Autor Tópico: Fábrica de maus professores  (Lida 17127 vezes)

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Offline Herf

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Fábrica de maus professores
« Online: 27 de Novembro de 2008, 01:03:36 »
Entrevista: Eunice Durham
Fábrica de maus professores

Uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro, a antropóloga não tem dúvida: os cursos de pedagogia perpetuam o péssimo ensino nas escolas.
Monica Weinberg


Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: "Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores". Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos.

Sua pesquisa mostra que as faculdades de pedagogia estão na raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Como?
As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas. Minha pesquisa aponta as causas. A primeira, sem dúvida, é a mentalidade da universidade, que supervaloriza a teoria e menospreza a prática. Segundo essa corrente acadêmica em vigor, o trabalho concreto em sala de aula é inferior a reflexões supostamente mais nobres.

Essa filosofia é assumida abertamente pelas faculdades de pedagogia?
O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados.

O que, exatamente, se ensina aos futuros professores?
Fiz uma análise detalhada das diretrizes oficiais para os cursos de pedagogia. Ali é possível constatar, com números, o que já se observa na prática. Entre catorze artigos, catorze parágrafos e 38 incisos, apenas dois itens se referem ao trabalho do professor em sala de aula. Esse parece um assunto secundário, menos relevante do que a ideologia atrasada que domina as faculdades de pedagogia.

Como essa ideologia se manifesta?
Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia.

Quais os efeitos disso na escola?
Quando chegam às escolas para ensinar, muitos dos novatos apenas repetem esses bordões. Eles não sabem nem como começar a executar suas tarefas mais básicas. A situação se agrava com o fato de os professores, de modo geral, não admitirem o óbvio: o ensino no Brasil é ainda tão ruim, em parte, porque eles próprios não estão preparados para desempenhar a função.

Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.

Como os sindicatos prejudicam a sala de aula?
Está suficientemente claro que a ação fundamental desses movimentos é garantir direitos corporativos, e não o bom ensino. Entenda-se por isso: lutar por greves, aumentos de salário e faltas ao trabalho sem nenhuma espécie de punição. O absenteísmo dos professores é, afinal, uma das pragas da escola pública brasileira. O índice de ausências é escandaloso. Um professor falta, em média, um mês de trabalho por ano e, o pior, não perde um centavo por isso. Cenário de atraso num país em que é urgente fazer a educação avançar. Combater o corporativismo dos professores e aprimorar os cursos de pedagogia, portanto, são duas medidas essenciais à melhora dos indicadores de ensino.

A senhora estende suas críticas ao restante da universidade pública?
Há dois fenômenos distintos nas instituições públicas. O primeiro é o dos cursos de pós-graduação nas áreas de ciências exatas, que, embora ainda atrás daqueles oferecidos em países desenvolvidos, estão sendo capazes de fazer o que é esperado deles: absorver novos conhecimentos, conseguir aplicá-los e contribuir para sua evolução. Nessas áreas, começa a surgir uma relação mais estreita entre as universidades e o mercado de trabalho. Algo que, segundo já foi suficientemente mensurado, é necessário ao avanço de qualquer país. A outra realidade da universidade pública a que me refiro é a das ciências humanas. Área que hoje, no Brasil, está prejudicada pela ideologia e pelo excesso de críticas vazias. Nada disso contribui para elevar o nível da pesquisa acadêmica.

Um estudo da OCDE (organização que reúne os países mais industrializados) mostra que o custo de um universitário no Brasil está entre os mais altos do mundo – e o país responde por apenas 2% das citações nas melhores revistas científicas. Como a senhora explica essa ineficiência?
Sem dúvida, poderíamos fazer o mesmo, ou mais, sem consumir tanto dinheiro do governo. O problema é que as universidades públicas brasileiras são pessimamente administradas. Sua versão de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos. Essa é uma situação que piorou, sobretudo, no período de abertura política, na década de 80, quando, na universidade, democratização se tornou sinônimo de formação de conselhos e multiplicação de instâncias. Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica. Para agravar a situação, os maus profissionais não podem ser demitidos. Defino a universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada.

Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora?
Sou contra. Nos países onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro. Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados. Estes são, naturalmente, uma minoria. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países.

As faculdades particulares são uma boa opção para os outros estudantes?
Freqüentemente, não. Aqui vale a pena chamar a atenção para um ponto: os cursos técnicos de ensino superior, ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros, formam gente mais capacitada para o mercado de trabalho do que uma faculdade particular de ensino ruim. Esses cursos são mais curtos e menos pretensiosos, mas conseguem algo que muita universidade não faz: preparar para o mercado de trabalho. É estranho como, no meio acadêmico, uma formação voltada para as necessidades das empresas ainda soa como pecado. As universidades dizem, sem nenhum constrangimento, preferir "formar cidadãos". Cabe perguntar: o que o cidadão vai fazer da vida se ele não puder se inserir no mercado de trabalho?

Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos alunos freqüentam essas escolas técnicas. No Brasil, são apenas 9%. Por quê?
Sempre houve preconceito no Brasil em relação a qualquer coisa que lembrasse o trabalho manual, caso desses cursos. Vejo, no entanto, uma melhora no conceito que se tem das escolas técnicas, o que se manifesta no aumento da procura. O fato concreto é que elas têm conseguido se adaptar às demandas reais da economia. Daí 95% das pessoas, em média, saírem formadas com emprego garantido. O mercado, afinal, não precisa apenas de pessoas pós-graduadas em letras que sejam peritas em crítica literária ou de estatísticos aptos a desenvolver grandes sistemas. É simples, mas só o Brasil, vítima de certa arrogância, parece ainda não ter entendido a lição.

Faculdades particulares de baixa qualidade são, então, pura perda de tempo?
Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados – daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante. Que ninguém espere entrar numa faculdade de mau ensino e concorrer a um bom emprego, porque o mercado brasileiro já sabe discernir as coisas. É notório que tais instituições formam os piores estudantes para se prestar às ocupações mais medíocres. Mas cabe observar que, mesmo mal formados, esses jovens levam vantagem sobre os outros que jamais pisaram numa universidade, ainda que tenham aprendido muito pouco em sala de aula. A lógica é típica de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Por que num país em desenvolvimento o diploma universitário, mesmo sendo de um curso ruim, tem tanto valor?
No Brasil, ao contrário do que ocorre em nações mais ricas, o diploma de ensino superior possui um valor independente da qualidade. Quem tem vale mais no mercado. É a realidade de um país onde a maioria dos jovens está ainda fora da universidade e o diploma ganha peso pela raridade. Numa seleção de emprego, entre dois candidatos parecidos, uma empresa vai dar preferência, naturalmente, ao que conseguiu chegar ao ensino superior. Mas é preciso que se repita: eles servirão a uma classe de empregos bem medíocres – jamais estarão na disputa pelas melhores vagas ofertadas no mercado de trabalho.

A tendência é que o mercado se encarregue de eliminar as faculdades ruins?
A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa. Isso já foi comprovado num levantamento feito com base no antigo Provão. Ao jogar luz nas instituições que haviam acumulado notas vermelhas, o exame contribuiu decisivamente para o seu fracasso. O fato de o MEC intervir num curso que, testado mais de uma vez, não apresente sinais de melhora também é uma medida sensata. O mau ensino, afinal, é um grande desserviço.

A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse?
Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação.



Fonte: Veja - http://veja.abril.com.br/261108/entrevista.shtml

Offline Südenbauer

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #1 Online: 27 de Novembro de 2008, 02:40:45 »
Muito bom!

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #2 Online: 27 de Novembro de 2008, 02:46:54 »
Muito boa a entrevista. A entrevistada tem um posicionamento bem sensato.

Offline Fabi

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #3 Online: 27 de Novembro de 2008, 03:11:46 »
Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.
Professores sempre culpam os outros pelo ensino ser ruim. Se tivessem realmente interesse eles iriam se especializar mais, e não esperar que o governo dê tudo....
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“Deus me dê a serenidadecapacidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar o que posso, e a sabedoria para saber a diferença” (Desconhecido)

Offline Gaúcho

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #4 Online: 27 de Novembro de 2008, 04:01:51 »
O ensino no Brasil esta ruim? Então melhorou muito desde que eu viajei...
"— A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." Sérgio Moro

Offline FxF

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #5 Online: 27 de Novembro de 2008, 06:51:43 »
Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.
Professores sempre culpam os outros pelo ensino ser ruim. Se tivessem realmente interesse eles iriam se especializar mais, e não esperar que o governo dê tudo....
Pior que isso são aqueles professores que dizem "o aluno faz o professor, o professor só é ruim porque o aluno é ruim"...

Offline Fenrir

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #6 Online: 27 de Novembro de 2008, 07:58:52 »
Citar
Como essa ideologia se manifesta?
Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia.

Isto é o que me desanima a fazer um curso nas humanas.
"Heaven and Earth are not benevolent; They treat the myriad of creatures as straw dogs"
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"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
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Offline Zeichner

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #7 Online: 27 de Novembro de 2008, 11:28:06 »
como professor em escola pública, só tenho que dizer uma coisa... Esta entrevista é total e completamente verdade.
As universidades de pedagogia só sabem ensinar Vygostsky, sem nenhum ganho de qualidade aparente, e defender este sócio-interacionismo, mas sem ver nada, absolutamente nada disso na prática, onde se mantém os caderninhos de be-a-bá, com os professores que ainda tentam dar aula. Para mim, Vygostky só se tornou referência no ensino brasileiro por ser um pensador comunista, apenas isso.

"O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social ( tradução: socialismo ) produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento." 

Tudo isso é apenas desculpa para entupir as crianças de ideologia barata comunista, quando, a verdadeira revolução no espírito crítico é ensinar a ler, a escrever e a fazer contas bem. Isto transforma o indivíduo num ser mais apto a pensar por si mesmo. Quando dizem que estimulam e espírito crítico, fazem o contrário, apenas mostrando "a luta de classes do proletáriado".

Vi um grupo indo fazer mestrado em educação e o que aprendem é lutar contra o Imperialismo americano.

Dá vergonha de ser professor no Brasil.

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #8 Online: 27 de Novembro de 2008, 11:29:56 »
como professor em escola pública, só tenho que dizer uma coisa... Esta entrevista é total e completamente verdade.
As universidades de pedagogia só sabem ensinar Vygostsky, sem nenhum ganho de qualidade aparente, e defender este sócio-interacionismo, mas sem ver nada, absolutamente nada disso na prática, onde se mantém os caderninhos de be-a-bá, com os professores que ainda tentam dar aula. Para mim, Vygostky só se tornou referência no ensino brasileiro por ser um pensador comunista, apenas isso.

"O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social ( tradução: socialismo ) produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento." 

Tudo isso é apenas desculpa para entupir as crianças de ideologia barata comunista, quando, a verdadeira revolução no espírito crítico é ensinar a ler, a escrever e a fazer contas bem. Isto transforma o indivíduo num ser mais apto a pensar por si mesmo. Quando dizem que estimulam e espírito crítico, fazem o contrário, apenas mostrando "a luta de classes do proletáriado".

Vi um grupo indo fazer mestrado em educação e o que aprendem é lutar contra o Imperialismo americano.

Dá vergonha de ser professor no Brasil.

Eu faço licenciatura e isto soa tão familiar...

Offline Herf

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #9 Online: 27 de Novembro de 2008, 12:20:33 »
Citar
Como essa ideologia se manifesta?
Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia.

Isto é o que me desanima a fazer um curso nas humanas.
A mim também. Não fosse por este aspecto dos cursos superiores em humanas no Brasil (e isso vale não apenas para as universidades públicas, mas também para as particulares), acho que já estaria cursando História.

Offline Nina

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #10 Online: 27 de Novembro de 2008, 12:20:55 »
Licenciatura é bem mais diluída que pedagogia.

Nâo é à toa que vulgarmente os pedagogos sejam conhecidos como "pedabobos" e sua área seja a "pedabobagem".
"A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." Carl Sagan.

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #11 Online: 27 de Novembro de 2008, 17:15:49 »
Licenciatura é bem mais diluída que pedagogia.

Nâo é à toa que vulgarmente os pedagogos sejam conhecidos como "pedabobos" e sua área seja a "pedabobagem".

Não é à toa que todos na academia odeiam os pedabobos.

Offline Dodo

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #12 Online: 27 de Novembro de 2008, 17:21:19 »
Mas não é possível cursar história sem se deixar levar pelos aspectos negativos?

A impressão que vocês me passam é a de que alguém com um perfil mais conservador iria cantar a Internacional Comunista quando fosse receber o diploma de história.

Você é único, assim como todos os outros.
Alfred E. Newman

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #13 Online: 27 de Novembro de 2008, 17:37:45 »
Mas não é possível cursar história sem se deixar levar pelos aspectos negativos?

A impressão que vocês me passam é a de que alguém com um perfil mais conservador iria cantar a Internacional Comunista quando fosse receber o diploma de história.



Mas é assim mesmo.

Offline Nina

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #14 Online: 27 de Novembro de 2008, 17:53:08 »
Mas não é possível cursar história sem se deixar levar pelos aspectos negativos?

A impressão que vocês me passam é a de que alguém com um perfil mais conservador iria cantar a Internacional Comunista quando fosse receber o diploma de história.



Tendo boa cabeça não teria problema, mas a pessoa enfrentaria problemas no curso e com os professores.
"A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." Carl Sagan.

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #15 Online: 28 de Novembro de 2008, 07:01:21 »
Na filosofia não é assim. Se querem fazer um curso de humanas, não façam histórias ou ciências sociais. Façam economia ou filosofia (se bem que eu não considero filosofia "humanas").

Offline Nina

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #16 Online: 28 de Novembro de 2008, 09:10:35 »
Exatas é que não é... :D
"A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." Carl Sagan.

Offline Renato T

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #17 Online: 28 de Novembro de 2008, 10:12:18 »
Na filosofia não é assim. Se querem fazer um curso de humanas, não façam histórias ou ciências sociais. Façam economia ou filosofia (se bem que eu não considero filosofia "humanas").

Em geral.. acho que todas essas tem um aspecto vermelho.. só que realmente.. esse aspecto em história e sociologia faz os olhos doerem muito mais.

Offline JJ

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #18 Online: 28 de Novembro de 2008, 10:17:34 »
Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.
Professores sempre culpam os outros pelo ensino ser ruim. Se tivessem realmente interesse eles iriam se especializar mais, e não esperar que o governo dê tudo....


Especializar mais para que ??  :?:   :?:   :?:   :?:    :?:    :?: 

A maioria dos alunos não estão interessados  nem  na metade do que o professor  ensina  !  :!:   :!:   


« Última modificação: 28 de Novembro de 2008, 10:32:37 por Helder »

Offline JJ

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #19 Online: 28 de Novembro de 2008, 10:39:01 »
Exatas é que não é... :D



A única área de conhecimento que pode ser chamada de exata é a matemática e mesmo assim  nas partes em que os problemas tem solução exata. Pois muitos problemas matemáticos não tem. Como exemplo dou o cálculo de  integrais, a maioria não tem solução analítica.

Na verdade tem problemas  matemáticos  que  são indecidíveis.

No caso da física e química pode-se dizer que são conhecimentos com margem de erro que pode ser muito baixa.
« Última modificação: 28 de Novembro de 2008, 10:56:20 por Helder »

Offline JJ

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #20 Online: 28 de Novembro de 2008, 11:08:17 »

"O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social ( tradução: socialismo ) produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento."   
 


Isso não é socialismo, socialismo é o sistema  econômico  em que não há  propriedade privada de meio de  produção.

A afirmação acima é perfeitamente válida independente do sistema econômico no qual  o aluno esteja inserido.


Tudo isso é apenas desculpa para entupir as crianças de ideologia barata comunista, quando, a verdadeira revolução no espírito crítico é ensinar a ler, a escrever e a fazer contas bem.


Ensinar a ler, a escrever e a fazer contas bem é o fundamental .  Mas  saber ler e escrever  não é o suficiente  para  se dizer que uma pessoa tenha espírito crítico  ou capacidade de criticar  (criticar no sentido lógico  e filosófico).





A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse?
Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação.


Esses rankings não envolvem 1/3  dos países do mundo, quem lê a informação de que o Brasil está sempre entre os piores países do mundo em educação  e não sabe disso, acaba pensando que o Brasil está realmente nas últimas posições entre todos os países do mundo.


Esta é uma tática básica para enganar pessoas,  usar informações truncadas.  :no:

Típica tática da veja.   :no:


« Última modificação: 28 de Novembro de 2008, 15:54:09 por Helder »

Offline Fenrir

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #21 Online: 28 de Novembro de 2008, 11:35:21 »
Mas não é possível cursar história sem se deixar levar pelos aspectos negativos?

A impressão que vocês me passam é a de que alguém com um perfil mais conservador iria cantar a Internacional Comunista quando fosse receber o diploma de história.


Nao, o problema nao é este!

Em lugar de estar discutindo e aprendendo historia,
os 50 min de uma aula vao ser gastos a discutir e aprender uma dose homeopatica de historia com forte viés ideológico,
mais um caminhao carregado da ideologia politico-economica (seja qual for) que o professor adota!

Vira uma especie de história ajustada, deformada, recriada, interpretada, tendo sempre como referencial os dogmas da ideologia adotada explicita ou implicitamente por quem da as aulas.

A mim pouco importaria se o professor é um ultra-esquerdista simpatizante do MR-8 e das FARC ou um ultra-direitista WASP, desde que Isto não influenciasse no conteudo e na forma de se dar as aulas!!!!

O problema com estes professores é que o mundo e a história giram em torno de suas ideologias de estimação!!!!
« Última modificação: 28 de Novembro de 2008, 11:40:50 por Fenrir »
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Offline JJ

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #22 Online: 28 de Novembro de 2008, 16:17:03 »

Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora?
Sou contra. Nos países onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro.   

Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados.

 Estes são, naturalmente, uma minoria. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países. 


Ela esta convicta ?   E daí o que importa a fé  dela ?


Estar convicta não é  argumento.   


Como ela definiu  a quantidade  de pessoas  que “podem de fato vir a se tornar Ph.Ds   ou profissionais altamente qualificados” ???????????????????????


Quais os critérios  técnicos/científicos que ela utilizou para definir isso ???????


Ou não passa de mera  chutologia / fé /  ideologia  ????? 
 

O argumento da convicção é realmente impressionante !   ::)



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Offline Nina

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #23 Online: 28 de Novembro de 2008, 16:27:47 »
Exatas é que não é... :D



A única área de conhecimento que pode ser chamada de exata é a matemática e mesmo assim  nas partes em que os problemas tem solução exata. Pois muitos problemas matemáticos não tem. Como exemplo dou o cálculo de  integrais, a maioria não tem solução analítica.

Na verdade tem problemas  matemáticos  que  são indecidíveis.

No caso da física e química pode-se dizer que são conhecimentos com margem de erro que pode ser muito baixa.

Eu acho que quando se fala em grande área exatas não é neste sentido que aplicam o termo... não com tanto preciosismo.
"A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." Carl Sagan.

Offline Tupac

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Re: Fábrica de maus professores
« Resposta #24 Online: 28 de Novembro de 2008, 17:23:51 »
Realmente, muito boa a entrevista.
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida."
 - Carl Sagan

"O que é afirmado sem argumentos, pode ser descartado sem argumentos." - Navalha de Hitchens

 

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