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Offline Nightstalker

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Sionismo: um presente desanimador
« Online: 06 de Novembro de 2007, 18:05:18 »
Sionismo: um presente desanimador
por Daniel Pipes em 06 de novembro de 2007

 “Agora somos todos keynesianos” foi a famosa afirmação de Richard Nixon no exato momento em que as teorias econômicas de John Maynard Keynes caíam em descrédito. Do mesmo modo, em 1989, alguém poderia ter dito, com a mesma confiança, algo quanto ao fato de Israel ter conquistado ampla aceitação. “Agora somos todos sionistas”. Não mais.

Conte de quantas maneiras Israel está sitiado: iranianos construindo uma bomba nuclear, sírios estocando armas químicas, egípcios e sauditas aumentando forças convencionais para valer, o Hezbollah atacando a partir do Líbano, o Fatah a partir da Margem Ocidental, o Hamas, de Gaza e os cidadãos israelenses muçulmanos estão ficando politicamente impacientes e mais violentos.

Ao redor do mundo professores universitários, redatores de editoriais e burocratas de chancelarias questionam a existência continuada de um estado judeu. Até mesmo governos aliados, notadamente a administração Bush,  seguem um caminho de iniciativas diplomáticas que debilitam a capacidade de dissuasão israelense na mesma medida em que as vendas de armas americanas à Arábia Saudita corroem a segurança de Israel.

Vamos supor, todavia, que Israel consiga, de alguma forma, atravessar e prosseguir além de todos esses problemas. Isto ainda deixaria o país em face de seu maior desafio: uma população judia crescentemente desencantada, até mesmo constrangida, com a ideologia fundadora do país, o sionismo, o movimento nacional judaico. 

Tal como concebido por Theodor Herzl (1860-1904) e outros teóricos, o clamor do sionismo por um estado judeu soberano se encaixava no contexto e na disposição mental da época. Se chineses, árabes e irlandeses buscavam estabelecer um estado nacional, por que não os judeus? De fato, especialmente os judeus, pois por quase dois milênios eles pagaram o maior preço pago por um povo por sua fraqueza política, tendo sido expulsos, sacrificados, perseguidos e assassinados em massa como nenhum outro. O sionismo oferecia uma salvação dessa história trágica ao assumir uma postura ereta e de espada na mão.

Desde o seu início, o sionismo teve a sua parcela de opositores judeus, desde os Haredim (ultra-ortodoxos), aos judeus iraquianos nostálgicos, até os rabinos reformistas. Mas até recentemente, esses eram elementos marginais. Agora, devido às altas taxas de natalidade, a antes pequena comunidade Haredi constitui 23% dos alunos das turmas de primeiro ano elementar; adicione a isso os 22% de árabes nessas turmas de 1º ano de ensino elementar e uma mudança muito profunda na política israelense pode ser esperada ao redor de 2025.

Ainda pior para Israel é o fato de que o nacionalismo judaico perdeu seu quase automático apoio que uma vez já teve entre os judeus seculares, muitos dos quais acham essa ideologia do século XIX fora de moda. Alguns aceitam alegações de que um estado judeu representa racismo ou a idéia de supremacia étnica, enquanto outros acham atraentes as alternativas universalistas e multi-culturalistas. Avaliem alguns sinais das mudanças em curso:

- Jovens israelenses estão evitando o serviço militar em números jamais vistos, com 26% dos homens em idade de alistamento e 43% das mulheres não se alistando em 2006. As alarmadas Forças de Defesa de Israel pediram uma legislação que negue benefícios concedidos pelo estado àqueles que não servirem.

- O procurador-geral de Israel, Menachem Mazuz, pôs um fim ao trabalho do Fundo Nacional Judaico, umas das instituições sionistas pioneiras (fundada em 1901), ao determinar que o seu papel de adquirir terras especificamente para judeus, no futuro não poderia continuar com a assistência do estado.

- Proeminentes historiadores israelenses lançam seu foco sobre como Israel foi concebido em pecado e tem sido uma força para o mal.

- O ministério da educação de Israel aprovou livros didáticos para estudantes árabes da terceira série que apresentam a criação de Israel em 1948 como uma “catástrofe” (em árabe, nakba).

- Avraham Burg, descendente de uma proeminente família sionista e ele mesmo um importante membro do Partido Trabalhista, publicou um livro em que compara Israel à Alemanha dos anos 1930.

- Uma pesquisa de 2004 descobriu que apenas 17% dos judeus americanos se consideram e se proclamam “sionistas”.

Vista num contexto mais amplo, esta reviravolta no sionismo ecoa tendências de outros países ocidentais, onde o patriotismo à moda antiga e o orgulho nacional também tiveram um declínio. Na Europa Ocidental, os cidadãos tendem a ver pouco valor especial em sua própria história, costumes e tradições. No mês passado, a Princesa Máxima, da Holanda, e mulher do herdeiro ao trono, anunciou, para grande aplauso, que ”A identidade holandesa não existe”.  Esse declínio do patriotismo por todo o Ocidente agrava os apuros de Israel, sugerindo que o que lá acontecer se encaixa numa tendência mais ampla, tornado-a mais difícil de resistir ou de reverter.

Para completar, hoje os árabes estão se movendo na direção exatamente oposta, atingindo um clímax febril de belicosidade étnica e religiosa.

Sendo eu mesmo um sionista, eu observo essas várias tendências como um agouro, um presságio para o futuro de Israel. Eu me consolo ao recordar que poucos dos problemas atuais eram evidentes em 1989. Talvez em 2025, as perspectivas do sionismo voltem a brilhar, na medida em que ocidentais em geral e israelenses em particular, finalmente despertem para os perigos apresentados por palestinos irredentistas, por jihadistas e outros extremistas do Oriente Médio.

Fonte
Conselheiro do Fórum Realidade.

"Sunrise in Sodoma, people wake with the fear in their eyes.
There's no time to run because the Lord is casting fire in the sky.
When you make sin, hope you realize all the sinners gotta die.
Sunrise in Sodoma, all the people see the Truth and Final Light."

Offline JJ

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Re:Sionismo: um presente desanimador
« Resposta #1 Online: 21 de Novembro de 2018, 11:06:51 »
Sionismo


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Série Israel

O sionismo (em hebraico: ציונות Tsiyonut) é um movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel (Eretz Israel).

O sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel. O movimento defende a manutenção da identidade judaica, opondo-se à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países em que viviam.

O sionismo surgiu no final do século XIX na Europa Central e Oriental como um movimento de revitalização nacional e logo foi associado, pela maioria dos seus líderes, à colonização da Palestina. Segundo o pensamento sionista, a Palestina fora ocupada por estranhos.[1] Desde a criação do Estado de Israel, o movimento sionista continua a defender o estado judeu, denunciando as ameaças à sua permanência e à sua segurança.

Em uma acepção menos comum, o termo pode também se referir ao sionismo cultural, proposto por Ahad Ha'am, e ao apoio político dado ao Estado de Israel por não-judeus, tal como no sionismo cristão.

Os críticos do sionismo o consideram como um movimento colonialista ou racista.[2] Os sionistas rebatem essas críticas, identificando o antissionismo com o antissemitismo.[3][4]

[...]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sionismo


Offline JJ

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Re:Sionismo: um presente desanimador
« Resposta #2 Online: 21 de Novembro de 2018, 11:07:48 »

Sionismo cristão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Sionismo cristão é uma crença entre alguns cristãos de que o retorno dos judeus à Terra Santa, e o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, está de acordo com a profecia bíblica. Se sobrepõe, mas é distinto, do movimento do século XIX para a restauração dos judeus à Terra Santa, que teve adeptos motivados religiosamente e politicamente. O termo sionismo cristão foi popularizado em meados do século XX. Antes dessa época o termo comum foi restauracionismo.[1]

Alguns cristãos sionistas acreditam que o "ajuntamento" dos judeus em Israel é um pré-requisito para a Segunda vinda de Jesus. Essa crença é principalmente, embora não exclusivamente, associada com o Dispensacionalismo cristão. A ideia de que os cristãos devem apoiar ativamente o retorno dos judeus à Terra de Israel, junto com a ideia paralela de que os judeus deveriam ser encorajados a se tornarem cristãos, como um meio cumprindo uma profecia bíblica tem sido comum nos círculos protestantes desde a Reforma.[2][3][4]

Muitos cristãos sionistas acreditam que o povo de Israel continua a fazer parte do povo escolhido de Deus, juntamente com os cristãos gentios enxertados [Romanos 11,17-24]. Isso tem o efeito adicional de transformar os cristãos sionistas defensores do sionismo judaico.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sionismo_crist%C3%A3o

Offline JJ

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Re:Sionismo: um presente desanimador
« Resposta #3 Online: 21 de Novembro de 2018, 11:17:22 »
Batismo no rio Jordão, empresários e promessas vazias: como Bolsonaro construiu a imagem de “amigo de Israel”

O candidato enfatizou sua relação com empresários e políticos judeus para alavancar candidatura.

Aproximação causou uma crise na comunidade judaica entre os defensores dos direitos humanos



Jair Bolsonaro no clube Hebraica Rio, em abril de 2017.

Apoiadora de Bolsonaro com a bandeira de Israel na avenida Paulista no domingo (21). NAIARA GALARRAGA CORTÁZAR
Regiane Oliveira
REGIANE OLIVEIRA



São Paulo 28 OUT 2018 - 00:38   CEST


"Pode ter certeza que se eu chegar lá [Presidência da República] não vai ter dinheiro pra ONG". "Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa". "Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola". "Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada". "Não podemos abrir as portas [do Brasil] para todo mundo".


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Estes ataques contra minorias foram feitos por Jair Bolsonaro, candidato à Presidência do Brasil, em abril de 2017, durante um evento no clube Hebraica Rio. Ao defender a ditadura militar e contar seus planos para armar a população, o candidato foi ovacionado aos gritos de “mito” por parte da plateia. O evento, que repercutiu em toda a imprensa, iniciou uma crise na comunidade judaica brasileira, tradicionalmente conhecida pela defesa dos direitos humanos e dos valores progressistas.


O comparecimento de Bolsonaro no clube era parte de um bem sucedido plano de aproximação traçado com empresários e políticos judeus para alavancar sua candidatura no Brasil. Há dois anos das eleições, levou sua caravana eleitoral ‘Brasil acima de tudo! Deus acima de todos!' em uma empreitada para conquistar a simpatia de empresários e interlocutores internacionais. Fez viagens aos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Mas foi de seu esforço de aproximação com Israel de onde surgiram os primeiros resultados concretos de apoio.


Enquanto a presidente Dilma Rousseff era afastada de suas funções em meio ao processo de impeachment no Brasil em maio de 2016, Bolsonaro, que é católico, era batizado pelo presidente do PSC, Pastor Everaldo (da igreja Assembleia de Deus), no Rio Jordão, em Israel. A imagem de seu batismo correu o país, juntamente com vídeos que mostravam seu encontro com o presidente do Knesset, o parlamento israelense, Yuli-Yoel Edelstein.


A postura de Bolsonaro na Hebraica chegou a ser criticada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), que soltou uma nota afirmando que a comunidade judaica defende ”o respeito absoluto a todas as minorias”. Mas a nova base de apoio já estava prestes a se solidificar. O deputado federal reeleito Onyx Lorenzoni (DEM), homem de confiança de Bolsonaro e cotado para a Casa Civil, trouxe para a equipe do militar os irmãos e professores universitários Abraham Weintraub e Arthur Bragança Weintraub, especialistas, respectivamente, em finanças e direito previdenciário. Também se uniu à campanha Fábio Wajngarten, empresário judeu da área de comunicação digital.


Bolsonaro é batizado no rio Jordão, em Israel, em maio de 2016
Bolsonaro é batizado no rio Jordão, em Israel, em maio de 2016 REPRODUÇÃO YOUTUBE


Apoiadores do candidato romperam com instituições tradicionais judaicas e criaram, no segundo semestre de 2017, a Associação Sionista Brasil Israel (ASBI). “Uma farta parcela de judeus não se sentia representada pela ideologia de esquerda que tomou conta das escolas, movimentos juvenis e entidades judaicas como a Conib e seus associados”, conta Félix Soibelman, diretor jurídico da ASBI. “Bolsonaro, na contramão de toda esta esquerda, já vinha se manifestando como grande admirador de Israel e amigo dos judeus”, afirmou.


Do outro lado, críticos ao candidato minimizaram o apoio judaico. “Ele começou a se dizer amigo de Israel, bateu foto com a bandeira, disse que vai trazer a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém [como fez Donald Trump com a norte-americana] e isso agradou algumas pessoas. Mas somos poucos para fazer alguma diferença [cerca de 107 mil, segundo o censo de 2010]. O interesse de Bolsonaro sempre foi conquistar o eleitorado evangélico, que vê Israel como referência”, afirma o empresário Mauro Nadvorny, um dos coordenadores do movimento Judeus contra Bolsonaro, que mora em Israel.


Bolsonaro durante palestra no clube Hebraica Rio, em abril de 2017.
Bolsonaro durante palestra no clube Hebraica Rio, em abril de 2017. REPRODUÇÃO YOUTUBE


O ponto alto da crise foi a decisão de Meyer Nigri, dono da construtora Tecnisa, de declarar seu voto a Bolsonaro. Animado com o discurso em prol das privatizações, Estado mínimo e reformas, o apoio público de Nigri certamente valeu mais que cerca de 5.000 reais que o empresário e seu filho Renato Meyer Nigri doaram para a campanha do militar, por meio de um financiamento coletivo na internet.


"Em termos de apoio, o número de empresários não-judeus com Bolsonaro é infinitamente maior", afirma Nadvorny, o que não impediu a cisão da comunidade. "É um choque ver amigos defendendo um candidato que fala de maneira preconceituosa contra minorias, especialmente, dentro de uma comunidade que tem uma história com o fascismo", afirma. Segundo ele, a ASBI é formada por "90% de membros evangélicos não-judeus".


Na prática, Bolsonaro usou e abusou de sua visita a Israel em vídeos defendendo a tecnologia de empresas israelenses e as possibilidades de negócios entre os dois países, bem antes da corrida presidencial começar. E uma vez viralizados estes vídeos, pouco importava se essas promessas constariam em seu programa de Governo. Ele já havia conquistado o imaginário de alguns eleitores. "O que mais me agrada no programa de Bolsonaro é a proposta do sistema de irrigação de Israel. É uma ótima ideia para acabar com o sofrimento das pessoas que vivem no Nordeste", afirmou Hilston Oliveira, evangélico nascido na região da Chapada Diamantina, no semiárido da Bahia, que compareceu com a família à manifestação de apoio ao candidato Jair Bolsonaro no domingo passado, em São Paulo.



O candidato, porém, pode estar reembalando ideias antigas. "Ele diz que gostaria de transformar o Nordeste em Israel, mas parece não saber que acordos para troca de tecnologia já foram feitos há décadas. O problema não é a tecnologia, é decisão de investimento. Porque as empresas de Israel cobram", afirma o representante do movimento Judeus contra Bolsonaro.



Aliás, Nadvorny conta que nem Bolsonaro nem as eleições brasileiras estão na pauta de Israel no momento. "O israelense tem muito carinho pelos brasileiros por conta do futebol, música e Carnaval. Mas se a embaixada for em Jerusalém ou Tel Aviv, a diferença política é zero". Mesmo assim, lideranças judaicas que se apoiam neste suposto relacionamento para vir a público defender a candidatura de Bolsonaro como "um verdadeiro amigo de Israel". Dentre eles, está o rabino Shalom Ber Solomon, que gravou um vídeo declarando seu voto. Apesar de dizer que não se deve misturar religião com política, o religioso afirma que nestas eleições os judeus devem votar em uma pessoa em cujos princípios representam os valores judaico-cristãos. "Meu voto como judeu, rabino e cidadão brasileiro vai para Jair Messias Bolsonaro. Você não precisa concordar com uma pessoa em todos os assuntos, para eleger um presidente não devemos casar com ele, mas apenas votar nele".



https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/23/politica/1540319360_061442.html

« Última modificação: 21 de Novembro de 2018, 11:22:47 por JJ »

 

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