Autor Tópico: Anarquia  (Lida 2648 vezes)

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Offline -Huxley-

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Anarquia
« Online: 08 de Dezembro de 2007, 00:55:42 »
O que vocês acham?

Pensando utopicamente...Que tal a partir de um país grande e populoso ou de um mega-Estado planetário (que talvez possa existir no futuro) formar uma anarquia onde todos tivessem liberdade até para construir mini-estados e obedecer aos princípios da doutrina política que mais gosta? Talvez fosse o sistema mais democrático do mundo, já que seria o único lugar onde os libertários capitalistas, anarco-primitivistas, marxistas libertários e anarco-capitalistas teriam espaço para realizar seus desejos da forma que mais desejam.


« Última modificação: 08 de Dezembro de 2007, 00:57:48 por -Huxley- »

Offline Rodion

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Re: Anarquia
« Resposta #1 Online: 08 de Dezembro de 2007, 01:40:18 »
como ficaria a propriedade?
"Notai, vós homens de ação orgulhosos, não sois senão os instrumentos inconscientes dos homens de pensamento, que na quietude humilde traçaram freqüentemente vossos planos de ação mais definidos." heinrich heine

Offline Worf

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Re: Anarquia
« Resposta #2 Online: 08 de Dezembro de 2007, 02:48:47 »
O problema é que uns se juntariam para corrigir forçadamente os outros, principalmente os coletivistas.
Mas se todo mundo andasse armado (leia-se fuzis e granadas), não seria tão problemático assim, talvez.

Offline -Huxley-

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Re: Anarquia
« Resposta #3 Online: 08 de Dezembro de 2007, 13:15:42 »
como ficaria a propriedade?

No anarco-capitalismo, ouvi dizer que as demandas de justiça e segurança seriam realizadas pelo mercado, já que na visão dos anarco-capitalistas estes dois são bens de mercado como os outros. Cada um teria o direito de contratar serviços de "empresas de justiça" (mini-estados), onde cada um poderia obedecer voluntariamente aos princípios delas, já que assinaria contrato com estas. Eventualmente, essas empresas de justiça poderiam formar Estados-redes, onde se poderia uniformizar os princípios de justiça, de modo a manter a coesão entre sistemas de justiça parecidos. Algo muito semelhante ao que ocorre com a relação entre os Estados europeus e a União Européia (que também é um Estado-rede).

Bem, isso é uma descrição simplificada do que eu ouvi falar em algumas discussões. Quem já leu Murray Rothbard ou Hans-Herman Hoppe poderia explicar melhor como funciona isso. Essa também foi uma das razões de eu ter aberto o tópico. Alguém que já leu sobre anarco-capitalismo poderia me ajudar?
« Última modificação: 08 de Dezembro de 2007, 13:21:58 por -Huxley- »

Offline Worf

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Re: Anarquia
« Resposta #4 Online: 08 de Dezembro de 2007, 13:35:54 »
É o que você disse, basicamente.
Já na questão da justiça, há algumas divergências. Rothbard queria manter os direitos naturais, já o David Friedman acredita que as leis também devam concorrer entre si no mercado, como outra coisa qualquer.

Rhyan

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Re: Anarquia
« Resposta #5 Online: 08 de Dezembro de 2007, 14:14:57 »
Pois é, tem a anarquia de esquerda e a de direita.

Offline Adriano

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Re: Anarquia
« Resposta #6 Online: 08 de Dezembro de 2007, 14:18:39 »
A anarquia de esquerda é o anarco-comunismo, alías o comunismo sempre foi anarquista, tendo no socialismo uma fase de transição para uma sociadade sem governo.

Tem muita semelhança entre o anarco-capitalismo e o anarco-comunismo, nessa vontade de supressão do estado.
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Raphael

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Re: Anarquia
« Resposta #7 Online: 08 de Dezembro de 2007, 14:56:54 »
::)

Neo anarquismo..de fato.
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Rhyan

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Re: Anarquia
« Resposta #8 Online: 08 de Dezembro de 2007, 16:26:32 »
Neo anarquismo, eu nunca ouvi falar.

Offline Raphael

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Re: Anarquia
« Resposta #9 Online: 08 de Dezembro de 2007, 20:34:16 »
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Rhyan

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Re: Anarquia
« Resposta #10 Online: 08 de Dezembro de 2007, 21:14:35 »
Página não encontrada.

Offline Raphael

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Re: Anarquia
« Resposta #11 Online: 08 de Dezembro de 2007, 21:43:53 »
Citar
Introdução ao Neoanarquismo
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Apresentaremos aqui uma breve introdução ao neoanarquismo, pois julgamos necessário esclarecer os seus princípios e os demais elementos que são derivados deles. Desta forma, apresentaremos os princípios básicos do neoanarquismo, que, são, de resto, os mesmos do anarquismo; posteriormente iremos colocar a necessidade de romper com o corpo do anarquismo tradicionalista, que é um obstáculo para o desenvolvimento da teoria e prática libertária. Por fim, colocaremos as tarefas atuais que se colocam para o movimento libertário, ou seja, para o neoanarquismo.
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PRINCÍPIOS BÁSICOS DO NEOANARQUISMO
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Os princípios básicos do neoanarquismo são os mesmos do anarquismo. O objetivo fundamental do neoanarquismo é abolir o sistema autoritário no qual vivemos e instaurar uma nova forma de sociedade, fundamentada na autogestão. A sociedade capitalista se fundamenta numa divisão social que se sustenta graças ao processo de dominação, opressão, exploração, de milhões de pessoas. O capitalismo se fundamenta na extração de mais-valia, constituindo aí as duas classes sociais mais características deste sistema. Outras classes são produzidas por este sistema, criando interesses próprios e que coincidem ou com os interesses da classe capitalista, a classe dominante que extrai mais-valia da classe dominada, ou com os interesses do proletariado, produtor de mais-valia e classe explorada. Outras sociedades anteriores também se fundamentaram na exploração de classes mas também houveram sociedades sem exploração. Para nós, o que interessa é compreender o processo de constituição e derrocada do capitalismo. Este sistema produziu, para reproduzir seu processo de produção, um conjunto de instituições, categorias sociais, ideologias, valores, etc., e todos, obviamente, mais intensamente ou não, reproduzindo o caráter repressivo do processo de produção. O sistema capitalista gerou o estado burguês, principal suporte de sua reprodução. Através dos aparatos repressivo (exército, sistema policial), ideológico (escola, meios de comunicação), financeiro (impostos, multas, taxas, convênios), jurídico (legislação, sistema judicial e carcerário), entre outros, o capitalismo garante sua permanência e ao mesmo tempo reproduz até a vida cotidiana o processo de exploração e opressão. A miséria faz parte do processo de reprodução capitalista, bem como o preconceito, a discriminação, o racismo, o sexismo, etc.
Isto tudo gera a insatisfação de qualquer indivíduo saudável. Porém, com muita sutileza se cria um processo de bloqueamento da resistência individual. O indivíduo é constantemente bombardeada pela ideologia e valores dominantes, através da escola, dos meios de comunicação de massas e da família.
A família assume um papel fundamental no processo de reprodução da opressão, pois é ela que irá inculcar os valores dominantes nas crianças. Os pais, espontaneamente e sem ter consciência disto, reproduzem nas suas relações familiares a hierarquia e prática da sociedade capitalista e também os seus valores, crenças, etc. A criança não resiste e acaba aceitando e introjetando os valores da sociedade burguesa repressiva, bem como reproduzindo o comportamento que esta espera dela. O sistema capitalista cria até mesmo um aparato ideológico específico para reforçar na família e na escola este processo de inculcamento, via pedagogia, psicologia, etc. O behaviorismo e sua tese do estímulo-resposta é um bom exemplo disso. A repressão sexual, a moral burguesa, os valores capitalistas, são assim introjetados pelas crianças desde tenra idade.
Tendo em vista isto tudo, o objetivo do neoanarquismo é combater o processo de produção e reprodução desta degradação humana. Esfomeados, mendigos, desempregados, meninos de rua, sem terra, sem teto, sem tudo, ou seja, milhões de pessoas massacradas pela sociedade que lhes nega, em nome de sua ideologia (progresso, riqueza, lucro, desenvolvimento tecnológico, status, fama, etc.) o mínimo que se esperaria de uma sociedade de produção de massa: os meios de sobrevivência. A miséria e a pobreza de milhões de seres humanos vem acompanhada pela decadência ética, cultural e psíquica de outros milhões, muitos iludidos pensando que estão bem, mas, no fundo, reconhecem sua profunda infelicidade. Intelectuais covardes e incompetentes, artistas medrosos e carreiristas, militantes políticos oportunistas e subservientes, num mundo onde o cifrão domina tudo. O alcoolismo, as drogas, a violência das classes abastadas, são apenas alguns dos milhares de síntomas da miséria psíquica contemporânea produzida por uma sociedade que visa a segurança de um emprego, um alto índice de consumo, a aparência social.
Diante deste quadro, o objetivo do neoanarquismo não poderia ser outro senão o de destruir tal sociedade e edificar em seu lugar uma sociedade verdadeiramente humana, a autogestão. Para se conseguir concretizar  tal feito, é preciso combater todo autoritarismo e burocratismo. É preciso incentivar a auto-organização dos oprimidos e a nossa própria auto-organização revolucionária e buscar fundir as duas. Assim, buscar destruir os ídolos, as autoridades, as tradições e inventar o novo, abrir nossa mente para o radicalmente diferente, para que nós mesmos sejamos agentes da transformação social. Assim, o objetivo do neoanarquismo é abolir o capitalismo e seu estado e constituir uma sociedade fundamentada na autogestão social. Estes são os princípios básicos do neoanarquismo.
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CRÍTICA NEOANARQUISTA AO ANARQUISMO TRADICIONALISTA
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O neoanarquismo realiza uma crítica radical ao anarquismo tradicionalista: este perdeu o seu espírito libertário, ficando preso às tradições de pensamento que não se desenvolveram e não aprofundaram a análise do mundo e sua forma de ação. O anarquismo tradicionalista sucumbiu à idolatria e assim se tornou estéril. É PRECISO SUPERAR O ANARQUISMO TRADICIONALISTA PARA SE PODER CAMINHAR NO SENTIDO DE REDESCOBRIR A TEORIA E PRÁTICA LIBERTÁRIA.
O que são ídolos? Para o filósofo Bacon, "Os ídolos e noções falsas que ora ocupam o intelecto humano e nele se acham implantados não somente o obstruem a ponto de ser difícil o acesso da verdade, como, mesmo depois de seu pórtico logrado e descerrado, poderão ressurgir como obstáculo à própria instauração das ciências, a não ser que os homens, já precavidos contra eles, se cuidem o mais que possam". Os ídolos são imagens petrificadas e fixas cuja origem não se encontra nelas mesmas e sim na mentalidade religiosa e/ou tradicional que lhe segue. A tarefa do pensamento libertário é se livrar dos ídolos e da idolatria, mesmo quando esta se aquartela utilizando seu próprio nome. O neoanarquismo assume para si esta tarefa difícil e ao mesmo tempo dolorosa (quer algo mais difícil do chegar para um irmão é lhe dizer: "você está errado, equivocado, está fazendo o contrário do que se propõe... e em certos momentos acaba sendo rígido: você está traindo os seus ideais, está se escondendo por detrás desta cara de vítima!") e vai utilizar toda sua força para superar o anarquismo tradicional, o que significa superar sua predominância ideológica e cultural e não os indivíduos que ocasionalmente cedem aos seus encantos.
O anarquismo tradicionalista é fixista, conservador, fechado. Do seu interior surgiram tentativas de superar seu tradicionalismo, mas a maioria foram modestas e de pequeno alcance e isto se observa na sua linguagem, quase inalterada. O neoanarquismo pretende realizar uma ruptura radical com o tradicionalismo e isto se pode observar no sufixo neo, que é o demarcador lingüístico inaugural desta ruptura.
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AS TAREFAS ATUAIS DO NEOANARQUISMO
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O neoanarquismo precisa realizar algumas tarefas fundamentais visando se constituir como corrente política alternativa. A primeira tarefa e mais importante no atual contexto consiste em elaborar as bases teóricas do neoanarquismo. Isto pressupõe uma teoria do capitalismo, uma teoria da autogestão, uma teoria da revolução (passagem do capitalismo para a autogestão) e uma teoria da ação neoanarquista neste contexto (o que implica tratar da questão da organização, entre outras). Portanto, o primeiro passo é constituir um espaço coletivo de produção teórica. Parte desta empreitada está facilitada, pois seria apenas uma síntese e atualização de teorias já existentes. A teoria marxista do capitalismo fornece os elementos fundamentais para a uma teoria neoanarquista da sociedade repressiva contemporânea. Seria necessário acrescentar, baseando em outras fontes e na psicanálise e anarquismo tradicional, uma análise sobre o processo de constituição da autoridade, da burocracia, da corrupção realizada pelo capitalismo e do seu processo de constituição de hierarquias, valores, divisões, conflitos, opressão, etc. A teoria da revolução conta com a contribuição do anarquismo tradicional, das experiências históricas, do marxismo dissidente, das ciências humanas atuais, e de inovações que devemos assumir o papel de efetivar, tendo em vista as deficiências desta base acima citada. A teoria da autogestão seria uma síntese das experiências históricas e reflexões existentes acrescentadas de novas questões e respostas colocadas pela mudança histórica. A teoria da ação neoanarquista tem como base uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro da ação anarquista tradicional, bem como de outras concepções políticas autonomistas e a partir de uma reflexão profunda, buscar ver seus obstáculos e quais são os mecanismos preventivos para evitá-los.
A segunda tarefa é buscar criar uma organização revolucionária nacional e internacional. Como constituir uma organização revolucionária? O que é uma organização revolucionária? Como evitar sua corrupção e integração na sociedade capitalista? Hoje não é possível tratar destas questões sem uma análise e uma teoria que forneça a chave de sua compreensão. Por isso colocamos anteriormente que a primeira tarefa é teórica. Mas isto não nos impede de iniciar experiências e ações no sentido de já esboçar esta organização nacional e internacional. Este início, ainda não fundamentado teoricamente, pode levar em consideração a contribuição do anarquismo tradicionalista mas seguido com um espírito libertário.
A terceira tarefa, uma vez tendo um instrumental teórico de análise da realidade e uma organização revolucionária-libertária, é a ação efetiva e seus meios de realização. Trata-se de buscar ver o que fazer na situação atual tanto nas questões imediatas quanto nas questões mais remotas, tanto no que diz respeito ao cotidiano quanto ao relacionado à política institucional.
Enfim, estas são as tarefas do neoanarquismo no sentido de contribuir com a emancipação humana e a libertação dos explorados, oprimidos, sofredores.

Mas há outros conceitos. A princípio é isso aí.
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Offline Adriano

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Re: Anarquia
« Resposta #12 Online: 08 de Dezembro de 2007, 21:47:14 »
Neo anarquismo, eu nunca ouvi falar.

http://jorgeneo.vilabol.uol.com.br/neoanarquismo.html
Está mais relacionado ao anarco-comunismo, devido a influência marxista. É bem crítica ao anarco-capitalismo, que considera como sendo o anarquismo tradicional. Isso na minha leitura.  :hihi:
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Offline Raphael

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Re: Anarquia
« Resposta #13 Online: 08 de Dezembro de 2007, 23:07:38 »
Neo anarquismo, eu nunca ouvi falar.

http://jorgeneo.vilabol.uol.com.br/neoanarquismo.html
Está mais relacionado ao anarco-comunismo, devido a influência marxista. É bem crítica ao anarco-capitalismo, que considera como sendo o anarquismo tradicional. Isso na minha leitura.  :hihi:

O que não exclui a possibilidade de sua leitura estar errada. :D
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Offline Adriano

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Re: Anarquia
« Resposta #14 Online: 09 de Dezembro de 2007, 00:18:36 »
Neo anarquismo, eu nunca ouvi falar.

http://jorgeneo.vilabol.uol.com.br/neoanarquismo.html
Está mais relacionado ao anarco-comunismo, devido a influência marxista. É bem crítica ao anarco-capitalismo, que considera como sendo o anarquismo tradicional. Isso na minha leitura.  :hihi:

O que não exclui a possibilidade de sua leitura estar errada. :D
Sim, mas considerando a feroz crítica anti-capitalismo do texto e da influência declarada da teoria marxista e dos anarco-capitalistas adotarem uma visão anárquica baseada na teoria dos classicos liberais não me parece muito exagero. Os anarquistas tradicionais mesmos estavam de acordo com a sua época, assim como o marxismo.

Não é válido questionar as teorias antigas sem avaliar o seu desenvolvimento subsequente, que assim como você considera no neo anarquismo eu considero no neomarxismo. Vi muitas semelhanças nas críticas a sociedade, porém o neomarxismo é muito mais refinado que o marxismo usado no texto que indicou.
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Offline Andersøn

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Re: Anarquia
« Resposta #15 Online: 09 de Dezembro de 2007, 14:49:44 »
Se me permitem, tenho uma sugestão:

Por que não procuram compreender a sociedade em que vivem, pesquisando, questionando as fontes de 'autoridades' e dialogando com as pessoas (algo semelhante como ao fazer ciência, sabem? Uma combinação de curiosidade, investigação e ceticismo.), antes de ficar especulando sobre como solucionar ou mudar a sociedade.

Pois na melhor das hipóteses ficar pensando em como "construir mini-estados e obedecer aos princípios da doutrina política que mais gosta" (ou especulações semelhantes) pode gerar alguma literatura - um romance ou filme - ou na pior das hipoteses uma teologia, como o marxismo...

Isto parece com os pensadores antigos, que ao inves de tentarem investigar o mundo, saiam fazendo afirmações de que o mundo é formado por "ar, agua e fogo".

Não se limitem a divagações sobre 'termos' e 'nomes' que aparentemente refletem a sociedade, muito melhor é compreende-los (me refiro a todos, não apenas os do topico).
« Última modificação: 09 de Dezembro de 2007, 15:58:53 por Andersøn »
Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.
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Offline Südenbauer

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Re: Anarquia
« Resposta #16 Online: 09 de Dezembro de 2007, 17:06:16 »
Bem-vindo, Andersøn. Se quiseres existe um tópico de apresentações:
http://clubecetico.org/forum/index.php/topic,7873.3350.html

Offline Rodion

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Re: Anarquia
« Resposta #17 Online: 09 de Dezembro de 2007, 18:25:12 »
como ficaria a propriedade?

No anarco-capitalismo, ouvi dizer que as demandas de justiça e segurança seriam realizadas pelo mercado, já que na visão dos anarco-capitalistas estes dois são bens de mercado como os outros. Cada um teria o direito de contratar serviços de "empresas de justiça" (mini-estados), onde cada um poderia obedecer voluntariamente aos princípios delas, já que assinaria contrato com estas. Eventualmente, essas empresas de justiça poderiam formar Estados-redes, onde se poderia uniformizar os princípios de justiça, de modo a manter a coesão entre sistemas de justiça parecidos. Algo muito semelhante ao que ocorre com a relação entre os Estados europeus e a União Européia (que também é um Estado-rede).

Bem, isso é uma descrição simplificada do que eu ouvi falar em algumas discussões. Quem já leu Murray Rothbard ou Hans-Herman Hoppe poderia explicar melhor como funciona isso. Essa também foi uma das razões de eu ter aberto o tópico. Alguém que já leu sobre anarco-capitalismo poderia me ajudar?

lembro-me de que foi david friedman quem propôs isso, não sei se falaram antes dele. mas teoricamente as guerrinhas entre as empresas de justiça não seriam freqüentes pois na maior parte das lides seria mais barato resolver de outra maneira que não a guerra. aí acho que é valorizar demais o cálculo econômico.
um dos problemas da anarquia é justamente a questão da propriedade. se não é só ela quem garante a liberdade, também não há liberdade sem ela. a via proposta pelo friedman junior não apetece, e por qualquer outra via a propriedade é um mal a ser destruído.
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Offline Nightstalker

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Re: Anarquia
« Resposta #18 Online: 09 de Dezembro de 2007, 21:22:42 »
A anarquia de esquerda é o anarco-comunismo, alías o comunismo sempre foi anarquista, tendo no socialismo uma fase de transição para uma sociadade sem governo.

Tem muita semelhança entre o anarco-capitalismo e o anarco-comunismo, nessa vontade de supressão do estado.

Não só o anarco-comunismo como também o anarco-sindicalismo e o anarquismo coletivista (o de Bakunin).
Conselheiro do Fórum Realidade.

"Sunrise in Sodoma, people wake with the fear in their eyes.
There's no time to run because the Lord is casting fire in the sky.
When you make sin, hope you realize all the sinners gotta die.
Sunrise in Sodoma, all the people see the Truth and Final Light."

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Anarquia
« Resposta #19 Online: 02 de Junho de 2015, 00:20:11 »
Citar
http://en.wikipedia.org/wiki/Expropriative_anarchism

Expropriative anarchism (Spanish: anarquismo expropiador) is the name given to a practice carried out by certain anarchist affinity groups in Argentina and Spain which involved theft, robbery, scams and counterfeiting currency.[1][2][3] The robberies done were called "expropriations on the bourgeoisie". It had its major peak between 1920 and 1935 and some of its most famous practitioners were Buenaventura Durruti, Francisco Ascaso, Severino Di Giovanni, Miguel Arcángel Roscigna, and Lucio Urtubia. It was different from French illegalism because it was not thought of as a way of life but as a way of reaching political ends such as financing revolutionary activities, anarchist propaganda and the release of anarchist prisoners.[4]


(Não acho recomendável -- postei só por curiosidade e relação com o tópico)

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Anarquia
« Resposta #20 Online: 11 de Agosto de 2017, 17:59:06 »
Citar


This book is about the possibility of organising society without the state, but, crucially, it makes the claim, contrary to much anarchist theory, that such a life would not entail absolute freedom; rather, as the title suggests, it would mean creating new forms of social organisation which, whilst offering more freedom than state-capitalism, would nonetheless still entail certain limits to freedom. In making this argument, a secondary point is made, which highlights the book’s originality; namely, that, whilst anarchism is defended by an increasing number of radicals, the reality of what an anarchist society might look like, and the problems that such a society might encounter, are rarely discussed or acknowledged, either in academic or activist writings.

https://books.google.com.br/books/about/Rules_Without_Rulers.html?id=9xHtBAAAQBAJ

Não li.

Offline Lorentz

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Re:Anarquia
« Resposta #21 Online: 11 de Agosto de 2017, 18:03:53 »
Independente do livro, acho que se simplesmente tornássemos os impostos contribuições voluntárias, e as instituições que usam os impostos tivessem a liberdade de competir entre elas, poderíamos ter uma sociedade relativamente parecida, mas sem o Estado, pois o que mais define o Estado é a imposição de pagar o imposto. As instituições já são quase uma associação ou empresa.
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Anarquia
« Resposta #22 Online: 11 de Agosto de 2017, 19:55:14 »
Não acho que seja o que mais define o estado. Talvez no discurso anarco-mercadista ou mesmo anarco-comunista.

A definição mais técnica seria algo nas linhas de "entidade detentora do legítimo uso da força".

Contribuições voluntárias em vez de impostos?

Mais um tópico relacionado a libertaranismo e voluntarianismo


Enquanto que a dissolução completa do estado é algo mais incerto de se imaginar, uns especulam que seria um paraíso, outros o apocalipse, essa hipótese talvez seja uma coisa um pouco mais próxima da realidade, ainda que eu não saiba de qualquer caso assim, com exceção de descontos em impostos oferecidos em algumas situações.

Essa hipótese pressupõe a existência de uma organização que garanta o voluntarismo no pagamento de impostos.

São 3 as oções que teríamos:

1- Ausência do estado (onde nada seria garantido, seja bom ou ruim);
2- Presença do estado com impostos compulsórios;
3- Presença do estado sem impostos compulsórios (o estado garantiria a voluntariedade dos impostos)




As pessoas que acreditam que TODOS os serviços e demandas das pessoas podem ser atendidos satisfatoriamente pela iniciativa privada desconhecem algo que os economistas estão carecas de saber: o problema do carona.

Nota: estou tratando aqui apenas da questão iniciativa privada X iniciativa estatal. Nada de anarquismo entra aqui.

Imaginem que uma pequena cidade queira fazer uma festa de revéillon com muitos fogos de artifício. O prefeito da cidade (como um bom ultra-liberal libertário), resolve deixar essa demanda por conta da iniciativa privada.

Vários empresários se interessam em oferecer o serviço de queima de fogos, mas ao pensarem na forma de serem pagos, deparam-se com uma característica desse tipo de serviço que o torna inviável economicamente para os mesmos, ou seja, não há como eles terem qualquer lucro oferecendo esse tipo de serviço. Por quê?

Porque não haveria nenhuma forma de excluir as pessoas que não pagarem pelo serviço de apreciarem a queima de fogos (os caronas), ou seja, deixar de pagar aos organizadores pelo serviço de queima de fogos não implicará que você ficará de fora da apreciação deste espetáculo. E todas as pessoas sabem disso.

Logo, vendo tal inviabilidade, nenhuma empresa privada irá oferecer esse serviço, e as pessoas dessa cidade ficarão sem queima de fogos no revéillon, embora desejem muito isso (ou seja, embora exista uma demanda por isso).

Qual a solução?

Bom, as pessoas poderiam organizar voluntariamente um mutirão ou "vaquinha" para financiar a queima de fogos. Porém, isso não elimina o problema do carona: o fato de você não contribuir com a "vaquinha" não implica que você deixará de apreciar o espetáculo. A maioria das pessoas, sabedoras disso, não contribuirá na esperança de pegarem carona na contribuição dos outros.

Ou seja, não há solução.

Então, as pessoas ficarão sem queima de fogos no revéillon?

Não, pois o prefeito (caso não seja o nosso ultra-liberal libertário do início) irá usar impostos recolhidos compulsoriamente para financiar a queima de fogos, ou seja a demanda das pessoas por queima de fogos no revéillon só conseguirá ser atendida por iniciativa estatal.

Assim como esse exemplo, há inúmeros outros serviços ou demandas da sociedade que se mostram inviáveis economicamente para a iniciativa privada, seja pelo problema dos caronas, seja por outros assemelhados. São demandas que ficariam sem ser atendidas caso o estado não as ofertassem.



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https://en.wikipedia.org/wiki/Free-rider_problem

In economics, the free-rider problem occurs when those who benefit from resources, goods, or services do not pay for them, which results in an underprovision of those goods or services.[1] For example, a free-rider may frequently ask for available parking lots (public goods) from the ones who have already paid for them, in order to benefit from free parking. At the end of the day, one may see that the free-rider have used the parking even more than the others without paying a single penny. The free-rider problem is the question of how to limit free riding and its negative effects in these situations. The free-rider problem may occur when property rights are not clearly defined and imposed.[2]
The free-rider problem is common with goods which are non-excludable, including public goods and situations of the Tragedy of the Commons.
Although the term "free rider" was first used in economic theory of public goods, similar concepts have been applied to other contexts, including collective bargaining, antitrust law, psychology and political science.[3] For example, some individuals in a team or community may reduce their contributions or performance if they believe that one or more other members of the group may free ride.[4]


(Só um artigo com o morfema "anarc" tem wiki-links para esse artigo, "Anarchy, State, and Utopia", livro de Nozick)

Relacionado a isso do último ponto, quanto mais ricas as pessoas se sentem (não necessariamente sendo), mais contrárias elas são a políticas redistributivas, o que imagino que possa se generalizar a contribuições ao estado de modo geral.


Outra rota possível de evolução de uma anarquia/minarquia, além de privatizações, seria com a iniciativa privada cada vez mais oferecendo serviços e produtos mais fundamentais, considerados funções do estado (como segurança), sem no entanto se preocupar com o problema do efeito carona, por algum motivo.

Meio como o google criar uma google-lândia onde tem policiamento e outras coisas estatais grátis porque as pessoas eventualmente "pagam" vendo os google ads e consumindo coisas pelas quais pagam mesmo, financiando empresas que por sua vez financiam o google.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Anarquia
« Resposta #23 Online: 11 de Agosto de 2018, 01:45:16 »
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Não é algo que se diga, "minha nossa, mas como isso é uma anarquia", mas acho que se encaixa no lado meio anti-estatista da discussão.

Citar
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37643745

Cheran: a cidade mexicana onde as mulheres expulsaram policiais, políticos e traficantes

[...] A polícia e os políticos locais foram rapidamente expulsos da cidade porque a população desconfiava de que eles estariam conspirando com a rede criminosa. Os partidos políticos foram - e ainda são - banidos sob a acusação de dividir a população. E cada um dos quatro bairros de Cherán elegeram representantes para compor um comitê municipal.

Em vários sentidos, Cherán - uma cidade de população indígena da tribo Purepecha - retomaram suas raízes e a maneira antiga de fazer as coisas sem depender de forasteiros. Ao mesmo tempo, pontos armados de patrulha foram instalados nas principais estradas que levam à cidade.

Hoje, cinco anos mais tarde, os pontos de patrulha ainda existem e são defendidos por membros da Ronda Comunitária, uma milícia ou força policial local composta por homens e mulheres de Cherán. Todos os veículos que passam pela localidade são parados e seus ocupantes questionados sobre sua origem e destino.

[...]

Em julho, houve mais de 180 homicídios no Estado, a maior taxa em uma década. E em comunidades próximas a Cherán, a menos de 10 quilômetros de distância, são comuns histórias de assassinatos, extorsões e sequestros.

"Em Cherán eu me sinto segura porque posso andar nas ruas à noite e não tenho medo de que algo vá acontecer comigo", diz Melissa, de 18 anos, estudante de biomedicina em uma universidade próxima à cidade. [...]

Os terrenos em Cherán são comunitários - as famílias os administram mas não têm a propriedade. Sem criminosos, as regras são impostas com rigor - qualquer um que quiser derrubar uma árvore precisa de permissão das autoridades.

[...]

Cherán não é completamente independente - ainda recebe recursos estaduais e federais. Mas sua autonomia como uma comunidade de índios Purepecha é reconhecida e garantida pelo governo mexicano. O banimento dos partidos politicos foi aceito pela Justiça, que confirmou seu direito de não participar de eleições locais, estatais ou federais. [...]


Anarco-feminismo butch indigenista? :hein:

 

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