Autor Tópico: Afeganistão  (Lida 10119 vezes)

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Offline Nohai

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Re: Afeganistão
« Resposta #75 Online: 22 de Novembro de 2010, 18:01:11 »
Olha, sinceramente, lendo este tipo de boçalidade dá vontade, as vezes, de pedir para quem não esta satisfeito e é contrário ao fanatismo Talibã sair do país... depois de todos saírem, jogar uma 4 ou 5 nukes e transformar toda aquela região em cerâmica.    :no:

Valido, acho que deveriamos levar a ONU.
Era uma vez um pintinho chamado Relam, toda vez que chovia Relam piava.

Offline _Juca_

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Re: Afeganistão
« Resposta #76 Online: 22 de Novembro de 2010, 19:34:30 »
Olha, sinceramente, lendo este tipo de boçalidade dá vontade, as vezes, de pedir para quem não esta satisfeito e é contrário ao fanatismo Talibã sair do país... depois de todos saírem, jogar uma 4 ou 5 nukes e transformar toda aquela região em cerâmica.    :no:

Não entendi, 5 bombas resolveriam o problema ou é ironia?

Offline Geotecton

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Re: Afeganistão
« Resposta #77 Online: 22 de Novembro de 2010, 19:39:58 »
Olha, sinceramente, lendo este tipo de boçalidade dá vontade, as vezes, de pedir para quem não esta satisfeito e é contrário ao fanatismo Talibã sair do país... depois de todos saírem, jogar uma 4 ou 5 nukes e transformar toda aquela região em cerâmica.    :no:

Não entendi, 5 bombas resolveriam o problema ou é ironia?

Dada a configuração fisiográfica do Afeganistão, o melhor seria usar a carga de um míssil russo SS-18, por garantia. :biglol:
Foto USGS

Offline N3RD

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Re: Afeganistão
« Resposta #78 Online: 23 de Novembro de 2010, 10:13:44 »
"É a cultura deles gente, temos que respeitar!"

Este tipo de resposta é nojenta, e se perguntar a pessoa se gostaria de viver lá, sujeita a esta cultura, a resposta é negativa!  :olheira:
Não deseje.

Offline _Juca_

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Re: Afeganistão
« Resposta #79 Online: 23 de Novembro de 2010, 14:07:10 »
"É a cultura deles gente, temos que respeitar!"

Este tipo de resposta é nojenta, e se perguntar a pessoa se gostaria de viver lá, sujeita a esta cultura, a resposta é negativa!  :olheira:

Mas também não se pode impor um jeito de pensar totalmente novo, apenas como base, achar que nossa cultura é melhor que outras. Acho que é preciso respeitar o limites culturais para não abrir grandes feridas que podem demorar para cicatrizar. E acho que vale tanto para o Ocidente quanto para o Oriente.


Offline Spitfire

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Re: Afeganistão
« Resposta #80 Online: 23 de Novembro de 2010, 14:12:29 »
Na hora de esfregar os Direitos Universais do Homem na cara do ocidente, fazem-no sem a menor cerimonia e sem a menor vergonha... na hora de olhar para o próprio umbigo, começam os mimimi e os "veja bem...".

Nada novo sobre o sol, apenas mais do mesmo.

Offline Enio

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Re: Afeganistão
« Resposta #81 Online: 23 de Novembro de 2010, 14:29:34 »
Não implico com a crença num deus, mas implico quando se é condenado por não viver conforme um dogma. E ao invés de viver conforme um dogma, prefiro viver conforme uma reflexão estabelecida por mim mesmo.

Offline _Juca_

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Re: Afeganistão
« Resposta #82 Online: 23 de Novembro de 2010, 14:38:19 »
Na hora de esfregar os Direitos Universais do Homem na cara do ocidente, fazem-no sem a menor cerimonia e sem a menor vergonha... na hora de olhar para o próprio umbigo, começam os mimimi e os "veja bem...".

Nada novo sobre o sol, apenas mais do mesmo.

Fato.

Edit. o que não implica que o ocidente deva ser menos cobrado na questão dos Direitos Humanos do que o Oriente, ou que um país desenvolvido que um subsenvolvido.

Offline _Juca_

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Re: Afeganistão
« Resposta #83 Online: 23 de Novembro de 2010, 14:40:42 »
Não implico com a crença num deus, mas implico quando se é condenado por não viver conforme um dogma. E ao invés de viver conforme um dogma, prefiro viver conforme uma reflexão estabelecida por mim mesmo.

Que pode ser um dogma.

Offline Unknown

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Re:Afeganistão
« Resposta #84 Online: 07 de Outubro de 2011, 14:32:27 »
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Entenda por que o Afeganistão é estratégico

Localizado entre o sul, o oeste e o centro da Ásia, país é alvo de invasões e palco de disputas de Índia, Paquistão e Irã; veja infográfico

Ao longo da história, a posição geográfica estratégica do Afeganistão tornou o país asiático alvo de invasões e guerras. Para entender o que é essa “posição estratégica”, basta observar um mapa da Ásia e ver que as nações que fazem fronteira com o Afeganistão são peças essenciais no quebra-cabeça geopolítico há anos.

A divisa mais extensa é com o Paquistão, que enfrenta desde sua independência (1948) um conflito com a vizinha Índia, possui armas nucleares e tem com os EUA uma conturbada aliança. Do lado ocidental está o Irã, nação teocrática, de regime fechado, inimiga declarada dos americanos.

A China, que compartilha com o Afeganistão 76 km de fronteira, emergiu como uma superpotência econômica nos últimos anos e, portanto, tem interesse em influir em uma região eventualmente estabilizada no intuito de ganhar o mercado consumidor afegão.

Veja mapa com a localização geográfica e divisões étnicas do Afeganistão:


"O Afeganistão está localizado entre o sul, o oeste e o centro da Ásia, ou seja, entre importantes regiões econômicas e culturais. No período moderno, a rivalidade entre czaristas russos e os britânicos durante o colonialismo (século 19) afetou diretamente o Afeganistão. Depois, o legado dos poderes coloniais e a briga superpoderosa entre os EUA e a União Soviética (Guerra Fria, 1947-1991) também atingiram o país em cheio. Além disso, existe o latente confronto entre o Paquistão e a Índia", afirmou ao iG o especialista em islamismo e conflitos asiáticos Pervaiz Nazir, professor da Universidade de Cambridge, Reino Unido.

Índia x Paquistão

O conflito entre a República Islâmica do Paquistão e a República da Índia teve início após a partilha da Índia britânica, em 1947 (que deu origem aos dois países e a Bangladesh), e está centrado no controle da Caxemira, região montanhosa de maioria muçulmana que faz divisa com os dois países.

Entre 1947 e 1948, a Índia e o Paquistão travaram sua primeira guerra pela região. Sob supervisão da ONU, os dois concordaram com um cessar-fogo ao longo de uma fronteira que deixou um terço da área sob administração paquistanesa e os dois terços restantes sob controle indiano.

Em 1972, um acordo renomenou a fronteira do cessar-fogo de Linha de Controle. Apesar de a Índia, de maioria hindu, alegar que todo o Estado faz parte do país, tem indicado que aceitaria a demarcação como uma fronteira internacional com algumas possíveis modificações. Mas o Paquistão rejeita a medida com o argumento de que o chamado Vale da Caxemira, com população 95% muçulmana, ficaria com a Índia. Além disso, o movimento insurgente da Caxemira, apoiado por Islamabad, luta desde 1989 pela independência da área sob administração indiana.

O Afeganistão, geograficamente muito próximo à disputa das duas potências nucleares, contou em seus conflitos internos com interferência dos dois países, sempre assumindo lados opostos. Enquanto Nova Délhi apoiava os soviéticos durante a invasão (1979-1989), o Paquistão financiava os mujahedin (combatentes islâmicos) para expulsá-los.

Mais tarde, o Paquistão ajudou a milícia islâmica do Taleban a controlar o país, enquanto a Índia financiou a Aliança do Norte (organização político-militar das etnias afegãs) para combatê-lo.

O Afeganistão também é palco de denúncias mútuas entre os dois países. Depois da queda do Taleban, após a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001, Islamabad acusou consulados abertos pela Índia nas cidades afegãs de Maza-e-Sharif, Jalalabad, Herat e Kandahar de abrigar agentes de inteligência que planejavam operações contra o Paquistão.

A Índia, por outro lado, é um dos países que acusam o serviço de inteligência paquistanês de ainda apoiar o Taleban, o que é negado pelas autoridades de Islamabad. Essa desconfiança cresceu depois de dois ataques contra a embaixada da Índia na capital afegã, Cabul, no período de 15 meses (entre julho de 2008 e outubro de 2009), que deixaram um total de 57 mortos.

A Índia tem interesses particulares no Afeganistão, pois o país é rota para as nações do centro asiático com alto potencial energético. Além disso, Nova Délhi tem feito investimentos pesados no setor no Turcomenistão, vizinho do Afeganistão. "Em uma tentativa de isolar o Paquistão, a Índia quer reforçar os laços com o Afeganistão, e vice-versa", disse Kirk Buckman, professor de Relações Internacionais da Universidade New Hampshire, nos EUA.

Irã

O Irã e o Afeganistão têm proximidades culturais, uma vez que os tajiques, segundo maior grupo étnico em território afegão, também falam farsi, enquanto os hazaras, terceiro maior grupo e localizados predominantemente no centro do país, também são xiitas.

Durante a invasão soviética, desembarcaram no país tropas da Guarda Revolucionária Islâmica para treinar grupos xiitas em uma tentativa de expandir a Revolução Islâmica do Irã de 1979. Com a queda da União Soviética (1991) e a retirada de seus soldados do país asiático, Teerã apoiou as etnias tajique e hazara ligadas à Aliança do Norte para tentar impedir a ascendência do sunita Taleban.

No entanto, em 1996, o Taleban passou a controlar boa parte do território afegão, complicando as relações bilaterais até então amigáveis. O auge da tensão aconteceu em 1998, quando o Taleban invadiu o consulado iraniano em Mazar-e-Sharif, matando um grupo de diplomatas. Em resposta, Teerã posicionou soldados em suas fronteiras.

Depois da invasão pós-11 de Setembro, que culminou com a deposição do Taleban (que dava abrigo à rede terrorista Al-Qaeda), o Irã voltou a marcar presença no território afegão, construindo até uma ferrovia para ligar os dois países. Por causa do impacto interno do grave problema da produção de ópio no Afeganistão, o Irã tolerou a presença americana no país, facilitou programas de combate às drogas e também reconheceu o governo de Hamid Karzai.

Esse breve momento de indulgência em relação à presença ocidental, porém, chegou ao fim quando, em 2002, o então presidente americano George W. Bush (2001-2009) colocou o Irã em seu "eixo do mal", ao lado do Iraque e Coreia do Norte.

Para alguns especialistas ouvidos pelo centro de estudos americanos Council Foreign Relations (CFR), desde então o Irã começou a apoiar a militância islâmica, primeiro no Iraque (invadido pelos EUA em 2003) e posteriomente no Afeganistão. Apesar de parecer contraditório, tendo em vista que o Taleban é sunita e o Irã, xiita, o apoio ao grupo insurgente desestabiliza o Afeganistão e, consequentemente, a missão militar dos EUA no país.

Divisões frágeis

Os 2,4 mil km de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão são palco de históricos conflitos, e a pacificação da região, segundo os EUA, depende da vitória sobre o caos provocado pelas disputas tribais dos dois países.

Cabul nunca reconheceu as divisões fronteiriças e reivindica áreas da etnia pashtun, localizadas no Território Federal das Áreas Tribais e partes do norte paquistanês. "Há um forte laço entre os dois países que é a identidade comum entre as populações muçulmanas afegãs e paquistaneses. Além disso, a população afegã é predominantemente pashtun (40%) e há também um significativo número de pashtuns na região noroeste do Paquistão", disse Buckman, da New Hampshire.

A etnia balúchi também vive em ambos os lados da fronteira. Essa presença tribal nos dois países mostra o quão frágeis são as divisões impostas pela mentalidade colonialista do século 19, que não respeitaram as diferenças étnicas, dispondo no mesmo território povos com diferentes costumes e dialetos e separando outros com profunda identidade histórica. A fragilidade na fronteira é tamanha que circulam com tranquilidade criminosos, traficantes de drogas e de armas pela região.

Após os atentados do 11 de Setembro e o início da Guerra no Afeganistão, o Paquistão se aliou aos EUA e declarou oposição aos grupos que antes tinha fortalecido durante a invasão soviética, como o Taleban, em contraponto à Índia.


Foto tirada em 23 de dezembro de 2001 mostra uma família que fugiu de locais controlados pelo Taleban, alvo de ataques militares, para um campo de refugiados em Jalalabad

Atualmente as autoridades americanas, afegãs e indianas, porém, deixam claro que suspeitam que essa oposição aos grupos militantes limita-se ao discurso. De acordo com essas denúncias, a escalada da violência no Afeganistão tem como uma de suas causas o apoio implícito dado pelo serviço de inteligência paquistanês (ISI) ao Taleban e à sua aliada rede Haqqani, cuja base fica no Paquistão.

Essas suspeitas fizeram com que Washington invadisse o Paquistão em maio, desrespeitando sua soberania, para garantir o sucesso da operação em que o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto. Na época, os EUA justificaram a medida afirmando que era necessária para evitar que bin Laden fosse avisado e pudesse fugir. Caçado desde antes dos ataques do 11 de Setembro, bin Laden estava escondido em uma casa na cidade paquistanesa de Abbottabad, a apenas 64 km de Islamabad e ao lado de uma academia militar.

Desde então, a relação dos dois países está estremecida e piorou ainda mais quando, em 22 de setembro, o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, almirante Mike Mullen, acusou a ISI de apoiar o grupo Haqqani no planejamento e condução do ataque lançado nove dias antes contra a Embaixada dos EUA em Cabul.

A mais recente acusação feita contra o ISI está relacionada ao assassinato de Burhanuddin Rabbani, ex-presidente afegão e mediador para a paz. Em 20 de setembro, um homem que se apresentou como mensageiro do Taleban explodiu uma bomba escondida no seu turbante ao cumprimentar Rabbani em sua residência, em Cabul.

Segundo autoridades afegãs, o resultado das investigações confirma que o terrorista era paquistanês e que o atentado foi planejado em Quetta. O ministro do Interior afegão garantiu que os agentes da ISI tinham envolvimento na trama, o que foi negado veementemente por Islamabad.

O Taleban não reivindicou o atentado, mas a possibilidade de ter sua autoria é quase certa, uma vez que, além de representar o governo Karzai, Rabbani é um tajique e fez parte da Aliança do Norte, inimiga do Taleban pashtun desde o período pós-ocupação soviética.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/entenda-por-que-o-afeganistao-e-estrategico/n1597258619253.html
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Presidente afegão diz que não conseguiu tornar país seguro

Dez anos após invasão liderada pelos EUA, líder afirma que seu governo e a Otan falharam em oferecer segurança ao povo

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse à BBC que seu governo não conseguiu tornar o país seguro, dez anos após a invasão liderada pelos EUA que derrubou o Taleban, completados nesta sexta-feira.

"Nós fomos muito mal em termos de oferecer segurança ao povo afegão e esta é a maior falha de nosso governo e de nossos parceiros internacionais", disse ele.

Em sua primeira entrevista em meses para a imprensa internacional, Karzai disse que parte da responsabilidade pela violência foi causada pela decisão de não combater santuários do Taleban nas áreas tribais do Paquistão.

"A Otan, os EUA e nossos vizinhos paquistaneses deveriam ter se concentrado há muito tempo, por volta de 2002 ou 2003, nos santuários do Taleban", disse ele.

Em meses recentes, o Taleban lançou uma série de ataques em grandes cidades afegãs e contra alvos militares. O ex-presidente Burhanuddin Rabbani foi morto no mês passado. Karzai responsabilizou o Paquistão pela capacidade de o Taleban realizar tais ataques.

"O Taleban não seria capaz de mover um dedo sem a ajuda do Paquistão", disse ele. O governo paquistanês nega qualquer tipo de apoio a insurgentes no Afeganistão.

Sucessor

Karzai afirmou que deve deixar o poder em 2014 e disse estar trabalhando para encontrar um sucessor.

"Sinto ser minha responsabilidade trabalhar para que os afegãos confiem no próximo presidente e que ele sirva este país", afirmou.

Karzai disse acreditar que a corrupção no país diminuirá com a retirada das tropas estrangeiras em 2014. "A realidade deste tema é que uma parte muito, muito grande da corrupção no Afeganistão emana da comunidade internacional", disse.

Apesar de avanços nas áreas de saúde e educação, grupos de defesa dos direitos humanos e organizações humanitárias dizem que ainda existem enormes desafios. A ONU diz que mais de 10 mil civis foram mortos violentamente apenas nos últimos cinco anos. Mas de 2,5 mil soldados estrangeiros foram mortos, a maioria americanos.

O conflito já ultrapassou o do Vietnã como o que mais tempo envolveu os Estados Unidos. Correspondentes dizem que integrantes de governos ocidentais admitem que partes do país devem permanecer inseguras e marcadas por violência após 2014 e poucos esperam o fim da guerra a menos que se chegue a um acordo com o Taleban.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/presidente-afegao-diz-que-nao-conseguiu-tornar-pais-seguro/n1597261920230.html
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Após dez anos da Guerra do Afeganistão, EUA buscam saída honrosa

Enquanto planejam retirada até 2014, EUA e Otan veem frustrados esforços para pacificar país invadido após ataques do 11 de Setembro

Os números da Guerra do Afeganistão, que completa dez anos nesta sexta-feira, refletem as dificuldades para alcançar a paz e uma vitória militar e política em um país que, durante toda sua história, sofreu invasões e teve seu poder pouco centralizado controlado por forças distintas, em períodos marcados por violência.

Desde o início do conflito até o fim de setembro deste ano, morreram 2.753 soldados da Força Internacional de Assistência na Segurança (Isaf), operação que a Organização do Atlântico Norte (Otan) lidera no Afeganistão com um contingente de mais 130 mil militares de 49 países - majoritariamente dos EUA.


Após patrulha, soldados americanos deixam cidade de Orgune, na província de Paktika, no Afeganistão (4/1/2010)

Entre os civis, as mortes em decorrência direta da guerra superam estimados 12 mil. Os custos totais do conflito chegam a centenas de bilhões. Apesar de a Otan e o presidente americano, Barack Obama, terem estabelecido uma retirada gradativamente até 2014, é difícil acreditar que o retorno dos soldados ocidentais a seus países de origem seja uma garantia do fim dos conflitos internos e das mortes.

"O governo dos EUA começou a perceber que essa guerra não é vencível. A proximidade das eleições nos EUA com Obama concorrendo pela segunda vez é outra razão para a retirada das tropas em uma guerra altamente impopular", afirmou o especialista em conflitos asiáticos e islamismo Pervaiz Nazir, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Após os atentados do 11 de Setembro de 2001, que deixaram quase 3 mil mortos em Nova York, Washington e Pensilvânia (veja cronologia dos ataques), o governo americano priorizou a caçada pelos membros da rede Al-Qaeda, autora dos atos terroristas.

A milícia islâmica do Taleban, que tomou o controle de boa parte do Afeganistão em 1996, isolou e empobreceu ainda mais uma nação que já enfrentava a miséria. Além disso, seus militantes ofereciam abrigo para insurgentes da Al-Qaeda, incluindo seu líder, Osama Bin Laden, e por conta disso receberam um ultimato do então presidente americano George W. Bush (2001-2009). Ou entregavam Bin Laden ou as forças do seu país iniciariam uma guerra para encontrá-lo.

Diante da negativa do Taleban, uma coalizão internacional liderada pelos EUA uniu-se a um grupo rebelde que vivia à margem do país na era Taleban, a Aliança do Norte (organização político-militar das etnias afegãs), e iniciou os ataques contra o Afeganistão 26 dias depois do 11 de Setembro, em 7 de outubro de 2001.

A ofensiva militar, batizada de Operação da Liberdade Duradoura, agiu por terra e por ar e teve resultados rápidos. Em novembro, a capital afegã, Cabul, foi tomada e, em dezembro, o grupo insurgente islâmico foi obrigado a deixar seu reduto na Província de Kandahar, no sul, e buscar refúgio em Tora Bora, nas montanhas localizadas ao longo da fronteira com o Paquistão.

Na Conferência de Bonn, em dezembro de 2001, líderes afegãos exilados ou pertencentes à Aliança do Norte se reuniram na cidade alemã para decidir qual seria o futuro político do país. Nesse encontro, ficou acertado que Hamid Karzai, monarquista da etnia pashtun, assumiria a presidência do governo interino com o propósito de conduzir uma transição até as eleições democráticas marcadas para 2004 – nas quais ele sairia vencedor. A ONU criou na mesma ocasião a Isaf, operação especial para o país asiático.

Retomada da insurgência em meio à Guerra do Iraque

Apesar da aparente derrota em 2001, o Taleban continuou seus movimentos de guerrilha a partir de uma base na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Enquanto os EUA concentravam seus esforços militares na invasão e ocupação do Iraque, em 2003, o Taleban se reorganizou e ampliou sua influência na parte sul, seu reduto original.

Também em 2003, a Otan assumiu a liderança da Isaf, encerrando a rotação de seis em seis meses entre países. Inicialmente, o controle da Isaf estava limitado a Cabul, mas em outubro daquele ano, com o aumento da insurgência, a ONU achou por bem estendê-lo. As tropas das nações da Otan, então, passaram a se organizar na complexa teia étnica e geográfica do Afeganistão, cujas forças tribais historicamente prevaleceram sobre as tentativas de centralizar o governo.

"O Afeganistão é um país geograficamente desafiador para governar, e suas múltiplas identidades regionais também são profundamente desconfiadas e resistentes a uma centralização e à transferência de autoridade para Cabul. Tropas militares estrangeiras encontraram muita desconfiança", disse ao iG o americano Kirk Buckman, professor de relações internacionais da Universidade de New Hampshire, nos EUA.

Além da antipatia que sua presença no país causava, os soldados estrangeiros tinham de lidar com uma

vasta área - o país tem 647,5 mil km², cinco vezes a área da Inglaterra - e com recursos humanos limitados. Por conta disso, os militares, apesar de terem mantido sob seu comando os centros urbanos e as estradas, perderam campo para o Taleban ao longo do conflito.

"Além de questionar a legitimidade das iniciativas estrangeiras, o Taleban destrói muitos projetos públicos e desestabiliza o processo de paz por meio de ações militares, guerrilha e ataques suicidas", afirmou Buckman.

Além da atenção desviada dos EUA para o conflito sangrento no Iraque, o Taleban contou para sua reorganização com uma base forte nas áreas tribais do vizinho Paquistão, país fundamental na sua conquista do poder nos anos 1990.

"Como não é fácil de controlar, sempre houve instabilidade na fronteira do Afeganistão e do Paquistão. Uma inconstância no Paquistão causa preocupação mundial, porque o país tem armas nucleares, o que desestabiliza todo o sul da Ásia", disse Philip Towle, coautor do livro "Temptations of Power: The United States in Global Politics after 9/11" ("Tentações do Poder: Os Estados Unidos na Política Global pós-11/9", em tradução livre). Por conta dessa retomada Taleban, o Afeganistão voltou a figurar na pauta mundial como um grave problema para o Ocidente.

Veja infográfico

Reforço militar

Durante a disputa presidencial em 2008, o democrata Obama usou o conflito no Afeganistão como exemplo de erros do governo republicano de Bush. Para ele, o enfoque no Iraque ameaçava os EUA por ter feito o país deixar de lado o Afeganistão, onde o 11 de Setembro havia sido planejado. Como promessa de campanha, anunciou que retiraria os soldados americanos do Iraque - medida com previsão de ser finalizada até o fim deste ano - e reforçaria o contingente militar no Afeganistão.

Em 1º de dezembro de 2009, o presidente Obama anunciou o envio de 30 mil soldados americanos adicionais ao conflito afegão, em uma tentativa de contra-atacar a escalada da insurgência. Na ocasião, Obama prometeu também que as tropas começariam a deixar o país em 2011. Apesar da impopularidade da medida entre os cidadãos americanos, que não viam mais sentido na extensa guerra, ela teria sido necessária para garantir aos EUA uma derrota menos desonrosa.

"Os EUA estão no Afeganistão há muito tempo, porque erraram ao achar que aumentariam sua própria segurança interna se destruíssem a base da Al-Qaeda reconstruindo politicamente o Afeganistão",  disse John Dunn, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Uma vez lançado o ataque inicial ao Taleban, era politicamente muito custoso reconhecer o tamanho do erro ou aceitar efetivamente a derrota militar, mas também simplesmente impraticável reconstruir o país de maneira efetiva suficiente para que os EUA saíssem do conflito com alguma aparência vencedora."

No início de 2010, com auxílio de tropas do governo afegão - em uma tentativa de testar a eventual transição da segurança -, as forças da Isaf iniciaram a nova estratégia militar tentando controlar Marja, um reduto taleban no sul do país, mas sem muito sucesso. Até meados do segundo semestre, os militares estrangeiros uniram seus esforços para a reconstrução civil do país, enquanto repensavam em uma ofensiva para retirar de vez o Taleban daquela região.

De setembro a outubro, o país asiático foi palco de uma nova ação das tropas afegãs em conjunto com as estrangeiras que forçaram militantes que se aproximavam dos arredores de Kandahar a abandonar seu bastião. O ano de 2010 foi o mais mortal para as tropas da Otan, com um total de 711 mortes, concentradas principalmente no período entre os meses de julho e outubro.

A mudança de estratégia militar foi promovida com uma ampla divulgação, a maior desde o início do conflito. "A nova estratégia divulgou o avanço dos esforços para provocar a retirada do Taleban e reduzir as mortes de civis. O objetivo era conquistar corações e mentes dos afegãos, demonstrando que os EUA eram capazes de protegê-los", afirmou Buckman. "Se o adicional de 30 mil soldados funcionou é outra questão, mas o objetivo de assumir a proteção civil contra forças do Taleban trouxe certo risco, porque deu ao grupo militante amplo alerta para se preparar para confrontos com os militares americanos e posicionou as tropas em lugares de maior visibilidade, aumentando, portanto, os índices de mortes."

Após a morte de Bin Laden à 1 hora local de 2 de maio, Obama acelerou o seu plano de retirada dos soldados do Afeganistão. Em meio à pressão do Congresso e da opinião pública, e de olho nas eleições de 2012, ele confirmou em junho que o reforço militar enviado em 2010 será retirado até setembro de 2012 - 10 mil devem retornar aos EUA até o fim deste ano, enquanto os outros 23 mil no próximo.

A retirada total, prevista para 2014, ainda terá de ser detalhada com os outros países da Otan em uma conferência marcada para maio.

Futuro do Afeganistão


Soldados americanos vigiam um prisioneiro afegão durante operação em 2003 no leste do Afeganistão

O quadro do Afeganistão posterior à retirada militar estrangeira é considerado nebuloso e difícil de prever. O atual governo afegão, em que Hamid Karzai já cumpre dois mandatos, é fraco e impopular. Além disso, o país é considerado o terceiro mais corrupto do mundo, atrás apenas da Somália e Mianmar, segundo um levantamento feito pelo jornal americano The New York Times com órgãos internacionais de transparência.

Karzai foi reeleito em 2009 em eleições fraudulentas que, se não fosse pela pressão internacional, não teriam tido um segundo turno. Ele acabou sendo o vencedor depois que seu rival Abdullah Abdullah retirou a candidatura. No ano passado, as eleições parlamentares também tiveram fraudes na contagem dos votos, e seu resultado teve de ser alterado. Além disso, o Taleban fez forte campanha para que as votações fossem boicotadas e pressionou cidadãos a não participar da eleição.

Karzai, que era próximo a Washington nos primeiros anos do conflito, passou a denunciar as vítimas civis de bombardeios da Otan, enquanto os ocidentais começaram a criticar sua má administração. Áreas como educação, saúde e desenvolvimento comercial experimentaram algum avanço, mas boa parte do país continua instável pela atuação dos militantes.

"Eventualmente, no momento em que os EUA e a Otan deixarem o Afeganistão, haverá uma luta de poder para preencher o vácuo deixado para trás. Como há uma considerável resistência interna ao Taleban, muitas das diferenças regionais podem emergir e impedi-lo de tomar o controle do país”, disse Buckman.

Dunn, porém, tem uma opinião diferente. "É bastante provável que o Taleban, no final das contas, retome o poder sobre o Afeganistão - pelo menos por um tempo, afinal ninguém controla o país por um período muito longo", afirmou.

Somente os EUA gastaram cerca de US$ 444 bilhões com a guerra e a reconstrução do país, mas parte desse dinheiro se perdeu com a corrupção. Além disso, apesar de a Otan estar no momento concentrada em treinar a polícia e recrutas afegãos, as instituições enfrentam uma grave falta de motivação, com frequentes deserções e influência taleban.

A dificuldade para alcançar a paz se comprova também com os atentados recentes à embaixada dos EUA e à base da Otan em Cabul. As tentativas de dialogar com o Taleban se provaram ineficazes também com o assassinato do ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, principal mediador do governo com o grupo militante. Apesar de o Taleban não ter assumido responsabilidade pela morte, o ataque alimentou a desesperança de que pacificar o Afeganistão está cada vez mais distante.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/apos-dez-anos-da-guerra-do-afeganistao-eua-buscam-saida-honrosa/n1597260160774.html

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Re:Afeganistão
« Resposta #85 Online: 17 de Novembro de 2011, 12:39:35 »
Foguetes atingem área onde acontece reunião de líderes tribais afegãos

Os talibãs lançaram nesta quinta-feira dois foguetes que atingiram a área do oeste de Cabul onde ontem começou a Loya Jirga (assembléia de chefes tribais), convocada para referendar o processo de paz com os insurgentes e a aliança estratégica com os Estados Unidos.

Segundo disse à Agência Efe o porta-voz do Ministério de Interior do Afeganistão, Sediq Sediqqi, um civil foi ferido no ataque, registrado perto de um hotel onde estão alojados participantes da reunião e em uma praça próxima à Universidade onde acontece a conferência.

Seddiqi afirmou que as forças de segurança prenderam quatro suspeitos dos disparos dos projéteis, que foram lançados das montanhas que circundam a capital afegã.

Mais de duas mil pessoas participam da assembleia, convocada pelo presidente Hamid Karzai para obter apoio ao chamado 'processo de reconciliação nacional' e ao plano de estabelecer bases dos EUA no país quando, em 2014, terminar a retirada das forças da Otan.

Este é o segundo ataque perpetrado pela milícia talibã contra a Loya Jirga depois que as forças de segurança mataram na segunda-feira um suposto insurgente que tentou entrar com explosivos no campus universitário onde acontece a reunião.

A milícia talibã anunciou nesse mesmo dia em comunicado que membros infiltrados no aparelho estatal haviam obtido os planos do dispositivo de segurança da conferência, o que, garantiram, lhes permitiria realizar ataques 'letais e precisos'.

http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=31398024

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Re:Afeganistão
« Resposta #86 Online: 24 de Maio de 2012, 01:48:57 »
Mais de 120 alunas são envenenadas no Afeganistão

Suspeitas recaem sobre Talibã, que não admite que mulheres tenham acesso à educação


Menina é atendida em hospital após envenenamento na província de Takhar

Mais de 120 estudantes, todas meninas, e três professores foram envenenados no norte do Afeganistão. É o segundo ataque do tipo em meses no país, e a polícia e as autoridades escolares culpam radicais conservadores pela ação.

O incidente aconteceu na província de Takhar, onde, de acordo com a polícia, radicais que se opõe à educação de mulheres e meninas usaram substâncias tóxicas não identificadas para contaminar o ar das salas de aula. Várias alunas ficaram inconscientes.

O Diretório Nacional de Segurança, a agência de inteligência do Afeganistão, afirma que o Talibã tem a intenção de fechar escolas antes da retirada das tropas internacionais do país.

- Parte da operação Ofensiva de Primavera deles é fechar escolas. Ao envenenar garotas eles querem criar medo. Eles tentam fazer com que as famílias não mandem seus filhos para a escola — afirma Lutfullah Mashal, porta-voz do diretório.

O Ministério de Educação do Afeganistão informou na semana passada que 550 escolas de 11 províncias onde o Talibã tem forte apoio foram fechadas por insurgentes.

No mês passado, 150 alunas foram envenenadas na província de Takhar após beber água contaminada.

Desde que o Talibã foi expulso do poder em 2001, as meninas afegãs voltaram a frequentar as escolas, especialmente na capital Cabul. Antes, mulheres não podiam trabalhar nem ter acesso à educação.

O país ainda enfrenta ataques periódicos contra estudantes, professores e escolas, geralmente no sul e leste, partes mais conservadoras do país onde o Talibã tem maior apoio.

http://oglobo.globo.com/mundo/mais-de-120-alunas-sao-envenenadas-no-afeganistao-4980893

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Re:Afeganistão
« Resposta #87 Online: 20 de Outubro de 2016, 08:47:15 »

De aliado a inimigo nº 1: Bin Laden

Sua trajetória - desde o tempo em que foi parceiro dos Estados Unidos até se tornar o terrorista mais temido do mundo



Carolina Pulici | 01/12/2004 00h00


O que fez com que um abastado jovem muçulmano, educado junto à realeza da Arábia Saudita, se lançasse numa guerra suja contra o país mais poderoso do mundo? A resposta, para o cientista político francês Florent Blanc se é que ela existe, passa por uma análise do mundo equilibrado sobre a tensão entre as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, durante a Guerra Fria, e a intrincada relação do Islã com o chamado “ocidente”. Blanc é o autor de Ben Laden et l’Amerique (“Bin Laden e a América”, inédito no Brasil). O livro foi escrito a partir de sua tese de doutorado que, pasme, foi defendida na manhã do dia 12 de setembro de 2001, em Grenoble, sudeste da França, poucas horas depois dos ataques terroristas em Nova York e Washington.


Para entender Bin Laden e sua turma, é preciso viajar no tempo e no espaço. Nosso destino é o Afeganistão, e o ano é 1979. Ali, um punhado de rebeldes mal armados trocava tiros contra o recém-empossado governo comunista que, depois de um golpe de estado apoiado pelos vizinhos soviéticos, assumiu o poder, em 1978. O conflito que colocava em lados opostos um bando de nacionalistas contra o gigante nuclear parecia favas contadas. Afinal, a União Soviética já havia sufocado com mão de ferro outras revoltas do tipo no passado. No entanto, aquela seria uma guerra diferente. Primeiro, porque o inicialmente mal organizado movimento rebelde passou a contar com o apoio militar (que incluia armas e dinheiro) e logístico (que incluia treinamento e mais dinheiro) de outro gigante: os Estados Unidos. Não se esqueça que estamos no início dos anos 80, e aqui, sob a míope ótica da Guerra Fria, isso faz todo o sentido. Depois, porque os rebeldes estão unidos por algo mais forte que o sentimento nacionalista: a fé. São muçulmanos e estão dispostos a uma jihad, ou seja a uma guerra na qual cada soldado crê que os interesses de Deus estão acima do seu próprio. Além disso lutar nas montanhas desérticas do Afeganistão não é fácil (como os próprios americanos iriam saber 20 anos depois).

Apenas bons amigos


Marcado por um turbilhão de partidos políticos, grupos religiosos e clãs tribais, o território afegão é constituído por uma cadeia de montanhas que faz fronteira com a União Soviética, a China, o Irã e o Paquistão. Fincado entre a União Soviética e o Golfo Pérsico (a maior reserva de petróleo do mundo), está numa região de importância estratégica para os Estados Unidos, que desde a emergência do aiatolá Khomeini no Irã, em 1979, perdera seu principal aliado na região. Para os soviéticos, o Afeganistão interessa, sobretudo, pelas reservas de gás natural, imprescindíveis ao funcionamento de sua indústria. Assim é que, na opinião de Blanc, o Afeganistão dos anos 1970 é marcado sobretudo pela polarização da Guerra Fria.


Em 1979, a intervenção do Exército Vermelho solapou de vez o instável equilíbrio étnico e político do país. Em exatos 14 dias após a invasão, os americanos enviaram armas para o Paquistão, onde havia muitos refugiados afegãos – entre eles os futuros membros do Talibã, de origem pachtouns, etnia dominante no Afeganistão (38%) – e onde seriam estabelecidos os campos de treinamento dos que iriam combater nas montanhas afegãs. Sob a justificativa de que era preciso conter a expansão soviética no Terceiro Mundo, o presidente americano Ronald Reagan propôs armar os rebeldes afegãos, que chamou de freedom fighters (ou guerreiros da liberdade).


No começo dos anos 80, a guerra afegã atraiu a atenção do movimento islâmico transnacional. Por todo o mundo muçulmano, os ulemás – líderes religiosos – apelaram à “solidariedade islâmica internacional”, e interpretaram a presença dos russos no Afeganistão como uma invasão do Islã pelos infiéis. Nesse tempo e com esse discurso, destacou-se um jovem nascido na Arábia Saudita. Herdeiro de uma fortuna em seu país, ele viajava pelas capitais do Oriente Médio convencendo e patrocinando o engajamento de muçulmanos para a luta. Seu nome é hoje um dos mais conhecidos do mundo: Osama Bin Laden (ou “Ben Laden”, a grafia francesa – é citado em 4,5 milhões de páginas da internet. Perde para George W. Bush – 6 milhões –, é verdade, mas ganha de lavada de Tony Blair – 2,7 milhões – e Vladimir Putin – 600 mil).


Bin Laden passou a ser um dos principais fiadores da aliança anti-soviética, que colocou do mesmo lado os “jihadistas” muçulmanos e os americanos. “Bin Laden e a CIA foram felizes aliados pois, enquanto um recrutava os homens para lutar nas montanhas, o outro fornecia os fundos, as armas e os instrutores para treinar e formar os afegãos e os voluntários árabes em técnicas de combate de guerrilha”, diz Blanc. Com esses ingredientes, a guerra durou até 1989 e acabou com os soviéticos sendo expulsos do país.


Fim da lua de mel


A amizade acabou na manhã seguinte ao fim do conflito soviético-afegão. E, segundo Blanc, quase de imediato se instaurou um novo antagonismo de escala mundial. Isso porque os voluntários que foram combater no Afeganistão estavam motivados a restaurar um Islã verdadeiro, propagando a xaria – a lei baseada nos preceitos religiosos e tradicionais do Alcorão – onde quer que fosse possível. Mas o fato é que a saída dos russos retirou a “questão afegã” da agenda dos antigos aliados americanos, que se afastaram daqueles que cada vez mais viam como fanáticos. Na opinião de Florent Blanc, isso representou uma traição justamente no momento em que o Afeganistão estava arrasado pela guerra, explodindo em conflitos civis.


Neste contexto, Bin Laden, o mais eminente representante desses combatentes islâmicos, emerge para canalizar as reivindicações dos “jihadistas” frustrados. Sob seu comando, havia entre 4 a 5 mil combatentes dotados de um completo arsenal militar, vivendo em campos de treinamento em território paquistanês e afegão. Outra guerra não parecia estar tão distante.


E não estava mesmo. Em 1990, após as tropas iraquianas de Saddam Hussein invadirem o Kwait, os americanos revidaram e bombardearam o Iraque. Era a Guerra do Golfo, que colocava, dessa vez, os americanos como invasores do Islã. A instalação de uma base militar na Arábia Saudita, em 1991, para servir de apoio às tropas americanas que lutavam contra Saddam foi a gota d’água. Primeiro atraiu a revolta contra os americanos e depois fomentou uma oposição sem precedentes à monarquia saudita, que, apesar das relações comerciais com os Estados Unidos (que desde 1932 detinham o direito de exploração das reservas petrolíferas do país), mantinha as artes, a cultura e o direito nas mãos de um clero ultra-puritano. A presença de soldados americanos na terra que congrega dois dos mais importantes lugares santos do Islã – as mesquitas de Meca e Medina – pôs em risco a credibilidade da monarquia.


Contra o feiticeiro

Osama Bin Laden foi um dos primeiros a se juntar à grita contra essa nova invasão, revelando-se um dos críticos mais obstinados do “islamismo de fachada” da família real saudita. Se desde o fim do conflito com os russos ele vinha percebendo que para defender o Islã seria preciso esforços muito maiores, talvez globais, agora ele concluía que o próprio mundo muçulmano estava infiltrado de dirigentes que se deixaram corromper pela influência ocidental. Por isso, sua luta não estaria aliada a um Estado, não se limitaria a fronteiras, era preciso defender o Islã onde ele estivesse sendo atacado. Passou a financiar e dar apoio logístico aos mais variados movimentos de insurgência islâmica e, ainda morador da Arábia Saudita, declarou que expulsaria os americanos com as próprias mãos do território sagrado do Islã.


Isso lhe rendeu a perseguição do serviço de segurança de seu país, que chegou a congelar parte dos seus bens e a revogar sua cidadania. Bin Laden deixou a Arábia Saudita em 1991 para se estabelecer no Sudão, onde, paralelamente às atividades de formação de militantes da causa islâmica, formou sociedades comerciais e aumentou sua fortuna pessoal. Com ele, migraram milhares de combatentes muçulmanos e outros veteranos do jihad afegão (bem como suas respectivas famílias). De lá, passou a organizar o grupo chamado de Al Qaeda (ou “a base”), uma rede de colaboradores espalhados pelo mundo dispostos a uma nova tática de guerra: o terrorismo contra alvos americanos. Em fevereiro de 1993, fez explodir um carro-bomba no subsolo do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas. Em outubro, atacou a embaixada americana na Somália e matou 18. Em 1995 e 1996 seus alvos foram os americanos residentes na Arábia Saudita. Primeiro, em Riad, cinco americanos foram mortos na explosão de um estacionamento. Depois, num ataque a uma base militar em Dharan, 19 morreram.
Sem base territorial e independente economicamente de um Estado, a rede terrorista de Bin Laden é, na opinião de Blanc, a única “a ter uma visão mundial de seu combate”. Assim, em 1996, o errante Bin Laden voltou para o Afeganistão, onde estava em ascensão outro movimento radical islâmico, que pregava uma moral estritamente religiosa: o Talibã, do líder Mulá Omar. Ali, Bin Laden continuaria protegido. E manteria intactos seus métodos de atuação.


Em 1998, promoveu ataques simultâneos às embaixadas americanas em Dar es-Salam, na Tanzânia, e em Nairóbi, no Quênia. Se depois do ataque ao World Trade Center, em 1993, já se havia detectado a conexão dos terroristas com antigos membros da milícia afegã treinada pela CIA, a resposta militar americana aos ataques na África revelou outra cruel ironia. Em busca das bases secretas da Al Qaeda no Afeganistão, os americanos não tiveram que procurar muito. Os campos de treinamento dos terroristas de Bin Laden constavam dos mapas da CIA, que os havia projetado e instalado no começo do jihad contra os soviéticos.
A pesquisa de Florent Blanc foi concluída antes de 11 de setembro de 2001. Mas a tese que deu origem ao livro – defendida apenas poucas horas depois dos atentados às torres gêmeas de Nova York e ao Pentágono – mostra que as raízes do conflito já haviam sido traçadas muito antes.
 
Saiba mais

Livro

Ben Laden et l’Amérique, Florent Blanc, Bayard, Paris, 2001, 18,90 euros, 245 páginas


http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/aliado-inimigo-1-bin-laden-433870.shtml




 
« Última modificação: 20 de Outubro de 2016, 08:49:29 por JJ »

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Re:Afeganistão
« Resposta #88 Online: 24 de Setembro de 2017, 13:30:13 »

DO AFEGANISTÃO À SÍRIA: DIREITOS DAS MULHERES, A PROPAGANDA DE GUERRA E A CIA.

20 de março de 2015


Os chefes de estados ocidentais, os funcionários da ONU e os oradores militares louvarão invariavelmente a dimensão humanitária da invasão conduzida dos EUA-OTAN de Outubro de 2001 no Afeganistão, que supostamente teve a pretensão de combater fundamentalistas religiosos, socorrer pequenas meninas a caminho da escola, libertar mulheres submetidas ao jugo do Talibã.
A lógica de uma dimensão tão humanitária da guerra afegã é duvidosa. Para que não nos esqueçamos, a Al Qaeda e o Talibã foram apoiados desde o início da guerra soviético-afegã pelos EUA, como a parte de uma operação encoberta conduzida pela CIA.

Como descrito pela Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA):

Os EUA e os seus aliados tentaram legitimar a sua ocupação militar no Afeganistão sob a propaganda de “trazer a liberdade e a democracia do povo afegão”. Mas como experimentamos em três décadas passadas, a respeito do destino da nossa gente, o governo dos Estados Unidos em primeiro lugar considera os seus próprios interesses políticos e econômicos e autorizou e equipou os bandos fundamentalistas mais traidores, anti-democráticos, misógenos e corruptos no Afeganistão.

Foram os EUA que instalaram o regime Talibã no Afeganistão em 1996, uma estratégia de política estrangeira que resultou no fim dos direitos da mulher afegã:

Sob o NSDD 166, a ajuda dos Estados Unidos às brigadas Islâmicas canalizadas pelo Paquistão não foi limitada a boa fé da ajuda militar. Washington também apoiou e financiou, usando a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o processo de doutrinação religiosa, basicamente garantir o fim de instituições seculares. (Michel Chossudovsky, 9/11 ANALYSIS: From Ronald Reagan and the Soviet-Afghan War to George W Bush and September 11, 2001, Global Research, 09 de Setembro de 2010)

As escolas religiosas foram generosamente fundadas pelos Estados Unidos:

A educação no Afeganistão nos anos que precederam a guerra soviético-afegã foi basicamente secular. A educação abrigada dos Estados Unidos destruiu a educação secular. O número de escolas religiosas (madrassas) patrocinadas pela CIA aumentou de 2.500 em 1980 para mais de 39.000 [em 2001]. (Neste mesmo lugar).



Foto 1: Acima, mulheres afegãs agora. (Foto de AFP / Xá Marai)



Foto 2: Mulheres afegãs nos anos 1970 antes da intervenção conduzida pela CIA.

Para o desconhecimento do público americano, os EUA estendem os ensinos da guerra santa dos maometanos Islâmicos em manuais “Made in América” desenvolvidos na Universidade do Nebraska:

…os Estados Unidos gastaram milhões de dólares para fornecer aos estudantes afegãos manuais repletos de imagens violentas e ensinamentos de milícia Islâmica, parte das tentativas encobertas de estimular a resistência à ocupação soviética.

As cartilhas, que foram cheias de conversação sobre guerra santa dos maometanos e desenhos de fabricação de armas, balas, soldados e minas, serviram desde então como o currículo principal do sistema escolar afegão. Mesmo o Talibã usou os livros produzidos pelos americanos…

A Casa Branca defende o conteúdo religioso, dizendo que os princípios Islâmicos incutem a cultura afegã e que os livros “são totalmente de acordo com a lei e a política dos Estados Unidos.” Os especialistas legais, contudo, perguntam se os livros violam uma proibição constitucional de usar dólares fiscais para promover a religião.

…funcionários da AID (AJUDA) disseram em entrevistas que eles deixaram os materiais Islâmicos intactos porque eles temeram que os educadores afegãos rejeitassem livros que necessitam de uma dose forte do modo de pensar muçulmano. A agência retirou o seu logotipo e qualquer menção do governo de Estados Unidos dos textos religiosos, disse a representante da AID, KATHRYN STRATOS.

“Essa não é a política da AID de apoiar a instrução religiosa,” disse Stratos. “Mas progredimos com este projeto porque o objetivo primário… deve ser o educar crianças, que é predominantemente uma atividade secular.”

… Publicado nas línguas afegãs dominantes, o Dari e o Pashtun, os manuais foram desenvolvidos no início dos anos 1980 sob uma doação da AID à Universidade do Nebraska-Omaha e seus Centros de Estudos do Afeganistão. A agência gastou 51 milhões de dólares nos programas de educação da universidade no Afeganistão desde 1984 até 1994. ”(Washington Post, 23 de Março de 2002)

Retrospecto Histórico

Antes do Taleban subir ao poder, as mulheres afegãs viveram uma vida de muitos modos semelhante àqueles de mulheres Ocidentais (ver fotos abaixo):



Foto 3: Os anos 1980 na Universidade de Cabul.

Nos anos 1980, Cabul era “uma cidade cosmopolita. Os artistas e os hippies reuniam-se na capital. As mulheres estudavam agricultura, projetando e negociando na universidade da cidade. As mulheres afegãs mantinham seus empregos no governo.” Havia membros femininos no parlamento, as mulheres dirigiam carros, viajavam e iam a compromissos marcados, sem ter de pedir a um guardião masculino a permissão.

Ironicamente, os direitos das mulheres como descrito por RAWA antes do patrocínio dos Estados Unidos aos ressurgentes jihadistas são confirmados em um artigo de 2010 publicado pela Política Estrangeira (2010), um portal de voz do Washington Post fundado por Samuel Huntington:



Foto 4: “Os estudantes universitários em Kabul mudando de classe. A inscrição dobrou nos últimos quatro anos.“

Fisicamente o campus da Universidade de Cabul, mostrado aqui, não parece muito diferente hoje. Mas as pessoas fazem. Nos anos 1950 e 1960, os estudantes usavam a roupa de estilo Ocidental; os homens jovens e as mulheres interagiam relativamente livres. Hoje, as mulheres cobrem as suas cabeças e a maior parte dos seus corpos, até em Cabul. Meio século mais tarde, os homens e as mulheres vivem muito mais em mundos separados.



Foto 5: “Classe de Biologia, Universidade de Cabul.”

Nos anos 1950 e 1960, as mulheres foram capazes de perseguir carreiras profissionais em campos como medicina. Hoje, as escolas que educam mulheres têm um objetivo de violência, até mais assim do que há cinco ou seis anos.



Foto 6: “Loja de discos fonográficos.”

Deste modo, também, as lojas de discos, traziam o ritmo e a energia do mundo Ocidental a adolescentes de Cabul.



Foto 7: “Centenas de jovens afegãos fazem parte ativa nos programas de escoteiros.”

O Afeganistão uma vez teve escoteiros meninos e escoteiras meninas. Nos anos 1950 e nos 1960, tais programas foram muito semelhantes aos seus correspondentes nos Estados Unidos, com os alunos em escolas de ensino fundamental e médio de aprendizagem sobre trilhas, camping e segurança pública. Mas as tropas de escoteiros desapareceram inteiramente depois das invasões soviéticas até o final dos anos 1970. (Mohammad Qayoumi Era uma vez no Afeganistão …, Política Estrangeira, 27 de Maio de 2010)

O leitor apurado terá notado a desinformação insidiosa na legenda anterior. Somos levados acreditar que o estilo de vida liberal das mulheres afegãs foi destruído pela União Soviética, quando de fato ele foi o resultado do suporte dos Estados Unidos a Al Qaeda e ao Taleban. Reconhecido pelo Aconselhador de política estrangeira dos Estados Unidos Zbignew Brzezinski, as ações de Moscou em apoio ao governo pró-soviético de Cabul foi para conter a revolta dos Mujahedin Islâmicos apoiados encobertamente pela CIA:

De fato, foi em 3 de Julho de 1979 que o Presidente Jimmy Carter assinou a primeira diretiva de ajuda secreta aos oponentes do regime pró-soviético em Cabul. E naquele mesmo dia, escrevi uma nota ao presidente no qual lhe expliquei que na minha opinião esta ajuda ia induzir uma intervenção militar soviética […]

Aquela operação secreta foi uma idéia excelente. Ela teve o efeito de envolver os Russos na armadilha afegã e você quer que eu o lamente? No dia em que os soviéticos oficialmente cruzaram a fronteira, escrevi ao Presidente Carter. Agora temos a oportunidade de dar à URSS a sua guerra de Vietnam. (A Intervenção da CIA no Afeganistão, Nouvel Observateur, 1998, Global Research, 15 de Outubro de 2001)


Leia também: A retirada das tropas soviéticas do Afeganistão em 1988.


 
Leia também: Valentina Tereshkova a primeira mulher no espaço.


Em 1982, o Presidente Ronald Reagan até dedicou o foguete lançador espacial Columbia aos “lutadores de liberdade Islamíticos” apoiados pelos Estados Unidos no Afeganistão, a saber a Al Qaeda e o Taleban:

Tal como pensamos o foguete lançador espacial Columbia representar as aspirações mais perfeitas do homem no campo de ciência e da tecnologia, assim também a luta da povo afegão representa as mais altas aspirações do homem pela liberdade.



Foto 8: Ronald Reagan que se encontra com o Talibã em 1985: ’”Esses cavalheiros (o Talibã) são os equivalentes morais dos pais fundadores da América.”

A rede da mulher síria do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Como a história das mulheres no Afeganistão relaciona-se com os direitos da mulher na Síria no contexto da crise atual?

A guerra de EUA-OTAN não declarada contra a Síria (2011-2013) em apoio aos rebeldes afiliados a Al Qaeda parece ter uma lógica semelhante, a saber, a destruição da educação secular e o fim dos direitos da mulher.

Em Janeiro passado, “um grupo diverso de mulheres sírias” disse estar “representando os grandes movimentos de oposição” assistiu a uma conferência apresentada pela Rede de Democracia da Mulher (WDN), em coordenação com o U.S. Department of State’s Office of Global Women’s Issues em Doha, Qatar.

WDN é uma iniciativa do Instituto Republicano Internacional, bem conhecido por apoiar dissidentes em vários países que desafiam o imperialismo dos Estados Unidos. O Departamento estatal dos Estados Unidos está usando claramente os “direitos da mulher” como um instrumento, enquanto ao mesmo tempo ele está consolidando “uma oposição” islâmica com a intenção de minar o estado laico e conseqüentemente instalar um governo Islâmico em Damasco.

A Rede da Mulher Síria foi formada na conferência patrocinada pelos EUA e uma Carta foi escrita “para assegurar que as mulheres estão incluídas na resolução de conflito e transição do seu país“:

Na carta, os participantes pedem direitos iguais e representação para todos os sírios, exigindo a participação igual de mulheres em todas as reuniões internacionais, negociações, constituições em curso, comitês de reconciliação e em corpos diretivos eleitos. A carta também aborda temas como prevenção e repressão de actos de violência contra as mulheres, o acesso à educação e à necessidade global para a participação das mulheres na resolução de conflitos em curso, assegurando o futuro da participação das mulheres na reconstrução da Síria.

Os líderes do governo dos Estados Unidos também participaram na conferência, sublinhando o seu apoio para as mulheres sírias […] nas suas observações, Carla Koppell, coordenador sênior de Igualdade de Gênero e Autorização de Mulher na Agência de Estados Unidos do Desenvolvimento Internacional [USAID], aconselhado, “Se o grupo mais diverso de mulheres pode encontrar uma agenda comum, ele terá força enorme.” (Exigência do papel das Mulheres na Transição e Reconciliação da Síria, 28 de Janeiro de 2013, ênfase acrescentada.)



Foto: Monica McWilliams, a fundadora da Coalizão da Mulher da Irlândia do Norte (à esquerda) e a Primeira Ministra interina do Kosovo Edita Tahiri (à direita) compartilham suas experiências com participantes de uma conferência em Doha, Qatar, onde a Carta da Rede da Mulher Síria foi adotada por um grupo diverso de mulheres sírias que representam os movimentos de oposição principais no país. (Foto de wdn.org)

O primeiro paradoxo notável desta conferência consiste em que está sendo mantido em Qatar, um país onde os direitos de mulher permanecem limitados, para dizer o mínimo. Em meados de Março, o governo Qatar até expressou preocupações “sobre referências para os direitos sexuais e reprodutivos da mulher“ que constam na Declaração da ONU da Comissão sobre o Status das Mulheres chamada de Eliminação e prevenção de todas as formas da violência contra mulheres e meninas.

Segundo paradoxo: o USAID, que contribuiu para o fim dos direitos da mulher promovendo a doutrinação religiosa no Afeganistão, está promovendo agora os direitos da mulher para provocar uma mudança de regime na Síria. Entrementes, os EUA junto com o Qatar e a Arábia Saudita estão apoiando grupos extremistas Islâmicos que lutam contra o governo sírio laico. Algumas assim chamadas “áreas liberadas” na Síria são dirigidas agora por extremistas religiosos:

“Os direitos da mulher e a escola religiosa Wahhabi em uma área ‘liberada’ de Aleppo dirigido ‘pela oposição’ e apoiada pelos Estados-Unidos-Arabia Saudita, ‘uma melhora definida’ quando em comparação com o sistema prevalecente de educação secular na Síria.” (Michel Chossudovsky, a Síria: os Direitos da Mulher e a Educação Islâmica em uma Área “Liberada” de Aleppo, Global Research, 27 de Março de 2013.)

Um regime fantoche dos Estados Unidos foi sendo instalado em Damasco, os direitos e as liberdades das mulheres sírias bem poderiam estar seguindo o mesmo “caminho da liberdade ameaçada” como aquele das mulheres afegãs sob o regime do Talibã apoiado por EUA e continuando sob a ocupação da coalizão EUA-OTAN.

Julie Lévesque é jornalista e o pesquisador com o Centre for Research on Globalization (CRG), Montreal. Ela esteve entre os primeiros jornalistas independentes a visitar o Haiti seguindo-se ao terremoto de Janeiro de 2010. Em 2011, ela foi a bordo do navio “o Espírito de Rachel Corrie”, o único navio humanitário que penetrou as águas territoriais de Gaza antes de ser atirado pela Marinha Israelense.

Leia outras matérias sobre esse mesmo tema.


Autor: Julie Lévesque


https://dinamicaglobal.wordpress.com/2015/03/20/do-afeganistao-a-siria-direitos-das-mulheres-a-propaganda-de-guerra-e-a-cia/



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Re:Afeganistão
« Resposta #89 Online: 06 de Novembro de 2017, 15:33:52 »
AFEGANISTÃO

Não há garantias de segurança em Cabul

Repórteres da DW relatam clima de violência e medo constante do terrorismo na capital do Afeganistão, onde ataque à ONG sueca Operation Mercy deixou uma alemã e um afegão mortos e uma finlandesa desaparecida.


 Visão aérea de uma feira de rua em Cabul:


Feira de rua em Cabul: aparente tranquilidade da cidade engana


Nós estamos absortas em nosso trabalho: ouvimos pessoas, lemos notificações de deportação. Amir, Nuri, Muitaba e Isa nos contam sobre viver com medo em Cabul. Nós estamos na capital afegã, trabalhando com requerentes de asilo deportados da Alemanha, quando nos chega a terrível notícia do ataque à organização filantrópica sueca Operation Mercy. Ficamos preocupadas e assustadas. Cada atentado é terrível: em Cabul, Paris, Bruxelas, Nice, Berlim.
Os detalhes ainda não estão muito claros. Nós telefonamos para contatos em Cabul para saber mais detalhes. Observamos através das mídias sociais o que colegas afegãos relatam.


Informamos nossas famílias de que estamos bem. Amigos e colegas nos ligam, enviam mensagens de SMS e via WhatsApp. Os jovens deportados compreendem bem o alemão para entender nossas discussões com as pessoas na Alemanha. Muitaba e Isa nos dão as suas condolências. Nós falamos com a editora-chefe e com o coordenador de segurança e avaliamos o que fazer.


Alvo eram os estrangeiros


As informações ganham corpo. O ataque na noite de sábado visava estrangeiros. O alvo foi o complexo residencial da organização. Um vigia afegão e uma funcionária alemã da entidade estão mortos. Uma funcionária finlandesa foi sequestrada. Não é o primeiro ataque direcionado contra estrangeiros em Cabul. Mas a maioria dos ataques atingiu civis afegãos. Desde o início do ano ocorreram em Cabul pelo menos sete ataques graves, que mataram e feriram várias centenas de pessoas. Eles foram assumidos ou pelos talibãs ou pelo "Estado Islâmico".


Nos últimos dias vivemos numa capital afegã calma. A "Fortaleza Cabul", com seus altos muros de proteção contra explosivos e suas barreiras de arame farpado nos pareceu simpática quando desembarcamos, há poucos dias. O sol brilha no céu azulado. As pessoas com quem falamos nos acolhem de forma franca e amigável. Não somente este mais recente atentado é prova de como estávamos enganadas sobre essa tranquilidade.


Não há garantia de segurança em Cabul. Um lugar que hoje é seguro pode ser alvo de atentado amanhã. Antes de partirmos da Alemanha, combinamos nossas próprias regras de segurança. Nosso empregador tem regras claras para missões em áreas em crise. Nós atemo-nos a elas e prestamos atenção à nossa intuição. Não podemos fazer mais do que isso.


Terrorismo e violência cotidianos


Perguntamos a todos os nossos interlocutores o que eles pensam do fato de os EUA e a Otan quererem enviar mais tropas ao Afeganistão. "O que isso nos ajuda se nada muda?" "A coisa mais importante é que nós, afegãos, fiquemos unidos e que o nosso governo finalmente governe em vez de brigar." "O que mais soldados estrangeiros podem fazer se eles não podem combater?" "Temos que desarmar as muitas milícias e só apoiar nossas forças de segurança." "A Otan fracassou. Eles devem nos enviar tropas da ONU." "Esperamos da comunidade internacional primeiro segurança e depois educação."


Por mais diferentes que sejam as respostas, nenhum dos cidadãos inquiridos se sente seguro em Cabul. Mas todos convivem com o risco, pois a vida deve continuar. Nós frequentemente ouvimos a frase "quando saímos de casa pela manhã não sabemos se voltaremos vivos à noite, mas não podemos parar de viver". Como estrangeiras, não estamos em maior perigo agora nessa cidade do que antes desse ataque assassino. Terrorismo e violência são parte da vida cotidiana na capital afegã, a isso se soma a violência das gangues. O sequestro é um modelo de negócios.


Estamos aqui como jornalistas para relatar sobre o cotidiano na capital afegã. Conhecemos Cabul e o Afeganistão de muitas viagens. O Afeganistão é um país em guerra. A operação militar internacional, que já está em seu 16º ano, trouxe ao país progresso e abertura, mas nenhuma paz e nenhuma segurança.


http://www.dw.com/pt-br/n%C3%A3o-h%C3%A1-garantias-de-seguran%C3%A7a-em-cabul/a-38926535



 

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