Autor Tópico: Ateísmo antropológico  (Lida 768 vezes)

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Offline Adriano

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Ateísmo antropológico
« Online: 07 de Maio de 2007, 13:17:30 »
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A crítica da religião par excellence saiu da pena de Ludwig Feuerbach (1804-1874) que é hoje em dia considerado como o mentor espiritual do “ateísmo moderno” o qual se exprime na sua famosa obra Das Wesen des Christentums. Feuerbach foi aluno de Hegel e usou o seu argumento do antropomorfismo, sublinhando, porém, uma grande diferença. Para este filósofo, a pergunta mais importante é saber como nasceu a religião. Para responder a esta pergunta, Feuerbach desenvolveu o método “genético-crítico”. A diferença fundamental entre o homem e o animal consiste no facto de que o animal está regulado instintivamente, enquanto o homem tem consciência e pode assim refletir sobre si próprio. Mas a consciência ultrapassa as fronteiras do eu e tende também a compreender o mundo, dirigindo-se assim para o infinito. Aqui se funda a religião, contudo, o problema consiste no facto do homem separar o infinito de si próprio. Visto assim, a religião nasce num processo de projeção. Uma experiência humana é considerada como existindo fora do homem. Ao contrário da criação bíblica, é o homem que cria Deus a partir da sua própria imagem: “Homo homini Deus est”. A religião é para Feuerbach a relação do homem com o seu próprio ser. (1841) Feuerbach acreditou assim que o único progresso humano consiste na negação desta projecção. Finalmente temos de questionar o que possibilitou esta projecção. O homem compreende-se como produto da natureza e depende igualmente dela. Esta dependência desperta no homem o desejo de ser livre, independente e eterno. Só uma presença divina pode garantir esta liberdade, independência e eternidade. Assim, Feuerbach encontra no desejo a origem da religião: Onde há desejos nascem deuses, como foi repetido várias vezes na sua obra Theogonie (1857). Feuerbach chamou a primeira vez a atenção para a religião como uma forma de compensação. Esta hipótese da compensação expressa-se mais tarde na sociologia de Marx e na psicanálise de Freud. Hoje em dia, os vestígios desta hipótese da compensação encontram-se especialmente nas explicações funcionais da religião (Kontigenzbewältigung). O texto de Feuerbach sobre o cristianismo teve efeitos enormes e foi intensivamente citado pelos seus contemporâneos assim como pelas gerações seguintes. Apenas três anos depois da famosa bíblia do ateísmo de Feuerbach, Karl Marx escreveu em 1844 que a crítica da religião acabou, pelo menos na Alemanha, como foi anunciado na parte introdutória do texto Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie. E quando declara, logo a seguir, que chegou a altura de ver o homem como homem, isto é o mundo do homem, Marx já abre as primeiras portas para uma análise social do fenomeno da religião.

Da crítica a sociologia da religião
Filosofia ateísta
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

 

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