Autor Tópico: Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling  (Lida 6754 vezes)

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #175 Online: 09 de Novembro de 2018, 07:41:35 »
11/05/2018
ESP impede professor de condenar a escravidão

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NO PRÓXIMO DOMINGO completam 130 anos as dezessete palavras que, ordenadas em dois artigos, mudaram a história:


“É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”.

Na tarde de 13 de maio de 1888, a Lei Áurea foi sancionada pela princesa imperial regente, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança Bourbon e Orleans.


Um nome quase tão extenso quanto a lei assinada por ela – duas letras a menos, conforme a grafia em vigor mais comum.


O Brasil foi o derradeiro país das Américas e do Ocidente a eliminar a escravidão. No mundo, o último foi a Mauritânia. Inexistiram generosidade da princesa Isabel e grandeza do imperador Pedro II. A condição de quase lanterninha na medida emancipatória trai o bolor dominante nas cacholas da família de monarcas prognatas.


Movimentos vigorosos, dos quilombos e revoltas negras às campanhas em salões ilustrados do Império, conquistaram a Abolição. Sem políticas que reduzissem a assimetria social, a desigualdade racial perdurou – e perdura. O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou na sexta-feira o Dossiê Mulher 2018. Com base nos homicídios propositais do ano passado, concluíram que o risco de uma mulher negra ser morta no Estado é o dobro do que espreita uma branca.


Cento e vinte e seis anos, dez meses e dez dias depois da Abolição, o deputado Izalci Lucas apresentou um projeto de lei à Câmara. “Dia histórico”, o 23 de março de 2015, festejou o movimento Escola Sem Partido. “Trata-se de uma iniciativa destinada a entrar para a história da educação em nosso país.”

Se vingar, o projeto de lei 867 entrará mesmo para a história, mas impedirá que sejam contadas nos colégios e universidades histórias como a da Abolição.


Anatomia do projeto


O tucano do Distrito Federal pretende incluir “entre as diretrizes e bases da educação nacional o ‘Programa Escola Sem Partido’”. Apregoa proteger os alunos da “doutrinação política e ideológica” que professores hoje perpetrariam. Até janeiro, uma equipe de acadêmicos o positores do Escola Sem Partido inventariou 158 propostas (a maioria projetos de lei) protocoladas no Senado, na Câmara dos Deputados, em Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Todas aparentadas à do deputado Izalci. Dezesseis haviam sido aprovadas. A maioria tramita.


O projeto de Izalci Lucas prescreve “neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado”.


Não peita, porém, a invocação “sob a proteção de Deus” inscrita no preâmbulo da Constituição, à qual devem obediência também os que reconhecem muitos deuses ou nenhum Deus. Mas o busílis é outro: como exigir neutralidade se a Carta de um século depois da Abolição toma partido do “regime democrático”? – isso é política. “A propriedade atenderá a sua função social”, determinação constitucional, é escolha ideológica. Propriedade rural onde se flagrar “exploração de trabalho escravo” será destinada à reforma agrária – eis outro desprezo pela neutralidade impossível.


O projeto estabelece que o professor “respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”.


Portanto, presume-se que se mãe, pai ou qualquer responsável se entusiasmar retrospectivamente com a escravidão o professor será proibido de informar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos preconiza que “ninguém será mantido em escravatura ou em servidão”. E não poderá estimular a identificação – opção em certo aspecto moral – com o documento adotado pelas Nações Unidas em 1948. Com pais devotos do lema exterminador “bandido bom é bandido morto”, o professor omitiria dos estudantes a trajetória sangrenta de esquadrões da morte e escantearia pensamentos humanistas.


E se em casa os mais velhos forem stalinistas empedernidos? A escola terá de calar sobre o caráter da maior farsa judicial do século 20, os Processos de Moscou, que condenaram os líderes bolcheviques veteranos à morte. Se a família cultivar crenças criacionistas, o perigo será reivindicarem a incineração de livros didáticos com lições de Darwin. A professora de biologia que abra o olho.


Se a vontade do deputado amigo do Escola Sem Partido prevalecer, cada sala de aula terá afixado um cartaz com no mínimo 70 centímetros de altura e 50 de largura. Uma das ordens a constarem dele:


“Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e concorrentes a respeito.”


Ao pé da letra, o dever do professor deixaria de ser o de esclarecer fatos e iluminar controvérsias. É recomendável que o docente descreva abordagens distintas sobre o aquecimento global. No entanto, configura crime de lesa-ensino ocultar a comprovação científica do fenômeno. E se os pais jurarem que a lei da gravidade não passa de patranha? Tem maluco para tudo. O professor menciona grupos racistas atuantes mundo afora, mas expor teorias “supremacistas” com a mesma “seriedade” das razões de quem rechaça o racismo seria leniência com o mal. Se a família é racista, que se dane – professores têm obrigação de contribuir para a formação de gente tolerante e decente. E se um pai for adepto de violência doméstica? Mais um assunto no index.


O projeto interdita “a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”.


Sala de aula não é palco para proselitismo político. Porém, não é “doutrinação” explicar que transfusões de sangue salvam vidas, aceitem-nas ou não pais Testemunhas de Jeová. O Estado é laico.


Educação sobre reprodução humana, em linguagem compatível com cada faixa etária, não pode ser banida porque na mesa do jantar falaram que a cegonha trabalha no Sedex de bebês. A cabeça medieval de certos responsáveis não é motivo para o Estado escamotear a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Se papai e mamãe nutrem ojeriza por Chico Buarque e Rita Lee, as crianças não têm por que não tocar suas canções, sambas e rocks nas sessões escolares de flauta doce. E se embatucarem que o sol gira em torno da Terra?


Se aplicada ao pé da letra, a proposta retiraria dos professores a prerrogativa de dizer que a escravidão constituiu infâmia, bem como as chibatas que castigavam africanos e seus descendentes; que a violência sexual contra as mulheres escravizadas alimenta ainda hoje selvageria semelhante; que quilombolas eram criminosos somente nos termos da legislação escravocrata; eles exerceram o legítimo direito de se rebelar contra a opressão.


Essas são afirmações e interpretações de conteúdo político, ideológico e moral. E se estiverem “em conflito” com pais que consideram merecida a tortura de seres humanos escravizados, como punição por desobediência? E se famílias herdeiras de senhores de escravos perorarem que, considerando a época em que vigorou, a escravidão não foi moralmente tão nefasta assim, pois turbinou a economia agroexportadora e coisa e tal? Podem evocar a Bíblia, para justificar o escravismo, como já aconteceu em numerosos países.


O projeto suprime a voz do professor que quer tomar partido e declarar que a escravidão foi ultrajante. Se não declara, ele conta qualquer história, mas não a da escravidão.


As proposições legislativas embaladas como Escola Sem Partido ou rótulos assemelhados são sementes de leis da mordaça. Pugnam pela censura.


Confrontam a Constituição de 1988, que assegura: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. No ensino, resguarda a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”.


No ano-fetiche de 1968, os muros de Paris telegrafaram ao mundo a proclamação libertária “É proibido proibir”.


Se o movimento Escola Sem Partido impuser o silêncio, talvez apareça um fanático sugerindo que as revoltas de cinquenta anos atrás sumam dos livros de história.


Anatomia do movimento

O advogado Miguel Nagib, criador em 2004 do Escola Sem Partido, participou de uma audiência pública na Câmara no ano passado. Estava em debate outro projeto de lei com o DNA do movimento. Ao criticar observações sobre a capacidade, mesmo relativa, de discernimento dos alunos, Nagib atacou: “É um argumento típico dos estupradores que alegam em sua defesa que aquela menina de doze anos que eles acabaram de violentar não é tão inocente quanto parece”.


Essa é a pegada do Escola Sem Partido, cuja página na internet dá a impressão de se inspirar no macarthismo de meados do século passado. Nos Estados Unidos, o senador Joseph McCarthy caçava comunistas e bruxas. Aqui, Nagib e aliados como o autointitulado MBL caçam comunistas na pele de professores. “Flagrando o doutrinador” é um dos títulos estampados na página. Denunciam nominalmente um professor “filmado por uma de suas vítimas em pleno ato de incitação de ódio aos EUA”.


Entre os “procedimentos utilizados pelos mestres da militância” estariam se desviar “frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional”. Outro: o professor “ridiculariza, desqualifica ou difama personalidades históricas, políticas ou religiosas”.

Por que maldizer um padre comprovadamente pedófilo seria difamação? Mussolini é “personalidade histórica”; não pode ser desqualificado? Chamar o ditador Pinochet de ditador seria impropriedade?


Mais um título, “Conselho aos pais”. Ei-lo: “Processem por dano moral a escola e os professores que transmitirem conteúdos imorais aos seus filhos”.


Seria imoral uma aula sobre a diversidade da composição das famílias contemporâneas?


Fornecem um modelo de notificação extrajudicial: “Elaboramos um modelo de notificação anônima”. Ameaçam o destinatário, enumerando leis, com processos, detenção por seis meses e perda de cargo, emprego e patrimônio. Muitos projetos de lei preveem punições funcionais. Outra chamada: “Planeje sua denúncia”.


Não encontrei a palavra deduragem e a sugestão de introduzir uma disciplina técnica para formação de alcaguete.


Miguel Nagib define o Escola Sem Partido como “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior. A pretexto de transmitir aos alunos uma ‘visão crítica’ da realidade, um exército organizado de militantes travestidos de professores prevalece-se da liberdade de cátedra e da cortina de segredo das salas de aula para impingir-lhes a sua própria visão de mundo”.


Em seu perfil no Facebook, ele compartilha mensagens do jurista Ives Gandra Martins e do jornalista Olavo de Carvalho. O projeto de lei pioneiro, elaborado com o auxílio do coordenador do Escola Sem Partido e apresentado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi proposto pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do candidato a presidente. Na turma de Miguel Nagib, militam chorosas viúvas da ditadura, o regime que impunha matérias conformadas como “doutrinação ideológica”: OSPB, organização social e política brasileira, e moral e cívica.


O movimento se empenha numa cruzada discriminatória e obscurantista. A escola seria transformada em mera extensão do lar, sem novos aprendizados e conhecimentos. Os estudantes viveriam à margem de descobertas, vivências e saberes estranhos à família. Não receberiam informações nem teriam acesso a ideias plurais para formar juízos próprios e tomar decisões autônomas.


Os correligionários do Escola Sem Partido têm obsessões. Inventaram uma nova categoria filosófica-sociológica-antropológica, a falaciosa “ideologia de gênero”. Tal “ideologia” é bramida por segmentos católicos e evangélicos de sotaque fundamentalista para combater a diversidade “pecadora” e constranger identidades.


O discurso de extrema direita de aparência inofensiva, de tão caricatural, virou um inferno para muitos professores. Eles se sentem intimidados e perseguidos por pais surtados que reencarnam McCarthy. Sobretudo os da área de ciências humanas do ensino médio e dos últimos anos do ensino fundamental.



Um otimista fora da casinha relativizaria: pelo menos os alunos testemunham o que os livros contam sobre o fascismo da década de 1930.


Anatomia da resistência


Se o Brasil tem uma tarimba, é não chamar as coisas pelo devido nome. No ano passado, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a mal denominada lei Escola Livre. Ela havia sido aprovada pela Assembleia de Alagoas, terra onde viveram e lutaram Zumbi dos Palmares, Dandara e Ganga Zumba. Tem trechos idênticos ao do projeto de lei do deputado Izalci. Barroso despachou:


“Quanto maior é o contato do aluno com visões de mundo diferentes, mais amplo tende a ser o universo de ideias a partir do qual pode desenvolver uma visão crítica, e mais confortável tende a ser o trânsito em ambientes diferentes dos seus. É por isso que o pluralismo ideológico e a promoção dos valores da liberdade são assegurados na Constituição e em todas as normas internacionais antes mencionadas, sem que haja menção, em qualquer uma delas, à neutralidade como princípio diretivo.”


A Advocacia–Geral da União considerou a lei Escola Livre inconstitucional. Até o Ministério da Educação se opõe ao ideário do movimento Escola Sem Partido. O Ministério Público Federal pediu ao STF que julgue inconstitucionais leis municipais com teor Escola Sem Partido. Relatores da ONU denunciaram possível “censura significativa” no ensino, restringindo “o direito de o aluno receber informação”.


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Os alunos do Centro Educacional 6, de Ceilândia, organizaram um protesto em defesa de um professor. Foto: Mídia Ninja


Nenhuma resistência ao jogo duro das brigadas da ignorância é tão relevante como a dos estudantes. Pelo Brasil inteiro pipocam manifestações. Uma deputada distrital encrencou com um professor de uma escola pública de Ceilândia. Para uma turma da segunda série do ensino médio, o professor Deneir Meirelles dera uma aula em que abordou o tema homofobia. A deputada Sandra Faraj, entre outros cri-cris, chiou com alusões às expressões “identidade de gênero” e “orientação sexual”.


Os alunos do Centro Educacional 6 chamaram colegas de outros colégios e organizaram um protesto. Uns 250 participaram. A Secretaria de Educação do Distrito Federal defendeu o direito de o professor ensinar como ensinou. “Cumpri com a função que tenho”,disseMeirelles. Os estudantes seguravam um cartaz em que se lia: “Se ‘penso logo existo’, e me tiram isso, eu existo?”. Lacrou.


*Mário Magalhães para The Intercept Brasil



http://sinprominas.org.br/noticias/esp-impede-professor-de-condenar-a-escravidao/
« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 07:50:08 por JJ »

Offline JJ

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #176 Online: 09 de Novembro de 2018, 08:14:22 »
Hein? Você está falando agora da objeção ao ESP ou atribuindo isso a ele?

O ESP tenta censurar o ensino de coisas que os pais desaprovam (as motivações apontadas tendo esse viés conservador anti-gay/etc e fundamentalista cristão, embora a lei tente frasear a coisa de maneira neutra), e não é nem bem claro como isso poderia ser feito. Tanto quanto sei, não há qualquer projeto de lei tentando censurar a quem questionar aos professores.
Nossa, jura que ficou em dúvida? Os doutrinoprofessores  que fazem até propaganda em ônibus, onde aparece uma tiazona com uma mordaça, estão contra um simples cartaz a ser apregoado nas salas de aula, advertindo com o que já consta na constituição,





2. O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.


Um aluno,  filho de crentes pentecostais ou neopentecostais ou Adventistas  do Sétimo Dia,  fala na aula e escreve numa prova que evolução  é tudo falso, que a origem verdadeira do homem é Adão e Eva, é a convicção religiosa dele e dos pais dele, e aí ?

O professor abaixa a cabeça e diz que o aluno  tem o direito de colocar isso na prova? O professor tem que concordar que a verdadeira origem do homem é a convicção do aluno e dos pais do aluno ? Ou pelo menos o professor tem que concordar que essa é uma possibilidade que está no mesmo patamar da TE, que é o outro lado, e que portanto tem que ser ensinada e aceita como possibilidade e reposta correta numa prova  também ?

Adão e Eva é o outro lado que tem que ser respeitado e apresentado ?  A TE está no mesmo patamar da historinha de Adão e Eva ?  Afinal de contas tem que respeitar as convicções do aluno e dos pais do aluno.





E qual a solução os apologistas do  Escola Sem Partido dão para o problema acima apresentado ?




Offline JJ

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #177 Online: 09 de Novembro de 2018, 08:17:50 »


General diz que criacionismo deveria ser ensinado nas escolas

quinta-feira, outubro 18, 2018  criacionismo, educação, política 



[A matéria a seguir foi escrita pelo jornalista Bruno Boghossian para a Folha de S. Paulo, e publicada no dia 16 de outubro:] “As conspirações sobre a ideologia nas escolas atingiram o insuspeito Charles Darwin [sic]. Um general que elabora propostas na campanha de Jair Bolsonaro diz que a teoria da evolução deve ser ensinada ao lado do criacionismo (a ideia de que Deus criou diretamente o homem). ‘Muito da escola está voltado para orientação ideológica […]. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu’, afirmou Aléssio Souto ao jornal O Estado de S. Paulo. As duas visões devem ser mantidas em esferas distintas, mas o militar segue uma linha em que a religião disputa espaço com a ciência. Ele diz que um pai ‘não está errado’ se quiser que o professor ensine teoria da criação no lugar do darwinismo.


“A sugestão causa arrepios em especialistas. ‘Esse debate deve ocorrer no campo da religião, nas aulas de filosofia ou sociologia’, afirma Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação. ‘Na ciência e na biologia, o criacionismo deveria ser banido.’ Ao tratar pontos do ensino científico como desvio ideológico, assessores de Bolsonaro aplicam, eles mesmos, um viés político à educação. ‘Quando você iguala ciência e ideologia, você anda para trás, ignora séculos de aprendizado’, diz Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. ‘A teoria da evolução não é ideológica. É resultado de percepções científicas e foi testada ao longo do tempo.’”


Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Davidovich cometeu dois erros: 
 

“1. A teoria da evolução é sim ideológica - quem disse foi Darwin em uma de suas cartas que pelo menos ele tinha dado um chega pra lá no criacionismo.


“2. A teoria da evolução foi testada em nível microevolutivo; macroevolutivo, não! A descendência com modificação ao longo do tempo, por exemplo. Nunca explicaram a Explosão Cambriana. Quais são os mecanismos evolucionários? De A a Z? Qual a origem da informação genética? Por que do upgrade para a Síntese Evolutiva Ampliada/Estendida com aspectos neolamarckistas porque a Síntese Evolutiva Moderna já era em 1980 uma teoria científica falida que posava de ortodoxia científica somente nos livros-texto?


“Sim, a teoria da evolução deve continuar sendo ensinada em nossas escolas, mas deve ser ensinada objetiva e honestamente considerando as evidências a favor e contra. Do jeito que a teoria da evolução é ensinada no Brasil, não é educação, mas doutrinação ideológica do materialismo filosófico que posa como se fosse ciência!”


Leia aqui a posição da Sociedade Criacionista Brasileira quanto ao ensino do criacionismo em escolas públicas.





http://www.criacionismo.com.br/2018/10/general-diz-que-criacionismo-deveria.html


« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 08:20:03 por JJ »

Offline JJ

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #178 Online: 09 de Novembro de 2018, 08:26:05 »
General assessor de Bolsonaro afirma que o criacionismo precisa ser ensinado nas escolas

OUTUBRO 15, 2018 X


Em uma entrevista concedida ao jornal 'Estadão', o general Aléssio Ribeiro Souto, integrante da equipe de campanha de Jair Bolsonaro (PSL), e um dos responsáveis por fazer o plano de Educação em um possível governo do presidenciável, afirmou que quer a retirada de livros com 'ideologia' e o ensino sobre os 'reais fatos' que permearam o regime militar no Brasil (1964-1985). Entre as propostas de reforma educacional, Souto disse que o criacionismo precisa fazer parte do ensino nas escolas, e com a mesma importância que o 'darwinismo'.

Caso Bolsonaro seja eleito, Souto seria o líder do grupo dedicado a elaborar propostas para o Ministério da Educação com o objetivo de se fazer uma ampla revisão dos currículos e das bibliografias usadas nas escolas a fim de combater a exposição de conteúdos ideológicos e impróprios às crianças. Souto é ex-chefe do Centro Tecnológico do Exército, e afirma ser contrário à política de cotas - preferindo a valorização do mérito -, defende que o ensino sobre o período ditatorial leve em consideração as mortes e ataques ocorridos em ambos os lados (militares e movimentos de oposição) - buscando convencer os jovens de que o governo militar agiu de forma autoritária apenas para a proteção dos 'cidadãos de bem' contra os 'subversivos' (1) - e o combate à chamada 'ideologização das escolas', onde professores não deveriam transmitir assuntos relacionados à sexualidade, à 'ideologia de gênero' ou contrários às crenças religiosas para alunos no ensino fundamental, sendo que isso seria um direito inalienável dos pais (2).

(1) Quer uma discussão realmente honesta sobre o assunto? Acesse: Regime militar no Brasil: Golpe ou Revolução?
(2) É preciso tomar cuidado, porque esse tipo de discurso leva as pessoas mais leigas a entenderem que a homossexualidade ou a transexualidade são condições passíveis de serem 'aprendidas' pelas crianças, ou seja, a ideia errônea de que um indivíduo hétero pode ser doutrinado e ter sua orientação sexual mudada. Para entender mais sobre o assunto, acesse: Homossexualidade: Criminalização, casamento e filhos 
(2) Leitura também recomendada: A homossexualidade é biológica ou social?

No caso da 'ideologização', o general também deixou claro que a escola deveria tratar tanto o criacionismo quanto o 'darwinismo' com a mesma importância, sugerindo que as escolas hoje estão tentando esconder os ensinamentos do 'design inteligente'. Reproduzindo na íntegra parte da entrevista no Estadão (perguntas da entrevistadora, Renata Agostini, em negrito):


"- E se um pai desejasse que o professor ensinasse criacionismo em vez de a teoria da evolução?

Isso que eu saiba não está errado. Foram questões históricas que ocorreram. Se a pessoa acredita em Deus e tem o seu posicionamento, não cabe à escola querer alterar esse tipo de coisa, que é o que as escolas orientadas ideologicamente querem fazer, mudar a opinião que a criança traz de casa. Cabe citar o criacionismo, o darwinismo, mas não cabe querer tratar que criacionismo não existe.


- Mas no currículo escolar não consta o criacionismo. Fala-se da teoria da evolução.


A questão toda é que muito da escola na atualidade está voltada para a orientação ideológica, tenta convencer de aspectos políticos e até religiosos. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu."



Primeiro, o general fala sobre um assunto que ele demonstra não possuir qualquer domínio. Assim como ataques infundados de grupos religiosos e anti-evolucionistas, Souto faz menção à Darwin como se este tivesse criado uma 'religião evolucionista'. Não, o campo de estudos da evolução biológica surgiu no século XIX, foi drasticamente enriquecido e reforçado ao longo do século XX e hoje é a grande base de sustentação da Biologia Moderna. E, o mais importante, é um fato científico (3). Na época de Darwin sequer existia o campo da genética, sendo que ele foi responsável por dar o pontapé inicial na Teoria da Evolução, mas longe de finalizá-la. A evolução biológica, além das inúmeras evidências fósseis, anatômicas e ecológicas, é corroborada, principalmente, pela genética e experimentos laboratoriais. A evolução biológica é o fenômeno responsável pela diversificação de toda a vida no planeta, sendo explicada pela Teoria da Evolução (progressivamente sendo otimizada).

(3) Caso queira realmente entender o tema, acesse: Evolução Biológica é um FATO CIENTÍFICO
(3) Vídeo introdutório também recomendado: A Evolução Biológica e a Teoria da Evolução Biológica

Já o 'criacionismo' não é nem mesmo uma hipótese científica válida, fazendo parte apenas do campo religioso de crenças. Conceitos como 'design inteligente' não devem ser misturados com ciência. Você pode ter fé e trabalhar com a ciência, mas você não pode moldar a ciência à sua fé - ou ignorá-la - apenas porque isso vai ao encontro do seu agrado. Aliás, o Prêmio Nobel de Química deste ano foi concedido a pesquisadores que se basearam na Teoria Evolutiva para a feitura de importantes novos anticorpos e enzimas (4).

(4) Para mais informações, acesse: Prêmio Nobel de Química agraciou trabalhos baseados na Evolução Biológica

Respondendo ao general, o criacionismo não consta no currículo escolar de Ciências porque isso não é ciência. O que deve ser ensinado é a Evolução Biológica, um fato científico. Não se ensina nas escolas que vacinas causam autismo porque isso não é verdade, apesar da existência de uma legião de pessoas que acreditam no contrário.

O candidato Bolsonaro, aliás, todos os candidatos à presidência, já mostraram expressar grande apego religioso para atrair o voto da população, mas essa estratégia política não pode literalmente refletir em planos governamentais visando áreas críticas de saúde, ciência e educação. Hoje enfrentamos uma grave crise de Pós-Verdade, onde crenças pessoais estão se transformando em fatos e as evidências científicas estão cada vez mais sendo menosprezadas. Não podemos permitir o progresso dessa crise.


Entrevista completa: O Estado de S.Paulo


https://www.saberatualizadonews.com/2018/10/general-assessor-de-bolsonaro-afirma.html


« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 08:29:09 por JJ »

Offline -Huxley-

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #179 Online: 09 de Novembro de 2018, 09:57:11 »
Mais uma vez, JJ aciona sua metralhadora de spam de textos de terceiros em que aparecem acusações INESCRUPULOSAS de que ESP significa censura, das quais quanto mais se refuta, mais ele põe spam redundante.
« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 09:59:26 por -Huxley- »

Offline Gigaview

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #180 Online: 09 de Novembro de 2018, 11:30:29 »
A melhor maneira de acabar com essa celeuma do perigo do ensino do criacionismo nas escolas e outras estórias da carochinha bíblica é dar espaço para os evangélicos exporem suas bobagens para serem discutidas e confrontadas com os princípios científicos que já fazem parte do ensino básico obrigatório. Assim como também deveria ser incluído o ensino a mitologia greco/romana, que tem estórias/metáforas muito interessantes. As nossas criancinhas, habituadas com Transformers, Homens Aranha, XMen, Papai Noel e Peter Pan certamente saberão lidar com a costela do Adão e a Arca de Noé. Em todo caso, o nosso ministro-astronauta deve estar atento a eventuais exageros proselitistas e anti-científicos, supondo que ele não seja evangélico.

Offline JJ

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #181 Online: 09 de Novembro de 2018, 12:15:14 »
Em todo caso, o nosso ministro-astronauta [...], supondo que ele não seja evangélico.


Evangélico eu não sei, mas, maçon aqui diz que é:

domingo, 8 de dezembro de 2013


Dr. Marcos Pontes, o Astronauta Brasileiro é Iniciado na Maçonaria.


O primeiro astronauta brasileiro, o primeiro sul-americano e o primeiro lusófono(entre todos os países que falam a língua portuguesa)a ir ao espaço, o Dr. Marcos Pontes entrou para Maçonaria, agora ele é um DeMolay do Rito de York Americano.


http://cristaoguerreirooficial.blogspot.com/2013/12/dr-marcos-pontes-o-astronauta.html

Offline JJ

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #182 Online: 09 de Novembro de 2018, 12:16:57 »
Em todo caso, o nosso ministro-astronauta [...], supondo que ele não seja evangélico.


Pelo visto ele é  católico:


Viagem ao espaço aumentou minha fé, afirma astronauta brasileiro


 Brasil, news  12:29:00 PM

 Publicado em 13 de outubro 2009
Marcos Pontes esteve nesta segunda em Aparecida, no interior de SP.

Foto: Paulo Toledo Piza/G1Ele participou de uma das missas em homenagem à padroeira do Brasil.

O astronauta Marcos Pontes participou de uma das missas em Aparecida na manhã desta segunda.

O astronauta brasileiro Marcos Pontes afirmou que a viagem que fez ao espaço em 2006 aumentou sua fé em Deus. Primeiro brasileiro a sair do planeta, Pontes participou na manhã desta segunda-feira (12) de uma das missas na basílica de Aparecida, a 180 km de São Paulo, onde acontece a tradicional Festa da Padroeira.

“Para mim, ir ao espaço, ver o planeta lá de cima, imaginar o que somos, isso aumentou muito meu relacionamento com Deus”, disse o astronauta. Durante a viagem, Pontes levou em seu macacão um broche com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Essa pequena imagem foi fundamental para sua tranquilidade durante a missão. “Ela passou uma sensação de segurança. É algo que transcende o corpo”, lembrou.


A devoção a Nossa Senhora foi passada por sua mãe, Zuleica. De grande importância para sua formação, ela foi a responsável por incentivá-lo a crescer profissional e pessoalmente. “Lembro quando era eletricista em Bauru, e dizia que sonhava em ser piloto. Ninguém acreditava, mas minha mãe sempre dizia, com seus olhões azuis: ‘Se você estudar, se trabalhar e persistir, consegue’”, lembrou.

Morta em 2002, ela não teve a chance de ver o filho alcançar as estrelas. “Mas quando vi a Terra, azul, lembrei dos olhos de minha mãe e de sua frase”, afirmou, emocionado, o astronauta.

Fonte:G1


http://www.igoospel.com/2009/10/viagem-ao-espaco-aumentou-minha-fe.html

« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 12:19:56 por JJ »

Online Sergiomgbr

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« Resposta #183 Online: 09 de Novembro de 2018, 13:26:17 »
Este testemunho foi dado há mais de 10 anos, quando ainda nem se sonhava pensar no assunto,

mas sabe o que incomoda? meu professor de biologia pegou uma aula a parte pra falar de uma tal transcomunicação. "ciências" novas como parapsicobiofísica surgiram pela primeira vez para os alunos nessa aula.
o que me incomodou foi que, em uma sala de 50 ou 60, ou melhor, 49 ou 69 alunos crédulos ele falou sem complicações. todos com toda sua ingenuidade infantil acatando as sábias palavras do sujeito. nem me perguntam porque não falei nada, foi melhor assim.
e ele citou uns sujeitos de não sei onde na alemanha, da universidade de munique acho ("olha, é coisa séria. universidade!") fizeram os experimentos e tal. disse até que quem quisesse poderia procurar na internet, mas só acharia informações em alemão. bela evasiva.

e ainda,

eu vivo dizendo isso, mas não há melhores ouvintes ou mais passivos receptores do que adolescentes em uma sala de aula. depositam muita confiança nos professores.

Para que não se diga que alguém que argumente a favor do Escola Sem Partido  invariavelmente o faça sem isenção, ou que esteja "viajando na maionese".
« Última modificação: 09 de Novembro de 2018, 13:28:25 por Sergiomgbr »

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #184 Online: 11 de Novembro de 2018, 03:27:24 »
A melhor maneira de acabar com essa celeuma do perigo do ensino do criacionismo nas escolas e outras estórias da carochinha bíblica é dar espaço para os evangélicos exporem suas bobagens para serem discutidas e confrontadas com os princípios científicos que já fazem parte do ensino básico obrigatório. Assim como também deveria ser incluído o ensino a mitologia greco/romana, que tem estórias/metáforas muito interessantes. As nossas criancinhas, habituadas com Transformers, Homens Aranha, XMen, Papai Noel e Peter Pan certamente saberão lidar com a costela do Adão e a Arca de Noé. Em todo caso, o nosso ministro-astronauta deve estar atento a eventuais exageros proselitistas e anti-científicos, supondo que ele não seja evangélico.

Não dá certo. Eles sempre podem tentar usar malabarismos como Design inteligente / Criacionismo "científico" que tem uma roupagem pseudo-científica e vão levar os mais suscetíveis a acreditar.

Uma solução seria pôr (ou manter) Criacionismo na sua devida área: Humanas, mais especificamente na Literatura / Religião.







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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #185 Online: 11 de Novembro de 2018, 11:54:11 »
Tem que colocar a explicação  da Cientologia,  para a origem do homem, também, caso haja pelo menos um aluno cujos pais tenham a convicção que a explicação da Cientologia é a correta.


Afinal de contas, os professores não podem ir contra as convicções do(s) aluno(s) e/ou pais.



 :ok:

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #186 Online: 11 de Novembro de 2018, 11:56:46 »
Origem do homem conforme a Cientologia:


Por Da Redação access_time 31 out 2016, 18h34 - Publicado em 30 jun 2008, 22h00


Texto Rafael Tonon

75 milhões de anos atrás, o Universo estava superlotado. Para resolver o problema, o imperador galático Xenu decidiu apelar para o genocídio. Fez trilhões de prisioneiros, trouxe-os até a Terra em naves espaciais e jogou bombas atômicas para acabar com todo mundo. Só que as almas desses seres, chamados thetans, ficaram vagando por aqui até encarnar nos primeiros Homo sapiens. E esse é o motivo de todos os conflitos e angústias da humanidade.


https://www.assine.abril.com.br/portal/paginasEstaticas!showPromocao.action?codPromocao=sr_si_land&origem=sr_si_welcomead_segmentada_si_2nov18&utm_source=sites&utm_medium=sr&utm_campaign=sr_si_welcomead_segmentada_si_2nov18




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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #187 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:12:26 »

Tem também a origem do home numa versão africana:



Iele Ferreira Portugal

-Vovó de onde mesmo que veio o homem?


– Senta aqui que vou te contar: Quando era bem pequenininha, mais ou menos da sua idade, minha avó, que era descendente da gente da África, da região chamada Daomé, me contou uma história. Vou contar a você o que eu lembro.

– Vovó, antes de a senhora me contar a história, explique o que é descendente.

– É aquele que vem de algum outro lugar.

– Agora a senhora pode continuar a história.

– Há muito tempo, os orixás viviam aqui na terra. Não existia o homem. Até que, um dia, Olorum,o dono do céu, resolveu que criaria o homem para fazer companhia aos orixás. Olorum tentou criar o homem de ar, de fogo, de água, de pedra e de madeira, mas em nenhum caso deu certo.

– Por que não deu certo, vovó?

– Porque os homens de ar e de água não tinham forma, o homem de fogo consumia-se, e os homens de pedra e de madeira não se mexiam.

– E então, o que Olorum fez?

– Ele não fez nada. Nanã foi quem fez. Vendo que todas as alternativas tinham dado errado, essa orixá se ofereceu para criar o homem. Olorum permitiu. E Nanã foi fazer o homem. Pegou um punhado de barro e foi modelando o corpo: as pernas, os braços, a cabeça e tudo que temos hoje. Ela não esqueceu nada, fez tudo direitinho. Deu-nos tudo que precisamos,pernas para andar, mãos para pegar as coisas, olhos para ver… não se esqueceu de nada.

– É isso mesmo!

– Depois que homem foi feito, o que aconteceu?


– Os homens e os orixás viveram juntos e felizes, dividindo alegrias e aventuras na terra.



http://mundoafro.atarde.uol.com.br/a-origem-do-homem-na-versao-africana/



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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #188 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:15:04 »
Tem que colocar as explicações das religiões africanas  para a origem do homem, também, caso haja pelo menos um aluno cujos pais tenham a convicção que a explicação de alguma religião africana  é a correta.

Afinal de contas, os professores não podem ir contra as convicções do(s) aluno(s) e/ou pais.     :ok:

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #189 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:16:32 »


Professores não tem o direito de doutrinarem com filosofia naturalista e com seu derivado naturalismo metodológico   .   :ok:


Todas as convicções das famílias tem que serem respeitadas e todos os lados derivados destas convicções familiares tem que serem considerados e ensinados pelos professores. 
« Última modificação: 11 de Novembro de 2018, 12:22:21 por JJ »

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #190 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:23:32 »


Naturalismo Metodológico


O naturalismo metodológico é o método científico que decorre do naturalismo filosófico, que é uma doutrina filosófica segundo a qual todas as "explicações" científicas se devem referir, de forma exclusiva, a causas naturais.


O naturalismo metodológico acaba por ser, em si mesmo, uma doutrina que estabeleceu uma fronteira entre a ciência, por um lado, e a filosofia e a teologia, por outro lado.


Ver naturalismo


http://sofos.wikidot.com/naturalismo-metodologico


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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #191 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:24:33 »


Os pais e alunos  evangélicos tem que serem avisados dessa doutrinação com  naturalismo metodológico  (que é derivado do naturalismo filosófico). 


 8-)

Offline -Huxley-

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #192 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:25:13 »
Tem que colocar as explicações das religiões africanas  para a origem do homem, também, caso haja pelo menos um aluno cujos pais tenham a convicção que a explicação de alguma religião africana  é a correta.

Afinal de contas, os professores não podem ir contra as convicções do(s) aluno(s) e/ou pais.     :ok:


Tenho uma solução melhor. Privatiza as escolas ou as transforma em charters schools. Quem quiser ver mitologia no estudo das áreas de ciências do filho(a) que PAGUE SOMENTE do seu próprio bolso por isso. As escolas que não atingirem a performance pública nas notas por estarem ensinando mitologia no lugar errado seriam automaticamente removidas das verbas públicas direcionadas a vouchers e charters schools. Nada como uma seleção natural para fazerem os sistemas evoluírem por meio da remoção.
« Última modificação: 11 de Novembro de 2018, 12:29:35 por -Huxley- »

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #193 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:35:12 »
As escolas que não atingirem a performance pública nas notas por estarem ensinando porcaria seriam automaticamente removidas das verbas públicas direcionadas a vouchers e charters schools.



Neste caso o Estado  estaria utilizando dinheiro de impostos para fazer testes e provas com conteúdos que contrariem as convicção dos pais, e isso contraia a ideia de que o Estado não pode interferir nos valores e convicções familiares.

Uma solução possível é liberalizar quase totalmente,  deixando para o Estado  apenas a fiscalização do aprendizado de escrita, leitura e interpretação de textos em português (e talvez matemática bem básica).

Quanto ao restante haveria liberdade para pais e alunos escolherem livremente os conteúdos.

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #194 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:44:18 »


Em outros países também tem havido queixas contra a intromissão do Estado  na educação dos filhos, intromissão está que pode contrariar as convicções dos pais:




24/02/2007

Os muçulmanos britânicos querem que a escola se adapte à "moral islâmica"



Num documento que traz um elenco de pedidos, o Conselho Muçulmano Britânico solicita que as escolas públicas respeitem o conceito muçulmano de "haya" (pudor)


Jean-Pierre Langellier
correspondente em Londres


Os jovens muçulmanos devem poder usar a barba na escola, as moças trajar o véu islâmico durante todas as aulas, inclusive as de educação física, os estudantes devem poder ser dispensados das aulas de educação sexual. Estes são alguns dos pedidos que foram apresentados pelo Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha (MCB), a principal organização representativa dos 1,6 milhão de muçulmanos que vivem no reino.


Num documento de 72 páginas que foi publicado em 21 de fevereiro, o MCB pede ao governo que seja permitido aos 400.000 jovens muçulmanos exercerem mais livremente as suas práticas religiosas nas escolas públicas, onde 96% dentre eles estudam. Os outros freqüentam escolas privadas, ou ainda uma das cinco escolas de Estado muçulmanas. O MCB lamenta que certas escolas não tenham se mostrado "receptivas às reivindicações legítimas e sensatas dos pais e dos filhos muçulmanos em relação às suas preocupações ditadas pela fé".


O documento do MCB se parece ao mesmo tempo com um catálogo de recomendações e um elenco de reclamações. A sua importância política decorre da influência do MCB. Esta organização, que foi fundada em 1997, exerce um controle sobre mais de 400 associações religiosas, culturais, sociais e profissionais muçulmanas. Ela se diz autorizada a falar em nome da principal minoria religiosa do Reino Unido. O governo de Tony Blair fez do MCB o seu interlocutor muçulmano privilegiado, principalmente desde os atentados de Londres em julho de 2005.


O MCB quer que rapazes e meninas possam expressar a sua fidelidade ao conceito muçulmano de "haya" ("pudor") por meio do vestuário que eles trajam. As estudantes devem poder ter a cabeça coberta em qualquer circunstância com o véu islâmico ou trajar o "jilbab", um vestido comprido que desce até o tornozelo. O MCB nem sequer menciona o "niqab", o véu integral que só deixa aparecerem os olhos. Durante aulas de educação física, o MCB recomenda aos alunos trajarem um abrigo de moletom, e às moças cobrirem a cabeça com o véu islâmico, "amarrando-o de uma maneira segura".


O caráter misto da escola deve ser excluído dos esportes coletivos que envolvem contatos físicos, tais como o futebol e o basquete. O MCB pede que os alunos possam se trocar em cabines individuais, e não em grupo, e que eles sejam dispensados de tomar banho depois do esporte caso essa atividade expuser o seu corpo à vista das outras crianças, isso porque "o Islã proíbe estar nu diante dos outros ou antever a nudez dos outros". As aulas de natação que são ministradas aos rapazes e às meninas juntos são "inaceitáveis por razões de decência, aos olhos dos pais muçulmanos".



"Perspectivas morais"


Se a escola não puder separar os sexos, as crianças devem poder ser dispensadas dessas aulas. O mesmo deve acontecer com as aulas de dança, esta última não sendo "uma atividade normal para a maioria das famílias muçulmanas". A dança, sublinha o MCB, "não é compatível com as exigências do pudor islâmico, isso porque ela pode revestir conotações e dirigir mensagens sexuais".


A educação sexual, obrigatória no curso secundário, deve, segundo o MCB, ser ensinada aos alunos por professores do mesmo sexo. A utilização de objetos ou de "esquemas que representem os órgãos genitais" para ilustrar aulas sobre a contracepção ou sobre os preservativos é "totalmente inapropriada, uma vez que isso incentiva um comportamento moralmente inaceitável". As escolas devem levar em conta "as perspectivas morais islâmicas".


A publicação do manifesto do MCB motivou o ministério da educação a divulgar uma nota oficial. Este documento, declarou a entidade, "não está em adequação com 'o código de conduta' oficial em vigor nas escolas públicas, e, portanto, não reveste nenhum caráter obrigatório". Um porta-voz do sindicato dos diretores de estabelecimento criticou "esta lista de pedidos" que arrisca provocar "um efeito contrário àquele procurado".


A Alta Corte contra o uso do véu integral na escola


Uma decisão da Alta Corte de justiça deu razão, na quinta-feira, 22 de fevereiro, a uma escola que havia expulsado uma aluna muçulmana de 12 anos que exigia o direito de trajar o "niqab", o véu integral, durante as aulas. Além do mais, por ocasião do comparecimento perante a justiça os acusados dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 em Londres, um vídeo filmado por uma câmera de vigilância atestou que um deles havia fugido, dissimulado num vestido islâmico.


Tradução: Jean-Yves de Neufville
Visite o site do Le Monde


https://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2007/02/24/ult580u2375.jhtm

Offline -Huxley-

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #195 Online: 11 de Novembro de 2018, 12:59:58 »
As escolas que não atingirem a performance pública nas notas por estarem ensinando porcaria seriam automaticamente removidas das verbas públicas direcionadas a vouchers e charters schools.



Neste caso o Estado  estaria utilizando dinheiro de impostos para fazer testes e provas com conteúdos que contrariem as convicção dos pais, e isso contraia a ideia de que o Estado não pode interferir nos valores e convicções familiares.

Uma solução possível é liberalizar quase totalmente,  deixando para o Estado  apenas a fiscalização do aprendizado de escrita, leitura e interpretação de textos em português (e talvez matemática bem básica).

Quanto ao restante haveria liberdade para pais e alunos escolherem livremente os conteúdos.

Os conteúdos da prova MEC para avaliação de performance pública não teriam intenção de contrariar convicção religiosa. O seu foco é somente o racionalismo pragmatista. O que passou no teste do tempo sendo útil ou protetor na minimização de riscos para a sociedade estaria sendo cobrado na prova MEC e sendo um critério para direcionamento de verba pública, e quem quiser contrariar esse princípio fundamental, estaria contrariando a ética, independentemente de qual religião tenha. Ainda assim, as escolas continuariam com total liberdade de estabelecer currículo e método pedagógico, pois nem estatais elas seriam.

Quando uma convicção religiosa contraria a ética, o princípio da separação de Igreja e Estado deve ser evocado para que a autoridade do racionalismo e do laicismo estejam bem evidentes.
« Última modificação: 11 de Novembro de 2018, 13:05:43 por -Huxley- »

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #196 Online: 11 de Novembro de 2018, 13:41:45 »
O que muda com a Escola Sem partido? Um cartazeco conscientizando alunos sobre seus direitos vai abrir a Caixa de Pandora? Só quem vai ficar tendo a impressão o tempo todo de quem tem uma mãozona pesada sobre as costas é o doutrinador safado. Por que não adianta, quem tem culpa no cartório sempre sabe direitinho a razão.

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Re:Escola Sem Partido, Estado e Homeschooling
« Resposta #197 Online: 11 de Novembro de 2018, 14:05:46 »
Curioso como é essa coisa de doutrinação, e como ela pode ser sutil, e mesmo assim ser decisiva. essa coisa de cruz na parede das casas das pessoas, em comércio em geral e em repartições públicas era algo tão natural que nunca notava. Isso até um belo dia qualquer eu ter me inteirado de alguém questionando aquilo, e nem me lembro na ocasião com qual intuito.

Interessante como dali em diante eu encarnei a mesma objeção, e passei a prestar atenção em todas as cruzes de qualquer lugar que fosse, até nas casas das minhas tias catoliconas. Aquilo realmente passou a me perturbar, e como eu não sabia o motivo em si, comecei a questionar a própria religião, coisa que nunca me preocupou.

Só depois de muito tempo, depois de saber que era uma reivindicação pela laicidade do estado e tudo mais eu vi como eu estava servindo de massa de manobra talvez de alguma militância esquerdista, por uma causa que a verdade nunca foi minha.

O tal do cartazeco do Escola Sem Partido, presente o tempo todo ali na sala de aula parece ser a mesma cruz pregada na parede, para os militantes esquerdistas doutrinadores.

Offline Agnoscetico

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« Resposta #198 Online: 11 de Novembro de 2018, 14:32:21 »
A melhor maneira de acabar com essa celeuma do perigo do ensino do criacionismo nas escolas e outras estórias da carochinha bíblica é dar espaço para os evangélicos exporem suas bobagens para serem discutidas e confrontadas com os princípios científicos que já fazem parte do ensino básico obrigatório. Assim como também deveria ser incluído o ensino a mitologia greco/romana, que tem estórias/metáforas muito interessantes. As nossas criancinhas, habituadas com Transformers, Homens Aranha, XMen, Papai Noel e Peter Pan certamente saberão lidar com a costela do Adão e a Arca de Noé. Em todo caso, o nosso ministro-astronauta deve estar atento a eventuais exageros proselitistas e anti-científicos, supondo que ele não seja evangélico.

Não dá certo. Eles sempre podem tentar usar malabarismos como Design inteligente / Criacionismo "científico" que tem uma roupagem pseudo-científica e vão levar os mais suscetíveis a acreditar.

Uma solução seria pôr (ou manter) Criacionismo na sua devida área: Humanas, mais especificamente na Literatura / Religião.


Além disso cristãos costumam usar dois pesos duas medidas, são favor de Criacionismo judaico-cristão mas quando é pra inserir sobre religiões afro e indígenas na grade escolar aí usam "Estado é laico" (laico pros outros pra eles não).












Offline Agnoscetico

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« Resposta #199 Online: 11 de Novembro de 2018, 14:50:17 »
Tem que colocar as explicações das religiões africanas  para a origem do homem, também, caso haja pelo menos um aluno cujos pais tenham a convicção que a explicação de alguma religião africana  é a correta.

Afinal de contas, os professores não podem ir contra as convicções do(s) aluno(s) e/ou pais.     :ok:


Tenho uma solução melhor. Privatiza as escolas ou as transforma em charters schools. Quem quiser ver mitologia no estudo das áreas de ciências do filho(a) que PAGUE SOMENTE do seu próprio bolso por isso. As escolas que não atingirem a performance pública nas notas por estarem ensinando mitologia no lugar errado seriam automaticamente removidas das verbas públicas direcionadas a vouchers e charters schools. Nada como uma seleção natural para fazerem os sistemas evoluírem por meio da remoção.


Deixando o lado educacional e indo pro lado econômico:
Tu é entusiasta do privatiza geral. Não sei se sabe mas nos EUA tem muitas escolas públicas e muitas são melhores avaliadas (por rendimento escolar, notas, etc) que muitas escolas particulares.


 

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