Autor Tópico: Ateísmo conscienciológico  (Lida 16815 vezes)

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Offline Fabrício

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #125 Online: 14 de Março de 2010, 21:26:17 »
Caramba!  :oba:

Finalmente entendi toda a profundidade das teorias do Lusitano! Obrigado Giga! :hihi:
"Deus prefere os ateus"

Offline Gigaview

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #126 Online: 14 de Março de 2010, 21:43:34 »
Caramba!  :oba:

Finalmente entendi toda a profundidade das teorias do Lusitano! Obrigado Giga! :hihi:

Aquela parte do ôôôôôáááálálálálálá é claramente positivista.
"Quem for brasileiro, siga-me." Duque de Caxias

"Vamos mudar isso aí. Tá OK?" Capitão Mito Bolsonaro

Offline lusitano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #127 Online: 15 de Março de 2010, 06:43:03 »
Agnóstico

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Não. Papai Noel é um ente mágico, imortal que entra pelas chaminés dando presentes para todos.

Essa do "pai natal" entrar pela chaminé é muitíssimo bizarro mesmo. É daí o motivo que você diz que ele é mágico? O que dizer então dos limpa-chaminés?

Ou a magia dele está em dar presentes; por altruísmo, solidariedade ou não.

Se for só por ser imortal... E o que é, que realmente é ser imortal?
Então você descarta completamente a hipótese de existirem seres mitológicos dessa espécie?


Citar
Ele não existe. É um personagem.

Qualquer multi-milionário, mais ou menos altruísta, pode transformar-se num sósia perfeito do pai natal.

Sabe quando é que efectivamente começou esse mito? E quem lhe diz, que uma certa personalidade humana, num determinado momento histórico, começou a praticar obras de caridade e depois legou essa prática aos seus descendentes, que entretanto motivaram uma legião de imitadores? 

Aliás essa é a maior proposta do cristianismo ateu: «Fazei o bem, sem olhar a quem

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Você pode dizer que o personagem existe.

Pode até ser você, que num momento de compaixão pelo seu semelhante, se sente compelido a "alargar os cordões" à bolsa, com pessoas que não sejam propriamente, os seus parentes mais próximos.

Citar
Você pode dizer que filantropos existem.

E digo mesmo.

Citar
Você não pode dizer que papai noel existe.

Se não existia, passa a existir a partir de agora em diante. :idea:

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É burrice.

Como a dos cisnes que lhe puxam o trenó?
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Offline lusitano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #128 Online: 15 de Março de 2010, 07:18:06 »
Agnóstico

Citar
Porque a palavra deus perpassa mais do que um significado durante sua frase Lusitano, como você faz na maioria das vezes. É insano.

Você - até parece um especialista em religião comparada - a falar dessa maneira.

Mas afinal - o que é - que você rigorosa e "verdadeiramente" entende de "deus", para se arrogar o direito de estabelecer regras, sobre o autêntico significado dessa palavra, quando você é "agnóstico pró ateu" e marimba-se totalmente, para o facto de "deus ou deuses", existirem ou não. Você tem cá uma piada, camarada de fórum...  

Citar
Você está conversando com um crente. Ele acredita em Deus.

E eu também. :idea:

Citar
Só que o Deus dele é no sentido convencional,

Então estamos falando de diferentes concepções de "deus".

Citar
assim como o deus da maioria das pessoas que acreditam em deus, portanto o fato de você dar para deus o significado de natureza não vai fazer o deus do crente existir, mesmo se uma interpretação sua possa dar algum significado válido a deus.

Para já - você não tem a mínima legitimidade - para ter esse autoritarismo, em estabelecer conceitos convencionais para a palavra "deus".

E sabe lá você - o que é que de facto, um determinado crente - tem em mente quando usa a palavra "deus"?

Quantos crentes "convencionais", é que você conhece?

Citar
Portanto, a frase em negrito é ilógica. Quando falamos deus não existe, não encha o nosso saco com "oh mas o deus do realismo fantastico PQP espinosiano".. Fale a natureza existe e todos vamos concordar.

Você é que é ilógico - ao tentar ser mais papista que o papa - caro "Agnóstico".

Citar
Você polui os tópicos que participa com essas atitudes. Use as palavras corretamente.

Vá dizer disparates para outra freguesia caríssimo. Sabe lá você, o que está a dizer...

Você porventura, é um erudito, profundamente versado em gramática, etimologia, semântica e hermenêutica comparadas, para se atrever a fazer afirmações tão espirituosas como essa?

É óbvio que não!!! Parece-me evidente - que o seu senso comum - é excessivamente proverbial, caro "Agnóstico". :arrow: :idea:
  
 
« Última modificação: 15 de Março de 2010, 07:49:50 por lusitano »
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Offline Adriano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #129 Online: 15 de Março de 2010, 10:25:30 »
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Você não pode dizer que papai noel existe.
Se não existia, passa a existir a partir de agora em diante. :idea:
A realidade física e a realidade simbólica são diferentes. O simbolismo cultural é composto por informação e não se organiza da mesma forma que os seres vivos. A teoria memética até compara essa informação e dá vida a ela, considerando a sua replicação semelhante a informação genética no DNA, a raiz da vida. Mas não é muito aceita, os seres vivos são considerados os seres biológicos.

Citar
Só que o Deus dele é no sentido convencional,

Então estamos falando de diferentes concepções de "deus".
A natureza valida a realidade biológica. Já a realidade cultural, simbólica e imaginária, ainda é muito desconectada da realidade científica que tem a natureza como dogma. Não é possível existir o sobrenatural, tudo é a natureza, esta é a máxima científica. Por isso falar em sobrenatural ou paranormal é um disparate epistêmico.

Referenciais ficctícios de moral são outra questão, possivelmente didática. Muitas vezes a religião funciona assim.
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Moro

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #130 Online: 15 de Março de 2010, 16:38:59 »
Agnóstico

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Porque a palavra deus perpassa mais do que um significado durante sua frase Lusitano, como você faz na maioria das vezes. É insano.

Você - até parece um especialista em religião comparada - a falar dessa maneira.

Mas afinal - o que é - que você rigorosa e "verdadeiramente" entende de "deus", para se arrogar o direito de estabelecer regras, sobre o autêntico significado dessa palavra, quando você é "agnóstico pró ateu" e marimba-se totalmente, para o facto de "deus ou deuses", existirem ou não. Você tem cá uma piada, camarada de fórum... 

O que eu entendo e deixo de entender pouco importa, mas eu uso as palavras com um significado que faça sentido dentro do contexto que eu estou discutindo. Não fico tagarelando estultices fora do tópico

Citar
Você está conversando com um crente. Ele acredita em Deus.

E eu também. :idea:

Citar
Só que o Deus dele é no sentido convencional,

Então estamos falando de diferentes concepções de "deus".

Não. Veja a reação dos outros foristas também. Todos estamos errados e você está certo.
Mais uma vez, você se confunde e gera ruidos desnecessários e inúteis com essa sua obsessão em querer tirar das palavras o sentido que têm.

Citar
assim como o deus da maioria das pessoas que acreditam em deus, portanto o fato de você dar para deus o significado de natureza não vai fazer o deus do crente existir, mesmo se uma interpretação sua possa dar algum significado válido a deus.

Para já - você não tem a mínima legitimidade - para ter esse autoritarismo, em estabelecer conceitos convencionais para a palavra "deus".

E sabe lá você - o que é que de facto, um determinado crente - tem em mente quando usa a palavra "deus"?

Quantos crentes "convencionais", é que você conhece?

Sabe-se sim a maior parte dos atributos que os crentes têm quando falam em deus. Você que insiste em achar que não.

Citar
Portanto, a frase em negrito é ilógica. Quando falamos deus não existe, não encha o nosso saco com "oh mas o deus do realismo fantastico PQP espinosiano".. Fale a natureza existe e todos vamos concordar.

Você é que é ilógico - ao tentar ser mais papista que o papa - caro "Agnóstico".

Sim, eu e todos os outros foristas que estamos apontando suas groselhas.

Citar
Você polui os tópicos que participa com essas atitudes. Use as palavras corretamente.

Vá dizer disparates para outra freguesia caríssimo. Sabe lá você, o que está a dizer...

Você porventura, é um erudito, profundamente versado em gramática, etimologia, semântica e hermenêutica comparadas, para se atrever a fazer afirmações tão espirituosas como essa?

É óbvio que não!!! Parece-me evidente - que o seu senso comum - é excessivamente proverbial, caro "Agnóstico". :arrow: :idea:
 

Não precisa ser erudito. Só ter o mínimo de respeito pela lógica e não sair com raciocínios brilhantes como esse:

Filantropos existem -> Papai Noel é uma representação de um filantropo  -> Papai Noel existe

Ou dezenas de outras pérolas
“If an ideology is peaceful, we will see its extremists and literalists as the most peaceful people on earth, that's called common sense.”

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"To claim that someone is not motivated by what they say is motivating them, means you know what motivates them better than they do."

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Offline lusitano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #131 Online: 15 de Março de 2010, 19:43:43 »

Adriano

Citar
"Agnóstico" disse: Você não pode dizer que papai noel existe.

........................................................... ...................

Se não existia, passa a existir a partir de agora em diante. 

........................................................... ....................

A realidade física e a realidade simbólica são diferentes. O simbolismo cultural é composto por informação e não se organiza da mesma forma que os seres vivos. A teoria memética até compara essa informação e dá vida a ela, considerando a sua replicação semelhante a informação genética no DNA, a raiz da vida. Mas não é muito aceita, os seres vivos são considerados os seres biológicos.

Se me disserem que o "pai natal" é um fantasma, ou um duende vermelho, que se faz transportar num trenó puxado por renas voadoras, que nem sequer têm asas - e excentricamente, entra pela chaminé duma casa (se essas casas tiverem chaminé) - e lá deixa ficar presentes agradáveis para os seus moradores, naturalmente que eu não acredito.

Mas se me disserem, que o "pai natal" é uma pessoa, ou conjunto de pessoas tipo Bill Gates, que têm fábricas que produzem todo o tipo de maravilhas tecnológicas, além de terem uma riqueza imensa em dinheiro, indispensáveis à sobrevivência humana e que mercê da compaixão e simpatia, que sentem pelo seu semelhante mais desfavorecido pela fortuna, distribuem uma parte dos seus bens, para os auxiliar, ou alegrar um pouco na sua pobre sorte, então eu digo que é óbvio que o "pai natal existe". Independente de se fazer representar por actores vestidos de forma extravagante, ou não. :idea:
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #132 Online: 15 de Março de 2010, 20:41:22 »
Agnóstico
 
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Mas afinal - o que é - que você rigorosa e "verdadeiramente" entende de "deus", para se arrogar o direito de estabelecer regras, sobre o autêntico significado dessa palavra, quando você é "agnóstico pró ateu" e marimba-se totalmente, para o facto de "deus ou deuses", existirem ou não. Você tem cá uma piada, camarada de fórum...  

........................................................... ....................................

O que eu entendo e deixo de entender pouco importa, mas eu uso as palavras com um significado que faça sentido dentro do contexto que eu estou discutindo


Também eu. :idea:

Citar
Não fico tagarelando estultices fora do tópico.

Não…? Pois a mim e a outras pessoas que frequentam este clube, você é um tagarela completamente estulto.

Citar
Só que o Deus dele é no sentido convencional,

........................................................... .....................

Então estamos falando de diferentes concepções de "deus".

........................................................... .....................

Não. Veja a reação dos outros foristas também. “Todos” estamos errados e você está certo.

Concerteza que sim!!! :arrow: :idea:

Citar
Mais uma vez, você se confunde e gera ruidos desnecessários e inúteis com essa sua obsessão em querer tirar das palavras o sentido que têm.

Você é que se confunde e gera ruídos desnecessários e inúteis, ao não compreender o significado das palavras.
 
Citar
E sabe lá você - o que é que de facto, um determinado crente - tem em mente quando usa a palavra "deus"?

Quantos crentes "convencionais", é que você conhece?

........................................................... .................

Sabe-se sim a maior parte dos atributos que os crentes têm quando falam em deus. Você que insiste em achar que não.

Você está laborando numa doce ilusão caro “Agnóstico”... Não acredito que você alguma vez tenha participado numa amostragem à escala internacional; para entrevistar as opiniões íntimas, sobre “deus” - dos variadíssimos tipos de crentes "convencionais" - em termos de religião comparada, incluindo os panteístas.

Citar
Você é que é ilógico - ao tentar ser mais papista que o papa - caro "Agnóstico".

……………………………………………………………….

Sim, eu e todos os outros foristas que estamos apontando suas groselhas.

Não acredito no que você está a dizer. Quando diz - «eu e “todos” os outros foristas» - está apenas a referir-se aos colegas da sua fábrica de marmelada.
 
Citar
Vá dizer disparates para outra freguesia caríssimo. Sabe lá você, o que está a dizer, ao fazer afirmações tão espirituosas como essa?

É óbvio que não!!! Parece-me evidente - que o seu senso comum - é excessivamente proverbial, caro "Agnóstico".

……………………………………………………………………..

Não precisa ser erudito. Só ter o mínimo de respeito pela lógica

Caríssimo: respeito a lógica tanto como você, ou mais. :arrow: :idea:

Citar
e não sair com raciocínios brilhantes como esse: Filantropos existem. Papai Noel é uma representação da filantropia. Papai Noel existe.

Ou dezenas de outras pérolas.

Obrigado por você reconhecer o brilhantismo de tal raciocinio e o valorizar com tais pérolas. :ok:

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Offline lusitano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #133 Online: 15 de Março de 2010, 22:12:59 »
"Agnóstico"


Citar
Eu aceitei a filosofia de Espinosa como absolutamente plausível, quer você concorde ou não

.....................................

Então leia-a e entende-a.
Se você quer usar a palavra natureza, use a palavra natureza. Deus tem uma outra conotação.
Seu "raciocínio" é assim. A natureza existe. Deus é a natureza. Logo deus existe. portanto quem acredita em deus está correto.

Veja, isso não tem sentido algum. você utiliza uma mesma palavra com dois significados dentro de uma própria frase e tira conclusões a partir disso. Isso é ridículo.

Faça-nos o favor. Use a palavra natureza para descrever natureza. E como você deveria ter percebido a partir do texto do Luiz Souto, não fique propagando uma simplificação tosca de espinosa.

Use as palavras corretamente.

Re: Sobre Agnosticismo - Era: Nova área - Agnosticismo
« Resposta #133 : 20 Jan 2009, 18:12:10 »    Citar

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Caros foristas - boa noite.

Dado o interesse que tenho pelo tema em debate, tomo a liberdade de vos apresentar uma pequena amostra das especulações filosóficas de Espinosa, retirado da “História da Filosofia”, escrita por Bryan Magee.

“Toda a Natureza é Una; e Ela é Divina. Apesar Dela  ser Tudo o que há, e estar em todas as coisas, esta totalidade também deve ser entendida, como aquilo que convém compreender como Deus; e deve ser pensado como um sistema material de física e matemática.”

Espinosa era judeu, o único judeu antes de Karl Marx a ocupar uma posição na primeira linha dos pensadores originais, entre os filósofos ocidentais.

Nasceu em Amesterdão na Holanda, em 1632. Recebeu uma educação e uma formação judaico-ortodoxa; mas devido às suas opiniões heterodoxas, foi expulso da comunidade judaica aos 24 anos.

Começou a viver uma vida solitária, ganhando a vida como polidor de lentes para óculos, microscópios e telescópios. Nessa altura, essa era uma profissão nova. Mesmo assim, apesar dessa vida solitária, as suas obras filosóficas tornaram-no famoso.

Mas quando lhe ofereceram, um posto de professor na Universidade de Heidelberg, em 1673, ele recusou, porque queria ficar sozinho a filosofar, de acordo com a sua própria mente, segundo ele mesmo disse.

Além da sua filosofia, Espinosa foi o primeiro erudito importante, a examinar as escrituras como documentos históricos. Ao fazer isso, inaugurou, o chamado “criticismo superior”.

Espinosa, tal como outros filósofos famosos, foi um polimata genuíno; por razões familiares, foi educado a saber falar espanhol e português, bem como neerlandês e hebraico e também escreveu em latim. Além disso para se tornar um distinto erudito bíblico, aprendeu matemática e aquilo que se apelidava “a nova ciência”; em particular as obras de Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, Hobbes e Descartes.

O seu conhecimento profissional, sobre microscópios e telescópios, deram-lhe uma visão avançada para o seu tempo, das possibilidades das novas tecnologias, que estavam a ser desvendadas pela nova ciência, a óptica. Poder-se-á dizer que a sua filosofia tentava juntar estas coisas e as suas implicações num todo integrado e metódico.

Espinosa ficou profundamente impressionado pela ciência e aceitou o concelho de Descartes, de que a maneira certa de construir um sistema filosófico a partir dos nossos conhecimentos científicos era começar por premissas indubitáveis e deduzir as consequências destas pelo raciocínio lógico.

Mas, ao mesmo tempo, percebeu que a filosofia de Descartes deixou certos problemas fundamentais por resolver. Se a realidade total, consiste em dois tipos diferentes de substâncias, que são afinal distintas, nomeadamente a substância material e a substância mental, ou seja a Matéria e a Mente, como é possível que a mente movimente a matéria através do espaço?

A resposta do próprio Descartes a esta pergunta era tão frágil, que não convenceu ninguém e os seus sucessores, não a achavam suficiente pertinente para ser discutida. Mas havia outros problemas por resolver, que eram de igual importância para Espinosa.

Ele era um ser humano profundamente moral, e também por temperamento, um homem de extrema religiosidade. E isso levantou-lhe toda a espécie de dificuldades no que respeita à nova ciência.

Se a realidade total, é a instância de um sistema dedutivo, na qual tudo o que existe ou acontece, pode ser deduzido com toda a necessidade da lógica de premissas evidentes, qual será o lugar da escolha moral, ou até mesmo da livre vontade? Como pode haver livre arbítrio, se tudo é cientificamente determinado?

E também qual era o lugar reservado a Deus nesse sistema? Se tudo o que acontece no Universo, pode ser explicado em termos de leis físicas, e compreendidas cientificamente por meio de equações matemáticas, parece que já não precisamos de Deus para fazer parte desta explicação.

Ele é deixado à margem de tudo, alheio ao sistema, por assim dizer supérfluo... Do século XVII ao século XXI, muitas pessoas ficaram - profundamente perturbadas e perplexas - com questões desse tipo.

Newton respondeu que foi Deus quem criou todo o Universo, e que depois o deixou a funcionar sozinho de acordo com as leis que tinha estabelecido; e que agora descobrimos serem leis, cientificamente demonstradas com a matemática. Mas isto não satisfazia Espinosa, que precisava de um Deus omnipresente em toda a Natureza.

Contra o dualismo.

A solução que Espinosa deu para estes problemas, começou com a ousada proeza de negar a premissa básica: negar a distinção fundamental entre matéria e a mente. Segundo ele, nós sabemos através das razões dadas por Descartes, que Deus existe e é um ser infinito e perfeito.

Mas, se Deus é infinito, então não pode ter fronteiras nem limites, porque se assim fosse ele seria finito. Assim não pode haver nada que Deus não seja; por conseguinte, Deus não pode ser uma entidade e a Natureza outra muito diferente. Porque isso seria estabelecer limites ao Ser que é Deus. Logo tem de estar no mesmo plano de tudo o que existe.

Há uma outra boa razão cartesiana para que isto aconteça. Descartes definiu substância, como aquilo que não precisa de nada exterior a si para existir. Mas Espinosa salientou, que apenas a totalidade de tudo que existe, é que não possui nada que lhe seja exterior. Dentro desta totalidade, tudo o que procuramos entender, tem de ser explicado, pelo menos parcialmente, em termos de algo diferente; as nossas explicações, sempre tomam pelo menos até certo ponto, a forma de coisas em união com outras.

A única entidade que não pode ser assim, é a totalidade de tudo; e isso, não pode ser assim, por si explicável e desligada de tudo; porque não existe mais nada. Isto significa, que é a única substância verdadeira; a única coisa que existe por si, a única causa sem causa aparente.

Mas estas coisas, são o que Deus pretende que sejam. Por consequência – novamente, mas por uma razão diferente – Deus tem de necessariamente, ser igual a todo o Universo. Deus portanto, é toda a Natureza.

Isto significa que, quer descrevamos o Cosmos em termos de concepções religiosas espirituais, quer em termos de estrelas, átomos e planetas, ou outros objectos materiais estudados pela Ciência, estamos sempre a descrever a mesma realidade natural.

Um conjunto de categorias, é abstracto ou mental, outro é concreto ou material, mas elas são meramente, duas maneiras diferentes de descrever a mesma realidade. A mesma entidade existente, está a ser observada sob dois aspectos diferentes. Assim Deus não se encontra fora do Mundo, nem dentro dele, ele é o Mundo.

Podemos dizer que o Universo físico é o seu corpo, apesar disso ser apenas uma forma de ver o assunto. Uma apreciação espiritual de analisar Deus, seria simplesmente outra maneira diferente de compreender o mesmo Ser.

Nós mesmos, apesar de aparentemente sermos criaturas finitas, temos o mesmo carácter dual num mesmo ser; nós somos os nossos corpos físicos, mas também somos as nossas almas: e isso não são duas pessoas diferentes, são uma e única pessoa. É como se o corpo fosse a alma na sua aparência exterior. O que leva a concluir que em realidade, só existe Deus sobre a aparência de Natureza e Universo; ou vice-versa.

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« Última modificação: 16 de Março de 2010, 07:17:12 por lusitano »
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #134 Online: 15 de Março de 2010, 23:11:58 »
Porque não coloca o original do espinosa onde aparecem esse raciocínio e nos mostra aqui? E mais uma vez, se foi espinosa ou não, e se ele se confunde com as palavras, problema é dele.
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Offline lusitano

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #135 Online: 16 de Março de 2010, 07:07:24 »
Agnóstico

Citar
Porque não coloca o original do espinosa onde aparecem esse raciocínio e nos mostra aqui? E mais uma vez, se foi espinosa ou não, e se ele se confunde com as palavras, problema é dele.


Você é muitíssímo espirituoso, não é caro "Agnóstico"...? A obra de Espinosa, tem milhares de paginas. Se você estiver interessado em conhecê-lo melhor, nas partes em que ele expõe as suas concepções sobre "deus" e a natureza  - para melhor - o conseguir refutar, então vá a uma biblioteca, onde esteja acessível ao público; ou então compre-a, ou peça-a emprestada a um conhecido ou amigo seu, que eventualmente a tenha. :arrow: :idea:
 
 
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #136 Online: 16 de Março de 2010, 09:19:56 »
sim.. fico com  a interpretação do Luiz Souto.. Sua interpretação é simplista.

E o fato é que você dá mil significados às palavras e essas perdem o significado que tem. Já não tenho mais o que conversar contigo.

abs
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Offline Luiz Souto

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #137 Online: 16 de Março de 2010, 22:02:52 »
Retornando rapidamente no tópico seria interessante que o Lusitano ( e quem mais se interessar, é claro) desse uma lida no texto de Ilyenkov Spinoza - Thougth as an Attribute of Substance onde este faz uma interpretação ateísta e não panteísta do motto Deus sive Natura e de onde tirei as concepções do post a que o Agnóstico se refere.
O capitulo anterior do mesmo livro, sobre Descartes, também é interessante.
Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

A liberdade só para os que apóiam o governo,só para os membros de um partido (por mais numeroso que este seja) não é liberdade em absoluto.A liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa de maneira diferente. - Rosa Luxemburgo

Conheça a seção em português do Marxists Internet Archive

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #138 Online: 17 de Março de 2010, 05:54:58 »
Luiz Souto

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Ars longa , Vita Brevis


  
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Retornando rapidamente no tópico seria interessante que o Lusitano ( e quem mais se interessar, é claro) desse uma lida no texto de Ilyenkov Spinoza - Thougth as an Attribute of Substance onde este faz uma interpretação ateísta e não panteísta do motto Deus sive Natura e de onde tirei as concepções do post a que o Agnóstico se refere.

O capitulo anterior do mesmo livro, sobre Descartes, também é interessante.

Caro Luiz Souto: muito obrigado pela sua sugestão. Eu também já tinha verificado pelas minhas investigações sobre o conceito de "deus" e por outros autores, que a leitura de Espinosa, tanto dá para ser d(t)eísta, como ateu.

Foi por me parecer mais lógico e por intuição mística, que escolhi uma opção
d(t)eísta. Uma vez que um certo "ateu", fundou a religião e a igreja da Humanidade. :)  
« Última modificação: 17 de Março de 2010, 06:05:22 por lusitano »
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Offline Alexandre Malta

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #139 Online: 01 de Abril de 2010, 21:16:35 »
Lusitano, a filosofia de Espinoza não elucida o universo de per si, visto que possue diversas incoerências muito bem elencadas por Kant no seu parecer frente a querela panteísta do século XVIII, eu penso que Espinoza deveria agradescer Lessing e seu discípulo Jacob pela propalação de suas teorias, pois se não fosse os mesmos, sua filosofia nunca seria conhecida no século das luzes, convém ressaltar que Jacob não é considerado um filósofo proemintente na história da filosfia e Lessing nem era filósofo, e sim dramaturco...
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #140 Online: 02 de Abril de 2010, 06:43:54 »
Alexandre Malta

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Lusitano, a filosofia de Espinoza não elucida o universo de per si, visto que possue diversas incoerências muito bem elencadas por Kant no seu parecer frente a querela panteísta do século XVIII, eu penso que Espinoza deveria agradescer Lessing e seu discípulo Jacob pela propalação de suas teorias, pois se não fosse os mesmos, sua filosofia nunca seria conhecida no século das luzes, convém ressaltar que Jacob não é considerado um filósofo proemintente na história da filosfia e Lessing nem era filósofo, e sim dramaturco...

Quanto a mim, o panteísmo espinosiano, apenas concilia o conceito de "deus" e o de natureza. Mais ou menos como dizer que... 1x1 = 1:1. Ou, 2+2 = 2x2.

Ademais, o que seria de toda a filosofia antepassada, se não tivesse sucedido o mesmo em relação a todos os que filosofaram antes dele?

Imagine também - se Gutemberg não tivesse existido - a imprensa tipográfica teria sido inventada?

Não esquecer que o panteísmo, sempre existiu de forma intuitiva. Pessoas como Espinosa, apenas sistematizaram essa ideia mais o menos prática, num argumento filosófico razoavelmente bem justificado.

 
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #141 Online: 02 de Abril de 2010, 07:49:59 »
tipo assim... deus é a natureza.. eu sou divino.. você é divino... uau... todos nós somos divinos e portanto... sei lá mil coisas.
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #142 Online: 02 de Abril de 2010, 08:23:31 »
Agnóstico

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tipo assim... deus é a natureza.. eu sou divino.. você é divino...


Sim... - é mais ou menos assim - que que eu especulo. :ok:

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uau... todos nós somos divinos e portanto... sei lá mil coisas.


Portanto - quer dizer, se você - sei lá, mil coisas estão ao seu alcance, se você por exemplo, tiver ambições políticas e se candidatar a prefeito da sua cidade; ou a senador federal, ou até mesmo à presidência da república nas próximas eleições. Pode conseguir vir a ser o "papai noel" do seu país. :idea:   
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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #143 Online: 02 de Abril de 2010, 08:33:25 »
Agnóstico

Citar
tipo assim... deus é a natureza.. eu sou divino.. você é divino...


Sim... - é mais ou menos assim - que que eu especulo. :ok:

Citar
uau... todos nós somos divinos e portanto... sei lá mil coisas.


Portanto - quer dizer, se você - sei lá, mil coisas estão ao seu alcance, se você por exemplo, tiver ambições políticas e se candidatar a prefeito da sua cidade; ou a senador federal, ou até mesmo à presidência da república nas próximas eleições. Pode conseguir vir a ser o "papai noel" do seu país. :idea:   




putz...vai começar essa estória de papai noel de novo?

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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #144 Online: 02 de Abril de 2010, 08:43:22 »
Gigaview

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putz...vai começar essa estória de papai noel de novo?

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Agnóstico: uau... todos nós somos divinos e portanto... sei lá mil coisas...


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Re: Ateísmo conscienciológico
« Resposta #145 Online: 02 de Abril de 2010, 16:03:58 »
acho que preciso usar smiles ou algo assim.. de poe rules.
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