empresas privadas estrangeiras. No governo de Trygve Bratteli (do Partido Trabalhista Norueguês, que governou nos períodos de 1971-1972 e 1973-1976), foram tomadas decisões que muito influenciaram no destino da Noruega: A criação da Statoil (petrolífera 100% estatal), a definição de que o governo norueguês teria no mínimo 50% de todos os campos explorados a serem licenciados no país e a obrigatoriedade dos estrangeiros desenvolverem fornecedores locais (chegando ao ponto de forçar a contratação de fornecedores específicos para que sua operação fosse autorizada).


A partir da 4ª rodada de licenciamento (1978-1979) foi introduzida a obrigatoriedade de investimento em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas interessadas. Desse investimento, 50% obrigatoriamente teria que ser feito em instituições norueguesas.


A sede da Statoil, em Oslo, Noruega.


Em 1985, houve alteração no sistema: O Estado Norueguês passou a ter uma participação variável em cada projeto, definida para cada licença, sendo essa participação do Estado executada através da Statoil (ou seja, a todos os campos a serem licitados teriam a Statoil como sócia, com essa porcentagem variando em cada projeto).


No ano de 1990, foi criado o atual fundo soberano norueguês: o Government Pension Fund Global. Fundo esse que se tornaria o maior fundo soberano do planeta, responsável por investir a receita do governo norueguês como consequência de sua participação na exploração de petróleo do país.


As políticas de conteúdo local foram abolidas em 1994, como consequência de um acordo de livre comércio com a União Européia.


Em 2001, foram vendidas parte das ações da Statoil, que se tornou uma empresa de economia mista, mas tendo como maior acionista o Estado norueguês (que permaneceu como único controlador da empresa). Com essa venda, a participação estatal nos campos passou a ser administrada através da recém fundada Petoro (100% estatal), a qual, porém, não opera nenhum campo.


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Pode-se dizer que o regime de partilha que tentou se estabelecer para o pré-sal brasileiro foi inspirado no regime norueguês em diversas de suas fases, como:

1- Possuir uma participação estatal variável para cada campo licitado, administrada por uma empresa 100% estatal (Pré-Sal Petróleo S/A), com participação obrigatória da operadora de economia mista (Petrobras), de uma forma que também varia em cada projeto;

2- Criação de um fundo soberano para a investimento das receitas do Estado provenientes da extração petrolífera;

3- Obrigatoriedade de conteúdo local para os empreendimentos.

O Fundo Soberano e o Estado Empresário Norueguês


Pode-se dizer que a principal herança do modelo de exploração de petróleo norueguês é o seu fundo soberano, o Government Pension Fund Global que por si só é uma demonstração do gigantismo do Estado norueguês.


O valor de mercado do fundo soberano no dia de elaboração desse artigo ultrapassava 7 trilhões de coroas norueguesas (mais de 800 bilhões de dólares), sendo que todo o mercado de ações da Noruega estava avaliado em pouco mais de 2 trilhões de coroas norueguesas (menos de 1/3 do tamanho do fundo soberano do país). A dívida pública norueguesa se encontrava em um pouco mais de 1 trilhão de coroas norueguesas, o que significa que o fundo soberano poderia comprar todas as ações e toda a dívida pública norueguesa 2 vezes que ainda assim sobraria dinheiro.


Como o PIB da Noruega está um pouco acima de 3 trilhões de coroas norueguesas (menos de 400 bilhões de dólares), isso significa que toda a riqueza produzida no país em dois anos é menor que o valor de mercado do fundo soberano norueguês.

No entanto, mesmo sem considerar o Government Pension Fund Global, o governo é o principal player econômico do país, controlador de todas as 5 maiores empresas da Noruega em valor de mercado (já excluindo dessa lista as empresas totalmente estatais, que não possuem valor de mercado bem definido para serem avaliadas), que estão listadas abaixo:


A participação do Estado na economia norueguesa


 ANT 1 de 5 PRÓX

 Statoil ASA (67% diretamente do Estado, 3% do Estado via fundos. Controlada pelo Estado)
 Norsk Hydro ASA (35% do Estado, 1% dela mesma. Controlada pelo Estado)
 Telenor SA (54% diretamente do Estado. Controlada pelo Estado)


Dentre essas empresas se encontram a maior petrolífera do país (Statoil), a maior empresa de telecomunicações (Telenor), o maior banco (DNB), além da maior empresa de alumínio (Norsk Hydro), mas a participação do governo em setores estratégicos não se resume a essas companhias.


No setor de energia elétrica, por exemplo, praticamente não há espaço para a inciativa privada. Toda a transmissão e distribuição de energia elétrica em alta tensão é controlada por uma empresa 100% estatal chamada Statnett, que também é a operadora do sistema.


Na geração de energia, além da Norsk Hydro (segunda maior geradora de energia do país), o Estado está presente através da Statkraft (maior geradora de energia do país) e da TrønderEnergi, dentre outras empresas públicas.

Com geração quase totalmente estatal, a Noruega é um dos líderes mundiais no uso de energia limpa e renovável, com mais de 99% de suas necessidades energéticas geradas através de usinas hidrelétricas. Também lidera no uso de carros elétricos e se destaca mundialmente com planos agressivos de redução das emissões de gases poluentes (o que parece irônico vindo de um país que tem nos derivados de petróleo o principal produto de exportação).


Antes da criação da Statnett e Statkraft, a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica era tratada diretamente pelo Norges vassdrags- og energiverk, que é algo como um Ministério das águas e energia. O que significa que o modelo estatal na área de energia elétrica é bastante antigo.


Outro ponto que deve ser destacado é o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.


Carga Tributária e o Estado de Bem-Estar Social Norueguês


Outro ponto em que a Noruega se destaca é quanto a seus altos impostos. O sistema de taxação norueguês é todo construído de acordo com a ideia de que cada um deve pagar impostos de acordo com suas capacidades, ou seja, o imposto é progressivo: quem ganha mais, paga mais. Pode-se dizer que os impostos noruegueses são altos porque, desde 1970, o peso dos mesmos está entre 35% e 45% do PIB, com pequenas variações no período, sempre figurando entre as maiores entre os países membros da OCDE.


Os noruegueses usufruem dos melhores indicadores sociais do mundo.

Sobre o Estado de Bem-Estar Social, pode-se dizer que a Noruega é referência no mundo, sendo utilizada como exemplo clássico de Estado que propicia tudo que um cidadão pode desejar de um governo, o que um (neo)liberal consideraria um entrave para o desenvolvimento de uma nação.


Os direitos trabalhistas são muito extensos. A lei permite trabalho até 40h semanais, mas todos os acordos coletivos vigentes são de até 37,5h semanais. Além disso, funcionários tem direito a redução de carga horária por motivos sociais, de saúde ou bem-estar. Os que não possuem cargo de chefia devem receber no mínimo 40% de adicional em caso de horas extras.

Todos os funcionários tem direito a 5 semanas de férias, sendo que aqueles com mais de 60 anos possuem o direito de uma semana adicional (totalizando 6 semanas). 3 dessas semanas devem ser tiradas de forma consecutiva, enquanto as outras 2 semanas podem ser divididas em dias ou semanas separadas.


Um funcionário tem direito a 10 dias por ano para cuidar de seus filhos doentes, aumentando para 15 no caso de ter mais de um filho. Pais (ou mães) solteiros tem esse benefício dobrado (20 dias no caso de um filho e 30 no caso de mais de um). Em caso de gravidez, são disponibilizadas 43 semanas (algo próximo de 10 meses) de folga a serem compartilhadas pelo pai e mãe (sendo que as primeiras 6 semanas necessariamente devem ser da mãe e 14 dessas semanas necessariamente do pai).


O seguro-desemprego é bastante generoso. O desempregado recebe 62,4% de sua renda bruta por até 1 ou 2 anos, dependendo de sua faixa de renda. Caso você não tenha dinheiro o suficiente para sua subsistência, o governo irá complementar sua renda no valor que considerar necessário (o valor depende do município).


O hospital público Østfold, em Oslo, Noruega.


O sistema de saúde norueguês é universal, gratuito, descentralizado e financiado pelos impostos. A maior parte dos hospitais é estatal, com uma quantidade muito pequena de hospitais privados. Além disso, mesmo os hospitais privados normalmente recebem dinheiro do Estado.


A Noruega possui um sistema educacional público bem estruturado, que abrange desde a infância até a universidade. Apenas o jardim de infância é pago, mas o governo tem como objetivo torna-lo acessível para todos que tenham interesse em colocar seus filhos no jardim de infância. Quanto ao tamanho do sistema público em relação ao privado, se encontram fora do sistema estatal de educação 45% das crianças no jardim de infância, 2,2% dos usuários da educação primária e secundária baixa (10 primeiras séries, dos 6 aos 16 anos), 6% dos alunos da educação secundária superior (16-19 anos) e 13% dos alunos universitários.


 
Conclusões


Reine, no arquipélago de Lofoten, no norte da Noruega.


Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Também salta aos olhos que a corrupção não é combatida com retórica simplista que responsabiliza o Estado e ignora a corrupção privada. Na Noruega as contas dos indivíduos são expostas e isso é utilizado para inibir a corrupção pública e privada simultaneamente.


Tudo isso leva a um sério questionamento acerca da ideologia que está sendo vendida como solução para o Brasil.

Referências:

• [1] Knoema – GDP per capita ranking 2016
• [2] PNUD – Relatório do Desenvolvimento Humano 2015
• [3] The World Bank – World Development Indicators: Distribution of income or consumption
• [4] UNODC Statistics
• [5] The World Bank Data – Unemployment, total (% of total labor force)
• OEC – Norway
• Norsk Petroleum – Everything you need to know about Norwegian petroleum activities
• Norges Bank
• Forbes – The World’s Biggest Public Companies: Norway
• Statoil – Major shareholders
• Telenor Group – Major Shareholdings
• DNB – Shareholders
• Yara – Shareholders
• Hydro – Main Shareholders
Our Power Plants
• Oslo Bors – Norwegian Indices
• National Debt Clocks – National Debt of Norway
• Statista – The world’s leading primary aluminum producing companies in 2015, based on production output (in 1,000 metric tons)
• Statkraft – Hydropower
• Statnett – Legislation
• The Guardian – Norway pledges to become climate neutral by 2030
• Skatteetaten – Tax in Norway
• OECD – Revenue Statistics – OECD countries: Comparative tables
• NHO – Basic Labour Law
• NAV – Unemployment benefits
Information about NAV’s services and benefits
Pensions and pension applications from outside Norway
• Transparency International – CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2014: RESULTS
• BBC – Tax transparency: Could the UK take a leaf out of Norway’s book?
• G1 – A Noruega pode ter o segredo para acabar com a sonegação de impostos?
• Statens legemiddelverk – The Norwegian health care system and pharmaceutical system
• Utdanningsdirektoratet – Education in Norway: from Kindergarten to Adult Education


https://voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Novembro de 2017, 11:27:44
Mas não existe mesmo. Mostre uma fonte que não seja Marxista ou Pós-Keynesiana que utilize esse termo. Até os Neokeynesianos são chamados de "Neoliberais".
Qual o problema deles serem marxistas ou pós-keynesianos? Isso não significa que o termo está errado. O termo foi criado por Alexander Rüstow: https://www.infoescola.com/historia/neoliberalismo/
                                                                                                                                                                                                                                  https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_R%C3%BCstow
Ele era pós-keynesiano também?
Não. O termo "neoliberalismo" na época de Rüstow descrevia o "Ordoliberalismo" alemão. Somente na década de 1980 o termo ganhou a conotação atual.


Citar
O FMI usa: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm               
O FMI é justamente o órgão considerado mais "neoliberal" pela esquerda. Os três cidadãos que escreveram esse artigo são justamente da Escola de Chicago e citam Milton Friedman, que rejeitava o termo. Admito que é o único artigo não enviesado que li sobre esse tópico.

Citar
É um termo usado no mundo inteiro, o mundo está errado, quem está certo é a escola austríaca? Igual o Lair Ribeiro está certo e a medicina mundial errada?
A Escola Austríaca, Milton Friedman, George Stigler, Hayek...

Citar
Todo mundo sabe que no capitalismo sempre vai existir classes, até no socialismo real existe. Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui, como aqui no Brasil, onde uma minoria tem a mesma riqueza da metade dos mais pobres, onde pagam bem menos imposto que nós, onde eles compram o estado e o usa ao seu favor. Quanto mais pessoas se aproximam da classe alta melhor.
No Brasil é algo mais peculiar. A nossa elite é composta basicamente por poderosos donos de terras, altos funcionários públicos (como juízes, promotores...) e políticos (sendo que estes geralmente já são os dois primeiros). Nosso problema é justamente o tamanho e a organização do Estado. Você confia em um estado governado por marajás? Você quer aumentá-lo ainda mais para praticar caridade com o dinheiro dos mais pobres que já pagam mais impostos? Ou você prefere reduzir impostos, aumentando seu poder de consumo sobre bens e serviços, reduzir os gastos estatais e aumentar sua eficiência, reduzindo-se aos setores essenciais (saúde, educação, segurança, justiça e defesa)? Eu prefiro a segunda opção "neoliberal". :hihi:

Quanto a isso:
Citar
Quando falamos de desigualdade estamos falando de uma anomalia em que uma minoria desfruta muitos bens que a maioria não possui[...]
Na verdade, o Coeficiente Gini não leva o poder de consumo em consideração. Ele apenas faz uma média sem considerar os salários e quanto cada indivíduo pode consumir, apenas faz um cálculo de distribuição de riqueza. Se você separa um grupo de 100 indivíduos, onde o primeiro gana 1 milhão e o centésimo ganha 100 milhões, e todos ganham entre 1 milhão e 100 milhões, o seu coeficiente será altíssimo. Mas isso quer dizer que os mais pobres não t~em poder de consumo? Não.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 05 de Novembro de 2017, 11:44:53

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Novembro de 2017, 20:42:45
https://theintercept.com/2017/08/11/esfera-de-influencia-como-os-libertarios-americanos-estao-reinventando-a-politica-latino-americana/?comments=1#comments
:lol: :lol:
Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
O MBL é fruto da conspiração armada pelo Projeto Atlas para implantar um governo libertário global.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 08:09:33

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 08:16:27
AFEGANISTÃO

Produção afegã de ópio aumenta 43%, diz ONU


Novos dados das Nações Unidas mostram um forte acréscimo da produção de ópio no Afeganistão. O aumento se deve à crescente insegurança no país como resultado da insurgência dos talibãs, dizem autoridades.



Colheita de ópio no Afeganistão



Neste ano, foram produzidas por volta de 4,8 mil toneladas de ópio no Afeganistão, um aumento de 43% em relação ao ano passado, declarou neste domingo (23/10) o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC, na sigla em inglês).


Segundo a ONU, a superfície de cultivo da droga atingiu 201 mil hectares, um aumento de 10% em relação à última pesquisa divulgada no ano passado. De acordo com o documento, esse acréscimo se deve à crescente insegurança no país como resultado da insurgência dos talibãs.


"O aumento de 10% no cultivo de ópio se deve à insegurança. A maior parte das plantações se concentra em áreas controladas pelos talibãs e zonas inseguras e de difícil acesso", disse o ministro afegão responsável pelo combate a drogas, Salamat Azimi, na apresentação do estudo em Cabul.


A região norte do país, onde os insurgentes ganharam terreno nos últimos meses, registrou um forte aumento no cultivo da planta, de acordo com a Pesquisa de Ópio no Afeganistão 2016, realizada pelo ministério afegão e UNODC.


Apesar disso, a maior parte da produção, 59%, se concentrou na região sul, berço do movimento talibã e tradicionalmente a principal zona de domínio insurgente.


Como já antecipou no começo do mês o diretor do UNODC, Yury Fedotov, durante uma conferência em Bruxelas para arrecadar fundos para o Afeganistão, a erradicação desta substância ficou praticamente paralisada em 2016.


"Devido à insegurança, a maioria das forças de segurança esteve ocupada em operações antiterroristas. Neste ano não pudemos destruir mais plantações de ópio", explicou o vice-ministro de combate a drogas, Baath Muhammad Ahmadi.


A erradicação caiu 91%, de 3.760 hectares destruídos em 2015 para apenas 350 neste ano. O Afeganistão é o principal produtor de ópio do mundo e, em 2012, 75% da heroína mundial procedeu deste país, no qual segundo dados da ONU os ingressos gerados pela produção da droga financiam 15% das atividades dos talibãs.



http://www.dw.com/pt-br/produ%C3%A7%C3%A3o-afeg%C3%A3-de-%C3%B3pio-aumenta-43-diz-onu/a-36127684




Um viva para o Estado pequeno e fraco.  :biglol:


Outro viva para a liberdade para os  capitalistas.   :biglol:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Novembro de 2017, 10:57:21
É difícil não rir das definições de liberalismo clássico do JJ. Se eu pudesse usar um dispositivo para identificar uma pessoa que nunca leu um livro de um liberal clássico, eu citaria que ela diz isso: "Liberais clássicos defendem que o Estado seja fraco". E, agora, essa de dizer que o Afeganistão é um exemplo de Estado liberal é coisa típica de quem quer desesperadamente criar uma caricatura. 

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 06 de Novembro de 2017, 11:22:25

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.





Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 12:04:37
É difícil não rir das definições de liberalismo clássico do JJ. Se eu pudesse usar um dispositivo para identificar uma pessoa que nunca leu um livro de um liberal clássico, eu citaria que ela diz isso: "Liberais clássicos defendem que o Estado seja fraco". E, agora, essa de dizer que o Afeganistão é um exemplo de Estado liberal é coisa típica de quem quer desesperadamente criar uma caricatura. 





Repare na resposta do Lorentz que eu quotei, eu só respondi  de forma semelhante ao estilo que ele usou.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Novembro de 2017, 12:06:57

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.

Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.



O Afeganistão é um exemplo de quase anarquia capitalista,  em boa parte do território o Estado praticamente não existe. E o Afeganistão como um todo tem um Estado enxuto, bem enxuto.


E também lá os  capitalistas tem a preciosa liberdade para fazer o que bem entendem (não tem um Estado grande oprimindo os capitalistas), inclusive atenderem o importante (no conceito dos libertários) mercado de drogas, e esta liberdade é defendida pelos anarco capitalistas.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 06 de Novembro de 2017, 12:32:44

Levando em consideração todos os fatores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos setores chave da economia (extração de matéria prima, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema elétrico, entre outros), o oferecimento de amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais.


Não vejo a hora do nosso Estado passar a controlar setores chave da economia para fazer o Brasil prosperar como a Noruega. Acho que quando o governo controlar energia, petróleo, serviços básicos, saúde, educação, bancos, etc, vamos virar uma Noruega.

Estamos quase lá. Se não está dando certo, é porque ainda temos pouco Estado. Precisamos de mais Estado.


Não vejo a hora do Estado ser bastante reduzido de modo que possamos ter o progresso que o interior do Afeganistão tem tido. E de modo que os Capitalistas possam ter a liberdade de  produzir e de  vender drogas a vontade, como os Capitalistas do interior do Afeganistão tem.

Comparar com Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá, Chile, nem pensar, né? Já pensa do Afeganistão, que obviamente não tem o estado pequeno como problema, pois uma teocracia como o Irã também tem seus inúmeros problemas.

Quando nós aqui defendemos um Estado mais enxuto, não estamos pensando no Afeganistão, mas no Canadá. Ok? Não dá pra defender nosso país com juízes recebendo salários quase milionários.



O Afeganistão é um exemplo de quase anarquia capitalista,  em boa parte do território o Estado praticamente não existe. E o Afeganistão como um todo tem um Estado enxuto, bem enxuto.


E também lá os  capitalistas tem a preciosa liberdade para fazer o que bem entendem (não tem um Estado grande oprimindo os capitalistas), inclusive atenderem o importante (no conceito dos libertários) mercado de drogas, e esta liberdade é defendida pelos anarco capitalistas.




Qual o problema de haver mercado de drogas? E o que o Estado está fazendo para impedir o maior produtor e maior mercado de cocaína do mundo (Américas)?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Novembro de 2017, 18:14:43
Vontade de responder o JJ, mas não terei paciência e receberei cartão.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: MarceliNNNN em 07 de Novembro de 2017, 14:37:09
Só espantalho... haja paciência.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: EuSouOqueSou em 07 de Novembro de 2017, 20:27:07
Vontade de responder o JJ, mas não terei paciência e receberei cartão.

Não vale a pena, bons foristas já tomaram cartão por causa dessas jjotices, ignore.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Novembro de 2017, 08:49:50
Mundo tenta se unir contra enxurrada de aço da China

Com informações da Agência Brasil -  16/05/2016


 
Excesso de aço       


Dez associações da indústria do aço dos Estados Unidos, Canadá, México, América Latina, Europa e Turquia endossaram comunicado global sobre excesso de capacidade de produção de aço no mundo.


O documento reconhece que os desafios enfrentados pela indústria siderúrgica têm dimensão global e, por essa razão, precisam ser tratados por meio de um diálogo também em nível mundial e de caráter permanente.

O manifesto foi lançado após reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em abril, assinado pelos governos do Canadá, Estados Unidos, Japão, México, União Europeia, República da Coreia, Suíça e Turquia.


Houve consenso na avaliação de que, apesar de esses desafios do setor resultarem, muitas vezes, de problemas econômicos ou estruturais, há medidas que vêm sendo tomadas por alguns países que acabam contribuindo para o aumento do excedente de produção e distorções nos fluxos de comércio, além de práticas de concorrência desleal.


Braço de aço contra a China


O documento explicita uma queda de braço entre a China e o resto do mundo no campo da indústria siderúrgica.


O excesso de capacidade na produção mundial de aço alcança hoje cerca de 700 milhões de toneladas de aço, dos quais 400 milhões são da China. A OCDE prevê que, em 2017, o excesso de capacidade de produção siderúrgica chegará a 800 milhões de toneladas no mundo.


Segundo o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, a situação no Brasil é muito delicada, porque o mercado interno continua muito fraco.



Lopes disse que todos os países estão tomando providências de fechamento dos seus mercados para a exportação de aço da China. "E nós aqui, não", lamentou. No momento, acrescentou, é importante que o Brasil esteja atento e tenha capacidade de, "ao identificar um novo surto de exportação siderúrgica para cá, consiga reagir a tempo de evitar maiores danos".




Há 15 anos, a China entrou com protocolo de acesso na Organização Mundial do Comércio (OMC) e entende que esse acesso é automático ao fim desse prazo, que termina no dia 12 de dezembro próximo. O IABr e as demais entidades internacionais do setor entendem que o acesso não é automático. Caberá à OMC resolver essa disputa.


Crise no setor siderúrgico brasileiro


O IABr aponta que o setor siderúrgico brasileiro vive a pior crise de sua história. Essa crise vem se agravando devido a fatores estruturais, como custo de energia, custo tributário, cumulatividade de impostos, juros e câmbio.


Dados do instituto mostram que a produção siderúrgica brasileira, acumulada nos três primeiros meses deste ano, somou 7,4 milhões de toneladas de aço bruto e 5,1 milhões de toneladas de laminados, com redução, respectivamente, de 12,3% e 17,5% em comparação a igual trimestre de 2015.


As vendas de laminados no mercado interno caíram 23,3% entre janeiro e março e a de semiacabados, 7,3%. Do mesmo modo, o consumo aparente nacional atingiu 4,3 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, revelando queda de 29,3% em relação aos três primeiros meses de 2015.



http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=mundo-tenta-se-unir-contra-producao-aco-china&id=010175160516#.WhajndKnGM8


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Novembro de 2017, 12:42:55

Dono de Ferrari de R$ 3,9 milhões pagará maior IPVA de SP: R$ 159 mil


IPVA corresponde a 4% do preço estimado da F12 tdf. Já o menor valor é de R$ 10,44 para moto Hero Stream 50, ano 1999.


fim do ano está chegando, e alguns já começam a fazer as contas para as despesas do início de 2018, incluindo o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, o famoso IPVA.


Se você acha o tributo do seu carro um absurdo, imagine o dono de uma Ferrari F12 tdf, ano 2016, que pagará R$ 159 mil de IPVA em 2018.
O esportivo foi avaliado em R$ 3.982.466, conforme a tabela de valores venais divulgada pela Secretaria da Fazenda de São Paulo nesta quinta-feira (30).
Aplicando-se a alíquota de 4% sobre o valor venal, chegamos a R$ 159.298,64 de IPVA 2018 para o dono desta Ferrari. Com este valor é possível
Com motor de 780 cavalos de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos, a F12 tdf é uma versão especial da F12 Berlinetta com apenas 799 unidades fabricadas no mundo.


O menor valor de IPVA 2018 no estado será de R$ 10,44, para uma moto Brandy Hero Stream 50, ano 1999.


https://g1.globo.com/carros/noticia/dono-de-ferrari-de-r-39-milhoes-pagara-maior-ipva-de-sp-r-159-mil.ghtml


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 30 de Novembro de 2017, 13:18:54
Muitas vezes eu penso que o IPVA e o IPTU são uma forma de roubo ou extorsão.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Novembro de 2017, 15:23:44


E além de pagarmos um preço mais elevado pelos automóveis ainda existe um imposto anual em cima da propriedade do automóvel. Já nos Estados Unidos o imposto na aquisição é bem mais baixo e não existe imposto anual sobre a propriedade de veículo automotor (existe apenas o licenciamento que é em torno de US$60,00, que é o equivalente ao nosso licenciamento para transitar com o veículo).

Deve ser por isso que as estradas nos Estados Unidos são tão ruins.   ::)


Realmente eu dou a razão para quem pensa em mudar para um país de primeiro mundo como os Estados Unidos.  :|


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 07:30:00

E o grande líder dá o exemplo de como ser liberal e defender o livre comércio: 


 8-)


EUA impõem tarifas contra importações de aço plano de oito países

Reuters  ECONOMIA  por REUTERS 30/03/2017 - 17H51



WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira pela imposição de tarifas antidumping de 3,62 a 148 por cento contra certos tipos de aço carbono laminado importados de oito países, afirmou o secretário de Comércio, Wilbur Ross.


As determinações se aplicam a importações de chapa grossa de tipo CTL da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul e Taiwan, disse Ross.


Além disso, houve uma decisão final de que as importações de produtos sul-coreanos são subsidiadas, o que gerou imposição de tarifa de 4,31 por cento.


Em 2015, as importações de chapas grossas CTL pelos Estados Unidos vindas dos oito países somaram 732 milhões de dólares.


https://noticias.r7.com/economia/eua-impoem-tarifas-contra-importacoes-de-aco-plano-de-oito-paises-30032017



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 07:35:02
E vem mais dose de liberalismo do grande líder :


Trump reitera plano de restringir importação de aço dos EUA

AE Agência Estado
postado em 13/07/2017 19:31


Washington, 13 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou seu plano de impor novas restrições à importação de aço, embora não tenha dado detalhes sobre como pode proceder. "O aço é um grande problema", disse Trump a repórteres durante um voo para a França. Trump reclamou que os EUA sofreriam com suposto dumping no setor. "E eu estou acabando com isso."

Questionado sobre que tipo de medidas ele usaria, o presidente respondeu: "Há duas maneiras - cotas e tarifas. Talvez eu use as duas."



As declarações foram dadas por Trump na quarta-feira, mas não foram tornadas públicas até a tarde desta quinta-feira. Elas foram respostas a questões de repórteres que viajavam com ele a Paris para um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, nas celebrações do Dia da Bastilha.

No fim de abril, Trump e o secretário de Comércio, Wilbur Ross, anunciaram que estudariam a possibilidade de impor novos limites à importação de aço em nome da "segurança nacional". O presidente disse várias vezes que pretendia fazer isso até o fim de junho. O processo, porém, atrasou em meio a debates com assessores, bem como pela forte pressão de parceiros comerciais do país e de consumidores americanos de aço.


Em suas declarações da quarta-feira, Trump não disse quando pode impor novas medidas, nem como elas devem ser aplicadas. O presidente disse que o problema "não é apenas a China, mas outros", sem especificar. Fonte: Dow Jones Newswires.


https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/07/13/internas_economia,883716/trump-reitera-plano-de-restringir-importacao-de-aco-dos-eua.shtml




É liberalismo demais,  é liberalismo para dar e vender. :biglol:



 8-)



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 15:50:47
Você gosta de espantalhos, não?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 16:11:03
Que tal o seguinte: O Brasil, nos últimos 50 anos passando de JK aos militares, e dos miltares à democracia, adotou uma política econômica protecionista e nacionalista, algo que está enraizado na nossa legislação, e mesmo assim, não se desenvolveu tal qual os países asiáticos, que, contrariando você, se desenvolveram sem um forte protecionismo, mas com bastante investimento externo e acordos de livre-comércio. (https://www.wto.org/english/res_e/booksp_e/stat_tradepat_globvalchains_e.pdf)

O protecionismo no Brasil é uma falha no sistema tributário Brasileiro. Só existe, porque nossas empresas não conseguem competir com o que vêm de fora, e isso é culpa da hiper-taxação que nossa indústria sofre, entre outros fatores que tornam nossos produtos de má qualidade. Se quisermos desenvolver nossa indústria, não vai ser com protecionismo que vamos conseguir isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 17:40:34
Você gosta de   , não?


Os meus comentários nos dois últimos post foram irônicos. E as notícias  mostradas são fatos.


O grande líder está dando um exemplo muito muito  interessante.   :ok:







Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 17:49:04
Brasil de 1950 a 1980:

O Desenvolvimento Econômico Brasileiro no Pós-Guerra 1

Pedro Cavalcanti Ferreira
 Fernando Veloso


"Entre 1950 e 1980, o Brasil passou por uma profunda transformação. Nesse período, a economia brasileira cresceu a uma das taxas mais elevadas do mundo e o país deixou de ser predominantemente rural e agrícola, para se tornar urbano e com sua produção concentrada na indústria e no setor de serviços. O rápido crescimento foi viabilizado em boa medida pela maciça transferência de recursos da agricultura, caracterizada por baixa produtividade, para setores mais produtivos, como a indústria e serviços. Entretanto, com exceção do período de reformas associadas ao Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) entre 1964 e 1967, com forte impacto posterior sobre o crescimento, a tônica das estratégias de desenvolvimento do período centrou-se no incentivo à acumulação de capital físico, industrialização via substituição de importações e ativa participação do estado na economia. "



https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/14054/O_Desenvolvimento_Econ%C3%B4mico_Brasileiro_no_P%C3%B3s_Guerra.pdf



-----------------------------------------



O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:16:38
Você gosta de   , não?


Os meus comentários nos dois últimos post foram irônicos. E as notícias  mostradas são fatos.


O grande líder está dando um exemplo muito muito  interessante.
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Dezembro de 2017, 18:26:01
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.



Eu fui irônico, eu não tomei como exemplo de liberalismo,   o que  eu  quis mostrar com as notícias é justamente alguns pontos práticos  de  desprezo do grande líder  pela ideologia  liberal, e especialmente pelo livre comércio.


É um exemplo do "faça o que eu falo (ou que falava antes), mas não faça o que eu faço". Foi isto.






Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:41:25
O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980
Com uma profunda inflação e desindustrialização nas duas décadas seguintes.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 02 de Dezembro de 2017, 18:43:06
Não, não está. Você está tomando como exemplo de liberalismo um país em que o Lobby é legalizado, e a partir daí inferindo que "medidas liberais" não são aplicadas por razões puramente estratégicas. Não sei como você chama isso, mas isso definitivamente não é um argumento contra o liberalismo, mas sim um espantalho.



Eu fui irônico, eu não tomei como exemplo de liberalismo,   o que  eu  quis mostrar com as notícias é justamente alguns pontos práticos  de  desprezo do grande líder  pela ideologia  liberal, e especialmente pelo livre comércio.


É um exemplo do "faça o que eu falo (ou que falava antes), mas não faça o que eu faço". Foi isto.
Aham. Tá bom. Sabemos disso. Acreditamos em você.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 02 de Dezembro de 2017, 20:06:41
O Brasil deve ter sido um liberalzão porreta  entre 1950 e 1980
Com uma profunda inflação e desindustrialização nas duas décadas seguintes.

Pareceu o "milagre soviético" de 1930-1970. Veio o milagre econômico e depois veio um milagre econômico às avessas. Década perdida de 1980, estagnação nos anos 1990, um oásis de crescimento econômico bom de 2004-2011 e a volta a mais uma década perdida.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Dezembro de 2017, 08:25:29


EUA vão encerrar acordo de comércio de aço plano com Rússia



WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos vai terminar um acordo de 15 anos que protegia produtores de aços planos laminados a quente da Rússia de elevados impostos de importação, afirmou o órgão em carta enviada a autoridades russas.


Na carta, os EUA deram à Rússia um aviso de 60 dias sobre o encerramento do acordo antes da retomada de tarifas contra dumping.


O acordo protegia siderúrgicas russas das tarifas de até 184,56 por cento incidentes sobre aços laminados a quente, aços planos laminados e aço carbono e definia limites à importação e preços mínimos. Com a suspensão do acerto, tarifas começarão a ser aplicadas a partir de 16 de dezembro, segundo a carta do departamento.



Os produtores de aço dos EUA reclamaram ao departamento em julho, afirmando que o acordo de 1999 não impediu siderúrgicas russas de inundarem o mercado norte-americano.
Nucor, US Steel, ArcelorMittal e outras companhias afirmaram que o preço de referência que tinha sido definido no acordo era inferior aos praticados nos EUA desde 2004.



A russa Severstal enfrenta agora tarifas antidumping de 73,59 por cento. Outras siderúrgicas russas, como a Novolipetsk Steel e Magnitogorsk Iron and Steel Works terão de pagar tarifas de 184,56 por cento.




O Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) comemorou a decisão. "Nossa indústria não deveria se sujeitar a prejuízos pelo aumento nas importações de aços laminados a quente da Rússia que chegam a este país sob um acordo que não atende mais a seu propósito", disse o presidente da AISI, Thomas Gibson.

(Por Krista Hughes)



https://oglobo.globo.com/economia/eua-vao-encerrar-acordo-de-comercio-de-aco-plano-com-russia-8440960




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Algum liberalzão  consegue explicar como a burra, estúpida, socialista, e autoritária Rússia consegue produzir  aços planos laminados a quente por um preço muito mais competitivo do que o inteligentão,  liberalzão,   capitalistão  e democraticão  EUA ? 


 :?:



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 03 de Dezembro de 2017, 08:54:39
Pelo que eu lembro, praticando dumping patrocinado pelo governo russo. Acho que as indústrias russas citadas foram todas criadas após a queda da URSS, já na esteira do 'capitalismo de compadrio' que predomina na Rússia, como é o caso exemplar da área de petróleo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Dezembro de 2017, 09:07:41
Pelo que eu lembro, praticando dumping patrocinado pelo governo russo. Acho que as indústrias russas citadas foram todas criadas após a queda da URSS, já na esteira do 'capitalismo de compadrio' que predomina na Rússia, como é o caso exemplar da área de petróleo.


Dumping como ?  Tem algum texto  confiável que mostre que esse  "dumping" significa que o governo russo usa dinheiro público para conseguir que empresas russas vendam aço abaixo do preço de custo  ?

Por acaso o governo russo  pegava dinheiro de impostos dos russos para  vender aço abaixo do preço de custo ?   Os russos tem dinheiro sobrando para fazerem isso ?

Ou simplesmente os custos de produção de aço dos russos são bem menores ?



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:18:11
Estado destruindo empregos e um negócio, e afundando um município:



“Situação é de desespero, diz prefeito”

O Popular  09/08/2017 22:00



A Mina Cana Brava, administrada pela Sama Minerações Associadas, que faz a extração da fibra de amianto crisotila, gera 457 empregos diretos e 463 indiretos. Para o prefeito de Minaçu, Agenor Ferreira (DEM), o banimento do amianto pode significar a falência do município. Isso porque cerca de 80% da economia de Minaçu tem alguma dependência da mina.

O prefeito diz que a arrecadação do município já sofreu outro forte baque: a queda na produção de energia na Usina de Serra da Mesa, em virtude da forte redução no nível do reservatório, e a divisão dos recursos com outros municípios. Com isso, segundo ele, a receita bruta caiu de R$ 9 milhões no ano passado para R$ 6 milhões este ano. “Só nossa folha de pagamento consome R$ 3,9 milhões”, destaca Agenor Ferreira.


Para ele, a situação de Minaçu seria desesperadora, caso a exploração de amianto fosse totalmente interrompida. “Os doentes que existem vieram da mina que era explorada antigamente na Bahia, sem nenhum critério. Hoje, o controle é muito rígido e, de 1980 para cá, não houve mais casos de doenças em nossa região”, defende o prefeito. Para ele, a defesa do banimento é resultado, apenas, de interesses econômicos provocados por uma
guerra pelo mercado de telhas. “Estamos confiantes na atuação da bancada goiana em Brasília”.

Produção

Cerca de 98% da fibra produzida no município é aplicada em produtos de fibrocimento, principalmente telhas. O restante é utilizado pela indústria de soda cloro e produtos de fricção. A Sama é a terceira maior produtora de crisotila do mundo, concorrendo com produtores da Rússia, China e Cazaquistão. Cerca de 45% da produção é exportada.

Minaçu praticamente não tem produção agrícola e pecuária. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa e de Beneficiamento de Minaçu e Região, Adelman Araújo Filho, também acredita que a defesa do banimento seja resultado de interesses econômicos. Segundo ele, os trabalhadores da mina e toda população local estão apreensivos, já que Minaçu vive há 40 anos em função da mina.

Adelman diz que os trabalhadores confiam no uso controlado da fibra, já comprovado por estudos científicos. “Estou na companhia há 27 anos e nunca tive problemas de saúde.

Tenho companheiros que estão há 41 anos e ainda estão atuantes na produção, sem qualquer problema”, afirma o representante dos trabalhadores.

Segundo ele, todos os casos de doenças registrados são anteriores à 1980, um passivo pelo qual a empresa tem se responsabilizado. “Aprendemos a trabalhar de forma segura aqui, sem ajuda do Ministério Público do Trabalho, pois a empresa investiu pesado em toda
tecnologia necessária para proteger o meio ambiente e os trabalhadores”.

Sindicalista lamenta imagem negativa

Apesar dos altos riscos à saúde anunciados pelos defensores do banimento do amianto, muitos moradores de Minaçu vivem dentro da Vila Sama, que fica no complexo da Sama Minerações, ao lado da Mina de Cana Brava.


O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa e de Beneficiamento de Minaçu e Região, Adelman Araújo, lembra que várias autoridades do município vivem na Vila, como o promotor e o delegado da cidade, e até o médico da empresa junto com toda a sua família. “Se houvesse risco, com certeza essas pessoas não estariam vivendo lá”, afirma.

Para ele, é um grande mal abrir mão de um produto goiano, natural, para utilizar fibras sintéticas produzidas em laboratório e que podem oferecer mais riscos à saúde humana.

“Hoje, o controle do ar na mina é muito rígido, sofrendo avaliação até na Europa”, diz.


Porém, ele lamenta que o mercado do amianto já esteja comprometido com toda a propaganda contrária.

O amianto é proibido na União Europeia desde 2005, apesar de seus defensores alegarem que a proibição envolveu apenas o tipo anfibólio. Para a jornalista Eliane Brum, o banimento é certo no Brasil. Por enquanto, o País estaria na fase do “nosso amianto é menos perigoso” e “possível de ser controlado”, com o argumento da necessidade de garantir os empregos e a economia.


https://www.opopular.com.br/editorias/economia/situa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-de-desespero-diz-prefeito-1.1325130?usarChave=true



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:24:24

STF proíbe uso do amianto em todo o Brasil


Com a decisão, não poderá ocorrer a extração, a industrialização e a comercialização do produto em nenhum estado do País


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (29) proibir uso do amianto do tipo crisotila, material usado na fabricação de telhas e caixas d’água. A decisão dos ministros foi tomada pararesolver problemas que surgiram após a decisão da Corte que declarou a inconstitucionalidade de um artigo da Lei Federal 9.055/1995, que permitiu o uso controlado do material.


Com a decisão, tomada por 7 votos a 2, não poderá ocorrer a extração, a industrialização e a comercialização do produto em nenhum estado do país. Durante o julgamento não foi discutido como a decisão será cumprida pelas mineradoras, apesar do pedido feito por um dos advogados do caso, que solicitou a concessão de prazo para efetivar a demissão de trabalhadores do setor e suspensão da comercialização.


Em agosto, ao começar a julgar o caso, cinco ministros votaram pela derrubada da lei nacional, porém, seriam necessários seis votos para que a norma fosse considerada inconstitucional. Dessa forma, o resultado do julgamento provocou um vácuo jurídico e o uso do amianto ficaria proibido nos estados onde a substância já foi vetada, como em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas permitida onde não há lei específica sobre o caso, como em Goiás, por exemplo, onde está localizada uma das principais minas de amianto, em Minaçu.


As ações julgadas pela Corte foram propostas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) há dez anos ao Supremo e pedem a manutenção do uso do material. A confederação sustenta que o município de São Paulo não poderia legislar sobre a proibição do amianto por tratar-se de matéria de competência privativa da União. Segundo a defesa da entidade, os trabalhadores não têm contato com o pó do amianto.


De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras entidades que defendem o banimento do amianto, apesar dos benefícios da substância para a economia nacional – geração de empregos, exportação, barateamento de materiais de construção -, estudos comprovam que a substância é cancerígena e causa danos ao meio ambiente.


https://www.opopular.com.br/editorias/economia/stf-pro%C3%ADbe-uso-do-amianto-em-todo-o-brasil-1.1405964



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:28:08


As ações dos governos dos estados que já tinham proibida a atividade empreendedora de extração do mineral amianto, deram causa a ação que foi julgada pelo STF, e a maioria dos juízes no STF votaram pela proibição, e agora a mina será fechada,  centenas de trabalhadores perderão o seu emprego, os consumidores irão perder a opção de ter produtos de boa qualidade, seguros e mais baratos,   e o município perderá a maior fonte de arrecadação de impostos.


 :no:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:33:20
Mais um resultado desastroso da ação do Estado na economia. 

Mas,  os juízes continuarão ganhando seus altos salários públicos, e os políticos do estados que iniciaram a proibição das atividades de mineração do amianto continuaram em suas boas vidas.  Então que se lasquem os trabalhadores e os empreendedores que trabalhavam com isso, e também a população e o município de Minaçu que irão afundar com essa decisão.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 08:37:31


Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"


 :no:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 01 de Janeiro de 2018, 12:40:06
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

 :no:

Mas não se preocupe.

Os procuradores e os juízes não terão seus rendimentos afetados por isto.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Janeiro de 2018, 15:05:51
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

 :no:

Mas não se preocupe.

Os procuradores e os juízes não terão seus rendimentos afetados por isto.


Não mesmo,  eles continuarão tranquilos recebendo sua  ampla remuneração  oriunda de impostos no final de cada mês, quem vai se ferrar serão os empregadas da empresa, os empresários, a prefeitura e os moradores de Minaçu, que verão a decadência em razão do fechamento da empresa mais importante do município.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Jack Carver em 03 de Janeiro de 2018, 23:01:22
https://www.youtube.com/v/DPkM7laJlTs
 :?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Brienne of Tarth em 04 de Janeiro de 2018, 15:08:40
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

JJ, se é tão bom assim extrair amianto porquê isso?

"Responsável por 70% da arrecadação do município e maior doadora privada de campanhas políticas no Estado, segundo valores declarados ao TSE (veja infografia), a Sama coleciona simpatizantes na cidade. Seu produto é proibido em cerca de 50 países, como Argentina e Japão. Na Europa, todos os tipos de amianto estão proibidos desde 2005, mas a demanda transferiu-se para países em desenvolvimento, como Índia, e continua estável."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/novoemfolha47/ult10115u589896.shtml

E isso?

"Apesar das garantias da mineradora, não há dados oficiais sobre a saúde de quem trabalha com o amianto. Dezessete empresas do setor, entre elas a Sama, conseguiram uma liminar para não cumprir portaria que exigia que informações sobre os trabalhadores fossem enviadas ao Ministério da Saúde. O argumento é que a portaria inibe a atividade e "constitui privilégio à indústria de fibras alternativas", que não foi obrigada a encaminhar os dados." (Mesma fonte)

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 04 de Janeiro de 2018, 16:16:38
Um recurso econômico perdido, empregos perdidos, capital perdido, arrecadação perdida.  E pobreza a vista. É o novo programa do governo: "Pobreza para Todos"

JJ, se é tão bom assim extrair amianto porquê isso?

"Responsável por 70% da arrecadação do município e maior doadora privada de campanhas políticas no Estado, segundo valores declarados ao TSE (veja infografia), a Sama coleciona simpatizantes na cidade. Seu produto é proibido em cerca de 50 países, como Argentina e Japão. Na Europa, todos os tipos de amianto estão proibidos desde 2005, mas a demanda transferiu-se para países em desenvolvimento, como Índia, e continua estável."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/novoemfolha47/ult10115u589896.shtml

E isso?

"Apesar das garantias da mineradora, não há dados oficiais sobre a saúde de quem trabalha com o amianto. Dezessete empresas do setor, entre elas a Sama, conseguiram uma liminar para não cumprir portaria que exigia que informações sobre os trabalhadores fossem enviadas ao Ministério da Saúde. O argumento é que a portaria inibe a atividade e "constitui privilégio à indústria de fibras alternativas", que não foi obrigada a encaminhar os dados." (Mesma fonte)

Eu vou responder pelo JJ:

Da literatura médica que eu conheço, todas informam que a explotação do amianto, seja qual for o tipo, só apresenta perigo para a saúde de uma pessoa, se esta manusear ou ficar exposta em um ambiente pouco ventilado, sem nenhuma proteção e por longos períodos, mesmo para aquele que provém de minerais do grupo dos anfibólios, que são considerados os mais nocivos.

Até hoje não vi um só argumento consistente para o banimento da produção de amianto, embora eu esteja desatualizado em pelo menos dois anos.

E da indústria e ou beneficiamento de minerais e seus subprodutos, tenho plena certeza que a produção de carvão e de cal são muito mais nocivos para os trabalhadores desprotegidos e para o meio-ambiente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 09:52:49


O Geotecton já respondeu com boas informações,  eu só acrescento que cumprindo as normas de segurança para adequação do ambiente e  usando o EPI adequado não há problemas para o trabalhador.  É uma atividade de mineração segura como outras atividades de mineração que são permitidas sem problemas legais.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 12:08:23

É possível encolher o estado brasileiro – e as condições nunca estiveram tão propícias quanto hoje

No entanto, "colocar um dos nossos em Brasília" não irá resolver a situação

Nota do editor:

Nesta abrangente e detalhada entrevista, o jornalista e documentarista Adalberto Piotto entrevistou o presidente do IMB, Helio Beltrão, sobre as questões mais prementes hoje na economia e na cultura brasileira.


Segundo Helio, boa parte da população ainda tem a mentalidade de que precisamos de burocratas gerenciando nossas vidas por meio de um estado-babá muito presente na economia.  Ainda predomina a mentalidade de que um burocrata sentado em Brasília, munido de uma caneta, é capaz de saber melhor o que pode funcionar para todos os indivíduos de todos os cantos do país do que todo o conhecimento que está disperso pela sociedade dentro da mente da cada indivíduo.


E a consequência dessa tutela é a perda da autonomia, da liberdade, do dinamismo e da capacidade empreendedorial.


Além disso, e para piorar, há os grupos empresariais e sindicais de sempre, que estão em um confortável conluio com o poder, e que têm todo o interesse de manter a atual máquina de Brasília operando intocada.


Helio também fala sobre a indústria do carimbo, que ainda é muito resiliente.  E isso decorre dos grandes grupos de interesse já encastelados no poder, que ganham com o atual arranjo de criar dificuldades para vender facilidades.  A própria existência de cartórios é boa para empresas já estabelecidas, pois dificulta o surgimento de novos concorrentes. Será muito difícil mudar isso se ainda tivermos a mentalidade de que precisamos desse tipo de controle.


Ao passo que na Suécia e nos EUA qualquer um pode autorizar e registrar uma cópia — nos EUA, o notário público normalmente é um farmacêutico —, aqui no Brasil a mentalidade cartorial segue firma a despeito de todo o avanço tecnológico já vivenciado pelo mundo.


Para resolver o atual descalabro, não basta apenas "colocarmos um dos nossos em Brasília".  Mesmo que um genuíno libertário assuma a presidência, se a mentalidade da população ainda for estatista, nenhuma reforma poderá ser feita.  Não haverá clamor popular por tais reformas.


Uma analogia que, segundo Helio, retrata bem esse problema, seria a de tentar infiltrar uma pessoa boa e honrada no PCC (Primeiro Comando da Capital) com o intuito de tornar aquela quadrilha uma organização de pessoas boas e decentes.

O que irá acontecer, nesse caso, é que, ou essa pessoa boa irá se corromper e irá se tornar mais um membro da quadrilha, ou ela simplesmente pedirá para sair.


Com o estado, o raciocínio é o mesmo.  O estado tem a sua própria lógica — a lógica de manter o poder, de usar verbas para proveito da máquina, de fazer acordos de favorecimento a grupos de interesse — e essa lógica só poderá ser mudada de fora para dentro, por meio de mudanças na mentalidade da população.


Sobre a questão dos programas sociais, Helio afirma que há alternativas não-estatais que funcionariam de maneira muito mais eficaz.  Se, em vez de ter seu dinheiro confiscado por impostos, você tivesse a opção de doar seu dinheiro para ONGs auditadas pelo mercado, você muito provavelmente escolheria uma ONG cuja auditoria independente revelasse que 95% do dinheiro doado realmente chega a quem precisa (ao contrário do modelo estatal, em que 95% é desviado e vai parar nos bolsos de que não precisa), e provavelmente você escolheria uma ONG que trabalha na sua comunidade, de modo que você passaria a ter mais responsabilidade e mais poder de fiscalização e cobrança.


Portanto, mesmo na questão da rede social, há alternativas não-estatais que trazem de volta a questão de responsabilidade individual.  É muito mais importante devolver ao cidadão a responsabilidade por resolver os problemas sociais do que deixar tudo nas mãos de Brasília.


Embora a entrevista seja relativamente longa (29 minutos), esta é sem dúvida uma das melhores e mais completas exposições dos ideais do livre mercado, do voluntarismo e de livre cooperação entre os indivíduos.  E o entrevistador é extremamente competente.  Vale muito a pena.


Feito em 2015, o vídeo foi produzido pela Fecomércio-SP como parte do projeto Um Brasil.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2168


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Janeiro de 2018, 12:17:03
É necessário diminuir o peso do Estado na economia

O preconceitocomprivatizações ficou à margem do tempo.

Mudou o conceito, da simples venda de empresas estatais para
uma real mudança no papel do Estado

POR EDITORIAL

09/07/2016 0:00 /atualizado 09/07/2016 19:52


Em meio a uma crise sem precedentes, produziu-se em Brasília uma autêntica obra de arte política, a Lei de Responsabilidade das Empresas Estatais.


Durante ano e meio, à margem da tempestade perfeita que caiu sobre o Executivo e o Legislativo, por causa da corrupção em contratos de empresas estatais e órgãos públicos, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) negociou à exaustão com todos os partidos, e aprovou um conjunto de normas com o objetivo de impedir o uso político das empresas estatais.


O resultado foi um raro consenso parlamentar — PT incluído — sob a forma de legislação inovadora, em torno da profissionalização da gestão das empresas públicas, com adoção de mecanismos de mercado e barreiras inéditas ao loteamento político-partidário.


Houve uma tentativa rasteira de subversão do projeto na Câmara, mas o Senado recuperou o espírito da proposta de lei, legitimou-a no voto, e o presidente interino Michel Temer sancionou na semana passada, com vetos pontuais e precisos.


Agora, é preciso ir além. A emergência da crise impõe a necessidade de redução do peso e do tamanho do Estado na economia. Não se trata de mera questão ideológica ou acadêmica, mas de racionalidade: a sociedade não suporta mais pagar por um Estado caro, esbanjador e ineficaz tanto na produção quanto na prestação de serviços essenciais.


Tem-se um bom retrato das distorções no conjunto das empresas públicas, usadas politicamente na última década de forma intensiva e prejudicial ao erário.


Além do mais, qual a razão para a Petrobras manter ativos como uma fábrica de fios sintéticos ou alguns dos campos de petróleo no Nordeste se a própria estatal avaliou e concluiu pela certeza de que já não precisa deles? Qual o sentido de se manter empresas como a Telebras, a Valec e a Infraero?


O preconceito com privatizações ficou à margem do tempo. Mudou o conceito, da simples venda de empresas estatais para uma real mudança no papel do Estado. Como lembrou a economista Elena Landau, em recente entrevista ao GLOBO, o novo ciclo alcança áreas como infraestrutura, se reveste de formas inovadoras, como os contratos de gestão, as parcerias público-privadas, e concessões. Ao Estado moderno cabe, sim, forte papel regulatório, com atuação eficaz na defesa da sociedade.


A meta fiscal estabelecida pelo governo federal para 2017 significa, na prática, uma tentativa de conter o déficit nas contas públicas no limite de R$139 bilhões.


Para realizá-la, governo federal e os estados dependem do auxílio das chamadas receitas extraordinárias, passíveis de se obter na escala necessária apenas com a venda de empresas públicas, contratos de gestão, parcerias público-privadas e concessões. É a saída.


https://oglobo.globo.com/opiniao/e-necessario-diminuir-peso-do-estado-na-economia-19674460
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 05 de Janeiro de 2018, 15:01:43
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.

Sinto falta de uma perspectiva mais ampla sobre essa questão no debate, não dá pra deixar um debate dessa importancia ser pautado apenas pela midia.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Janeiro de 2018, 16:51:18
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Janeiro de 2018, 07:02:46
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]
Milton Friedman alertava para isso.


Sobre isso achei este texto no Mercado Popular:


Instituto Mercado Popular

ECONOMIA, HISTÓRIA, POLÍTICA

Milton Friedman, desestatização à cubana e privatizações tucanas

Por Valdenor Júnior · Em 17/02/2014


Por Valdenor Júnior.

O anticapitalista de livre mercado daqui do blog, o Rodrigo Viana, escreveu recentemente um texto denominado “Desestatização à cubana, ou: Por que eu não defendo o libertarianismo vulgar“. Ali ele defende o tipo de desestatização feita recentemente em Cuba, onde a propriedade pública é substituída por cooperativas de trabalhadores já empregados no setor antes estatizado. Denomina-a de “desestatização à cubana”, e coloca como um de seus defensores o libertário Charles Johnson, em Two Words on “Privatization”:


“‘Privatização’, como compreendida pelo FMI, pelos governos neoliberais e pelas corporações de barões assaltantes é um monstro bem diferente da ‘privatização’ como compreendida por radicais de livre mercado. O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária.


Então aqui está minha proposta para a reforma linguística. O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’.”


O Viana contrasta isso com as privatizações “neoliberais”, entendendo por neoliberalismo um conjunto de “medidas políticas que buscam vender ativos públicos ou estatais para os interesses corporativos, geralmente sob preços muito baixos” e que “todo esse processo neoliberal faz entregar para uma elite corporativa um ativo onde os custos de instalação, infra-estrutura e start-up foram socializados através do espólio promovido pelos impostos.”


De fato, concordo que, se realmente quisermos dar um sentido para a palavra “neoliberalismo”, temos de defini-la como “liberalização econômica dirigida por negociação política, coordenação intergovernamental e organismos internacionais, com especial atenção aos efeitos macroeconômicos”, o que se relaciona com o fato da economia de mercado ter vencido por W.O, pela desistência de seu concorrente, não por uma mudança nas atitudes públicas em direção ao liberalismo. (contudo, o termo causa tanta confusão, que eu prefiro não usá-lo)


Agora, geralmente menciona-se que Milton Friedman seria “neoliberal”. O que é um grande erro, pois Milton Friedman era um liberal clássico autêntico. Contudo, você pode se perguntar: Friedman preferiria as desestatizações à cubana ou as privatizações tucanas (sob o FHC) “neoliberais”? Que modo ele favorecia para que as empresas públicas fossem privatizadas/desestatizadas?


Bem, para falar a verdade, o velho Friedman preferia as desestatizações à cubana. Sim, isso mesmo, o suposto “neoliberal” não defendia a venda das empresas públicas para as grandes corporações ou para quem pagasse mais em um leilão público.


Prova nº 1:


No vídeo abaixo, segue-se uma conversa entre Milton Friedman e um interlocutor, acerca da privatização na Hungria, dos 18:53 até os 20:04. Vou primeiro transcrever a conversa. E depois vocês podem confirmar assistindo ao vídeo:


[Milton Friedman narrando] Os convidados desta festa não se interessam por pequenos empresários como Martin. Altos executivos poderosos da América do Norte e da Europa Ocidental se interessam por coisas maiores. (…) Promoverão empreendimentos conjuntos entre empresas ocidentais e estatais. Para prosperarem precisam ser amigos dos políticos e dos burocratas poderosos. É lobby de alto escalão, aos moldes ocidentais. O perigo é que no processo, burocratas do governo local e grandes empresas estrangeiras congelam os pequenos empresários.


[o interlocutor fala] Ele sabe bem que o governo se preocupa em não vender o país.


[Milton Friedman] Os bens da Hungria pertencem ao povo.


[Interlocutor] certo.


[Milton Friedman] Não acho que devam ser vendidos. Você é cidadão húngaro. Quem é dono das estatais?


[Interlocutor] A sociedade.


[Milton Friedman] Não, é o povo.


[Interlocutor] sim…


[ Milton Friedman] Então, entreguem-nas ao povo.


Assista você mesmo ao vídeo:


Prova nº 2:


Milton Friedman, no ensaio “Using The Market for Social Development“, afirma que devemos tomar cuidado, ao privatizar, de converter um monopólio público em um monopólio privado, e afirma que sua forma favorita de privatização é entregar as empresas públicas… ao povo:


“Minha própria forma favorita de privatização não é vender participação acionária, mas dar as empresas possuídas pelo governo aos cidadãos. Quem, eu pergunto aos oponentes, possui as empresas estatais? A resposta invariavelmente é, “O público”. Bem, então por que não fazer disso uma realidade ao invés de floreio retórico? Configure-a como uma corporação privada, e dê a cada cidadão um ou uma centena de ações/quotas nela. Deixe-os livres para comprar ou vender suas ações/quotas. As ações/quotas iriam para as mãos dos empreendedores que poderia manter a empresa, por exemplo, o sistema postal, como uma única entidade se for mais rentável fazê-lo ou dividi-la no número de entidades que parecesse mais rentável.”  (tradução livre)


Conclusão: Se usarmos o termo de Viana, “desestatização à Cubana”, em sentido amplo, de forma consistente com a definição de Charles Johnson (“O que defendemos é a devolução da riqueza e indústrias confiscadas pelo estado de volta para a ‘sociedade civil’”), teremos que concluir que Milton Friedman defendia justamente isso.


Ele considerava que era uma forma ruim de privatização simplesmente vender as empresas estatais para corporações já constituídas, mas defendia que deveríamos devolvê-las à população e permitir que os cidadãos, conforme a livre troca de suas participações na empresa, acabassem por reconfigurar a empresa em uma ou mais firmas a depender das condições daquele mercado em específico. (e claro, sendo garantida a livre entrada de concorrentes no setor)


Ainda que a desestatização em Cuba envolva a ideia de “cooperativas”, enquanto Friedman prioriza o modelo societário de firma (com base em ações ou quotas), não se pode negar que Friedman apoiava entusiasticamente uma espécie de desestatização à cubana e a desestatização preconizada por Charles Johnson, e não a privatização “neoliberal” ou nos moldes feitos no Brasil na década de 90.


valdenor


Valdenor Júnior é advogado. Desde janeiro de 2013, tem o blog Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart onde discute alguns de seus principais interesses: naturalismo filosófico, ciência evolucionária com foco nas explicações darwinianas ao comportamento e cognição humanas, economia, filosofia política com foco na compatibilidade entre livre mercado e justiça social. Com Darwin aprendeu a valiosa lição de que entender o babuíno é mais importante do que se imagina.


http://mercadopopular.org/2014/02/milton-friedman-desestatizacao-a-cubana-e-privatizacoes-tucanas/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 13:24:54
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 13:35:41
Por outro lado, a privatização dos negocios do Estado através de lobbies não nos aproxima do liberalismo, nem tão pouco o controle de todos os setores chave da economia por uns poucos gigantescos grupos capazes de modelar o ambiente regulatorio e o próprio mercado de acordo com seus interesses.
[...]

No Brasil, a manutenção da estatização é tão ruim que é questionável que ela seja um mal menor do que a privatização baseada em socialismo aristocrático do capitalismo de compadrio. Em 1998, o Brasil estava bem atrás até do México (que privatizou a Telmex em 1991), país de renda per capita semelhante a nossa na época, em número de telefones por 100 habitantes. Lembro que as reportagens das revistas semanais de grande circulação mencionaram isso, sobretudo a Veja. E, depois da privatização da Telebrás, o número de usuários de telefone explodiu rapidamente ao ponto de, em algum momento, não devermos nada ao México em termos de densidade telefônica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 06 de Janeiro de 2018, 15:33:11
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Janeiro de 2018, 18:34:25
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

No Brasil, as privatizações não seguiram o modelo de Friedman. Ou o mercado foi regulado através da criação de Agências Reguladoras (como a ANATEL após a privatização do setor telefônico), ou o governo manteve grandes participações (como na Vale, onde se não estou enganado, o Governo ainda detém 49% das participações).
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 06 de Janeiro de 2018, 18:40:21
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 06 de Janeiro de 2018, 18:47:21
O controle não é mais da União mas, infelizmente, tem uma participação muito significativa do 'virus estatal', como a BNDESPAR e a Previ.
O BNDESPAR  é uma divisão do BNDES, que é controlado pela União, então... dá quase na mesma...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 22:48:08
Citação de: Milton Friedman
"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

Idealismo é o paraíso dos perdedores. Não vivemos na Idealândia. No mundo real, somos constantemente forçados a dar nosso posicionamento sobre escolher entre a pior alternativa e uma alternativa sub-ótima (ou mesmo sub-boa). "Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais" significa, na prática, que fôssemos indiferentes entre escolher a manutenção do estado da Vale e da Telebrás como empresas estatais e a privatização delas como ocorreu. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 23:23:03
Citar
O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Janeiro de 2018, 23:28:45
Citar
Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 07 de Janeiro de 2018, 00:50:53
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 07 de Janeiro de 2018, 01:22:47
O problema não é o que os teóricos do liberalismo defendem, é o que os policy-makers fazem com as ideias deles. Os conceitos são instrumentalizados, tirados de contexto, para montar uma narrativa anti-estatal, privatizante, apoiada numa dicotomia tosca entre Estado e Mercado, como se ambos não fossem hoje controlados por mega-grupos privados, e que são esses grupos as estruturas de poder anti-liberais mais importantes hoje, não o Estado.

Isso é como dizer que a culpa dos acidentes automobilísticos é exclusivamente dos motoristas e nunca dos automóveis. Mas pense nas pessoas americanas que poderiam ter viajado de avião no pós-11 de setembro e não o fizeram. O uso do automóvel como veículo aumentou o número de acidentes com veículos. Então, há algo de errado sim com o automóvel (e não apenas com os motoristas), pelo menos na comparação com o avião, que é um veículo muito mais seguro. O mesmo pode ser dito do Estado. A não limitação do uso do Estado como veículo de prosperidade causa catástrofes. E muitas grandes corporações tem parcela de culpa nisso. Defender mais liberdade econômica não significa necessariamente ser encantado com essas grandes corporações.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 07:59:07


O desespero por comida na Venezuela

Mundo  06.01.18 20:10

Multidões de venezuelanos se aglomeraram do lado de fora de alguns supermercados de Caracas neste sábado, um dia após o governo de Nicolás Maduro obrigar estabelecimentos a reduzirem os preços a níveis de um mês atrás, informa O Globo.

Trata-se de uma redução drástica, dada a hiperinflação da Venezuela.

“Em um dos supermercados, centenas de pessoas, incluindo bebês, pensionistas e crianças com deficiências se reuniam em cenas caóticas.

‘Na minha casa, não comemos três vezes por dia’, disse Mileidy Acosta, de 28 anos, com três crianças. ‘As pessoas estão cansadas. Uma pessoa que ganha um salário mínimo não pode comprar nem molho de tomate.'”

Lula não vai agendar uma palestra em Caracas?

Fonte: https://www.oantagonista.com/mundo/o-desespero-por-comida-na-venezuela/




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 07:59:37
Venezuela em 2015:


Venezuela vai intensificar controle de preços

 (http://afp.com)

21/10/2015 05h38



Caracas, 21 Out 2015 (AFP) - O governo da Venezuela vai endurecer a política de controle de preços e as sanções aos especuladores, segundo uma série de medidas anunciadas na terça-feira pelo presidente Nicolás Maduro para conter o acelerado aumento do custo de vida.


"Vamos apertar a lei de preços justos", disse Maduro em seu programa semanal de rádio e televisão, ao anunciar uma reforma que estabelece um controle ferrenho ao custo dos produtos básicos e outros bens de consumo.


As medidas, anunciadas um mês e meio antes das eleições legislativas de 6 de dezembro, pretendem conter a inflação galopante, que segundo Maduro deve ficar próxima de 85% em 2015.


"Vamos fechar as comportas às práticas para roubar o povo. Aumentaremos as sanções a todo aquele que estiver remarcando produtos", completou o presidente venezuelano, que também prometeu aumentar a punição aos especuladores.


Maduro advertiu que as sanções afetarão os que violam o controle cambial e fixam preços tomando como referência o dólar paralelo - 125 vezes mais caro que a menor taxa oficial.


O atual sistema estabelece uma tabela de "preços justos", publicada na internet, mas o presidente venezuelano disse que a lei foi "invadida e pulverizada" pelos especuladores.

Maduro disse que a lei fixa um lucro de 30% para os comerciantes, mas "criaram vínculos com a cadeia intermediária e a cada etapa adicionam 30%".
"Vamos mudar todos os mecanismos de cálculo do preço justo", disse. Os detalhes serão apresentados em breve, segundo Maduro, que antecipou a
criação de uma categoria que determinará um "preço máximo de venda ao público" que incluirá produtos de toda a economia nacional.


"Estamos elevando as penas de prisão porque a lei tem que voltar a ser implacável em tempos de guerra econômica", afirmou Maduro, que atribuiu a crise aos empresários e à oposição, assim como às máfias do contrabando.


Economistas e empresas de consultoria afirmam que a inflação da Venezuela deve superar 200% no conjunto de 2015, em um cenário de escassez de dois em cada três produtos básicos e profunda desvalorização da moeda nacional.


Analistas consideram que o controle de prelos e do sistema cambial provoca muitas distorções da economia venezuelana, ao desestimular a produção nacional.


https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2015/10/21/venezuela-vai-intensificar-controle-de-precos.htm

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:00:37


O nível de burrice econômica de Maduro está chegando a patamares surreais. A hiperinflação está acelerando o passo e o que o paspalho esquerdopata faz? Põe um controle de preços ainda mais restritivo para deixar as prateleiras dos supermercados ainda mais vazias do que já estão.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:01:13
Aproveitando a oportunidade das notícias sobres controle de preços na Venezuela



Controle de Preços: origens, manutenção, ações e efeitos


 11 MAIO '14   ROBERTO BARRICELLI   


Da série: Livre Mercado x Intervencionismo O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, […]



Da série: Livre Mercado x Intervencionismo

escassez-controle-precos


O controle de preços é uma ferramenta correntemente utilizada pelo Estado quando este se vê com inflação galopante nas mãos e aumento, principalmente, dos preços de itens básicos como carne, leite, pão, etc. Também é correntemente utilizado por governos que misturam populismo com intervencionismo, para fins de “glória política”, contudo, o tiro costuma sair pela culatra.


Um governo, como do facínora Nicolás Maduro, na Venezuela, decide “abaixas os preços” com uma canetada. Primeiro, porque a inflação é absurda e segundo, porque acha que isso deixará o povo mais feliz e consequentemente melhorará a imagem do governante. Contudo, o controle de preços gera escassez e piora uma situação já delicada, desencadeando insatisfação contra o próprio governante.


Quando o Estado define pelo “controle dos preços”, ele corta o preço dos produtos e/ou serviços abaixo do preço de mercado. Esse ato incorre no recolhimento de tais produtos e/ou serviços pelos empresários, que decidem esperar ou pelo fim do controle de preços, ou por outro momento mais propício, ou até se aventuram no mercado negro, que é originado neste caso devido à escassez provocada pela retirada desses produtos e retenção dos estoques.

Ora, o preço foi cortado por uma canetada de um burocrata aquém do mercado, mas os custos continuam os mesmos, logo, não há como vender o produto e/ou serviço, obter os prejuízos e continuar de pé. Com a falência dessas empresas a escassez seria ainda maior. O próximo passo do Estado é estender o controle de preços aos insumos e produtos necessários para a fabricação e oferta dos produtos e serviços inicialmente controlados, esperando que os custos destes caíssem e eles retornassem ao mercado. Contudo, o mesmo problema se repete e agora como há escassez também dos insumos, o preço dos produtos e serviços sobe ainda mais.


Quando não houver mais onde implantar o controle de preços, o Estado, então, obrigará os empresários a venderem seus produtos e serviços estocados, normalmente sob ameaças de prisão, pena de morte, extradição, estatização, etc, caso não obedeçam (novamente, lembram da Venezuela, do papel higiênico, dos produtos alimentícios…?). Contudo, quando esses produtos forem sob essas condições (controle de preços abaixo do valor de mercado e, principalmente, do mercado negro já existente nesta fase) a demanda por eles será muito maior do que a oferta, logo, não haverá como atender a todos e muitos ficarão sem esses produtos e/ou serviços.


Neste momento entra a terceira etapa do Estado intervencionista: o racionamento. O Estado decide que os produtos e/ou serviços controlados e escassos serão racionados e limita a quantidade que cada cidadão pode consumir de cada um deles. Isso mesmo, o Estado define o quanto o cidadão pode consumir de cada produto e/ou serviço. Porém, como o Estado não conseguirá medir qual a necessidade de consumo de cada indivíduo, uns terão mais do que precisam (poucos) e outros (a maioria) terão menos do que precisam. Novamente vemos o fortalecimento do mercado negro, com os preços aumentando mais, devido à origem deste advir de escassez, intervencionismo e falta de concorrência. Venezuela?


O Estado não consegue medir a demanda coletiva, devido não estar sob as leis do mercado que compreendem o sistema de preços e custos e o mecanismo de lucros e prejuízos, logo, impossibilitado de realizar o cálculo de quanto é necessário investir para oferecer um produto e/ou serviço e qual seria seu preço. Logo, não conseguindo saber quanto precisa ofertar, tão pouco sabe a demanda e não consegue alocar racionalmente os escassos recursos que possui, agravando a escassez dos mesmos. Imagina então medir a demanda individual, ou seja, quanto cada cidadão necessita e/ou quer consumir de determinado produto e/ou serviço e quanto está apto e aceita a pagar pelos mesmos. Por isso afirmo no parágrafo acima que o Estado agravará a escassez, quando implantar o racionamento.


No fim, ou o Estado desiste do controle de preços e ruma ao liberalismo econômico, ou a sociedade colapsa e pode nunca se recuperar. Talvez haja manifestações em massa, que serão reprimidas com violência. Talvez até uma guerra civil e intervenção externa no conflito.

Agora, se tudo isso ocorre no intervencionismo, como é o controle de preços no livre mercado? Não existe um controle de preços formal no Livre Mercado, mas uma disseminação do poder nas relações de trocas voluntárias, entre consumidores e empresários. Logo, haverá mecanismos que possibilitarão aos consumidores “controlar” os preços do mercado.


Essas ferramentas eu já citei em meu artigo sobre monopólios: concorrência potencial, concorrência de substitutos e elasticidade da demanda. Mas falarei novamente aqui, pois servem como ferramentas contra as empresas monopolísticas e também contra empresas em mercado de ampla concorrência.


A concorrência potencial significa que se as empresas oferecerem produtos e serviços ruins e/ou a preços exorbitantes, logo, gerará insatisfação em seus consumidores e abrirão caminho para outras empresas entrarem no setor e tomar fatia importante do mercado, logo, esse perigo as faz melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Caso a concorrência potencial não tenha quaisquer efeitos, a concorrência de substitutos pode ser utilizada. Significa que os consumidores consumirão produtos e serviços similares, mas de outras empresas, por exemplo, ao invés de um refrigerante da empresa X, tomarão suco da Y, ou água da Z. Isso afetará os lucros das empresas ruins e as obrigará (novamente) a melhorar a qualidade e diminuir os preços.


Por fim, se nada disso funcionar, a elasticidade da demanda funcionará (e esta costuma se a principal e mais aplicada ferramenta, utilizada até antes da substituição). Os indivíduos consumirão menos do produto e os lucros serão afetados consideravelmente, obrigando as empresas a melhorarem a qualidade e diminuírem os preços.


Essas ferramentas são também eficazes contra cartéis e na prevenção de trustes, mas falarei disso em outros artigos.


Bem, são essas as diferenças entre origem, manutenção, ação e efeitos do controle de preços no sistema intervencionista e no Livre Mercado. No intervencionismo há escassez, aumento de preços, queda da qualidade, racionamento e agravamento da escassez inicial, podendo haver conflitos civis e militares quando a situação se torna insustentável, mas o Estado se recusa a recuar. Já no Livre Mercado o controle é exercido de forma natural pelos consumires através da livre concorrência e de ferramentas que obrigam os empresários a investirem em qualidade maior e preços menores.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/controle-de-precos-origens-manutencao-acoes-e-efeitos/

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:10:04
Excerto de artigo de Roberto Campos mostra como a chamada "privatização espontânea" (aquela que entrega as estatais ao povão) é antiga e foi inventada num país capitalista: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Vocês acham mesmo que um militante esquerdista brasileiro típico vai querer uma coisa dessas por aqui?



A maioria dos esquerdistas que fazem parte de cúpulas partidárias certamente que não iria querer, pois eles certamente acalentam a esperança de chegarem no poder e obterem altos cargos em alguma estatal.


Já a maioria dos esquerdistas comuns provavelmente nem sabem dessa possibilidade,  já que a cúpula do partido certamente não defendeu tal ideia de forma veemente e sistemática (e provavelmente nem defendeu de forma fraca e assistemática).




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:18:04
"O que libertários consistentes defendem é a devolução de toda riqueza ao povo que a criou e a reconstrução de toda indústria sobre o princípio de livre associação e troca mútua voluntária."

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Segundo essa tese e a argumentação de Milton Fridman, deveriamos então estar discutindo como devolver a Vale do Rio Doce ao povo, e como dividir as Big Four do Vale do Silicio.

Existe uma distancia enorme entre teorias liberais e politicas liberais. Essas ultimas tem muito pouco compromisso com a coerencia, e dependem de um ambiente intelectualmente confuso para se afirmarem . Esse o papel que o falso debate liberal na midia e na Internet exercem.
Não! Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida. O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.



Legal. Quer dizer que você é contra a ação de distribuir bônus conversíveis para o povo do país em ações da  ex estatal ?



" A chamada "privatização espontânea", isto é, a distribuição gratuita a toda a população de "vouchers" (bônus conversíveis em ações), amplamente usada nos países ex-comunistas, foi inventada num país capitalista, o Canadá. Em 1975, na província de British Columbia, um governo conservador decidiu revogar as estatizações do governo anterior. Congregou as empresas estatizadas numa holding, distribuindo gratuitamente cinco ações a cada membro da população."


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/12/31/brasil/4.html

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:23:49


É por esse tipo de pensamento mesquinho e egoísta tipo Ayn Rand, que não se importa em melhorar diretamente a vida do povo é que essa coisa de liberalismo não se espalha em massa no Brasil. Pelo visto muitos liberais brasileiros parece que só se interessam por desestatização que vá beneficiar (diretamente) os que já são ricos e poderosos.  Se for para fazer um benefício direto para o povo, nem pensar. Mesmo que haja um exemplo do Canadá (um país de primeiríssimo mundo).



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 08:33:07
Propor uma distribuição quase geral (que deveria excluir os já ricos) de bônus conversíveis em ações (que poderiam depois serem negociadas em bolsas de valores) de todas as estatais brasileiras seria uma excelente proposta de desestatização que conquistaria a maioria esmagadora  da população.


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Entretanto uns liberais do tipo Ayn Rand ( a sociopata  super  egoísta  ) não gostariam dessa ideia.   :no: :no:


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Janeiro de 2018, 15:00:48


Uma análise econômica do controle de preços (I)


 8 SET '15   INSTITUTO LIBERAL   


por GABRIEL DIB* Introdução Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca. Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria […]

por GABRIEL DIB*

Introdução


Esse artigo tem como objetivo mostrar a ineficiência e as consequências negativas das políticas de controle de preços, tendo como base o ponto de vista da Escola Austríaca.


Esse trabalho é divido em três partes. Na primeira parte, é realizada uma análise do processo de formação dos preços, opondo a teoria do valor subjetivo à teoria do valor trabalho. Na segunda parte, mostram-se os diversos tipos de políticas de controle de preço, como o controle de aluguéis e o salário mínimo. A parte final contém uma analise histórica dos resultados da política de controle de preços em diversas épocas, e realizam-se considerações finais no que toca ao tema abordado.


Por fim, é necessário destacar que os argumentos aqui expostos não têm como objetivo qualquer tipo de julgamento de valor; portanto, procura-se apenas provar que certa política é ineficaz, independente de sua moralidade. Utilizam-se, dessa maneira, de argumentos objetivos, os quais não tem dependência com nenhum tipo de código ético, preferências morais ou política


Formação de Preços


Antes de analisar-se qualquer tipo de política no que diz respeito ao controle ou alteração dos preços de mercado, é necessário compreender como os preços se formam e quais são as suas principais funções.


Antigamente, nas origens da ciência econômica, era tido com o uma máxima absoluta que os preços eram derivados do esforço ou do trabalho para produzir certo bem. Nesse sentido, os principais teóricos desse conceito eram Adam Smith – conhecido como o patrono da economia- e David Ricardo.


Adam Smith e David Ricardo


Ainda convém lembrar que outro autor o qual foi influenciado por esse conceito de Smith e Ricardo foi Karl Marx. Em consequência disso, Marx baseou grande parte da sua teoria e realizou diversas conclusões partindo de uma premissa equivocada, a qual ficou conhecida como teoria do valor-trabalho.


É incontestável que a teoria do valor-trabalho possui inúmeras contradições. Por exemplo, se Pablo Picasso empreendesse o mesmo tempo em uma obra sua que um pintor de paredes em uma casa, o preço final seria o mesmo? O próprio Marx reconheceu alguns erros em sua teoria.


Além disso, é necessário introduzir o conceito de Sunk Cost – conceito fundamental para empreendedores. O Sunk Cost refere-se a recursos empregados na fabricação de um ativo que são irrecuperáveis.  Juntando o conceito de valor-trabalho com o de Sunk Cost, temos o seguinte exemplo: é decidido investir em uma fábrica de gelo no Alasca; porém, necessita-se de um grande esforço e de custo altos para as máquinas, sobretudo. Supondo que fosse gasto 1 milhão de reais,  seria possível cobrar um preço tão alto pelo produto como se fosse vendido no Deserto do Saara? De fato, não é uma decisão mercadológica muito interessante, sendo similar a investir em lampiões na era da eletricidade. Portanto, fica evidente que os custos passados não têm um elo tão íntimo com o preço final.


A verdade é que os preços são formados pela combinação de duas varáveis: a demanda subjetiva, relacionada à utilidade marginal, e a quantidade ofertada, relacionada à escassez.



Carl Menger


Os conceitos de utilidade marginal e preferências subjetivas são oriundos da Revolução Marginalista, tendo como principal expoente Carl Menger – um dos principais teóricos da Escola Austríaca. O conceito de preferências subjetivas é bastante trivial: se todos gostassem de um produto X, ninguém compraria o produto Y. Ou seja, em suma, as demandas dos diversos agentes econômicos diferem entre si. Esse fato é de extrema importância, visto que quando alguém vai ao mercado comprar algo que demanda, leva consigo sempre uma escolha subjetiva, a qual tem total relação com o preço final.


O conceito de utilidade da Escola Austríaca difere bastante do conceito junto à economia neoclássica. Quando se compra certo bem no mercado, é comprada uma quantidade específica dele: 300 gramas de queijo ou um carro. E não apenas carros ou maças. Muitos economistas não conseguiram elaborar uma teoria de preços baseada na utilidade porque não compreendiam que se se comprava apenas uma quantidade de certo bem no mercado, e não a classe toda.


Para os austríacos, a utilidade é basicamente um ranking de preferências subjetivas. Quando se vai comprar algo, você faz um ranking dos diferentes produtos disponíveis. Por sua vez, a posição nesse ranking depende da valoração subjetiva de cada produto. Dessa maneira, se gasta nessa lista até o dinheiro disponível acabar. Obviamente, são escolhidos primeiros os produtos que estão acima no ranking. Portanto, é impossível medir utilidade, não porque não se tem uma unidade correta, mas sim porque não se tem o que medir.


Nesse sentido, supondo que um agricultor produza 4 sacas de trigo e as valoriza no seguinte ranking:


1- Alimentar a família

2-Reinvestir na agricultura

3-Fabricar cevada

4-Alimentar os animais de estimação


Caso uma praga destrua uma saca, supondo que fossem sacas carimbadas e nesse caso fosse destruída a quarta, o agricultor simplesmente realocaria o recurso de acordo com suas preferências, ou seja, investiria na agricultura em detrimento da alimentação dos animais de estimação.  Ademais, a utilidade marginal é de extrema importância na formação de preços, pois só se compra algo se o preço desse bem justificar esse custo, ou seja, se o preço for acima da utilidade marginal do bem, o agente econômico simplesmente irá parar de consumi-lo.


Por outro lado, a oferta está diretamente relacionada ao princípio de escassez: quando eu consumo um bem, eu estou deixando uma menor quantidade para os outros consumidores. Esse é um pressuposto básico da economia: não há motivos para falar em calculo econômico se o conceito de escassez não existisse. A despeito disso, há diversas críticas no que diz respeito a alguns economistas marxistas por não terem compreendido o conceito de escassez.


‘’Em última instância, os preços são determinados pelo julgamento de valores feitos pelos consumidores. Cada indivíduo, ao comprar ou ao não comprar e ao vender ou não vender, dá a sua contribuição à formação dos preços de mercado. Mas quanto maior for o mercado, menor será o peso da contribuição de cada indivíduo. Assim, a estrutura dos preços de mercado parece, a um indivíduo, um dado ao qual ele deve ajustar sua própria conduta. Aquilo a que se chama de preço é sempre uma relação que ocorre no interior de um sistema integrado, sistema esse que é o resultado das várias relações humanas’’ (Ludwig von Mises)


Outro fator existente é que o preço de mercado tende a igualar a oferta e a demanda. Se um preço se afastar do nível de equidade entre a ofertada e a demanda, a tendência é que o retorno ao equilíbrio ocorra automaticamente em um mercado livre. Muito economistas utilizam o termo de preços de equilíbrio; porém, é necessário citar que, para a Escola Austríaca, não existem preços de equilíbrio, visto que a economia é essencialmente dinâmica e, portanto, o que há são apenas preços que convergem para o equilíbrio, no chamado processo de mercado.


Além disso, é necessário citar que o sistema de preços de mercado tem a importância fundamental de emitir sinais para que os diversos participantes do processo de mercado possam coordenar seus planos ao longo do tempo. Friedrich Hayek – economista austríaco com prêmio Nobel – em seu paper ‘’The Use of Knowledge in Society’’, define que a informação é difusa e pulverizada. Nesse contexto, quando transacionamos no mercado levamos conosco essa pequena parcela de conhecimento. De fato, ninguém, por mais inteligente que seja, possui o conhecimento de todos e conhece, portanto, todas as preferências subjetivas individuais.


O preço, dessa maneira, é a resultante das mais diversas informações e conhecimentos, levando informações relevantes tanto para o consumo quanto para a produção. Por exemplo, se o preço da energia subir, devido a explosão de uma usina no Japão, o agente econômico pode não saber dessa informação, mas mesmo assim irá reajustar a sua demanda. Além disso, o sistema de preços cria incentivos para se alocar recursos da forma mais eficiente possível. Se o produtor de um lápis percebe que uma espécie de madeira está ficando mais cara devido a sua escassez, ele tende a economizar e utilizar uma madeira mais barata, ao receber essa informação.


Fica evidente, portanto, que o sistema de preços é indispensável para a alocação de recursos de forma mais eficiente possível. Porém, é necessário que a formação desse preço ocorra de maneira livre, sem intervenções ou distorções.

 

*Gabriel Dib é vice-coordenador do EPL no Rio Grande do Sul, presidente do Clube Empreendedorismo e Liberdade e diretor de eventos no Instituto Atlantos.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/uma-analise-economica-do-controle-de-precos-i/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 08 de Janeiro de 2018, 21:55:42
Citar
O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 08 de Janeiro de 2018, 22:00:18
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Creio que o autor do texto do MP não entendeu o que Friedman quis dizer nem como ele pensava. Friedman acreditava que apenas uma privatização não bastava, pois geralmente uma estatal têm consigo um monopólio do mercado onde ela está inserida.


Milton Friedman defendia monopólio privado nos casos em setores em que há o chamado "monopólio natural". Ele deixou explícito isso no seu livro Capitalismo e Liberdade.
Sim, de fato.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 08 de Janeiro de 2018, 23:00:37
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O correto para ele era uma liberalização do setor, não uma "entrega ao povo" nos moldes socialista e coletivista (que vai de forma contrária às ideias liberais) como sugeriu o autor do Mercado Popular.

"Entrega ao povo" é incompatível com a liberalização do setor? "Entrega ao povo" é coisa nos moldes socialista e coletivista? Então, o libertário Hans-Hermann Hoppe, do Mises Institute, é socialista/coletivista e ninguém sabia: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

O mesmo pode ser dito de Roberto Campos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/09/brasil/15.html

Em ambos os casos citados, há defesa da chamada "privatização espontânea".
A "entrega ao povo" que ocorre em Cuba não é nada mais que uma neo-coletivização. O estado subsidia. Pegar isso como exemplo de liberalismo é tiro no pé.

O que eu entendi é que, no modelo cubano de privatização, a empresa estatal vira propriedade apenas dos empregados do setor, e não de todos os pagadores de impostos, enquanto que foram todos os pagadores de impostos que ajudaram a criar a empresa estatal ou pagaram a conta dela quando a mesma deu prejuízo. Mas, na privatização espontânea, a empresa estatal é dada a todos os pagadores de impostos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 09 de Janeiro de 2018, 15:21:46
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

A questão central é da propriedade, estatal ou privada, e os controles, regras, que a sociedade pode criar para impedir que uma excessiva concentração de poder economico resulte em incentivos para corrupção, monopolização, controle e tudo o mais que destroi as bases de uma sociedade liberal.

Quando uma empresa tem us$ 200 bi em caixa, ela pode avançar sobre os direitos de propriedade dos consumidores, manipulando, rastreando, sabotando seu aparelhos pelos quais ele pagaram um sobrepreço razoável, e mesmo assim terá certeza de impunidade, as multas se vierem, não arranharão nem seu caixa.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 09 de Janeiro de 2018, 20:04:01
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 09 de Janeiro de 2018, 20:35:59
A questão central é da propriedade, estatal ou privada, e os controles, regras, que a sociedade pode criar para impedir que uma excessiva concentração de poder economico resulte em incentivos para corrupção, monopolização, controle e tudo o mais que destroi as bases de uma sociedade liberal.

Quando uma empresa tem us$ 200 bi em caixa, ela pode avançar sobre os direitos de propriedade dos consumidores, manipulando, rastreando, sabotando seu aparelhos pelos quais ele pagaram um sobrepreço razoável, e mesmo assim terá certeza de impunidade, as multas se vierem, não arranharão nem seu caixa.

Embora existam problemas de subintervenção econômica no mundo, o principal antídoto para concentração excessiva de poder econômico corporativo e monopolização é liberdade econômica. Não existe país sem elites econômicas e políticas, mas os locais que mais apresentam problemas de concentração de poder econômico corporativo e monopolização são aqueles liderados por Estado socialista (o que inclui o Estado de Capitalismo de Compadrio). Direito de propriedade garantido, desregulamentação que diminua barreiras à entrada de novos ofertantes no mercado (inclusive os estrangeiros) e abertura comercial têm poder para diluir os poderes das elites econômicas locais. Como demonstrado no livro Porque as Nações Fracassam, de Daron Acemoglu e James Robinson, instituições que estimulam a prosperidade criam um esquema de retroalimentação positiva que anula as tentativas das elites de solapá-las.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 10 de Janeiro de 2018, 13:08:31
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http://www1.folha.uol.com.br/colunas/leandro-narloch/2018/01/1949339-bolsonaro-e-psl-fizeram-livres-cair-para-cima.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=comptw

Bolsonaro e PSL fizeram 'Livres' cair para cima

Há uma direita e uma esquerda permitidas no Brasil. A esquerda tenta fingir para si própria que seus adversários odeiam pobres e minorias e que não existe liberal de verdade por aqui.

Já a direita prefere acreditar que a esquerda se resume a adoradores de Nicolás Maduro, Dilma Rousseff e Pabllo Vittar, gente que pretende rachar as "bases tradicionais da família" e implantar as metas do Foro de São Paulo.

Por isso foi tão interessante a revolta do Livres, movimento que deixou o PSL depois de o presidente do partido decidir se unir a Jair Bolsonaro. A opinião pública teve de repente que aceitar a existência de um movimento tão contrário a Bolsonaro quanto ao PT, com integrantes que defendem liberdades à esquerda e à direita, como a legalização das drogas, o casamento gay, a privatização e a reforma das leis trabalhistas.

O acordo entre Bolsonaro e o PSL teve sabor de derrota para o Livres na semana passada. "Agora percebemos que caímos para cima", me disse um amigo. O grupo recebeu mensagens de governadores, convites de filiação e pedidos de reunião de nove partidos —Novo, PSDB, PPS, Podemos, Rede, Patriota, PRP e PSC. Seus integrantes descobriram ter muito mais chances de se elegerem deputados se filiados a partidos mais relevantes que o PSL.

A ousadia do Livres é defender bandeiras que não são exatamente o que o povo quer ouvir. Apesar da febre liberal recente, o grosso do eleitorado ainda é um bocado estatista e nacionalista. O Datafolha mostrou nas últimas semanas que o apoio a privatizações e à descriminalização da maconha está aumentando, mas ainda é baixo principalmente entre os mais pobres.

O povo pensa como Levy Fidelix; a elite, como FHC. Ou melhor: os mais ricos se dividem entre defensores do livre mercado e da liberalidade nos costumes, raramente as duas coisas ao mesmo tempo.

O MBL, por exemplo, parece ter concluído que o liberalismo econômico só vai vingar no Brasil via conservadorismo. Enquanto a esquerda se perde em fantasias de gênero, o MBL tenta difundir um liberalismo popular entre brasileiros menos progressistas.

Como disse Renan Santos, numa conversa de WhatsApp divulgada pela Piauí, a aliança "entre setores modernos da economia, mais agro, mais evangélicos é a melhor forma de termos um pacto político de centro-direita, que dialoga com o campo e com a classe C". Com a guinada recente ao conservadorismo, o MBL pode ter perdido o apoio da imprensa, mas ganhou a eleitora de Pirituba que simpatiza com Bolsonaro e decide eleições.

Já o Livres, que nasceu de uma dissidência com o MBL, tenta representar um eleitor mais raro, que está à deriva entre correntes marxistas e conservadoras. Será um motivo de orgulho para o país ver esses liberais coerentes eleitos este ano.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 10 de Janeiro de 2018, 15:01:38
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false

O exemplo da Russia é bastante eloquente: não basta substituir o estado pela iniciativa privada, e também não adianta optar por formulas de privatização "espontaneas", quando não existem condições institucionais para prevenir a corrupção do processo de privatização.

Nem o mais obtuso liberal julgaria que o Brasil dispõe dessas condições. Um congresso podre é capaz de elaborar uma lei de privatização justa? Agentes reguladores nomeados por indicação politica desse mesmo congresso tem capacidade de regular alguma coisa? E a mídia controlada por oligarcas tem condição de fiscalizar e dar transparencia ao processo todo?

Mais uma vez, o buraco é mais embaixo. Sociedade liberal não se constroi simplesmente deixando oligarcas administrando o mercado como bem entendem. Isso é uma caricatura de liberalismo vendida pela midia.

Uma sociedade livre só se desenvolverá quando a sociedade civil conseguir montar uma agenda propria de liberalização economica, na qual o primeiro item é trazer as assimetrias economicas e politicas da sociedade para um nível compativel com uma sociedade democrática. Não pode haver liberalismo nem democracia com o grau (crescente ainda por cima) de concentração de riqueza e poder que temos hoje. Numa plutocracia, abrir mão do poder de regulação do Estado e entregar o mercado de vez aos plutocratas é o caminho mais curto para a tirania absoluta.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Janeiro de 2018, 22:31:08
Privatização espontanea, popular, foi o modelo adotado pelo Yeltsin. Distribuiram bonus de privatização para a população, porem ao mesmo tempo submteram a economia a um arrocho medonho e a massa acabou entregando seus bonus para os oligarcas em troca de um par de garrafas de vodka.

O caso da Rússia pós-comunismo é atípico e não dá para generalizar as conclusões para muitos outros países - inclusive o Brasil. Como Rodrigo Constantino explicou no livro Privatize Já*, a privatização russa foi feita às pressas, pois os reformadores pós-comunistas temiam que o gradualismo fosse suicídio num terreno hostil contra fortes grupos de interesses como burocratas, líderes partidários, sindicalistas, etc. Ademais, segundo ele, a mesma foi feita sem o arcabouço institucional adequado. Não havia propriedade privada bem definida e garantida na Rússia, tampouco órgãos reguladores como a CVM para proteger direitos básicos dos acionistas minoritários. Sem proteção aos vendedores, aconteceram muitas fraudes e essa foi uma das principais razões pelas quais os oligarcas russos surgiram.

Se, mesmo sem o arcabouço institucional adequado, as privatizações levaram a Rússia a modernizar várias empresas estatais ineficientes, como a Lada, imagine o que aconteceria se a privatização espontânea tivesse acontecido num contexto como o do Brasil atual.

Fonte: https://books.google.com.br/books?id=wMi1TFEEMTkC&pg=PT39&lpg=PT39&dq=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o+espont%C3%A2nea%22+rodrigo+constantino&source=bl&ots=_gf2gjmnG5&sig=bbpjrpwSGo-tIzrpdq5TUe_T9GY&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjZh_nW58vYAhVJhpAKHf4DAVkQ6AEIODAD#v=onepage&q=%22privatiza%C3%A7%C3%A3o%20espont%C3%A2nea%22%20rodrigo%20constantino&f=false

O exemplo da Russia é bastante eloquente: não basta substituir o estado pela iniciativa privada, e também não adianta optar por formulas de privatização "espontaneas", quando não existem condições institucionais para prevenir a corrupção do processo de privatização.

Nem o mais obtuso liberal julgaria que o Brasil dispõe dessas condições. Um congresso podre é capaz de elaborar uma lei de privatização justa? Agentes reguladores nomeados por indicação politica desse mesmo congresso tem capacidade de regular alguma coisa? E a mídia controlada por oligarcas tem condição de fiscalizar e dar transparencia ao processo todo?

Mais uma vez, o buraco é mais embaixo. Sociedade liberal não se constroi simplesmente deixando oligarcas administrando o mercado como bem entendem. Isso é uma caricatura de liberalismo vendida pela midia.

Uma sociedade livre só se desenvolverá quando a sociedade civil conseguir montar uma agenda propria de liberalização economica, na qual o primeiro item é trazer as assimetrias economicas e politicas da sociedade para um nível compativel com uma sociedade democrática. Não pode haver liberalismo nem democracia com o grau (crescente ainda por cima) de concentração de riqueza e poder que temos hoje. Numa plutocracia, abrir mão do poder de regulação do Estado e entregar o mercado de vez aos plutocratas é o caminho mais curto para a tirania absoluta.

O diagnóstico do seu erro pode ser descrito a seguir (o excerto é de um texto de um autor desconhecido que defendeu a reforma da previdência, mas ela se encaixa como uma luva também no assunto privatização):

Citar
Uma boa desculpa para quem não quer fazer reforma nenhuma é dizer que é preciso fazer tudo de uma vez só. Como isso se torna muito mais difícil, a paralisia acaba imperando, e nada acontece. Sempre é (e será) possível identificar alguma outra injustiça no mundo como fator condicionante para funcionar como desculpa para justificar posição contraria à reforma.

Por acaso o Brasil não teve evolução líquida com a privatização imperfeita da Embraer, Vale e Telebrás? A despeito da existência da plutocracia, por acaso teria sido melhor que a República Tcheca pós-comunista e o Canadá em 1975 (província de British Columbia) não tivessem feito privatização espontânea alguma? Responda.

Ademais, concentração de poder corporativo é muito mais um fenômeno derivado da regulação estatal do que da falta dela. Eu desafio você mostrar um único caso de país em que há grande concentração de poder corporativo - relativamente aos demais países do mundo - e a regulação estatal anti-liberdade econômica não seja, disparado, o maior responsável por tal concentração.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 11 de Janeiro de 2018, 15:13:30
Se existe dúvida quanto a vivermos numa plutocracia é só examinar quantos grupos controlam a sistema financeiro globalmente, quantos dominam a midia globalmente, quantos controlam o setor de energia, a industria militar, a Internet...

São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.

Elites já trataram muito mal as massas no passado, o Estado é o unico ente que pode limitar seu apetite, se realmente conseguir ser um estado razoavelmente democratico, que represente interesses de outras camadas sociais, alem da elite.

Essa guerra ao Estado, fazendo de conta que não existem outras estruturas de poder coercitivas na sociedade alem dele, só se justifica pelo interesse em remover a capacidade de defesa dos cidadãos frente ao avanço do poder corporativo.

Já controlam o BC, o Congresso, a Midia, a  Justiça, mas ainda correm risco frente a ascenção de candidatos menos amigáveis, então melhor acabar com essas brechas democráticas de vez.

Mais uma vez, liberalismo depende de um Estado forte, não grande, para enraizar, e Estado forte só deixando de acreditar em papai-noel e começar a prestar atenção no que realmente está acontecendo
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 11 de Janeiro de 2018, 15:54:33

[...]
São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.
[...]



Comparações entre  países não é uma falácia,  existem diferenças e semelhanças entre países. Existem países com indicadores econômico sociais ruins e outros bons (como renda per capita, IDH , etc). Temos desde Estados com baixa liberdade econômica e extremamente  intervencionistas como Cuba e Venezuela (e com uma economia fraca e/ou em  frangalhos),  até  Estados com  alta ou média liberdade econômica e pouco  intervencionistas como Estados Unidos e Austrália (e com economias fortes).

Temos Estados  de alta corrupção como o Brasil (cheios de agentes estatais corruptos), e Estados com baixa corrupção (como o Canadá e outros).

Falácia é afirmar que a comparação entre países é algo falacioso. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 11 de Janeiro de 2018, 22:18:08
Se existe dúvida quanto a vivermos numa plutocracia é só examinar quantos grupos controlam a sistema financeiro globalmente, quantos dominam a midia globalmente, quantos controlam o setor de energia, a industria militar, a Internet...

São elites globais , a comparaçao entre paises é outra falacia, nada acontece no capitalismo que não seja global.

Elites já trataram muito mal as massas no passado, o Estado é o unico ente que pode limitar seu apetite, se realmente conseguir ser um estado razoavelmente democratico, que represente interesses de outras camadas sociais, alem da elite.

Essa guerra ao Estado, fazendo de conta que não existem outras estruturas de poder coercitivas na sociedade alem dele, só se justifica pelo interesse em remover a capacidade de defesa dos cidadãos frente ao avanço do poder corporativo.

Já controlam o BC, o Congresso, a Midia, a  Justiça, mas ainda correm risco frente a ascenção de candidatos menos amigáveis, então melhor acabar com essas brechas democráticas de vez.

Mais uma vez, liberalismo depende de um Estado forte, não grande, para enraizar, e Estado forte só deixando de acreditar em papai-noel e começar a prestar atenção no que realmente está acontecendo

Falou, falou e acabou saindo da discussão. Eu por acaso falei em "Estado fraco" ou "Estado fornecedor de privilégios a elite"? Você parece que está argumentando em resposta não a mim, mas a outra pessoa. E o Estado fica mais fraco justamente defendendo-se o que você defende, isto é, a manutenção das empresas estatais. Veja as doações das campanhas eleitorais de 2014. Sua origem está bastante concentrada em grandes empresas de plutocratas que se beneficiaram de mamatas de empresas estatais que você acha que não devem ser privatizadas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 12 de Janeiro de 2018, 12:56:18
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.








Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 12 de Janeiro de 2018, 14:18:58

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.



Você pode mostrar um país que tenha pelo menos 20 milhões de habitantes e que conseguiu esse seu Estado democrático ideal ?



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Horacio em 12 de Janeiro de 2018, 15:54:47
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 12 de Janeiro de 2018, 17:12:42
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 12 de Janeiro de 2018, 18:37:10
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.
(...)

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.

Redistribuição de poder econômico por meio do poder político que tente "promover o esvaziamento de poder das plutocracias" só poderia ser feito por representantes do povo não dignos de confiança chamados de "políticos". E não por anjos, ou será que você acredita em Papai Noel? Citação instrutiva sobre esse ponto:   

Citar
O ideal socialista é, em essência, a atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político. Mas ninguém pode arbitrar eficazmente diferenças entre o mais poderoso e o menos poderoso sem ser mais poderoso que ambos: o socialismo tem de concentrar um poder capaz não apenas de se impor aos pobres, mas de enfrentar vitoriosamente o conjunto dos ricos. Não lhe é possível, portanto, nivelar as diferenças de poder econômico sem criar desníveis ainda maiores de poder político. E como a estrutura de poder político não se sustenta no ar mas custa dinheiro, não se vê como o poder político poderia subjugar o poder econômico sem absorvê-lo em si, tomando as riquezas dos ricos e administrando-as diretamente. Daí que no socialismo, exatamente ao contrário do que se passa no capitalismo, não haja diferença entre o poder político e o domínio sobre as riquezas: quanto mais alta a posição de um indivíduo e de um grupo na hierarquia política, mais riqueza estará à sua inteira e direta mercê: não haverá classe mais rica do que os governantes.

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/que-e-ser-socialista/

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.

A sua querida manutenção de estatização de empresas tem feito justamente o contrário no Brasil, não é? Estatização é mesmo desconcentração de mercado e não-monopolização. Durante a era PT, a roubalheira nas empresas estatais criou o monopólio de resinas plásticas da Braskem (com a ajuda do aumento da tarifa de importação feita por Dilma), que é do grupo Odebrecht. A roubalheira nas empresas estatais transformou a antes moribunda JBS numa empresa detentora de monopólio no setor de proteína animal. E só Deus sabe quantos mais monopólios e concentrações de mercado ajudou a criar; Palocci vem aí com a delação contra banqueiros. Ademais, a Petrobrás é detentora de monopólio no setor petrolífero, diferentemente, do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos e em outros países do G7 (Há outros monopólios no Brasil, por exemplo: Correios). Por fim, a Petrobrás não só é um monopólio, mas também o dinheiro do lucro desse monopólio ajudou a criar monopólios em outros setores, pois os grandes empresários corruptos já citados recebiam renda desviada de tal estatal. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil se chama "Petrolão", e não algo como "Embraerão".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 06:09:48

A unica saida é democratizar o Estado, torná-lo representante não só das elites, mas dos empresarios de pequeno porte, da tecnocracia de media especialização, das classes medias em geral, dos trabalhadores, das ONGs organicas, não essas plantadas por bilionarios.


Você poderia precisar e detalhar  como  fazer   essa    democratização  do Estado  ? 



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 06:20:57
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.



Se privatizar sifgnifica isso,  então reestatizar significaria retirar  poder politico e econômico das elites, nos aproximando  ainda mais de uma sociedade liberal.

Então, conforme seu raciocínio a melhor coisa a se fazer no Brasil é desfazer as privatizações  reestatizando as empresas que foram privatizadas  (assim vamos tirar poder dos plutocratas).

Então devemos reestatizar:

_As telefônicas e recriarmos a Telebrás;

_A Vale e recriarmos a estatal Vale do Rio Doce;

_As siderúrgicas que foram privatizadas e recriarmos as estatais siderúrgicas;

_As ferrovias e recriarmos a grande RFFSA;

_As ferrovias estaduais e recriarmos a FEPASA (e outras que eram estaduais);

_E outras empresas que foram privatizadas, e que desta forma fortaleceram as plutocracias nacionais e internacionais,  e nos afastaram de uma sociedade mais liberal.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:00:08
Mais um passo no  Caminho da Servidão ao Estado :






ABSURDO: A PARTIR DE 2019 VOCÊ SERÁ OBRIGADO A FAZER VISTORIA   [a cada dois anos]


Milan Dark



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:07:47

Além de ter que transferir a cada dois anos  mais uma parte da sua renda ao Estado  (ou a uma empresa terceirizada que preste serviço ao DETRAN  do estado), em troca de um serviço obrigatório (que você não precisa e não quer), você ainda terá que perder mais um pouco de tempo de sua vida para satisfazer mais uma vontade de burocratas do Estado.



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:09:43


É mais um pouco da sua renda $ e da sua liberdade que o maravilhoso Estado irá tomar de você.



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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:12:07

Mais regulamentação estatal =  menos liberdade individual.


E assim vamos dando mais alguns passos no Caminho da Servidão.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:26:58
Contran confirma inspeção veicular obrigatória em 2019

Por iG São Paulo | 11/12/2017 12:07


Vistoria deverá ser feita a cada dois anos como condição para o licenciamento anual. Saiba mais detalhes sobre a nova resolução


Inspeção veicular voltará a valer em todo o Brasil a partir do final de 2019, segundo o Contran


Até dezembro de 2019 entrará em vigor a inspeção veicular obrigatória em todo do Brasil, de acordo com a resolução publicada pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito. Ainda conforme o que foi publicado, as vistorias terão que  ocorrer a cada dois anos e será pré-requisito para o licenciamento anual. O objetivo é verificar as condicões de segurança e de emissões de poluentes dos veículos, principalmente os com mais de 3 anos, inclusive de frotas e comerciais.


Até os primeiros três anos de uso, ainda conforme o que foi informado pelo Contran, os carros novos que não tenham mais de 7 lugares, ficarão isentos da inspeção contanto que não tenham recebido modificacões ou se envolvido em acidentes com danos médios ou graves. Além disso, os modelos de pessoa jurídica poderão ficar sem inspeção nos primeiros dois anos de uso. Entretanto, os veículos voltados ao transporte escolar terão que ser vistoriados a cada seis meses. Os de coleção (com placas pretas) e os militares também estarão isentos de serem inspecionados, de acordo com o que determina a nova resolução do Contran.


Critérios da nova inspeção


Os Detrans de cada estado ou empreses devidamente credenciadas serão incumbidas de fazerem a inspeção que vai verificar itens dos sistemas de iluminação, freios, direção, eixos, suspensão, pneus, rodas, entre outros componentes obrigatórios, bem como a emissão de gases e o nível de ruído. Os carros que apresentarem defeitos graves nos freios, pneus, rodas ou que tiverem itens proibidos, falhas nos obrigatórios e ainda ultrapassarem os limites de emissões ou de ruído serão reprovados no primeiro ano.



A resolução do Contran também diz que a partir do segundo ano serão reprovados os modelos que apresentarem defeitos graves no sitema de direção e, no terceiro, os que tiverem problemas considerados de alta gravidade nos equipamentos anti-poluição. Com isso, os carros reprovados terão que serem reparados para passarem por uma nova inspeção. Quem não passar pela vistoria terá que arcar com multa no valor de R$ 195,23 e terá o veículo retido. Ainda não foram definidos os valores do serviço, que serão diferentes, de acordo com cada região do País.


Link deste artigo:

http://carros.ig.com.br/2017-12-11/inspecao-veicular.html


Fonte: Carros - iG @ http://carros.ig.com.br/2017-12-11/inspecao-veicular.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 08:30:28


É o papai Estado  através de seus zelosos burocratas  zelando  pela segurança da coletividade. 


O que seria da sociedade sem os zelosos burocratas estatais para nos proteger ?





Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 09:12:18
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.

Essa redistribuição só pode ser feita via Estado, o mercado não vai sozinho promover o esvaziamento do poder das plutocracias.

Privatizar significa transferir mais poder politico e economico do Estado para as elites, nos afastando ainda mais de uma sociedade liberal.



Eu lembrei da JBS , que é um exemplo de grande poder que  um plutocrata  pode ter,  e seguindo essa linha de raciocínio, e  considerando  que a estatização tira poder dos plutocratas, eu  pensei que seria uma boa se o o governo brasileiro estatizasse a JBS e criasse a:


CARNEBRAS


Desta forma, além de  tirarmos o poder de alguns plutocratas,  o que democratizaria mais a sociedade, o governo também estaria garantido a produção de um  produto altamente estratégico (pois proteína é algo extremamente importante para a saúde da população).


Então, eu acredito que todos nós deveríamos nos unirmos para lutarmos por esta importante causa para a democratização da sociedade, e para a saúde dos brasileiros.  Então, companheiros eu os conclamo para participar ativamente nessa luta, e lembrem:


 A Carne é Nossa !




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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 09:38:08
Essa da CARNEBRAS eu inventei agora após repensar na  ideia de democratizar  a sociedade  e de tirar poder dos plutocratas. E logo após  eu resolvi pesquisar na internet para saber se alguém já tinha pensado numa CARNEBRAS,  e  teve, só que não como numa estatal produzindo diretamente e sim como uma agência de fomento e/ou planejadora, reguladora (só que não era uma proposta real e sim uma crítica relembrando de outras agências semelhantes que o Brasil já teve). Abaixo segue o excelente texto que relembra um pouco de nossa história de intervenção estatal, e que alerta para o ativismo estatal  que ainda é forte no Brasil:




Contra o planejamento estatal e a política industrial


Por Rubem de Freitas Novaes



Na atual fase da história, quando todas as economias dinâmicas caminham para o estreitamento das atividades do Estado, vemos ressurgir em nosso país o entusiasmo pelo planejamento governamental e pelo estabelecimento de uma política industrial forte e abrangente, como nos tempos do II PND. A apresentação do Plano Plurianual (PPA), a crise no setor industrial e as dificuldades encontradas para a regulamentação da Infraestrutura fazem retornar a velha conversa sobre setores prioritários e/ou estratégicos, sobre os “espaços vazios” e sobre a definição dos instrumentos de indução e/ou punição a serem criados para o alcance dos objetivos de governo. Ao mesmo tempo, nossos melhores especialistas em contas públicas prevêem que a carga tributária rapidamente evoluirá para cerca de 40% do PIB, com despesas governamentais atingindo o padrão escandinavo de 45% do PIB.


Quem acompanhou, ou estudou, nossa história recente pôde constatar importantes mutações nas formas de ingerência do Estado na economia. No apogeu do governo Geisel, por exemplo, trabalhava-se com uma contida carga tributária (na ordem de 25% do PIB), mas era formidável o aparato de instrumentos não fiscais acionados para a intervenção governamental. Vivíamos, então, o tempo do planejamento estratégico centralizador (II PND) e da política industrial ativa, em que se escolhiam, no Olimpo, setores prioritários e empresas vencedoras. Para cada problema real, ou objetivo nobre, surgia uma ação corretiva do Estado – árbitro e indutor supremo – que, por meio de incentivos fiscais e créditos subsidiados fartos, procurava direcionar a produção e os investimentos, bem como corrigir desigualdades de renda.


Parecia que, no limite, todo setor teria um órgão próprio de planejamento e fomento. Para cuidar da cafeicultura, o IBC; para o açúcar e o álcool, o IAA; para o cacau, a CEPLAC; para a borracha, a SUDHEVEA; para a pesca, a SUDEPE; para as florestas, o IBDF; para os computadores, o CAPRE (depois SEI); para a construção naval e a marinha mercante, a SUNAMAM; para o aço, a SIDERBRAS e o CONSIDER; para a energia elétrica, a ELETROBRAS; etc., etc. Somente o “complexo soja” e o setor de “carnes”, atividades que curiosamente mais se desenvolveram, não tinham uma “SOJABRAS” ou “CARNEBRAS” para tutela-los. O monopólio do petróleo, privativo da União, na prática era exercido pela PETROBRAS, que não abria espaços para ninguém. Reservas de mercado eram concedidas em abundância, sendo a mais notória a que regulou o setor de informática por muitos anos. Empresas estatais dominavam toda a infraestrutura de energia, aço, estradas e ferrovias, portos, telecomunicações etc. Cada um dos estados da Federação tinha o seu banco comercial próprio, aos quais se acoplavam bancos de desenvolvimento, verdadeiros ralos do dinheiro público. Empresários se submetiam a uma verdadeira via crucis em busca dos favores governamentais no BNDES, CDI, CDE, CACEX, INPI, SUDENE, SUDAM, etc. Quem não fosse “prioritário”, não tinha condições de sobreviver.


Mas não era só isso! Também na macroeconomia era grande o ativismo estatal, já que os principais “preços” sofriam a intervenção direta do governo federal. A correção monetária era toda regulada por lei e obedecia a parâmetros tecnocráticos. Da mesma forma, para a taxa de online casino câmbio, tínhamos uma regra matemática estabelecida em gabinete para nortear as freqüentes desvalorizações. Os reajustes de salários, em toda a economia, eram regulados por lei federal. Finalmente, os preços de mercadorias e serviços em geral eram controlados pelo CIP e SUNAB, com base em planilhas de custo e outros critérios menos explícitos (para dizer o mínimo!).


Passado o tempo, fomos nos livrando deste verdadeiro “entulho” intervencionista. Infelizmente, no entanto, o mesmo fenômeno de simplificação e enxugamento não ocorreu na esfera dos orçamentos públicos. A União, os Estados e os Municípios, em verdadeira febre de expansionismo, estimulada pela nova Constituição, passaram a elevar consistentemente a arrecadação de tributos para financiar seus robustos programas. Consolidava-se um novo tipo de ativismo: menos órgãos de regulamentação e fomento, menos empresas estatais, mas, como o país continuava cheio de problemas (e quem não os tem?), mais projetos e programas públicos para resolve-los. E neste passo fomos indo até que a carga tributária evoluísse, dos 25% do PIB, dos tempos do Gal. Geisel, para 36% do PIB, ao final do governo de FHC.


Esperamos que muitos estejam percebendo o círculo vicioso em que estamos nos metendo. Para tentar resolver problemas de pobreza e emprego (e uns outros mais), inchamos, sem quaisquer resultados palpáveis sobre as desigualdades de renda, o orçamento público. Acontece que, para financiar a expansão do Estado, acabamos por estrangular o setor produtivo privado, que passa a desempregar, fugir para a clandestinidade e baixar salários reais, aumentando assim os problemas que almejamos eliminar. É a rota direta para uma espiral descendente que poderá nos levar a um formidável atraso econômico e social!


Caros leitores, já nos iludimos muito no passado ao achar que mais governo seria solução para os problemas do país. Tal opção não deu resultados aqui, nem em qualquer outro lugar do mundo. Hoje, deparamo-nos com um quadro conducente a supor que, ao menos em termos de diretrizes macroeconômicas, estamos encontrando a orientação correta para a superação de nossos males. Não podemos permitir que políticas microeconômicas mal conduzidas, e com forte conteúdo intervencionista, somadas à desmedida ambição orçamentária de nossos gestores públicos, venham a nos colocar em rumo equivocado, justamente quando se abrem perspectivas de retomada do crescimento, logo adiante.


Digamos, portanto, em alto e bom som: não, para o planejamento centralizador; não, para “políticas industriais’ carregadas de privilégios e sim, para a redução das despesas em todos os níveis de governo!


P.S. – O presidente Lula voltou a defender, na cerimônia de reinstalação da SUDAM, mais planejamento estatal, elogiando o Plano Decenal dos governos militares. Cabe esclarecer que este Plano, preparado no final do governo Castelo Branco, foi devidamente arquivado pelo ministro Delfim Netto, que o fulminou, no início do “milagre”, com a famosa frase: “dêem-me o ano e esqueçam a década”. O planejamento centralizador só retornou, muitos anos depois, com o II PND do governo Geisel. Coincidência ou não, a partir daí, com a presença marcante do Estado na economia, sob diferentes formas, o país nunca mais recuperou seu ímpeto histórico de desenvolvimento.


*Rubem de Freitas Novaes é Economista (UFRJ) com Doutorado pela Universidade de Chicago.


Publicado em 20/06/2014


Tema: Política de Desenvolvimento. Palavras-chave: Planejamento, Política Industrial.


http://agriforum.agr.br/contra-o-planejamento-estatal-e-a-politica-industrial/



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 13 de Janeiro de 2018, 10:26:09
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.

Mas o que é a casta do funcionalismo, Geotecton?

Eu concordo plenamente que o Estado brasileiro é uma cloaca, que temos os piores dos piores em posições chave e esses indivíduos tomam decisões pensando somente em se perpetuar na mamata. Mas será que defender um extremo é a solução? Nós passamos por 13 anos de PTismo com o Estado sendo moldado para que a caterva se perpetuar lá. Eles bagunçaram o já caótico Estado. Será que a solução para os nossos problemas como nação é defender um extremo oposto do PTismo? Eu não sei.

Eu não vou fingir que entendo de economia e mesmo da parte mais filosófica de sistemas de governo, mas eu tenho um pouco de bom senso (que, óbvio, pode estar enganado, por isso este post para você). Eu já ví você defendendo que juízes e promotores ganhassem um teto de 5 mil reais. Será que isso não é um extremo inviável na prática que deriva de um ódio (plenamente justificado) pela nossa situação com os oportunistas do poder? Juízes e promotores têm uma função de altíssima responsabilidade e complexidade, nós temos que ter os melhores possíveis nestes cargos, será que os melhores iriam se interessar se fosse para ganhar isso? Claro, é injustificável eles ganharem acima do teto, e é revoltante os benefícios que eles ganham, mas eu falo de defender um extremo tão grande como esse (5 mil reais), será que defender isso é o correto?

Eu vejo esses posts do Horácio e não consigo discordar muito dele. Acho que Estado tem tamanho certo, como diz o Otário (Canal do Otário): Quanto mais Estado, menos cidadão. O Estado brasileiro é inchadíssimo e deve ser enxugado para evitar que oportunistas se aproveitem, mas Estado de menos diminui o tamanho do cidadão também.

Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Nós temos maturidade suficiente para nos comportarmos sem regulamentações? O povo sabe o que realmente é melhor para ele a médio e longo prazo?

Eu acho que o certo é lutar por um Estado forte (no sentido de um Estado que atue como se deve, ou seja, como um mediador entre os cidadãos e com um projeto de médio e longo prazo); lutar para moldar o lixo que está ai no sentido de um Estado que seja funcional.

Não dá para negar que o cidadão comum não tem como se equiparar com grandes corporações e que essas corporações, deixadas totalmente livres, não vão ter muita preocupação com qualquer um que não seja ela mesma. Diminuir a força da Cloaca do estado brasileiro para dar de mãos beijadas para grandes corporações é sair de um problema para cair em outro.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 13 de Janeiro de 2018, 10:53:17
Assim que eu estiver em frente de um teclado decente, lhe responderei.

No momento estou em trânsito e escrevendo de um telefone celular. E detesto isto.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 11:25:41
Não, pois esse é um modelo, uma direção a seguir, mais do que uma meta a alcançar. Da mesma forma, não existe nenhuma sociedade moderna em que o Estado se limite ao minimo de garantir segurança e contratos, como é frequentemente proposto.

E isto ocorre porque os grupos que controlam o Estado não querem que assim ocorra. Tais grupos são os políticos e os funcionários públicos em primeiro plano e alguns segmentos empresarias em segundo.


Se formos nessa direção, nos aproximamos de um modelo proximo ao dos paises do norte europeu, que tem estado forte, mercados menos concentrados (metade do sistema bancario alemão é de bancos comunitários), pouca desigualdade social e consequentemente, maior controle sobre suas oligarquias.

E você acha que a casta do funcionalismo permitiria?


Na direção oposta, entregar a Petro para a BP, a Caixa e o BB para o Itaú ou Bradesco reforçaria ainda mais esses grupos privados, que vão ter mais poder ainda para corromper o Estado e impor seus proprios interesses ao conjunto da sociedade.

Deixar as empresas supra sob controle do Estado, apenas contribuirá para que os principais grupos que influenciam o Estado, continuem fortes e usando o sistema legal e o poder político para manter os seus vastos (e imorais) privilégios.

Mas o que é a casta do funcionalismo, Geotecton?

Eu concordo plenamente que o Estado brasileiro é uma cloaca, que temos os piores dos piores em posições chave e esses indivíduos tomam decisões pensando somente em se perpetuar na mamata. Mas será que defender um extremo é a solução? Nós passamos por 13 anos de PTismo com o Estado sendo moldado para que a caterva se perpetuar lá. Eles bagunçaram o já caótico Estado. Será que a solução para os nossos problemas como nação é defender um extremo oposto do PTismo? Eu não sei.

Eu não vou fingir que entendo de economia e mesmo da parte mais filosófica de sistemas de governo, mas eu tenho um pouco de bom senso (que, óbvio, pode estar enganado, por isso este post para você). Eu já ví você defendendo que juízes e promotores ganhassem um teto de 5 mil reais. Será que isso não é um extremo inviável na prática que deriva de um ódio (plenamente justificado) pela nossa situação com os oportunistas do poder? Juízes e promotores têm uma função de altíssima responsabilidade e complexidade, nós temos que ter os melhores possíveis nestes cargos, será que os melhores iriam se interessar se fosse para ganhar isso? Claro, é injustificável eles ganharem acima do teto, e é revoltante os benefícios que eles ganham, mas eu falo de defender um extremo tão grande como esse (5 mil reais), será que defender isso é o correto?


Boa pergunta, então vamos fazer algumas contas com base em  alguns dados e parâmetros:


Um juiz federal americano ganha em média US$ 126.840 por ano  (US$ 10.570 por mês, ou US$ 9.756,92 mais um 13° de igual valor, se quisermos melhor comparar  com a nossa situação (mas a renda total anual continua a mesma nas duas contas, apenas concentramos uma parte em dezembro ao termos o 13°) ).

A renda per capita americana foi de 57.466,79 USD (2016).

Então temos que a média salarial de um juiz federal americano em relação à renda per capita será de 126.840/57.466,79 é de  2,20718 x a renda per capita americana.


A renda per capita brasileira em 2016 foi de US$ 8.649,85.

Para termos um mesmo valor proporcional do salário de um juiz federal no Brasil, em relação à renda per capita, basta fazermos a conta:

2,20718 x US$8.649,85 = US$ 19.092,064 por ano,  o que dividindo por 13 dará US$ 1.468,62  por mês e mais um 13° de igual valor em dezembro.

E ontem a cotação do dólar estava em R$ 3,23 por dólar. De modo que em reais teríamos R$ 4.743,64  por mês mais o 13° no final do ano.


Então surpreendentemente podemos ver que o Geotecton fez uma excelente estimativa do que deveria ser o salário de um juiz federal brasileiro, se levarmos em consideração a renda per capita brasileira em comparação com a renda per capita americana e com o salário de um juiz federal americano.  O que seriam parâmetros  bastante razoáveis (salário e renda per capita no Brasil versus salário e renda per capita nos Estados Unidos).




Fonte consultada para os salários de juízes americanos:

https://www.conjur.com.br/2013-fev-28/salarios-juizes-federais-eua-sao-mesmos-congressistas



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 11:31:33

Eu pesquisei os dados e depois de fazer as contas  me surpreendi  com o resultado, o qual ficou muito próximo do que o Geotecton havia considerado adequado (tendo em vista a realidade do Brasil).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 13 de Janeiro de 2018, 13:29:21
Vocês acham mesmo que Deltan Dallagnol ou Sérgio Moro arriscariam a vida trazendo dor de cabeça a corruptos ultra-poderosos se ganhassem só 5 mil reais por mês? Quem ganha um pouco menos que isso e vive no Rio de Janeiro mora na favela. O alto escalão do Judiciário brasileiro seria um antro de Toffolis piorados.

Melhor voltar ao debate sobre as privatizações.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:04:18
Vocês acham mesmo que Deltan Dallagnol ou Sérgio Moro arriscariam a vida trazendo dor de cabeça a corruptos ultra-poderosos se ganhassem só 5 mil reais por mês?


Não. Mas também tem que ter um certo cuidado com este argumento, pois a ideia de "ter que ganhar muito para que fique imune (ou quase imune) a corrupção", pode ser usado para se defender um salário de R$100.000 por mês para juízes (já vi pessoa falando algo semelhante). E de R$150.000 por mês para deputados (ou até mais).


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:05:40
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação extrema em todas as  áreas certamente não seria uma boa solução para nós. Principalmente uma desregulamentação extrema em relação à questões ambientais. Mas certamente há  alguns  exageros na legislação ambiental, e que poderiam ser retirados ou minimizados (um ponto específico, que posso citar é a liberdade para retirar uma árvore grande  que esteja na calçada em frente a uma residência ou comércio, e que seja uma ameaça em dia de chuva forte, e que o dono da casa ou comércio quisesse retirar e substituir por outra de médio ou pequeno porte, mas que devido a legislação ambiental exagerada, ele não poderá fazê-lo).  E com relação à  outras legislações certamente há  coisas que poderiam ser reduzidas (e até eliminadas). E que se poderia dar liberdade para os indivíduos decidirem. Apenas como mais um exemplo, eu cito a possibilidade de que uns vizinhos reunissem e quisessem transformar em um condomínio fechado uma parte do bairro em que moram (por questões de segurança), mas que a legislação impede. Este seria um caso em que a desregulamentação e liberalização poderia até salvar vidas. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 13 de Janeiro de 2018, 18:16:18
[...] lutar para moldar o lixo que está ai no sentido de um Estado que seja funcional.


Talvez pudéssemos tentar condicionar os nossos políticos a se comportarem como políticos suecos. Quem sabe se pode ser feito? Podemos tentar um programa de reeducação política.


 :hihi:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 14 de Janeiro de 2018, 13:49:43
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 14 de Janeiro de 2018, 14:05:54
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.

Eu já tinha visto coisas neste sentido.

Você acredita que na prática isso iria funcionar? Se a Samarco fosse dona do meio ambiente que ela destruiu ela iria ter uma preocupação maior com as barragens dela?

Não me parece factível. Na teoria pode até parecer que tenha muita lógica, na prática não sei. Se o ser humano tivesse um pouco de bom senso até poderia ser.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 14 de Janeiro de 2018, 14:18:08
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Pedro Reis em 14 de Janeiro de 2018, 16:31:39
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.

Já li uma teoria da conspiração sobre a origem da proibição do DDT. Quem defendeu a tese foi nada mais, nada menos, que um artigo do Wall Street Journal.

A patente do DDT estava prestes a expirar e a gigante Du Pont iria perder dinheiro.  Coincidentemente iniciou-se uma campanha para proibir o pesticida com base na alegação de que era cancerígeno.  O DDT foi proibido mundialmente e substituído por produtos também cancerígenos, porém patenteados.

Esse artigo especulava se a proibição dos CFCs não se tratava do mesmo golpe.

E sobre "privatizar para conservar" também acho que seja um pensamento ingênuo. Talvez a ganância desmedida, o egoísmo patológico e o tempo de vida limitado do homem expliquem melhor muitos comportamentos irresponsáveis.

Tudo depende do meio ambiente: a nossa sobrevivência e, claro, até a economia. Em algum momento deste século a humanidade irá enfrentar a maior crise de sua história e o caos irá se refletir também nas atividades econômicas, atingindo os mais ricos e grandes empresas.

Mas nem isso freia o aquecimento global e a indústria do petróleo financia os Trumps da vida para sabotar acordos vitais como o de Paris. É uma estratégia suicida, mas talvez seja estratégia de homens que não se  importam porque não estarão mais aqui quando a bomba realmente estourar.

E não é só o aquecimento, estamos agravando algumas dezenas de problemas ambientais seríssimos e o mais grave é que todas estas bombas convergem para explodir mais ou menos ao mesmo tempo.

Neste século um mundo cada vez mais voraz no consumo de combustíveis fósseis verá inexoravelmente o fim desse recurso e não há uma alternativa para o atual consumo de milhões de barris/dia. O crescimento da demanda por água potável não é acompanhado pela oferta, e esse recurso na verdade está se tornando mais escasso. Jà é na verdade o maior fator de tensão entre Ìndia e Paquistão, duas potências nucleares. A poluição de rios, lagos, mares e lençóis freáticos continua em ritmo acelerado, apesar de algumas soluções locais. O lixo não é um problema que não está sendo resolvido: são vários! Desde o lixo comum orgânico, a contaminação do meio ambiente por resíduos químicos e metais pesados, o indestrutível plástico, lixo hospitalar, lixo atômico, etc... O crescimento das áreas desérticas vem acelerando em todo o mundo desde a década de 1970, e em importantes países produtores de alimentos a camada arável do solo vem diminuindo como efeito das atuais técnicas de plantio. Florestas nativas e o recurso inestimável da biodiversidade continuam sendo extintos e a destruição de habitats naturais de alguns hospedeiros é uma ameaça à humanidade, porque doenças podem migrar para o ter o ser humano como vetor preferencial, como no caso do vírus ebola. Além disso o aumento da população e cada vez maior mobilidade global da nossa espécie potencializa em muito estes riscos. A elevação do nível dos mares obrigará o deslocamento de enormes populações que vivem em áreas litorâneas "baixas", como na ìndia, o que deve levar a uma desestabilização social, política e econômica de consequências inimagináveis... Enfim... imagine todos estes problemas e muitos outros alcançando seu ponto crítico mais ou menos ao mesmo tempo, ainda neste século.

Tudo indica que, como tudo mais, a economia irá entrar em colapso. Que a produção de riqueza irá desabar. E nem em face dessa realidade as grandes empresas estão fazendo o mínimo para preservar o seu próprio negócio: se comportam exatamente como os caçadores de búfalos das planícies do oeste, que em apenas uma geração extinguiram completamente o seu principal meio de vida.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 14 de Janeiro de 2018, 20:48:54
Será que uma desregulamentação extrema iria ser uma boa solução para nós? Será que acabar com as legislações ambientais e com a fiscalização é uma boa coisa para o cidadão comum? Proibir que se desmate a Amazônia serve somente para cercear o direito do cidadão comum de investir o dinheiro dele onde ele bem entende ou será que serve para proteger o direito das pessoas de viverem em um ambiente saudável?

Desregulamentação no setor ambiental é uma boa ideia quando associada a direitos de propriedade privada em contratos voluntários que incentivam ou exigem preservação. Ver Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de Leandro Narloch. Mercado de carbono, privatização de reservas e de animais silvestres tem sido usados para ajudar a preservar o meio ambiente.

Animais silvestres e flora são propriedade do Estado. É aí que reside grande parte do problema, pois o que é de todos não é de ninguém. "Se você gosta da natureza, privatize-a": https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=89 

E uma coisa como poluição do ar é considerada atentado ao direito de propriedade mesmo no anarcocapitalismo (ver a opinião de Hans-Hermann Hoppe sobre o assunto). Se é coerente defender isso em todas as vertentes de pensamento político, aí isso é outra história.

Eu já tinha visto coisas neste sentido.

Você acredita que na prática isso iria funcionar? Se a Samarco fosse dona do meio ambiente que ela destruiu ela iria ter uma preocupação maior com as barragens dela?

Não me parece factível. Na teoria pode até parecer que tenha muita lógica, na prática não sei. Se o ser humano tivesse um pouco de bom senso até poderia ser.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 15 de Janeiro de 2018, 20:43:58
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 16 de Janeiro de 2018, 08:15:49
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?

O problema do DDT é muito mais indiscriminado. Nós não vivemos em um mundo muito sério, mas nunca que se iria proibir algo no mundo (civilizado) inteiro baseado em uma histeria causada por um livro de ficção científica.

Os problemas do DDT (usado como pesticida, existe medicamentos que têm como base o DDT) são bem documentados. Eu vou dar uma procurada em algum artigo bom e depois eu posto neste mesmo post.

E, pelo menos no Brasil, a proibição não é geral. Em saúde pública se preconiza o uso do DDT para o combate do Anopheles (mosquito vetor da malária) em determinadas situações.

Dizer que "Nós temos problema com dengue em SP!!! Vamos esquecer o politicamente correto e combatê-lo com DDT..." é além do absurdo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 22 de Janeiro de 2018, 19:27:35
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?

Não é só a águia careca. :hein:

Aves predadoras são mais suscetíveis porque vão consumindo mais animais que por sua vez também estão contaminados, algo assim.

O DDT ainda é usado em alguns casos mais específicos como no combate a malária, mas não é ideal para ser usado mais generalizadamente, pelo efeito tóxico em mais organismos, incluindo o humano.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 22 de Janeiro de 2018, 19:55:58
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice. E liberdade econômica depende de vários fatores, não só o tamanho do estado. Senão a Somália seria líder do ranking... A eficiência do estado vale muito, principalmente em relação a leis e a garantia das mesmas.

Bem alto em alguns desses índices de liberdade de mercado está a Noruega, que é também paraíso "socialista" de estado gigantesco.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Muad'Dib em 22 de Janeiro de 2018, 21:00:52
Leandro Narloch era o caçador de mitos da Veja, não era? Eu já li um texto excelente dele sobre porque deveríamos abandonar a ideia idiota de não usar mais o DDT

É a personificação do bom senso.
Acho que li no Mises certa vez que o DDT foi proibido por histeria baseado em um livro de ficção científica e porque poderia estar afetando uma espécie de ave. Depois, acho que vi um vídeo do Pirulla que ele dizia que altas concentrações de DDT realmente afetavam a a Águia-Careca, enfraquecendo o casco do ovo ou algo do gênero.

Mas, se o DDT afeta apenas a Águia-Careca, para que proibi-lo no mundo todo?

http://www.scielo.br/pdf/asoc/v7n2/24690.pdf
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 22 de Janeiro de 2018, 22:34:38
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice. E liberdade econômica depende de vários fatores, não só o tamanho do estado. Senão a Somália seria líder do ranking... A eficiência do estado vale muito, principalmente em relação a leis e a garantia das mesmas.

Bem alto em alguns desses índices de liberdade de mercado está a Noruega, que é também paraíso "socialista" de estado gigantesco.
Exemplo de país com leis que garantem liberdade ao indivíduo e que tem um sistema jurídico eficiente, cumpridor da lei. Nos índices de liberdade econômica, a única nota mais baixa da Noruega e dos outros países nórdicos é em relação aos gastos do governo, impostos e liberdade financeira.
https://www.heritage.org/index/country/norway

Para mim, o maior exemplo de estado liberal atualmente é a Nova Zelândia. Eles tinham um estado gigantesco e ineficiente (para os padrões neozelandeses) até os anos 1980.
https://www.heritage.org/index/country/newzealand
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Fevereiro de 2018, 12:53:49


Mais um exemplo no qual o Estado  brasileiro  controla  o nosso comportamento  e  tira  a  nossa liberdade:


E se pudéssemos importar carros com menos de 30 anos?


LEONARDO CONTESINI 27 OUTUBRO, 2017


E se pudéssemos importar carros com menos de 30 anos?


Desde 2014, nos primeiros dias de cada ano perguntamos aos nossos leitores qual carro de 30 anos eles importariam. Isso porque, como você deve saber, a legislação brasileira proíbe a importação de carros usados com menos de 30 anos. Na verdade, não são apenas os carros usados que têm sua importação proibida. A portaria nº 8 do Departamento de Comércio Exterior, publicada em 13 de maio de 1991, proíbe a importação de qualquer bem de consumo usado. As justificativas na época foram variadas, como o evidente protecionismo à indústria e ao comércio locais. Isso até faz algum sentido quando você tem uma indústria forte e variada e que compete no mercado internacional. Mas não era o caso do Brasil.



A lei prevê algumas exceções, como doações, bens pessoais em caso de imigração, carros antigos para fins de coleção, carros adaptados para deficientes etc. A restrição acaba sendo um pouco frustrante para os entusiastas, uma vez que tivemos as fronteiras fechadas para carros importados até 1991, o que significa que vários modelos interessantes nunca entraram oficialmente no Brasil. Mas não apenas isso: como o câmbio nunca foi muito favorável por aqui — tivemos dois períodos interessantes entre 1994 e 1998 e depois entre 2007 e 2014 —, e nosso mercado não é dos mais ricos e entusiastas do mundo, outros modelos que poderiam ser importados zero-quilômetro jamais cruzaram a aduana.


Quer um Nissan Skyline GT-S 1997? Pode esperar sentado, porque ele só será liberado para importação em 2027. Sempre quis um BMW M5 E34 Touring? Compre um dos raríssimos exemplares que chegaram ao Brasil ou espere mais cinco anos até 2022. Subaru 22B? Sim, eles estão caríssimos, mas você tem tempo: precisamos de 11 anos para poder trazê-lo.


A ideia de restringir importações como medida protecionista cada vez mais soa absurda para cada vez mais pessoas. Tanto que nos últimos meses vêm crescendo as tentativas de mobilização popular para influenciar os legisladores a modificar a portaria de 1991, como mostram os mais de 80 registros no site do Senado Federal.


Parece irresistível, não? Imagine poder importar qualquer carro a qualquer tempo. Apertar o botão vermelho para os fabricantes e especuladores e conquistar aquele carro dos sonhos que você sempre quis. Porém a importação aberta e liberada também tem um preço caro a se pagar. Financeiro e social.


Nem todos os países têm regras que proíbem a importação de usados. Os EUA, a Austrália, o Brasil e a Mongólia são alguns — as proibições variam de 10 a 30 anos. Os países da União Europeia e o Reino Unido, por sua vez, não têm restrições — o carro precisa apenas estar de acordo com a legislação e passar pelas inspeções (é por isso que o Mike Brewer, de “Jóias Sobre Rodas”, pode comprar carros na França, nos EUA, na Polônia e onde mais quiser).



Na verdade, a maioria dos países têm importações liberadas, e elas são liberadas por um bom motivo: eles não têm indústria local e seu mercado não é grande o suficiente para ser atraente aos fabricantes. Como resultado, todos os carros são importados, até mesmo os usados — geralmente do Japão, onde os carros usados tornam-se tão caros de se manter devido às taxas e inspeções, que vale mais a pena entregá-los para a reciclagem ou então para exportadores de carros usados.


E aqui vem o choque de realidade dos importados usados: ainda que a lei permitisse a entrada de preciosidades como o Lamborghini Diablo, o BMW M Coupé dos anos 1990, o Skyline GT-R R34, eles serão uma minoria como são em seus países de origem. O grosso das importações de usados são os carros mundanos, os batedores, daily drivers. O verdadeiro “lixo de rico”, que não serve para os países desenvolvidos e vem ser reaproveitado pelos países pobres e emergentes.


Na Armênia, por exemplo, os carros importados vêm do Japão e da Coreia. O país está cheio de Hyundais com volante no lado direito servindo como táxis. Mercedes que não servem mais para os ricos russos e acabam mudando para o vizinho pobre do Sul. Nossa vizinha Bolívia também recebe carros velhos do Japão, e o país ficou mundialmente famoso por seus táxis com direção adaptada no lado esquerdo, porém com o painel mantido original.




Um típico táxi boliviano


Isto não seria um problema no Brasil porque nossa legislação proibiu em 2015 o registro de carros com o volante no lado direito. Quem tem, licencia. Quem não tem, não traz mais. Porém há várias outras questões que devemos levar em consideração antes de liberar geral a importação de carros usados.



A primeira delas é algo que afeta também os carros nacionais e importados novos: nossa querida carga tributária. A importação de um carro de passeio precisa pagar 35% de imposto de importação, calculado sobre o preço do carro somado ao frete, seguro e outras taxas aduaneiras. Depois o veículo terá que pagar  entre 7% e 25% de IPI, entre 17% e 19% de ICMS e 11,6% de PIS/Cofins. No fim das contas, o fator de multiplicação varia entre 3 e 3,5 – um carro de US$ 1.500 não chegaria por menos de R$ 15.000, sem contar a margem do importador, caso você não faça por conta própria.



Mas suponha que você encare o processo e finalmente coloque seu carro importado usado na garagem. Você terá que abastecê-lo com a gasolina brasileira e por aqui só temos duas opções: E27 e E25, e foi somente nesta década que os carros europeus, japoneses e norte-americanos começaram a rodar com E15. Existe uma chance de seu carro ter menor desempenho e maior consumo.


Em alguns modelos específicos para determinados mercados, o sistema de arrefecimento também é diferente. E como ele é específico, você não terá componentes para fazer a conversão, ou para repará-lo. Ao menos não à pronta entrega, e dependerá de importação de peças para mantê-lo em funcionamento. E isso vale também para peças de acabamento. Um vidro trincado, uma borracha ressecada. Uma lanterna quebrada.


autowp.ru_renault_laguna_hatchback_uk-spec_3

Renault Laguna: importado oficialmente entre 1995 e 2000, praticamente extinto pela falta de peças


Como acontece com tantos carros importados oficialmente nos anos 1990, no início dos anos 2000, é mais provável que este importado usado acabe se deteriorando até virar mais uma sucata nos ferros-velhos do Brasil, um zumbi sobre rodas circulando precariamente pelas ruas ou, na pior das hipóteses, mais um carro abandonado nas ruas que será recolhido e guardado em um pátio até se decompor.


A ideia de trazer esportivos e raridades com menos de 30 anos é tentadora, mas precisamos pensar se estamos prontos para as outras consequências desta abertura.


https://www.flatout.com.br/e-se-pudessemos-importar-carros-com-menos-de-30-anos/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Fevereiro de 2018, 13:04:44


Por que é proibida a importação de veículo usado?


Por Thathyana Weinfurter Assad



Para iniciar a coluna de hoje, em que abordo o tema da restrição existente, em nosso país, de importar veículo usado (salvo algumas exceções), é necessário frisar que, quando se trata das normativas voltadas às operações de comércio exterior, há que se diferenciar duas espécies de “veículos”. Existe o veículo no sentido de mercadoria importada ou exportada, e o veículo no sentido de instrumento de transporte.


O assunto aqui tratado refere-se ao veículo enquanto mercadoria, e não ao veículo transportador de mercadorias. Feita tal distinção, perguntemos: como é normatizada, no Brasil, a importação de veículo usado?


A Portaria nº 8, de 13 de maio de 1991, emitida pelo antigo DECEX – Departamento do Comércio Exterior –, dispõe que somente será permitida a importação de veículo novo. De regra, portanto, é vedada a importação de veículos usados. Existem algumas exceções à regra (é permitida, por exemplo, a importação de veículos antigos, com mais de trinta anos de fabricação, para fins culturais e de coleção, nos termos do artigo 25, alínea “h”, da Portaria nº 235, de 07 de dezembro de 2006, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).


 
Importante registrar que, quando o DECEX elaborou a Portaria nº 8/1991, era referido Departamento integrante do Ministério da Fazenda. Atualmente, a nomenclatura DECEX refere-se ao Departamento de Operações de Comércio Exterior, integrante da SECEX – Secretaria do Comércio Exterior, que figura na estrutura do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O organograma é importante, considerando a competência constitucional estabelecida ao Ministério da Fazenda, conforme veremos.


A Portaria nº 8/1991, no que concerne à proibição ora examinada, foi discutida no âmbito do Poder Judiciário, sob o argumento de que feriria o princípio da isonomia em relação aos veículos novos. Ao julgar o tema, o Supremo Tribunal Federal, no bojo do Recurso Extraordinário nº 203954-3/Ceará, elaborou a ementa a seguir:


IMPORTAÇAO DE AUTOMOVEIS USADOS. PROIBIÇAO DITADA PELA PORTARIA Nº 08, DE 13.05.91 DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. ALEGADA AFRONTA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA, EM PRETENSO PREJUIZO DAS PESSOAS DE MENOR CAPACIDADE ECONÔMICA. ENTENDIMENTO INACEITAVEL, PORQUE NÃO DEMONSTRADO QUE A ABERTURA DO COMERCIO DE IMPORTAÇAO AOS AUTOMOVEIS TENHA O FITO DE PROPICIAR O ACESSO DA POPULAÇAO, COMO UM TODO, AO PRODUTO DE ORIGEM ESTRANGEIRA, ÚNICA HIPÓTESE EM QUE A VEDAÇAO DA IMPORTAÇAO AOS AUTOMOVEIS USADOS PODERIA SOAR COMO DISCRIMINATORIA, NÃO FOSSE CERTO QUE, AINDA ASSIM, CONSIDERAVEL PARCELA DOS INDIVIDUOS CONTINUARIA SEM ACESSO AOS REFERIDOS BENS. DISCRIMINAÇAO QUE, AO REVES, GUARDA PERFEITA CORRELAÇAO LOGICA COM A DISPARIDADE DE TRATAMENTO JURÍDICO ESTABELECIDA PELA NORMA IMPUGNADA, A QUAL, ADEMAIS, SE REVELA CONSENTANEA COM OS INTERESSES FAZENDARIOS NACIONAIS QUE O ART. 237 DA CF TEVE EM MIRA PROTEGER, AO INVESTIR AS AUTORIDADES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA NO PODER DE FISCALIZAR E CONTROLAR O COMERCIO EXTERIOR. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.


 
(RE 203954, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, julgado em 20/11/1996, DJ 07-02-1997 PP-01365 EMENT VOL-01856-11 PP-02250)


O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento, a partir de tal julgado, que o Ministério da Fazenda tem competência atribuída pelo artigo 237, da Constituição da República de 1988, para elaborar Portaria que restringe a importação de veículos usados. Isso porque tal dispositivo constitucional preconiza que “A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.”


O Supremo Tribunal Federal entendeu que o Departamento elaborou a normativa por medida de política econômica. Interessante salientar que nota emitida pelo Departamento, à época, foi transcrita no voto acima mencionado, a partir da qual é possível fazer a análise crítica (positiva ou negativa) acerca dos motivos da proibição da importação de veículos usados. Vejamos trechos das motivações constantes da nota expedida pelo DECEX, transcritas no voto, para que seja possível compreender as razões da restrição ora abordada:


“a) a diferenciação de valores do bem usado existente no mercado mundial – o veículo usado, no mercado internacional sofre uma forte depreciação, face às constantes inovações tecnológicas, refletindo de forma significativa no preço do produto. O mesmo ocorre no mercado nacional, onde se observa que a simples condição de ser de origem estrangeira atribui ao veículo uma presunção de qualidade, valorizando de tal forma irreal o bem, ensejando assim o enriquecimento sem causa do importador com a sua revenda, às custas das nossas divisas;


b) a ausência de tradição na importação de veículos usados gera carência de parâmetros para determinação de preços correntes no mercado estrangeiro, o que exige tempo para adaptação da indústria nacional à competição externa, sob pena de sucateamento do parque fabril brasileiro;


c) o exame de preços no comércio exterior tem por finalidade resguardar os interesses nacionais, visando a evitar o subfaturamento ou superfaturamento, doloso ou não, que enseja lesão ao fisco na importação, com a discriminação de preços abaixo dos realmente praticados e o prejuízo cambial, tanto na exportação – com a venda de produtos brasileiros a preços vis como na importação com a remessa de divisas superiores ao preço dos bens. O escopo deste exame, portanto, não é o de criar qualquer entrave ou embaraço ao importador: ao contrário, restringe-se a salvaguarda do País das perdas internacionais que poderiam advir da não observância de tais controles. A inexistência ou a impossibilidade de se determinar parâmetros para o exame de preços nas importações da espécie, com certeza prejudicará o trabalho de prevenção contra a evasão de divisas que vem realizando o atual governo;


d) a liberação de importação poderá constituir-se em perigoso precedente a uma enxurrada de novos pedidos (…). Distorções como estas refletir-se-ão no mercado interno do País que, possivelmente, ficará repleto de bens de consumo usados, de todas as espécies, (…) como consequência, as empresas brasileiras pertencentes a variados segmentos, terão de enfrentar uma concorrência para a qual a maioria delas não se encontra preparada, em função dos baixos preços que os bens de consumo usados alcançam em países mais desenvolvidos. (…)”


O Ministério da Fazenda, ao elaborar tal Portaria, portanto, na visão do Supremo Tribunal Federal, apenas estaria levando em consideração os efeitos negativos para a economia nacional, exercendo, pois, o poder de polícia estabelecido no artigo 237, da Constituição da República de 1988.


Assim, a partir da análise das razões da existência de normativa que restringe a importação de veículo usado, colocamos as seguintes questões, a título provocativo, a serem debatidas em colunas posteriores: o que é veículo usado? Se, por exemplo, importa-se um veículo com poucos quilômetros rodados, em decorrência de idas e vindas de concessionárias, estaria fora ou dentro do conceito de “novo”? Ainda, qual a penalidade para quem importa veículo usado? A esfera administrativa é adequada e suficiente ou o direito penal deve ser chamado a atuar? Por fim, caso o direito penal aduaneiro seja aplicável, qual o delito eventualmente praticado por aquele que importa veículo usado?


Cenas dos próximos capítulos.


https://canalcienciascriminais.com.br/por-que-e-proibida-a-importacao-de-veiculo-usado/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Fevereiro de 2018, 13:05:39

O Estado poderoso e os os seus agentes estatais poderosos  determinando o que podemos comprar  e ter,  e o que não podemos comprar e não ter.


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Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Fevereiro de 2018, 16:35:56
Dez frases impiedosas e irônicas de Roberto Campos, o Bob Fields que virou Robarchev

13/09/2014 10h31  Por Euler de França Belém  Edição 2045



Roberto Campos, estrela de vários governos — da gestão democrática de Getúlio Vargas aos governos de Juscelino Kubitschek e João Goulart, até se tornar a peça-chave da equipe do general Castello Branco —, era um economista erudito. Na época da ditadura, apelidaram-no de Bob Fields. Ele não deu a mínima, mas, quando o socialismo ruiu, entre as décadas de 1980 e 1990, apelidou-se de Robar­chev. Porque quase tudo que dizia sobre o socialismo, sobre sua in­compatibilidade com o sucesso econômico, comprovou-se quando a União Soviética e os países satélites desmoronaram.


Roberto Campos tinha um humor ferino, tão cortante quanto o de Bernard Shaw, H. L. Mencken e Karl Kraus. “Lanterna na Popa” talvez seja o melhor livro de memórias da história brasileira. Só não é apresentado assim porque o autor permanece visto como o “economista que serviu à ditadura”. É mais honesto dizer que serviu ao País e que, na ditadura, chegou a defender civis importantes, como o presidente Juscelino Kubitschek.


No site do Comunique-se, o jornalista Moacir Japiassu — ótimo escritor, por final — listou dez frases menckenianas ou, aqui e ali, nelsonrodriguianas de Roberto Campos:


— A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor.


— A diplomacia é como filme pornográfico: é melhor participar do que assistir.


— A inveja é o mau hálito da alma.


— Em nossa religião camarada, Deus é quase um membro da família. Um pai tolerante, muito ocupado com outras coisas, mas a quem se recorre num aperto.


— Sou chamado a responder rotineiramente à pergunta: haverá saída para o Brasil? Respondo dizendo que há três: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo.


— Estatização no Brasil é como mamilo de homem: não é útil nem ornamental.


— Apesar de intransigentemente privatista, advogaria a estatização da pena de morte, que é hoje indústria rentável em Alagoas e na Bai­xada Fluminense.


— A burrice é o único símile do infinito.


— Os índios brasileiros são os maiores latifundiários pobres do planeta.


— Os artistas brasileiros são socialistas nos dedos ou na voz, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos.



https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/dez-frases-impiedosas-e-ironicas-de-roberto-campos-o-bob-fields-que-virou-robarchev-15121/



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 27 de Fevereiro de 2018, 10:05:29
Ainda são poucas as  produções acadêmica nacionais sobre liberalismo econômico,  mas  tem aumentado:


Aqui uma monografia relativamente recente (2016) sobre o tema:



A RELAÇÃO ENTRE LIBERDADE ECONÔMICA E NÍVEL DE BEM-ESTAR.

MONOGRAFIA


MAYARA FENNER

Santa Maria, RS, Brasil
2016


RESUMO

Dissertação de Graduação

Programa de Graduação em Ciências Econômicas

Universidade Federal de Santa Maria

A RELAÇÃO ENTRE LIBERDADE ECONÔMICA E NÍVEL DE BEM-ESTAR

AUTOR: MAYARA FENNER

ORIENTADOR: ROBERTO DA LUZ JÚNIOR

Data e Local da Defesa: Santa Maria, 13 de dezembro de 2016.


Este trabalho estuda a relação entre a liberdade econômica dos países, medida através do nível de intervencionismo governamental, e seu crescimento e desenvolvimento econômico. Através do estudo desta relação procurou-se entender qual o tipo de governo, mais intervencionista ou não, apresenta melhores resultados. Para analisar quão livre é um país utilizou-se o Índice de Liberdade Econômica da Fundação Heritage, para analisar crescimento econômico utilizou-se o PIB per capta dos países, e para analisar desenvolvimento econômico utilizou-se o Índice de Desenvolvimento Humano. Fez-se uma análise qualitativa, buscando evidências da influência da liberdade econômica no crescimento e desenvolvimento das nações.


Palavras chave: Índice de Liberdade Econômico, crescimento econômico, desenvolvimento econômico, intervencionismo.


Clique no link para acessar a página e baixar o arquivo (em PDF):


http://coral.ufsm.br/economia/wp-content/uploads/2016/03/A-RELA%C3%87%C3%83O-ENTRE-LIBERDADE-ECON%C3%94MICA-E-N%C3%8DVEL-DE-BEM-ESTAR-Mayara-Fenner.pdf



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 27 de Fevereiro de 2018, 10:21:26
Podia colar a conclusão pra gente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 27 de Fevereiro de 2018, 11:39:50
Aviso importante. Câmara prevê votação, nesta semana, de projeto que regulamenta os aplicativos de transporte. Fiquem de olho e vamos divulgar os nomes dos idiotas que lutaram para acabar com os aplicativos de transporte como são atualmente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 27 de Fevereiro de 2018, 11:58:26
Podia colar a conclusão pra gente.


Atendendo ao pedido:


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Esta pesquisa teve o intuito de analisar se há indícios de uma relação entre o grau de liberdade econômica, o crescimento econômico e desenvolvimento econômico das nações. Utilizando o índice de Liberdade Econômica, da Fundação Heritage, fez-se uma análise qualitativa, a qual demonstra indícios de que países com maiores níveis de liberdade econômica apresentam maiores níveis de crescimento e desenvolvimento econômico, em comparação com os países de
menor índice de liberdade.


No entanto, ressalta-se que a definição de liberdade econômica ainda é um tema complexo e polêmico na literatura econômica, uma vez que existem subdivisões na forma de pensar e medir a liberdade econômica. Esta pesquisa adota o termo liberdade econômica definido pela Fundação Heritage, que define a mesma como o grau de intervenção que os governos exercem em diversas áreas econômicas das nações. Portanto, a pesquisa investiga como a condução dos governos, e suas decisão de maior intervenção ou não, afetam as variáveis crescimento e desenvolvimento das nações.


As analises dos países ao longo dos últimos vinte e um anos mostram que há uma grande relação entre a liberdade econômica da nação e o PIB. Mesmo ao analisar o PIB per capta é possível notar que nações mais livres apresentam um PIB per capta muito superior ao das nações menos livres. Os dados agregados do mundo demonstram uma clara relação entre a liberdade econômica, o crescimento do PIB e a diminuição da pobreza. Mesmo quando analisando as diferenças entre a liberdade econômica nos países de uma mesma região é possível evidenciar que os países mais livres apresentam um melhor PIB per capta, o que torna a conclusão da existência da relação entre liberdade econômica e crescimento econômico mais sólida, uma vez que, ao analisar os países de cada região separadamente, se minimiza o fator histórico e cultural que pode influenciar nos resultados do crescimento de cada país.


Observa-se, ainda, que é possível dizer que existe uma relação positiva entre  liberdade econômica e desenvolvimento humano, uma vez que países com maior índice de liberdade econômica também apresentam melhores resultados no Índice de Desenvolvimento Humano, ao longo do tempo. Entretanto, as evidências dessa relação são bem mais fracas do que as evidências da relação entre liberdade econômica e crescimento econômico.


Portanto, a presente pesquisa demonstrou que, os países com maior índice de liberdade econômica, apresentam um melhor nível de crescimento econômico, bem como uma melhor renda per capta, e bom nível de desenvolvimento humano. Entretanto sugere-se para trabalhos futuros que busquem investigar mais a fundo a existência da relação entre liberdade econômica e desenvolvimento econômico, abordando mais variáveis como por exemplo o índice de Gini.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 27 de Fevereiro de 2018, 12:04:17
Aviso importante. Câmara prevê votação, nesta semana, de projeto que regulamenta os aplicativos de transporte. Fiquem de olho e vamos divulgar os nomes dos idiotas que lutaram para acabar com os aplicativos de transporte como são atualmente.


Infelizmente a cultura estatista  ainda é muito forte no Brasil.  Mas,  nós que entendemos que o Estado brasileiro normalmente é um obstáculo ao desenvolvimento econômico podemos e devemos fazer isso mesmo:  ficar de olho e divulgar os malefícios que  esses estatistas causam à economia.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 27 de Fevereiro de 2018, 16:15:23

O texto é de 2015, mas continua bem atual:


O Partido NOVO e a ascensão do liberalismo no Brasil


04/09/2015 13:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02


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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está para votar o registro de um novo partido político. Não se trata de mais uma legenda fisiológica: o NOVO é um sinal da efervescência do pensamento liberal na sociedade brasileira.


Disseminado através da Internet e consolidado por movimentos civis, o liberalismo popularizou-se entre os que desejam mais prosperidade e liberdade ao cidadão comum, mas não tem seus anseios atendidos pelo PT e o PSDB, pólos de poder da política tradicional.


Enquanto o primeiro é tomado como mais estatista que o último, eles possuem narrativa similar: a solução para os problemas brasileiros reside na ação do Estado, com a promessa de garantias sociais e de uma economia conduzida por órgãos governamentais e regulações estatais, de forma que ela priorize as vontades e metas do governo.

Este consenso social-democrata existe na política nacional desde o início da Nova República, e o fracasso da agenda em atender a população é um dos motivos pelos quais uma parcela crescente da mesma vê no pensamento liberal uma alternativa legítima para a construção de um Brasil que atinja seu potencial.

Os liberais brasileiros pedem menos governo e mais sociedade, acreditando que as pessoas comuns são as mais interessadas e razoáveis para dar respostas aos impasses cotidianos, com propostas mais adequadas que os modelos feitos em gabinete por burocratas e seus grossos manuais de regulamentação.

O aplicativo de transporte Uber é exemplo dessas soluções, com os defensores da livre-iniciativa tendo se colocado contra o cartel de táxis e as tentativas governamentais de proibir uma inovação benéfica que surgiu das trocas voluntárias do mercado.

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Uma das bandeiras do NOVO é justamente a defesa da liberdade econômica como forma de criar cenário propício à produtividade e ao aumento do bem-estar da população, removendo barreiras entre o trabalho do cidadão e a recompensa do seu esforço.

O porte civil de armas de fogo, a privatização das estatais, a diminuição da carga tributária e o fim do Fundo Partidário são algumas das outras ideias defendidas pela sigla.

A valorização dessa organização social espontânea, feita da base para o topo, fez o NOVO surgir de forma similar aos grupos liberais civis: sem a participação de políticos tradicionais e sustentado pelas doações dos que se esforçam no projeto.

Assim como as organizações civis, o foco do NOVO não é o curto prazo, mas sim a promoção de um impacto genuíno no meio cultural e político do Brasil. A iniciativa vem se espalhando à medida que as pessoas entram em contato com o liberalismo e desejam contribuir para sua divulgação, visto que ele é desconhecido por boa parte dos políticos e formadores de opinião fora sob definições clichês.

Apesar do sucesso em atingir suas metas ser incerto, o movimento liberal brasileiro é um fenômeno que evidencia a maturação da nossa democracia.

O surgimento do NOVO indica o fim da hegemonia política progressista vista por décadas no Brasil e também a quebra do domínio da esquerda no meio intelectual brasileiro, com a introdução de uma corrente de pensamento que se baseia na descentralização de poder e nos acordos voluntários.


Autor:

Luiz Guilherme Medeiros Diretor do Instituto Liberal do Centro-Oeste


http://www.huffpostbrasil.com/luiz-guilherme-medeiros/o-partido-novo-e-a-ascensao-do-liberalismo-no-brasil_a_21684625/
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 01 de Março de 2018, 09:02:23


Ser contra o laissez-faire é ser a favor da onipotência estatal e da divinização de seus burocratas


Defensores do estado deveriam, no mínimo, ter a franqueza de admitir isso claramente

Ser contra o laissez-faire é ser a favor da onipotência estatal e da divinização de seus burocratas

Defensores do estado deveriam, no mínimo, ter a franqueza de admitir isso claramente

Na França no século XVIII, a expressão laissez-faire, laissez-passer foi a fórmula adotada pelos defensores da liberdade para condensarem a sua filosofia.

Tais pessoas aspiravam a implantar uma sociedade em que o mercado não fosse obstruído por regulamentações que impedissem a livre iniciativa de cada cidadão, por privilégios concedidos pelo estado aos seus empresários favoritos, por impostos que desestimulam o empreendedorismo, pela burocracia, e por todos os tipos de subsídios e tarifas protecionistas.

Para poder atingir esse objetivo, os defensores do laissez-faire propunham a abolição de todas as leis e regulamentações que arbitrariamente impedissem os indivíduos mais esforçados e mais eficientes de superar seus concorrentes menos esforçados e menos eficientes, os quais só se mantinham no mercado por serem protegidos por tarifas, subsídios e regulamentações criadas pelo governo exatamente para blindá-los da concorrência.

Propunham também a abolição de todas as barreiras que impedissem a livre circulação de bens e de pessoas.

Era esse o significado dessa famosa máxima.

A verdadeira batalha

Em nossa época atual, em que prevalece uma preferência passional e irracional pela onipotência governamental, a expressão laissez-faire está desacreditada. A opinião pública e os intelectuais a consideram hoje uma manifestação de depravação moral e de suprema ignorância.

Na visão dos intervencionistas, a escolha estaria entre, de um lado, "forças automáticas" e, do outro, "planejamento consciente". É evidente, acrescentam eles, que confiar em processos automáticos é pura estupidez. Nenhuma pessoa sensata poderia seriamente recomendar não se fazer nada e deixar as coisas seguirem seu curso sem a interferência de uma ação intencional.

Um planejamento — prosseguem eles —, pelo simples fato de apresentar um ordenamento racional, é incomparavelmente superior à ausência de qualquer planejamento. Laissez-faire, dizem eles, significa: deixem perdurar as desgraças; não tentem melhorar a sorte da humanidade por meio de ações sensatas.

Esse argumento é completamente falacioso. Ele defende o planejamento estatal, feito por burocratas, baseando-se exclusivamente em uma interpretação metafórica inadmissível. Baseia-se apenas nas conotações implícitas ao termo "automático", utilizado habitualmente — em um sentido metafórico — para explicar o funcionamento do mercado.

Automático, segundo o Concise Oxford Dictionary, significa "inconsciente, ininteligente, meramente mecânico". Automático, segundo o Webster's Collegiate Dictionary, significa "não sujeito ao controle da vontade ... feito sem pensar e sem intenção ou direção consciente". Que vitória para o defensor do planejamento poder dispor desse trunfo!

A verdade é que a opção não é entre, de um lado, um mecanismo rígido e sem vida, e, de outro, um planejamento consciente e onisciente. A alternativa não é entre ter ou não ter um plano. A questão essencial é: quem deve fazer o planejamento?

Deveria cada indivíduo planejar para si mesmo ou caberia a um governo benevolente planejar por todos? A disputa não é entre automatismo "versus" ação consciente; é entre ação individual autônoma "versus" ação exclusiva do governo.

É entre liberdade "versus" onipotência governamental.

Quem deve decidir?

Laissez-faire não significa "deixem funcionar as forças mecânicas e desalmadas". Significa, isso sim, "deixem os indivíduos escolherem de que maneira desejam cooperar na divisão social do trabalho; deixem que os consumidores determinem o que os empresários devem produzir."

Já o planejamento defendido pelos intervencionistas significa "deixem ao governo a tarefa de determinar e a capacidade de impor suas decisões por meio do seu aparato de coerção e compulsão."

No regime de laissez-faire, diz o entusiasta do planejamento centralizado, os bens produzidos não são aqueles de que as pessoas "realmente" necessitam, mas sim aqueles cuja venda proporciona maiores lucros.

O objetivo do planejamento seria, portanto, dirigir a produção no sentido de satisfazer as "verdadeiras" necessidades dos consumidores. 

Ora, mas quem, senão os próprios consumidores, deve decidir quais são suas "verdadeiras" necessidades?

São os próprios consumidores que determinam, por meio do seu ato de comprar ou se abster de comprar, o que eles desejam e o que deve ser produzido. São essas pessoas, por meio de seus atos voluntários, que determinam quem dirigirá as grandes indústrias e quem limpará o chão; quantas pessoas trabalharão nas minas de cobre e quantas trabalharão no cinema.

Atribuir a cada um o seu lugar próprio na sociedade é tarefa dos consumidores, os quais, ao comprarem ou absterem-se de comprar, estão determinando a posição social de cada indivíduo. Os consumidores determinam, em última instância, não apenas os preços dos bens de consumo, mas também os preços de todos os fatores de produção. Determinam a renda de cada membro da economia de mercado. São os consumidores e não os empresários que basicamente pagam os salários ganhos por qualquer trabalhador.

Se um empreendedor não obedecer estritamente às ordens do público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, ele sofrerá prejuízos e irá à falência. Outros homens que melhor souberam satisfazer os desejos dos consumidores o substituirão.

Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo menor preço. Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre quem permanece no mercado e quem deve sair; quem deve dirigir as fábricas, as fornecedoras e as distribuidoras. Enriquecem um homem pobre e empobrecem um homem rico. Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que deve ser produzido. São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e imprevisíveis. Para eles, a única coisa que conta é sua própria satisfação. Não se sensibilizam nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos.

Nenhuma dessas escolhas dos consumidores é definitiva: são revogáveis a qualquer momento. O processo de seleção não pára nunca.

O que os amantes do estado realmente querem

No fundo, o que os defensores do planejamento desejam é afrontar a vontade dos consumidores, e substituí-la pela sua própria vontade. É suprimir essa democracia do mercado e se auto-declararem czares da produção. Estão convencidos de que suas motivações são mais elevadas e que, como se fossem super-homens, estão sendo chamados a impor os seus valores à massa de seres inferiores.

Sendo assim, eles deveriam, no mínimo, ter a franqueza de admitir isso claramente.

Toda essa louvação apaixonada pela proeminência da ação governamental não passa de um pobre disfarce para a autodeificação do intervencionista. O grande deus estado só é assim considerado porque se espera que faça exclusivamente aquilo que o defensor do intervencionismo gostaria que fosse feito. O único plano genuíno é aquele aprovado pessoalmente pelo próprio planejador. Todos os outros planos são meras falsificações.

Ao se referir a "plano", o que o crente dos benefícios do planejamento tem em mente é, sem dúvida, o seu próprio plano. Não lhe ocorre a possibilidade de que o plano implantado pelo governo possa ser diferente do seu. Os vários planejadores só concordam em um ponto: na sua rejeição ao laissez-faire, isto é, a que o indivíduo possa escolher e agir. O desacordo entre eles é total, quando se trata de definir o plano a ser adotado.

Sempre que se lhes mostram os evidentes e incontáveis defeitos das políticas intervencionistas, reagem dizendo que essas falhas são o resultado de um intervencionismo espúrio; o que nós defendemos, dizem eles, é o bom intervencionismo e não o mau intervencionismo. E, é claro, bom intervencionismo é o preconizado por quem assim o qualifica.

Laissez-faire significa "deixem o homem comum escolher e agir; não o forcem a se submeter a um tirano".

Quem pode ser contra?

____________________________________

O artigo acima contém excertos do livro Ação Humana, de 1948.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2363



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 02 de Março de 2018, 12:59:32

Defender o protecionismo é defender a escassez - defender o livre comércio é defender a abundância


Impossível salários altos e inflação de preços baixa sem livre comércio


Quanto mais barato e facilitado for o nosso acesso aos produtos que os estrangeiros gentilmente querem nos vender, maior será o nosso padrão de vida.


Quanto mais baratos forem os produtos estrangeiros importados, mais iremos ganhar com a abundância de bens e serviços acessíveis.


E, ao contrário do que os protecionistas acreditam, maior será a criação de empregos com salários maiores.


Comecemos pelo básico


Todos nós trabalhamos porque queremos trocar os frutos do nosso trabalho (dinheiro) por aqueles bens e serviços que ainda não temos ou dos quais necessitamos continuamente.  Trabalhamos e produzimos para que então possamos demandar bens e serviços.  Por isso, nossa produção representa, tautologicamente, nossa demanda.


Se as fronteiras do território dentro do qual você vive estão completamente abertas para todos os bens e serviços produzidos mundialmente, então você é uma pessoa de sorte: você está na privilegiada situação de ter os indivíduos mais talentosos do mundo trabalhando e produzindo para atender às suas demandas.


Mais ainda: esses indivíduos talentosos estão concorrendo acirradamente entre eles para fornecer a você as melhores ofertas. Sob este arranjo, por definição, o poder de compra do seu salário alcança sua máxima capacidade.


Todos aqueles que gostam de barganhas e de pechinchas adoram, intuitivamente, o livre comércio.


Por outro lado, se o governo fecha artificialmente as fronteiras do país para os produtos estrangeiros, então a população passa a viver sob um permanente estado de isolamento e autarquia.  Ao serem praticamente proibidas de utilizar os frutos do seu trabalho para adquirir aqueles bens e serviços que são produzidos com mais qualidade por estrangeiros, as pessoas acabam sendo obrigadas a desempenhar várias atividades nas quais não têm nenhuma habilidade.


Uma pessoa boa em informática acaba tendo de trabalhar como operário em uma siderurgia, pois seu governo restringe a importação de aço, que poderia ser adquirido mais barato de estrangeiros.  Engenheiros acabam virando operários de fábricas.


Estando isoladas da divisão mundial do trabalho, tais pessoas trabalham apenas para sobreviver, e não para desenvolver seus talentos.  Elas não podem trabalhar naquilo em que realmente são boas, pois a restrição ao livre comércio obriga os cidadãos a fazerem de tudo, inclusive aquilo de que não entendem.


Em países de economia aberta, as pessoas, exatamente por poderem adquirir bens e serviços fornecidos por estrangeiros que são melhores no suprimento destes, podem se concentrar naquilo em que realmente são boas.  Em países de economia fechada, as pessoas não têm essa opção.


Queremos abundância e alta produtividade


Em uma economia baseada em transações comerciais, há um certo antagonismo natural entre produtores e consumidores: produtores se beneficiam quando há uma escassez (baixa concorrência) nos produtos que vendem; consumidores se beneficiam quando há uma abundância (alta concorrência) nos produtos que querem comprar.


(Produtores, obviamente, também se beneficiam de uma abundância em bens de capital utilizados para fabricar os produtos que eles compram para revender).


Um produtor sempre quer ser a única loja da cidade a vender um número limitado de produtos.  Consumidores, por outro lado, querem a máxima abundância, com o máximo possível de produtores concorrendo entre si e o maior número possível de produtos disponíveis, o que geraria preços menores.


Esse conflito de interesses surge naturalmente em uma economia de trocas.  Robinson Crusoé caçando para se alimentar obviamente preferirá abundância a escassez.


Em um ambiente não-concorrencial, no qual as indústrias nacionais não estão sujeitas à concorrência de produtos estrangeiros, empregos com altos salários podem surgir naquelas indústrias protegidas da concorrência externa.  Mas isso dependerá da capacidade dos sindicatos de controlar a oferta de mão-de-obra disponível.  A pressão oriunda da mão-de-obra não-sindicalizada será uma constante ameaça para esses empregos de altos salários, os quais só existem porque o governo criou uma escassez artificial por meio de barreiras protecionistas.


No entanto, ainda assim, não há nenhuma garantia de que isso irá gerar empregos de altos salários em vez de apenas altos lucros para essas indústrias protegidas.  Afinal, ao encarecer artificialmente os produtos que podem ser importados, o governo cria uma reserva de mercado para o poderoso empresariado local, o qual agora, sem a concorrência externa, se sente mais livre para cobrar preços altos e oferecer produtos de pior qualidade.  Não sobra alternativa para os consumidores senão consumir os produtos deste baronato nacional, a altos preços.


A maior receita oriunda destes altos preços pode perfeitamente se converter em maiores lucros para os industriais, e não necessariamente em maiores salários.


Os mais prejudicados, é claro, serão exatamente os mais pobres, que terão sua renda consumida por produtos mais caros e de pior qualidade.


Daí o grande contra-senso de ser a esquerda a maior entusiasta das políticas protecionistas.


Por outro lado, em um ambiente concorrencial, a abundância é a norma.  Consequentemente, altos salários só serão alcançados por meio de uma maior produtividade.  As pessoas só conseguirão salários maiores se forem capazes de produzir mais durante um mesmo período de tempo.  E, para conseguirem isso, elas terão de utilizar mais bens de capital — ferramentas, maquinários, edificações e meios de transporte que tornam o trabalho mais produtivo.


O padrão de vida dos países ricos é maior que o dos países da África não porque as pessoas trabalham mais, mas sim porque a mão-de-obra dos países ricos utiliza uma maior quantidade de bens de capital para fazer seu trabalho.  Isso as torna muito mais produtivas.  Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.


Robinson Crusoé pegará mais peixes com uma rede do que com suas mãos.  E quanto mais redes ele tiver, mais peixes ele pegará.  Sua produtividade estará constantemente aumentando quanto mais recursos ele tiver à sua disposição.


Logo, para obter maiores salários, um trabalhador tem de produzir bens ou serviços que os consumidores queiram.  Ninguém irá pagar a um trabalhador mais do que o valor que ele produz (defensores do aumento contínuo do salário mínimo não entendem esse básico).


Por exemplo, suponha que você consegue fabricar um aparelho eletrônico de cinco componentes que consegue ser vendido pelo subjetivamente alto preço de $ 100 por unidade, em um setor altamente concorrencial.  Para fabricar este produto, você contrata 100 trabalhadores que irão, de forma independente, construir um aparelho cada um.  Em 10 horas, cada um dos 100 trabalhadores terá construído um produto completo.


Ignorando os eventuais custos não-trabalhistas, quanto você poderia pagar a cada trabalhador?  $ 10 por hora.


Agora, suponha que a mão-de-obra se torne mais especializada, de modo que cada trabalhador se concentre em apenas um dos cinco componentes do aparelho.  Os ganhos dessa divisão do trabalho permitem que cada aparelho seja construído em metade do tempo, ou 5 horas.  Quanto você pode pagar agora para cada trabalhador?  Até $ 20 por hora.


Agora, suponha que você adquira uma máquina (bem de capital) que permite a cada trabalhador construir um aparelho em uma hora.  Quanto você pode pagar agora a cada trabalhador?  Até $ 100 por hora.


Não há segredo nem mágica: aumentos salariais só são possíveis se houver divisão do trabalho e abundância de capital.  Quanto maior a quantidade de capital disponível, maior a produtividade e maior o valor dessa produtividade.  E, em um ambiente concorrencial, maiores os salários.


Tarifas protecionistas afetam as empresas domésticas que querem importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar a produtividade de seus trabalhadores e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos.  Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade.


Isso reduz a produtividade e aumenta seus custos.  Sendo menos produtivas e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente.


Consequentemente, as exportações também tendem a declinar.  E estimular exportações era exatamente uma das intenções do protecionismo.


Por fim, suponha que a China resolva subsidiar suas exportações ao ponto em que pudéssemos adquirir produtos chineses de graça.  O que isso significaria?  Significaria que não mais teríamos de utilizar recursos escassos para produzir esses mesmos produtos domesticamente, de modo que agora poderíamos redirecionar bens de capital (que são escassos) para outras indústrias, as quais produzirão os bens não fornecidos pelos chineses.  Com mais capital, essas outras indústrias, ceteris paribus, terão empregos com salários maiores do que eram antes do comércio com a China.


Por causa do aumento da renda disponível e do aumento da capacidade de consumo da população permitido pelas importações baratas, e também por causa dos empregos agora mais produtivos gerados em outros setores, até mesmo empregados demitidos por causa da concorrência estrangeira ficam em melhor situação.


Utilizando o governo para criar escassez artificial


O protecionismo é uma política voltada para criar escassez.  Restrições ao comércio não apenas não aumentam a quantidade de capital disponível, como ainda forçam um uso não-produtivo do capital.  Dado que o país protecionista, por definição, necessariamente terá uma mão-de-obra menos especializada, o capital ficará mais dispersado por toda a economia, o que fará com que os salários sejam menores do que poderiam ser.


Adicionalmente, tendo agora de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais estarão incapacitados de consumir mais e de investir mais.  A restrição às importações e a reserva de mercado criada por ela faz com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida.


E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia.


Assim, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas.


Toda a economia se torna mais ineficiente, a produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.


Protecionismo é uma política que atende apenas aos interesses dos empresários mais ineficientes, menos competitivos e mais avessos a atender aos desejos dos consumidores.  Empresários interessados em produzir produtos de qualidade, utilizando bens de capital importados, são prejudicados.  E toda a população é prejudicada ao ter de consumir apenas produtos nacionais ruins e artificialmente caros, prejudicando sua capacidade de poupar até mesmo para sua aposentadoria.


No que diz respeito ao comércio, a melhor política sempre será a eliminação de todas as barreiras à importação.  Mesmo que unilateralmente.  A abundância sempre deve ser preferida à escassez.

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Leia também:

A abertura comercial é imprescindível para o crescimento econômico - e isso não é folclore

Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

Países pobres tributam pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas

Por que economistas são histéricos em relação à balança comercial?

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Frank Hollenbeck é Ph.D. em economia e leciona na Universidade Internacional de Genebra.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

John Tamny é o editor do site Real Clear Markets e contribui para a revista Forbes.


https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2518

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Março de 2018, 08:23:55
Enquanto os governos estaduais e os deputados estaduais (e os altos burocratas)  (e também o governo federal e a alta burocracia federal) vivem com privilégios  (e também roubam) as custas dos pagadores de impostos,  nós (os pagadores de impostos abusivos)  temos o nosso poder de compra reduzido pela metade  (ou menos):



Preço dos carros brasileiros sem impostos | julho de 2016


Veja quanto custariam os carros mais vendidos do Brasil se não fossem os absurdos impostos que incidem no preço final:

Chevrolet Onix | De (a partir de) R$ 44.890 por R$ 20.290
Hyundai HB20 | De (a partir de) R$ 40.545 por R$ 18.327
Ford Ka | De (a partir de) R$ 41.990 por R$ 18.979
Volkswagen Gol | De (a partir de) R$ 34.250 por R$ 15.481
Fiat Palio | De (a partir de) R$ 42.410 por R$ 19.169
Toyota Corolla | De (a partir de) R$ 68.740 por R$ 31.070
Honda HR-V | De (a partir de) R$ 78.700 por R$ 35.572
Fiat Strada | De (a partir de) R$ 44.490 por R$ 20.109
Volkswagen Fox | De (a partir de) R$ 44.690 por R$ 20.199

Compare outros exemplos da diferença de preços entre Brasil e outros países
Os valores servem apenas como base, já que mudam com bastante frequência.

BMW X1 XDRIVE 28i 2.0 turbo
Brasil: 164.797,00 reais
EUA: 32.500,00 dólares (R$ 64.489,75)



Chevrolet Camaro
Brasil: 203.000,00 reais
EUA: 32.635,00 dólares (R$ 64.757,63)
Chevrolet Camaro
Fiat 500
Brasil: 42.630,00 reais
EUA: 16.000,00 dólares (R$ 31.699,20)
Fiat 500
Ford Ecosport
Brasil: 57.990,00 reais
Chile: 40.385,25 reais
Ford Ecosport
Grand Cherokee Laredo
Brasil: 159.900,00 reais (preço promocional) e 165.100,00 reais no preço normal.
EUA: 29.695,00 dólares (R$ 58.923,79)
Grand Cherokee Laredo
Honda Fit
Brasil: 52.096,00 reais (US$ 26.454,07)
México: 15.933,35 dólares (R$ 31.368,34)
Honda Fit
Novo Gol
Brasil: 32.490,00 reais (sem ar condicionado)
México: 150.400,00 pesos mexicanos (R$ 23.342,08) com ar condicionado
Novo Gol
Range Rover Evoque
Brasil: 176.500,00 reais (US$ 88.925,84)
EUA: 42.040,00 dólares (R$ 83.419,97)
Range Rover Evoque
Renault Sandero
Brasil: 34.850,00 reais (US$ 17.558,44)
Chile: 27.579,15 reais (US$ 13.897,09)
Renault Sandero
Toyota Prius
Brasil: 120.830,00 reais (US$ 61.356,83)
EUA: 24.200,00 dólares (R$ 47.644,96)
Toyota Prius
[Fonte: ACARA/UOL]



http://curiosando.com.br/carros-precos-brasil-mundo/#ixzz58gS7nIL6



Obs.  A diferença diminuiu pois o dólar aumentou de preço, mas  podemos lembrar que se o Brasil  se tornar bem mais liberal isto geraria incentivos para que viessem mais dólares para o Brasil, de modo que o preço do dólar voltaria a cair,  e os  brasileiros  teriam uma moeda mais forte e consequentemente maior poder de compra.




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Março de 2018, 08:27:34


E os esquerdistas/socialistas que sonham  fazer parte da Nomenklatura  (eles não sonham  ser  operários após  a implantação  da revolução  socialista do século XXI )  aplaudem e aprovam o  Estado pesado que  interfere bastante na economia e tira poder de compra  das pessoas que trabalham e produzem.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 03 de Março de 2018, 10:10:15
Um carro para você, outro para o governo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Março de 2018, 11:12:52
O Estado sempre será fraco e capturado pelas elites enquanto não houver uma redistribuição do poder politico e economico no interior do sistema.




Quais exemplos socialistas de sucesso você pode dar para essa  "redistribuição do poder politico e econômico no interior do sistema" ?



 :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?:


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Março de 2018, 11:17:57
Um carro para você, outro para o governo.


É por aí mesmo.  E depois nós vemos  vários pobres nos jornais de TVs  clamando  para os  políticos  por +  ônibus .  Os políticos tiram metade do poder de compra dos pobres (e além de criar impostos extorsivos, ainda criam regulamentos impedindo que possam comprar carros usados baratos e bons (com menos de 30 anos, com idade entre 1 e 29 anos) que existem no exterior), de modo que fica muito mais difícil para os pobres comprarem um carro e comprarem o combustível para abastecer o automóvel, e depois  estes mesmos pobres espoliados  aparecem na TV clamando aos  papais  políticos  que lhes forneçam mais  ônibus. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 30 de Março de 2018, 11:23:04


A ignorância faz muitos e muitos  pobres fazerem papel de bobos  (e de dependentes)   perante os políticos e altos burocratas brasileiros.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fabrício em 02 de Abril de 2018, 08:40:05
Um carro para você, outro para o governo.

Muito justo, ou você quer que o governo ande a pé ou de ônibus?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 02 de Abril de 2018, 17:32:09
Um carro para você, outro para o governo.

Muito justo, ou você quer que o governo ande a pé ou de ônibus?
De cadeira de rodas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 17 de Abril de 2018, 09:35:10

Os problemas de venerar e obedecer “as leis”



Grande parte da imoralidade à sua volta foi intencionalmente criada pela legislação

Nota do editor

O artigo abaixo é uma adaptação de um discurso proferido no mais recente Fórum da Liberdade ocorrido em Porto Alegre nos dias 9 e 10 de abril de 2018. Daí seu tom mais coloquial.

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Acreditamos que a lei deve ser justa, deve fazer o bem, e deve evitar e punir o mal.


Acreditamos que os problemas surgem quando a lei é desrespeitada, corrompida, e não aplicada.


E, óbvio, o que todos nós queremos é estado de direito (e não estado de exceção), segurança jurídica, império da lei, e governo das leis (e não o governo dos homens).

Mas há um problema: a lei é feita por homens.

Consequentemente, essa mesma lei que queremos ver sendo cumprida e aplicada pode também ser injusta, ineficiente e geradora de corrupção. Mais ainda: pode se tornar ferramenta de poder, de pilhagem e de controle social.

Eis alguns exemplos.

1) Acreditamos que deveríamos ser todos iguais perante a lei. Este é o princípio da isonomia e da igualdade formal e jurídica.

Mas é a própria lei que, às vezes, cria diferenças.

É a lei que cria diferenças entre quem tem foro privilegiado e quem tem a justiça comum.

Entre terra privada e terra estatal — na terra privada, alguém pode exigir o usucapião; na terra estatal, nunca.

Entre trabalhadores privados que pagam impostos e burocratas estatais que recebem impostos e salários acima do de mercado.

É a lei que cria diferenças entre quem pode e quem não pode. Entre quem pode tudo e quem nada pode.

2) Acreditamos que o estado deveria aplicar a lei.

Mas são os entes do estado os primeiros a não respeitarem a lei.

Quando, por exemplo, fazem o impeachment de um(a) presidente, mas não retiram seus direitos políticos.

Quando confiscam depósitos judiciais de terceiros para pagar os rombos nas contas estatais, que eles próprios fizeram.

São eles que não respeitam as leis, com encontros fora da agenda e com salários acima do teto.

3) Acreditamos que a lei deveria limitar o poder.

Mas é a própria lei que dá poder, ao ponto de muitos quererem virar juristas e advogados exatamente para ter poder, favores, privilégios e dar "carteiradas".

É a lei que concede privilégios como carros oficiais com motoristas, auxílio-moradia, auxílio-transporte, auxílio-creche, auxílio-educação, auxílio-funeral, auxílio plano de saúde, reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas pelo plano de saúde, além de cafezinho, vale-terno e sofá no gabinete.

Todas essas leis estão na Constituição — a qual, não por acaso, é a terceira mais longa do planeta—, e são elas que dão poder ao estado e oneram o STF.

A vagueza da lei sempre deixa alguma margem de interpretação e muita margem de poder.

Como já dizia a máxima, "aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei".

4) Acreditamos que a lei deve ser moral. E até acreditamos que ela é moral.

Mas esquecemos que a escravidão foi legal, que os campos de concentração foram legais, que o apartheid foi legal, que o fundo eleitoral é legal, que as desapropriações nas favelas e nas periferias são legais, que ambulantes e mendigos são legalmente retirados todos os dias das calçadas "com a força de lei".

Esquecemos de que o BNDES, legalmente, retira 9% do PIB e redistribui dos pobres para as grandes empresas.

A verdade é que a lei acaba com a moralidade.

Quando, por exemplo, o estado finge que está redistribuindo recursos para os pobres, isso gera uma consequência nefasta: as pessoas deixam de ajudar os desvalidos, pois pensam: "Eu já fiz a minha parte; já paguei impostos."

Ou quando o estado institui, por exemplo, prioridades nos caixas e nos ônibus. A consequência natural é que, quando chega uma gestante ou um idoso a um caixa normal ou a um assento normal, as pessoas não os deixam passar, pois pensam que, afinal, há o caixa e o assento específicos para eles.

Confundimos lei com moralidade e, consequentemente, acabamos nos tornando meros robôs obedientes e amorais.

5) Acreditamos que a lei deve promover um ambiente econômico eficiente.

Mas é a própria lei que gera ineficiências, quando torra, por exemplo, bilhões de dinheiro de impostos com Copa do Mundo, Olimpíadas e estádios (elefantes brancos) em Manaus e Brasília.

Foi por lei que se instituiu e que se administra o BNDES, o maior banco de desenvolvimento do mundo (maior que o Banco Mundial), o qual não gera desenvolvimento nenhum. Deveria se chamar BNSUB: Banco Nacional do Subdesenvolvimento.

É por lei que se faz protecionismo, o qual prejudica o pobre e premia o rico bem conectado ao governo. Foi assim que o Brasil virou uma das economias mais fechadas do planeta.

É por lei que se exigem autorizações, concessões, alvarás, cartórios, filas, licenças e variados carimbos, ao ponto de o Brasil estar nos últimos lugares nos rankings de liberdade econômica do planeta (posição 153 em 180, um pouco antes de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte).

Este não é um estado que redistribui dos ricos para os pobres; é um estado que impede os pobres de ficarem ricos.

6) É por lei que, diariamente, hiper-regulamentam a nossa vida.

Eis alguns casos mais recentes: rádio obrigatório nos celulares, regulação do esporte eletrônico, proibição de descontos para mulheres em bares e boates, segunda-feira sem carne, revisão obrigatória do ar condicionado, kit anti-incêndio nos carros, proibição do sal na mesa, proibição de cobrança para orçamentos (não existe orçamento grátis!), proibição de cobrar para se sentar na mesa do bar.

Já houve até uma lei para decidir se a espuma do chope podia ser considerada parte do chope (!).

Recentemente, foi instituído o "Dia nacional do desafio" — em todas as últimas quartas-feiras de maio, todas as empresas devem fazer 15 minutos de ginástica. (Como o sábado fascista de Mussolini, quando as pessoas eram obrigadas a fazer ginástica em Praça pública)

Desde 1988, foram aprovados 5,4 milhões de dispositivos legislativos (769 por dia). Só em nível federal foram 15,96 por dia. Considerando os três entes federativos, tem-se uma média de 217 mil leis em cima de cada um de nós.

7) E, ainda assim, muitos repetem que "o Brasil tem boas leis; o problema é que não são aplicadas".

Errado. O Brasil tem leis demais. Se todas fossem aplicadas perfeitamente, o país simplesmente pararia — exatamente como já ocorre com o mercado de trabalho, estagnado pelas leis trabalhistas.

É esta visão fantástica das leis que faz com que, em todas as universidades do país, seja ensinada a visão do "direito como ferramenta de mudança social" — isto é, a ideia de utilizar o direito para plasmar e moldar a sociedade segundo os próprios caprichos. E geralmente com idéias socialistas mascaradas.

Trata-se de pura engenharia social, puro coletivismo, puro totalitarismo jurídico.

Ao passo que, no resto do mundo, o direito é um simples "método de resolução de conflitos", aqui no Brasil a regra é criar mais conflitos por meio da "judicialização das relações sociais", algo que muitos até celebram. E os advogados agradecem — afinal, a indústria do dano moral gera milhões de causas lucrativas.

É esta visão da lei que cria o fenômeno do fiscal "que se acha importante e 'empoderado'", com um crachá a marcar seu status. Segundo ele, "o Brasil não dá certo porque a lei não é aplicada; se fosse, seríamos uma Suíça!".

E, finalmente, é ainda por causa desta visão que as pessoas chegam até a delatar o próprio vizinho porque ousou cortar uma arvore na própria propriedade ou porque deu um tapa no filho. Delatar o próximo ao Príncipe é uma mentalidade típica da SS nazista. Mas, para o estado, é perfeito, pois isso, além de representar uma terceirização da fiscalização, joga as pessoas umas contra as outras, consolidando ainda mais seu poder.

8) E, com tudo isso, as pessoas ainda repetem que "falta fiscalização!"

Mas o que acontece de fato é o seguinte: a grande empresa corrompe diretamente o legislador  para fazer uma  regulação que irá encarecer os processos de produção de todo o setor em que  atua. Por que ela faz isso? Porque, ao encarecer artificialmente o empreendimento neste setor, está criando dificuldades para os concorrentes menores, bem como impedindo a entrada de novos concorrentes. A grande empresa, rica, consegue bancar tranquilamente esse aumento artificial dos custos. A pequena, não.

Como consequência, quando o fiscal vai "fazer seu trabalho de fiscalização" e flagra o pequeno comerciante em desacordo com esta lei corrupta, ao comerciante não resta alternativa senão pagar a multa ou pagar o fiscal.

Só que a lei é feita exatamente para gerar essa situação.

9) Acreditamos que a lei deva evitar e punir a corrupção. Afinal, a corrupção é exatamente desviar do fim oficial e mais nobre da lei,  e desviar recursos e dinheiro.

Mas é a própria lei a gerar corrupção.

Empresas estatais e bancos estatais servem para ser (legalmente) aparelhados e ter seus cargos loteados por políticos e seus apadrinhados. Servem também para (legalmente) fazer licitações para obras em que as empresas amigas serão as ganhadoras.

A hiper-burocracia reinante em nossos portos, os mais lentos do mundo, serve exatamente para que, em um determinado momento, um empregado do porto apareça e apresente uma "alternativa", um "jeitinho" para despachar ou desembarcar a mercadoria mais rapidamente

O superfaturamento das obras de infraestrutura não é um "erro", não é uma "falta de planejamento". Ao contrário: é um planejamento extremamente esperto. A obra para se construir uma ponte é contratada exatamente para se desviar dinheiro: a empreiteira selecionada é amiga do político responsável pela estatal ou pelo ministério, e irá cobrar um preço superfaturado em troca da propina que pagou ao político para ser a escolhida. O dinheiro da obra vem dos nossos impostos. E a construção efetiva da ponte representa o custo legal para se fazer esse desvio.

Ou seja: há um custo para o dinheiro ser legalmente desviado, e esse custo é a ponte.

Com a merenda escolar ocorre o mesmo. Gritar "roubaram a merenda de meu filho" é algo que pode render notícias de jornal, mas, assim como a construção da ponte, o objetivo claro do programa sempre foi desviar dinheiro. E o custo de fazer esse desvio, para os envolvidos, é ter de nos dar algumas merendas.

O que nós chamamos de corrupção é, na verdade, o objetivo real dos políticos. É a função normal do estado.

Para concluir

Existe uma grande — e quase intransponível — diferença entre lei e legislação.

Isso de que estamos falando e na qual geralmente pensamos é a legislação (e não lei).

As leis são as leis da economia (como a lei da demanda e da oferta) ou as leis naturais.

A lei é um fenômeno descritivo, espontâneo, de baixo para cima, natural. Já a legislação é um fenômeno prescritivo, de cima para baixo, impositivo, um fenômeno político.

A legislação é a mera vontade do Leviatã.

Sim, temos de respeitar a lei e temos de tentar melhorar a lei. E o que estes dois grandes juízes aqui fizeram [Sérgio Moro e Antonio di Pietro participam do painel] para domar a besta é fundamental.

Mas não basta.

Temos de revirar o estado do avesso. Temos de reverter a estrutura do estado. Temos de mudar sua função. Temos de limitar o impacto de seus incentivos perversos. Temos de fazer tudo isso para que a lei seja mais poderosa que a legislação. Para que sejam eles — os membros do estado — a obedecer a nós, e não o contrario.

Temos de diluir o poder político ao máximo possível, descentralizar de Brasília para os estados, os municípios, os bairros, para que assim nós possamos fiscalizar o Príncipe. E também para que possamos ter diferentes sistemas jurídicos concorrendo entre si. Só assim poderemos experimentar e testar os melhores, emular os casos de sucesso e evitar os casos de fracasso. Métodos privados de resolução de conflitos, como a arbitragem, têm de ser ampliados para mais esferas.

E, especialmente, temos de fazer uma divisão clara e forte entre economia e política, para minimizar o conluio, os lobbies, os poderes dos grupos de interesse e, por consequência, a própria corrupção.

Temos, em suma, de tirar a política da nossa vida.

Recordo aqui um depoimento de uma senadora famosa ao TRF-4 (de Curitiba), no qual ela estava sendo perguntada se sabia sobre nomeações políticas nas empresas estatais. Ela respondeu: "Sim, claro, mas esta é a lógica da política. Assim como judiciário tem sua lógica, a política também. Vocês estão querendo criminalizar a lógica da política!"

Sim, caríssima senadora. Queremos criminalizar a lógica política porque esta lógica da política é criminosa.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2876


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 17 de Abril de 2018, 22:04:13

Os problemas de venerar e obedecer “as leis”



Grande parte da imoralidade à sua volta foi intencionalmente criada pela legislação

Nota do editor

O artigo abaixo é uma adaptação de um discurso proferido no mais recente Fórum da Liberdade ocorrido em Porto Alegre nos dias 9 e 10 de abril de 2018. Daí seu tom mais coloquial.

______________________________________________


Acreditamos que a lei deve ser justa, deve fazer o bem, e deve evitar e punir o mal.


Acreditamos que os problemas surgem quando a lei é desrespeitada, corrompida, e não aplicada.


E, óbvio, o que todos nós queremos é estado de direito (e não estado de exceção), segurança jurídica, império da lei, e governo das leis (e não o governo dos homens).

Mas há um problema: a lei é feita por homens.

Consequentemente, essa mesma lei que queremos ver sendo cumprida e aplicada pode também ser injusta, ineficiente e geradora de corrupção. Mais ainda: pode se tornar ferramenta de poder, de pilhagem e de controle social.

Eis alguns exemplos.

1) Acreditamos que deveríamos ser todos iguais perante a lei. Este é o princípio da isonomia e da igualdade formal e jurídica.

Mas é a própria lei que, às vezes, cria diferenças.

É a lei que cria diferenças entre quem tem foro privilegiado e quem tem a justiça comum.

Entre terra privada e terra estatal — na terra privada, alguém pode exigir o usucapião; na terra estatal, nunca.

Entre trabalhadores privados que pagam impostos e burocratas estatais que recebem impostos e salários acima do de mercado.

É a lei que cria diferenças entre quem pode e quem não pode. Entre quem pode tudo e quem nada pode.

2) Acreditamos que o estado deveria aplicar a lei.

Mas são os entes do estado os primeiros a não respeitarem a lei.

Quando, por exemplo, fazem o impeachment de um(a) presidente, mas não retiram seus direitos políticos.

Quando confiscam depósitos judiciais de terceiros para pagar os rombos nas contas estatais, que eles próprios fizeram.

São eles que não respeitam as leis, com encontros fora da agenda e com salários acima do teto.

3) Acreditamos que a lei deveria limitar o poder.

Mas é a própria lei que dá poder, ao ponto de muitos quererem virar juristas e advogados exatamente para ter poder, favores, privilégios e dar "carteiradas".

É a lei que concede privilégios como carros oficiais com motoristas, auxílio-moradia, auxílio-transporte, auxílio-creche, auxílio-educação, auxílio-funeral, auxílio plano de saúde, reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas pelo plano de saúde, além de cafezinho, vale-terno e sofá no gabinete.

Todas essas leis estão na Constituição — a qual, não por acaso, é a terceira mais longa do planeta—, e são elas que dão poder ao estado e oneram o STF.

A vagueza da lei sempre deixa alguma margem de interpretação e muita margem de poder.

Como já dizia a máxima, "aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei".

4) Acreditamos que a lei deve ser moral. E até acreditamos que ela é moral.

Mas esquecemos que a escravidão foi legal, que os campos de concentração foram legais, que o apartheid foi legal, que o fundo eleitoral é legal, que as desapropriações nas favelas e nas periferias são legais, que ambulantes e mendigos são legalmente retirados todos os dias das calçadas "com a força de lei".

Esquecemos de que o BNDES, legalmente, retira 9% do PIB e redistribui dos pobres para as grandes empresas.

A verdade é que a lei acaba com a moralidade.

Quando, por exemplo, o estado finge que está redistribuindo recursos para os pobres, isso gera uma consequência nefasta: as pessoas deixam de ajudar os desvalidos, pois pensam: "Eu já fiz a minha parte; já paguei impostos."

Ou quando o estado institui, por exemplo, prioridades nos caixas e nos ônibus. A consequência natural é que, quando chega uma gestante ou um idoso a um caixa normal ou a um assento normal, as pessoas não os deixam passar, pois pensam que, afinal, há o caixa e o assento específicos para eles.

Confundimos lei com moralidade e, consequentemente, acabamos nos tornando meros robôs obedientes e amorais.

5) Acreditamos que a lei deve promover um ambiente econômico eficiente.

Mas é a própria lei que gera ineficiências, quando torra, por exemplo, bilhões de dinheiro de impostos com Copa do Mundo, Olimpíadas e estádios (elefantes brancos) em Manaus e Brasília.

Foi por lei que se instituiu e que se administra o BNDES, o maior banco de desenvolvimento do mundo (maior que o Banco Mundial), o qual não gera desenvolvimento nenhum. Deveria se chamar BNSUB: Banco Nacional do Subdesenvolvimento.

É por lei que se faz protecionismo, o qual prejudica o pobre e premia o rico bem conectado ao governo. Foi assim que o Brasil virou uma das economias mais fechadas do planeta.

É por lei que se exigem autorizações, concessões, alvarás, cartórios, filas, licenças e variados carimbos, ao ponto de o Brasil estar nos últimos lugares nos rankings de liberdade econômica do planeta (posição 153 em 180, um pouco antes de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte).

Este não é um estado que redistribui dos ricos para os pobres; é um estado que impede os pobres de ficarem ricos.

6) É por lei que, diariamente, hiper-regulamentam a nossa vida.

Eis alguns casos mais recentes: rádio obrigatório nos celulares, regulação do esporte eletrônico, proibição de descontos para mulheres em bares e boates, segunda-feira sem carne, revisão obrigatória do ar condicionado, kit anti-incêndio nos carros, proibição do sal na mesa, proibição de cobrança para orçamentos (não existe orçamento grátis!), proibição de cobrar para se sentar na mesa do bar.

Já houve até uma lei para decidir se a espuma do chope podia ser considerada parte do chope (!).

Recentemente, foi instituído o "Dia nacional do desafio" — em todas as últimas quartas-feiras de maio, todas as empresas devem fazer 15 minutos de ginástica. (Como o sábado fascista de Mussolini, quando as pessoas eram obrigadas a fazer ginástica em Praça pública)

Desde 1988, foram aprovados 5,4 milhões de dispositivos legislativos (769 por dia). Só em nível federal foram 15,96 por dia. Considerando os três entes federativos, tem-se uma média de 217 mil leis em cima de cada um de nós.

7) E, ainda assim, muitos repetem que "o Brasil tem boas leis; o problema é que não são aplicadas".

Errado. O Brasil tem leis demais. Se todas fossem aplicadas perfeitamente, o país simplesmente pararia — exatamente como já ocorre com o mercado de trabalho, estagnado pelas leis trabalhistas.

É esta visão fantástica das leis que faz com que, em todas as universidades do país, seja ensinada a visão do "direito como ferramenta de mudança social" — isto é, a ideia de utilizar o direito para plasmar e moldar a sociedade segundo os próprios caprichos. E geralmente com idéias socialistas mascaradas.

Trata-se de pura engenharia social, puro coletivismo, puro totalitarismo jurídico.

Ao passo que, no resto do mundo, o direito é um simples "método de resolução de conflitos", aqui no Brasil a regra é criar mais conflitos por meio da "judicialização das relações sociais", algo que muitos até celebram. E os advogados agradecem — afinal, a indústria do dano moral gera milhões de causas lucrativas.

É esta visão da lei que cria o fenômeno do fiscal "que se acha importante e 'empoderado'", com um crachá a marcar seu status. Segundo ele, "o Brasil não dá certo porque a lei não é aplicada; se fosse, seríamos uma Suíça!".

E, finalmente, é ainda por causa desta visão que as pessoas chegam até a delatar o próprio vizinho porque ousou cortar uma arvore na própria propriedade ou porque deu um tapa no filho. Delatar o próximo ao Príncipe é uma mentalidade típica da SS nazista. Mas, para o estado, é perfeito, pois isso, além de representar uma terceirização da fiscalização, joga as pessoas umas contra as outras, consolidando ainda mais seu poder.

8) E, com tudo isso, as pessoas ainda repetem que "falta fiscalização!"

Mas o que acontece de fato é o seguinte: a grande empresa corrompe diretamente o legislador  para fazer uma  regulação que irá encarecer os processos de produção de todo o setor em que  atua. Por que ela faz isso? Porque, ao encarecer artificialmente o empreendimento neste setor, está criando dificuldades para os concorrentes menores, bem como impedindo a entrada de novos concorrentes. A grande empresa, rica, consegue bancar tranquilamente esse aumento artificial dos custos. A pequena, não.

Como consequência, quando o fiscal vai "fazer seu trabalho de fiscalização" e flagra o pequeno comerciante em desacordo com esta lei corrupta, ao comerciante não resta alternativa senão pagar a multa ou pagar o fiscal.

Só que a lei é feita exatamente para gerar essa situação.

9) Acreditamos que a lei deva evitar e punir a corrupção. Afinal, a corrupção é exatamente desviar do fim oficial e mais nobre da lei,  e desviar recursos e dinheiro.

Mas é a própria lei a gerar corrupção.

Empresas estatais e bancos estatais servem para ser (legalmente) aparelhados e ter seus cargos loteados por políticos e seus apadrinhados. Servem também para (legalmente) fazer licitações para obras em que as empresas amigas serão as ganhadoras.

A hiper-burocracia reinante em nossos portos, os mais lentos do mundo, serve exatamente para que, em um determinado momento, um empregado do porto apareça e apresente uma "alternativa", um "jeitinho" para despachar ou desembarcar a mercadoria mais rapidamente

O superfaturamento das obras de infraestrutura não é um "erro", não é uma "falta de planejamento". Ao contrário: é um planejamento extremamente esperto. A obra para se construir uma ponte é contratada exatamente para se desviar dinheiro: a empreiteira selecionada é amiga do político responsável pela estatal ou pelo ministério, e irá cobrar um preço superfaturado em troca da propina que pagou ao político para ser a escolhida. O dinheiro da obra vem dos nossos impostos. E a construção efetiva da ponte representa o custo legal para se fazer esse desvio.

Ou seja: há um custo para o dinheiro ser legalmente desviado, e esse custo é a ponte.

Com a merenda escolar ocorre o mesmo. Gritar "roubaram a merenda de meu filho" é algo que pode render notícias de jornal, mas, assim como a construção da ponte, o objetivo claro do programa sempre foi desviar dinheiro. E o custo de fazer esse desvio, para os envolvidos, é ter de nos dar algumas merendas.

O que nós chamamos de corrupção é, na verdade, o objetivo real dos políticos. É a função normal do estado.

Para concluir

Existe uma grande — e quase intransponível — diferença entre lei e legislação.

Isso de que estamos falando e na qual geralmente pensamos é a legislação (e não lei).

As leis são as leis da economia (como a lei da demanda e da oferta) ou as leis naturais.

A lei é um fenômeno descritivo, espontâneo, de baixo para cima, natural. Já a legislação é um fenômeno prescritivo, de cima para baixo, impositivo, um fenômeno político.

A legislação é a mera vontade do Leviatã.

Sim, temos de respeitar a lei e temos de tentar melhorar a lei. E o que estes dois grandes juízes aqui fizeram [Sérgio Moro e Antonio di Pietro participam do painel] para domar a besta é fundamental.

Mas não basta.

Temos de revirar o estado do avesso. Temos de reverter a estrutura do estado. Temos de mudar sua função. Temos de limitar o impacto de seus incentivos perversos. Temos de fazer tudo isso para que a lei seja mais poderosa que a legislação. Para que sejam eles — os membros do estado — a obedecer a nós, e não o contrario.

Temos de diluir o poder político ao máximo possível, descentralizar de Brasília para os estados, os municípios, os bairros, para que assim nós possamos fiscalizar o Príncipe. E também para que possamos ter diferentes sistemas jurídicos concorrendo entre si. Só assim poderemos experimentar e testar os melhores, emular os casos de sucesso e evitar os casos de fracasso. Métodos privados de resolução de conflitos, como a arbitragem, têm de ser ampliados para mais esferas.

E, especialmente, temos de fazer uma divisão clara e forte entre economia e política, para minimizar o conluio, os lobbies, os poderes dos grupos de interesse e, por consequência, a própria corrupção.

Temos, em suma, de tirar a política da nossa vida.

Recordo aqui um depoimento de uma senadora famosa ao TRF-4 (de Curitiba), no qual ela estava sendo perguntada se sabia sobre nomeações políticas nas empresas estatais. Ela respondeu: "Sim, claro, mas esta é a lógica da política. Assim como judiciário tem sua lógica, a política também. Vocês estão querendo criminalizar a lógica da política!"

Sim, caríssima senadora. Queremos criminalizar a lógica política porque esta lógica da política é criminosa.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2876


Os problemas de não obedecer a lei:

a) sofrer sanções, e algumas delas resultam em prisão: ninguém deveria ter obrigação de virar mártir para fazer uma "desobediência moral da lei";
b) se sempre nos sentíssemos obrigados a desobedecer as leis só porque não concordamos com elas, nunca existiria Estado de direito até que 100% de nós concordássemos com tudo que a legislação manda. E isso aconteceria apenas NUNCA. Por exemplo, se muitos juízes desobedecessem o ordenamento jurídico toda vez que achassem uma lei injusta, eles estariam criando o incentivo para que outros juízes desobedecessem uma lei justa da qual eles não concordam.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 18 de Abril de 2018, 09:12:22


Os problemas de não obedecer a lei:

a) sofrer sanções, e algumas delas resultam em prisão: [...]



Felizmente  o  Estado  brasileiro  não é uma entidade onisciente  (em regimes autoritários o Estado tenta saber muito via espionagem, e pode chegar a um nível enorme de controle sobre os cidadãos  (agora transformados em servos do  poderoso Estado),  mas felizmente não é o caso do Brasil).



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 18 de Abril de 2018, 09:25:40
b) se sempre nos sentíssemos obrigados a desobedecer as leis só porque não concordamos com elas, nunca existiria Estado de direito até que 100% de nós concordássemos com tudo que a legislação manda. E isso aconteceria apenas NUNCA.


Uma pessoa não precisa se sentir obrigada  a desobedecer as leis.

Aliás porque uma pessoa deveria  sentir  isso  ? 

Sequer vejo sentido nessa afirmação.

Uma pessoa pode simplesmente avaliar racionalmente se  um  texto   votado   por  políticos  está de acordo com os seus valores ou não.   E  juntamente com a análise do alcance da  capacidade de  vigiar   e   punir   que   estes   textos  e  o  aparato  repressivo  estatal  dão  aos  agentes estatais, a pessoa poderá  avaliar se  se  submete  ao poder dos agentes estatais  ou se tem condição de  escapar à capacidade  de  vigiar  e  punir  dos  agentes  estatais.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 18 de Abril de 2018, 12:45:52


Os problemas de não obedecer a lei:

a) sofrer sanções, e algumas delas resultam em prisão: [...]



Felizmente  o  Estado  brasileiro  não é uma entidade onisciente  (em regimes autoritários o Estado tenta saber muito via espionagem, e pode chegar a um nível enorme de controle sobre os cidadãos  (agora transformados em servos do  poderoso Estado),  mas felizmente não é o caso do Brasil).





Não onisciência do Estado é detalhe irrelevante para o caso de gerenciamento de risco. No que diz respeito a vigilância da cobrança de impostos, por exemplo, nós somos de Primeiro Mundo. A nossa Receita Federal é bastante eficiente em detectar sonegadores do IR. Ademais, a probabilidade cumulativa de ser pego ao longo de um período grande é infinitamente maior do que a probabilidade de ser pego em um período de um ano de infração da lei.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 18 de Abril de 2018, 12:53:46
b) se sempre nos sentíssemos obrigados a desobedecer as leis só porque não concordamos com elas, nunca existiria Estado de direito até que 100% de nós concordássemos com tudo que a legislação manda. E isso aconteceria apenas NUNCA.


Uma pessoa não precisa se sentir obrigada  a desobedecer as leis.

Aliás porque uma pessoa deveria  sentir  isso  ? 

Sequer vejo sentido nessa afirmação.

Uma pessoa pode simplesmente avaliar racionalmente se  um  texto   votado   por  políticos  está de acordo com os seus valores ou não.   E  juntamente com a análise do alcance da  capacidade de  vigiar   e   punir   que   estes   textos  e  o  aparato  repressivo  estatal  dão  aos  agentes estatais, a pessoa poderá  avaliar se  se  submete  ao poder dos agentes estatais  ou se tem condição de  escapar à capacidade  de  vigiar  e  punir  dos  agentes  estatais.




Se muitos juízes do judiciário do Estado-nação seguissem essa moral, a de que têm o direito de desobedecer ao ordenamento jurídico de leis injustas, então eles estariam criando o incentivo para que juízes que desobedecem ao ordenamento jurídico de leis justas surgissem aos montes. O Estado Democrático de Direito correria sério risco de virar letra morta.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 18 de Abril de 2018, 16:04:54


Os problemas de não obedecer a lei:

a) sofrer sanções, e algumas delas resultam em prisão: [...]



Felizmente  o  Estado  brasileiro  não é uma entidade onisciente  (em regimes autoritários o Estado tenta saber muito via espionagem, e pode chegar a um nível enorme de controle sobre os cidadãos  (agora transformados em servos do  poderoso Estado),  mas felizmente não é o caso do Brasil).





Não onisciência do Estado é detalhe irrelevante para o caso de gerenciamento de risco. No que diz respeito a vigilância da cobrança de impostos, por exemplo, nós somos de Primeiro Mundo. A nossa Receita Federal é bastante eficiente em detectar sonegadores do IR. Ademais, a probabilidade cumulativa de ser pego ao longo de um período grande é infinitamente maior do que a probabilidade de ser pego em um período de um ano de infração da lei.


Tem melhorado a vigilância, mas felizmente  o agentes  estatais  repressores  ainda não são  muito eficientes para várias coisas.  Para  o confisco de renda eles tem melhorado a eficiência, mas ainda é possível evitar  um  certo tanto de confisco.  De qualquer forma minha referência foi bem além disso, pois nos textos loucos que os  políticos canalhas votam, há até mesmo previsão de punição para quem der um analgésico  para outra  pessoa  sem  que tenha um  título  autenticado  por uma  entidade corporativa.   Felizmente o nível de capacidade de vigilância e controle  dessa  entidade  mafiosa brasileira  (o Estado brasileiro e seus numerosos orgãos e autarquias) não estão num nível semelhante ao da máfia estatal da Coréia do Norte.  Felizmente ainda não chegamos num nível de servidão semelhante ao dos coreanos do norte.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 18 de Abril de 2018, 16:17:07
Se muitos juízes do judiciário do Estado-nação seguissem essa moral, a de que têm o direito de desobedecer ao ordenamento jurídico de leis injustas, então eles estariam criando o incentivo para que juízes que desobedecem ao ordenamento jurídico de leis justas surgissem aos montes. O Estado Democrático de Direito correria sério risco de virar letra morta.



Os juízes ganham remuneração (pagas por  tributos  tomados da população) em torno de 25 vezes ou mais do que a média dos trabalhadores no Brasil,  então  eles são  beneficiados  acima  da média  com  a redistribuição do dinheiro que é tomado a força dos brasileiros.  Portanto, eles  tem  bons incentivos positivos  para   considerarem que  as atividades  (e as regras)  estatais  continuem mais ou menos do jeito que estão.  Ou simplesmente para não se importarem muito  com a modificação  das atuais regras e práticas.  Pode se dizer que eles já estão bem adaptados ao sistema.


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 18 de Abril de 2018, 19:52:57


Os problemas de não obedecer a lei:

a) sofrer sanções, e algumas delas resultam em prisão: [...]



Felizmente  o  Estado  brasileiro  não é uma entidade onisciente  (em regimes autoritários o Estado tenta saber muito via espionagem, e pode chegar a um nível enorme de controle sobre os cidadãos  (agora transformados em servos do  poderoso Estado),  mas felizmente não é o caso do Brasil).





Não onisciência do Estado é detalhe irrelevante para o caso de gerenciamento de risco. No que diz respeito a vigilância da cobrança de impostos, por exemplo, nós somos de Primeiro Mundo. A nossa Receita Federal é bastante eficiente em detectar sonegadores do IR. Ademais, a probabilidade cumulativa de ser pego ao longo de um período grande é infinitamente maior do que a probabilidade de ser pego em um período de um ano de infração da lei.


Tem melhorado a vigilância, mas felizmente  o agentes  estatais  repressores  ainda não são  muito eficientes para várias coisas.  Para  o confisco de renda eles tem melhorado a eficiência, mas ainda é possível evitar  um  certo tanto de confisco.  De qualquer forma minha referência foi bem além disso, pois nos textos loucos que os  políticos canalhas votam, há até mesmo previsão de punição para quem der um analgésico  para outra  pessoa  sem  que tenha um  título  autenticado  por uma  entidade corporativa.   Felizmente o nível de capacidade de vigilância e controle  dessa  entidade  mafiosa brasileira  (o Estado brasileiro e seus numerosos orgãos e autarquias) não estão num nível semelhante ao da máfia estatal da Coréia do Norte.  Felizmente ainda não chegamos num nível de servidão semelhante ao dos coreanos do norte.


Quando o pior cenário é a ruína, a única posição aceitável é aversão paranoica ao risco. Para entender isso, tente imaginar análise de relação custo-benefício padrão para o caso de um jogo de recompensa multimilionária de sobrevivência a roleta russa. E nós sabemos de muitos casos de gente que foi para uma cela imunda no Brasil por causa do descumprimento de lei injusta; imagine o que isso pode fazer em alguém que tem uma promissora carreira no ambiente corporativo, por exemplo. Ademais, quando se lida com a História, o passado é não-repetível (você corre risco demais tentando adivinhar o futuro olhando para um retrovisor) e as probabilidades são desconhecidas ou instáveis, nem seria possível usar a mesmo tipo de gerenciamento de risco que se usa em jogos de azar.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 18 de Abril de 2018, 20:04:30
Se muitos juízes do judiciário do Estado-nação seguissem essa moral, a de que têm o direito de desobedecer ao ordenamento jurídico de leis injustas, então eles estariam criando o incentivo para que juízes que desobedecem ao ordenamento jurídico de leis justas surgissem aos montes. O Estado Democrático de Direito correria sério risco de virar letra morta.



Os juízes ganham remuneração (pagas por  tributos  tomados da população) em torno de 25 vezes ou mais do que a média dos trabalhadores no Brasil,  então  eles são  beneficiados  acima  da média  com  a redistribuição do dinheiro que é tomado a força dos brasileiros.  Portanto, eles  tem  bons incentivos positivos  para   considerarem que  as atividades  (e as regras)  estatais  continuem mais ou menos do jeito que estão.  Ou simplesmente para não se importarem muito  com a modificação  das atuais regras e práticas.  Pode se dizer que eles já estão bem adaptados ao sistema.


 

O que está acima desvia do assunto da conversa, pois o que está se discutindo é o que aconteceria com o Brasil se os juízes resolvessem seguir à risca sua moral que descrevo como "só faço realizar o que acho justo". E o que aconteceria seria... Os juízes, muitos deles intoxicados com ideologia socialista nas universidades, passariam a descumprir o ordenamento jurídico para fazer descumprir as leis que considerariam injustas. Ainda bem que, em grande medida, o pessoal do Direito que passa em concursos de juiz aprende a importância de seguir o ordenamento jurídico independentemente de sua vontade pessoal (exceto talvez quando a lei é excessivamente arbitrária), a despeito da intoxicação ideológica que existe no ambiente acadêmico brasileiro.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 19 de Abril de 2018, 07:50:02
Se muitos juízes do judiciário do Estado-nação seguissem essa moral, a de que têm o direito de desobedecer ao ordenamento jurídico de leis injustas, então eles estariam criando o incentivo para que juízes que desobedecem ao ordenamento jurídico de leis justas surgissem aos montes. O Estado Democrático de Direito correria sério risco de virar letra morta.
Os juízes ganham remuneração (pagas por  tributos  tomados da população) em torno de 25 vezes ou mais do que a média dos trabalhadores no Brasil,  então  eles são  beneficiados  acima  da média  com  a redistribuição do dinheiro que é tomado a força dos brasileiros.  Portanto, eles  tem  bons incentivos positivos  para   considerarem que  as atividades  (e as regras)  estatais  continuem mais ou menos do jeito que estão.  Ou simplesmente para não se importarem muito  com a modificação  das atuais regras e práticas.  Pode se dizer que eles já estão bem adaptados ao sistema. 

O que está acima desvia do assunto da conversa, pois o que está se discutindo é o que aconteceria com o Brasil se os juízes resolvessem seguir à risca sua moral que descrevo como "só faço realizar o que acho justo". E o que aconteceria seria... Os juízes, muitos deles intoxicados com ideologia socialista nas universidades, passariam a descumprir o ordenamento jurídico para fazer descumprir as leis que considerariam injustas. Ainda bem que, em grande medida, o pessoal do Direito que passa em concursos de juiz aprende a importância de seguir o ordenamento jurídico independentemente de sua vontade pessoal (exceto talvez quando a lei é excessivamente arbitrária), a despeito da intoxicação ideológica que existe no ambiente acadêmico brasileiro.



Eu considero que um incentivo importante que eles tem para  seguir os textos das tais leis é que  os juízes do STJ poderiam  invalidar o julgamento deles caso  deixassem de seguir tais leis.   E isto feito de forma reiterada iria trazer problemas sérios para eles.  Então, não me parece que eles não tenham bons  incentivos  para não seguir as tais leis (pelo menos de forma explícita). E de qualquer forma também é bom lembrar que  leis não são  equações  matemáticas, existem  possibilidades de interpretações diferentes por diferentes juízes.  E isto fica bastante óbvio  quando temos decisões em colegiados, onde pode ocorrer que por um voto uma interpretação diferente e contrária ganha da outra.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 19 de Abril de 2018, 10:33:04
Se muitos juízes do judiciário do Estado-nação seguissem essa moral, a de que têm o direito de desobedecer ao ordenamento jurídico de leis injustas, então eles estariam criando o incentivo para que juízes que desobedecem ao ordenamento jurídico de leis justas surgissem aos montes. O Estado Democrático de Direito correria sério risco de virar letra morta.
Os juízes ganham remuneração (pagas por  tributos  tomados da população) em torno de 25 vezes ou mais do que a média dos trabalhadores no Brasil,  então  eles são  beneficiados  acima  da média  com  a redistribuição do dinheiro que é tomado a força dos brasileiros.  Portanto, eles  tem  bons incentivos positivos  para   considerarem que  as atividades  (e as regras)  estatais  continuem mais ou menos do jeito que estão.  Ou simplesmente para não se importarem muito  com a modificação  das atuais regras e práticas.  Pode se dizer que eles já estão bem adaptados ao sistema. 

O que está acima desvia do assunto da conversa, pois o que está se discutindo é o que aconteceria com o Brasil se os juízes resolvessem seguir à risca sua moral que descrevo como "só faço realizar o que acho justo". E o que aconteceria seria... Os juízes, muitos deles intoxicados com ideologia socialista nas universidades, passariam a descumprir o ordenamento jurídico para fazer descumprir as leis que considerariam injustas. Ainda bem que, em grande medida, o pessoal do Direito que passa em concursos de juiz aprende a importância de seguir o ordenamento jurídico independentemente de sua vontade pessoal (exceto talvez quando a lei é excessivamente arbitrária), a despeito da intoxicação ideológica que existe no ambiente acadêmico brasileiro.



Eu considero que um incentivo importante que eles tem para  seguir os textos das tais leis é que  os juízes do STJ poderiam  invalidar o julgamento deles caso  deixassem de seguir tais leis.   E isto feito de forma reiterada iria trazer problemas sérios para eles.  Então, não me parece que eles não tenham bons  incentivos  para não seguir as tais leis (pelo menos de forma explícita). E de qualquer forma também é bom lembrar que  leis não são  equações  matemáticas, existem  possibilidades de interpretações diferentes por diferentes juízes.  E isto fica bastante óbvio  quando temos decisões em colegiados, onde pode ocorrer que por um voto uma interpretação diferente e contrária ganha da outra.




Quando a premissa de que se deve fazer realizar aquilo que pessoalmente se considera o certo foi tomada por todos os juízes ou pelos principais, tudo o mais vira supérfluo. Veja o caso do TSJ, a Suprema Corte Bolivariana da Venezuela. Não existe nada que possa impedir que tais juízes da Suprema Corte hajam como ditadores, caso sua moral descrita anteriormente seja seguida a risca. E é exatamente isso que eles fazem na Venezuela.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 12:39:16
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 19 de Abril de 2018, 12:58:23
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 

A Noruega não tem um Estado grande e inchado. Quase toda a arrecadação vai para os serviços de saúde, educação, segurança, etc. Aqui no Brasil apenas uns 15% vai para essas 3 áreas. Lá o liberalismo é grande, com facilidade para empreender, regar riquezas, etc.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 13:14:08
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 

A Noruega não tem um Estado grande e inchado. Quase toda a arrecadação vai para os serviços de saúde, educação, segurança, etc. Aqui no Brasil apenas uns 15% vai para essas 3 áreas. Lá o liberalismo é grande, com facilidade para empreender, regar riquezas, etc.

Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 19 de Abril de 2018, 15:56:02
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Atendo-se especificamente ao mercado de petróleo e combustíveis, e a Petrobrás, eu considero  que muito  mais importante do que uma privatização da Petrobrás, seria haver uma completa liberalização e desregulamentação do mercado de petróleo e seus derivados (e do álcool, do gás, e do carvão também), conjugada com uma drástica redução de tributos sobre a importação, produção e comércio destes produtos.  Uma liberalização e desregulamentação tão completa ao ponto de que qualquer pessoa que quisesse poderia, sem obstáculos estatais, atuar nestas áreas.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 19 de Abril de 2018, 16:02:40
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 19 de Abril de 2018, 16:58:57
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 

A Noruega não tem um Estado grande e inchado. Quase toda a arrecadação vai para os serviços de saúde, educação, segurança, etc. Aqui no Brasil apenas uns 15% vai para essas 3 áreas. Lá o liberalismo é grande, com facilidade para empreender, regar riquezas, etc.

Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:

Para desmascarar epifenômenos, você não deve visitar associações com os casos bem-sucedidos; você deve visitar cemitérios. E, no cemitério, estão vários países com algumas dessas características presentes na Noruega que você mencionou.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 17:53:10
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 

A Noruega não tem um Estado grande e inchado. Quase toda a arrecadação vai para os serviços de saúde, educação, segurança, etc. Aqui no Brasil apenas uns 15% vai para essas 3 áreas. Lá o liberalismo é grande, com facilidade para empreender, regar riquezas, etc.

Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:

Para desmascarar epifenômenos, você não deve visitar associações com os casos bem-sucedidos; você deve visitar cemitérios. E, no cemitério, estão vários países com algumas dessas características presentes na Noruega que você mencionou.

Aponte-me um país que está mal que tomou a mesma atitude da Noruega?
Já aviso que o Estatismo dela é totalmente diferente de qualquer país pseudocomunista.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 17:57:33
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não é as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Pitágonas em 19 de Abril de 2018, 18:10:51
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não é as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.

Com certeza!! Concordo plenamente, até porque a corrupção é universal. Como o mesmo contexto
da série chamada "O Mecanismo" isso é um "câncer".
A corrupção é um "câncer" já que não foi tratada inicialmente, não terá reversão.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Euler1707 em 19 de Abril de 2018, 18:24:29
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.
Não, não fará.

A corrupção na Petrobrás só se deu porque o estado, por meio dos nossos governantes, é quem indica as pessoas que vão gerenciar as estatais, como diretores e outros funcionários que entram por indicação política. A corrupção se dá de maneira natural quando partidos políticos e empresas privadas usam deste sistema para se financiarem, pondo nos cargos de chefia dessas estatais pessoas que irão celebrar contratos fraudulentos, lesando a empresa pública. É por isso que privatizar as estatais não fará com que a corrupção mude de ramo, justamente porque esses esquemas de corrupção são uma particularidade somente encontrada em nossas empresas públicas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 19 de Abril de 2018, 18:26:09
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?






Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Entropia em 19 de Abril de 2018, 18:46:32
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais?

Defina Capitalismo de Estado. Há muitos significados pra essa palavra. É o que?

O Estado controla boa parte da economia?
O Estado controla a entrada de empresas no mercado, do mesmo modo que funciona as empresas de telefonia no Brasil?

Ou basta ter uma ou outra estatal grande e já é capitalismo de estado?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 19:00:50
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 19:01:43
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais?

Defina Capitalismo de Estado. Há muitos significados pra essa palavra. É o que?

O Estado controla boa parte da economia?
O Estado controla a entrada de empresas no mercado, do mesmo modo que funciona as empresas de telefonia no Brasil?

Ou basta ter uma ou outra estatal grande e já é capitalismo de estado?
O estado contrala boa parte das empresas, porém dá total liberdade a iniciativa privada e nao possui nenhum monopólio.
As empresas estatais possuem os mesmo direitos que as privadas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Entropia em 19 de Abril de 2018, 19:31:54
O estado contrala boa parte das empresas, porém dá total liberdade a iniciativa privada e nao possui nenhum monopólio.
As empresas estatais possuem os mesmo direitos que as privadas.

Veja só, o que está em negrito é algo condicional. Se o estado controla as empresas, então liberdade é o que elas não tem. Em tese a qualquer momento o Estado poderia pulverizar essas empresas se assim decidisse. Você está deixando implícito que o estado seria bonzinho de nao intervir na estrutura dessas empresas.

Isso depende das ideias das pessoas que votam, de quem é eleito, das leis que determinam os poderes do estado e como elas podem ser usadas. Basicamente depende que você tenha os eleitores certos e os políticos certos além das leis certas que impediriam o abuso de poder dos agentes estatais e do sistema ser robusto o suficiente pra mitigar a corrupcao. Do jeito que você definiu, o sistema está funcionando de modo perfeito, mas é preciso considerar que qualquer um que ponha as mãos no poder que o estado tem, é fácil fazer tudo ir pro brejo, afinal, quem controla as empresas é o estado. Aí é onde mora o perigo.

O Brasil poderia se tornar uma Noruega se.... Se um monte de coisa. Precisaria haver uma mudanca radical em todos os sentidos, o histórico de corrupcao no brasil é tao forte que esperar que ele mude mantendo a influência do estado no mercado é algo muito difícil. Os políticos teriam que se tornar íntegros e honestos, as pessoas teriam que votar nesses políticos íntegros e honestos. Esses que foram eleitos precisariam ou tentar mudar as leis ou proteger as leis de serem mudadas em desfavor da populacao... Depende de toda uma série de pessoas se conscientizarem e mudar o sistema político do país.

E, honestamente, uma solucao pra um problema que dependa da boa vontade e conscientizacao voluntária dos outros, nao é uma boa solucao. O que é sugerido, reduzir o poder do estado como uma alternativa para a melhora do país é pelo fato de que sabe-se que a forma mais plausível de melhorar as condicoes do país, é reduzindo o tamanho do estado, pra reduzir os pontos de influência da corrupcao e da ineficiência.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 19 de Abril de 2018, 19:34:51

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica.

Se o governo usa o lucro das estatais para financiar bem estar social, essas empresas vão se sucateando, pois boa parte do lucro de uma empresa é usado em investimentos, pesquisa, etc, e não para "encher os bolsos dos patrões".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 19 de Abril de 2018, 19:42:21
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?
E caso a resposta seja não, como explicar a  Noruega?

Debati com um amigo muito inteligente no trabalho sobre o capitalismo de estado e não entramos em um consenso, mas saí com uma dúvida, o problema real do Brasil é as estatais? 

A Noruega não tem um Estado grande e inchado. Quase toda a arrecadação vai para os serviços de saúde, educação, segurança, etc. Aqui no Brasil apenas uns 15% vai para essas 3 áreas. Lá o liberalismo é grande, com facilidade para empreender, regar riquezas, etc.

Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:

Para desmascarar epifenômenos, você não deve visitar associações com os casos bem-sucedidos; você deve visitar cemitérios. E, no cemitério, estão vários países com algumas dessas características presentes na Noruega que você mencionou.

Aponte-me um país que está mal que tomou a mesma atitude da Noruega?
Já aviso que o Estatismo dela é totalmente diferente de qualquer país pseudocomunista.
Você citou os fatores "governo ser proprietário de várias empresas" e "participar de várias partes da economia". Ora, isso aí é o que nunca faltou na rota do desastre de países subdesenvolvidos tais como Brasil, Cuba, Venezuela, Bolívia, Zimbábue, etc.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 19 de Abril de 2018, 20:06:13
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 19 de Abril de 2018, 20:09:39
precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível.

Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fenrir em 19 de Abril de 2018, 20:54:33
precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível.

Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer.

A unica mágica que iria acontecer seria o retorno pífio que o brasileiro receberia desses 10% a mais de impostos.
O ponto ia caminhar mais para a direita nesse grafico e só, ficando ainda mais fora da curva.
(http://carodinheiro.blogfolha.uol.com.br/files/2012/12/IDH1.png)


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 22:12:00
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.

O problema das estatais do Brasil é a forma com a qual ela são administradas...
Os políticos não deveriam e nem poderiam indicar pessoas para cargos algum em uma estatal
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 22:14:40
precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível.

Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer.

"precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível."
Há como justificar?

"Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer."
Creio que a mágica norueguesa é graças a liberdade para iniciativa privada e a forma com a quais as estatais são geridas.

O modelo econômica da China é baseado no norueguês, praticamente uma cópia, e bom, o IDH talvez não seja dos melhores e nem a política social (creio que com o tempo isso deve melhorar), porém ainda é uma economia robusta.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 19 de Abril de 2018, 22:15:47
precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível.

Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer.
"precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível."
Há como justificar?

"Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer."
Creio que a mágica norueguesa é graças a liberdade para iniciativa privada e a forma com a quais as estatais são geridas.

O modelo econômica da China é baseado no norueguês, praticamente uma cópia, e bom, o IDH da china não é dos melhores e nem a políticas sociais*, porém ainda é uma economia robusta.

*deve se levar em conta que acabaram de sair de um regime socialista...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 19 de Abril de 2018, 23:04:22
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.

O problema das estatais do Brasil é a forma com a qual ela são administradas...
Os políticos não deveriam e nem poderiam indicar pessoas para cargos algum em uma estatal

Acreditar na promessa dos políticos brasileiros de blindar as grandes empresas estatais (autonomia decisória) e profissionalizar a liderança? Acreditar nesse tipo de promessa é tão absurdo quanto ficar esperando Papai Noel descer pela chaminé na noite de Natal. No Brasil, com possíveis raras exceções, são os piores que obtêm sucesso no jogo eleitoral. Como já dizia uma analogia de Alexandre Schwartsman, onde há carniça, é para lá que voam os urubus. Assim, se queremos acabar com os urubus, basta acabar com a carniça.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Abril de 2018, 07:56:48
precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível.

Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer.
"precisamos tratar a Noruega como uma exceção. Não tem como o Brasil dar certo copiando o modelo deles. Eles foram um dos únicos paises que não sofreram com a maldição do petróleo e conseguiram usar para financiar o social. Aqui seria impossível."
Há como justificar?

"Os petistas adoram citar a Noruega como um ideal a ser atingido, e como lá os impostos são uns 40-50% do pib e aqui gira em torno de 30-40%, eles acham que basta cobrar mais 10% de impostos e a mágica norueguesa vai acontecer."
Creio que a mágica norueguesa é graças a liberdade para iniciativa privada e a forma com a quais as estatais são geridas.

O modelo econômica da China é baseado no norueguês, praticamente uma cópia, e bom, o IDH da china não é dos melhores e nem a políticas sociais*, porém ainda é uma economia robusta.

*deve se levar em conta que acabaram de sair de um regime socialista...




A China tem uma economia forte sim, mas é um país  muito autoritário. 


Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989


O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, ou ainda Massacre de 4 de Junho consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização: a praça Tian'anmen, em Pequim, capital do país. Os manifestantes (em torno de cinco mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas econômicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam dificultando suas vidas. O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang. Os protestos consistiam em marchas (caminhadas) pacíficas nas ruas de Pequim.


Devido aos protestos e às ordens do governo pedindo o encerramento destes, se produziu no Partido Comunista uma divisão de critérios (opiniões) sobre como se deveria responder aos manifestantes. A decisão tomada foi suprimir os protestos pela força, no lugar de atenderem suas reivindicações. Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, enviou os tanques e a infantaria do exército à praça de Tian'anmen para dissolver o protesto. As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 (segundo o jornal estadunidense The New York Times[1]), 2 600 (segundo informações da Cruz Vermelha chinesa[2][3]) e sete mil (segundo os manifestantes[carece de fontes]). O número de feridos é estimado em torno de sete mil e dez mil, de acordo com a Cruz Vermelha.[3] Diante da violência, o governo empreendeu um grande número de arrestos para suprimir os líderes do movimento, expulsou a imprensa estrangeira e controlou completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa. A repressão do protesto pelo governo da República Popular da China foi condenada pela comunidade internacional.

[...]


https://pt.wikipedia.org/wiki/Protesto_na_Pra%C3%A7a_da_Paz_Celestial_em_1989



E aqui podemos comparar o índice de democracia do Brasil com o índice da China:


Índice de democracia


51    Brasil   6.96   9.58   6.79   5.56   3.75   9.12   Democracia imperfeita

136    China   3.14   0.00   4.64   3.33   6.25   1.47   Regime autoritário


https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Democracia


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Abril de 2018, 08:21:27
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?


Para os políticos do Brasil até que tem funcionado para eles ficarem ricos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Abril de 2018, 12:10:28
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.


Tendo em vista  a realidade política muito corrupta do Brasil,  tal  esperança me parece  ser bastante  ilusória. 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Abril de 2018, 12:14:34
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não é as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.



E qual é o   modelo   de   república   que    não    favorece a corrupção ?



 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 20 de Abril de 2018, 12:20:58
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não é as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.



E qual é o   modelo   de   república   que    não    favorece a corrupção ?



 

o anarcocapitalismo
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 20 de Abril de 2018, 21:12:58
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.

O problema das estatais do Brasil é a forma com a qual ela são administradas...
Os políticos não deveriam e nem poderiam indicar pessoas para cargos algum em uma estatal

Acreditar na promessa dos políticos brasileiros de blindar as grandes empresas estatais (autonomia decisória) e profissionalizar a liderança? Acreditar nesse tipo de promessa é tão absurdo quanto ficar esperando Papai Noel descer pela chaminé na noite de Natal. No Brasil, com possíveis raras exceções, são os piores que obtêm sucesso no jogo eleitoral. Como já dizia uma analogia de Alexandre Schwartsman, onde há carniça, é para lá que voam os urubus. Assim, se queremos acabar com os urubus, basta acabar com a carniça.

Não vejo a diferença entre acreditar na promessa de políticos quem queiram  dar autonomia decisória as estatais e os que querem acabar as estatais , as 2 formas são impopulares, difíceis de se fazer e pode ser apenas papo furado.
Fora que estou trabalhando com a Hipotése de que se fosse implantado daria certo, os por menores da política eu gostaria de deixar de fora...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 20 de Abril de 2018, 21:18:18


Sim a China é um país autoritário pois acaba de sair de um regime socialista, creio que com o tempo se continuarem com a mesma estratégia econômica, devem superar isso logo.


Para se terem uma noção, toda a estatal que o Brasil vende, grande parte é comprada pela China.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 20 de Abril de 2018, 21:19:04
Capitalismo de Estado, funciona ou não funciona?


Para os políticos do Brasil até que tem funcionado para eles ficarem ricos.

Pois é um capitalismo de Estado mal feito, se fosse pensado melhor, ou apenas um xérox do modelo norueguês teria dado certo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 20 de Abril de 2018, 21:19:54
Sim porém o Governo da Noruega possui várias empresas e participa de várias ( praticamente em tudo) partes da economia e lidera em IDH.
Logo não deveríamos estar pedindo o fim do monopólio do estado e mais liberdade para investir ao invés de pedir para "privatizar tudo"  :?:


Uma ampla liberalização seria mais relevante,  entretanto  uma privatização adequada  poderia cortar os incentivos e as oportunidades (de corrupção e de enriquecimento ilícito)  que as estatais  oferecem aos políticos brasileiros.
A inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.
Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não é as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.



E qual é o   modelo   de   república   que    não    favorece a corrupção ?

Me expressei mal, o Nosso é um dos que mais favorece a corrupção, Desde o sistema de partidos e coligações  às doações
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 20 de Abril de 2018, 21:32:58
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.

O problema das estatais do Brasil é a forma com a qual ela são administradas...
Os políticos não deveriam e nem poderiam indicar pessoas para cargos algum em uma estatal

Acreditar na promessa dos políticos brasileiros de blindar as grandes empresas estatais (autonomia decisória) e profissionalizar a liderança? Acreditar nesse tipo de promessa é tão absurdo quanto ficar esperando Papai Noel descer pela chaminé na noite de Natal. No Brasil, com possíveis raras exceções, são os piores que obtêm sucesso no jogo eleitoral. Como já dizia uma analogia de Alexandre Schwartsman, onde há carniça, é para lá que voam os urubus. Assim, se queremos acabar com os urubus, basta acabar com a carniça.

Não vejo a diferença entre acreditar na promessa de políticos quem queiram  dar autonomia decisória as estatais e os que querem acabar as estatais , as 2 formas são impopulares, difíceis de se fazer e pode ser apenas papo furado.
Fora que estou trabalhando com a Hipotése de que se fosse implantado daria certo, os por menores da política eu gostaria de deixar de fora...

Não, as duas formas de despolitização das empresas não se equivalem em popularidade. A que você sugeriu é bem popular. Dado que ninguém gosta de ser roubado, tudo o que o povão quer acreditar é que seria que possível manter as empresas estatais oferecendo-as o mínimo possível aos políticos. Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil.

E quem, na campanha política, estiver disposto a prometer privatizar as empresas estatais, certamente se esforçará bastante para privatizar quando chegar ao poder, pois o discurso de privatização é anti-eleitoral no Brasil.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 21 de Abril de 2018, 12:55:09
Há inúmeras maneira de ocorrer  corrupção.

Privatizar não acabará com a corrupção apenas a fará mudar de ramo.

O problema do Brasil não são as estatais, e sim a falta de liberdade econômica e o modelo de república que favorece a corrupção.


Para os pagadores de impostos a corrupção que mais interessa é a corrupção que envolve  dinheiro dos pagadores de impostos.  Uma corrupção numa empresa privada,  que não envolva transação com ente público, e que portanto não envolva dinheiro de pagadores de impostos e sim dinheiro dos donos da empresa privada,  pouco interessará aos pagadores de impostos  de forma geral.

Estatais podem ou não serem um problema, caso não haja intromissão política na administração da estatal,  se pelo contrário houver uma administração profissional bastante independente da política e que preste contas ao mercado, então haverá menores chances de ocorrer corrupção com dinheiro público.  De qualquer forma poderíamos perguntar qual a vantagem real de ter determinada estatal.  Será que temos uma vantagem real ou será mera ilusão ?   O que há de real e concreto em falar que certa estatal é "estratégica" para o país ?  Tal afirmação seria apenas um belo discurso com tons nacionalistas ? Qual avantagem real que o brasileiro tem com tal estatal "estratégica" ?

Vejo que a principal vantagem é que o caixa vai para o estado, criando assim um estado que forneça serviços básicos de qualidade e gratuitos e ao mesmo tempo possua impostos baixos e grande liberdade econômica. O Caixa do governo da Noruega é o maior do mundo, apenas alguns 800 bilhões se não me engano.
Deve-se relevar que as empresas estatais não possuem a intromissão do estado na indicação de cargos, a empresa funciona como uma empresa normal, porém o estado é o majoritário nas ações, e por isso engloba todo o caixa, se não estou enganado.

A ideia de que as empresas estatais, de uma forma geral, são um conjunto de vacas leiteiras do Tesouro é desmascarada somente olhando o caso do Brasil. Veja o número de empresas estatais no Brasil que dão prejuízo. E veja que muitas que dão lucro dependem de monopólio, reserva de mercado e/ou isenções fiscais diferenciadas para que isso aconteça, o que torna seus dividendos pagos ao Tesouro uma ficção contábil. No Brasil, é muito comum que os prejuízos da empresas estatais sejam socializados e os ganhos sejam privatizados aristocraticamente.

O problema das estatais do Brasil é a forma com a qual ela são administradas...
Os políticos não deveriam e nem poderiam indicar pessoas para cargos algum em uma estatal

Acreditar na promessa dos políticos brasileiros de blindar as grandes empresas estatais (autonomia decisória) e profissionalizar a liderança? Acreditar nesse tipo de promessa é tão absurdo quanto ficar esperando Papai Noel descer pela chaminé na noite de Natal. No Brasil, com possíveis raras exceções, são os piores que obtêm sucesso no jogo eleitoral. Como já dizia uma analogia de Alexandre Schwartsman, onde há carniça, é para lá que voam os urubus. Assim, se queremos acabar com os urubus, basta acabar com a carniça.

Não vejo a diferença entre acreditar na promessa de políticos quem queiram  dar autonomia decisória as estatais e os que querem acabar as estatais , as 2 formas são impopulares, difíceis de se fazer e pode ser apenas papo furado.
Fora que estou trabalhando com a Hipotése de que se fosse implantado daria certo, os por menores da política eu gostaria de deixar de fora...

Não, as duas formas de despolitização das empresas não se equivalem em popularidade. A que você sugeriu é bem popular. Dado que ninguém gosta de ser roubado, tudo o que o povão quer acreditar é que seria que possível manter as empresas estatais oferecendo-as o mínimo possível aos políticos. Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil.

E quem, na campanha política, estiver disposto a prometer privatizar as empresas estatais, certamente se esforçará bastante para privatizar quando chegar ao poder, pois o discurso de privatização é anti-eleitoral no Brasil.

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 21 de Abril de 2018, 13:26:04

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?

Isso é simples de responder, pois privatizações importantes bem-sucedidas já aconteceram no Brasil. As privatizações das siderúrgicas e da Embraer na era pré-FHC, por exemplo (e outras privatizações menos bem-sucedidas deram um upgrade em relação a situação estatizante). Já "blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras" ainda é conceito de ficção científica.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 21 de Abril de 2018, 15:49:08

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?

Isso é simples de responder, pois privatizações importantes bem-sucedidas já aconteceram no Brasil. As privatizações das siderúrgicas e da Embraer na era pré-FHC, por exemplo (e outras privatizações menos bem-sucedidas deram um upgrade em relação a situação estatizante). Já "blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras" ainda é conceito de ficção científica.

Telebrás e a CEEE transmissão , mandam lembranças.

Creio que é isso mesmo que favorece a"blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras", pois como é algo que não aconteceu, não há como provar que isso não daria certo no Brasil.
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 21 de Abril de 2018, 18:35:45
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...

Como por exemplo uma tinha telefônica que hoje é de graça para adquirir e é feito em uma semana, ou um chip de celular que é comprado em minutos. Mesmo os serviços sendo ruins, houve uma evolução absurda. Ainda assim, o problema das teles não foram as privatizações, mas a conivência da Anatel, justamente por ainda ser a parte do governo nessa história toda.

Houve casos de empresas de telefonia de baixo custo que tentaram entrar no país e foram barradas pela Anatel, que serve às operadoras. Ou seja, o mecanismo para melhorar o sistema, que é a concorrência, existe e tem interesse, mas a parte que cabe ao Estado interfere até hoje.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 21 de Abril de 2018, 19:28:00

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?

Isso é simples de responder, pois privatizações importantes bem-sucedidas já aconteceram no Brasil. As privatizações das siderúrgicas e da Embraer na era pré-FHC, por exemplo (e outras privatizações menos bem-sucedidas deram um upgrade em relação a situação estatizante). Já "blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras" ainda é conceito de ficção científica.

Telebrás e a CEEE transmissão , mandam lembranças.

Creio que é isso mesmo que favorece a"blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras", pois como é algo que não aconteceu, não há como provar que isso não daria certo no Brasil.
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...

Na época imediatamente anterior a privatização da Telebrás, o Brasil tinha densidade telefônica muito menor do que a do México, país com renda per capita semelhante naquele período. Uma linha fixa no Brasil não saía por menos de 2 mil reais a preços de hoje, demorava entre 1 e 2 anos para ser instalada.  Sem falar no quanto a Telebrás pré-privatização era uma influência perniciosa para as finanças públicas.

Para a privatização ser justificável, não precisa o mundo perfeito surgir. Apenas um mundo melhor do que a mundo da estatização da empresa.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 21 de Abril de 2018, 20:57:35
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...

Como por exemplo uma tinha telefônica que hoje é de graça para adquirir e é feito em uma semana, ou um chip de celular que é comprado em minutos. Mesmo os serviços sendo ruins, houve uma evolução absurda. Ainda assim, o problema das teles não foram as privatizações, mas a conivência da Anatel, justamente por ainda ser a parte do governo nessa história toda.

Houve casos de empresas de telefonia de baixo custo que tentaram entrar no país e foram barradas pela Anatel, que serve às operadoras. Ou seja, o mecanismo para melhorar o sistema, que é a concorrência, existe e tem interesse, mas a parte que cabe ao Estado interfere até hoje.

Errado, o problema não é só  a Anatel, mas também a maneira como foi feita as privatizações, Vamos aos Fatos:

1- Embratel - A venda dela foi logo após ter sido concluída uma Espinha dorsal de cabos de fibra ótica, foi algo muito moderno para época e que também recebeu um investimento massivo e controlaria na época todo o tráfego da América do sul , e foi entregado  ( pois foi vendido como um "brinde" junto com a concessão ) à MCI . E também o nosso primeiro e único Satélite Nacional, entregado no pacotão junto, Tanto que até hoje o Brasil precisa de dados de outros países para fazer previsões meteorológicas e de evento geográficos. Ah, foi tudo vendido à MCI, empresa americana.

2-  O nosso queridinho Ministro das comunicações havia anunciado ( Em linha telefônica da BNDES que foi grampeada ) que a MCI, levaria a Embratel, embora o leilão ainda não tivesse acontecido, Talvez ele seja o nosso Nostradamus moderno

3- Na Tele norte leste tivemos a venda, não só da empresa mas também da rede de cabos subterrâneos, e eu me pergunto como isso ajudaria o livre mercado visto que não há possibilidade de fazer outra rede de cabos subterrâneos para as cidades que já possuem um logo você acaba criando um monopólio
P.S. Isso ocorreu na Telesp e na Tele Centro Sul

4- Mais uma do nosso Nostradamus, Ele também adivinhou a Venda da tele norte leste para o Banco Oppurtunity, fora que também formou consórcios para garantir que que a Tele Norte Leste caia na mão dos nossos queridinhos Banqueiros da Oppurtunuty ( Ah  esqueci de falar que esse mesmo banco teve influência através de espionagens e subornos na venda da Telemar )

5-Tem mais o problema com a Telesp Celular, onde foram vendidas as antenas em operação para UMA empresa, e por isso obteve vantagem sobre as concorrentes, limitando o uso das concorrentes..


Realmente o problema foi só a Anatel  :wink:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Vithor em 21 de Abril de 2018, 21:13:32

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?

Isso é simples de responder, pois privatizações importantes bem-sucedidas já aconteceram no Brasil. As privatizações das siderúrgicas e da Embraer na era pré-FHC, por exemplo (e outras privatizações menos bem-sucedidas deram um upgrade em relação a situação estatizante). Já "blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras" ainda é conceito de ficção científica.

Telebrás e a CEEE transmissão , mandam lembranças.

Creio que é isso mesmo que favorece a"blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras", pois como é algo que não aconteceu, não há como provar que isso não daria certo no Brasil.
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...

Na época imediatamente anterior a privatização da Telebrás, o Brasil tinha densidade telefônica muito menor do que a do México, país com renda per capita semelhante naquele período. Uma linha fixa no Brasil não saía por menos de 2 mil reais a preços de hoje, demorava entre 1 e 2 anos para ser instalada.  Sem falar no quanto a Telebrás pré-privatização era uma influência perniciosa para as finanças públicas.

Para a privatização ser justificável, não precisa o mundo perfeito surgir. Apenas um mundo melhor do que a mundo da estatização da empresa.

Como eu já citei acima as privatizações estão longe de serem algo efetivo, realmente era necessário fazer algo, e as privatizações realmente melhoraram a situação, porém eu me pergunto e ao invés de privatizadas, nós tivéssemos feito:

- Fim do monopólio Estatal e acesso a empresas privadas as infraestruturas essenciais como antenas e túneis de cabos subterrâneos.

- Dado autonomia decisória para a Telebras e dado fim as indicações de político para cargos na mesma;

Será que a situação atual não estaria melhor?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 21 de Abril de 2018, 21:40:12

"Só que isso aí não tem viabilidade prática no Brasil. ",se essa não possui viabilidade prática, porque a de privatizar tudo teria?

Isso é simples de responder, pois privatizações importantes bem-sucedidas já aconteceram no Brasil. As privatizações das siderúrgicas e da Embraer na era pré-FHC, por exemplo (e outras privatizações menos bem-sucedidas deram um upgrade em relação a situação estatizante). Já "blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras" ainda é conceito de ficção científica.

Telebrás e a CEEE transmissão , mandam lembranças.

Creio que é isso mesmo que favorece a"blindagem contra maus políticos nas empresas estatais brasileiras", pois como é algo que não aconteceu, não há como provar que isso não daria certo no Brasil.
Já as privatizações, tiveram seus altos e baixos, mostrando ser uma táctica não tão efetiva, pois se não for bem executada pode ferrar o Brasil por anos, exemplo são nossas provedoras de telefonia e seu cartelzinho legalizado ...

Na época imediatamente anterior a privatização da Telebrás, o Brasil tinha densidade telefônica muito menor do que a do México, país com renda per capita semelhante naquele período. Uma linha fixa no Brasil não saía por menos de 2 mil reais a preços de hoje, demorava entre 1 e 2 anos para ser instalada.  Sem falar no quanto a Telebrás pré-privatização era uma influência perniciosa para as finanças públicas.

Para a privatização ser justificável, não precisa o mundo perfeito surgir. Apenas um mundo melhor do que a mundo da estatização da empresa.

Como eu já citei acima as privatizações estão longe de serem algo efetivo, realmente era necessário fazer algo, e as privatizações realmente melhoraram a situação, porém eu me pergunto e ao invés de privatizadas, nós tivéssemos feito:

- Fim do monopólio Estatal e acesso a empresas privadas as infraestruturas essenciais como antenas e túneis de cabos subterrâneos.

- Dado autonomia decisória para a Telebras e dado fim as indicações de político para cargos na mesma;

Será que a situação atual não estaria melhor?

O problema desse "se" descrito acima é que ele não é comparado ao "se" alternativo principal. E se as empresas estatais fossem vendidas e o governo simplesmente se retirasse da área, sem dar palpites nem impor regulamentações absurdas, tal como foi feito com as siderúrgicas no governo Collor e Itamar? Será que a situação atual não estaria melhor? O problema principal de muitos "ses" na política é esse: a condicional exigida é nada trivial... Por exemplo, se o mundo fosse feito somente de santos e anjos, o anarquismo funcionaria.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Maio de 2018, 16:48:22

EUA impõem cota ao aço, e siderúrgicas aceitam


Restrição às exportações do Brasil foi a oferta final do governo de Donald Trump



O tamanho das cotas, considerado inaceitável pelo governo brasileiro, vinha sendo discutido entre Brasília e Washington, mas, naquele telefonema, o emissário do governo Donald Trump deixou claro que a negociação havia acabado.


O processo foi semelhante com o governo argentino, que também recebeu um ultimato na semana passada. Mas o governo de Mauricio Macri vendeu como um trunfo seu "acordo" com os Estados Unidos, que resultou na retirada das tarifas sobre o aço e alumínio e estabelecimento de cotas.

Isso embora a Argentina tenha saído ligeiramente mais prejudicada que o Brasil na negociação: os argentinos terão de reduzir sua exportação de aço em 14% em relação ao volume exportado em 2017, para se manter dentro da cota de 180 mil toneladas.

[…]

"Eles disseram que a decisão foi tomada em nível presidencial, que as condições políticas haviam mudado e que não havia mais condições de continuar negociando", diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente do IABr (Instituto Aço Brasil, que reúne as siderúrgicas). "É pegar ou largar."

[…]


https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/eua-impoem-cota-ao-aco-e-siderurgicas-aceitam.shtml


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Maio de 2018, 16:50:10
Ao invés de pesquisarem, e atacarem as causas da falta de competitividade, o governo Trump  prefere  o caminho aparentemente mais fácil (mas não o que leva a maior eficiência) de subir tarifas e/ou impor cotas.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 03 de Maio de 2018, 16:54:49

É um péssimo exemplo para os países que  já  não  são chegados em livre comércio.  Isso estimulará ainda mais as velhas políticas protecionistas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fabrício em 04 de Maio de 2018, 07:07:15
Ao invés de pesquisarem, e atacarem as causas da falta de competitividade, o governo Trump  prefere  o caminho aparentemente mais fácil (mas não o que leva a maior eficiência) de subir tarifas e/ou impor cotas.

E mesmo assim está cheio de liberaizinhos de boutique babando ovo pra ele no Facebook.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 04 de Maio de 2018, 21:51:50
Economicamente, Trump é uma versão de Dilma com um penca de bajuladores auto-intitulados """liberais""" na mídia. Basta ver a semelhança dos dois em atitudes como protecionismo comercial e irresponsabilidade fiscal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fabrício em 05 de Maio de 2018, 07:45:26
Economicamente, Trump é uma versão de Dilma com um penca de bajuladores auto-intitulados """liberais""" na mídia. Basta ver a semelhança dos dois em atitudes como protecionismo comercial e irresponsabilidade fiscal.

E fala tanta merda quanto a Dilma também em seus discursos ou no twitter
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Entropia em 05 de Maio de 2018, 07:55:21
De acordo com os """Liberais""" a vista grossa pra essas marmotas do Trump é porque ele é uma arma contra o globalismo neocon, sabe-se lá o que isso quer dizer . Ou entao citam que ele anunciou o maior corte de impostos da história, aí supostamente isso valida todo o intervencionismo dele agora, hehe.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fabrício em 06 de Maio de 2018, 07:52:25
Citação de: Entropia
Ou entao citam que ele anunciou o maior corte de impostos da história, aí supostamente isso valida todo o intervencionismo dele agora, hehe.

Se fosse acompanhado do maior corte de gastos da história, seria válido... mas do jeito que foi, só criou uma bomba relógio para explodir no futuro.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Maio de 2018, 20:35:26
Redução do papel do Estado na economia sempre foi mito


Apesar de todas as manchetes sobre a volta do Estado à economia, ele nunca se retirou, e os EUA são o maior exemplo disso, afirma Linda Weiss, especialista em desenvolvimento e professora do Departamento de Governo e Relações Internacionais da Universidade de Sydney (Austrália).


Por Claudia Anutes, na Folha de S. Paulo


Weiss cita especificamente a política de inovação tecnológica americana, organizada por meio de encomendas da área militar do governo, como exemplo do que chama de "ativismo estatal" que nunca diminuiu nas economias mais ricas.


Weiss afirma que a China está adaptando o modelo americano para começar a produzir tecnologias próprias, e sugere que o Brasil estude o exemplo. Ela deu entrevista à Folha depois de participar, no Rio de Janeiro, de seminário no Instituto de Economia da UFRJ sobre Reposicionamentos Estratégicos, Políticas e Inovação em Tempo de Crise. Abaixo, os principais trechos.


FOLHA - A senhora diz que não é possível falar em volta do Estado à economia porque ele nunca foi embora. Pode explicar?


LINDA WEISS - A ideia predominante no debate sobre a globalização e a sua relação com as opções de política econômica é que o Estado foi posto numa camisa de força e recuou da economia.


Fez isso para atrair investimentos num mundo de capitais móveis. O melhor governo é o que reduz impostos e regulações. O Estado atua nas margens da economia, sem presença ativa e muito menos desenvolvimentista. Contesto essa ideia olhando para o que os Estados mais poderosos vêm fazendo.


FOLHA - E quais são os principais exemplos?


WEISS - O primeiro é o paradoxo de que a desregulamentação requer rerregulamentação. Por exemplo, o governo privatiza, mas acaba se tornando muito ativo na arena regulatória, criando agências.

Isso de certo modo aumentou o envolvimento do Estado, sem necessariamente passar pelas autoridades executivas, que têm que responder ao eleitorado.


FOLHA - Mas, no mercado financeiro, houve menos regulamentação, não?


WEISS - Houve uma opção por não regulamentar. Foi uma opção movida a razões nacionalistas, porque tanto o Reino Unido quanto os EUA viam o setor financeiro como o que liderava a projeção do seu poder na arena econômica internacional.

Com Wall Street de um lado e a City do outro, para eles fazia sentido ser liberais.

O Japão fez o mesmo, de modo diferente. Ao desregulamentarem o setor financeiro, os burocratas quiseram manter sua presença e escreveram as regras com esse objetivo, sem permitir mais autorregulamentação.

Além disso, há uma forma de ativismo que é a intervenção recorrente do Estado para resgatar o sistema bancário em crises. O que vemos hoje não é excepcional, é parte do padrão da internacionalização das finanças nos últimos 200 anos.


FOLHA - Que outros exemplos a senhora reuniu?


WEISS - Um fundamental é no campo da inovação e da tecnologia. Na OMC (Organização Mundial do Comércio), os Estados líderes escreveram normas que lhes dão margem para promover sua indústria nascente, ao mesmo tempo em que reduziram essa margem para países em desenvolvimento.


As regras da OMC permitem políticas de subsídio à ciência e tecnologia, que é a forma da indústria nascente nas chamadas economias de conhecimento intensivo.
Você vê intervenções muito focadas dos governos dos Estados Unidos, da Europa e do Japão no setor de alta tecnologia, incluindo comunicação e informação, novos materiais, novas energias. São áreas vistas como plataformas de sua prosperidade futura.


FOLHA - Como a senhora compararia o ativismo estatal nos EUA e na Europa com o na Ásia?


WEISS - Eu diria que o ativismo asiático está acima do radar, os países da região não se envergonham de mostrar que têm política industrial. As populações também apoiam o uso do poder do Estado na economia. No caso dos EUA, não há consenso sobre o ativismo estatal. Então, ele aparece abaixo do radar. A área que explica de onde vieram as inovações nos EUA, país que é líder em alta tecnologia, é a máquina de encomendas ligada ao setor militar.


Os EUA construíram um sistema formidável de inovação baseado no fato de responderem por 50% dos gastos militares mundiais. Dessa forma existe apoio popular e político, porque a linguagem usada é a da segurança nacional. Esse sistema de encomendas públicas de inovações é tão importante que os europeus agora estão vendo como podem adaptar a seu próprio setor civil. A China está fazendo a mesma coisa.


FOLHA - Como a China está seguindo o exemplo dos EUA?


WEISS - A China, por exemplo, quer desenvolver sua própria indústria de software e está usando encomendas de tecnologia para isso. Ela está definindo o que é uma empresa chinesa com base no "Buy American" [cláusula do pacote de estímulo econômico aprovado nos EUA no início deste ano].


Para o "Buy American", uma empresa americana tem pelo menos 50% de capital americano, está baseada nos EUA e usa trabalhadores americanos. Essa é a definição que os chineses estão usando em sua estratégia de compras governamentais, com o objetivo de construir sua própria indústria de alta tecnologia. [No Brasil, a emenda constitucional nº 6 acabou em 1995 com a distinção entre empresas de capital nacional e capital estrangeiro].


FOLHA - Apesar do ativismo estatal, o Estado de bem-estar social diminuiu?


WEISS - Quando olhamos os números da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, que reúne cerca de 30 países industrializados], vemos que o Estado previdenciário na verdade cresceu.


O gasto total aumentou em média de 26% para 40% do PIB entre 1965 e 2006. E o componente social desse gasto aumentou de 15% para 22% em 30 anos. Houve reestruturações no destino do dinheiro, mas não declínio.


FOL
HA - Mas o Estado como produtor recuou, não?

WEISS - Sim, claro. Mas é enganoso ver isso como enfraquecimento do Estado. Quando os serviços eram públicos, qual era o papel do Estado, afinal?
Mandar contas de luz e gás?

Não era exatamente um ator no sentido do desenvolvimento.


FOLHA - A resistência que vemos hoje nos EUA ao envolvimento estatal com o sistema de saúde não é paradoxal?


WEISS - Esse debate mostra que o sistema político americano não legitima um programa civil de tecnologia. O Programa de Tecnologia Avançada, civil, teve vida curta no governo Clinton [1993-2001] e recentemente perdeu seu orçamento.


É principalmente por meio do setor militar que são criadas estruturas híbridas, agências com função de investimento e que não são nem puramente públicas nem privadas em seu comportamento. Elas fazem essas encomendas de alta tecnologia.


FOLHA - E como os produtos chegam ao mercado civil?


WEISS - Não há uma cerca entre a Defesa e o setor civil. A CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), por exemplo, tem seu próprio fundo de investimento e assume participações em empresas privadas. Financia tecnologia que é usada para objetivos militares, mas também tem que ser viável comercialmente.


FOLHA - Que observações a senhora fez sobre a posição do Brasil nesse debate?


WEISS - Foi interessante ouvir outro dia que a política industrial brasileira tem dois pontos problemáticos: a falta de uma política agressiva para a exportação de manufaturados e a política de compras governamentais, que não teria decolado.


Sugiro trazer o caso americano para debate no Brasil. As compras governamentais são um instrumento poderoso de desenvolvimento. O importante é separar as compras ordinárias, como papel e mobília, das encomendas de tecnologia, de algo que ainda não existe.


Nisso você estabelece uma competição entre quem pode produzir tal coisa e como o Estado pode ajudar. Não é só o governo dizendo como deve ser, mas há uma interação.
De um só programa americano, o Small Business Innovation Research Program, de onde vieram nomes como a Microsoft, centenas de firmas receberam financiamento. Não são somas grandes, poderiam ser US$ 750 mil, por exemplo, para levar a tecnologia da fase da ideia na cabeça ao protótipo.


O programa foi lançado em 1982, quando nos EUA temia-se perder a corrida tecnológica para Japão e Alemanha, e envolve muitas agências governamentais, incluindo o Instituto Nacional de Saúde -que faz encomendas ao setor farmacêutico e de biotecnologia-, a Nasa e a Defesa.


http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3546



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Maio de 2018, 20:41:35

Destacando:


 "A área que explica de onde vieram as inovações nos EUA, país que é líder em alta tecnologia, é a máquina de encomendas ligada ao setor militar."
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 20 de Maio de 2018, 20:54:20
E aqui um exemplo (entre muitos possíveis) onde bilhões de dólares do Estado americano interferem na economia e incentivam empresas de alta tecnologia:



SpaceX lança satélite espião para o governo dos EUA



O satélite NROL-76 foi colocado no espaço na manhã desta segunda-feira, após ter seu lançamento adiado por conta de um problema no sensor do foguete
Por Da redação access_time 2 maio 2017, 10h50 more_horiz



Foguete da SpaceX Falcon 9 durante lançamento no Cabo Canaveral, Flórida - 01/04/2017 (Joe Raedle/AFP)


A empresa americana SpaceX lançou ao espaço nesta segunda-feira um foguete Falcon 9, que colocará em órbita um satélite a serviço do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O lançamento, que havia sido suspenso de última hora no domingo devido a um “problema no sensor”, ocorreu às 7h15 local (8h15, em Brasília) da manhã seguinte, em Cabo Cañaveral, localizado na Flórida, nos Estados Unidos.


O foguete carrega um satélite espião NROL-76, que será colocado em órbita a serviço do Escritório Nacional de Reconhecimento dos Estados Unidos (NRO, na sigla em inglês), um projeto que tem, entre outros objetivos, detectar “potenciais ameaças à segurança” dos Estados Unidos, “acompanhar terroristas” e “controlar de desenvolvimento de armas nucleares”, segundo o canal local WFTV9.



Aproximadamente 10 minutos depois do lançamento, a parte principal do foguete, que inclui os propulsores, retornou à Terra e aterrissou na base de Cabo Cañaveral. “A primeira fase do foguete tocou a superfície na Zona de Aterrissagem 1. Outro excelente dia para a SpaceX, foi algo bonito de se ver”, expressou o narrador na transmissão ao vivo de toda a operação”, disse o narrador durante a transmissão ao vivo do evento. A SpaceX já realizou várias experiências bem-sucedidas com lançamento de foguetes que retornam à Terra depois de lançar sua carga em órbita.


Carga secreta


Quanto ao satélite espião NROL-76, pouco se sabe. “Como um assunto de política e devido a sua classificação, o NRO não fornece informações sobre nossos contratos”, disse uma porta-voz da SpaceX à AFP.


Até agora, os Estados Unidos destinavam bilhões de dólares por ano à United Launch Alliance (ULA, na sigla em inglês), uma operação conjunta com os construtores de aeronaves Boeing e Lockheed Martin, para lançar os satélites do governo. Em 2014, a SpaceX criticou o fato de a Força Aérea americana empregar apenas a ULA, argumentando que confiavam em apenas uma empresa para lançamentos relacionados à segurança nacional.


A SpaceX foi contratada para enviar o NROL-76 “depois de uma concorrência”, disse a porta-voz da NRO, ressaltando não saber quando o contrato foi concedido. A companhia faz lançamentos regulares de naves não tripuladas rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) e desenvolve uma cápsula que poderá levar pessoas à órbita no próximo ano.


O lançamento de uma carga militar secreta representa uma nova fase em contratos entre empresas privadas e o Pentágono. A SpaceX também tem contratos já fechados com a Força Aérea americana para lançamento e colocação de satélites de GPS na órbita terrestre.


https://veja.abril.com.br/ciencia/spacex-lanca-satelite-espiao-para-o-governo-dos-eua/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Maio de 2018, 12:14:25
SPACEX, A MÃO BEM VISÍVEL DO ESTADO: US$ 5 BILHÕES SÓ EM SUBSÍDIO


O êxito da SpaceX não se deve apenas à iniciativa privada. Veja os detalhes governamentais por trás dos foguetes de Elon Musk.

Por Ricardo J. Camera  Última Atualização 12 de maio de 2018


A empresa privada de exploração espacial SpaceX, que invadiu os noticiários no dia 6 de fevereiro de 2018, lançou o foguete mais potente em operação, o Falcon Heavy [1]. Imediatamente os jornalistas e economistas liberais ovacionaram a SpaceX [2], a qual, supostamente, simboliza como o setor privado desponta sem as ingerências estatais. Ocorre, simplesmente, que isso não é verdade. Este pequeno artigo objetiva desmentir as falácias e simplismos em torno dessa questão.


Desta, é essencial conhecer o Henry Ford do século XXI, ou talvez, o Tony Stark da vida real. Elon Musk, fundador e CEO da SpaceX, visionário da colonização de Marte e uso das energias renováveis, nasceu na África do Sul. Desde novo, escrevia códigos de programação, e aos 17 anos mudou-se para o Canadá, onde estudou na Queen’s University. Dois anos mais tarde, com ideais empreendedores, mudou-se para os Estados Unidos. Cursou Física e Negócios na University of Pennsylvania. Logo depois, deixou o doutorado em Stanford para desenvolver startups do mundo digital. No final dos anos 1990, embolsou 307 milhões de dólares na venda de sua primeira empresa. Deste modo pôde criar a X.com, uma empresa de pagamentos online, que se fundiu com a Confinity, originando a PayPal. Em 2002, Elon Musk vende a PayPal à Ebay por 1,5 bilhão de dólares (SEEDHOUSE, 2013). Assim, com capacidade própria de investimento, crédito bancário a juros de 1,75% ao ano [3], venture capital abundante, acúmulo nacional de tecnologias e a organização e financiamento direto do governo dos Estados Unidos, surge a SpaceX.


Haja vista que esta discussão ocorre no âmbito do capitalismo e, portanto, sujeita às disputas de interpretação ideológica/teórica da economia política (GILPIN, 2002), a reação instintiva dos meios de comunicação de massa e dos politicólogos liberais (mainstream) apontam para a “liberdade econômica” como princípio e motivo do sucesso da SpaceX. Porque liberdade, nesses termos — quase determinista —, reduz a totalidade das relações sociais às leis do mercado e seu individualismo metodológico, de modo que a interferência do Estado Nacional é desnecessária, ou deve ser feita o mínimo possível, como afirmava Hayek (SAYAD, 2015; PRZEWORSKI, 1993). Dito isso, a primeira parte do artigo abordará, resumidamente, a questão histórica dessa matéria. Logo em seguida, retorna-se à elucidação do caso SpaceX.


A Longa Manus do Estado


Charles Bolden, da NASA, foi um aliado permanente da SpaceX durante todo o seu cargo. Fonte: Without NASA there would be no SpaceX and its brilliant boat landing.

Consequentemente, nos artigos A Sonda Voyager-1 invalida o discurso neoliberal de Meirelles e Governança Global e Hegemonia dos Estados Unidos, elucidou-se sobre o histórico do desenvolvimento americano moderno (eixo anglo-saxão), o qual está atrelado às decisões de Estado, tomadas no âmbito da 1ª e 2ª Guerra Mundial, bem como à geopolítica praticada ao longo e após a Guerra Fria. Com efeito, a competição interestatal na geopolítica internacional soldou os interesses do capital privado dos Estados Unidos com suas estratégias de disputa por poder por mercados e por territórios abundantes em matéria prima. Não é à toa que a institucionalidade estadunidense é postulada na triangulação entre a intenção direta dos governos de fomentar parques industriais privados (mission oriented — protegidos por patentes e embargos nacionais), os institutos públicos e privados de pesquisa, e universidades; estes, por sua vez, combinados com as encomendas governamentais — NASA, DARPA, NSA, Departamento de Defesa. (WHALLEN, 2014; CGEE, 2013). Dessa forma (resumidamente) originaram-se as grandes tecnologias do século XX e XXI, como produto e subproduto dessa intrincada teia. (GUIMARÃES, 1999).


Contudo, no setor aeroespacial, dominado pelos oligopólios americanos da Boeing, Loockheed Martins e Raytheon (grandes fornecedoras do governo e protegidas pelas políticas industriais), entre outras do ramo, historicamente competem com o poderio russo, chinês e europeu; de modo que se tornou financeiramente mais conveniente lançar os satélites americanos por meio dos lançadores russos, por exemplo. Além disso, desde 2004, o governo Bush decidiu segurar seu programa espacial até 2010, principalmente após o acidente do ônibus espacial Columbia, em 2003. Procurou-se, do mesmo modo, atualizar as diretrizes e tecnologias, em vista de revisar o papel que a NASA cumpriria no século XXI, e reerguer a hegemonia aeroespacial americana. Todavia, devido a atrasos, questões orçamentárias e afins, os Estados Unidos vêm dependendo da Roscosmos, agência espacial russa, para fazer o translado de seus astronautas entre a Estação Espacial Internacional e a Terra (NASA.GOV, 2012). O governo Obama, por outro lado, percebendo que o investimento neste setor é capaz de gerar grande desenvolvimento, crescimento econômico e empregos, e que a independência e poderio estadunidense deve ser assegurado nesse setor, reverteu, portanto, a morosidade anterior por meio de mudanças estruturais no portfólio da NASA. Só o programa Apollo (1961–1975), por exemplo, custou em valores atualizados 150 bilhões de dólares, e empregou 300 mil pessoas, daí a importância do investimento neste complexo. (SEEDHOUSE, 2013).


Se, historicamente, desde 1950, a NASA tem parceria sólida com o complexo industrial privado — cuja formação se deu justamente por causa dela (NASA, 2012), e cuja estratégia governamental operava essas grandes empresas privadas como instrumento de projeção nacional (FURTADO, 1978) — contemporaneamente, esse modelo político e econômico opera de modo semelhante. Eis que empresas como a Boeing, ou a SpaceX, entram no tabuleiro.


O Xadrez Espacial


A reestruturação da NASA, desde 2006, previu projetos como o Commercial Crew Program [Programa de Tripulação Comercial] — por meio do qual o foguete Falcon Heavy, da SpaceX, foi desenvolvido —, o Commercial Orbital Transportation Services program [Programa de Serviço de Transporte Orbital Comercial], o Commercial Crew & Cargo Program Office [Escritório de Tripulação Comercial e Programa de Cargueiro], o Commercial Crew Integrated Capability [Capacidade integrada de Tribulação Comercial], o Certification Products Contract [Contrato de Certificação de Produto].


Engenheiros da NASA e especialistas aeroespaciais trabalham junto às companhias para desenvolver sistemas de transporte de tripulação que podem, de modo seguro, confiável e de custo compatível, levar humanos a órbita baixa, incluindo a Estação Espacial Internacional, e retornar com segurança para a Terra […] (NASA, 2012).


Companhias interessadas estão livres para desenvolver os sistemas de transporte que elas pensem ser melhores para o serviço. Para as fases de contrato de desenvolvimento e certificação, cada companhia deve cumprir com o pré-requisitos da NASA […] (NASA, 2012).


A parceria permite aos engenheiros da NASA acompanhar o processo de desenvolvimento da companhia enquanto a expertise técnica da agência e recursos estão acessíveis à companhia […] (NASA, 2012).


A SpaceX é integrante do CCDev2, CCiCap, CPC e CCtCap, ou seja, as principais fases dos projetos, orçando, no caso desta empresa, 3,144 bilhões de dólares (NASA, 2012). Além disso, a SpaceX obteve valores superiores a 5,5 bilhões de dólares em contratos com as Forças Armadas e NASA (totalizando US$12 bilhões); bem como 4,9 bilhões de dólares somente em subsídios governamentais (NASA, 2012). Mark Spiegel, gerente do fundo de investimento Stanphyl Capital Patners, foi categórico: o suporte do governo é o escopo das empresas, de modo que sem ele, nada disso seria possível[4].



Num dos contratos de licitação entre a NASA e a SpaceX[5], não apenas as cláusulas secretas são flagrantes, mas as leis de segredo e embargo comercial da tecnologia e avionics estão dispostas, o que significa que a SpaceX não pode vender os segredos tecnológicos estadunidenses às empresas e países estrangeiros.


Cláusulas que estão sob segredo de Estado no contrato NASA-SpaceX


Também está previsto por contrato que as empresas terão acesso a todo o histórico e acúmulo tecnológicos da NASA, bem como à sua equipe técnica e gerencial. O Governo Federal, por seu turno, não apenas terá acesso aos projetos e instalações da empresa, como também arbitrará prazos, diretrizes, requisitos e os objetivos que os projetos seguirão (NASA, 2012).Tanto é que o próprio Elon Musk admitiu que o governo Americano não permite a contratação de mão de obra estrangeira para o complexo industrial da defesa, com medo da espionagem industrial


Para constar, essas questões de embargos significam na prática que os Estados Unidos podem barrar o intercâmbio comercial de produtos que tenham componentes tecnológicos de patente estadunidense, por meio do Arms Export Control Act e Export Administration Act [6]. Para exemplificar, observa-se o caso da Força Aérea Brasileira quando, em 2006, teve sua venda de 36 caças Super Tucanos para a Venezuela embargada pelos Estados Unidos, haja vista a tecnologia aviônica que os aviões utilizam, sobre a qual o Brasil é dependente [7]. Ou seja, o poder de arbítrio estadunidense transcende suas fronteiras.


A nova abordagem da NASA para a aquisição de serviços de transporte é uma extensão das políticas do governo dos Estados Unidos, o qual desencoraja a competição direta do governo com a indústria de manufatura ou prestadores de serviço do setor privado. Todavia, é claro que essa abordagem é possível apenas por causa dos investimentos anteriores feitos pela NASA e Departamento de Defesa, realizados ao longo de décadas de desenvolvimentos de sistemas de veículos de lançamento, processamento, tecnologias afins e componentes […] (NASA, 2012).


Conclusão


Essas informações são públicas. Elas estão presentes tanto nas bibliografias especializadas como nos arquivos oficiais de governos. Ao elucidar e sistematizar os detalhes, é perceptível como as decisões de Estado, referentes ao poder nacional, sua administração pública e a competição geopolítica e econômica internacional, está, por sua vez, organicamente atrelada aos capitais privados nacionais. É como se o Estado instrumentalizasse a empresa privada em detrimento de seus objetivos, na medida em que o complexo industrial não apenas lucra nesse processo, mas tem seus agentes permeando as decisões de governo, e vice-versa…


Como se constatou neste artigo, a SpaceX é um exemplo concreto de como funciona o capitalismo dos países desenvolvidos, em especial, o modus operandi da governança dos Estados Unidos. A SpaceX não é fruto (apenas e tão somente) da mente genial de Elon Musk, mas também da histórica estrutura política, tecnológica e econômica que o rodeia. Resta saber se os folhetins grosseiros e simplificados de liberalismo que vêm se espalhando pelo Brasil continuarão ignorando os fatos apresentados.


Referências:


[1] G1 – Falcon Heavy: por que o lançamento do foguete mais potente do mundo pela Space X é importante.
[2] Gazeta do Povo – LANÇAMENTO DA SPACEX, DE ELON MUSK, MOSTRA ABISMO ENTRE INICIATIVA PRIVADA E ESTADO.
[3] BBC – Fed mantém taxa de juros nos EUA.
[4] LA Times – Elon Musk’s growing empire is fueled by $4.9 billion in government subsidies.
[5] NASA – SpaceX Commercial Crew Transportation Capability Contract (CCtCap).
[6] U.S. Government – Overview of U.S. Export Control System.
[7] Geopolítica Brasileira e Relações Internacionais, Thiago Bonfada de Carvalho, 2010, FUNAG. Pg.58.

Bibliografia:

CARVALHO, Thiago Bonfada de. Geopolítica Brasileira e Relações Internacionais. Brasília, FUNAG, 2010.
CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS. Dimensões Estratégicas do Desenvolvimento Brasileiro: As Fronteiras do conhecimento e da inovação: oportunidades, restrições e alternativas estratégicas para o Brasil. v.2, Brasília, DF, 2013.
FURTADO, Celso. A Hegemonia dos Estados Unidos e o Subdesenvolvimento da América Latina. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
GILPIN, Robert. A Economia Política das Relações Internacionais. 1ª ed. Brasília. Universidade de Brasília, 2002.
GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. 500 anos de Periferia – Uma contribuição ao estudo da política internacional. Porto Alegre: Ed. da Universidade, 1999.
HIRSCH, Jerry. http://www.latimes.com/business/la-fi-hy-musk-subsidies-20150531-story.html, Los Angeles, 2015.
NASA. Commercial Orbital Transportation Services – A New Era in Spaceflight, Rebecca Hackler, National Aeronautics and Space Administration Washington, DC, 2014.
NASA. NASA’s Strategic Direction and the Need for a National Consensus. THE NATIONAL ACADEMIES PRESS, Washington, D.C. 2012.
GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. 500 anos de Periferia – Uma contribuição ao estudo da política internacional. Porto Alegre: Ed. da Universidade, 1999.
SAYAD, João. Dinheiro, dinheiro: inflação, desemprego, crises financeiras e bancos / João Sayad. 1a ed. São Paulo: Porfolio Penguin, 2015.
SEEDHOUSE, E. SpaceX: Making Commercial Spaceflight a Reality, Springer, New York, 2013.
SPACEX Commercial Crew Transportation Capability Contract (CCtCap) NNK14MA74C.
TAVARES, M.C. e Fiori, J.L. (1997) Poder e dinheiro, uma economia política da globalização. Petrópolis, Editora Vozes.
WHALEN, David J. The Origins of Satellite Communications, 1945-1965 (Smithsonian History of Aviation and Spaceflight Series), 2014.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Maio de 2018, 12:17:48



Informações bastante interessantes,   que os novos  liberais brasileiros  ou não  sabem e são mesmo uns ignorantes, ou  omitem de forma conveniente.




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 23 de Maio de 2018, 12:20:26

Os Estados Unidos tem é muita e muita presença do  Estado  incentivando, investindo e interferindo direta e/ou  indiretamente  na economia e na ciência e tecnologia.


Muitos liberais brasileiros que negam isso ou são ignorantes ou são mentirosos.



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gaúcho em 23 de Maio de 2018, 18:05:01
Bla bla bla. EUA continuam sendo uma das 20 economias mais livres do mundo.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Maio de 2018, 14:24:14

Carteis, postos e preços da gasolina - de quem realmente é a culpa pela forte alta?


Eis o fato: há muito governo na nossa gasolina


Os comentários irônicos seguiram todos na mesma linha: "Não me diga!"; "Só indícios?"; "Descobriu a América!" — tudo no sentido de fazer galhofa com a epifania dos órgãos públicos diante de algo que não seria novidade para ninguém.


De fato, é notório que o preço dos derivados do petróleo em nosso país varia muito pouco dentro da mesma unidade geográfica. Mais: os reajustes costumam ser aplicados de forma síncrona.


Tudo isso, inevitavelmente, induz o brasileiro médio a apressadamente concluir que tais fenômenos — ínfima diferença de preços e reajustes simultâneos — só ocorrem porque os proprietários dos postos burlam o sistema de concorrência e fazem um cartel entre eles, tabelando os valores a serem cobrados. Tal arranjo ímprobo entre eles ocorre, obviamente, em prejuízo aos consumidores.


O que nos leva à seguinte elucubração: ora, se esses comerciantes conseguem garantir maiores faturamentos por meio deste expediente (combinando preços), é de se imaginar que assim procedam também, por exemplo, os donos de padarias, mercados, armazéns e restaurantes — enfim, todos aqueles que comercializam produtos similares dentro do ramo alimentício. Correto?


Discordar desta hipótese equivaleria a afirmar que, por uma inexplicável coincidência, os empresários daquela atividade econômica em especial costumam ser menos honestos que todos os demais. Será que o odor de benzeno nos estabelecimentos onde abastecemos o carro perturba a moral dos indivíduos?


O que impediria quaisquer empreendedores de um mesmo setor da economia de adotar o mesmo suposto estratagema dos donos de postos de combustíveis — quem sabe até mesmo formando um grupo no Whatsapp e combinando que, a partir de amanhã, elevarão o preço de um determinado rol de produtos ou serviços em 10%?


Não é este o cenário que observamos, por certo.


As reais causas


Há duas explicações para esse comportamento dos preços praticados pelos postos de combustível.


A primeira — e mais importante — explicação para este fenômeno não está na ponta final do processo produtivo — a comercialização, a interação final com o cliente —, mas sim nas demais etapas do caminho que o petróleo percorre até chegar no seu tanque.


A cadeia produtiva dos combustíveis consiste basicamente de quatro estágios: exploração, refino, distribuição e, aí, sim, comercialização.


O problema que irá gerar, lá na frente, aquele aparente "comportamento desonesto" dos preços, encontra-se especialmente no segundo: a Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado (isto é, transformado em gasolina, diesel, etc.) no país.


O próprio presidente da Petrobras já veio a público confessar: "Não é bom para o País a Petrobras ter 100% de monopólio no refino".


E por que não há refinarias nacionais ou estrangeiras no país para concorrer com a Petrobras? Simples. Porque para abrir uma refinaria no país você tem de:


1) submeter-se a uma cornucópia de regulamentações impostas pela ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor;


2) A ANP é uma burocracia enorme que possui, além de sua diretoria, uma secretaria executiva, 15 superintendências, 5 coordenadorias, 3 núcleos (Segurança Operacional, Fiscalização da Produção de Petróleo e Gás Natural, e Núcleo de Informática) e 3 centros (Relações com o Consumidor, Centro de Documentação e Informação, e Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas).


Montar uma refinaria significa ter de submeter a calhamaços regulatórios impostos por cada um desses departamentos, o que, por si só, já torna todo o processo financeiramente inviável.


3) Além da ANP, você tem de se submeter a calhamaços de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança. O arranjo sempre foi montado exatamente para coibir a concorrência à Petrobras. Pode até ser que mude no futuro, mas não há qualquer indicação disso.


4) Além de tudo isso, estamos no Brasil, o que significa que você terá de "molhar a mão" de vários políticos e burocratas caso realmente queira conseguir alguma licença.


5) Finalmente, ainda que um empreendedor estivesse disposto a encarar tudo isso e realmente conseguisse abrir refinarias no país para concorrer com a Petrobras, o governo poderia simplesmente praticar política de controle de preços e reduzir artificialmente os preços cobrados pela Petrobras, o que garantiria a reserva de mercado da estatal e inviabilizaria todo o seu empreendimento, trazendo enormes prejuízos.


Essas são as consequências de se ter todo um setor controlado diretamente pelo estado: total insegurança jurídica.


Sendo assim, é simplesmente inviável surgirem novas refinarias.


Ou seja, como diria Carlos Drummond de Andrade, há uma pedra (o estado) no meio do caminho. Este monopólio estatal elimina a competição exatamente na fase de processamento, onde uma melhor produtividade (corte de custos e adoção de métodos mais eficazes) seria capaz de reduzir consideravelmente o preço final na bomba.


(Quanto à exploração, vale lembrar que o mercado nacional de petróleo ficou completamente fechado de 1953 a 1997, período em que a Petrobras deteve, por lei, o total monopólio do setor. A consequência inevitável é que, com a abertura do mercado após mais de 40 anos de monopólio, a Petrobras já havia se apossado das melhores reservas do país, não havendo espaço para a concorrência privada. Hoje, é quase que impossível alguém concorrer com a estatal. Embora o monopólio de jure não exista mais, o monopólio de fato continua praticamente intacto.)


Para se ter uma ideia mais clara do efeito nefasto deste obstáculo no meio da jornada, observe os aumentos registrados de julho de 2017 até o início de 2018 no preço da gasolina em cada um dos elos da cadeia econômica: nas refinarias, 30,03%[1]; nas distribuidoras, 19,24%; e nos postos, 16,78% (Fonte).


Ou seja, quanto mais a gasolina se afasta do governo e se aproxima do mercado, mais a concorrência vai fazendo seu "milagre": os postos repassaram, no período considerado, aproximadamente metade do aumento aplicado pela Petrobrás, o que reduziu de 22% para 14% a margem bruta média, percentual ainda pendente da quitação de custos como aluguel, água, luz e mão de obra.


E, considerando que, neste período, o governo mais que dobrou as alíquotas do PIS/COFINS sobre a gasolina, o repasse ocorrido nas bombas foi até baixo.


Os postos, obviamente, tiveram de segurar os repasses para espantar a clientela o mínimo possível (coisa que não tira o sono de gestores governamentais nem por um segundo). No entanto, os consumidores, naturalmente, direcionam sua indignação para aqueles com quem negociam diretamente.


Percebam que aí reside o porquê do reajuste simultâneo: as refinarias estatais, por dominarem quase 100% do refino, controlam uma espécie de "gatilho" do sistema de preços, que é repassado a partir de seu disparo — o que não ocorreria se diversos fornecedores diferentes atuassem concomitantemente, como é a regra na maioria dos setores da economia. Mas como vem tudo da mesma fonte, é de se esperar que o efeito se alastre de maneira uniforme.


E a interferência estatal na composição final do preço dos combustíveis não acaba por aí: além da forte participação da Petrobrás na exploração e, principalmente, no refino do petróleo, há pesadas regulamentações estatais tanto na distribuição quanto na comercialização, onerando os investimentos necessários para empreender na área e, consequentemente, formando oligopólios nestas atividades (leia-se: nicho concentrado nas mãos de poucos).


O que nos leva à segunda causa para o comportamento dos preços: sim, o setor de postos de combustível funciona, na prática, como uma reserva de mercado.


As pesadas regulamentações da ANP, além de tornarem proibitivo o surgimento de qualquer empresa que queira prospectar petróleo aqui no Brasil e nos vender, também garantem esse oligopólio do setor de postos de combustível. Como explicado neste artigo:


Não há nenhuma liberdade de entrada para qualquer concorrência neste ramo [postos de combustível].


Tente você abrir um posto de gasolina. Além de todas as imposições da ANP e de todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, há ainda toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos (ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo).


Livre concorrência nesta área nunca existiu. Você só consegue se tornar dono de um posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto. Apenas veja na sua própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser aberto em uma nova localidade? Praticamente nenhum posto quebra e nenhum posto novo surge.


E piora. Desde o ano 2000, há uma lei federal que proíbe a instalação de sistemas de autoatendimento nos postos de gasolina, como já ocorre em praticamente todos os países de primeiro mundo. Tanto na Europa quanto nos EUA não existem frentistas. No Brasil, o governo tornou essa profissão obrigatória (assim como trocador de ônibus), o que só encarece os custos de se ter um posto de combustível.


E, antes de lamentar pelo emprego dos frentistas, lembre-se da lição de Frédéric Bastiat: mais dinheiro sobrando no bolso de quem compra gasolina (quase todo mundo) significa mais consumo em outros segmentos, nos quais estas oportunidades de trabalho serão recuperadas (e este remanejo ocorrerá de forma tão menos traumática quanto mais flexível for a legislação trabalhista).


Conclusão


A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna. Adicionalmente, os postos de combustível atuam em um setor fortemente regulado pelo governo: de um lado, as regulamentações restringem o surgimento da concorrência, o que é bom para os postos já estabelecidos; de outro, elas geram vários custos operacionais extremamente altos, o que é ruim para os postos.


Ambos os fatores empurram os preços para cima e, no final, quem é o real prejudicado é o consumidor.


Por isso, apontemos o dedo para os verdadeiros culpados pelo "cartel" do combustível: os governantes contrários à total abertura ao livre mercado desta atividade econômica, o que inclui a desregulamentação do setor de postos e a desestatização da Petrobrás (mas aí acabariam o aparelhamento e o loteamento de cargos para apadrinhados políticos).


Por fim, é o paroxismo da ironia o governo, o real protetor dos carteis, dizer que irá "combater os cartéis".


Retomando a manchete lá do início, é possível fazer uma releitura do enunciado levando em consideração o exposto aqui, propondo uma versão mais condizente com os fatos:


"Governo diz haver fortes indícios de manipulação de preços no setor, problema causado e mantido por ele mesmo"….


[1] A política do governo Dilma de congelar o preço dos combustíveis — obrigando a Petrobras a vender para as distribuidoras gasolina e diesel abaixo do preço pelo qual foram importados — destruiu o capital da estatal, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 60 bilhões. (Valor este que é muito maior do que o desviado pela corrupção na estatal).


Para compensar este estrago e recompor o caixa da estatal, a atual diretoria da Petrobras teve de elevar os preços dos combustíveis, fazendo com que eles batessem recordes quase que diários. Esta é a causa dos seguidos aumentos observados nas refinarias.

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Leia também:

Políticos erram e quem arca com as consequências somos nós

Há muito governo na nossa gasolina



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2845



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fernando Silva em 25 de Maio de 2018, 09:27:48
Citar
Em tempos de fact checking, tome nota:

1. Os juros da dívida não consomem metade do orçamento do governo federal.

2. Um salário de R$ 3.500 já é suficiente para colocar um brasileiro no topo da pirâmide social, entre os 10% mais ricos do país.

3. Não é possível criar riqueza apenas imprimindo dinheiro.

4. Não há socialismo na Escandinávia. Há o exato oposto: propriedade privada, livre comércio, rule of law e liberdades individuais. Segundo o Banco Mundial, a Dinamarca é o 3º país mais fácil do mundo para uma empresa privada fazer negócios (à frente dos Estados Unidos); a Noruega é o 8º, a Suécia é o 10º e a Finlândia é o 13º. O Brasil ocupa a posição 125 da lista. A Venezuela está em 188º - isto é socialismo.

5. O Brasil nunca esteve minimamente perto de ser um país "neoliberal". À exceção de Hungria e Polônia, há mais estatais em posse da União por aqui do que em qualquer outro país membro da OCDE, a organização que reúne as 35 nações que aceitam os princípios da economia de mercado (na lista estão todos os países da Escandinávia, a propósito).

6. Entre 2003 e 2015, os governos Lula e Dilma bancaram R$ 3,5 trilhões em subsídios para os empresários brasileiros, incríveis oito vezes mais do que governos "neoliberais" poderiam levantar se vendessem para a mesma iniciativa privada todas as 168 estatais e 109 subsidiárias (da União e dos estados) com potencial - especialmente legal - para serem privatizadas.

7. A ideia de que para um país enriquecer outro precisa empobrecer é uma espécie de terraplanismo na ciência econômica e já foi refutada há exatos 201 anos.

8. Entre 1994 e 2016, o Brasil viu o seu PIB per capita expandir 31%, enquanto a América Latina e o Caribe cresceram 37% e os demais países emergentes cresceram 152% no mesmo período. Os países membros da OCDE e os Estados Unidos, nações desenvolvidas, também exibiram um crescimento superior - de 42% e 46%, respectivamente. Ou seja: se o Brasil testemunhou um crescimento econômico nas últimas duas décadas, durante os governos de PSDB e PT, ele foi menor que a média mundial - e especialmente menor comparado aos países emergentes. Na prática nós perdemos uma janela de oportunidade.

9. De acordo com um estudo publicado por dois economistas do IPEA com um auditor da Receita Federal, a concentração de renda permaneceu estável no Brasil entre 2006 e 2012. Os autores concluíram que os coeficientes de Gini, usados para medir a desigualdade, alcançaram 0,696 (em 2006), 0,698 (em 2009) e 0,690 (em 2012). De acordo com outro estudo, feito pelo World Wealth and Income Database, a desigualdade de renda no Brasil não caiu entre 2001 e 2015. Na verdade, os 10% mais ricos da população aumentaram sua fatia na renda nacional de 54% para 55%, enquanto os 50% mais pobres ampliaram sua participação de 11% para 12% no período. Na prática, o crescimento econômico visto no país não surtiu impacto na redução da desigualdade: ele foi capturado principalmente pelos 10% mais ricos, que ficaram com 61,3% desse crescimento no período, enquanto a metade mais pobre da população apreendeu apenas 21,8% desses ganhos.

10. Há inegavelmente um rombo na previdência social brasileira. E ele aumenta a nossa desigualdade. Considerando os últimos 15 anos, o déficit do sistema de previdência social do setor público somou R$ 1,3 trilhão para quase 1 milhão de pessoas, enquanto o déficit do INSS somou R$ 450 bilhões para 29 milhões de aposentados. Na prática, o gasto com 980 mil funcionários públicos é igual ao de todo o INSS. Vale destacar que o gasto com previdência no Brasil não é apenas o mais alto entre os países de população jovem, nós também gastamos mais que o dobro de países desenvolvidos com a previdência dos funcionários públicos. Esta é uma bomba-relógio que estourará mais cedo ou mais tarde no seu colo. E há uma boa chance de você ainda não ter sido bem informado sobre isso.
https://www.facebook.com/operfildorodrigo/posts/10155857002606596
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Maio de 2018, 10:17:40



4. Não há socialismo na Escandinávia. Há o exato oposto: propriedade privada, livre comércio, rule of law e liberdades individuais. Segundo o Banco Mundial, a Dinamarca é o 3º país mais fácil do mundo para uma empresa privada fazer negócios (à frente dos Estados Unidos); a Noruega é o 8º, a Suécia é o 10º e a Finlândia é o 13º. O Brasil ocupa a posição 125 da lista. A Venezuela está em 188º - isto é socialismo.





Os 10 países onde mais se paga imposto de renda


Com taxa de 27,5%, Brasil é o 55º entre 96 países observados pela KPMG
Por Beatriz Olivon access_time 13 set 2016, 16h23 - Publicado em 26 out 2012, 11h29


https://exame.abril.com.br/economia/os-dez-paises-onde-mais-se-paga-imposto-de-renda/


3. 3. Dinamarca – 55,4%

9. 9. Finlândia – 49,2%


Suécia 58,2 %

Muitos brasileiros acham que é o nosso, mas a Suécia é o país onde a alíquota máxima do imposto de renda (IR) para pessoa física é a mais alta do mundo. Os suecos que ganham bem entregam para o governo até 58,2% dos seus rendimentos. No Brasil a taxa máxima está em 27,5%, um patamar baixo se comparado ao de nações desenvolvidas e, até mesmo, de países vizinhos como o Chile (45%).


https://mundoestranho.abril.com.br/cultura/qual-e-o-imposto-de-renda-mais-caro-do-mundo/


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Maio de 2018, 10:24:42
Em tempos de fact checking, tome nota:

1. Os juros da dívida não consomem metade do orçamento do governo federal.



Juros e amortização da dívida consumirão 42% do orçamento da União em 2013



Enquanto aos servidores e aos aposentados restarão as sobras do orçamento, numa reposição que, aparentemente, não cobrirá sequer a inflação da primeira parcela, em 2013, questiona Maria Lúcia Fattorelli, Auditora Fiscal da Receita Federal*. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista concedida a redação do Jornal do Judiciário.


Jornal do Judiciário: A PLOA de 2013 indica um valor de R$ 900 bilhões para pagamento dos juros da dívida e amortizações. Quanto isso significa em percentuais no valor total do Orçamento?


Maria Lúcia: Considerando que o valor total do Orçamento/2013 apresentado pelo Executivo é de R$ 2 trilhões e 140 bilhões, a parcela destinada ao pagamento de juros e amortizações da dívida deverá consumir nada menos que 42% de todos os valores arrecadados com tributos e com a emissão de novos títulos da dívida. Em 2011, os juros e amortizações da dívida consumiram R$ 705 bilhões. Em 2012, até a presente data (11/10/2012), já foram efetivamente pagos R$ 707 bilhões em juros e amortizações da dívida, ou seja, em pouco mais de 10 meses já superamos o gasto total do ano passado, conforme demonstra o quadro abaixo.


A crescente destinação de recursos para a dívida decorre do fato de que estamos emitindo dívida para pagar juros. É por isso que apesar dos volumosos pagamentos a dívida não para de crescer: no primeiro semestre de 2012, a dívida interna alcançou R$ 2,74 trilhões e a Externa US$ 416 bilhões. Somadas, já superam 3 trilhões e meio de reais. E o mais grave é que tal dívida nunca foi auditada, como manda a Constituição, e a recente CPI da Dívida Pública [1] revelou diversos indícios de ilegalidade e ilegitimidade dessas dívidas, cuja principal contrapartida tem sido a incidência de juros sobre juros e outros mecanismos meramente financeiros.

Além disso, existe um grave problema de contabilidade e transparência em relação aos gastos com a dívida. Dos R$ 900 bilhões do Orçamento/2013 reservados para o pagamento da dívida, o governo divulga que R$ 608 bilhões se referem ao chamado "refinanciamento" ou "rolagem", anunciados como se fossem referentes ao pagamento de amortizações (ou seja, ao principal) da dívida por meio da emissão de novos títulos da dívida.

Segundo analistas conservadores, o valor classificado sob a rubrica refinanciamento ou rolagem da dívida não deveria ser considerado como gasto, pois representaria apenas o pagamento do principal da dívida por meio da emissão de nova dívida (ou seja, uma mera troca de dívida velha por dívida nova).

Na realidade, as investigações técnicas realizadas pela recente CPI da Dívida Pública comprovaram que grande parte dos juros pagos tem sido apropriado indevidamente como se fosse "refinanciamento" ou "rolagem". Isso tem acontecido devido ao fracionamento indevido do montante dos juros nominais em duas partes: uma que corresponde à atualização monetária calculada de acordo com o IGP-M e outra que excede essa atualização, considerada como juros reais. Uma vez que, pela contabilidade oficial, a rubrica pagamento de juros contempla apenas os "juros reais", ou seja, os juros que excedem a atualização monetária medida pelo IGP-M, essa parcela dos juros nominais que corresponde à atualização monetária tem sido considerada como se fosse amortização ou rolagem.


Esse fracionamento dos juros e a classificação de grande parte dos juros como se fossem amortizações tem gerado uma grave distorção, porque, de acordo com a Constituição, despesas correntes como é o caso dos juros nominais não podem ser pagas mediante emissão de dívida. O texto constitucional visou prevenir o crescimento desenfreado da dívida decorrente da incidência de juros sobre juros. A partir do momento em que se contabiliza a atualização monetária como amortização ou refinanciamento, percebe-se uma clara burla a essa determinação constitucional. A dívida pública passa a crescer, então, de forma descontrolada, levando o governo a contingenciar o orçamento das áreas sociais.


Dessa forma, dentro daqueles R$ 608 bilhões está incluída grande parte dos juros nominais da dívida pública. É por isso que temos destinado quase a metade do orçamento anualmente para o pagamento de juros e amortizações e a dívida não para de crescer.



https://sintrajud-sp.jusbrasil.com.br/noticias/100124358/juros-e-amortizacao-da-divida-consumirao-42-do-orcamento-da-uniao-em-2013



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Maio de 2018, 10:26:12


Parece que uma parte da direita brasileira tem um forte compromisso com acobertar e proteger  o  mercado  financeiro e os banqueiros.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Fernando Silva em 25 de Maio de 2018, 10:34:44
Parece que uma parte da direita brasileira tem um forte compromisso com acobertar e proteger  o  mercado  financeiro e os banqueiros.
Talvez porque se oponha a qualquer tentativa de controlar e estatizar a economia.

Talvez em reação à frase "O que é roubar um banco diante da fundação de um banco?"
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 25 de Maio de 2018, 10:44:45
Em tempos de fact checking, tome nota:

1. Os juros da dívida não consomem metade do orçamento do governo federal.



Juros e amortização da dívida consumirão 42% do orçamento da União em 2013



Enquanto aos servidores e aos aposentados restarão as sobras do orçamento, numa reposição que, aparentemente, não cobrirá sequer a inflação da primeira parcela, em 2013, questiona Maria Lúcia Fattorelli, Auditora Fiscal da Receita Federal*. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista concedida a redação do Jornal do Judiciário.


Jornal do Judiciário: A PLOA de 2013 indica um valor de R$ 900 bilhões para pagamento dos juros da dívida e amortizações. Quanto isso significa em percentuais no valor total do Orçamento?


Maria Lúcia: Considerando que o valor total do Orçamento/2013 apresentado pelo Executivo é de R$ 2 trilhões e 140 bilhões, a parcela destinada ao pagamento de juros e amortizações da dívida deverá consumir nada menos que 42% de todos os valores arrecadados com tributos e com a emissão de novos títulos da dívida. Em 2011, os juros e amortizações da dívida consumiram R$ 705 bilhões. Em 2012, até a presente data (11/10/2012), já foram efetivamente pagos R$ 707 bilhões em juros e amortizações da dívida, ou seja, em pouco mais de 10 meses já superamos o gasto total do ano passado, conforme demonstra o quadro abaixo.


A crescente destinação de recursos para a dívida decorre do fato de que estamos emitindo dívida para pagar juros. É por isso que apesar dos volumosos pagamentos a dívida não para de crescer: no primeiro semestre de 2012, a dívida interna alcançou R$ 2,74 trilhões e a Externa US$ 416 bilhões. Somadas, já superam 3 trilhões e meio de reais. E o mais grave é que tal dívida nunca foi auditada, como manda a Constituição, e a recente CPI da Dívida Pública [1] revelou diversos indícios de ilegalidade e ilegitimidade dessas dívidas, cuja principal contrapartida tem sido a incidência de juros sobre juros e outros mecanismos meramente financeiros.

Além disso, existe um grave problema de contabilidade e transparência em relação aos gastos com a dívida. Dos R$ 900 bilhões do Orçamento/2013 reservados para o pagamento da dívida, o governo divulga que R$ 608 bilhões se referem ao chamado "refinanciamento" ou "rolagem", anunciados como se fossem referentes ao pagamento de amortizações (ou seja, ao principal) da dívida por meio da emissão de novos títulos da dívida.

Segundo analistas conservadores, o valor classificado sob a rubrica refinanciamento ou rolagem da dívida não deveria ser considerado como gasto, pois representaria apenas o pagamento do principal da dívida por meio da emissão de nova dívida (ou seja, uma mera troca de dívida velha por dívida nova).

Na realidade, as investigações técnicas realizadas pela recente CPI da Dívida Pública comprovaram que grande parte dos juros pagos tem sido apropriado indevidamente como se fosse "refinanciamento" ou "rolagem". Isso tem acontecido devido ao fracionamento indevido do montante dos juros nominais em duas partes: uma que corresponde à atualização monetária calculada de acordo com o IGP-M e outra que excede essa atualização, considerada como juros reais. Uma vez que, pela contabilidade oficial, a rubrica pagamento de juros contempla apenas os "juros reais", ou seja, os juros que excedem a atualização monetária medida pelo IGP-M, essa parcela dos juros nominais que corresponde à atualização monetária tem sido considerada como se fosse amortização ou rolagem.


Esse fracionamento dos juros e a classificação de grande parte dos juros como se fossem amortizações tem gerado uma grave distorção, porque, de acordo com a Constituição, despesas correntes como é o caso dos juros nominais não podem ser pagas mediante emissão de dívida. O texto constitucional visou prevenir o crescimento desenfreado da dívida decorrente da incidência de juros sobre juros. A partir do momento em que se contabiliza a atualização monetária como amortização ou refinanciamento, percebe-se uma clara burla a essa determinação constitucional. A dívida pública passa a crescer, então, de forma descontrolada, levando o governo a contingenciar o orçamento das áreas sociais.


Dessa forma, dentro daqueles R$ 608 bilhões está incluída grande parte dos juros nominais da dívida pública. É por isso que temos destinado quase a metade do orçamento anualmente para o pagamento de juros e amortizações e a dívida não para de crescer.



https://sintrajud-sp.jusbrasil.com.br/noticias/100124358/juros-e-amortizacao-da-divida-consumirao-42-do-orcamento-da-uniao-em-2013





MENTIRA DESLAVADA. Juros consomem 13% dos impostos:
https://ocontraditorio.com/ocontraditorio/nao-os-juros-nao-comem-metade-dos-impostos/

E, ademais...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 25 de Maio de 2018, 10:47:09
...Amortização não "consome" orçamento público. Negar isso é de uma ignorância ímpar em contabilidade social.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 25 de Maio de 2018, 10:49:53
Despesas reduzem patrimônio. Amortização, não: http://maovisivel.blogspot.com/2016/10/os-alquimistas-estao-voltando.html?m=1
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Maio de 2018, 15:15:52
Isso é alguma piada ?


Há décadas que os cortes no orçamento e a DRU, os quais retiram dinheiro da saúde, da educação, da segurança, da ciência, da infraestrutura, etc,  se dão justamente  por causa da necessidade de fazer superávit primário para pagar os juros dessa porcaria. 

E também a desconfiança e os juros  elevados tem bastante a ver com a falta de superávit primário dos últimos anos.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 25 de Maio de 2018, 15:20:10


Realmente não entendo essa apologia e acobertamento que  pessoas comuns (que não são donos de bancos) dedicam ao setor financeiro e aos seus barões. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 25 de Maio de 2018, 17:26:17
Realmente não entendo essa apologia e acobertamento que  pessoas comuns (que não são donos de bancos) dedicam ao setor financeiro e aos seus barões. 

Realmente não entendo essa apologia e acobertamento que pessoas supostamente informadas, dedicam aos que só promovem desinformação a serviço de castas de funcionários públicos e de outros que vivem às custas do Tesouro Nacional.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 25 de Maio de 2018, 17:40:06
Realmente não entendo essa apologia e acobertamento que  pessoas comuns (que não são donos de bancos) dedicam ao setor financeiro e aos seus barões. 

As dívidas (todas) foram contratadas pelos representantes dos entes públicos (eleitos ou concursados ou indicados), e assim sendo tem validade jurídica, a menos que se demonstre (com evidências) que houve alguma irregularidade, que tornem nulos cada um dos contratos.

Parte significativa da dívida foi contratada para pagar benesses dos que vivem no (ou do) estado brasileiro, incluindo alguns dos hipócritas que bradam "contra o pagamento de juros extorsivos".

E, para deixar claro, não tenho dúvida que os banqueiros foram muito beneficiados com isto e, provavelmente, com outros esquemas legalizados, como o de redução de impostos. Possivelmente houve (e há) contratos com algum spread, que foi revertido para a campanha de políticos.

Então, eu apoio uma auditoria da dívida, desde que todos os que foram beneficiados pelo dinheiro emprestado, devolvam os respectivos valores e que os 'terceiros de boa-fé' (os emprestadores de dinheiro via títulos públicos) não sejam prejudicados.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 25 de Maio de 2018, 20:17:31
Isso é alguma piada ?


Há décadas que os cortes no orçamento e a DRU, os quais retiram dinheiro da saúde, da educação, da segurança, da ciência, da infraestrutura, etc,  se dão justamente  por causa da necessidade de fazer superávit primário para pagar os juros dessa porcaria. 

E também a desconfiança e os juros  elevados tem bastante a ver com a falta de superávit primário dos últimos anos.


Despesa de juros reduz patrimômio, mas Amortização NÃO reduz patrimônio. Como dito no último artigo que linkei, "se pago amortizações com meu dinheiro, dívida e ativos se reduzem no mesmo valor, de forma que meu patrimônio não se altera". Qual parte você não entendeu aqui?

Há "arrocho fiscal neoliberal" com corte em gasto público? Que corte em gasto público? Eis um exemplo de como o tal "corte de gasto público" devido a despesa com juros é  uma farsa, uma vez que gasto público primário é gasto que exclui despesas com juros da dívida pública:

(http://2.bp.blogspot.com/_RYh7B1B798Q/SWSBSw2AgZI/AAAAAAAAAMQ/JS4X4oYHgyo/s1600/Gasto.bmp)

Fonte: Blog Mão Visível de Alexandre Schwartsman...  do artigo "Nanismo estatal e outras tolices" http://maovisivel.blogspot.com.br/2009/01/nanismo-estatal-e-outras-tolices.html 

Citação de: Alexandre Schwartsman
Há quem atribua tal desempenho à austeridade fiscal, principalmente por parte do governo federal. Isso é falso: como divulgado ontem, o consumo do setor público se manteve virtualmente inalterado (R$ 361 bilhões agora contra R$ 365 bilhões no início de 2014). Outras medidas de gastos, no caso do governo federal, incluindo despesas como pagamentos de aposentadorias e pensões, mostram aumento do dispêndio, jamais queda.

Só mesmo apreciável contorcionismo mental poderia atribuir ao ajuste fiscal, sequer iniciado, a queda vertiginosa da atividade econômica, iniciada ainda em 2014.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2017/03/sete-anos-em-tres.html (Blog Mão Visível em 2017)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 25 de Maio de 2018, 20:27:04
A explicação do Alexandre Schwartsman mostra quão pérfido é o carater destes petistas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 27 de Maio de 2018, 09:20:32


... E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles




Caminhoneiros de todo o Brasil estão, há mais de uma semana, bloqueando estradas em vários estados do país em sinal de protesto contra algumas políticas do governo.
Com essa greve, várias cidades estão sendo severamente afetadas, pois toda a cadeia de suprimentos foi quebrada.


No Paraná, há cidades em que o litro da gasolina está sendo vendido a R$ 7.  No oeste e no sudoeste do Paraná, indústrias suspenderam a coleta de leite e o abate de aves.  Sem alternativas de desvio para seguir viagem, cargas de alimentos e insumos estão estragando em vários pontos de bloqueio nas estradas do sul do país. Fornecedores de frutas reclamam ainda das perdas com saques de cargas nas barreiras.


A operação do porto de Paranaguá, principal terminal de exportação de produtos agrícolas do país, também é prejudicada por causa dos protestos.


Em Santa Catarina, cirurgias foram canceladas em dois hospitais do oeste do estado por falta de medicamentos, que não chegaram devido à falta de transporte.  Também no oeste, falta gasolina em 90% dos postos de combustíveis da região. A coleta de leite foi suspensa e algumas indústrias pararam a produção.


Em São Paulo, houve redução de entrega de frutas na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Já foi registrada queda de 10% na entrada de caminhões carregados de frutas, como a maçã, pêra e melancia, vindas da região Sul do Brasil.


Em Minas Gerais, a produção da Fiat foi afetada.  Segundo a empresa, devido à falta de peças que não foram entregues, não é possível retomar a produção, e turnos foram suspensos. No Centro-Oeste do estado está faltando gasolina.  Na mesorregião do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, há filas nos postos de combustíveis. Na quarta-feira, chegou a faltar combustível em estabelecimentos dos dois municípios.  Na Ceasa (Centrais de Abastecimento de MG), a oferta de alimentos caiu e os preços subiram, em média, 7,8%.


No Rio Grande do Sul, diversos setores produtivos estão afetados. Indústrias de laticínios e frigoríficos estão com produção reduzida por falta de matéria-prima.  Os supermercados afirmam que podem faltar produtos nas prateleiras.  Um caminhoneiro que tentou passar por um trecho interditado foi apedrejado na cabeça e está respirando por aparelhos.  Seu caminhão capotou e sua carga (avaliada em R$ 35 mil) foi saqueada.


Já o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do estado (Sindilat-RS) afirma que, se o bloqueio continuar, em um ou dois dias faltará leite no mercado.  Adicionalmente, o maior frigorífico de suínos do estado suspendeu as atividades na manhã de quarta-feira e 3 mil animais deixarão de ser abatidos.


No Mato Grosso, nada menos que dez trechos das BRs 364, 163 e 070 continuavam bloqueados até ontem.  Os caminhoneiros tentam impedir, há quase uma semana, que os veículos de cargas façam o escoamento da produção agrícola.  Os caminhões com combustíveis seguem presos em bloqueios e, nesta quarta-feira, postos de combustíveis amanheceram fechados em cidades do norte do estado.


No Mato Grosso do Sul, veículos com carga perecível e de combustíveis estão sendo bloqueados.


O que querem


O objetivo do protesto dos caminhoneiros é bastante difuso.  Como não há uma liderança específica coordenando todo o movimento, não é possível saber exatamente qual é a lista de exigências.  Mas é possível identificar pelo menos três pedidos claros:


1) Redução do preço do diesel;


2) revisão da Lei 12.619, conhecida como Lei do Descanso, que obriga o caminhoneiro a repousar 11 horas em um prazo de 24 horas e parar por uma hora de refeição.  Os caminhoneiros querem apenas 8 horas de descanso. (Quanto mais horas obrigatórias de repouso, menos eles ganham por mês).


3) aumento do valor do frete;


Sobre reduzir o preço do diesel, que é controlado pelo governo, não há a menor chance de isso acontecer.  Com o balancete destroçado pela corrupção e desesperada para aumentar seu fluxo de caixa, a Petrobras (leia-se: o governo) resolveu apenas jogar a fatura para o consumidor brasileiro.  Em um momento em que os preços do petróleo e seus derivados estão em queda no mundo inteiro, no Brasil estão em alta acentuada, graças à corrupção da estatal monopolista.


Sobre a Lei do Descanso, caso ela não seja revisada, haverá um forte impacto sobre a produtividade e sobre os custos, principalmente em decorrência de uma redução do número de viagens.  Será necessário um redimensionamento na quantidade de motoristas para manter os prazos de entrega, principalmente nas viagens de média e longa distância.  Em tese, novas contratações seriam necessárias, mas isso não será tarefa fácil, pois atualmente o país já vive um grande déficit de motoristas, estimado em cerca de 160 mil profissionais.


O governo simplesmente está desconsiderando as particularidades do país: o tempo perdido nas barreiras fiscais, as péssimas condições das estradas, e os engarrafamentos das cidades.  Com estradas cheias, esburacadas, sem sinalização e sem acostamento, é quase impossível os caminhoneiros desenvolverem uma velocidade padrão e constante que permita se enquadrarem dentro da nova legislação. Viagens que já são demoradas irão se prolongar ainda mais dentro dessa lei.


Uma coisa é impor essas regras na Europa, onde há autoestradas civilizadas, a distância entre as cidades de um mesmo país é muito menor, e há diversas alternativas de transporte (trens são extremamente comuns).  Outra coisa é fazer isso no Brasil, país de dimensões continentais, repleto de estradas inacabadas e precárias, com amplos gargalos na infraestrutura.  Além do maior dispêndio de horas, tanto o empresário quanto o caminhoneiro autônomo terão de arcar com esses custos adicionais gerados exclusivamente pela inépcia e incompetência estatal.  Esses custos mais altos não serão suportados somente pelas empresas do setor; eles terão de ser repassados para o consumidor.


Por último, sobre aumentar o valor do frete, é aí que as coisas ficam extremamente interessantes.


As consequências não-premeditadas das ajudas estatais


Assim como qualquer empreendimento, o transporte rodoviário no Brasil lida com vários custos.


No caso de um caminhoneiro autônomo, ele tem de arcar com o seguro do caminhão, com o IPVA e com o seguro obrigatório, com o combustível, com os pneus, com os lubrificantes, com a manutenção, com o pedágio, com os eventuais danos causados por estradas ruins, e com as eventuais avarias do veículo. (No caso de uma transportadora, além de todos os itens acima, ela também tem de pagar o salário do caminhoneiro e dos seus funcionários.)


Os custos de todos esses itens subiram, e muito, ao longo dos últimos 4 anos.  Em decorrência do súbito enfraquecimento do real perante (quase) todas as moedas do mundo, os preços de todos esses bens e serviços dispararam.  No que tange a moedas, não há muito segredo.  Se uma moeda enfraquece, todos os preços mensurados por ela sobem.  E dado que nos últimos 4 anos o real se esfacelou — desvalorizou-se quase 50% em relação ao dólar —, a carestia vivenciada por todos nós, e pelos caminhoneiros, é inevitável.


Só que, no caso dos caminhoneiros e das transportadoras, houve um ingrediente especial, quase que irônico: por causa de políticas do governo criadas justamente com o intuito de ajudá-los, hoje eles estão em situação delicada.  Seus custos dispararam, mas suas receitas diminuíram.


Para entender o que houve, veja esse trecho revelador dessa reportagem (negrito meu):


Segundo a Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), a redução do valor pago pelo frete entre a safra 2013/14 e a safra 2014/15 foi de aproximadamente 25%.


O diretor executivo a ATC, Miguel Mendes, cita exemplos de preços de frete reduzidos de municípios do Médio-norte de Mato Grosso até o porto de Santos (SP). Partindo de Sorriso, o frete passou de R$ 315 em 2014 para R$ 235 em 2015; de Lucas do Rio Verde, passou de R$ 300 em 2014 para R$ 220 em 2015.


Mendes afirma que o maior número de caminhões disponíveis para o frete foi o principal fator responsável pela queda no preço da atividade, já que muitos empresários e motoristas autônomos conseguiram adquirir seu veículo de carga pelo financiamento do BNDES.


[...]

[...] o empresário Édio Moreira de Castro, tem 60 caminhões atualmente, mas no ano passado sua frota era composta por 80 caminhões. Em uma conta rápida, ele calcula que está tendo prejuízo de cerca de R$ 453 por viagem caso faça um frete de Lucas do Rio Verde para Rondonópolis, com um caminhão de 7 eixos cobrando R$ 70 por tonelada.


Castro aguarda agora uma resposta do governo sobre as reivindicações. "Minha vontade é de vender todos os caminhões, porque do jeito que está a atividade fica inviável, estamos tendo prejuízo e assim vamos à falência", diz.


Trata-se de um perfeito exemplo prático daquilo que a teoria econômica sempre enfatiza: estímulos e benefícios artificiais geram efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobram um preço caro no longo prazo.


Permita-me ser mais claro: o BNDES, por meio de um programa chamado Procaminhoneiro, financia, a juros bem abaixo da SELIC, a compra de caminhões por parte de caminhoneiros autônomos, de empresários individuais e de empresas individuais.  Atualmente, os juros são de 9% ao ano, com prazos de financiamento de até 96 meses, incluída a carência de 6 meses.  No entanto, nos anos de 2010 a 2013, os juros variavam entre módicos 2,5% a até no máximo 7%.


Esses juros baixos, aliados a todos os estímulos dados pelo governo, impulsionaram uma farta compra de caminhões.


O gráfico abaixo mostra os números das vendas mensais de caminhões no Brasil.  Veja como as vendas disparam justamente entre 2010 e 2013:


cewolf.png


Fonte: Banco Central


Muito bem.


Isso é positivo, não?  Afinal, mais caminhões, mais transportes, mais concorrência entre as transportadoras, menores os preços do frete.


O problema é que esse é apenas um lado da história.  Se tudo terminasse aqui, seria ótimo.  Só que, infelizmente, há o outro lado, e as consequências não são boas.


A encrenca começa com a maneira como o BNDES arranja esse dinheiro para emprestar barato aos caminhoneiros e aos empresários.


Originalmente, os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador — fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial).  E os fundos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP.  Sob esse arranjo, o BNDES era uma máquina de redistribuir recursos, mas não era inerentemente inflacionário, pois ele não criava dinheiro.


O problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de 2009.  Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora ele passou a se financiar também via endividamento do Tesouro, o que significa que ele se financia via inflação monetária.


Funciona assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro necessário para fazer todos os empréstimos que o governo quer conceder a seus empresários e grupos favoritos, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos.


E quem compra esses títulos?  Majoritariamente, o sistema bancário.  Como ele compra?  Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias.  Ou seja, a atual forma de financiamento do BNDES é inerentemente inflacionária.  Ela aumenta a quantidade de dinheiro na economia.


O gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos do BNDES, atualmente com um saldo de R$ 638 bilhões.  Observe a guinada ocorrida em meados de 2009, quando essa nova modalidade foi implantada.


bndes1.png


Evolução dos empréstimos concedidos pelo BNDES. A linha vermelha (que foi descontinuada em 2013) representa a soma da linha azul (empresas) com a linha verde (pessoas físicas).


Portanto, além de aumentar o endividamento do governo, este mecanismo utilizado pelo Tesouro para financiar o BNDES também aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  E, como mostra o gráfico acima, desde 2009, o BNDES já jogou mais de R$ 400 bilhões na economia.


(Todos os bancos estatais em conjunto despejaram na economia, nesse mesmo intervalo de tempo, R$ 1,100 trilhão, o que significa que apenas o BNDES responde por quase 40% desse valor).


Além de ter causado uma grande inflação monetária — algo que, por si só, pressiona a carestia —, esse mecanismo de financiamento do BNDES, via endividamento do Tesouro, também ajudou a deteriorar o quadro fiscal do governo.  A dívida bruta está em 63,4% do PIB.  (Para que se tenha uma ideia, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7% do PIB.)


Esse valor da dívida bruta — mais ainda, essa tendência —, além de ameaçar o grau de investimento (investment grade) conferido ao país pela Standard & Poor's, ajudou a acelerar a depreciação do real, o que turbinou ainda mais a inflação de preços.


Portanto, eis o roteiro trágico:


1) o BNDES, com o intuito de estimular a economia, estimular os caminhoneiros, e ajudar o setor de veículos pesados, decidiu conceder empréstimos baratos para que indivíduos autônomos e também transportadoras comprassem caminhões a juros baixos e a várias prestações;


2) ato contínuo, a quantidade de caminhões em circulação aumentou, bem como o número de caminhoneiros autônomos, o que gerou mais concorrência para as transportadoras e para os caminhoneiros autônomos já estabelecidos.  Os preços dos fretes caíram;


3) esses empréstimos concedidos pelo BNDES foram feitos por meio de endividamento do Tesouro, o que deteriorou a situação fiscal do governo (elevou a dívida bruta), e ainda aumentou a quantidade de dinheiro na economia;


4) ambos os efeitos acima desvalorizaram o real e geraram carestia generalizada;


5) como consequência dessa carestia generalizada, os custos operacionais das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos dispararam, mas a maior concorrência no setor — gerada pela maior quantidade de caminhões — impediu um que os custos fossem repassados para o preço do frete, que continuou caindo;


6) a subida do preço do diesel terminou por empurrar de vez o setor à bancarrota


7) com custos crescentes, receitas em queda e total inviabilidade operacional, os caminhoneiros resolveram protestar.


Conclusão: uma medida intervencionista que foi criada com o intuito de ajudar um setor acabou deixando-o próximo da insolvência.


Isso vale de lição para todo e qualquer setor da economia, e também para aqueles que defendem intervenções, subsídios e ajudas estatais a determinados setores: uma aparente benesse governamental pode gerar a própria bancarrota do beneficiado.



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2040



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 27 de Maio de 2018, 12:45:04
Bla bla bla. EUA continuam sendo uma das 20 economias mais livres do mundo.

Deve ser o país mais rico com mais problemas/áreas de IDH de terceiro mundo.

A coisa não deve melhorar com a aceleração da captura regulatória (apesar desta talvez poder ser embalada como "liberdade econômica") e outras bandidagens.

https://www.youtube.com/v/swKA0hAMufU

Citar
[...] “You have someone who was in the middle of the fraud era of DeVry now in charge of enforcing a rule that was designed to do precisely what has just been done to DeVry: to better regulate them and monitor them,” said Tressie McMillan Cottom, an assistant professor of sociology at Virginia Commonwealth University and expert on for-profit colleges.  [...]
https://www.theatlantic.com/education/archive/2017/08/julian-schmoke-for-profit-colleges/538578/

https://www.npr.org/2017/08/16/543876454/in-trumps-government-the-regulated-have-become-the-regulators
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 05 de Junho de 2018, 11:26:57
A mentirinha que contam para nossos pequenos Liberais, por Rogério Maestri


RDMAESTRI


Por Rogério Maestri


Há uma mentirinha que contam para os menininhos liberais brasileiros e os pobrezinhos inocentes úteis ficam repetindo na rede com a maior inocência possível. Qual é? Que não existem estatais nos USA.


Os nossos jovens liberais gostam de citar os USA como um país isento de estatais e inclusive o pessoal de esquerda compra esta informação errada e ficam tentando justificar as estatais brasileiras por outro lado.


Mas vamos então levar uma luz neste assunto.


Primeiro, sendo os Estados Unidos um país com uma federação forte, praticamente as obras feitas pelo governo federal são poucas, ficando assuntos executivos reservados aos estados e municípios.


Segundo, mesmo os USA sendo uma federação forte o governo federal tem suas estatais, e não são pequenas, são imensas, logo vamos citar algumas mostrando que a intervenção no mercado do governo é forte e vigorosa.


AMTRAK – Em vários filmes norte-americanos aparecem pessoas tomando os trens desta companhia, mas ninguém sabe que ela é uma ESTATAL e o que seria um crime no Brasil uma ESTATAL DEFICITÁRIA. Esta estatal foi criada em 1971 para operar o transporte de passageiros por trem e possui atualmente 34.200km de via férrea própria, opera 300 trens por dia e transporta anualmente 31,2 milhões de passageiros por ano (2012).


Foi criada porque as empresas privadas não queriam transportar mais passageiros por ser deficitário, mas diferentemente que no Brasil, o governo Nixon criou a empresa que continua a ser subsidiada até hoje.


Export–Import Bank of the United States - Banco (ou agência) com objetivo de subsidiar exportações Norte-Americanas, inclusive com linhas especiais de crédito para pequenas empresas. Ou seja, enquanto aqui os direitistas recriminam o financiamento a exportação do BNDES lá eles tem até banco para isto.


Farm Credit System – Não é somente um banco que subsidia a agricultura nos Estados Unidos, é todo um sistema de crédito que financia 191 BILHÕES de dólares por ano neste sistema (tem outros). De novo, enquanto querem privatizar o BB para acabar com o crédito agrícola, nos USA eles tem vários sistemas que fazem isto com dinheiro do governo.


Tennessee Valley Authority – Uma das maiores geradoras e distribuidoras de energia elétrica dos Estados Unidos, gera anualmente 35.000 MW/ano (sexto lugar), se somássemos mais a energia gerada pelo U.S. Army Corps of Engineers (21.900MW/ano) e U.S. Bureau of Reclamation (15.000MW/ano), o governo federal norte-americano seria o maior gerador de energia do pais, ficando bem acima do maior grupo privado a Duke Energy (57.000 mW/ano). Além de hidrelétricas a TVA possui geração a carvão, gás e eólicas.


Estão citadas aqui somente algumas das maiores empresas estatais Federais Norte-americanas, porém existem empresas estatais Estaduais e Municipais, um exemplo das Estatais Estaduais é a Alaska Railroad.


O que se vê claramente que toda aquela história dos Estados Unidos não ter empresas públicas é uma grande mentira, pois além destas outras há as que são análogas as empresas de Economia Mista no Brasil, com ações na bolsa e tudo mais.



https://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/a-mentirinha-que-contam-para-nossos-pequenos-liberais-por-rogerio-maestri


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 05 de Junho de 2018, 17:11:16
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 05 de Junho de 2018, 19:32:15
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?
Também quero saber quem são. Pelo jeito são muito numerosos e influentes.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Lorentz em 06 de Junho de 2018, 00:18:51
Eu tenho visto muito falar por aqui dos liberais brasileiros. Quem são eles? Onde vocês tem visto todo esse movimento?
Também quero saber quem são. Pelo jeito são muito numerosos e influentes.

Existem até alguns foristas liberais por aqui, ouvi dizer.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 06 de Junho de 2018, 08:59:37



Tem uns entocados num certo sítio Mises.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 06 de Junho de 2018, 09:03:43
Libertários são erradamente classificados como liberais clássicos (alô Mises Institute...). Mesmo Hayek já disse que os mesmos não entendem de teoria da liberdade. 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 06 de Junho de 2018, 09:32:35
Uma pergunta. De Mises só li O Liberalismo, mas já vi por aqui uns dois, três links onde se acusa Mises de fascista. Seria devido ao capítulo mal lido ou mal compreendido deste livro?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 06 de Junho de 2018, 11:43:18
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“The deeds of the Fascists and of other parties corresponding to them were emotional reflex actions evoked by indignation at the deeds of the Bolsheviks and Communists. As soon as the first flush of anger had passed, their policy took a more moderate course and will probably become even more so with the passage of time” (Mises 1978: 49).

...

“So much for the domestic policy of Fascism. That its foreign policy, based as it is on the avowed principle of force in international relations, cannot fail to give rise to an endless series of wars that must destroy all of modern civilization requires no further discussion. To maintain and further raise our present level of economic development, peace among nations must be assured. But they cannot live together in peace if the basic tenet of the ideology by which they are governed is the belief that one's own nation can secure its place in the community of nations by force alone.

It cannot be denied that Fascism and similar movements aiming at the establishment of dictatorships are full of the best intentions and that their intervention has, for the moment, saved European civilization. The merit that Fascism has thereby won for itself will live on eternally in history. But though its policy has brought salvation for the moment, it is not of the kind which could promise continued success. Fascism was an emergency makeshift. To view it as something more would be a fatal error” (Mises 1978: 51).

While this certainly does not mean that Mises directly supported fascism and fascist ideology (and please note that I am not saying this), his astonishingly positive remarks about fascism in the 1920s cannot be wished away. Frankly, these comments are an utter embarrassment and disgrace to Mises.

Now does all this prove that Mises’s extreme free market economics are wrong, merely on the basis of his contemptibly stupid views on fascism? Of course not. To argue so would be an unsound ad hominem argument, as invalid as the lazy Austrian ad hominem attacks on Keynes (Rothbard’s “Keynes the Man” stands out as a particularly egregious example). But it certainly does not reflect well on Mises’s personal opinions and the morality and consistency of his political views.

MISES AND THE AUSTRO-FASCISM OF DOLLFUSS
An interesting addendum to the post above is Mises’ attitude to the fascist regime that took over Austria in 1933.

[...]

Around March 1934, Mises moved to Geneva, Switzerland, where he taught at the Graduate Institute of International Studies. However, he continued to visit Austria in subsequent years, and still worked part time for the Vienna Chamber of Commerce (Hülsmann 2007: 684). It is claimed that before 1934 Mises had become an adviser to Dollfuss (see Hans-Hermann Hoppe, “The Meaning of the Mises Papers,” Mises.org, April 1997). Even as late as autumn 1937 Mises considered returning to Austria to work for the Austrian Chamber of Commerce full time (Hülsmann 2007: 723), and only finally fled Austria permanently on one of his regular visits in March 1938 before the Nazi takeover. I quote from J. G. Hülsmann’s biography of Mises:

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“Mises later said that it was the growing power of the Nazi party in Austria that prompted him to leave the country. With this remark, he did not refer to the government of Engelbert Dollfuss, which had reintroduced authoritarian corporatism into Austrian politics to resist the socialism of both the Marxist and the Nazi variety. Mises meant the Austrian branch of the National Socialist German Workers Party, which enjoyed strong backing from Berlin and fought a daily battle to conquer the streets of Vienna. Dollfuss’s authoritarian policies were in his view only a quick fix to safeguard Austria’s independence—unsuitable in the long run, especially if the general political mentality did not change” (Hülsmann 2007: 683–684).

If correct, then Mises saw Dollfuss’s fascism in much the same way as Mussolini’s fascism: as an “emergency makeshift.”

http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com/2010/10/mises-on-fascism-in-1927-embarrassment.html
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: AlienígenA em 07 de Junho de 2018, 09:04:46
Esses excertos são do capítulo que mencionei:

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As Razões do Fascismo

Se o liberalismo em nenhum lugar encontrou aceitação completa, o êxito que teve no século XIX chegou, pelo menos, ao ponto de fazer com que alguns dos seus mais importantes princípios fossem aceitos sem contestação. Antes de 1914, mesmo os inimigos mais obstinados e ferozes do liberalismo tiveram de resignar-se a aceitar muitos dos princípios liberais, sem contestação. Mesmo na Rússia, onde uns poucos raios do liberalismo haviam penetrado, os defensores do despotismo czarista, ao perseguirem seus oponentes, tinham, ainda assim, de levar em conta as opiniões liberais da Europa. Durante a Grande Guerra, as partes em conflito das nações beligerantes, mesmo com todo o zelo, tiveram, ainda assim, de usar de certa moderação na luta contra a oposição em sua terra.

Somente quando os sociais democratas marxistas levaram a melhor e tomaram o poder, na crença de que a era do liberalismo e do capitalismo havia passado para sempre, é que desapareceram as últimas concessões que ainda se julgava necessário fazer à ideologia liberal. Os partidos da Terceira Internacional consideram permissíveis quaisquer meios, desde que lhes pareçam úteis na consecução de seus objetivos. Quem não reconhecer, incondicionalmente, todos os seus ensinamentos como os únicos corretos e a eles não se conformarem com toda a lealdade, a seu juízo, sujeita-se à pena de morte. Não hesitam em exterminá-lo e a toda a sua família, inclusive as crianças pequenas, quando e onde for fisicamente possível.

A adesão sincera a uma política de aniquilamento dos adversários e os assassinatos cometidos em sua busca deram origem ao movimento de oposição. Contudo, caíram, de vez, as máscaras dos inimigos não comunistas do liberalismo. Até então, acreditavam que mesmo em luta contra um inimigo odioso era, ainda, necessário respeitar certos princípios liberais. Haviam-se obrigado, mesmo que de modo relutante, a excluir o assassinato da lista de medidas a serem utilizadas em suas lutas políticas. Haviam-se conformado a muitas limitações, na perseguição à imprensa opositora e na censura à palavra. Ora, logo compreenderam que lhes surgiam opositores que não observavam tais recomendações e para quem era lícito toda forma de eliminação do adversário. Os inimigos militaristas e nacionalistas da Terceira Internacional sentiram-se ludibriados pelo liberalismo. O liberalismo, assim pensavam, contivera sua mão, ao desejarem esmagar os partidos revolucionários, quando isto ainda era possível. Se o liberalismo não tivesse impedido, teriam cortado pela raiz, assim acreditavam, os movimentos revolucionários. As ideias revolucionárias enraizaram-se e floresceram, simplesmente porque foi superescrupulosa a tolerância que lhes foi concedida por seus oponentes, cuja força de vontade havia sido enfraquecida pela consideração aos princípios liberais. Se lhes tivesse ocorrido, alguns anos antes, a ideia de que era permissível aniquilar impiedosamente todo o movimento revolucionário, as vitórias que a Terceira Internacional obteve, desde 1917, nunca teriam sido possíveis, porque os militaristas e nacionalistas acreditam que, quando se chega ao ponto de atirar e lutar, são eles próprios os atiradores mais apurados e os guerreiros mais adestrados.

A ideia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome do mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional, exatamente como esta faz contra seus oponentes. A Terceira Internacional visa a exterminar seus adversários e suas ideias, do mesmo modo que o sanitarista luta para exterminar um bacilo pestilento. Não se considera, de modo algum, obrigada aos termos de qualquer pacto que venha a celebrar com seus oponentes e considera permissível todo crime, toda mentira e toda calúnia, na execução de seus planos. Os fascistas, pelo menos em princípio, professam as mesmas intenções. A constatação de que ainda não puderam desvencilhar-se de modo tão cabal como os bolcheviques, russos, de qualquer consideração por noções e ideias liberais e por tradicionais preceitos éticos, deve ser atribuída, tão somente, ao fato de que os fascistas atuam em países nos quais a herança intelectual e moral de milhares de anos de civilização não pode ser destruída num piscar de olhos e não entre povos bárbaros de ambos os lados dos Urais, cuja relação com a civilização nunca foi mais do que a de habitantes predadores da floresta e do deserto, acostumados a se envolverem, de tempos em tempos, em pilhagem de terras civilizadas, na caça à sua presa. Em razão desta diferença, o fascismo nunca conseguirá sucesso tão completo, como o bolchevismo russo, em se livrar, totalmente, de poder das ideias liberais. Foi apenas pela impressão recente, deixada pelos assassinatos e atrocidades perpetrados pelos adeptos dos soviéticos, que os alemães e italianos foram capazes de bloquear a lembrança das tradicionais restrições da justiça e da moralidade e de encontrar incentivo para represálias sangrentas. As ações dos fascistas e de outros partidos que lhe correspondiam eram reações emocionais, evocadas pela indignação com as ações perpetradas pelos bolcheviques e comunistas. Ao passar o primeiro acesso de ódio, a política por eles adotada toma um curso mais moderado e, provavelmente, será ainda mais moderado com o passar do tempo.

 Tal moderação resulta do fato de que os pontos de vista tradicionais do liberalismo continuam a exercer influência inconsciente sobre os fascistas. Mas, por mais longe que isso possa ir, não se deve deixar de reconhecer que a conversão dos partidos de direita às táticas fascistas mostra que a batalha contra o liberalismo produziu êxitos que, há pouco tempo, seriam considerados totalmente inimagináveis. Muitas pessoas aprovam os métodos fascistas, muito embora seu programa econômico seja totalmente antiliberal e a política econômica totalmente intervencionista, porque está longe de praticar o vandalismo que tem caracterizado os comunistas como os arqui-inimigos da civilização. Ainda outros, completamente conscientes do mal que a política econômica fascista encerra, consideram o fascismo, em comparação com o bolchevismo e o sovietismo, pelo menos, um mal menor. Para a maioria de seus defensores públicos e secretos e de admiradores, entretanto, seu poder de atração consiste, precisamente, na violência de seus métodos.

Ora, não se pode negar que o único modo pelo qual alguém possa oferecer resistência efetiva contra assaltos violentos seja por meio da violência. Contra as armas dos bolcheviques, devem-se utilizar, em represália, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isto em questão. O que distingue a tática política liberal da do fascismo não é uma diferença de opinião relativa à necessidade de usar a força armada para resistir a atacantes armados, mas uma diferença na consideração do fundamento do papel da violência na luta pelo poder. O grande perigo que ameaça a política interna na perspectiva do fascismo reside na sua total fé no decisivo poder da violência. Para assegurar o êxito, deve-se estar imbuído da vontade de vencer e de sempre proceder de modo violento. É este o mais alto princípio. O que ocorre, porém, quando um adversário, de modo semelhante, animado pelo desejo de tornar-se vitorioso, também age de modo violento? O resultado é, necessariamente, uma batalha, uma guerra civil. O vitorioso final, a surgir desse conflito, será a facção mais numerosa. A longo prazo, a minoria, mesmo que composta dos mais capazes e enérgicos, não pode resistir à maioria. Por conseguinte permanece sempre a questão decisiva: como obter a maioria para o seu próprio partido? Esta, entretanto, é uma questão puramente intelectual. É uma vitória que somente poderá ser obtida, utilizando-se as armas do intelecto, nunca a força. A supressão de toda oposição pela violência é o caminho mais inadequado para ganhar adeptos para uma causa. O recurso à força bruta (isto é, sem justificativa, no que concerne aos argumentos intelectuais aceitos pela opinião pública) simplesmente faz com que se ganhem novos amigos entre aqueles que se tenta combater. Numa batalha entre a força e a ideia, esta última sempre prevalece. O fascismo pode triunfar, hoje, porque a indignação universal contra as infâmias cometidas pelos socialistas e comunistas lhes concedeu as simpatias de largos círculos. Mas, quando a memória ainda fresca dos crimes dos bolcheviques estiver empalidecida, o programa dos socialistas, de novo, exercerá poder de atração sobre as massas, porque os fascistas nada fazem para combatê-los, a não ser suprimir as ideias socialistas e perseguir quem as divulgue. Se, de fato, quisessem combater o socialismo, deveriam opor-lhe suas ideias. No entanto, há apenas uma ideia que pode, efetivamente, opor-se ao socialismo, isto é, o liberalismo.

Diz-se com frequência, que nada mais incentiva uma causa do que dar-lhe mártires. Isso é mais ou menos correto. O que fortalece a causa de uma facção perseguida não é o martírio de seus adeptos, mas o fato de que são atacados pela, força e não pelas armas do intelecto. A repressão pela força bruta é sempre a confissão da incapacidade de fazer uso do melhor, isto é, das armas do espírito – melhor, porque somente elas prometem o êxito final. É este o erro fundamental de que padecem os fascistas e que, em última análise, causará sua derrocada. A vitória do fascismo em alguns países é apenas um episódio de uma longa série de lutas em torno do problema da propriedade. O próximo episódio será a vitória do comunismo. O último episódio, no entanto, não será decidido pelas armas, mas pelas ideias. São as ideias que agrupam homens em facções que lhes põem armas às mãos e que determinam contra quem e a favor de quem devam ser utilizadas. São apenas elas e não as armas que, em última análise, pesam na balança.

Tanta discussão para a política interna do fascismo! Não merece maiores considerações o fato de que a política externa do fascismo, baseada no reconhecido princípio da força nas relações internacionais, não pode deixar de causar uma série de conflitos internacionais que, necessariamente, destruirão toda a civilização moderna. Para manter e aumentar o atual nível de desenvolvimento econômico, deve-se assegurar a paz entre as nações. Porém, estas não podem viver em paz, se o princípio básico da ideologia que as governa for a crença de que somente pela força se pode assegurar, para si, um lugar na comunidade das nações.

Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.     
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 13:57:43






Manuela D'Ávila derruba mitos do liberalismo econômico | Por que a Apple é tão grande?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 14:16:27






Chutando a escada, de Ha-Joon Chang




Leitura ObrigaHISTÓRIA


Publicado em 10 de ago de 2016


Salve, espectadores. No vídeo de hoje falo sobre esse que é um livro de história econômica da década passada que foi bastante importante e influente. Ele não está isento de críticas, mas o autor faz um estudo de história econômica importante demais para ser ignorado.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 14:18:13



Gosto muito de muitas  mentiras  de muitos   news  liberaus, elas são tão bonitinhas e cativantes.      :biglol:




Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 14:54:15



Gosto muito das mentiras  dos  news  liberaus, elas são tão bonitinhas e cativantes.      :biglol:

O JJ mais uma vez pagando mico idolatrando o fracasso e as mentiras de livros que ele não leu. O livro de Chang é um velho depósito de sofismas-clichê sobre desenvolvimento econômico, mais uma vez explorando contiguidades temporais de forma seletiva: http://ordemlivre.org/posts/o-mito-do-complo-dos-paises-ricos-contra-o-desenvolvimento-dos-paises-pobres
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 14:56:58



Mais lindas mentiras. 

 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 15:01:14
Como mostra artigo clássico de Frankel e Romer, de uma forma geral, a associação entre protecionismo e crescimento econômico é inversa: http://maovisivel.blogspot.com/2018/03/the-new-matrix-reloaded.html?m=1

Para desespero de Chang, D'ávila e o JJ que colhem evidências seletivas para fomentar sua falácia de Cherry picking.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 15:25:08


O “SUCESSO” DA ALEMANHA OCIDENTAL


Em reação à modinha anarcocapitalista, alguns adolescentes resolveram inventar uma modinha “ordoliberal”. É a galera do “vamos ser sensatos e moderados”. “Veja bem, economia de mercado é bom, mas o Estado tem que botar alguns limites”. O exemplo dessas pessoas é a Alemanha do pós-SGM. Segundo eles, a Alemanha era e é ordoliberal, e, portanto, a Alemanha é uma maravilha econômica!


Tudo balela. Ordoliberalismo não é nenhum tipo de meio termo. É fundamentalmente liberalismo hayekiano com supervisão estatal. E tampouco foi o ordoliberalismo o responsável pela reconstrução e subsequente prosperidade da Alemanha. A realidade é muito diferente.


Ao fim da segunda guerra mundial a dívida externa da Alemanha era de 40% do PIB e a dívida interna era de 300% do PIB. Sim, o país estava afundado em dívidas, além de devastado. Inicialmente, para os Aliados, isso estava ótimo. O objetivo inicial era o desmonte total da indústria alemã para transformar o país em mero exportador de commodities, de terceiro mundo, para todos os efeitos.


Só que começou a Guerra Fria. E então se iniciou a disputa entre bloco ocidental e bloco oriental. Parte dessa disputa operava no âmbito da propaganda. Vender o seu modelo para o vizinho como o melhor modelo. E a Alemanha estava ali, no meio do caminho. Até cortado no meio. A Alemanha Oriental era a vitrine do comunismo para o Ocidente. A Alemanha Ocidental era a vitrine do capitalismo para o Oriente.


Assim sendo, era fundamental que a Alemanha Ocidental fosse o país mais estável e próspero possível. Até porque, os EUA estavam apavorados com a possibilidade de revoluções na Europa Ocidental por causa da força dos movimentos sindicais e organizações de esquerda em vários desses países.


Então o que foi feito? Plano Marshall. O equivalente a 14.5 bilhões de dólares foi para a Alemanha. Uma quantia boa (à época do Adenauer o Plano Marshall equivalia a 4% do PIB), mas não foi isso que reconstruiu a Alemanha. O que reconstruiu a Alemanha foram os outros “detalhes” do Plano Marshal. [10]


Fundamentalmente, o “alívio da dívida”. Aproximadamente 90% da dívida pública alemã foi descartada. Parte considerável das reparações, ainda, foi adiada sem prazo e nunca foi paga. Enquanto os outros países europeus, em sua maioria, “largaram” afundados em dívidas que somavam até 200% do PIB, a Alemanha tinha só 20% de seu PIB comprometido por conta da dívida.


Isso significa que o Estado alemão dispunha de recursos muito mais amplos para investir, aplicar e criar benefícios. Além desse sumiço na dívida pública, os credores ainda aceitaram receber o dinheiro em marco alemão, que à época não valia quase nada. Foi imposto um TETO (!) para o pagamento da dívida equivalendo a 5% do valor das exportações (!), um limite para a cobrança de juros (!) e os outros países europeus ainda firmaram compromisso de comprar produtos alemães sempre que possível para auxiliar a recuperação de sua indústria.


Em outras palavras: a Usurocracia Internacional Capitalista abriu uma brecha, soltou a Alemanha de seus grilhões financeiros porque era fundamental que a Alemanha Ocidental desse certo (do outro lado, a URSS também fez todo o possível pela Alemanha Oriental, de modo que é unânime que esse era o melhor país do Pacto de Varsóvia para se viver).


Tirando isso, a Alemanha Ocidental também investiu na manipulação cambial, mantendo por um bom tempo o marco extremamente desvalorizado, de modo a facilitar exportações e dificultar importações. Mesma tática utilizada pelo Japão até hoje. Só que isso é medida protecionista (extremamente sacana) bruta, totalmente por fora de qualquer “liberalismo hayekiano”. [11]


Um terceiro fator fundamental é também fruto do “totalitarismo” e nada tem a ver com qualquer “ordoliberalismo”. Fruto da herança econômica do Terceiro Reich e especialmente dos últimos anos do governo e do ministro Albert Speer; a relação Estado-empresa estava perfeitamente ajustada para a máxima eficiência produtiva. Era uma relação refinada e apurada, imposta pelas necessidades do esforço de guerra, que só é imaginável dentro do totalitarismo e de uma semi-planificação. E a Alemanha Ocidental herdou esse afinamento Estado-empresa, sem os aparatos totalitários anteriores.


Em suma, cancelamento da dívida, adiamento eterno do pagamento de reparações (menos para Israel, judeus, ciganos, etc., claro), teto para gastos anuais com dívida e juros da dívida, teto para incidência de juros da dívida pública, mercado para bens industriais garantido, manipulação cambial, herança econômica totalitária de sincronia Estado-empresa. [12]


E o “ordoliberalismo” nisso tudo? Não existe! Depois de um tempo, aliás, o ordoliberalismo passou a perder influência teórica e hoje está centrado mesmo na Universidade de Freiburg.



http://coletivolute.org/2017/08/destruindo-as-mentiras-liberais-sobre-os-pais-com-alto-idh.html


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 15:54:10
O desespero do JJ continua. Depois de desmentido nos últimos artigos, ele acionou o botão metralhador de textos socialistas, agora passando a palavra para um articulista que elogia o estatismo ao estilo desenvolvimentismo econômico e se refere aos críticos como anarcocapitalistas (o que não é o caso neste fórum sem foristas anarcocapitalistas regulares). Só que crescer no pós-guerra é relativamente fácil; como prevê a teoria econômica, por causa da lei da produtividade  marginal decrescente: a perda de um massivo estoque de capital na guerra faz com que a taxa de crescimento da produtividade do capital se acelere nos períodos subsequentes. Quando se cresce partindo de uma situação fortemente regressiva, o boom é inevitável como um mínimo de competência da política econômica. Nada diferente do que aconteceu na França pós- segunda guerra mundial, por exemplo, como mostra o economista Olivier Blanchard no seu livro-texto Macroeconomia.

Dilma, em grande parte, aplicou, no Brasil, a receita do sucesso sugerida por esse articulista citado pelo JJ. Baixou os juros na marra, expandiu gasto público, incitou desvalorização cambial e liberou o BNDES e outros recursos estatólatras para as as políticas setoriais, e o que colheu em troca? Colapso econômico. É por isso que eu disse que o JJ era idólatra do fracasso... 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 16:06:04







Mas afinal, o que é liberalismo?



Mas Afinal



Publicado em 17 de set de 2017

O que é a doutrina liberal? Será que temos liberais no Brasil?

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 16:23:58





Mas afinal, livre mercado é a solução?


Mas Afinal


Publicado em 22 de jan de 2017


Será que o discurso de livre mercado salvará o Brasil e o mundo?


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Junho de 2018, 17:22:37
"Oba", mais vídeos aleatórios de pessoas que têm câmera dando suas opiniões aleatórias sobre as coisas.

Junto de textos reproduzidos na íntegra sem qualquer comentário, são as coisas que mais "adoro" no fórum.





Só que crescer no pós-guerra é relativamente fácil; como prevê a teoria econômica, por causa da lei da produtividade  marginal decrescente: a perda de um massivo estoque de capital na guerra faz com que a taxa de crescimento da produtividade do capital se acelere nos períodos subsequentes. Quando se cresce partindo de uma situação fortemente regressiva, o boom é inevitável como um mínimo de competência da política econômica. Nada diferente do que aconteceu na França pós- segunda guerra mundial, por exemplo, como mostra o economista Olivier Blanchard no seu livro-texto Macroeconomia.

E o plano Marshall?



Citar
Dilma, em grande parte, aplicou, no Brasil, a receita do sucesso sugerida por esse articulista citado pelo JJ. Baixou os juros na marra, expandiu gasto público, incitou desvalorização cambial e liberou o BNDES e outros recursos estatólatras para as as políticas setoriais, e o que colheu em troca? Colapso econômico. É por isso que eu disse que o JJ era idólatra do fracasso... 

Também aplicou trickle-down economics, desonerando empresas, e distribuindo bolsa-empresário.

http://terracoeconomico.com.br/bndes-e-desoneracoes-como-dilma-transferiu-dinheiro-para-os-ricos
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/09/1678317-dilma-deu-r-458-bilhoes-em-desoneracoes.shtml
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:24:03
"Oba", mais vídeos aleatórios de pessoas que têm câmera dando suas opiniões aleatórias sobre as coisas.

Junto de textos reproduzidos na íntegra sem qualquer comentário, são as coisas que mais "adoro" no fórum.




Que bom que você gosta.   :hihi:


Já eu amo ouvir Liber Lies.   :biglol:


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Junho de 2018, 18:26:47
LIEberals.



"Adoro". Seria interessante um fórum onde só tivesse o JJ e o ex-forista Rhÿan/Libertário. Seria um mirror de mises.org misturado com marx.org, pravda.org, etc.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:27:16
O ... do JJ continua.



Cara, eu faço é rir desse monte de  me#da  liberal (especialmente as mentiras econômicas).   :biglol:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:31:44


Mentiras e mais mentiras é o que saem  desses  esgotos  liberalóides.     :biglol: 



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:32:50


Tem uma farsa liberal que é uma das minhas preferidas. 


 8-)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 18:39:55


Mentiras e mais mentiras é o que saem  desses  esgotos  liberalóides.     :biglol:

JJ, noto você mencionando inúmeras vezes sobre a questão de mentiras libertárias e fazendo pequenos deboches com as palavras Liberal e Liberais.

Pois bem, poderia indicar algum tópico focado nesses mentiras ou mesmo algum artigo analisado e destrinchado, com essas "mentiras absolutas e terríveis" que justifiquem tantas acusações sobre a ideologia Libertária?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:40:32

E o mais legal mesmo é saber que esses libers jamais vão realizar suas fantasias, pois o que manda e que continuará a mandar no mundo são os


Estadões grandes,  poderosos  e  fortes


 8-)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 18:41:32
Caso não haja algum nos aspectos por mim desejados, fique a vontade para trazes a tona tais fatos neste tópico, será interessante, ficarei contente de ver tais informações e futuros debates provenientes delas.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:43:12


Mentiras e mais mentiras é o que saem  desses  esgotos  liberalóides.     :biglol:

JJ, noto você mencionando inúmeras vezes sobre a questão de mentiras libertárias e fazendo pequenos deboches com as palavras Liberal e Liberais.

Pois bem, poderia indicar algum tópico focado nesses mentiras ou mesmo algum artigo analisado e destrinchado, com essas "mentiras absolutas e terríveis" que justifiquem tantas acusações sobre a ideologia Libertária?



Aqui mesmo nesse tópico eu já coloquei algumas.  Mas, sinceramente não estou realmente preocupado com essa ideologia fracassada.


Pois, o mundo é e continuará sendo dos   Estadões .


Quer  "liebers"  gostem ou não. 



  8-)


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 18:44:11

E o mais legal mesmo é saber que esses libers jamais vão realizar suas fantasias, pois o que manda e que continuará a mandar no mundo são os


Estadões grandes,  poderosos  e  fortes


 8-)

Monarquia não se encaixaria nessas características?

Digo, obviamente monarquias antigas, não as poucas que restam atualmente.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:47:19

E o mais legal mesmo é saber que esses libers jamais vão realizar suas fantasias, pois o que manda e que continuará a mandar no mundo são os


Estadões grandes,  poderosos  e  fortes


 8-)

Monarquia não se encaixaria nessas características?

Digo, obviamente monarquias antigas, não as poucas que restam atualmente.




Atualmente   Estadão   USA   e  a  caminho   Estadão   China.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 18:52:50


E mais para frente,   para tristeza   dos "liebers"   :'(   ,   possivelmente teremos um  Estadão  Mundial.



 8-)






Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 18:55:25


E mais para frente,   para tristeza   dos "liebers",   possivelmente teremos um  Estadão  Mundial.



 8-)

Como ocorreria esse Estadão Mundial?

Algum texto para referência?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Junho de 2018, 19:07:22
Os libertardados não percebem que uma vez que a instituição do ESTADÃO existe e detém PODER legítimo sobre todo cidadão, eles só estarão livres apenas na medida exata que o ESTADÃO assim definir, sendo legalmente perseguidos pelo PODER legal caso tomem liberdades maiores que aquelas que o ESTADÃO dá. A menos, é claro, que eles consigam influenciar nas altas esferas do PODER ESTATALZÃO de forma a corrompê-lo em benefício próprio. Nunca poderão derrotar o ESTADÃO porque este tem e sempre terá PODER maior que o seu, e mesmo muitos dos que aparentemente advogam por redução no PODER estatal o fazem de maneira a aumentar o próprio PODER e influência sobre o ESTADÃO e a sociedade, os libertardados comuns incluídos.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 19:48:59
Os libertardados não percebem que uma vez que a instituição do ESTADÃO existe e detém PODER legítimo sobre todo cidadão, eles só estarão livres apenas na medida exata que o ESTADÃO assim definir, sendo legalmente perseguidos pelo PODER legal caso tomem liberdades maiores que aquelas que o ESTADÃO dá. A menos, é claro, que eles consigam influenciar nas altas esferas do PODER ESTATALZÃO de forma a corrompê-lo em benefício próprio. Nunca poderão derrotar o ESTADÃO porque este tem e sempre terá PODER maior que o seu, e mesmo muitos dos que aparentemente advogam por redução no PODER estatal o fazem de maneira a aumentar o próprio PODER e influência sobre o ESTADÃO e a sociedade, os libertardados comuns incluídos.



Excelente !   Nível  Ultra Master Gold Platinum.


 :histeria:


 
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 20:03:44

O ... do JJ continua.


Cara, eu faço é rir desse monte de  me#da  liberal (especialmente as mentiras econômicas).   :biglol:



Mas, confesso que  tem algo que  as  supera,  e  que  são  as   me#das   "libertardads".    Estas são insuperáveis.   :biglol:



   

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 20:10:32
Os libertardados não percebem que uma vez que a instituição do ESTADÃO existe e detém PODER legítimo sobre todo cidadão, eles só estarão livres apenas na medida exata que o ESTADÃO assim definir, sendo legalmente perseguidos pelo PODER legal caso tomem liberdades maiores que aquelas que o ESTADÃO dá. A menos, é claro, que eles consigam influenciar nas altas esferas do PODER ESTATALZÃO de forma a corrompê-lo em benefício próprio. Nunca poderão derrotar o ESTADÃO porque este tem e sempre terá PODER maior que o seu, e mesmo muitos dos que aparentemente advogam por redução no PODER estatal o fazem de maneira a aumentar o próprio PODER e influência sobre o ESTADÃO e a sociedade, os libertardados comuns incluídos.

Duvido que os Liberais (moderados e sensatos) sejam tão inocentes ao ponto de não saberem disso, inclusive, não lembro se foi o Raphael Lima ou o Alexandre Porto (ancap) já bem afirmaram que o sistema é obedecer o Estado ou Sofrer com sua força repressora.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 20:12:09
Duvido que os Liberais (moderados e sensatos) sejam tão inocentes ao ponto de não saberem disso, inclusive, não lembro se foi o Raphael Lima ou o Alexandre Porto (ancap) já bem afirmaram que o sistema é obedecer o Estado ou Sofrer com sua força repressora.


Podem ir para  alguma  micro  micro   nano  nano  liberland. 


 8-)


 


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 20:13:49



E quando bem entender um  Estadão Poderosão Grandão e Fortão   os detonará em nano segundos.


 8-)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Zero em 24 de Junho de 2018, 20:16:22



E quando bem entender um  Estadão Poderosão Grandão e Fortão   os detonará em nano segundos.


 8-)

Nada como o uso da força do Estado pela busca do bem ao cidadão  ::)
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Entropia em 24 de Junho de 2018, 20:20:53
Quanto tempo vao demorar pra perceber que o JJ só é um do contra e gosta de encher o saco dos outros cacoando das ideias e colocando caixa alta nas palavras?

PODEEEEEEEEEEEEEEEEEEERRRR
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 20:23:30
Nada como o uso da força do Estado pela busca do bem ao cidadão  ::)


Pois é,  e só  um Estadão ainda maior e mais forte  supera outro Estadão


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 24 de Junho de 2018, 20:28:49
Quanto tempo vao demorar pra perceber que o JJ só é um do contra e gosta de encher o saco dos outros cacoando das ideias e colocando caixa alta nas palavras?





Cara,  o que mais tem aqui é gente caçoando  de   alguma   ideologia e de seus adeptos   (especialmente de ideologia da esquerda e de adeptos da esquerda).


Inclusive tem gente  que chama esquerdistas  de  tipos de  insetos  asquerosos.  :hmph:   E não vi você criticando isso. Acho que só o Juca já criticou semelhante tipo de coisa.   :|


E de tanto ter que ver esse tipo de coisa o Juca acabou praticamente sumindo daqui.


Então, esse tipo de coisa só é ruim quando se refere a outras ideologias do outro lado ?



 :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?: :?:


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 24 de Junho de 2018, 21:18:32
Chamem o Pinel!
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 22:36:42
O ... do JJ continua.



Cara, eu faço é rir desse monte de  me#da  liberal (especialmente as mentiras econômicas).   :biglol:

Dizer "eu rio disso" é uma ótima dissimulação de um crentão estatólatra posta-e-foge... Previsível...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Johnny Cash em 24 de Junho de 2018, 22:48:28
Fico tempos e tempos fora e volto pra esses tópicos ainda parecendo aqueles habitados pelo Criaturo e o primo dele, que não me lembro o nick.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 24 de Junho de 2018, 23:28:45
Nada como o uso da força do Estado pela busca do bem ao cidadão  ::)


Pois é,  e só  um Estadão ainda maior e mais forte  supera outro Estadão




Depende das possibilidades do uso do PODER, por exemplo, o ESTADÃO americano não pôde derrotar o regime vietnamita que era de um estadinho muito menor, mas ainda assim em condições estratégicas que o conferiam maior PODER em seu perímetro. Com a derrota do ESTADÃO americano, os comunistas cambojanos ficaram LIVRES para exercer seu PODER para perpetrar o genocídio, não só acabando com o sonho de liberdade de muitos ingênuos libeurais, como com suas VIDAS, pífias temporárias existências ante um ESTADO que sobrevive a eles, com PODER incomparavelmente maior que o do reles indivíduo, mesmo que um estado menor e com menor absoluto PODER que o americano.

Eis uma coleção de resquícios daqueles que sonharam confrontar o PODER estatal:

(https://descubrelaverdad.files.wordpress.com/2012/06/pol-pot-coleccionista.jpg)

Os nossos libeurais não estão em melhores chances contra qualquer ESTADÃO atual, a menos talvez que se organizem em uma forma análoga ao do ESTADÃO Islâmico a fim de tomar o PODER, mas as chances são sempre de serem igualmente massacrados. Não adianta choramingar pedindo JUSTIÇA SOCIAL e liberdade para o indivíduo, a menor e mais insignificante minoria, que existe apenas por concessão estatal.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 23:36:11


O “SUCESSO” DA ALEMANHA OCIDENTAL


Em reação à modinha anarcocapitalista, alguns adolescentes resolveram inventar uma modinha “ordoliberal”. É a galera do “vamos ser sensatos e moderados”. “Veja bem, economia de mercado é bom, mas o Estado tem que botar alguns limites”. O exemplo dessas pessoas é a Alemanha do pós-SGM. Segundo eles, a Alemanha era e é ordoliberal, e, portanto, a Alemanha é uma maravilha econômica!


Tudo balela. Ordoliberalismo não é nenhum tipo de meio termo. É fundamentalmente liberalismo hayekiano com supervisão estatal. E tampouco foi o ordoliberalismo o responsável pela reconstrução e subsequente prosperidade da Alemanha. A realidade é muito diferente.


Ao fim da segunda guerra mundial a dívida externa da Alemanha era de 40% do PIB e a dívida interna era de 300% do PIB. Sim, o país estava afundado em dívidas, além de devastado. Inicialmente, para os Aliados, isso estava ótimo. O objetivo inicial era o desmonte total da indústria alemã para transformar o país em mero exportador de commodities, de terceiro mundo, para todos os efeitos.


Só que começou a Guerra Fria. E então se iniciou a disputa entre bloco ocidental e bloco oriental. Parte dessa disputa operava no âmbito da propaganda. Vender o seu modelo para o vizinho como o melhor modelo. E a Alemanha estava ali, no meio do caminho. Até cortado no meio. A Alemanha Oriental era a vitrine do comunismo para o Ocidente. A Alemanha Ocidental era a vitrine do capitalismo para o Oriente.


Assim sendo, era fundamental que a Alemanha Ocidental fosse o país mais estável e próspero possível. Até porque, os EUA estavam apavorados com a possibilidade de revoluções na Europa Ocidental por causa da força dos movimentos sindicais e organizações de esquerda em vários desses países.


Então o que foi feito? Plano Marshall. O equivalente a 14.5 bilhões de dólares foi para a Alemanha. Uma quantia boa (à época do Adenauer o Plano Marshall equivalia a 4% do PIB), mas não foi isso que reconstruiu a Alemanha. O que reconstruiu a Alemanha foram os outros “detalhes” do Plano Marshal. [10]


Fundamentalmente, o “alívio da dívida”. Aproximadamente 90% da dívida pública alemã foi descartada. Parte considerável das reparações, ainda, foi adiada sem prazo e nunca foi paga. Enquanto os outros países europeus, em sua maioria, “largaram” afundados em dívidas que somavam até 200% do PIB, a Alemanha tinha só 20% de seu PIB comprometido por conta da dívida.


Isso significa que o Estado alemão dispunha de recursos muito mais amplos para investir, aplicar e criar benefícios. Além desse sumiço na dívida pública, os credores ainda aceitaram receber o dinheiro em marco alemão, que à época não valia quase nada. Foi imposto um TETO (!) para o pagamento da dívida equivalendo a 5% do valor das exportações (!), um limite para a cobrança de juros (!) e os outros países europeus ainda firmaram compromisso de comprar produtos alemães sempre que possível para auxiliar a recuperação de sua indústria.


Em outras palavras: a Usurocracia Internacional Capitalista abriu uma brecha, soltou a Alemanha de seus grilhões financeiros porque era fundamental que a Alemanha Ocidental desse certo (do outro lado, a URSS também fez todo o possível pela Alemanha Oriental, de modo que é unânime que esse era o melhor país do Pacto de Varsóvia para se viver).


Tirando isso, a Alemanha Ocidental também investiu na manipulação cambial, mantendo por um bom tempo o marco extremamente desvalorizado, de modo a facilitar exportações e dificultar importações. Mesma tática utilizada pelo Japão até hoje. Só que isso é medida protecionista (extremamente sacana) bruta, totalmente por fora de qualquer “liberalismo hayekiano”. [11]


Um terceiro fator fundamental é também fruto do “totalitarismo” e nada tem a ver com qualquer “ordoliberalismo”. Fruto da herança econômica do Terceiro Reich e especialmente dos últimos anos do governo e do ministro Albert Speer; a relação Estado-empresa estava perfeitamente ajustada para a máxima eficiência produtiva. Era uma relação refinada e apurada, imposta pelas necessidades do esforço de guerra, que só é imaginável dentro do totalitarismo e de uma semi-planificação. E a Alemanha Ocidental herdou esse afinamento Estado-empresa, sem os aparatos totalitários anteriores.


Em suma, cancelamento da dívida, adiamento eterno do pagamento de reparações (menos para Israel, judeus, ciganos, etc., claro), teto para gastos anuais com dívida e juros da dívida, teto para incidência de juros da dívida pública, mercado para bens industriais garantido, manipulação cambial, herança econômica totalitária de sincronia Estado-empresa. [12]


E o “ordoliberalismo” nisso tudo? Não existe! Depois de um tempo, aliás, o ordoliberalismo passou a perder influência teórica e hoje está centrado mesmo na Universidade de Freiburg.



http://coletivolute.org/2017/08/destruindo-as-mentiras-liberais-sobre-os-pais-com-alto-idh.html




Citar

(...)

Tamanho

O Plano Marshall não era um programa muito grande em termos financeiros, dado o fato de que grandes partes da Europa foram destruídas e o programa se espalhou por 16 países europeus. De 1948 até 1951 US$ 12,7 bilhões foram gastos no âmbito do Plano Marshall, que em dólares de hoje equivaleria a um pouco mais de US $ 122 bilhões.

Deste montante, a maior parte foi para o Reino Unido (26%) e França (18%). A Alemanha Ocidental recebeu US$ 1,5 bilhões (11%) que foi, provavelmente, apenas suficiente para compensar o progressivo desmantelamento das indústrias e o confisco de patentes alemãs, direitos autorais e marcas comerciais. Em outras palavras: enquanto as forças aliadas continuaram a destruir a base industrial alemã, comprovantes foram enviados à Alemanha para comprar produtos dos Estados Unidos.

(...)

Economia do plano Marshall

Tyler Cowen desmistificou uma série de contos de fadas pertinentes à economia do Plano Marshall. Segundo Cowen, o plano Marshall não foi um fator significativo da recuperação econômica do Europa ocidental. Tyler Cowen afirma que os países que receberam mais ajuda cresceram menos do que os países que receberam menos. Em alguns casos a ajuda dos EUA era problemática de verdade, quando, por exemplo, em vez de equipamentos agrícolas, os EUA entregaram tabaco; e quando o Plano Marshall ajudou a Grã-Bretanha e a França a adquirir equipamento militar a fim de continuarem suas guerras coloniais contra os movimentos de independência.

O político alemão Ludwig Erhard, que praticou sua política de mercado livre em 1948 contra os planos e conselhos foi mais importante para a recuperação alemã do que a ajuda do plano Marshall. O que importava muito mais do que a ajuda financeira era a liberalização econômica, a estabilidade monetária e fiscal relativa (que hoje em dia é falsamente chamada de austeridade) e o lançamento da integração econômica. Não foram os fluxos financeiros em si, mas as condições associadas ao Plano Marshall que foram decisivos para a recuperação europeia: a integração econômica e o livre comércio. O Plano Marshall foi responsável pelos primeiros passos para construir o que mais tarde tornou-se o Mercado Comum e posteriormente a União Europeia.

O efeito do Plano Marshall

É preciso reconhecer que o Marshall foi crucial para a recuperação da Europa. No entanto, foi crucial de maneira bem diferente do que os traficantes de políticas de estímulo sugerem. O Plano Marshall acabou com os planos genocidas que estavam em ação anteriormente. O plano estabeleceu a opção de integração europeia e inaugurou o caminho para a Alemanha Ocidental se tornar um membro respeitado da comunidade da Europa Ocidental. A contribuição mais importante do Plano Marshall foi acabar com a “incerteza do regime” na mesma forma que aconteceu nos Estados Unidos. Mais importante do que os fluxos financeiros foi a restauração da confiança dos empresários, a crença de que investimento iria render e que, em face da miséria absoluta e da destruição, o investimento marginal levaria a enormes lucros. Para o povo alemão, o plano Marshall eliminou o temor de os cidadãos serem empurrados para a pobreza para sempre, e  acendeu a luz da esperança para a prosperidade. Em outras palavras: o plano Marshall, junto com as reformas internas, libertaram o espírito empreendedor. Foi a recuperação da Alemanha que puxou o resto da Europa em direção à prosperidade.

(...)


Fonte: http://ordemlivre.org/posts/o-mito-do-plano-marshall


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 24 de Junho de 2018, 23:37:24
É sempre esperto construir uma narrativa ignorando os dados que mencionei acima, sobretudo o papel da intervenção negativa (subtração de empecilhos a ordem espontânea). Aguardem como resposta do JJ outros textões desenvolvimentistas estatólatras de outros assuntos em 5, 4, 3...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 25 de Junho de 2018, 00:01:38
https://www.youtube.com/v/SVAs1iHrYeM

Sobre o livro dele, "understanding POWER". Chomsky diz que o principal beneficiário foi os EUA.




https://youtube.com/v/pmhkSymKb8A?start=4283&end=4427

Michelle Nunn, CEO da CARE, levanta o aspecto político e psicológico ou "espiritual" como adicional importante ao econômico, no plano Marshall. A população ver os EUA como "bons", salvando-os do sofrimento, em vez de gente que viria para matá-los.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 04 de Julho de 2018, 11:07:39
Atualmente   Estadão   USA   e  a  caminho   Estadão   China.



E quando bem entender um  Estadão Poderosão Grandão e Fortão   os detonará em nano segundos.

 8-)


Caro JJ.

Você abusa no uso deste tipo de linguagem, e com isto cansa - e irrita - os seus interlocutores.

Então vou adverti-lo pela última vez para que pare com isto.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 04 de Julho de 2018, 11:19:11
Atualmente   Estadão   USA   e  a  caminho   Estadão   China.



E quando bem entender um  Estadão Poderosão Grandão e Fortão   os detonará em nano segundos.

 8-)


Caro JJ.

Você abusa no uso deste tipo de linguagem, e com isto cansa - e irrita - os seus interlocutores.

Então vou adverti-lo pela última vez para que pare com isto.



Este post  já foi de vários dias atrás.  Se reparar  eu  já  parei  desde  uma  advertência anterior  de vários dias atrás noutro tópico.  Então, não  é  necessário  reiterar advertência.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Geotecton em 04 de Julho de 2018, 11:25:19
Atualmente   Estadão   USA   e  a  caminho   Estadão   China.


E quando bem entender um  Estadão Poderosão Grandão e Fortão   os detonará em nano segundos.

 8-)


Caro JJ.

Você abusa no uso deste tipo de linguagem, e com isto cansa - e irrita - os seus interlocutores.

Então vou adverti-lo pela última vez para que pare com isto.
Este post  já foi de vários dias atrás.  Se reparar  eu  já  parei  desde  uma  advertência anterior  de vários dias atrás noutro tópico.  Então, não  é  necessário  reiterar advertência.

Ok.

Ótimo que você alterou o seu comportamento.

Mas como foi uma advertência e não uma punição, mantenho o que foi escrito.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 07 de Julho de 2018, 14:33:14

Liberalismo puro é a incivilização, diz Alckmin


Apontado como pré-candidato à Presidência no ano que vem, governador de São Paulo tenta resgatar os valores originais social-democratas do PSDB apostando no investimento em políticas sociais

 
         
Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 14h10

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apontado como pré-candidato do PSDB à Presidência da República, disse, em encontro com o grupo tucano PSDB Esquerda Pra Valer, na quinta-feira, 19, que o “liberalismo completo” se contrapõe aos príncípios civilizatórios.

“O laissez-fair, o liberalismo completo, é a incivilização. Porque é o grande comer o pequeno. O rico esmaga o pobre”, disse o governador.


Conforme o Estado noticiou, Alckmin tenta resgatar os valores originais social-democratas do PSDB apostando no investimento em políticas sociais. Os objetivos são se distinguir de pré-candidatos com discursos de direita como o prefeito João Doria (PSDB), o ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e herdar os votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso o petista seja impedido de disputar as eleições do ano que vem.


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) Foto: Felipe Rau/Estadão
No encontro da semana passada, o governador falou claramente em social-democracia e destacou a importância de buscar o equilíbrio entre a economia de mercado e os programas sociais.

“Não tem economia moderna sem consumo nem salário ou renda. Não existe isso. Nós temos que ter um foco na inovação e outro na questão social. Aí vem a social-democracia”, disse Alckmin.

Segundo o governador, a política de livre mercado pura “contrapõe a questão civilizatória”.

“Você contrapõe a questão civilizatória porque você tem que ter regras de convício social. O grande não pode pisar em cima do pequeno. Tem que ter um mínimo de regras”, afirmou.

Depois de 13 anos à frente do governo de São Paulo, Alckmin iniciou um movimento calculado de volta às origens. De olho no voto petista em um eventual segundo turno presidencial sem a participação do ex-presidente Lula, o tucano tem reforçado o discurso socialdemocrata e intensificado programas e obras direcionados a eleitores mais pobres, que tradicionalmente não votariam em um candidato de direita.

A estratégia está alinhada com o perfil do eleitorado que Alckmin deseja ampliar seu alcance. Segundo a última pesquisa Datafolha, 43% das pessoas que revelam intenção em votar no governador paulista já se concentram na faixa de renda mais baixa, de até dois salários mínimos.

Na semana passada, em meio ao polêmico anúncio feito por Doria de que passaria a produzir e distribuir aos pobres um granulado nutricional feito a partir de alimentos próximos do prazo de validade que seriam descartados pela indústria ou comércio - em ação criticada oficialmente pelo Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo -, militantes tucanos pró-Alckmin começaram a compartilhar, via WhatsApp, notícias sobre o Programa Bom Prato, que comemora 17 anos. O comentário geral era que enquanto o governo estadual serve pratos com arroz, feijão, salada, carne e fruta, por R$ 1, Doria dá “ração humana”.

O discurso socialdemocrata de Alckmin recebeu aplausos entusiasmados da platéia que contou com a presença do presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, os deputados federais Eduardo Barbosa (MG) e Otávio Leite (RJ), os deputados estaduais de São Paulo Antonio de Sousa Ramalho e Carlos Bezerra Jr., o prefeito de Aguaí Alexandre Araújo, a vereadora paulistana Patrícia Bezerra, e o ex-ministro do trabalho Walter Barelli, além do coordenador do movimento PSDB Esquerda Pra Valer, Fernando Guimarães.


https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,liberalismo-puro-e-a-incivilizacao-diz-alckmin,70002057176

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 07 de Julho de 2018, 16:34:20
SOCIALISTAS FABIANOS TIRANDO AS MÁSCARAS E REVELANDO A VERDADEIRA FACE COMUNISTA!!!!!!!!11

NOSSO BOM DEUS NÃO PERMITIRÁ QUE ELES SE ELEJAM E CONTINUEM PROMOVENDO O COMUNISMO E O GLOBALISMO NO PAÍS, OS PLANOS ATEUS DA ONU HÃO DE SER FRUSTRADOS POR TRUMP E BOLSONARO!!!11111111

CHEGA DE COMUNISMO!!!1 CHEGA DE IDEOLOGIA DE GÊNERO!!!1111

ESTÁ NA HORA DE RE-INVERTER OS VALORES!!!!!1111 QUE OS COMUNISTAS QUEIMEM NO INFERNO E QUE DEUS ABENÇOE A TODOS OUTROS!!111111
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 09 de Julho de 2018, 23:31:00
Eu lembrei da proposta de desnacionalização do dinheiro por meio de moedas privadas de Friedrich Hayek, que dizia ter perdido a esperança de ter segurança na responsabilidade dos governos de proteger o poder de compra da moeda local. Eu percebi que, ao contrário do que muitos pensam, essa não é uma ideia jamais experimentada. A Suíça que o diga:

Citar
No século 19, diversos cantões adotaram o free banking (sistema bancário inteiramente desregulamentado), onde a livre entrada, circulação e emissão de moeda privada eram permitidos mas, com a nova regulação bancária de 1881, tal sistema foi extinto.[3] [4]

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Su%C3%AD%C3%A7a

Ademais, no mundo contemporâneo recente, a ideia de o banco central ter concorrência também já foi testada:

Citar

Desde o ano 2000, todos os peruanos são livres para utilizar duas moedas que concorrem entre si: o nuevo sol peruano e o dólar americano.  Essas duas moedas são de livre circulação no país, o que significa que, na prática, o país está sob um sistema de moedas paralelas e concorrenciais.

(...)
E os resultados para o Peru têm sido espetaculares: ao longo dos últimos 10 anos, a taxa média anual de inflação de preços, em termos de sois, foi de apenas 2,5%. (A do Brasil, neste mesmo período, foi de 6,5%.)

Fonte: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

O Zimbábue, que já passou por uma hiperinflação há não muito tempo, também adotou uma solução semelhante a do Peru.

Citar
A Economia do Zimbabwe sofreu com severa hiperinflação até 2009, apresentando quedas do Produto Interno Bruto sucessivas durante anos. A sua moeda até a época, o Dólar zimbabuano, representada pela símbolo Z$, desvalorizava-se a taxas oficiais de 4500% ao mês,[4] e extra-oficiais de 9000%. Em 2009 o país adotou o dólar americano como moeda, além de permitir o uso de moedas dos países vizinhos, como o pula de Botswana e o rand da África do Sul.[3]

(...)

Estatísticas

Inflação (IPC)   8,3% (2012)

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_do_Zimbabwe

Ademais, ao longo de diferentes séculos e milênios, a humanidade testou o sistema monetário do padrão-ouro de forma espontânea. Seria interessante saber o que aconteceria se, ao invés de a solução peruana do duopólio "moeda do BC local/dólar americano" existir, fosse testado um duopólio "moeda do BC local/moeda privada com lastro em ouro".
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 10 de Julho de 2018, 14:27:55
Se não me engano, Hayek tinha uma visão que destoa um pouco de muitos libertários atuais sobre isso de moedas concorrentes, preferindo um controle mais restritivo de emissão de moeda (e crédito?), argumentando algo nas linhas de que o interesse da "casa da moeda privada" e de bancos será sempre de aumentar a emissão de moedas (e/ou crédito). :hein:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 10 de Julho de 2018, 19:59:41
Se não me engano, Hayek tinha uma visão que destoa um pouco de muitos libertários atuais sobre isso de moedas concorrentes, preferindo um controle mais restritivo de emissão de moeda (e crédito?), argumentando algo nas linhas de que o interesse da "casa da moeda privada" e de bancos será sempre de aumentar a emissão de moedas (e/ou crédito). :hein:
Hayek e Friedman defendiam um controle forte na emissão da moeda para evitar inflação.* Mas isso não impede que Hayek fosse favorável a modelos de concorrência monetária, desde que a emissão de tais moedas acompanhassem a demanda.

https://www.margaretthatcher.org/document/114503



Huxley, esse modelo peruano não é similar ao argentino adotado por Menem nos anos 1990?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Julho de 2018, 22:12:57
Se não me engano, Hayek tinha uma visão que destoa um pouco de muitos libertários atuais sobre isso de moedas concorrentes, preferindo um controle mais restritivo de emissão de moeda (e crédito?), argumentando algo nas linhas de que o interesse da "casa da moeda privada" e de bancos será sempre de aumentar a emissão de moedas (e/ou crédito). :hein:
Hayek e Friedman defendiam um controle forte na emissão da moeda para evitar inflação.* Mas isso não impede que Hayek fosse favorável a modelos de concorrência monetária, desde que a emissão de tais moedas acompanhassem a demanda.

https://www.margaretthatcher.org/document/114503



Huxley, esse modelo peruano não é similar ao argentino adotado por Menem nos anos 1990?

O modelo cambial argentino dessa época que você se refere era o currency board. A taxa de câmbio peso argentino/dólar ficava constante em 1,00, o que caracterizava regime de câmbio fixo puro. Já no Peru, em 2002, adotou-se a flutuação, que passou a ser administrada, e não mais independente. Um peruano poder usar livremente dólar ao invés de Novo Sol não significa que a taxa de câmbio seja fixa ou rígida. O caso do Peru é considerado regime cambial flexível e há regime de metas de inflação lá. Já o regime de câmbio fixo puro significa o fim da discricionariedade na política monetária; a variação da base monetária é completamente passiva.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Gauss em 10 de Julho de 2018, 22:22:30
Se não me engano, Hayek tinha uma visão que destoa um pouco de muitos libertários atuais sobre isso de moedas concorrentes, preferindo um controle mais restritivo de emissão de moeda (e crédito?), argumentando algo nas linhas de que o interesse da "casa da moeda privada" e de bancos será sempre de aumentar a emissão de moedas (e/ou crédito). :hein:
Hayek e Friedman defendiam um controle forte na emissão da moeda para evitar inflação.* Mas isso não impede que Hayek fosse favorável a modelos de concorrência monetária, desde que a emissão de tais moedas acompanhassem a demanda.

https://www.margaretthatcher.org/document/114503



Huxley, esse modelo peruano não é similar ao argentino adotado por Menem nos anos 1990?

O modelo cambial argentino dessa época que você se refere era o currency board. A taxa de câmbio peso argentino/dólar ficava constante em 1,00, o que caracterizava regime de câmbio fixo puro. Já no Peru, em 2002, adotou-se a flutuação, que passou a ser administrada, e não mais independente. Um peruano poder usar livremente dólar ao invés de Novo Sol não significa que a taxa de câmbio seja fixa ou rígida. O caso do Peru é considerado regime cambial flexível e há regime de metas de inflação lá. Já o regime de câmbio fixo puro significa o fim da discricionariedade na política monetária; a variação da base monetária é completamente passiva.
Ah, ok. Esclarecido. :ok:
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Julho de 2018, 22:24:28
Se não me engano, Hayek tinha uma visão que destoa um pouco de muitos libertários atuais sobre isso de moedas concorrentes, preferindo um controle mais restritivo de emissão de moeda (e crédito?), argumentando algo nas linhas de que o interesse da "casa da moeda privada" e de bancos será sempre de aumentar a emissão de moedas (e/ou crédito). :hein:

Toda a opinião de Hayek sobre isso está toda exposta num livro que ele escreveu sobre o assunto: https://mises-media.s3.amazonaws.com/Denationalisation%20of%20Money%20The%20Argument%20Refined_5.pdf?file=1&type=document

Uma análise do resumo da opinião dele expressa no livro mostra que sua posição é considerada mais radical até do que a de Rothbard: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=232
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 10 de Julho de 2018, 23:18:11
Saiu uma reportagem na Scientific American Brasil de março de 2018 sobre o surgimento de uma criptomoeda chamada TradeCoin. Diferentemente do Bitcoin, que não tem valor intríseco, ela é uma criptomoeda que tem lastro em um cesta de bens fornecidas por patrocinadores.

Tim Harford apresenta uma ideia interessante sobre o Bitcoin no livro O Economista Clandestino Ataca Novamente!. O Bitcoin não é moeda. Isso acontece porque ele não cumpre o papel de unidade de conta, que é ser o referencial das trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas. Você não vê gente por aí mencionando nível ou variação de preços de importantes bens em Bitcoins. Isso acontece porque o Bitcoin, durante toda a sua história, foi e ainda é um ativo muito volátil. Portanto, ele é melhor descrito como um ativo de risco. Se ele é um bom investimento ou não, aí é outra história.


Vejam que o artigo de Robert Murphy do Instituto Mises trata de uma solução de mercado imaginada que é semelhante a da criptomoeda TradeCoin. A TradeCoin conseguiria sucesso naquilo que o Bitcoin fracassou até o presente momento, que é cumprir o papel de unidade de conta. Não sei como andam os esforços para por o plano em prática atualmente.

Apesar do domínio histórico do ouro no papel de moeda, é interessante notar que Harford observou que a moeda estatal dólar conseguiu cumprir o papel de unidade de conta melhor até do que o ouro em tempos recentes. Contribuiu para isso o fim do padrão ouro na economia internacional. Há quem atribua certos problemas macroeconômicos enfrentados por determinados países-potências no passado ao padrão ouro, o que supostamente explicaria seu abandono. Harford foi uma dessas pessoas.

Portanto, a resposta sobre "Qual é o melhor sistema monetário?" não me parece óbvia. Minha utopia seria que moeda estatal forte (dólar, euro), moeda privada lastreada em ouro e moeda privada estilo "TradeCoin" entrassem em competição até que o teste do tempo eliminasse a dúvida sobre qual é o sistema superior.
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 22 de Julho de 2018, 17:31:34

Carga tributária como percentual do PIB (2012, Heritage)


Bolívia   27.0

Brasil   34   

Nova Zelândia   34.5   

Paraguai   12.0

Peru   15.1

Chile   18.6

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_carga_tribut%C3%A1ria



Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Julho de 2018, 08:27:39
Frentistas pedem arquivamento de projeto que libera bombas de autosserviço nos postos
   

Rodrigo Baptista | 07/12/2015, 12h54 - ATUALIZADO EM 08/12/2015, 08h41

Proposições legislativas
PLS 407/2014


Cerca de 500 mil frentistas serão demitidos caso se torne lei proposta que prevê a instalação de bombas de autosserviço nos postos de abastecimento de combustíveis. A estimativa foi apresentada por representantes dos trabalhadores nesta segunda-feira (7) durante audiência pública promovida pela Comissão dos Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Eles pedem que o Projeto de Lei do Senado (PLS) 407/2014, do senador Blairo Maggi (PR-MT), que propõe a mudança, seja arquivado.


Os frentistas também reivindicam a condição da aposentadoria especial para a categoria, revogada no governo do  presidente Fernando Henrique Cardoso. O caráter especial daria aos frentistas o direito de se aposentar aos 25 anos de serviço, ao invés dos 35 anos como determina a lei.

O objetivo do senador ao apresentar o projeto foi modernizar a atividade no país, trazendo tecnologia que permita o autoatendimento em postos de combustíveis, com potencial redução de custos para o consumidor. Durante a reunião, o chefe do gabinete do senador Blairo Maggi, Coaraci Castilho, sinalizou que a proposta pode ser revista.

— O senador Blairo Maggi vai se reunir com o relator [ na Comissão de Infraestrutura] Wilder Morais (PP-GO) para que possamos definir qual o caminho que esse projeto poderá seguir. O senador Blairo Maggi, com sua sensibilidade, vai analisar esse projeto para que todos continuem trabalhando no seu devido posto, que é o que vocês querem. Tenho certeza de que vamos chegar a um denominador comum — disse Castilho.

Segundo Castilho, o projeto foi pensado em um momento em que a economia estava aquecida e o desemprego em baixa.

Funções


O presidente da Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Fepospetro), Luiz de Souza Arraes, afirmou que a medida “visa única e exclusivamente aumentar o lucro de quem já lucra muito”. O secretário de Relações Institucionais da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Miguel Salaberry Filho, pediu a imediata retirada do projeto:


— Para que mudar uma lei e desempregar 500 mil trabalhadores? — questionou.

O presidente da Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), Francisco Soares de Souza, argumentou que a bomba de autosserviço não é capaz de desempenhar todas as funções dos frentistas:

— Ela vai na verdade colocar os donos dos veículos para trabalhar no lugar dos frentistas. Se existisse uma tecnologia que abastecesse, olhasse o óleo, verificasse a bateria, o pneu, e desse a assistência necessária, aí sim seria uma tecnologia de ponta — avaliou.

Riscos
Francisco Soares e outros frentistas abordaram ainda os riscos da atividade como a exposição a substâncias inflamáveis e recorrentes assaltos:

— Esse projeto passa o risco da atividade para o consumidor. Hoje, acabou de ser assassinado um frentista no Ceará em razão de um assalto — relatou o presidente do Sindicato dos Frentistas do Ceará (Sinpospetro-CE), Ardiles Arrais.

O senador Telmário Motta (PDT-RR), que presidiu a reunião, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que sugeriu a realização do debate, apoiaram a posição dos frentistas. Eles creem que o senador Blairo Maggi reverá sua posição:

— Ele não apresentou o projeto obviamente para prejudicar o trabalhador. Ele ouviu alguns setores e considerou que o projeto poderia beneficiar a sociedade de alguma forma — disse Gleisi.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/12/07/frentistas-pedem-arquivamento-de-projeto-que-libera-bombas-de-autosservico-nos-postos
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Julho de 2018, 08:31:04

"O presidente da Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Fepospetro), Luiz de Souza Arraes, afirmou que a medida “visa única e exclusivamente aumentar o lucro de quem já lucra muito”.


Para o  sujeito a ação de aumentar o lucro é algo errado,  para ele o Estado tem que regular o quanto de  lucro a atividade pode proporcionar.


Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 26 de Julho de 2018, 11:32:51

"O presidente da Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Fepospetro), Luiz de Souza Arraes, afirmou que a medida “visa única e exclusivamente aumentar o lucro de quem já lucra muito”.


Para o  sujeito a ação de aumentar o lucro é algo errado,  para ele o Estado tem que regular o quanto de  lucro a atividade pode proporcionar.




Algumas falácias econômicas parecem imortais de tão velhas que são: http://maovisivel.blogspot.com/2017/12/o-cobrador.html?m=1
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 26 de Julho de 2018, 12:55:49

"O presidente da Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Fepospetro), Luiz de Souza Arraes, afirmou que a medida “visa única e exclusivamente aumentar o lucro de quem já lucra muito”.


Para o  sujeito a ação de aumentar o lucro é algo errado,  para ele o Estado tem que regular o quanto de  lucro a atividade pode proporcionar.




O lucro deve ser a única prioridade em uma sociedade?
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: JJ em 26 de Julho de 2018, 13:35:32

"O presidente da Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Fepospetro), Luiz de Souza Arraes, afirmou que a medida “visa única e exclusivamente aumentar o lucro de quem já lucra muito”.


Para o  sujeito a ação de aumentar o lucro é algo errado,  para ele o Estado tem que regular o quanto de  lucro a atividade pode proporcionar.


O lucro deve ser a única prioridade em uma sociedade?


O  "deve"  já pressupõe a adoção de  alguma ética do dever.  Uma sociedade através de seu sistema político escolhe qual sistema ou quais partes de quais  sistemas éticos (pode ser uma mistura)  ela irá utilizar para fazer o seu sistema legal.

De forma mais sucinta,   é  a  atividade  política  que dirá o que  a sociedade  (aqui entendida como Estado, já que estamos fazendo referência a leis) deve ou não priorizar.

Título: Re:Liberalismo
Enviado por: -Huxley- em 26 de Julho de 2018, 13:41:30
"Dilema 'Ou o lucro ou os empregos'"?!?! O presidente da Fepospetro...
Título: Re:Liberalismo
Enviado por: Buckaroo Banzai em 27 de Julho de 2018, 21:26:38