Forum Clube Cetico

Discussões => História, Sociedade, Comportamento e Filosofia => Tópico iniciado por: Skeptikós em 07 de Agosto de 2017, 22:12:22

Título: Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 07 de Agosto de 2017, 22:12:22
Citar
Resumo
Eu valorizo a diversidade e a inclusão, e não estou negando que o sexismo existe, e não endosso o uso de estereótipos. Ao lidar com a lacuna de representação da população, precisamos olhar diferenças a nível populacional nas distribuições. Se não pudermos ter uma discussão honesta sobre isso, então nunca resolveremos verdadeiramente o problema. A segurança psicológica é construída sobre o respeito mútuo e a aceitação, mas infelizmente nossa cultura da reprimenda e da deturpação do que foi falado é desrespeitosa e intolerante a qualquer um fora de sua bolha. Apesar do que a reação pública parece ter sido, recebi muitas mensagens pessoais de companheiros de trabalho da Google expressando sua gratidão por eu ter trazido à tona essas questões muito importantes, com as quais eles concordam mas nunca teriam coragem de dizê-lo ou defendê-las por causa da nossa cultura da reprimenda e da possibilidade de serem demitidos. Isso precisa mudar.

  • O viés político da Google igualou a liberdade de não ser ofendido à segurança psicológica, mas reprimir as pessoas ao silêncio é a antítese da segurança psicológica.
  • Esse silenciamento criou uma bolha ideológica onde as mesmas ideias são sagradas demais para serem discutidas honestamente.
  • A falta de discussão alimenta os elementos mais extremos e autoritários dessa ideologia.
  • Extremo: todas as disparidades na representação são devidas à opressão
  • Autoritário: devemos discriminar para corrigir essa opressão
  • Diferenças entre distribuições de características entre homens e mulheres podem explicar em parte (http://xibolete.uk/sexo-cerebral) por que não temos 50% de representação de mulheres na tecnologia e na liderança. A discriminação para atingir a representatividade igual é injusta, polarizadora e ruim para os negócios.

Background [1]
As pessoas geralmente têm boas intenções, mas todos nós temos vieses que são invisíveis para nós. Felizmente, a discussão aberta e honesta com aqueles de quem discordamos pode revelar nossos pontos cegos e nos ajudar a crescer, e é por isso que eu escrevi este documento.[2] A Google tem vários vieses e a discussão honesta sobre esses vieses está sendo silenciada pela ideologia dominante. O que está a seguir não é nem de longe a história completa, mas é uma perspectiva que precisa desesperadamente ser contada dentro da Google.

Os vieses da Google
Na Google, falamos tanto sobre o viés inconsciente em raça e gênero, mas raramente discutimos nossos vieses morais. A orientação política é na verdade um resultado de preferências morais profundas e, dessa forma, tendenciosidades. Considerando que a esmagadora maioria das ciências sociais, da mídia e da Google pende para a esquerda, devemos examinar criticamente esses preconceitos.

Vieses de esquerda
  • Compaixão pelos fracos
  • Disparidades são devidas a injustiças
  • Humanos são inerentemente cooperativos
  • A mudança é boa (instabilidade)
  • Aberta
  • Idealista

Vieses de direita
  • Respeito pelos fortes/autoridades
  • Disparidades são naturais e justas
  • Humanos são inerentemente competitivos
  • A mudança é perigosa (estabilidade)
  • Fechada
  • Pragmática

Nenhuma das duas está 100% correta e ambos os pontos de vista são necessários para uma sociedade funcional ou, neste caso, uma empresa funcional. Uma empresa que esteja muito profundamente na direita pode ser lenta para reagir, hierárquica demais, e pode confiar muito pouco nos outros. Em contraste, uma empresa que esteja muito profundamente na esquerda estará constantemente em mudança (desativando serviços muito amados), diversificará em demasia seus interesses (ignorando ou tendo vergonha de seu principal negócio), e confiará demais em seus empregados e competidores.

Somente os fatos e a razão podem lançar luz sobre esses vieses, mas no que diz respeito à diversidade e à inclusão, o viés de esquerda da Google criou uma monocultura politicamente correta que se mantém pela reprimenda aos discordantes, empurrados ao silêncio. Esses silêncio retira qualquer fiscalização contra políticas invasivas, extremistas e autoritárias. Para o resto deste documento, vou me concentrar na posição extrema de que todas as diferenças de resultados são devidas ao tratamento diferencial e no elemento autoritário que é necessário para na verdade discriminar para criar igual representação.

Um possível não-viés causa a lacuna de gêneros na tecnologia [3]
Na Google estamos ouvindo constantemente que os vieses implícitos (inconscientes) e explícitos estão prejudicando as mulheres na tecnologia e na liderança. Evidentemente, homens e mulheres vivenciam viés, tecnologia e o ambiente de trabalho de formas diferentes e devemos estar cientes disso, mas essa não é a história completa.

Em média, homens e mulheres são biologicamente diferentes de muitas formas (http://xibolete.uk/sexo). Essas diferenças não são apenas construção social, porque:

  • São universais (http://xibolete.uk/sexo-cerebral) nas culturas humanas
  • Amiúde têm causas biológicas claras e ligações à testosterona pré-natal
  • Pessoas biologicamente masculinas que foram castrados ao nascer e criados como meninas frequentemente ainda se identificam e agem como meninos
  • As características subjacentes são altamente herdáveis
  • Elas são exatamente o que preveríamos de uma perspectiva da psicologia evolutiva

Notem que eu não estou dizendo que todos os  homens são diferentes das mulheres das seguintes maneiras ou que essas diferenças são “justas”. Estou simplesmente afirmando que a distribuição de preferências e habilidades de homens e mulheres diferem em parte devido a causas biológicas e que essas diferenças podem explicar por que não vemos representação igual de mulheres na tecnologia e na liderança. Muitas dessas diferenças são pequenas e há uma intersecção significativa entre homens e mulheres, então não se pode dizer nada sobre um indivíduo dadas essas distribuições em nível populacional.

Diferenças de personalidade
Mulheres, em média, têm mais:

  • Abertura direcionada a sentimentos e estética em vez de ideias. As mulheres geralmente também têm um interesse maior em pessoas do que em coisas, relativamente aos homens (o que também é interpretado como empatia vs. sistematização).
  • Essas duas diferenças explicam em parte por que as mulheres preferem relativamente empregos em áreas sociais e artísticas. Pode ser que mais homens gostem de programação porque ela requer a sistematização e, mesmo dentro da engenharia de sofware [SWE], mais mulheres, comparativamente, trabalham com interface de usuários [front end], que lida tanto com pessoas quanto com estética.
  • Extroversão expressada como sociabilidade [gregariousness] em vez de assertividade. Também maior agradabilidade [agreeableness]. [N. do T.: são termos técnicos da psicologia da personalidade.]
  • Isso leva as mulheres a geralmente terem mais dificuldade de negociar salário, pedir por aumentos, serem assertivas e liderarem. Notem que essas são apenas diferenças em média e há intersecção entre homens e mulheres, mas isso é visto como apenas um problema das mulheres. Isso leva a programas excludentes como o Stretch [programa de metas de ação afirmativa interno à Google] e a muitos homens sem apoio.
  • Neuroticismo [termo técnico entre os “big five” componentes de personalidade] (maior ansiedade, menor tolerância a estresse). Isso pode contribuir para os níveis mais altos de ansiedade que as mulheres relatam no Googlegeist [programa de bem-estar de funcionários] e para o menor número de mulheres em empregos de alto estresse.

Notem que, ao contrário do que defenderia um construcionista social, as pesquisas sugerem que “maior igualdade de gênero no nível nacional leva a dissimilaridade psicológica entre as características de personalidade de homens e mulheres”. Porque quando “a sociedade se torna mais próspera e mais igualitária, as diferenças de propensões inatas entre homens e mulheres têm mais espaço para se desenvolverem, e a lacuna que existe entre homens e mulheres em sua personalidade se torna mais larga”. Precisamos parar de presumir que lacunas de gênero indicam sexismo.

Motivação por status maior em homens
Sempre nos perguntamos por que não vemos mulheres em posições altas de liderança, mas nunca nos perguntamos por que vemos tantos homens nesses empregos. Essas posições muitas vezes demandam horas longas e estressantes que podem não valer a pena se você quer uma vida equilibrada e satisfatória.

O status é a principal medida sob a qual os homens são julgados[4], empurrando muitos homens para esses empregos que pagam muito bem mas são menos satisfatórios, por causa do status que eles dão. Notem, as mesmas forças que levam homens a empregos lucrativos/estressantes na tecnologia e na liderança fazem com que os homens aceitem empregos indesejáveis e perigosos como mineração de carvão, coleta de lixo e combate a incêndios, e eles sofrem 93% das mortes relacionadas a trabalho.

Formas não-discriminatórias de reduzir a lacuna de gênero
Abaixo tratarei de algumas das diferenças na distribuição de características entre homens e mulheres às quais aludi na seção anterior, e sugerir formas de lidar com essas diferenças para aumentar a representação das mulheres na tecnologia sem recorrer à discriminação. A Google já está trabalhando em muitas dessas áreas, mas eu penso que ainda é instrutivo listá-las:

  • As mulheres em média apresentam um interesse maior em pessoas, e os homens em coisas
  • Podemos fazer a engenharia de software mais voltada a pessoas com programação em pares e mais colaboração. Infelizmente, pode haver limites ao quão voltadas a pessoas podem ser certas tarefas e a Google, e não deveríamos mentir para nós mesmos ou para estudantes que não é assim (alguns dos nossos programas para atrair estudantes mulheres para a programação podem estar fazendo isso).
  • As mulheres são em média mais cooperativas
  • Permitir àquelas pessoas que têm mais comportamento cooperativo que cresçam. Algumas atualizações recentes às Perf [ferramentas de performance da Google] podem estar fazendo isso em certa medida, mas talvez haja mais que possamos fazer. Isso não significa que devemos remover toda a competitividade da Google. Competitividade e autonomia podem ser características valiosas e não devemos necessariamente por em desvantagem aqueles que as têm, como foi feito na educação. As mulheres são em média mais propensas à ansiedade. Façamos a tecnologia e a liderança menos estressantes. A Google já faz isso em parte com seus muitos cursos de redução de estresse e benefícios.
  • As mulheres, em média, procuram mais por um equilíbrio entre trabalho e vida social, enquanto homens têm uma motivação maior para o status, em média
  • Infelizmente, enquanto a tecnologia e a liderança permanecerem como carreiras de alto status e lucrativas, os homens vão querer estar nelas, desproporcionalmente. Permitir e de fato endossar (como parte da nossa cultura) o trabalho em meio período pode manter mais mulheres na tecnologia.
  • O papel de gênero masculino é atualmente inflexível
  • O feminismo fez grande progresso ao libertar as mulheres do papel de gênero feminino, mas os homens ainda estão muito atados ao papel de gênero masculino. Se nós, como uma sociedade, permitirmos aos homens serem mais “femininos”, então a lacuna entre gêneros vai encolher, embora provavelmente será porque os homens vão deixar a tecnologia e a liderança por papéis tradicionalmente femininos. (http://xibolete.uk/sexo)

Filosoficamente, eu não acho que devemos fazer engenharia social arbitrária na tecnologia só para fazê-la atraente para iguais proporções de homens e mulheres. Para cada uma dessas mudanças, precisamos de razões justificadas para por que ajudam a Google; isto é, devemos otimizar para a Google — com a diversidade da Google sendo um componente disso. Por exemplo, atualmente aqueles que estão tentando trabalhar por horas extras ou enfrentar mais estresse inevitavelmente vão tomar a dianteira e, se tentarmos mudar isso demais, pode ter consequências desastrosas. Além disso, quando consideramos os custos e benefícios, devemos ter em mente que os recursos da Google são finitos, de forma que sua alocação é mais um jogo de soma zero do que se costuma reconhecer.

O prejuízo dos vieses da Google
Creio firmemente na diversidade de gênero e racial, e penso que devemos nos esforçar por mais. No entanto, para atingir uma representação maior de gênero e raça, a Google criou várias práticas discriminatórias:

  • Programas, mentoria e aulas somente para pessoas de certo gênero ou raça [5]
  • Uma alta prioridade e tratamento especial para candidatos da “diversidade”
  • Práticas de contratação que podem efetivamente diminuir as exigências para candidatos da “diversidade” ao diminuir a taxa de falsos negativos
  • Reconsiderar qualquer conjunto de pessoas se não for “diverso” o suficiente, mas não mostrar o mesmo escrutínio na direção inversa (um claro viés da confirmação)
  • Traçar metas de resultados [OKRs] pela maior representação que podem incentivar discriminação ilegal [6]

Essas práticas são baseadas em pressupostos falsos gerados por nossos vieses e podem na verdade aumentar as tensões de raça e gênero. A administração sênior nos diz que o que estamos fazendo é a coisa certa tanto moral quanto economicamente, mas sem evidências isso é apenas ideologia de esquerda velada [7] que pode causar danos irreparáveis à Google.

Por que estamos cegos
Todos temos vieses e usamos raciocínio motivado (http://xibolete.uk/peterson) para dispensar ideias que vão contra nossos valores internos. Da mesma forma que alguns na direita negam a ciência que vai contra a hierarquia “Deus > humanos > meio ambiente” (por exemplo, evolução e mudanças climáticas), a esquerda tende a negar a ciência sobre diferenças biológicas entre as pessoas (por exemplo, QI [8] e diferenças de sexo). Felizmente, cientistas do clima e biólogos evolutivos geralmente não estão na direita. Infelizmente, a ampla maioria das humanidades e cientistas sociais pendem para a esquerda (cerca de 95%), o que cria um enorme viés da confirmação, muda o que está sendo estudado, e mantém mitos como o construtivismo social e a diferença de salários entre gêneros [9]. A tendência de esquerda da Google nos faz cegos diante desse viés e acríticos quanto a seus resultados, que estamos usando para justificar programas altamente politizados.

Além da afinidade da esquerda àqueles que ela vê como fracos, humanos são geralmente enviesados em direção a proteger as mulheres. Como mencionado antes, isso provavelmente evoluiu porque os homens são biologicamente descartáveis e porque as mulheres são geralmente mais cooperativas e agradáveis que os homens. Temos extensos programas de governo e da Google, campos de estudo e normais legais e sociais para proteger as mulheres, mas, quando um homem reclama de um problema de gênero que afeta a homens, ele é logo rotulado como misógino e reclamão [10]. Quase toda diferença entre homens e mulheres é interpretada como uma forma de opressão das mulheres. Como em muitas coisas da vida, as diferenças de gênero são muitas vezes um caso de “a grama do vizinho é mais verde”; infelizmente, o dinheiro do contribuinte e da Google é gasto para regar apenas um lado do gramado.

A mesma compaixão por quem é visto como fraco cria o politicamente correto [11], que restringe o discurso e é complacente com autoritários politicamente corretos extremamente sensíveis que usam de violência e reprimendas para avançar a sua causa. Enquanto o Google não tem abrigado tais protestos esquerdistas violentos que estamos vendo em  universidades, as reprimendas frequentes nas reuniões informais de sexta-feira [TGIF, em que, por exemplo, a chefia partilha informações pessoais] e na nossa cultura criaram o mesmo ambiente psicologicamente inseguro de silêncio.

Sugestões
Espero que esteja claro que não estou dizendo que a diversidade é ruim, que a Google ou a sociedade são 100% justas, que não devemos tentar corrigir vieses existentes, ou que as minorias têm a mesma experiência que aqueles que estão na maioria. Meu ponto principal é que temos uma intolerância a ideias e evidências que não se encaixam numa certa ideologia. Também não estou dizendo que devemos restringir as pessoas a certos papéis de gênero; estou defendendo bem o contrário: tratemos as pessoas como indivíduos, não como apenas mais um membro de seu grupo (tribalismo).

Minhas sugestões concretas são:

Tirar o moralismo da diversidade
  • Assim que começamos a moralizar uma questão, paramos de pensar nela em termos de custos e benefícios, dispensamos qualquer um que discordar como imoral, e asperamente punimos aqueles que vemos como vilões para proteger as “vítimas”.

Parar de alienar os conservadores
  • A diversidade de pontos de vista é defensavelmente o mais importante tipo de diversidade, e a orientação política é uma das formas mais significativas e fundamentais pelas quais as pessoas divergem.
  • Em ambientes altamente progressistas, os conservadores são uma minoria que sente que deve ficar no armário para evitar a hostilidade aberta. Devemos encorajar aqueles que têm ideologias diferentes a se expressarem.
  • Marginalizar os conservadores é tanto algo não-inclusivo quanto geralmente ruim para os negócios, pois os conservadores tendem a ter mais conscienciosidade, que é necessária para muito do trabalho maçante e de manutenção que é característico de uma empresa madura.

Enfrentar os vieses da Google
  • Concentrei-me na maior parte em como nossos vieses turvam nosso pensamento sobre a diversidade e a inclusão, mas nossos vieses morais vão mais longe que isso.
  • Eu começaria por particionar os escores do Googlegeist por orientação política e personalidade para mostrar melhor como os nossos vieses estão afetando a nossa cultura.

Parar de restringir programas e aulas a certos gêneros ou raças
  • Essas práticas discriminatórias são tanto injustas quanto divisivas. Em vez disso, foco em algumas das práticas não-discriminatórias que delineei.

Ter uma discussão aberta e honesta sobre os custos e benefícios de nossos programas de diversidade.
  • Discriminar só para aumentar a representação das mulheres na tecnologia é tão enganoso e enviesado quanto exigir um aumento da representação das mulheres entre os sem-teto, entre as mortes relacionadas ao trabalho ou por violência, nas prisões e entre desistentes escolares.
  • Há atualmente muito pouca transparência sobre o tamanho dos nossos programas de diversidade, o que os deixa imunes a críticas daqueles que estão fora de sua bolha ideológica.
  • Esses programas são altamente politizados, o que aliena ainda mais os não-progressistas.
  • Estou ciente de que alguns dos nossos programas pode ser precauções contra acusações de discriminação vindo do governo, mas eles podem sair pela culatra pois incentivam discriminação ilegal.

Foco na segurança psicológica, não em diversidade de raça/gênero
  • Deveríamos nos focar em segurança psicológica, que tem mostrado efeitos positivos e não deveria (espera-se) levar à discriminação injusta.
  • Precisamos de segurança psicológica e de valores compartilhados para ganhar os benefícios da diversidade.
  • Ter pontos de vista representativos é importante para aqueles que estão projetando e testando nossos produtos, mas os benefícios são menos claros para aqueles mais afastados da experiência de usuário [UX].

Desenfatizar a empatia (http://xibolete.uk/empatia)
  • Ouvi muitos chamados por mais empatia em questões de diversidade. Enquanto eu apoio firmemente a tentativa de entender como e por que as pessoas pensam da forma que pensam, contar com a empatia afetiva — sentir a dor do outro — faz com que nos foquemos em casos anedóticos, favoreçamos indivíduos similares a nós, e tenhamos outros vieses irracionais e perigosos. Ser emocionalmente desengajados nos ajuda a raciocinar melhor sobre os fatos.

Priorizar a intenção.
  • Nosso foco em microagressões e outras transgressões não intencionais aumenta nossa sensibilidade, o que não é universalmente positivo: a sensibilidade aumenta tanto nossa tendência a ficarmos ofendidos quanto nossa autocensura, levando a políticas autoritárias.
  • Expressar-se sem medo de ser cruelmente julgado é algo central na segurança psicológica, mas essas práticas podem retirar essa segurança ao julgar transgressões não propositais.
  • O treinamento sobre microagressões incorreta e perigosamente iguala a expressão à violência e não tem base em nenhuma evidência.

Abrir-se para a ciência da natureza humana
  • Uma vez que reconhecermos que nem todas as diferenças são construção social (http://blog.elivieira.com/2016/01/21/o-que-e-construcao-social/) ou atribuíveis à discriminação, abriremos os olhos a uma visão mais precisa da condição humana, que é necessária se realmente queremos resolver problemas.

Reconsiderar a decisão de tornar o treinamento sobre viés inconsciente obrigatório para comitês de promoção
  • Não conseguimos medir até hoje qualquer efeito do nosso treinamento sobre viés inconsciente, e ele tem o risco de correção excessiva ou retaliação, especialmente se for obrigatório.
  • Alguns dos métodos sugeridos do treinamento atual (v2.3) são provavelmente úteis, mas o viés político da apresentação é claro pelas imprecisões factuais e os exemplos mostrados.
  • Passar mais tempo nos muitos tipos de vieses além dos estereótipos. Os estereótipos são muito mais precisos (http://blog.elivieira.com/2017/05/16/estereotipos/) e adaptáveis a novas informações do que o treinamento sugere (não estou defendendo o uso de estereótipos, estou apenas apontando a imprecisão factual e o que é dito no treinamento).

[Notas]
[1] Este documento foi escrito na maior parte com a perspectiva do campus Mountain View da Google, não posso falar por outros escritórios ou países.

[2] Evidentemente, posso ser enviesado e apenas estar vendo evidências que apoiem meu ponto de vista. Em termos de vieses políticos, considero-me um liberal clássico e valorizo fortemente o individualismo e a razão. Eu ficaria feliz em discutir mais o documento e dar mais referências.

[3] Ao longo do documento, ao dizer “tecnologia” refiro-me principalmente à engenharia do software.

[4] Para relacionamentos românticos heterossexuais, homens são mais fortemente julgados pelo status e mulheres pela beleza. Mais uma vez, isso tem origens biológicas e é culturalmente universal.

[5] Stretch, BOLD, CSSI, Engineering Practicum (até certo ponto) e muitos outros programas internos e externos financiados pela Google são para pessoas com determinado gênero ou raça.

[6] Em vez disso, traçar metas [OKRs] do Googlegeist, potencialmente para certos grupos demográficos. Podemos aumentar a representação num nível organizacional fazendo dele um ambiente melhor para certos grupos (que seriam vistos em escores de enquetes) ou discriminar com base num status de proteção (que é ilegal, e eu já vi acontecendo). As OKRs de maior representação podem incentivar o último caso e criar batalhas de soma zero entre organizações.

[7] O comunismo prometeu ser superior ao capitalismo moral e economicamente, mas todas as tentativas se tornaram moralmente corruptas e um fracasso econômico. Como ficou claro que a classe trabalhadora das democracias liberais não queria derrubar seus “opressores capitalistas”, os intelectuais marxistas mudaram da luta de classes para política de gênero e raça. O cerne da dinâmica entre opressor e oprimido ficou, mas agora o opressor é o “patriarcado branco, hétero e cisgênero”.

[8] Ironicamente, os testes de QI foram inicialmente incentivados pela esquerda, quando a meritocracia significava ajudar as vítimas da aristocracia.

[9] Sim, num agregado nacional, as mulheres têm salários menores que os homens por uma variedade de motivos. No entanto, para o mesmo trabalho, as mulheres ganham o mesmo que os homens. Considerando que as mulheres gastam mais dinheiro que os  homens e que o salário representa a quantidade de sacrifício do empregado (por exemplo, mais horas, estresse e riscos), precisamos realmente repensar nossos estereótipos sobre o poder.

[10] “O sistema tradicionalista de gênero não lida bem com a ideia de os homens precisarem de apoio. Espera-se que os homens sejam fortes, que não reclamem, e que lidem com seus problemas sozinhos. Os problemas dos homens são mais frequentemente vistos como fracassos pessoais em vez de vitimização, devido à nossa ideia de agência baseada em gênero. Isso desencoraja os homens a chamar a atenção para seus problemas (tanto individuais como do grupo), por medo de serem vistos como reclamões ou fracos.”

[11] O politicamente correto é definido como “evitar formas de expressão ou ação que são percebidas como excludentes, marginalizadoras o ofensivas a grupos de pessoas que são socialmente desfavorecidas ou discriminadas”, o que deixa claro por que é um fenômeno da esquerda e uma ferramenta de autoritários.

 

***

N. do T.: Esta carta, escrita por um engenheiro de software experiente da Google, circulou internamente nas redes de funcionários da empresa até ser publicada pelo site Gizmodo. O site a publicou já a adjetivando pejorativamente. Até o momento, todas as publicações em português na imprensa tradicional e a maioria das publicações em inglês xingam o autor de machista, às vezes já nas manchetes. A incapacidade de separar notícia de opinião é assustadora e confirma os vieses discutidos pelo autor.

Tradução: Eli Vieira
Torne-se nosso patrono (http://patreon.com/elivieira).

Algumas manchetes que saíram na mídia referentes a este caso:

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 07 de Agosto de 2017, 22:19:11
Acho que o título que escolhi paro tópico foi o único que não foi sensacionalista nem distorceu a opinião do funcionário (comparado as manchetes que vi por ai).

O cara apenas discordou da política de diversidade da empresa, apresentando uma política alternativa. Ou seja, ele não é contra a diversidade ou a igualdade (pelo menos não de oportunidade).

Ele apenas defendeu que a disparidade de gênero em cargos técnicos e de liderança pode ocorrer em parte por diferenças genéticas, e não necessariamente por discriminação ou sexismo. Ou seja, ele não defendeu a redução de mulheres nestes cargos nem negou a existência do sexismo ou da discriminação.

No geral, mesmo que eu possa discordar em alguns pontos, a opinião dele parece sensata, e vocês, o que acham?

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 07 de Agosto de 2017, 23:03:34
A julgar pelo sucesso eu diria que, seja lá qual for sua política interna, seu viés, aparentemente está funcionando muito bem para a empresa.  :hein:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 07 de Agosto de 2017, 23:20:29
A politica de diversidade questionada é nova, os efeitos positivos ou negativos podem demorar um pouco a surgir.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 08 de Agosto de 2017, 00:07:10
A politica de diversidade questionada é nova, os efeitos positivos ou negativos podem demorar um pouco a surgir.

Bom, acho provável que tal política tenha sido adotada mais por motivos estratégicos do que ideológicos, afinal, quem melhor do que o Google para medir as expectativas de sua clientela? Isso talvez tenha mais a dizer sobre o viés dominante no mundo do que na empresa.  :hein:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 03:57:37
Por essa eu não esperava:

Google demite funcionário após polêmica sobre falta de chefe mulher (http://m.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1908042-google-demite-funcionario-apos-polemica-sobre-falta-de-chefe-mulher.shtml). Folha de S. Paulo

Acho que no final das contas o cara tinha razão ao menos sobre uma coisa: existe de fato uma ditadura de opinião no Google, pois aqueles que discordam da ideologia dominante não são livres para se manifestarem. O manifesto dele é super sensato e equilibrado, mesmo que se discorde do mesmo, peecebe-se que ele não é agressivo, que o tom é de debate, não de ataque. Fiquei chocado com a decisão do Google de demitir o funcionário que em nenhum momento fez ataques ou faltou com decoro em seu manifesto.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 04:05:49
A politica de diversidade questionada é nova, os efeitos positivos ou negativos podem demorar um pouco a surgir.

Bom, acho provável que tal política tenha sido adotada mais por motivos estratégicos do que ideológicos, afinal, quem melhor do que o Google para medir as expectativas de sua clientela? Isso talvez tenha mais a dizer sobre o viés dominante no mundo do que na empresa.  :hein:
A estratégia é motivada por ideologia. Este tipo de ideologia é atualmente dominante no mundo. Ações afirmativas são usadas em instituições privadas e públicas. No entanto não é uma unanimidade, existe divergênciao (Thomas Sowell é um dos exemplos de crítico conceituado das ações afirmativas). O problema é que, como você pode ver, as vozes divergentes são silenciadas (como no caso do engenheiro, que foi demitido após sua opinião se tornar de conhecimento público).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 08 de Agosto de 2017, 08:27:22
Ele apenas defendeu que a disparidade de gênero em cargos técnicos e de liderança pode ocorrer em parte por diferenças genéticas, e não necessariamente por discriminação ou sexismo. Ou seja, ele não defendeu a redução de mulheres nestes cargos nem negou a existência do sexismo ou da discriminação.

Eu acho curiosa e difícil de entender essa aposta na significância dessa hipótese causal última para a coisa, em vez de apenas expor o aspecto cultural que deve ser predominante, mesmo que haja também algum fator genético.

Na melhor das hipóteses, seria algo real, mas irrelevante, já que o que realmente importa seria o resultado mais tardio disso, qualquer que seja sua causa última. E deve ser algo com o que qualquer um pode concordar, independentemente de orientação ideológica ou status de confirmação científica da hipótese.

Ao mesmo tempo, por maior que seja o grau de confirmação que se conceba poder obter disso, ainda terá que admitir a realidade de que sempre que se retrocede um pouco no tempo, tempo insuficiente para qualquer mudança em termos genéticos, vai se encontrar diferentes freqüências desses "fenótipos", talvez na maior parte do tempo se aproximando mais do que seriam as supostas freqüências "genéticamente verdadeiras" dos fenótipos na população, com menos mulheres em áreas "masculinas", com menos não-brancos em áreas majoritariamente ocupadas por brancos. É uma significativa "margem de erro", produzida por outros fatores, argumentavelmente mais relevantes que a suposta causa última.

Uma hipótese genética "forte", que seria menos irrelevante, está a toda geração tendo que conceder que o que se observava ainda não era ainda o "verdadeiro fenótipo", e sempre reafirmando que "agora sim, chegamos nele, e só vamos estabilizar ou retroceder a outros índices históricos, finalmente não tem nada dessas coisas de '''fatores sociais''', '''construtos''' ou qualquer '''influência do meio''', não há mais nada a questionar; agora sim, é como discutir que tipo de obstáculos sociais e preconceitos existem para impedir que mais pessoas tenham olhos azuis".


Ironicamente então, insistir nessa hipótese apenas serve para ajudar a embasar as argumentações que inflam o papel de preconceitos e discriminações indevidas reduzindo o número de mulheres ou outros grupos não-majoritários-não-masculinos-hétero-brancos em alguma área.

Os fatos concretos são diferentes interesses culturais de gênero. Abandonando a parte mais hipotética sobre suas origens últimas, se tem menor fragilidade na argumentação, além de não ter se perdido nada importante. É ainda perfeitamente possível questionar a idéia de que discriminações injustas sejam a explicação predominante para explicar disparidades de presença. E, dentro dos fatos, ainda se tem inclusive essa própria ideologia mimimizista politicamente correta como fator, numa espécie de "auto-sabotagem", ao cultivarem hipersensibilidade* e enfraquecerem a resiliência, reduzindo a aptidão dos seus "adeptos" e ajudando a reforçar os preconceitos que motivam a discriminação factual.


Tenho a impressão disso ser bastante raro, essa linha de argumentação (contrária ao argumento de injustiça) que se abstém de teorizar causas últimas genéticas.


* Me refiro a coisas como o caso em que uma mulher em alguma palestra ouviu homens fazendo qualquer piada com "dong", termo referente a "plugs machos" de hardware e também termo informal ao mesmo hardware biológico, os filmou e/ou postou qualquer coisa no twitter, nas linhas de "sexismo rampante na indústria", e acabaram todos demitidos -- ela também.






Escrevo esses posts e fico com a impressão de que dava para ter usado só umas três frases para dizer tudo de forma mais concisa, sem perder nada relevante... :/
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 08 de Agosto de 2017, 09:25:09
Por essa eu não esperava:

Google demite funcionário após polêmica sobre falta de chefe mulher (http://m.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1908042-google-demite-funcionario-apos-polemica-sobre-falta-de-chefe-mulher.shtml). Folha de S. Paulo

Acho que no final das contas o cara tinha razão ao menos sobre uma coisa: existe de fato uma ditadura de opinião no Google, pois aqueles que discordam da ideologia dominante não são livres para se manifestarem. O manifesto dele é super sensato e equilibrado, mesmo que se discorde do mesmo, peecebe-se que ele não é agressivo, que o tom é de debate, não de ataque. Fiquei chocado com a decisão do Google de demitir o funcionário que em nenhum momento fez ataques ou faltou com decoro em seu manifesto.

Eu esperava. Ontem quando li aqui a notícia foi a primeira coisa que pensei. Empresas não tem ideologia, tem uma demanda a atender. E desse ponto de vista, o manifesto dele é tudo, menos sensato e equilibrado - transparece o discurso de um funcionário insatisfeito que não se adequa à política da empresa, ou pior, à política do consumidor. Infelizmente, é como as coisas funcionam: ou nos adequamos ou somos eliminados. Isso vale tanto para empregados quanto para empresas, principalmente para essas. A ditadura da opinião comanda o mercado. A oferta obedece à demanda. Foi assim no passado quando a ideologia era outra, é assim no presente e será no futuro, independente da ideologia predominante. A liberdade de opinião é uma cilada. Não culpe o Google, culpe o mundo. 

A politica de diversidade questionada é nova, os efeitos positivos ou negativos podem demorar um pouco a surgir.

Bom, acho provável que tal política tenha sido adotada mais por motivos estratégicos do que ideológicos, afinal, quem melhor do que o Google para medir as expectativas de sua clientela? Isso talvez tenha mais a dizer sobre o viés dominante no mundo do que na empresa.  :hein:

A estratégia é motivada por ideologia. Este tipo de ideologia é atualmente dominante no mundo. Ações afirmativas são usadas em instituições privadas e públicas. No entanto não é uma unanimidade, existe divergênciao (Thomas Sowell é um dos exemplos de crítico conceituado das ações afirmativas). O problema é que, como você pode ver, as vozes divergentes são silenciadas (como no caso do engenheiro, que foi demitido após sua opinião se tornar de conhecimento público).

Sim, com certeza, uma estratégia motivada pela ideologia predominante. O objetivo da empresa é o lucro. Do seu ponto de vista provavelmente é um investimento na imagem, assim como "empresas amigas do planeta". Nesse caso, o funcionário se tornou um problema e problemas precisam ser eliminados. Num passado não muito distante, quando a ideologia era outra, adotar essa política, provavelmente levaria a empresa à falência. Hoje, não adotar é que pode ser fatal. Minha avó foi empresária numa época difícil para mulheres empreenderem e nunca teve uma funcionária em funções estratégicas, não por ideologia, já que a vida a obrigou a ser uma feminista (se divorciou numa época em que isso era um escândalo e precisou se virar), nem por falta de mão de obra, segundo ela própria, mas devido a ideologia predominante na época. Vozes divergentes sempre são silenciadas pela ideologia predominante até o dia em que, enfim, se tornam dominantes.

Thomas Sowell talvez esteja em melhores condições de exercer sua liberdade de opinião sem maiores consequências do que a maioria de nós. É preciso medir as consequências. O preço da liberdade de expressão pode ser, quase sempre é, alto.

Voltando ao discurso do funcionário, basicamente o que leio é mimimi o mundo não é legal, mimimi eu não me adequo ao mundo, mimimi quero mudar o mundo. Antes, contudo, ele vai ter que arrumar um novo emprego ou quem sabe empreender e finalmente, compreender o ponto de vista da empresa. O mercado pouco se importa com as diferenças biológicas de homens, mulheres, brancos ou coloridos - eles que tratem de se adequar. E é o que estamos fazendo. Há cem anos mulheres e negros seriam provavelmente considerados incapazes biologicamente de ocuparem a maioria dos cargos que ocupam hoje. Imagina se um negro teria condições biológicas de ser presidente dos EUA na mentalidade dos EUA de cem anos atrás, por exemplo. Eu tenho sinceras dúvidas de que as tais diferenças biológicas são um empecilho. Tenho mais fé no poder do mercado, ele supera tudo, dependendo só da demanda.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 12:42:58
Concordo com boa parte do que vocês disseram, mas discordo da crítica que fizeram sobre o argumento do engenheiro sobre os fatores biológicos. Ele apenas defendeu que, com a existência destes fatores, uma igualdade plena nunca seria alcançada (mesmo que toda discriminação seja eliminada). Você nunca verá a engenharia ou a enfermagem dividida ao meio em relação a homens e mulheres, o que é preciso é oferecer igualdade de oportunidades, não de ocupação dos cargos (ignorando completamente os fatores biológicos e demais fatores complexos que influenciam no resultado final)

Se vocês não assistiram ao documentário norueguês sobre o paradoxo da igualdade seria uma boa oportunidade para faze-lo. Ele crítica premissas de cientistas sociais que colocam a influência social como predominante (muitas vezes ignorando por completo a biologia), e demonstra o impacto da biologia nas escolhas e preferências das pessoas (algumas das conclusões vão de encontro as idéias do engenheiro apresentadas no memorando):

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 08 de Agosto de 2017, 14:19:49
Sempre que eu vejo esse documentário postado por aí, recomendo a apresentação de Spelke no debate contra Pinker sobre essas questões, além de acrescentar coisas como o aspecto da pesquisa psicologica ser desproporcionalmente feita com pessoas WEIRD (Western, Educated, Industrialised, Rich, and Democratic) e mesmo vieses de pesquisadores enxergarem traços culturais próprios na análise do comportamento animal (elefantes de índole japonesa ou americana) -- na linha de pesquisa sobre divergências sexuais temos o curioso caso de terem "descoberto" que macaquinhas fẽmeas gostariam até mais de brincar com fogõezinhos e panelinhas de brinquedo.

O que Spelke expõe de mais relevante nisso é que as pessoas, mesmo liberais/esquerdistas tendem a interpretar bebês de maneira estereotipada de acordo com o sexo suposto. Um mesmo bebê, fazendo a mesma coisa, será adjetivado de maneira diferente, até quase antônima (menina triste, menino bravo), se é dito ser menino ou menina. Isso é algo que inevitavelmente irá influenciar tanto na criação (mesmo por pais não-sexistas), quanto até mesmo na pesquisa referenciada em documentários como esse, se não houver cuidados para se precaver disso (duplo cego e coisas do tipo).

Isso reforça, junto com as mudanças históricas na direção contrária, a irrelevância de uma hipotética raiz genética das diferenças.

Você pode perfeitamente sustentar que é tremendamente equivocado tentar forçar proporções iguais de ocupações de qualquer grupo demográfico em qualquer área que seja (em vez de apenas dar oportunidades iguais), sem especular que as diferentes fraqüências seriam um "verdadeiro fenótipo genético". É algo que apenas enfraquece a argumentação, que reforça o argumento adversário sobre a importância de preconceitos motivando discriminação injusta.

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 15:21:20
Então você argumenta que bebês de 9 meses já podem estar sob a influência do ambiente social no qual está inserido no momento em que escolhem brinquedos de meninos ao invés de meninas? E quanto as diferenças cerebrais observadas (http://xibolete.uk/sexo-cerebral/) universalmente, isso não indicaria no mínimo uma predisposição genética? E quanto a observação de que em países mais livres, desenvolvidos e igualitários (como os países nórdicos em comparação a países como índia e Paquistão) a diferença entre os sexos na hora de escolher uma profissão tende a se intensificar ao invés de diminuir, ao contrário do que postula os cientistas sociais (que evidentemente neste caso estariam ignorando as evidências)? No documentário me pareceu convincente a explicação de que quando somos mais livres para escolher, nossas predisposições inatas se tornam mais influente, suplantando as limitações ou imposições sociais (sem extingui-las, evidentemente). Sei lá, só acho que, de fato, parte da diferença (mas não toda ela) pode sim ser atribuída a fatores genéticos, e é isso que este documentário e o engenheiro da Google defenderam, por isso achei absurdo a forma como o argumento do engenheiro foi tratado, como se ele tivesse defendido um determinismo genético e/ou menosprezado a capacidade das mulheres (coisas que ele não fez). Mas a demissão do funcionário pelo Google e a forma como seu manifesto foi interpretado pela mídia ao menos passou essa impressão.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 15:27:49
Mas vamos supor que o engenheiro esteja completamente equivocado em suas suposições, devemos concordar que ele fez um manifesto num tom que convida ao debate. Ele faz sugestões de mudança e pede abertura e tolerância para pontos de vista discordantes, e em todo o texto, ele é educado e sensato em suas opiniões. Não acham que sua intenção foi distorcida pela mídia e pela empresa que o demitiu (já que tratam seu manifesto não como um convite ao debate e abertura a opiniões divergentes, e sim, como um ataque machista a diversidade)?
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 08 de Agosto de 2017, 16:36:11
Então você argumenta que bebês de 9 meses já podem estar sob a influência do ambiente social no qual está inserido no momento em que escolhem brinquedos de meninos ao invés de meninas?

Tirando bebês que tenham sido tratados apenas em laboratório por cuidadores que nunca fossem informados de seus sexos, sim. Eles são tratados de maneira diferente.

Citar
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2014/10/29/peds.2013-4289?sid=72eeac58-1f40-4268-bc17-0e2b3ea19766
...
 Mothers responded preferentially to girls versus boys at birth (P = .04) and 44 weeks PMA (P = .0003) with a trend at 7 months (P = .15), and there were trends for fathers to respond preferentially to boys at 44 weeks PMA (P = .10) and 7 months (P = .15).
...

Citar
http://www.jstor.org/stable/1128775?seq=1#page_scan_tab_contents

Abstract

Mothers of 32 firstborn infants aged 5-10 months were videotaped playing with a 6-month-old "actor baby." 2 female infants and 2 males appeared equally often as actor babies in sex-appropriate and cross-sex clothes and names. Sex-typed and sex-neutral toys were available. Initial toy choice varied with perceived sex of infant. Perceived boys were verbally encouraged to gross motor activity more often than perceived girls, but there were no significant differences in overall physical stimulation. However, mothers responded to the gross motor behavior of perceived boys with gross motor activity significantly more often. Results suggest early socialization in the direction of a masculine stereotype of activity and physical prowess.

Ainda tem diferenças de avaliação dos pais sobre qual inclinação os bebês de diferentes sexos (próprios filhos) conseguem subir, com as pessoas subestimando a capacidade das meninas.




Citar
E quanto as diferenças cerebrais observadas (http://xibolete.uk/sexo-cerebral/) universalmente, isso não indicaria no mínimo uma predisposição genética?

Eu não nego diferenças cerebrais, que podem até ter em parte origem genética. Elas não são contudo totalmente genéticas (os cérebros das pessoas se modificam no decorrer de sua carreira profissional, por treinamento), e podem mesmo assim ser menores do que alguns estudos estimam:

Citar
http://www.sciencemag.org/news/2015/11/brains-men-and-women-aren-t-really-different-study-finds

...
The majority of the brains were a mosaic of male and female structures, the team reports online today in the Proceedings of the National Academy of Sciences. Depending on whether the researchers looked at gray matter, white matter, or the diffusion tensor imaging data, between 23% and 53% of brains contained a mix of regions that fell on the male-end and female-end of the spectrum. Very few of the brains—between 0% and 8%—contained all male or all female structures. “There is no one type of male brain or female brain,” Joel says.
...



Citar
E quanto a observação de que em países mais livres, desenvolvidos e igualitários (como os países nórdicos em comparação a países como índia e Paquistão) a diferença entre os sexos na hora de escolher uma profissão tende a se intensificar ao invés de diminuir, ao contrário do que postula os cientistas sociais (que evidentemente neste caso estariam ignorando as evidências)?

Eu não sei o quanto tal "observação" é correta, apenas penso que não é algo que seja informativo direto da genética, da mesma forma que não são variações históricas e geográficas em "feminilidade" e "masculinidade". Em países mais desenvolvidos, deve haver oportunidade um desvio de ambos os sexos para mais atividades "femininas", ou "leves", e nos subdesenvolvidos, masculinas, "duras". Há até mesmo diferença no que é considerado atraente numa mulher, uma preferência a menor feminilidade, supostamente por sugerir maior aptidão em trabalho duro.

(http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/assets/jpg/blog2-21-768x743.jpg)

Hehehe


(http://www.stellanonline.com/beowulfprod47x.jpg)(http://rupert-graves.com/gls/galls/app/web/upload/large/12_4e2e5a119367e62ae0a099c3e589be6a.jpg)
880 - 1580 - ALGO DE MUITO ERRADO ACONTECEU




Citar
No documentário me pareceu convincente a explicação de que quando somos mais livres para escolher, nossas predisposições inatas se tornam mais influente, suplantando as limitações ou imposições sociais (sem extingui-las, evidentemente). Sei lá, só acho que, de fato, parte da diferença (mas não toda ela) pode sim ser atribuída a fatores genéticos, e é isso que este documentário e o engenheiro da Google defenderam, por isso achei absurdo a forma como o argumento do engenheiro foi tratado, como se ele tivesse defendido um determinismo genético e/ou menosprezado a capacidade das mulheres (coisas que ele não fez). Mas a demissão do funcionário pelo Google e a forma como seu manifesto foi interpretado pela mídia ao menos passou essa impressão.

Eu não nego que possa haver "diferenças genéticas", apenas acho que esse ponto é desprezível para a crítica a políticas equivocadas, uma fragilidade, por ter equívocos e incógnitas ele mesmo. Quando se observa padrões inversos do esperado (http://freakonomics.com/podcast/women-are-not-men-a-new-freakonomics-radio-podcast/) pelo determinismo genético pela vaga e praticamente irrefutável "influência genética", o que se tem então? Aberrações genéticas, ou é apenas um espaço fenotípico possível dentro da variação genética normal, reduzindo então a importância de qualquer influência genética?



Mas, "passando os olhos por cima" de tudo, as manchetes também me pareceram exageradas para o que parece que ele colocou, algo mais "light" do que por James Watson sobre negros (e mulheres), talvez até mesmo que Larry Summers. Por isso meu ponto inicial era apenas sobre a insistência nessa hipótese de grande peso da genética na questão, que, como se observa, ajuda mais a desqualificar do que a promover o argumento de que disparidades não se devem primordiamente a discriminação injusta.


Talvez haja uma propensão genética masculina a preferir uma argumentação mais "completa", mesmo que incluindo pontos que são fracos tanto sob o aspecto empírico quanto dialético. Talvez seja uma faceta intelectual do compotamento guerreiro, levar mais armas. Enquanto as manchetes revelam a mais subreptícia estratégia feminina para matar, através do veneno.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 18:06:26
Tirando bebês que tenham sido tratados apenas em laboratório por cuidadores que nunca fossem informados de seus sexos, sim. Eles são tratados de maneira diferente.

Citar
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2014/10/29/peds.2013-4289?sid=72eeac58-1f40-4268-bc17-0e2b3ea19766
...
 Mothers responded preferentially to girls versus boys at birth (P = .04) and 44 weeks PMA (P = .0003) with a trend at 7 months (P = .15), and there were trends for fathers to respond preferentially to boys at 44 weeks PMA (P = .10) and 7 months (P = .15).
...

Citar
http://www.jstor.org/stable/1128775?seq=1#page_scan_tab_contents

Abstract

Mothers of 32 firstborn infants aged 5-10 months were videotaped playing with a 6-month-old "actor baby." 2 female infants and 2 males appeared equally often as actor babies in sex-appropriate and cross-sex clothes and names. Sex-typed and sex-neutral toys were available. Initial toy choice varied with perceived sex of infant. Perceived boys were verbally encouraged to gross motor activity more often than perceived girls, but there were no significant differences in overall physical stimulation. However, mothers responded to the gross motor behavior of perceived boys with gross motor activity significantly more often. Results suggest early socialization in the direction of a masculine stereotype of activity and physical prowess.

Citar
http://www.sciencemag.org/news/2015/11/brains-men-and-women-aren-t-really-different-study-finds

...
The majority of the brains were a mosaic of male and female structures, the team reports online today in the Proceedings of the National Academy of Sciences. Depending on whether the researchers looked at gray matter, white matter, or the diffusion tensor imaging data, between 23% and 53% of brains contained a mix of regions that fell on the male-end and female-end of the spectrum. Very few of the brains—between 0% and 8%—contained all male or all female structures. “There is no one type of male brain or female brain,” Joel says.
...


Citação de: Larry Cahill, Ph.D.
(...)

The presence of biological limits to plasticity-and hence the presence of limits to how much experiences can affect the brain-is perhaps made most clear in elegant studies by J. Richard Udry. In his important but underappreciated paper entitled "Biological Limits of Gender Construction," Udry examines the interaction between two factors-how much a mother encouraged her daughter to behave in "feminine" ways, and how much the daughter had been exposed to masculinizing hormonal influences in the womb-on how "feminine" the daughter behaved when she was older.31 The figure below illustrates the key findings.
(http://www.dana.org/uploadedImages/Images/Content/cere_040114_figure_cont.jpg?n=9668)
The graph illustrates that, indeed, the more mothers encouraged "femininity" in their daughters, the more feminine the daughters behaved as adults, but only in those daughters exposed to little masculinizing hormone in utero. Crucially, the greater the exposure to masculinizing hormonal effects in utero (the progressively lower lines), the less effective was the mother's encouragement, to the point where encouragement either did not work at all (line with squares) or even tended toward producing the opposite effect on the daughters' behavior (line with diamonds).
All those wishing to understand sex influences on the human brain need to fully grasp the implications of the animal literature, and then think about the Udry data, which captures an incontrovertible fact from brain science: Yes, brains are plastic, but only within the limits set by biology. It is decidedly not the case that environmental experience can turn anything into anything, and equally easily, in the brain. The specious plasticity argument invoked by anti-sex difference authors appears to be just a modern incarnation of the long-debunked "blank slate" view of human brain function, the idea that all people's brains start out as blank slates, thus are equally moldable to become anything through experience.

(...)

Larry Cahill, Ph.D., Equal ≠ The Same: Sex Differences in the Human Brain (http://www.dana.org/Cerebrum/2014/Equal_%E2%89%A0_The_Same__Sex_Differences_in_the_Human_Brain/)
Nem eu ou você nega a influência sociocultural ou biológica, eu apenas concordei com o engenheiro do Google que estudos apontam que as diferenças comportamentais de homens e mulheres (incluindo suas escolhas por certas profissões) podem ser explicadas em parte por fatores biológicos. Nem ele nem eu negamos a existência de discriminação de gênero ou sexismo no mercado de trabalho, apenas salientamos que nem toda disparidade de gênero observadas em algumas profissões implicam em sexismo e discriminação de gênero por parte do empregador ou dos colegas de trabalho.

Eu não nego que possa haver "diferenças genéticas", apenas acho que esse ponto é desprezível para a crítica a políticas equivocadas, uma fragilidade, por ter equívocos e incógnitas ele mesmo. Quando se observa padrões inversos do esperado (http://freakonomics.com/podcast/women-are-not-men-a-new-freakonomics-radio-podcast/) pelo determinismo genético pela vaga e praticamente irrefutável "influência genética", o que se tem então? Aberrações genéticas, ou é apenas um espaço fenotípico possível dentro da variação genética normal, reduzindo então a importância de qualquer influência genética?
Acho que sua crítica seria desprezível se estivesse completamente equivocada, mas não está, já que em nenhum momento ele afirma que a genética ou a biologia é a resposta para todo o fenômeno, e sim, que ela pode explicar parte do fenômeno. E na média, pelo que já li e vi, os argumentos de ambos os lados (aqueles que defendem a influência sociocultural e aqueles que defendem a influência genética) no mínimo se anulam, quando tentam ser deterministas  ou quando concordam que ambos os fatores causam influencia mais discordam sobre qual deles é mais prevalente. Se a politica de diversidade da empresa está pautada em argumentos que podem ser anulados por argumentos de igual poder de convencimento mas em sentido contrário, o argumento do engenheiro se torna relevante sim (pelo menos em mostrar que a ideia dominante não é irrefutável ou uma unanimidade dentro da comunidade cientifica).


Mas, "passando os olhos por cima" de tudo, as manchetes também me pareceram exageradas para o que parece que ele colocou, algo mais "light" do que por James Watson sobre negros (e mulheres), talvez até mesmo que Larry Summers. Por isso meu ponto inicial era apenas sobre a insistência nessa hipótese de grande peso da genética na questão, que, como se observa, ajuda mais a desqualificar do que a promover o argumento de que disparidades não se devem primordiamente a discriminação injusta.
Não tenho certeza se ele deu grande peso, já que ele deixa claro em vários momentos que parte do fenômeno pode ser explicado pela biologia, mas não ele todo. Mas se você acha que o peso foi indevido, que linha argumentativa você acha que teria sido mais eficiente em criticar a politica de diversidade da empresa?

É bom lembrar que ele também fala sobre liberdade de expressão e em como pontos de vista divergentes são penalizados pela ideologia dominante na empresa. O que você acha sobre essa parte do memorando (visto que ele de fato foi demitido por manifestar sua opinião divergente)?
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 08 de Agosto de 2017, 18:36:07
Eu ainda não li os textos, só tive a impressão de ser algo mais "light", também não sei qual é exatamente a "política de diversidade" da empresa.

Acho que você pode criticar tentativas "forçadas" de inclusão de diversidade, quando forem realmente prejudiciais, até mesmo considerando a hipótese (por mais esdrúxula que se possa imaginar ser) de que o determinismo biológico verdadeiro fosse o contrário do padrão tradicionalmente defendido (por seus defensores).

Isso dependerá das políticas serem realmente mais prejudiciais do que benéficas, o que não sei se é necessariamente o caso com o Google. Acho que é algo pior ou mais relevante em crítica quando é ordenado pelo estado. Sendo iniciativa privada, ela que incorre mais isoladamente nos riscos, e talvez possa se dar mesmo de forma que não haja exatamente uma discriminação injusta no sentido oposto do que se tenta compensar.

E deve poder ser ilustrado com coisas como "cotas de torneiro mecânico para cozinheiro", "cotas de jogador de ping-pong para time de futebol", "cotas de punk-roqueiros para compositores de samba-enredo", etc. Coisas que geralmente não se julga terem bases biológicas significativas, mas nas quais contudo há diferenças cultivadas de habilidade; mesmo que pessoas de diferentes históricos tenham gosto e "talento" para outra atividade, estas estarão sempre em desvantagem numérica até de habilidade se comparadas àqueles que sempre tiverem foco exclusivo nessa atividade.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 18:55:43
Eu ainda não li os textos, só tive a impressão de ser algo mais "light", também não sei qual é exatamente a "política de diversidade" da empresa.
Acho que você pode criticar tentativas "forçadas" de inclusão de diversidade, quando forem realmente prejudiciais, até mesmo considerando a hipótese (por mais esdrúxula que se possa imaginar ser) de que o determinismo biológico verdadeiro fosse o contrário do padrão tradicionalmente defendido (por seus defensores).
Ele critica por exemplo os treinamento de sensibilidade para grupos específicos de funcionários (tipo, homens brancos e héteros recebem treinamentos de sensibilidade, mas mulheres negras e lésbicas não), já que ele questiona as premissas que justificariam estes treinamentos e argumento que este tipo de tratamento que discrimina seus participantes por gênero, orientação sexual e grupos étnicos pode mais aumentar do que diminuir as tensões raciais e de gênero no ambiente de trabalho.

Isso dependerá das políticas serem realmente mais prejudiciais do que benéficas, o que não sei se é necessariamente o caso com o Google. Acho que é algo pior ou mais relevante em crítica quando é ordenado pelo estado. Sendo iniciativa privada, ela que incorre mais isoladamente nos riscos, e talvez possa se dar mesmo de forma que não haja exatamente uma discriminação injusta no sentido oposto do que se tenta compensar.
Eu concordo, no entanto, a minha crítica maior é no sentido da empresa se apresentar como defensora da diversidade mas punir seus funcionários que apresentam opinião divergente daquela adotada pela empresa. O cara pode estar errado, ou a empresa pode estar no direito de definir suas regras e os funcionários no dever de segui-las. Mas quando o comportamento da empresa é contraditório em relação aos próprios valores que defende, isso deixa tudo mais confuso.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 08 de Agosto de 2017, 19:11:27
Não vejo problema no treinamento ser focado no grupo que seria o maior infrator, o problema mesmo é que deve ser nula a efetividade de tais programas, tem muito pouco de confirmação científica nisso. É geralmente área dominada por "palpiteiros" que conseguem se vender como especialistas.

No Penn & Teller BS eles fizeram uma entrevista com um que inclusive tinha como metodologia de trabalho reforçar os preconceitos raciais/étnicos, "conscientizando" os brancos de que os negros e os latinos são mais sociais e descontraídos que os brancos, anal-retentivos e super-rígidos, que só pensam em enriquecer e não dão valor à família e amigos.

Também achei besteira o google demitir o cara, pelo pouco que vi, apesar de não ser exatamente incoerente numa defesa da diversidade, se a diversidade no caso é uma posição meio "anti-diversidade" (o paradoxo da tolerância). Mas, como não parece ser um "manifesto contra genocídio masculino politicamente correto opressor -- um chamado para os verdadeiros homens retomarem seu devido lugar na sociedade", acho desmedida uma demissão. E outro problema é que autores de algo com esse título também reforçarão seu discurso em episódios como esse.

Recentemente teve um caso de uma hóspede do AirBNB ser condenada a fazer aulas sobre cultura dos imigrantes asiáticos, como pena por ter se recusado a hospedar uma mulher asiática (com quem já tinha sido acordado isso), justificando isso pelo fato dela ser asiática (e logo sovina, aproveitadora -- e também dizendo "elegemos Trump por isso", ou algo assim :hehe: ), acho que algo mais por essa linha acabaria sendo mais positivo. Talvez conseguissem bolar algum tipo de experiência que o "convertesse" em algum grau, amenizando sua posição ou dando um spin mais compatível com o politicamente correto. Não teve muito tempo que um dos fundadores de um dos maiores sites neonazistas também alegadamente largou mão disso tudo, em função de maior contato com judeus e outros tipos.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 08 de Agosto de 2017, 19:30:12
Pois é, concordo com você. Eles deveriam ter feito a ele um convite ao debate ou outra coisa (como você sugeriu) e tentado convence-lo de que estava errado. Por ter demitido o cara, isso com certeza vai ser usado como exemplo de intolerância pelos mais diversos grupos críticos destas políticas, dos mais moderados aos mais extremistas.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 09 de Agosto de 2017, 00:55:16
Concordo com boa parte do que vocês disseram, mas discordo da crítica que fizeram sobre o argumento do engenheiro sobre os fatores biológicos. Ele apenas defendeu que, com a existência destes fatores, uma igualdade plena nunca seria alcançada (mesmo que toda discriminação seja eliminada). Você nunca verá a engenharia ou a enfermagem dividida ao meio em relação a homens e mulheres, o que é preciso é oferecer igualdade de oportunidades, não de ocupação dos cargos (ignorando completamente os fatores biológicos e demais fatores complexos que influenciam no resultado final)

Eu nem entrei no mérito porque, sinceramente, sequer me atrevo a chutar quais seriam as diferenças fundamentais, para além das diferenças reprodutivas, quais as características tipicamente masculinas/femininas, isolando, se isso fosse possível, a influência do meio. Apenas suponho que as diferenças reprodutivas devam levar a diferenças comportamentais, mas sem muita convicção de que seria algo fixo, independente da condições. Para mim tudo isso é muito nebuloso, prefiro continuar apenas assistindo, comendo minha pipoca.

Mas vamos supor que o engenheiro esteja completamente equivocado em suas suposições, devemos concordar que ele fez um manifesto num tom que convida ao debate. Ele faz sugestões de mudança e pede abertura e tolerância para pontos de vista discordantes, e em todo o texto, ele é educado e sensato em suas opiniões. Não acham que sua intenção foi distorcida pela mídia e pela empresa que o demitiu (já que tratam seu manifesto não como um convite ao debate e abertura a opiniões divergentes, e sim, como um ataque machista a diversidade)?

O que eu li nas entrelinhas foi o de um desabafo de um funcionário insatisfeito com a política da empresa travestido de alerta para as possíveis consequências nefastas dessa política. Péssima estratégia. Melhor talvez que ele tivesse apenas exposto sinceramente suas frustrações, sem essa presunção mal disfarçada. Mas é só minha opinião. É um assunto muito espinhoso para tratar dessa forma.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 09 de Agosto de 2017, 01:10:24
Sim, é um desabafo que profetiza consequências negativas. Mas tudo feito de forma educada e sensata. Quase todas as suas afirmações evitam generalizações e não são feitas de maneira absoluta ("pode ser" ao invés "é" é o que ele usa antes de quase todas as suas afirmações). Ele defende a diversidade (inclusive a de opinião) e deixa claro que sua intenção não é negar a existência de sexismo e discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Ele em suma é a favor de uma a politica de diversidade, só discorda da adotada pela empresa e apresenta uma alternativa para uma nova política de diversidade (convidando ao debate).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 09 de Agosto de 2017, 01:12:56
Se ele tivesse feito um manifesto com discurso de ódio ou que fizesse apologia ao sexismo, seria mais compreensível a reação da mídia ao detonar com ele e a empresa ao demiti-lo, mas com base no que ele escreveu, achei tanto a atitude da mídia quanto da empresa (levando em conta a justificativa que deram para demiti-lo) exageradas, para dizer o mínimo.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 09 de Agosto de 2017, 10:27:08
Sim, é um desabafo que profetiza consequências negativas. Mas tudo feito de forma educada e sensata. Quase todas as suas afirmações evitam generalizações e não são feitas de maneira absoluta ("pode ser" ao invés "é" é o que ele usa antes de quase todas as suas afirmações). Ele defende a diversidade (inclusive a de opinião) e deixa claro que sua intenção não é negar a existência de sexismo e discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Ele em suma é a favor de uma a politica de diversidade, só discorda da adotada pela empresa e apresenta uma alternativa para uma nova política de diversidade (convidando ao debate).

A proposta dele é tão ideológica quanto a que critica, só que na contramão. Pretende mudar o estado atual das coisas assim como a política de inclusão da empresa. Só que ao adotar essa política, a empresa está passando a mensagem de que acredita no sucesso da diversidade, o que significa, quebrar paradigmas estabelecidos, isto é, dar mais oportunidade a minorias, buscar perfis diferentes do que normalmente se verifica no mercado. Diversidade, no caso, não significa diversidade ideológica, mas o contrário. O que na minha opinião é uma estratégia, ou seja, a empresa quer com isso passar a seus clientes a mensagem de que adota uma determinada visão ideológica. Justamente o que ele critica. Trocando em miúdos, ele está declarando que não apenas discorda da política da empresa como duvida do seu sucesso. Veste a camisa quem quer, ninguém é obrigado a trabalhar na empresa. Pode não ser justo, mas é como as coisas funcionam. Na minha opinião, ele foi infeliz, sem noção, para dizer o mínimo, não na argumentação em si, mas no conflito irreconciliável de sua proposta com a da empresa. O que para ele é um problema, para a empresa é uma solução, só que ele inverte as coisas, transferindo o problema para a empresa, se vendendo como solução. Uma péssima estratégia. E note que não estou entrando no mérito da questão, nem tomando partido, apenas avaliando a situação. 

Se ele tivesse feito um manifesto com discurso de ódio ou que fizesse apologia ao sexismo, seria mais compreensível a reação da mídia ao detonar com ele e a empresa ao demiti-lo, mas com base no que ele escreveu, achei tanto a atitude da mídia quanto da empresa (levando em conta a justificativa que deram para demiti-lo) exageradas, para dizer o mínimo.

Demanda, Skeptikós. Tanto a mídia quanto a empresa atendem a demanda. Vendem o que seu público quer comprar. Estão apenas visando o lucro. Culpe o consumidor, não a mídia, não a empresa - elas apenas refletem a visão do consumidor. Não se coloca sal na prateleira para vender açúcar. É prudente entender como as coisas funcionam, sobretudo, suas consequências, mesmo discordando delas.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 09 de Agosto de 2017, 15:00:48
Ele acredita na diversidade de pessoas e não só de opinião. Só que ele crítica o metodo usado pelo Google para atingi-la (ações afirmativas, que são em si mesmas discriminatórias).

Talvez a estratégia da empresa em demiti-lo não tenha sido muito inteligente, já que as ações da empresa caíram cerca de 2% logo após o anúncio de demissão do funcionário (isso pode ter se dado por uma série de fatores, mas uma queda dessa logo após um evento deste é indício de que um pode ter [em parte] causado o outro).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 09 de Agosto de 2017, 16:36:28
Justamente. Enquanto para a empresa ações afirmativas são inclusivas, refletindo seus valores ou, pelo menos, essa é a mensagem que passa, para ele são discriminatórias. Um conflito ideológico irreconciliável, me parece.

Não há consenso quanto a isso, mas a balança, suponho, pende a favor das ações afirmativas, na opinião popular. É a impressão que tenho.

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 09 de Agosto de 2017, 21:29:40
Eu não tenho certeza, muitas pessoas criticam ações afirmativas, acho que somente depois de um estudo sobre este fenômeno para saber qual é a opinião da população sobre elas (será que um estudo neste sentido já existe?).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 12 de Agosto de 2017, 14:43:55
Citar
‘CEO do Google deveria ser demitido’ (http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-do-emprego/2017/08/12/ceo-do-google-deveria-ser-demitido/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=manchetes)
Com a sutileza em falta nos EUA de hoje, Sundar Pichai deveria ter feito o possível para eliminar a tensão na empresa e ter defendido o fluxo de informação
David Brooks/The New York Times
12 Agosto 2017 | 07h06

(https://s13.postimg.org/pp0hcvb9z/sundar-768x512-small.jpg)
O CEO do Google, Sundar Pichai, que demitiu o engenheiro James Damore por supostos comentários preconceituosos. Foto: Akintunde Akinleye/Reuters

Há muitos atores no drama sobre diversidade que se desenrola no Google, mas diria que a pior atuação foi a do CEO da companhia, Sundar Pichai. Mas o primeiro deles é James Damore que escreveu o memorando, onde tentou explicar porque 80% dos empregados na área de tecnologia do Google são homens.  Ele admitiu que são muitos os preconceitos de caráter cultural, mas também citou o componente genético. E descreveu algumas das maneiras pelas quais a distribuição de qualidades é diferente no caso dos homens e das mulheres.

Damore deu início a um longo e polêmico debate sobre genes e comportamento. De um lado há os que acreditam que os seres humanos nascem como uma folha em branco e são formados pelas estruturas sociais. De outro, estão os psicólogos evolucionistas que afirmam que o gene interage com o ambiente e tem importante papel na nossa formação. No geral, os psicólogos estão vencendo o debate.

No tocante às diferenças genéticas entre o cérebro masculino e o feminino, diria que a opinião convencional é de que as capacidades masculina e feminina são as mesmas em muitos campos  – QI, talentos para a matemática, etc. Mas há outros domínios em que em média, o cérebro difere. Parece existir mais conectividade  entre os hemisférios, na média, no cérebro feminino. A exposição pré-natal a diferentes níveis de hormônios masculinos  produz efeitos diferentes durante toda a vida de uma pessoa.

Em seu memorando Damore cita uma série de estudos, defendendo, por exemplo que os homens tendem a se interessar mais por coisas e as mulheres por pessoas. (Interesse não é o mesmo que capacidade). Vários cientistas da área respaldaram os dados oferecidos por ele. “Apesar da maneira como foi descrito, o memorando foi justo e preciso quanto aos fatos”, escreveu Debra Soh no The Globe and Mail, de Toronto.

Geoffrey Miller, psicólogo conhecido, escreveu no Quillette: “Em minha opinião,  todas as afirmações empíricas do memorando são cientificamente exatas”.

Damore foi especialmente cuidadoso ao afirmar que sua pesquisa se aplicava apenas a populações, não indivíduos. “Muitas dessas diferenças são pequenas e muita coisa importante coincide no caso de homens e mulheres, de modo que você não pode afirmar nada sobre um indivíduo levando em consideração as distribuições a nível de população”.

Este é um ponto crucial. Mas naturalmente não vivemos como populações, cada um vive sua vida individualmente.  Deveríamos ter muita simpatia pelo segundo grupo de atores neste drama, que são as mulheres do setor de tecnologia, que sentiram que o memorando de Damore tornou sua vida mais difícil. Imagine-se num ambiente hostil dominado por homens, ser interrompida quando fala nas reuniões, ou ser ignorada, ver sua capacidade colocada em dúvida e alguém dizer que as mulheres têm menos fome de status a são mais vulneráveis ao estresse. Naturalmente você rebateria tais afirmações.

Existe uma tensão que é legítima. Damore descreve uma verdade em um nível; suas críticas contemplam uma verdade diferente, que existe, mas em outro nível. Ele defende no seu memorando a pesquisa científica; elas a igualdade de gênero. É necessária alguma sutileza para harmonizar os dois aspectos, mas é possível.

Claro que sutileza na América moderna está em escassez. O terceiro protagonista nesse drama é Danielle Brown, diretora da área de diversidade no Google.  Danielle não combateu nenhuma das evidências apresentadas por Damore. Apenas escreveu que as opiniões dele eram “suposições incorretas sobre gênero”. Neste caso a ideologia anula a razão.

O quarto ator é a mídia. E a cobertura da imprensa desse caso tem sido atroz.

Conor Friedersdorf escreveu no The Atlantic. “Não me lembro qual foi a última vez que tantas agências de notícias e observadores descaracterizam tantos aspectos de um texto”. Vários jornalistas e críticos aparentemente decidiram que Damore se opõe a tudo que as pessoas esclarecidas acreditam, portanto eles não consideram que ele tenha agido com imparcialidade intelectual.

Essa turba que tem acossado Damore é semelhante à que observamos em muitos campi universitários. Temos nossas teorias sobre a razão pela qual essas manias moralistas se tornaram repentinamente tão comuns.  Diria que a incerteza extrema sobre moralidade, o sentido das coisas e a vida e geral vem provocando uma intensa ansiedade. Algumas pessoas defendem o absolutismo moral num esforço desesperado para encontrar uma base sólida. Elas têm uma rara e reconfortante sensação de certeza moral quando castigam alguém que viola um dos seus tabus sagrados.

E isto nos leva a Pichai, o suposto adulto do grupo. Ele poderia ter feito o possível para eliminar a tensão. Poderia ter defendido o livre fluxo de informação, mas não o fez e se juntou à turba. Despediu Damore e escreveu: “sugerir que um grupo de colegas possui características que o torna biologicamente menos apto a este trabalho é ofensivo e não correto”.

Esta é uma caracterização visivelmente desonesta do memorando. Damore não escreveu nada sobre seus colegas do Google.  Ou Pichai estava despreparado para compreender a pesquisa (improvável),  não é capaz de gerir fluxos de dados complexos (o que é mau no caso de um CEO), ou simplesmente teve medo de enfrentar o grupo enfurecido.

Independentemente disto, o episódio sugere que ele deve assumir uma posição não de liderança. Estamos num momento em que multidões furiosas à esquerda e à direita ignoram as evidências e sacrificam bodes expiatórios. É quando mais precisamos de bons líderes.

 / Tradução de Terezinha Martino
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 12 de Agosto de 2017, 18:41:20
O assunto está rendendo:
Citar
Precisamos falar sobre o Google (http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/alexandre-borges/2017/08/11/precisamos-falar-sobre-o-google/)

    por Alexandre Borges [ 11/08/2017 ] [ 19:36 ] Atualizado em [ 11/08/2017 ] [ 22:20 ]

O episódio envolvendo o agora ex-funcionário do Google James Damore, 28, e a gigante do Vale do Silício, levanta algumas das questões mais importantes deste século. E você realmente deveria prestar atenção.

A Alphabet, holding controladora do Google, não é uma empresa qualquer. Dona da marca mais valiosa do mundo ao lado da Apple, a empresa fundada por Larry Page e Sergey Brin em 1998 é praticamente monopolista no mercado de buscas na internet com quase 80% de participação. Grande parte das bilionárias receitas do grupo vêm da publicidade digital, num duopólio dividido com o Facebook. Juntos, Google e Facebook possuem 50% do mercado segundo a consultoria eMarketer.

Os produtos e serviços mais conhecidos da Alphabet como o Google Maps, YouTube, Chrome, Gmail, entre outros, ultrapassaram a marca de um bilhão de usuários. Os aparelhos que usam o sistema operacional Android, segundo o Google, já superam dois bilhões de usuários ativos. A holding registrou receitas de US$ 26 bilhões no último trimestre, valor 28% acima do registrado no mesmo período no ano passado. Só a receita de publicidade cresceu 18% comparada ao segundo trimestre de 2016. A Comissão Européia recentemente condenou o Google, num processo antitruste, dando uma multa recorde equivalente a R$ 9 bilhões. A condenação foi comemorada por vários acionistas pelo “baixo valor”.

Os números impressionam mas não contam toda história. O Google não é apenas um gigante empresarial, é também o símbolo maior da geração internet, fornecedor de alguns dos serviços mais populares e essenciais da sociedade da informação, patrocinador e entusiasta de um estilo de vida despojado, com escritórios coloridos e “divertidos”, repletos de nerds geniais num ambiente jovem e amigável como mostrado na comédia “Os Estagiários” de 2013. O Google adotou o lema “Não Seja Mau” como uma síntese de suas práticas empresariais, tema que se confunde com a empresa mesmo depois de “aposentado”.

Uma imagem positiva do Google é crucial para que seu poder incomparável não gere pesadelos e calafrios na opinião pública. Se uma única empresa concentra quase toda informação digital que existe, que sabe praticamente tudo sobre todo mundo que faz parte do mercado consumidor no planeta, é preciso acreditar que a empresa é tão impessoal e racional nas suas decisões como governos e empresas públicas deveriam ser.

Assim como a Receita Federal não deve escolher contribuintes para jogar na malha fina por motivos políticos, uma empresa com acesso a uma quantidade inimaginável de informação sobre o que quase todo habitante do planeta conversa por email, como usa seu celular, por onde anda ou o que busca na internet, precisa também contar a mesma confiança da população de que toma decisões com critérios apenas técnicos e sempre em nome da melhor prestação de serviço ao consumidor. O Google precisa necessariamente “não ser mau” para poder coletar, armazenar, processar, ordenar, classificar e utilizar o universo de dados que tem em seus servidores e na “nuvem”.

Nos últimos dias, o mundo começou a se dar conta, antes tarde do que nunca, de que a empresa dos jovens geniais que usam roupas surradas e casuais, das paredes coloridas e salas repletas de almofadas e videogames, dos quase indispensáveis serviços “gratuitos” que servem de infraestrutura para a vida digital de todos nós, é tudo menos uma corporação inofensiva, aberta e democrática, com motivações puramente técnicas e que tem na “diversidade” um dos seus valores mais fundamentais.

Os titãs do Vale do Silício, que concentram a parte que realmente interessa do fluxo de informações e da inovação tecnológica do mundo atual, já davam sinais desde os anos 80 que namoravam com a política e abraçavam ideologias muito mais à esquerda do que a média da população americana. Na última eleição, 90% das doações de campanha originadas no Vale foram para o Partido Democrata, um índice alto até para padrões californianos.

Em 2012, Obama teve nada menos que 84% dos votos do Vale do Silício. Entre funcionários do Google, 97% das doações foram para o democrata. Dos funcionários da Apple, 91% do valor arrecadado foram doados para o antecessor de Donald Trump. Em 2016, 99% de todo dinheiro levantado entre funcionários das empresas de tecnologia da região foram para Hillary Clinton. O Partido Democrata, que representa a esquerda americana, reina sozinho entre os nerds que mandam na internet. A mais emblemática exceção é Peter Thiel, o mítico bilionário fundador do PayPal e um dos investidores responsáveis pela saída do brasileiro Eduardo Saverin do Facebook.

Eric Schimdt (foto abaixo), 62, CEO do Google entre 2001 e 2011, atual chairman da Alphabet e dono de uma fortuna avaliada em US$ 11 bilhões, é um dos mais ativos membros e doadores do Partido Democrata. Foi assessor de Barack Obama nas duas campanhas presidenciais, fez parte do conselho de seu governo para assuntos de tecnologia e é considerado um importante influenciador do partido em assuntos ligados a energias renováveis. Se fosse brasileiro, seria um dos bilionários socialistas que bancam Marina Silva.

(https://s30.postimg.org/l0ix9d3pd/eric-schmidt-small.jpg)

O Vale do Silício fala em “diversidade” mas é o paraíso do pensamento único quando o tema é política. E as consequências nefastas da opção ideológica hegemônica e radical do centro mundial da internet e especificamente do Google começam a dar os primeiros sinais. E eles não são nada positivos.

O Google é alvo preferencial de ativistas de extrema-esquerda por conta da composição do seu quadro de funcionários. Segundo a própria empresa, 80% dos seus funcionários da área de tecnologia são homens. Em cargos de liderança, 75%. São dados comuns em corporações de tecnologia, mas como o Google é particularmente permeável a pressões políticas de esquerda e tende a aceitar alegremente a patrulha ideológica, criou uma série de ações internas e de publicidade para mostrar aos investidores e ao mundo como está preocupado com o assunto, mesmo que as preocupações ainda não se reflitam significativamente em números.

Além da predominância masculina entre os googlers, há também uma presença notável de 40% de asiáticos entre seus quadros de tecnologia contra 3% de hispânicos e 1% de negros, o que também não coincide com a média da população americana que é composta de 5% de asiáticos, 16% de hispânicos e 13% de negros. Para quem não politiza decisões empresarias de negócios privados, não há qualquer problema numa empresa escolher quem quiser para contratar ou demitir, mas não é assim que as coisas funcionam, especialmente no ambiente cada vez mais problematizador do Vale do Silício.

Asiáticos costumam representar um incômodo tão grande às teses racialistas da esquerda que costumam ser simplesmente ignorados. Se a causa da “falta de diversidade” numa corporação como o Google é da sociedade ocidental branca cristã patriarcal heteronormativa, ou qualquer outro clichê cafona do tipo, como explicar que 2 entre cada 5 funcionários da área de tecnologia da empresa são oriundos da Ásia, uma proporção dez vezes maior que a média total do país?

Um dos quadros mais destacados do Google, membro de um grupo formado por apenas 1% dos seus funcionários com classificação máxima de desempenho, ousou tentar abrir uma conversa honesta sobre “diversidade” após participar de um evento fechado da empresa para funcionários. Ele tem tem uma sólida formação acadêmica, foi campeão de xadrez na infância e é mestre em Biologia Sistêmica por Harvard. O agradecimento recebido pela contribuição foi uma demissão com direito a ataques públicos de vários executivos do grupo, o que deverá render no futuro uma boa indenização para ele.

(https://s22.postimg.org/jr84ei7tt/james-damore-5-small.jpg)

James Damore (foto acima) fez circular um memorando de 10 páginas em que citava pesquisas que provam o que qualquer um com um mínimo de bom senso sabe: há diferenças biológicas entre homens e mulheres e estas diferenças podem explicar, em parte, o motivo da “baixa” representação de mulheres em cargos de tecnologia. Damore deixou claro em seu texto que é um entusiasta da diversidade e sua intenção com o documento era buscar formas mais eficientes e criativas de engajar mulheres na área e não “perpetuar estereótipos”, como foi lamentavelmente dito sobre o assunto.

O jovem pesquisador não fez um panfleto ideológico mas um paper acadêmico que deveria ser levado a sério num ambiente onde a diversidade de pensamento fosse realmente um valor e houvesse uma busca desinteressada, impessoal, despolitizada e honesta pela verdade. O psicanalista canadense Jordan Peterson, 55, que ganhou fama mundial e conquistou uma legião de fãs ao enfrentar a patrulha ideológica de gênero em seu pais recentemente, revisou o documento e atestou sua qualidade científica.

Ao demitir de forma sumária e ruidosa um de seus melhores funcionários, o Google agiu de forma particularmente autoritária e condenável. O episódio lembra a constrangedora demissão da ex-superintendente do Banco Santander Sinara Polycarpo em 2014, quando uma análise assinada por seu departamento e direcionada apenas aos clientes VIPs trouxe, veja você, uma previsão negativa sobre a reeleição de Dilma Rousseff para a economia brasileira.

Lula pediu sua cabeça para o presidente do banco, Emilio Botin, que sucumbiu à pressão. Sinara, que trabalhou oito anos no banco, não poderia estar mais certa em suas previsões, técnicas e apartidárias. A executiva descobriu depois, assim como James Damore, que nem sempre a verdade é bem vinda. Sinara venceu em primeira instância um processo trabalhista contra o banco pela tentativa de assassinato público de reputação.

Por mais preocupante que pudesse ser a decisão do Santander para bajular Lula, a reação da sociedade poderia ser desde manifestações de repúdio até um boicote aos seus serviços, já que a troca de fornecedores de serviços bancários é algo relativamente simples no Brasil. O caso Google é muito mais complexo.

Os serviços prestados pelo Google são tão importantes para o fluxo de informações da internet que já há um movimento para classificar a empresa e seus concorrentes como “utilidade pública”, assim como são classificadas empresas de luz, água, esgoto, transportes de passageiros, serviços financeiros, planos de saúde, entre outros. A mudança acarreta na criação de uma legislação regulatória específica e muito mais rígida, com a participação de agências reguladores específicas.

Por mais antiliberal que possa parecer um novo marco regulatório para empresas como Google, Facebook ou Whatsapp, é inegável que a interrupção abrupta da prestação de seus serviços ou uma ideologização radical de suas decisões empresariais poderiam ter impactos profundos na vida do cidadão, assim como aconteceria com uma administração politizada de empresas de serviços essenciais e considerados como de utilidade pública.

Tente imaginar, por absurdo, ativistas dirigindo a AES Eletropaulo, fornecedora de serviços de luz da região metropolitana da cidade de São Paulo. Estes diretores poderiam decidir cortar a energia para hospitais que não realizassem abortos? Liberais e conservadores já defenderam o direito de confeiteiros americanos de não vender bolos para festas de uniões homoafetivas, mas é possível comprar bolos e doces em qualquer esquina e a decisão destes confeiteiros evidentemente abre um nicho de mercado potencial para seus concorrentes. É possível aplicar o mesmo critério a produtos e serviços essenciais e que não poderiam, em tese, ser interrompidos ou substituídos com facilidade?

Ninguém vai sequer admitir a possibilidade de que o Google espione as contas de Gmail de seus clientes por motivos políticos, mas a asfixia financeira que o YouTube vem promovendo em canais de vídeo conservadores não ajuda muito a eliminar suspeitas. A própria CEO do YouTube fez declarações públicas duríssimas contra James Damore e seu memorando, dando uma interpretação radicalmente ideológica ao seu conteúdo.

O Google não está sozinho neste caminho preocupante. O Facebook é alvo constante de denúncias sobre suas análises com viés ideológico de esquerda sobre o conteúdo de posts e eventuais punições a usuários e páginas. A rede de Mark Zuckerberg, um bilionário com aspirações políticas e provável candidato a presidente do país no futuro, é também acusada de classificar como “fake news” notícias publicadas usando critérios político-ideológicos.

O Twitter, cujo viés de esquerda é público e notório, chegou ao cúmulo de censurar recentemente um tweet do filho do presidente, Eric Trump, comemorando os números de geração de empregos na economia americana. O tweet foi apagado pelo sistema porque teria “conteúdo sensível”. Sensível para a esquerda americana, evidentemente.

(https://s4.postimg.org/gzktsp4kd/twitte.jpg)

É preciso uma discussão urgente, madura e equilibrada, sobre como lidar com a crescente politização das principais empresas de tecnologia e que possuem o controle de grande parte da informação que circula no mundo. A esquerda pedirá a estatização ou o “controle social”, um eufemismo para intervencionismo fascistóide. Liberais mais ideológicos dirão que “o mercado regula” e pedirão menos regras como solução.

Sou liberal na economia e tenho uma aversão natural a qualquer tipo de regulação estatal autocrática, mas há argumentos respeitáveis dos que pedem ao menos o reconhecimento destes serviços como de “utilidade pública”, o que abre a possibilidade de serem sujeitos a regras como já acontece com empresas de setores também considerados essenciais.

Não tenho ilusões de perfeição até com conselhos setoriais privados ou da sociedade civil, como acontece com o Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, que mesmo não sendo um órgão estatal já foi influenciado por patrulhas ideológicas e tomou decisões esdrúxulas como proibir uma propaganda de cerveja por ter modelo de biquíni no cartaz alegando ser “sensual demais”, mesmo no país do Carnaval e de todo tipo de vulgaridade na TV.

Vou sempre preferir a livre concorrência e menos regulações para atrair novos concorrente ao mercado e desafiar a liderança de empresas que estejam prestando um desserviço ao consumidor ou à sociedade. Independente da sua posição sobre como não deixar a sociedade da informação refém de meia dúzia de corporações cada vez mais ideológicas, não é mais possível ignorar o problema e adiar o debate.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 12 de Agosto de 2017, 18:50:35
Com a palavra, o demitido:
Citar
Why I Was Fired by Google (https://www.wsj.com/amp/articles/why-i-was-fired-by-google-1502481290)
James Damore says his good-faith effort to discuss differences between men and women in tech couldn’t be tolerated in the company’s ‘ideological echo chamber’
Former Google software engineer James Damore.Photo: Peter Duke
James Damore
Aug. 11, 2017 3:54 p.m. ET

I was fired by Google this past Monday for a document that I wrote and circulated internally raising questions about cultural taboos and how they cloud our thinking about gender diversity at the company and in the wider tech sector. I suggested that at least some of the male-female disparity in tech could be attributed to biological differences (and, yes, I said that bias against women was a factor too). Google Chief Executive Sundar Pichai declared that portions of my statement violated the company’s code of conduct and “cross the line by advancing harmful gender stereotypes in our workplace.”

My 10-page document set out what I considered a reasoned, well-researched, good-faith argument, but as I wrote, the viewpoint I was putting forward is generally suppressed at Google because of the company’s “ideological echo chamber.” My firing neatly confirms that point. How did Google, the company that hires the smartest people in the world, become so ideologically driven and intolerant of scientific debate and reasoned argument?

We all have moral preferences and beliefs about how the world is and should be. Having these views challenged can be painful, so we tend to avoid people with differing values and to associate with those who share our values. This self-segregation has become much more potent in recent decades. We are more mobile and can sort ourselves into different communities; we wait longer to find and choose just the right mate; and we spend much of our time in a digital world personalized to fit our views.

Google is a particularly intense echo chamber because it is in the middle of Silicon Valley and is so life-encompassing as a place to work. With free food, internal meme boards and weekly companywide meetings, Google becomes a huge part of its employees’ lives. Some even live on campus. For many, including myself, working at Google is a major part of their identity, almost like a cult with its own leaders and saints, all believed to righteously uphold the sacred motto of “Don’t be evil.”

Echo chambers maintain themselves by creating a shared spirit and keeping discussion confined within certain limits. As Noam Chomsky once observed, “The smart way to keep people passive and obedient is to strictly limit the spectrum of acceptable opinion ( :!:), but allow very lively debate within that spectrum.”

But echo chambers also have to guard against dissent and opposition. Whether it’s in our homes, online or in our workplaces, a consensus is maintained by shaming people into conformity or excommunicating them if they persist in violating taboos. Public shaming serves not only to display the virtue of those doing the shaming but also warns others that the same punishment awaits them if they don’t conform.  :!: :!:

In my document, I committed heresy against the Google creed by stating that not all disparities between men and women that we see in the world are the result of discriminatory treatment. When I first circulated the document about a month ago to our diversity groups and individuals at Google, there was no outcry or charge of misogyny. I engaged in reasoned discussion with some of my peers on these issues, but mostly I was ignored.

Everything changed when the document went viral within the company and the wider tech world. Those most zealously committed to the diversity creed—that all differences in outcome are due to differential treatment and all people are inherently the same—could not let this public offense go unpunished. They sent angry emails to Google’s human-resources department and everyone up my management chain, demanding censorship, retaliation and atonement.

Upper management tried to placate this surge of outrage by shaming me and misrepresenting my document, but they couldn’t really do otherwise: The mob would have set upon anyone who openly agreed with me or even tolerated my views. When the whole episode finally became a giant media controversy, thanks to external leaks, Google had to solve the problem caused by my supposedly sexist, anti-diversity manifesto, and the whole company came under heated and sometimes threatening scrutiny.

It saddens me to leave Google and to see the company silence open and honest discussion. If Google continues to ignore the very real issues raised by its diversity policies and corporate culture, it will be walking blind into the future—unable to meet the needs of its remarkable employees and sure to disappoint its billions of users.

—Mr. Damore worked as a software engineer at Google’s Mountain View campus from 2013 until this past week.
Editors' Picks
Bem fundamentado.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 12 de Agosto de 2017, 21:04:03
Citar
Eticista Peter Singer: Google errou ao demitir James Damore

James Damore, um engenheiro de software na Google, escreveu um memorando em que argumentava que há diferenças entre homens e mulheres que podem explicar, em parte, por que há menos mulheres que homens nessa área de ocupação. Por isso, a Google o demitiu.
O CEO da Google, Sundar Pichai, mandou a seus funcionários um memorando dizendo que “muito do que estava naquele memorando era digno de debate”, mas que partes dele passam dos limites ao avançar “estereótipos danosos de gênero no nosso ambiente de trabalho”.
Pichai não especificou que seções do memorando discutiam questões que são justas de serem debatidas, e que porções passam dos limites. Isso seria difícil de fazer, porque o memorando inteiro diz respeito a se certos estereótipos de gênero têm base na realidade. Damore argumenta que há evidências para mostrar que as mulheres, comparadas aos homens, tendem a:

  • ser mais interessadas em pessoas
  • ser menos interessadas em analisar ou construir sistemas
  • ter maior ansiedade e menor tolerância a estresse
  • ter uma motivação menor pelo status
  • ser mais interessadas em equilibrar vida social e trabalho

Damore é cuidadoso em apontar que as evidências para essas alegações não mostram que todas as mulheres têm essas características em um nível maior que os homens. Ele diz que muitas dessas diferenças são pequenas, que há uma intersecção significativa entre homens e mulheres, e que “não se pode dizer nada sobre um indivíduo dadas essas distribuições em nível populacional”. Ele mostra isso com um gráfico, também. Ele diz que reduzir pessoas à sua identidade de grupo é ruim.

Há pesquisas científicas apoiando as opiniões expressadas por Damore. Há também bases para questionar algumas dessas pesquisas. Ao avaliar a ação da Google ao demitir Damore, não é necessário decidir qual lado está certo, mas somente se a opinião de Damore é algo que um funcionário da Google deveria ter permissão para expressar.

Eu acho que sim. Primeiro, como eu disse, não é alguma opinião distorcida e maluca. Há artigos sérios, publicados nos principais periódicos científicos revistos por pares, apoiando a opinião.

Em segundo lugar, ela lida com uma questão importante. A Google está certa em se preocupar com o fato de que grande parte de sua força de trabalho é masculina. O sexismo em muitas áreas do emprego é bem documentado. Os empregadores devem estar alertas para a possibilidade de que estão discriminando as mulheres, e devem tomar medidas para prevenir tal discriminação. Algumas orquestras agora conduzem seleções cegas — o músico toca por trás de uma tela, de forma que quem está julgando não saiba se estão ouvindo um homem ou uma mulher [tocando]. Isso levou a um aumento dramático no número de mulheres nas orquestras. Mais empresas deveriam considerar possibilidades de similarmente cegar a si mesmas, no ato de contratação, ao gênero dos candidatos.
Mas uma vez que tais medidas anti-discriminação tenham sido tomadas ao máximo, o fato de que uma força de trabalho numa indústria em particular é predominantemente masculina prova que houve discriminação? Não, se o tipo de trabalho oferecido provavelmente é mais atrativo para mais homens que mulheres.

Se a opinião que Damore defende está certa, isso será verdade para a engenharia do software. Se é, então seria questionável ir para além de evitar a discriminação nas contratações e promover uma política de dar preferência a mulheres acima de homens.
Isso não é o mesmo que dizer que seria impossível justificar. Por exemplo, em algumas profissões, ter modelos exemplares femininos é importante, e uma razão válida para dar preferência a mulheres, quando há outros candidatos que de outra forma são igualmente qualificados. Pode haver também outras razões, específicas de diferentes indústrias e profissões, para pensar que é desejável ter um equilíbrio mais paritário de homens e mulheres. Mas argumentos precisariam ser dados para isso, na área particular de emprego em que tal política fosse sugerida.

Então, numa questão importante, Damore ofereceu uma opinião que tem apoio científico razoável, e sobre a qual é improtante saber quais são os fatos. Por que, então, ele foi demitido?

Pichai, CEO da Google, diz que “sugerir que um grupo de nossos colegas têm características que os fazem menos biologicamente adequados para aquele trabalho é ofensivo e não OK”. Mas Damore explicitamente, e mais de uma vez, deixou claro que ele não estava reduzindo indivíduos a um grupo, e dessa forma não estava dizendo que todas — ou mesmo, necessariamente, quaisquer — mulheres empregadas pela Google como engenheiras de software fossem menos biologicamente adequadas para o seu trabalho que os homens. A Google é um empregador muito seletivo, e assim é muito provável que os processos de seleção da Google levaram à contratação de mulheres que são, em características específicas, não típicas de mulheres como um todo. O alvo do memorando de Damore era a ideia de que devemos esperar que mulheres integrem metade da força de trabalho da engenharia do software, que a Google deveria tomar medidas direcionadas a atingir esse resultado.

Pichai também cita o Código de Conduta da Google, que espera que “cada funcionário da Google faça o seu melhor para criar uma cultura de ambiente de trabalho que seja livre de assédio, intimidação, viés e discriminação ilegal”. O memorando de Damore não assediou ou intimidou ninguém, e numa sociedade que protege a liberdade de expressão não havia nada ilegal nele. Era enviesado? Para mostrar que era, seria necessário demonstrar que Damore foi enviesado ao selecionar certos estudos científicos que apoiavam sua opinião enquanto desconsiderou outros que fossem contra ela. Talvez tal argumento pudesse — ou devesse — ser feito, mas fazê-lo demandaria algum tempo e pesquisa. De qualquer forma, Pichai não tenta, nem mesmo de forma passageira, fazê-lo.
Ironicamente, o que Pichai fez, ao demitir Damore, é precisamente o contrário da passagem que ele cita. Ele criou uma cultura de ambiente de trabalho em que aqueles com opiniões como a de Damore serão intimidados a ficarem em silêncio.

***
Peter Singer (https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Singer), 71, é um dos filósofos eticistas mais bem-sucedidos ainda em atividade no mundo, professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Ética Prática, entre outros bestsellers, e mais recentemente de Ethics in the Real World. Publicado originalmente em New York Daily News (http://www.nydailynews.com/opinion/google-wrong-article-1.3399750), 10 de agosto de 2017.

O Google errou não somente em demitir Damore, mas primeiramente em pintar seu memorando como um texto sexista e anti-diversidade (coisa que ele está longe de ser).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 13 de Agosto de 2017, 03:38:00
Aqui (http://slatestarcodex.com/2017/08/07/contra-grant-on-exaggerated-differences/) seguiu-se um debate interessante entre dois cientistas que discordaram entre eles sobre as afirmações sobre diferenças de gênero no memorando do engenheiro da Google.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 16 de Agosto de 2017, 16:11:49
O Pirula comentou sobre o assunto:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 16 de Agosto de 2017, 16:14:59
O resumo é que ele discordou das conclusões do cara sobre os artigos científicos que ele citou, mas discordou também da interpretação da mídia sobre o memorando. Para ele, o memorando foi educado e sensato (apesar de conter erros na interpretação dos dados dos estudos citados).
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 17 de Agosto de 2017, 09:41:07
Algo vai esquisito lá pelas bandas do Google.
Acabei de checar e não é Teoria da Conspiração:

Google apaga brancos da história (http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/google-apaga-brancos-da-historia/)

Se digitar "American inventors", Google retorna isso:
(https://s3.postimg.org/mv2hwh6k3/american-inventors-1024x319-small.jpg)

Se digitar "White couple", volta isso:
(https://s3.postimg.org/fgd643koj/white-couple-small.jpg)

Mais exemplos no artigo (http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/google-apaga-brancos-da-historia/) acima.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 17 de Agosto de 2017, 09:48:40
Fiz minha própria pesquisa (https://www.google.com.br/search?q=happy+american+couple&num=50&client=firefox-b-ab&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0ahUKEwiA1pXOo97VAhXGIZAKHQaWC6oQ7AkIOQ&biw=1920&bih=913) no Google Images para "Happy american couple":

(https://s21.postimg.org/cquveygt3/happy-medium.jpg)
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Luiz F. em 17 de Agosto de 2017, 09:51:22
A resposta desse cara faz sentido:

Citar
Gustavo Ats · Etec Fernando Prestes
Ahh isso eh explicável pela técnica de Google bomb.
Entendendo o algoritmo de busca deles, é fácil entender por que isso acontece.

O Google trabalha com robôs de busca (os chamados bots) eles saem navegando de link em link e contam os resultados. Quanto mais links pra aquela página, mais alta ela fica nas buscas.

Ultimamente o Google vem investindo em inteligência artificial e "espionagem" pra melhorar os resultados das buscas também.

Junte isso a bilhões de sites de textões e de mímimi politicamente correto e pimba: os robôs do Google entendem que aqueles são os melhores resultados para vc.

Como é escrito um texto sobre um inventor negro : fulano foi o primeiro negro a..
Um branco:
Ciclano foi o inventor de...

Junta isso tudo a vários site lá de justiceiros sociais dizendo que a importância do invento x por um negro (linkando a Wikipédia e tal) é zero citando o inventor branco ....

No fim , tudo isso é preocupante. As pessoas se preocupando mais com a cor da pele do que com os avanços que ocorreram em determinadas áreas, mas culpar o Google por isso é besteira ( no nível daqueles que chamaram a Sony de racista pq o detector de face não funcionava direito em pessoas negras sob baixa iluminação)

Dica: pesquise o mesmo em outros buscadores. :wink:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 17 de Agosto de 2017, 09:54:57
A resposta desse cara faz sentido:

Citar
Gustavo Ats · Etec Fernando Prestes
Ahh isso eh explicável pela técnica de Google bomb.
Entendendo o algoritmo de busca deles, é fácil entender por que isso acontece.

O Google trabalha com robôs de busca (os chamados bots) eles saem navegando de link em link e contam os resultados. Quanto mais links pra aquela página, mais alta ela fica nas buscas.

Ultimamente o Google vem investindo em inteligência artificial e "espionagem" pra melhorar os resultados das buscas também.

Junte isso a bilhões de sites de textões e de mímimi politicamente correto e pimba: os robôs do Google entendem que aqueles são os melhores resultados para vc.

Como é escrito um texto sobre um inventor negro : fulano foi o primeiro negro a..
Um branco:
Ciclano foi o inventor de...

Junta isso tudo a vários site lá de justiceiros sociais dizendo que a importância do invento x por um negro (linkando a Wikipédia e tal) é zero citando o inventor branco ....

No fim , tudo isso é preocupante. As pessoas se preocupando mais com a cor da pele do que com os avanços que ocorreram em determinadas áreas, mas culpar o Google por isso é besteira ( no nível daqueles que chamaram a Sony de racista pq o detector de face não funcionava direito em pessoas negras sob baixa iluminação)

Dica: pesquise o mesmo em outros buscadores. :wink:

Pode ser uma boa explicação.
Mas fica esquisito.
 :confuso:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Luiz F. em 17 de Agosto de 2017, 10:07:54
De fato...
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 17 de Agosto de 2017, 11:18:09
Pesquisei por "o maior ladrão do brasil" e o resultado nas imagens foi este:

(http://i.imgur.com/JtjTV70.jpg)

Acho que o Google está calibrado.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Fabrício em 17 de Agosto de 2017, 12:52:27
Pesquisei por "o maior ladrão do brasil" e o resultado nas imagens foi este:

(http://i.imgur.com/JtjTV70.jpg)

Acho que o Google está calibrado.

Complexo de vira-latas detectado. Digite "o maior ladrão do mundo" e o resultado será o mesmo.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 17 de Agosto de 2017, 12:58:35
Dica: pesquise o mesmo em outros buscadores. :wink:

(https://uploaddeimagens.com.br/images/001/047/071/original/Screenshot_2017-08-17-12-25-06.png?1502985138)
A explicação do algoritmo e dos boots faz sentido.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 17 de Agosto de 2017, 13:41:56
Calma, gente! Se vocês pesquisarem por "inventores americanos" os brancos voltam a protagonizar a história. Embora negros e até algumas mulheres sejam forçosamente introduzidos no mesmo balaio, onde já se viu (ironia).  :P
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 17 de Agosto de 2017, 15:10:14
A pesquisa em português é menos viesada mesmo. Brancos e negros aparecem nos resultados (com os brancos superando um pouco os negros) de maneira mais próxima e proporcional com a realidade.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 17 de Agosto de 2017, 15:20:45
Eu li o texto do Rodrigo Constantino ainda antes do Gabarito postar e achei um absurdo mesmo. Mas depois estava pensando um pouco e concluí que não poderia ser influência do Google os resultados porque eles estão pouco de lixando para o que o google retorna.

A prova disso é pesquisar por filmes e o resultado vir com mais preferência aos filmes completos postados ilegalmente no youtube que aos filmes oficialmente alugáveis via google play. Já presenciei isso uma vez.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Luiz F. em 17 de Agosto de 2017, 15:24:41
A questão é que o Google e similares são apenas o sintoma. O que ocorre é que se tem criado e difundido muito mais conteúdo ""revisionista"" nos últimos tempos. Isso acaba influenciando muito nos resultados das pesquisas dos buscadores. É mais um reflexo do momento mimimi que vivemos hoje.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 17 de Agosto de 2017, 15:32:25
Eu li o texto do Rodrigo Constantino ainda antes do Gabarito postar e achei um absurdo mesmo. Mas depois estava pensando um pouco e concluí que não poderia ser influência do Google os resultados porque eles estão pouco de lixando para o que o google retorna.

A prova disso é pesquisar por filmes e o resultado vir com mais preferência aos filmes completos postados ilegalmente no youtube que aos filmes oficialmente alugáveis via google play. Já presenciei isso uma vez.

A questão é que o Google e similares são apenas o sintoma. O que ocorre é que se tem criado e difundido muito mais conteúdo ""revisionista"" nos últimos tempos. Isso acaba influenciando muito nos resultados das pesquisas dos buscadores. É mais um reflexo do momento mimimi que vivemos hoje.

Acho que pode mesmo ser falha na programação desse gigantesco Big Data que tem se transformado o mundo digital na internet, com seus robôs e scripts.
Mesmo assim, procuro entender como uma falha de programação pode direcionar todos os resultados de "Happy american couple" ou "White couple" para casais negros, bi-raciais ou homossexuais.
Tudo bem para "American inventors" ou coisa mais técnica/histórica, mas "felicidade"?
 :confuso:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 17 de Agosto de 2017, 15:34:30
A questão é que o Google e similares são apenas o sintoma. O que ocorre é que se tem criado e difundido muito mais conteúdo ""revisionista"" nos últimos tempos. Isso acaba influenciando muito nos resultados das pesquisas dos buscadores. É mais um reflexo do momento mimimi que vivemos hoje.

Eu vou ser polêmico aqui, mas acho meio incômodo a falta de representatividade das demais etnias na mídia e publicidade em geral como era antigamente. Hoje esses movimentos pró minoria estão passando dos limites, mas antigamente fazia sentido.

Há 15-20 anos praticamente não apareciam negros ou pardos nas peças de publicidade, pois o ideal de modelos sempre foram os branquinhos, mesmo a gente vivendo num país miscigenado.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 17 de Agosto de 2017, 15:40:53
Eu li o texto do Rodrigo Constantino ainda antes do Gabarito postar e achei um absurdo mesmo. Mas depois estava pensando um pouco e concluí que não poderia ser influência do Google os resultados porque eles estão pouco de lixando para o que o google retorna.

A prova disso é pesquisar por filmes e o resultado vir com mais preferência aos filmes completos postados ilegalmente no youtube que aos filmes oficialmente alugáveis via google play. Já presenciei isso uma vez.

A questão é que o Google e similares são apenas o sintoma. O que ocorre é que se tem criado e difundido muito mais conteúdo ""revisionista"" nos últimos tempos. Isso acaba influenciando muito nos resultados das pesquisas dos buscadores. É mais um reflexo do momento mimimi que vivemos hoje.

Acho que pode mesmo ser falha na programação desse gigantesco Big Data que tem se transformado o mundo digital na internet, com seus robôs e scripts.
Mesmo assim, procuro entender como uma falha de programação pode direcionar todos os resultados de "Happy american couple" ou "White couple" para casais negros, bi-raciais ou homossexuais.
Tudo bem para "American inventors" ou coisa mais técnica/histórica, mas "felicidade"?
 :confuso:

Não é falha. É estatística.

Eu acabei de pesquisar pelos mesmos termos no banco de imagens www.gettyimages.com, que jornais usam para ilustrar matérias por exemplo, e lá temos quase os mesmos resultados. E as imagens são deles mesmos, e não de buscas pela web.

Eu pesquisei por "happy couple" e aparecem casais bem variados. Quando pesquisamos por "happy american couples", aparecem mais negros. Então isso parece ser uma tendência da publicidade, para talvez atingir mais este público em específico.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 17 de Agosto de 2017, 15:43:03

Não é falha. É estatística.

Eu acabei de pesquisar pelos mesmos termos no banco de imagens www.gettyimages.com, que jornais usam para ilustrar matérias por exemplo, e lá temos quase os mesmos resultados. E as imagens são deles mesmos, e não de buscas pela web.

Eu pesquisei por "happy couple" e aparecem casais bem variados. Quando pesquisamos por "happy american couples", aparecem mais negros. Então isso parece ser uma tendência da publicidade, para talvez atingir mais este público em específico.

Explicadíssimo!
Assunto encerrado.
Pode mandar para arquivo.
:)
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 17 de Agosto de 2017, 16:36:30

Não é falha. É estatística.

Eu acabei de pesquisar pelos mesmos termos no banco de imagens www.gettyimages.com, que jornais usam para ilustrar matérias por exemplo, e lá temos quase os mesmos resultados. E as imagens são deles mesmos, e não de buscas pela web.

Eu pesquisei por "happy couple" e aparecem casais bem variados. Quando pesquisamos por "happy american couples", aparecem mais negros. Então isso parece ser uma tendência da publicidade, para talvez atingir mais este público em específico.

Explicadíssimo!
Assunto encerrado.
Pode mandar para arquivo.
:)

Nunca está encerrado. O dia que a Google mudar o nome para SkyNet, estamos ferrados.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Luiz F. em 17 de Agosto de 2017, 18:44:09
É bem o que o Lorentz falou. Questão de estatística e do momento que vivemos. Os conteúdos, hoje, mais politicamente corretos e engajados acabam sendo grande parte dos dados que são criados, compartilhados, referenciados e linkados, o que faz os algoritmos de busca considerarem estes mais relevantes para apresentarem nas buscas. Sintoma do momento em que vivemos.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 17 de Agosto de 2017, 21:10:03
E isso não quer dizer que a maioria das pessoas está satisfeita com os resultados que retornam ou com esses conteúdos politicamente corretos que influenciam no retorno destes resultados. Só que muitas dessas pessoas que criticam o politicamente correto, criando conteúdo ou comentando conteúdo relacionado a isso acabam de tabela entrando para a estatística que favorece o aumento no número de resultados que retornam nos buscadores associado a estes conteúdos.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 17 de Agosto de 2017, 23:35:45
E isso não quer dizer que a maioria das pessoas está satisfeita com os resultados que retornam ou com esses conteúdos politicamente corretos que influenciam no retorno destes resultados. Só que muitas dessas pessoas que criticam o politicamente correto, criando conteúdo ou comentando conteúdo relacionado a isso acabam de tabela entrando para a estatística que favorece o aumento no número de resultados que retornam nos buscadores associado a estes conteúdos.

Sei não! Os movimentos de defesa das minorias nem de longe se restringem, são compostos ou apoiados apenas por elas, mas muito mais abrangentes ou assim me parece, a julgar pelas manifestações mundo a fora, nas redes e nas ruas, apesar das reações, também esperadas. A diversidade nas relações de trabalho, amizade e amorosas foi se tornando cada vez mais comum nas últimas décadas em boa parte do mundo com a globalização. E tudo indica que essa seja a tendência. 
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 18 de Agosto de 2017, 10:56:57
Não nego, mas os opositores destes movimentos também contribuem para aumentar as estatísticas de busca destes termos, já que eles criam, compartilham e comentam muitos destes conteúdos também na forma de crítica, como uma resposta aos ativistas do politicamente correto.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 18 de Agosto de 2017, 17:44:06
Não nego, mas os opositores destes movimentos também contribuem para aumentar as estatísticas de busca destes termos, já que eles criam, compartilham e comentam muitos destes conteúdos também na forma de crítica, como uma resposta aos ativistas do politicamente correto.

Pode ser, se o sistema for "cego" para aprovação/rejeição, diferente do que eu supunha, achei que fosse mais "inteligente", devo ter interpretado mal as explicações que li por aí.  :?
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 18 de Agosto de 2017, 18:57:31
Quais são as explicações? talvez eu esteja errado.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: AlienígenA em 18 de Agosto de 2017, 20:08:38
Quais são as explicações? talvez eu esteja errado.

Bom, me pareceu que as estatísticas refletissem algo mais próximo da realidade, tipo um medidor de aprovação/rejeição, interesses e preferências gerais, com base no cruzamento dos dados de busca dos usuários com os das redes socais, dando retorno e, inclusive sugestões, a partir disso.  :hein:
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 18 de Agosto de 2017, 21:51:41
Acho que só medem a popularidade dos assuntos, e isso incluiria críticas e elogios (ou até mesmo menções neutras). Mas não tenho certeza.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 30 de Agosto de 2017, 16:18:36
Boa entrevista.
Explicou muita coisa.
O rapaz que foi demitido responde perguntas:
Citar
“Ser conservador no Google é como ser gay nos anos 1950” (http://veja.abril.com.br/mundo/ser-conservador-no-google-e-como-ser-gay-nos-anos-1950/)
Em entrevista a VEJA, engenheiro demitido por "promover estereótipos de gênero" critica ambiente "sufocante" da empresa - e reafirma seu ponto de vista
Por Cláudio Goldberg Rabin
29 ago 2017, 13h18

No início de agosto, o engenheiro James Damore foi demitido do Google por defender em um memorando que a desigualdade entre homens e mulheres na indústria da tecnologia é resultado de diferenças biológicas. Quando o documento vazou para a imprensa, foi chamado de sexista, de preconceituoso e até de nazista. Alguns dias depois, o CEO do Google, Sundar Pichai, interrompeu as férias para demitir o funcionário. Segundo Pichai, o “memorando antidiversidade”, como ficou conhecido o documento, violou o código de conduta da empresa “ao promover estereótipos de gênero nocivos no ambiente de trabalho”.

Damore, que ingressou na empresa em 2013, após abandonar um doutorado em biologia matemática em Harvard, argumenta que, em média, homens e mulheres têm interesses inatos distintos, o que levaria a uma preponderância feminina em áreas ligadas a pessoas e as distanciaria das engenharias. Para ele, as políticas da empresa, cuja meta é ter 50% de engenheiras e 50% de engenheiros, partem de premissas equivocadas. No memorando compartilhado com colegas da empresa, o engenheiro aproveita para criticar o ambiente político de “tendência esquerdista” do Google e a patrulha do politicamente correto.

Não há respaldo científico para as conclusões que ele chega a partir dos estudos usados no memorando – ao contrário, para a britânica Angela Saini, que analisou inúmeras teses sobre o tema, não há evidências de que os cérebros de homens e o de mulheres sejam significativamente diferentes. Mas, ao demitir um funcionário por suas opiniões, o Google também foi contestado. Em entrevista exclusiva a VEJA, Damore reafirma que homens e mulheres têm inclinações distintas, ataca os “guerreiros da justiça social” e diz que o ambiente “ultraprogressista” do Google chega a ser sufocante. “Pessoas com visões diferentes não podem dizer nada e são constrangidas ao silêncio”, disse. Confira abaixo trechos da conversa:

Como é o ambiente do Google? Há uma crença popular de que os conservadores são maus e burros. É uma crença perversa em que tantas pessoas nesse meio acreditam. Então, os conservadores precisam ficar no armário e disfarçar quem eles são de verdade. É um ambiente horrível. De muitas maneiras, é como ser gay nos anos 1950. As pessoas nesse meio ultraprogressista nem conseguem perceber como é opressivo para os outros. Pessoas com visões diferentes não podem dizer nada e são constrangidas ao silêncio, porque o Google é muito rígido na cultura do politicamente correto.

Por que o sr. escreveu o memorando? Eu fazia parte de um projeto de diversidade do Google. Nesses programas, o argumento básico é de que todos são iguais, mas é necessário ter pessoas com diferentes experiências, porque diversidade é bom – embora não haja a mesma preocupação com pontos de vista distintos. Fala-se muito sobre as questões que impedem as mulheres de avançar na empresa e o que é preciso para mudar isso. Mas não se discute que talvez as mulheres tenham interesses diferentes dos homens. Quando pediram nossos comentários, eu escrevi o memorando.

E o que aconteceu? Fui ignorado. Então mandei o documento para alguns conhecidos e tive retornos positivos. Depois, mandei para um grupo de e-mails interno da empresa, chamado “Céticos”, que tem mais ou menos 1000 pessoas. Pensei que elas poderiam apontar alguns erros ou algo assim, mas a coisa explodiu. Em parte era só um comentário sobre os aspectos mais sufocantes da cultura empresarial e como as pessoas não podem expressar uma visão dissidente. E era também sobre como melhorar os programas de diversidade, em vez de dizer que tudo é provocado pelo sexismo e pelas microagressões.

O que são essas microagressões? Como já não há diferenças de tratamento no ambiente de trabalho, eles acreditam que são pequenas coisas que podem estar perpetuando as diferenças. Perguntar para uma pessoa de onde ela é ou como se pronuncia seu nome pode ser entendido como uma forma velada de ofensa. Quando alguém diz para um grupo de pessoas ‘Hi, guys’ (olá, rapazes), isso é considerado uma microagressão se há mulheres no grupo. Estamos superprotegendo as pessoas ao dizer que todos esses incidentes são um grande problema.

Houve alguma conversa depois da demissão? Nada demais. Eu disse que eles estavam cometendo um erro. Eles disseram que a decisão era final.

Qual foi o erro do Google? Eles deveriam reconhecer que existe um ambiente dividido na empresa e que parte dela me apoiou. Não sou um cara maluco que escreveu algo terrivelmente racista. Se fosse o caso, não teria tanta repercussão. É uma teoria razoável, e por isso tantas pessoas vieram em minha defesa. Eu tentaria aproximar os dois lados do debate. O que temos agora é um dogma monolítico que não pode ser questionado. Existe esse pequeno grupo de pessoas, o dos ‘guerreiros da justiça social’, que me culpou e disse que eu era uma pessoa terrível. Eles mandavam e-mails aos meus superiores pedindo a minha cabeça. São 5% que controlam todos os demais, pois todos têm medo dessa turba enfurecida.

O sr. mudaria algo no memorando? Não usaria a palavra ‘neuroticismo’ para dizer que as mulheres são mais neuróticas que os homens. Embora seja o termo usado na psicologia, tem uma conotação negativa e não percebi que seria considerado ofensivo para muitas pessoas.

Como é possível ter tanta certeza de que homens e mulheres têm características inatas tão diferentes? A maior diferença que eu aponto no estudo é que homens têm mais interesse em coisas, e mulheres, em pessoas. Existem alguns aspectos que não são socialmente construídos. Não estou dizendo que tudo é biologia e que nós não empurramos algumas normas de gênero às pessoas, mas algumas diferenças existem. Apenas 15% das mulheres têm o mesmo interesse que o homem médio em sistemas de computação. E frequentemente ser obcecado por sistemas é o que se precisa para ser um programador bem-sucedido.

As mulheres não podem desenvolver essa característica? Claro, mas é uma questão de preferência, e não deveríamos empurrar isso para as pessoas e assumir que, porque não há tantas mulheres nesse campo, há algum tipo de sexismo acontecendo.

Como é a sensação de estar no centro de um debate viral? Definitivamente é estressante. Sempre fui bastante introvertido e nunca quis ser o centro das atenções. Talvez, se fosse mais extrovertido, poderia até tirar proveito da situação. Eu não sei nem como usar o Twitter e nem quero ficar falando o que eu penso na televisão. Minha família me apoia. Eles sabem que eu não sou um sexista intolerante e que eu só estava tentando tornar as coisas melhores. Eu esperava que as pessoas lessem o documento e concordassem ou discordassem. Não que eu fosse tomado por um nazista sexista.

Por que tanta gente da alt-right, a “direita alternativa” que apoia Donald Trump, passou a te defender? Acho que foi em razão dos inimigos comuns. Mesmo assim, aceitar a ajuda de uma pessoa não significa concordar com tudo que ela acredita, certo?

O politicamente correto ajudou a eleger Trump? Sem dúvida, há muitas pessoas que estão cansadas disso. A recusa dele em jogar pelas regras do politicamente correto aumentou a sua popularidade.

O sr. votou em Trump? Não. Apoiei um terceiro candidato, Gary Johnson [do Partido Libertário, que teve 3,27% votos na eleição]. Basicamente, sou um libertário de centro. Não gosto daquilo que oprime ou restringe a liberdade das pessoas. Esquerda e direita assumem diferentes dogmas que prejudicam a compreensão da realidade e acabam entrando em choque com a ciência. Conservadores podem negar a teoria da evolução e a esquerda rejeita as diferenças entre os sexos.

Por que o sr. montou um site para arrecadar dinheiro? Montaram para mim, com minha permissão. Existe a possibilidade de eu processar o Google. Além disso, estou desempregado.

O sr. recebeu propostas de trabalho? Não. Fui convidado para escrever artigos para alguns sites, mas não tenho interesse pela política do dia a dia.

Você afirmou em sua conta no Twitter que foi demitido por dizer a “verdade”. Que verdade é essa? A verdade é que existem essas diferenças de gênero na população e nem tudo é uma construção social.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Geotecton em 30 de Agosto de 2017, 16:52:17
Ótima entrevista.

Mostra que estes idiotas com 'pensamento esquerdista' estão impondo, para a sociedade, a sua "explicação" de que todas as diferenças entre homens e mulheres vem de uma 'construção social', o que é ridículo.

E também mostra o mau-caratismo dos 'câncervadores', que saiu em apoio a um cidadão que é liberal, apenas como forma de auto-preservação, pois que eles são capazes de coisa tão ou mais idiotas que os descritos supra. O idiota que ocupa a presidência que o diga.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Lorentz em 30 de Agosto de 2017, 18:07:29
Não sei se vocês já viram, mas nessa discussão toda na internet mostraram um vídeo com macacos brincando com briquedos. Os machos se interessam pelos carrinhos e fêmeas por bonecas.


A narrativa de construção social ou está errada, ou devemos estender o machismo e patriarcado ao mundo animal.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 30 de Agosto de 2017, 18:13:39
Ótima entrevista.

Mostra que estes idiotas com 'pensamento esquerdista' estão impondo, para a sociedade, a sua "explicação" de que todas as diferenças entre homens e mulheres vem de uma 'construção social', o que é ridículo.

E também mostra o mau-caratismo dos 'câncervadores', que saiu em apoio a um cidadão que é liberal, apenas como forma de auto-preservação, pois que eles são capazes de coisa tão ou mais idiotas que os descritos supra. O idiota que ocupa a presidência que o diga.
Esses eleitores torcedores é foda, aprovam qualquer coisa que parece ir de encontro a sua ideologia política sem o menor senso crítico.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 30 de Agosto de 2017, 18:16:25
Concordo Lorentz, as diferenças cerebrais inatas que influenciam os interesses (como por pessoas (e animais) ou coisas) parecem ser suportadas por evidência, mas os estudos que o engenheiro citou para suportar suas conclusões não pareciam fazer isso, o Pirula analisou os estudos e chegou a essa conclusão, e inclusive um dos autores citados em um destes Estudos fez o mesmo.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: André Luiz em 30 de Agosto de 2017, 19:37:22
O cara pagou de nerdão virjão que não gosta de mulher fazendo cálculos.

O que mais tem são exemplos de mulheres na computação, na engenharia aeroespacial, etc, etc...
Tem até um livro do Cardoso do meio bit sobre isso

Mas agora por causa do lolzero os conservadores estão alucinados dizendo que mulher em exatas é mal comida, não quer ser mãe, é masculinizada, é fria, que esse esforço é uma distorção, que está fazendo mal a si mesma e blá, blá, blá
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 31 de Agosto de 2017, 00:16:10
Apesar dos supostos equívocos na interpretação dos estudos citados, o cara não foi sexista ou misógino em seu memorando André, o texto dele foi bem equilibrado e fez questão de deixar claro em todo momento que a biologia podia explicar parte da disparidade de gênero observada na média, PARTE e MÉDIA são palavras importantes. A afirmativa sobre a intolerância para com os conservadores ou dissidentes do politicamente correto foi comprovada com a demissão do cara, sobre isso não tem o que comentar.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: EuSouOqueSou em 01 de Setembro de 2017, 00:41:37
... A afirmativa sobre a intolerância para com os conservadores ou dissidentes do politicamente correto foi comprovada com a demissão do cara, sobre isso não tem o que comentar.

Citar
“Ser conservador no Google é como ser gay nos anos 1950”
Em entrevista a VEJA, engenheiro demitido por "promover estereótipos de gênero" critica ambiente "sufocante" da empresa - e reafirma seu ponto de vista
http://veja.abril.com.br/mundo/ser-conservador-no-google-e-como-ser-gay-nos-anos-1950/

Se tem respaldo científico ou não, eu não sei, mas essa atmosfera de censura social da patrulha politicamente correta está ficando bizarro. Pra citar um caso recente, alunos negros ficaram chocados quando viram uma banana pendurada numa árvore.

https://ceticismo.net/2017/08/31/casca-de-banana-entristeceu-criancinhas-sensiveis/

Povo fresco.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 19 de Fevereiro de 2018, 09:31:33
Vídeo muito esclarecedor com o rapaz que foi demitido da Google:

https://www.youtube.com/v/Y9q-Tsh5m0Q
Citar
James Damore: O que acontece quando a Google discorda de você?

Tradutores de Direita
Publicado em 17 de fev de 2018 · 7 horas atrás

A agenda da ideologia de gênero, mesmo não tendo base na realidade, avança na sociedade.

O ex-engenheiro do Google, James Damore, foi demitido por questionar a visão distorcida sobre homens e mulheres que impera na empresa. Ele escreveu um breve documento de 10 páginas, e nesse documento, além de relatar suas descobertas, ele ainda propôs soluções que não envolvessem discriminação para a questão da diferença de sexos nas áreas tecnológicas.

Ou seja, ele tentou buscar a verdade e ajudar de verdade.

Ambas as coisas são pecados sem perdão para os promotores das agendas mais destrutivas que a humanidade já conheceu.

Aqui está o documento: https://www.documentcloud.org/documen...

Tradução: Andrey Costa
Revisão: Yuri Mayal

TRADUTORES DE DIREITA
Webpage: http://TradutoresdeDireita.org
Facebook: http://facebook.com/tradutoresdedireita
Instagram: https://instagram.com/tradutoresdedir...
Twitter: http://twitter.com/tradutores_br

Vídeo original: https://www.facebook.com/prageru/vide...


Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Gabarito em 19 de Fevereiro de 2018, 09:32:26
E ele agora vai processar a empresa:

Citar
Engenheiro demitido do Google processa a empresa por discriminação contra brancos (http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,engenheiro-demitido-do-google-por-memorando-sexista-processa-a-empresa-por-discriminacao,70002144468)
   James Damore teve de deixar a gigante de tecnologia após afirmar em um memorando que há causas biológicas por trás da desigualdade de gênero no Vale do Silício

Reuters
09 Janeiro 2018 | 17h46

SAN FRANCISCO – Um ex-engenheiro do Google, demitido da companhia após afirmar em um memorando que há causas biológicas por trás da desigualdade de gênero na indústria de tecnologia, entrou na Justiça contra a empresa na última segunda-feira, 8. James Damore afirma que sofreu discriminação por ser um homem branco com visões políticas conservadoras.

No ano passado, Damore causou alvoroço no Vale do Silício ao escrever um comunicado interno, que depois se tornou público. O Google disse que ele havia perpetuado estereótipos de gênero e o demitiu em agosto.

Desde então, sua demissão se transformou em uma causa popular para blogueiros de direita nos Estados Unidos. Além disso, o ex-funcionário contratou uma advogada do Partido Republicano para representá-lo na Justiça.

Damore e outro ex-engenheiro do Google, David Gudeman, protocolaram o processo como uma proposta de ação coletiva na Corte Superior do Condado de Santa Clara, na Califórnia. O processo alega discriminação e retaliação em ambiente de trabalho.

Em nota, o Google afirma que "está na expectativa" de apresentar sua defesa ao processo de Damore na Justiça.

De acordo com a ação, a companhia falhou em proteger funcionários, especialmente homens brancos, de assédio em ambiente de trabalho com relação a seu apoio ao presidente dos EUA, Donald Trump, ou a visões políticas conservadoras.

"Damore, Gudeman e outros representados na ação coletiva foram excluídos, apequenados e punidos por suas visões políticas heterodoxas e pelo 'pecado' das circunstâncias de seus nascimentos de serem caucasianos e/ou homens", diz um trecho do processo.

A ação também acusa o Google de manter uma "lista negra" secreta de celebridades da mídia conservadora que não têm permissão para entrar nos escritórios da companhia.

O processo inclui um pedido de liminar para proibir o Google de discriminar indivíduos com visões políticas conservadoras.

Quando Damore foi demitido, o CEO da Google, Sundar Pichai, disse que trechos de seu memorando "violam o nosso código de conduta e ultrapassam o limite ao trazer estereótipos de gênero para dentro do nosso ambiente de trabalho".

Gudeman foi demitido em dezembro de 2016 depois de um confronto com um colega de trabalho muçulmano em um fórum interno do Google, de acordo com o processo.

Esse colega de trabalho disse no fórum que ele havia sido alvo do FBI por ser muçulmano e expressou preocupação sobre sua segurança pessoal, conforme o processo. Gudeman respondeu com ceticismo, dizendo que o colega não tinha "nenhuma prova" para amparar sua afirmação e sugerindo que o FBI poderia ter uma justificativa para investigá-lo.

Ainda segundo o processo, um funcionário da área de recursos humanos do Google disse depois a Gudeman que ele havia acusado seu colega de terrorismo com base em sua religião, e que ele seria demitido como resultado dessa atitude.

Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 19 de Fevereiro de 2018, 10:06:31
"Ideologia de gênero" = "ideais de igualdade relacionados a gênero e sexualidade que diferem dos meus valores tradicionais; logo, são algo a que se deve temer"
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Arcanjo Lúcifer em 19 de Fevereiro de 2018, 10:15:25
Acho que vai ser dificil para o cara arrumar outro emprego por lá, posso falar besteira mas acho que, ele tendo razão ou não e com toda a divulgação do caso, vai ter dificuldade para achar outro emprego porque muito empregador vai querer distância para evitar polêmica com clientes.

Mais ou menos o que aconteceu com os participantes daquele programa do Trump que nem lembro o nome agora.

Muitos dos caras se expuseram na mídia e tiveram dificuldades para arrumar empregos depois do programa.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Marcel em 19 de Fevereiro de 2018, 12:01:21
Não sei se vocês já viram, mas nessa discussão toda na internet mostraram um vídeo com macacos brincando com briquedos. Os machos se interessam pelos carrinhos e fêmeas por bonecas.


A narrativa de construção social ou está errada, ou devemos estender o machismo e patriarcado ao mundo animal.


Minha opinião é muito simples: Macacos são fascistas e misóginos!
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 19 de Fevereiro de 2018, 12:34:47
Não sei se vocês já viram, mas nessa discussão toda na internet mostraram um vídeo com macacos brincando com briquedos. Os machos se interessam pelos carrinhos e fêmeas por bonecas.

A narrativa de construção social ou está errada, ou devemos estender o machismo e patriarcado ao mundo animal.

Enquanto macacos machos possivelmente gostam de modelos articulados de heróis de ação. Isso eu não sei, mas já fizeram estudos em que As macaquinhAs gostavam até de objetos de cozinha, panelinha, fogãozinho, louça, etc. Isso mostra como é errada a idéia de "construção social" de que lugar de mulher não é na cozinha. Mesmo sem que eles tenham cozinha eles mesmos, as fêmeas já sabem o lugar delas, pelo instinto, sabedoria inata que podemos ouvir em nossos corações.

(https://quirkycats.files.wordpress.com/2013/01/vervetmonkeysandtoys.jpg)
A foto não mostra a fêmea brincando com panelinha, talvez porque instintivamente saiba que cuidar dos filhos é prioritário com relação a cozinhar.

Esse tipo de achado problemático para o marxismo cultural não se limita aos primatas aos quais supostamente somos relacionados "evolutivamente"; mesmo elefantes orientais apresentam traços de personalidade tipicamente orientais, e elefantes ocidentais, traços de personalidade ocidentais. Mas os marxistas culturais relativistas e propagandeadores da ideologia de gênero não se cansam de tentar impor seu revisionismo:

Citar
http://blogs.scientificamerican.com/thoughtful-animal/2012/09/28/the-weird-psychology-of-elephants/

[...]

Unfortunately, the personality assessments were problematic. The researchers noted that the “elephants in Western zoos were rated as being more curious, and less dominant, impulsive, and nervous than elephants in Japanese zoos.” Could Western elephants really be more curious than their counterparts living in Japanese zoos?

[...]

Might this study of elephant personality, which may truly be measuring keeper values, be suffering from a similar problem? Not only was the personality measurement possibly flawed, as it may have been susceptible to the cultural biases of elephant keepers (like the David and Dana infant personality study), but the researchers then tossed out all the data from the Western keepers (an inverse of the WEIRD problem)!

[...]

(Outro caso interessante de inteligência dos animais é o do cavalo "esperto Hans", que sabia muito matemática e geografia, deixando boquiabertos todos os céticos.)


Eles inclusive mencionam como base para sua especulação outros "experimentos" que mostraram viés de interpretação de acordo com as diferenças naturais e inegáveis de gênero quando estas não existiam, quando as pessoas descreviam diferentemente o mesmo comportamento, de acordo com qual sexo os pesquisadores MENTIAM que o bebê tinha. O marxismo cultural e o politicamente correto são então, admitidamente baseados em MENTIRAS.


(http://www.edge.org/3rd_culture/debate05/images/spelke.slides/images/spelke_Page_24.jpg)

(http://www.edge.org/3rd_culture/debate05/images/spelke.slides/images/spelke_Page_25.jpg)

http://www.edge.org/3rd_culture/debate05/spelke.slides.html


E é bom lembrar que houve fraudes similares em experimentos de comportamentos de macacos também:

https://en.wikipedia.org/wiki/Marc_Hauser#Scientific_misconduct

Citar
http://www.sciencemag.org/news/2014/05/harvard-misconduct-investigation-psychologist-released

[...] What they found was damning. For a paper in Cognition in 2002, the investigators noted that published results involving cotton-top tamarins did not match the videotape containing the raw data. “The results of the experiment were therefore knowingly and falsely reported by Prof. Hauser,” they concluded.  That paper has been retracted. [...]

Outro "experimento" consistia em perguntar sobre ambições de carreira para meninas que brincavam com Barbie ou com o "senhor senhora Batata". "Descobriram" que aquelas que brincavam com o brinquedo correto tinham aspirações mais bem ajustadas ao papel correto de mulher, enquanto as que brincavam com o senhor a senhora Batata citavam possibilidades em desacordo com o natural.

https://news.ucsc.edu/2014/03/barbie-girls-careers.html

Isso no entanto não é prova de que esses papéis de gênero não sejam verdadeiros e intrínsecos à natureza, e portanto, corretos, mas apenas que existem mensagens subliminares, algo do que os conservadores estão carecas de alertar (como a cultura de entretenimento destrói as mentes e a moral das crianças, com mensagens subliminares relacionadas a sexo, perversões sexuais, satanismo, drogas), apenas para serem vítimas de chacota.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Marcel em 19 de Fevereiro de 2018, 12:55:41
Mas a minha opinião verdadeira é que o Google é uma empresa privada e faz o que quer, não é uma democracia. Se eles quiserem colocar analfabetos pra serem engenheiros isso é problema deles, e dane-se a opinião do funcionário (este devia ficar calado e manter o emprego dele)
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Arcanjo Lúcifer em 19 de Fevereiro de 2018, 15:36:40
Mas a minha opinião verdadeira é que o Google é uma empresa privada e faz o que quer, não é uma democracia. Se eles quiserem colocar analfabetos pra serem engenheiros isso é problema deles, e dane-se a opinião do funcionário (este devia ficar calado e manter o emprego dele)

Tb acho.

Mas no mundo real o funcionário pode processar a empresa se sofrer assédio sexual ou assédio moral mas a empresa tb pode ser processada se uma funcionária disser que foi discriminada pelo modo de se vestir.

De um modo ou de outro o pessoal consegue arrancar dinheiro cavando um motivo.



Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 19 de Fevereiro de 2018, 21:25:06
Isso de processar o google por "discriminação contra homens brancos" tem tudo para virar piada, ao menos para a maior parte das pessoas.

Para os tipos MRA e mais conservadores, deverá servir de mais evidência contra o establishment marxista [multi-]cultural feminizista gênero-ideólogo globalista.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 20 de Fevereiro de 2018, 17:52:57
Isso de processar o google por "discriminação contra homens brancos" tem tudo para virar piada, ao menos para a maior parte das pessoas.

Para os tipos MRA e mais conservadores, deverá servir de mais evidência contra o establishment marxista [multi-]cultural feminizista gênero-ideólogo globalista.

Um estudo realizado na Austrália (https://www.pmc.gov.au/resource-centre/domestic-policy/report-unconscious-bias-australian-public-services-shortlisting-processes) apontou que instituições públicas (onde a maioria conta com ambientes politicamente corretos, com cursos de conscientização sobre minorias sociais, treinamentos sobre sensibilidade e estes tipos de coisas) tendem a discriminar positivamente minorias sociais. Currículos de mulheres, descendentes de indígenas e membros de outras minorias sociais possuem mais chances de serem selecionados do que currículos de homens, principalmente se estes forem brancos (mantendo todos os outros fatores iguais, tais como formação acadêmica, idade e experiência). O estudo não é conclusivo e é passível de críticas (como todo estudo), mas pode ser usado para suportar alegações de que o ambiente e a politica de diversidade da Google (e similares), do jeito que foi (ou são) projetada(s), pode sim levar a discriminação de gênero, raça, orientação sexual e posicionamento político de pessoas que não se encaixam em minorias sociais ou que não se identificam com o pensamento político progressista.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 20 de Fevereiro de 2018, 19:29:56
Acho que isso é geralmente (e talvez até legalmente) contestado se apontando que essas empresas terão mesmo assim homens e brancos compondo a maior parte dos funcionários e especialmente em cargos elevados. Então "discriminação de classe" argumentavelmente não seria sustentável, mesmo que indivíduos desta classe sejam preteridos em detrimento de outros de classes que, em média, estão menos socialmente favorecidas. O resultado mesmo assim não é como se houvesse um "white males need not apply" de facto.

Sem falar que podem argumentar que é uma compensação para a discriminação negativa de grupos não-brancos/homens na maior parte do tempo.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 20 de Fevereiro de 2018, 22:45:05
Os homens brancos ainda são maioria nos cargos públicos em que os estudos pretendiam testar a discriminação, por isso fizeram este estudo. Os pesquisadores só não imaginavam que a discriminação era positiva em relação a minorias sociais, ao invés de negativa, como acreditavam. Eles partiram do pressuposto de que apesar dos treinamentos sobre conscientização e sensibilização a respeito de minorias sociais, os recrutadores ainda sim possuiriam vieses cognitivos que os fariam discriminar negativamente membros de minorias sociais, e por tanto usaram testes cegos na seleção de currículos acreditando que isso faria com que membros de minorias fossem selecionados com mais frequência quando comparado ao grupo de controle, que  recebia currículos com  informações que permitiam aos recrutadores identificarem o grupo
social do qual fazia parte o candidato a vaga. O resultado foi que testes cegos faziam com que membros de minorias sociais fossem recrutados para entrevistas com menos frequência do que quando seus currículos eram examinados pelo grupo de controle, que sabiam a qual grupo social pertenciam. Ou seja, existe de fato vieses cognitivos que levam os recrutadores a discriminar os candidatos, mas esses vieses favorecem as minorias sociais ao invés de as desfavorecerem. Os treinamentos e palestras de conscientização e sensibilização sobre minorias sociais nas instituições públicas da Austrália não acabam com a discriminação, eles só fazem elas mudarem de lado. No entanto isso não foi motivo de preocupação para os pesquisadores ou financiadores da pesquisa, já que eles aconselharam a não usaram testes cegos, já que isso poderia diminuir as chances de minorias sociais serem recrutadas, a preocupação deles mesmo é em aumentar a participação destas minorias em cargos públicos, mesmo que a custo de discriminação.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 20 de Fevereiro de 2018, 22:55:20
Acho que isso é geralmente (e talvez até legalmente) contestado se apontando que essas empresas terão mesmo assim homens e brancos compondo a maior parte dos funcionários e especialmente em cargos elevados. Então "discriminação de classe" argumentavelmente não seria sustentável, mesmo que indivíduos desta classe sejam preteridos em detrimento de outros de classes que, em média, estão menos socialmente favorecidas. O resultado mesmo assim não é como se houvesse um "white males need not apply" de facto.

Sem falar que podem argumentar que é uma compensação para a discriminação negativa de grupos não-brancos/homens na maior parte do tempo.
Outra questão é que estas políticas de diversidade partem do pressuposto de que as minorias sociais não alcançam as mesmas oportunidades que as classes dominantes em grande parte por causa de discriminação de gênero de colegas de trabalho e empregadores, e se estudos apontarem que na verdade a discriminação que ocorre no ambiente de trabalho, favorece as minorias, isso jogaria por terra toda a lógica desse tipo de política de diversidade.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 21 de Fevereiro de 2018, 14:46:28
Isso é tudo muito recente, então não dá para afirmar que é o "status quo" que não-brancos/homens estiveram sempre levando vantagem em seleção. Em parte isso deve ser justamente por "políticas de diversidade".

Outros estudos também famosos encontram aqueles efeitos de diferença de entrevistas para "nomes negros" e "nomes brancos". Em algum estudo um negro com currículo igual tinha piores chances até do que um branco que admitisse antecedentes criminais.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 21 de Fevereiro de 2018, 17:28:00
Isso é tudo muito recente, então não dá para afirmar que é o "status quo" que não-brancos/homens estiveram sempre levando vantagem em seleção. Em parte isso deve ser justamente por "políticas de diversidade".
Não chega a ser status quo, é uma mudança recente realmente, mas o objetivo de politicas de diversidade não deveria ser eliminar os vieses? ou para esta turma o que importa mesmo é a igualdade de resultados e o aumento da diversidade de grupos, mesmo que para isso os vieses sejam apenas trocados de lado?

Outros estudos também famosos encontram aqueles efeitos de diferença de entrevistas para "nomes negros" e "nomes brancos". Em algum estudo um negro com currículo igual tinha piores chances até do que um branco que admitisse antecedentes criminais.
Pode ser, mas nestes casos onde os vieses favorecem as minorias sociais é onde a politica de diversidade, de conscientização e sensibilização sobre minorias sociais já está em vigor, só que estas políticas não tornam recrutadores menos enviesados, apenas inverte o viés deles. Ou seja, se o objetivo é só aumentar a proporção de minorias sociais no ambiente de trabalho, o objetivo está sendo alcançado, mas se o objetivo inclui também acabar com a discriminação, então está politica não está funcionando, já que ela apenas inverte a discriminação.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Buckaroo Banzai em 21 de Fevereiro de 2018, 17:54:14
A minha interpretação mais generosa disso é que na maior parte do tempo devem pensar ser preferível um viés pró-classes "desprivilegiadas" mais ou menos enquanto houver a disparidade média que se observa na sociedade. Esperando que em longo prazo vá levar não a uma "igualdade de resultados" mas uma maior homogeneização dos perfis de pessoas em todos os níveis da sociedade. E conforme isso vai sendo alcançado, vão se erodindo os preconceitos que prejudicam mais severamente a não-homens-brancos. E só então, essas políticas de discriminação positiva se tornam desnecessárias.

Isso deve ser visto como justo porque, apesar da discriminação negativa contra indivíduos brancos, na sociedade em geral eles ainda tenderão a ter menores desvantagens do que pessoas dos outros grupos, mesmo ajustando diversos outros fatores além de simplesmente ser homem e branco.


Eu acho isso apenas uma posição mais ou menos razoável, mas não acho que deixa de ser problemática pela ótica de injustiça individual, não contra um grupo, apesar de admitir que muito provavelmente é verdade esse último ponto, que na maior parte homens brancos estarão em menor desvantagem mesmo igualando outros fatores, o que é também injusto. Talvez isso compense, e em longo prazo, realmente tenha esse efeito positivo na homogenização dos níveis sociais. Não tenho uma posição bem definida sobre isso.



Porém, como disse, isso é apenas minha interpretação generosa das coisas, e admito que há também setores mais revanchistas e interessados mais em privilégios e ganhos pessoais, a partir do cultivo da segregação, fragmentação da sociedade, criando clientelas eleitorais ou nichos de ativismo messiânico salvador dos injustiçados. Para estes, os brancos são simplesmente vilões. E ironicamente, alguns ainda colocam no topo destes os judeus:

(https://s3.amazonaws.com/assets.forward.com/images/cropped/17212257-10209093089948477-1571632509164325903-o-1489677192.jpg)

Me pergunto se talvez isso não seja meio que "trolagem" de neonazistas clássicos tentando parodiar as ações afirmativas, e/ou reforçar anti-semitismo esquerdista, que é algo que de fato existe em algum grau.

Asiáticos também são algumas vezes aglutinados à maioria branca, no Brasil, nessas considerações.


Essa parte da coisa me incomoda tanto quanto o vitimismo branco-masculino. Gostaria de mais comumente esbarrar com isso sendo reprimendado por aqueles que não são o "extremo" oposto, mas algo mais próximo disso que coloquei inicialmente.
Título: Re:Funcionário questiona politica de diversidade do Google
Enviado por: Skeptikós em 21 de Fevereiro de 2018, 18:39:25
 :ok: