Autor Tópico: O que determina o valor de uma mercadoria?  (Lida 11333 vezes)

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Offline DDV

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O que determina o valor de uma mercadoria?
« Online: 08 de Fevereiro de 2007, 04:44:00 »
Utilizo aqui "mercadoria" com o sentido de qualquer bem que esta sendo comercializado.
A resposta para o que determina realmente o valor de um a mercadoria varia entre teorias econômicas diferentes. O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção. Quase todas as demais alegações do marxismo sobre exploração do trabalhador, mais-valia, destino do capitalismo, etc se ancoram nessa sua definição de valor. Portanto, se essa definição for falsa ou incompleta, todo o resto desmorona junto. Antes de explicar o porquê (se tiver tempo), deixo o espaço para respostas à pergunta do tópico.   
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Offline Luis Dantas

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #1 Online: 08 de Fevereiro de 2007, 07:24:11 »
O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção.

Essa talvez seja a maior marca de idealismo exagerado do Marxismo; a tentativa de decretar à força que o valor justo de um artigo é definido pelo sacrifício empregado para construí-lo. 

Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.

A vontade de ignorar esse fato óbvio pode ser o que faz do Marxismo algo comparável a uma religião de crença dogmática.  No mínimo é parte do motivo.

Citar
Quase todas as demais alegações do marxismo sobre exploração do trabalhador, mais-valia, destino do capitalismo, etc se ancoram nessa sua definição de valor. Portanto, se essa definição for falsa ou incompleta, todo o resto desmorona junto. Antes de explicar o porquê (se tiver tempo), deixo o espaço para respostas à pergunta do tópico.

A incapacidade do Marxismo de se sustentar é um fato comprovado na prática e bastante claro até mesmo na teoria.
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Em 18 de janeiro de 2010, ainda não vejo motivo para postar aqui. Estou nos fóruns Ateus do Brasil, Realidade, RV.  Se a Moderação reconquistar meu respeito, eu volto.  Questão de coerência.

Eriol

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #2 Online: 08 de Fevereiro de 2007, 07:57:13 »
« Última modificação: 08 de Fevereiro de 2007, 08:05:07 por Rodrigo »

Offline Quereu

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #3 Online: 08 de Fevereiro de 2007, 11:30:14 »
O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção.

Essa talvez seja a maior marca de idealismo exagerado do Marxismo; a tentativa de decretar à força que o valor justo de um artigo é definido pelo sacrifício empregado para construí-lo. 

Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.

A vontade de ignorar esse fato óbvio pode ser o que faz do Marxismo algo comparável a uma religião de crença dogmática.  No mínimo é parte do motivo.

Citar
Quase todas as demais alegações do marxismo sobre exploração do trabalhador, mais-valia, destino do capitalismo, etc se ancoram nessa sua definição de valor. Portanto, se essa definição for falsa ou incompleta, todo o resto desmorona junto. Antes de explicar o porquê (se tiver tempo), deixo o espaço para respostas à pergunta do tópico.

A incapacidade do Marxismo de se sustentar é um fato comprovado na prática e bastante claro até mesmo na teoria.

Que inveja desse texto... Queria fazê-lo meu!
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Offline Nightstalker

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #4 Online: 20 de Fevereiro de 2007, 22:33:33 »
Citação de: Luís Dantas
Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.

Exato.
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Offline Huxley

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #5 Online: 20 de Fevereiro de 2007, 23:51:33 »
Como já estudei Microeconomia e História do Pensamento Econômico, me sinto suficientemente capaz de dá a opinião aqui (estou no 6º período de Ciências Econômicas).

A teoria mais aceita sobre a formação de preços do oligopólio e da concorrência imperfeita diz que Marx e os outros economistas clássicos (Adam Smith, David Ricardo, etc.) estavam essencialmente certos sobre a teoria do valor-trabalho.Essencialmente certos, porque nestas duas situações (oligopólio e concorrência imperfeita, que juntas formam a situação majoritária nos mercados) só em circunstâncias excepcionais, a demanda tem influência significativa na determinação do preço.A teoria do valor-utilidade (proposta pelos economistas neoclássicos, como Alfred Marshall) só é realista em casos de concorrência perfeita e concorrência quase-perfeita, como no mercado dos produtos agrícolas.

Bem, pelo menos eu só tirei nota boa, porque coloquei essas informações nas avaliações que fiz.
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Offline FxF

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #6 Online: 21 de Fevereiro de 2007, 00:39:14 »
Citar
O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção.
Parcialmente correto. Esse é o ponto "inicial" de onde surge o valor.
Adiante varia em: mercado de vendas e procuras (o que inclui utilidade, raridade, etc); golpes políticos (carteis por exemplo);

Offline Herf

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #7 Online: 11 de Abril de 2007, 20:34:07 »
Citar
Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.

Também concordo. Pois o que faz eu atribuir um valor a um bem meu é justamente o fato de ele ser considerado "meu". Como no comunismo não há "meu" e tudo é de todos, o valor do bem acaba sendo o do esforço empregado nele.

Por isso, para discutir o que determina o valor de uma mercadoria, inevitavelmente teremos que discutir o caráter da propriedade privada nas duas ideologias: no capitalismo ela é um dos pilares, no comunismo é negada.

Pergunto, então: o que os comunistas vêem de errado na idéia de propriedade privada?

Offline Huxley

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #8 Online: 12 de Abril de 2007, 23:05:32 »
Bem, eu já postei isso lá no ReV, mas vamos lá:

A teoria neoclássica do valor-utilidade diz é que existe uma curva de demanda indicando qual é a quantidade de produtos que os consumidores desejam adquirir a cada nível de preços.O preço e a quantidade produzida a ser escolhida será aquele em que, no ponto da curva de demanda, o custo médio (que por sua vez é igual ao preço) se iguala ao custo marginal (custo adicional ao se fabricar uma unidade a mais do produto), porque é neste ponto que se maximizam o lucro.

Há problemas nesta visão aparentemente simples da determinação do valor.Este modelo supõe várias simplificações.Este modelo supõe concorrência perfeita (ou quase perfeita), atomização do mercado (uma firma não tem poder para influenciar a política de preços de seu concorrente), produtos homogêneos no mercado e ausência de barreiras a entrada.Para os casos de monopólio e oligopólio, esta teoria é TOTALMENTE INADEQUADA.

Vejamos o caso da formação de preços em oligopólios.Em primeiro lugar, no caso de empresas com poder para determinar o mark-up, elas utilizam as vantagens de custo para impedir a entrada de potenciais concorrentes praticando preços que estão na margem da indução de entrada.Em segundo lugar, as empresas oligopolistas detêm uma parcela tão grande do mercado, que as decisões de preços são tomadas baseando-se nas ações de seus concorrentes próximos.A curva de demanda é totalmente diferente da "normal".As empresas não baixam os preços quando a demanda cai, porque teme uma guerra de preços.Por outro lado, elas não elevam os preços, porque temem não serem acompanhados pelos concorrentes.Se for assim, a curva de demanda é “quebrada” num determinado ponto.Usualmente, o valor dos preços e das quantidades produzidas são desconhecida na curva de demanda.Então, que "ponto de quebra" seria este?A teoria microeconômica pós-keynesiana (baseada em extensos estudos empíricos) diz que os preços são fixados utilizando-se esta regra:

Preço=custos fixos + custos variáveis + margem de lucro definida arbitrariamente.

Além disso, existe uma regra implícita entre os concorrentes que só se altera preços quando os custos (impostos, preço dos insumos, etc.) para todas as empresas se alteram.Só em circunstâncias excepcionais, a demanda influi na determinação do preço.Como quando uma empresa, cujo produto tem demanda suficientemente elástica tem uma queda repentina da demanda ou quando as firmas não têm condições de ampliar a capacidade instalada.

Como vocês notaram, esse modelo diz que o ajuste de oferta e demanda se dá pela ampliação ou redução da produção.Quando a demanda cai, corta-se a produção.Quando a demanda aumenta, eleva-se a produção.Estes é o caso dos mercados fix, onde o exemplo mais óbvio parece ser o da indústria automobilística.Para mercados flex, isso não ocorre porque os produtos em questão são de difícil estocagem (no caso dos produtos agrícolas, eles se estragam se forem estocados por muito tempo) ou têm elevado custo de estocagem.Neste caso, o ajuste da oferta e da demanda se dá via preços.Existem outros fatores que atuam na determinação se o mercado será fix ou flex, porque o fator custo de estocagem é apenas um entre alguns (e o mais óbvio).

Porque então os economistas já acreditaram na universalidade da teoria do valor-utilidade?Na época em que ela foi formulada, o capitalismo ainda estava na sua fase concorrencial, a diferenciação dos produtos eram mínimas, o mercado era atomizado e não existiam significativas barreiras a entrada para novas firmas.

Marx e os economistas clássicos (Smith, Ricardo,etc.) assumiam a validade da teoria valor-trabalho, que em certos contextos funcionam muito bem, como já explicado anteriormente.Preços são determinados pelo custo.De onde vem os custos? Brotam do nada?Da perspectiva da teoria do valor-trabalho, a BMW em média cobra um valor maior para seus carros do que paras suas motos por um motivo muito simples.A quantidade de trabalho necessário para produzir um carro é maior do que para produzir uma moto.Custo é trabalho.Se duas motos BMW têm o mesmo preço de um carro BMW, e se alguém vende duas motos BMW para comprar um carro BMW, esta pessoa só está trocando trabalho por outra mesma quantidade de trabalho.Esse raciocínio implica também que aprimoramento das forças produtivas gera redução de preço, se o empresário não utilizar o aumento da produtividade para aumentar a massa de lucros.

Apesar disso, existe uma pergunta intrigante feita num fórum que parece não ter explicação por Marx e os outros:

"em tese, eu posso estar andando num deserto e tropeçar numa pepita de ouro de meio quilo e adquirí-la sem o menor esforço. Entretanto, ela terá o mesmo valor de mercado que uma pepita de ouro de meio quilo deliberadamente extraída por mineradores assalariados. Por quê? "

Mas os que aceitam a teoria do valor-trabalho (como Marx) explicam isso sem o menor esforço.O ouro tem pouco valor de uso, mas seu valor de troca é enorme.Pense por um instante.Qual é o valor de uso para um capitalista de um pneu que chega numa fábrica de automóveis?Nenhuma.Porém, seu valor de troca é enorme, porque no futuro ela terá valor de uso para o consumidor que comprará o carro.produzido.Quando as pessoas faziam trocas, usualmente teriam que escolher uma substância indivisível, durável e de fácil aceitação.Obviamente, um produto perecível seria o menos indicado.Por outro lado, o ouro cumpre estes requisitos com perfeição.Chegue com uma pepita de ouro numa mercearia para comprar alguma coisa e depois faça o mesmo com uns limões, para ver o que acontece.O dono da mercearia aceitará a primeira como moeda, já a segunda...Existe outro fator que explica o valor do ouro além do trabalho necessário para encontrá-lo e seu valor de troca.É o fenômeno que Marx descreve como “fetichismo da mercadoria”.Ouro é utilizado para confecção de jóias e até para fazer torneiras.Não importa o quanto você diga para um rico materialista que uma jóia de ouro não vale nada, porque não irá concordar.Da mesma forma, não importa o quanto você diga para um comprador de quadros que um quadro de Pablo Picasso é apenas um quadro.Ambos estarão dispostos a pagar um valor alto tão somente para saciar seu fetichismo pela mercadoria.


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Offline Nightstalker

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #9 Online: 10 de Maio de 2007, 16:38:01 »
É fácil refutar a teoria valor-trabalho. A teoria valor-utilidade a refuta completamente. Se alguém discorda por favor me explique por que o preço de um diamante (que requer força de trabalho 0 para ser produzido) é infinitamente superior preço de 1 pão (que requer força de trabalho para ser produzido).
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Offline Buckaroo Banzai

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #10 Online: 11 de Maio de 2007, 12:39:12 »
Outro ponto interessante é construir um carro ou quase qualquer coisa, a partir das matérias primas em estado bruto, manualmente, em vez de industrialmente, em produção em série. Será um trabalho hercúleo, mas que certamente não vai valer mais no mercado que um carro exatamente do mesmo modelo, construido industrialmente.

A menos que, haja um marketing e a esse carro seja atribuido o valor de "arte", aí poderia valer mais, mas provavelmente um monte de metal retorcido não-funcional, fezes enlatadas, ou uma tela pintada com um monte de manchas aleatórias poderia valer mais também, mesmo com menor trabalho por trás. Arte é meio falácia "ad hominem" em boa parte do tempo.

Há tempos atrás, aconteceu aquilo de trocarem algo como um clips de papel ou uma caixa de fósforo, por coisas gradualmente mais valiosas, até chegar numa casa... ainda que tenha sido meio artificial, pois era um evento de uma rádio, acho que o valor tem essa subjetividade mesmo, que independe um tanto de trabalho, e se aproxima mais da utilidade, ainda passe pelo que pode ser considerado fetichismo também.

Offline Fabi

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #11 Online: 12 de Maio de 2007, 22:25:33 »
Preço=custos fixos + custos variáveis + margem de lucro definida arbitrariamente.
Quais seriam os custos fixos e os custos variáveis?
Bom no meu caso eu faço a seguinte fórmula:
Preço = Custo + Margem de lucro + divulgação (isso é custo variável?)
Difficulter reciduntur vitia quae nobiscum creverunt.

“Deus me dê a serenidadecapacidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar o que posso, e a sabedoria para saber a diferença” (Desconhecido)

Offline HSette

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #12 Online: 12 de Maio de 2007, 22:35:04 »
Custos fixos são aqueles que você tem independentemente de estar ou não produzindo algo: luz, água, telefone nas atividades administrativas; salários fixos, que são pagos para o pessoal que não está ligado ao processo produtivo.

Custos variáveis são aqueles que só ocorrem quando há produção: compra de matéria-prima, salários do pessoal temporário que só é contratado para desempenhar atividades ligadas ao processo produtivo, energia elétrica gasta com o maquinário durante o processo produtivo, etc.

Usei exemplos um pouco grosseiros, mas é por aí. Varia muito conforme a atividade.
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"Por quê?"
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Chaves

Offline Huxley

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #13 Online: 13 de Maio de 2007, 00:13:53 »
Outro ponto interessante é construir um carro ou quase qualquer coisa, a partir das matérias primas em estado bruto, manualmente, em vez de industrialmente, em produção em série. Será um trabalho hercúleo, mas que certamente não vai valer mais no mercado que um carro exatamente do mesmo modelo, construido industrialmente.

A menos que, haja um marketing e a esse carro seja atribuido o valor de "arte", aí poderia valer mais, mas provavelmente um monte de metal retorcido não-funcional, fezes enlatadas, ou uma tela pintada com um monte de manchas aleatórias poderia valer mais também, mesmo com menor trabalho por trás. Arte é meio falácia "ad hominem" em boa parte do tempo.


Você se esqueceu de um detalhe das linhas de montagens de automóveis.A maioria das peças é feito por outra companhias, os fornecedores.Logo, o trabalho já está embutido no preço dessas peças fornecidos por essas companhias.Veja o caso da Rolls-Royce.A fabricação de um modelo Phantom leva no mínimo 2 meses.O processo de produção combina alta tecnologia com artesanato, numa refinada sintonia.O couro que reveste bancos e painel, por exemplo, é selecionado “à mão” pelo pessoal especializado da fábrica, mas cortado em máquinas controladas por computador.Outro detalhe, um automóvel feito de forma tão requintada só pode ser um modelo de alto luxo, que tem poucos demandantes.Se existem poucos demandantes, poucos modelos serão produzidos ao ano.O número de trabalhadores requerido também é pequeno.Sendo assim, o custo salarial não representa uma parcela tão grande do preço do produto, como num carro popular.Sendo assim, precisar de um pouco mais de trabalhadores não terá impacto tão grande assim.Embora possa haver ALGUM impacto.Um Rolls Royce Phantom custa ,na sua versão básica, R$ 1,8 milhão.O top de linha da Mercedes, o Classe S, custa de R$ 575 mil.

É fácil refutar a teoria valor-trabalho. A teoria valor-utilidade a refuta completamente. Se alguém discorda por favor me explique por que o preço de um diamante (que requer força de trabalho 0 para ser produzido) é infinitamente superior preço de 1 pão (que requer força de trabalho para ser produzido).

Essa discussão teoria valor-trabalho x teoria valor-utilidade está totalmente ultrapassada.Em qualquer manual de Macroeconomia atualizado que você pegar numa boa livraria, você verá o mesmo raciocínio que pus no post anterior.Tanto a teoria valor-trabalho quanto a teoria valor-utilidade estão corretas, mas em seus respectivos contextos onde elas são apropriadas.

Em setores de concorrência imperfeita, os preços são formados pelas empresas aplicando uma margem de lucro sobre os custos variáveis unitários de produção.As margem de lucro são definidas arbitrariamente e são rígidas.Neste caso, só em circunstâncias excepcionais a demanda afeta significativamente o nível de preço, e consequentemente, a margem de lucro.Estamos nos referindo aos setores fixprice.

Nos setores flexprice vale o raciocínio da teoria do valor-utilidade, que já expliquei no post anterior.Neste caso, o preço do produto também cobre os custos de produção.Mas em vez de margens de lucros rígidas, temos margens de lucros flexíveis, sensíveis a variações na demanda agregada.A firmas são "aceitadoras de preço" (não tem poder de mercado) e tem dificuldade em responder a variações da demanda apenas com variações de estoque, devido a fatores que já mencionei neste tópico.Neste caso, as margens de lucro são uma função direta, no curto prazo, do nível de produção efetiva (Q) em relação ao nível de produção de pleno emprego(Qp). Ou seja, caso aumente a demanda agregada aumente, o nível de produção subirá, assim como as margens de lucro.Mas no longo prazo, as margens de lucro são insensíveis a variações em Q/Qp.No longo prazo, a elevação excessiva das margens de lucro tornariam a eficiência marginal do capital nesses setores mais alta que a média, atraindo investimentos para ele;a consequente ampliação da capacidade produtiva nestes setores pressionaria seus preços de mercado ao nível de preços "naturais".O preço "natural" seria aquele preço definido de acordo com o raciocínio da teoria do valor-utilidade, mais precisamente a teoria marginalista marshalliana.

E quando falo de teoria de valor-utilidade, me refiro a teoria marginalista de Alfred Marshall, não a dos primeiros economistas neoclássicos.Essa teoria não diz que o preço de uma mercadoria é independente do trabalho necessário para produzi-la.Ela só diz que existe uma curva de demanda indicando qual é a quantidade de produtos que os consumidores desejam adquirir a cada nível de preços.E baseado nesta informação, existe um preço X onde esse lucro será maximizado, que por sua vez é determinado pela demanda pela mercadoria.Se em algum momento o lucro passar a ser maximizado em um ponto onde não é possível cobrir os custos de produção,simplesmente a mercadoria deixará de ser produzida.

Respondendo a sua pergunta:

Por que o preço de um diamante é infinitamente superior preço de 1 pão?Mesmo que só a teoria do valor-trabalho é que tivesse validade, essa discrepância de preços não a refutaria.Porque a teoria do valor-trabalho não é válido para produtos cujo valor de troca seja enorme (caso do diamante)  e/ou seja afetado pelo fenômeno "fetichismo da mercadoria".A teoria do valor-trabalho só é válido para produtos que praticamente só tenha valor de USO.Como a maioria das mercadorias da economia capitalista tem valor de troca e/ou valor de fetichismo desprezível, então a teoria do valor-trabalho é indispensável para entender a formação de preços.




« Última modificação: 13 de Maio de 2007, 09:24:15 por Huxley »
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Offline Huxley

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #14 Online: 13 de Maio de 2007, 00:21:45 »
Preço=custos fixos + custos variáveis + margem de lucro definida arbitrariamente.
Quais seriam os custos fixos e os custos variáveis?
Bom no meu caso eu faço a seguinte fórmula:
Preço = Custo + Margem de lucro + divulgação (isso é custo variável?)

Custos variáveis:custos salariais variáveis unitários e custos tributários e de preços e tarifas públicas.Todos os demais custos decorrentes de insumos podem ser desconsiderados, já que se desdobram em lucros ou salários dos demais setres, ou preços e tarifas públicas; portanto, seus efeitos descritos no item margem de lucro.Usualmente considera-se que os custos tributários e de tarifas e preços públicos sejam exógenos, e suas mudanças podem ser interpretadas como parte da variação das margens de lucro.

Custos fixos:insumos, custo de depreciação de máquinas e equipamentos, custo de divulgação, custo salarial do pessoal da administração (cujo salário não tem aumentos associados ao aumento da produtividade média do trabalho, daí ser chamado um "custo salarial fixo"), etc.
« Última modificação: 13 de Maio de 2007, 00:29:45 por Huxley »
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Offline ov3rl0rd

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #15 Online: 13 de Maio de 2007, 21:08:27 »
Bom, não me aventurarei a discorrer sobre teorias econômicas neoclássicas pois o Huxley faz isso muito bem.
Respondendo à pergunta-tópico, o valor de uma mercadoria no sentido de uma troca singular não necessariamente é o preço dela; se você compra um pão por 20 centavos é por julgar que o pão é equivalente ou mais valioso que seus 20 centavos. Supondo que você ache que o pão valha 40 centavos e você pagou 20 centavos, quanto vale o pão?
O conceito de excedente, que explicaria o exemplo simples que eu criei, me confundiu em relação à sua pergunta. Se o valor da mercadoria significa exatamente esse pão, então ele é diferente para o padeiro e para o consumidor, mas se significar todos os pães, ele será formado a partir de todos os valores que os consumidores dão. Essa é exatamente a construção da curva de demanda.
Portanto, o marxismo peca ao igualar os "valores" que as pessoas atribuem às mercadorias.
O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção.   
Isso é falso, como o Luís disse, aliás num texto bastante interessante.
O marxismo é insustentável por tentar igualar diferenças.
Preço=custos fixos + custos variáveis + margem de lucro definida arbitrariamente.
Quais seriam os custos fixos e os custos variáveis?
Bom no meu caso eu faço a seguinte fórmula:
Preço = Custo + Margem de lucro + divulgação (isso é custo variável?)
Custos fixos são aluguéis, custos de oportunidade e quaisquer outros custos monetários ou econômicos que não dependam da quantidade produzida ou servida.
Divulgação é custo fixo, pois você não faz propaganda para cada unidade do seu produto.
A formação de preço é bem mais complexa do que você propôs, Fabi, e eu até queria que fosse assim (minhas provas de microeconomia seriam bem mais fáceis). Depende basicamente do tipo de mercado em que o produto está inserido.
A margem de lucro não entra na fórmula para determinação de preço; para mercados perfeitamente competitivos, o preço é fixo. Para mercados monopolísticos, o preço é definido ao se igualar receita marginal com custo marginal. A razão disso é que se produzir uma unidade a mais do seu produto custar menos que a receita gerada pelo seu produto, compensa produzi-lo. Ao contrário do que somos levados a pensar, a empresa não pode vender pelo preço que quiser, simplesmente porque a um preço muito alto não estaremos mais disposto a comprar. No caso de mercados competitivos, iguala-se o custo marginal ao preço de mercado para maximizar lucro. A margem de lucro que você citou talvez exista no curto prazo e no varejo, mas para casos específicos. Obviamente, procura-se maximizá-la sempre, não havendo razão para ser definida arbitrariamente, sob o risco de ter o lucro real prejudicado.

Sem mais, críticas sobre o dito serão bem-vindas.
« Última modificação: 13 de Maio de 2007, 21:19:55 por ov3rl0rd »
teste

Offline DDV

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #16 Online: 13 de Agosto de 2007, 13:57:10 »
Como já estudei Microeconomia e História do Pensamento Econômico, me sinto suficientemente capaz de dá a opinião aqui (estou no 6º período de Ciências Econômicas).

A teoria mais aceita sobre a formação de preços do oligopólio e da concorrência imperfeita diz que Marx e os outros economistas clássicos (Adam Smith, David Ricardo, etc.) estavam essencialmente certos sobre a teoria do valor-trabalho.Essencialmente certos, porque nestas duas situações (oligopólio e concorrência imperfeita, que juntas formam a situação majoritária nos mercados) só em circunstâncias excepcionais, a demanda tem influência significativa na determinação do preço.A teoria do valor-utilidade (proposta pelos economistas neoclássicos, como Alfred Marshall) só é realista em casos de concorrência perfeita e concorrência quase-perfeita, como no mercado dos produtos agrícolas.

Bem, pelo menos eu só tirei nota boa, porque coloquei essas informações nas avaliações que fiz.


Engraçado, eu achava justamente o oposto! Eu posso estar confuso (juntamente com as fontes das quais não me lembro agora).

O que eu achava era que a teoria do valor-trabalho é que era adequada somente para o caso de concorrência perfeita, e que a teoria do valor-utilidade era mais abrangente justamente por conseguir dar conta dos casos de concorrência imperfeita. Por que eu pensava assim?

Vamos supor que haja um produto P. Esse produto terá uma utilidade U variável, a depender das características subjetivas dos consumidores e principalmente da necessidade que eles têm no momento de terem uma unidade adicional produto P (utilidade-marginal). Percebe-se que quanto maior for a disponibilidade do produto P, mais facilmente a pessoa o adquirirá, e consequentemente a sua necessidade de uma unidade a mais do produto P (utilidade marginal) será menor, portanto, o valor-utilidade do produto P para ela seria menor (no sentido de que ela estaria menos disposta a pagar por esse produto). A utilidade é subjetiva, variável e mutável. Os trabalhadores autônomos e empresários primeiramente procuram saber quais produtos e em que quantidade as pessoas estão dispostas a adquirir e quanto estão dispostas a pagar, para então avaliarem se é possível para os mesmos produzirem esses produtos com um custo menor do que o valor que as pessoas estão dispostas a pagar, somente depois disso é que decidem se investem ou não trabalho e/ou capital (o capital também é uma quantidade de trabalho "economizada", incorporada em bens ou dinheiro) na produção destes produtos. Disso, podemos concluir o seguinte:

1- Ninguém investe trabalho (ou capital, que dá no mesmo) em algo cuja utilidade para os consumidores não seja alta o suficiente a ponto dos mesmos não estarem dispostos a pagar por esse algo uma quantidade de "valor" equivalente ao investido na produção. Logo, quem investir "trabalho" em algo que não seja suficiente demandado e útil para ninguém, irá despender energias a toa (Ex: cavar um buraco no meio de um deserto, carregar pedras de um lado para o outro repetidamente, etc). A conclusão disso tudo é que o trabalho, por si só, não é suficiente para gerar o "valor" para um bem. Em outras palavras: a quantidade de trabalho despendida na produção de algo não garante automaticamente que esse algo seja vendido ou trocado por outros bens cuja quantidade de trabalho despendida para sua produção seja equivalente à dos bens originais.

Em suma, é a utilidade que precede o trabalho, que o guia e o coordena. O trabalho é tão somente UM DOS fatores que podem fazer a utilidade de um bem aumentar. Há muitos outros fatores que influenciam a utilidade: gostos pessoais, moda, cultura, raridade, sentimentos, etc. Mas há um de suma importância que merece destaque: a escassez artificial.

Trata-se dos monopólios, oligopólios, trustes, cartéis, dentre outros tipos de concorrência imperfeita. O fato de haverem poucos ofertantes de um determinado produto P dá aos mesmos maior liberdade para controlarem a oferta do mesmo. Isso leva a uma escassez artificial, o que aumenta a utilidade-marginal do produto para os consumidores, tornando-os dispostos a pagar pelo produto P uma quantidade de "trabalho" bem maior do que a quantidade de trabalho ("socialmente necessária") efetivamente despendida para se produzir tal produto P. A conclusão (espelho da anterior) é que a utilidade aumentada pode fazer com que um produto posssa ser trocado por uma quantidade de trabalho bem maior do a que foi efetivamente necessária para a sua produção.

É por isso que eu considero a teoria do valor-utilidade muito mais abrangente e realística do que a do valor-trabalho. O papel do trabalho é tão-somente o de PODER tornar alguns produtos mais úteis, aumentando assim o valor-utilidade dos mesmos.

Mas e a teoria do valor-trabalho? Em que circunstâncias ela seria aplicável como aproximação?

Na concorrência perfeita, como a escassez artificial não existe, então não é possível a ninguém controlar a oferta de tal modo que consiga "extrair" dos consumidores, em troca de seu produto, uma quantidade de trabalho bem maior do que a efetivamente necessária para a produção de mesmo. Nesse caso então, as trocas de produtos poderiam ocorrer de forma mais "equitativa", com produtos trocados em uma proporção mais equivalente à quantidade efetiva de trabalho "socialmente necessário" para produzí-los. Tal situação ocorre em comunidades primitivas e ocorreu  durante muito tempo na Europa até o século XIX (durante as épocas de Smith, Ricardo e Marx, os mais ilustres defensores do valor-trabalho).  Mesmo assim, os outros fatores que aumentam a utilidade-marginal além da escassez artificial continuam existindo. (o caso dos diamantes e esmeraldas é ilustrativo).

É basicamente isso o que eu achava sobre esse assunto.
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Offline Adriano

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #17 Online: 13 de Agosto de 2007, 20:30:38 »
O marxismo afirma que o "valor de troca" de um produto é determinado unicamente através do trabalho humano "socialmente necessário" para a sua produção.

Essa talvez seja a maior marca de idealismo exagerado do Marxismo; a tentativa de decretar à força que o valor justo de um artigo é definido pelo sacrifício empregado para construí-lo. 

Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.
Como demonstrado pelo Huxlei, tanto o valor-trabalho como o valor-utilidade são válidos. Falso é afirmar que não existe a influencia do valor-trabalho.

A vontade de ignorar esse fato óbvio pode ser o que faz do Marxismo algo comparável a uma religião de crença dogmática.  No mínimo é parte do motivo.
O erro maior do marxismo é a projeção de uma sociedade utópica, alcançar o comunismo. Atualmente os neomaxistas, principalmente Mészaros, já faz a distinção clara entre capitalismo e capital, de forma a despersonificar o capital. Com isso foi desenvolvido a teoria do sociometabolismo do capital. Mas me parece algo bem assimilado pelo mercado, pois estão sendo valorizadas as questões sociais e ecológicas, constantes nas críticas de Mészaros no livro Para além do capital, no qual faz uma atualização do marxismo para os nossos tempos.

Citar
Quase todas as demais alegações do marxismo sobre exploração do trabalhador, mais-valia, destino do capitalismo, etc se ancoram nessa sua definição de valor. Portanto, se essa definição for falsa ou incompleta, todo o resto desmorona junto. Antes de explicar o porquê (se tiver tempo), deixo o espaço para respostas à pergunta do tópico.

A incapacidade do Marxismo de se sustentar é um fato comprovado na prática e bastante claro até mesmo na teoria.

Um equívoco, o marxismo é uma teoria e de grande influencia na sociologia americana. O neomarxismo com Lucaks e Mészados são os exemplos mais atuais de sua força histórica.

Citar
Isso é falso; o verdadeiro valor é definido pela demanda ou interesse que haja em obtê-lo.

Também concordo. Pois o que faz eu atribuir um valor a um bem meu é justamente o fato de ele ser considerado "meu". Como no comunismo não há "meu" e tudo é de todos, o valor do bem acaba sendo o do esforço empregado nele.

Por isso, para discutir o que determina o valor de uma mercadoria, inevitavelmente teremos que discutir o caráter da propriedade privada nas duas ideologias: no capitalismo ela é um dos pilares, no comunismo é negada.

Pergunto, então: o que os comunistas vêem de errado na idéia de propriedade privada?

O sociometabolismo do capital é demonstra como o capital pode ser um fator negativo, prejudicial a sociedade e ao meio ambiente. Nesse sentido o capital é relacionado com a propriedade privada, e Meszáros critica Hayek com base em Hegel.
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Offline Nightstalker

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #18 Online: 13 de Agosto de 2007, 21:42:28 »
Citação de: Huxley
Como demonstrado pelo Huxlei, tanto o valor-trabalho como o valor-utilidade são válidos. Falso é afirmar que não existe a influencia do valor-trabalho.

E não existe mesmo, o que acontece é que o Huxley posta inúmeros jargões neo-keynesianistas que só quem leu Keynes sabe, aí não tem como eu comentar. É como você me pedir para refutar um post em japonês.
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Offline Adriano

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #19 Online: 13 de Agosto de 2007, 23:29:13 »
Citação de: Huxley
Como demonstrado pelo Huxlei, tanto o valor-trabalho como o valor-utilidade são válidos. Falso é afirmar que não existe a influencia do valor-trabalho.

E não existe mesmo, o que acontece é que o Huxley posta inúmeros jargões neo-keynesianistas que só quem leu Keynes sabe, aí não tem como eu comentar. É como você me pedir para refutar um post em japonês.

E você dizer que não existe não refuta o que ele disse. Comente o motivo de você acreditar que não exista. A teoria valor-utilidade tem várias críticas relativas a real utilidade do consumidor e o preço. Um dos insumos utilizados na produção de qualquer produto é a mão de obra humana, e a principal é a de desenvolvimento e pesquisa. Muitos trabalhos fabris estão ficando automatizado, mas o crescimento do setor de serviços é cada vez maior. Você pega as patentes, são relacionadas ao trabalho criativo. Não tem como dissociar uma coisa da outra, e Marx demonstrou isso muito bem na análise da época, onde as industrias consistiam em trabalhos manuais, e o que não deixa de ter validade para os dias de hoje.
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Offline -Huxley-

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #20 Online: 14 de Agosto de 2007, 01:27:57 »
Bem, dessa vez uma linguagem mais acessível para que todos entendam.

Existiram duas abordagens sobre valor.Valor-trabalho e valor-utilidade.A primeira foi iniciada pela escola clássica inglesa com Adam Smith e David Ricardo.A segunda foi iniciado por uma escola conhecida como "Marginalismo" (Jevons, Walras e Menger).

O que conhecemos hoje por "ortodoxia econômica", refere-se a todas as escolas de pensamento econômicos que são derivadas da "Síntese Neoclássica" (Marshall-Fisher-Wicksell), que nada mais é que uma fusão dos pensamentos da escola clássica inglesa com as idéias marginalistas.O ponto onde essa fusão é mais visível é sobre a teoria do valor.Todas as escolas ortodoxas que usam essa abordagem da teoria do valor neoclássica são:

Síntese Neoclássica Keynesiana
Monetarismo
Escola Novo-Clássica (extrema direita do pensamento neoclássico)
Novo-Keynesianismo

E as escolas heterodoxas que usam:

Keynesianismo clássico
Kaleckismo

As que não usam são:

Sraffianismo
Escola Clássica Inglesa
Marxismo
Marginalismo (??????-tenho forte dúvida sobre isso)

Para a teoria do valor neoclássica, toda mercadoria tem uma função que determina o quanto seu produtor quer ofertar.Por exemplo, se o preço for de 1 real, ele irá ofertar 0 unidades; se o preço for de 2 reais, ele irá ofertar 1 unidade, se o preço for de 3 reais, ele irá ofertar 2 unidades e assim por diante.Ou seja, o produtor se sentirá motivado para ofertar, quanto maior for o preço do bem:




No caso da demanda, também haverá uma função indicando as quantidades do bem que serão adquiridas para cada nível de preço.Mas o consumidor só irá adquirir cada vez mais mercadorias só se cada vez o preço estiver menor, justamente por causa da lei da utilidade marginal decrescente:



O preço será definido num sistema de equações simultâneas.O encontro da curva de oferta com a curva de demanda mostra o "preço de equilíbrio".No preço de equilíbrio, os ofertantes aceitam o preço no nível que PODEM e DESEJAM ofertar e os demandantes aceitam um preço no nível em que PODEM e DESEJAM consumir:



A curva de oferta está correlacionada com quê?Com estes fatores:

-Expectativas de venda
-Custos dos insumos
-Nível de Tecnologia
-Outros.

E a curva de demanda está correlacionada com que?Com estes fatores:

-Renda dos consumidores
-Gostos
-Utilidade do bem
-Outros.

Outra coisa, nem a curva de oferta e nem a curva de demanda são coisas estáticas.Se as coisas que afetam positivamente o desejo dos ofertantes de oferecer um bem aumentarem sua importância relativa, a curva de oferta se deslocará para baixo e para direita, diminuindo o preço de equilíbrio.Em caso oposto (ou seja, o apetite de ofertar diminuir), o preço de equilíbrio aumenta.E se as coisas que afetam positivamente o desejo do demandante de comprar um bem aumetarem sua importância relativa, a curva de demanda se desloca para cima e para direita, aumentando o preço de equilíbrio.Em caso oposto (ou seja, o apetite de ofertar diminuir), o preço de equilíbrio diminui.ENTRETANTO, os deslocamentos de curva de demanda e de curva oferta podem ocorrer simultaneamente.O raciocínio que pus anteriormente leva em conta a cláusula "ceteris paribus" (o efeito de uma variável sobre a função, se tudo o mais permanecer constante).

Enfim, eu que eu queria é que vocês esquecessem essa coisa de pensar "utilidade determina valor", "custo determina valor", "trabalho determina valor".Uma citação de Achyles Barcelos da Costa do Departamento de Economia e do IEPE/UFRGS na paper Literatura Econômica [“Uma Nota Introdutória ao Artigo ‘A Teoria dos Preços e o Comportamento Empresarial de R.L. Hall e C.J. Hitch” 8(3) out 1986] é esclarecedora:

“Em 1890, Alfred Marshall publica os Principles of Economics(...)Ao contrário dos demais marginalistas, afirmava que não se poderia descartar os custos de produção como sendo um elemento importante na explicação do preço.Tanto o custo, como a utilidade teriam um papel a desempenhar.O primeiro na explicação da oferta e, a segunda, na explicação da demanda.Sobre isso afirmava: ‘Nós podemos estabelecer uma discussão razoável se é a lâmina superior ou inferior de uma tesoura que corta a folha de papel, assim como se o valor é determinado pela utilidade ou pelo custo de produção.’ ”

Você vê que Marshall não fala de "trabalho" e sim de custos.Mas na prática, custos produtivos e valor-trabalho estão fortemente correlacionados.Na verdade, a maioria dos custos de produção são representado pelos custos variáveis.E na prática quando aumentamos ou diminuimos a quantidade de trabalho necessária para produzir uma mercadoria, AUMENTAMOS ou DIMINUIMOS os custos variáveis (representado pelos salários).Se a tecnologia para fabricar uma TV de plasma aumenta, é claro que também diminui a quantidade de trabalhadores para produzi-la.Que sentido faz melhorar a tecnologia, se não diminuirmos os custos unitários variáveis para produzi-la?Em setores menos dinâmicos tecnologicamente, ou seja, onde os processos que fabricam o bem não podem ser muito mais automatizados ou modernizados que os que são um pouco mais antigos, percebemos claramente que existe uma dificuldade em reduzir custos.Consequentemente, os preços de equilíbrio também são mais inflexíveis a queda.

Sobre custos variáveis, como já disse antes:

"Custos variáveis:custos salariais variáveis unitários e custos tributários e de preços e tarifas públicas.Todos os demais custos decorrentes de insumos podem ser desconsiderados, já que se desdobram em lucros ou salários dos demais setres, ou preços e tarifas públicas; portanto, seus efeitos descritos no item margem de lucro.Usualmente considera-se que os custos tributários e de tarifas e preços públicos sejam exógenos, e suas mudanças podem ser interpretadas como parte da variação das margens de lucro."

A teoria clássica do valor (Smith, Ricardo, Marx) também diz que o que determina a demanda de um bem é a sua utilidade.Mas ela diz implicitamente que são os custos de produção que determina a magnitude da demanda.O que está errado, mesmo em situação de mercados altamente monopolizados.Se assim fosse, uma fábrica de gelo no Alaska teria um produto cujo valor seria o mesmo de uma fábrica de gelo situado numa região quente.É como se a própria curva de demanda não existisse...

E o problema do Marginalismo é que os seus adeptos taxam tudo o que influencia a curva de oferta e de demanda de "utilidade".Na paper que citei temos isso:

"Nas palavras de Hawkins, comentando a análise de Jevons: 'Apesar desta rejeição dos custos de produção e, em particular, das teorias do valor-trabalho, ele algumas vezes atribui-lhes um efeito indireto sobre o valor na medida em que afetarem a oferta do produto, levaria a uma variação na utilidade.Não obstante, à utilidade foi dado o principal papel'."

Ou seja, está errado dizer que para todos marginalistas, o trabalho é irrelevante na determinação do valor.Tem dois blogueiros economistas (Rodrigo Constantino e Lucas Mendes) que dizem que o valor de uma mercadoria é independente do quanto custa produzi-la.Bem que eles poderiam dizer de que teoria marginalista eles estão falando.Eu sei que a Escola Austríaca adora contrariar a Escola Neoclássica, mas não tenho informação se todos eles discordam de Stanley Jevons.Isso seria uma ótima pergunta que alguns curiosos daqui poderiam fazer a eles.

Quanto a dúvida do Dono da Verdade (teoria do valor em monopólio x teoria do valor em concorrência perfeita), estou sem paciência e tempo para respondê-la.Mas ele pode consultar "Introdução à Economia" - 20ª Edição 2003, de José Paschoal Rossetti, para esclarecer sua dúvida. 




 



« Última modificação: 14 de Agosto de 2007, 09:31:53 por -Huxley- »

Offline Worf

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #21 Online: 14 de Agosto de 2007, 08:33:37 »
Citar
A curva de oferta está correlacionada com quê?Com estes fatores:

-Expectativas de venda
-Custos dos insumos
-Nível de Tecnologia
-Outros.
Huxley, quanto aos custos de produção, não seria óbvio dizer que até o salário do empregado tem seu valor determinado por uma relação entre oferta e demanda por trabalho (que, por sua vez, são influenciadas, dentre outras coisas, pela expectativa de venda do produto no futuro, interesse e investimento do empresário, etc.)?

Sendo assim, tomar o custo de produção como parte daquilo que determina o preço final da mercadoria não chega a ser errado, mas trata-se apenas de uma denominação arbitrária daquilo que não é fixo; em outras palavras, esse custo também está sujeito à teoria da utilidade marginal. Corrija-me se eu estiver enganado.

Offline DDV

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #22 Online: 14 de Agosto de 2007, 12:21:33 »
Huxley, tirando fora SOMENTE a parte em que voce disse que a teoria do valor-utilidade só é adequada para os casos em que a concorréncia é perfeita, enquanto a teoria do valor-trabalho é mais abrangente, todo o resto está corretíssimo, perfeito e eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida sobre os mesmos. Aquilo que voce expos sobre as curvas de demanda e oferta e o ponto de equilíbrio é be-a-bá de economia e eu já estou careca de saber isso. (Já tive aulas de economia em dois semestres de administração que eu fiz e já li vários livros de economia, inclusive o de Rosseti, apesar de achar que isso é irrelevante agora). A única questào que está sendo discutida (agora, devido ao andamento das postagens) é se a teoria do valor-utilidade é mais abrangente do que a do valor-trabalho (ponto que eu defendo) ou se é o inverso: a teoria do valor-trabalho é mais abrangente (ponto que aparentemente vocé defende, pelo que escreveu naquela sua postagem maior).

Nessa postagem maior, vocè diz que em uma situação de concorrencia imperfeita (oligopoplios, monopólios, etc), o preço é determinado assim:

Preço = Custos Variáveis + Custos Fixos  + Margem de lucro definida arbitrariamente.

Olhe bem: Os custos, tanto variáveis quanto os fixos, podem ser entendidos como a quantidade de trabalho despendida na produção de um produto, tanto direta (trabalhadores humanos envolvidos) quanto indireta (o trabalho que foi utilizado para produzir as matérias-prima, as máquinas, etc). Correto até aqui?

Como voce mesmo colocou, na concorrencia imperfeita, a margem de lucro é definida arbitrariamente, ou seja, há uma maior 'liberdade' para os ofertantes colocarem o preço nas alturas, bem acima do 'trabalho' necessário para a produção destes produtos, concorda?

Portanto, na concorrencia imperfeita, mais do que na perfeita, não se pode dizer que o valor é determinado basicamente pelo 'trabalho' (custos) necessário para a produção, já que o grau de liberdade para se colocar o preço bem acima dos custos é muito maior do que na concorrencia perfeita. Concorda ou não? Se não, por que?

Na concorrencia perfeita, como esse grau de liberdade para colocar o preço bem acima dos custos é bem menor, então os custos (trabalho) terão um peso bem maior na determinação do preços. É por isso que eu disse que a teoria do valor-trabalho serve melhor como aproximação no caso da concorrencia perfeita, o que pelo visto é o oposto do que voce disse (voce disse que é a teoria do valor-utilidade que é mais restrita, se adequando melhor para o caso da concorrencia perfeita).

Minhas razões estão expostas, cabe ao leitor julgá-las , e se voce discorda delas, cabe a voce dizer o porque (da forma mais simples, clara e direta que puder).

Citação de: Huxley
Quanto a dúvida do Dono da Verdade (teoria do valor em monopólio x teoria do valor em concorrência perfeita), estou sem paciência e tempo para respondê-la.Mas ele pode consultar "Introdução à Economia" - 20ª Edição 2003, de José Paschoal Rossetti, para esclarecer sua dúvida. 

Eu já li esse livro (uma edição mais antiga), mas já faz bastante tempo e eu irei seguir sua recomendação. Porém os funcionários da minha faculdade estão de greve e, portanto, eu não tenho como ter acesso ao livro agora. Dito isto, e considerando que a dúvida não é apenas minha, mas de vários outros que leem este tópico, gostaria de lhe pedir então que cite o trecho do livro que confirma a tese de que a teoria do valor-utilidade é mais adequada para ä concorrencia perfeita, enquanto a teoria do valor-trabalho é mais abrangente (é algo estranho, inclusive cronologicamente, ao se considerar que a escola marginalista é bem mais posterior ä dos adeptos do valor-trabalho, e também que Marx (segundo já vi em algum lugar) desistiu de publicar os últimos volumes do Capital quando tomou conhecimento da obra de Menger (um marginalista) e Marshall, sendo que Engels foi e os publicou após a morte de Marx). Não precisa citar o livro se por algum motivo não puder, eu gostaria apenas que voce esclarecesse melhor essa tese.



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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #23 Online: 14 de Agosto de 2007, 12:32:55 »
Citação de: Huxley
Ou seja, está errado dizer que para todos marginalistas, o trabalho é irrelevante na determinação do valor.

É claro, é óbvio que o trabalhor não é irrelevante na determinação do valor. A única diferença no tratamento dado ao trabalho entre as duas escolas é que, enquanto para os adeptos do vaalor-trabalho, o trabalho tem o papel mais central (muitos deles dizem papel único) na determinação do valor, para os adeptos do valor-utilidade, o trabalho tem o papel de PODER tornar um bem mais útil (e portanto mais valioso). Esse "poder" deixa claro que o trabalho sozinho, por si só, independentemente da utilidade que o resultado do mesmo terá, não terá nenhum valor. Será um gasto a toa de energia e tempo. A utilidade é o "guia" que determina onde e como o trabalho será usado.
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Offline DDV

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Re: O que determina o valor de uma mercadoria?
« Resposta #24 Online: 14 de Agosto de 2007, 12:36:53 »
Citação de: Huxley
Como demonstrado pelo Huxlei, tanto o valor-trabalho como o valor-utilidade são válidos. Falso é afirmar que não existe a influencia do valor-trabalho.

E não existe mesmo, o que acontece é que o Huxley posta inúmeros jargões neo-keynesianistas que só quem leu Keynes sabe, aí não tem como eu comentar. É como você me pedir para refutar um post em japonês.

Nightstalker, não são jargões neo-keynesianos, são jargões "classicos", utilizados por economistas de todas as escolas. ë o be-a-bá de economia. Jargões keynesianos seriam coisas como "demanda efetiva", "hiato inflacionário", "propensào a poupar", etc
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