Autor Tópico: MST  (Lida 5382 vezes)

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Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #25 Online: 27 de Janeiro de 2009, 20:27:03 »
André, e  como vc explica que gente que dirige o MST sejam proprietários de terras?

A quem pertencem hojes os lotes abandonados pelo MST depois de conquistados e porque invadem apenas áreas  bem valorizadas perto de estradas ou jazidas minerais?

E mais, vc conhece qualquer produto agrícola que eles produzam?

Pois é, não sabem nem mesmo plantar um pé de alface.



Por isso eu disse que tudo virou uma briga de interesses. Não é mais luta por terra, e sim por riqueza.

Concordo em partes, em relação a parte em negrito, um sem-terra comprar uma terra? Hum, onde ele vai ter o dinheiro? Linha de crédito? Quem vai emprestar?
E por que isso é diferente de qualquer situação onde uma pessoa não tem o suficiente para comprar o que quer?

A propaganda esquerdista romantizou tanto a terra que as pessoas pensam que ela é algo sagrado e quem vive nela tem mais direito a acesso à terra que querem/assistencialismo/dinheiro alheio do que qualquer outra pessoa.

Herf, a diferença é que uma pessoa que não tem onde viver precisa de uma ajuda, porque não ter onde viver é um problema social, então as políticas públicas devem estar preparadas para dar algum suporte para fazê-lo sair de uma situação miserável. É muito diferente alguém que tem onde morar, tem o que comer mas não tem dinheiro pra comprar um computador. Os direitos básicos de vida não devem depender só do "quem tem dinheiro pra comprar".
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Offline Herf

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Re: MST
« Resposta #26 Online: 27 de Janeiro de 2009, 21:41:40 »
Eu não quero endossar essa sua idéia de que há um conjunto de "direitos básicos de vida" bem definidos ou que o estado deva se encarregar deles.

Mas perceba que se a questão é "ter onde viver", você não teria porque defender o assentamento dessas pessoas em áreas rurais, muito menos por meio da desapropriação de quem as obteve honestamente.

Os tempos são outros. O agronegócio é uma das poucas coisas que dão certo no Brasil, e a esquerda, com toda sua demagogia, vai contra essa realidade, defendendo a volta ao tempo da agricultura familiar. Como se ela pudesse competir com o agronegócio ou como se ela fosse capaz de produzir o suficiente para alimentar 200 milhões de pessoas.

Offline Dodo

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Re: MST
« Resposta #27 Online: 27 de Janeiro de 2009, 22:35:00 »
Sim, mas eu vi um cara armado atirando contra os policiais.

Então porque a polícia matou os outros? Estavam todos armados também? Não é isso o que a reportagem mostra, e olha que a Veja não é muito simpática aos sem-terra não.





Você é único, assim como todos os outros.
Alfred E. Newman

Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #28 Online: 27 de Janeiro de 2009, 22:36:00 »
Eu não quero endossar essa sua idéia de que há um conjunto de "direitos básicos de vida" bem definidos ou que o estado deva se encarregar deles.

Mas perceba que se a questão é "ter onde viver", você não teria porque defender o assentamento dessas pessoas em áreas rurais, muito menos por meio da desapropriação de quem as obteve honestamente.

Os tempos são outros. O agronegócio é uma das poucas coisas que dão certo no Brasil, e a esquerda, com toda sua demagogia, vai contra essa realidade, defendendo a volta ao tempo da agricultura familiar. Como se ela pudesse competir com o agronegócio ou como se ela fosse capaz de produzir o suficiente para alimentar 200 milhões de pessoas.

Bom, de quem as conseguiu honestamente já é um ponto muuuuito relativo, mas não vou entrar nesse mérito.
Nunca defendi o assentamento, mas também não defendo latifundiário que explora mão de obra praticamente escrava, lucro é algo que vale mais do que vidas, e esse pensamento eu repudio.

E seja em meio rural ou urbano, existe sem-teto, existe fome, existe miséria. E não é a lei do "compra quem pode" que deve reger sozinha nessas situações.

E reveja sua visão sobre "esquerda" ela infelizmente está simplista demais. Lutar por qualidade de vida não é demagogia.
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: MST
« Resposta #29 Online: 28 de Janeiro de 2009, 07:27:32 »
Sim, mas eu vi um cara armado atirando contra os policiais.

Então porque a polícia matou os outros? Estavam todos armados também? Não é isso o que a reportagem mostra, e olha que a Veja não é muito simpática aos sem-terra não.







Se vc estivesse em um local com gente atirando contra vc, uma  numerosa turma  avançando com facas e pedaços de pau ,atirando pedras... o que vc faria, atiraria contra a tal turma ou ficaria esperando  te acertarem com algo?

Quem procura acha, se não quisessem confusão teriam saido de lá.

Offline Zeichner

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Re: MST
« Resposta #30 Online: 28 de Janeiro de 2009, 18:04:18 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

O terrorismo é válido para se ter justiça social?


Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #31 Online: 28 de Janeiro de 2009, 18:19:35 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

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O terrorismo é válido para se obter mais lucro? Os dois lados estão podres. Mas ninguém move 1 dedo pra melhorar, e ridicularizam aqueles que tentam.
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Offline Ricardo RCB.

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Re: MST
« Resposta #32 Online: 28 de Janeiro de 2009, 18:32:53 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

O terrorismo é válido para se ter justiça social?



O terrorismo é válido para se obter mais lucro? Os dois lados estão podres. Mas ninguém move 1 dedo pra melhorar, e ridicularizam aqueles que tentam.

Defina terrorismo.

De exemplos de terrorismo usado para se obter mais lucro.

Um erro justifica outro? Ou se preferir?

Ainda que os dois lados (quem são estes lados, existem apenas dois?) estejam podres (e eu não assumo nem que existam dois lados apenas, nem que estejam podres), os erros de um justificam os do outro?
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Donald Kendall

Offline Dodo

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Re: MST
« Resposta #33 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:13:47 »
Se vc estivesse em um local com gente atirando contra vc, uma  numerosa turma  avançando com facas e pedaços de pau ,atirando pedras... o que vc faria, atiraria contra a tal turma ou ficaria esperando  te acertarem com algo?



Arcanjo, eu me refiro aos que estavam rendidos. Eu não quero transformar isso em mais uma discussão interminável, apenas acho errado como a coisa toda se desenrolou, só isso.

Não estou defendendo o MST, mas depois os sujeitos se tornaram mártires porque alguém fez uma "cagada", e daí aparecem os Reinaldos e Mainardes da vida falando de conspiração vermelha.

O poder de fogo da polícia era maior do que os sem terra? Sim.

Eles tinham como dominar toda a situação e prender todo mundo? Provavelmente não, mas também não precisavam matar quem já estava dominado, ou atirarem pelas costas naqueles que estavam fugindo.

E apenas estou citando a reportagem da Veja, não procurando outras fontes.

Se matarem o Lula, aposto que ele se transforma num santo no momento seguinte.

Ou você acha que o povo irá carregar o seu assassino nos ombros como se fosse um herói?
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Alfred E. Newman

Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #34 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:28:00 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

O terrorismo é válido para se ter justiça social?



O terrorismo é válido para se obter mais lucro? Os dois lados estão podres. Mas ninguém move 1 dedo pra melhorar, e ridicularizam aqueles que tentam.

Defina terrorismo.

De exemplos de terrorismo usado para se obter mais lucro.

Um erro justifica outro? Ou se preferir?

Ainda que os dois lados (quem são estes lados, existem apenas dois?) estejam podres (e eu não assumo nem que existam dois lados apenas, nem que estejam podres), os erros de um justificam os do outro?

Assista Zeitgeist para responder às tuas perguntas sobre terrorismo.
Não estou justificando erros, estou apenas mostrando uma realidade do meu ponto de vista onde estão apontando só 1 culpado, e eu não acredito nessa história de que policial atirou só para se defender, nem que movimento sem terra não tem motivo pra reclamar e nem que eles estejam certos, ou que os donos das terras são coitados.
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: MST
« Resposta #35 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:36:32 »
Sinceramente não me importo como o pessoal do MST morreu e como eu disse, se não querem confusão não procurem.

Só morreram  porque foram lá arrumar confusão e diga-se a verdade,  dispostos a matar tb.

Offline Ricardo RCB.

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Re: MST
« Resposta #36 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:51:26 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

O terrorismo é válido para se ter justiça social?



O terrorismo é válido para se obter mais lucro? Os dois lados estão podres. Mas ninguém move 1 dedo pra melhorar, e ridicularizam aqueles que tentam.

Defina terrorismo.

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Um erro justifica outro? Ou se preferir?

Ainda que os dois lados (quem são estes lados, existem apenas dois?) estejam podres (e eu não assumo nem que existam dois lados apenas, nem que estejam podres), os erros de um justificam os do outro?

Assista Zeitgeist para responder às tuas perguntas sobre terrorismo.
Não estou justificando erros, estou apenas mostrando uma realidade do meu ponto de vista onde estão apontando só 1 culpado, e eu não acredito nessa história de que policial atirou só para se defender, nem que movimento sem terra não tem motivo pra reclamar e nem que eles estejam certos, ou que os donos das terras são coitados.


Para seu registro, você não me respondeu nada (normal).

Vou procurar esse Zeitgeist e vou assumir que você concorda em 100% com ele.

Eu não apoio o que aconteceu em Eldorado dos Carajás, nem do lado da polícia, nem do MST, minha opinião é "Quem desrespeitou a lei deve ser punido, DENTRO da lei".
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Donald Kendall

Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #37 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:58:26 »
Outro lado. A exigência de que a população brasileira ( através dos impostos ) dê terras para uma parcela requerente da população da a esta parcela requerente o direito de roubar uma propriedade privada, além de destruir o patrimônio, pichar, espalhar fezes, matar animais e contaminar a água potável de qualquer lugar?

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O terrorismo é válido para se obter mais lucro? Os dois lados estão podres. Mas ninguém move 1 dedo pra melhorar, e ridicularizam aqueles que tentam.

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Um erro justifica outro? Ou se preferir?

Ainda que os dois lados (quem são estes lados, existem apenas dois?) estejam podres (e eu não assumo nem que existam dois lados apenas, nem que estejam podres), os erros de um justificam os do outro?

Assista Zeitgeist para responder às tuas perguntas sobre terrorismo.
Não estou justificando erros, estou apenas mostrando uma realidade do meu ponto de vista onde estão apontando só 1 culpado, e eu não acredito nessa história de que policial atirou só para se defender, nem que movimento sem terra não tem motivo pra reclamar e nem que eles estejam certos, ou que os donos das terras são coitados.


Para seu registro, você não me respondeu nada (normal).

Vou procurar esse Zeitgeist e vou assumir que você concorda em 100% com ele.

Eu não apoio o que aconteceu em Eldorado dos Carajás, nem do lado da polícia, nem do MST, minha opinião é "Quem desrespeitou a lei deve ser punido, DENTRO da lei".


E quando eu falei que desrepeitar a lei não deve estar sujeito a punição? Concordo que devam ser punidos, mas afinal, muita gente por aí não está punida e merecia tanto quanto o pessoal do MST que invade e destrói propriedade privada.
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Re: MST
« Resposta #38 Online: 28 de Janeiro de 2009, 19:59:49 »
André Padoveze, quando você escreve isso:

Citar
E quando eu falei que desrepeitar a lei não deve estar sujeito a punição? Concordo que devam ser punidos, mas afinal, muita gente por aí não está punida e merecia tanto quanto o pessoal do MST que invade e destrói propriedade privada.


Dá a forte impressão que um erro justifica outro.

Só a minha opinião, ok?

Estou vendo o Zeitgeist, ou melhor arranjando um horário para assistir, já que ele é livre de direitos autorais (pelo menos é o que eu entendi).
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Donald Kendall

Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #39 Online: 28 de Janeiro de 2009, 20:02:25 »
André Padoveze, quando você escreve isso:

Citar
E quando eu falei que desrepeitar a lei não deve estar sujeito a punição? Concordo que devam ser punidos, mas afinal, muita gente por aí não está punida e merecia tanto quanto o pessoal do MST que invade e destrói propriedade privada.


Dá a forte impressão que um erro justifica outro.

Só a minha opinião, ok?

Estou vendo o Zeitgeist, ou melhor arranjando um horário para assistir, já que ele é livre de direitos autorais (pelo menos é o que eu entendi).

Creio que seja sim, é um documentário bem interessante.
Mas não, não acredito que um erro justifique o outro. Só tento entender o porquê das coisas estarem do jeito que estão, as jutificativas dos atos, e não no sentido de atos justificados.
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Re: MST
« Resposta #40 Online: 28 de Janeiro de 2009, 20:07:44 »
A propósito, é esse Zeitgeist aqui ?

Citar
Part I, entitled "The Greatest Story Ever Told" questions religions as original god-given stories, arguing the Christian religion specifically is mainly derived from other religions, astronomical facts, astrological myths and traditions; in turn derived from or sharing elements with other ones. In furtherance of the Jesus myth hypothesis, this part argues that the historical Jesus is a literary and astrological hybrid, nurtured politically in the interest of control.

Horus, the Egyptian Sun God, is introduced as having a number of attributes similar to many other religious deities which came after him, including but not limited to Attis, Krishna, Dionysus, Mithra and Jesus Christ; these attributes including virgin birth on December 25th, 12 disciples, burial for 3 days, resurrection, and performing of miracles.[10]

The film offers explanations for some of these common attributes. To explain the origin of the December 25 birth, the film points out that the Winter solstice has the shortest day, and therefore, the shortest amount of sunlight, of the year, and that about three days after it, sunlight time could be seen growing, thus marking the birth of a "God of light" or Sun God. Another Christian-astrological similarity, according to the film, is that the three stars in Orion's belt (called the "Three Kings") align with Sirius on December 25, the brightest star in the sky, and point to the Sun's rise on the horizon. This is equated to the Nativity of Jesus, where, according to the film, three "kings" follow the star in the east to locate the birth of Jesus. Furthermore, around December 25, Sun rises in the vicinity of Virgo, the constellation known as Virgin, which refers to the origin of Jesus' virgin birth. Comparation of sunset in the vicinity of Crux and Jesus' death on the cross is based on similar principle. In addition, parallels as walking on water (reflection at dawn/dusk) and turning water into wine (ripening of grapes) are shown as metaphoric miracles, explained as the influence of the Sun.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Zeitgeist,_the_Movie
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Donald Kendall

Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #41 Online: 28 de Janeiro de 2009, 20:09:58 »
A propósito, é esse Zeitgeist aqui ?

Citar
Part I, entitled "The Greatest Story Ever Told" questions religions as original god-given stories, arguing the Christian religion specifically is mainly derived from other religions, astronomical facts, astrological myths and traditions; in turn derived from or sharing elements with other ones. In furtherance of the Jesus myth hypothesis, this part argues that the historical Jesus is a literary and astrological hybrid, nurtured politically in the interest of control.

Horus, the Egyptian Sun God, is introduced as having a number of attributes similar to many other religious deities which came after him, including but not limited to Attis, Krishna, Dionysus, Mithra and Jesus Christ; these attributes including virgin birth on December 25th, 12 disciples, burial for 3 days, resurrection, and performing of miracles.[10]

The film offers explanations for some of these common attributes. To explain the origin of the December 25 birth, the film points out that the Winter solstice has the shortest day, and therefore, the shortest amount of sunlight, of the year, and that about three days after it, sunlight time could be seen growing, thus marking the birth of a "God of light" or Sun God. Another Christian-astrological similarity, according to the film, is that the three stars in Orion's belt (called the "Three Kings") align with Sirius on December 25, the brightest star in the sky, and point to the Sun's rise on the horizon. This is equated to the Nativity of Jesus, where, according to the film, three "kings" follow the star in the east to locate the birth of Jesus. Furthermore, around December 25, Sun rises in the vicinity of Virgo, the constellation known as Virgin, which refers to the origin of Jesus' virgin birth. Comparation of sunset in the vicinity of Crux and Jesus' death on the cross is based on similar principle. In addition, parallels as walking on water (reflection at dawn/dusk) and turning water into wine (ripening of grapes) are shown as metaphoric miracles, explained as the influence of the Sun.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Zeitgeist,_the_Movie

Isso, mas não fica somente em religião, o primeiro filme "Zeitgeist" tem 3 partes: religião, terrorismo, economia.
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Re: MST
« Resposta #42 Online: 28 de Janeiro de 2009, 22:41:01 »
André Padoveze, quando você escreve isso:

Citar
E quando eu falei que desrepeitar a lei não deve estar sujeito a punição? Concordo que devam ser punidos, mas afinal, muita gente por aí não está punida e merecia tanto quanto o pessoal do MST que invade e destrói propriedade privada.


Dá a forte impressão que um erro justifica outro.

Só a minha opinião, ok?

Estou vendo o Zeitgeist, ou melhor arranjando um horário para assistir, já que ele é livre de direitos autorais (pelo menos é o que eu entendi).

Creio que seja sim, é um documentário bem interessante.
Mas não, não acredito que um erro justifique o outro. Só tento entender o porquê das coisas estarem do jeito que estão, as jutificativas dos atos, e não no sentido de atos justificados.

É sempre assim. Quando prendem um assaltante, um assassino, um estrupador no Brasil, cumprindo a lei, vem uma turma gritar: Por que este foi preso? os verdadeiros assaltantes. assassinos e estrupadores são os que tem dinheiro e poder e exploram o povo, e estes nunca vão presos!!!

Eu defendo o seguinte: Cometeu um crime, cumpra-se a lei. O fato de existir pessoas com dinheiro para pagar advogado não é motivo pra soltar quem não tem dinheiro. Uma coisa não justifica outra.

Prendam o pé-de-chinelo e os colarinhos brancos. Mas não usem a desculpa dos colarinhos brancos para soltar nenhum facínora.

E a lei do Brasil o que diz? Pode-se entrar numa propriedade privada e saquear, vandalizar? O que diz a lei?

Nossa sociedade é formada por indivíduos, mas querem que enxerguemos só as classes sociais. Os pobres não tem direitos como "eles". Os pobres vão presos e "eles" ficam soltos. Os terrorista não são o MST, são "eles".

Quem são eles? Qual é o nome "deles"? O que fizeram que foi contra a lei? Se cometeram um crime, sou o primeiro a pedir cadeia.

Assim como nem todo pobre é bonzinho, nem todo rico é ladrão.



Offline André Padoveze

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Re: MST
« Resposta #43 Online: 28 de Janeiro de 2009, 23:45:04 »
André Padoveze, quando você escreve isso:

Citar
E quando eu falei que desrepeitar a lei não deve estar sujeito a punição? Concordo que devam ser punidos, mas afinal, muita gente por aí não está punida e merecia tanto quanto o pessoal do MST que invade e destrói propriedade privada.


Dá a forte impressão que um erro justifica outro.

Só a minha opinião, ok?

Estou vendo o Zeitgeist, ou melhor arranjando um horário para assistir, já que ele é livre de direitos autorais (pelo menos é o que eu entendi).

Creio que seja sim, é um documentário bem interessante.
Mas não, não acredito que um erro justifique o outro. Só tento entender o porquê das coisas estarem do jeito que estão, as jutificativas dos atos, e não no sentido de atos justificados.

É sempre assim. Quando prendem um assaltante, um assassino, um estrupador no Brasil, cumprindo a lei, vem uma turma gritar: Por que este foi preso? os verdadeiros assaltantes. assassinos e estrupadores são os que tem dinheiro e poder e exploram o povo, e estes nunca vão presos!!!

Eu defendo o seguinte: Cometeu um crime, cumpra-se a lei. O fato de existir pessoas com dinheiro para pagar advogado não é motivo pra soltar quem não tem dinheiro. Uma coisa não justifica outra.

Prendam o pé-de-chinelo e os colarinhos brancos. Mas não usem a desculpa dos colarinhos brancos para soltar nenhum facínora.

E a lei do Brasil o que diz? Pode-se entrar numa propriedade privada e saquear, vandalizar? O que diz a lei?

Nossa sociedade é formada por indivíduos, mas querem que enxerguemos só as classes sociais. Os pobres não tem direitos como "eles". Os pobres vão presos e "eles" ficam soltos. Os terrorista não são o MST, são "eles".

Quem são eles? Qual é o nome "deles"? O que fizeram que foi contra a lei? Se cometeram um crime, sou o primeiro a pedir cadeia.

Assim como nem todo pobre é bonzinho, nem todo rico é ladrão.




Concordo plenamente com o que disse, mas só uma correção, não acho que deve-se soltar bandido pobre pois bandido rico estão soltos, acho que os bandidos ricos devem ser presos assim como os bandidos pobres. E nunca defendi que MST está fazendo algo justificado, a minha única intenção é tentar entender o porquê dos atos ocorrerem, tanto do lado do MST quanto do lado da repressão ao MST, só isso. Não estou defendendo ninguém. Tanto que disse no primeiro tópico, que há pontos positivos e negativos, em ambos os lados.
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Offline Südenbauer

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Re: MST
« Resposta #44 Online: 29 de Janeiro de 2009, 17:33:04 »
Existem os esquerdistas como o Luiz Souto que são sensatos e é sempre bom ler o que ele posta. O Hugo sendo formado em filosofia poderia dar sua contribuição para o fórum discutindo os temas do fórum ao invés de cair de pára-quedas neles e só fazer comentários provocativos.

Beleza... voce tem razão. Vou evitar isso.

Não defendo o MST, mas sei que precisamos dar um desconto de 80% nas reportagens da Veja quando quer atingir o governo Lula. Vide campanha de 2006. Foram, em 2005 e 2006, mais de 40 capas "escorrachando" o Lula e seu governo. Um massacre da mídia nunca visto.

Esses debates já forma feitos por aqui e está se repetindo, não tendo nada de novidade.

Veja o debate sobre Cuba em um tópico recente.  Nada de novo. Quem defende Cuba continua a defender e quem "esculhamba" (é assim que fazem, sem um mínimo de respeito) continuam a "esculhambar".

Vou adotar sua sugestão. Se não for para debater é melhor nem postar. Valeu...
Tranquilo, eu também gosto de falar umas bobagens apesar do pessoal estar discutindo a sério em uns tópicos. Eu só acho errado soltar fagulhas de provocação. :ok:

Offline Tonto

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Re: MST
« Resposta #45 Online: 12 de Fevereiro de 2009, 15:53:01 »
Ao contrário do Hugo, às vezes, eu defendo o MST
"Se quiser realizar seus sonhos primeiro você terá que acordar"

Offline Buckaroo Banzai

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Re: MST
« Resposta #46 Online: 16 de Outubro de 2009, 03:37:12 »
Perdoem o semi-flood que se segue, mas creio que é do interesse.


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Francisco Graziano Neto
Engenheiro agrônomo e ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)

Francisco Graziano Neto, Xico Graziano, 51 anos, é engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP (1974), Mestre em Economia Agrária pela USP (1977) e Doutor em Administração pela FGV/SP (1989). Presidente da ONG AgroBrasil - Valorização dos Agronegócios, atua como consultor de empresas, comentarista do Canal do Boi e colunista dos jornais O Estado de São Paulo e O Globo. Secretário Executivo do ITV - Instituto Teotônio Vilela, ocupa a 2ª suplência da Bancada do PSDB na Câmara Federal. Foi Deputado Federal (1998-2002), Secretário de Agricultura de São Paulo (1996-98), Presidente do Incra (1995) e Chefe de Gabinete Pessoal do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995). Professor da UNESP (1976-92), conferencista e escritor, publicou sete livros: A Questão Agrária e a Ecologia (1982), A Tragédia da Terra (1992), O Real na Estrada (1995), Qual Reforma Agrária? (1996), O Paradoxo Agrário (1999), Juventude Consciente (2002) e O Carma da Terra no Brasil (2004).

Portal - Os números de sem-terra no Brasil são muito discrepantes. O MST, por exemplo, fala em mais de quatro milhões de famílias a serem assentadas. O próprio número de já assentados provoca polêmica com o governo. Qual é seu cálculo de famílias realmente assentadas e quantas estão na fila?

Graziano: Hoje no Brasil existem aproximadamente 600 mil famílias assentadas. Esse número é uma média de todos os desencontros dos números, é o número com o qual eu trabalho e, enfim, se aceita. Famílias para serem assentadas eu não tenho a menor idéia, não há como fazer esse cálculo. Na minha visão, se você quiser continuar com o processo vigente, podem existir duas mil, cinco mil, cem mil famílias, a serem assentadas. Tudo depende do processo. Sem-terra mesmo não há mais nenhum.

Portal - O senhor defende a idéia de que não existem mais sem-terras. Por que?

Graziano: Tirando as pessoas da Zona da Mata, da região de Pernambuco e talvez do sul da Bahia, não existem os legítimos sem-terras. Nessas regiões, sim, há os autênticos trabalhadores que perderam suas terras por diversas razões e problemas. Perderam ou em função de pragas e doenças, como a vassoura de bruxa, ou pelas usinas que faliram, ou por qualquer outro tipo de problema. No entanto, no âmbito geral, na agricultura está faltando gente para trabalhar. O que ocorreu é que muitas dessas pessoas se mudaram para as cidades. Agora, quem quiser continuar chamando de sem-terra que continue, mas não se trata mais de sem-terras, não tem mais nada a ver com o que se pensava quando se bolou o plano da reforma agrária.

Portal - Quem faz parte hoje do MST?

Graziano: Quem faz parte do MST? Bom, na minha opinião, hoje o MST faz aquilo que eu coloquei no meu livro mais recente (O Carma da Terra no Brasil, 2004): ele montou uma fábrica de sem-terras. Ele recruta pessoas que estão vivendo mal nas cidades, que estão desempregadas, precisando de apoio, carecendo de uma política social, e vende para essas pessoas a ilusão de que a terra é a felicidade. Essa é a razão pela qual a reforma agrária virou política social, mas a pior das políticas, a mais cara, a mais ineficiente das políticas. O MST hoje é uma organização muito forte, muito estruturada; os acampamentos têm cursos, escolas, faculdades. Eles gastam muito dinheiro, pagam salários, ou seja, eles têm dinheiro. Trata-se de uma organização fortíssima, rígida, hierarquizada. Não tem nada a ver com o conceito de movimento social, porque os movimentos sociais não possuem essa hierarquia rígida, essa estrutura organizada. A mídia confunde as coisas afirmando que o MST é um movimento social, mas não é. Assim como a Contag também não. A Contag é uma central de trabalhadores rurais estruturada como a Confederação Nacional de Agricultura (CNA). O MST tenta achar meios de se alimentar como organização e, assim, se manter. Uma pesquisa recente aponta o aumento da rejeição ao MST, isto é, a tendência é de enfraquecimento. O MST se enfraquece naquilo que o fez nascer, que foi a reforma agrária. Ele se fortalece como organização, mas agora ele depende de recursos, antes dependia de uma bandeira. Cada manifestação gasta muito dinheiro e a pergunta que fica é: será que ele vai conseguir se financiar para manter essa organização forte? Eu não sei dizer. Hoje o que existe é uma confusão total, uma deformação total do modelo da reforma agrária. Não há planejamento nenhum, não há seleção de pessoas. Hoje, faz-se a reforma agrária com a faca no pescoço e com quem invade terras. Por isso que não dá certo.

Portal - O senhor, como ex-presidente do INCRA, acredita no modelo de reforma agrária com distribuição de terras?

Graziano: O modelo baseado na distribuição de terras está completamente exaurido. Não há como avaliar a reforma agrária em diferentes governos porque, basicamente, o modelo adotado é o mesmo, que foi gestado nos anos 60, ou seja, não é mais aplicável aos dias de hoje. Na época, o Estatuto da Terra chegou para dar legitimidade jurídica a esse tipo de idéia: você desapropria latifúndios e divide. Hoje não há meios de ter tal controle.

Portal - Comparando a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual governo, nota-se alguma diferença em relação às reivindicações ligadas ao tema reforma agrária?

Graziano: Hoje, reclama-se que não acontece nada, que a reforma agrária não anda. Na época do Fernando Henrique, reclamavam dos números, faziam batalha política. Hoje, o governo não só não faz o que o governo anterior fez, como não apresenta opções, um modelo diferente. Então nós ficamos no pior dos mundos, porque o governo está paralisado, sem saber o que fazer. Aquilo que eles achavam que deveria ser feito eles já perceberam que não dá certo. O processo é muito tumultuado, oneroso, e o Incra não consegue achar mais terra para desapropriar. E o Incra não consegue encontrar terras para desapropriação porque, felizmente, as terras são produtivas e estão produzindo. Tirando algumas regiões do Pará e Amazônia, onde, claro, esse pessoal diz que não quer ir.

Portal - Em entrevista recente ao programa Jô Soares, o senhor disse que muitas famílias depois de assentadas, não ficam na propriedade, vendem, alugam ou repassam a terra. Por que isso ocorre?

Graziano: Isso ocorre, primeiro, porque muitas famílias não têm aptidão e nem cultura rural para lidar com a terra. Ou já perderam os vínculos que tinham com o campo ou nunca tiveram sequer um vínculo com a agricultura, com a terra. Para ser agricultor é necessário cultura, aptidão, não é qualquer um que pode virar agricultor. A atividade agrícola não é como essas profissões urbanas, em que as pessoas podem ser treinadas para desempenhar o trabalho. O trabalho de quem mexe com a terra é no sol, isolado, é distante, não tem sábado, não tem domingo. Então é tudo diferente. E todos esses fatores determinam uma certa cultura, uma forma de viver. Essa é a principal razão. A segunda razão é que muitas dessas pessoas assentadas são colocadas em projetos que não possuem finalidade econômica, isto é, o projeto não se destina a alguma coisa, não tem um propósito senão colocar, simplesmente, essas pessoas assentadas para ver o que acontece. Não existe começo, meio e fim; não tem a parte seguinte, a parte final, que é o mercado. Então se os assentados já não têm aptidão, não encontram mercado e não sabem como e o quê produzir, eles se sentem desarticulados de uma agroindústria ou de uma cooperativa, por exemplo. Não há uma perspectiva animadora de quem sabe vender ou exportar a produção. O que acontece, então, é que o sujeito fica lá um ou dois anos e não agüenta. Vende, abandona, aluga a propriedade. E o governo não tem como controlar esse movimento porque muita coisa já foi feita neste contexto. Só no governo Fernando Henrique foram assentadas mais de 500 mil famílias. A estrutura governamental não dá conta de cuidar disso. E também não quer muito.

Portal - Uma das grandes críticas feitas ao atual governo é a lentidão em relação à questão agrária. Os planos iniciais estão longe de serem cumpridos. Faltam verbas ou vontade política?

Graziano: Uma das falhas graves dos governos incide na cultura da reforma agrária, mais ou menos como eu disse na questão anterior. Parece que o processo de implementação de uma reforma agrária termina quando a pessoa entra na propriedade. Nunca ninguém se preocupou em calcular se essa terra produz, se não produz. É um fato lamentável, que eu denuncio muito e sobre o qual eu escrevo como economista rural. É como se o simples fato de ter colocado alguém em um pedaço de terra já fosse o suficiente, já tivesse valido a pena. E, claramente, não está valendo a pena. Mas isso não tem a ver com vontade política, eu não sei o que é isso. Vontade política o PT tinha, mas não é isso que falta. O que falta são posições e condições objetivas para se fazer uma coisa bem feita. Falta planejamento, falta agronomia, é isso que falta para a reforma agrária. A política é que atrapalhou e acabou com a reforma agrária. É preciso reinventar a reforma agrária no Brasil. O PT não consegue fazer a reforma tradicional, a qual ele achava ser o supra sumo e viu que não é, e agora não sabe o que fazer com o MST.

Portal - O senhor defende a idéia de que não existem mais terras improdutivas a serem desapropriadas no Brasil. Como chegou a essa conclusão?

Graziano: Talvez o Brasil ainda tenha terras a serem desapropriadas que foram adquiridas no Mato Grosso, no Pará. Só que essas propriedades são todas cobertas por florestas, e grande parte pela Floresta Amazônica. E pela legislação burra que nós temos, essas terras são chamadas de improdutivas. Mas pelo conceito moderno isto é ecologia pura, precisamos parar de fazer isso. Em Agronomia diferenciamos o que é terra inaproveitável da terra que é aproveitável. E hoje se confunde dizendo que a terra é improdutiva por não haver produção. Mas existe aquela terra improdutiva que é capaz de se tornar produtiva, assim como existe a propriedade que não tem capacidade de produzir. Mas, enfim, terra produtiva é aquela que está gerando riqueza e empregos. O fato é o seguinte: terra com floresta nativa não é improdutiva, é terra com floresta. É um conceito novo que não existia na época do Estatuto da Terra, de 1964. Na época do Estatuto, terras com florestas deveriam ser desmatadas para produzir, mas depois se percebeu que era preciso proteger um pouco. Hoje precisamos dar atenção aos locais que já foram desmatados ou desapropriados e que não estão produzindo. O foco da reforma agrária deve ser por aí.

Portal - É possível conciliar um modelo de agronegócio empresarial, exportador, com uma agricultura familiar, mais voltada para o mercado interno, e ainda com essa massa que pressiona para obter terras?

Graziano: Eu não vejo problema nenhum. Aliás, eu nunca vi uma palavra tão mal empregada como agronegócio. Acho que vou escrever sobre isso, porque as pessoas pensam que agronegócio é uma coisa e não é. Agronegócio não tem nada a ver com tamanho ou com finalidade; é um conceito que diz respeito ao fato de que existem, hoje, complexas cadeias produtivas e não apenas a porteira. Ser agricultor hoje, falar em agricultura hoje, significa imaginar o antes, o durante e o depois. Há 50 anos não existia trator, não existia o antes, não existia nada. A agricultura era vender os produtos na feira, nos caminhões. Hoje você vende para as agroindústrias, que processam e que revendem; hoje há supermercados e distribuidores. O conceito de agronegócio diz respeito à complexidade da produção, da comercialização e do processamento, não importando se é para o mercado interno ou externo, ou ainda se a produção é em grande, média ou pequena escala. A cooperativa de Campo Mourão, Paraná, aglutina 13 mil agricultores. Desses 13 mil, 85% são pequenos produtores e todos eles exportam seus produtos através da cooperativa. São pequenos produtores familiares que integram a cadeia produtiva completa. Por isso nem se coloca essa oposição entre agricultura para exportação e produção familiar ou pequena, esse dilema é totalmente fabricado.

Portal - Qual sua análise da política agrícola do atual governo?

Graziano: Olha, eu diria o seguinte. Nós atravessamos um período tão bom nos últimos quatro anos, que o governo pouco precisou fazer. E às vezes o importante é isso, o governo não pode atrapalhar. E o governo não atrapalhou. O que o governo Fernando Henrique fez, e que foi fundamental para essa retomada, foi a renegociação das dívidas dos agricultores e o financiamento do Moderfrota. Esses dois fatores, juntos com o mercado internacional favorável, permitiram à agropecuária uma estruturação e uma posição confortável. Então o governo passado fez e o governo atual não mudou o Moderfrota, mas piorou um pouco a taxa de juros. As dívidas já estavam renegociadas e o financiamento continuou. O que falta nesse País, ainda, é seguro rural. O governo passado não fez e o atual ainda não conseguiu implantar. Por outro lado o que eu posso dizer é que nós temos um excelente ministro da Agricultura, como pessoa, como agrônomo, é um líder, uma pessoa respeitada, e isso ajuda e anima. Agora não temos uma política agrícola que possa ser explicada ponto a ponto. Ela não está formulada, pelo menos organizadamente.

Portal - A economia brasileira tem condições de suportar os custos de uma reforma agrária com a crescente valorização da terra?

Graziano: Nas contas atuais, feitas por mim, para o governo assentar uma família ele gasta em média 50 mil reais. Esse dinheiro é para assentar e garantir os primeiros créditos com instalação, o financiamento do Pronaf e algumas despesas. Porque a terra é muito cara, ela se valorizou muito. O Incra, há um ano, quando soltou sua programação, falou em 31 mil reais em média, mas a média aqui em São Paulo ou no Paraná já chegava aos 50, 60 mil reais. No Amazonas ou no Pará, esse número caía para 10, 12 mil reais. Então isso tudo mais ou menos dobrou por conta do aumento do preço da terra. Calculando, só a terra custa cerca de 15 mil reais. O governo Lula assentou até agora muito menos que 50 mil famílias e prometeu assentar, até o fim do governo, 400 mil famílias. Para isso, ele teria que assentar este ano 115 mil famílias. Mas não há hipótese de que ele consiga chegar ao número prometido, porque ele não vai achar terra, não vai achar gente e não tem dinheiro. Ainda bem que o governo não vai assentar mais ninguém, porque o importante é cuidar dos que já foram assentados, dos agricultores tradicionais. O drama do Brasil hoje está nos "com-terra", os sem-terra fazem parte do drama das décadas de 70 e 80. Hoje a questão a ser discutida é como manter nossos agricultores, porque o mundo inteiro não conseguiu manter.

Portal - Até que ponto as invasões inibem os investimentos no campo?

Graziano: Até que ponto? Não sei avaliar, nunca vi ninguém quantificar isso, mas certamente isso acaba se somando a outras questões da economia. Sozinha, no Brasil, a agropecuária é muito forte, portanto, não há nada muito assustador. Regionalmente atrapalha, porque o Triângulo Mineiro já foi prejudicado, assim como o sul do Pará, o Pontal do Paranapanema, e algumas regiões do sul do Mato Grosso do Sul, como Naviraí, por exemplo. O Brasil tem regiões onde os empresários rurais estão investindo menos do que investiriam, em termos de tecnologia, por exemplo. O problema é quando a gente soma a inépcia do governo, em várias questões, não apenas na questão agrária, o que certamente torna-se um componente a mais para aumentar o Risco Brasil.


Portal do Fazendeiro


http://www.fazendeiro.com.br/noticias/Entrevista_Neto.asp










Todos são trechos de autoria de Xico Graziano


Citação de: Xico Graziano *
[...] A partir das Ligas Camponesas, movimento reformista surgido em Pernambuco, início dos anos 60, a sociedade acordou. Chega de latifúndio.

Da teoria para a dura realidade. Audiência realizada na Câmara dos Deputados, dias atrás, escancarou a violência rural implantada no Sul do Pará. Bandoleiros fortemente armados invadem fazendas, fazem reféns e expulsam moradores. Saqueiam e depredam, roubam gado, tratores, arame de cerca. Fazem barbaridades.

Duas regiões do Pará sofrem o banditismo no campo. Um foco está em Marabá, envolvendo os municípios de Parauapebas, Canaã, Curionópolis e Eldorado dos Carajás. Outro acomete Redenção, abrangendo Cumaru, Santana do Araguaia e Pau D’Arco. Cerca de 160 propriedades já contabilizam prejuízos de R$ 100 milhões. Neste momento, 27 fazendas, com 100 mil cabeças de gado, encontram-se dominadas pelas quadrilhas rurais.

Em 17 de outubro último, relatório reservado da Polícia paraense descrevia assim a situação encontrada na Fazenda Colorado: “Ao chegar, ainda no asfalto, fomos recepcionados por oito elementos fortemente armados, com armas de grosso calibre, alguns encapuzados em suas motocicletas, dizendo textuais ‘o que vocês querem aqui, não é para entrar, vocês são conhecidos do dono da fazenda?’. Em ato seguinte relatamos aos meliantes, os quais não foram presos em flagrante delito pelo fato da equipe de policiais encontrar-se naquele momento em desvantagem numérica, que apenas estávamos passando pelo local e o que nos chamou a atenção foi a faixa colocada na entrada da porteira, e nada mais, posteriormente seguimos nosso destino.”

Amedrontados, acovardados frente aos invasores, os policiais temem especialmente a LCP, Liga dos Camponeses Pobres, que domina a região de Redenção. Treinada, dizem por lá, por gente do Sendero Luminoso, a organização não brinca em serviço. Se os policiais fogem do pau, imaginem os proprietários rurais.

Na região de Marabá, impera o MST. É paradoxal. Perto de 15% do volume da reforma agrária brasileira aconteceu naquele canto. Cerca de 100 mil famílias receberam terras nas centenas de projetos de assentamento. Mas, ao invés de acalmar, aumentou a violência rural.

Argumenta-se que são griladas as terras do Sul do Pará. É sabido que, entre os anos 60 e 70, muita gente graúda se apoderou daqueles férteis solos, totalmente florestados, áreas consideradas devolutas. Ocorreu por lá uma espécie de eldorado tupiniquim. Na verdade, um assalto à Natureza. Garimpeiros, madeireiros, prostitutas, fazendeiros, posseiros, todos se uniram, com apoio do regime militar, para dilapidar os fartos recursos naturais. Triste história.

O erro do passado cobra a conta no presente. O caos fundiário se instalou naquelas bandas, onde escritura de terra, mesmo registrada no cartório, não vale uma pena. Terra sem lei. A insegurança jurídica sobre a propriedade fermenta a cobiça. Daí para a violência a porta é curta.

A situação é apavorante. Haverá confronto, a vida por um fio. Grave, acima de tudo, afora o conflito real, é o governo estadual afirmar, calmamente, que está negociando com os “movimentos sociais” da região. Movimentos sociais?

Ora, treinamento na selva, ordem unida, comando militarizado, logística de deslocamento, esquema financeiro, nada disso pertence à história dos verdadeiros movimentos sociais. O que se vê acontecer no Sul do Pará é puro banditismo rural. Gente criminosa, organizada, se disfarça de sem-terra para assaltar e roubar. Um logro para enganar a opinião pública.

Cabe ao Estado, não às milícias, botar ordem naquela bagunça fundiária, fazendo imperar a Justiça no Sul do Pará. Aceitar que grupos organizados decidam, por conta própria, arrebentar o patrimônio alheio afronta a democracia. No campo ou na cidade, na agricultura como na indústria. Configura crime, incitação à barbárie, cultivo da violência.

Esse é o ponto. Valorizar o movimento social significa cultivar a liberdade. Não destruí-la.

* Secretário de Estado de Meio Ambiente de São Paulo



Artigo Publicado dia 18/12/07 pelos Jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo, de MG




Citação de: Xico Graziano *
[...] Terceiro, bem ou mal, desde aquela época cerca de um milhão de famílias tiveram acesso à terra no processo de reforma agrária. Perto de 70 milhões de hectares foram distribuídos nos assentamentos rurais. O problema agrário mudou. O drama, agora, afeta o “com-terra”, pois carece garantir renda, e qualidade de vida, aos novos agricultores.

Ao comemorar 25 anos, o MST enfrenta grave dilema. O bonde da história exige sua mutação. É impossível manter sua ideologia e preservar seus métodos num mundo diferente daquele que o criou. Por essa razão, há tempos o MST constrói a fábrica de sem-terras na periferia urbana. Nem isso, porém, funciona mais. O emprego e a bolsa-família tomaram o lugar da arruaça.

De início, para enfrentar a ditadura, ou na inépcia do governo, valia bancar o revolucionário. Mas hoje, brandir foices soa obsoleto; destruir laboratórios, obscurantista. Perdido, o MST inventa assunto para segurar sua onda. Afirma que o agronegócio concentra a propriedade rural. Mentira. O último Censo do IBGE indica que 68,2 hectares é a área média no campo. Em 1980 estava em 70,7 hectares.

No Congresso que realizou em Sarandi, semana passada, o MST proibiu a entrada de jornalistas em suas assembléias. Triste ironia. Quem combinava ações espetaculares para ocupar as manchetes, agora cerceia a imprensa. O que esconde o MST?

 

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, no dia 27/01/2009.



Citar
[...] A unanimidade política se provou no Estatuto da Terra, promulgado pelo regime militar em novembro de 1964. Nem a turma da direita, que chutou a democracia no golpe, se opôs à desapropriação do latifúndio, um obstáculo ao progresso.

A nova lei deu nome aos bois. Os latifúndios passaram a ser divididos em dois grupos: "por dimensão" e "por exploração". No primeiro caso, 600 módulos de terra eram o limite de sua extensão, área situada entre 20 mil e 50 mil hectares, dependendo da região. Maior que isso, poderia ser desapropriado para reforma agrária. Terra dividida.

Já os latifúndios "por exploração" precisavam, independentemente de seu tamanho, provar que eram produtivos. Daí surgiram os índices de produtividade que o Incra utiliza, até hoje, para caracterizar a função social da propriedade rural. Se estiver ociosa, com baixa produção, pau nela. Vai para o assentamento dos sem-terra. Muito bem.

Dois cadastramentos gerais foram realizados naquela época. As estatísticas eram devastadoras, configurando forte concentração da estrutura agrária. Em 1984, atualizados, os dados serviram para fundamentar o plano de reforma agrária da Nova República. Eles mostravam que os latifúndios se apropriavam de 90% do território. Um escândalo.

O cadastro indicava existirem 305 latifúndios "por dimensão", que, somados, detinham área maior do que a explorada, na outra ponta, por milhões de pequenos agricultores. Ninguém poderia concordar com isso. Reforma agrária já.

Se a ditadura não aplicou, na prática, o Estatuto da Terra, a democracia, restabelecida, o faria. Assim, há 25 anos, se iniciava a fase moderna da reforma agrária brasileira. Seus resultados, sofríveis, frustraram as expectativas, transformando a prometida redenção da miséria rural numa polêmica interminável. Por quê?

Duas explicações importam aqui. Primeiro, destrinchando as estatísticas oficiais, verificou-se que, entre os latifúndios "por exploração", 700 mil detinham área menor que 100 hectares de terra. Quer dizer, eram "pequenos" latifúndios. Um contrassenso incompreensível. Segundo, entre os grandões, apenas um ou outro acabou efetivamente desapropriado na reforma agrária, por uma razão elementar: dificilmente eles eram encontrados nas vistorias de campo. Representavam enormes terras griladas, cadastradas no Incra, porém fictícias. Latifúndios "fantasmas".

O equívoco desnorteou os agraristas. Estava em curso um processo de modernização agropecuária que, hoje, caracteriza o capitalismo no campo. Nos últimos 30 anos, o latifúndio transformou-se em grande empresa rural, mantendo-se grande, mas tornando-se produtivo. Integrado com a agroindústria, ao lado de fortes cooperativas, constitui o complexo chamado agronegócio.

Após a Constituição de 1988, mudou a lei agrária. Desapareceram as antigas denominações do latifúndio, substituídas pela nova caracterização econômica da grande propriedade: produtiva ou improdutiva. Até hoje, entretanto, o conceito histórico, tão marcante, permanece sendo utilizado. E, infelizmente, deformado.

João Pedro Stédile, ideólogo do MST, caracteriza atualmente o latifúndio como a propriedade rural que, embora cultivando café, soja, cana, eucalipto, ou utilizada na pecuária, ocupe área superior a mil hectares. Ponto. Não interessa se utiliza tecnologia, paga bem aos empregados ou conserva o solo. Importa apenas o tamanho, aliás, bem abaixo dos antigos latifúndios "por dimensão".

Ora, o modelo agrícola do País, ainda concentrador, pode ser criticado. Mas o latifúndio sempre caracterizou relações atrasadas de produção, mau uso da terra, servilismo. Confundir a empresa capitalista no campo com a propriedade oligárquica entorpece o raciocínio. Latifúndio produtivo soa ilógico.

Curiosa a mente das pessoas. Há quem, não percebendo que o mundo mudou, repete o mesmo chavão a vida toda. Tromba com a realidade. Outros, mais inteligentes, sabem das mudanças. Mas, para manter o discurso atrasado, escondem-se na mentira dos conceitos. Deturpam a realidade.

 

Publicado em O Estado de S. Paulo

Offline Buckaroo Banzai

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Re: MST
« Resposta #47 Online: 18 de Outubro de 2009, 17:35:54 »
Citação de: Xico Graziano
15 de Janeiro, 2008

Nostalgia agrária

Confusão na reforma agrária. Confronto entre assentados deixa 14 feridos, barracos destruídos e carros incendiados. Um corre-corre danado, culpa, pasmem, da cana-de-açúcar. A inusitada briga mostra os descaminhos da questão agrária brasileira.

Aconteceu em Araraquara, interior de São Paulo, no último domingo do ano passado. O assentamento Bela Vista, palco da triste querela, vem dos anos 80, implantado pelo Incra em antiga fazenda de usineiros falidos. Terra extensa e boa, infra-estrutura e benfeitorias à vontade, o projeto de reforma agrária, embora caro, nasceu para dar certo.

Mesmo assim, capengou durante anos. Tornou-se palco de constantes disputas entre grupos rivais, ligados às organizações políticas que dizem cuidar dos sem-terra. Nada novo. Diferente, mesmo, era a vontade dos assentados em plantarem cana-de-açúcar, para vender ali perto. Qual o problema?

Ocorre que, no velho paradigma ideológico que domina a questão agrária, é um verdadeiro sacrilégio ver assentado produzindo gêneros “de exportação”. Isso é comércio de fazendeiro rico. Obrigação de pobre é plantar alimento básico, para matar a fome do povo.

Parece mentira, mas é verdade. A regulamentação da atividade produtiva nos assentamentos de reforma agrária do país proíbe, em certo sentido, o sem-terra de progredir. As normativas técnicas restringem a agricultura comercial, impedindo a especialização do trabalho. Sem-terra não pode gostar de agronegócio.

Vem das origens essa esdrúxula deformação conceitual. O processo da reforma agrária foi concebido, há 50 anos, como uma forma de quebrar a hegemonia do latifúndio, seja açucareiro, cafeeiro ou cacaueiro. A esquerda, dominada então pelos comunistas, criticava o “modelo exportador” da economia, defendendo o desenvolvimento “nacional”.

Nesse contexto, a divisão da terra deveria servir ao mercado interno, tese que ganhava simpatia entre os trabalhadores urbanos. A revolução socialista se faria com a aliança operário-camponesa. Puro sonho.

Mais tarde, a birra, agora já comandada pelos neo-revolucionários do MST, avançou contra as grandes fazendas de pecuária. E depois contra as plantações de soja. A idéia básica permaneceu a mesma: assentado que se preze deve produzir a subsistência, roça diversificada, um pouco de tudo, arroz com feijão, milho para a galinha caipira, uma hortinha, o porco na lavagem, leite na teta da vaca... Nostalgia rural.

Escudando-se nessa tese, as autoridades do Incra deram a ordem de despejo para 12 famílias, entre os 176 assentados em Araraquara. Desobedientes, elas haviam se especializado na produção de cana-de-açúcar. Pelas recomendações oficiais, apenas metade da terra, no máximo, poderia receber o doce plantio do açúcar.

A situação não é específica do conflituoso assentamento Bela Vista. Vários outros projetos de reforma agrária apresentam casos semelhantes. O problema nem é restrito às áreas de reforma agrária. O plantio de cana-de-açúcar oferece boa rentabilidade e atrai os pequenos agricultores em geral. Afinal, embora modestos, eles também desejam ganhar dinheiro, trocar de carro, estudar os filhos. Enfim, progredir na vida.

Pense bem. Qual o objetivo último da reforma agrária? Tornar, simplesmente, o sem-terra um agricultor, para que padeça as agruras da terra ou, mais além, garantir-lhe condições dignas de existência? Ora, na economia de mercado, importa a renda, não a terra. Impedir o assentado de buscar rentabilidade, atrás da cana-de-açúcar ou qualquer outra atividade, é defender o atraso.

Quem comunga esse pensamento obscurantista, que obriga a reforma agrária a cuidar da subsistência básica, deveria ele próprio pegar na enxada e plantar um palmo de roça. Arregaçar a camisa e cultivar no sol. Os urbanóides, a começar de certas lideranças políticas dos sem-terra, formulam regras sem conhecimento realista, nem prático, do assunto.

No passado, época do Brasil rural, as fazendas e sítios eram auto-suficientes. Produzia-se o gostoso pão-nosso-de-cada-dia. A economia monetária estava incipiente. Mas, aos poucos, tudo mudou. As pessoas se mudaram para a cidade, e a roça de subsistência acabou trocada pela gôndola do supermercado. Agricultor nenhum planta mais arroz e feijão para comer, prefere comprar. Chega melhor, e mais barato, no almoço.

Com a modernização da agropecuária, seguindo a tendência da economia geral, forçou-se a especialização do trabalho. E, sabidamente, a escala de produção interfere nos custos. Dessa forma, manter uma roça de subsistência, para aliviar o orçamento doméstico, funciona quando existir trabalho ocioso na propriedade rural. Fora disso, não faz sentido.

Proibir que os assentados de reforma agrária dediquem-se àquilo que mais dá dinheiro, obrigando-os a produzir alimentos básicos, representa um grande equívoco, burrice das grossas. Pior, condena o (ex)sem-terra à vida miserável, um autoritarismo disfarçado.

O projeto de assentamento da Bela Vista já tem 20 anos. Mas os novos agricultores continuam subordinados. Nunca se pensou em emancipar-lhes, oferecendo-lhes os devidos títulos de propriedade. A reforma agrária brasileira continua via única de entrada, sem saída. Sem-terra se eternizam. Nunca se livram do mando, seja do governo, seja das organizações que os manipulam eternamente.

Aqui está o xis da questão. O problema não reside na plantação da cana-de-açúcar, mas sim no cultivo da dependência humana.



Artigo Publicado dia 15/01/08 pelos Jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo, de MG
 

Fonte: O Estado de S. Paulo





http://www.xicograziano.com.br/artigos/192/nostalgia-agrria

Offline Buckaroo Banzai

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Re: MST acha que é anti-democrático impedir seus ataques e invasões
« Resposta #48 Online: 18 de Outubro de 2009, 17:50:12 »
Cite outros. Que não sejam propriedade de criminosos e que tenham o registro imóvel.

Mais uma vez: criminosos condenados? Ou supostos criminosos?

E mais uma vez: isso não muda o caráter produtivo da terra.

Então que deixem de ser hipócritas e ficarem afirmando que só invadem terra improdutiva. São ladrões baratos, pilham, roubam e destroem.


Se o MST realmente só invadisse propriedades de criminosos, acho que eu até me simpatizaria com o movimento ("ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão", mesmo?). Poderiam começar invadindo propriedades de José Dirceu, Sarney e José Rainha.  :)
Eles optaram por começar pela Aracruz, Monsanto e outras pestes imediatamente nocivas ao ambiente.

Ai, ai, ai...

Agora prove que são mais nocivas que outras. Comece explicando como os trangênicos vão aumentar o consumo de agrotóxicos e apresente PROVAS.


Sobre isso:

Citação de: Xico Graziano
Mentira ideológica


Noutro dia, entrevistado no programa Canal Livre, da Band, o líder do MST, João Pedro Stédile, constrangeu seu interlocutor ao afirmar, contrapondo-o agressivamente, que os produtos transgênicos entopem a agricultura de agrotóxicos. O jornalista, surpreendido com a arrogância do economista, recolheu seu argumento. Mas ele estava correto.
Inúmeras pesquisas de campo, realizadas por entidades públicas, indicam que, efetivamente, ocorre redução dos pesticidas nas lavouras transgênicas. No Brasil e na Argentina, a soja configura o caso mais estudado. Na China, Índia e Austrália, o algodão se destaca nos estudos agronômicos. Basta consultar a Embrapa. Lá se encontra conhecimento técnico, não grito ideológico.

Existem no mercado dois tipos básicos de transgenias. Uma delas recebe a sigla Bt, iniciais da bactéria Bacilus thuringensis, fonte de bioinseticida utilizado há tempos na agricultura orgânica. Ingerida, a toxina bacteriológica contamina o aparelho digestivo de lagartas, liquidando-as. Pois bem. A engenharia genética conseguiu a proeza de introduzir no genoma das plantas o gene selecionado da bactéria. Resultado: quando a praga morde as folhas do algodão Bt, por exemplo, ela se intoxica naturalmente, sem precisar de inseticida que as mate. No Mato Grosso, lavouras convencionais de algodão recebem, em média, 15 pulverizações de inseticidas. Nas roças transgênicas, caem para 5 aplicações.

A segunda transgenia, mais discutida, incorpora nas plantas comerciais o gene RR, abreviatura de Roundap Ready. Trata-se, este, de um herbicida, cujo princípio ativo se chama “glifosate”. Sua molécula destrói a clorofila dos vegetais em geral, aniquilando-os. O deletério efeito, todavia, não funciona nas culturas que recebem, através da engenharia genética, o famoso gene.

Em conseqüência, nas variedades modificadas de soja, algodão ou milho, apenas uma aplicação desse herbicida, realizada após a emergência das sementes, acaba com o mato, sem prejudicar as plantinhas da lavoura. O campo fica limpo de ervas, restando verde apenas aquelas linhas onde germina a safra. O efeito é notável.

Os plantios convencionais recebem várias aplicações de herbicidas, dependendo do grau de infestação da área cultivada. E, normalmente, tais agrotóxicos, seletivos ou de “préemergência”, são mais contaminantes que o glifosate, utilizado nas lavouras transgênicas. Todos, por serem tóxicos, exigem o cuidado da receita agronômica.

Existe um complicômetro, alardeado pelos críticos. A tecnologia RR pertence à Monsanto, grande multinacional norte-americana, mesma empresa que fabrica o fungicida Roundap Ready. Óbvio está o risco de se criar danosa dependência do agricultor à garra monopolista do Tio Sam. Pode ser, mas há um senão.

A patente mundial do glifosate expirou em 2000, caindo para domínio público. À semelhança da medicina, vira produto genérico. Apenas no Brasil, atualmente, 18 empresas, nacionais e estrangeiras, fabricam 20 marcas comerciais do herbicida, todos com a mesma base química. Há, portanto, forte concorrência no mercado. A mentira ideológica omite a relevante informação.

A biotecnologia, incontestavelmente, trabalha a favor da redução dos pesticidas agrícolas. O fato, objetivo, recebeu o primeiro atestado oficial quando, em 2003, no processo de votação da Medida Provisória 131, o núcleo agrário do PT solicitou um relatório sobre a matéria. Visita em campo, relatada na Comissão de Agricultura, confirmava as vantagens agronômicas da nova tecnologia. Por isso os pequenos agricultores gaúchos a adotavam, contrabandeando-a da Argentina.

Foram, na época, arrolados 12 aspectos positivos. Incluíam a redução no uso de herbicidas, aumento na praticidade da lavoura, economia de combustível, redução de perdas e maior liberdade do trabalho rural. Anotava ainda o reaparecimento de pequenos mamíferos, aves e peixes nas redondezas dos campos de produção. “Um banho de realidade”, conforme se expressou a agrônoma Maria Thereza Pedroso, responsável pelo relatório petista.

Nem tudo está resolvido no mundo dos transgênicos. A Embrapa aponta que o manejo inadequado da soja RR pode favorecer a manifestação da resistência de plantas daninhas ao glifosate, especialmente azevém e amendoim bravo. Para enfrentar o problema, bastante conhecido na agronomia , se recomenda a rotação de culturas. Essa mesma técnica serve para cultivos Bt, nos quais se observa ressurgência de algumas pragas, antes pouco relevantes. Com ou sem transgênicos, nada é definitivo na dinâmica da natureza.

Neste mês, o Conselho Nacional de Biosegurança ratificou decisão liberando o plantio comercial de nova variedade transgênica de milho, o Bt11. Mais importante, decidiu que a análise científica, no âmbito da CTNBio, será doravante definitiva, salvo casos de interesse nacional. Precaução sempre, obscurantismo nunca.

A engenharia genética causa compreensível receio na sociedade. Afinal, trata-se de manipulação da vida. Há limite ético a ser considerado, bem como posição religiosa a respeitar. Acima de tudo, exige-se segurança na saúde e no meio ambiente. A verborragia, contudo, nada garantirá. Somente a crença no conhecimento científico será capaz de vencer os desafios da produção e da tecnologia.

Um conselho. Desconfie dos que defendem os transgênicos qual panacéia, invocando a solução da fome no mundo. Eles representam o poder econômico. E fuja rápido daqueles que vociferam contra a biotecnologia. Estes adoram manipular, politicamente, a opinião pública. Ambos falseiam a verdade.

A virtude segue o caminho do meio.


Artigo Publicado dia 01/07/08 pelo jornal Estado de São Paulo.

Fonte: O Estado de S. Paulo


http://www.xicograziano.com.br/artigos/181/mentira-ideolgica


Offline Buckaroo Banzai

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Re: MST
« Resposta #49 Online: 18 de Outubro de 2009, 17:53:29 »
Ainda relacionado, agora mais tocante aos MSTs:

Citação de: Xico Graziano

Cinismo agrário


Coberta por Mata Atlântica, a Fazenda Vitória está sofrendo uma derrota. Seu precioso cerne sucumbe à impiedosa motosserra. Caça predatória aniquila sua fauna. Todo em nome da reforma agrária. Quanta insensatez.

 

Encravada na Serra do Mar, a área de 7 767 hectares pertence ao município paulista de Apiaí, ali próximo da divisa com o Paraná. Desapropriada em março de 2005, o projeto de assentamento prevê beneficiar 43 famílias de sem-terra. Pouca gente.

 

Ocorre que apenas 11% da propriedade poderiam ser aproveitados no assentamento rural, cada lote com 20 hectares. O restante da área, intocável pela legislação, se compõe da reserva legal (23%), da área de preservação permanente (15%) e de floresta originária (48%). Monta 3% a área inaproveitável.

 

A aquisição do imóvel custou R$ 8,18 milhões aos cofres públicos. Excelente negócio para o ABN-AMRO Bank, que recebeu a terra ao incorporar o patrimônio do América do Sul. Micada, a fazenda acabou valorizada depois da invasão. O valor da aquisição, dividindo pelas famílias beneficiadas, resulta em R$ 190 mil cada parcela.

 

Isso apenas o preço da terra. Depois, concretizado o assentamento, somando-se os custos de implantação e os subsídios para exploração, não sairá por menos de R$ 220 mil cada família. Caríssimo. E incerto. Acontece que a legislação obriga, aos assentamentos, obterem licenciamento ambiental para serem efetivados.

 

A Fazenda Vitória faz divisa com o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar) compondo, junto com demais unidades de conservação, o chamado "Continuum Ecológico de Paranapiacaba". Trata-se, talvez, do maior refúgio florestal preservado da Mata Atlântica, habitat para inúmeras espécies da fauna ameaçadas de extinção, como o momo carvoeiro.

 

Por essa razão, o órgão ambiental paulista já desaconselhou, em 2006, o projeto de exploração pretendido pelo Incra. Segundo o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN), o assentamento poderia representar um verdadeiro desastre ambiental. Nada adiantou. O Incra insiste e garante que instalará naquela maravilha um "projeto de desenvolvimento sustentável". Reforma agrária ecológica. Alguém acredita?

 

O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazom), referência internacional entre as ONGs ambientalistas, mostra que os agricultores assentados pelo Incra, no Norte do país, foram responsáveis pela devastação de 106 mil quilômetros quadrados de mata nas últimas três décadas. As preocupações do Imazon são compartilhadas pela conhecida World Wildlife Foundation (WWF).


Durante a realização do 5° Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, realizado recentemente em Foz de Iguaçu, o impacto ambiental da reforma agrária provocou intenso debate. Estudo apresentado pelo ecologista Fábio Olmos indica que a taxa de desmatamento promovida por assentamentos rurais é quatro vezes superior à média da região amazônica. Conclusão: não há floresta nativa que resista aos sem-terra.

 


O problema não está restrito à Hiléia. No Paraná, a antiga Fazenda Araupel, com 33 mil hectares de Mata Atlântica, repleta de centenárias araucárias, está agonizando nas mãos do MST. Em 18 anos de história, foi o maior desmatamento identificado pela SOS Mata Atlântica. Culpa do Incra.

 

Na área de proteção ambiental de Guaraqueçaba, litoral paranaense, desde 2003 um grupo de invasores exige as terras, segundo eles, abandonadas. Até a Ministra Marina Silva, sempre tão quieta com temor do patrulhamento petista, já se manifestou contrária ao projeto de assentamento. Os sem-terra, todavia, não desistem. Dizem que, entremeado ao mosaico protegido da região lagunar-estuarina, vão instalar um projeto agroecológico. Será crível?

 

Ora, a visão ecológica dos invasores de terra está próxima de zero. Nem poderia ser diferente. Com a fábrica de sem-terras montada no país pelo MST e congêneres, os pretendentes da reforma agrária compõem-se de pessoas excluídas da sociedade, desqualificadas no mercado de trabalho, desajustados urbanos. No velho marxismo, a eles se denominam lumpenproletariado, incapazes de obter consciência revolucionária. Imagine entender o aquecimento global.

 

Incautos se perdoam. Os lideres, todavia, são lúcidos, politizados. Arquitetam muito bem seus atos. Misturam o sonho da revolução socialista com uma espécie de fundamentalismo à moda fascista. Assim cresceram, alimentando-se da subserviência dos miseráveis. Agora temperam seu discurso com pitadas de ecologia. Buscam, inteligentemente, antenar-se, na palavra, com o reclamo atual da opinião pública.

 

Está lá, na carta do 5º Congresso Nacional do MST, realizado nesses dias em Brasília: "Lutar contra as derrubadas e queimadas de florestas nativas para expansão do latifúndio. Exigir dos governos ações contundentes (sic) para coibir práticas criminosas ao meio ambiente". Cinismo puro.

 

Os projetos de desenvolvimento sustentável do Incra são meros disfarces. Lobo vestido de cordeiro. Basta visitar a Fazenda Vitória, em Apiaí, e verificar o estrago que o acampamento de sem-terra provoca na Mata Atlântica. "Ações falam mais alto que palavras", afirmava Abraham Lincoln.

 

Antas e macacos que se cuidem: naquela mata fechada não existe bala perdida. A mira é mesmo sua tenra carne, cozido de bandidos da floresta, temperado pela desgraça social do país. Coitada da natureza. Pobre reforma agrária.

 

Artigo Publicado dia 03/07/2007 pelos Jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo, de MG.
 

Fonte: O Estado de S. Paulo


http://www.xicograziano.com.br/artigos/207/cinismo-agrrio

 

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