Autor Tópico: A regressão do indivíduo na sociedade de consumo, segundo Adorno  (Lida 1202 vezes)

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  • Evoé Baco
A regressão do indivíduo na sociedade de consumo, segundo Adorno
« Online: 17 de Março de 2007, 10:46:47 »
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… a possibilidade de se fazer representar é a medida da dominação, sendo o mais poderoso aquele que pode fazer-se representar no maior número de funções, essa possibilidade é também o veículo do progresso e, ao mesmo tempo, da regressão… Os que estão em cima, não estando mais às voltas com a existência, só a experimentam como substrato, e petrificam-se inteiramente no si-mesmo que comanda… Ulisses* se faz representar no trabalho. Assim como não pode ceder à tentação de renunciar ao si-mesmo, enquanto proprietário ela acaba por não participar do trabalho, deixando finalmente até de dirigi-lo, ao passo que os companheiros, apesar de toda a proximidade às coisas, não podem na verdade gozar do trabalho, pois este faz sob coação, no desespero, os sentidos obstruídos pela violência. O servo permanece subjugado de corpo e alma, o senhor regride… Enquanto suas habilidades e conhecimentos se diferenciam pela divisão do trabalho, a humanidade é coagida a retroceder a suas etapas antropologicamente mais primitivas, pois, a existência facilitada pela técnica, a permanência da dominação condiciona a fixação dos instintos por uma opressão mais forte. A fantasia é atrofiada… A maldição do progresso irrefreável é a irrefreável regressão.

Estes são fragmentos de Conceito de iluminismo, escrito por Adorno em parceria de Horkheimer. Em síntese, Adorno afirma que o crescimento da técnica leva à alienação do homem que regride a estágios mais primitivos. Ortega e Gasset, em seu A rebelião das massas, afirma que as massas são primitivas e ameaçam a sociedade quando as comandam.

De qualquer forma, Adorno defende o ponto de vista de que o sujeito burguês perde a sua individualidade transformando-se em um mero dado estatístico para exploração da sociedade de consumo.

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… O mercado não questiona sobre o seu nascimento, mas o preço dessa vantagem, pago por quem fez a troca, foi o de ser obrigado a permitir que suas possibilidades de nascença fossem modeladas pela produção de mercadorias que nele podem ser compradas. Os homens foram presenteados com um si-mesmo próprio a cada um e distinto de todos os outros, só para que se torne, com mais segurança, igual aos outros.

A sociedade de consumo escraviza mesmo o homem e o impede de explorar os seu potenciais?


Nota:
* referência ao Ulisses mitológico.
A Irlanda é uma porca gorda que come toda a sua cria - James Joyce em O Retrato do Artista Quando Jovem

 

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