Autor Tópico: Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?  (Lida 16147 vezes)

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Offline Geotecton

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #150 Online: 31 de Janeiro de 2017, 20:48:35 »
Malcon X foi membro da Nação do Islã. O que eu sei de Malcon X é que ele pregava um tipo de reação violenta contra a opressão, e foi um movimento minoritário.

Foi um movimento minoritário mas importante no EUA de meados dos anos 50 ao final dos anos 60, influenciando o grupo Panteras Negras, sendo que a base ideológica deles, no ápice do extremismo, era que "os brancos eram todos pérfidos e traidores e que tinham de ser, primeiramente confinados e, se necessário, extintos". Depois abrandaram muito o discurso quando se tornaram um partido político.


A Nação do Islã nunca chegou a ter nem 50 mil membros, e surgiu em um país onde a KKK chegou a ter 6 milhões de associados.

O que era de se esperar porque os brancos são em quantidade muito maior e com mais estrutura econômico-financeira.


O que talvez não justifique ( ou talvez até justifique sim ) mas certamente explica o surgimento de algo como a Nação do Islã na década de 30.

Sim.


Agora, até onde eu sei não foi nem a Nação do Islã e muito menos os Panteras Negras que cunharam expressões como "black pride", "black power", "black is beautiful"...

E isto não afeta o cerne da discussão de meu ponto, qual seja, o de que há negros que usam a expressão 'orgulho negro' como instrumento racista e de exclusão.


Porém os Panteras Negras nunca lideraram ou representaram a luta contra o racismo nos EUA.

Eles não lideraram o movimento com faceta pacífica, mas tiveram forte influência em vários dos grandes distúrbios e revoltas desde Watts, em Los Angeles, em 1965.


Mas usar um movimento extremista minoritário para caracterizar a exceção como regra
[...]

Em momento algum eu quis impor algo como regra. Apenas demonstrei que a sua análise tem alguns 'furos', ainda que eu concorde em boa medida com ela.


é tão retórica quanto,

Não mais do que você apresentou até agora.


um tipo de discurso enviesado que tenta desqualificar a necessidade real de grupos socialmente marginalizados de construírem uma identidade apoiada em uma auto-imagem positiva, como parte importante e indissociável no processo de inclusão da população negra,

É um belo discurso, sem dúvida. Mas muito vago.

Ora, os brancos pobres também constituem um grupo socialmente marginalizado. Qual tipo de identidade eles devem procurar?

E os próprios negros o que devem buscar para melhorar a auto-estima?


com uma distorção que descreve aspirações justas e legítimas como impulsos supremacistas e sectários.

Em momento algum alguém negou aspectos idiossincráticos negativos daquela (e da nossa) sociedade e que incluem uma forte e arraigada discriminação racial.


É aquele tipo de retórica que, como eu já disse, só acredita quem já está predisposto a aceitar.

Não meu caro.

É apenas o espanto de ver alguém que ainda não percebeu que, imerso no movimento negro, há uma corrente supremacista com viés racista, manifestada inclusive no meio religioso. Minoritária, não tenho dúvida. Mas presente.
Foto USGS

Offline Geotecton

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #151 Online: 31 de Janeiro de 2017, 20:50:30 »
[...]
Como ninguém aqui é retardado é desnecessário explicar porque essa retórica é absurda. Essa retórica é idêntica à do parlamentar bobalhão que está querendo instituir o "Dia do Orgulho Hétero". Mas para os evanjegues parece fazer muito sentido.
[...]

Talvez eu tenha um certo grau de disfunção cognitiva.

Obrigado pela sua preocupação.
Foto USGS

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #152 Online: 31 de Janeiro de 2017, 20:58:23 »
Deem uma boa olhada nas 3 imagens de anúncios que eu postei ali em cima. Os 3 anúncios são idênticos: os "negrinhos" são retradados felizes e sorridentes depois de terem sido pintados de branco. Há uma mensagem muito clara aí, expressando os valores da cultura que criou esse tipo de propaganda. " Ser negro é uma condição inferior, é ruim, é algo referenciado de forma pejorativa, é motivo de vergonha, é algo que não se deva querer ser."

Essas imagens não são inerentemente racistas, muito embora tenham origem num contexto histórico racista, do qual são praticamente indissociáveis.

Ninguém acharia racista a mesma piadinha de limpar um animal ou objeto preto e ele ficar branco. Ou um objeto branco e ele ficar preto. É por causa do diferente valor que as pessoas davam a pessoas brancas e negras que a piada é racista, não pelo que acontece nelas.

Similarmente, hoje não são muitos que vão achar racista uma propaganda de sabão em pó para roupas coloridas onde uma mulher enfia à força um branquelo magro na máquina de lavar roupas, e sai dela um negro musculoso. Mas vão achar racista uma chinesa colocar um negro sujo na máquina e sair dela um chinês de pele clara.

Offline Freya

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #153 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:01:09 »
Entendo tudo o que você disse, Pedro Reis. Mas o fato de o orgulho negro ter se originado num contexto de discriminação em que os negros precisaram explicitar que não há motivos para se envergonhar de sua etnia, não modifica o fato de que isso pode, sim, por meio de um 'efeito mola', desencadear uma contra-reação tão racista, discriminatória e preconceituosa como a supremacia branca, e talvez tenha sido isso que o Buckaroo falou sobre processos que se retroalimentam; talvez esse orgulho negro, essa necessidade de afirmar uma auto-imagem positiva, contribua para uma frequente ocorrência de inversão dos papéis de "opressores X oprimidos". Quando, ao invés de acabar com a opressão, essas correntes supremacistas negras invertem os papéis de opressores X oprimidos, surge do lado branco algumas correntes com a necessidade de, também, afirmar-se positivamente, e dessas derivam as correntes supremacistas e assim por diante, numa guerra racial infindável.

Offline Pedro Reis

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #154 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:21:57 »

É aquele tipo de retórica que, como eu já disse, só acredita quem já está predisposto a aceitar.

Não meu caro.

É apenas o espanto de ver alguém que ainda não percebeu que, imerso no movimento negro, há uma corrente supremacista com viés racista, manifestada inclusive no meio religioso. Minoritária, não tenho dúvida. Mas presente.


Sinceramente não sei o que o espanta, porque eu não neguei que existam correntes sectárias em movimentos negros. O seu "post" parece até ter sido escrito antes do meu, exatamente anterior a este, onde eu afirma ser muito plausível que existam até pessoas ( negras ) que têm interesse pessoal em acirrar o racismo no Brasil e fazer disso escada para uma carreira política.

Aliás, nesse mesmo post expliquei que esses casos nada têm a ver com o que se discute aqui.

E quanto a fazer este tipo de relação com a minha observação de que só é possível aceitar a retórica do "orgulho branco" ( um sofisma risível ) quem já estiver predisposto a isso, nesse caso quem fica espantado e intrigado sou eu.

Mesmo que eu não tivesse "percebido" o que você acha que eu não percebo, que relação lógica você encontra entre eu mostrar que "orgulho branco" é um eufemismo ( pura retórica ) para "supremacia branca", e não ser capaz de ver que existem também movimentos ( numericamente desprezíveis ) de supremacistas negros?

Isso é que é espantoso: como a partir de uma coisa, você concluiu esta outra.

Quer dizer que todos que sabem que George Lincoln Rockwell forjou esse eufemismo, e entendem com que intenção, não "percebem" que possam existir também sectários negros?

Se há alguma coisa espantosa, é o quanto essa conclusão é ilógica.

Offline Pedro Reis

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #155 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:25:28 »

Essas imagens não são inerentemente racistas, muito embora tenham origem num contexto histórico racista, do qual são praticamente indissociáveis.


Então tá bom, ilustra sua crença com uma publicidade de um homem branco ficando todo feliz, com um sorriso de orelha a orelha, por estar sendo pintado de preto.

Eu escolhi três no meio de várias que apareceram. Mas acho muito difícil que você encontre uma só em que se veja o contrário.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #156 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:33:12 »
Não é crença minha, mas apenas relato de fato. Não tem nada de inerentemente racista em uma coisa ser de uma cor e parecer outra, ou em pintar uma coisa de outra cor (como zebra de cavalo ou vice-versa). Só é racista pelos valores racistas.

Também é um fato que qualquer propaganda para o qual fosse por algum motivo útil um branco se pintar de negro seria vista como racista porque isso é reflexivamente associado ao "black face", logo, não existirão.

De qualquer forma, a propaganda que falei do branco magrelo que lavado vira negro musculoso já seria exemplo.

Offline DDV

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #157 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:40:49 »
O dia do orgulho hétero surgiu em um contexto onde o PC estava querendo impôr censura e privilégios aos gays (como o direito de não poder receber nenhuma crítica), tratando-os como judeus recém-saídos de um campo de concentração, como se todo branco heterossexual devesse oferecer a cara pra eles peidarem e ainda ficar feliz. Surgiu mais como algo jocoso, devido à crescente 'heterofobia' dominante em determinados setores da política e entre alguns acadêmicos.
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

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Offline Pedro Reis

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #158 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:41:10 »
Entendo tudo o que você disse, Pedro Reis. Mas o fato de o orgulho negro ter se originado num contexto de discriminação em que os negros precisaram explicitar que não há motivos para se envergonhar de sua etnia, não modifica o fato de que isso pode, sim, por meio de um 'efeito mola', desencadear uma contra-reação tão racista, discriminatória e preconceituosa como a supremacia branca, e talvez tenha sido isso que o Buckaroo falou sobre processos que se retroalimentam; talvez esse orgulho negro, essa necessidade de afirmar uma auto-imagem positiva, contribua para uma frequente ocorrência de inversão dos papéis de "opressores X oprimidos". Quando, ao invés de acabar com a opressão, essas correntes supremacistas negras invertem os papéis de opressores X oprimidos, surge do lado branco algumas correntes com a necessidade de, também, afirmar-se positivamente, e dessas derivam as correntes supremacistas e assim por diante, numa guerra racial infindável.

Bom, eu não acredito que seja exatamente isso que esteja acontecendo. Pelo menos aqui no Brasil.

Recentemente postaram aqui um vídeo de uma menina negra interrompendo uma aula na USP para fazer um discurso bastante agressivo, defendendo o sistema de cotas e ao mesmo tempo culpando uma suposta raça branca por todas as mazelas dos negros.

Me lembro até que em certo momento ela disse: " Pra vocês estarem aqui minha mãe teve que lavar muito chão de banheiro!"

Pouco depois se descobriu que essa moça é de classe média alta, que viaja com frequência ao exterior, que estudou toda vida em boas escolas particulares, e, claro, sua mãe jamais lavou banheiro algum.

Pareceu muito hipócrita. Porque foi muito hipócrita.

Mas o que levam estas pessoas a fazerem estas encenações ( lembro até que ela estava de sandálias de borracha, meio fantasiada de pobre )? Eu sei muito bem porque também já estudei em faculdade pública, especialmente estudei em uma onde o DA era um dos mais ativos e influentes entre as federais no Brasil, e vi bem como funciona essa coisa.

Todo, ou quase todo o movimento estudantil, é marionetado por partidos políticos. São braços de partidos políticos infiltrados nas universidades. Existem até os chamados "alunos profissionais", caras que ficam mais de uma década na universidade sem se formar ( é pública, não estão pagando mesmo ) fazendo política estudantil. Política esta que o menos que se interesse são por questões relacionadas com o interesse dos alunos.

Estas pessoas, que deve ser o caso também dessa menina, usam o movimento estudantil como um trampolim para uma futura carreira política. Um exemplo que todo mundo conhece é o Lindenberg Farias.

Como quase tudo que se relaciona com política raramente algo é verdadeiro. Ela não é realmente sectária, supremacista negra, ou coisa semelhante, isso muito mais provavelmente não passa de um comportamento oportunista.

Se você começar a defender o absurdo de que negros devem ser indenizados pelo Estado porque há mais de cem anos houve escravidão no Brasil, possivelmente, se você for negra, consiga fisgar aí um mandatozinho de vereadora, quem sabe até de deputada... porque vai estar apelando para uma faixa do eleitorado que simplesmente não acharia ruim receber uma graninha extra inesperada.

Na minha análise, é isto que parece estar por trás desses discursos mais radicais que se vê em postulantes de líderes de movimentos negros no Brasil: mera e tão somente oportunismo político.

Offline Pedro Reis

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #159 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:45:08 »
O dia do orgulho hétero surgiu em um contexto onde o PC estava querendo impôr censura e privilégios aos gays (como o direito de não poder receber nenhuma crítica), tratando-os como judeus recém-saídos de um campo de concentração, como se todo branco heterossexual devesse oferecer a cara pra eles peidarem e ainda ficar feliz. Surgiu mais como algo jocoso, devido à crescente 'heterofobia' dominante em determinados setores da política e entre alguns acadêmicos.

Não, não foi jocoso não. Você acha que foi piada porque realmente parece piada, mas não é.

O Dia do Orgulho Hetero é um projeto de Lei do Carlos Apolinário. Do DEM.

Offline Pedro Reis

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #160 Online: 31 de Janeiro de 2017, 21:59:01 »
Não é crença minha, mas apenas relato de fato. Não tem nada de inerentemente racista em uma coisa ser de uma cor e parecer outra, ou em pintar uma coisa de outra cor (como zebra de cavalo ou vice-versa). Só é racista pelos valores racistas.

Também é um fato que qualquer propaganda para o qual fosse por algum motivo útil um branco se pintar de negro seria vista como racista porque isso é reflexivamente associado ao "black face", logo, não existirão.

De qualquer forma, a propaganda que falei do branco magrelo que lavado vira negro musculoso já seria exemplo.

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Hahahaha! Os caras não tinham muita imaginação... quantos milhões de anúncios iguais a estes será que foram publicados?

Offline Shadow

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #161 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 08:09:10 »
Não é crença minha, mas apenas relato de fato. Não tem nada de inerentemente racista em uma coisa ser de uma cor e parecer outra, ou em pintar uma coisa de outra cor (como zebra de cavalo ou vice-versa). Só é racista pelos valores racistas.

Também é um fato que qualquer propaganda para o qual fosse por algum motivo útil um branco se pintar de negro seria vista como racista porque isso é reflexivamente associado ao "black face", logo, não existirão.

De qualquer forma, a propaganda que falei do branco magrelo que lavado vira negro musculoso já seria exemplo.

Olha essa!

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Mas vem cá...essa propaganda é de 2017 ou de 2016 ainda?
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Offline Muad'Dib

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #162 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 09:58:17 »
O dia do orgulho hétero surgiu em um contexto onde o PC estava querendo impôr censura e privilégios aos gays (como o direito de não poder receber nenhuma crítica), tratando-os como judeus recém-saídos de um campo de concentração, como se todo branco heterossexual devesse oferecer a cara pra eles peidarem e ainda ficar feliz. Surgiu mais como algo jocoso, devido à crescente 'heterofobia' dominante em determinados setores da política e entre alguns acadêmicos.

A desculpa usada pelos proponentes do dia do orgulho hétero foi que a criação dele era para contrabalancear supostos privilégios que os gays estavam impondo na sociedade via politicamente correto.

A estupidez do PCismo está, há muito, sendo usada como desculpa para grupos desta estirpe para justificar sua pŕopria ignorância. O dia do orgulho hétero é um exemplo de homofobia descarado onde os homofóbicos nem coragem têm para assumir suas crenças, precisam deixar subentendido. E ai de quem tenta argumentar contra. É logo tachado de PC esquerdista.

Quais exatamente são, na sua opinião, esses supostos privilégios gays e preconceitos contra héteros?

Em outro tópico recente você argumentou que a lei áurea não podia ser usada no seu sentido positivo porque gays iriam sair agarrando todo mundo. E você é obviamente uma pessoa instruída, imagina o que a massa evangélica ou o povão que mal sabe ler pensa e faz.

Movimentos como Parada Gay e Orgulho Gay servem para combater esse tipo de "mal entendido"

Offline Freya

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #163 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 11:22:56 »
Quais exatamente são, na sua opinião, esses supostos privilégios gays e preconceitos contra héteros?

Sei que a pergunta não foi direcionada a mim, nem quero desviar o foco do tópico, mas permita-me colocar a minha visão.

Os grupos LGBTs não têm e não almejam privilégios, eles querem apenas igualdade de direitos como qualquer cidadão, o que está corretíssimo. Ocorre que políticos retardados como Jean Wyllys, sob o pretexto de corrigir essas desigualdades civis e, principalmente, a fim de cooptar eleitores militantes em movimentos sociais, acabam inventando projetos de lei ridículos e/ou proferindo discursos irracionais que, além de não corrigirem os problemas, ainda criam antipatia na população à respeito da causa LGBT, que é legítima e busca apenas a conquista de direitos civis. Um exemplo disso é o programa "transcidadania" instituído pelo Haddad em SP (que inclusive deve estar acabando, pois tinha prazo de 2 anos), que paga um valor "x" para que travestis possam estudar, já que a vida toda foram excluídos dos estudos por preconceito. HÃ?? Quando foi que travestis foram impedidos de fazer vestibular?

Entendo tudo o que você disse, Pedro Reis. Mas o fato de o orgulho negro ter se originado num contexto de discriminação em que os negros precisaram explicitar que não há motivos para se envergonhar de sua etnia, não modifica o fato de que isso pode, sim, por meio de um 'efeito mola', desencadear uma contra-reação tão racista, discriminatória e preconceituosa como a supremacia branca, e talvez tenha sido isso que o Buckaroo falou sobre processos que se retroalimentam; talvez esse orgulho negro, essa necessidade de afirmar uma auto-imagem positiva, contribua para uma frequente ocorrência de inversão dos papéis de "opressores X oprimidos". Quando, ao invés de acabar com a opressão, essas correntes supremacistas negras invertem os papéis de opressores X oprimidos, surge do lado branco algumas correntes com a necessidade de, também, afirmar-se positivamente, e dessas derivam as correntes supremacistas e assim por diante, numa guerra racial infindável.

Bom, eu não acredito que seja exatamente isso que esteja acontecendo. Pelo menos aqui no Brasil.

Recentemente postaram aqui um vídeo de uma menina negra interrompendo uma aula na USP para fazer um discurso bastante agressivo, defendendo o sistema de cotas e ao mesmo tempo culpando uma suposta raça branca por todas as mazelas dos negros.

Me lembro até que em certo momento ela disse: " Pra vocês estarem aqui minha mãe teve que lavar muito chão de banheiro!"

Pouco depois se descobriu que essa moça é de classe média alta, que viaja com frequência ao exterior, que estudou toda vida em boas escolas particulares, e, claro, sua mãe jamais lavou banheiro algum.

Pareceu muito hipócrita. Porque foi muito hipócrita.

Mas o que levam estas pessoas a fazerem estas encenações ( lembro até que ela estava de sandálias de borracha, meio fantasiada de pobre )? Eu sei muito bem porque também já estudei em faculdade pública, especialmente estudei em uma onde o DA era um dos mais ativos e influentes entre as federais no Brasil, e vi bem como funciona essa coisa.

Todo, ou quase todo o movimento estudantil, é marionetado por partidos políticos. São braços de partidos políticos infiltrados nas universidades. Existem até os chamados "alunos profissionais", caras que ficam mais de uma década na universidade sem se formar ( é pública, não estão pagando mesmo ) fazendo política estudantil. Política esta que o menos que se interesse são por questões relacionadas com o interesse dos alunos.

Estas pessoas, que deve ser o caso também dessa menina, usam o movimento estudantil como um trampolim para uma futura carreira política. Um exemplo que todo mundo conhece é o Lindenberg Farias.

Como quase tudo que se relaciona com política raramente algo é verdadeiro. Ela não é realmente sectária, supremacista negra, ou coisa semelhante, isso muito mais provavelmente não passa de um comportamento oportunista.

Se você começar a defender o absurdo de que negros devem ser indenizados pelo Estado porque há mais de cem anos houve escravidão no Brasil, possivelmente, se você for negra, consiga fisgar aí um mandatozinho de vereadora, quem sabe até de deputada... porque vai estar apelando para uma faixa do eleitorado que simplesmente não acharia ruim receber uma graninha extra inesperada.

Na minha análise, é isto que parece estar por trás desses discursos mais radicais que se vê em postulantes de líderes de movimentos negros no Brasil: mera e tão somente oportunismo político.

É, de fato não vejo um grupo como os Panteras Negras surgindo no Brasil, mas acho que só não o temos porque, embora o Brasil tenha sido um dos últimos países a abolir a escravidão, o racismo aqui sempre foi mais brando do que nos EUA, que chegou a ter uma guerra de secessão e apartheid. Mas não acho que as correntes mais radicais dentro do movimento negro brasileiro sejam inofensivas e não mereçam a devida atenção e reprovação pelo seu desvirtuamento, pois nos últimos anos passaram a, em nome do "orgulho negro", discriminar outras pessoas simplesmente pela raça (algo até bem difícil de categorizar num país de mestiços), cerceando a liberdade de expressão porque essas pessoas, em virtude de sua cor, supostamente não têm "lugar de fala", porque são "privilegiados", porque não passam de "colonizadores escravagistas opressores que se apropriam da cultura alheia" e que devem pagar, individualmente e pessoalmente, por uma dívida histórica da qual não são devedores.

Neste sentido, não vejo razões para se afirmar positivamente um "orgulho" negro, branco, amarelo, azul ou rosa, basta que as leis tratem todos os seres humanos com equanimidade e punam, severamente, o racismo e o preconceito, venha ele de quem vier.
« Última modificação: 01 de Fevereiro de 2017, 11:27:58 por Freya »

Offline DDV

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #164 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 16:49:33 »
, embora o Brasil tenha sido um dos últimos países a abolir a escravidão,

O Brasil foi o último país americano a abolir a escravidão, mas no mundo o último país a abolir foi a Mauritânia em 1980.

Boa parte dos países africanos e islâmicos tinham escravidão legalizada durante o século 20.


(Off Topic com propósito informativo).
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Offline DDV

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #165 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 16:52:28 »
Não é crença minha, mas apenas relato de fato. Não tem nada de inerentemente racista em uma coisa ser de uma cor e parecer outra, ou em pintar uma coisa de outra cor (como zebra de cavalo ou vice-versa). Só é racista pelos valores racistas.

Também é um fato que qualquer propaganda para o qual fosse por algum motivo útil um branco se pintar de negro seria vista como racista porque isso é reflexivamente associado ao "black face", logo, não existirão.

De qualquer forma, a propaganda que falei do branco magrelo que lavado vira negro musculoso já seria exemplo.

Olha essa!

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Hahahaha! Os caras não tinham muita imaginação... quantos milhões de anúncios iguais a estes será que foram publicados?

Mas vem cá...essa propaganda é de 2017 ou de 2016 ainda?

Se usarem aquelas gravuras egípcias de 5000 anos pra mostrarem que racismo existe, eu não ficaria surpreso.

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Offline DDV

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #166 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 17:04:40 »
O dia do orgulho hétero surgiu em um contexto onde o PC estava querendo impôr censura e privilégios aos gays (como o direito de não poder receber nenhuma crítica), tratando-os como judeus recém-saídos de um campo de concentração, como se todo branco heterossexual devesse oferecer a cara pra eles peidarem e ainda ficar feliz. Surgiu mais como algo jocoso, devido à crescente 'heterofobia' dominante em determinados setores da política e entre alguns acadêmicos.

A desculpa usada pelos proponentes do dia do orgulho hétero foi que a criação dele era para contrabalancear supostos privilégios que os gays estavam impondo na sociedade via politicamente correto.

A estupidez do PCismo está, há muito, sendo usada como desculpa para grupos desta estirpe para justificar sua pŕopria ignorância. O dia do orgulho hétero é um exemplo de homofobia descarado onde os homofóbicos nem coragem têm para assumir suas crenças, precisam deixar subentendido. E ai de quem tenta argumentar contra. É logo tachado de PC esquerdista.

Pergunta oportuna: as pessoas são obrigadas a gostarem da prática homossexual?

Não vejo nada de errado em fazer uma farra exibindo o orgulho de ser homem e gostar de mulher, ou vice versa. Daria uma ótima deixa pra umas orgias posteriores.  :wink:

Citar
Quais exatamente são, na sua opinião, esses supostos privilégios gays e preconceitos contra héteros?

Censurar e criminalizar declarações de desaprovação a práticas homossexuais, inclusive dentro de liturgias religiosas.

Há pessoas que chegam a censurar a própria prática sexual!!! Há feministas que querem censurar rituais sociais de corte entre homem e mulher!!! São idiotas? Claro que são, mas não advogo a censura ou criminalização de suas declarações por isso.

Gosto é igual a cu, cada um tem o seu.

Agressões físicas ou morais contra homossexuais ou qualquer pessoa já são protegidas pela legislação.

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Em outro tópico recente você argumentou que a lei áurea não podia ser usada no seu sentido positivo porque gays iriam sair agarrando todo mundo. E você é obviamente uma pessoa instruída, imagina o que a massa evangélica ou o povão que mal sabe ler pensa e faz.

Eu disse que a versão positiva da lei (fazer aos demais o que gostaria que fizessem contigo) é inadequada porque as pessoas têm gostos diferentes, e usei os homossexuais como exemplo: um homossexual gostaria de receber cantada de um homem, logo ele deveria sair cantando os homens.

Foi só um exemplo. Mantenho a afirmação.

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #167 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 17:29:14 »
O dia do orgulho hétero surgiu em um contexto onde o PC estava querendo impôr censura e privilégios aos gays (como o direito de não poder receber nenhuma crítica), tratando-os como judeus recém-saídos de um campo de concentração, como se todo branco heterossexual devesse oferecer a cara pra eles peidarem e ainda ficar feliz. Surgiu mais como algo jocoso, devido à crescente 'heterofobia' dominante em determinados setores da política e entre alguns acadêmicos.

A desculpa usada pelos proponentes do dia do orgulho hétero foi que a criação dele era para contrabalancear supostos privilégios que os gays estavam impondo na sociedade via politicamente correto.

A estupidez do PCismo está, há muito, sendo usada como desculpa para grupos desta estirpe para justificar sua pŕopria ignorância. O dia do orgulho hétero é um exemplo de homofobia descarado onde os homofóbicos nem coragem têm para assumir suas crenças, precisam deixar subentendido. E ai de quem tenta argumentar contra. É logo tachado de PC esquerdista.

Pergunta oportuna: as pessoas são obrigadas a gostarem da prática homossexual?

Por que essa pergunta é "oportuna", o que tem a ver com o assunto?

Soa meio como perguntar "as pessoas são obrigadas a gostar de 'carrinho de mão'", ou "as pessoas são obrigadas a gostar de negros".

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Quais exatamente são, na sua opinião, esses supostos privilégios gays e preconceitos contra héteros?

Censurar e criminalizar declarações de desaprovação a práticas homossexuais, inclusive dentro de liturgias religiosas.

Seria também "privilégio" dos negros censurar e criminalizar declarações de inferioridade racial dentro de liturgias religiosas?

Não há diferença, exceto por ser negro não ser definido por uma prática, que, em tese, poderia ser evitada.



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Há pessoas que chegam a censurar a própria prática sexual!!! Há feministas que querem censurar rituais sociais de corte entre homem e mulher!!! São idiotas? Claro que são, mas não advogo a censura ou criminalização de suas declarações por isso.

Admitindo a possibilidade de haver exagero de alguns (talvez de muitos), me parece que se trata mais de censurarem também o que já é teoricamente "censurado" por lei, não "rituais sociais de corte entre homem e mulher", mas mais molestação/importunação de cunho sexual.

Offline Lucks

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #168 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 19:04:08 »
De modo  geral, qualquer tipo de diferenciação racial, religiosa, sexual, etc é totalmente idiota.
contudo, eu apoio a ideia de que o "esforço" deve ser empregado no sentido de "enfiar guela abaixo de todos" a igualdade de todos o seres humanos...e só.
A partir do momento que existe um "orgulho gay", abre-se um precedente pra que seja aceitável um "orgulho hétero", o mesmo para cores de pele e demais idiotices. Caso contrário, você está sim discriminando a "não minoria".

Como exemplo vamos pegar a cota pra negros nas universidades: Se há conta para negros, porque não para deficiente físicos? E assim...porque não para descendentes indígenas? E porque não para gays? etc..etc...etc.. Se incluir todas as minorias, o que vai sobrar será uma "minoria" que não se enquadrou em nenhuma das outras minorias e por isso está sendo discriminada com um menor acesso  universidade.

Ou seja, o único caminho válido(a meu ver) é impor a igualdade em todos os aspectos, qualquer beneficio de qualquer tipo pra qualquer grupo é em ultima análise discriminatório.   
:)

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #169 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 19:38:08 »
Isso é meio como dizer, "se pode ter greve de empregados por seus direitos, pode também ter greve de patrões", "se as mulheres podem protestar por serem vítimas de violências, os homens podem protestar pelo direito de serem violentos". Uma pseudo-equivalência entre as coisas.

Aliás, algum desses grupos humorísticos bem poderia fazer uma "reportagem" sobre casos como de uma pessoa hétero, filho de um casal gay, de uma família toda gay, e a dificuldade em sair do armário como hétero, tendo que se fingir de gay a vida toda, no trabalho até, na escola, etc.


Como alguém colocou em algum momento, esses "orgulhos" dessas minorias são só forma mais resumida de se dizer "não há motivo para ter vergonha de ser X", e não um orgulho "puro", que se diz de alguém "orgulhoso". Assim sendo, não se aplica a grupos majoritários/não historicamente ostracizados. Como se bem pudesse ter sido, "parada do orgulho loiro", de gente que simplesmente era convencida por ter cabelo visto como bonito por muitos, e resolvessem celebrar isso numa parada.

E há cotas para deficientes físicos e para índios, em muitos casos, diga-se de passagem. Talvez haja quem proponha também para gays, ainda que acho que talvez não haja nem o motivo estatístico para isso, de uma desproporção, a qual comumente assumem automaticamente se dever a discriminação indevida. Na verdade, talvez seja até um pouco o oposto, ao menos é assim no que concerne a riqueza, e como isso tem alguma correlação com estudo, então talvez também haja essa correlação.

Offline Lucks

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #170 Online: 01 de Fevereiro de 2017, 20:10:37 »
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Isso é meio como dizer, "se pode ter greve de empregados por seus direitos, pode também ter greve de patrões",
Greve de patrões é perfeitamente viável, embora normalmente não faça sentido, chegou-se mesmo a cogitar-se essa possibilidade a pouco tempo atrás durante o desenrolar dos problemas do planalto.
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"se as mulheres podem protestar por serem vítimas de violências, os homens podem protestar pelo direito de serem violentos"
Não...mas os homens poderiam protestar por serem vitimas de  mulheres violentas.

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Aliás, algum desses grupos humorísticos bem poderia fazer uma "reportagem" sobre casos como de uma pessoa hétero, filho de um casal gay, de uma família toda gay, e a dificuldade em sair do armário como hétero, tendo que se fingir de gay a vida toda, no trabalho até, na escola, etc.
O caso do hétero filho de um casal gay também é perfeitamente válido se for um situação real. Mas acredito que em geral, homossexuais tendem  ser mais flexíveis quanto a isso e aceitariam a heterossexualidade de seus filhos.

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Como alguém colocou em algum momento, esses "orgulhos" dessas minorias são só forma mais resumida de se dizer "não há motivo para ter vergonha de ser X", e não um orgulho "puro", que se diz de alguém "orgulhoso". Assim sendo, não se aplica a grupos majoritários/não historicamente ostracizados. Como se bem pudesse ter sido, "parada do orgulho loiro", de gente que simplesmente era convencida por ter cabelo visto como bonito por muitos, e resolvessem celebrar isso numa parada.
A questão é que não vejo uma maneira infalível de delimitar quando "orgulho" refere-se a "orgulho mesmo" ou "não ter vergonha". Logo...sob uma análise fria, ou pode para todos ou para ninguém.
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E há cotas para deficientes físicos e para índios, em muitos casos, diga-se de passagem. Talvez haja quem proponha também para gays, ainda que acho que talvez não haja nem o motivo estatístico para isso, de uma desproporção, à qual comumente assumem automaticamente se dever a discriminação indevida. Na verdade, talvez seja até um pouco o oposto, ao menos é assim no que concerne a riqueza, e como isso tem alguma correlação com estudo, então talvez também haja essa correlação.
Confesso que me perdí na interpretação desse texto...mas até onde acompanhei...não invalida o que sugeri sobre como beneficiar alguns é discriminar os demais.
:)

Offline Shadow

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #171 Online: 02 de Fevereiro de 2017, 08:06:04 »
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Isso é meio como dizer, "se pode ter greve de empregados por seus direitos, pode também ter greve de patrões",
Greve de patrões é perfeitamente viável, embora normalmente não faça sentido, chegou-se mesmo a cogitar-se essa possibilidade a pouco tempo atrás durante o desenrolar dos problemas do planalto.
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"se as mulheres podem protestar por serem vítimas de violências, os homens podem protestar pelo direito de serem violentos"
Não...mas os homens poderiam protestar por serem vitimas de  mulheres violentas.

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Aliás, algum desses grupos humorísticos bem poderia fazer uma "reportagem" sobre casos como de uma pessoa hétero, filho de um casal gay, de uma família toda gay, e a dificuldade em sair do armário como hétero, tendo que se fingir de gay a vida toda, no trabalho até, na escola, etc.
O caso do hétero filho de um casal gay também é perfeitamente válido se for um situação real. Mas acredito que em geral, homossexuais tendem  ser mais flexíveis quanto a isso e aceitariam a heterossexualidade de seus filhos.

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Como alguém colocou em algum momento, esses "orgulhos" dessas minorias são só forma mais resumida de se dizer "não há motivo para ter vergonha de ser X", e não um orgulho "puro", que se diz de alguém "orgulhoso". Assim sendo, não se aplica a grupos majoritários/não historicamente ostracizados. Como se bem pudesse ter sido, "parada do orgulho loiro", de gente que simplesmente era convencida por ter cabelo visto como bonito por muitos, e resolvessem celebrar isso numa parada.
A questão é que não vejo uma maneira infalível de delimitar quando "orgulho" refere-se a "orgulho mesmo" ou "não ter vergonha". Logo...sob uma análise fria, ou pode para todos ou para ninguém.
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E há cotas para deficientes físicos e para índios, em muitos casos, diga-se de passagem. Talvez haja quem proponha também para gays, ainda que acho que talvez não haja nem o motivo estatístico para isso, de uma desproporção, à qual comumente assumem automaticamente se dever a discriminação indevida. Na verdade, talvez seja até um pouco o oposto, ao menos é assim no que concerne a riqueza, e como isso tem alguma correlação com estudo, então talvez também haja essa correlação.
Confesso que me perdí na interpretação desse texto...mas até onde acompanhei...não invalida o que sugeri sobre como beneficiar alguns é discriminar os demais.

Veja, no frigir dos ovos o preceito constitucional busca IGUALAR o jogo e, para isso, exige-se, por pura necessidade, tratamento dessemelhado entre cidadãos. A igualdade pura e simples é o liberalismo em estado puro, e a coisa não vira desse jeito, como nossa história já demonstra com muitos exemplos.

O problema começa quando determinado grupo, seja ele qual for, resolve que deve ser PRIVILEGIADO por conta de determinada situação, apenas pelo fato de supostamente integrar determinado grupo. Basta ver o desserviço que o Jean Willlys presta à causa que supostamente defende. Tomemos o exemplo do  Buck quando ele cita com acerto as cotas. Cursei graduação (privada). Duas pós (privadas) e mestrado (privado). Nessa trajetória toda tive UM colega de sala negro. Aliás, na antiga denominação, e não sei se ainda é politicamente correta, "cafuzo" (Hendrix também era!!!), pois descendente de índios e negros. Esse meu grande amigo chegou lá por esforço pessoal puro, é servidor público de nível superior e um excepcional advogado público, e muito bem estabelecido. Mas não há como negar um certo desequilíbrio ai. Veja, em mais de uma década de academia, UM colega negro. Assim, políticas que combatam essa desigualdade, em meu entender, fazem sentido.

Talvez, porém, as cotas gerasse menor discussão se outros aspectos fossem observados, como condição socioeconômica e histórico escolar. Não faz sentido algum um beneficiado de alto poder aquisitivo e boa formação acadêmica obter tal benefício, mesmo porque irá suprimir a vaga destinada a outro cidadão que seria verdadeiramente o objeto da política.
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Offline Freya

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #172 Online: 02 de Fevereiro de 2017, 11:25:18 »
Esse meu grande amigo chegou lá por esforço pessoal puro, é servidor público de nível superior e um excepcional advogado público, e muito bem estabelecido. Mas não há como negar um certo desequilíbrio ai. Veja, em mais de uma década de academia, UM colega negro. Assim, políticas que combatam essa desigualdade, em meu entender, fazem sentido.

Talvez, porém, as cotas gerasse menor discussão se outros aspectos fossem observados, como condição socioeconômica e histórico escolar. Não faz sentido algum um beneficiado de alto poder aquisitivo e boa formação acadêmica obter tal benefício, mesmo porque irá suprimir a vaga destinada a outro cidadão que seria verdadeiramente o objeto da política.

Você estudou em instituições privadas, é natural que tenha menos negros já que a população negra é mais pobre por conta da dívida histórica, mas a questão é que os brancos de hoje não são devedores e não merecem ser discriminados nesse processo de correção. É necessário reequilibrar as coisas, mas acho difícil que isso ocorra por meio de cotas em instituições públicas, que ainda é um dos poucos lugares onde um processo seletivo pode ser mais meritório, diferentemente da iniciativa privada em que um negro não é contratado, mesmo tendo maior qualificação, simplesmente pelo seu fenótipo. Seria o caso de se pensar, então, em cotas nas empresas privadas, assim como ocorre com as cotas de deficientes cujo preenchimento é obrigatório para empresas com mais de 100 empregados, se não me engano.

Cotas sociais fazem muito mais sentido em processos seletivos (universidades, concursos) do que as raciais, pois não faz distinção de raça e cumpre a mesma função de buscar reduzir a desigualdade e incluir socialmente os negros, principalmente se pensarmos que 70% da população pobre é comporta de negros e pardos.
« Última modificação: 02 de Fevereiro de 2017, 11:28:06 por Freya »

Offline DDV

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #173 Online: 02 de Fevereiro de 2017, 12:30:18 »
Acredito que aqui no Brasil, as pessoas de fenótipo negro nunca terão uma renda média igual as de fenótipo branco, por mais políticas racialistas que sejam feitas e por mais esforçados que eles sejam.

Mesmo que todas as demais condições se igualem, ainda sobrará uma diferença importante decorrente do fenômeno social de "embranquecimento" das famílias de negros que ficam ricos.





http://lugardemulher.com.br/a-solidao-da-mulher-negra-e-o-racismo-cotidiano/

"Talvez eu novamente não tenha ficado satisfeita com o resultado, e, percebendo que eu seguia poucos famosos no instagram, resolvi dar um breve passeio pelas contas de algumas “celebridades”, pelo bem da observação. Dessa vez observei apenas os homens negros – cantores pop, atores, atletas. Eu gostaria que vocês chutassem o resultado dessa busca. Podia ter um, pra fechar certinho minha curva descendente, mas não. Dez, dos dez homens negros pesquisados, namoram ou estão casados com mulheres brancas."

Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quando o orgulho de ser branco,vira racismo?
« Resposta #174 Online: 02 de Fevereiro de 2017, 13:44:54 »
Essa lógica parece assumir dominância do fenótipo branco, quando o contrário é mais próximo da verdade. Ainda assim, mestiços poderão ter filhos com ambos os fenótipos, algumas vezes até gêmeos:





Então, mesmo que o enriquecimento de negros seja correlato a "empardecimento", o fenótipo negro não deverá ser completamente extinto junto com uma ascenção social "total" e exogamia racial generalizada. Na verdade, como a tendência é o fenótipo negro ser mais dominante, isso de certa forma "acelera" a ascenção relativa da renda de pessoas com fenótipo negro. Até por também do outro lado, haver alguma correlação também a empobrecimento de brancos e miscigenação, assim também branqueando os pobres, aproximando gradualmente as médias.


Mas mais significativo que isso, acho que o raciocínio tem simplesmente como assunção a própria conclusão. Já que um "vazamento" racial de riqueza em última instância não impediria a eventual nivelação de renda sozinha, apenas a atrasaria.

 

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