Autor Tópico: Perguntas sem-vergonha sobre física...  (Lida 170307 vezes)

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Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #251 Online: 16 de Outubro de 2008, 00:37:04 »
Eu tenho uma pergunta sem vergonha sobre física. Desculpa se já a fiseram, mas tem muita página este tópico.

O fato do movimento ser relativo ao referencial já era reconhecido na física newtoniana, ou foi apenas na relatividade geral?

Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #252 Online: 16 de Outubro de 2008, 00:50:19 »
É conhecido desde Galileu. O que muda é a transformação.

Procure a experiência mental do barco fechado, de Galileu.
Elton Carvalho

Antes de me apresentar sua teoria científica revolucionária, clique AQUI

“Na fase inicial do processo [...] o cientista trabalha através da
imaginação, assim como o artista. Somente depois, quando testes
críticos e experimentação entram em jogo, é que a ciência diverge da
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Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #253 Online: 16 de Outubro de 2008, 01:47:23 »
É conhecido desde Galileu. O que muda é a transformação.

Procure a experiência mental do barco fechado, de Galileu.

Obrigado, Snow. Estou discutindo em outro fórum com um sujeito que insiste que a relatividade do movimento e o experimento mental do gato de Scrhödinger são argumentos contra o princípio de não contradição.

Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #254 Online: 16 de Outubro de 2008, 01:48:49 »
Medo!
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Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #255 Online: 16 de Outubro de 2008, 02:08:16 »
Medo!

Eu fico impressionado como alguns simplesmente usam conceitos científicos de forma errônea.

Offline Südenbauer

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #256 Online: 16 de Outubro de 2008, 02:09:46 »
Esse Fabris não é o L.F., é?

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #257 Online: 16 de Outubro de 2008, 02:58:20 »

Offline Tupac

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #258 Online: 16 de Outubro de 2008, 07:26:47 »
Esse Fabris não é o L.F., é?
Eu andei lendo algumas mensagens naquele forum (que por sinal eu gostei bastante), e ao que tudo indica, sim, o Fabris é o L.F. ou Luis Fabris.
Eu conheci o Fabris no forum projeto Occam, o acho um cara e tanto...
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Offline Flavia

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #259 Online: 18 de Outubro de 2008, 16:44:56 »
Tenho uma pergunta sem-vergonha também  :vergonha: :vergonha:

O princípio da incerteza de Heisenberg tem algo a ver com o gato de Schrödinger?
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Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #260 Online: 18 de Outubro de 2008, 16:48:27 »
Tem: ambos falam de mecânica quântica.
Elton Carvalho

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Offline West

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #261 Online: 30 de Outubro de 2008, 16:19:22 »
Mais uma:


É correta uma estimativa da idade do universo quando levada em conta a cosmologia inflacionária?

Explico:

É que, de acordo com a cosmologia inflacionária, o big-bang (ou hiperinflação) é considerado como um evento ocorrido em um dado instante do universo "primitivo", ou seja, quando o big-bang ocorreu o universo já existia, ainda que de uma forma bem diferente da de hoje. Logo, o big-bang não é tido como o evento que originou o universo, mas como aquele que determinou a forma que ele tem hoje.

Na cosmologia inflacionário o big-bang não explica a origem do universo mas sua evolução. Explica a diversidade de partículas, forças e estruturas que dão forma ao cosmos hoje observado.

Grosso modo, o big-bang está para a Cosmologia, assim como a evolução de Darwin está para a Biologia. Ela explica a evolução do cosmos, mas não sua origem ( se é que houve uma; talvez o universo sempre tenha existido).

Segundo a teoria padrão do big-bang, existe uma singularidade que limita nosso conhecimento a frações de tempo absurdamente pequenas após sua ocorrência, e por isso não podemos fazer qualquer afirmação sobre o estado do universo anterior a esse momento (singularidade). Essa afirmação se matém com a teoria inflacionária? Não seria essa zona cinzenta mera consequência da falta de conhecimento, ou há nela  intrinsecamente uma verdadeira limitação ao que pode ser conhecido? O big-bang ainda é tido como a causa do espaço-tempo? Não podemos conjecturar, com base na teoria inflacionária, que o universo tenha existido (num estado pré-inflacionário bem diferente do atualmente conhecido) durante um periodo de tempo indetermindado (que poderíamos chamar de sempre) até o momento em que as condições foram favoráveis para a ocorrência da hiper-inflação (big-bang)?

Assim, uma vez que (se) a estimativa feita atualmente para a idade do universo toma como ponto de partida, ou origem do próprio tempo, o big-bang e desconsidera o estado pré-inflacionário, não estaria esta estimativa errada? 


Para os físicos: caso eu tenha dito muita besteira, peço que entendam minha condição de leigo, unicamente interessado em compreender, um pouquinho que seja, os mistérios da natureza. Fiquem a vontade para corrigir as atrocidades eventualmente cometidos. ;-)
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Offline Fenrir

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #262 Online: 04 de Dezembro de 2008, 16:38:35 »
Como nao achei o topico sobre perguntas matematicas, vai aqui mesmo....

Como represento, com notacao extendida, o conjunto abaixo?

A = { x | x = A }

Acho que seria desta forma:
A = {...{...{A}...}...}

Raciocinei assim:

A é o conjunto de todos os conjuntos cujos elementos são iguais a A (portanto, cujos elementos são tambem conjuntos e iguais a A).

Então A é elemento deste conjunto e temos A = {A}
mas {A} é elemento deste conjunto, entao A = { {A} }
...
e assim sucessivemente, rumo ao infinito inexoravel.

Tá certo ou viajei nesta???

Abusando da boa vontade dos foristas, segue outra:

Qual a diferenca entre o onceito matematico de classe e conjuntos de conjuntos?

Seria esta: Uma classe é uma colecao de conjuntos e nao os contem, como um conjunto de conjuntos conteria seus elementos.

Elaborando:

uma coisa é um elemento pertencer a um conjunto

outra coisa um conjunto estar contido em outro conjunto

e uma outra um conjunto ser uma instancia (na falta do termo correto) de uma classe de conjuntos

E cada uma das tres operacoes tem seus respectivos dominios no que diz respeito a que tipos de operandos elas se aplicam.
Dito de outra forma, nao podemos dizer que 1 esta contido em {1}, porque 1 nao é conjunto.

Esta certo?
"Heaven and Earth are not benevolent; They treat the myriad of creatures as straw dogs"
― Laozi

"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
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Offline Gigaview

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #263 Online: 04 de Dezembro de 2008, 23:26:00 »
Você está utilizando incorretamente a notação. Dê uma olhada no Paradoxo de Russel e na sua versão na forma do Paradoxo do Barbeiro, é muito parecido com o que você quis dizer: http://en.wikipedia.org/wiki/Russell%27s_paradox
Brandolini's Bullshit Asymmetry Principle: "The amount of effort necessary to refute bullshit is an order of magnitude bigger than to produce it".

Offline SlipKnot

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #264 Online: 05 de Dezembro de 2008, 04:09:22 »
Já vi em algum lugar que o buraco de minhoca é possível, mas nunca foi visto. E se ocorrer é do tamanho de uma célula e que deverá ser super inconstante. Tenho duvida sobre isso. É possível mesmo ter um buraco e entrar nele e aparecer no japão? Como é possível pegar o espaço e dobrar e furar e passar por ele?
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Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #265 Online: 05 de Dezembro de 2008, 08:54:57 »
Para fazer isso, voc6e precisa manipular buracos negros, então seria melhor fazer isso bem longe da Terra. Pra fazer um buraco negro do tamanho de um homem seria necessário um corpo de massa 100 vezes maior que a da Terra.

Buracos de minhoca são uma solução possível das equações da relatividade geral, se não me engano, mas devem ser meta-estáveis na melhor das hipóteses. Definitivamente não é algo que possa ser produzido artificialmente com a tecnologia que podemos conceber hoje.  E certamente viajar através de um desses buracos de minhoca é algo bem complicado. Seria, no mínimo, perigoso. E não tou falando de "perigoso" no sentido de Cantar o hino do palmeiras num vagão de metrô cheio de corinthiano. Estou falando de perigoso no sentido de menos de 1% das viagens ser bem-sucedida.
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Offline Fabulous

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #266 Online: 06 de Dezembro de 2008, 10:54:24 »
Hahahahahha... perigoso como cantar o hino do palmeiras num vagão de metrô cheio de corinthiano... :histeria:
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Offline Fenrir

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #267 Online: 08 de Dezembro de 2008, 07:04:48 »
Você está utilizando incorretamente a notação. Dê uma olhada no Paradoxo de Russel e na sua versão na forma do Paradoxo do Barbeiro, é muito parecido com o que você quis dizer: http://en.wikipedia.org/wiki/Russell%27s_paradox

Acho que nao Giga, ate aqui

A = { x | x = A }

pelo menos, nao.

Me baseei no que aprendi no Apostol.

Isto
A = { x | x = A }
Le-se
A é um conjunto cujos elementos são conjuntos iguais a A

Um exemplo besta seria
A = { x | x %5Cin+%5Cmathbb%7BN%7D e x > 0}
que em notacao estendida daria

A = { 1, 2, 3, ... }

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Offline rcms

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #268 Online: 12 de Dezembro de 2008, 13:16:39 »
Para fazer isso, voc6e precisa manipular buracos negros, então seria melhor fazer isso bem longe da Terra. Pra fazer um buraco negro do tamanho de um homem seria necessário um corpo de massa 100 vezes maior que a da Terra.

Buracos de minhoca são uma solução possível das equações da relatividade geral, se não me engano, mas devem ser meta-estáveis na melhor das hipóteses. Definitivamente não é algo que possa ser produzido artificialmente com a tecnologia que podemos conceber hoje.  E certamente viajar através de um desses buracos de minhoca é algo bem complicado. Seria, no mínimo, perigoso. E não tou falando de "perigoso" no sentido de Cantar o hino do palmeiras num vagão de metrô cheio de corinthiano. Estou falando de perigoso no sentido de menos de 1% das viagens ser bem-sucedida.


Cara perdoei meu ceticismo mas acho que estou no lugar certo.  :D
Poderia me passar o referencial teorico, só se nao for muito trabalho. :histeria:

Ps: é sobre "Pra fazer um buraco negro do tamanho de um homem seria necessário um corpo de massa 100 vezes maior que a da Terra."

Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #269 Online: 12 de Dezembro de 2008, 13:42:23 »
Elton Carvalho

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Offline Pedro Reis

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #270 Online: 16 de Dezembro de 2008, 14:18:10 »

1 - A dilatação do tempo é necessariamente real? Qual a diferença entre, digamos, haver um tempo absoluto real (Defina-se arbitrariamente como qualquer coisa dessas de relógios atômicos sob uma gravidade e velocidade X), e então, em velocidades e gravidades diferentes, os fenômenos/eventos geralmente usados como medida é que passam mais devagar, e não o tempo em si? Numa analogia tosca, como um corpo qualquer passando por um meio mais ou menos denso, que é simplesmente uma diferença de velocidade imposta por esse meio, e não do tempo "individual"/local para o objeto.



Bom, sobre a relatividade do tempo eu outro dia estava lendo o livro do
Marcelo Gleiser ( "A Dança do Universo" ) que explica a relatividade
do tempo e do espaço de maneira muito simples.

O livro fornece uma explicação "qualitativa" do fenômeno mas baseado
nisso eu rabisquei meia dúzia de cálculos em uma folha de papel e
encontrei a expressão matemática da relatividade do tempo. Imediatamente
fiz uma pesquisa na internet e para minha total surpresa a expressão
estava correta!

Aí me entusiasmei, claro, e me pus a tentar encontrar a expressão para
a relatividade do espaço. Encontrei também, mas essa eu ainda não verifiquei.

Vou pôr aqui o raciocínio e a álgebra, se alguma coisa estiver errada alguém
me corrija por favor. Mas tanto um quanto outro são bastante simples.

A relatividade do espaço e do tempo são consequências lógicas do fato experimentalmente
comprovado da velocidade da luz ser sempre igual para qualquer observador. Ou seja,
a velocidade da luz não se soma vetorialmente com a velocidade da sua fonte.

Sendo verdadeiro este postulado vejamos onde nos leva...

Imagine que o vagão de um trem está se movendo com velocidade constante v e há
neste vagão um observador A que em determinado instante vê um raio de luz partir
verticalmente do chão até o teto.

Se a altura do vagão é h então o tempo decorrido é Ta = h/c. ( c sendo a vel. da luz ).

Porém um outro observador B, imóvel em relação ao trem, veria o mesmo raio de luz
ascender ao teto em um trajetória diagonal. Até aqui nada diferente da física
clássica, no entanto como o comprimento dessa trajetória é maior que o comprimento
da trajetória vertical visualizada pelo observador dentro do vagão a única conclusão
possível é a de que, para o observador fora do vagão, o raio de luz levou mais tempo
para atingir o teto. Já que a velocidade da luz é a mesma para ambos os observadores.

( Note que na física newtoniana a vel. da luz, verificada por B, teria uma componente
 horizontal igual a velocidade v do trem e portanto seria maior em módulo para o
 observador B do que para o observador A ).

Não é que as coisas estejam "mais lentas" dentro do vagão porque o observador dentro
do trem vê tudo acontecendo em sua velocidade normal. O que está acontecendo dentro
do vagão só parece mais lento para o observador que está de fora. Ou seja, o tempo
para ele corre mais rápido.

Como relacionar o tempo no interior do vagão com o tempo do observador imóvel na
estação?

Se a trajetória do raio de luz observada externamente tem comprimento L então o
tempo que a luz levou para ir do chão até o teto é Tb = L/c. Mas sabemos que dentro
do vagão o tempo para este fenômeno foi Ta = h/c. L e h são respectivamente hipotenusa
e cateto de um triângulo retângulo. O outro cateto D é obviamente o deslocamento
do vagão durante este intervalo de tempo, logo L/c= D/v. Portanto D =  L (v/c).

Agora basta aplicar pitágoras a este triângulo retângulo.

L² = L² (v/c)² + h²

L/h = 1 / SQR[ 1 - (v/c)² ]

Dividindo tanto o denominador quanto o numerador do termo à esquerda por c temos:

(L/c)/(h/c) = 1 / SQR[ 1 - (v/c)² ]

Mas L/c é o tempo Tb medido fora do vagão. h/c é o tempo Ta medido DENTRO do vagão
para o mesmo fenômeno.

Então isso nos dá a expressão que relaciona o tempo do observador no vagão com o
tempo do observador imóvel na estação em função da velocidade v do trem.

Tb / Ta = 1 / SQR[ 1 - (v/c)² ]

Para calcularmos a relatividade do espaço o raciocínio é semelhante.

Imagine agora que o raio de luz partiu em uma trajetória horizontal
para atingir um anteparo posto a uma distância h. Novamente o tempo
medido pelo observador A seria Ta = h/c. O que corresponde para o
observador externo B ao tempo Tb = L/c.

Isso significa que, mais uma vez, para o observador B o raio de luz
não percorreu uma distância h, mas sim uma distãncia L.

Porém repare que neste intervalo de tempo o próprio vagão percorreu
uma distância L (v/c). Se isso é verdade então, para o observador B,
o raio de luz não atingiu o anteparo ao final do tempo Tb, uma vez
que o próprio anteparo se moveu junto com o trem!

Algo está tremendamente errado aí, já que dessa forma o fenômeno visto
dentro do vagão não está equivalente ao mesmo fenômeno verificado fora
do vagão. Ou seja, para o observador dentro do vagão ao final do intervalo
de tempo Ta o anteparo teria sido atingido pelo raio de luz mas para o
observador B ao final do intervalo de tempo Tb o anteparo não teria sido
atingido pelo raio de luz.

A única explicação possível para conciliar esta contradição seria o fato
do vagão ter "encolhido" do ponto de vista do observador B.

Seja k esta contração do vagão.

k = h + L (v/c) - L

(I)  h - k = L [ 1 - (v/c) ]

Mas h - k é a distância entre a fonte de luz e o anteparo medida
pelo observador externo.

Lembrando que pela expressão anterior (II) L = h / SQR [ 1 - (v/c)² ],

substituindo (II) em (I) vem (h - k)/h = [ 1- (v/c) ] / SQR [ 1 - (v/c)² ].

Simplificando (h-k)/h = SQR ( [1 - (v/c)] / [1 + (v/c)] ).

Esta é a relação entre o comprimento (h-k) medido pelo observador B e o
comprimento (h) medido pelo observador A em função da velocidade v do trem.

Bom, é dessa forma que eu compreendo a relatividade do espaço e do tempo em
função da velocidade do referencial. Mas é claro que com algumas figuras
isso tudo ficaria muito mais simples de se entender.



Offline Dbohr

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #271 Online: 06 de Fevereiro de 2009, 12:33:13 »
Qual o melhor livro para começar a estudar a Mecânica Quântica Relativista? Eu tenho o Landau, mas está em francês, que ainda não domino. E quanto ao Advanced QM, do Sakurai? Ou o Eugen, Merzbacher? Cohen-Tannoudji?

Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #272 Online: 06 de Fevereiro de 2009, 12:35:06 »
Eu gostei bastante do Modern QM do Sakurai, o Advanced QM deve ser no mesmo estilo. Cohen-Tannoudji é o cânone, pelo menos no IFUSP, mas nunca o usei.
Elton Carvalho

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Offline Dbohr

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #273 Online: 06 de Fevereiro de 2009, 12:58:50 »
Pois é, eu queria comprar os dois volumes do Sakurai e do C-T, mas é caro pra burro... se eu faço isso, deixo de pagar o aluguel de casa.

Estou estudando pra um concurso e me dei por muito satisfeito, aliás, por ter conseguido compreender as sutilezas da soma de spin :hihi: O tratamento dado ao spin no âmbito da MQ clássica me perturbava, porque era um troço externo à teoria que a gente desenvolve - ele simplesmente está lá. Li que no tratamento da MQ relativista o spin aparece mais naturalmente, como um quarto grau de liberdade das partículas e fiquei ainda mais curioso.

Aliás, passando ou não nesse concurso (Eletronuclear, diga-se), eu espero poder reler e re-estudar muita coisa em Física que acabou ficando pelo caminho por causa de pressão de prazos, provas, trabalho, etc. Acho que o mais legal de ter concluído o Bacharelado é poder estudar Física de verdade no nosso próprio ritmo!

Offline SnowRaptor

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Re: perguntas sem-vergonha sobre física...
« Resposta #274 Online: 06 de Fevereiro de 2009, 16:01:57 »
Ouvi uma muito boa: Se você tem dúvidas sobre o que é o spin, tente entender o que é carga e massa. Spin é a mesma coisa.

Mas realmente, o spin aparece naturalmente quandos e usa um formalismo relativísitco para MQ, mas não manjo muito disso também :(
Elton Carvalho

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