Autor Tópico: Léxico Politicamente-Correto  (Lida 6578 vezes)

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Offline Fabrício

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #100 Online: 06 de Dezembro de 2015, 21:46:26 »
E essa aí nem dá para comer

Outro exemplo de objetificação que combina a animalização a que me referia, com sexualização.

Se houvesse alguma analogia anatômica, seria a de que a mulher "come" o homem na penetração. Mas se é justamente o contrário, isso só pode ser explicado pela objetificação/animalização, de toda remoção de agência da mulher.

Não é de se surpreender que o estupro seja uma prática largamente aceita, a linguagem do sexo o torna algo "inexistente", sem sentido como problema. Uma reles galinha não tem direito a qualquer opinião contrária quanto a ser comida, como e quanto quer que se deseje comê-la. É comida, um objeto. Se há alguém que tem o direito de se opor, é apenas o seu dono, e não o objeto.

 :lol:
"Deus prefere os ateus"

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #101 Online: 23 de Dezembro de 2015, 21:57:53 »
"Sexo oposto": termo triplamente problemático. Primeiramente pela sexualização do gênero; segundamente, mas não menos importante, por colocar os gêneros supostamente mais comuns como opostos, adversários, e terceiramente, e também não menos importante, promove uma dicotomia heteronormativa cis-gênero, removendo toda a diversidade que existe além dos "dois" gêneros socialmente aceitos e impostos pela sociedade.

O melhor seria, se necessário, se referir a gêneros diversos daquele que se tiver em foco. Note "diverso" em vez de "diferente", favorecendo a consciência da diversidade, em vez de focar na diferença, assim promovendo a aceitação em vez de exclusão. Ao não colocar os gêneros como "opostos", inimigos, remove-se um reforço subliminar das bases da cultura patriarcal de dominação e guerra contra o não-cismacho.




Aliás, "patriarquia" talvez deva ser questionado de forma similar. Igualmente faz uma reificação da condição biológica do progenitor macho ao gênero paterno e à cultura/ideologia problemática, que assim como gênero, não é algo inerente ao sexo biológico supostamente mais comumente associado, na tradição ocidental. Pode haver mães-cismachos, pais-cisfêmeas, mães=transmachos, mães-transfêmeas, pais-cis-X, mães cis-X, paimães-X-X, mãepais-X-X; e cada permutação possível dessas pode ser tanto complacente, vítima, ideóloga ou oposta ao que se rotula preconceituosamente como "patriarquia".


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #102 Online: 10 de Fevereiro de 2016, 16:29:21 »


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Parents Dedicate New College Safe Space In Honor Of Daughter Who Felt Weird In Class Once


The calming, new-idea-free zone will be open around the clock to comfort students who have read or heard opinions that are at odds with their preexisting worldview.

LYNNFIELD, MA—In an effort to provide sanctuary for Lynnfield College students exposed to perspectives different from their own, a new campus safe space was dedicated Wednesday in honor of Alexis Stigmore, a 2009 graduate who felt kind of weird in class one time.

Addressing students at the dedication ceremony, parents Arnold and Cassie Stigmore noted that while the college had adequate facilities to assist victims of discrimination, abuse, and post-traumatic stress, it had until now offered no comparable safe space for students, like their beloved daughter, who encounter an academic viewpoint that gives them an uncomfortable feeling.

[...]

As they have done often over the years, the Stigmores spoke openly about the time their daughter attended a class in which her political science professor “completely ambushed” her with standard course material that did not fit comfortably within her world outlook. Feeling unsettled, the college student reportedly had no way of coping with the challenging position that did not require her to consider the opinion, analyze its shortcomings, and think of possible counterarguments.

Alexis, then a dean’s-list student in her junior year, described spending 40 harrowing minutes of class in a distressed state, forced to look at the world through the eyes of a set of people she disagreed with.

“I’ll never forget the morning my daughter called and told me in a trembling voice, ‘Mom, my professor said some stuff today I didn’t like,’” recounted an emotional Cassie Stigmore, who also remarked that Alexis was left further traumatized upon looking at the course syllabus and finding it contained a book she did not want to read because it was written by an author whose politics she opposed. “As a parent, I’ll always wish I could have been there for her in that lecture hall, protecting her from those unwelcome concepts.”

[...]

http://www.theonion.com/article/parents-dedicate-new-college-safe-space-honor-daug-50851



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Warning Labels On College Courses?

Some college students are demanding professors put warning labels on courses and books that might offend. And many profs are offended by that.


This Feb. 5, 2014 file photo shows a statue of a man sleepwalking in his underpants, called “Sleepwalker,” which was part of an exhibit by sculptor Tony Matelli, surrounded by snow on the campus of Wellesley College, in Wellesley, Mass. A student started an online petition to have it moved indoors because it had become “a source of apprehension, fear, and triggering thoughts regarding sexual assault.” (AP)

Should college student assigned “The Great Gatsby” be forewarned that it contains scenes of “gory, abusive, misogynistic violence”?  Should undergrads reading “Huckleberry Finn” get a boldprint warning label of racism – and permission to duck it?  A new push on college campuses is calling for “trigger warnings” up front on potentially disturbing readings and more.  Advocates say it’s to protect the vulnerable.  Critics say it’s hypersensitivity run amuck and a veiled attack on free speech, robust scholarship.  This hour On Point:  Trigger warnings, and what American college kids can handle.

http://onpoint.wbur.org/2014/05/20/trigger-warnings-college-courses

Offline Donatello

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #103 Online: 02 de Junho de 2016, 05:04:59 »
Guia de termos corretos para evitar classificações equivocadas quanto ao tom de pele em tempos em que os termos negro, pardo, moreno, mulato e afrodescendente são disputados como os mais empoderados e os mais opressores (a depender da qualidade da maconha vendida no DCE) pelos ativistas negros discípulos de MalcomX/Magneto.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #104 Online: 10 de Junho de 2016, 20:16:57 »
Morador de apartamento → morador em situação de apartamento
Morador de casa → morador em situação de casa
Morando de favor → morador em situação de favor
Morando em casa alugada → morador em situação de aluguel
Morando em casa própria → ocupante de residência da qual crê ser legítimo dono de acordo com crenças capitalistas em propriedade privada





Quero mudar o nome do Pau Brasil, que remete a um país de terceiro mundo que depende da extração de madeira pra sobreviver, o que é ... hmmm... verdade. Além disso, quem nasce no Brasil não é brasiliano, mas "brasileiro", que remete a profissão de extração da madeira.

O próprio nome do país é falocentrista. É por isso que somos tão retrógrados e praticamenta linxamas nossa primeira presidenta mulhar, apenas par sar mulhar.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #105 Online: 19 de Setembro de 2016, 12:36:32 »
"Passar em branco" - "passar sem que seja dada a atenção merecida"

O termo "passar em branco" tem uma evidente conotação racial depreciativa, e argumentavelmente até mesmo trivializante da violência sexual.

Offline Lakatos

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #106 Online: 19 de Setembro de 2016, 20:15:09 »
Idem com "carta branca", que significa "autorização para fazer o que quiser", ou seja, uma referência ao fato de apenas os brancos serem livres na época da escravidão.

Também há as variações futebolísticas racistas, como o cartão amarelo e o cartão vermelho, associados a punições por mal comportamento e que fazem referência ao preconceito contra imigrantes japoneses e nativos indígenas.

O futebol, aliás, é cheio de expressões preconceituosas. Quem nunca notou a referência à Alemanha nazista na fórmula de organização da Copa do Mundo? O evento começa com a divisão em grupos, simbolizando a separação entre os arianos e os judeus, negros, ciganos etc. A próxima fase é o mata-mata, que nada mais é do que uma referência ao holocausto, culminando com a (solução) final.


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Léxico Politicamente-Correto
« Resposta #107 Online: 19 de Setembro de 2016, 23:01:59 »
O elo é mais profundo que isso, evidenciado em mensagens subliminares que permeiam todo o esporte:




















 

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