Autor Tópico: O Milagre do Emprego  (Lida 9776 vezes)

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Offline Luis Dantas

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #50 Online: 15 de Junho de 2007, 10:15:43 »
Quanto aos tais crimes que acontecem todos os dias nas ruas do Brasil.
Não se tratam certamente de um desígnio patriótico imperialista como sucedeu no Japão, milhares de anos de civilização que culminam na mais pura barbárie.

O Japão pode até ter estado na mais pura barbárie, mas certamente não está hoje em dia.  Principalmente se o parâmetro de comparação é o Brasil.  Desta vez você foi um tanto impulsivo, Ricardo...

Citar
De lá para cá, o Japão esmagado nas suas pretensões, limitou-se a um papel de pacifista que hoje começa a ser colocado em causa.

O Japão não pode historicamente ser considerado uma nação com vocação pacifista.  No máximo tentou aprender esse papel desde o final da Segunda Guerra Mundial, o que não apaga o passado nem a mentalidade consolidade por séculos.

Mas por mais pacifista que tenha aprendido a ser, não tenho dúvida de que o Japão ainda é em termos gerais uma nação extremamente nacionalista (o que na minha opinião sempre será um defeito sério) e até mesmo xenófoba e etnocêntrica. 

Isso pode e deve mudar, mas não muda de forma significativa em tão poucas décadas sem algum tipo de tragédia (o que não aconteceu).

Ainda assim, essa nação vaidosa e intolerante que é o Japão atual tem pelo menos a matéria-prima e a necessidade de aprender a ser uma nação mais madura e sábia.  Uma hora aprenderá.
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Em 18 de janeiro de 2010, ainda não vejo motivo para postar aqui. Estou nos fóruns Ateus do Brasil, Realidade, RV.  Se a Moderação reconquistar meu respeito, eu volto.  Questão de coerência.

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #51 Online: 15 de Junho de 2007, 10:21:30 »
"Ainda assim, essa nação vaidosa e intolerante que é o Japão atual tem pelo menos a matéria-prima e a necessidade de aprender a ser uma nação mais madura e sábia.  Uma hora aprenderá."

O Brasil não terá o mesmo?

Por quem sois todos vós que por aqui desfilais...

Offline Barata Tenno

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #52 Online: 15 de Junho de 2007, 10:28:31 »
"Ainda assim, essa nação vaidosa e intolerante que é o Japão atual tem pelo menos a matéria-prima e a necessidade de aprender a ser uma nação mais madura e sábia.  Uma hora aprenderá."

O Brasil não terá o mesmo?

Por quem sois todos vós que por aqui desfilais…

Quando?Daqui a mil anos?
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Offline Luis Dantas

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #53 Online: 15 de Junho de 2007, 10:32:03 »
"Ainda assim, essa nação vaidosa e intolerante que é o Japão atual tem pelo menos a matéria-prima e a necessidade de aprender a ser uma nação mais madura e sábia.  Uma hora aprenderá."

O Brasil não terá o mesmo?

Por quem sois todos vós que por aqui desfilais…

Somos o movimento de resistência brasileira no exílio doméstico...

falando sério, Ricardo, é prematuro tomar os foristas como amostragem da mentalidade brasileira.
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Em 18 de janeiro de 2010, ainda não vejo motivo para postar aqui. Estou nos fóruns Ateus do Brasil, Realidade, RV.  Se a Moderação reconquistar meu respeito, eu volto.  Questão de coerência.

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #54 Online: 15 de Junho de 2007, 10:54:27 »
"Ainda assim, essa nação vaidosa e intolerante que é o Japão atual tem pelo menos a matéria-prima e a necessidade de aprender a ser uma nação mais madura e sábia.  Uma hora aprenderá."

O Brasil não terá o mesmo?

Por quem sois todos vós que por aqui desfilais…

Somos o movimento de resistência brasileira no exílio doméstico…

falando sério, Ricardo, é prematuro tomar os foristas como amostragem da mentalidade brasileira.

Não, óbvio que os aqui presentes são essencialmente pertencentes à classe dominadora que se farta de queixar dos menos sucedidos…ou o governo…
A forma e a indiferença com que falam para com determinados extractos sociais, só me podem levar a concluir que não fazem a mínima ideia do que significa subir e lutar duro na vida…
 ( não estou a generalizar).
Aliás, o acesso à internet não me parece ter sido democratizado no Brasil…Se todos os males fossem deste tipo…

Em Portugal, pude conhecer brasileiros das mais variadas origens…

Aqui estão muito poucos, o Brasil é imenso em território, população e diversidade.

Se por vezes exagero é com a clara intenção de fazer despertar determinados sentimentos…

O Brasil são todos vós, maioria, minoria pouco importa, basta de choros…
« Última modificação: 15 de Junho de 2007, 10:57:31 por Ricardo Correia »

Offline Daniboy

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #55 Online: 15 de Junho de 2007, 11:56:12 »
Simples...

"Muitos direitos, poucos deveres"

Ou vocês acham que algum país que tem mão-de-obra cara e desqualificada vai para a frente?

"Afirmar que "Deus fez isso" não é nada mais do que uma admissão de ignorância vestida enganadoramente como uma explicação."
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Offline Herf

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #56 Online: 15 de Junho de 2007, 13:20:26 »
Não, óbvio que os aqui presentes são essencialmente pertencentes à classe dominadora que se farta de queixar dos menos sucedidos…ou o governo…
A forma e a indiferença com que falam para com determinados extractos sociais, só me podem levar a concluir que não fazem a mínima ideia do que significa subir e lutar duro na vida…
 ( não estou a generalizar).

Você vê uma relação entre advogar pela abolição do estado paternalista e não saber o que é lutar e dar duro para subir na vida? Foi isso mesmo?

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #57 Online: 15 de Junho de 2007, 13:57:49 »
Não, óbvio que os aqui presentes são essencialmente pertencentes à classe dominadora que se farta de queixar dos menos sucedidos…ou o governo…
A forma e a indiferença com que falam para com determinados extractos sociais, só me podem levar a concluir que não fazem a mínima ideia do que significa subir e lutar duro na vida…
 ( não estou a generalizar).

Você vê uma relação entre advogar pela abolição do estado paternalista e não saber o que é lutar e dar duro para subir na vida? Foi isso mesmo?

Não.

Offline Herf

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #58 Online: 15 de Junho de 2007, 14:21:30 »
Foi o que então?

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #59 Online: 15 de Junho de 2007, 17:16:44 »
Foi o que então?

Quis dizer o que se pode ler mais acima.

Offline Nightstalker

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #60 Online: 15 de Junho de 2007, 23:06:26 »
Eu não tenho paciência para refutar um emaranhado de jargões neo-keynesianistas. (nem competência para tal)
Conselheiro do Fórum Realidade.

"Sunrise in Sodoma, people wake with the fear in their eyes.
There's no time to run because the Lord is casting fire in the sky.
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Offline -Huxley-

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #61 Online: 16 de Junho de 2007, 21:37:36 »
Simples…

"Muitos direitos, poucos deveres"

Ou vocês acham que algum país que tem mão-de-obra cara e desqualificada vai para a frente?



Mesmo que extinguíssem os encargos sociais e o salário mínimo, isso não acabaria com o desemprego involuntário.Num país subdesenvolvido (como o Brasil) onde esse extinção fosse adotada, os trabalhadores desqualificados e com baixa escolaridade provavelmente ganhariam um salário médio bem abaixo do preço da cesta básica.Numa situação destas, eles prefeririam trabalhar de "bicos", adotando, por exemplo, "profissões" como "guadador de carros em centros urbanos".Estariam procurando emprego do mesmo jeito e estariam, portanto, DESEMPREGADOS.E mesmo que boa parte não estivessem procurando emprego, isso não mudaria em nada a conclusão, porque subemprego NÃO É emprego.Modelos econômicos neoclássicos que dizem que existiria pleno emprego em países que extinguissem o salário mínimo e os encargos sociais, estão implicitamente dizendo que mesmo em países pobres existe estoque de capital e tecnologia suficiente para empregar todas as pessoas do país com um salário que seria, no mínimo, igual ao salário de restrição (nível de salário que é considerado por um trabalhador individual suficientemente baixo a ponto de torná-lo indiferente entre trabalhar e permanecer desempregado).Conclusão:em países pobres, falta de emprego também é um problema de FALTA DE PRODUÇÃO POTENCIAL.Obviamente, os fundamentalistas de livre-mercado (como o autor do artigo apresentado neste tópico) não admitem isso porque sempre querem acreditar que o mercado nunca (ou quase nunca) é incapaz de fazer algo bom (como garantir o pleno emprego).

Offline Herf

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #62 Online: 16 de Junho de 2007, 22:14:03 »
Mesmo que extinguíssem os encargos sociais e o salário mínimo, isso não acabaria com o desemprego involuntário.Num país subdesenvolvido (como o Brasil) onde esse extinção fosse adotada, os trabalhadores desqualificados e com baixa escolaridade provavelmente ganhariam um salário médio bem abaixo do preço da cesta básica.

Huxley, o modo como penso é o seguinte: com uma economia mais liberal, menos serviços prestados pelo estado, e, em conseqüência muito menos impostos, o poder aquisitivo da população subiria consideravelmente. Inclusive para comprar a cesta básica que você citou. Não seria só o salário do cidadão desqualificado que iria cair (se este tiver a sorte de ter um emprego). As suas despesas também.

Você diz que o trabalhador desqualificado provavelmente ganharia um salário bem abaixo do preço da cesta básica, e o que temos agora? O empregador reluta em contratá-lo porque seu serviço não vale o salário mínimo. E se o contrata, acaba por não contratar outros.

Não consegui entender a sua suposta refutação dada anteriormente, aliás, todo o seu post anterior está bem complicado de compreender. Sobre o argumento do salário também ser um preço, e, portanto, ser prejudicial a sua regulação pelo governo, tal qual a regulação do preço de um produto qualquer.

Numa situação destas, eles prefeririam trabalhar de "bicos", adotando, por exemplo, "profissões" como "guadador de carros em centros urbanos".Estariam procurando emprego do mesmo jeito e estariam, portanto, DESEMPREGADOS.E mesmo que boa parte não estivessem procurando emprego, isso não mudaria em nada a conclusão, porque subemprego NÃO É emprego.

E o que temos agora no Brasil? Milhões na informalidade e nos subempregos.

Citar
Obviamente, os fundamentalistas de livre-mercado (como o autor do artigo apresentado neste tópico) não admitem isso porque sempre querem acreditar que o mercado nunca (ou quase nunca) é incapaz de fazer algo bom (como garantir o pleno emprego).

E não tem nada a ver com fundamentalismo de qualquer coisa. Do meu ponto de vista, poderia dizer que você é o fundamentalista do intervencionismo.
« Última modificação: 16 de Junho de 2007, 22:26:13 por Procedure »

Offline HSette

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #63 Online: 16 de Junho de 2007, 22:39:16 »
E que país é esse de que vocês estão falando onde a mão-de-obra é cara e desqualificada?
"Eu sei que o Homem Invisível está aqui!"
"Por quê?"
"Porque não estou vendo ele!"

Chaves

Offline Adriano

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #64 Online: 17 de Junho de 2007, 00:23:14 »
Não consegui entender a sua suposta refutação dada anteriormente, aliás, todo o seu post anterior está bem complicado de compreender. Sobre o argumento do salário também ser um preço, e, portanto, ser prejudicial a sua regulação pelo governo, tal qual a regulação do preço de um produto qualquer.
A postagem do Huxley foi feito na linguagem técnica, conhecido popularmente como economês, e toda área da ciência tem suas terminologias que são necessárias para as definições conceituais dos diversos detalhes e mecanismos que abarca a complexidade,no caso deste tópico, do estudo da economia. Mas é uma postura necessária para não cair no senso comum das ideologias políticas desprovidas de uma embasamento econômico.


Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Nightstalker

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #65 Online: 17 de Junho de 2007, 00:46:48 »
Citação de: Adriano
Mas é uma postura necessária para não cair no senso comum das ideologias políticas desprovidas de uma embasamento econômico.

Se você estiver falando do Liberalismo, deve desconhecer as obras de gênios como: Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Benjamin Anderson, Eugen von Böhm-Bawerk, et caterva

Sem falar nos economistas da escola de Chicago: Milton Friedman, George Stigler, Theodore Schultz, Ronald Harry Coase, Kevin M. Murphy, et caterva

Muitos desses grandes homens já ganharam prêmios Nobel em economia.
« Última modificação: 17 de Junho de 2007, 00:48:49 por Nightstalker »
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Offline Nightstalker

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #66 Online: 17 de Junho de 2007, 00:47:36 »
O Huxley postou malabarismo retórico neo-keynesianista. Eu já admiti não ter competência e nem paciência para refutar o post dele.
Conselheiro do Fórum Realidade.

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Offline Adriano

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #67 Online: 17 de Junho de 2007, 02:35:19 »
Citação de: Adriano
Mas é uma postura necessária para não cair no senso comum das ideologias políticas desprovidas de uma embasamento econômico.

Se você estiver falando do Liberalismo, deve desconhecer as obras de gênios como: Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Benjamin Anderson, Eugen von Böhm-Bawerk, et caterva

Sem falar nos economistas da escola de Chicago: Milton Friedman, George Stigler, Theodore Schultz, Ronald Harry Coase, Kevin M. Murphy, et caterva

Muitos desses grandes homens já ganharam prêmios Nobel em economia.
Eu vi esses dias o livro de István Mészáros, Para além do capital, e ele faz uma critica ferrenha a Hayek indo ao âmago da sua teoria, nas suas premissa. É uma continuidade da análise dialética. Mas para mim, o neo-desenvolvimentismo com sua proposta de abarcar a liberalismo e o socialismo tende a crescer, pois as duas linhas tem seus pontos prós e contras.
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Herf

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #68 Online: 17 de Junho de 2007, 10:14:16 »
E que país é esse de que vocês estão falando onde a mão-de-obra é cara e desqualificada?

O Brasil. Grande parte da mão de obra é desqualificada e acaba sendo cara por causa do salário mínimo e outros benefícios que o empregador é obrigado a oferecer. O trabalho de muitos não vale essa quantia. O empregador é receoso de contratar alguém irregularmentre e todos saem perdendo.

Offline HSette

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #69 Online: 17 de Junho de 2007, 11:13:40 »
E que país é esse de que vocês estão falando onde a mão-de-obra é cara e desqualificada?

O Brasil. Grande parte da mão de obra é desqualificada e acaba sendo cara por causa do salário mínimo e outros benefícios que o empregador é obrigado a oferecer. O trabalho de muitos não vale essa quantia. O empregador é receoso de contratar alguém irregularmentre e todos saem perdendo.

Suponho que você deva estar falando de Encargos Sociais como fator onerador, pois o salário em si é de miséria.

Nesse caso há um bom texto no link abaixo, do DIEESE.

http://www.dieese.org.br/bol/cju/cjujul97.xml

Um trecho:
Citar
Os defensores da proposta de redução dos encargos sociais argumentam que estes são parte importante do chamado "Custo Brasil", expressão muito usada nos círculos empresariais, e que significa o conjunto de "fatores diferenciais de custos que o país apresenta em relação a outros países".
Além do equívoco quanto ao conceito de salário e de encargo social, parece haver ainda um outro engano na raiz desse diagnóstico: a confusão entre custo dos encargos e custo total do trabalho.
Para o empregador, o custo do trabalho representa a soma das despesas que ele realiza com o pagamento de salários, benefícios e encargos sociais sobre a folha de pagamentos. A comparação relevante, portanto, em termos de custo da mão-de-obra, é exatamente o custo monetário total do trabalho. A proporção em que esse custo total se subdivide em salários e encargos sociais sobre a folha de pagamentos é secundária, do ponto de vista da competitividade empresarial. E, em termos de custo total do trabalho, o Brasil ocupa um lugar nada confortável no ranking mundial


Ainda:

Citar
Segundo recente documento do Banco Mundial sobre a evolução do "Custo Brasil", uma eventual redução dos encargos sociais "teria efeitos muito modestos sobre o custo das empresas". De acordo com seus cálculos, na hipótese de redução em 50% dos encargos sociais que não revertem diretamente para o trabalhador, "haveria uma redução de apenas 2% a 5% no custo total das empresas". Em contrapartida, "uma reforma no sistema de encargos sociais teria conseqüências significativamente negativas para a política fiscal do governo". O relatório aponta entre os principais fatores responsáveis pelo chamado "Custo Brasil" a valorização cambial, a elevação das taxas de juros, os custos de fretes ferroviários e de operações portuárias, o sistemática de incidência de impostos indiretos e a ineficiência e falta de previsibilidade dos mecanismos de regulação governantal.

As empresas devem atacar o front da produtividade, e nesse caso a qualificação é fundamental. E também acho fundamental o papel do Estado nesse processo, o que tem sido extremamente falho no caso do Brasil e pode nos condenar a um atraso irreversível.
Eu acho que ainda é tempo, mas o tempo é muito curto.


Abaixo, alguns dados, de 16 anos atrás. Vou ver se encontro dados mais atualizados.
Não acho que tenha havido mudanças significativas, pois trata-se de algo estrutural, mas é bom conferir.


Custo da mão-de-obra no setor manufatureiro - 1993
(Países selecionados) - (em dólares) País Custo horário
Alemanha 24,87
Noruega 21,90
Suíça 21,64
Bélgica 21,00
Holanda 19,83
Áustria 19,26
Dinamarca 19,21
Japão 16,91
Estados Unidos 16,40
França 16,26
Reino Unido 12,37

Taiwan 5,46
Cingapura 5,12
Coréia do Sul 4,93
Portugal 4,63
Hong Kong 4,21

BRASIL 2,68
México 2,41
Hungria 1,82
Polônia 1,40

Bulgária 0,63
China 0,54
Rússia 0,54


Assustador é caso da China.
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Chaves

Offline -Huxley-

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Re: O Milagre do Emprego
« Resposta #70 Online: 17 de Junho de 2007, 14:30:45 »

Huxley, o modo como penso é o seguinte: com uma economia mais liberal, menos serviços prestados pelo estado, e, em conseqüência muito menos impostos, o poder aquisitivo da população subiria consideravelmente. Inclusive para comprar a cesta básica que você citou. Não seria só o salário do cidadão desqualificado que iria cair (se este tiver a sorte de ter um emprego). As suas despesas também.

Se você admite que o salário mínimo pode ficar "acima do nível de mercado", você está dizendo implicitamente que a curva de demanda por trabalho da função do equilíbrio do mercado de trabalho é "negativamente inclinada", tal como ocorre numa mercadoria normal.Porque você acha que uma mercadoria comumente fica mais barata quando seu custo de produção diminui (choque de oferta favorável)? Isso não é uma conclusão minha, nem "malabarismo retórico" como argumentaram anteriormente.É uma conclusão matemática do modelo de mercado de trabalho dos monetaristas e neoricardianos.Eles admitem que a medida que a produção fica próximo do nível de pleno emprego, a produtividade marginal de cada trabalhador fica menor (o que faz a curva de demanda se inclinar negativamente) e este efeito não pode ser desprezado nem no longo prazo.Se a variável "flexibilização trabalhista" se alterar e as demais permanecerem constantes (ceteris paribus), então há queda no salário real.

E se não houvesse esse efeito da produtividade marginal decrescente?Neste caso, uma flexibilização trabalhista não traria qualquer queda no salário real no longo prazo econômico (LP descreve o que ocorre na economia em aproximadamente 10 anos) ,porque teríamos "retornos constantes do trabalho".Mas aí não haveria como o salário real ficar "acima do nível de mercado".Não estou com paciência para explicar de novo porque isso ocorreria, mas posso garantir que neste modelo, o preço da "mercadoria trabalho" depende apenas das decisões de formação de preço dos capitalistas.

Você diz que o trabalhador desqualificado provavelmente ganharia um salário bem abaixo do preço da cesta básica, e o que temos agora? O empregador reluta em contratá-lo porque seu serviço não vale o salário mínimo. E se o contrata, acaba por não contratar outros.

Eu nem citei o Brasil especificamente.Eu falei em PAÍS SUBDENSEVOLVIDO E POBRE.Por exemplo, para praticamente qualquer país da África subsaariana, existe um salário mínimo (regulado ou "implícito) que desestimularia o emprego formal e empurraria o trabalhador de baixa escolaridade para o subemprego, que é a mesma coisa que desemprego.Desemprego involutário em país subdesenvolvido e com baixa renda por habitante, existe INDEPENDENTEMENTE de haver ou não mercado de trabalho flexível.

Outra coisa.O salário mínimo que fica “acima do nível de mercado” é o SALÁRIO NOMINAL, não o salário real.Os capitalistas, de fato, CONTROLAM O SALÁRIO REAL!Como já disse antes:

"Quando falamos em 'salário', o que importa é o nível de salário real.Salário real é o quociente do nível de salário nominal (W) pelo nível geral de preços (P).No médio e longo prazo macroeconômico, o salário real depende APENAS das decisões de formação de preço dos capitalistas."

Claro, os capitalistas podem repassar o efeito do salário mínimo nominal "artificialmente elevado" para os preços e os trabalhadores nada podem fazer contra isso, nem mesmo iniciar uma corrida de indexação "salário-preço-salário-preço-etc.".Como os empregadores sabem que existe um Banco Central "casca grossa" com a inflação, eles preferem tomar a seguinte atitude: aumentam o desemprego, fator que corrói o poder de barganha dos trabalhadores nas negociações salariais, para fazerem estes "engolirem" o salário real de equilíbrio.

Veja que eu estou admitindo que encargos trabalhistas podem contribuir para a taxa de desemprego, mas acho que sei porque vocês não querem admitir que este desemprego ocorre por causa de um fenômeno muito parecido com o que Marx chamou de "estratégia do exército industrial de reserva".Afinal, aquele esquerdista burro e que "fundou" o comunismo, sempre deveria está enganado.



Não consegui entender a sua suposta refutação dada anteriormente, aliás, todo o seu post anterior está bem complicado de compreender. Sobre o argumento do salário também ser um preço, e, portanto, ser prejudicial a sua regulação pelo governo, tal qual a regulação do preço de um produto qualquer.

Na teoria,é muito bonito dizer que uma desregulamentação nos "preços" do trabalho aumentaria sua quantidade ofertada.Na prática, deve-se pensar nos efeitos disso sobre a distribuição de renda e como isso afeta o consumo agregado (e consequentemente, a demanda agregada e o nível de produção).Como já disse no meu primeiro post deste tópico, é totalmente possível um corte nos salários não gerar apenas redução dos salários de forma proporcional a queda de preços.Poderia gerar também "efeito multiplicador da renda" as avessas (o ciclo "redução no consumo-redução na demanda agregada e no emprego-redução do consumo-redução na demanda agregada e no emprego-etc.").É só ver os dois argumentos de Keynes que citei.

Eu sou a favor que a negociação de muitos aspectos dos contratos de trabalho sejam transferidos da Justiça do Trabalho para a negociação entre empresas e sindicatos.Quanto a "flexibilizar a legislação trabalhista"(um eufemismo para outro termo: redução da influência dos fatores institucionais que afetam positivamente o poder de barganha dos trabalhadores nas negociações salariais), eu também sou a favor desde que seja adotado as seguintes condições:

1-Que se mostre um estudo econométrico aplicado a economia brasileira evidenciando que o efeito de uma variação dos salários nominais sobre o consumo é estatisticamente insignificante (coisa que o economista Robert Solow fez com sucesso, num estudo aplicado a economia americana).

2-Que se faça uma reforma sindical que aumente e universalise a capacidade de mobilização e organização dos sindicatos (algo parecido com o que foi sugerido aqui: www.econ.puc-rio.br/gfranco/Agenda%20Perdida.pdf ) para fortalecê-los nas situações de "negociações para baixo".

Quanto a condição 1, esse estudo do Banco Mundial citado pelo HSette já me deixou desanimado.



E o que temos agora no Brasil? Milhões na informalidade e nos subempregos.

Como já disse antes, desemprego involutário em país subdesenvolvido e com baixa renda por habitante, existe INDEPENDENTEMENTE de haver ou não mercado de trabalho flexível.


E não tem nada a ver com fundamentalismo de qualquer coisa. Do meu ponto de vista, poderia dizer que você é o fundamentalista do intervencionismo.

Bem, eu me referi assim a esse Rodrigo Constantino porque lembrei de um artigo em que ele dizia que o Estado é a "maior máquina geradora de desigualdade".Para mim, alguém que considera o "Estado" como sinônimo de "aquilo que atrasa o desenvolvimento" é fundamentalista.O Estado mais liberal do mundo em termos econômicos está nesta situação em igualdade de renda:

Ordem/País/Índice/10% mais ricos
a 10% mais pobres/20% mais ricos
a 20% mais pobres/Referência
ano

84  Hong Kong 43.4 17.8 9.7 1996

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_igualdade_de_riqueza

Estados Unidos está na posição 74, enquanto os escandinavos (a Noruega está apenas na posição 30 no Heritage e no ranking de distribuição de renda está em sexto) e outros adeptos ricos do Welfare State lideram o ranking.

E eu não sou fundamentalista de intervencionismo, porque acredito em mercados mais do que você pensa.Só acho que os países devem alterar ciclos de reformas liberais com ciclos de redistribuição de renda.Para países que nunca ou quase nunca fizeram a segunda coisa, como o Brasil, não é válido adiar o crescimento econômico com justiça social.
« Última modificação: 17 de Junho de 2007, 14:37:05 por -Huxley- »

Offline Pilantrólogo

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Re:O Milagre do Emprego
« Resposta #71 Online: 02 de Dezembro de 2014, 10:06:17 »
O tópico aqui tá meio parado...
Gostaria de reiniciá-lo, citando um artigo sobre uma estratégia que - ao que parece - vem sendo adotada entre empresas do Vale do Silício:

http://www.bloomberg.com/news/2014-11-19/apple-google-no-poaching-evidence-triggers-more-lawsuits.html

Os grandes do Silicon Valley haveriam concordado em não canibalizar o quadro de funcionários um do outro, a fim de controlar o efeito "natural" de valorização de salários causado pela competição por profissionais.
O próprio CEO da Pixar, Edwin Catwell, admitiu o uso da citada estratégia, apresentando como justificativa "a proteção da indústria contra concorrentes estrangeiros". Ao manter os salários "baixos", manteria-se também a competitividade da indústria nacional.

Alguém por gentileza me explique (1)como a existência de um sindicato forte traria (ou não) benefícios para os profissionais dessa área bem como para essa indústria multibilionária, e (2)porquê e como o Estado deveria (ou não) intervir nessa questão.
"(...) the future is already here. It's just not very evenly distributed." - William Ford Gibson

Offline Gaúcho

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Re:O Milagre do Emprego
« Resposta #72 Online: 02 de Dezembro de 2014, 14:30:10 »
Ué, são apenas um punhado de empresas, não TODAS as empresas. Se isso está ocorrendo, ótimo para empresas um pouco menores, que têm a chance de conseguir profissionais super capacitados das empresas que estão fazendo "cartel" de salários baixos.
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline Pilantrólogo

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Re:O Milagre do Emprego
« Resposta #73 Online: 02 de Dezembro de 2014, 15:05:48 »
Ué, são apenas um punhado de empresas, não TODAS as empresas. Se isso está ocorrendo, ótimo para empresas um pouco menores, que têm a chance de conseguir profissionais super capacitados das empresas que estão fazendo "cartel" de salários baixos.

Haveria alguma evidência de que essas "empresas um pouco menores" estão realmente se beneficiando, ao ponto de compensar a prática ilegal de conlúio entre as empresas maiores para manter os salários da indústria baixos?
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Offline Gaúcho

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Re:O Milagre do Emprego
« Resposta #74 Online: 02 de Dezembro de 2014, 16:19:31 »
Se não estão, é porque não querem. Nada as impede de captar os profissionais mais capacitados, mas mal remunerados, destas empresas. Se outras empresas não são proibidas de oferecerem um salário justo e os profissionais não são proibidos de trabalharem em outras empresas que ofereçam salários melhores, no que diabos o Estado se meteria? Obrigaria as empresas a oferecerem o salário que ele acha justo? Obrigaria os empregados a trabalharem em outra empresa que ofereça salários melhores?
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