Autor Tópico: O mito de Zumbi dos Palmares  (Lida 17356 vezes)

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Offline AlexCD

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Re: O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #100 Online: 13 de Março de 2010, 00:42:54 »
Poderíamos discorrer linhas e mais linhas sobre a falsidade dos chamados mitos heróicos, qualquer pesquisa mais profunda vai arranhar a imagem desses heróis pois eles antes de tudo humanos.

 Em nosso eterno complexo de vira latas nos sentimos diminuídos frente a suposta grandeza dos heróis estrangeiros sem perceber como eles também são mitos facilmente diminuídos pela realidade dos fatos.

 Se por exemplo é verdade que os Irmãos Wright foram os primeiros a voarem em um avião, inclusive indo bem mais longe que Santos- Dumont, este não precisou catapultar seu aparelho para dar seu curto voo, isto absolutamente não diminui os feitos deles. Assim como as perspectiva empresarial dos Wright para suas invenções não é pior ou melhor que o desprendimento de Dumont em relação as dele.

  Sobre o caso do mito de Zumbi, claro que muito do que se propaga é isto, mito, esquecem-se os defeitos e valorizam-se os atos que consideramos certos.  Partindo do principio que Zumbi existiu e que ele tinha escravos, isto o torna menos admirável que os Pais Fundadores  dos Estados Unidos, muitos senhores de escravos ?  Quem seria pior ? Os brancos iluministas interessados em manter seus lucrativos negócios ou o negro herdeiro de uma sociedade em que praticas escravistas se perdem no tempo ?  Eu só vejo homens que refletem as grandezas e baixezas de seus tempos.

  Para o bem ou para o mal precisamos de heróis, faz parte de nossa espécie admirar lideres, criar representações de nossos ideais,  talvez um dia nos livremos dessa limitação, mas até lá vamos continuar a cria-los como modelos a serem seguidos, mesmo que seus pés sejam feitos de barro.  Vamos ser apenas adultos o suficientes para admitir que eles são falhos, são humanos, alguns podem ser ou ter sidos maus pais ou mães, maus maridos ou esposas, maus administradores, etc... ou que em determinado momento não tomaram a decisão certa ou se comportaram como esperávamos.

  Muito da História , eu diria tudo nela na verdade, passa por filtros ideológicos, cabe a cada um analisar as diferentes versões apresentadas, provavelmente o mais parecido com a verdade dos fatos esteja em algum lugar no meio do caminho de opiniões extremas.

Offline Zeichner

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Re: O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #101 Online: 13 de Março de 2010, 18:59:22 »
Só me fica uma pergunta.
Se lutamos para desmascarar o mito de Jesus, onde está o ceticismo em manter o Mito de Zumbi?

Mitos tem que cair. Todos.

Fatos sempre revelam mais, permitindo a verdadeira tolerância.

Offline Buckaroo Banzai

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Re: O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #102 Online: 13 de Março de 2010, 19:57:42 »
O que é estranha é essa fixação com o Zumbi, mais estranho que com Jesus, se formos pensar na relativa quietude quanto as outras figuras citadas pelo AlexCD.

Offline Geotecton

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Re: O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #103 Online: 26 de Março de 2010, 23:52:25 »
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Ao mesmo tempo que não gosto de "orgulho racial" branco ou preto, também não vejo com bons olhos essa birra, esse certo ranço que uns demonstram contra esses movimentos negros, que são consideravelmente menos nocivos (e talvez até um pouco saudáveis) e bem diferentes em vários aspectos (mas não necessariamente sempre) que os de "orgulho branco".

A história, de qualquer forma, deve se ater as evidências e não ser moldada/floreada para agradar a quaisquer grupos em particular.
Orgulho racial é algo deplorável em qualquer circunstância, a meu ver. E isso inclui a circunstância em que os membros da etnia orgulhosa tenham sido considerados "inferiores" no passado.

A "birra", o "ranço" no momento obviamente não poderia ser com os prosélitos do orgulho branco: ao menos esses ninguém considera levar a sério. Ao menos no que se refere a esse orgulho, é quase unânime que se trata de algo estúpido. Panfletar contra o orgulho branco, para conscientizar as pessoas de que isso é estúpido, é como chover no molhado (ao menos no Brasil).

Já o racialismo negro - e também o indígena - é a moda do momento. (Que na verdade fazem parte de uma tendência maior de considerar todo o tipo de minoria como detentora de direitos especiais). O racialismo negro e indígena pode não ser nocivo no mesmo sentido em que se observa entre os racialistas brancos. Mas é nocivo, de qualquer forma: tais pessoas vêm obtendo uma série se benefícios em cima de todos os demais pelo simples fato de pertencerem aos grupos raciais que pertencem. O exemplo disso mais conhecido é a política de cotas raciais. Como se não bastasse esse tipo de política em ambientes públicos, já há quem queira transferi-la para todos os demais setores da sociedade. Ou também a polícia racial que está para ser criada. Os indígenas com suas próprias leis e seu próprio território, intocáveis bom selvagens que têm licença para depredar livremente e até matar, também ilustram isso.

Sinceramente, não me importaria nem um pouco se todos esses orgulhosos mantivessem seu orgulho só para si próprios, assim como não ligo para os religiosos quando eles mantêm suas religiões na sua esfera privada. Mas o que acontece? Usam de seu orgulho para conquistar privilégios às custas de toda a sociedade, empregando o típico coitadismo e uma propaganda tão canalha que surpeende que tenha tantos adeptos.

2, Herf!

Agora são 3.
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Offline Geotecton

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Re: O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #104 Online: 26 de Março de 2010, 23:56:32 »
Só me fica uma pergunta.
Se lutamos para desmascarar o mito de Jesus, onde está o ceticismo em manter o Mito de Zumbi?

Mitos tem que cair. Todos.

Fatos sempre revelam mais, permitindo a verdadeira tolerância.

Desde o mito de Duque de Caxias até o de Jesus, passando pelos esportivos locais (pelés e airtons sennas da vida) e internacionais; mais os culturais, políticos, científicos, e o que mais aparecer.

Podem trazer uma .50? :histeria:
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #105 Online: 09 de Outubro de 2019, 14:50:49 »

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<a href="https://www.youtube.com/v/FxWEpbVAJbk" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/FxWEpbVAJbk</a>

Embora não esteja amparada por nenhuma documentação histórica, a hipótese de que Zumbi dos Palmares tenha sido um senhor de escravos ganhou força no século XXI. De onde veio essa história e que interesses ela atende? É o que a gente tenta descobrir hoje.


Esse canal é geralmente bem ponderado, razoável, mas não gostei tanto do tratamento no assunto, apesar de colocarem alguns pontos interessantes (faz tempo que vi, foi essa a impressão que ficou).

Ainda tenho a forte desconfiança de que o mais provável é que Palmares fosse similar a outros quilombos ou comunidades de pessoas fugindo da escravidão nas Américas, onde, segundo dizem historiadores, havia reprodução das estruturas sociais de sociedades africanas (onde, de qualquer forma, a escravidão não se dá nos mesmos moldes), e até mesmo tréguas colaborativas com a sociedade euro-americana, entregando novos fugitivos com os quais esbarravam. Também já li algo como uma "escravidão de quarentena" logo que o novo ex-escravo é admitido.

Pode ser que Palmares fosse exceção, talvez o tamanho favorecesse a isso, mas deve ser algo difícil de comprovar com evidências históricas.











https://www.nexojornal.com.br/especial/2017/07/07/Censo-de-1872-o-retrato-do-Brasil-da-escravid%C3%A3o

Offline Pedro Reis

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #106 Online: 09 de Outubro de 2019, 19:12:55 »

Citar
<a href="https://www.youtube.com/v/FxWEpbVAJbk" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/FxWEpbVAJbk</a>

Embora não esteja amparada por nenhuma documentação histórica, a hipótese de que Zumbi dos Palmares tenha sido um senhor de escravos ganhou força no século XXI. De onde veio essa história e que interesses ela atende? É o que a gente tenta descobrir hoje.


Esse canal é geralmente bem ponderado

Não acho que este canal seja ponderado. É um canal de propaganda esquerdista, acredito que seja de propaganda petista. Mas é inteligentemente formatado para parecer ponderado.

Essa é a minha impressão. Eis a minha teoria:

Meteoro.doc não é só um canal que algumas pessoas de pensamento progressista resolveram criar. Deve haver um planejamento e um razoável investimento por trás, provavelmente de interesses políticos. Provavelmente por parte do próprio PT.

Pra começar o locutor sempre encerra os vídeos dizendo que o canal é exclusivamente mantido por doações dos assinantes, para dar uma ideia de independência. É mentira! Observando a qualidade destacada dos vídeos, que são sempre muito bem feitos e profissionais, muito bem produzidos, não parece coisa amadora. Quem tem mesmo uma mínima noção básica de como é produzido conteúdo para o Youtube percebe que existe uma equipe competente por trás. O que demanda um custo razoável.

Claro que poderia ter surgido pequeno, amador, e com o apoio financeiro dos assinantes aos poucos ter se tornado cada vez mais bem feito e profissional. Mas os 1os vídeos já tinham essa qualidade, o que indica a existência de um projeto para o lançamento do Meteoro.doc no YT. Algum dinheiro já existia antes de existirem assinantes para contribuir com dinheiro.

Mas tudo é muito bem feito: a vinheta, a programação visual, a trilha sonora, os locutores são profissionais, há um ótimo trabalho de pesquisa em cada vídeo...

Assim como acho que muitos canais e influencers de direita surgiram porque foram patrocinados ou estimulados ( como a própria Patrícia Lelis 'entrega' em uma entrevista... ), o Meteoro deve ser uma reação de quem percebeu essa tendência e o poder dessa nova maneira de formar opiniões e influenciar pessoas. Mas foi pensado para ser um contraponto, um contraste com os métodos e padrões que a propaganda direitista está usando. Apostando no desgaste deste modelo. Que apesar de ter se mostrado eficiente, deve se desgastar porque em essência é um modelo que abusa da desonestidade.

A gente observa nessa nova propaganda direitista de internet, muitos daqueles padrões apontados pela palestrante no TED quando descreve características de material a serviço do astroturfing. Que é a eloquência exagerada, a retórica hitérica, o apelo frequente à ironia e ao deboche, abuso das afirmações tanto superlativas quanto gratuitas, fake news,  e muita, muita desonestidade intelectual. Tudo que há em comum no material do MBL, no Nando Moura, no Bernardo Kuster, na prof. Mariza e em um monte que parece até que fizeram curso de youtubers de política em uma mesma escola.

Mas no Meteoro tudo é suave, da música ao visual, passando pela voz e tom sereno dos locutores. É modesto, eles dizem respeitar sua opinião e frequentemente preferem "eu acho" a "eu sei" ou "isto é assim"... Parecem ponderados e toda a "embalagem" ajuda a fazer parecer ponderados. E vão parecer ainda mais ponderados quando muitas pessoas começarem a aprender como estão sendo enganadas por estes quase terraplanistas de direita como Olavo, Nando Moura e Kuster. (Sim, estes aí já estão flertando com o terrachatismo...). Mas eu também já vi alguns vídeos nesse canal bastante tendenciosos e capciosos na manipulação. Ainda assim parecendo ponderados.

Sobre o vídeo especificamente, é muito bom. A real intenção é mostrar tanto as segundas intenções ideológicas subliminares por trás de novas teses revisionistas que de repente estão surgindo sobre História, sociologia, política, etc... quanto a maneira que é utilizada para convencer as pessoas sobre afirmações que até pouco tempo pareceriam excêntricas. Como nazismo é de esquerda, Paulo Freire
é um idiota incompetente ou Zumbi era senhor de escravos, escravos estes que eram entregues aos portugueses sempre pelos próprios africanos... e similares. O vídeo não quer realmente discutir Zumbi ou escravidão no Brasil, quer conscientizar o espectador sobre o fato de haver uma predisposição ou intenção ideologicamente orientada no "pesquisador", que sem nenhuma evidência concreta construiu uma tese que denigre a imagem histórica de Zumbi. Não por coincidência, um personagem de dimensão heróica no imaginário da cultura popular e também cultuado por movimentos que se intitulam de defesa das minorias mas que são apoiados por partidos e políticas de esquerda. Mais especificamente do PT. Então o espectador aprende que este era o alvo já pré-determinado dessa nova heterodoxa tese em História do Brasil: desconstruir o 'bom mocismo' das políticas sociais da esquerda, sutilmente desconstruindo o bom mocismo de seus ícones e heróis. Fabricados ou não.

A respeito do argumento dessa tese, o que eu julgo de mais falho é o uso indevido da técnica de estudos históricos comparados. Que basicamente foi do que se valeu o pesquisador para afirmar que Zumbi foi um escravocrata. Não se pode fazer essa assunção baseada apenas na estrutura tradicional de muitas sociedades em África porque há um elemento diferenciador importante na constituição dos quilombos no Brasil: quilombos eram organizações de resistência criadas e constituídas por pessoas que, elas mesmas, já tinham vivido na própria pele a experiência da escravidão. Sem evidência não há razão para se acreditar que iriam reproduzir este mesmo modelo contra o qual se revoltaram. Quando Espártaco liderou uma rebelião de escravos na Roma Antiga os revoltosos não fizeram escravos entre eles.

Mais apropriado seria comparar com o que ocorreu no Haiti em 1791. Depois da rebelião de escravos que levou a independência foi abolida a escravidão. E seria mesmo estranho se um país criado a partir de uma revolta de escravos continuasse tendo sua economia baseada em trabalho escravo. Da mesma forma que deveria ser estranho se imaginar, a partir de zero evidência histórica, que quilombolas reproduzissem o mesmo modelo dos  engenhos portugueses de onde seus integrantes haviam fugido.

Offline Sergiomgbr

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #107 Online: 09 de Outubro de 2019, 20:15:14 »
Ou então  essa visão moderna sobre escravidão à época de Zumbi não existia  mesmo...

Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Pedro Reis

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #108 Online: 09 de Outubro de 2019, 20:31:47 »
Ou então  essa visão moderna sobre escravidão à época de Zumbi não existia  mesmo...

Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia.

Sim. A escravidão era natural para o escravizador.

Não significa que era natural para o escravo.

Acredito fortemente que os escravos estavam um pouco menos satisfeitos com a escravidão, e eram um pouco mais críticos quanto a ela, do que os senhores de engenho. E deve ser exatamente por isso que fugiam e fundavam quilombos.

Então você não tem porque imaginar que para eles seria natural e justo escravizar também. Muito menos sem nenhum fato documentado comprovando.

Nesse vídeo Eduardo Bueno fala sobre Zumbi e nem considera a hipótese de que este fosse senhor de escravos.


Offline JJ

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #109 Online: 09 de Outubro de 2019, 22:41:51 »
Ou então  essa visão moderna sobre escravidão à época de Zumbi não existia  mesmo...

Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia.


S mg br , 

1) Ser natural não significa ser bom, por exemplo, um tubarão poderia naturalmente lhe morder e arrancar grandes pedaços de seu corpo estando você ainda vivo, entretanto, eu tenho uma leve desconfiança que você não acharia isso uma boa coisa;  :hihi:


2) Ser natural significa não ter sido uma criação humana consequência de interações humanas,  por exemplo a fome é natural, pois esta deriva da própria condição biológica do Homo sapiens sapiens, a fome de algum Homo sapiens sapiens não passou a existir a partir de interações humanas, e sim a partir do  funcionamento do corpo.

Offline Geotecton

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #110 Online: 10 de Outubro de 2019, 08:32:22 »
Ou então  essa visão moderna sobre escravidão à época de Zumbi não existia  mesmo...

Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia.
S mg br , 

1) Ser natural não significa ser bom, por exemplo, um tubarão poderia naturalmente lhe morder e arrancar grandes pedaços de seu corpo estando você ainda vivo, entretanto, eu tenho uma leve desconfiança que você não acharia isso uma boa coisa;  :hihi:
[...]

O Sergiomgbr não usou, em momento algum, a falácia do naturalismo e nem afirmou que a escravidão era "boa". Ele ressaltou, corretamente, que a 'escravidão' foi um comportamento social amplamente usado - e aceito - desde o primórdio das civilizações e assim era no tempo em que o Zumbi dos Palmares viveu.
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Offline JJ

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #111 Online: 10 de Outubro de 2019, 10:10:01 »
Ou então  essa visão moderna sobre escravidão à época de Zumbi não existia  mesmo...

Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia.
S mg br , 

1) Ser natural não significa ser bom, por exemplo, um tubarão poderia naturalmente lhe morder e arrancar grandes pedaços de seu corpo estando você ainda vivo, entretanto, eu tenho uma leve desconfiança que você não acharia isso uma boa coisa;  :hihi:
[...]

O Sergiomgbr não usou, em momento algum, a falácia do naturalismo e nem afirmou que a escravidão era "boa". Ele ressaltou, corretamente, que a 'escravidão' foi um comportamento social amplamente usado - e aceito - desde o primórdio das civilizações e assim era no tempo em que o Zumbi dos Palmares viveu.


Ele usou sim:

  "Escravidão historicamente era tão natural que  inclusive há legislação específica sobre na Biblia."


Algo não é natural por ser antigo e estar descrito na Bíblia (ou qualquer outro livro antigo), isso é um erro crasso, a escravidão em tempos bíblicos era um fenômeno social, é algo criado a partir de interações humanas, isto é, é algo socialmente criado.  Fenômeno ou comportamento natural no Homo sapiens sapiens é o que decorre primordialmente do funcionamento biológico do corpo e de programação genética, temos por exemplo: a sensação de fome e a necessidade de comer, a sensação de sede e a necessidade de tomar água, a sensação de bexiga cheia e a necessidade de urinar, etc. Temos também como sendo natural: a cor dos olhos, a cor dos cabelos (obviamente que não tenham sido modificados por tingimentos), e outras coisas geneticamente  programadas. 


A tentativa de naturalizar comportamentos humanos que são criados a partir de interações sociais, e por isso são práticas ou comportamentos sociais, é uma velha e manjada tática da direita, a qual só cola para tolos e/ou ignorantes, mas não para quem tenha um mínimo de conhecimento de sociologia.  E é por isso que boa parte da direita odeia a a sociologia e/ou ataca o seu valor, pois esta desmascara as falsidades que boa parte da direita tenta contar para os outros que ela pretende que sejam obedientes e que se submetam aos seus interesses.



« Última modificação: 10 de Outubro de 2019, 10:19:27 por JJ »

Offline Gorducho

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #112 Online: 10 de Outubro de 2019, 13:12:51 »
"Natural" no sentido sociológico de que era aceito como uma obviedade naquelas épocas — inclusive na TÃO reverenciada (nestes tempos aparentemente + do que nunca por cá aliás ::) ) Bíblia.
Sociologicamente "natural" pr'aquelas sociedades; não num sentido Naturwissenschaften.
Puxa! Que coisa |(

Concordo inteiramente que não há evidencias pra supor que Zumbi tivesse escravos e/ou houvesse escravidão em Palmares. + isso é OUTRA coisa.
« Última modificação: 10 de Outubro de 2019, 13:16:20 por Gorducho »


Offline Geotecton

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #114 Online: 10 de Outubro de 2019, 13:48:44 »
É natural, da natureza humana, construções sociais como a escravidão.

E outras coisas moralmente repugnantes.

Tente explicar isto ao JJ, que está confundindo a falácia do naturalismo com o fato de que a escravidão foi um processo comum no contexto histórico, o que não significa que era 'bom', enquanto valor humano positivo.
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Offline Gorducho

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #115 Online: 10 de Outubro de 2019, 14:32:02 »
É natural, da natureza humana, construções sociais como a escravidão.
Ou dizendo a mesma coisa de forma levemente modificada, como fi-lo acima pra tentar ser + claro ao Sr. JJ: era "natural" sociologicamente falando pr'aquelas sociedades, a escravidão. Tanto que a Bíblia trata com "naturalidade" a realidade social essa.
Aliás, Sr. Sergiomgbr deixa bem claro o sentido do pronunciamento dele
Citar
Escravidão historicamente era tão natural
Es decir: historicamente falando.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #116 Online: 10 de Outubro de 2019, 14:40:02 »

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https://www.youtube.com /watch?v=FxWEpbVAJbk

Embora não esteja amparada por nenhuma documentação histórica, a hipótese de que Zumbi dos Palmares tenha sido um senhor de escravos ganhou força no século XXI. De onde veio essa história e que interesses ela atende? É o que a gente tenta descobrir hoje.


Esse canal é geralmente bem ponderado

Não acho que este canal seja ponderado. É um canal de propaganda esquerdista, acredito que seja de propaganda petista. Mas é inteligentemente formatado para parecer ponderado.

Eles são esquerdistas, acredito que provavelmente "ciristas" e simpáticos a Lula. Não "concordo" com nenhuma das duas coisas, assim como diversos pontos que fazem no decorrer dos vídeos que vi, mas de modo geral me parecem muito melhores do que esse "jornalismo" que o JJ vem postando freneticamente, por exemplo.

Pode ser que em seu âmago não sejam muito diferentes, só mais cuidadosos para disfarçar... mas sei lá. Não tenho como saber. Da mesma forma a "Gazeta do Povo" me parece um análogo direitista, algo mais razoável do que os "canais aprovados" do Bozonaro (ou demais canais, se eles estiverem entre eles, o que desconfio não ser o caso).





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Meteoro.doc não é só um canal que algumas pessoas de pensamento progressista resolveram criar. Deve haver um planejamento e um razoável investimento por trás, provavelmente de interesses políticos. Provavelmente por parte do próprio PT.

Pra começar o locutor sempre encerra os vídeos dizendo que o canal é exclusivamente mantido por doações dos assinantes, para dar uma ideia de independência. É mentira! Observando a qualidade destacada dos vídeos, que são sempre muito bem feitos e profissionais, muito bem produzidos, não parece coisa amadora. Quem tem mesmo uma mínima noção básica de como é produzido conteúdo para o Youtube percebe que existe uma equipe competente por trás. O que demanda um custo razoável.

Sério? Isso parece piada. São duas vozes narrando, acho que é um casal. E todos os vídeos são só um "show de slides." Só seria produção mais "barata" se fosse um único frame-logo estático em 99% do tempo. Mas é o tipo de coisa que deve dar para fazer com qualquer editor de vídeo grátis sem nem precisar saber mexer muito. E acho que todos trechos de outras coisas são usados em "fair use," não devem comprar stock.


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Claro que poderia ter surgido pequeno, amador, e com o apoio financeiro dos assinantes aos poucos ter se tornado cada vez mais bem feito e profissional. Mas os 1os vídeos já tinham essa qualidade, o que indica a existência de um projeto para o lançamento do Meteoro.doc no YT. Algum dinheiro já existia antes de existirem assinantes para contribuir com dinheiro.

Mas tudo é muito bem feito: a vinheta, a programação visual, a trilha sonora, os locutores são profissionais, há um ótimo trabalho de pesquisa em cada vídeo...

Assim como acho que muitos canais e influencers de direita surgiram porque foram patrocinados ou estimulados ( como a própria Patrícia Lelis 'entrega' em uma entrevista... ), o Meteoro deve ser uma reação de quem percebeu essa tendência e o poder dessa nova maneira de formar opiniões e influenciar pessoas. Mas foi pensado para ser um contraponto, um contraste com os métodos e padrões que a propaganda direitista está usando. Apostando no desgaste deste modelo. Que apesar de ter se mostrado eficiente, deve se desgastar porque em essência é um modelo que abusa da desonestidade.

Ou pode ser que, dentre os brasileiros esquerdistas que levaram o PT a presidência por quatro mandatos consecutivos, haja alguns com uma habilidade talvez marginalmente acima da média em edição de vídeo (por profissão ou hobby) e que façam algum ativismo voluntário. Tem uma porção de canais de youtubers americanos que são bastante similares nesse sentido, diferindo em apenas usarem menos clipes (voz sobre logo na maior parte do tempo), e até terem trabalho de pesquisa MELHOR (Shaun, three-arrows, polidice, José -- tem outros que tem produção ainda maior em aparecerem os "apresentadores" como que imitando um jornal ou algo assim, com iluminação mais cuidadosa, e provavelmente maior dificuldade na gravação e edição do que só voz sobre vídeo/imagem de outra ocisa). É algo natural ocorrer. Estranho seria se ninguém manifestasse sua visão política nesse formato, ou, se só o fizesse se fosse pago por alguém grande primeiro.

Alguns poderiam até trabalhar com coisas como publicidade, edição de vídeo, e, também tenham um lado "ativista," que acaba se manifestando em vídeos como esses. Já viu "braincast," "anticast"? Acho que são podcasters petistas/esquerdistas, que devem fazer suas eventuais "propagandas voluntárias" em alguns episódios.




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A gente observa nessa nova propaganda direitista de internet, muitos daqueles padrões apontados pela palestrante no TED quando descreve características de material a serviço do astroturfing. Que é a eloquência exagerada, a retórica hitérica, o apelo frequente à ironia e ao deboche, abuso das afirmações tanto superlativas quanto gratuitas, fake news,  e muita, muita desonestidade intelectual. Tudo que há em comum no material do MBL, no Nando Moura, no Bernardo Kuster, na prof. Mariza e em um monte que parece até que fizeram curso de youtubers de política em uma mesma escola.

O que não significa que sejam todos, que não exista expressão política espontânea um pouco mais trabalhada. Mesmo que pesando na decisão de começar a empreitada a possibilidade do ganho financeiro, não necessariamente de organizações políticas.


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Mas no Meteoro tudo é suave, da música ao visual, passando pela voz e tom sereno dos locutores. É modesto, eles dizem respeitar sua opinião e frequentemente preferem "eu acho" a "eu sei" ou "isto é assim"... Parecem ponderados e toda a "embalagem" ajuda a fazer parecer ponderados. E vão parecer ainda mais ponderados quando muitas pessoas começarem a aprender como estão sendo enganadas por estes quase terraplanistas de direita como Olavo, Nando Moura e Kuster. (Sim, estes aí já estão flertando com o terrachatismo...). Mas eu também já vi alguns vídeos nesse canal bastante tendenciosos e capciosos na manipulação. Ainda assim parecendo ponderados.

Tudo que eu vi até agora me parece enquadrável dentro de "opiniões de esquerdistas razoáveis com as quais não vou necessariamente concordar." Parecem algo meio próximo do _Juca_, por exemplo. Não sei bem qual é a posição deles sobre Lula/PT, exceto terem traduzido, inadequadamente, na minha opinião, algo "legal hardball" como "abuso legal," em referência ou aos julgamentos de Lula ou ao impeachment. ("Hardball" expressaria mais um "jogo duro," usar a lei até seu extremo, mas não necessariamente abusar dela, ainda que podendo ficar no limiar disso).




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Sobre o vídeo especificamente, é muito bom. A real intenção é mostrar tanto as segundas intenções ideológicas subliminares por trás de novas teses revisionistas que de repente estão surgindo sobre História, sociologia, política, etc... quanto a maneira que é utilizada para convencer as pessoas sobre afirmações que até pouco tempo pareceriam excêntricas. Como nazismo é de esquerda, Paulo Freire
é um idiota incompetente ou Zumbi era senhor de escravos, escravos estes que eram entregues aos portugueses sempre pelos próprios africanos... e similares. O vídeo não quer realmente discutir Zumbi ou escravidão no Brasil, quer conscientizar o espectador sobre o fato de haver uma predisposição ou intenção ideologicamente orientada no "pesquisador", que sem nenhuma evidência concreta construiu uma tese que denigre a imagem histórica de Zumbi. Não por coincidência, um personagem de dimensão heróica no imaginário da cultura popular e também cultuado por movimentos que se intitulam de defesa das minorias mas que são apoiados por partidos e políticas de esquerda. Mais especificamente do PT. Então o espectador aprende que este era o alvo já pré-determinado dessa nova heterodoxa tese em História do Brasil: desconstruir o 'bom mocismo' das políticas sociais da esquerda, sutilmente desconstruindo o bom mocismo de seus ícones e heróis. Fabricados ou não.

Eu acho que o vídeo tem algum grau de "envenenamento do poço" da tese do Zumbi senhor de escravos, ao ligar isso com a ideologia oposta à da audiência. Ainda assim, acho que eles traziam alguma coisa a mais que isso, embora bastante rasa. Como afirmação de um ou outro historiador questionando o que seria o único propositor da teste, que calhou de ser interessante a direitistas.



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A respeito do argumento dessa tese, o que eu julgo de mais falho é o uso indevido da técnica de estudos históricos comparados. Que basicamente foi do que se valeu o pesquisador para afirmar que Zumbi foi um escravocrata. Não se pode fazer essa assunção baseada apenas na estrutura tradicional de muitas sociedades em África porque há um elemento diferenciador importante na constituição dos quilombos no Brasil: quilombos eram organizações de resistência criadas e constituídas por pessoas que, elas mesmas, já tinham vivido na própria pele a experiência da escravidão. Sem evidência não há razão para se acreditar que iriam reproduzir este mesmo modelo contra o qual se revoltaram. Quando Espártaco liderou uma rebelião de escravos na Roma Antiga os revoltosos não fizeram escravos entre eles.

Diversos outros "quilombos" pelas Américas ("maroon communities") tiveram, segundo já li (pouco) escravidão. E inclusive tréguas/parcerias com os brancos para recaptura de fugitivos. Então só essa hipotético "espírito de resistência" contra a escravidão não é suficiente para evitar que ela fosse "reproduzida". Entre aspas porque não se dá necessariamente nos mesmos moldes, como é o caso com escravidão de africanos por africanos, ou entre indígenas americanos.




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Mais apropriado seria comparar com o que ocorreu no Haiti em 1791. Depois da rebelião de escravos que levou a independência foi abolida a escravidão. E seria mesmo estranho se um país criado a partir de uma revolta de escravos continuasse tendo sua economia baseada em trabalho escravo. Da mesma forma que deveria ser estranho se imaginar, a partir de zero evidência histórica, que quilombolas reproduzissem o mesmo modelo dos  engenhos portugueses de onde seus integrantes haviam fugido.

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https://en.wikipedia.org/wiki/Slavery_in_Haiti

[...] The Haitian Revolution of 1804, the only successful slave revolt in human history, precipitated the end of slavery not only in Saint-Domingue, but in all French colonies. However, several Haitian leaders following the revolution employed forced labor, believing a plantation-style economy was the only way for Haiti to succeed, and building fortifications to safeguard against attack by the French. [...]

After the revolution, newly freed slaves were violently opposed to remaining on plantations, but Dessalines, like Louverture, used military might to keep them there, thinking that plantation labor was the only way to make the economy function.[45] Most ex-slaves viewed Dessalines' rule as more of the same oppression they had known during de jure slavery.[45] Dessalines was killed by a mob of his own officers in 1806.[46] [...]

Also like his predecessors Louverture and Dessalines, Christophe used military might to force former slaves to stay on the plantations.[49] Plantation workers under Louverture and Christophe were not unpaid — they received one quarter of what they produced,[50] paying the rest to plantation owners and the government.  [...]

(Vale ainda notar que a escravidão ser paga não é novidade do Haiti, nos EUA escravos ganhavam até por hora extra).

https://www.thefacultylounge.org/2012/03/many-slaves-were-paid-overtime.html



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https://theses.ncl.ac.uk/jspui/bitstream/10443/2922/1/McKee%2C%20H%202015.pdf

[...]  Slave ownership by the Maroons seems to have continued into the 1790s. In 1791, the
colonial government passed a second law for the better order and governing of the
“negro towns” which explicitly prevented them from purchasing slaves.17 There would
be little reason for the government to pass such an act if the Maroons did not own any
slaves. Under what conditions were these slaves held? Were they treated as chattel
slaves? Were they incorporated into Maroon society? Unfortunately, there is no archival
evidence to directly answer these questions. Thompson believes that Maroon slaves had
few rights in this period whereas Genovese argues that the Maroons practised a “mild,
familial slavery” reminiscent of the kind practised in Africa.18 What is certain is that
these slaves would have been held in different conditions to slaves in the rest of Jamaica
for reasons outlined later in this section.  [...]


Esse trecho do texto não sugere explicitamente a possibilidade, mas já ouvi menções também de negros libertos comprarem outros negros como forma de "libertá-los" legalmente, sem que se tornassem fugitivos. Isso pode até ter sido a maior parte do que acontecia com negros livres nas américas, mas também não seria espantoso um retorno a modalidades de escravidão mais leves praticadas na África, ou por nativo-americanos, quando houvesse essa linha de integração/contato.

Acho que antes no texto isso fica um pouco mais levemente sugerido:


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[...] I argue that, without the support of the Maroons and
Creeks, slavery in both Jamaica and the United States would have struggled to expand
to the extent it did. By hunting runaways, and even owning slaves on occasion, both
communities contributed to the consolidation of the system. However, that is not to say
that the Maroons and Creeks wholeheartedly supported the system of slavery. In fact,
numerous examples show how the presence of Maroons and Creeks could actually
hinder the expansion of slavery. For example, through harbouring runaways and
forming personal relationships. Maroons and Creeks were forbidden by law to own
slaves and, thus, the act of slave ownership also represents an act of resistance. [...]

Offline Pedro Reis

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #117 Online: 10 de Outubro de 2019, 19:25:10 »
Sério? Isso parece piada. São duas vozes narrando, acho que é um casal. E todos os vídeos são só um "show de slides." Só seria produção mais "barata" se fosse um único frame-logo estático em 99% do tempo. Mas é o tipo de coisa que deve dar para fazer com qualquer editor de vídeo grátis sem nem precisar saber mexer muito. E acho que todos trechos de outras coisas são usados em "fair use," não devem comprar stock.


Pra mim não parece piada. Os vídeos do Meteoro têm qualidade profissional. Não parecem coisa de "marinheiro de primeira viagem" (normalmente o caso em um canal novo), mas ao contrário aparentemente existe o dedo de um profissional (ou profissionais) na produção.

Com tantas ferramentas disponíveis, é preciso ser observador para perceber a diferença entre um material produzido por um curioso talentoso e alguém que tem conhecimento sobre o que está fazendo. E essa diferença está sempre nos detalhes, que embora não sejam notados conscientemente pela maioria, fazem muita diferença na forma como o espectador recebe e é impactado pela informação audio-visual. E publicitários por exemplo, sabem disso.

Alguns aspectos do canal que eu identifico como sendo de padrão profissional:

- A vinheta de abertura é muito bem feita. É uma animação, parece simples mas não é coisa que qualquer um faz com um programinha.

- Por falar em animação, o canal usa muito recursos de animação. São desenhos animados simples, mas não toscos. Mesmo isso geralmente demanda um profissional.

- O canal tem uma linguagem audio-visual bem definida, homogênea em todos os vídeos. Quem não estudou pra isso talvez não tenha essa sensibilidade, mas é importante porque cria uma marca, uma identidade, uma espécie de personalidade do produto de comunicação que favorece a credibilidade.

- Por falar nessa identidade audio-visual, um profissional sabe que essa identidade tem que casar com o produto. Quando não combina, quando a imagem e o formato não fala a mesma linguagem do texto, o destinatário não recebe a mensagem com a mesma envolvência. Porque é como se o cérebro estivesse recebendo duas mensagens conflitantes: uma do texto (ou do áudio) e a outra do formato. Por exemplo, se colocarem o Willian Bonner de bermudas o JN perde toda a credibilidade. Mas isso seria um equívoco grosseiro, por mera intuição ninguém faria. No entanto todos os mínimos aspectos de um telejornal são meticulosamente levados em consideração por profissionais que se encarregam disso. O formato e a diagramação de um tabloide nunca é a mesma de um jornal que quer ser levado a sério e até mesmo a tipografia é importante para alcançar o tipo de leitor pretendido. A fonte Times New  Roman foi criada especificamente para o London Times, para que seu aspecto sóbrio passasse a ideia de seriedade ao leitor. Nunca uma revista de fofocas usa uma fonte desse tipo, porque nesse caso afasta o leitor que só procura entretenimento. Há toda uma teoria só sobre fontes tipográficas, e sobre linguagem visual em geral. São coisas que os leigos normalmente não percebem, mas os profissionais  de Publicidade, Comunicação Social e afins, estudam.

Bom, nesse canal Meteoro, o estilo combina perfeitamente com essa imagem de "ponderado" e meio isentão que o canal quer passar. E quando digo "estilo", me refiro a todo um pacote harmonioso que inclui desde o tipo de fundo musical, a tipografia das legendas, palheta de  cores predominante, o padrão áudio-visual, o tipo de locução, etc... No canal estas características de estilo são harmoniosas entre si e ainda combinam com a imagem que o canal quer passar: esta que me referi acima.

É típico de coisa que tem o dedo de um profissional, de alguém que estudou pra isso.

- E sobre a locução, a mulher não é tão competente mas também não é ruim. Mas o cara é muito bom. Parece alguém que trabalha com locução ou ator. A impostação, as inflexões corretas aplicadas nos momentos certos... ele sabe como fazer, tem a técnica.

Mas há outros aspectos peculiares que também me chamaram atenção. Não há nenhuma referência - pelo menos eu nunca vi - às pessoas que produzem o canal. Quem são? É um tanto incomum.

Não é tão amadorístico e esse ano já publicaram um livro: "Tudo Que Você Precisou Desaprender Para Virar um Idiota".

Entra na Amazon e procura por esse título... O livro não tem autor! Quando eles anunciaram o livro, busquei pra ver o autor pra saber quem produzia o canal e vi que o autor aparece simplesmente como "Meteoro". (??)

Acho estranho que alguém escreva um livro e não queira receber os créditos, que produza um canal com essa qualidade e também não queira aparecer. Não é comum.

São aspectos como esse que me levam a suspeitar que possa existir um projeto mais estruturado por trás da criação do Meteoro.doc, cujos fomentadores queiram permanecer incógnitos. Claro, é só uma teoria minha, ou uma suspeita, mas que há um padrão profissional na concepção não só dos vídeos, mas do canal como um todo, isso parece gritante pra mim.

Eu acho que o vídeo tem algum grau de "envenenamento do poço" da tese do Zumbi senhor de escravos, ao ligar isso com a ideologia oposta à da audiência. Ainda assim, acho que eles traziam alguma coisa a mais que isso, embora bastante rasa. Como afirmação de um ou outro historiador questionando o que seria o único propositor da teste, que calhou de ser interessante a direitistas.

Mas ele não é o único propositor da tese. E nem é uma tese que simplesmente calhou de ser útil a direitistas. Não é isso que mostra o vídeo.

Eles citam como autor José de Souza Martins, um historiador de fato. Mas mostram que Martins não apareceu com isso em um livro de História, mas defendeu esse argumento em um livro de vários autores que era uma crítica às políticas públicas do governo PT. O livro é "Divisões Perigosas. Uma Crítica às Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo".

Não calhou de ser uma tese acadêmica útil a direitistas, mas foi um argumento publicado em um livro que era uma crítica às políticas sociais do governo petista. Uma obra com posicionamento político, viés e objetivo ideológico. Mais tarde é que um tal de Leandro Narloch, que nem parece ser historiador, é que escreve um livro desenvolvendo essa tese e esse livro é que é citado no artigo da abertura desse tópico. Que é também um artigo panfletário de direita atacando o então governo do PT. Mas o autor , um tal de Janer Cristaldo, afirma que já havia escrito isto 5 anos antes do livro do Leandro Narloch (tá no texto da abertura do tópico),
Quer dizer, o argumento já pairava no ar atrelado a discursos ideológicos e críticas às políticas afirmativas do governo anos antes do Narloch  publicar seu livro. Cristaldo afirma que não tinha apenas escravos, mas "um séquito de escravos para uso próprio". Baseado em quê?

Esse é o ponto: o vídeo liga a tese (ou hipótese) diretamente à motivação política da publicação onde ela aparece pela 1ª vez.

https://en.wikipedia.org/wiki/Slavery_in_Haiti

[...] The Haitian Revolution of 1804, the only successful slave revolt in human history, precipitated the end of slavery not only in Saint-Domingue, but in all French colonies. However, several Haitian leaders following the revolution employed forced labor, believing a plantation-style economy was the only way for Haiti to succeed, and building fortifications to safeguard against attack by the French. [...]

After the revolution, newly freed slaves were violently opposed to remaining on plantations, but Dessalines, like Louverture, used military might to keep them there, thinking that plantation labor was the only way to make the economy function.[45] Most ex-slaves viewed Dessalines' rule as more of the same oppression they had known during de jure slavery.[45] Dessalines was killed by a mob of his own officers in 1806.[46] [...]

Also like his predecessors Louverture and Dessalines, Christophe used military might to force former slaves to stay on the plantations.[49] Plantation workers under Louverture and Christophe were not unpaid — they received one quarter of what they produced,[50] paying the rest to plantation owners and the government.  [...]


Esse é um fato que certamente contradiz minha suposição de que escravos revoltosos não fariam escravos.

Mas também é verdade que a contradição desta situação fez com que fosse sustentável por muito pouco tempo, resultando em um motim de oficiais. Contudo o quilombo de Palmares existiu por mais de um século.

Teria havido escravidão durante todo esse tempo? Que vantagem e motivação teriam os negros em arriscar a vida  para fugir para um lugar onde também se escravizavam negros?:


Offline Pedro Reis

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Re:O mito de Zumbi dos Palmares
« Resposta #118 Online: 10 de Outubro de 2019, 21:28:26 »
Extra, extra!

Investigadores direitistas descobriram quem está por trás do Meteoro Brasil.

Trata-se de um casal de Curitiba. O Sr. Álvaro Borba e a Ana Flávia Nerino.

Deve ser este Álvaro Borba mesmo porque a voz é idêntica.

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Nascido no litoral paranaense na cidade de Paranaguá se mudou ainda criança para Curitiba por causa do ofício dos pais que eram professores da rede estadual.

Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 2004, onde se destacou razoavelmente em sua área tendo até mesmo durante o seu período de estudante atuado como editor de vídeo no telejornal Band Cidade na emissora local da Rede Bandeirantes em Curitiba, além disso de 2005 até 2013 Álvaro Borba se notabilizou pelo seu desempenho como jornalista na rádio CBN Curitiba tendo no caso até mesmo chegado ao posto de âncora posteriormente, vale ainda citar que no ano de 2013 ele e seu colega José Willie pediram demissão da rádio como uma forma de protesto ao escândalo de assédio envolvendo o comentarista esportivo e ex-deputado Airton Cordeiro[2]. Com a saída de Borba da CBN Curitiba o futuro do jornalismo na "Capital das Araucárias" parecia ser incerto, entretanto não podia se dizer o mesmo em relação ao próprio Álvaro Borba já que vendo as atribuições profissionais e o aspecto ideológico desse peculiar trabalhador o prefeito Gustavo Fruet do PDT decidiu integrar o ex-âncora como uma parte essencial e ativa do Departamento de Internet e Mídias Sociais o consagrando dessa forma como diretor dessa divisão[3].

Em 2016, com o fim da gestão Fruet, o jornalista encerrou seu trabalho na prefeitura.

O cara é profissional mesmo. Foi diretor do Departamento de Internet e Mídias Sociais da Prefeitura de Curitiba durante a gestão do...  PDT.

Parece que foi o Bernardo Kuster quem levantou tudo sobre a vida do casal. Esse Kuster é outro que eu duvido que trabalhe sozinho: o cara descobriu até a marca da cueca desse Álvaro Borba.  SErá que fez tudo sozinho só fuçando de casa no computador?

 

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