Autor Tópico: Pelo direito de dirigir alcoolizado  (Lida 30977 vezes)

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Rhyan

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Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Online: 24 de Junho de 2008, 20:19:41 »
Pelo direito de dirigir alcoolizado
 

Por Lew Rockwell

 

N. do T.: com a entrada em vigor no Brasil do projeto de lei ("álcool zero") que proíbe a ingestão de qualquer quantidade de álcool por motoristas, o estado mostra mais uma vez que é incapaz de distinguir entre causa e efeito. Os americanos também enfrentam problemas semelhantes - apesar de que lá o teor permitido de álcool no sangue está em 0,08 - e Lew Rockwell explica a situação.

 

Em novembro de 2000, o ex-presidente Clinton ratificou um projeto de lei aprovado pelo Congresso que ordenava que os estados adotassem novos e mais onerosos padrões anti-embriaguez ao volante. Caso não fizessem isso, os estados iriam deixar de receber fundos federais para suas estradas. É isso mesmo: o antigo truque da chantagem rodoviária. Obviamente, os estados criaram novas e mais rigorosas leis contra a embriaguez ao volante, reagindo como esperado à chantagem federal.

Os federais declararam que um nível de álcool no sangue de 0,08 por cento ou maior é algo criminoso e deve ser severamente punido. A Associação Nacional dos Restaurantes está totalmente correta ao dizer que esse nível é absurdamente baixo. A esmagadora maioria dos acidentes relacionados à direção embriagada envolve réus contumazes com um nível de álcool no sangue duas vezes maior do que aquela. Se o padrão de 0,1 não os detém, um padrão mais baixo também não logrará êxito.

Mas há um ponto mais importante. O que exatamente está sendo criminalizado? Não é a falta de perícia ao volante. Não é a destruição da propriedade. Não é o extermínio de uma vida humana por causa de um comportamento imprudente. O que está sendo criminalizado é você ter a substância errada no seu sangue. No entanto, é de fato possível ter essa substância no seu sangue, mesmo ao dirigir, e não cometer nada que seja sequer semelhante ao que tradicionalmente se considera um crime.

Qual é a conseqüência de permitir que o governo criminalize o conteúdo do nosso sangue ao invés das ações em si? Demos ao governo o poder de tornar a aplicação das leis arbitrária, imprevisível e dependente do julgamento de policiais e técnicos. De fato, sem o "bafômetro" governamental, não há como saber ao certo se estamos infringindo a lei.

É claro, podemos fazer cálculos informais na nossa cabeça, baseando-se no nosso peso e na quantidade de álcool que ingerimos durante um certo período de tempo. Mas, na melhor das hipóteses, essas serão apenas estimativas. Temos de esperar que o governo nos ministre um teste que nos diga se somos criminosos ou não. Não é dessa maneira que a lei deve funcionar. Na realidade, isso é uma forma de tirania.

Por outro lado, a reação imediata é mais ou menos assim: dirigir alcoolizado tem de ser algo ilegal porque a probabilidade de causar um acidente aumenta dramaticamente quando você bebe. A resposta é bem simples: em uma sociedade livre, o governo não deve lidar com probabilidades. A lei deveria lidar com ações e com ações apenas, e somente na medida em que estas causarem danos a pessoas ou à propriedade. Probabilidades são para as seguradoras, que devem avaliá-las em um ambiente competitivo e voluntário.

É por isso que a campanha contra a perseguição racial é intuitivamente plausível para muitos: certamente uma pessoa não deveria ser perseguida somente porque alguns grupos demográficos apresentam uma taxa de criminalidade maior do que outros. O governo deveria estar impedindo e punindo crimes em si, não probabilidades e propensões. Da mesma forma, não deveria haver essa perseguição a motoristas, cuja idéia assumida é a de que só porque uma pessoa tomou alguns goles ela automaticamente passa a ser um perigo.

De fato, essa perseguição a motoristas é pior do que a perseguição racial, porque esta última apenas sugere que a polícia está mais vigilante, e não que ela esteja necessariamente criminalizando toda uma raça. Apesar da propaganda, o que está sendo criminalizado no caso da direção embriagada não é a probabilidade de a pessoa dirigindo se envolver em um acidente, mas, sim, a questão do teor de álcool no sangue. Um motorista bêbado é humilhado e destruído mesmo quando ele não cometeu dano algum.

Obviamente, a execução da lei é um problema sério. Um número considerável de pessoas saindo de um bar ou de um restaurante provavelmente seria classificado como motoristas embriagados. Mas não há como a polícia saber, a menos que eles desconfiem de um carro que esteja em zigue-zague ou flagrem manobras imprudentes. Mas aí a questão muda: por que não multar o motorista apenas pela manobra temerária e deixar o álcool de fora? Por que não?

Para ressaltar o fato de que o que está sendo criminalizado é a quantidade de bebida ingerida, o governo organiza essas ultrajantes barreiras policiais, que violam completamente as liberdades civis, apenas para parar as pessoas e checar seu sangue - mesmo quando elas não fizeram absolutamente nada. Esse é um ataque repulsivo à liberdade, um ataque que insinua que o governo tem e deve ter controle total sobre nós, controle esse que se estende até questões biológicas internas. Mas de algum modo aceitamos esse ultraje porque já admitimos a hipótese primeira de que o governo deve nos punir pelo conteúdo do nosso sangue, e não apenas por nossas ações.

Existem muitos fatores que fazem com que uma pessoa esteja dirigindo deficientemente. Ela pode estar com os músculos doloridos após uma sessão de levantamento de peso e apresentar reações mais lentas. Ela pode estar sonolenta. Ela pode estar de mau humor, ou irritada por ter brigado com o cônjuge. Será que o governo deveria ministrar testes de irritação, testes de cansaço, ou testes de dor muscular? Esse é o próximo passo, e não se surpreenda quando o Congresso começar a estudar essa questão.

Já está em movimento uma lei que vai proibir o uso de celulares quando se está dirigindo. Tal absurdidade vem da idéia de que o governo deve fazer julgamentos sobre o que nós supostamente estamos propensos a fazer.

E tem mais: algumas pessoas dirigem mais seguramente após alguns drinques, precisamente pelo fato de elas saberem que seu tempo de reação foi diminuído e que, por isso, elas devem prestar mais atenção na segurança. Todos nós conhecemos pessoas que têm uma incrível capacidade de dirigir perfeitamente bem mesmo após estarem alcoolicamente irrigadas. Elas deveriam ser liberadas das forças da lei, e só serem punidas caso de fato fizessem algo errado.

Devemos colocar um fim imediato nesse modismo. Direção alcoolizada deveria ser legalizada. E, por favor, não me escreva dizendo: "Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo. Mas é incorreto punir um assassino não por causa do seu crime mas por causa de alguma consideração biológica. É como dizer que o atropelador deve ser condenado pois tinha cabelo vermelho.

Assaltantes de banco costumam usar máscaras, mas o crime que eles cometeram nada tem a ver com a máscara. Da mesma maneira, motoristas ébrios provocam acidentes, mas motoristas sóbrios também; e muitos motoristas ébrios não causam acidente algum. A lei deveria se concentrar em violações contra a pessoa e contra a propriedade, não em excentricidades científicas como o conteúdo sangüíneo.

Há um último ponto contra o projeto de lei de Clinton. Trata-se de uma violação dos direitos dos estados. Não há uma autorização na Constituição que permita ao governo federal legislar o teor de álcool no sangue. Além disso, a décima emenda deveria ser suficiente para impedir que o governo o fizesse. A questão da embriaguez na direção deveria ser retornada aos estados, e então cada estado deveria liberar os motoristas ébrios das forças da lei.

_______________

Lew Rockwell é o presidente do Mises Institute, editor de LewRockwell.com, e autor de Speaking of Liberty.

 

 Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #1 Online: 24 de Junho de 2008, 20:33:01 »
Esse tal de "Lew Rockwell" andou bebendo antes de escrever isso?

Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #2 Online: 24 de Junho de 2008, 20:45:21 »
Hehehe, é muito polêmico. Mas faz sentido, sim...

Como eu disse no orkut, eu nunca vi ninguém deixar de beber porque vai voltar dirigindo. E não vi acidentes por causa disso. É muito comum dirigir embreagado nos fins de semana, mas a grande maioria que faz isso não comete acidentes.


Offline Fabi

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #3 Online: 24 de Junho de 2008, 20:47:07 »
Citar
Mas é incorreto punir um assassino não por causa do seu crime mas por causa de alguma consideração biológica. É como dizer que o atropelador deve ser condenado pois tinha cabelo vermelho.
Tudo a ver... a cor de cabelo afeta reflexos, a visão, o estado de conciência...
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Offline Diegojaf

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #4 Online: 24 de Junho de 2008, 20:53:38 »
Nossa... é tanta asneira que minha cabeça começou a doer...




EDIT: Não, até revejo... meu, até hoje, no meu curto tempo de experiência na polícia, TODOS os acidentes de fim de semana que atendi, TODOS, foram causados por motorista embriagado!!! E em 3 deles o cara ainda foi preso por desacato ou injúria ou tentativa de suborno.

Ahhh!! E melhor... um deles bateu o carro numa praça, num sábado a tarde, onde trocentas crianças brincavam. Ele só não acertou as crianças porque um bebedouro daqueles de chão parou o carro.

Cara, hoje, depois das coisas que eu já vi,  por mim eu arrancava o coração de quem dirige bêbado...
« Última modificação: 24 de Junho de 2008, 21:04:10 por Diegojaf »
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Offline Oceanos

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #5 Online: 24 de Junho de 2008, 20:58:22 »
Hehehe, é muito polêmico.
... e falacioso, doente e desonesto.

Como eu disse no orkut, eu nunca vi ninguém deixar de beber porque vai voltar dirigindo.
Você precisa de amigos mais responsáveis.

E não vi acidentes por causa disso. É muito comum dirigir embreagado nos fins de semana, mas a grande maioria que faz isso não comete acidentes.
Verdade. Fodam-se as "poucas" [sic] pessoas que morrem, afinal, o direito de dirigir embriagado vale mais que a vida de alguns poucos inocentes retardados que estavam na calçada enquanto irresponsáveis bêbados dirigem para compensar o tamanho do seu pau!
« Última modificação: 24 de Junho de 2008, 21:05:30 por Oceanos »

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #6 Online: 24 de Junho de 2008, 20:58:36 »
Hehehe, é muito polêmico. Mas faz sentido, sim...

Como eu disse no orkut, eu nunca vi ninguém deixar de beber porque vai voltar dirigindo. E não vi acidentes por causa disso. É muito comum dirigir embreagado nos fins de semana, mas a grande maioria que faz isso não comete acidentes.



Só que a minoria  que bebe e se envolve em acidentes acaba matando quem não teve nada a ver com a bebedeira.

Ou será que não dá para ter uma idéia do que acontece  nas estradas a cada fim de semana prolongado?

Certa vez aqui no bairro , um motorista de caminhão acabou com um carro estacionado na rua e nem percebeu isso. Pegaram o cara umas ruas depois do local da batida porque ele parou para beber mais em um boteco.

E tb teve o caso do idiota que matou uma familia inteira que atravessava a rua em uma faixa de pedestres, o idiota estava bêbado e andando a mais de 130  em um local onde a velocidade máxima é 50.

Offline Oceanos

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #7 Online: 24 de Junho de 2008, 20:59:14 »
Nossa... é tanta asneira que minha cabeça começou a doer...
Ainda bem que HDs não são feitos de água potável. Pensou que desperdício ter isso armazenado em algum?...

Offline Fabi

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #8 Online: 24 de Junho de 2008, 21:00:44 »
Eu acho que as pessoas deveriam ter o direito de dirigir em coma.... técnicamente... é um estado biológico...é só por a pessoa sentada no banco...o pé no acelerador...e a mão no volante.... e deixar a pessoa em coma dirigir....


(To sendo sarcástica...)
« Última modificação: 24 de Junho de 2008, 22:11:54 por Fabi »
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Offline Oceanos

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #9 Online: 24 de Junho de 2008, 21:02:22 »
Só que a minoria  que bebe e se envolve em acidentes acaba matando quem não teve nada a ver com a bebedeira.

Ou será que não dá para ter uma idéia do que acontece  nas estradas a cada fim de semana prolongado?

Certa vez aqui no bairro , um motorista de caminhão acabou com um carro estacionado na rua e nem percebeu isso. Pegaram o cara umas ruas depois do local da batida porque ele parou para beber mais em um boteco.

E tb teve o caso do idiota que matou uma familia inteira que atravessava a rua em uma faixa de pedestres, o idiota estava bêbado e andando a mais de 130  em um local onde a velocidade máxima é 50.
Na minha cidade um filhinho de papai de 18 anos pegou o caminhão do pai e bateu de frente com um ônibus que ia para a capital. Fico feliz pela vida do motorista do ônibus que morreu não antes de ver suas tripas sobre o volante e lembrar que não ia mais ver sua família: ele morreu por uma causa nobre, o direito de pessoas dirigirem embriagadas.

Offline Diegojaf

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #10 Online: 24 de Junho de 2008, 21:07:49 »
Nossa... é tanta asneira que minha cabeça começou a doer...
Ainda bem que HDs não são feitos de água potável. Pensou que desperdício ter isso armazenado em algum?...

É bom que caras assim existam e escrevam coisas desse tipo porque de vez em quando eu penso em coisas do tipo "será que as pessoas não são maduras o suficiente para terem bom senso sobre certas coisas??"...

Esse é o tipo de texto que me mostra que não, são um bando de bebês que têm que ser vigiados 24hs por dia já que por causa de uns poucos, todo mundo toma na b...
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #11 Online: 24 de Junho de 2008, 21:09:34 »
Só que a minoria  que bebe e se envolve em acidentes acaba matando quem não teve nada a ver com a bebedeira.

Ou será que não dá para ter uma idéia do que acontece  nas estradas a cada fim de semana prolongado?

Certa vez aqui no bairro , um motorista de caminhão acabou com um carro estacionado na rua e nem percebeu isso. Pegaram o cara umas ruas depois do local da batida porque ele parou para beber mais em um boteco.

E tb teve o caso do idiota que matou uma familia inteira que atravessava a rua em uma faixa de pedestres, o idiota estava bêbado e andando a mais de 130  em um local onde a velocidade máxima é 50.
Na minha cidade um filhinho de papai de 18 anos pegou o caminhão do pai e bateu de frente com um ônibus que ia para a capital. Fico feliz pela vida do motorista do ônibus que morreu não antes de ver suas tripas sobre o volante e lembrar que não ia mais ver sua família: ele morreu por uma causa nobre, o direito de pessoas dirigirem embriagadas.


Engraçado essa inversão de valores que  certas pessoas como o tal do Lew-pinguço-sei-lá-o-quê tem...

Vi na tv um americano defendendo o direito das pessoas se drogarem nas ruas "pela liberdade pessoal de fazer isso se quiser", mas acho que não passa pela cabeça deles que as outras pessoas tem o direito da andar pela mesma rua sem  ter de aturar um alucinado querendo roubar para manter o próprio vício....

Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #12 Online: 24 de Junho de 2008, 21:10:52 »
É como a legalização das drogas, não pode ser proibida por causa de uma minoria irresposável.

Vocês acham correto multar e retirar o carro de alguém que bebe uma cervejinha???

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #13 Online: 24 de Junho de 2008, 21:14:10 »
É como a legalização das drogas, não pode ser proibida por causa de uma minoria irresposável.

Vocês acham correto multar e retirar o carro de alguém que bebe uma cervejinha???

Se o cara que bebeu a cervejinha esmagar as pernas de alguém de sua família contra uma parede, vc defenderia o direito dele continuar bebendo e dirigindo?

Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #14 Online: 24 de Junho de 2008, 21:15:22 »
O Governo Bebeu?


Rodrigo Constantino

“A mais importante mudança que o controle extensivo do governo produz é uma mudança psicológica, uma alteração no caráter das pessoas.” (Hayek)

Em mais uma medida claramente autoritária e arbitrária, o governo brasileiro avança sobre a liberdade individual com a justificativa de cuidar do povo, tratado sempre como um bando de mentecaptos irresponsáveis. Agora qualquer presença de álcool no sangue dos motoristas será punida com multa elevada, de quase mil reais, e perda de vários pontos na carteira. Ataca-se, como de praxe, os efeitos, e nunca as causas. Se há muitos acidentes causados pela ingestão de bebida, então proíbe-se qualquer consumo de bebida alcoólica por parte dos motoristas. Se há assaltos com bandidos na garupa de motos, então veta-se gente na garupa. Se há assaltos em caixas eletrônicos de madrugada, então fecha-se os caixas. Em breve, vejo a possibilidade do governo proibir o dinheiro, já que o alvo dos crimes acaba sendo o “maldito”. No Brasil, predomina a mentalidade de eliminar o sofá para acabar com o adultério. Não por acaso somos recordistas em criminalidade!

Não obstante a enorme dificuldade de colocar uma lei dessas em prática, já que seriam necessários inúmeros “bafômetros” que a polícia nem sequer possui, a medida deve ser condenada por sua natureza injusta. Qual o motivo pelo qual as pessoas estão sendo criminalizadas? Não pela direção perigosa, nem por destruir propriedade ou causar acidentes. Os motoristas não estão sendo colocados na marginalidade por qualquer ato concreto de imprudência no volante. O crime cometido é somente ter certa substância no sangue, mesmo que uma gota de álcool. No entanto, é perfeitamente possível ter essa substância no sangue e não cometer crime algum. De fato, a grande maioria das pessoas que consomem bebida alcoólica não causa acidentes. A expressão jurídica abusus non tollit usum resume bem a questão: o fato de alguns irresponsáveis abusarem de determinada liberdade não é motivo para tolher a liberdade dos demais.

O presidente do Mises Institute, Llewellyn Rockwell, questiona sobre medida similar tomada pelo governo Clinton em 2000: “O que fizemos ao permitir que o governo criminalize o conteúdo de nosso sangue em vez de ações concretas?” O governo passa a ter o poder de aplicar uma lei arbitrária, dependente do julgamento de policiais. Sem o “bafômetro”, nem mesmo é possível saber se a lei foi ou não quebrada. Quanto tempo antes de dirigir é preciso ficar sem beber? Como saber se está na ilegalidade ou não? Se o motorista experimentou um gole de determinado vinho, ele é um criminoso pela nova lei. Isso é típico de uma tirania. Rockwell chega a defender a legalização de se dirigir bêbado, punindo apenas as infrações na direção que colocam a vida dos demais em risco. Ou seja, pune-se os atos concretos que demonstram que aquele motorista em particular está dirigindo de forma ameaçadora, mas não se pune ninguém com base em uma probabilidade apenas. Muitos podem achar isso radical demais, mas eu pergunto: não é extremamente radical colocar na criminalidade alguém que bebeu uma taça de vinho com a mulher e voltou para casa dirigindo? Isso sim é radical.

Para Rockwell, o governo de uma sociedade livre não deve lidar com probabilidades, apenas com atos que agridem a propriedade alheia de fato. Ele lembra os perigos dessa postura que pune com base em probabilidades, citando o caso das medidas racistas porque determinado grupo racial ou demográfico apresenta maior taxa de criminalidade. Se há uma maior probabilidade de um negro cometer um roubo, através de estatísticas, isso quer dizer que um negro deve ser punido sem ter feito nada errado, apenas com base numa probabilidade? Como Rockwell lembra, “o governo deveria estar prevenindo e punindo os próprios crimes, não probabilidades e propensões”. No filme Minority Report, com Tom Cruise, a polícia prende as pessoas com base na previsão de crimes feita por “oráculos” clarividentes. Atualmente, as pessoas parecem dispostas a delegar o mesmo poder ao governo, contando com a “clarividência” das estatísticas, mesmo que várias injustiças sejam cometidas enquanto isso.

Existem vários motivos pelos quais as pessoas dirigem mal. Em primeiro lugar, o motorista pode simplesmente ser “barbeiro”. Ou ele pode estar cansado, de mau humor, nervoso por algum motivo qualquer. Pode ainda estar distraído com a música do rádio. Por várias razões distintas, o motorista pode prejudicar sua capacidade de direção. Será que o governo deveria ter a permissão de testar essas características, aplicando testes de sonolência ou humor das pessoas? Quem acha pouco provável que o avanço estatal chegue a tanto, não custa lembrar que o uso do telefone celular já foi vetado. Qualquer policial pode multar um motorista alegando que o viu falando no celular, e mesmo com viva-voz não é permitido! A transferência de tanto poder arbitrário para os policiais, ainda mais os brasileiros, é um atentado contra a liberdade individual. No fundo, acaba que tanta dificuldade criada serve apenas para a venda de facilidades pelos agentes da lei. O suborno cresce na mesma proporção da quantidade de novas regras criadas pelo governo. São tantas coisas que fazem um motorista estar na ilegalidade, que sai muito mais barato dar uma “gorjeta” para o policial.

Sair para tomar uma cerveja com os amigos ou beber um vinho com a namorada vai custar bem mais caro agora. Será preciso computar nos custos o risco de ser parado por uma blitz, que em vez de perseguir bandidos verdadeiros estará achacando motoristas em busca de uma “cervejinha”. Se a lei fosse seguida mesmo, o negócio de bares e restaurantes seria muito prejudicado. Talvez o lobby dos taxistas tenha um dedo nessa lei, pois qualquer um que objetiva beber um gole de álcool não poderá voltar dirigindo para casa. Já não é permitido fumar num bar, propriedade privada. Agora querem dificultar e muito a venda de bebida. Melhor proibir os bares e restaurantes logo de uma vez! Os acidentes devem cair bastante... assim como a liberdade.

Alguém pode alegar que isso é uma insensibilidade, pois um parente ou amigo próximo foi morto num acidente por culpa do álcool. Mas a mentalidade por trás disso é a mesma que culpa as armas pelos crimes, e não os homens que puxam o gatilho. Acham que proibindo a venda de armas vão acabar com os crimes. Não funciona assim. O maior problema não é a liberdade de beber um pouco e dirigir, mas a falta de punição severa para quem causa um acidente por qualquer displicência. O consumo de álcool nesses casos pode muito bem ser tratado como um sério agravante para o culpado. Mas o que estará sendo punido é o ato em si, não uma probabilidade dele ocorrer. Bebeu e bateu, matando algum inocente? Punição severa!

A liberdade individual estará garantida, com a cobrança de sua concomitante responsabilidade. Cada um escolhe se vai beber ou não, se vai dirigir cansado ou não, com sono ou não, nervoso ou não. Mas se causar um acidente por imprudência, será responsabilizado e punido de acordo. Isso é muito mais eficiente e justo, além de tratar adultos como seres responsáveis. A alternativa é a postura adotada sempre nesse país: tratar adultos como crianças irresponsáveis, como verdadeiros mentecaptos que precisam da tutela estatal para tudo. Paradoxalmente, esses mesmos mentecaptos devem ser livres para votar e escolher o governante que irá cuidar deles no detalhe. Uma contradição e tanto! O efeito mais perverso desse excesso de tutela estatal, conforme disse Hayek na frase da epígrafe, é a destruição da responsabilidade individual no longo prazo, uma mudança no caráter das pessoas. O governo não deve nos proteger de nós mesmos!

Antes que alguém afirme que medidas semelhantes foram adotadas em diversos países desenvolvidos, lembro que a tutela estatal não é monopólio brasileiro, apesar de ser uma característica bem mais marcante nos países mais pobres. Os países ricos adotam muitas medidas erradas também, e os Estados Unidos mesmo já adotaram a estúpida Lei Seca, parindo mafiosos como Al Capone. O incrível é essa mania brasileira de copiar apenas aquilo que não presta. A liberdade econômica, a maior abertura comercial, as causas do relativo sucesso desses países não são admiradas ou copiadas por aqui. Mas quando é para justificar algum novo avanço sobre nossas liberdades, aí o exemplo de fora é citado. E eis que nosso governo resolve ser mais radical ainda que os demais, vetando qualquer consumo de bebida alcoólica para motoristas. Resta apenas perguntar: o governo bebeu?

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Offline Diegojaf

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #15 Online: 24 de Junho de 2008, 21:16:16 »
É como a legalização das drogas, não pode ser proibida por causa de uma minoria irresposável.

Vocês acham correto multar e retirar o carro de alguém que bebe uma cervejinha???

É o mínimo que se pode fazer... o carro nas mãos de alguém alcolizado é uma arma. É um prazer enorme algemar um cara desses enquanto ele fala embolado "Abuso policial... eu não fiz nada... vão prender bandido"...
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Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #16 Online: 24 de Junho de 2008, 21:20:16 »
Se o cara que bebeu a cervejinha esmagar as pernas de alguém de sua família contra uma parede, vc defenderia o direito dele continuar bebendo e dirigindo?

Que falácia é essa?

Offline Luiz Souto

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #17 Online: 24 de Junho de 2008, 21:21:43 »
Achei o texto do Lew Rockewll  , mas o do Constantino... é imbecil !
Tem que proibir sim, tem que multar sim , tem que prender sim.Quer dirigir ? Não beba.
Não gostou , achou a sua liberdade afrontada? Dane-se , a liberdade individual não pode ameaçar a sociedade.
Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

A liberdade só para os que apóiam o governo,só para os membros de um partido (por mais numeroso que este seja) não é liberdade em absoluto.A liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa de maneira diferente. - Rosa Luxemburgo

Conheça a seção em português do Marxists Internet Archive

Offline Fabi

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #18 Online: 24 de Junho de 2008, 21:29:07 »
Citar
A liberdade individual estará garantida, com a cobrança de sua concomitante responsabilidade. Cada um escolhe se vai beber ou não, se vai dirigir cansado ou não, com sono ou não, nervoso ou não. Mas se causar um acidente por imprudência, será responsabilizado e punido de acordo.
Quanto absurdo...esse cara precisa urgentemente conhecer os efeitos da bebida alcóolica no organismo...e se ele pensar um pouquinho...mas só um pouquinho vai entender porque beber e dirigir não dá certo...
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/etanol2.htm
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #19 Online: 24 de Junho de 2008, 21:29:16 »
Se o cara que bebeu a cervejinha esmagar as pernas de alguém de sua família contra uma parede, vc defenderia o direito dele continuar bebendo e dirigindo?

Que falácia é essa?

"Vocês acham correto multar e retirar o carro de alguém que bebe uma cervejinha???"

Suponho que vc defende o direito do motorista tomar a tal cervejinha e sair dirigindo, então quero saber se vc ainda defenderia esse direito se alguém da sua família fosse morto pelo tal motorista.

Faço a pergunta que acho tem a ver com o tópico, por que o que não faltam nos noticiários são casos de gente que "só tomou uma cervejinha" antes  de arrebentar quem não tinha nada a ver com isso.

Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #20 Online: 24 de Junho de 2008, 21:29:59 »
Esse texto deu mais revolta por aqui que o de venda de orgãos e o de venda de bebês.

Rhyan

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #21 Online: 24 de Junho de 2008, 21:33:26 »
"Vocês acham correto multar e retirar o carro de alguém que bebe uma cervejinha???"

Suponho que vc defende o direito do motorista tomar a tal cervejinha e sair dirigindo, então quero saber se vc ainda defenderia esse direito se alguém da sua família fosse morto pelo tal motorista.

Faço a pergunta que acho tem a ver com o tópico, por que o que não faltam nos noticiários são casos de gente que "só tomou uma cervejinha" antes  de arrebentar quem não tinha nada a ver com isso.

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"Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo.

Offline Fabi

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #22 Online: 24 de Junho de 2008, 21:39:08 »
Os efeitos de 1 copo de cerveja 1 cálice peq.vinho, 1 dose uísque ou de outra bebida destilada=> As funções mentais começam a ficar comprometidas. A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas.

2 copos cerveja, 1 cálice grande de vinho, 2 doses de bebida destilada=> O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando a sensação de calma e satisfação.

3 ou 4 copos de cerveja, 3 copos de vinho, 3 doses de uísque => Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade; superestimação das possibilidades e minimização de riscos; e tendência à agressividade.

grandes quantidades de bebida alcoólica (acima de 0,8 g/l ) => Dificuldades de controlar automóveis; incapacidade de concentração e falhas de coordenação neuromuscular.

Me diz, alguém com as funções mentais comprometidas pode dirigir? :hein:
Difficulter reciduntur vitia quae nobiscum creverunt.

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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #23 Online: 24 de Junho de 2008, 21:42:38 »
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"Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo.


E quem tira carteira de motorista sabe que vai ter de aceitar certas regras.

Quem quiser beber, que compre a cerveja e beba quando chegar em casa.

É exatamente o que eu faço.

Offline Luiz Souto

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Re: Pelo direito de dirigir alcoolizado
« Resposta #24 Online: 24 de Junho de 2008, 21:45:08 »
Citar
"Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo.


E quem tira carteira de motorista sabe que vai ter de aceitar certas regras.

Quem quiser beber, que compre a cerveja e beba quando chegar em casa.

É exatamente o que eu faço.

2
Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

A liberdade só para os que apóiam o governo,só para os membros de um partido (por mais numeroso que este seja) não é liberdade em absoluto.A liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa de maneira diferente. - Rosa Luxemburgo

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